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6.

  Poderes e Deveres Em decorrência dessa regra temos que os pode-


res administrativos são irrenunciáveis, devendo ser
Administrativos obrigatoriamente exercidos por seus titulares nas
situações cabíveis.
Para um desempenho adequado do papel que A inércia do agente público acarreta responsa-
compete à administração pública, o ordenamento bilização a ela por abuso de poder na modalidade
jurídico confere a ela poderes e deveres especiais. omissão. A Administração Pública também respon-
Nesse capítulo, conheceremos seus deveres e pode- derá pelos danos patrimoniais ou morais decorren-
res de modo a diferenciar a aplicabilidade de um ou tes da omissão na esfera cível.
de outro poder ou dever na análise de casos concre-
tos, bem como apresentado nas questões de concur- Dever de Eficiência
so público. A Constituição implementou o dever de eficiên-
cia com a introdução da Emenda Constitucional nº
Deveres 19 de 1998, a chamada reforma administrativa. Esse
novo modelo instituiu a denominada “administra-
Os deveres da administração pública são um
ção gerencial”, tendo vários exemplos dispostos no
conjunto de obrigações de direito público que a or-
corpo do texto constitucional, como:
dem jurídica confere aos agentes públicos com o ob-
jetivo de permitir que o Estado alcance seus fins. ˃˃ Possibilidade de perda do cargo de servidor
estável em razão de insuficiência de desem-
O fundamento desses deveres é o Princípio da penho (Art. 41, § 1º, III);
Indisponibilidade do Interesse Público, pois, como
˃˃ O estabelecimento como condição para o
a administração pública é uma ferramenta do Esta-
ganho da estabilidade de avaliação de de-
do para alcançar seus objetivos, não é permitido ao
NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO

sempenho (Art. 41, § 4º);


agente público usar dos seus poderes para satisfazer
˃˃ A possibilidade da celebração de contratos
interesses pessoais ou de terceiros. Com base nessa
de gestão ( Art. 37, § 8º);
regra, concluímos que esses agentes não podem dis-
por do interesse público, por não ser o seu proprie- ˃˃ A exigência de participação do servidor
tário, e sim o povo. A ele cabe a gestão da adminis- público em cursos de aperfeiçoamento
tração pública em prol da coletividade. profissional como um dos requisitos para a
promoção na carreira (Art. 39, § 2º).
A doutrina, de um modo geral, enumera, como
alguns dos principais deveres impostos aos agentes Dever de Probidade
administrativos pelo ordenamento jurídico, quatro O dever de probidade determina que todo admi-
obrigações administrativas, a saber: nistrador público, no desempenho de suas ativida-
˃˃ Poder-Dever de Agir; des, atue sempre com ética, honestidade e boa-fé,
˃˃ Dever de Eficiência; em consonância com o Princípio da Moralidade
Administrativa.
˃˃ Dever de Probidade;
Art. 37, § 4º, CF. Os atos de improbidade adminis-
˃˃ Dever de Prestar Contas. trativa importarão a suspensão dos direitos políti-
cos, a perda da função pública, a indisponibilidade
Poder-Dever de Agir dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e
O poder-dever de agir determina que toda a Admi- gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação pe-
nal cabível.
nistração Pública tem que agir em caso de determina-
Efeitos:
ção legal. Contudo, essa é temperada, uma vez que o
administrador precisa ter possibilidade real de atuar. ˃˃ A suspensão dos direitos políticos;
˃˃ Perda da função pública;
Art. 37, § 6º, CF. Policiais em serviço que presen-
ciam um cidadão ser assaltado e morto e nada fazem. ˃˃ Ressarcimento ao erário;
Nessa situação, além do dever imposto por lei, havia ˃˃ Indisponibilidade dos bens.
a possibilidade de agir. Nesse caso concreto, gera-se
a possibilidade de indenização por parte do Estado, Dever de Prestar Contas
com base na responsabilidade civil do Estado. O dever de prestar contas decorre diretamente
Enquanto no direito privado agir é uma faculda- do Princípio da Indisponibilidade do Interesse Pú-
de do administrador, no direito público, agir é um blico, sendo pertinente à função do agente público,
dever legal do agente público. que é simples gestão da coisa pública.

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Art.70, Parágrafo único, CF. Prestará contas
qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou pri- CONVENIÊNCIA
vada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou ad- OPORTUNIDADE
ministre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos
quais a União responda, ou que, em nome dessa,
assuma obrigações de natureza pecuniária. MARGEM DE
VINCULADO DISCRICIONÁRIO ESCOLHA
Poderes Administrativos
São mecanismos que, utilizados isoladamente
SEM MARGEM LEI
ou em conjunto, permitem que a administração
DE ESCOLHA
pública possa cumprir suas finalidades. Dessa for-
ma, os poderes administrativos “representam um
conjunto de prerrogativas de direito Público que a CONCEITOS
JURÍDICOS
ordem jurídica confere aos agentes administrati- INDETERMINADOS
vos para o fim de permitir que o Estado alcance os
seus fins”, assim leciona o professor José dos San-
Duas são as vertentes que autorizam o poder
tos Carvalho Filho.
discricionário: a lei e os conceitos jurídicos inde-
O fundamento desses poderes é o princípio da terminados. Esses últimos são determinações da
supremacia do interesse público, pois, como a admi- própria lei, por exemplo: quando a Lei prevê a boa-
nistração pública é uma ferramenta do Estado para -fé, quem decide se o administrado está de boa ou
alcançar seus objetivos, e tais objetivos são de inte-

