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R.
A definição dada pelo artigo é considerada pela doutrina como consumidor stricto senso, que se contrapõe aos
chamados consumidores equiparados. A característica principal dada pela norma para alcançar aquele que será
consumidor de acordo com o legislador, seria a aquisição ou utilização do bem como ³destinatário final´, e isso não e
definido pela lei. E para explicar há três correntes/;

Teoria finalista ± a interpretação da expressão destinatário final, seria restrita, somente seria consumidor aquele que
adquire um produto ou serviço para uso ou consumo próprio,ou seja, o consumidor a parte mais vulnerável na
relação contratual e que merece amparo na norma. Desta forma o consumidor seria o não-profissional, ou seja
aquele que adquire ou utiliza um produto para uso próprio ou de sua família, não podendo adquirira o produto para
revenda ou para uso profissional, pois caso contrario, seria instrumento de produção e, como tal seria incluído no
preço final do produto, o que não haveria, na lei, a exigida destinação final do produto ou serviço. Diante disso, o
destinatário final seria aquele que retira o bem do mercado, ou seja, o que coloca um fim na cadeia de produção e
não aquele que adquire um bem para continuar a produzir.

Teoria maximalista ±defende a ideia de que o consumidor e visto de maneira ampla, alcançando um numero maior de
relação jurídica de direito material. atinge não apenas quem adquire um produto ou serviço para uso próprio, mas
também para quem vai integra-lo na cadeia produtiva. Assim retirando do mercado de consumo é consumidor final.
Atinge tanto pessoa física como jurídica. Tendo ou não fim de lucro quando adquire um produto ou utiliza um serviço.

Teoria finalista mitigada ± vem sendo firmado tanto na doutrina como na jurisprudência. Esta teoria adota o
entendimento da teoria finalista, mas não usa a concepção, devendo por sua vez ser observado a questão da
vulnerabilidade, para esta corrente existe três tipos de vulnerabilidade:
a técnica ± aquela na qual o comprador não possui conhecimento específico sobre o produto ou serviço, podendo,
ser mais facilmente iludido no momento de contratação
a cientifica ou até mesmo jurídica ± falta de conhecimento pertinentes a relação jurídica e jurídico ex/; não conhece
contabilidade
a fática ou socioeconômica ± em decorrência do poder econômico, não possui conhecimento real, em razão da
essencialidade do serviço prestado, impondo uma relação contratual de superioridade. Este será observado a sua
vulnerabilidade pelo juiz, fazendo com que aquele mesmo que não preencha os requisitos de destinatário final e
econômico do produto ou serviço pudesse ser abrangido pela tutela especial do CDC.

      



   

³A vulnerabilidade é um traço universal de todos os consumidores, ricos ou pobres, educadores ou ignorantes,


crédulos ou espertos. Já a hipossuficiência é marca pessoal, limitada a alguns - até mesmo a uma coletividade - mas
nunca a todos os consumidores.
vulnerabilidade é a possibilidade de ser atingido facilmente por um mal.
hipossuficiência está relacionado à questão monetária.
Assim, o consumidor é considerado sempre como vulnerável diante de uma relação de consumo, seja por não
conhecer profundamente dos produtos e serviços de consumo, seja por má-fé do fornecedor, dentre tantas outras
razões pelas quais o consumidor é vulnerável diante do ofertante.
É hipossuficiente porque o patrimônio - incluíndo aí todos os recursos disponíveis, como meios de prova - dos
consumidores, de uma forma geral, é muito inferior ao das empresas fornecedoras de produtos e serviços.
É em virtude dessa hipossuficiência que se concede processualmente a inversão do ÔNUS DA PROVA em favor do
consumidor lesado.

