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Raphael Madeira Abad

LEGISLAÇÃO COMENTADA

PARTE 01

ATIVIDADE DA ADVOCACIA

Ah, antes de começarmos vamos falar de direitos autorais... Apesar de distribuído gratuitamente,
este material está protegido pela legislação de copyright e você não tem permissão para vender,
copiar ou reproduzir o conteúdo, sendo que às violações serão aplicadas as medidas legais cabíveis.

Caso goste e queira citar, utilize as normas técnicas.

Raphael Madeira Abad

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1. OBJETIVOS
Eu criei este método para estudar Deontologia, pois acredito que separar a matéria em tópicos, e
aprender cada um deles à luz das três normas básicas é muito melhor que estudar cada uma delas
separadamente.

Para você poder saber se está lendo o EAOB, o Regulalmento, ou NCED ou outra coisa, usei fontes e
cores diferentes.

Também Selecionei assertivas, retiradas de dezenas de provas e questões, e indexei aos artigos, a
fim de esclarecer ao leitor como cada um deles é cobrado nas provas da OAB.

Para você que está lendo eletronicamente recheei o texto com links para que em um clique você seja
imediatamente direcionado para os sites oficiais de legislação e jurisprudência, que se atualizarão
automaticamente, bem como para minhas vídeo aulas e notícias. Recomendo que leia
eletronicamente. – A natureza agradece.

Finalmente, há comentários a cada artigo que necessite de explicação pormenorizada.

Agora é com você !

Bons Estudos e qualquer coisa, procure-me nas redes sociais.

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2. ATIVIDADE DA ADVOCACIA
A Advocacia definitivamente não pode ser equiparada a qualquer outra profissão, principalmente pelo
fato de que o Advogado, apesar de exercer uma atividade privada, em seu escritório privado, exerce
um SERVIÇO PÚBLICO COM FUNÇÃO SOCIAL. A correta condenação de alguém que deva ser
condenado e, por outro lado a absolvição de quem deve ser absolvido é uma forma de

ESTATUTO DA ADVOCACIA E DA OAB

Art. 1º São atividades privativas de advocacia:


“QUALQUER foi I - a postulação a qualquer órgão do Poder Judiciário e aos
declarado
INCONSTITUCIONAL.
juizados especiais; (Vide ADIN 1.127-8)
II - as atividades de consultoria, assessoria e direção jurídicas.
§ 1º Não se inclui na atividade privativa de advocacia a impetração
de habeas corpus em qualquer instância ou tribunal.

REGRA do Jus Postulandi:


ü Em REGRA, apenas os Advogados poderiam realizar quaisquer atividades jurídicas consultivas, contenciosas ou
conciliatórias.
ü Em REGRA, apenas os Advogados poderiam postular perante qualquer juízo ou tribunal.
ü O termo QUALQUER foi declarado inconstitucional pela ADI 1.127-8 criando as exceções.

EXCEÇÕES ao Jus Postulandi:


ü Habeas Corpus.
ü JEC Estadual CIVEL até 20 Salários1 e em primeira instância (Lei. 9.099/95 art. 9º e ADIn 1.539)
ü JEC Federal CÍVEL até 60 Salários e em primeira instância (Lei 10.259/2001 e ADIn 3.168)
ü Justiça do Trabalho nas instâncias ordinárias (CLT art. 791).
ü Quando não há advogado que aceite a incumbência na comarca.
ü Para a Autoridade recorrer diretamente da decisão concessiva em Mandado de Segurança (Lei 12.016/2009, art. 14, §2º).
ü Justiça de Paz.

Interessante: O STF(Ag.Reg. no MI 772-1 negou mandado de


injunção por meio do qual foi invocado o Pacto de San José da
Costa Rica para assegurar o irrestrito jus postulandi a não
advogado.

Observações quanto à necesssidade de Advogados para atividades extrajudiciais, mas que contudo correspondem ao
conceito de ATO PRIVATIVO DE ADVOGADO.

ü Direção, Coordenação, Assessoria, Chefia, Gerência juridical.


