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CAPITULO 3 ENFERMAGEM CIRURGICA a TOPICOS DESTE CAPITULO Organizacao e funcionamento do centro cirurgico Terminologia ciruirgica Classificacao das cirurgias Paramentagao ciruirgica O periodo pré-operatério O periodo intraoperatorio O periodo pos-operatorio Controle de infecgao hospitalar Centro de materiais e esterilizagao (CME) — 101 CAPITULO 3: ENFERMAGEM CIRURGICA 1. Organizagdao e funcionamento do centro cirtirgico 1.1 Definigao Ocentro cirdirgico (CC) é uma unidade hospitalar especializada e de alta complexidade, destinada a realizacao de cirurgias variadas, recuperago pés-anestésica e pés-operatéria imediata, E um local restrito, com acesso limitado aos profissionais que ali atuam e pacientes do setor. 1.2 Localizagao Esse setor deve ser construido em uma rea do hospital em que a circulacao de pessoas seja mini- ma e de livre transito apenas para profissionais e pacientes. Ao mesmo tempo, deve ocupar uma area com acesso facilitado as unidades de internacao cirurgica, urgéncia e emergéncia e unidade de tera- pia intensiva, pois 0 centro cintirgico mantém intensa relacdo com esses setores. 1.3 Estrutura fisica Uma unidade de centro cirtirgico devera apre- sentar na sua estrutura fisica dreas destinadas &: + Recepgio do paciente: recepciona e transfere pacientes de maca, provenientes de unida- des deinternacao ou urgéncia e emergéncia; + Escovagao (lavabo): local onde se realiza a degermacao de maos e bracos da equi- pe cirurgica. Deve ser proximo as salas de Cirurgia e as torneiras devem ser aciona- das com pedal ou cotovelo. Para até duas salas, deve haver duas torneiras para cada uma, quando ha mais de duas salas de cirurgia, deve haver duas torneiras Areadeesovagio para cada novo par de salas. As pias de- vem ter cerca de 90 cm de altura, + Salas de cirurgia: area onde os procedi- mentos cirtirgicos sao realizados. O nume- rode salas de cirurgia depende do nimero de leitos hospitalares. O Ministério da Sau- de preconiza duas salas de cirurgia para cada 50 leitos nao especializados ou para cada 15 leitos cirurgicos. Deve haver pres- sio positiva em relacdo aos corredores e as portas deverdo permanecer fechadas. Sala de crurgia 102 — ~ — + Posto de enfermagem e servicos; + Unidade de recuperacao pés-anestési- ca: local onde os pacientes permanecem no periodo pds-cirtirgico imediato, até que tenham condicées de ser transferi- dos para unidades de internaco; + Areas de apoio: depésito para material e limpe- za (DML), sala de guarda de equipamentos, sala de material esterilizado, sala de medicamentos e ma- terial médico-hospitalar, sanitarios com vestidrios ara equipe, sala de espera, rouparia, expurgo. + © centro cirtirgico poderé dispor de uma copa, porém todos os cuidados com a higiene devem ser observados, pois qualquer falha po- Sala de recuperacao pés-anestésica dera comprometer a assepsia da unidade, Para ajudar no controle de infecgées, a area ciruirgica ¢ dividida em 3 parte + Area irrestrita - onde se pode utilizar roupas comuns; + Area semirrestrita - onde se deve utilizar roupa ciruirgica e gorro;e + Area restrita - onde se utiliza roupa cirtirgica, sapatilhas, gorro e mascara. Outras consideracées importantes sobre a estrutura do CC: + As paredes devem ser lisas e lavaveis, pintadas de cor neutra e fosca. Os cantos devem ser arre- dondados e sem rodapé. + As portas devem ser do tipo vai e vem, sem macanetas e devem possuir visores. + temperatura minima deve ser de 19°C e a maxima de 24°C. + Aumidade relativa do ar deve ser de 45 a 60%. + Ailuminagao artificial deve ser de cor natural, para nao alterar a visualizag3o dos pacientes. + Deve haver trés conjuntos de quatro tomadas cada e uma tomada para raio x, que devem estar localizadas a 1,5 m do chao. 1.4 Recursos humanos No centro cirdirgico trabalham pessoas de diversas especialidades. € fundamental que os recursos humanos tenham suas atribuigdes bem definidas e que todos realizem os trabalhos em equipe, para que a seguranga e conforto do paciente operado sejam garantidos. Os recursos humanos de um cen- tro cirurgico contam com: + Anestesista: profissional médico que avalia o paciente antes da cirurgia, seleciona e administra a anestesia, controla qualquer problema relacionado ao anestésico, acompanha as condigdes do paciente durante e apés a cirurgia. + Médico cirurgido:realiza 0 procedimento cinirgico elidera a equipe médica que esta na sala de cirurgia. + Instrumentador cirdrgico: profissional que prepara as mesas estéreis e instrumenta as cirur- gias. Antes de a incisao cirurgica ser fechada, 0 instrumentador e a circulante contam todas as ~ 103 CAPITULO 3: ENFERMAGEM CIRURGICA agulhas, compressas e instrumentos para se certificarem de que nada sera retido como corpo estranho no paciente. + Enfermeira circulante: gerencia a sala de cirurgia e protege a segurancae satide do paciente ao monitorar as atividades da equipe cirirgica, verificar as condicdes da sala e dos equipamentos e avaliar o paciente continuamente. £ responsavel pelo atendimento as solicitacées diretas do cirurgido e documentagao das atividades. + Técnico de enfermagem: auxilia a enfermeira circulante diretamente em suas atividades. 1.5 Preparo da sala de cirurgia Asala de cirurgia deve estar adequadamente montada para a realizacao de qualquer tipo de procedimento. Em primeiro lugar, o funcionério deve se certificar do tipo de cirurgia que sera realizada e obser- var os materiais solicitados, medicamentos e outros equipamentos, para que possa providenciar tudo 0 que for necessario. Em relacao a higiene, a limpeza dos pisos e paredes deve ser cuidadosamente verificada eos equipamen- tos e méveis da sala de cirurgia devem ser impos e desinfeccionados conformea rotina da instituicdo, Todos os equipamentos elétricos, pontos de oxigénio e aspiracéo devem ser testados. A sala deve ser equipada com todo o material estéril e nao estéril necessario, bem como com medicagao e material para anestesia, Os pacotes de campos e aventais, luvas e caixas de instrumental ciruirgico devem ser colocados em local acessivel. Durante a cirurgia, varios impressos so utilizados para a assisténcia ao paciente. € funcdo do profissional que estiver montando a sala de cirurgia verificar se todos esses impressos esto em ordem e se sao suficientes. 