Vulnerabilidade, literalmente, significa o estado daquele que é vulnerável, daquele que está suscetível, por sua
natureza, a sofrer ataques. No Direito, vulnerabilidade é o princípio segundo o qual o sistema jurídico brasileiro
reconhece a qualidade do agente(s) mais fraco(s) na(s) relação (ões) de consumo. Logo podemos afirmar que a
presunção da vulnerabilidade do consumidor é absoluta, isto é, independente da classe social a que pert ença.
vulnerabilidade técnica decorre do fato de o consumidor não possuir conhecimentos específicos sobre os produtos
e/ou serviços que está adquirindo, ficando sujeito aos imperativos do mercado, tendo como único aparato a confiança
na boa-fé da outra parte. Vulnerabilidade jurídica
Esta espécie de vulnerabilidade manifesta-se na avaliação das dificuldades que o consumidor enfrenta na luta para a
defesa de seus direitos, quer na esfera administrativa ou judicial. Vulnerabilidade política ou legislativa
A vulnerabilidade política ou legislativa decorre da falta de organização do consumidor brasileiro, inexistem
associações ou órgãos "capazes de influenciar decisivamente na contenção de mecanismos legais maléficos para as
relações de consumo e que acabam gerando verdadeiros µmonstrengos¶ jurídicos
o princípio da vulnerabilidade é um traço inerente a todo consumidor de acordo com o art. 4º, inciso I do CDC. Já a
hipossuficiência [07] é uma marca pessoal de cada consumidor que deve ser auferida pelo juiz no casoconcreto,
tendo em vista o art. 6º, inciso VIII do CDC que assim dispõe:
São direitos básicos do consumidor: VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus
da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele
hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiência (grifamos).
Portanto, é errônea a utilização dos termos como sinônimos, já que se assim o fosse, todo consumidor teria direito à
inversão do ônus da prova
Hipossuficiencia - A questão é relevante, principalmente em razão de suas conseqüências processuais, tendo em
vista que há disposição expressa prevendo a inversão do ônus da prova, em benefício do consumidor, apenas
quando houver verossimilhança ou manifesta hipossuficiência (art. 6, inc. VIII).
A vulnerabilidade do consumidor sempre resta presente no contexto das relações de consumo, e isso
independentemente de seu grau cultural ou econômico.
- A vulnerabilidade não se confunde com a hipossuficiência; a primeira tem um caráter geral e independe de
quaisquer outros tipos de consideração acerca da pessoa envolvida na relação de consumo, já que decorre de
presunção; já a hipossuficiência é uma característica pessoal do consumidor, que pode advir de sua condição
econômica, social, cultural ou qualquer outra que possa influir no seu juízo sobre a relação tratada.
- Não se pode olvidar, ainda, que a maior parte dos consumidores que se socorrem dessa modalidade de
financiamento são oriundos das classes menos favorecidas da população, o que dificulta ainda mais a compreensão
da matéria.
A hipossuficiência é uma característica restrita a determinados consumidores, que além de presumivelmente
vulneráveis são também, em sua situação individual, no caso concreto, carentes de condições culturais ou materiais.

É com o reconhecimento da hipossuficiência do consumidor, que aliada com a verossimilhança nas


alegações, possibilita ao julgador a inversão do ônus da prova, um dos grandes avanços trazidos pelo Código de
Defesa do Consumidor.

Os consumidores hipossuficientes são em regra ignorantes e de pouco conhecimento, de pouca idade ou


de idade avançada, de saúde frágil, ou ainda os que, por sua posição social, não se permite avaliar com adequação o
produto ou serviço que estão adquirindo.

A existência de um Código de Defesa do Consumidor é justificada por ser o consumidor vulnerável, todavia,
o próprio dispositivo legal diferencia ainda mais, com tratamentos diferenciados, a defesa do consumidor
hipossuficiente. Protegendo, nesse dispositivo, com tratamento mais rígido que o padrão, o consentimento pleno e
adequado do consumidor hipossuficiente