ü Conciliações e mediações (NCPC 334 §9º)
ü Defesa em CPI (Lei 1.579/52 art. 3º)
ü Patrocínio de interesses privados perante Autarquias (REsp 35.248-7)
ü Atos que eram judiciais, mas que agora podem ser realizados no cartório, devem ser acompanhados por advogado:
Inventário, divórcio consensual, separação consensual e extinção consensual de união estável.

Visto do § 2º Os atos e contratos constitutivos de pessoas jurídicas, sob


advogado

1 Lei 9.099 / 95 [...] Art. 9º Nas causas de valor até vinte salários mínimos, as partes comparecerão pessoalmente,
podendo ser assistidas por advogado; nas de valor superior, a assistência é obrigatória.
§ 1º Sendo facultativa a assistência, se uma das partes comparecer assistida por advogado, ou se o réu for pessoa
jurídica ou firma individual, terá a outra parte, se quiser, assistência judiciária prestada por órgão instituído junto ao
Juizado Especial, na forma da lei local.
§ 2º O Juiz alertará as partes da conveniência do patrocínio por advogado, quando a causa o recomendar.

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pena de nulidade, só podem ser admitidos a registro, nos
órgãos competentes, quando visados por advogados.

Agora vamos ao Regulamento do Estatuto que, em outras palavras, afirma que o Advogado tem
que ler o documento antes de assinar, e não simplesmente assinar, como infelizmente muitas vezes
acontece na prática.

A assertiva foi considerada CORRETA em REGULAMENTO


(OAB/MG 2006 – dez) “o visto do advogado Art. 2o O visto do advogado em atos constitutivos de
em atos constitutivos de pessoas jurídicas
deve resultar da efetiva constatação, pelo
pessoas jurídicas, indispensável ao registro e
profissional que os examinar, de que os arquivamento nos órgãos competentes, deve resultar
respectivos instrumentos preenchem as da efetiva constatação, pelo profissional que os
exigências legais pertinentes”
examinar, de que os respectivos instrumentos
preenchem as exigências legais pertinentes.

A assertiva foi considerada CORRETA: “Os Parágrafo único. Estão impedidos de exercer o ato de
atos e contratos constitutivos de pessoas advocacia referido neste artigo os advogados que
jurídicas, para sua admissão em registro, em prestem serviços a órgãos ou entidades da
não se tratando de empresas de pequeno
porte e de microempresas, consoante o Administração Pública direta ou indireta, da unidade
Estatuto da Advocacia, devem [...] c) conter o federativa a que se vincule a Junta Comercial, ou a
visto do advogado.” (XVII Exame, 2015) quaisquer repartições administrativas competentes
para o mencionado registro.

Visto do Advogado em atos Constitutivos de Pessoas jurídicas


É ato privativo de advogado.
Foi declarado CONStituticional quando do exame da ADIn 1.194 proposta pela Confederação Nacional da
Indústria contra a exigência do visto.
Não é exigido quando da constituição de empresa individual constituída mediante formulário padronizado.
O Advogado deve realmente ler, até porque Assinar qualquer documento que não tenha redigido ou
colaborado é infração ética.
Dispensado no caso das pequenas empresas (LC 123/2006, art. 9o. §2o.)
Está sujeito a impedimento, previsto no Regulamento.

Impedimento para praticar o ato de visto


O Advogado que preste qualquer serviços à Administração direta, indireta ou a seus órgãos não pode
realiar o ato do visto na Unidade Federativa a que se vincule a Repartição. Por exemplo: O
Procurador do Instituto de Aposentadoria dos Servidores do Município de Vitória (ES) não pode visar
documentos na Junta Comercial do Estado do Espírito Santo, pois ele presta servico a órgão de
Município ao qual está vinculada a Junta Comercial.

Voltemos ao Estatuto da Advocacia:

§ 3º É vedada a divulgação de advocacia em conjunto com outra


atividade.

