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A censura – um fantasma que ronda o Brasil.

O dia que Fernando Capez mandou a justiça excluir um artigo meu.

No dia 06 de Setembro fui notificado, juntamente com o Justificando, da


obrigação de retirar um artigo que eu escrevi em janeiro deste ano. Meu artigo
intitulado “O que a denúncia contra o Capez nos ensina” trazia o problema da
condenação sem que antes houvesse contraditório e ampla defesa. Havia no artigo
também, é lógico, críticas à doutrina dele – que não é bem doutrina dele, pois o Capez
é um mero compilador de ideias.

O fato é que o Capez não gostou do que leu. Ficou ofendido com partes como:

Então, o que a denúncia contra o Fernando Capez nos ensina?


Que hipocrisia não compensa e que a máscara dura pouco. E que
o direito que a gente quer arrancar do nosso inimigo hoje,
amanhã não existirá para nós. E muito embora ele seja da turma
do “condenar sem devido processo legal”, e tenha vestido
camisa amarela para tirar a Dilma do poder e pedido a
condenação do Lula, não vou chamá-lo, agora, de ladrão de
merenda.

Qual o problema no que eu escrevi acima? Na verdade, o meu artigo foi em


defesa do Capez – ou melhor: da democracia. Quando eu digo que “o direito que a gente
quer arrancar do nosso inimigo hoje, amanhã não existirá para nós”, faço uma crítica a
pessoas de esquerda que constantemente são vítimas de condenação sem provas e não
hesitam em condenar sem provas desafetos da direita. Mas também, é verdade, uma
crítica ao Capez que constantemente condena seus desafetos políticos sem lhes dar o
direito ao contraditório - e depois foi vítima do próprio veneno.

E eu tanto exaltei o princípio do contraditório e da ampla defesa que falei: “não


vou chamá-lo, agora, de ladrão de merenda”. Por que não o chamaria agora? Porque
ele foi apenas denunciado e iria ser processado – como foi e foi inocentado (e nem quero
entrar neste mérito para não piorar a situação...)
O fato é que vivemos num país onde as garantias fundamentais estão sendo
estranguladas. Não se pode mais fazer uso do direito constitucional de liberdade de
expressão, porque sempre tem um político poderoso com as garras afiadas para nos
cortar a garganta.

Imagine que situação: um artigo que exalta o princípio do contraditório é


excluído porque o Fernando Capez não gostou de ser citado...

Na verdade, o que o Capez quer é induzir o Google a apresentar somente notícias


boas sobre ele. É a tentativa de fazer o algoritmo do Google não vincular nada que
venha a prejudicar sua permanência na política.

Com a retirada do meu artigo perdemos todos, em especial a democracia que


vê, em pleno século XXI, a censura ao texto de um advogado. E no mais, encerro este
meu artigo com um trecho do artigo que ele mandou tirar do ar:

No mais, só um desejo: que ele (o Capez) não seja julgado conforme as coisas
que escreve e fala. Que tenha, muito embora tenha demonstrado desgosto, direito à
ampla defesa e ao contraditório.

Que o Capez não passe nunca pelo calvário da censura! Se um dia for eu irei
escrever um artigo defendendo o direito dele de falar – ainda que correndo o risco de
ver novamente o poder judiciário sendo usado por ele para me silenciar.

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