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Um agente confirma ter participado da operação para abater Dhlakama em Zimpinga

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Centrais

Rogério Manuel em conflito


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2 Savana 11-03-2016
TEMA DA SEMANA

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EDM: a energia que desconstrói o futuro


Por Raul Senda e Abílio Maolele - Fotos de Ilec Vilanculos

o
N
ove de Fevereiro de 2013, riamente e que a situação se agravou
explode o painel de con- nos finais de FFevereiro.

log
trolo na sala de comando “Aqui no Bairro Central temos tido
da subestação que funcio- cortes todos os dias. Talvez 10 ve-
na na antiga Central Térmica de zes por dia. Ligamos sempre para
Maputo, nas imediações do bairro a EDM a reportar a situação, mas
Luís Cabral, e deixa às escuras toda sempre dizem que vão restabelecer,
a região sul do país, incluindo a ca- porém acabamos o dia inteiro sem
pital. luz”, anota.
Por isso, viu-se na necessidade de
A EDM não consegue explicar as investir na compra de um gerador,

ció
reais causas do incidente, num equi- mas que, à semelhança ao da Padaria
pamento montado em 2007 e con- Aliança, este só alimenta as máqui-
cebido como um dos mais modernos nas e, por vezes, as lâmpadas.
que existem no mundo e que custa- “Com este gerador só posso ligar as
ram à empresa cerca de 10 milhões máquinas e não os ares-condiciona-
de dólares americanos. dos. Por isso não se trabalha à vonta-
Na altura, o então Presidente do de”, reclama, afirmando que, no seu
Conselho de Administração (PCA) caso, este aparelho lhe consome en-
da EDM, Augusto de Sousa, anun- tre 500 a 600 meticais por dia, valor

so
ciou a criação duma comissão de que não compensa para o trabalho
inquérito e a vinda de técnicos ale- desenvolvido.
mães, ligados à firma ABB – Tecnel, Segundo Ana Paula Taha, gerente
que é responsável pela produção do do restaurante Cantinho do Brasil,
equipamento. os prejuízos, no seu caso, têm sido
As avarias constantes das subestações da EDM deixam os consumidores com as calças na mão
Augusto de Sousa referiu na altura dois: “primeiro, porque deixamos
que a EDM iria investir cerca de de produzir e segundo porque o que
Reparação que nunca se sário substituir 300 quilómetros de Vítor Miguel, gerente da Padaria está produzido deteriora-se e deitá-
cinco milhões de dólares americanos
materializou linha e até ao momento só se substi- Aliança, na cidade de Maputo, afir- mos fora”.
na reposição do equipamento ava-
De Fevereiro de 2013 até hoje pas- tuiu 50 quilómetros. ma que a situação é preocupante e “Quando a EDM corta a energia
riado e o processo da verificação da
um
sam três anos e ninguém, dentro da Negam que a avaria da Central Tér- que nos últimos dias tornou-se ainda não avisa e, quando a gente liga, não
avaria, passando pela reparação ou
EDM, fala da redundância da SO- mica da antiga SONEFE bem como mais insustentável. nos sabem dizer quanto tempo irá
substituição do mesmo, levaria no NEFE, dos resultados da comissão as construções de grandes edifícios “Os cortes são terríveis. Têm criado durar esse corte. Às vezes dizem que
mínimo 12 meses. Isto é, a Central de inquérito que averiguou a avaria na cidade de Maputo influenciem prejuízos enormes a todos os mu- vão mandar uma equipa para o terre-
Térmica de Maputo voltaria a fun- e muitos menos da reparação. nícipes e, em particular, à indústria
nas restrições de energia, na medida no, mas sabendo que o problema não
cionar normalmente a partir de Fe- De lá a esta parte os cortes de ener- em que, sobre o consumo, a EDM panificadora. Por exemplo, hoje
vereiro de 2014. é específico e é do seu conhecimento.
gia avolumavam-se cada vez mais e tem um plano director que prevê o (segunda-feira) o corte verificou-se
Sousa frisou que, para minorar o Noutros momentos desligam os te-
os gestores da EDM tornaram-se crescimento dos níveis do consumo por volta das 9:00 horas e só teremos lefones”, constata.
problema de energia na região sul do especialistas na elaboração de justifi- e sempre se tomam medidas para energia às 17:00 horas, no momento Neste estabelecimento, os cortes ve-
país, seria feita uma ligação directa cações. Aqui falou-se de tudo, desde responder a essas demandas. em que os nossos trabalhadores esta- rificam-se duas vezes por semana e
a partir da subestação de Fomento. o vento, a chuva, o nevoeiro, a poeira rão de saída”, diz a fonte, realçando sempre que o festival começa a pro-
Apontou a medida como probatória, e outros subterfúgios. O grito dos consumidores que nesta situação, “não é possível
Com a avaria da subestação de Fo- dução também pára.
de

