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Dicas para a Prova Subjetiva da

DPE/MA
Professor Danilo Paz, a exemplo da Prova Objetiva, dá preciosas
dicas para a Prova Subjetiva da DPE/MA.

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Danilo Paz é Defensor Público no Espírito Santo


Nomeado na DPU e aprovado na DPE-CE
Ex-aluno EBEJI
EBEJI
No post de hoje, quero inicialmente agradecer a todos os alunos do “Curso Reta Final
DPE/MA – Simulados e Revisão” que mandaram mensagens de agradecimentos pela
qualidade do curso, onde pudemos antever diversos temas que foram cobrados na prova
objetiva (inclusive, para nossa alegria, algumas questões eram praticamente idênticas às
dos simulados). Não posso dizer que foi uma surpresa, pois isso foi fruto do trabalho sério
e árduo que todos nós, professores da EBEJI, fazemos para nos especializarmos nas
bancas examinadoras de concursos – no caso, a FCC.
Já pude conversar com vários alunos que conseguiram ótima pontuação e provavelmente
disputarão a fase subjetiva desse certame. Muitos desses alunos – e vários outros que não
puderam fazer o nosso Curso por motivos pessoais – têm me perguntado como direcionar
os estudos para a prova subjetiva, razão pela qual resolvi fazer um breve texto a respeito
(na esteira da ótima recepção dos posts com dicas para a prova objetiva – leia aqui (Dicas
para a prova objetiva DPE/MA – Parte 1) e aqui (Dicas para a prova objetiva DPE/MA –
Parte 2)). Lembro apenas que tratam-se de meras sugestões, afinal ninguém é dono da
verdade e cada um tem seu próprio método de estudo.

1. Como estudar para provas subjetivas?

O estudo para provas subjetivas envolve, basicamente, dois fundamentos que devem
andar lado a lado: a) verticalização do conhecimento e b) treino de peças e questões.
Por verticalização do conhecimento quero dizer que o estudo não pode mais ter a leitura
da lei seca como carro chefe (afinal, ela estará disponível para consulta). É importante que
o candidato leia uma boa doutrina para concursos (nada de tratados intermináveis: um
livro esquematizado é suficiente), principalmente nas matérias que serão objeto de
questão (Direito Constitucional e Princípios Institucionais da Defensoria Pública). A leitura
dos informativos dos dois últimos anos é importante, assim como o conhecimento das
súmulas dos tribunais superiores, em especial as editadas nesse ano de 2015.
Da mesma forma, é crucial que o candidato treine bastante peças práticas e questões, de
preferência simulando o exíguo tempo da prova. No momento que você receber seu
caderno de questões, não deve mais se preocupar com a estrutura da peça: ela deve estar
bastante clara na sua mente. Durante a prova, sua única preocupação deve ser quais
teses a serem abordadas. Aqui na EBEJI lançamos um curso (Curso de Redação de
Peças para DPE/MA) com aulas e enunciados de peças práticas e questões, além de
correção individualizada com espelho de prova e comentários. É uma ótima oportunidade
para treinar e ir para a prova afiado. Não deixe, também, de buscar as prova anteriores da
FCC para ganhar intimidade com o estilo da banca.

2. O que estudar para a prova subjetiva da DPE/MA?

A prova da DPE/MA será composta de duas peças práticas (uma penal e uma cível) e
duas questões dissertativas (uma de Direito Constitucional e outra de Princípios
Institucionais da Defensoria Pública), a serem respondidas em quatro horas. Inicialmente,
o que chama atenção é o exíguo tempo para se responder a prova, em face de sua
extensão. Mais um motivo, portanto, para o candidato treinar bem o tempo disponível, se
possível simulando uma situação real de prova. Tenho convicção que quem conseguir
administrar o tempo corretamente já terá grande vantagem em face dos demais
concorrentes.
A seguir, alguns comentários que julgo relevantes sobre as matérias que serão abordadas:

 Peça Prática Cível – a FCC gosta de pensar fora da caixa quando se trata de
peças cíveis. Obviamente que são altíssimas a probabilidade de uma inicial de
responsabilidade civil ou direito consumerista, mas não descuide dos
procedimentos especiais (monitória, ação de busca e apreensão etc) e cautelares,
além da lei do inquilinato (essa última foi objeto de arguição na DPE/CE. Além do
treino das peças, é interessante ler um livro pequeno de prática jurídica, que vai
ajudar a manter os modelos frescos na memória.