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Abordando o tema inserto no art. 17 da Lei 8.078/90, diz o mestre Roberto Senise Lisboa que "além do próprio
consumidor, o terceiro prejudicado recebeu a atenção do legislador, ante o dano sofrido decorrente da relação de
consumo da qual não participou". Para em seguida concluir que "estendeu-se a proteção concedida pela lei ao
destinatário final dos produtos ou serviços, em favor de qualquer sujeito de direito, inclusive daquele que
ordinariamente não seria consumidor na relação de consumo a partir da qual ocorreu o prejuízo".
O Desembargador do E. Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, Paulo de Tarso Vieira Sanseverino ao doutrinar
sobre a matéria prelecionou que "toda e qualquer vítima de acidente de consumo equipara-se ao consumidor para
efeito da proteção conferida pelo CDC. Passam a ser abrangidos os chamados µbystander¶ que são terceiros que,
embora não estejam diretamente envolvidos na relação de consumo, são atingidos pelo aparecimento de um defeito
no produto ou no serviço". (6)
Quanto aos objetivos protecionistas buscados pelo legislador consumerista, ZelmoDenari cita as considerações feitas
pela jurista espanhola Parra Lucan, de seguinte teor: "trata-se de impor, de alguma forma, ao fornecedor a obrigação
de fabricar produtos seguros, que satisfaçam os requisitos de segurança a que tem direito o grande público". (7)
Cabe aqui destacar que, a regra contida no art. 17 do CDC agasalha a proteção ao terceiro que não faz parte da
relação direta de consumo, logo de se concluir que, se do acidente de consumo, restou prejuízo para qualquer
pessoa, mesmo aquelas que não estariam enquadradas no conceito de consumidor, o dever de indenizar estará
presente. Neste aspecto, Jaime Marins nos fornece um exemplo bem ilustrativo do que seja o chamado µbystander¶
ao relatar o caso de um comerciante de defensivos agrícolas que se vê seriamente intoxicado pelo simples ato de
estocagem em decorrência de defeito no acondicionamento do produto (defeito de produção). Neste caso, embora o
comerciante não seja consumidor stricto sensu, poderá se socorrer da proteção consumerista. (8)

3.1.3 O consumidor bystander

O art. 17 possibilita a proteção de terceiros e é aplicável somente na SEÇÃO II, do Capítulo IV, "Da Responsabilidade
pelo Fato do Produto" (arts. 12 a 16). Diz o art. 17: "Para os efeitos desta Seção, equiparam-se aos consumidores
todas as vítimas do evento". Conforme este art. o consumidor é um terceiro. Este tipo de consumidor é conhecido por
bystander.

Para ZelmoDenari, "bystanders são aquelas pessoas estranhas à relação de consumo, mas que sofreram prejuízo
em razão dos defeitos intrínsecos ou extrínsecos do produto ou serviço".

Assim sendo, basta ser vítima de um produto ou serviço para ser privilegiado com posição de consumidor legalmente
protegido. (ex: pedestre que é atropelado devido a defeito de fábrica no veículo é considerado consumidor
equiparado em relação ao fornecedor/fabricante).
Trata-se da denominação aplicada ao consumidor por equiparação de quecuida o artigo 17, do Código de Defesa do
Consumidor:
Art. 17. Para os efeitos desta Seção, equiparam-se aos consumidores todas as vítimas do evento.
O chamado "consumidor por equiparação", oubystanders é aquele que, embora não esteja na direta relação de
consumo, por ter sido atingido pelo evento danoso, equipara-se a consumidor no que tange ao ressarcimento dos
danos que experimentar.
Neste sentido, o TJ/RJ citado pelo Tribunal da Cidadania, por ocasião do julgamento do Ag 849848:
Apelação cível - Ação de reparação por danos materiais, lucros cessantes e danos morais -
Derramamento de óleo na Baía de Guanabara - Prescrição que se afasta - Aplicação do art. 2028 c.c
206 § 3º V NCC - Reconhecimento aos autores-pescadores da condição de consumidor por
equiparação, "bystanders" - Aplicação do art. 17 Lei 8078/90 (...) (Grifei)
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³Equiparam-se aos consumidores todas as pessoas determináveis ou não, expostas às práticas nele previstas´.
Consumidores equiparados = podem ser bystander, determinável (terceiros envolvidos no fato do produto) OU várias
pessoas indetermináveis, quando uma propaganda é veiculada em horário nobre, ferindo a moral e os bons
costumes

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responsabilidade do fabricante", vem identificando as hipóteses de responsabilidade do empresário pela fabricação e


distribuição de bens defeituosos no mercado, causadores de dano à integridade psicofísica das vítimas, ou ao seu
patrimônio. Para a configuração dessa responsabilidade é irrelevante sejam as vítimas parte da cadeia de circulação
jurídica do produto, mantendo, com este, uma mera relação de fato decorrente do uso ou consumo, ou,
simplesmente, tenham se exposto aos efeitos do seu campo de periculosidade.a responsabilidade do fabricante
percorre linha de evolução específica, que caracteriza a sua autonomia. A responsabilidade por culpa cedeu, de vez,
espaço à responsabilidade objetiva.

