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PLANO DE AULA APOSTILADO

Escola de Teologia do Espírito Santo

Eclesiologia

O estudo da igreja – Sua origem, natureza e caráter

ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 2


© Copyright 2004, Escola de Teologia do ES

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Todas as citações bíblicas foram extraídas da Bíblia Versão Almeida


Corrigida e Fiel(ACF)
©2008, publicada pela Sociedade Bíblica Trinitariana.

O presente material é baseado nos principais tópicos e pontos salientes da matéria em questão.
A abordagem aqui contida trata-se da “espinha dorsal” da matéria. Anexo, no final da
apostila, segue a indicação de sites sérios e bem fundamentados sobre a matéria que o módulo
aborda, bem como bibliografia para maior aprofundamento dos assuntos e temas estudados.

TEOLOGIA DO ES, Escola de - Título original: Eclesiologia, O estudo da igreja – Sua origem,
natureza e caráter – Espírito Santo: ESUTES, 2004.

ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 3


__________

SUMÁRIO

_______

UNIDADE I
ECLESIOLOGIA
Definição do Termo..............................................................................................................................................5
A origem da Igreja................................................................................................................................................8
A natureza da Igreja.............................................................................................................................................9
Outras considerações sobre igrejas do Novo Testamento.................................................................................11

UNIDADE II
O CARÁTER MULTIFORME DA IGREJA
A Igreja é............................................................................................................................................................16
A igreja como Organismo e como Instituição.....................................................................................................16
Missão da Igreja.................................................................................................................................................17
Igreja Universal e Igreja Local............................................................................................................................18
As formas de Governo da Igreja.........................................................................................................................19

UNIDADE III
O CORPO ECLESIAL
Oficiais da Igreja.................................................................................................................................................26
As ordenanças da Igreja.....................................................................................................................................28
Diferenças entre a Páscoa e a Ceia do Senhor..................................................................................................33

UNIDADE IV
A CEIA DO SENHOR
Que tipo de pão deverá ser usado na Ceia do Senhor?.....................................................................................34
Recordação.........................................................................................................................................................34
Aliança................................................................................................................................................................38
Comunhão..........................................................................................................................................................40
Esperança...........................................................................................................................................................41

BIBLIOLOGIA......................................................................................................................................................43

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UNIDADE I
ECLESIOLOGIA

...............................................................

“Um agrupamento de crentes que vivenciam um relacionamento de dependência (fé) em Jesus Cristo, unindo-
se para cumprirem a missão entregue por Deus”.

..............................................................

DEFINIÇÃO DO TERMO

Eclesiologia (EKKLESIA/LOGOS ) Ekklesia ( Eclesio ) - Congregação, Assembléia, Igreja. Logos


(Logia ) - Estudo. Eclesiologia - É um estudo sobre a igreja. É um estudo da Bíblia voltado para a
igreja, nos seus problemas e deveres. É um estudo das doutrinas da igreja. Do grego vem o termo
igreja que se usa em vários contextos e com vários sentidos no português. O termo pode vir a
designar uma congregação local, uma denominação, uma causa, a igreja de caráter universal ou
“invisível” ou até um prédio onde se reúne um grupo de adoradores. Em cada contexto deve-se
assegurar qual o uso que se faz do termo.

A Igreja - Origem Do Termo Igreja:


GREGO ( EKKLESIA ) - O Termo Igreja vem de EKKLESIA. do verbo KALEIN. que significa
chamar. Entre os Gregos, o termo referia-se a uma assembléia do povo regularmente convocada
para algum lugar público, com a finalidade específica de deliberar sobre alguma coisa (At. 19:32, 39
e 41 ). Os Gregos usavam o termo SULLOGOS, que designa também uma reunião. Porém é reunião
fortuita, ocasional. O termo EKKLESIA. portanto, foi o usado pelos escritores neotestamentários,
porque expressa a noção de convocação, que se enquadra na finalidade da Igreja de Cristo.
EKKLESIA significa congregação, assembléia. No novo testamento temos o termo Igreja em três
aspectos diferentes:

Igreja universal - (Ef 3.10); (Cl 1.18); (I Tm 3.15)


Igreja Local - (Mt 16.18); (Mt 18.17)
Igreja dos Primogênitos - (Hb 12.23).

O Uso do Termo Igreja Aparece 114 vezes no Novo Testamento, sendo:


• 5 vezes no sentido secular;
• 109 vezes no sentido cristão;
• 95 vezes no sentido grupo;
• 14 vezes no sentido universal.

O que é uma Igreja?


É uma Congregação, composta de membros regenerados e batizados, que voluntariamente, se
reúnem sob as leis de Cristo, e procuram estender o Reino de Deus. Eclesiologia é o estudo da igreja
em sua natureza, ordenanças, ministério, missão e governo. Dá-se o nome de Eclesiologia ao estudo

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da Doutrina sobre a Igreja. Em tempos recentes, o interesse no estudo da doutrina da igreja tem sido
renovado. Cada era possui a sua ênfase doutrinária especial. Nossa era não é uma exceção. Muitos
teólogos e eruditos bíblicos contemporâneos afirmam que precisamos reestudar a doutrina da igreja,
a fim de compreender o que ela é e qual a sua missão no mundo de hoje. Vários movimentos
contemporâneos, tais como o ecumênico e o carismático, contribuíram para um ressurgimento do
interesse no padrão da igreja do Novo Testamento. O reavivamento do espírito de adoração na
igreja do Evangelho Quadrangular e em outras igrejas pentecostais tem sido acompanhado por
grande preocupação em entender melhor a vida, o ministério e a liderança da igreja do Novo
Testamento. Desde que a igreja é o corpo divinamente constituído, através do qual o evangelho é
pregado e os crentes são instruídos, o estudo cuidadoso e uma compreensão clara sobre ela são
evidentemente importantes. O melhor ponto para começar tal estudo é mediante definições. O
Termo inglês "church" é derivado da palavra "kuriakon", significando "pertencente ao Senhor", que
jamais é aplicada à igreja no período do Novo Testamento, embora seja encontrada duas vezes no
Novo Testamento como um adjetivo relacionado à Ceia do Senhor e ao dia do Senhor (I Co 11.20)
(Ap 1.10). Nos tempos pós-apostólicos, os gregos utilizaram o termo "kuriakon" para designar o
prédio da igreja. A evolução de "kuriakon" em grego para "church" em inglês pode ser vista na
palavra escocesa "kirk' (igreja nacional da Escócia). Os únicos termos aplicados no Novo Testamento
para designar um prédio como local de adoração são "templo" e "sinagoga" (At 5.42) (Tg 2.2). No
Novo Testamento inglês a palavra "church” é invariavelmente usada para traduzir o termo grego
"ekklesia" ( 16.18; 18.17) (At 2.47; 9.31; 13.1; 14.23; 15.22; 16.5; 20.17,28) (Rm 16.4,5) (I Co 12.28) (Ef
5.23-29) (Cl 1.18) (Ap 1.4,11). “Ekklesia” significa "uma reunião de pessoas". O termo é derivado de
duas palavras gregas, "ek”, significado "fora de", e "kaleo" significando "chamar". Originalmente, os
chamados para fora constituíam o grupo de legisladores da república grega, convocados de suas
comunidades para servirem o pais. Quando nos referimos a uma sessão da Assembléia Estadual,
estamos usando a palavra "assembléia" exatamente como os gregos empregavam "ekklesia". Nos
tempos do Novo Testamento, quando Jesus aplicou a palavra "ekklesia" para designar o corpo que
Ele iria formar, ela tomou de empréstimo seu sentido pelo menos em duas fontes: (1) o uso judeu da
palavra no Antigo Testamento Grego (a Septuaginta), onde se referia à congregação de Israel; e (2) o
emprego da palavra grega para referir-se a qualquer reunião de pessoas, quer fosse um corpo
constituído quer uma multidão desorganizada. Um exemplo do uso judaico é encontrado em Atos
7:38: "É este Moisés quem esteve na congregação no deserto, com o Anjo que lhe falava no monte
Sinai, e com nossos pais; o qual recebeu palavras vivas para no-Ias transmitir." O uso judaico de
"ekklesia" traduz geralmente o termo hebraico ("quahal”) que era a palavra do Antigo Testamento
para a congregação de Israel no deserto. Um exemplo do uso grego de "ekklesia" é encontrado em
Atos 19: "Uns, pois, gritavam de uma forma, outros, de outra; porque a assembléia (ekklesia) cairá em
confusão. E na sua maior parte nem sabiam por que motivo estavam reunidos (multidão)" (At
19.32); e "Mas se alguma outra cousa pleiteais, será decidida em assembléia regular (corpo
legislativo oficial)" (At 19.39). Não há dúvida de que Jesus escolheu a palavra traduzida "igreja"
porque fora usada para designar o povo de Deus, mas o termo significava apenas " assembléia". Em
vista de a palavra hebraica traduzida "ekklesia" ser algumas vezes interpretada como "sinagoga",
pode ter havido um propósito na escolha da primeira, a fim de evitar confissão entre a igreja e a
sinagoga de Israel. Quando Jesus disse: "...sobre esta pedra edificarei a minha igreja" (Mt 16.18), Ele
não deu ênfase à palavra igreja, mas à palavra minha. A igreja é única, não por ser chamada igreja,
mas sim por ser a assembléia dos crentes que pertencem a Jesus, que constituem o seu corpo. A
igreja universal é composta de todos os cristãos autênticos de todas as eras, tanto na terra como no
paraíso, o corpo de Cristo inteiro. A igreja universal total irá reunir-se no banquete das bodas do
Cordeiro (Ap 19.6-9), que se seguirá ao arrebatamento da igreja. As seguintes passagens aplicam-se
à igreja universal: Mt 16.18; Ef 3.10,21; 5.23-32; Cl 1.18,24; Hb 12.22,23: "... e à universal assembléia e
igreja dos primogênitos arrolados nos céus, e a Deus, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos
aperfeiçoados". A igreja local é composta de cristãos identificados com um corpo constituído,
adorando em uma localidade (Rm 16.1; Cl 4.16; Gl 1.2,22; At 14.23). Os membros de uma igreja local
formam a igreja mesmo quando Não estão reunidos, fato que pode ser verificado em Atos 14.27: "Ali
chegadas, reunida a igreja, relataram quantas cousas fizera Deus com eles..." Todos os crentes
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autênticos são membros do corpo universal de Cristo; todavia, todos os crentes fiéis devem estar
identificados com uma igreja local onde se retinam para adoração, confraternização e servirão com
alguma regularidade (Hb 10.24,25). Os cristãos não podem ser propriamente crentes no isolamento,
pois não são apenas crentes; são também discípulos, irmãos e membros de um corpo. A seguinte
citação foi extraída da Declaração de Fé quadrangular.

"Cremos que, tendo aceitado o Senhor Jesus Cristo como Salvador pessoal e Rei, e tendo, assim, nascido na
família e no corpo invisível da Igreja do Senhor, é sagrado dever do crente, quanto esteja em seu poder,
identificar-se com a visível igreja de Cristo sobre a terra, e trabalhar com o maior entusiasmo pela edificação do
reino de Deus..." (Hebreus 10.24-25 - Atos 2.47).

Nos tempos do Novo Testamento não havia prédios de igreja; os crentes reuniam-se para adorar
onde houvesse facilidades para eles. Muitas vezes reuniam-se nas casas dos cristãos: "No Senhor
muitos vos saúdam Áquila e Priscila e, bem assim, a igreja que está na casa deles" (I Co 16.19b).
Quando a igreja em unia determinada comunidade era muito grande, havia inúmeras igrejas
domésticas (I Co 14.23). Todavia, a igreja dessa comunidade era considerada como uma só, e todos
eles se reuniam com a maior freqüência possível. Nas comunidades pequenas, uma igreja doméstica
podia acomodar o corpo inteiro (Cl 4.15). Uma das razões para as igrejas terem em geral vários
anciãos era talvez o fato de existirem diversas igrejas domésticas no corpo total dessa comunidade.
Em Atos 20, o apóstolo Paulo reuniu os presbíteros da igreja em Éfeso: "De Mileto mandou a Éfeso
chamar os presbíteros da igreja" (At 20.17). A igreja de Éfeso era uma só, mas o grande número de
anciãos (pastores) sugere que ela se reunia geralmente nas casas por causa da falta de prédios
grandes para a igreja. Todas essas igrejas domésticas, porém, formavam uma só igreja de Éfeso:
"Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para
pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue" (At 20.28). Cada igreja
local era considerada como sendo a manifestação física da igreja universal nessa comunidade. (Veja
também Rm 16.5,23; I Co 16.19; Fm 2). Existem varias passagens do Novo Testamento que fazem
referência A igreja visível como uma única igreja: I Co 10.32; 15.9; Gl 1.13; Fp 3.6. Atos 9.31, onde é
mencionada a paz que a igreja experimentou depois da conversão de Saulo, diz "igrejas"; mas no
texto grego, assim como em outras versões, a palavra está no singular: "A igreja, na verdade, tinha
paz por toda a Judéia, Galiléia e Samaria, edificando-se e caminhando no temor do Senhor e, no
conforto do Espirito Santo, crescia em número" (At 9.31). Em várias passagens, a palavra igreja é
usada genericamente, isto é, referindo-se à igreja em termos gerais. (Mt 18.17; I Tm 3.1.5; I Co 12.28)
Alguns afirmam que as igrejas locais eram autônomas, sujeitas apenas à liderança local, escolhida
pelo voto da congregação. Não há dúvida de que as igrejas locais tinham bastante liberdade. Elas
não eram certamente regidas severamente por uma hierarquia central, um fato demonstrado pelo
concílio sobre doutrina e pratica registrado em Atos 15. Todavia, fica claro que as igrejas agiam em
conjunto e seguiam a liderança apostólica, conforme inúmeras passagens das Escrituras: At 14.23;
Rm 16.4; I Co 16.19; 14.33; II Co 11.28; Tt 1.5. Paulo deu instruções às igrejas locais sobre doutrina,
prática e governo; ele enviou saudações por parte de grupos de igrejas de uma região; nomeou
anciãos sobre as igrejas ou ordenou a seus colaboradores que nomeassem dirigentes. Paulo escreveu
a Tito ordenando: "Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em ordem as cousas
restantes, bem como, em cada cidade, constituísses presbíteros, conforme te prescrevi" (Tt 1.5).

Não É Usado Para Prédio


A palavra grega ekklesia, traduzida "igreja", sempre se refere a pessoas, jamais a um prédio. Hoje
em dia, alguém poderia dizer: "Há uma igreja branca na esquina das ruas tal e tal." Quando a Bíblia
fala da igreja de Éfeso, refere-se à- congregação de cristãos em Éfeso. Já que nenhum prédio de igreja
foi construído até o terceiro século, Não havia um termo especifico para designa-lo. Quando foram
construídos prédios de igreja, uma palavra diferente (kuriake),)significando "a casa do Senhor", foi
usada para referir-se a eles. Por outro lado, o emprego de uma palavra para descrever tanto o prédio
como a congregação foi uma evolução natural. Chamar o prédio de igreja é uma figura de
linguagem denominada "Metonímia" (o continente pelo conteúdo). O mesmo é encontrado em l
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Coríntios 11.26: "Porque todas as vezes que ... beberdes o cálice..." (Não bebemos o cálice, mas o seu
conteúdo.) Não existe nenhum mal em chamar o santuário de "igreja", desde que se tenha em mente
a verdadeira natureza da igreja.

A ORIGEM DA IGREJA
O ensino das Escrituras acerca da Igreja é tão claro e positivo quanto o que diz respeito a qualquer
outra doutrina; contudo, a concepção dos homens, até mesmo de cristãos professos sobre o assunto,
parece ser muito indefinido e vago. Isso sem dúvida se deve ao fato de que, segundo o emprego
humano o termo "Igreja" tem numerosos e variados significados. É empregado para distinguir as
pessoas religiosas das não religiosas. É usado denominacionalmente, a fim de discriminar entre
grupos organizados, como: Igreja Presbiteriana, Igreja Metodista, Igreja Católica Romana. É usado
em relação a edifícios designando um local de reunião em que os cristãos reúnem para adorar. Essa
terminologia, e outros usos um tanto semelhantes, tendem a obscurecer a verdadeira significação do
vocábulo. Quando, entretanto, chegar ao uso bíblico do termo, verificamos que essa indefinição
desaparece.

Definição
Etimologia. A palavra Igreja vem do grego "Eclesia", palavra que se origina de dois vocábulos
(Ekkaleo) os quais significam respectivamente fora de e chamar. Isto posto o significado etimológico
do termo é chamar para fora.

Uso Tradicional:
Havia dois principais e distintos usos do vocábulo, no tempo em que o Novo Testamento foi escrito:
a) Eclesia era uma assembléia de cidadãos livres, At 19.32,39.41. O que Almeida traduziu por
ajuntamento.
b) Eclesia que era a assembléia judaica oriunda do Antigo Testamento, Atos 7.38. Sendo que esta
palavra ocorre cerca de 115 vezes no original.

Novo Sentido
Jesus compreendeu a palavra Eclesia e lhe deu um sentido completamente novo. Para Ele a Igreja é
um conjunto universal das pessoas que aceitaram seu sacrifício e são, portanto, chamadas para fora
do mundo, conforme está escrito em Rm 8.30; 9.24 e I Co 1.9.