1.6 Equipamentos bdsicos Os equipamentos encontrados em uma sala de cirurgia podem ser clasificados em fixos ou mo- veis, E de extrema importancia que o profissional de enfermagem saiba reconhecer cada um deles, entender sobre o funcionamento e avaliar qualquer anormalidade nas funcoes. Exemplos de equipamentos fixos: + Armarios embutidos; + Negatoscépio; + Balcdo; + Foco de luz central; + Ar-condicionado e fontes de ar comprimido; + Sistema de canalizacao de gases. Exemplos de equipamentos méveis: + Mesa auxiliar e mesa de Mayo; + Bisturi elétrico; + Aspirador de sectecdes; + Focodeluzauxilia; + Hamper; + Escada de dois degraus; 104 — — Equipamentos de monitoracao do paciente; Cartinhos para material de consumo e estéreis, 1.7 Materiais utilizados planejamento do material a ser utilizado ¢ funda- mental para 0 bom andamento de uma cirurgia. A se- guir, temos alguns exemplos de materiais utilizados em Cirurgias gerais, mas é importante lembrar que algumas irurgias exigem material mais especifico. Pacotes de aventais estéreis e avental com aber- tura para frente (opa); Pacotes de campos duplos e simples, compres- sas grandes e pequenas; Pacote de gazes; Pacote de impermeével para a mesa do instru- mentador; Caixa de instrumentos; Pacote de material para antissepsia; Pacotes de cubas grandes e pequenas; Pacotes de cuba rim; Pacotes de drenos e sondas diversos; Pacotes de luvas estéreis de varios tamanhos; Pacote com cabo de borracha para aspirador; Caixas de fios de sutura de diferentes numeros; Caixa de cabo do bisturi elétrico; Equipos de soro, agulhas e cateteres; Bandeja de material para anestesia, contendo canulas endotraqueais com guia, canulas de Guedel, laringoscépio e pinga de Magil; Solucdes de iodo, clorexidina, dlcool; Impressos (grAficos e receituarios); Soro glicosado, fisiolégico, Ringer lactato e Manitol; Medicamentos anestésicos; Pomadas anestésicas; Esparadrapo e micropore. eS (ubarim Salus de odo ~. oN C Pinca de Magi Laringoscépio 105 CAPITULO 3: ENFERMAGEM CIRURGICA 1.8 Instrumental cirtirgico Instrumentos gerais + Campos cinirgicos: pecas de pano que isolam 0 campo operatério do restante do corpo do paciente. Devem ser ne- cessariamente esterilizados. + Compressas cirtirgicas: colocadas por cima dos campos cirtirgicos, protegen- do as bordas das incisoes. + Gazes: utilizadas durante varias etapas da cirurgia. + Drenos: tubos que escoam fluidos e secregdes diversas, podendo ser de borracha ou plastico. + Seringas e agulhas: utilizadas durante aanestesia. Bisturis ‘S40 0s principais instrumentos de corte, composto de cabo e lamina. + Bisturi de cabo curto: utilizado em cirurgias de superficie, + Bisturi de cabo longo: utilizado para cirurgias em cavidades mais profundas. + Bisturi elétrico: utilizado _principal- mente para coagulagao. Tesouras Podem ser curvas ou retas, grossas ou fi- nas. As mais utilizadas sao: + Tesoura Metzenbaum: tesoura curva; + Tesoura Mayo: tesoura reta util no corte dos fios cirtirgicos. Pingas Também sao instrumentos com grande varie- dade de tamanho, forma e utilidade. + Pinga Kocher ou dente de rato; Bisturi de cabo curto EE Bisturde cabo longo Tesouras Metzembaum, Tesouras Mayo 106 - an off Pinca kocher Pinga de Hasted ou mosquito, ot A a x G Ping Babcock Pinga de Duval ‘Mastador de farabeut Pinca de Kelly, 1.Aguiha curva, 2agulh lanceolada, 3.agulha lindrica + Pinga Kelly; + Pinga Hasitead ou mosquito: empregada em cirurgias pediatricas, sao pequenas e delicadas; + Pinca Pean; + Pinca Mixter; + Pinca Satinski; + Pinca Faure; + Pinga Rochester-Pean. Instrumentos de preensdo Sao instrumentos que seguram, erguem, in- clinam ou tracionam tecidos corpéreos durante a cirurgia. A maior parte desse instrumental ¢ composta por pingas. + Pinga Museux; + Pinga Allis; + Pinga Babcock: utilizada para tracionar alcas in- testinais; + Pinga triangular de Duval: utilizada para o pinga- ‘mento de lobos pulmonares; + Pinga Collin oval; + Pinga Foerster: pinca longa empregada em cura- tivos profundos, segurando compressa e gaze; + Pinga Adson; + Pinca Potts Smith; + Pinca Nelson. Afastadores S40 instrumentos que expdem o campo operatério ou mantém o campo aberto. + Afastador de Farabeuf; + Afastador Volkman; + Afastador Doyen. Agulhas e fios As agulhas cirtirgicas e 05 fios cirdirgicos re- compéem os tecidos corporais danificados pela cirurgia. Esse procedimento é denominado su- tura. As agulhas podem ter o fio pré-passado, ou 107 CAPITULO 3: ENFERMAGEM CIRURGICA seja, a agulha vem montada direto da fabrica ou fio a passar, que ainda precisa ser montada. + Agulha reta: sutura o tecido epitelial, sem necessidade do uso do porta-agulhas. + Agulha curva: pode ter uma curvatura leve ou maior, é utilizada para sutura de tecidos profundos. + Agulha lanceolada: agulha de seccao triangular, utilizada para sutura de teci- dos mais resistentes, + Agulha cilindrica:agulha de seccao circu- lar, utilizada para sutura de tecidos deli- cados e vasos sanguineos. Mayo -Hegar Mathiel Olsen -Hegar Os porta-agulhas seguram a agulha durante © processo de sutura. + Porta-agulha Mayo-Regan; SA + Porta-agulha Mathieu. Os fios cirurgicos podem ser: + Absorviveis: so gradativamente absor- vidos pelo organismo. Os melhores exemplos so os fios Categute simples e Categute cromado; el A + Nao absorviveis: néo séo absorvidos Fios de sutura pelo organismo, necessitando ser remo- vidos posteriormente. Instrumentos especiais So especificos para determinadas cirurgias, ou seja, nao fazem parte da mesa de instrumentacao geral. Exemplos: + Clamp de Kocher: utilizado para oclusao de al¢as intestinais; + Rugina: separa as costelas dos tecidos musculares, utilizado em cirurgias tordcicas; + Serra de Gigli: utlizada em cirurgias neurolégicas e ortopédicas. 2. Terminologia cirtirgica Os termos que compéem a terminologia cirirgica sdo formados por um prefixo e um sufixo. O prefixo Permite identificar a estrutura corpérea que est sendo operada e o sufixo € 0 tipo de cirurgia realizada, 108 = Oto ouvido Oftalmo olho Rino nariz Bléfaro palpebra ‘Adeno glandula Traqueo ‘traqueia Cardia esfincter es6fago-gastrico Gastro estomago Entero intestino delgado Colon intestino grosso. Hepato figado Cole vias biliares Procto reto e anus Espleno baco Laparo parede abdominal Nefro rim. Pielo pelve renal Cisto bexiga Vesico bexiga Histero titero_ Salpingo trompas Colpo vagina Ooforo ovario Orqui testiculo Osteo ‘0ss0 Angio vvasos sanguineos ie Flebo veia Artro articulacao Laringo laringe Neuro nervo Derma pele Lito calculo, Masto mama Pneumo pulmao 109 CAPITULO 3: ENFERMAGEM CIRURGICA 2.2 Sufixos e seus significados Ectomia: remover parcial ou totalmente um 6rgao. Tomia: corte ou incisdo, abertura de parede ou drgao. ‘Stomia: “fazer uma nova boca"; comunicar um 6190 tubular ou oco com o exterior. Pexia: fixacdo de um érgao. Plastia: reparacao pléstica da forma ou funcao do segmento afetado. Rafia: sutura. Scopia: visualizar 0 interior de um 6rgao ou cavi- dade com o auxilio de aparelhos especiais (en- doscépios). Tripsia: esmagamento. Centese: puncao. 