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PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO DISTRITO FEDERAL

REGISTRO DE CANDIDATURA (11532)0601038-67.2018.6.07.0000

REQUERENTE: JORGE VIANA DE SOUSA e outros

Advogados do(a) REQUERENTE: NEWTON CARLOS MOURA VIANA - DF18513, ALEXANDRE


MACHADO MENDES - DF30711, DANIEL MARQUES DE ANDRADE - DF38362

DECISÃO

Trata-se de Requerimento de Registro de Candidatura (RRC) formulado


pela Coligação UNIDOS PELO DF 2, integrada pelos partidos Podemos e Partido
Social Democrático – PODE / PSD, em favor de JORGE VIANA DE SOUSA.

O Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários – DRAP foi deferido


(ID 62263).

Publicado o edital a que se refere o art. 35, caput, da Resolução TSE n.


23.548/2017, Pedro Paulo de Oliveira, candidato a Deputado Distrital pelo PSC, ajuizou
ação de impugnação de registro de candidatura, na qual aponta: a) afastamento
intempestivo de cargo público e de entidade sindical; b) posse e exercício de cargo de
direção em entidade sindical durante o período de desincompatibilização; c) uso da
máquina sindical para promoção pessoal e política; d) captação ilícita de sufrágio
durante a "pré-campanha" e após a convenção partidária (ID n. 46444).

No dia seguinte, porém, a parte impugnante manifestou desistência da


ação ajuizada (ID n. 48178).

O candidato foi intimado para comprovar a desincompatibilização da


atividade de dirigente sindical (4 meses) e de servidor público (3 meses), nos termos da
Lei Complementar n. 64/1990, art. 1º, inc. II, alíneas g e l (ID n. 55329).

O candidato apresentou petição, em que demonstra: a) declaração de


pedido de desincompatibilização de suas funções na Secretaria de Estado de Saúde do
Distrito Federal, a contar de 07/07/2018 (ID n. 56008); b) declaração de
desincompatibilização do Sindicato dos Auxiliares Técnicos de Enfermagem do Distrito
Federal – SINDATE/DF, no período compreendido entre 07/06/2018 a 07/10/2018 (ID n.
56009).

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Número do documento: 18091121012705300000000064739
O Ministério Público Eleitoral manifestou-se pelo deferimento do pedido (ID
64846).

É o relatório.

Uma vez operada a desistência do pedido de impugnação (ID n. 48178), e


diante da ausência de encampação por parte do Ministério Público Eleitoral (ID n.
53649), não há impedimento para o julgamento do feito (art. 52, da Resolução TSE n.
23.548/2017).

O candidato foi intimado para comprovar a desincompatibilização da


atividade de dirigente sindical (4 meses) e de servidor público (3 meses), nos termos da
Lei Complementar n. 64/1990, art. 1º, inc. II, alíneas g e l (ID n. 55329).

Em cumprimento à determinação, o candidato apresentou documentos que


demonstram que houve solicitação tempestiva de afastamento, tanto do cargo efetivo
quanto do mandato classista (ID n. 56008 e n. 56009).

A desincompatibilização de direito ocorre quando o candidato ocupante de


cargo e/ou função pública requer, administrativamente, o seu afastamento das
atividades. A desincompatibilização de fato se dá quando o candidato afastado deixa
efetivamente de exercer as suas atribuições.

A solicitação de licença da função pública para disputar as eleições é


suficiente para caracterizar a desincompatibilização e afastar a inelegibilidade (REspe
n. 19275/SC, Relator(a) Min. Luciana Christina Guimarães Lóssio, Sessão de
13/10/2016).

O Tribunal Superior Eleitoral perfilha o entendimento de que “Ao servidor


público cumpre comprovar haja requerido a desincompatibilização no prazo legal,
cumprindo àquele que impugna o pedido de registro demonstrar a continuidade da
prestação de serviços” (RO n. 171275/DF, Relator: Min. Marco Aurélio Mendes De
Farias Mello, Sessão de 16/09/2010).

Confira-se, por oportuno, trecho do voto condutor do Acórdão proferido no


RO n. 171275/DF:

“Os pronunciamentos são no sentido de que, providenciando a parte


interessada a entrega oportuna do pedido de afastamento, para
desincompatibilizar-se, presume-se haja se afastado da prestação dos
serviços e tenha sido acolhido o pleito, de resto inescusável, ante os termos
normativos próprios. Àquele que impugna cumpre comprovar o
excepcional, o extravagante, ou seja, que, mesmo havendo o servidor
manifestado a vontade de afastar-se e concorrer a cargo eletivo, não tenha
implementado a providência.”