Acepções Específicas
Existem presentemente 4 acepções da palavra Igreja no meio religioso e evangélico:
a) uma congregação local (I Co 1.2,16-19; At 13.1 e Rm 16.1,4-5);
b) o conjunto universal dos crentes (Ef 1.22-23; Hb 12.23);
c) um grupo denominacional. É uma interpretação extra bíblica;
d) um edifício, um local de reunião só para cultos. Acepção antibíblica. A Igreja são as pessoas não
as casas.
Myer Pearlman definiu a Igreja como sendo "uma companhia de pessoas chamadas do mundo", que
professa e rende fidelidade ao Senhor Jesus Cristo.

Revelação
Em toda a Bíblia é possível encontrar revelações divinas a respeito da Igreja, Vejamos o seguinte
esquema:
a) No Antigo Testamento ela está revelada através de tipos e profecias. Ex. Rebeca, Ester, Rute etc.
b) Nos Evangelhos através da profecia e promessas Ex.: Mat 16.18,
c) Nos atos dos apóstolos mediante a história. Ex.: At 13
e) Nas Epistolas através da Doutrina. Ex.: I Co 12,
f) No Apocalipse está revelada mediante o triunfo final.

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A NATUREZA DA IGREJA

Características Bíblicas Da Igreja


a) Universalidade, Ef 3.6; Mc 16.15; At 15.14; Rm 1.16; Jo 3.16 (todo aquele).

b) Espiritualidade, I Co 12.12-13. Não se deve jamais confundir a Igreja com uma organização
humana. As pessoas que a ela pertencem são trazidas pelo Espírito Santo e vivem como criaturas
humanas em um corpo espiritual, o "Corpo de Cristo".

c) Unicidade. Mt 16.18. Isto significa que a Igreja de Cristo sob o ponto de vista Universal ela é
Única. Não tem denominações e é indivisível, constituída de todos os fiéis e verdadeiros filhos de
Deus.

d) Santidade, I Pe 2.9. A Igreja é constituída de homens pecadores que alcançam a benção da


perfeita regeneração e participam da santa natureza do Senhor, I Co 6.11; Ef 5.26-27; I Pe 1.16.

e) Apostolicidade. At 6.1-6; 13.1-3; 14,23. Jesus chamou os doze discípulos, os quais transformou em
apóstolos e eles foram encarregados da exposição da doutrina evangélica. A verdadeira Igreja é a
que se mantém fiel aos ensinos apostólicos , Ef 2.20.

f) Autoridade. Mt 18.18-20; I Co 6.1-4. A autoridade que a Igreja possui emana de Cristo Jesus e de
sua palavra.

g) Formosura. A Igreja é dotada por Deus de beleza moral e espiritual. O importante não é a beleza
física de seus membros, mas o caráter que cada um possui como membro do corpo de Cristo. Ct 4.7;
Ef 5.25-27. As virtudes do Senhor se espelham na Igreja, de modo que quanto mais ela se parece com
Cristo, menos se parece com o mundo.

Os Mistérios Que Envolvem A Igreja


a) mistério de sua unidade: Jo 17.21; I Co 12.27; Rm 8.16-17; Ef 2.4-5;
b) mistério de sua vitalidade: Jo 10.10; Jo 6.63;
c) mistério de sua posição; Ef 1.3;
d) mistério de sua origem: Ef 3.8-10;
e) mistério de sua atividade. Pe 2.9; Fp 2.15;
f) mistério de sua invencibilidade. Mt 16.18;
g) mistério de seu glorioso futuro: Jo 14.3; Fp 3.20-2 1.

A Missão Da Igreja
Num sentido geral a missão da Igreja local é a mesma da Igreja Universal, pois uma e outra são o
mesmo, organismo espiritual, com a diferença apenas em tamanho. No entanto, existem certas
particularidades na missão da Igreja local, que devem ser apreciadas. A Igreja local deve: ensinar,
deve adorar, deve testificar, deve exercer beneficência, deve estabelecer comunhão, deve usar de
direito de admitir ou disciplinar seus membros, At 2.42-46. A missão da Igreja Universal. Enquanto
certas atividades da Igreja local podem variar segundo as peculiaridades da região onde elas se
congregue, a Igreja universal tem deveres universais, inalienáveis e imperecíveis, enquanto estiver
na terra. Podemos reduzir, para facilitar o estudo, as atividades da Igreja Universal a uma tríplice
tarefa:
a) Manifestação (da glória, do poder e do reino de Cristo) Mt 6.13; Jo 17.10; I Pe 2.9; Fp1.20-21;Jo
17.22-23;
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b) Serviço - Ef 1.23; 4.1 -6; Jo 15.1 -5; I Co 12.27-30;
c) Comunhão - I Jo 1.7; I Co 1.9.
Devido à sua própria natureza, a Igreja tem que se expandir, desenvolver, crescer.
Fatores De Expansão Da Igreja
• Obreiros Fieis
A fidelidade dos que trabalham na Igreja é fator preponderante. Fidelidade, à grande comissão,
fidelidade aos deveres básicos e obediência irrestrita à direção do Espirito Santo. Atente-se para a
expressão do Apocalipse "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça o que o Espirito diz às Igrejas".

• Pregação rigorosamente bíblica


Já vimos acima que é dever da Igreja testemunhar conforme está escrito em Atos 1.8, pregar,
anunciar, proclamar o evangelho. Para que a expansão da Igreja seja um fato evidente, urge que a
pregação se faça dentro de padrões bíblicos (At 8.35; 9.20; 10.35; Cl 1.23; II Co 4.5).

• Sinais e Maravilhas
A ausência de milagres retarda o crescimento da Igreja. O progresso da Igreja em seus dias
primitivos deve-se também ao fato de que Deus confirmou a sua palavra com milagres (Mc 16.20).

• Mobilização
Não se deve permitir a existência de elites na Igreja. Todos os membros devem ser mobilizados para
o trabalho. Ninguém está isento de executar a grande comissão. Veja se o final de atos 2 observe se a
presença atuante de toda a Igreja. Isto é mobilização.

• Oração
Nenhuma Igreja prosperará sem oração. Oração é a respiração da alma. Cultos de oração tem sido
uma chave para a expansão da Igreja. Mesmo para a obtenção de novos obreiros, a Igreja depende
primariamente da oração (Mt 9.36).

• Espirito Combativo
A Igreja é constituída de soldados espirituais. Nosso combate é sério, pesado, diuturno. Lutamos
contra a carne, o mundo e satanás. Quanto mais a Igreja combate, mais cresce. A Igreja cresce no
fragor da batalha.

• Vigilância
Quando os crentes vigiam, a Igreja cresce também. Sabemos que não são poucas as Igrejas que
diminuíram, definharam, porque os membros pouco a pouco deixaram de vigiar. A Igreja deve
vigiar para que não perca o seu próprio alvo. Quando a Igreja não cresce, ela deve fazer uma
autocrítica. Quem sabe não estará ATADA? INCRÉDULA ou ESTÉRIL? A Igreja pode ser atada
pelas correntes das organizações da política, do ecumenismo, da cultura endeusada, do
clericanismo, etc. Isto pode ser visto simbolicamente na história de Lázaro, que depois de
ressuscitado, permaneceu atado, ligado, por algum tempo. As Igrejas estéreis podem ser por várias
razões: não querem ter filhos, tomam anticoncepcionais espirituais, não contatam suficientemente
com Deus, não possuem resistência espiritual e moral suficiente etc. (I Co 11.30). A Igreja que fica
morna deixa de crescer e pode ser vomitada pelo Senhor (Ap 3.15-16). A Igreja que dorme corre o
perigo de à meia-noite perder o encontro com o Noivo (Mt 25). Que tipo de igreja é a sua Igreja? Há
pelo menos três tipos de Igreja como sejam lgreja Maria. Esta é a Igreja que está constantemente na
dependência do Senhor, a ouvir a sua tema e amável palavra, a Igreja que ama o ensinamento e nele
tem o seu prazer. A Igreja Marta é por conseguinte a Igreja desapercebida, negligente e ansiosa
pelos cuidados desta vida por conseguinte esta é uma Igreja Morna, vomitada pelo Senhor. E por
fim temos a Igreja Lázaro, que apesar de ter o nome de quem está vivo contudo está morta; esta é
uma Igreja atada nas faixas da irreverência, incredulidade, frieza espiritual, etc. A Bíblia fala da
Igreja Universal, que compreende todos os crentes fiéis no mundo e fala de Igrejas locais as
comunidades que se reúnem em determinados locais. Ex. Jerusalém, At 8.1; Antioquia, At 13.1;
ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 10
Corinto, I Co 1.2; Laudicéia, Cl 4.16; Tessalônica, Ts 1.1; Éfeso, Ap 2.1, etc. Cada verdadeira Igreja
local pertence à Igreja Universal.

O Significado Do Vocábulo Igreja


Conceito Popular
o vocábulo Igreja na linguagem comum tem um significado muito amplo. É aplicado ao edifício em
que se realiza o culto; a uma congregação de adoradores cristãos; a um estabelecimento religioso: a
determinado tipo de ordem eclesiástica, ao conjunto de todos os crentes em Cristo a um grupo local
de cristãos associados num pacto com propósitos religiosos. Esse último significado é geralmente
encontrado no NT.

O Significado Etimológico
No grego secular o vocábulo EKLESIA provém de duas outras palavras gregas: a proposição EK
significa fora, ou fora de e o vocábulo KALÉW quer dizer chamar. Assim EKLESIA significa os
chamados para fora. O seu emprego geral no grego expressa a idéia de assembléia, reunião,
congregação.

O Significado Extra Cristão


Entre os gregos, o vocábulo identifica uma reunião de cidadãos, regularmente constituída por
pessoas pertencente a uma cidade grega autônoma, para deliberar sobre alguma coisa. Daí, a idéia
de democracia, governo do povo.

O Emprego na Septuaginta
Na Septuaginta (a tradução do A.T. do hebraico para o grego por 72 sábios no III século A.C.)
EKLESIA é tradução do vocábulo hebraico Cahal, que se refere à nação israelita diante de Deus. Dt
23.1-3; 31.30; Jz 21.8, assembléia. No NT encontramos duas referência a esta idéia do VT, At 7.38 e
Hb 2.12. O conceito judaico de sinagoga (no grego é ajuntamento ou lugar onde o povo se reúne),
contém algo dessa idéia.

O Conceito cristão
A idéia de EKLESIA era familiar nos dias de Cristo, tanto em relação a política como a religião, mas
Jesus, deu-lhe um significado peculiar, ao dizer:" Edificarei a Minha Igreja" Mt. 16.18 "Os hebreus
têm a sua assembléia, os gregos também; mas agora, eu vou edificar a minha assembléia." O
conceito dos judeus ou hebreus era o de uma assembléia de todo o povo diante de Deus, sob seu
governo teocrático. O conceito grego era de uma secção local de povo em moldes democráticos para
resolverem seus próprios problemas, mas presididos pelos príncipes inerentes do governo
democrático. No NT a Igreja é uma democracia Teocrática, uma sociedade daqueles que são livres,
mas sempre cônscios do senhorio de Cristo.

OUTRAS CONSIDERAÇÕES SOBRE IGREJAS DO NOVO TESTAMENTO

A idéia geral da igreja


No sentido universal a palavra igreja inclui todos os crentes em Cristo, de todas as épocas, Mt. 16.18.
É empregada no sentido genérico para indicar a comunidade total dos reunidos sem ligação com o
local e o tempo. A referência mais ampla a essa idéia encontramo-la em Ef 1.22; 3.10,21; 5.23-32; Cl
1.18, 24; I Tm 3.15, etc. A reunião da Igreja Universal só acontecerá após o arrebatamento, Hb 12.23.

Idéia Local da Igreja


Como vimos, das 114 vezes em que o termo é empregado no NT, 95 se refere a igreja local. Esta, é a
manifestação visível da Igreja geral num tempo e num espaço. Portanto, Igreja, é uma congregação
local, composta de membros regenerados e batizados, que voluntariamente se reúnem sob as leis de
Cristo e "procuram estender o reino dê Deus em suas vidas e nas outras pessoas. Como tal a igreja
era uma assembléia democrática, agindo sob o comando de Cristo e dirigindo os seus próprios
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negócios.

Igrejas e não Igreja


O romanismo é culpado pela concepção que se arraigou no povo de "Igreja" Como se só houvesse
uma! Mas no NT são muitos os textos que mostram o uso plural do termo: "As Igrejas de Deus", I Co
11.16; I Tm 3.5. "As Igrejas dos Gentios" - Rm 6.4. "As Igrejas da Macedônia" - II Co 8.1. "As Igrejas
da Judéia" - Gl 1.22. "As Igrejas da Galáxia" Gl 1.2. "As Igrejas da Ásia" - I Co 16.19. "As sete Igrejas
da Ásia" - Ap 1.4.
Algumas denominações cristãs incluem todas as suas congregações num sistema eclesiástico, sob
algumas autoridades centrais que se preceituam para o todo e o controla. A essa sociedade chamam
Igreja. Assim é que se fala na Igreja Católica, Igreja Episcopal, Igreja Luterana, etc. Entre os batistas é
diferente. Eles falam em Igrejas Batistas, nunca Igreja Batista Regional ou Nacional. Igreja Batista
para nós sempre se refere a uma congregação local. É nesse sentido que o termo é empregado
comumente no NT.

O uso do termo nos Evangelhos:


É interessante notar que Jesus empregou a Palavra Igreja apenas duas vezes; em Mt 16.18 e 18.17. Na
primeira, ele se apresenta como fundador da Igreja e mostra sua missão vitoriosa, e em Mt 18.17, Ele
apresenta a Igreja como último tribunal de apelação no caso de disciplina de seus membros.

A Igreja - Corpo De Cristo


É a principal figura da Igreja no NT e nela nos demoraremos mais um pouco especialmente no texto
de I Co 12.12-13.

A origem do corpo
Assim como o corpo foi formado do pó da terra, o Senhor, constituiu a sua Igreja de elementos
frágeis, pecadores remidos pelo Seu Sangue, I Pe 1.18

Característica do corpo
O Corpo tem algumas característica idênticas à da Igreja do Senhor Jesus.

a) Vida - Um corpo sem vida é um cadáver. A Igreja é composta de pessoas renascidas pelo Poder
de Deus, Jo 3.3; 10.10; Ef 2.1.

b) Harmonia - Assim como os membros do corpo são harmoniosos entre si, os membros da Igreja
também: na doutrina, no trato, cada um no seu lugar, I Co 12.1.

c) Unidade - O corpo se caracteriza pela unidade da ação - Nesse sentido todos os membros devem
ser unânimes na oração na Palavra, no testemunho, At 2.42.

d) Atividade - O corpo inativo se atrofia e morre. Também, um membro inativo é um peso morto
para o corpo. A atividade principal da Igreja é a Evangelização do mundo.

Preservação do corpo - O corpo se preserva pela nutrição, pelo asseio, pelo exercício e pela
renovação das células. Assim, a Igreja se preserva, alimentando-se da Palavra de Deus, purificando-
se no Sangue do Cordeiro, pregando o Evangelho e ganhando almas para Cristo.

Anomalias do corpo - Assim como o corpo humano pode ter membros postiços, também há na
Igreja local. São pessoas que ingressam na Igreja sem o Novo Nascimento. Esses membros não tem
vida, são insensíveis à Mensagem e a presença de Deus e causam muitos prejuízos a obra do Senhor.

Os Membros Da Igreja - As palavras com que no NT definem os membros das Igrejas, também
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explicam sua natureza.

a) Irmãos - A Igreja é uma fraternidade onde foram abolidas as divisões, At 12.27 e Cl 3.11. A Igreja
é a família de Deus, Ef 2.19.

b) Crentes - É o termo mais popular dos evangélicos. E é bíblico. Mc 16.17, Gl 2.20 e Jo 20.27. Porque
é um povo que vive pela fé.

c) Santos - Porque foram separados por Deus. Esse é o sentido da santidade na Bíblia.

d) Separação. Fomos chamados para a santidade, I Co 1.2; Fp 1.1; I Pe 1.15,16.

e) Cristãos - "Em Antioquia, foram os discípulos pela primeira vez chamados cristãos." At
11 -26- A idéia do termo é que são pessoas que se parecem com Cristo. O termo esta desvirtuado
hoje.

f) Discípulos - É o termo mais usado no NT, especialmente nos Evangelhos, para definir o membro
da Igreja significa aluno, aprendiz.

g) Soldados - A Igreja aqui é comparada a um exército vitorioso, em marcha, nas palavras de Cristo:
"...edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela" Mt. 16.18. Essa idéia é
expressa também por Paulo, quando escrevendo a Timóteo diz: "Sofre, pois, comigo, as aflições
como um bom soldado de Cristo."

h) Sacerdotes - Cada crente é um sacerdote. Assim João afirmou: "... Aquele que nos amou e em Seu
Sangue nos lavou dos nossos pecados e nos fez reis e sacerdotes para Deus e Pai" Ap 1.6. E como
Sacerdócio Real a Igreja deve estar na brecha da intercessão pelas nações.

A Igreja Também É Chamada De :


a) - Rebanho do Senhor
"Olhai por vós, e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito nos constitui bispos, para pastoreardes a
Igreja de Deus, que Ele resgatou com o Seu Próprio Sangue, At 20.28. A Igreja é um Rebanho, os
crentes são ovelhas e Jesus é o Sumo Pastor, I Pe 5.4.

b) - Luzeiro de Deus
“Vós sois a luz do mundo" João viu o Senhor passeando entre os candeeiros que são as Igrejas, Ap
1.20. Assim, a Igreja deve iluminar, esclarecer, guiar os homens a Deus.

c) - Noiva do Cordeiro
É o pensamento do apóstolo Paulo em II Co 11.2 "Porque estou zeloso de vós, com zelo de Deus;
porque vos tenho preparado para apresentar como uma virgem para um marido, a saber, a Cristo".
É um pensamento sublime! O Filho de Deus veio ao mundo e constituiu uma Noiva para si. E a
Igreja como Noiva, com espanto e gratidão, deve ser-lhe fiel, agradá-Lo em tudo e preparar-se para
as bodas, com ansiedade, Ap 19.7-9.