2.3 Outros termos relevantes Aneurisma: dilatacao localizada e anormal de uma artéria ou parede dos vasos. ‘Abscesso: foco de supuracao no interior de um tecido ou érga Amputagao: remocao total ou parcial de um membro ou érgao. Enxerto: insercao de material para corrigir defeito ou falha em tecidos ou érgaos. Exérese: retirada parcial ou total de um seg- mento corpéreo. Anastomose: comunicacao cirurgica efetua- da entre dois vasos sanguineos ou visceras ocas, geralmente por sutura. Artrodese: imobilizacdo cirurgica de articulacao. Circuncisao ou postectomia: resseccdo da pele do prepticio, que recobre a glande. Paracentese: puncao de um espaco contendo liquido, utilizando agulha. Toracocentese: pun¢o/aspiracao do espaco pleu- ral para remogao de liquido fora da normalidade. irada de um tecido vivo para exame. Deiscéncia: separacao de bordas previamente su-__ turadas de uma ferida. Dissecgo: corte ou separagio de tecidos do corpo. do: saida de visceras de sua cavidade, Fistula: passagem anormal que liga um 6rgao, cavidade ou abscesso a uma superficie, Hérnia: saida total ou parcial de um érgao do espago que normalmente o contém, Litiase: cdlculo, Prolapso: queda de um 6rgo, especialmente quando surge um orificio natural. Ptose: queda de um érgao. Ressecco: remocao cirtirgica de parte de um 6rgao. 2.4 Cirurgias com nomes de cirurgi6es que idealizaram ou aperfeigoaram a técnica Cirurgia de Wertheim: histerectomia abdominal. Girurgia Billroth I: reconstrugao do transito in- testinal com anastomose do estémago ao duodeno. Girurgia de Burch- colpopexia: fixacdo da vagina, Utero e bexiga em sua posicao natural. Girurgia Halsted: mastectomia radical. Classificagao das cirurgias ‘As cirurgias podem ser classificadas de acordo ‘coma finalidade ou com o grau de urgéncia com que elas precisam ser realizadas (SMELTZER; BARE, 2006). De acordo com a finalidade, as cirurgias se classificam em: + Diagnésticas: quando o procedimento tem © objetivo de investigar ou classificar uma doenca. Exemplo: bidpsias. Curativas: quando 0 procedimento tem o. objetivo de curar algum problema de satide. Exemplo: remocao de tumor. + Reparativa: quando o procedimento tem por objetivo reparar algum dano sofrido pelo organismo. Exemplo: reparacao de miltiplas feridas. Reconstrutora ou cosmética: quando o pro- cedimento visa reconstruir uma parte do corpo que sofreu danos ou que nao agrada esteticamente ao paciente. Exemplo: mamo- plastia; abdominoplastia. + Paliativa: quando o procedimento tem por objetivo aliviar a dor ou corrigir um proble- ma. Exemplo: insergao de sonda de gastros- tomia em paciente incapaz de deglutir. De acordo com o grau de urgéncia, as cirur- gias podem ser classificadas em: + Emergenciais: requerem atencao imediata e © paciente corre risco de vida caso nao seja operado. Exemplos: sangramento grave, fe- ridas por arma de fogo, cranio fraturado. + Urgentes: 0 paciente precisa de atencio imediata e deve ser operado em no maxi- mo 30 horas. Exemplos: infeccao aguda da vesicula biliar, cdlculos renais ou uretrais. Necessdrias: 0 paciente precisa ser opera- do, mas se pode planejar a cirurgia dentro de algumas semanas ou meses. Exemplos: disturbios da tireoide, catarata. Eletivas: 0 paciente deve ser operado, mas ©@s0 isso ndo aconteca nao havera nenhu- ma consequéncia grave. Exemplos: repara~ 80 de cicatrizes, hémnia simples Opcionais: a decisao entre fazer ou nao a cirurgia é do paciente, envolvendo fatores pessoais. Exemplo: cirurgia cosmética. Paramentacdo cirtirgica A paramentacao da equipe ciruirgica ¢ um processo especifico e padronizado, que exige rigor no que diz respeito a observacao dos principios cientificos e as normas preconizadas de higiene e assep- sia. Os procedimentos de paramentagao cirtirgica sao: degermagao das maos e antebracos, colocagdo de avental ou opa esterilizados e de luvas esterilizadas. Durante a cirurgia, os profissionais que se escovaram, calaram luvas e vestiram aventais estéreis devem tocar apenas os materiais esterilizados. Os demais profissionais ndo devem tocar ou contami- nar nenhum material estéril Degermacao das maos e antebracos Esse procedimento € necessario porque diferentes micro-oganismos habitam a pele. A flo- ra residente é composta por micro-organismos que aderem a superficie cutanea e sio de di- ficil remogao, Alguns exemplos de micro-organismos presentes na flora residente sao estafilo- cocos coagulase negativa e acinelobactéria. Ja a flora transitéria é composta por microoganismos de viruléncia variada, que nem sempre esto presentes na superficie da pele € so removidos com facilidade. Exemplos de microorganismos que fazem parte da flora tran- sitéria sao as bactérias gram-negativas. Desse modo, a degermacao das maos ¢ antebragos visa eliminara flora transitéria e reduzia flora residente. A degermacao das maos é composta pelas seguintes etapas: + Lavagem bésica das mos: lavagem com agua e sabao, que remove a flora transitoria e algumas residentes, além de suor, oleosidade e sujidade. + Escovaco com solucées antissépticas: é obrigatéria antes de qualquer procedimento ciruirgico, remove mecanicamente detritos com uma escova macia e descartavel. mw CAPITULO 3: ENFERMAGEM CIRURGICA Colocacao de avental cirtirgico e luvas estéreis Todas as pessoas envolvidas no trabalho na sala de cirurgia devem utilizar roupas adequadas. Por isso, as roupas rotineiras devem ser trocadas por pijama cirtirgico, gorro, mascara, sapatilhas e mais adiante, por aventais ou opas esterilizadas e luvas estéreis. ‘As mascaras devem estar firmes sobre o rosto, cobrir por completo o nariz e a boca e néo atrapalhar a respiracao, fala ou visao. O gorro deve cobrir o cabelo por completo, de modo que fios de cabelo, grampos € presilhas ndo caiam no campo esterilizado. Os calgados utilizados por baixo das sapatilhas devem ser confortaveis e firmes eas sapatilhas devem ser removidas na saida da érea restrita ‘Atroca de roupa deve acontecer no vestidrio e a colocacao de avental cirtirgico deve ser feita apés a escovagio e apés a entrada na sala de cirurgia. Todas as pessoas que entram em campo operatorio e manipulam os materiais e instrumentos estéreis devem se paramentar com o avental cirtrgico. Geralmente, esses profissionais so os cirurgides e instru- mentadores ciruirgicos. Profissionats paramentados com pijama crirgico, gor, mascara, pro-pése aventalesterizado, 112 a ——_—_ 5 Operiodo pré-operatério O periodo pré-operatério comeca com a decisio pela cirurgia e termina com a transferéncia do Paciente para a mesa cirtirgica. € de extrema importancia a atuacao da enfermagem, pois é a equipe que mais teré contato com o paciente nesse periodo, devendo avalia-lo e preparé-lo o mesmo em diversos aspectos, realizar a educacao pré-operatéria e esclarecer dividas. 