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ADVOCACIA EM CONJUNTO COM OUTRA ATIVIDADE


ü Neste caso não importa a atividade, muito menos se é filantrópica ou até religiosa.
ü A vedação à publicidade estende-se à atuação no mesmo espaço físico, com acomodações separadas.
ü A vedação não impede que o Advogado EXERÇA outra atividade (exceto as incompatíveis)
ü Uma empresa que possui um setor jurídico não pode oferecer os serviços deste setor a terceiros.
ü Divulgação conjunta é punida com CENSURA (art.t. 36, II e III)

O NCED possui um capítulo específico sobre a publicidade, veja:

CÓDIGO DE ÉTICA
A OAB (XXI exame, 2016) Art. 40. Os meios utilizados para a
considerou correta a seguinte publicidade profissional hão de ser
assertiva: Janaína deseja compatíveis com a diretriz estabelecida no
imprimir cartões de visitas artigo anterior, sendo vedados:
para divulgação profissional IV - a divulgação de serviços de advocacia
de seu endereço e telefones.
juntamente com a de outras atividades ou a
Assim, dirigiu-se a uma
gráfica e elaborou o seguinte indicação de vínculos entre uns e outras;
modelo: no centro do cartão, [...]
consta o nome e o número de Art. 44. Na publicidade profissional que
inscrição de Janaína na OAB. promover ou nos cartões e material de
Logo abaixo, o endereço e os escritório de que se utilizar, o advogado
telefones do escritório. No
canto superior direito, há uma
fará constar seu nome ou o da sociedade de
pequena fotografia da advogados, o número ou os números de
advogada, com vestimenta inscrição na OAB.
adequada. Na parte inferior § 1º Poderão ser referidos apenas os títulos
do cartão, estão as seguintes acadêmicos do advogado e as distinções
inscrições “procuradora do honoríficas relacionadas à vida profissional,
município de Oceanópolis”,
“advogada – Sociedade de bem como as instituições jurídicas de que
Advogados Alfa” e “ex- faça parte, e as especialidades a que se
professora da Universidade dedicar, o endereço, e-mail, site, página
Beta”. A impressão será feita eletrônica, QR code, logotipo e a fotografia
em papel branco com do escritório, o horário de atendimento e os
proporções usuais e grafia
idiomas em que o cliente poderá ser atendido.
discreta na cor preta.
Considerando a situação § 2º É vedada a inclusão de fotografias
descrita, assinale a afirmativa pessoais ou de terceiros nos cartões de
correta. visitas do advogado, bem como menção a
a) Os cartões de visitas qualquer emprego, cargo ou função ocupado,
pretendidos por Janaína não atual ou pretérito, em qualquer órgão ou
são adequados às regras
referentes à publicidade
instituição, salvo o de professor
profissional. São vedados: o universitário.
emprego de fotografia
pessoal e a referência ao
cargo de procurador
municipal. Os demais A OAB (XXI exame, 2016) “É permitido a Florentino exercer paralelamente a
elementos poderão ser advocacia e a corretagem de imóveis. Todavia, é vedado o emprego da aludida
mantidos. placa, ainda que discreta, sóbria e meramente informativa.

O Conselho Federal da OAB editou um Provimento específico para a publicidade:

Provimento Nº 94/2000
O CONSELHO FEDERAL DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL, no uso das
atribuições que lhe são conferidas pelo art. 54, V, da Lei n. 8.906, de 4 de julho de 1994,
considerando as normas sobre publicidade, propaganda e informação da advocacia,

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esparsas no Código de Ética e Disciplina, no Provimento n. 75, de 1992, em resoluções e
em assentos dos Tribunais de Ética e Disciplina dos diversos Conselhos Seccionais;
considerando a necessidade de ordená-las de forma sistemática e de especificar
adequadamente sua compreensão; considerando, finalmente, a decisão tomada no
Processo n. 4.585/2000 COP,

RESOLVE:

Art. 1º É permitida a publicidade informativa do advogado e da sociedade de advogados,


contanto que se limite a levar ao conhecimento do público em geral, ou da clientela, em
particular, dados objetivos e verdadeiros a respeito dos serviços de advocacia que se
propõe a prestar, observadas as normas do Código de Ética e Disciplina e as deste
Provimento.