Características (Perfil) Das Igrejas Do Novo Testamento


a) - É uma congregação composta de pessoas regeneradas e batizadas, que voluntariamente se
reúnem sob as leis de Cristo (Bíblia), e voluntariamente prestam-lhe culto de louvor e adoração, e
que através do ensinamento da Palavra (Evangelho) procuram estender o Reino de Deus.
b) - É uma organização local.
c) - Jesus é o cabeça, fundador e único chefe da Igreja.
d) - A Bíblia é a única regra de fé e prática. (II Tm 3.16 ) ( Jo 5.39 ).
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e) - A Igreja é absolutamente livre e independente.
f) - O Governo é democrático. (Congregacional) - (At 6.2; 14.23; 15.22).
g) - Não possui sacramentos.
h) - Sua fonte de sustento e manutenção é através dos dízimos e ofertas. (Malaquias 3.10); (Mt
23.23); (I Co 9.14); (I Tm 5.17).
i) - Não tem nenhum vinculo com o estado.
j) - Todos os seus membros tem privilégios e direitos iguais.
k) - Cada crente é seu sacerdote. (I Pe 2.9 ).
l) - Tem completa liberdade de consciência.
m) - Pastor e Diácono não tem autoridade sobre a Igreja, mas a representam e estão investidos da
autoridade delegada por Cristo.
n) - Suas ordenanças - Batismo e Ceia do Senhor - Mt 28.19; I Co 11.23-33.
o) - O batismo é ministrado ao crente através da imersão nas águas, em nome do Pai, do
Filho e do Espírito Santo.
p) - A ceia é ministrada regularmente sendo uma ordenança e um memorial, sendo servida
livremente a todos que façam parte do Corpo de Cristo, e que estejam em comunhão com Cristo e a
sua Igreja.
q) - Sua natureza é una, santa, universal, apostólica e espiritual, (I Pe 1.15-16)
r) - Sua missão é estender o Reino de Deus através da adoração, edificação e evangelismo,
praticando a beneficência. (I Co 6.19-20 ); ( Mt 28.19 );( Mc 16.15 );
s) - Os seus oficiais eclesiásticos são Pastor e Diácono.( At 20:17,28 );(II Tm 3.1-16 );
t) - Sua autoridade esta em Jesus, nas Escrituras e no Espírito Santo.
u) - Cré e pratica os dons espirituais.
v) - Seu Dom supremo - O amor: Jo 13.34-35; I Co 13.8-10
w) - O poder para testemunhar - O Espírito At 1.8
x) - Sua grande esperança - A volta do Senhor: Lc 24.49 ; At 1.11 ;
y) - Sua morada eterna - O céu : Jo 14.2 ; Ap 21 e 22.
z) - Seu alvo supremo - Glorificar o Rei Jesus : Rm 14.9 ; Fp 2.9-11

A Natureza E O Caráter Da Igreja


Para entendermos melhor a natureza das Igrejas, o NT a apresenta através de vários símbolos, para
numa linguagem figurada revelar sua função e atribuições.

A igreja coluna e Esteio da Verdade


É a figura apresentada em l Tm 3.15: "Para que no caso de eu tardar, saibais como se deve proceder
na casa do Deus Vivo, Coluna e Esteio da Verdade". Vive e proclama com poder a mensagem do
NT, ensina todas as coisas que Ele mandou.

A Natureza Da Igreja
1 - Una
2 - Santa
3 - Universal
4 - Apostólica
5 – Espiritual

Una
Sua unidade esta baseada no Corpo de Cristo. Cristo é o cabeça e nós os membros. Como no Corpo
existe diversos membros assim também há diversidade de membros no Corpo de Cristo. O que não
deve haver é asma ( divisão).
Causas de divisão:

a. Heresias - É dogmática e sacrifica o amor. É unilateral, isto é, toma o particular pelo todo,
sacarificando a unidade da Igreja.
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b. Questão Política - Desejo de poder.

c. Preconceito Religioso - Deformação do caráter.

Colunas da unidade da Igreja baseado em Ef 4.1.7

Base (Ef 4.1-3)


1 – Humildade; 2 – Mansidão; 3 – Longanimidade; 4 - Suportar uns aos outros; 5 - Esforçando
diligentemente; 6 - Unidade do Espírito; 7 - Vínculo da paz.

Colunas ( Ef 4.4-7 )
1 - Um só corpo; 2 - Um só Espírito; 3 - Uma só Esperança da vocação;4 - Um só Senhor; 5 - Uma só
fé; 6 - Um só Batismo; 7 - Um só Deus e Pai.

Santa
Seu fundador é santo. É uma santidade inerente como resultado de sua vocação.

Universal - ( Católica ) é a dimensão de sua açâo :


a) Não deve ser entendido em termos geográficos .
b) Não deve ser entendido como ecumenicidade de idéias.
c) Não deve ser entendido como a absorção de todos os povos ou a conversão total da raça.

Apostólica
Não se entende em termos de linhagem ou sucessão apostólica, mas:
a) A Igreja esta calcada nos ensinos dos Apóstolos.
b) Que a missão da Igreja nada mais é do que a continuidade da missão dos
Apóstolos
c) Que a Igreja é enviada ( Apóstolos )
d) Que a Igreja reconhece e acata o ministério oficial mais Espiritual que autoritário.

Espiritual
Fala de sua essência.
a) A Igreja é essencialmente Espiritual.
b) Afirma a transcendência da Igreja no tempo e no espaço.
c) Alerta-nos para os seus objetivos que não são apenas temporais mas eternos.
d) Salienta a relação que deve ter com o Pai dos Espíritos.
e) A Espiritualidade fala da natureza das reuniões da Igreja.

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UNIDADE II
O CARÁTER MULTIFORME DA IGREJA

...............................................................

“Igreja como algo que não precisa de uma fortuna em dinheiro e que dispensa retórica religiosa, de controle e
manipulação, nem sequer necessita de heróis carismáticos”.

..............................................................

A IGREJA É

Temporal - (IGREJA MILITANTE)


Eterna - (IGREJA TRIUNFANTE)

Na presente dispensação , a igreja é militante, isto é, é convocada para uma guerra santa, e de fato
nela empenhada. Se a Igreja é a Igreja militante, no céu é a Igreja Triunfante. A luta é finda, a batalha
está ganha, e os santos reinam com Cristo para todo o sempre.

A Igreja é visível e invisível:


Visível - Igreja local
Invisível - Igreja universal

A IGREJA COMO ORGANISMO E COMO INSTITUIÇÃO


Como organismo tem existência carismática: nela todos os tipos de dons e talentos tornam-se
manifestos e são utilizados na obra do Senhor. A igreja como instituição , por outro lado, funciona
por meio dos ofícios ( Pastor e Diácono) , que Deus instituiu. A igreja como instituição ou organismo
é um meio para um fim, e este fim se acha na Igreja como organismo, a comunidade dos crentes.

Fundador Da Igreja:

Quem fundou a Igreja ?


Todos estamos de acordo que foi o Senhor Jesus. A divergência começa quando perguntamos Sobre
que base Jesus fundou a Igreja?

a) A Igreja Romana, baseada numa exegese infundada de ( Mt 16.18) afirma: - "Sobre Pedro, que é a
"Pedra"."

b) A Bíblia, entretanto, afirma que Jesus é a Pedra ( Mt 21.42; Ef 2.20; I Pe 2.48). O próprio Pedro
afirma (I Pe 2.4 ). "Venha ao Senhor, a Pedra Viva que foi rejeitada pelos homens como inútil, mas
escolhida de Deus como de muito valor".

c) Jesus jamais edificaria sua igreja em homem falho e mortal; a igreja foi edificada, como Pedro
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afirmou, sobre o Senhor Jesus que vive e reina para sempre.

A Fundação da Igreja considerada Profeticamente e Historicamente

Profeticamente : Israel é descrito como uma Igreja no sentido de ser uma nação chamada dentre as
outras nações a ser um povo de servos de Deus. (At 7.38 ). Quando o Antigo Testamento foi
traduzido para o Grego, a Palavra "Congregação" ( de Israel foi traduzida " EKKLESIA") ou " Igreja
". Israel, pois era a Congregação ou a Igreja de Jeová. Depois de a Igreja Judaica o ter rejeitado,
Cristo predisse a fundação de uma Nova Congregação ou Igreja, uma instituição divina que
continuaria sua obra na terra ( Mt 16.18). Essa é a Igreja de Cristo, que veio a ter existência no dia de
Pentecostes.

Historicamente : A Igreja de Cristo veio a existir, como Igreja, no dia de pentecostes, quando foi
consagrada pela unção do Espírito. Assim, como o Tabernáculo foi construído e depois consagrado
pela descida da Glória Divina ( Ex 40.34 ) assim os primeiros Membros da Igreja foram
Congregados no cenáculo e consagrados como Igreja pela descida do Espírito Santo. É muito
provável que os Cristãos primitivos vissem nesse evento o retorno da "SHEKINAH " ( A glória
manifesta no Tabernáculo do Templo), que, à muito, partira do templo, e cuja ausência era
lamentada por alguns dos rabinos. Davi juntou os materiais para a construção do templo, mas a
construção foi feita por seu sucessor, Salomão. Da mesma maneira, Jesus, durante seu ministério
terrenal, havia juntado os materiais da Igreja, por assim dizer, mas o edifício foi erigido pelo seu
sucessor, o Espírito Santo. Realmente essa obra foi feita pelo Espírito, operando mediante os
apóstolos que lançaram os fundamentos e edificaram a Igreja por sua pregação, ensino e
organização. Portanto, a Igreja é descrita como sendo " edificados sobre o fundamento dos
apóstolos” ( Ef 2.20 ).

MISSÃO DA IGREJA
Qualquer entidade, quando se organiza, se propõe a realizar um trabalho, uma tarefa, um objetivo.
Porém a Igreja não é qualquer entidade, mas a suprema entidade, a sublime organização que nosso
Senhor Jesus se dignou a organizar, com o fim de propagar os seus ideais salvífícos e promover os
fins do Reino de Deus.

A Bíblia ensina que a Igreja está no mundo para uma missão tríplice:
a) Adoração - ( Culto ): Exaltar o nome de Deus, fazer-lhe elogios por aquilo que ele é. Adorar e
glorificar a Deus em Espírito e em Verdade. (Jo 3.23.24); (At 13.1-3 ).
b) Edificação - ( Ensino ) : Aperfeiçoamento, fortalecimento e crescimento dos salvos. E uma missão
qualitativa que a Igreja tem para consigo mesma ( Ef 3.14-21; Ef 4.11-16).
c) Evangelização - ( Testemunho ). É anunciar o Evangelho e o seu poder, aumentando assim o
número de salvos ( At 1.18; Mt 28.18,20 ).
Todo bom trabalho de evangelização deve ter em mente também a preservação dos frutos e a
transformação desses frutos em novos ganhadores de vidas (Discípulos).

A Missão principal da Igreja é Evangelizar


A Evangelização é poderosa. É objetiva. E dinâmica. O sucesso das Igrejas repousa no seu ardor
evangelístico. À Igreja compete evangelizar o mundo . Jesus ordenou: "...Portanto, ide , fazei
discípulos de todas as nações, batizando-os ...” ( Mt 28.19-20).

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IGREJA UNIVERSAL E IGREJA LOCAL
Igreja Universal
Esta acepção aparece em Ef 3.10,21; 5.23, 24, 27,29,32; Cl 1.18;24; I Tm 3.5,15. Nessas escrituras,
Igreja, que sempre aparece no singular é mais ou menos equivalente a REINO DE DEUS. " A Igreja
universal, mística, composta de todos os crentes em todos os tempos e de todos os lugares, os quais
aceitaram Cristo como cabeça. Essa igreja é considerada como organismo espiritual que tem Cristo
por centro; e à união mística da Igreja com Cristo se dá através do seu Espírito. Portanto, transcende
a denominações Evangélicas, que defendem, determinadas crenças ou governos eclesiásticos".
Os textos acima indicados designam "Igreja Universal" nas seguintes formas:
Igreja de Deus -I Co 1.2; 10.32
Igreja de Cristo - Rm 16.16 e I Ts 1.1

Igreja Local
No tempo de Jesus o mundo era bilingüe. Os apóstolos além do Aramaico falavam o Grego. Os
Judeus tinham a sua Assembléia, portanto EKKLESIA. Os ajuntamentos dos Judeus eram;
geralmente festivos e de caráter religioso. Nele podiam falar e podiam ouvir, portanto, sua natureza
era essencialmente local. Um velho pensador Cristão disse: " A Igreja não é uma Assembléia, mas
pode se reunir em Assembléia" Mt. 18.15,20 descreve uma Igreja local. Um indivíduo surpreende
seu irmão em falha, repreende-o, leva testemunhas , finalmente informa a Igreja . Trata-se, portanto,
de um organismo local e nunca nacional ou mundial.

Igrejas, e não "A Igreja "


O Romanismo é o culpado pela concepção, que se arraigou no povo, de " A Igreja ", como se só
houvesse uma. Para poder fundamentar o dogma do papado, o romanismo ensina que só há a
"Igreja Católica Romana ". A luz do Novo Testamento, no entanto, tal pretensão acha guarida, pois
são muitos os textos que mostram o uso do plural vocábulo. Temos referencia como : "As Igrejas de
Cristo " ( Rm 16.16 ); "As Igrejas de Deus" (I Co 11.16; II Cor 1.1; I Tm 3.5 ), " as igrejas dos gentios "
(Rm 16.4 ), " as Igrejas dos Santos “ ( I Co 14.33 ), " As Igrejas da Macedônia " ( II Co 8.1 ), "As
Igrejas da Judéia " ( Gl 1.22): " as Igreja da Galaxia " ( Gl 1.2 ), . "As Igrejas da Ásia " ( I Co 16.19).
Escrevendo aos Gálatas, Paulo diz: " Depois fui para as regiões da Síria e da Cilicia. Não era
conhecido de vista das Igrejas de Cristo na Judéia " ( Gl 1.21,22 ). De romanos 16.5, 15 depreende-se
que mesmo em Roma havia várias Igrejas.. Uma seria na casa de Áquila e Priscila e outras estariam
em outras partes da cidade. Não fora costume o uso do plural ( igrejas ), e o autor do Apocalipse não
teria escrito as suas famosas cartas às " Sete Igrejas da Ásia " ( Ap 1.4 ).

A Igreja e seus Nomes


As Igrejas receberam nomes de acordo com o lugar em que estavam localizadas. Desta maneira
encontramos referencias a:
Igreja de Antioquia ( At 13.1 ; 14.16; 15.3 );
Igreja de Jerusalém (At 8.1; 11.22);
Igreja de Cencréia, que ficava num subúrbio de Corinto" ( Rm 16.1);
Igreja de Éfeso (At 20.17);
Igreja de Esmirna ( Ap 2.8 );
Igreja dos Laodicenses ( Cl 4.16 );
Igreja dos Tessalonicenses " (I Ts 1.1), (II Ts 1.1 ).

Governo Eclesiástico
É o Governo da Igreja. No Velho Testamento temos Teocracia de ( Théos = Deus + Kratós = Poder)
Isto é, Deus governando ou exercendo o poder. Uma Igreja Cristã é uma sociedade com vida
coletiva, organizada com um plano definido, que ela se propõe realizar. Por conseguinte, conta com
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seus oficiais e ordenanças, suas leis e regulamentos, apropriados para a Administração de seu
governo e para cumprimento de seus propósitos.

AS FORMAS DE GOVERNO DA IGREJA


Existem três formas especiais e bem diferentes de Governo eclesiástico, que tem, obtido prevalência
nas comunidades cristãs, através dos séculos passados, e que continuam sendo mantidas com
diferentes graus de sucesso, cada uma das quais reivindicando ser a forma original e primitiva:

Monárquico ou ( Episcopal ou Prelática )


Forma de governo centralizado numa pessoa, que tem autoridade absoluta sobre uma igreja, que
pode ser nacional ou internacional. O poder de governar descansa nas mãos de prelados ou bispos
diocesanos, e no clero mais alto; É o caso por exemplo da Igreja Católica Romana, da Ortodoxa
Grega, da Anglicana ou Episcopal, da Luterana, parte dos Metodistas, e alguns ramos pentecostais.

Oligárquico
Vem do Grego Óligos, que quer dizer "pequeno". Vem a ser o governo da minoria. Forma em que o
poder de governar reside nas assembléias, sínodos, presbitérios e sessões. Mediante esta forma de
Governo, não a Igreja toda, mas alguns oficiais dela , geram os destinos da Igreja e resolvem tudo ou
quase tudo. - A oligarquia conduz à autoridade, não para a assembléia, mas para o "conselho da
Igreja", constituído do Pastor e Presbíteros. Este ponto de vista governamental apoia-se em (Hb 13.7;
13.17). É o caso por exemplo da Igreja Escocesa, Luterana, Presbiteriana e alguns grupos
pentecostais.

Democrático ( Congregacional ou Independente )


É o governo que reconhece a igualdade dos componentes do grupo, decide-se qualquer assunto em
assembléia da Igreja e resolve-se tudo por maioria de votos e, em alguns casos por unanimidade.
Quantitativamente o voto do doutor, vale tanto quanto o voto do analfabeto.
O que é democracia? Abraão Lincon definiu: "O Governo do povo, pelo povo e para o Povo".
Este é o sistema de Governo adotado pelos Batistas, Congregacionais e alguns pentecostais.