5.1 Consentimento informado De acordo com Smeltzer e Bare (2006), 0 consentimento informado é necessério para que a cirurgianéo emergencial possa ser realizada, pois respalda tanto 0 paciente quanto o cirurgido. Esse documento deve ser obtido nas seguintes situagbes: + Procedimentos invasivos; + Procedimentos que precisarem de sedacao ou anestesia; + Procedimentos nao cirtirgicos que oferecam risco moderado para o paciente; € + Procedimentos que envolvam radiacao. Existem algumas regras para que esse consentimento seja valido: + Deve ser sempre por escrito; + Deve ser fornecido voluntariamente, sem Consentimento Informado Spansion Docent ot males dot fe dod, ete i do é sir roteride es mates dos prinipen de eldode pretidade ees. Cuando o paciente nao é auténomo ou nao pode fornecer 0 consentimento (meno- res de idade, individuos mentalmente inca- pazes ou em coma), um membro da familia ou tutor legal deve assinar o documento; + O consentimento deve conter explicagées sobre 0 procedimento e seus riscos, benefi- esac a bie eaiece aa cios e alternativas; Atendimento Etico Certificado cntnee, + Deve conter oferecimento para responder as duvidas; ———— + Deve ser informado ao paciente de que ele pode retirar o consentimento; + Se for planejado algum procedimento fora do em Indicagées e riscos provavels. Leia com atengio habitual, o consentimento deve informar esse fato; ido se 0 paciente estiver sob 0 efeito de me + O-consentimento pode nao ser v Modelo de Consentiment lee exlarecido que possa afetar 0 julgamento. 13 114 CAPITULO 3: ENFERMAGEM CIRURGICA 5.2 Preparando o paciente para acirurgia Admissao do paciente na clinica cirrgica Na admissio do paciente para a preparacao para a cirurgia, é fundamental que seja coletado um bom histérico, especialmente com avaliacao de fatores fisicos e psicolégicos. O profissional de enfermagem deve: + Relacionar preocupagées do paciente liga~ das a cirurgia; + Forecer informagées que diminuam o medo da cirurgia; + Ouvir atentamente os anseios ¢ duvidas do paciente; + Respeitar as crengas espirituais, que podem ser terapéuticas; + Providenciar auxilio do servico social e psico- loga, se necessario; + Investigar sobre a disponibilidade e confiabi- lidade da familia durante todo 0 processo. Exame fisico Para que a cirurgia seja realizada, o ideal é que o paciente esteja com todos os sistemas em bom funcionamento. 0 profissional de enfermagem deve verificar: + Sinais vitais: muito importante para futuras comparacées; + Pele: verificar presenca de ilceras de pressio; + Presenca de edema; + Exames complementares (exames de san- gue, radiografias, ultrassonografias); + Estado nutricional: essencial para boa cica- trizacao da ferida operatoria; + Obesidade: aumenta o risco de complicacoes einfecgoes; + Presenca de desidratacao e hipovolemia, que devem ser corrigidos antes da cirurgia, se presentes; + Uso de dlcool, tabaco ou drogas: devem ser eliminados, 0 ideal & parar de fumar no minimo 4 semanas antes da cirurgia; + Estado respiratorio: verificar sons respira- torios e tipo de respiracdo; + Estado cardiovascular: se o paciente apresenta hipertensio descontrolada, a cirurgia poderé seradiada; + Funcao hepitica e renal, com realizacéo de balanco hidrico; + Fungo endécrina: se o paciente for diabé- tico, deve ter sua glicemia rigorosamente controlada; + Existéncia de alergias; + Documentar todas as medicagées utili- zadas previamente (anti-hipertensivos, antidepressivos, insulina, antibiéticos), inclusive as caseiras, pois tudo deve ser relatado a equipe de anestesia; + Observar atentamente as condiges do paciente idoso, por causa da reserva fis légica diminuida; + Relatar a admissao na ficha de evolugo do paciente, conforme exemplo: 14:00 - Admitido na Clinica Cirdrgica, leito XX, deambulando, consciente, acompa- nhado pela filha, aparentemente ansioso por causa da cirurgia, comunicando ver- balmente, PA= 110x70 mmHg, P= 80 bpm, R= 20 irpm, T= 36°C, Peso= 67 kg, Altura = 1,77. Trouxe exame de ultrassonografia de abdome total e anti-hipertensivo que faz uso. Foi orientado quanto @ enfermaria e rotinas da clinica. Enfermeira Aba- dia - COREN xxx. Educacao pré-operatéria O ensino pré-operatorio deve comecar o mais rapido possivel, de preferéncia no consultério médi- co,durantea consulta, e continuar até que o pacien- teentre na sala de cirurgia. O valor dessas instrucdes & muito grande, pois o paciente conheceré o proce- dimento e terd as suas perguntas respondidas. O enfermeiro deve avaliar cuidadosamente 0 que o paciente precisa e deseja saber, bem comoo quanto ele pode assimilar. As informacdes devem ir além da simples descrigao do procedimento, incluindo sensacées que o paciente poderd experimentar. Alguns pontos importantes a serem ensinados sao: + Exercicios respiratérios, que promovem maior expansao tordcica e melhor oxigenacao. Tais exercicios podem ser feitos com espirometro de incentivo, respiracdo diafragmatica e tose); + Importancia da mobilidade, que auxilia na circu- lacdo, previne a estase venosae melhora a respiracao; + Exercicios para os membros inferiores, + Melhor modo de se levantar do leito; + Uso do papagaio e da comadre; + Métodos para alivio da dor; + Enfrentamento do stresse; + Informagées sobre o que levar (cartao de identificacdo, lista de medicamentos e alergias) e ‘© que nao levar (objetos de valor, lentes de con- tato) no dia da internacao. Esprmetro de incentivo Procedimentos de preparo do paciente para a cirurgia Para o bom andamento da cirurgia, é essencial que o paciente esteja preparado com o jejum adequado, que evita aaspiracao. A aspiracao ocorre quando oalimento ingerido é regurgitado einvade os pulmées,o que leva & morte em 70 a 80% dos casos. Geralmente a alimentacao é suspensa na noite anterior & cirurgia. Um onto muito importante a ser observado €a colocacéo de um aviso de jejum proximo ao leito, para que todos ue por ali passarem saibam da restricao. Para anestesia geral, deve ser respeitando o seguinte esquema: + Ghoras de jejum apés refeicao leve; + 8horas de jejum apés refeicdo com came; ou + 2a4horas de jejum apés ingestao de liquidos sem sedimentos. Opreparo intestinal também é necessario, para que haja a visualizacao satisfatéria do local do sitio cirdirgi- coe para evitar a contaminacao do periténio por fezes. Os enemas so pouco frequentes no preparo