Art. 2º Entende-se por publicidade informativa:


a) a identificação pessoal e curricular do advogado ou da sociedade de advogados;
b) o número da inscrição do advogado ou do registro da sociedade;
c) o endereço do escritório principal e das filiais, telefones, fax e endereços eletrônicos;
d) as áreas ou matérias jurídicas de exercício preferencial;
e) o diploma de bacharel em direito, títulos acadêmicos e qualificações profissionais obtidos
em estabelecimentos reconhecidos, relativos à profissão de advogado
(art. 29, §§ 1º e 2º, do Código de Ética e Disciplina);
f) a indicação das associações culturais e científicas de que faça parte o advogado ou a
sociedade de advogados;
g) os nomes e os nomes sociais dos advogados integrados ao escritório;(NR. Ver
Provimento n. 172/2016)
h) o horário de atendimento ao público;
i) os idiomas falados ou escritos.

Art. 3º São meios lícitos de publicidade da advocacia:


a) a utilização de cartões de visita e de apresentação do escritório, contendo,
exclusivamente, informações objetivas;
b) a placa identificativa do escritório, afixada no local onde se encontra instalado;
c) o anúncio do escritório em listas de telefone e análogas;
d) a comunicação de mudança de endereço e de alteração de outros dados de identificação
do escritório nos diversos meios de comunicação escrita, assim como por meio de mala-
direta aos colegas e aos clientes cadastrados;
e) a menção da condição de advogado e, se for o caso, do ramo de atuação, em anuários
profissionais, nacionais ou estrangeiros;
f) a divulgação das informações objetivas, relativas ao advogado ou à sociedade de
advogados, com modicidade, nos meios de comunicação escrita e eletrônica.
§ 1º A publicidade deve ser realizada com discrição e moderação, observado o disposto nos
arts. 28, 30 e 31 do Código de Ética e Disciplina.
§ 2º As malas-diretas e os cartões de apresentação só podem ser fornecidos a colegas,
clientes ou a pessoas que os solicitem ou os autorizem previamente.
§ 3º Os anúncios de publicidade de serviços de advocacia devem sempre indicar o nome ou
o nome social do advogado ou da sociedade de advogados com o respectivo número de
inscrição ou de registro; devem, também, ser redigidos em português ou, se em outro
idioma, fazer-se acompanhar da respectiva tradução. (NR. Ver Provimento n. 172/2016)

Art. 4º Não são permitidos ao advogado em qualquer publicidade relativa à advocacia:


a) menção a clientes ou a assuntos profissionais e a demandas sob seu patrocínio;
b) referência, direta ou indireta, a qualquer cargo, função pública ou relação de emprego e
patrocínio que tenha exercido;
c) emprego de orações ou expressões persuasivas, de auto-engrandecimento ou de
comparação;
d) divulgação de valores dos serviços, sua gratuidade ou forma de pagamento;
e) oferta de serviços em relação a casos concretos e qualquer convocação para postulação
de interesses nas vias judiciais ou administrativas;
f) veiculação do exercício da advocacia em conjunto com outra atividade;
g) informações sobre as dimensões, qualidades ou estrutura do escritório;
h) informações errôneas ou enganosas;
i) promessa de resultados ou indução do resultado com dispensa de pagamento de
honorários;
j) menção a título acadêmico não reconhecido;
k) emprego de fotografias e ilustrações, marcas ou símbolos incompatíveis com a
sobriedade da advocacia;
l) utilização de meios promocionais típicos de atividade mercantil.

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Art. 5º São admitidos como veículos de informação publicitária da advocacia:
a) Internet, fax, correio eletrônico e outros meios de comunicação semelhantes;
b) revistas, folhetos, jornais, boletins e qualquer outro tipo de imprensa escrita;
c) placa de identificação do escritório;
d) papéis de petições, de recados e de cartas, envelopes e pastas.
Parágrafo único. As páginas mantidas nos meios eletrônicos de comunicação podem
fornecer informações a respeito de eventos, de conferências e outras de conteúdo jurídico,
úteis à orientação geral, contanto que estas últimas não envolvam casos concretos nem
mencionem clientes.