Falhas da Democracia - Democracia não é demagogia. Não duvidamos que na prática, democracia
tem falhas, não no sistema em si, mas naqueles que o praticam. Numa igreja de Regime Democrático
um Pastor que quer "vencer" contra um grupo, sai visitando membro por membro, arrebanha um
número e, na sessão, sai vitorioso. Já o Pastor 'Linha reta", deixa correr as coisas, chega a sessão da
Igreja, o grupo já trabalhou e se preparou. O pastor abre os trabalhos da sessão, dez minutos depois
esta exonerado. O regime democrático pode apresentar estas falhas. Mas, as outras formas também
são susceptíveis de distorções, principalmente no oligárquico.

Valores da Democracia - Temos que discriminar dois distintos valores da democracia:


a) Quantitativo - neste vale o número, indistintamente. O voto do Presidente da República vale
tanto quanto o da Lavadeira. Infelizmente, este fator predomina sempre. Daí dizer-se que um povo
precisa preparar-se antes para praticar a democracia.
b) Qualitativo - Este valor é importante. Ninguém ousaria afirmar que a autoridade do Presidente
da República é igual a da lavadeira. Trata-se de valor qualitativo. Há que se discriminar entre
democracia e democracia. Entre uma democracia suíça ou inglesa e uma aleijada demagogia.

Democracia é a autoridade em sujeição. O centurião romano, cujo servo estava enfermo ( Mt 8.5-13
e Lc 7.1-10 ), afirmou : ( Mt 8.9). "Pois também sou homem sujeito a autoridade ..." Este tinha
autoridade porque estava sujeito a autoridade. Nós conhecemos, apenas, o aspecto quantitativo da
democracia e aqui pode estar o erro. Esta "sujeição" no campo da democracia, nos leva ao grande
tema: "O Senhorio de Cristo" Cristo é o supremo "Comandante é o "Cabeça " e dirige tudo. Nós seus
servos devemos nos sujeitar uns aos outros, de acordo com o lugar que ocupamos no Corpo de
Cristo.
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Bases Bíblicas para a democracia - O "ligar" e o "desligar" de ( Mt 18 ) nos leva a reconhecer que o
legislativo é o céu, e a terra (Igreja ), é o executivo. Numa democracia Bíblica, não há lugar para
outras formas de ditadores.

A nascente Igreja de Jerusalém, começou com o governo democrático porque já o praticava na


Igreja ambulante que acompanhava o Divino Mestre. Os apóstolos viviam em regime de pares
interpares. Jesus condenou neles qualquer hierarquia (Mt 23.8-12 e 20.25-28).

Exemplos Bíblicos de Democracia:


1 ° Exemplo - At Cap. 1
a) Resolveram obedecer as Escrituras preenchendo a vaga deixada por Judas Iscariotes (v. 21);
b) Estabelecendo o critério para a escolha (v. 23);
c) Apresentaram dois candidatos (v. 23)
d) Pediram a direção do céu para resolverem a pendência (v. 24.25);
e) Voltaram (v. 26 ) ou lançaram sorte; quem votou? a resposta se acha em At 1.15-16. Pedro se
dirigiu aos "Irmãos" do v. 16 e não apenas a um homem, ou um grupo.

2° Exemplo - At. cap. 6


a) Surgiu na Igreja de Jerusalém um problema (v.1);
b) Os apóstolos convocaram a COMUNIDADE dos discípulos, vale dizer toda a igreja (v. 2);
c) Estabeleceram o critério para a escolha ( v. 3 );
d) A COMUNIDADE, toda a igreja e não um chefe, e elegeu os sete diáconos ( v. 5 ). Governo
democrático.

3° Exemplo - At. cap. 8


a) Felipe, um dos sete diáconos de Atos 6, agora evangelista ( At 21.8 ), anunciou o evangelho em
Samaria. Os samaritanos se converteram e Filipe os batizou em água;
b) Os apóstolos que estavam em Jerusalém ouviram que os samaritanos receberam a Palavra de
Deus;
c) Enviaram para Samaria Pedro e João ( v. 14);
d) Pedro e João não foram de moto próprio a Samaria; pelo contrário, foram enviados (portanto não
eram ditadores) logo, estavam subordinados à autoridade da Igreja. "O primeiro papa..." cumpriu
ordens da igreja.

4° Exemplo - At Cap. 11
a) Judeus helenistas pregaram o Evangelho também aos gentios (v. 20);
b) Os gentios se converteram (v. 20);
c) Formou-se, em Antioquia da Síria, uma poderosa igreja (v. 20);
d) O trabalho cresceu (v. 21) ; e a igreja em Jerusalém, ouviu do trabalho em Antioquia e ENVIOU-
LHE BARNABÉ (v. 22). A Igreja enviou e não um grupo, logo governo democrático.

5° Exemplo - At cap. 13
a) A igreja de Antioquia da Síria, por ordem do Espírito Santo (vs. 1-3) enviou Paulo e Barnabé a
pregar o Evangelho entre as nações;
b) Pregaram entre muitos povos a Palavra do Senhor (At 13 e 14 );
c) Ao voltarem a Antioquia, prestaram minucioso relatório de suas atividades à Igreja de Antioquia,
que os enviara. (14.26-28);
d) O mesmo fez Paulo, ao retornar de sua segunda viagem missionária ( At 18.22-23). Democracia.

6° Exemplo - Atos 10
ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 20
a) Atos 10 narra a direção do Espírito Santo para Cornélio ir ter com Pedro, e para Pedro atender ao
chamado de Cornélio.
b) O que Pedro fez, chegou ao conhecimento da igreja em Jerusalém (At 11.1);
c) Pedro narrou com pormenores o que se passou em casa de Cornélio e como o Espírito Santo
aprovou tudo, do mesmo modo que fez com os judeus no dia de Pentecostes.
d) A Igreja ouviu atentamente o relatório de Pedro, e glorificou a Deus, pela oportunidade de
salvação que deu aos gentios. O episódio retraia claramente um regime democrático.

7° Exemplo - Atos 14
a) Paulo e Barnabé, na primeira viagem missionária, anunciaram o Evangelho na Ásia Proconsular
(At 13 e 14);
b) Na ida, anunciaram a Palavra publicamente ao povo e muita gente se converteu ao Senhor;
c) Retorno, em cada lugar onde proclamaram o Evangelho, reuniram os convertidos, organizaram a
igreja, elegeram presbíteros ( ou Pastor ou bispo );
d) Atos 14.23 diz: "e promovendo-lhes em cada igreja a ELEIÇÃO de presbíteros; Paulo ou a igreja?
Se fosse Paulo, mesmo incluindo Barnabé, não seria ELEIÇÃO, mas escolha. E o que diz a Bíblia:
escolha ou eleição? Eleição.
Então foi a igreja quem elegeu, logo um governo democrático.
Os exemplos citados acima, nos levam a conclusão, pelas Escrituras citadas, que em Igrejas do Novo
Testamento, praticava-se o regime democrático.

As Bases bíblicas do governo congregacional


A Escritura está cheia de provas que as igrejas são autônomas, soberanas e democráticas. Governam
a si mesmas.
a) Na eleição dos diáconos - A congregação dos crentes foi convocada e por voto livre dos crentes
escolheu os sete diáconos, At 6.1-7.
b) Na escolha dos pastores - At 14.23. Vemos Paulo orientando as novas Igrejas a elegerem seus
próprios pastores dentre os seus membros.
c) Pela Palavra de Cristo - Que considerou a igreja como último tribunal de apelação no caso de
disciplina: (Mt 18.17,18) e a quem entregou as chaves para ligar e desligar no Céu e na Terra.
d) Pelo Exemplo dos Apóstolos - Que tratavam as igrejas como entidades independentes. Eram
enviados pelas igrejas (At 13); e apresentavam relatórios às mesmas (At 15); instruíam as igrejas a
eleger diáconos At 6; e pastores (At 14.23). Os apóstolos exortavam, orientavam, mas cada igreja
decidiam seus negócios. A decisão final no Concílio de Jerusalém coube a Igreja, At 15.22.
e) Pelo conceito de corpo - A idéia da Igreja como Corpo de Cristo revela que todos os membros tem
suas funções, todos são honrados. Estão unidos, em obediência ao comando central do Cabeça da
igreja, I Co 12. Assim, a Igreja decide sob o comando de Cristo.
f) Pelo valor do indivíduo - O crente é um membro do corpo de Cristo, Filho de Deus, Embaixador
de Cristo, templo do Espírito Santo. Portanto, é apto e pode participar do governo da Igreja.
g) A Palavra Igreja na Septuaginta - Os 72 sábios traduziram o vocábulo hebraico Cahal, por
EKLESIA, no sentido de congregação, ajuntamento, quando todo o povo comparecia diante de
Deus.
h) Pelo uso do termo no NT - Os apóstolos eram judeus bilingües. Falavam, liam e escreviam grego.
E o vocábulo que nós conhecemos por IGREJA era usado em toda parte para descrever assembléia
populares das Cidades Gregas. Esta idéia é essencial.
l) O uso do termo igrejas no plural - Isso indica também sua natureza Congregacional. Bem como
quando nomeia a Igreja de acordo com a localidade, a Igreja de Jerusalém, a Igreja de Antioquia,
revela também autonomia das Igrejas.
J) O sacerdócio de todos os crentes - Esta foi uma das ênfases principais da Reforma
Protestante: cada crente é seu próprio sacerdote Ap 1.6; I Pe 2.4. Este privilégio e dever exigem
relações diretas com o Senhor Jesus e proíbem qualquer forma de governo ou de ministério
hierárquico que queira interromper esta relação.
L) O Espírito fala diretamente as igrejas - O Espírito Santo em endereça as Epístolas e
ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 21
Cristo as Mensagens de Apocalipse diretamente às Igrejas, I Co 1.2; I Ts 5.27; At 15.30. "Quem tem
ouvidos para ouvir, ouça o que o Espírito diz às Igrejas" é a tônica das sete cartas às sete Igrejas da
Ásia.
m) O corpo é maior que os membros - Até mesmo dos membros mais destacados. Os mais
destacados oficiais da cristandade, foram colocados pela Igreja, mandados pela igreja, deram
relatórios às igrejas, exceto os apóstolos, que foram previamente designados por Cristo, nos dias da
sua carne, At 15.2,23,26; 13.2; 14.2; II Co 8.9.
n) O exemplo atual das nações - Uma visão do mundo político atual revela que as nações mais
desenvolvidas são democráticas. A nação mais rica e poderosa, onde existem mais crentes no
mundo, é a maior democracia do planeta: Os Estados Unidos. Portanto, democracia, é princípio
bíblico. Deus criou o homem livre, deu-lhe livre arbítrio, respeita sua liberdade. E onde se respira
mais liberdade, há mais progresso e segurança.

O testemunho da História - Veremos agora o desenvolvimento histórico da estrutura


organizacional das Igrejas, fazendo assim uma combinação de escriturístico, prático e histórico do
governo da igreja.

a) - Primeiro Século - Todos os grandes historiadores são unânimes em afirmar a autonomia das
igrejas nesse período. Morshein, famoso historiador Luterano, diz a respeito do l Século: "Naqueles
tempos primitivos, cada Igreja era composta do povo, dos oficiais presidentes e dos assistentes ou
diáconos. A voz principal pertencia o povo, ou seja, a todo o grupo de Cristãos. A respeito do II
Século, ele acrescenta "Durante grande parte desse século, as igrejas continuavam, como no
princípio, independentes umas das outras. Cada Igreja era uma espécie de pequena república
independente, governando-se por suas próprias leis, baixadas ou pelo menos sancionada pelo
povo".

b) - De Inácio até Constantino (106-325 D.C.) - A característica principal deste período foi o
aumento da autoridade do bispo. No início, o bispo era líder entre iguais. Ficava no mesmo Pe. de
igualdade com os outros membros. No fim do período, ele já decide quem pode tornar-se membro
da Igreja. A idéia de uma igreja universal tomou forma no decorrer deste período. O conceito da
Igreja Católica (Universal) começou a apagar a idéia da igreja local. Tertuliano da África foi um forte
expoente dessa idéia. A definição mais exata se deve a Cipriano, no ano 251 D.C. Os sínodos e
concílios do III Século concretizaram a idéia de uma igreja apenas no mundo. A necessidade de
cooperação resultou na convocação de sínodos, que evoluíram, transformando-se em conselhos
poderosos. O Edito de Milão em 313 D.C. Fim da perseguição à Igreja pelo Estado. Laços estreitos se
desenvolveram entre a Igreja e o Estado num prazo de 10 anos. Assim, o Estado começou a ter
grande influência sobre a Igreja, ao ponto do Imperador Constantino convocar e presidir o l Concílio
Ecumênico, o de Nicéia, em 325 D.C. Foi um concílio de bispos.

c) - Do Concílio de Nicéia a Gregório (325- 590 D.C.) - O assunto principal de Nicéia foi a
Cristologia, mas o concílio estabeleceu certas regras para o governo das Igrejas. Foi estabelecido o
princípio de um grupo pequeno legislar por todos os membros das igrejas.
O patriarcado surgiu nesse período e se tornou poderoso. Os bispos de Igrejas em cidades maiores
tomaram a si o título de bispos metropolitanos. Havia quatro cidades de suam importância por
serem quatro capitais das províncias do Império Romano eram:
Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Roma. Jerusalém foi incluída por causa dos lugares
sagrados.
No fim desse período o bispo de Roma assumiu a liderança e o papado começou a nascer. Sua
vitória se deve:
1 - A tradição que ligou Pedro e Paulo a Roma;
2 - A interpretação lançada por Leão l, de Pedro como pedra em Mt. 16.18.
3 - Ao fato de Roma ser a única capital Ocidental das cinco.
4 - A mudança da capital do Império para Constantinopla, deixando o patriarca de Roma como
ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 22
autoridade máxima de todo o Oeste.

d) - De Gregório l a Gregório Vll ( 590-1054) - Durante essa época de trevas a Igreja conseguiu
aumentar sua autoridade. Isso se deve, em primeiro lugar, a expansão territorial. A Igreja fez muitos
novos adeptos. Não é que houvesse conversões, mas submissão às idéias de Roma. Povos inteiros,
como bárbaros e britânicos, foram simplesmente anexado à Igreja. O segundo fator foi a expansão
política. A Igreja conseguiu restabelecer o santo Império romano através dos francos. Começando
com Pepino, o Breve, e Carlos Magno, o conceito Igreja-Estado alcançou novas perspectivas.
Hideibrando (Gregório Vll) toma para si poderes da Igreja e do Estado. O papa possui poderes
iguais a dos poderes civis e superiores de qualquer eclesiástico. Foi durante este período que a Igreja
Oriental (Ortodoxa) separou-se de Roma. Não concordando com a posição Papal. Esta divisão criou
duas igrejas católicas, cada uma insistindo em ser "a única Igreja Católica e Apostólica". A Igreja
Oriental (Grega Ortodoxa) possui quatro patriarcas como suas autoridades.

e) - De Gregório Vll até a Reforma - O apogeu do papado ocorreu nesse período. O papa se
considerava superior a todo a autoridade do mundo. Houve uma identificação absoluta da Igreja
com o papa. É possível neste período descrever a história da Igreja Romana, descrevendo seus
papas.
As ordens Monásticas contribuíram para o poderio do papa. No início, seu zelo e piedade
os tornaram missionários. Infelizmente, seus votos os ligaram ao papa, prejudicando seu
trabalho.
Nesse período também multiplicaram-se os grupos que rebelavam contra as heresias romanas e a
política papal.
Em 1517 o monge Martinho Lutero pregou, na porta da Igreja de Wittemberg, suas 95 teses contra as
indulgências, nascera a Reforma Protestante. É mister lembrar que Lutero discordava de certas
idéias da Igreja Romana (doutrinas), mas não com todas as "heresias".

O Desenvolvimento da Reforma até o presente - A Igreja Romana lançou o movimento da Contra


Reforma, valendo-se da Ordem dos Jesuítas, da Inquisição e do Concílio de Trento, para combater a
reforma. O Concílio de Trento confirmou a tradição e a autoridade do papa. Quatro formas de
política ou governo de Igreja apareceram nessa época são: luterana, presbiteriana, anglicana e
congregacional.

a) A Luterana - Adaptou-se ao sistema Igreja-Estado. O Estado tem voz ativa no governo da Igreja.
Na Alemanha, o Estado paga os superintendentes da Igreja. Em outros países, o governo indica os
bispos. A política Luterana modifica-se em países como o Brasil, mas favorece a relação Igreja X
Estado.

b) A Presbiteriana - Este movimento está identificado com Calvino. O termo Igreja é sinônimo de
Denominação. O seu governo é representativo. O povo elege os presbíteros. Estes governam as
igrejas locais. Acima dos presbíteros estão os Concílios e os Sínodos.

c) A Anglicana - Considera a igreja como parte do domínio político. O Soberano do Estado e o


parlamento dirigem à Igreja, mais dois arcebispos promulgam leis para a Igreja. O governo indica
os bispos. Fora da Inglaterra a Igreja Episcopal mistura seu governo com o presbiteriano.

d) A Congregacional: Este conceito não surgiu da Reforma. É o governo das igrejas primitivas que
foi preservado por várias seitas através da idade média. Sua política reconhece a igreja como
congregação local. Não há hierarquia de pastores ou bispos. Não há assembléias que governam por
representação. Cada Igreja local resolve seus próprios problemas. Ela é a autoridade máxima. É
responsável somente a Cristo. Os Batistas se identificam com os congregacionais quanto ao governo.
A Igreja é superior a qualquer associação, convenção estadual ou nacional e Aliança mundial. A
ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 23
posição Batista de separação entre a Igreja e o Estado garante a liberdade da Igreja e a do crente em
Jesus. Devemos lembrar que esta é sempre uma posição histórica, não teológica. A aquisição de
poder político sempre corrompeu a Igreja nas páginas da História.

