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Qual é a verdadeira doutrina

católica sobre o jejum?


Angelo Bellon O.P. | Mar 01, 2017

É obrigatório? Para quem? Como e quando jejuar? Tire


todas as suas dúvidas sobre a prática do jejum na Igreja
Católica

1. Imediatamente após o Concílio Vaticano II, o Papa Paulo VI emitiu a


constituição apostólica Paenitemini (17/02/1966) para confirmar e, ao
mesmo tempo, reformar a disciplina da Igreja sobre a penitência.

Desde o início, o Papa afirma que “a verdadeira penitência não pode


prescindir, em momento algum, de uma ascese também física: todo o nosso
ser, corpo e alma, deve participar ativamente deste ato religioso com o qual
a criatura reconhece a santidade e majestade de Deus” (Paenitemini,
primeira parte).

2. Recorda que “a necessidade de mortificação do corpo aparece


claramente, se considerarmos a fragilidade da nossa natureza, na qual,
depois do pecado de Adão, a carne e o espírito têm desejos contrários”
(ibid.).

Trata-se de uma mortificação que não pretende negar nada do que Deus
criou, mas sim “visa à libertação do homem, que é frequentemente
encontrado, devido à concupiscência, quase acorrentado pela parte sensível
de seu ser; através do jejum corporal, o homem recupera o vigor, e a ferida
infligida à dignidade da nossa natureza é curada pelo remédio de uma
penitência salutar” (ibid.).
3. Na parte final da constituição, são estabelecidas as regras sobre os dias e
períodos de penitência. Segundo o texto, por lei divina, todos os fiéis são
obrigados a fazer penitência. E o tempo da Quaresma conserva seu
caráter penitencial. Os dias de penitência, que devem ser observados
por toda a Igreja, são todas as sextas-feiras do ano e a Quarta-Feira de
Cinzas.

4. Sobre a gravidade da obrigação, o número II § 2º afirma: “A sua


observância substancial obriga gravemente.”

5. A conferência dos bispos italianos, de acordo com o poder conferido pelo


decreto conciliar Christus Dominus (nº 38), datado de 4 de outubro de
1994, emitiu algumas disposições normativas. São elas:

“A – A lei do jejum ‘obriga a fazer uma única refeição durante o dia, mas
não proíbe de consumir um pouco de comida de manhã e à noite, de acordo
com a quantidade e qualidade aprovadas pelo costume local’ (Paenitemini,
III, IV 2/647).

B – A lei da abstinência proíbe o consumo de carne, bem como de


alimentos e bebidas que, segundo um julgamento prudente, devem ser
considerados como particularmente procurados e caros.

C – O jejum e abstinência, no sentido agora especificado, devem ser


observados na Quarta-Feira de Cinzas (e na primeira sexta-feira da
Quaresma para o rito ambrosiano) e na Sexta-Feira da Paixão e Morte
de nosso Senhor Jesus Cristo; e são recomendados no Sábado Santo até a
Vigília Pascal.

D – A abstinência deve ser observada em toda e cada sexta-feira da


Quaresma, a não ser que coincida com uma solenidade no dia (como em 19
e 25 de março). Em todas as outras sextas-feiras do ano, a menos que caiam
em uma solenidade, deve-se observar a abstinência no sentido aqui exposto
ou realizar alguma obra de penitência, oração ou caridade.

E – A lei do jejum se aplica aos maiores de idade, até aos 60 anos; a lei da
abstinência, àqueles que tenham atingido 14 anos de idade.

F – A observância da obrigação da lei do jejum e da abstinência pode


não ser realizada por uma razão justa, por exemplo, a saúde. Além disso, o
pároco pode conceder a isenção da obrigação de observar o dia de
penitência, ou trocá-lo por uma obra de caridade.”

6. Alguém poderia perguntar: por que abstinência de carne e não de


peixe? A resposta tradicional aderiu ao fato de o peixe ser menos caro na
época; era o alimento dos pobres.

São Tomás diz que, “ao instituir o jejum, a Igreja seguiu as disposições mais
comuns. De modo geral, a carne é mais apreciada que o peixe, embora para
alguns ocorra o oposto” (Suma Teológica, II-II, 147, 8, ad 2).

Mas hoje, o peixe, especialmente certos tipos de peixe, não é menos caro do
que a carne. Por esta razão, a legislação eclesiástica acrescenta à carne
também os alimentos particularmente procurados e caros.

7. Alguns também poderiam perguntar por que a disciplina da igrejaexclui


crianças e adolescentes de jejum.

São Tomás responde: “É evidente a razão para a dispensa de jejum no caso


de crianças: tanto pela sua fraqueza natural, devido à qual elas precisam
comer frequentemente, como porque precisam de uma grande quantidade
de comida para o crescimento. Assim, enquanto estão em fase de
crescimento, não são obrigadas ao jejum eclesiástico. No entanto, é bom
que, inclusive neste período, sejam ensinadas gradualmente a jejuar de
acordo com a idade” (Suma Teológica, II-II, 147, 4, ad 2).

8. Deve notar-se, contudo, que, na época de São Tomás, toda a Quaresma


era um tempo de jejum, e não apenas na Quarta-Feira de Cinzas e Sexta-
Feira Santa. Por esta razão, sempre conservando a disciplina da Igreja,
continua sendo útil educar os jovens, para que aprendam a “completar
na própria carne o que falta à Paixão de Cristo, em seu corpo, que é a
Igreja” (Cl 1, 24).

https://pt.aleteia.org/2017/03/01/qual-e-a-verdadeira-doutrina-catolica-sobre-o-jejum/

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