intestinal. Normalmente, o paciente ingere fleet com suco de laranja por via oral ou faz uso de laxativos eantibisticos que reduzem a floraintestinal. : A pele também deve ser preparadia, para diminuir as bactérias. Quando a cirurgia nao é de emergéncia, 0 paciente deve comecar a utilizar um sabao com germicida durante o banho, varios dias antes da cirurgia. A tricotomia (remocao de pelos) s6 ¢ utilizada caso 0 pelo possa interferir na cirurgia. Nesse caso, deve ser feita na sala de cirurgia, antes da operagao, com cortador elétrico. Assisténcia de enfermagem para momento da transferéncia para o centro ciruirgico + Observar se todos 0s procedimentos de higiene e preparo foram realizados; + Auxiliar com a vestimenta propria para o centro cirtrgico (camisola hospitalar desamarrada e aberta atrds, cabelos presos sem grampos e fivelas, gorro); + Identificar o paciente; - 15 CAPITULO 3: ENFERMAGEM CIRURGICA + Remover proteses, lentes, joias, esmaltes, roupas intimas (pertences devem ser arrolados ou entregues & familia); + Encaminhar paciente para urinar; + Verificar sinais vitais e anotar; + Transferir paciente para a maca, mantendo privacidade e seguranca; + Aplicar medicacao pré-anestésica; + Fazer anotagao de transferéncia na ficha de evolucio do paciente; + Encaminharo paciente junto com sua documentacao para o centto cinirgico, 30 minutos antes da cirurgia; + Preparar o leito para receber o paciente de volta; + Orientar os familiares e fornecer informac6es sobre o paciente. Paciente pronto cugia OD — 6. O periodo intraoperatério O periodo intraoperatério comeca quando o paciente entra na sala de cirurgia e termina quando ele é transferido para a unidade de recuperaco pés-anestésica. Nessa fase, as principais atuades da enfermagem séo em relacdo ao posicionamento do paciente na mesa de cirurgia, fornecimento de seguranca e amparo emocional ao paciente durante a anestesia e ainda auxilio geral ao cirurgido du- rante todos os tempos cirtirgicos, come circulante ou instrumentadora, 6.1 Posicionamento cirtirgico Cada procedimento cirtirgico requer que o paciente esteja acomodado em uma posicao especifi- a. Efuncao da enfermagem verificar o tipo de cirurgia a ser realizada e ajudar o paciente a se posici nar corretamente. Alguns cuidados devem ser observados: + Oposicionamento deve manter o alinhamento corporal; + Nao deverd haver pressao sobre os vasos em nenhuma posicao; + Deve haver acesso para a administracao de solugdes endovenosas e medicamentos; + Nao comprometera integridade da pele; + Oferecer cobertor aquecido; + Nao deve haver contato do paciente com a parte metalica da mesa; + Sempre deve haver um dispositivo de ar, espuma ou gel para proteger dreas de pressao. Posicao decubito dorsal Ea posicao cirlirgica mais comum. O corpo do paciente deve estar bem alinhado, o dorso e a coluna devem repousar sobre o colchdo. A cabeca deve estar voltada para um dos lados. Geralmente o paciente é anestesiado nessa posicao, independentemente da cirurgia a ser realizada. As areas de presséio que devem ser protegidas sao: occipto, escépula, olecranio, sacrococcixe calcineos. Posigo debit dorsal 7 CAPITULO 3: ENFERMAGEM CIRURGICA Posicao Trendelenburg E uma variacdo do decubito dorsal em que a parte superior do dorso ¢ abaixada e os pés sao ele- vados. € utilizada para procedimentos pélvicos (ginecolégicos e urolégicos), afastando da cavidade pélvica 0 intestino e 0 célon, o que facilita a visualizacao e minimiza as possibilidades de perfuracao. 1 PosigioTrendelenburg Posigao Trendelenburg reversa Ea posicao em que a cabeceira fica elevada e os pés, abaixados. £ utilizada para procedimentos que precisam de melhor visualizagao da cabeca e pescoco, como cirurgias de tireoide e paratireoide. De- vem ser utilizados coxins nas regides lombar e poplitea para que 0 corpo no escorregue. PosicioTendelenburg reversa 118 Posicao Litotémica Utilizada para cirurgia genital ou retal. O paciente € colocado em dectibito dorsal com as pernas elevadas e abduzidas para expor a regiao perineal, O suporte de perna nao deve pressionar a regiao poplitea e os estribos devem estar bem nivelados. Posi itotimica Posicao decubito ventral E indicada para cirurgias na parte posterior do corpo, tais como de coluna vertebral e artroplastia cer- vical. Os locais mais vulneraveis (mama, face, genitalia masculina, patela e tornozelo) devem ser protegi dos com acolchoamento. A Posicio decibito ventral 119 CAPITULO 3: ENFERMAGEM CIRURGICA Posigao Fowler modificada Ea posicdo sentada, em que o repouso do dorso € elevado, os joelhos sao flexionados e o suporte dos pésndo é deslocado. Os membrosinferiores de- vem ser flexionados para a prevencio de quedas. Posigao lateral ou Sims Nessa posicao 0 paciente fica deitado sobre © lado néo afetado, com a perna que fica do ._ lado de cima flexionada, afastada e apoiada em superficie de repouso. € indicada para toracoto- mia, cirurgia nos quadris e cirurgia renal. Posicao canivete (Kraske) E uma modificacao do decubito ventral, uti- lizada para procedimentos proctolégicos ou de coluna lobar. 6.2 Sedacdo e anestesia Durante a cirurgia, o paciente precisaré de sedago, anestesia ou uma combinacéo dos dois. © método que sera empregado depende do tipo de cirurgia e também de fatores relacio- nados as condiges do paciente. Em alguns ca- sos, podem ser utilizados anestésicos que sus- pendem a sensacdo em regides do corpo, como a anestesia local, regional, epidural ou espinal. Os métodos de administracao da anestesia podem ser: + Intravenosa: associada frequentemente a inalagao, com a vantagem de néo provo- car o desconforto inicial que a anestesia inalatéria provoca, sendo por isso utiliza~ da primeiro. A duracao da ado é curta e © paciente pode despertar com néuseas evémitos. Fowler modifcada Posigéo lateral ou Sims Posigao cnivete 120 Sedacao minima Nesse nivel de sedaco, 0 paciente pode respénder normalmente aos comandos verbais, mesmo que as fungées cognitivas e coordenacao estejam afetadas. O paciente respira espontaneamente e a circulagdo permanece normal. Sedaco moderada Nesse nivel de sedacao, que é induzida por via intravenosa, o paciente tem uma queda do nivel da consciéncia, mas que nao compromete a fungao respiratoria nem a resposta aos estimulos fisicos e verbais. E utilizada especialmente em procedimentos cirirgicos e exames diagndsticos nos quais 0 paciente tem a expectativa de receber alta no mesmo dia, algumas horas apés 0 procedimento. principal propésito ¢ deixar o paciente calmoe com amnésia. Quem recebe essa anestesia nunca pode ser deixado sozinho e deve ser rigorosamente monitorado quanto