A condenação do governo ditatorial - As Igrejas do N não admitiam a idéia do governo imperativo


ou imperial do pastor. Não há vislumbre disso no NT.
a) - A condenação de Cristo - Certa vez os apóstolos iniciaram uma discussão sobre qual deles era o
maior, ( Mc 9.33-37). E a resposta do Mestre foi: "Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o
derradeiro de todos e servo de todos. De outra vez, os filhos de Zebedeu queriam assentar um à sua
direita, e outro à sua esquerda, ao que Ele respondeu: "... qualquer que entre vós quiser ser o
primeiro que seja o vosso serviçal; bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para
servir e dar a Sua Vida em resgate de muitos" Mt 20.17-28. Em Lc 22.24-26 Cristo proibiu que seus
ministros imitassem o exemplo imperial dos Reis e Governantes da terra.

b) - Pastores e diáconos são servos - Esta é a tônica do NT. Os ministros da igreja e a palavra
ministro, também significa servo. Há diversas palavras traduzidas por servo no NT - O servo
voluntário, o empregado assalariado e o escravo e todos os três significados se aplicam ao ministério
na Igreja.

c) - O Exemplo de Paulo - Paulo, o Apóstolo; o Profeta; o Evangelista; o Doutor dos Gentios, deixou-
nos esse exemplo: "Pois não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo como Senhor e a nós mesmos
como vossos, por Amor de Jesus, ll Co 4.5. Se este espírito desaparecer do ministério, aí das igrejas e
da causa de Cristo. Quando os líderes querem assumir a posição de senhorio do povo, voltamos
para a Idade das Trevas, na imitação do papado. Vejam outro testemunho de Paulo em At 20.24.

d) - A Exortação de Pedro - Falando aos pastores em geral, Pedro adverte: "Aos presbíteros que
estão entre vós, admoesto eu, presbítero também com eles, e testemunha das aflições de Cristo e
participante da glória que há de revelar Apascentai o Rebanho de Deus, que está entre vós, tendo
cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto;
nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho. E, quando
aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa de Glória. I Pe 5.1-4.

e) - Obedecei a vossos guias - É o texto mais usado pelos pastores imperiais. Note a expressão
"Guia". O pastor comanda pelo exemplo. Ele vai na frente e o povo segue, as ovelhas devem ser
guiadas e não empurradas. A obediência ensinada em Hb 13.17 está na esfera espiritual, na qual
"velam por vossas almas". A autoridade de pastor está na sua pregação e na sua vida exemplar.

f) - A Democracia preserva a Igreja de falsos líderes - sob a Autocracia e a Oligarquia os males


ficam facilmente intricheirados. Sob a Democracia não. O povo pode se rebelar contra abusos de
liderança e livrar-se de obreiros iníquos.

A Reforma protestante despertou a democracia - A reforma do século XVI é um dos maiores


eventos da história. Ela assinala o fim da Idade Média e o princípio dos tempos modernos. Ela deu
um poderoso impulso ao progresso do mundo civilizado. O Catolicismo e o Protestantismo
representam dois tipos distintos de Cristianismo. O Catolicismo é legalista e dominou as nações
barbaras da Idade Média, sob severa disciplina. O protestantismo é o cristianismo evangélico
correspondente a era da independência do governo humano. O Catolicismo é tradicional,
hierárquico, e progressista. O Catolicismo é governado pelo princípio da autoridade. O
Protestantismo é governado pelo princípio da liberdade. Há três princípios básico da Reforma:
• A supremacia das Escrituras sobre as tradições.
• A supremacia da fé sobre as obras.
• A supremacia do povo sobre um sacerdócio exclusivo

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Pensamento Contemporâneo - O Dr. Myer Pearlman, famoso teólogo e historiador da Assembléia
de Deus, defende a mesma idéia em seu livro "Conhecendo as doutrinas da Bíblia", Pags. 225 e 226.
Ele diz: " Nos dias primitivos... cada Igreja Local era autônoma e administrava seus próprios
negócios em liberdade... nos séculos primitivos as Igrejas locais, embora nunca lhes faltasse o
sentimento de pertencerem a um só corpo, eram comunidades independentes e com governo
próprio, que mantinham relações uma com as outras, não por uma organização política que reunisse
todas elas, mas por comunhão fraternal."

Formas De Governo Da Igreja (Resumo)


1. Monárquico Papa Episcopal - Bispos e auxiliares
2. Oligarquia - Pequeno Grupo
3. Democrático - Governo da Igreja ( do povo )
4. Teocrático - Governo Sacerdotal ( Deus + Governo )

As Funções Do Governo
São três funções : Legislativa, Executiva e Judicial.
1. Legislativa : A função legislativa nas Igrejas, pertencem somente a JESUS CRISTO e a sua
legislação esta constituída no NT.
2. Executiva : ( executar as leis ) - A função executiva é exercida pelo Pastor e/ou Líder, que
investido pela autoridade que a Igreja lhe outorgou, realiza todos os atos oficiais.
3. Judicial: (julgamento das leis ) - A função judicial é competência da igreja. É ela que está com toda
a autoridade para admitir e demitir membros, julgar e punir as faltas, bem como adotar toda e
qualquer medida disciplinar. ( Mt 16.19 ); ( Mt 18.18).

Autoridade Da Igreja
Jesus Cristo
A fonte da autoridade cristã é o Senhor Jesus Cristo. Sua soberania emana de eterna divindade e
poder - como o unigênito filho do Deus Supremo.

As Escrituras
A Bíblia fala com autoridade porque é a Palavra de Deus. É a suprema regra de fé e prática porque é
testemunha fidedigna e inspirada dos atos maravilhosos de Deus através da revelação de si mesmo.
As Escrituras revelam a mente de Cristo e ensinam o significado de seu domínio.

O Espírito Santo
O Espírito Santo é a presença ativa de Deus no mundo e, particularmente na experiência humana. O
Espírito Santo é a voz da autoridade divina. Ele convence o homem do pecado, da justiça e do juízo,
tornando assim efetiva a salvação individual, através da obra salvadora de Cristo. Ele da aos cristãos
poder e autoridade para o trabalho do reino e santifica e preserva os redimidos, para louvor de
Cristo.

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UNIDADE III
O CORPO ECLESIAL

...............................................................

“Eu sou o pão vivo, o que desceu do Céu: se alguém comer deste pão, viverá eternamente; e o pão que Eu
hei-de dar é a minha carne, pela vida do mundo”.

..............................................................

OFICIAIS DA IGREJA

Constitui-se, basicamente de dois ofícios: Bispos, Presbíteros, Pastor e Diácono. No Novo


Testamento encontramos três títulos que expressam o Ministério Pastoral. Não são três categorias de
oficiais, como algumas denominações ensinam. Os títulos expressam, sim, idéias bíblicas do
Ministério é suas funções. O texto de Aios 20.17-28 é bom claro: "Cuidai... de todo o rebanho (Ofício
Pastoral), sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu Bispos, para apascentardes (exercer o
pastorado) a Igreja de Deus". Escrevendo a Timóteo, Paulo acentua a consagração de um Pastor é
feita pela imposição das mãos do "Presbítero" (I Tm 4.14 ). Na carta a Tito, Paulo, orientando-o sobre
a consagração de Presbíteros, chama-os de bispos (Tito 1.5-7). Estes textos e outras provam
sobejamente esta verdade: Há três títulos, porém um só oficio.

Presbítero - ( Termo de Dignidade )


É o ancião. Sempre os anciãos mereceram respeito em virtude de suas experiências da vida. Não só
respeito, mas honra também. O termo ocorre em Atos 11.30 ; Tiago 5.14. Os juizes e os conselheiros
eram escolhidos entre pessoas que tivessem grandes experiências na vida. Por isso, os anciãos,
diante do acervo de suas experiências eram convocadas para servirem como juizes e conselheiros.
Os anciãos, diante de suas vivências com o ambiente, com os problemas, com a história, estão mais
capacitados para aconselhar, para ajuizar. Este termo, consoante o notável Dr. Taylor, indica a
dignidade do ofício, enquanto que bispo indica a função. Vide textos: At 14.23; At 15.2,4,6,22,23; At
16.4; At 20.17; At 21.18; I Tm 5.17,19; Tito 1.5; I Pe 5.1. Na primeira viagem Missionária, Paulo e
Barnabé , ordenara, presbíteros (At 14.21-23). Deveriam ser homens de certa idade, firmes na fé,
inabaláveis no Amor e constantes na Obra do Senhor. O plural em At 14.23 indica que havia mais de
um. Foram eleitos pelas igrejas. Estes homens desempenharam funções pastorais na Palavra de
Deus, na realização de Batismos, na celebração da ceia do Senhor e tudo mais.

Bispo - ( Termo de superintendência )


É o administrador, o curador. O termo vem do grupo episkopos. ( At 20.28 ); (Fp 1.1 ); (Tm 3.2 ); ( Tt
1.7 ). O termo indica uma função e não um ofício. O trabalho específico de um Pastor dotado de
visão administrativa. Ele não faz o trabalho, mas organiza, providencia tudo e depois supervisiona.
Não se encontra no Novo Testamento o uso do vocábulo BISPO no sentido de um oficial eclesiástico
que tenha autoridade sobre os outros Ministros do Evangelho. O Bispo como Pastor tem a
responsabilidade de ver que o serviço seja bem feito.

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Pastor ( termo de ternura )
O nome mais antigo é o de presbítero, mas o que mais se arraigou é o de Pastor, embora ocorra
apenas uma vez, nas epístolas do Novo Testamento , com a significação que conhecemos, é em
Efésios 4.11.

a) Jesus é o sumo Pastor das ovelhas ( Hb 13.20 ) e é descrito por Pedro como o "Pastor e Bispos" de
nossas almas (I Pe 2.25 ).

b) Jesus declarou que ele é o "Bom Pastor" ( Jo 10.11 ).

c) Todas as referências feitas a Cristo como Pastor mostram que Ele tem um afeio, um cuidado
especial pelas ovelhas.

d) A função de apascentar, de pastorear, exige ternura, afetividade, renúncia e amor.

e) Quando Cristo perguntou a Pedro, após a negação, se ele o amava realmente e após este o ter
confirmado, Jesus lhe ordenou: "Apascenta as minha ovelhas" ( Jo 21.16 ).

f) Cremos que por ser o povo Judeu um povo pastoril, a figura do guia espiritual como um pastor
calhava melhor. O Salmo 23 é um atestado de que o povo preferia esta figura. Os profetas Isaias
(40.11 ) e Ezequiel ( 37.24 ) falar do pastor que apascentaria o rebanho . Essa idéia, então, foi a que
predominou. Mas o obreiro do Senhor, na sua missão, realiza as funções de Presbítero, de Bispos e
de Pastor.

g) Ele deve agir como um presbítero criterioso, dando sábios conselhos, tornando-se respeitado e
mostrando a dignidade do cargo que ocupa como bispo, ele preside os trabalhos, as reuniões,
organiza e supervisiona tudo, pois ele é o superintendente de todos os trabalhos de sua igreja. Como
pastor ele apascenta o rebanho, preparando-lhe pastagens verdejantes ( sermões espirituais ) e
guiando-o a águas tranqüilas, proporcionando-lhes um ambiente espiritual, agradável e alegre.

Portanto, temos três palavras, perfeitamente sinônimas para descrever o mesmo oficio, ou função
pastoral:
a) Em ( Atos 20.17 ) Paulo recebe os pastores de Éfeso no Porto de Mileto. Nessa Escritura os
homens são chamados de Presbíteros. No verso 28 de Atos 20, o mesmo grupo, as mesmas pessoas,
são chamadas de Bispos.

b) Em (I Tm 3 ), Paulo alinha instruções dos que aspiram o episcopado, idênticas às de Tito Capítulo
1, onde aparece a Palavra "Presbítero". Conclusão: São uma e a mesma coisa as funções de
"presbítero" e "bispo".

c) Em I Tm 5.17, o termo usado é "presbítero". A versão revista e atualizada diz "merecedores de


dobrada honra" ; a linguagem de hoje, porém, traduz: "Merecem pagamento em dobro"; a de
Jerusalém: "Dignos de dupla remuneração. O presbítero, que também é "pastor", que também é
"bispo" recebe salário do rebanho que apascenta, enquanto que os presbíteros calvinistas nada
recebem.

d) Tito 1.5 emprega o termo "presbítero" e logo no verso 7 aparece "bispo", de onde se conclui que
são sinônimos.

e) Em Filipenses 1.1 Paulo arrola os dois únicos oficiais bíblicos da Igreja : "Bispos" e "Diáconos" .
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Bispo, na terminologia Romanista, Anglicana, Metodista é sempre singular, ao passo que em Filipos
é empregado o plural, exatamente como em Atos 11.30 referente a presbíteros. Logo, "bispo" do
Novo Testamento não tem função hierárquica, mas está em Pe. de igualdade com "pastor" e
"presbíteros ".

f) Pedro era apóstolo, portanto "pastor" , e no entanto, se chama "Presbíteros (Pastores I Pe 5.1,2 ):
"Pastoreai o rebanho..."

g) João, apesar de ser apóstolo, preferiu chamar-se " o presbítero ", porque realmente expressou o
que ele era - um pastor (II Jo 1).

h) No Novo Testamento o presbítero tem a função pastoral, principalmente na pregação da Palavra


e no ensino, como se declara em I Tm 5.17.

i) Atos 15.2,4,6,22,23 e 16:4 destaca de modo inconfundível a função pastoral do "Presbítero" em Pe


de igualdade com os apóstolos, que outra, não é, senão pastor. Outra função pastoral do "presbítero"
aparece em Tiago 5.14 . Dentre as qualidades exigidas, por Paulo, de um presbítero ( Tito 1.9 ), está a
de "tenha poder assim para exortar pelo Reto ensino como para convencer os que contradizem". E
na de I Tm 3.2 está a de "apto para ensinar". O pastor é ordenado por uma Igreja, após ser
examinado por um concílio, para servir ao Ministério da Palavra. Sua investidura é vitalícia, a
menos que a igreja que o ordenou lhe casse as prerrogativas, em virtude de faltas graves ( heresias,
apostasia, adultério, etc).

j) Em At 20.17-28, Paulo fala aos presbíteros e diz-lhes "Olhai por vós e por todo o rebanho sobre o
qual o Espírito Santo vos constituiu bispos para pastoreardes a igreja de Deus, que Ele resgatou com
o seu próprio sangue". A um mesmo grupo de oficiais Paulo chama a Presbíteros (At. 20.17) Bispos
(At 20.28) e Pastores.

l) Por que ser mais usado o termo Pastor ? - Primeiro, porque é também um termo bíblico carinhoso
para com o guia do Rebanho ( Jr 3.15; Ez 34.12; Jo 10.11; Ef 4.19). E depois , porque os termos bispos
e presbíteros se depreciaram. Bispo passou a ser um oficial superior aos pastores em algumas
denominações. E presbítero, tomou-se um oficial inferior ao pastor em outras.

AS ORDENANÇAS DA IGREJA
São duas : O Batismo e a Ceia
O Cristianismo no Novo Testamento não é uma religião ritualista; a essência do cristianismo é o
contato direto do homem com Deus através do Espírito Santo. Portanto não há uma ordem de
adoração dogmática e inflexível, antes permitindo à igreja, em todos os tempos e países, a liberdade
de adotar o método que lhe seja mais adequado, para expressão de sua fé. Não obstante, há duas
cerimônias que são essenciais, por serem divinamente ordenada, a saber: O Batismo nas águas (Mt
28.19) e a Ceia do Senhor, (Mt 26.26-30); (I Co 11.24-25).
O Batismo é a confirmação da fé em Jesus Cristo e a Ceia é a confirmação da comunhão com Cristo.
O Batismo é administrado apenas uma vez, enquanto que a ceia é ministrada freqüentemente.
O Batismo e a Ceia não são sacramentos , conforme é ensinado pela Igreja Católica. No Novo
Testamento não temos sacramento e muito menos veículo de graça (ensinado por Calvino), o que
temos isto sim, são as ordenanças do Senhor Jesus: O Batismo e a Ceia do Senhor.

O Batismo
O Batismo é a primeira ordenança do Senhor Jesus, (Mt 28.19).

O Modo." (Imersão)
a) A palavra Batismo no grego é Baptismo. Não foi traduzida, mas transliterada. Aparece na forma
de verbo e de outras categorias gramaticais. O infinitivo Baptizein significa imergir, mergulhar.
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b) Existe outro vocábulo do grego para batismo é Rantizo, que significa aspergir. Em referência ao
batismo, o grego nunca usa Rantizo, mas Baptismo. Portanto, batismo é imersão, mergulho.
c) Exemplos Bíblicos de Batismo por imersão :

1) O Batismo de Jesus (Mt 3.3-17) - João Batista realizava batismo no Jordão. Jesus chegou para ser
batizado por João. O verso 16 diz que "Jesus saiu logo da água". Se saiu é porque entrou. E entrou
para que : Para receber gotas de água na cabeça? Claro que não. O texto diz que Ele foi Baptizado,
portanto Imerso.

2) O Batismo dos três mil convertidos no dia de Pentecostes (At 2.41) dia que os três mil
convertidos no dia de pentecostes foram baptizados, portanto imersos.

