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1) Sobre as provas no processo do trabalho, responda: Justifique.

a) quais os requisitos devem ser levados em consideração para a admissão da prova


emprestada no processo do trabalho?
A prova emprestada é aquela produzida em outro processo. Admitida apenas
como exceção e, portanto, quando não é possível sua produção no processo em curso. Precisa
cumprir uma exigencia, qual seja: somente pode ser considerada válida em face de quem
participou do processo anterior e pôde contraditá-la.
Ademais, o valor da prova emprestada deve ser reapreciado pelo juiz do processo
em que foi juntada, nao estando vinculado pela valorizacao realizada anteriormente em
processo distinto (Art. 372 do CPC) (GUSTAVO FELIPE GARCIA, 2017).

b) como se dá a inversão do ônus da prova no processo do trabalho?


No caso do processo do trabalho a inversão do ônus probatório é op iudicis, ou
seja, depende de decisão fundamentada do juiz. Trata-se da teoria da distribuição dinâmica
do ônus probatório, ou seja, cabe ao juiz o exame da questão em cada caso concreto, fazendo
incidir ônus da prova sobre a parte que tem melhores condições, especialmente técnicas, de
demonstrar o fato, o que muitas vezes resultaria na inversão do ônus de prova, passando a
incidir sobre o empregador.
Entendimento majoritário é que, pelo art. 373, caput, do CPC, aplicável ao
processo do trabalho, nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa
relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo probatório,
ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, o juiz pode atribuir o ônus da
prova dem odo diverso, porém, deve ser por decisão fundamentada e tem que ser dada
oportunidade à parte de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído (GUSTAVO FELIPE
GARCIA, 2017).

2)Sobre a sentença:
a) o art 489, parágrafo 1º, do NCPC se aplica ao processo do trabalho? Análise a partir das
disposições da IN39/15 TST
Pela análise da IN 39/15, aplica-se subsidiariamente a exigência legal do CPC de
2015 à respeito da fundamentação das decisões judiciais (art. 489, §1), porém com devidas
ressalvas e atenuações. Estas mitigações foram tomadas para prevenir controvérsias sobre o
alcance dos incisos V e VI do §1º do Art. 489 do CPC, sendo definido nesta instrução o que
seria precedente para justiça do trabalho; que não ofenderia o dever de fundamentação
previsto no artigo supra quando: o juiz deixa de enfrentar fundamentos jurídicos invocados
pelas partes que já tenham sido enfrentados em formação de precedentes obrigatórios ou em
súmula; a decisão aplicar tese jurídica firmada em precedente, não precisando enfrentar os
fundamentos, mas somente fazer o cotejo analítico do caso concreto e o incidente de
formação dos precedentes, entre outras (GUSTAVO FELIPE GARCIA, 2017)

b) a decisão que homologa conciliação na Justiça do Trabalho é recorrível? Justifique.


Diversamente do CPC de 2015, no âmbito laboral tem-se adotado a
irrecorribilidade do termo lavrado em caso de conciliação (equivalente a decisão), exceto
para a Previdência Social quanto às contribuições que lhe forem devidas (BRASIL. CLT.
Art. 831, parágrafo único).
Portanto, em consonância com a súmula nº 259 do TST que prevê que somente
por ação rescisória que é impugnável o termo de conciliação do art. 831, parágrafo único.
3)Em que consiste a tutela de evidência? Ela se aplica ao processo do trabalho? Justifique.
É uma espécie de tutela provisória que pode ser concedida, independente de
demonstração de perigo de dano ou de risco ao resultado útil ao processo, quando: se constata
abuso do direito de defesa ou manifesto proposito protelatório da parte; as alegações de fato
puderem ser comprovadas apenas documentalmente e houver tese firmada em julgamento de
casos repetitivos ou em súmula vinculante; se tratar de pedido reipersecutório fundado em
prova documental adequada; e a petição inicial for instruída com prova documental suficiente
dos fatos constitutivos do direito do autor, a que o réu não oponha prova capaz de gerar
dúvida razoável (CPC 2015)
É, então, aplicável ao processo do trabalho vez que democratiza também o acesso
imediato às decisões do TST, dando celeridade maior ao processo e satisfazendo direito
assegurado já jurisprudencialmente ao trabalhador (IVIS GRANDA).

4) Sobre recursos trabalhistas, responda:


a) Qual o procedimento para interposição do Recurso Ordinário no rito sumaríssimo?
Justifique.
No rito sumaríssimo, o recurso ordinário deve ser imediatamente distribuído,
após ser recebido pelo tribunal, devendo o relator liberá-lo no prazo máximo de dez dias, e a
Secretaria do Tribunal ou Turma coloca-lo imediatamente em pauta para julgamento, sem
revisor. Terá parecer oral do representante do ministério público, se este entender necessário,
com registro na certidão. Ainda, terá acórdão consistente unicamente na certidão de
julgamento, com a indicação suficiente do processo e parte dispositiva, e das razões de
decidir do voto prevalente. Se a sentença for confirmada pelos seus próprios fundamentos, a
certidão de julgamento, registrando tal circunstância, servirá de acórão.
Tal procedimento é adotado para o recurso ordinário, em se tratando de rito
sumáríssimo, pois este rito preza por uma maior simplicidade que o rito sumário e ordinário.

b)Há alguma exceção ao cabimento do depósito recursal em agravo de instrumento?


Justifique.
Sim, pois o §8 do art. 899 da CLT estabelece que quando o agravo visar destrancar recurso
de revista manejado com o fim de impugnar acórdão do TST que divirja de jurisprudência
uniforme do TST, consubstanciada em sumulas ou OJ’s, não haverá obrigatoriedade do
depósito recursal.

c) Cabe agravo de petição em decisão que rejeita exceção de pre-executividade?


Não, pois neste caso, havendo rejeição da exceção de pré-executoriedade, tal
pronunciamento terá natureza de decisão interlocutória, não sendo cabível, de imediato,
qualquer recurso no âmbito laboral, o que não impede que as questões suscitadas sejam
novamente arguidas nos embargos à execução, desde que garantido o juízo. (SARAIVA,
2016).

5)A execução provisória trabalhista somente vai até a penhora? Justifique


Pela literalidade do art. 899 da CLT, a execução provisória vai “até a penhora”.
Ou seja, iria apenas até a penhora dos bens do devedor.
Entretanto, deve-se entender, segundo a melhor doutrina, que a execução
provisória pode implicar em outros atos posteriores a penhora, também, que com ela tenham
alguma relação, como os embargos à penhora (rectius do devedor), o agravo de petição que
visa a tornar insubsistente a penhora, etc. (Carlos Henrique Bezerra Leite, 2016).
Esta expressão deve ser interpretada, portanto, como garantia do juízo,
significando a constrição de bens suficientes para cobertura de todo o crédito que está sendo
executado.