 Peça Prática Penal – o foco aqui deve ser a jurisprudência. Estude os julgados do
STF e STJ dos últimos anos. Além disso, é sempre importante conhecer os
precedentes da Lei de Drogas, bastante profícua em julgamentos dos tribunais
superiores. As súmulas igualmente devem ser memorizadas, já que em regra não
podem ser objeto de consulta. Ainda, não custa nada dedicar uma atenção
especial à LEP e ao agravo em execução: verdade que essa peça não costuma
ser cobrada em provas práticas, mas devemos considerar que o STJ sumulou
diversos entendimentos esse ano referentes à execução penal, além de que no
Maranhão situa-se o Complexo Penitenciário de Pedrinhas, que foi palco de
incontáveis violações de direitos fundamentais no passado recente. Tudo isso me
deixa com o palpite de que o agravo em execução é, sim, uma peça possível
nessa prova. Aqui, vale a mesma dica de prática cível: memorize os modelos de
peças para não se preocupar com eles na hora da prova.

 Questão de Direito Constitucional – sinceramente, acredito que será uma


questão bem difícil. A FCC cobra muito a Constituição Estadual, então estude a
Constituição do Maranhão. Além disso, controle de constitucionalidade sempre é
um tema muito forte. Não se preocupe, contudo, em memorizar aspectos da
Constituição Federal em si, já que será possível a consulta na hora da prova
(contudo, leve um Vade Mecum atualizado para evitar ser pego desprevenido).
Não esqueça, por fim, que é possível a cobrança de algum assunto referente aos
Direitos Humanos, já que também constam do programa de Direito Constitucional.

 Princípios Institucionais da Defensoria Pública – muito provavelmente a prova


versará sobre algum caso prático que exija do candidato o raciocínio que melhor
proteja os interesses do assistido. A FCC gosta de cobrar situações polêmicas,
muitas delas de difícil saída, justamente para testar se o candidato está afinado
com os ideais de acesso à justiça. Questões envolvendo o
novo status constitucional da Defensoria Pública também despontam com alta
“caibilidade”. No mais, tire um dia para ler bem a LCE 19/94, atentando para as
diferenças em relação à LC 80/94.

3. Estratégia de resolução da prova subjetiva da DPE/MA

Como o tempo é curto, sua primeira preocupação deve ser administrá-lo corretamente.
Evite beber muita água, para diminuir a quantidade de saídas ao banheiro (se necessário
for, contudo, não deixe de ir!). As questões valem quase tantos pontos quanto as peças
práticas, então dedique igual energia a todas elas. Na verdade, isso torna as questões
ainda mais importantes que as peças, pois nestas o candidato ainda tem a possibilidade
de pontuar pela estrutura formal, o que é praticamente inexistente na correção das
questões.
Considerando, portanto, o tempo exíguo, não cogite fazer rascunho completo de peça.
Limite-se a anotar os tópicos que serão abordados e as teses que serão utilizadas. No
rascunho escreva, ao lado da tese, o dispositivo legal pertinente (isso vai evitar que você
abra várias vezes o Código para encontrar o número do artigo que deseja citar). Sempre
que possível, cite dispositivos constitucionais e de tratados internacionais de direitos
humanos (em especial o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, Pacto de San
José da Costa Rica e Protocolo de San Salvador). Faça o mesmo com as questões.
Na hora de redigir as questões, procure responder logo o que o enunciado pergunta, e
depois desenvolva sua fundamentação. Isso vai poupar esforço por parte do examinador e
ele olhará sua prova com bons olhos. Não fique em cima o muro e evite afirmações
condicionais (“salvo melhor juízo”, “acredito que”). Em vez disso, seja firme, ainda que a
resposta esteja errada; um “salvo melhor juízo”, além de não transformar uma resposta
errada em correta, demonstra ao examinador que você não tem segurança no que
escreve. Se você não tiver a menor ideia de qual seja a resposta, escreva sobre temas
que tenham relação com o assunto e, ao final, chute a resposta que reputa correta (só
tome cuidado para não enrolar demais, isso chateia o examinador). Se conseguir, deixe
duas ou três linhas em branco, que serão preenchidas caso você se recorde de algo mais
durante a prova.
Na redação das peças, é importante utilizar um sistema de tópicos, pois organiza sua
petição e deixa claro para o examinador quais os itens a serem pontuados. É interessante
saltar uma linha antes de cada tópico, pois caso você esqueça alguma tese do tópico
anterior, terá ainda uma linha para incluí-la. Uma estratégia interessante é evitar escrever
o tópico “Dos Pedidos” imediatamente. Deixe para o final da prova, pois é possível que
você se recorde posteriormente de algo que seria interessante abordar e, dessa forma,
ainda terá espaço para tanto.

4. Concluindo

A prova subjetiva não tem muito segredo, o essencial é treinar, treinar e treinar. Depois de
muito treino (e, claro, muito estudo), você verá que a redação de sua prova fluirá de modo
absolutamente tranquilo. Essa é a oportunidade de você demonstrar ao examinador que
não é apenas um memorizador de leis, e sim alguém capaz de raciocinar juridicamente em
prol do seu futuro assistido. Aproveite-a.
Bons estudos!
Bons estudos, Danilo Paz.