O Código de Defesa do Consumidor cuidou na Seção II do Capítulo IV da "Responsabilidade pelo Fato do Produto e
do Serviço" consagrando a responsabilidade objetiva (arts 12 e 14), ou seja, responsabilizando o fabricante pela
reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção,
montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por
informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos, independentemente da existên "a dicção que
se infere é de que todas as pessoas que introduzem qualquer produto no mercado de consumo, independentemente
de culpa, são responsáveis pela reparação de danos causados aos consumidores. O conteúdo do caput do artigo 12,
já mencionado, envolve todas as etapas do fabrico de qualquer produto. A descrição hipotética é a mais envolvente
possível. Compreende todo e ciclo produtivo. Exige um dever de diligente e aperfeiçoada fabricação, a partir do
projeto, construção, montagem, fórmulas, manipulação etc" ("Código do Consumidor - Responsabilidade Civil pelo
fato do produto e do serviço" - RT 666/35).
Acrescenta, ainda, o parecerista, que o Código do Consumidor ao dispor que "o comerciante é igualmente
responsável, nos termos do artigo anterior" (art 12) estabeleceu, também para este, a responsabilidade objetiva.

Se a responsabilidade do fornecedor é meramente subsidiária para as hipóteses de impossibilidade de identificação


do fabricante, o comerciante é responsabilizado por mera substituição, postando-se como verdadeiro "garante".
Conseqüentemente, não é exigido uma cautela extraordinária do consumidor dentro de situação ordinária. Daí,
inclusive, a impossibilidade de reconhecimento da minorante culpa concorrente" (TARS - 2ª C. - Ap. - Rel. Clarindo
Favretto - j. 8.6.89 - RT 646/167).

Desta forma, o artigo 12 tem, claramente, como alicerce, a teoria da responsabilidade objetiva, cujos pressupostos
são: o fato, o dano e o nexo causal. Não há, destarte, que se cogitar da culpa ou não do fabricante. Este terá de
reparar o dano sofrido pelo consumidor.

É o fabricante (e também o comerciante) sempre responsável pelos efeitos nefastos danosos de seu produto, ainda
que este apresente inteira conformidade com as exigências da tecnologia e da ciênciacia de culpa.No que concerne a
natureza e consequências das lesões, a reparabilidade deverá ser plena, abrangendo toda e qualquer espécie de
dano à vida, patrimonial ou moral, eis a cada dia aumentar a vulnerabilidade do ser humano, ante as transformações
da massificação, merecendo a objetivação da responsabilidade civil no regime jurídico de tutela às específicas
situações jurídicas de consumo. Adotam-se, como princípios fundamentais, além da responsabilidade objetiva, a
solidariedade entre os agentes causadores, a indenização integral, a cumulatividade indenizatória e a inversão do
ônus da prova em favor do consumidor, opjudices e opleges, respectivamente.

Diferença entre fato e vicio


A diferença entre defeito e vício está no fato de que o primeiro é algo extrínseco, exteriorizado, com repercussão em
outros bens do patrimônio do consumidor, e o segundo é inerente aos objetos de contrato consumerista, é uma
qualidade intrínseca. Portanto, havendo defeito há acidente de consumo, havendo vício, não