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má-fé é o agente público, sempre sendo razoável e
resse de toda coletividade, é necessário que o Estado proporcional.
possa ter prerrogativas especiais na busca de seus
objetivos. Como exemplo, podemos citar a aplica- Poder Hierárquico
ção de uma multa de trânsito. Imagine que a lei fale
que ultrapassar o sinal vermelho é errado, mas que Manifesta a noção de um escalonamento vertical
o Estado não tenha o poder de aplicar a multa. De da Administração Pública, já que temos a subordi-
nada vale a previsão da infração na lei. nação entre órgãos e agentes, sempre no âmbito de
uma mesma pessoa jurídica.
São Poderes Administrativos descritos pela dou-
trina pátria: Observação
˃˃ Poder Vinculado; Não há subordinação nem hierarquia:
˃˃ Entre pessoas distintas;
˃˃ Poder Discricionário;
˃˃ Entre os poderes da república;
˃˃ Poder Hierárquico;
˃˃ Entre a administração e o administrado.
˃˃ Poder Disciplinar;
Prerrogativas
˃˃ Poder Regulamentar;
˃˃ Poder de Polícia. Dar ordens: cabe ao subordinado o dever de
obediência, salvo nos casos de ordens manifesta-
Poder Vinculado mente ilegais.
O poder vinculado determina que o administra- Fiscalizar a atuação dos subordinados.
dor somente pode fazer o que a lei determina; aqui Revisar os atos dos subordinados e, nessa atri-
não se gera poder de escolha, ou seja, está o adminis- buição:
trador preso (vinculado) aos ditames da lei.
˃˃ Manter os atos vinculados legais e os atos
O agente público não pode fazer considerações discricionários legais convenientes e opor-
de conveniência e oportunidade. Caso descumpra tunos.
a única hipótese prevista na lei para orientar a sua
conduta, praticará um ato ilegal, sendo assim, deve o ˃˃ Convalidar os atos com defeitos sanáveis.
ato ser anulado. ˃˃ Anular os atos ilegais.
˃˃ Revogar os atos discricionários legais in-
Poder Discricionário convenientes e inoportunos.
O poder discricionário gera a margem de esco- A caraterística marcante é o grau de subordi-
lha, que é a conveniência e a oportunidade, o mérito nação entre órgãos e agentes, sempre dentro da es-
administrativo. Diz-se que o agente público pode trutura da mesma pessoa jurídica. O controle hie-
agir com liberdade de escolha, mas sempre respei- rárquico permite que o superior aprecie todos os
tando os parâmetros da lei. aspectos dos atos de seus subordinados (quanto à

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legalidade e quanto ao mérito administrativo) e po-
de ocorrer de ofício ou a pedido, quando for interes-
Somente os atos
se de terceiros, por meio de recurso hierárquico. administrativos,
DELEGAÇÃO nunca os atos
Aplicar sanções aos servidores que praticarem
políticos
infrações funcionais.
Delegar competência
Delegação é o ato discricionário, revogável a PODER
HIERÁRQUICO
qualquer tempo, mediante o qual o superior hierár-
quico confere o exercício temporário de algumas de
suas atribuições, originariamente pertencentes ao
seu cargo, a um subordinado. Medida excepcio-
AVOCAÇÃO nal que deve ser
É importante alertar que, excepcionalmente, a fundamentada
lei admite a delegação para outro órgão que não seja
hierarquicamente subordinado ao delegante, con-
forme podemos constatar da redação do Art. 12 da
Lei 9.784/99: FIQUE LIGADO
Art. 12. Um órgão administrativo e seu titular po- Segundo a Lei 9.784/99, que trata do processo ad-
derão, se não houver impedimento legal, delegar ministrativo federal:
parte da sua competência a outros órgãos ou titu-
lares, ainda que estes não lhe sejam hierarquica- Art. 13. Não podem ser objeto de delegação:
mente subordinados, quando for conveniente, em I. a edição de atos de caráter normativo;
razão de circunstâncias de índole técnica, social, II. a decisão de recursos administrativos;
NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO

econômica, jurídica ou territorial.