visto que a mesma não resolveria o Os cortes chegam a durar mais de aumentarmos a produtividade”, que
mento, o festival dos cortes de ener- “Quando não há energia, ficamos
problema dos cortes de energia. 10 hor
horas por dia e repetindo-se por o governo tanto propala nos seus
gia ganhou proporções alarmantes, sem trabalhar e a EDM nunca se
Soube o SAVANA que a subesta- quase toda a semana. discursos.
sobretudo na zona baixa da cidade responsabilizou por nada. Nunca
ção da antiga SONEFE funcionava Assim, este cenário faz com que os “Choramos todos a dias a pedir o contactamos a defesa do consumi-
como redundância e desempenhava de Maputo.
serviços e bens dependentes da elec- aumento da produtividade, mas não dor, porque sabemos que esse tipo
Neste momento, os gestores da
um papel fundamental na gestão de tricidade sejam fornecidos a conta- há condições para que isso aconte- de associações não funcionam aqui”,
EDM dizem que precisam de mais
energia eléctrica na região sul, in- -gotas, o que preocupa não só os ça”, destaca. explica.
12 meses para normalizar a distri-
cluindo a capital. seus fornecedores, mas também os Porque a sua actividade é preponde-
buição da energia eléctrica.
A subestação de Infulene tinha Referem que tudo passa pela repara- utentes. rante para a vida do munícipe (o pão Soluções na versão dos
como papel distribuir energia para a ção da subestação de Fomento, num Para compreendermos o drama que é o produto mais consumido na ca- consumidores
io

região norte de Maputo bem como investimento de 150 milhões de me- se vive na capital do país, o SAVA- pital do país), Miguel avança que, na O SAVANA não quis saber apenas
nas províncias de Gaza e Inhamba- ticais, assim como na modernização NA saiu à rua e ouviu alguns agen- ausência da corrente eléctrica, a sua dos problemas, mas também das so-
ne. Por seu turno, a subestação de e ampliação da rede de distribuição e tes económicos. Estes são unânimes padaria tem recorrido ao gerador, luções para acabar com esta situação,
Fomento era responsável pela dis- de transporte de energia na região de em dizer que os prejuízos causados mas só para alimentar as máquinas, que atrasa a economia nacional.
tribuição de energia na região sul grande Maputo, um investimento na pelos frequentes e sucessivos cortes porque “não aguenta sustentar as Ana Paula é da opinião de que a
de Maputo incluindo a zona baixa ordem dos 250 milhões de dólares da corrente eléctrica são enormes e o lâmpadas e nem os ares-condicio- EDM deve explicar o que está a
ár

da capital. Em caso de avaria numa americanos. mais agravante é que a empresa for- nados”. acontecer e assumir responsabilida-
dessas subestações, activava-se auto- Sublinham que o processo do me- necedora dos serviços, EDM, nada “Temos recorrido ao gerador, como des pelos danos, porque “temos um
maticamente a subestação da antiga lhoramento da rede já começou e faz para alterar a situação, assim alternativa, mas só serve para ali- contrato e quando há infrações só o
SONEFE e o consumidor não se consiste na substituição de linhas de como nunca se responsabilizou pe- mentar as máquinas. Os escritórios cliente é penalizado e ela não”.
apercebia da avariaia até ao término transporte da rede erguida no tempo los danos materiais que tem causado ficam sem corrente, porque não te- Vítor Miguel apontou a monopo-
da sua reparação. colonial. Feitas as contas, é neces- aos clientes. mos capacidade financeira para tra- lização dos serviços como o maior
Di

zer geradores de alta potência que problema, porque “a EDM faz e


possam sustentar as máquinas, luzes desfaz, pois sabe que não temos para
e ar-condicionado em simultâneo”, onde ir. Se houvesse concorrência,
diz, avançando que este recurso lhe acredito que estes problemas não se
custa mais de 10 litros de gasolina verificariam agora, pois haveria qua-
por dia, razão de mais de 475,2 me- lidade”.
ticais. Issufo Caradia frisou que não basta
Aliás, o motor dos geradores tor- investir em novas fontes de energia
nou-se comum e moda em Maputo. sem a modernização do sistema de
Este aparelho ronca quase por todas transformação e no transporte de
as arteiras da cidade. energia.
Quem também recorre a esta alter-
nativa é Issufo Caradia, gerente do “EDM não tem capacidade
Salão Unissexo, também na cidade para se responsabilizar”,
de Maputo. Mouzinho Nicol´s
Caradia conta que o seu posto de O presidente da Associação para a
Victor Miguel Issufo Caradia Ana Paula trabalho sofre cortes de energia dia- Defesa do Consumidor, Mouzinho
Savana 11-03-2016 3
TEMA DA SEMANA