Art. 6º Não são admitidos como veículos de publicidade da advocacia:


a) rádio e televisão;
b) painéis de propaganda, anúncios luminosos e quaisquer outros meios de publicidade em
vias públicas;
c) cartas circulares e panfletos distribuídos ao público;
d) oferta de serviços mediante intermediários.

Art. 7º A participação do advogado em programas de rádio, de televisão e de qualquer outro


meio de comunicação, inclusive eletrônica, deve limitar-se a entrevistas ou a exposições
sobre assuntos jurídicos de interesse geral, visando a objetivos exclusivamente ilustrativos,
educacionais e instrutivos para esclarecimento dos destinatários.

Art. 8º Em suas manifestações públicas, estranhas ao exercício da advocacia, entrevistas


ou exposições, deve o advogado abster-se de:
a) analisar casos concretos, salvo quando arguido sobre questões em que esteja envolvido
como advogado constituído, como assessor jurídico ou parecerista, cumprindo-lhe, nesta
hipótese, evitar observações que possam implicar a quebra ou violação do sigilo
profissional;
b) responder, com habitualidade, a consultas sobre matéria jurídica por qualquer meio de
comunicação, inclusive naqueles disponibilizados por serviços telefônicos ou de informática;
c) debater causa sob seu patrocínio ou sob patrocínio de outro advogado;
d) comportar-se de modo a realizar promoção pessoal;
e) insinuar-se para reportagens e declarações públicas;
f) abordar tema de modo a comprometer a dignidade da profissão e da instituição que o
congrega.

Art. 9º Ficam revogados o Provimento n. 75, de 14 de dezembro de 1992, e as demais


disposições em contrário.

Art. 10. Este Provimento entra em vigor na data de sua publicação.

Sala das Sessões, 5 de setembro de 2000.


Reginaldo Oscar de Castro, Presidente
Alfredo de Assis Gonçalves Neto, Conselheiro Relator
(DJ, 12.09.2000, p. 374, S.1)

E vamos em frente !!!

INDISPENSABILIDADE Art. 2º O advogado é indispensável à administração da justiça.


INVIOLABILIDADE § 1º No seu ministério privado, o advogado presta serviço público
FUNÇÃO SOCIAL e exerce função social.
INDEPENDÊNCIA
§ 2º No processo judicial, o advogado contribui, na postulação de
decisão favorável ao seu constituinte, ao convencimento do julgador,
e seus atos constituem múnus público.
A OAB considerou correta a
seguinte assertiva, quando
§ 3º No exercício da profissão, o advogado é inviolável por seus atos
tratava de divergência e manifestações, nos limites desta lei.
estratégica entre o cliente e
o advogado. “César deverá
imprimir a orientação que
lhe pareça mais adequada à Código de Ética e Disciplina
causa, sem se subordinar à Art. 11. O advogado, no exercício do mandato,
orientação de José, mas atua como patrono da parte, cumprindo-lhe,
procurando esclarecê-lo por isso, imprimir à causa orientação que lhe
quanto à sua estratégia. pareça mais adequada, sem se subordinar a
intenções contrárias do cliente, mas, antes,

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procurando esclarecê-lo quanto à estratégia
traçada.

OBSERVAÇÕES
ü Ministério Privado signifca que é uma atividade privada
ü Serviço Público significa que apesar de ser uma atividade prestada de forma privada, é um serviço público para toda a
sociedade. A defesa do direito de uma pessoa beneficia toda a sociedade.
ü Munus denota uma carga de dever, obrigação, ônus, embora com estes não se confundam, é um encargo indeclinável.