III. as matérias de competência exclusiva
Características da Delegação do órgão ou autoridade.
Não podem ser delegados
Edição de atos de caráter normativo;
Poder Disciplinar
A decisão de recursos administrativos;
O poder disciplinar é uma espécie de poder-de-
As matérias de competência exclusiva do
órgão ou autoridade. ver de agir da Administração Pública. Dessa forma,
o administrador público atua de forma a punir in-
Consequências
ternamente as infrações cometidas por seus agen-
Não acarreta renúncia de competências;
tes e, em exceção, atua de forma a, punir particula-
Transfere o exercício da atribuição e não a res que mantenham um vínculo jurídico específico
titularidade, pois pode ser revogada a de- com a Administração.
legação a qualquer tempo pela autoridade
delegante; O poder disciplinar não pode ser confundido
O ato de delegação e sua revogação deverão com o jus puniendi do Estado, ou seja, com o poder
ser publicados em meio oficial. do Estado de aplicar a lei penal a quem comete uma
infração penal.
Avocação Competência
Avocar é o ato discricionário mediante o qual o Em regra, o poder disciplinar é discricionário, al-
superior hierárquico traz para si o exercício tempo- gumas vezes, é vinculado. Essa discricionariedade se
rário de determinada competência, atribuída por lei encontra na escolha da quantidade de sanção a ser
a um subordinado. aplicada dentro das hipóteses previstas na lei, e não
Cabimento: é uma medida excepcional e deve na faculdade de punir ou não o infrator, pois puni-lo
ser fundamentada. é um dever, sendo assim, a punição não é discricio-
Restrições: não podem ser avocadas competên- nária, quantidade de punição que em regra é. Po-
cias exclusivas do subordinado. rém, é importante lembrar que, quando a lei apon-
Consequências: desonera o agente de qualquer tar precisamente a penalidade ou a quantidade dela
responsabilidade relativa ao ato praticado pelo su- que deve ser aplicada para determinada infração, o
perior hierárquico. poder disciplinar será vinculado.

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Prazo para regulamentação
Punir internamente infrações ˃˃ A lei a ser regulamentada deve apontar;
funcionais de seus servidores
˃˃ A ausência do prazo é inconstitucional;
PODER ˃˃ Enquanto não regulamentada, a lei é inexe-
DISCIPLINAR
quível (não pode ser executada);
Punir infrações administrati-
vas cometidas por particulares ˃˃ Se o chefe do executivo descumprir o prazo,
ligados a administração por um a lei se torna exequível (pode ser executada);
vínculo jurídico específico
˃˃ A competência para editar decreto regula-
mentar não pode ser objeto de delegação.
Decreto Autônomo
FIQUE LIGADO
A Emenda Constitucional nº 32, alterou o Art. 84
Quando a Administração atua punindo particula- da Constituição Federal e deu ao seu inciso VI a se-
res (comuns) que cometeram falta, ela está usando o guinte redação:
poder de polícia. Contudo, quando atua penalizando Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da
particulares que mantenham um vínculo jurídico espe- República:
cífico (plus), estará utilizando o poder disciplinar. VI. dispor, mediante decreto, sobre:
a) organização e funcionamento da admi-
nistração federal, quando não implicar au-
mento de despesa nem criação ou extinção

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Poder Regulamentar de órgãos públicos;
b) extinção de funções ou cargos públicos,
Existem duas formas de manifestação do poder quando vagos;
regulamentar: o decreto regulamentar e o autônomo, Essa previsão se refere ao que a doutrina chama
sendo que o primeiro é a regra e o segundo é a exceção. de decreto autônomo, pois se refere à predição para o
presidente da república tratar mediante decreto de de-
Decreto Regulamentar terminados assuntos, sem lei anterior, balizando a sua
Também denominado decreto executivo ou re- atuação, pois a baliza foi a própria Constituição Fede-
gulamento executivo. ral. O decreto é autônomo porque não depende de lei.

O decreto regulamentar é uma prerrogativa dos Características


chefes do poder executivo de regulamentar a lei para ˃˃ Inova o ordenamento jurídico;
garantir a sua fiel aplicação. ˃˃ O decreto autônomo tem natureza
primária ou originária;
Restrições
˃˃ Somente pode tratar das matérias descri-
˃˃ Não inova o ordenamento jurídico;
tas no Art. 84, VI, da Constituição Federal;
˃˃ Não pode alterar a lei;
˃˃ O Presidente da República poderá delegar
˃˃ Não pode criar direitos e obrigações; as atribuições mencionadas para edição
˃˃ Caso o decreto regulamentar extrapole os de decretos autônomos aos Ministros de
limites da lei, haverá quebra do princípio Estado, ao Procurador-Geral da República
da legalidade. Nessa situação, se do decreto ou ao Advogado-Geral da União, que ob-
regulamentar for federal, caberá ao Con- servarão os limites traçados nas respectivas
gresso Nacional sustar os seus dispositivos delegações, conforme prevê o inciso único
violadores da lei. do Art. 84.
Exercício As regras relativas às competências do Presiden-
Somente por decretos dos chefes do poder te da República no uso do decreto regulamentar e
Executivo (Presidente da República, Go- do autônomo são estendidas aos demais chefes do
vernadores e Prefeitos), sendo uma com- executivo nacional dentro das suas respectivas ad-
petência exclusiva, indelegável a qualquer ministrações públicas. Sendo assim, governadores
outra autoridade. e prefeitos podem tratar, mediante decreto autôno-
mo, dos temas estaduais e municipais de suas res-
Natureza
pectivas administrações que o Presidente da Repú-
Decreto: Natureza secundária ou derivada; blica pode resolver, mediante decreto autônomo, na
Lei: Natureza primária ou originária. esfera da administração pública federal.