Nicol´s, defende que a EDM não rede de distribuição de energia na de transporte e, até ao momento, salvou que há necessidade urgente enquanto a da Gigawatt é cara por-
tem capacidade para se responsabi- região de grande Maputo foi ergui- apenas conseguiu 50 quilómetros. de se encontrar outras fontes de pro- que o processo de produção também
lizar pelos danos provocados pelos da há mais de quatro décadas para Amado nega que a avaria da Central dução de energia para se reforçar a é dispendioso, para além de que é
cortes e oscilação da energia eléc- uma demanda inferior à actual e, até Térmica da antiga SONEFE esteja rede porque a procura está a crescer necessário repor o investimento fei-
trica e que, se um dia se quiser res- ao momento, ainda não houve um na origem dos cortes constantes de muito. to.
ponsabilizar, esta poderá fechar as trabalho de fundo no que concerne à energia eléctrica e refere que o pro- Sobre a diferença dos preços de Sublinha que há vontade de se ad-
portas. substituição, reabilitação ou moder- blema deriva do cansaço da rede de aquisição da energia, Luís Amado quirir
ir toda a energia na HCB, mas
Por isso, afirma a fonte, é preciso que nização das mesmas. distribuição assim como das avarias referiu que tudo depende da fonte e a empresa está no limite e só pode

o
o Estado assuma as responsabilida- Os gestores da EDM apontam a dos postos de transformação. da forma como essa fonte produz a fornecer até 500 Megawatts à EDM,
des e crie mecanismos para resolver falta de fundos para desencadear a Segundo o gestor da EDM, o con- energia. entretanto, como a sua firma tem o
este assunto, que afecta o dia-a-dia operação. Contudo, mesmo alegan- sumo de energia cresce 17 a 18% Exemplificando, a fonte disse que a compromisso de garantir energia aos
do cidadão. do falta de fundos para melhorar a ano e a sua empresa tudo faz para energia da HCB é mais barata por- consumidores, tem de arranjar ou-

log
“A falta da energia eléctrica provoca qualidade de energia destinada aos responder à procura. Contudo, res- que a sua produção também é barata tras fontes.
a falta de água, insegurança e ou- consumidores, a EDM continua a
tros”, destaca. distribuir os seus recursos às elites
Mouzinho conta que a sua institui- políticas, todas ligadas ao partido
ção, em tempos, já fez exposições Frelimo.
àquela empresa pública, tendo na al- O caso mais recente chega-nos a
tura respondido às solicitações, mas partir da Central Termoeléctrica de
desde que a situação se tornou insus- Gás Natural, localizada na região de
tentável, esta passou a não responder. Ressano Garcia, distrito de Moam-
Apesar desses problemas, Mouzi- ba, província de Maputo, recente-

ció
nho não aponta a monopolização mente inaugurada pelo Presidente
dos serviços como a razão para a má da República, Filipe Nyusi.
gestão daquela empresa pública e A companhia responsável pela nova
avança que este sector, à semelhança central de gás tem como um dos
aos do fornecimento de água, é o dos accionistas o antigo Presidente da
mais difíceis de liberalizar, devido à República, Armando Guebuza. Tra-
gestão da rede. ta-se da empresa Intelec Holdings,
liderada pelo então presidente da
“O maior problema deste sector está
Confederação das Associações Eco-
na gestão da rede, que é sempre di-