aos sinais vitais, oximetria de pulso e eletrocardiograma. A sedacao moderada pode ser utilizada independentemente ou em combinagao com anestesia local, regional ou espinal. Sedacao profunda Nesse nivel de sedacdo, 0 paciente é induzido a um estado no qual no pode ser acordado com facilidade, mas pode responder depois de estimulacao repetida. A diferenca entre sedacio profunda e anes- tesia geral é que durante a anestesia, ndo se consegue despertar o paciente. Tanto a seda- 40 profunda quanto a anestesia sio consegui- dos por inalacao (Iiquidos voléteis e gases) ou por via intravenosa. Quando 0 paciente inala 0 gas combinado com oxigénio, o anestésico penetra no sangue através dos capilares pulmonares, produzindo perda da consciéncia e da sensacao. Quando a administracdo do gas é interrompida, 0 anestésico é eliminado através dos pulmées. Pacienterecebendo anestesia local 121 CAPITULO 3: ENFERMAGEM CIRURGICA Anestesia local Uma solugao contendo anestésico local é injetada em uma determinada area do corpo, sem que ‘ocorra o bloqueio de nervos. A anestesia ocorre somente na érea infiltrada pelo anestésico. € utiliza- da em cirurgias plasticas, dermatolégicas e odontolégicas. 0 tempo de duracao da anestesia depen- de do anestésico, da concentracao e de caracteristicas do paciente anestesiado. Anestesia regional Forma de anestesia local em que o anestésico é injetado ao redor dos nervos, de modo que toda a rea suprida por esses nervos fique anestesiada, O paciente fica acordado e consciente, mas pode também receber sedacao branda para reduzir a ansiedade. Anestesia epidural ou peridural Oanestésico é injetado dentro do canal espinal, no espaco epidural, que circunda a dura-mater. Blo- queia as funcdes sensorial, motora e auténoma e tem a vantagem de no causar cefaleia. Raquianestesia Aaquianestsia O anestésico é injetado dentro do espaco su- baracnoide. € necessaria apenas uma pequena quantidade do anestésico para que o efeito seja produzido com eficiéncia, o que reduz bastante os riscos de intoxicaco. € utilizada em cirurgias ab- dominais e cirurgias obstétricas (parto vaginal cesariana). A principal desvantagem 6a ocorréncia de cefaleia, devido a perfuracao da dura-mater. Anestesia geral De acordo com Smeltzer e Bare (2006), aneste- sia é um estado de narcose, analgesia, relaxamento e perda de reflexo. Opaciente no acorda nemmes- mocomestimulos dolorosos endo é capaz de respi- rar sozinho, necessitando de ventilacdo mecénica, ‘Anestesia geal 122 Comecando a anestesia - estagio | A medida que o paciente respira a mistura anestésica, pode sentir: + Calor e tonteira; + Sensacao de desprendimento; + Escuta de zumbidos; + Incapacidade de mover os membros com facilidade; + Exagero de ruidos. Nessa fase, os cuidados de enfermagem envolvem evitar ruidos e movimentos desneces- sérios, para preservar o conforto do paciente. Excitagao - estagio II Nessa fase, 0 paciente pode experimentar: + Movimentos descontrolados, gritos, risos ‘ou choro; + Dilatacao de pupilas, com contragao a luz; + Aumento da pulsacao; + Respiracao irregular. Nessa fase, os cuidados de enfermagem sao: + Ajudarna contengao do paciente, se necessério; + Manipular o paciente o minimo possivel, para evitar sangramento. 6.3 Tempos cirtirgicos Anestesia cirtirgica - esta Esse estagio € alcancado por meio da continua- Bo da inalacao do vapor ou gas anestésico. Esse es- tagio pode ser mantido por horas, podendo variar de leve a profundo, dependendo do que a cirurgia necessita. O paciente tem as seguintes sensacdes: + Inconsciéncia; + Pupilas pequenas que se contraem a luz; + Respiracao e pulso normais; + Pele résea ou ligeiramente avermelhada; Os cuidados de enfermagem envolvem a mo- nitoragao constante da reacao pupilar, pressao arterial, frequéncias respiratoria e cardiaca. Depressao medular - estdgio IV $6 acontece em casos excepcionais, quando 0 anestésico ¢ administrado em excesso. Se esse estgio se inicia, é necesséria uma intervencao rapida, com suporte respiratorio € circulatorio para evitar a morte. Os principais sinais desse es- tagio sdo: + Clanose; + Pulso fraco e filforme; + Pupilas dilatadas que nao se contraema luz. Para a reversdo do quadro, o anestesista pode utilizar medicacao estimulante. Toda cirurgia é dividida em quatro tempos, que representam processos fundamentais a serem realizados. Diérese: é 0 primeiro tempo ciruirgico. Nessa etapa, 0 cirurgido realiza a incisdo dos tecidos com bisturi ou tesoura, adentrando as cavidades dos 6rgaos para traté-los. Hemostasic © segundo tempo cirdrgico. Representa as manobras realizadas para estancar ou coagular o sangramento. A perda sanguinea é evitada por meio de pingamento dos vasos sangrantes apés 0 corte, evitando a formacao de codgulos que favorecem infeccdes, além de manter o campo operatério limpo e visivel. Os instrumentais utilizados nessa etapa so as pingas cirurgicas. 123 CAPITULO 3: ENFERMAGEM CIRURGICA Exérese: é 0 terceiro e mais importante tempo cirtirgico. Nessa etapa, o cirurgiao retira parcial ou totalmente um tecido ou 6rgio, célculos, tumores, dentre outros segmentos. O instrumental utilizado nessa etapa consiste em pincas para preensio, afastadores para separacdio que expdem 0 campo operatério desejado e espatulas. Sintese: é 0 quarto tempo cirtirgico, O cirurgido realiza a unido das bordas da incisdo cirdrgica, procedimento denominado sutura. Os instrumentais utilizados nessa etapa sao os porta-agulhas, agulhas e fios de sutura. Aassisténcia de enfermagem no periodo intraoperatério deve consistir em: Prevencao de lesbes por posicionamento; Manutencao da dignidade do paciente; Monitoramento dos sinais vitais. 