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DECRETO DE EXECUÇÃO PODER DE
POLÍCIA
É a regra;
Pode ser editado pelos chefes do Executivo;
DISPÕE ADMINISTRAÇÃO
Não inova o ordenamento jurídico e necessita de amparo de uma lei; PÚBLICA
É de competência exclusiva, não pode ser delegável.
USO E GOZO DOS BENS
DECRETO AUTÔNOMO CONDICIONAR EXERCÍCIO DE DIREITO
RESTRINGIR ATIVIDADE PARTICULAR
É a exceção;
Somente pode ser editado pelo Presidente da República;
FINS PÚBLICOS
Inova lei nos casos do Art. 84, IV, a e b do texto constitucional;

É de competência privativa e pode ser delegável de acordo com o Art. 84,


inciso único. Atributos do Poder de Polícia
Discricionariedade: o poder de polícia, em re-
Poder de Polícia gra, é discricionário, pois dá margem de liberdade
dentro dos parâmetros legais ao administrador pú-
O Código Tributário Nacional, em seu Art. 78, blico para agir; contudo, se a lei exigir, tal poder po-
ao tratar dos fatos geradores das taxas, assim concei- de ser vinculado.
tua poder de polícia:
O Estado escolhe as atividades que sofrerão as
Art. 78. Considera-se poder de polícia atividade
fiscalizações da polícia administrativa. Essa escolha
da Administração Pública que, limitando ou dis-
ciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a é manifestação da discricionariedade do poder de
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prática de ato ou abstenção de fato, em razão de in- polícia do Estado. Também é manifestação da dis-
teresse público concernente à segurança, à higiene, cricionariedade do poder de polícia a majoração da
à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e quantidade de pena aplicada a quem cometer uma
do mercado, ao exercício de atividades econômicas infração sujeita à disciplina do poder de polícia.
dependentes de concessão ou autorização do Poder Nos casos em que a lei prever uma pena que te-
Público, à tranquilidade pública ou ao respeito à nha duração no tempo e não fixar exatamente a
propriedade e aos direitos individuais ou coletivos
quantidade, dando uma margem de escolha de
(vide Código Tributário nacional).
quantidade ao julgador, temos o exercício do poder
Hely Lopes Meirelles conceitua poder de polícia discricionário na atuação de polícia e, como limite
como a faculdade que dispõe a Administração Públi- desse poder de punir, temos a própria lei que traz a
ca para condicionar, restringir o uso, o gozo de bens, ordem de polícia e ainda os princípios da razoabili-
atividades e direitos individuais, em benefício da cole- dade e da proporcionalidade que vedam a aplicação
tividade ou do próprio Estado. da pena em proporção superior à gravidade do fato
É competente para exercer o poder de polícia ilícito praticado.
administrativa sobre uma dada atividade o ente fe- Autoexecutoriedade: é a prerrogativa da Admi-
derado, ao qual a Constituição da República atribui nistração Pública de executar diretamente as deci-
competência para legislar sobre essa mesma ativida- sões decorrentes do poder de polícia, por seus pró-
de, para regular a prática dessa. prios meios, sem precisar recorrer ao judiciário.
Assim, podemos dizer que o poder de polícia é • Cabimento
discricionário em regra, podendo ser vinculado nos
casos em que a lei determinar. Ele dispõe que toda Autorização da Lei;
a Administração Pública pode condicionar ou res- Medida Urgente.
tringir os direitos dos administrados em caso de não A autoexecutoriedade no uso do poder de polí-
cumprimento das determinações legais. cia não é absoluta, tendo natureza relativa, ou seja,
O poder de polícia fundamenta-se no de impé- não são todos os atos decorrentes do poder de polí-
rio do Estado (Poder Extroverso), que decorre do cia que são autoexecutórios. Para que um ato assim
Princípio da Supremacia do Interesse Público, pois, ocorra, é necessário que ele seja exigível e executório
por meio de imposições limitando ou restringindo ao mesmo tempo:
a esfera jurídica dos administrados, visa à Adminis- Exigibilidade: exigível é aquela conduta
tração Pública à defesa de um bem maior, que é pro- prevista na norma que, caso seja infringi-
teção dos direitos da coletividade, pois o interesse da, pode ser aplicada uma coerção indireta,
público prevalece sobre os particulares. ou seja, caso a pessoa venha a sofrer uma