so
nómicas (CTA), Salimo Abdula.
fícil, quando há concorrência no sec-
Na estrutura accionista constam ain-
tor. Podíamos dizer que seja o priva-
da os nomes dos familiares do antigo
do a gerir o processo de expansão da
ministro da Indústria e Comércio,
electrificação do país, mas teríamos
Carlos Morgado, já falecido.
problemas na fonte. Portanto, é pre-
Esta empresa, denominada Giga-
ciso que se mude a gestão da empre-
watt Moçambique, firmou um con-
sa. É preciso que faça a substituição
trato com a EDM para esta fornecer
de todo o equipamento obsoleto, a sua energia àquela empresa públi-
para acompanhar as mudanças”, fi- ca.
um
naliza. A Gigawatt tem como PCA o enge-
nheiro Castigo Langa, antigo minis-
“O governo está a traba- tro de Energia e membro do Comité
lhar”, Munir Sacur – CTA Central da Frelimo.
Contactado pela nossa reportagem O contrato com a Gigawatt, cujos
para falar dos impactos deste pro- contornos não são do domínio pú-
blema na economia nacional, o chefe blico, foi rubricado numa altura em
do Pelouro da Energia, na Confe- que Armando Guebuza era Presi-
deração das Associações Económi- dente da República.
cas (CTA), Munir Sacur, apontou No contrato ficou acordado que a
a guerra dos 16 anos como sendo a EDM devia pagar entre 9,5 a 10
responsável pela situação actual do icanos por qui-
dólares norte-americanos
de

país, em particular na distribuição lowatt/hora(kWh) três vezes mais


da energia eléctrica. alto que o custo que a Hidroeléctrica
“O país sofreu uma guerra de 16 de Cahora Bassa (HCB) cobra. Isto
anos, que destruiu muitos equi- é, a HCB cobra à EDM 3,5 dólares
pamentos e não esperávamos que norte-americanos
icanos por kWh.
tivéssemos um crescimento deste
nível, em poucos anos. Estamos a “O nosso compromisso é
crescer e precisamos fazer uma pro- garantir energia aos con-
funda reflexão sobre o nosso rumo e sumidores”, Luís Amado,
o governo está a trabalhar para col- EDM
io

matar este problema”, disse a nossa Para o director de Distribuição e


fonte, afastando-se dos que apontam Serviços ao Cliente da EDM, Luís
os negócios da nomenklatura e a Amado, o compromisso da sua em-
má gestão da empresa pública como presa é garantir energia de qualidade
sendo as responsáveis pela situação. aos consumidores.
Sobre as novas centrais termoeléc- De acordo com o nosso entrevista-
ár

tricas, Sacur disse ser cedo para ava- do, a EDM tem na sua manga uma
liarmos os impactos destes, porque carteira de investimentos com vista a
estas ainda são novas e os problemas regularizar o problema de cortes.
não são novos. Dentre várias datas que a empresa já
indicou, desta vez Amado aponta o
1RPHQNODWXUDDVÀ[LD('0 prazo de 12 meses como o período
Di

Numa altura em que a EDM se máximo para acabar com cortes.


mostra cada vez mais sem capaci- Amado diz que a EDM recebe da
dade para responder à demanda, as HCB cercerca de 500 Megawatts/hora
elites moçambicanas
anas não param de e mais 300 de outras fontes, uma
saquear os recursos da companhia quantidade suficiente para respon-
para o benefício próprio. der à demanda.
Neste momento, a principal e úni- Porém, o grande problema está na
ca empresa pública de distribuição transformação e transporte dessa
de energia eléctrica debate-se com energia para o consumidor.
sérios problemas de distribuição de Sublinha que a EDM possui uma
energia, um cenário caracterizado rede de transporte quase obsoleta,
por cortes constantes e prolongados, erguida há muitos anos e que preci-
sem os devidos esclarecimentos bem sa de substituição, uma operação de
como a degradação e desactualiza- precisa de grandes investimentos.
ção das infra-estruturas de transpor- Exemplificando, Amado referiu que
te de energia. neste momento a EDM precisa de
Segundo os gestores da EDM, a substituir 300 quilómetros de linhas
4 Savana 11-03-2016
TEMA
TEMADA
DASEMANA
SEMANA

Deliberação do cancelamento do alvará da empreiteira JRC-Construções

Presidente da CLECCC acusado de encravar o processo


U
m documento em posse

o
do SAVANA denuncia
aquilo que se classifica
de tentativas de obstru-
ção e manipulação da deliberação

log
da Comissão de Licenciamento
de Empreiteiros e Consultores de
Construção Civil do Ministério
de Obras Públicas, Habitação e
Recursos Hídricos em relação às
infracções cometidas pela em-
presa JRC – Construções, num
concurso público promovido pelo
Regadio do Baixo Limpopo para

ció
a contração de empreitada de re-
abilitação de 43,5 km de estrada
de terra.