3) O Batismo do Eunuco Etíope (At 8.36-39) O texto registra que esse homem abastado e
importante, caravaneava pelo deserto, certamente levando em seu carro muita água, mas somente
ao encontrar um lugar com muita água, mandou parar o carro, desceu com Felipe e foi balizado,
portanto imerso.

4) O Batismo de Paulo (At 9.8) - O texto relata a conversão maravilhosa de Saulo, e três dia após, o
seu batismo por Ananias.

5) O Batismo feito por João Batista (Jo 3.23) - O batismo de arrependimento feito por João Batista
era por imersão, razão porque ele procurava onde houvesse muita água. Não podemos imaginar
João Batista procurando o Jordão, simplesmente para derramar água sobre a cabeça dos seus
discípulos.

Fica portanto claro e fora de qualquer dúvida, pela Bíblia, que Batismo é imersão, porque a palavra
Batismo significa imersão.
d) Testemunho de várias autoridades sobre o significado do Batismo .

Reformadores
Lutero - Traduziu Baptismo por TAUFFEN, mergulhar ( Bíblia alemã de Augsburgo), (1.473 -1.478).

João Calvino - Pelas palavras de João (cap. 3.23, comentários sobre João calvino), pode-se inferir que
o batismo era ministrado por João Calvino, mediante mergulho de corpo inteiro na água.

Historiadores
Fischer - "O modo ordinário de batismo era por imersão"(história da Igreja p. 41).
Outros
1 - Enciclopédia e Dicionário Internacional, que teve como colaborador o Padre Júlio Maria, assim
declara: "Até o século XIV, os pintores representavam o batismo de Jesus por imersão" (vol. 2 p.
1990).
2- Tertuliano, Cipriano, o Dr. l. A Schot (1.839), todos traduziram do grego para o latim (Baptizem-
imergir).
3- William Carev, traduziu a Bíblia para diversas línguas da Índia - Em todas traduziu Baptizo por
imersão.
4- A Septuaginta , no caso de Naamã, diz que foi batizado no Jordão, e mergulhou sete vezes.

A fórmula do Batismo -( em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo). (Mt 28.19).


Durante muitos séculos não houve dúvidas sobre a fórmula do batismo em nome da Trindade.
Porém, surgiu uma corrente remanescente do unitarismo, que negava a Trindade, e começou a
pregar o batismo em nome de Jesus.
a) At 2.38 - em nome do Senhor Jesus Cristo.
b) Em At 8.16 - em nome do Senhor Jesus.
ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 29
E porque realizavam batismos em nome da Trindade e nos registros de Atos aparece "em nome do
Senhor Jesus"? Para distinguir de outros batismos da época do Novo Testamento:
1) O Batismo do Prosélito
2) O Batismo dos Essênios
3) O Batismo de João

Quem deve ser Batizado


A ordem é do Senhor Jesus (Mc 16.16): "Quem crer e for balizado". Não importa a idade (6,7,8,9,10
ou 12 anos), desde que possa exercer a fé.
a) Não temos na Bíblia textos em que aparecem crianças para serem batizadas.
b) Todos quantos acorreram ao batismo de João Batista (Mt. 3:2-6), davam prova de arrependimento
e confessavam seus pecados, logo eram adultos e não crianças.
c) O Próprio Jesus ao ser batizado tinha 30 anos (Lc. 3:23).
d) Portanto, só deve ser balizado quem nasceu do Espírito Santo, e foi convertido ao Senhor Jesus.
e) A ordem do Novo Testamento é primeiro a conversão, o novo nascimento e depois o batismo e
nunca o inverso. Os apóstolos de Jesus foram batizados depois de convertidos;
Os três mil do pentecostes também obedeceram a mesma ordem: conversão e depois o batismo;
Paulo : conversão e depois o batismo.

Quem deve realizar o batismo


O batismo deve ser realizado pela Igreja e ministrado por pessoas investidas de autoridade da
Igreja, para tal, de preferência o Pastor.
a) João Batista batizou o Senhor Jesus, e Jesus a ninguém batizou (Jo 4.2); E quem balizou João?
Recebeu uma ordem , uma comissão direta de Deus (Jo 1.33);
b) Quem teria batizado os três mil do dia de Pentecostes? Sem dúvida alguma os 12 apóstolos.
c) Felipe batizou os Samaritanos convertidos, (At 8.12), e o Eunuco (At 8.38).
d) Ananias batizou a Paulo (At 9.18).
e) Paulo e Barnabé batizaram os convertidos das viagens missionárias de Paulo, juntamente com
Silas, Lucas e Timóteo.

A Eficácia ( Para que serve o Batismo)


O Batismo na águas, em si não tem poder para salvar: as pessoas são batizadas, não para serem
salvas, mas porque já são salvas.
a) O Batismo é uma ordenança do Senhor Jesus. Ele mesmo deu-nos o exemplo, e se submeteu ao
batismo, embora não tivesse pecado (Rm 6).
b) No batismo temos o simbolismo de perfeita união com Cristo, tanto na morte, como na
ressurreição. O corpo de pecado em nós , foi destruído, não servimos mais ao pecado como outrora,
morremos com Cristo, estamos justificados do pecado e com Cristo fomos ressuscitados.
c) Portanto, o batismo é o primeiro ato público de um cristão sincero e obediente.
d) Quem diz que o batismo salva está laborando em grande erro. O batismo é um grande símbolo.
Ele é necessário para darmos um testemunho público de nossa fé. Há na Bíblia, entretanto, muitos
exemplos de pessoas que foram salvas sem o receberem:

Exemplos:

Zaqueu - ( Lc 19.9 ) "Hoje veio salvação a esta casa".

O Ladrão convertido na cruz ( Mt 27.44)

A Mulher pecadora (Lc 7.48-50) "..A tua fé te salvou".

O Significado ( morte, sepultamento / Ressurreição)


O Apóstolo Paulo descreve o significado do Batismo: Morte, sepultamento e ressurreição.
ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 30
a) O batismo simboliza a Morte para o mundo, sepultura com Cristo e com Ele fomos crucificados
(Gl 6.14), nada temos com o mundo e nem o mundo conosco. Não existo para o mundo e o mundo
não existe para mim. Aquele momento em que o Filho de Deus foi pregado no madeiro e morreu
por mim, eu morri com Ele. E isso me une ao Senhor, me identifica com Ele e possibilita o mundo
ver Cristo em min, como viu em Pedro e João (At 4.13) e em Estevão (At 6.15).
b) E não somente morto, mas com Ele Sepultado (Rm. 6:4). Quando somos mergulhados nas águas
do batismo, esse ato simboliza nossa sepultura com o Senhor. Isso vale dizer desaparecermos para o
mundo. O mundo não nos verá mais. Passamos para o Reino do Senhor. "Não vivo mais eu, mais
Cristo vive em mm" (GI 2.20).
c) E como Jesus não foi retido pela morte na sepultara, mas ressuscitou, também somos levantados
das águas no símbolo de uma gloriosa Ressurreição da vida. Isso significa que nascemos no Reino
de Jesus, que estamos vivos, que andamos em novidade de vida, com novo vocabulário de vida.

Ceia do Senhor
É a segunda ordenança do Senhor.

Textos Bíblicos : O Registro da Instituição da Ceia, acha-se em Mt 26.26-30; Mc 14.22-25; Lc 22.17-20


e I Co 11.23-26

Instituição da Ceia:
Quem instituiu a Ceia foi o Senhor Jesus, como Paulo diz em I Co 11.23 "Na noite em que foi traído".
Com o pão, com o vinho e com Imperativos: 1) "Tomai e Comei ", 2) "Bebei dele todos". Esses
imperativos partem da autoridade de Jesus e expressam que a Ceia é uma ordenança de Jesus.

Nomes dados a Ceia


a) Pelos Homens
Santa Ceia
Sacramento
Comunhão

b) Pela Bíblia
Ceia
Ceia do Senhor ( porque é Dele e por Ele foi ordenada )
Ceia Memorial ( porque recorda o pão, o Corpo do Senhor pregado na cruz em nosso lugar, e no
vinho o sangue de Jesus ).

Significado da Ceia.Temos pelo menos quatro escolas de interpretação da ceia:

a) Transubstanciação: ( da Igreja Romana ) - O pão e o vinho nas mãos do sacerdote, se transforma


em Corpo e Sangue do Senhor Jesus.

b) Consubstanciação: ( É de Lutero ). O pão é mesmo pão, e o vinho é vinho mesmo, mas uma vez
consagrados, e o fiel os tomando, de alguma maneira eles se transformam em Jesus, o Filho de Deus.

c) Graça Inerente - ( De Calvino ). O pão é mesmo, o vinho é vinho mesmo, mas ao comermos esses
elementos, recebemos uma "certa Graça".

d) Memorial - ( Do Senhor Jesus ). Em Lc 22 e I Co 11, a ordem do Senhor Jesus é "Fazei isto em


memória de mim ". No pão recordamos o Corpo do Senhor partido no madeiro, e no vinho, o
sangue de Jesus vertido na cruz em nosso lugar.

Os dois Elementos da Ceia


O pão e o vinho - Em Mt 26.26, referindo-se ao pão, Jesus ordenou: "Tomai e comei" o imperativo
ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 31
plural foi dirigido a todos os que estavam presentes naquela ceia. E, em Mt 26.27, refere-se ao cálice,
o senhor Jesus ordenou: "Bebei dele todos". E Marcos 14.23 conclui: "e todos beberam dele". Na
igreja Romana, somente o Sacerdote toma o cálice, em flagrante desobediência a expressa Palavra do
Senhor Jesus.

Quando foi instituída a Ceia


O Judeu contava o tempo de um pôr do sol ao outro; hoje seria como é em Israel hoje ou seja de 18 a
18 horas. Jesus comeu a Páscoa e a seguir instituiu a ceia memorial, mais ou menos às 20 horas, para
o Judeu já novo dia, portanto, sexta feira e para nós ainda quinta feira, pela nossa contagem do
tempo que vai de zero hora até 24 h.

Onde Jesus instituiu a Ceia


Foi na cidade de Jerusalém , provavelmente no Monte Sião. Jesus estava em Betânia e encarregou
Pedro e João de prepararem a Páscoa (Lc 22.08) e deu-lhes as devidas instruções (Lc 22.9-11). A casa
deveria ser de um amigo do mestre, provavelmente um discípulo. Era um espaçoso cenáculo. Neste
refeitório Jesus comeu a páscoa com os discípulos e instituiu a Ceia do Senhor. No mesmo recinto,
após a ressurreição, Jesus se encontra duas vezes com os apóstolos (Jo 20.19-26 ). Sabemos por Atos
1.13 que os 120 discípulos se reuniram nesse recinto esperando o pentecostes.

Quem pode tomar a Ceia


O Senhor Jesus tomou a primeira Ceia com os onze apóstolos , conforme Jo 13.30. Há pelo menos
três posições sobre quem pode tomar a ceia do Senhor.

a) - Ceia Livre - Segundo esta posição todo crente evangélico realmente convertido e que está em
comunhão com sua Igreja , ( seja qual for a sua denominação, desde que seja genuinamente
evangélica ), pode tomar a ceia.

b) - Ceia Restrita - Somente os que pertencem a denominação evangélica, pode tomar.

c) - Ceia Ultra Restrita - A ceia é servida exclusivamente aos membros da Igreja celebrante . A
celebração da ceia é feita a portas fechadas e num horário especial. Portanto, a ceia deve ser livre. A
mesa é do Senhor. E é o Senhor quem determina quem deve Tomá-la .

Com que propósito instituiu a Ceia


Em I Co 11.23-26 o Apóstolo Paulo apresenta o glorioso propósito da instituição da ceia: Não é por
exemplo, para comemorar a sua glória, nem o seu nascimento, nem a sua ressurreição, nem o seu
poder ou milagres, mas a sua morte . "Pois todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este
cálice, anunciais a morte do Senhor até que ele venha". (I Co 11.26 ). Na ceia do Senhor
comemoramos , através do "pão" e do "vinho", a Morte do Senhor até que ele venha. Na ceia do
Senhor comemos , através do "pão" e do "vinho" as duas vindas do senhor : a primeira quando o
verbo se fez carne e habitou entre nós (Jo 1.14); e a segunda será no arrebatamento, quando virá
buscar a Igreja ( I Ts 4 .3-18).
- Portanto, sempre que uma igreja se reúne para celebrar a Ceia Memorial está anunciando a Morte
do Senhor, e também sua volta iminente.

Como celebrar a "Ceia do Senhor"

Quando realizá-la? Não temos determinações. A Bíblia não diz a quantidade de vezes em que pode
ser realizada. Verificamos que os cristãos do Novo Testamento a comemoravam com freqüência.
Plínio, governador da Bitínia, escrevendo, refere-se ao costume dos cristãos de celebrarem a ceia.
Mas não temos uma norma estabelecida sobre de quanto em quanto tempo devemos realiza-la . Por
isso alguns sugerem que seja mensal, outras a fazem de três em três meses.

ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 32


Preliminares - Várias providência devem ser tomadas antes do ato:
O pão e o vinho devem ser comprados com certa antecedência. Igreja há em que à última hora está
o diácono procurando aqui e ali encontrar alguns dos elementos citados para a realização da Ceia.
O vinho deve ser o suco de uva. Em alguns lugares adotam outro tipo, mas é preferível esforçar-se
para adotar o suco de uva, pois foi o vinho de uva que Cristo usou. Quanto ao pão, alguns preferem
que seja sem levedura. É difícil encontrá-lo. Se puder ser achado facilmente será melhor. Não sendo
encontrado, não vemos mal em usar do outro. É verdade que os judeus usavam os pães ázimos. Mas
eram para a Páscoa.

DIFERENÇAS ENTRE A PÁSCOA E A CEIA DO SENHOR


A ceia do Senhor não ficou em lugar da páscoa, mas nasceu durante uma celebração da ceia pascal.

A Ceia do senhor foi instituída pelo Senhor Jesus, na noite de 15 de Nisâ, da quinta para a sexta feira
da Semana da Páscoa.

O Senhor usou para a instituição da Ceia Memorial dois elementos da Ceia Pascal: APHIKOMEM (
bolo asmo ) e o quarto cálice - o da bênção.

Jesus instituiu a Ceia Memorial com onze Apóstolos. Judas se retirara durante a Ceia da Páscoa. (Jo
13.30).

A Páscoa era do Antigo Testamento, a Ceia do Novo Testamento.

A Páscoa uma festa judaica, a Ceia uma ordenança de Jesus.

ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 33


UNIDADE IV
A CEIA DO SENHOR

...............................................................

"Fazei isto em memória de mim”,

..............................................................

QUE TIPO DE PÃO DEVERÁ SER USADO NA CEIA DO SENHOR?

Algumas igrejas insistem em usar pão sem fermento na Ceia do Senhor, enquanto outras usam
pão fermentado comum. Qual prática é a correta, de acordo com as Escrituras? Somente pão sem
fermento deverá ser usado na Ceia do Senhor, por duas razões: Este é o que Jesus usou, e Este é o
símbolo apropriado para o sacrifício perfeito de Jesus. Consideremos a evidência bíblica apoiando
estas duas razões. Pão sem fermento é o que Jesus usou. Os relatos nos Evangelhos (Mt 26.17-30; Mc
14.12-26; Lc 22.7-23) tornam claro que Jesus comeu a Ceia do Senhor com os apóstolos durante os
Dias dos Pães Asmos (sem fermento). Durante esta festa, que se originou quando os israelitas
estavam preparando para sair de sua servidão no Egito, o consumo de fermento era
terminantemente proibido (Ex 12.15). Não há dúvida de que o pão que Jesus usou na primeira Ceia
do Senhor não era fermentado. Isto, por si só, é razão suficiente para se usar somente pão sem
fermento na Ceia do Senhor, pois os verdadeiros discípulos de Cristo sempre procuram seguir seu
exemplo e instrução (I Co 11.1; Cl 3.17). O pão sem fermento é o símbolo apropriado para o sacrifício
perfeito de Jesus. No Velho Testamento, o fermento simbolizava a impureza que não poderia ser
oferecida a Deus. Além da proibição do fermento durante os Dias dos Pães Asmos, a Lei de Moisés
proibiu o uso de fermento em qualquer sacrifício ao Senhor (Lv 2.11). O fermento é usado, no Novo
Testamento, para representar a falsa doutrina (Mt 16.5-12) e a corrupção moral (I Co 5.1-8). Deus não
aceita tal impureza nos sacrifícios oferecidos a ele. Para ser um sacrifício aceitável, Jesus teve que ser
sem fermento (I Co 5.7), isto é, sem pecado (I Pe 2.21-25). O sacrifício sem fermento de Jesus nos
ajuda a apreciar a importância da pureza em nossas vidas. O fermento da imoralidade tem que ser
retirado de uma igreja local pela expulsão dos pecadores impenitentes (I Co 5.1-13). Para participar
da comunhão com Cristo e para ser um sacrifício aceitável por ele, temos que evitar o fermento da
idolatria e do mundanismo (I Co 10.14-16; Rm 12.1-2).

