1 - INTRODUÇÃO

O Fluxo de Caixa é um dos mais importantes demonstrativos de análise financeira. O objetivo da Administração Financeira é maximizar o patrimônio dos acionistas. A função do administrador financeiro é orientar as decisões de investimentos e financiamentos a serem tomadas pelos dirigentes da empresa. O papel do contador é fornecer as demonstrações financeiras para os acionistas, administradores financeiros e dirigentes. O fluxo de caixa indica simplesmente a diferença entre os valores recebidos e os valores que saíram da empresa. A análise do fluxo de caixa é um instrumento poderoso à disposição das pessoas físicas e jurídicas relacionadas à empresa, como acionistas, dirigentes, bancos, fornecedores, clientes e outros. OBJETIVO: O objetivo bá sico da função financeira é prover a empresa de recursos de caixa suficientes de modo a respeitar os vários compromissos assumidos e promover a maximização de seus lucros. É neste contexto que se destaca o fluxo de caixa como um instrumento que possibilita o planejamento e o controle dos recursos financeiros de uma empresa. Gerencialmente, é indispensável ainda em todo o processo de tomada de decisões financeiras. Conceitualmente, o fluxo de caixa é um instrumento que relaciona os ingressos e saídas (desemb olsos) de recursos monetários no âmbito de uma empresa em determinado intervalo de tempo. O fluxo de caixa é de fundamental importância para as empresas, constituindo -se numa indispensável sinalização dos rumos financeiros dos negócios. A insuficiência de caixa pode determinar cortes nos créditos, suspensão de entregas de materiais e mercadorias, e ser causa de uma séria descontinuidade em suas operações. A manutenção de saldos de caixa propicia folga financeira imediata à empresa, revelando melhor capacida de de pagamento de suas obrigações.

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apesar de ser uma das demonstrações financeiras mais úteis. leiase DFC. enquanto que a Demonstração do Fluxo de Caixa . devemos nos lembrar que a DOAR é um demonstrativo financeiro e econômico que pode refletir a posição econômica da empresa a curta e em longo prazo. mesmo cientes de que esta última é muito mais rica em informações e possui um poder preditivo bem maior que a primeira que apresenta a conveniente de ser bem mais fácil de entender. Vale ressaltar que alguns países adotaram o fluxo de caixa em substituição à DOAR. e a Demonstração do Fluxo Líquido de C aixa permite extrair importantes informações sobre o comportamento financeiro da empresa no exercício com tudo isso muitas empresas vão à falência por não saberem administrar seu fluxo de caixa.IMPORTANTE: A Demonstração do Fluxo de Caixa. dando respaldo a um planejamento financeiro correto e conciso e que possa manter ou alcançar a saúde financeira da mesma. não é divulgada pelas empresas. e o faz na medida em que evidencia o aumento e diminuição de disponibilidades no caixa da empresa. permite um planejamento financeiro da empresa em curto prazo. A priori. como é uma demonstração exclusivamente de uso interno. servindo. FINALIDADE: A principal finalidade da DFC é servir de e mbasamento ao processo de tomada de decisões da empresa. 2 . também para ajustes de diferenças que por ventura venham a surgir durante a atividade operacional de uma empresa. A Demonstração do Fluxo de Caixa é peça imprescindível na mais elementar atividade empresarial e mesmo para as pessoas físicas que se dedicam a algum negócio. sua abordagem é quase sempre esquecida nas obras de Análise de Balanços.

Juros pagos. devem detalhar os fluxos das operações. com uma visão estritamente operacional em curto prazo. Pagamento a empregados e a fornecedores de produtos e serviços. publicidade e similares. Outros pagamentos das operações. As empresas. O método direto explicita as entradas e saídas brutas de dinheiro dos principais componentes das ativi dades operacionais. o direto e o indireto DFC .MÉTODOS DE FLUXO DE CAIXA Para a elaboração da DFC ± demonstrativo de fluxo de caixa. Analisa a política e a estratégia da empresa. como os recebimentos pelas vendas de produtos e serviços e os pagamentos a fornecedores e empregados. Para tanto. concessionários e similares. É para saber se a empresa tem ou não dinheiro. é necessário: 3 . O saldo final das operações expressa o volume líquido de caixa provido ou consumido pelas operações durante um período. se houver.Método Direto: Demonstra apenas a saída e a entrada de recursos. o usuário pode se utilizar de dois métodos. Impostos. nas classes seguintes: y Recebimento de clientes. partindo do lucro líquido para chegar -se ao valor das disponibilidades produzidas no período de acordo com as operações registradas no DRE(Demonstração de Resultados de Exercícios). y y y y y y DFC ± Método Indireto: Detalha o FC identificando os impactos das operações do fluxo de investimentos e financiamentos. incluindo os recebimentos de arrendatários. no mínimo. ao utilizarem o método direto.2 . Outros recebimentos das operações. Recebimento de juros e dividendos. aí incluídos segurança. se houver. O método indireto faz a conciliação entre o lucro líquido e o caixa gerado pelas operações. propaganda.