Art. 3º O exercício da atividade de advocacia no território


Exercício ilegal de
profissão = crime. brasileiro e a denominação de advogado são privativos dos
O ato é NULO. inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

§ 1º Exercem atividade de advocacia, sujeitando-se ao regime


desta lei, além do regime próprio a que se subordinem, os
(XVII Exame, 2015) Patrícia foi
aprovada em concurso público e tomou
integrantes da Advocacia-Geral da União, da Procuradoria
posse como Procuradora do Município em da Fazenda Nacional, da Defensoria Pública e das
que reside. Como não pretendia mais Procuradorias e Consultorias Jurídicas dos Estados, do
exercer a advocacia privada, mas apenas
atuar como Procuradora do Município,
Distrito Federal, dos Municípios e das respectivas entidades
pediu o cancelamento de sua inscrição na de administração indireta e fundacional.
OAB.
A partir da hipótese apresentada, assinale
a afirmativa correta.
a) Patrícia não agiu corretamente, pois
os advogados públicos estão obrigados à
inscrição na OAB para o exercício de
suas atividades.

É comum que o examinador aproveite a polissemia do termo PROCURADOR, pois há procuradores


que são advogados, portanto sujeitos ao EAOAB e outros, como os “de Justiça” e “do trabalho” que
integram o Ministério Público.

Os Advogados Públicos são Advogados (parece óbvio, e é! ) embora existam decisões no sentido de
que os defensores públicos são regidos pela legislação própria, e não pelo EAOAB. (vide RHC 61.848
– STJ e 5003634-15.2011.404.7200) Aliás, a LC 80/94 afirma que “A capacidade postulatória do
Defensor Público decorre exclusivamente de sua nomação e posse no cargo público.”

§ 2º O estagiário de advocacia, regularmente inscrito,


Vide artigo 27 do
Regulamento – Estágio. pode praticar os atos previstos no art. 1º, na forma do
regimento geral, em conjunto com advogado e sob
responsabilidade deste.

Art. 4º São nulos os atos E os atos que o Estagiário pode praticar


“...Cicero Rodrigues é Agente Administrativo privativos de advogado SOZINHO ?
da Pref. Municipal do Rio de Janeiro.
Consitituído por um cliente, ingressa em
praticados por pessoa Veja o artigo 29 do REGULAMENTO, logo
juízo com uma ação de ressarcimento contra não inscrita na OAB, ai em baixo.
o sem prejuízo das
Município do Rio de Janeiro..." (OAB/RJ
2006 - Agosto)
sanções civis, penais e administrativas.
ATO NULO. Parágrafo único. São também nulos os atos praticados por
arcimento contra o advogado impedido - no âmbito do impedimento - suspenso,
Município do Rio de
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licenciado ou que passar a exercer atividade incompatível com a
advocacia.

Atos privativos que podem ser praticados Art. 5º O advogado postula, em juízo ou fora dele, fazendo
por estagiários: prova do mandato.
REGRA – Acompanhado quaisquer Atos. § 1º O advogado, afirmando urgência, pode atuar sem
EXCEÇÃO – sustentação oral.
procuração, obrigando-se a apresentá-la no prazo de quinze
Participar de assembleia não é ato dias, prorrogável por igual período.
privativo. § 2º A procuração para o foro em geral habilita o advogado a

A seguinte A seguinte afirmativa foi


praticar todos os atos judiciais, em qualquer juízo ou instância,
considerada Errada: ”Em nenhuma salvo os que exijam poderes especiais.
hipótese poderá o advogado postular em § 3º O advogado que renunciar ao mandato continuará, durante
juízo sem que faça prova do mandato.”
(OAB/RS 2006 – agosto)
os dez dias seguintes à notificação da renúncia, a representar o
mandante, salvo se for substituído antes do término desse prazo.