"São considerados vícios as características de qualidade ou quantidade que tornem os produtos ou serviços
impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam e também lhe diminuam o valor. Da mesma forma são
considerados vícios os decorrentes da disparidade havida em relação às indicações constantes do recipiente,
embalagem, rotulagem, oferta ou mensagem publicitária."
E ainda esclarece:
"O defeito por sua vez pressupõe o vício. Há vício sem defeito, mas não há defeito sem vício. O vício é uma
característica inerente, intrínseca do produto ou serviço em si.O defeito é o vício acrescido de um problema extra,
alguma coisa extrínseca ao produto ou serviço, que causa dano maior que simplesmente o mau funcionamento, o
não funcionamento, a quantidade errada, a perda do valor pago ± já que o produto ou serviço não cumpriram o fim ao
qual se destinavam. O defeito causa, além desse dano de vício, outro ou outros danos ao patrimônio jurídico material
e/ou moral do consumidor.
O art. 12 em seu § 1° reza que:
O produto é defeituoso quando não oferece a segurança que dele legitimamente se espera, levando-se em
consideração as circunstancias relevantes, entre as quais:
I ± sua apresentação;
II - o uso e os riscos que razoavelmente dele se esperam;
III-a época em que foi colocado em circulação.
Nesse caso, é evidente que um produto com defeito inevitavelmente traz consigo o dano. Nesta situação, o produto
não corresponde à expectativa nele depositada, repercutindo negativamente para o consumidor.
O defeito nasce com o acidente de consumo, quando o patrimônio do consumidor é atingido em outra esfera, moral
ou material, além dos limites do bem onde o vício existe, valendo salientar, porém, que a existência de um vício não
implica na existência de um defeito.
vício, o aparelho apresenta defeitos que podem ser reparados diante de alguma falha na industrializ ação ou
transporte, etc. Agora, no fato do produto, o defeito é congênito, vem desde o projeto, desde a prancheta de
desenhos, sendo algo difícil de ser reparado, muitas vezes impossível.
Na vida prática, podemos dizer, a grosso modo, que 99,9% dos processos que tramitam na justiça, em função de
defeito apresentado em qualquer aparelho eletro-eletrônico, trata de vício do produto, e apenas 0,1% deles trata
acerca de fato do produto, até porque esse último é mais difícil de ocorrer no cotidiano, inclusive mais difícil a
produção de sua prova.
Quanto à responsabilidade pelo defeito, no fato do produto, o vendedor pode ser retirado do pólo passivo do
processo se ocorrer algumas das hipóteses excludentes do art. 13 do CDC. Já no vício do produto, não há qualquer
excludente para o comerciante, sendo esse tanto responsável quanto o produtor, até porque o referido art. 13
encontra-se inserido na seção II, referente ao fato do produto, e o vício é regulado na seção.
A distinção entre o fato e o vício do produto ou do serviço consoante o previsto no Código de Defesa do Consumidor,
merece ter ressaltada a questão do primeiro afetar primordialmente a saúde e segurança do consumidor e o segundo
dizer respeito, basicamente, a respeito da questão do prejuízo patrimonial que esse sofre. Se no fato, quando do
acidente de consumo, os danos são extrínsecos e vão além da desvalorização ou perda do próprio produto ou
serviço (atingem a incolumidade físico/psíquica do consumidor), no vício que causa o incidente de consumo, ocorre
fundamentalmente um prejuízo de ordem econômica, intrínseco e decorrente da perda da utilidade do próprio produto
ou serviço (da sua utilidade, do valor que foi pago por ele). Por isso o CDC distinguiu e estabeleceu disposições
diferenciadas para uma e outra. A questão não reside apenas em que as agressões à saúde ou segurança do
consumidor sejam mais graves e os prejuízos decorrentes dos vícios, teoricamente, sejam menos graves. Primeiro,
que eles podem acontecer concomitantemente, mesmo que um deles adquira relevância maior para o consumidor.
Segundo, que o número de casos de incidentes de consumo é substancialmente maior do que os de acidente de
consumo, sendo que os prejuízos apresentam um volume deveras relevante para os consumidores. Deste modo, no
que tange a importância a ser dada para a questão da responsabilidade pelos incidentes de consumo, jamais se deve
considerar menos graves ou menos relevantes esses vícios de qualidade ou quantidade dos produtos ou serviços,
pois os danos que eles causam, principalmente em países não desenvolvidos, podem comprometer
substancialmente a própria qualidade de vida do consumidor. Por produtos ou serviços com vícios stricto sensu,
entenda-se aqueles que são dotados de impropriedade ou inadequação, conforme o referido principalmente nos
artigos 18 e 20 do CDC. São os que demonstram carência de aptidão, total ou parcial, para o fim a que se destinam.
Ou não servem para o objetivo que motivou a contratação, ou seus atributos de durabilidade e desempenho se
mostram aquém do devido. E isso pode acontecer, inclusive, pela falta da correta quantidade, seja do próprio
produto/serviço em si, seja de algum produto que o compõe, determinando a impropriedade para o consumo ou a
diminuição do seu valor, características típicas do vício do serviço. Note-se, ainda, que a própria disparidade entre as
características que o serviço fornecido demonstra e o que constava da oferta ou da informação publicitária, é
suficiente para gerar o dever de reparar o dano. Para o consumidor, tradicional vítima de incidentes de consumo, é
deveras importante que a responsabilidade civil nessa área, seja conforme com a técnica adequada aos tempos em
que vivemos. E foi isso que o CDC buscou encontrar. Quando se estuda a doutrina nacional referente a
responsabilidade civil originada de vícios do produto ou serviço, pode-se observar claramente, a existência de uma
divisão entre umas poucas correntes principais: - a) a que diz ser responsabilidade subjetiva com presunção relativa
de culpa (propugnada por Paulo Luiz Netto Lobo); -b) a que diz tratar-se de responsabilidade subjetiva com
presunção absoluta de culpa, ou seja, de culpa presumida juris et de jure (defendida por juristas como Antônio
Hermen de Vasconcellos e Benjamin e Maria Helena Diniz); - c) e, a que diz simples e diretamente que essa
responsabilidade é objetiva (exposada por Nelson Nery Junior e Luiz AntonioRizzatto Nunes, dentre outros). O
transcorrer do tempo vem mostrando que as duas primeiras perdem adesões, emergindo como preponderante no
cenário jurídico nacional a concepção de que em casos de vícios dos produtos ou serviços, na esfera civil, o
fornecedor deve responder na modalidade objetiva. A primeira, por afastar-se daqueles pressupostos mais
adequados para reger as relações de consumo, nas quais existe para o fornecedor um inafastável dever de
qualidade. E, a segunda, por conta de que presunção absoluta de culpa, na verdade, constitui-se em
responsabilidade objetiva, apenas que vestida com outra roupagem.