De acordo com o mesmo docu-


mento, a Comissão de Licen-
ciamento dos Empreiteiros e
Consultores de Construção Civil
(CLECCC) recebeu da Federação

so
Moçambicana de Empreiteiros
(FME), a 27 de Março de 2015,
um ofício denunciando um con-
junto de infracções cometidas pela
empreiteira JRC-Construções e
que nos termos do artigo 29 do
Regulamento do Licenciamento
da Actividade de Empreiteiros de
Construção Civil concorre para a
um
cassação e retirada do alvará. Parte dos documentos apresentados na denúncia contra a empreiteira JRC-Construções cujo fecho aguarda pela decisão do ministro das Obras Públicas
As irregularidades foram cometi-
das no concurso público lançado A referida equipa foi depois en- sabiam da denúncia, exigiram que existe e está na posse de alguns Conta Soca que o processo seguiu
pelo então Ministério de Agricul- viada ao terreno onde apurou, em o empreiteiro apresentasse uma integrantes da CLECCC. todos os passos e ainda está à es-
tura, hoje Ministério de Agricul- É nesta senda que o documento
relatório, que de facto havia indí- carta abonatória da CLECCC pera da decisão final.
tura e Segurança Alimentar, em em nosso poder recomenda que,
cios bastantes do cometimento da que deixasse claro que o inquérito Na qualidade de presidente da
2014, visando a reabilitação do na qualidade de denunciante das
infracção da parte do empreiteiro em curso não tinha nenhum efeito CLECCC, Brito Soca tem ape-
Regadio do Baixo Limpopo na falcatruas da JRC-Construções, a
JRC- Construções. jurídico sobre o empr
empreiteiro.
província de Gaza. nas a missão de fazer cumprir as
Para o efeito, o elenco da Para tal, o empreiteiro contactou FME devia, perante a apatia do
Sublinha a nossa fonte que, depois presidente da CLECCC em levar deliberações da Comissão porque
CLECCC reuniu-se, em sessão a Comissão e esta, através do seu
de receber a queixa, a CLECCC, as decisões resultaram da votação
de

ordinária, no passado mês de Ou- presidente, produziu uma missiva o caso à homologação do ministro,
liderada por Brito António Soca, tomar medidas com vista ao cum- colegial.
o, para analisar os resultados
tubro, para o Regadio onde desaconse-
director Nacional de Edificações primento da decisão da Comissão. Refere que não há espaço para in-
do relatório produzido pela sub- lhava a participação desta empresa
no Ministério das Obras Públicas, A carta que viemos a citar foi
comissão criada para investigar os no concurso enquanto decorria o fluenciar sobre as mesmas, na me-
Habitação e Recursos Hídricos, entregue à FME e a entrada foi
factos e chegou à conclusão de que processo. O documento em causa dida em que todas as reuniões da
exigiu, em ofício datado de 03 de confirmada por Agostinho Vuma,
a JRC – Construções violou as re- está em poder do SASAVANA. Comissão são resumidas em actas
Junho de 2015, provas que fun- presidente da FME, que referiu
damentassem a acusação contida gras do concurso em causa e que No entanto, de acordo com as assinadas por todos os integrantes.
devia ser aplicada a medida de co- nossas fontes, estranhamente, dias que nada podia falar do momento,
na queixa, o que foi satisfeito no na medida em que o assunto está “Sempre que recebemos uma de-
mesmo dia. ação mais pesada que é a cassação depois, o presidente da CLECCC
a ser tratado em fóruns próprios, núncia mandámos investigar antes
io

Avança a fonte que, depois da e o cancelamento do alvará. mudou de ideia e tentou inverter a
mas que tudo indica que haverá de tomar qualquer decisão. Nestas
CLECCC receber as evidências Para tal, o colégio da CLECCC decisão e procurou formas de in-
produziu uma deliberação, duzir o jurista afecto à CLECCC boa fé e a decisão contida na deli- coisas de denúncias, é bom saber
que provavam o facto da JRC beração será homologada.
apoiando-se no relatório, na qual a elaborar outra carta em benefício que o acusado goza de presunção
– Construções ter forjado os do- Recordar que a CLECCC é um
sancionava a empreiteira JRC a empreiteira JRC - Construções. de inocência antes que se prove
cumentos para conseguir a adju- órgão colegial que tem dentre vá-
– Construções com a pena de A missiva em causa declarava que o contrário. É nesse quadro que
ár