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penalidade e se recuse a aceitar a aplicação da O poder de polícia não pode ser exercido por par-
sanção, a aplicação dessa somente poderá ser ticulares ou por pessoas jurídicas de direito privado da
executada por decisão judicial. É o caso das administração indireta, entretanto, o STJ em uma re-
multas, por exemplo, que podem ser lançadas cente decisão entendeu que os atos de consentimento
a quem comete uma infração de trânsito, de polícia e de fiscalização dessa, que por si só não têm
a administração não pode receber o valor natureza coercitiva, podem ser delegados às pessoas ju-
devido por meio da coerção, caso a pessoa rídicas de direito privado da Administração Indireta.
penalizada se recuse a pagar a multa, o seu • Meios de Atuação
recebimento dependerá de execução judicial
pela Administração Pública. A exigibilidade é O poder de polícia pode ser exercido tanto pre-
uma característica de todos os atos praticados ventivamente quanto repressivamente.
no exercício do poder de polícia. Prevenção: manifesta-se por meio da edição
Executoriedade: executória é a norma que, de atos normativos de alcance geral, tais como
caso seja desrespeitada, permite a aplicação leis, decretos, resoluções, entre outros, e também
de uma coerção direta, ou seja, a adminis- por meio de várias medidas administrativas, tais
tração pode utilizar da força coercitiva para como a fiscalização, a vistoria, a notificação, a li-
garantir a aplicação da penalidade, sem cença, a autorização, entre outros.
precisar recorrer ao judiciário. Repressão: manifesta-se por meio da aplicação
É o caso das sanções de interdição de estabeleci- de punições, tais como multas, interdição de direi-
mentos comerciais, suspensão de direitos, entre ou- tos, destruição de mercadorias etc.

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tras. Não são todas as medidas decorrentes do poder • Ciclo de Polícia
de polícia executórias.
O ciclo de polícia se refere às fases de atuação
O ato de polícia para ser autoexecutório precisa
desse poder, ordem de polícia, consentimento,
ser ao mesmo tempo exigível e executório, ou seja,
fiscalização e sanção de polícia, sendo assim, esse
nem todos os atos decorrentes do poder de polícia
ciclo, para se completar, pode passar por quatro
são autoexecutórios.
fases distintas:
Coercibilidade: esse atributo informa que as de-
Ordem de Polícia: é a Lei inovadora que tem tra-
terminações da Administração podem ser impostas zido limites ou condições ao exercício de atividades
coercitivamente ao administrado, ou seja, o parti- privadas ou uso de bens.
cular é obrigado a observar os ditames da adminis-
tração. Caso ocorra resistência por parte desse, a ad- Consentimento: é a autorização prévia forneci-
ministração pública estará autorizada a usar força, da pela Administração para a prática de determina-
independentemente de autorização judicial, para da atividade privada ou para usar um bem.
fazer com que seja cumprida a regra de polícia. To- Fiscalização: é a verificação, por parte da admi-
davia, os meios utilizados pela administração devem nistração pública, para certificar-se de que o admi-
ser legítimos, humanos e compatíveis com a urgên- nistrado está cumprindo as exigências contidas na
cia e a necessidade da medida adotada. ordem de polícia para a prática de determinada ati-
vidade privada ou uso de bem.
Classificação
Sanção de Polícia: é a coerção imposta pela ad-
O poder de polícia pode ser originário, no caso ministração ao particular que pratica alguma ativi-
da Administração Pública direta e derivada. Quan- dade regulada por ordem de polícia em descumpri-
do diz respeito as autarquias, a doutrina orienta que mento com as exigências contidas.
fundações públicas, sociedade de economia mista e É importante destacar que o ciclo de polícia não
empresas públicas não possuem o poder de polícia precisa necessariamente comportar essas quatro fa-
em suas ações. Classificação: ses, pois as de ordem e fiscalização devem sempre estar
Poder de Polícia Originário: presentes em qualquer atuação de polícia administrati-
Dado à Administração Pública Direta. va, todavia, as fases de consentimento e de sanção não
estarão presentes em todos os ciclos de polícia.
Poder de Polícia Delegado:
• Prescrição
Dado às pessoas da Administração Pública
Indireta que possuem personalidade O prazo de prescrição das ações punitivas decor-
jurídica de direito público. Esse poder rentes do exercício do poder de polícia é de 5 anos para
somente é proporcionado para as autar- a esfera federal, conforme constata-se na redação do
quias ligadas à Administração Indireta. Art. 1º da Lei 9.873/99:

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Art. 1º. Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Omissão de Poder: ocorre quando o agente pú-
Administração Pública Federal, direta e indireta, blico fica inerte diante de uma situação em que a lei
no exercício do poder de polícia, objetivando apu- impõe o uso do poder.
rar infração a legislação em vigor, contados da da-
ta da prática do ato ou, no caso de infração perma-
nente ou continuada, do dia em que tiver cessado. FIQUE LIGADO
Polícia Administrativa X Polícia Judiciária
Todos os atos que forem praticados com abuso
Polícia Administrativa: atua visando evitar a de poder são ilegais e devem ser anulados; essa anu-
prática de infrações administrativas, tem natureza lação pode acontecer tanto pela via administrativa
preventiva, entretanto, em alguns casos ela pode ser quanto pela via judicial.
repressiva. A polícia administrativa atua sobre ativi-
O remédio constitucional para combater o abuso de
dades privadas, bens ou direitos.
poder é o Mandado de Segurança.
Polícia Judiciária: atua com o objetivo de re-
primir a infração criminal, tem natureza repressi-
va, mas, em alguns casos, pode ser preventiva. Ao
contrário da polícia administrativa que atua sobre EXERCÍCIO COMENTADO
atividades privadas, bens ou direitos, a atuação da
judiciária recai sobre as pessoas. Julgue o item abaixo, relativo aos poderes da
Poder de Polícia X Prestação de Serviços Públicos administração.
Não podemos confundir toda atuação estatal 01. (CESPE) A relação hierárquica constitui elemento
com a prestação de serviços públicos, pois, dentre as essencial na organização administrativa, razão pela
diversas atividades desempenhadas pela Adminis- qual deve estar presente em toda a atividade de-
tração Pública, temos, além da prestação de serviços senvolvida no âmbito da Administração Pública.
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públicos, o exercício do poder de polícia, o fomento, ERRADO. Nem em toda atividade desenvolvida no
a intervenção na propriedade privada, entre outras. âmbito da Administração Pública está prevista a
Distingue-se o poder de polícia da prestação de relação de hierarquia; um bom exemplo é a relação
serviços públicos, pois essa é uma atividade positiva, da Administração Pública Direta com a Indireta; aqui a
que se manifesta numa obrigação de fazer. relação é de vinculação.
Poder de Polícia: atividade negativa, que traz a no-
ção de não fazer, proibição, excepcionalmente pode
trazer uma obrigação de fazer. Seu exercício sofre tri- VAMOS PRATICAR
butação mediante taxa e é indelegável a particulares.
Serviço Público: atividade positiva, que traz a Os exercícios a seguir são referentes ao conteúdo: Po-
noção de fazer algo. A sua remuneração se dá por deres Administrativos.
meio da tarifa, que não é um tributo, mas sim, uma
01. (CESPE) A invalidação da conduta abusiva
espécie de preço público, e o serviço público, mesmo
sendo de titularidade exclusiva do Estado, é delegá- de um agente público pode ocorrer tanto na
vel a particulares. esfera administrativa quanto por meio de
ação judicial, e, em certas circunstâncias, o
Abuso de Poder abuso de poder constitui ilícito penal.

O administrador público tem que agir obrigatoria- Certo ( ) Errado ( )


mente em obediência aos princípios constitucionais, do 02. (CESPE) O poder de polícia, vinculado à
contrário, sua ação pode ser arbitrária e, consequente- prática de ato ilícito de um particular, tem
mente, ilegal, o que gerará o chamado abuso de poder.
natureza sancionatória, devendo ser exercido
Excesso de Poder: quando o agente público atua apenas de maneira repressiva.
fora dos limites de sua esfera de competência.
Certo ( ) Errado ( )
Desvio de Poder: quando a atuação do agente,
embora dentro de sua órbita de competência, con- 03. (CESPE) O ordenamento jurídico pode deter-
traria a finalidade explícita ou implícita na lei que de- minar que a competência de certo órgão ou de
terminou ou autorizou a sua atuação, tanto é desvio agente inferior na escala hierárquica seja ex-
de poder a conduta contrária à finalidade geral (ou clusiva e, portanto, não possa ser avocada.
mediata) do ato – o interesse público –, quanto a que
discrepe de sua finalidade específica (ou imediata). Certo ( ) Errado ( )

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04. (CESPE) O poder regulamentar, regra geral, administração não depender da intervenção
tem natureza primária e decorre diretamente do Poder Judiciário para torná-los efetivos.
da CF, sendo possível que os atos expedidos Entretanto, alguns desses atos importam
inovem o próprio ordenamento jurídico. exceção à regra, como exemplo, no caso de se
impor ao administrado que este construa uma
Certo ( ) Errado ( ) calçada. A exceção ocorre porque tal atributo
05. (CESPE) Com fundamento no poder disci- se desdobra em dois, exigibilidade e executo-
plinar, a Administração Pública, ao ter co- riedade, e, nesse caso, falta a executoriedade.
nhecimento de prática de falta por servidor
Certo ( ) Errado ( )
público, pode escolher entre a instauração ou
não de procedimento destinado a promover a 12. (CESPE) Quando um fiscal apreende
correspondente apuração da infração. remédios com prazo de validade vencido,
Certo ( ) Errado ( ) expostos em prateleiras de uma farmácia,
tem-se exemplo do poder disciplinar da Ad-
06. (CESPE) As prerrogativas do regime jurídico
administrativo conferem poderes à Admi- ministração Pública.
nistração, colocada em posição de suprema- Certo ( ) Errado ( )
cia sobre o particular; já as sujeições servem
de limites à atuação administrativa, como 13. (CESPE) O poder de polícia, considerado
garantia do respeito às finalidades públicas e como a atividade do Estado limitadora do
também dos direitos do cidadão. exercício dos direitos individuais em benefí-

NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO


Certo ( ) Errado ( ) cio do interesse público, é atribuído com ex-
clusividade ao Poder Executivo.
07. (CESPE) De acordo com a lei, denomina-se
ocupação temporária a situação em que um Certo ( ) Errado ( )
agente policial obriga o proprietário de um
veículo particular em movimento a parar, a 14. (CESPE) O poder de polícia manifesta-se
fim de utilizar esse na perseguição à terro- apenas por meio de medidas repressivas.
rista internacional que porta bomba, para Certo ( ) Errado ( )
iminente detonação.
Certo ( ) Errado ( )
GABARITO
08. (CESPE) A sanção administrativa é consectá-
rio do poder de polícia regulado por normas 01 CERTO 08 CERTO
administrativas.
02 ERRADO 09 ERRADO
Certo ( ) Errado ( )
03 CERTO 10 ERRADO
09. (CESPE) A Administração Pública, no exer-
cício do ius imperii, subsume-se ao regime de 04 ERRADO 11 CERTO
direito privado.
05 ERRADO 12 ERRADO
Certo ( ) Errado ( )
06 CERTO 13 ERRADO
10. (CESPE) O prazo prescricional para que
a Administração Pública federal, direta e 07 ERRADO 14 ERRADO
indireta, no exercício do poder de polícia,
inicie ação punitiva, cujo objetivo seja apurar
infração à legislação em vigor, é de cinco
anos, contados da data em que o ato se tornou ANOTAÇÕES
conhecido pela Administração, salvo se tratar
de infração dita permanente ou continuada,
pois, nesse caso, o termo inicial ocorre no dia
em que cessa a infração.
Certo ( ) Errado ( )
11. (CESPE) Atos administrativos decorren-
tes do poder de polícia gozam, em regra, do
atributo da autoexecutoriedade, haja vista a

277
7.  Licitação as fundações públicas, as empresas públicas, as so-
ciedades da economia mista e demais entidades
controladas direta e indiretamente pela União, Esta-
Conceito de Licitação dos, Distrito Federal e Municípios.
Art. 37, XXI. Ressalvados os casos especificados na
legislação, as obras, serviços, compras e alienações FIQUE LIGADO
serão contratados mediante processo de licitação
pública que assegure igualdade de condições a to- As concessionárias e permissionárias de serviços
dos os concorrentes, com cláusulas que estabele- públicos sempre devem licitar, isso por força do Art. 175
çam obrigações de pagamento, mantidas as condi- da Constituição Federal.
ções efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual
somente permitirá as exigências de qualificação
técnica e econômica indispensáveis à garantia do Art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma da
cumprimento das obrigações. lei, diretamente ou sob regime de concessão ou per-
Procedimento administrativo, de observância missão, sempre por meio de licitação, a prestação
de serviços públicos.
obrigatória pelas entidades governamentais, em
que, observada a igualdade entre os participantes, UNIÃO; ESTADOS;
ADM. PÚBLICA
deve ser selecionada a melhor proposta entre as DIRETA
DISTRITO FEDERAL;
MUNICÍPIOS.
apresentadas pelos interessados e com elas travar
determinadas relações de conteúdo patrimonial,
uma vez preenchidos os requisitos mínimos neces- AUTARQUIA;
sários ao bom cumprimento das obrigações a que ADM. PÚBLICA
FUNDAÇÃO PÚBLICA;
eles se propõem (preceito da Lei 8.666/93). SOCIEDADE DE
INDIRETA
NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO

ECONOMIA MISTA;
EMPRESAS PÚBLICAS.
Regras Gerais sobre Licitações
As regras gerais de licitação são de suma impor- Como licitar?
tância para quem fará um concurso público, pois, de Em primeiro lugar, deve ser definido o objeto
forma objetiva, conseguimos entender as questões que se quer contratar. Depois disso, é necessário
propostas, dessa maneira, iniciaremos com indaga- estimar o valor total da obra, do serviço ou do bem
ções frequentes: a ser licitado, mediante realização de pesquisa de
O que é licitação? mercado. É importante, ainda, verificar se há pre-
Licitação é o procedimento administrativo que visão de recursos orçamentários para o pagamento
autoriza a execução de obras, a prestação de serviços da despesa e se essa se encontrará em conformidade
e o fornecimento de bens para atendimento de ne- com a Lei de Responsabilidade Fiscal.
cessidades públicas; as alienações e locações devem Assim, após apuração da estimativa, deve ser
ser contratadas mediante licitações públicas. adotada a modalidade de licitação adequada, com
Por que licitar? prioridade especial para o pregão, quando o objeto
A Constituição Federal, Art. 37, XXI, prevê, para pretendido referir-se a bens e serviços comuns lista-
a Administração Pública, a obrigatoriedade de licitar. dos no Decreto nº 3.555, de 8 de agosto de 2002, que
O procedimento de licitação objetiva permite regulamenta essa modalidade. Lembrando que a
que a administração contrate aqueles que reúnem as modalidade pregão não está expressamente prevista
condições necessárias para o atendimento do inte- na Lei 8.666/93.
resse público, levando em consideração aspectos re-
lacionados à capacidade técnica e econômico-finan-
Princípios Explícitos
ceira do licitante, à qualidade do produto e ao valor ˃˃ Legalidade;
do objeto, sempre procurando atender ao princípio
˃˃ Impessoalidade;
da isonomia (igualdade) e objetivando a proposta
mais vantajosa. ˃˃ Moralidade e Probidade Administrativa;
Quem deve licitar? ˃˃ Igualdade;
Estão sujeitos à regra de licitar, prevista na Lei nº ˃˃ Publicidade;
8.666, de 1993, além dos órgãos integrantes da admi- ˃˃ Vinculação ao Instrumento Convocatório;
nistração direta, os fundos especiais, as autarquias, ˃˃ Julgamento Objetivo.