que é deixar o usuário melhor esclarecido em relação à suas disponibilidades ( entenda -se o caixa ou banco) da empresa. ou seja. Os principais são: o Fluxo histórico e o fluxo projetado. às entradas e saídas. não se observa muita relevância na utilização deste método. Saliente -se aqui que este método é o mais utilizado por estar intimamente ligado à finalidade deste demonstrativo. e ganhos e perdas na baixa de empréstimos (atividade de financiamento). e todas as alocações no resultado de eventos que podem ser caixa no futuro. 4 . como as alterações nos saldos das contas a receber e a pagar do período.principalmente na parte inicial. amortização do goodwill e ganhos e perdas na venda de imobilizado e/ou em operações em descontinuidade (atividades de investimento). O primeiro é muito importante. onde os recursos provindos das atividades operacionais são apresentados a partir do lucro líquido ajustado. como gastos antecipados. y O método indireto é semelhante a DOAR .y Remover do lucro líquido os deferimentos de transações que foram caixa no passado. e Remover do lucro líquido as alocações ao perí odo do consumo de ativos de longo prazo e aqueles itens cujos efeitos na caixa sejam classificados de investimento ou financiamento: depreciação. Vale ressaltar que pelo fato do lucro se encontrar nas contas de resultado e logo não afetar o caixa. O método direto se atém aos movimentos e variações ocorridos no caixa. Já o fluxo projetado representa a organização das entradas e saídas que poderão ocorrer com base no fluxo histórico. pois fornece informações que servirão como subsídios para o planejamento dos fluxos futu ros. já que foi explicado acima a finalidade do Fluxo de Caixa. e é neste ponto que s e observa a falha deste método. 3 .demonstrativo de origens e aplicações de recursos .TIPOS DE FLUXO DE CAIXA A Demonstração de Fluxo de caixa pode ser apresentada em vários tipos de uma mesma organização que diferem apenas em suas finalidades. créditos tributários etc.

semelhanças e diferenças entre a DFC e a DOAR. e. analisamos contas envolvidas e demonstramos os impactos desses fatos no saldo de caixa. Demonstração do Resultado do Exercício. onde utilizando fatos contábeis. segue-se a análise das contas o que será evidenciado a seguir. as informações complementares são de grande utilidade na elaboração da DFC. a DFC requer a utilização de informações presentes em várias demonstrações contábeis. patrimônio liquido e conta de resultado. Até mesmo por servir de instrumento gerencial.PROCEDIMENTOS PARA A ELABORAÇÃO DA DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA . como será demonstrado em seguida. Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos. o que torna necessária a posse das seguintes demonstrações: y y y Balanço Patrimonial.Além disso. não sendo obrigatória segundo a lei. havendo uma comparação entre o fluxo projetado e o real poderemos identificar se houveram falhas na planificação ou na pro jeção ou ainda se foi erro administrativo.DFC Diante das noções básicas apresentadas. Após deter a posse das demonstrações e das informações complementares. 4 . pois muitas vezes elas concentram de forma simples dados dinâmicos como variações entre exercícios e informações econômicas do período. apresenta-se agora o real objeto de nosso estudo: A elaboração da DFC. pelo fato de que vários fatos podem influ ir no saldo de caixa aumentando-o ou o diminuindo. 5 . e esses fatos podem ser registráveis em contas do ativo. tais como finalidade. passivo. entre outras. Bem como apresentamos como esses fatos seriam evidenciados na DFC. Além das demonstrações.