dicação da obra de reabilitação rias missões o papel de atribuir,


do Regadio do Baixo Limpopo, cancelamento de alvará, ficando não havia nenhum impedimento está a ser tratado o processo da
renovar, alterar, suspender ou can-
avaliado em 10 milhões de dólares apenas a homologação da decisão, para participação da JRC-Cons- JRC- Construções. Ainda não há
celar alvarás de construção civil e
icanos, o presidente da
norte americanos, uma tarefa que é da competência truções na supracitada obra. deliberação que condene o em-
é composto pelos representantes
CLECCC, Brito António Soca, do Ministro das Obras Públicas, Conta a fonte que a orientação de
dos Ministérios das Obras Públi- preiteiro, por isso neste momento
terá, supostamente, tentado invia- Habitação e Recursos Hídricos. Brito António Soca não foi acata-
cas, Transportes e Comunicações, não podemos sancioná-lo. Acre-
Di

bilizar a instauração do respectivo O SAVANA está na posse da acta da pelo referido jurista por achar
Recursos Minerais e Energia, dito que em breve será tomada a
processo disciplinar usando táticas da reunião e da deliberação que que se tratava duma medida ilegal.
Justiça, Administração Nacional decisão”, frisou.
de manobras dilatórias com objec- determinou o cancelamento da li- A renitência do jurista custou-lhe
de Estradas, Federação Moçam- Sobre o jurista que supostamen-
tivo único de retardar o andamen- cença da JRC-Construções. o afastamento da CLECCC.
bicana de Empreiteiros, Ordem
to do expediente. Sublinha que, em vez do presiden- te foi afastado alegadamente por
dos Engenheiros de Moçambique,
Sublinha que as tentativas de ma- Truques te da CLECCC mandar o proces- Associação dos Consultores e o ter recusado acatar as ordens do
nipulação do processo começam Sublinha a nossa fonte que, em so para ministro, a fim de homo- sindicato do sector de construção. seu chefe, Brito Soca referiu que
logo com a criação da subcomissão vez de canalizar a deliberação ao logar a decisão, tem procurado a CLECCC não tem nenhum
para apurar os factos denunciados ministro para efeitos de homolo- formas de manipular a comissão Presidente da CLECCC jurista, todos os juristas que asses-
pela FME, onde o presidente da gação, o presidente da CLECCC no sentido de produzir uma outra distancia-se soram a Comissão pertencem ao
CLECCC mostrou dificuldades engavetou a decisão. deliberação a ilibar a JRC-Cons- Contactado pelo SAVANA, Brito
Gabinete Jurídico do ministério e
em enviar os integrantes da Co- No período em que decorria o in- truções, alegando que nunca hou- António Soca confirmou a recep-
missão para o Regadio de Bai- quérito, a JRC-Construções ten- ve nenhuma deliberação contra a ção da denúncia da FME sobre a podem ser movimentados a qual-
xo Limpopo para confrontar os tou concorrer a uma outra obra no cassação do alvará desta constru- empreiteira bem como a criação quer momento. “Isso não depen-
factos arrolados na denúncia da Regadio do Limpopo, mas como tora, facto que não constitui a ver- da subcomissão para investigar os dente do presidente da Comissão”.
FME. os gestores do empreendimento dade, pois o documento em alusão factos arrolados. (Redacção)
Savana 11-03-2016 5
TEMA
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DA SEMANA
6 Savana 11-03-2016
SOCIEDADE

Governo e Renamo num ping pong


de pré-condições

o
Por Argunaldo Nhampossa

O
presidente da Repú- o vice-ministro, Justiça, Assun- depositando plena confiança quem criou o mal-entendido trangeiros daquele país vizinho,

log
blica, Filipe Nyusi, e tos Constitucionais e Religiosos, em Jacob Zuma, alegando que foi a ministra dos Negócios Es- Maite Mashabane
Mashabane.
o líder da Renamo, Joaquim Veríssimo, a fazer uma
Afonso Dhlakama, comunicação sem direito a per-
manifestaram uma vez mais, guntas.
esta semana, a disponibilida- Na referida comunicação, Ve-
de de reatarem o diálogo para ríssimo garantiu que estavam
devolver a estabilidade ao país. asseguradas todas as condições
Mas, como tem sido hábito, na logísticas e de segurança para o