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Número do documento: 18091121012705300000000064739
Registre-se que não houve comprovação de que o candidato estivesse
exercendo suas atividades após o pedido de afastamento, o que leva ao entendimento
de que ele cumpriu, a contento, as exigências do art. 1º, inc. II, alíneas l e g, da Lei
Complementar n. 64/1990.

A documentação juntada aos autos demonstra a desincompatibilização


tempestiva do cargo/função pública, sanando a irregularidade apontada pela Comissão
de Análise deste Tribunal.

Ressalte-se que a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral é no sentido


de ser possível a juntada extemporânea de documentos, caso a providência ocorra
ainda no âmbito da instância ordinária. Nesse sentido:

"ELEIÇÕES 2014. REGISTRO DE CANDIDATURA. INDEFERIMENTO.


CARGO. DEPUTADO ESTADUAL. AUSÊNCIA DE CERTIDÃO DE
OBJETO E PÉ. AUSÊNCIA DE FILIAÇÃO PARTIDÁRIA.
DOCUMENTAÇÃO JUNTADA EM SEDE DE EMBARGOS DE
DECLARAÇÃO, ENQUANTO NÃO EXAURIDA A INSTÂNCIA ORDINÁRIA.
POSSIBILIDADE. NOVA ORIENTAÇÃO FIRMADA POR ESTE TRIBUNAL
SUPERIOR. PRECEDENTE (REspe nº 384-55/AM). RETORNO DO
PROCESSO AO REGIONAL. AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO.
1. A moderna dogmática do direito processual repudia uma visão do
processo que eleva filigranas estéreis a um patamar de importância maior
que o próprio direito material, consubstanciando formalismo excessivo que
faz com que o poder organizador, ordenador e disciplinador aniquile o
próprio direito ou determine um retardamento irrazoável na solução do
litígio (OLIVEIRA, Carlos Alberto Alvaro de. O formalismo-valorativo no
confronto com o formalismo excessivo. In: Revista de Processo. São Paulo:
RT, n.º 137, p. 7-31, 2006).
2. Conquanto seja escorreito afirmar que a celeridade seja valor bastante
caro ao processo eleitoral, mister a data da eleição ser um limite temporal
insuperável, bradar pela ocorrência da preclusão, quando a parte, instada a
suprir as irregularidades, acosta a documentação em sede de embargos de
declaração, não concretiza em sua máxima efetividade exercício do direito
fundamental ao ius honorum, na esteira do que advoga a abalizada
doutrina constitucional (HESSE, Konrad. Elementos de direito constitucional
da República Federal da Alemanha, p. 68).
3. A juntada ulterior de novos documentos, quando o pré-candidato é
devidamente intimado a sanar as irregularidades constatadas, e não o
faz, não mais é atingida pela preclusão, revelando-se possível, à luz da
novel orientação do Tribunal Superior Eleitoral, proceder-se à juntada
dos documentos quando não exaurida a instância ordinária.
4. In casu, a despeito de não ter apresentado, por ocasião da intimação,
as certidões de objeto e pé indicadas na certidão da Justiça Estadual de
segundo grau, limitando-se a juntar cópia do mandado de intimação
expedido nos autos do processo de filiação partidária, o Agravante aduz ter
acostado a documentação em sede de embargos de declaração, razão por

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que, uma vez não se verificado o exaurimento das instâncias ordinárias,
deve a Corte a quo analisar a documentação acostada aos autos.
5. Agravo regimental provido.
(Recurso Especial Eleitoral nº 128166, Acórdão, Relator(a) Min. Luiz Fux,
Publicação: PSESS - Publicado em Sessão, Data 30/09/2014) – grifos
nossos.

Os requisitos dispostos na Resolução TSE n. 23.548/2017 estão


preenchidos. Não há qualquer impedimento ao registro da candidatura.

Ante o exposto, homologo a desistência da impugnação e defiro o pedido


de registro da candidatura de JORGE VIANA DE SOUSA ao cargo de Deputado
Distrital pela Coligação UNIDOS PELO DF 2 nas eleições de 2018, na forma do art. 52,
caput, da Resolução TSE n. 23.548/2017, e do art. 42, II, do RITREDF.

Após o trânsito em julgado, arquivem-se os autos.

Intimem-se.

Brasília – DF, 11 de setembro de 2018.

Desembargador Eleitoral Héctor Valverde Santanna

Relator

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