a fim de evitar futuros equívocos na elaboração da DFC. Isto é observado através da sua contabilização.FATOS CONTÁBEIS Os fatos contábeis apresentam enorme diversidade. e. debitando o caixa ou banco. por exemplo. Ao receber o pagamento pela venda de um bem à empresa está reduzindo seu ativo permanente e aumentando o ativo circulante e notadamente implicará no acréscimo no saldo de caixa. 6 . pois ocorrerá um acréscimo no ativo circulante (conta caixa) e consequentemente aumentará o capital circulante líquido da empresa. Fatos que diminuem o saldo de caixa (CCL) Pagamento de compras à vista. A integralização de capital em dinheiro elevará o saldo do caixa (Aumento de Capital). de uma saída de valor do caixa para determinado pagamento. reduz a disponibilidade da empresa. Pagamento a fornecedores . poderíamos considerar apenas as contas que alteram o saldo. As duplicatas quando recebida afetam diretamente o caixa. também.5 . esta conta irá sendo deduzida. o valor recebido corresponde na DFC a uma entrada de recursos. mas por fins didáticos torna-se necessário destacar alguns fatos que não alteram o saldo de caixa.Por se tratar. Neste caso. Para utilizar esta informação na DFC baseia-se pelo balanço. Os empréstimos e financiamentos quando obtidos também produzem aumento no caixa. A seguir enumeramos os fatos e a análise dos mesmos. afeta a menor o fluxo de caixa. nem todas os fatos alteram o saldo de caixa. este fato explica-se por débito em caixa e crédito no estoque. Partindo do nosso objetivo maior de evidenciar as alterações deste saldo na DFC. aumentando -o. em caixa ou em bancos. Outros créditos: Na medida em que a empresa for pagando suas despesas. classificados mediante sua relação com o saldo de caixa: Fatos que aumentam o saldo de caixa (CCL): No caso de recebimento de vendas à vista. à semelhança até mesmo com a própria atividade empresarial. portanto.

resultado e caixa. uma vez que esta tem a função de dar novo valor aos bens. basicamente. há uma saída de caixa evidente na DFC. Fatos que não alteram o saldo de caixa Compras a prazo . principalmente a perda com provisão para devedores duvidosos. se retirou dinheiro obviamente diminuirá o saldo de caixa. portanto não entra a DFC. 7 . que compreende os investimentos e o imobilizado. Vendas à prazo . onde há a saída de caixa mediante a retirada de dinheiro ou emissão de cheques para pagamento.Incidem. tendo sua contabilização apenas nas contas do ativo permanente e na reserva de reavaliação. O Resultado com Equivalência Patrimonial não afeta o caixa. nenhuma envolve o disponível da empresa. porém a constatação de uma perda afetará o caixa. Outras contas também são envolvidas. sobre o Patrimônio Liquido e ativo Permanente. o que vem a reduzir o saldo de caixa. Outro fato que diminui o saldo de caixa é o pagamento de despesas. mesmo que não tenham sido distribuídos os dividendos. aproximar seus valores à realidade. Ocorrerá uma retirada de certa quantia para pagamento de dividendos. já que se refere a variações patrimoniais das coligadas e controladas. Ambos os casos não envolvem as contas caixa nem bancos.Semelhante ao anterior na interpretação. E a reavaliação dos bens do ativo também não altera o caixa. Quando houver compra de itens do ativo permanente.Caracteriza-se por crédito em mercadorias. Ao pagar juros a empresa está retirando do caixa uma quantia a mais. por exemplo. também não entra na DFC. sendo sua contabilização feita no momento. no entanto. correspondente à remuneração necessária ao pagamento dos investimentos ou do imobilizado . É importante lembrar que para a DFC importa a despesa paga e não a incorrida. Como não afeta em aumento ou diminuição das disponibilidades da empresa. e débito em fornecedores.A provisão para devedores duvidosos é uma conta redutora do ativo e a princípio não afeta o caixa. A tinge as contas de resultado (vendas) e o ativo realizável a longo ou em curto prazo. Correção monetária . a qual terá como contrapartidas.

000.000.500.00 20.000.00 20.00 1.00 104.000.000.00 5.000.00 EMPRÉSTIMOS E FINANC.000.000.MODELOS DE DFC UTILIZADOS NA EXPOSIÇÃO DO TEMA MODELO 1 ± ENTRADAS E SAÍDAS GERAIS SALDO INICIAL 100.00 10.00 63.500.000.000.00 ENTRADAS (ORIGENS) VENDAS À VISTA 15.00 12.000.00 59.000.00 8 .00 20.00 10.00 SAIDAS(APLICAÇÕES) COMPRAS A VISTA FORNECEDORES COMPRAS DO ATIVO PERMANENTE PAGAMENTO DE DESPESAS PAGAMENTO DE JUROS DIVIDENDOS PERDA C/ PROVISÃO INVESTIMENTOS 30. OBTIDOS INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL VENDAS DO ATIVO PERMANENTE OUTROS CREDITOS 7.000.000.000.00 5.00 RECEBIMENTO DE DUPLICATAS 6.00 5.000.

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