Vamos aproveitar para falar um pouco de PROCURAÇÃO e MANDATO

NCPC
Art. 103. A parte será representada em juízo por advogado regularmente inscrito na Ordem dos Advogados
do Brasil.
Parágrafo único. É lícito à parte postular em causa própria quando tiver habilitação legal.
Art. 104. O advogado não será admitido a postular em juízo sem procuração, salvo para evitar preclusão,
decadência ou prescrição, ou para praticar ato considerado urgente.
o
§ 1 Nas hipóteses previstas no caput, o advogado deverá, independentemente de caução, exibir a
procuração no prazo de 15 (quinze) dias, prorrogável por igual período por despacho do juiz.
o
§ 2 O ato não ratificado será considerado ineficaz relativamente àquele em cujo nome foi praticado,
respondendo o advogado pelas despesas e por perdas e danos.
Art. 105. A procuração geral para o foro, outorgada por instrumento público ou particular assinado pela
parte, habilita o advogado a praticar todos os atos do processo, exceto receber citação, confessar,
reconhecer a procedência do pedido, transigir, desistir, renunciar ao direito sobre o qual se funda a ação,
receber, dar quitação, firmar compromisso e assinar declaração de hipossuficiência econômica, que devem
constar de cláusula específica.
o
§ 1 A procuração pode ser assinada digitalmente, na forma da lei.
o
§ 2 A procuração deverá conter o nome do advogado, seu número de inscrição na Ordem dos Advogados do
Brasil e endereço completo.
o
§ 3 Se o outorgado integrar sociedade de advogados, a procuração também deverá conter o nome dessa, seu
número de registro na Ordem dos Advogados do Brasil e endereço completo.
o
§ 4 Salvo disposição expressa em sentido contrário constante do próprio instrumento, a procuração
outorgada na fase de conhecimento é eficaz para todas as fases do processo, inclusive para o cumprimento
de sentença.

A assertiva foi considerada


CORRETA em (OAB/MG 2006 –
dez) “É defeso ao advogado REGULAMENTO
funcionar no mesmo processo, TÍTULO I DA ADVOCACIA
simultaneamente, como patrono CAPÍTULO I DA ATIVIDADE DE ADVOCACIA
e preposto do empregador ou
cliente.” SEÇÃO I DA ATIVIDADE DE ADVOCACIA EM
GERAL
Art. 1o A atividade de advocacia é exercida com observância
da Lei no 8.906/94 (Estatuto), deste Regulamento Geral, do
Código de Ética e Disciplina e dos Provimentos.
Art. 2o [ Já comentado ]

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Art. 3o É defeso ao advogado funcionar no mesmo processo,
simultaneamente, como patrono e preposto do empregador ou
cliente.
Art. 4o A prática de atos privativos de advocacia, por
profissionais e sociedades não inscritos na OAB, constitui
Resposta considerada correta em exercício ilegal da profissão.
(OAB/MG 2001 - março): O advogado
deve notificar o cliente da renúncia ao
Parágrafo único. É defeso ao advogado prestar serviços de
Mandato, preferencialmente, mediante assessoria e consultoria jurídicas para terceiros, em
carta com aviso de recepçãoo, sociedades que não possam ser registradas na OAB.
comunicado após o Juízo Art. 5o Considera-se efetivo exercício da atividade de
advocacia a participação anual mínima em cinco atos
A assertiva foi considerada ERRADA em privativos previstos no artigo 1o do Estatuto, em causas ou
(OAB/MG 2006 – dez) “É lícito ao advogado
prestar serviços de assessoria e consultoria questões distintas.
jurídicas para terceiros, em sociedades que Parágrafo único. A comprovação do efetivo exercício faz-se
não possam ser registradas na OAB.” mediante:
a) certidão expedida por cartórios ou secretarias judiciais;
b) cópia autenticada de atos
privativos; A OAB não expede
c) certidão expedida pelo órgão qualquer certidão de
efetivo exercício.
público no qual o advogado
exerça função privativa do seu
SEQUENCIA
1 - notifica o cliente
ofício, indicando os atos
2 – Comunica o Juizo. praticados
3 – aguarda 10 dias ou
substituição
Art. 6o O advogado deve notificar o cliente da renúncia ao
mandato (art. 5o, § 3o, do Estatuto), preferencialmente
mediante carta com aviso de recepção, comunicando, após, o
Juízo.
Órgãos Colegiados de
Art. 7o A função de diretoria e gerência jurídicas em qualquer
Deliberação Coletiva. empresa pública, privada ou paraestatal, inclusive em
instituições financeiras, é privativa de advogado, não podendo
ser exercida por quem não se encontre inscrito regularmente
na OAB.
Art. 8o A incompatibilidade prevista no art. 28, II do Estatuto,
não se aplica aos advogados que participam dos órgãos nele
Incompatibilidade – referidos, na qualidade de titulares ou suplentes, como
TOTAL.
Impedimentos –
representantes dos advogados.
PARCIAL. § 1o Ficam, entretanto, impedidos de exercer a advocacia
perante os órgãos em que atuam, enquanto durar a
investidura.
§ 2o A indicação dos representantes dos advogados nos
juizados especiais deverá ser promovida pela Subseção ou, na
sua ausência, pelo Conselho Seccional.
Agora a Advocacia
Pública ganhou
capítulo específico no SEÇÃO II DA ADVOCACIA PÚBLICA
NCED. Art. 9o Exercem a advocacia pública os integrantes da
Advocacia-Geral da União, da Defensoria Pública e das
Procuradorias e Consultorias Jurídicas dos Estados, do
Distrito Federal, dos Municípios, das autarquias e das
fundações públicas, estando obrigados à inscrição na OAB,
para o exercício de suas atividades.
Parágrafo único. Os integrantes da advocacia pública são