ció
hora do avanço começam a sur- diálogo entre Nyusi e Dhlaka-
gir entretantos que podem hi- ma, tendo sublinhado que o
potecar estas expectativas. Um mesmo deve acontecer sem
dia depois de ter respondido quaisquer pré-condições.
favoravelmente ao convite de Muchanga diz que a comuni-
Nyusi, mas com a condição de cação de Veríssimo constitui
incluir o grupo dos mediado- um atentado à preparação do
res, o governo, através do vice- encontro, uma vez que as par-

so
-ministro da Justiça, Assuntos tes têm usado correspondências
constitucionais e Religiosos, para troca de impressões. Diz
Joaquim Veríssimo, veio dizer ainda que isto denota falta de
publicamente que o diálogo não liderança do PR, porque na sua
pode ter condicionantes. ausência os membros do gover-
no emitem comunicados acres-
É caso para recordar os impasses centando novos dados que não
que se verificaram nas negocia- constam da carta convite envia-
ções havidas no Centro de Con- da ao seu partido.
um
ferências Joaquim Chissano que Precisou que o nome do vice-
levaram mais de 100 rondas sem -ministro da Justiça, Assuntos
consensos. Constitucionais e Religiosos
O interesse de retomada do diá- não consta da lista constituída
logo entre as partes não é novo, por Nyusi para cuidar dos pre-
mas esta semana ganhou nova parativos, facto que mostra que
dinâmica, dada a tensão polí- desta vez nem os ministros e
tico-militar em que o país está muitos menos os vice-ministros
mergulhado e que já começou a farão parte da comitiva. Assim,
fazer vítimas civis. avançaa que este tipo de discur-
de

No entanto, o porta-voz do sos podem retardar o encontro


maior partido da oposição na- ao mais alto nível, porque au-
cional, António Muchanga, acu- mentam o nível de desconfian-
sa o governo de criar manobras ças entre partes, uma vez que o
para retardar a materialização governo não partilhou com a sua
do encontro ao mais alto nível, contra parte as referidas medi-
uma vez que está a criar múlti- das de segurança e de logística.
plos grupos focais.
Em contacto com SAVANA, Incluir mediadores
io

Muchanga argumenta que, Esta segunda-feira, a Renamo


na passada sexta-feira, por via condicionou a realização do
da presidência da República, encontro entre Nyusi e Dhlaka-
Nyusi endereçou um convite a ma à inclusão do grupo dos
Dhlakama para a retomada do mediadores. De acordo com a
ár

diálogo, tendo na ocasião de- Renamo, esta condicionante


signado uma equipa composta surge pela necessidade de cor-
por Jacinto Veloso, membro do rigir erros que se verificaram
Conselho Nacional de Defesa encontros passados, em que
nos enco
e Segurança, Maria Benvinda não havia agenda clara, conversa
Levi, Conselheira do Presidente sem registo, falta de seriedade
Di

da República para assuntos Jurí- no cumprimento dos acordos


dicos, e Alves Muteque, quadro alcançados e ainda o aperto de
da presidência, para tomarem mão para tirar fotografia sem
conta das demarches para o re- uma verdadeira reconciliação.
ferido encontro. Assim, entende ser pertinente
Mas estranhamente,, de acordo que o governo credencie o gru-
com o porta-voz, depois do seu po dos mediadores como forma
partido ter respondido favora- de mostrar o seu comprometi-
velmente à missiva do PR, com mento com a paz e reconciliação
a condicionante de incluir o nacional.
grupo dos mediadores composto Apesar da polêmica que surgiu
pelos Bispos da Igreja Católica, em torno da resposta ou não do
o presidente sul-africano, Jacob presidente sul-africano ao pe-
Zuma, e da União Europeia, eis dido da Renamo para mediar
que surge um elemento “alheio” o diálogo, este partido continua
Savana 11-03-2016 7
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8 Savana 11-03-2016
SOCIEDADE

Potencialidades do ISCISA na busca de soluções para reduzir a mortalidade materna

Ministra da Saúde quer aproveitamento total


Por Rafael Ricardo

o
O
Instituto Superior de eficaz”, referiu Nazira Abdula. entre 2003 e 2011, na ordem dos Inquérito Demográfico
áfico de Saúde. convidados, corpo docente e admi-
Ciências de Saúde (IS- “Segundo: O ISCISA pode (e 408 por 100 mil nascidos vivos, Na abertura do ano académico nistrativo, estudantes, quadros do
CISA) abriu oficial- deve) formar profissionais de saú- ainda de acordo com os dados do 2016 estiveram presentes, além de singulares.
sector e pessoas singular