Assentados esses postulados, entretanto, deve-se notar que mesmo tratando-se de responsabilidade objetiva, fica
evidente que o CDC aponta para formas extrajudiciais de composição, algo que não acontece com relação a
responsabilidade pelo fato do produto e do serviço. Se há justa razão para que nas oportunidades em que a saúde ou
segurança do consumidor sejam afetados, a relação de consumo deve desaparecer do mundo fático e jurídico (a
tolerância deve ser zero), também é evidente que tratando-se de aspecto meramente patrimonial, com ajuste
econômico se pode resolver o problema. Deste modo, a Lei n.º 8.078/90, não se limitou a mencionar expressamente
que o consumidor pode optar por exigir a substituição das partes viciadas, ao invés de fixar- se desde logo em um
pedido de indenização. E mais, reforçou essa prescrição dizendo que se o vício não for sanado no prazo de 30
(trinta) dias, o consumidor pode escolher entre as alternativas de receber outro produto ou serviço (sem vício) em
substituição, a restituição imediata da quantia que houver pago (sem prejuízo de eventuais perdas e danos) ou o
abatimento proporcional no preço. Dessa forma, acenou com a oportunidade do fornecedor resolver o impasse com o
consumidor sem que necessariamente o incidente se transforme numa lide judicial. O princípio, portanto, é o da
composição como forma de conservação do contrato, pois nestes casos vale muito a pena tentar salvá-lo, visto que o
problema diz respeito meramente a questão de ordem patrimonial. E assim também efetiva-se o princípio de que o
contrato deve cumprir sua função social