RECORDAÇÃO
Eis um fato surpreendente: Nós estávamos em pior escravidão do que a de Israel no Egito ou dos
judeus na Babilônia. Nós fomos libertados dessa escravidão pelo precioso sangue de Cristo.
Certamente nunca nos esqueceremos disto! Mesmo assim temos que ser lembrados da nossa
salvação. O Senhor conhecia o nosso coração fraco e ingrato, por isso Ele providenciou um meio
para nos ajudar a lembrar dEle. Ele amou os Seus, os doze discípulos, e todos os que por eles viriam
a crer. Na noite antes de ser crucificado, Ele estabeleceu a Ceia do Senhor. "Fazei isto em memória de
mim”, disse Jesus em Lucas 22.19. Anos mais tarde o Apóstolo Paulo citou estas palavras. O
Apóstolo estava assim lembrando aos cristãos gentios este mandamento do Senhor, I Coríntios
11.24-25. Desde então e até agora, aqueles que amam o Senhor têm-se reunido à volta de uma mesa
ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 34
com o pão e o vinho. Eles têm recordado o Senhor em casas com portas fechadas, em cavernas, em
grandes igrejas. Eles têm-se lembrado dEle em tempos de paz ou de perigo. Eles têm-se lembrado
dEle em todos os países e têm-No louvado em todas as grandes línguas do mundo. As palavras do
Senhor são as mesmas agora "Fazei isto em memória de mim”. Estamos nós obedecendo a Ele?
Notemos primeiramente que:

É Uma Recordação
Não é um sentimento caloroso que nós temos de vez em quando. É uma ação do querer. E a
obediência a uma ordem. É algo que nós fazemos num determinado lugar e a uma determinada
hora. Para o cristão não é uma escolha, é um dever. Nós encontramos este mandamento nos
Evangelhos e nas Epistolas de Paulo. Também temos o exemplo da Igreja primitiva, "E
perseveravam... no partir do pão...”, Atos 2.42. Em Atos 20.7 nós lemos que a Igreja primitiva se reunia
no primeiro dia da semana para celebrar a Ceia. Era o seu costume reunir-se uma vez por semana
para celebrar a Ceia do Senhor. Nesta reunião eles davam as suas ofertas conforme podiam, I
Coríntios 16.1-2. Nós lembramos o Senhor porque Ele quer e pede que o façamos. É por isso que
muitas vezes a palavra "ordenança" ou mandamento é usada em referência à Ceia do Senhor. Eis os
nomes usados em referência a esta maneira especial de lembrar o Senhor:

A Ceia do Senhor — I Corintios 11.20. Este nome é simples e claro e é o favorito de muitos crentes;

A Mesa do Senhor — I Corintios 10.21;

A Comunhão — I Corintios 10.16;

O Partir do Pão - Atos 2.42; 20.7;

A Eucaristia — Esta palavra não é secreta, nem pertence a um grupo especial da cristandade. Ela
quer dizer "ação de graças". Uma das coisas importantes é que o Senhor deu graças pelo pão e pelo
vinho, ciente do fato que eles representavam a Sua morte. Mais tarde Ele orou e disse: “Pai, se queres,
passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e, sim, a Tua”, Lucas 22.42. Sim, o Senhor
agradeceu pela oportunidade de oferecer o Seu corpo. Ele sabia que significava o derramamento do
Seu sangue para a nossa salvação. Esta palavra encontra-se no Novo Testamento grego em Mateus
26.27; I Coríntios 14.16.

O Sacramento — Esta palavra também é usada para o ato de lembrar o Senhor. Ela vem do latim
sacramentus. Isto era o juramento que o soldado romano fazia quando ele jurava ser leal ao
Imperador. E nós também devemos ser fieis ao Senhor. Sacramento é uma palavra boa quando usada
neste sentido, referindo-se à Ceia do Senhor. Mas infelizmente esta palavra tem recebido outro
significado. Ela sugere um ato o qual é creditado a quem o pratica. Ela também é incluída em certas
cerimônias em algumas igrejas para abençoar aqueles que são fiéis. A Ceia do Senhor não é mais
um ato de obediência por amor do Salvador. Ela perde o seu valor
quando nós esperamos receber crédito por fazê-la.

A Missa — Esta palavra vem do latim missa a qual quer dizer despedir, dar licença. O sacerdote
(padre) diz "Ite missa est", ao fim da Eucaristia. Isto quer dizer: "Vão, vocês têm licença". O
dicionário nos diz que "a missa é um sacrifício sem sangue onde na substância do pão e do vinho, o
sacerdote (o padre) oferece ao Pai o corpo e a sangue de Jesus Cristo". A palavra missa não é
encontrada na Bíblia e não há razão para chamar à missa um sacrifício: Na realidade a Bíblia ensina-
nos que Cristo foi oferecido "uma vez por todas", Hebreus 9:26; 10:12. Outra coisa é que ouvindo a
missa e celebrando a missa, separa os cristãos em dois grupos, o povo e o clero. Nós não queremos
discutir a esse respeito. Nós simplesmente deixaremos aqueles que usam a missa, achar base bíblica
para ela.

ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 35


É UMA RECORDAÇÃO VISÍVEL
Como o Senhor nos conhece tão bem! Ele ensina-nos a lembrar dEle de uma maneira que vem ao
encontro das nossas fraquezas. Ele sabe que nós gostamos de ver e apalpar as coisas. Nós somos
como Tomé que disse: "Se eu não vir... e ali não puser o meu dedo, e não puser a minha mão...”, João 20.25.
Nós não devíamos pensar que Tome foi um tolo porque duvidou. As suas palavras bem podem ser
as de um cristão pedindo ajuda para a sua fé através dos sentidos. O Senhor conhece a nossa
necessidade e por isso Ele nos deu objetos palpáveis. Através da história, Deus tem usado sinais os
quais podiam ser vistos. Eis alguns deles: “Porei nas nuvens o meu arco...” Gênesis 9.13. A Páscoa era
uma festa anual que lembrava os judeus de como eles foram libertos do Egito e do Anjo da Morte.
Na Páscoa, pão e carne eram comidos e os eventos daquela noite eram lembrados. Os cuidados do
Senhor sobre eles, como nação, demonstrados. A Festa dos Tabernáculos foi outra recordação
visível, Levítico 23.33-36; Deuteronômio 16.13-15; Neemias 8.14-17. Esta era para lhes lembrar dos
anos que eles passaram no deserto a caminho da Terra Prometida. Pedras foram tomadas do rio
Jordão para formar um monumento, Josué 4.1-9. Isto era uma recordação silenciosa daquilo que
Deus havia feito. A Ceia do Senhor é uma recordação que nós podemos ver. É por isso que nós
devemos obedecer ao Senhor e fazer exatamente como Ele fez e mantê-la simples. Durante centenas
de anos Satanás tem atacado o Evangelho e a graça de Deus. Ele também tem tentado estragar ou
apagar as lindas lições sobre o Batismo e a Ceia do Senhor. É triste reconhecer que os esforços de
Satanás têm tido sucesso. Em muitas igrejas hoje, o batismo não é realmente uma figura de
sepultura e ressurreição com Cristo. Em vez disso, água é derramada sobre a cabeça de um bebe,
que é muito novo para saber o que está acontecendo, ou para crer em Cristo. Ele não pode saber ou
lembrar-se de coisa alguma do seu batismo. A Ceia do Senhor também tem sido danificada por
aqueles que louvam o pão e o vinho em si. O pão e o vinho perdem o seu significado porque eles
estão misturados em muitas cerimônias executadas por sacerdotes com vestimentas magníficas.
Estas não ajudam nem os olhos nem a mente. Sejamos cuidadosos em não fazer nem mais nem
menos do que aquilo que está escrito. Em algumas igrejas em vez de usarem um pão inteiro, usam
biscoitos ou mesmo o pão partido em pedaços. Em vez de usarem um cálice, usam cálices
individuais. São dadas muitas razões para justificar esta troca mas elas podem destruir a figura dos
dois objetos que o Senhor escolheu. Deus exige obediência e Ele é zeloso até nos pormenores. Leia
Êxodo 17.1-7 e Números 20.2-13. Que castigo severo Moisés recebeu por ter ferido a rocha quando
devia ter apenas falado a ela! O que é o pão e o vinho que nós vemos na mesa? Eles são objetos
usados para nos dar uma lição. E apenas isto. "Isto é o meu corpo...". Não quer dizer que seja mesmo
o corpo. Se você mostrar uma foto e disser que é a sua mãe, ninguém vai pensar que aquela pequena
foto é realmente a sua mãe. Vamos respeitar as liberdades de uma língua. A Bíblia usa palavras com
a mesma liberdade que nós usamos. A nossa conversa está cheia de exemplos. Nós não gostaríamos
se tivéssemos que fazer tudo ao pé da letra como falamos. O argumento de que o Senhor é o pão é
uma tolice, porque o Senhor disse: "Isto é o meu corpo..." enquanto Ele ainda estava vivo. O pão e o
vinho são figuras, e nada mais. Mas sejamos cuidadosos para que este ato permaneça de maneira
que não seja apenas um hábito.

É Uma Recordação Que Dá Força


Eu creio na realidade da presença de Cristo na Ceia do Senhor. Não a presença física, na forma do
pão e do vinho, mas a presença espiritual no meio do Seu povo. A Sua presença não deixa de ser
real por ser espiritual, Mateus 18.20. Aquele que desfruta da presença do Senhor revela algo da Sua
glória em seu rosto. O seu coração é alegrado e vai servir ao Senhor com novas forças. Visto que esta
recordação nos fortalece, com que freqüência devemos celebrar a Ceia do Senhor? Se procurarmos a
palavra "dever" não a encontramos. O Novo Testamento não exige isto. Apenas temos um pedido
gentil: "Fazei isto em memória de mim... Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice,
anunciais a morte do Senhor...” I Corintios 11.24-26. A Bíblia não diz que devemos fazer isto todas as
semanas ou todos os meses ou mesmo em certos dias. Nós temos o exemplo dos apóstolos, no
ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 36
primeiro dia da semana, Atos 2.42, 20.7. Também aquele que ama o Senhor certamente obedecerá no
máximo e não no mínimo. Em vez de perguntar "Com que freqüência devemos?" vamos perguntar
"Com que freqüência queremos lembrar o nosso Senhor?" A resposta nos dará uma idéia de quanto
nós O amamos. Alguns dizem que celebrando a Ceia com muita freqüência toma-se um ato muito
vulgar. Dizem eles que ela perde o seu propósito. Isto é possível se a celebramos de uma maneira
fria e casual, mas não se a celebramos de uma maneira sincera e em amor. Eis um exemplo.
Exemplos não são provas mas podem nos ajudar a pensar de uma maneira mais clara. Imagine um
rapaz que ama uma certa moça. Estar com ela é um prazer para ele. CUIDADO! Se ele a visitar com
muita freqüência pode tomar-se num hábito vazio? Alguém diz que ele deve limitar as suas visitas a
meia hora, uma vez em cada seis meses. O que acha? Isto é razoável? Domingo, o primeiro dia da
semana, muitas vezes é chamado "O dia do Senhor". Em muitos países, como no nosso, o nome
significa exatamente isso. É o dia da ressurreição e é um bom dia para o povo do Senhor se reunir
para se lembrar dEle. Se nós já sabemos quão agradável é celebrar a Ceia do Senhor no dia do
Senhor todas as semanas, certamente que não ficaremos satisfeitos em celebrá-la com menos
freqüência.

É Uma Recordação Pessoal


Esta lembrança foi iniciada na noite em que Judas traiu o Senhor Jesus por trinta moedas de prata.
Mas nós também sabemos que Ele Se entregou a Ele mesmo. Paulo escreve, "...que me amou e a Si
mesmo Se entregou por mim...". Esta recordação lembra-nos que na história temos provas da nossa fé.
Nós podemos localizar a obra de Cristo num lugar e numa data. Não estamos apenas recordando a
idéias, pensamentos ou princípios, mas sim fatos e um conhecimento pessoal. Nós recordamos o
fato que Deus veio em carne. Nunca devemos esquecer que a fé cristã não é baseada em
pensamentos, alvos ou princípios, mas tem um fundamento histórico. Mas ela é mais do que
história. O Senhor não nós pede para lembrar uma data um lugar, ou mesmo a Sua morte. Ele disse:
"Fazei isto em memória de Mim". Esta parte pessoal é de muita importância na fé cristã. Por
exemplo, nós não devemos convidar o pecador a vir ate à cruz, mas sim a Cristo. Ele diz: "Vinde a
MIM todos os que estais cansados...”, Mateus 11.28; "...se alguém tem sede, venha a MIM e beba”,
João 7.37; "...fazei isso em memória de Mim”, Lucas 22.19.

É Uma Recordação Espiritual


Não é simplesmente uma cerimônia. Ela exige que usemos as nossas mentes, a nossa vontade e os
nossos sentimentos. Quando nos recordamos dEle não ficamos só nisto. Os nossos corações são
levados a adorá-Lo. O Pai procura aqueles que sabem adorá-Lo em espírito e em verdade, João 4.23-
24. Os nossos corações deviam mais uma vez entregar-se completamente Aquele que deu a Sua vida
por nós. É triste quando um cristão nunca sente o seu coração palpitar, ou uma lágrima correr-lhe
pelo rosto, quando pensa no preço pago pelo seu Salvador! Esta recordação é um acontecimento
espiritual que deve tocar todo o nosso ser. Se não for assim nós podemos ser culpados do corpo e do
sangue do Senhor, por ter tomado o pão e o vinho indignamente, I Coríntios 11.27-28. Muitos
cristãos não compreendem a palavra "Indignamente". Eles se sentem indignos, e são. Como também
somos todos nós. Deus sabe disso melhor do que nós. Mas a palavra não é "indigno" mas sim
"indignamente". Há muita diferença entre as duas palavras Se não nos vemos SEM VALOR, então
estamos recordando dEle indignamente. É só pela graça de Deus e pelo valor de Cristo que
podemos entrar na presença de Deus. Podemos ver um exemplo disto numa história que se conta de
um servo do Senhor na Escócia. Dr. Duncan estava na Ceia do Senhor um domingo, quando ele
percebeu que uma certa senhora não tomou parte do pão. Ela estava chorando de vergonha pelos
seus pecados. Quando o cálice passou, ela recusou tomar parte outra vez e, mais uma vez baixou a
cabeça chorando. Dr. Duncan era compreensivo e conhecia o caso dela, por isso ele tomou o cálice e
aproximandose dela com voz bondosa e amorosa disse-lhe: "Tome, irmã, é para pecadores!" É assim
que nós devemos tomar parte na Ceia do Senhor. É para pecadores. Essa é a maneira única e correta
de tomar parte da Ceia do Senhor.

ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 37


ALIANÇA
O princípio da Ceia do Senhor é mencionado quatro vezes. Em cada uma das vezes, a palavra
"Testamento" ou "Aliança" é usada: "...o sangue da nova aliança...", Mateus 26.27-28. Marcos, Lucas e I
Coríntios dizem a mesma coisa.

A Natureza da Aliança
É uma nova aliança. Isto nos mostra que ela é diferente da anterior, mas que ainda é uma aliança.
Algumas coisas são iguais nas duas alianças, e as duas alianças foram feitas pelo mesmo Deus. Deus
fez várias alianças com o homem, mas em Galatas e em Hebreus a nova aliança é comparada com a
aliança feita com Abraão. Esta aliança foi confirmada diversas vezes durante a vida de Abraão. Ela
foi feita outra vez na Páscoa, e também no monte Sinai, e mais tarde quando os israelitas estavam na
terra de Canaã. A diferença entre a nova e a velha aliança não é somente a diferença entre a Lei e a
Graça. Havia graça na aliança que Deus fez com Abraão e Israel. A diferença está nas pessoas que
Deus usou para essas alianças. A primeira aliança foi feita através de Moisés, a quem Deus deu a
Lei, Galatas 3.19; mas a pessoa da nova aliança é muito maior que Moisés — Cristo. Nós vemos isto
em João 1.14, "...glória como do unigênito do Pai”. A nova aliança é feita através de uma pessoa melhor
e tem melhores promessas, Hebreus 8.6, 7. Nós devemos lembrar-nos que a Ceia do Senhor foi
introduzida primeiramente durante a Páscoa. Professores da Bíblia não estão todos de acordo de
quando ela começou. Uns dizem que foi depois de terminada a Festa da Páscoa, outros pensam que
foi durante a festa, isto é, foi entre o segundo e o terceiro cálice (havia quatro cálices durante a festa
da Páscoa). O terceiro cálice é chamado de "Cálice da Benção" e Paulo usa estas palavras quando ele
ensina a respeito da Ceia do Senhor em I Coríntios 10.16. A Páscoa era algo familiar e era realizada
em casa e não no Templo. Era o pai da família que dirigia esta cerimônia e não o sacerdote. No início
da festa da Páscoa, o mais novo da família perguntava: "Qual é o significado da Páscoa?" A resposta
seria a história da escravidão no Egito, a morte do cordeiro, o sangue aspergido nas ombreiras e na
verga da porta, e o povo saindo do Egito para ir a Canaã. Este aspecto familiar da lembrança da
Páscoa podia e devia ser parte da Ceia do Senhor. É melhor do que uma adoração fria e formal.

O Selo da Aliança
As velhas alianças eram seladas com sangue. Hoje nós fazemos de uma maneira diferente. Duas
pessoas encontram-se perante um Juiz, acompanhadas dos seus advogados e assinam os
documentos. As testemunhas fazem o mesmo. Em Gênesis 15, Deus fez aliança com Abraão. Deus
prometeu-lhe a terra em que ele peregrinava. Abraão perguntou-lhe: "Senhor Deus, como saberei
que hei de possuí-la?" Isto é a mesma coisa que alguém pedir uma declaração de posse de uma
propriedade. Deus disse: "Toma-me uma novilha, uma cabra, e um cordeiro... uma rola e um
pombinho". Abraão teve que cortar os animais em dois, mas as aves não. Quando o sol se punha.
Deus passou entre as partes dos animais como uma chama de fogo. Foi assim que Deus fez a aliança
com Abraão. Oferecendo o sacrifício o sangue foi derramado, e isto confirmou a Abraão que Deus
cumpriria a Sua promessa. O sangue foi derramado quando a Páscoa foi observada no Egito e nos
muitos sacrifícios no monte Sinai. Isto formou a velha aliança. O sangue de Cristo autentica a nova
aliança que nós recordamos na Ceia do Senhor. É correto falar da morte de Cristo, mas as palavras
"morte" e "sangue" não são inteiramente as mesmas. O sangue sugere muito mais que morte. O
sangue fala de sacrifício, de aliança e de garantia.