6.4 Complicagées intraoperatérias O paciente cirtrgico est sujeito a diversas complicacées, pois a anestesia ea cirurgia afetam 05 principais sistemas corporais. A maioria dos pacientes consegue compensar o trauma cirdirgi- coe anestésico, porém todos que se submetem a cirurgia estao sujeitos a alguns riscos. Nauseas e vomitos Nao existe forma isolada de se prevenir os vo- mitos durante a cirurgia, mas em alguns casos, 0 anestesista pode administrar antieméticos. Em caso de vomito ha 0 risco de aspiracao, que pode provocar espasmos brénquicos graves e edema pulmonar, que podem levar a hipéxia (diminuicao de suprimento de oxigénio) extrema. Para evitar esse risco de aspiracdo, quando ocor- reo engasgo,a enfermeira deve colocar o paciente de lado, a cabeceira da mesa cintirgica deve ser abaixada e uma cuba deve ser fornecida para cole- tar 0 vomito, Deve também ser feita aspiracao de saliva e contetido gastrico eliminado. Reduco da ansiedade do paciente na mesa de cirurgia antes da anestesia; Prevencao de queimaduras por bisturi elétrico; Manutencao da assepsia no ambiente cirtirgico, evitando infeccdes; Observaco constante de sinais e sintomas de complicacées; Anafilaxia uma reacdo alérgica aguda que provoca va- sodilatagio, hipotenséo e constricéo brénquica. A anafilaxia pode ocorrer a qualquer momento em que uma substancia anestésica ¢ introduzida € caso ocorta, a vida do paciente corre risco. Os medicamentos e alergia ao latex so a causa mais comum dessa complicagao. ‘A equipe de enfermagem deve estar sempre atenta ao risco de anafilaxia, observando altera- ‘GOes nos sinais vitais e sintomas da anafilaxia: taco da pele, vomito, cianose, palidez, pulso fra- co, diminuigao da pressao arterial. ri Complicagées respiratérias Varios fatores podem comprometer a ventilacdo do paciente durante a cirurgia, tais como anestesia, aspiragao de vomito ou secregdes e posicao do pa- " clente na mesa de operacao. A asfixia pode ocorrer por causa de corpos estra- 'nhos na boca, espasmo de cordas vocais, relaxamento 124 da lingua ou aspiracao de secrecées, levando a hipo- xia com lesdo cerebral em poucos minutos. A equipe de enfermagem deve verificar a oxi~ genacao do paciente e perfusao periférica cons- tantemente, de modo a que se detectem esses estados de forma precoce. Hipotermia Acontece quando a temperatura corporal fica abaixo da normal, o que pode acontecer durante aanestesia, devido a reducdo do metabolismo da glicose. Além disso, a hipotermia pode acontecer nas seguintes situacdes: + Baixa temperatura da sala de cirurgia; + Infuso de liquidos frios; + Inalagdo de gases frios; + Idade avancada; + Intencionalmente induzida para algumas cirurgias. A-equipe de enfermagem precisa estar sempre atenta, para a prevenir a hipotermia, obser- vando + Temperatura correta da sala; + Temperatura correta dos liquidos intrave- 1nosos (37°C); + Presenga de campos cirtirgicos ou capotes molhados, que devem ser removidos ime- diatamente; + Retorno seguro a temperatura normal, em caso de hipotermia induzida. Hipertermia maligna Consiste em um disturbio muscular heredita- rio raro e induzido por agentes anestésicos: Essa complicacao causa 0 aumento da temperatura corporal, que pode superar 0s 40°C rapidamente. As pessoas que correm mais risco de desenvol- ver a hipertermia maligna sao as que tem muscu- los fortes e volumosos e histéria de cdimbras ou fraqueza com aumento inexplicado de tempera- tura, além de morte inexplicada de parente du- rante uma cirurgia, acompanhada por febre. Os principais sintomas sao a taquicardia (fre- quéncia cardiaca acima de 150 batimentos por minuto), disritmia ventricular, hipotensao, débito cardiaco diminuido, oligdria e mais tardiamente, parada cardiaca. O aumento de temperatura é um sinal tardio que se desenvolve em um curto espa- ode tempo. A equipe de enfermagem deve estar sempre atenta, psrs identificar os pacientes em risco por meio do histérico. Também muito importante reconhecer os sinais e sintomas e estar informada sobre o protocolo a ser seguido. Outras complicacées ciruirgicas: + Agitagdo ou desorientacao, especialmente em pacientes idosos; + Traumas laringeo ou oral por causa de intu- bacao complicada; + Infeccées; + Trombose; + Queimaduras por choque elétrico ou laser., 7. O periodo pos-operatério 0 periodo pés-operatério comega quando o paciente deixa a sala de cirurgia e termina na Ultima visita de acompanhamento do cirurgiao. Esse periodo é muito importante ¢ exige um acompanhamento criterioso do paciente pela equipe de enfermagem, tanto da unidade de recuperacdo pés-anestésica quanto da clinica que iré receber o paciente. 125 CAPITULO 3: ENFERMAGEM CIRURGICA 7.1 Unidade de recuperagdo pés-anestésica (URPA) Aunidade de recuperacao pés-anestésica é a drea adjacente ao centro cirtirgico em que o pacien- te permanece logo apés 0 término da cirurgia. O ambiente deve ser tranquilo, limpo e livre de equipa- mentos desnecessarios e o paciente deve ser acompanhado pela enfermeira fesponsavel e equipe médica, especialmente pelo anestesista, Cama URPA Organizacao da sala de recuperacao pés-anestésica ‘A area deve ser pintada de cores suaves e possuir iluminacao indireta e teto a prova de som. Os boxes para observacao dos pacientes devem ser isolados, porém visiveis. ‘As camas devem ser do tipo maca e ter grades laterais, manivelas para adequacao de posicao, en- caixes para suporte de soro e cabeceira removivel. Os principais equipamentos e materiais da URPA so: + Saidas de oxigénio, ar comprimido e vacuo; + Foco de luz; + Monitor cardiaco; + Oximetro de pulso; + Esfigmomanémetro; + Ventiladores mecanicos; + Mascaras e cateteres para oxigénio; + Sondas para aspiracao; + Carrinho de emergéncia; + Equipamentos para suporte cardiovascular; + Bandeja de cateterismo vesical; + Pacotes de curativos; + Medicamentos e soros; + Travesseiros, almofadas, cobertores, coxins e talas. 126 Transferéncia para a URPA A transferéncia do paciente da sala de cirurgia para a unidade de recuperagao pos-anestésica 6. de responsabilidade do anestesista. Durante 0 transporte, o anestesista deve permanecer na ca- beceira da maca e outro membro da equipe cirtir- gica deve estar na outra extremidade. A ferida ci- rirgica deve ser observada, com cuidado para nao tensionar o local. O paciente deve ser posicio- nado de modo a nao obstrua cateteres e drenos. Assisténcia de enfermagem na URPA. Admissao Assim que o paciente é admitido na URPA, a camisola suja deve ser trocada e as grades da maca devem ser levantadas, para se a prevenir em quedas. Aenfermeira responsavel pelo setor deve revi- sar algumas informacées sobre o paciente: + Diagnésticos médicos e tipo de cirurgia realizada; + Historico médico e alergias; + Condicées gerais do paciente; + Anestésicose outros medicamentos utiizados; + Complicagées ocorridas na sala de cirurgia que possam comprometer a recuperacéo pés-operatéria; + Patologia encontrada; + Liquidos administrados e perda sanguinea estimada; + Presenca de equipo, drenos e cateteres; ¢ + Informag6es sobre as quais a equipe cirdir- gica deseja ser notificada. A equipe de enfermagem deve instalar oxigeno- terapia, se indicado, bem como todos os equipa- mentos de monitoragdo necessarios. A posicdo pre- ferencial & 0 dectibito lateral, para a facilitar a eliminacao de secregoes acumuladas na orofaringe. Avaliacao do paciente O periodo pés-operatério é considerado bastan- te critico para o paciente, que requer observacao e avaliago constantes. Os principais itens avalia- dos na URPA sao: + Saturagdo de oxigénio; + Pulso; + Respiracéo; + Coloracao da pele; + Nivel de