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Raphael Madeira Abad

elegíveis e podem integrar qualquer órgão da OAB.
Art. 10. Os integrantes da advocacia pública, no exercício de
atividade privativa prevista no Art. 1o do Estatuto, sujeitam-
se ao regime do Estatuto, deste Regulamento Geral e do
Código de Ética e Disciplina, inclusive quanto às infrações e
sanções disciplinares.

DO ESTÁGIO PROFISSIONAL
Art. 27. O estágio profissional de advocacia, inclusive para
graduados, é requisito necessário à inscrição no quadro de
estagiários da OAB e meio adequado de aprendizagem
prática.
§ 1º O estágio profissional de advocacia pode ser oferecido
pela instituição de ensino superior autorizada e credenciada,
em convênio com a OAB, complementando-se a carga horária
do estágio curricular supervisionado com atividades práticas
típicas de advogado e de estudo do Estatuto e do Código de
Ética e Disciplina, observado o tempo conjunto mínimo de
300 (trezentas) horas, distribuído em dois ou mais anos.
§ 2º A complementação da carga horária, no total
estabelecido no convênio, pode ser efetivada na forma de
atividades jurídicas no núcleo de prática jurídica da
instituição de ensino, na Defensoria Pública, em escritórios
de advocacia ou em setores jurídicos públicos ou privados,
credenciados e fiscalizados pela OAB.

§ 3º As atividades de estágio ministrado por instituição de


ensino, para fins de convênio com a OAB, são exclusivamente
práticas, incluindo a redação de atos processuais e
profissionais, as rotinas processuais, a assistência e a atuação
em audiências e sessões, as visitas a órgãos judiciários, a
prestação de serviços jurídicos e as técnicas de negociação
coletiva, de arbitragem e de conciliação.

Art. 28. O estágio realizado na Defensoria Pública da União,


do Distrito Federal ou dos Estados, na forma do artigo 145 da
Lei Complementar n. 80, de 12 de janeiro de 1994, é
considerado válido para fins de inscrição no quadro de
estagiários da OAB.

Art. 29. Os atos de advocacia, previstos no Art. 1o do


Estatuto, podem ser subscritos por estagiário inscrito na
OAB, em conjunto com o advogado ou o defensor público.
§ 1o O estagiário inscrito na OAB pode praticar isoladamente
os seguintes atos, sob a responsabilidade do advogado:
I – retirar e devolver autos em cartório, assinando a
respectiva carga;
II – obter junto aos escrivães e chefes de secretarias certidões
de peças ou autos de processos em curso ou findos;
III – assinar petições de juntada de documentos a processos
judiciais ou administrativos.
§ 2o Para o exercício de atos extrajudiciais, o estagiário pode

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Raphael Madeira Abad

comparecer isoladamente, quando receber autorização ou
substabelecimento do advogado.

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