A Responsabilidade do Testemunho
Nós devemos nos lembrar que o ato de comer pão com alguém era algo muito importante para o
homem do Médio Oriente. Comer com uma pessoa significava que você se comprometia a cuidar e
proteger aquela pessoa. Este mesmo costume existia entre os índios norte-americanos. Comer com
outra pessoa era o mesmo que prometer nunca pisar ou ser infiel a essa pessoa. Então comer juntos
significava fazer uma aliança com essa pessoa. Quando o Senhor nos convida para a Sua mesa, Ele
ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 38
realmente está dizendo: "Comam, bebam, pois ao faze-lo vós fazeis uma aliança Comigo". Quão
mau foi Judas ter entregue o Senhor aos Seus inimigos! Lembremo-nos que ele comeu muitas vezes
com o Senhor. Isto é mencionado no Salmo 41.9, "Até o meu amigo íntimo... que comia do meu pão,
levantou contra mim o calcanhar”. (Veja Mateus 26.23-24; Marcos 14.20,21; Lucas 22.21,22; João 13.18;
17.12) O mal que Judas fez tornou-se ainda mais odioso, porque ele entregou. Aquele com quem ele
havia partido o pão. Mesmo antes de ele praticar aquele ato tão repugnante, o Senhor ofereceu-lhe
pão e parece que ele o aceitou. Nós aceitamos uma grande responsabilidade todas as vezes que
comemos O pão e bebemos o cálice na Mesa do Senhor. Nós prometemos ser fieis Àquele que nos
ama e a quem devemos servir. Nós vimos isto na primeira parte deste livrinho, quando estudamos a
palavra "Sacramento". Lembremo-nos disto quando tomarmos a Ceia do Senhor.

O Prazer da Aliança
A Ceia do Senhor é uma refeição, uma refeição alegre. Compartilhar um mantimento tem sido
sempre um sinal de amizade, alegria e amor. O Ágape é uma refeição em homenagem a alguém, e a
palavra ágape em grego significa amor. Uma festa é uma demonstração de alegria. Nós damos uma
festa quando temos um aniversário ou terminamos o nosso curso escolar. Quando temos um
casamento, nós temos uma festa de casamento. Há algo de especial nisto. Comer juntos significa
comunhão. Em alguns sacrifícios do Velho Testamento, as pessoas que traziam o sacrifício comiam
parte do sacrifício na presença do Senhor, Levítico 7.11-15; Deuteronômio 12.5-17. E assim também é
quando comemos o pão na Ceia do Senhor. Nós não nos reunimos somente para ver o pão. Nós não
o adoramos. Não acendemos velas ao pão. Nós o comemos. É o mesmo com o cálice, nós bebemos
dele. Isto é o prazer da aliança. A festa de recordação é uma festa alegre. Ela deve ser jubilosa ainda
que seja com reverência. É uma vergonha que os cristãos não revelem nem um pouco de alegria no
Senhor em seus rostos! Há alguns versículos em João 6 que muitas vezes são usados em referência à
Ceia do Senhor. São usados erradamente, pois não é esse o significado deles:

"Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem, e não
beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a
vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu
sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu
nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também
viverá por mim”, João 6.53-57.

Que significa isto? Vamos refletir sobre estes versículos. Quando se come e bebe o resultado é:
Vida (vs. 53,54). Esta é aqui mencionada com dois sentidos.
Comunhão (v. 56). Permanência.
Força (v. 57). Viverá.
Nós obtemos estas mesmas coisas quando cremos em Cristo e Sua palavra. "...aquele que crê em
mim tem a vida eterna”, João 6:47. Comunhão e força são vistos em João 15.5-7 na figura da videira e
os seus ramos. A fé dá-nos a certeza e esta conduz à comunhão e ao fruto. Mas a melhor maneira de
entendermos estes versículos difíceis é comparando-os com versículo 35 do mesmo capítulo,
“Declarou-lhes pois, Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a mim, jamais terá fome; e o que crê em
mim, jamais terá sede”. Todos sabemos que: Comer elimina a fome, e beber elimina a sede. Em João
6.35, vemos que: Vir a Ele elimina a fome, e crer Nele elimina a sede. Então podemos dizer que:

COMER—VIR

BEBER—CRER

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COMUNHÃO
Nós já mencionamos outro nome que a Bíblia dá à Ceia do Senhor: Comunhão, I Coríntios 10.16.
Primeiro nós gostaríamos de comentar as duas ordenanças cristãs, o batismo e a Ceia do Senhor.
Vamos compará-las e também ver os contrastes. Estas duas ordenanças têm significado por causa da
morte do Senhor Jesus. "Ou porventura, ignorais que todos os que foram batizados em Cristo Jesus, fomos
batizados na sua morte?” Romanos 6:3. "Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice,
anunciais a morte do Senhor, até que Ele venha”, I Coríntios 11.26. Todas as vezes que nós obedecemos a
esta ordem do Senhor, nós anunciamos ao mundo as principais verdades do Evangelho, I Coríntios
15.3,4. O batismo fala da união com Cristo, de ser um com Ele na morte e ressurreição. Nós
obedecemos a este mandamento somente uma vez, o mais cedo possível depois de aceitar a Cristo.
Mas a Ceia do Senhor é um mandamento que nós obedecemos freqüentemente. Ela fala-nos da
comunhão com Cristo e com os uma só vez e à Ceia do Senhor freqüentemente. A união com Cristo
é permanente e segura. O cristão não tem que mantê-la. Isto é um trabalho do Senhor. Comunhão é
diferente, ela corre sempre o perigo de ser quebrada e depende parcialmente do cristão. Nós temos
que trabalhar diariamente para manter esta comunhão com Cristo e com o Seu povo. É por isso que
nós somos batizados só uma vez e tomamos a Ceia do Senhor freqüentemente. Nós lemos que os
discípulos do primeiro século continuavam a reunir-se com os outros cristãos na Ceia do Senhor.
Agora vamos estudar o uso da palavra comunhão no Novo Testamento. Não vai ser um estudo
completo, mas somente uma vista geral. Espero que seja uma ajuda para compreender esta palavra.
"Fiel é Deus, pelo qual fostes chamado à comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor”, I Coríntios 1.9.
“Se há, pois, alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão do Espírito, se há
entranhados afetos e misericórdia...”, Filipenses 2.1. "A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a
comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós", II Corintios 13.13. O Apóstolo João usa esta palavra
freqüentemente: "... para que... mantenhais comunhão conosco. Ora nossa comunhão é com o Pai e com Seu
Filho Jesus Cristo... Se dissermos que mantemos comunhão com Ele, e andarmos nas trevas, mentimos... Se,
porém andarmos na luz como Ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros...” I João 1.3,6,7. Estes
versículos, juntamente com muitos outros, ensinam-nos que comunhão significa compartilharmos
das bênçãos de Deus em Cristo Jesus nosso Senhor. Nós também vemos, de uma maneira especial,
que comunhão é um trabalho do Espírito Santo. A palavra "KOINONIA" significa comunhão; esta
palavra não é encontrada na Bíblia senão depois da vinda do Espírito Santo. Nós lemos em Atos
capítulo dois que o Espírito Santo veio e depois começamos a ver esta palavra ser usada. Em I
Coríntios 12.13, nós lemos que todos fomos batizados em um só corpo pelo Espírito Santo. Este
corpo é a Igreja. Nós podemos chamar à Igreja "Comunhão do Espírito Santo". A Ceia do Senhor é
chamada a comunhão do corpo de Cristo e a comunhão do sangue de Cristo, I Coríntios 10.16. É por
esta razão que nós dizemos que a Ceia do Senhor é uma comunhão.

É Uma Atividade da Igreja


Este é um mandamento ao qual não podemos obedecer isolados, ou a sós. Foi dado à Igreja e só
pode ser observado pela Igreja. Temos que nos reunir para celebrar a Ceia do Senhor.

Em Atos 2.44 lemos que: "Todos os creram estavam juntos...”. “No primeiro dia da semana, estando nós
reunidos com o fim de partir o pão...", Atos 20.7. Para corrigir os santos Paulo escreve: "... porquanto vos
ajuntais, não para melhor; e, sim, para pior”, I Coríntios 11.17. "Quando, pois, vos reunis no mesmo lugar...”
versículo 20. Nos versículos 33 e 34 nós lemos: "... quando vos reunis..." e "... não vos reunirdes para
juízo...". A Ceia do Senhor é um símbolo de comunhão. Ela só pode ser celebrada quando os crentes
se reúnem. Ela é uma atividade da Igreja. É necessário que toda a Igreja se reúna. Outro aspecto
deste assunto é a disciplina na Igreja local. Isto é intimamente ligado com a Ceia do Senhor. Vamos
usar duas passagens bíblicas as quais falam deste assunto. Em 1 Coríntios 5 Paulo corrige a Igreja
em Corinto por permitir e esconder um pecado muito serio de um dos crentes. Ele diz no verso três:
"Eu na verdade, ainda que, ausente em pessoa, mas presente em espírito, já sentenciei, como se estivesse
ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 40
presente, que o autor de tal infâmia seja...”. Mais tarde ele diz-lhes que devem tirar esta pessoa da
comunhão da Igreja e entregá-la nas mãos de Satanás. Isto é para a punir na esperança de que isto
faça com que ela reconheça o seu pecado. Esta é a passagem principal relacionada com o assunto de
disciplina na Igreja local. Todo o ser humano está do lado de Cristo ou de Satanás. Não importa o
que dizemos, mas o que mostramos pelas nossas ações. Paulo diz que uma pessoa que não vive de
uma maneira que prove que ela pertence a Cristo, esta pessoa deve ser retirada de comunhão. Isto é
para que o mundo veja que a Igreja de Deus é sagrada e também para mostrar que o espírito será
salvo quando o Senhor Jesus voltar, se aquela pessoa, pecadora, era realmente um, ou uma crente.
Em II Tessalonicenses 3.6 nós lemos: "Nós vos ordenamos, irmãos, em nome do Senhor Jesus Cristo, que
vos aparteis de todo irmão que ande desordenadamente, e não segundo a tradição que de nós recebeste". Mais
uma vez a pessoa aqui mencionada é um irmão, portanto a disciplina deve ser aplicada à Igreja
local. Se a comunhão fosse apenas entre um crente e o seu Senhor, nós não estaríamos falando a
respeito de disciplina. Mas a comunhão é também entre os crentes que formam a Igreja local. Vamos
manter a nossa comunhão com o Senhor mas não vamos esquecer de manter a comunhão com os
nossos irmãos. A Ceia do Senhor ajuda-nos a praticar as duas coisas.

Ela Descreve a Igreja Local


A palavra comunhão mostra-nos que todos os membros de uma Igreja local que participam da Ceia
do Senhor, são iguais. O Senhor disse que somos diante de um altar. A maneira que os bancos ou
cadeira são arrumadas é importante. A melhor maneira é aquela que demonstra que há igualdade
em todos os que participam da Ceia do Senhor: Algumas vezes há lugares designados para os que
vão "dirigir" a Ceia, mas isto nega uma verdade muito importante. Nós não precisamos de um
sacerdote ou de um pastor para podermos celebrar a Ceia do Senhor. Quando Paulo escreveu a
respeito da Ceia do Senhor, nunca usou a palavra "sacerdote" em nenhuma das suas epístolas. Se ele
escreveu o livro de Hebreus, ele usa esta palavra mas somente referindo-se a Cristo. Pedro usa esta
palavra mas somente para ensinar que todos os cristãos são sacerdotes. Nós todos somos um
sacerdócio santo e real, homens, mulheres, TODOS nós! I Pedro 2.5,9. Não há um grupo especial na
Igreja verdadeira que são os sacerdotes. Em algumas igrejas este grupo existe, mas não é segundo o
ensino da Bíblia. Mais uma vez, nós não queremos entrar em argumentos. Alguns crêem que
precisamos de um sacerdote ou pastor para poder celebrar a Ceia do Senhor; mas nós vamos deixar
que provem isto pela Bíblia. Outro aspecto da Igreja local e a UNIÃO. O corpo humano é usado
freqüentemente para ilustrar este aspecto da Igreja local. Isto é, para mostrar os dons, deveres e
privilégios dos crentes. Isto é particularmente visto no uso de um só pão. "Porque nós embora
muitos, somos unicamente um pão, um só corpo; porque todos participamos do único pão", I
Coríntios 10.17. Uns dizem, como desculpa, que é mais prático usar pedacinhos ou biscoitos. Todos
estes argumentos são insuficientes para permitir-nos destruir a linda lição do corpo de Cristo que
"um só pão" nos mostra. Oh! Que nós sejamos menos práticos e mais obedientes!

ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 41


ESPERANÇA
A Ceia do Senhor é:
Uma recordação d’Ele;
Uma aliança no Seu sangue;
Uma demonstração de comunhão;
Uma janela para o futuro.

Ela foi ordenada pelo Senhor para manter acesa a chama da esperança de voltar a vê-Lo. Nós
devemos sempre lembrar a promessa da Sua volta quando tomamos a Ceia do Senhor. "... anunciais a
morte do Senhor, até que Ele venha", I Coríntios 11.26. Não é uma recordação sem fim. Talvez a
estejamos fazendo pela última vez. O Senhor pode voltar antes do calendário marcar o domingo
outra vez. Tanto Paulo como o Senhor falaram da esperança contida em celebrarmos a Ceia do
Senhor. Quando a Senhor a celebrou pela primeira vez, Ele disse: "... não beberei deste fruto da videira,
até aquele dia em que o hei de beber, novo, convosco no reino do meu Pai”, Mateus 26.29. Como é bonito
nós desejarmos a volta do Senhor, e saber que o Senhor deseja estar conosco! Quando nós
celebramos a Ceia do Senhor, nós olhamos em quatro direções:
Nós olhamos para cima
Eu tenho um Senhor Eu obedeço-Lhe e reconheço que Ele é o meu Senhor! Ele tem o direito de me
dar ordem, as quais eu tento obedecer rapidamente a tempo e com alegria. É importante que a Ceia
não seja chamada a Ceia de Cristo, ou a Ceia do Cordeiro, ou a Ceia do Redentor, ou mesmo
qualquer um dos Seus outros títulos. É a Ceia do Senhor, a Mesa do Senhor. Eu prostro-me aos Seus
pés e reconheço que Ele é realmente o meu Senhor.

Nós olhamos para trás


Ele morreu por mim! Sim, por mim! "Pois o amor de Cristo nos constrange, ... E Ele morreu por todos...”,
II Coríntios 5.14,15.

Nós olhamos para frente


Ele voltará para mim! Esta é a bendita esperança. Como será maravilhoso ver Aquele a quem
amamos mas ainda não temos visto; Aquele a quem obedecemos sem vermos! Também nos
regozijaremos com grande alegria e com glória, I Pedro 1.8.

Nós olhamos para dentro


Será que eu estou pronto para estar diante dEle? Quando eu venho à Ceia do Senhor, devo estar
preparado como se estivesse diante do trono do julgamento de Cristo. Este é o lugar onde eu serei
julgado pelas coisas que eu tenho feito, boas ou más. Nós nem sempre tomamos oportunidade de
acertar a nossa vida com o Senhor, mas a Ceia do Senhor deve-nos ajudar a manter a pureza e a
sanidade esperadas dos filhos de Deus "Porque se nos julgamos a nós mesmos, não seríamos julgados”, I
Coríntios 11.31. Somente quando os nossos corações estão puros e as nossas consciências limpas, e
que podemos chegar perto do nosso Senhor com fé, Hebreus 10.22,23. Quando olhamos para dentro
encontramos sempre pecado em nossos corações. "Se confessamos os nossos pecados, ele é fiel e justo para
nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”, I João 1.9.

ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 42


BIBLIOLOGIA

• FERREIRA, Ebenezer S. – Manual da Igreja e do Obreiro, Editora JUERP.

• PERMAN, Myer – Conhecendo as Doutrinas da Bíblia, São Paulo, Editora Vida.

• KESSLER, Nemuel / CÂMARA, Samuel – Administração Eclesiástica, CPAD.

● GUTZKEM, Manford G. - Manual de Doutrina – Temas Centrais da Fé Cristã


Reimpressão da 1ª Edição, São Paulo, Edições Vida Nova, 1995.

• NERY, Clovis da Rosa – COMO ENTENDER: Queda e Redenção do Homem – 4ª Edição, Vitória,
Editora Florêncio.
Todos os manuais de estudo (apostilas) da ESUTES encontram-se devidamente registrados na
Biblioteca Nacional – Escritório de Direitos Autorais, e estão protegidos pela Lei nº. 9.610, lei que
regula os direitos Autorais no Brasil. Sendo assim, é proibida sua reprodução por qualquer meio, sem
a autorização por escrito da ESUTES. Todas as citações bíblicas feitas nos manuais de estudo foram
extraídas da Bíblia Versão Almeida Corrigida e Fiel(ACF), publicada pela Sociedade Bíblica
Trinitariana,considerada a tradução em português mais fiel aos Manuscritos hebraicos e gregos.

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