278
Estão previstos no Art. 3º da Lei 8.666/93: Art. 2º. As obras, serviços, inclusive de publicidade,
compras, alienações, concessões, permissões e loca-
Art. 3º. A licitação destina-se a garantir a obser-
ções da Administração Pública, quando contratadas
vância do princípio constitucional da isonomia,
com terceiros, serão necessariamente precedidas de
a seleção da proposta mais vantajosa para a Ad-
licitação, ressalvadas as hipóteses previstas nesta Lei.
ministração e a promoção do desenvolvimento na-
cional sustentável e será processada e julgada em Parágrafo único. Para os fins desta Lei, conside-
estrita conformidade com os princípios básicos ra-se contrato todo e qualquer ajuste entre órgãos
da legalidade, da impessoalidade, da moralida- ou entidades da Administração Pública e particu-
de, da igualdade, da publicidade, da probidade lares, em que haja um acordo de vontades para a
administrativa, da vinculação ao instrumento formação de vínculo e a estipulação de obrigações
convocatório, do julgamento objetivo. recíprocas, seja qual for a denominação utilizada.
O Art. 3º, que trata dos princípios da licitação,
determina a estrita obediência a vários princípios
Princípios Explícitos em Espécie
básicos expressos. Contudo, dá relevância a um de- Legalidade
les, ou seja, o princípio da isonomia tem um trata-
mento diferenciado. Nos procedimentos de licitação, esse princípio
vincula os licitantes e a Administração Pública às
A licitação, por si só, traz uma ideia de disputa regras estabelecidas, nas normas e princípios em
isonômica e a finalidade é a de conseguir a proposta vigor, ou seja, o administrador fica vinculado aos
mais vantajosa para a Administração a fim da cele- ditames na lei, tendo alguma liberdade (discricio-
bração do contrato administrativo. O propósito es- nariedade) somente quando a própria lei assim au-
pecífico é a realização de obras, serviços, concessão, torizar ou determinar, como é o caso da licitação

NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO


permissões, compras, alienações ou locações. dispensável e licitação dispensada.
Devemos nos atentar, pois a competência pa- Todos os atos de licitação devem estar estrita-
ra legislar acerca de licitação é privativa da União, mente na lei. Sendo assim, o administrador público
sempre sobre normas gerais, e está prevista no Art. não pode exigir do licitante condições de habilitação
22, XXVII, da Constituição Federal: econômica com certa margem acima do necessário
Art. 22. Compete privativamente à União legislar ao cumprimento das obrigações a serem contrata-
sobre: das. Assim, somente permitirá as exigências de qua-
XXVII. Normas gerais de licitação e contratação, lificação técnica e econômicas indispensáveis à ga-
em todas as modalidades, para as administrações rantia do cumprimento das obrigações.
públicas diretas, autárquicas e fundacionais da
União, Estados, Distrito Federal e Municípios, Impessoalidade
obedecido o disposto no Art. 37, XXI, e para as
empresas públicas e sociedades de economia Esse princípio obriga a Administração a obser-
mista, nos termos do Art. 173, § 1º, III; var, nas suas decisões, critérios objetivos previa-
mente estabelecidos, afastando a discricionariedade
É de se notar que os Estados, Distrito Federal e
e o subjetivismo na condução dos procedimentos
municípios podem legislar sobre normas específicas
da licitação. Aqui, o princípio obedece aos dita-
acerca de licitação pública e contratos administrati-
mes da Constituição Federal e tem por finalidade a
vos, mesmo sem autorização da União, desde que as
obediência estrita aos fins coletivos, impedindo, de
leis promulgadas não ofendam a Constituição Fede-
qualquer modo, a promoção pessoal do administra-
ral e também não contrariem as normas gerais. dor e as chamadas “facilidades” para qualquer parti-
Dessa forma, é importante frisar que a Lei cular envolvido no procedimento.
8.666/93 é aplicável a toda Administração Pública,
de acordo com os Arts. 1º e 2º da lei: Moralidade e Probidade Administrativa
Art. 1º. Esta Lei estabelece normas gerais sobre Aqui devemos nos atentar, pois, de acordo com a
licitações e contratos administrativos pertinen- Constituição Federal, a moralidade administrativa é
tes a obras, serviços, inclusive de publicidade, tida como princípio e a probidade como dever. Con-
compras, alienações e locações no âmbito dos tudo, o texto da Lei 8.666/93 traz insculpido os dois co-
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Fe- mo sendo princípios norteadores da licitação, em que
deral e dos Municípios.
a conduta dos licitantes e dos agentes públicos tem que
Parágrafo único. Subordinam-se ao regime desta ser, além de lícita, compatível com a moral, ética, bons
Lei, além dos órgãos da administração direta, os costumes e com as regras da boa administração.
fundos especiais, as autarquias, as fundações pú-
blicas, as empresas públicas, as sociedades de eco- Igualdade
nomia mista e demais entidades controladas direta
ou indiretamente pela União, Estados, Distrito Fe- É o mais relevante princípio da lei de licita-
deral e Municípios. ção e significa dar tratamento igual a todos os

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