consciéncia; + Dor; + Capacidade de responder aos comandos; + Ferida cirdrgica; + Tubos de drenagem. Cuidados de enfermagem Na URPA o paciente deve ser avaliado a cada 15 minutos, sendo que a avaliacéo da fungdo respiratoria tem prioridade, seguida da fungdo cardiovascular, ferida cirdrgica e fun- 40 neural. Além disso, devem ser observados: + Medidas de seguranca para evitar contu- ses, queda do leito, desconexdes de son- das, cateteres ou drenos; + Promover 0 aquecimento e conforto do paciente; + Controlare registrar a quantidade de liqui- dos administrados e eliminados através de urina, drenagens, vémitos e outras perdas (balango hidrico); + Colocara campainha, a comadre e 0 papa- gaio ao alcance do paciente; + Inspecionar o curativo cinirgico quanto ao as- pecto, quantidade de secrecao.e sangramento; + Administrar medicagéo ou proporcionar outras medidas para alivio da dor; + Promover a mudanga de decubito do pa- ciente, como medida de conforto ¢ para evitar a formagao de ulceras de pressdo; + Proporcionar informagées para o paciente ea familia, As intervencées de enfermagem e as respos- tas do paciente devem ser registradas na evolu- 0 clinica, para que aassisténcia de enfermagem seja avaliada, As principais complicagées que o paciente pode apresentar na URPA séo: 127 CAPITULO 3: ENFERMAGEM CIRURGICA Nauseas e vomitos ‘S40 geralmente causados pela estimulacao do centro do vomito na medula por meio de impulsos do trato gastrintestinal, de outros centros cerebrais eacdo de medicamentos. Aenfermeira da URPA deve proteger as vias aé- reas do paciente, prevenindo a aspiracao de conte- Lido gastrico. Também se deve evitar que o pacien- te converse, que faca movimentos bruscos com a cabeca ea cabeceira do leito ou maca nao deve ser levantada. A medicacao antiemeética também pode ser utilizada com prescricao médica. Dor A dor é uma experiéncia subjetiva, ou seja, os pacientes sentem dor de formas e intensidades diferentes, podendo ou nao verbalizé-la. Aenfermeira pode auxiliar tanto com a aplica- 30 de medicacao como com medidas nao farma- colégicas, como mudanga de dectibito, toque te- rapéutico, aplicagdes de calor ougeloemassagem. Hipotensao e choque A hipotensao ocorre quando o valor da pres- sao arterial esté 20% menor do que os valores anteriores a cirurgia. Resulta de perda de sangue, hipoventilacao, mudanga de posicao, acumulo de sangue nas extremidades ou efeito colateral de medicamentos. Os principais sinais e sintomas so pulso rapido e filiforme, desorientaco, sono- lencia, oliguria e palidez de pele. 0 choque ocorre quando a oxigenacao celu- lar é inadequada e ha incapacidade de excre¢ao dos produtos do metabolismo. Os principais si- nais e sintomas so queda da pressao arterial, elevacao da resisténcia periférica, taquicardia, palidez, pele fria e Umida, respiragao rapida e cianose de labios, gengiva e lingua. Para evitar o choque, a enfermeira deve estabe- lecer medidas que garantam a estabilidade hemo- dinamica do paciente, administrando liquidos, monitorando a pressao arterial e proporcionando 128 conforto para alivio da dor do paciente. Além dis- 50, deve ser administrado oxigénio conforme pres- rico médica eo paciente deve ser mantido aque- cido, mas sem calor excessivo para que 0s vasos nao se dilatem. Hemorragia Ea perda de sangue, que pode ter ou nao a causa imediatamente identificada. O paciente com perda extrema de sangue apresenta inquie- tacdo e a pele fica imida e pélida. Ocorre dimi- nuicao de temperatura, taquicardia e as respira- (Goes sao répidas e profundas. O paciente torna-se muito fraco, mas permanece consciente mesmo quando 0 quadro se torna irreversivel Para prevenir as hemorragias, a enfermeira deve sempre inspecionar a ferida cirtirgica e em caso de sangramento evidente deve ser aplicado um cura- tivo de presso € 0 local deve ser elevado ao nivel do coracao, se possivel. O paciente deve ser coloca- do em dectbito dorsal, comas pernas elevadas em um Angulo de 20 graus ¢ 0s joelhos retos. Se a fonte do sangramento for identificada, 0 paciente pode ser levado de volta para uma cirur- gia de emergéncia, Podem ser administrados li- quidos intravenosos, porém nao de forma rapida, que pode elevar a pressio arterial e iniciar o san- gramento novamente. Alta da URPA O paciente permanece na URPA até que tenha se recuperado plenamente da anestesia. Os se- guintes critérios so utilizados para determinar a alta da URPA: + Sinais vitais estéveis; + Paciente orientado no espaco e no tempo; + Respiracao normal; + Saturacao de oxigénio adequada; + Débito urinario de pelo menos 30 mi/h; + Nauseas e vomitos ausentes ou sob controle; + Dor minima. De acordo com o tipo de cirurgia e estado de satide geral, o paciente pode ter alta da URPA para a unidade de terapia intensiva, unidade clinica ou para casa, desde que receba orientacoes verbais e por escrito sobre os cuidados e acompanhamento. 7.2 O pos-operatorio na unidade clinica Cama de pacienteoperado Avaliacao do paciente Na maioria dos casos, quando a cirurgia trans- corre sem problemas, 0 paciente € transferido para uma unidade clinica hospitalar quando rece- be alta da URPA. E nessa unidade que o paciente seré observado atentamente durante as primei- ras 24 horas de pés-operatério e recebera todos 08 cuidados para evitar complicacdes. quarto do paciente deverd estar preparado com suporte intravenoso, prendedor de recipien- te de drenagem, cuba rim, compressas e coberto- res. Acama devera ser preparada conformeo pro- tocolo de cama de paciente operado. Admissao ‘A enfermeira da URPA deve reportar todos os dados sobre a condigo do paciente para a en- fermeira da unidade clinica. Tais dados incluem idade, diagnéstico médico, procedimento rea- lizado, alergias, complicacées intraoperatérias, perda sanguinea estimada, liquidos recebidos, medicacao administrada e informacées recebi- das pelo paciente e pela familia a respeito das condigées do paciente. Durante as primeiras 24 horas depois da cirurgia, o paciente precisa ser assistido em sua recupera- Gao da anestesia, estado fisiolégico e dor. Os cuidados imediatos devem ser os seguintes: + Verificar pulso, pressao arterial e frequéncia respiratoria a cada 15 minutos na primeira hora e a cada 30 minutos nas duas horas seguintes; + Verificar temperatura a cada 4 horas durante as primeiras 24 horas; + Administrar oxigénio, quando prescrito; + Conectar e monitorar todos os drenos & gravidade ou aspiracao; + Avaliaro nivel da dor; + Administrar analgésico conforme prescrito; + Proporcionar 0 conforto do paciente e realizar mudanca de dectibito; + Avaliar as pungées venosas e infusdes; - 129