log
mente, na passada sex- de altamente qualificados, isto é,
ta-feira, o ano académico 2016. tecnicamente bem preparados e
Como é habitual, a abertura do imbuídos de altos valores morais...
ano académico é acompanhada recordo que esta é uma premissa
por uma oração de sapiência. para serviços de qualidade”, acres-
centou ela.
Nazira Abdula, ministra da Saúde, Em relação ao primeiro aspecto, a
foi a convidada para abrir o ano ministra destacou que, como qual-
com uma oração de sapiência que quer outra instituição académica,

ció
esteve subordinada ao tema: Es- acredita que o ISCISA tem um
tratégia Nacional para  Redução enorme potencial para o desenvol-
da Mortalidade Materna em Mo- vimento de pesquisa, sobretudo a
çambique. pesquisa operacional. Isto deve, na
A mortalidade materna e infan- visão da ministra, constituir uma
til é, na verdade, um problema de força motriz, apesar de reconhe-
saúde pública em Moçambique, cer que a realização de pesquisas
daí que as autoridades moçambi- científicas exige recursos que, in-
felizmente, nem sempre estão dis-

so
canas têm estado a assumir uma
postura de maior proactividade no poníveis.
sentido de corrigir e combater os “Mesmo assim, não nos devemos
factores tidos como propiciadores dar por vencidos.... em contra-
da existência de índices elevados partida, devemos olhar para este
de morte de mulheres (no parto e cenário como uma oportunidade
após o parto) e também o nasci- para inovar....ou como diriam al-
mento de nados mortos, além de guns.....para pensar fora da caixa!”,
morte de crianças instantes após o acrescentou.
Falou, igualmente, da necessidade
um
parto.
Entretanto, a correcção desta re- de, além da formação eminente-
mente científica, o ISCISA buscar
alidade continua a andar a passo
condimentos para assegurar uma
de camaleão, visto que, apesar dos
formação de quadros com forte
esforços em curso, os números des-
domínio do contexto sócio-cul-
ta problemática continuam altos,
tural moçambicano e de valores
tendo em conta as metas global-
morais.
mente acordadas pelos Estados no
concerto das Nações.
Situação em números
A ministra da Saúde, Nazira Ab- Em Moçambique,, maior parte
dula, reconhece este problema e das mortes maternas acontecem
promete que dias melhores virão,
de

durante o parto ou nas primeiras


pois, segundo ela, o sector conti- 24:00 horas após o parto. Do total
nua apostado em criar condições nas, cerca de 37%
de mortes maternas,
que reduzam, ao máximo possível, é resultado da hemorragia, 13%
os números desta problemática. A por eclâmpsia, 9% por malária e
ministra falou de força de vontade 7% por complicações do aborto.
que deve continuar a guiar os fun- Entre as mortes maternas por he-
cionários do sector. Referiu-se ain- morragia, cerca de 83% é resultado
da aos desafios que devem nortear da hemorragia pós-par
pós-parto. Entre as
o dia-a-dia do Instituto Superior mortes maternas, cerca de 20% são
io

de Ciências de Saúde, uma ins- raparigas menores de 20 anos.


tituição vocacionada à formação analfabetismo, os
As altas taxas de analfabetismo
superior de pessoal do sector da aspectos culturais e familiares, o
saúde. problema do transporte, são alguns
“Julgo que há dois aspectos funda- dos factores determinantes da
ár

mentais que podem tornar o IS- mortalidade materna, sobretudo


CISA determinante na solução do ao nível rural. Ao nível institucio-
nal, também temos alguns facto-
problema”, disse a ministra.
res que concorrem para as mortes
Num primeiro momento, a titular
maternas, como a exiguidade de
do pelouro da Saúde apelou à bus-
recursos humanos qualificados, a
ca de conhecimentos científicos
demora na referência, a insuficiên-
Di

válidos que,, a posterior, podem fa- materiais entre outros.


cia de mater
zer parte das políticas nacionais de Nos últimos 25 anos, a mortalida-
combate à mortalidade materna. de materna reduziu em cerca de
Já no segundo momento, o ISCI- 60% ao passar de perto de 1000
SA deve assegurar uma formação mortes maternas por 100 mil nas-
profissional de altíssima qualidade, cidos vivos, em 1990, para cerca
como chave para que o país esteja de 408 mortes maternas por 100
dotado de profissionais qualifica- mil nascidos vivos, em 2011, de
dos e competentes. acordo com os dados do Inquérito
“Primeiro: Esta instituição pode (e Demográfico de Saúde. Esta per-
deve) produzir evidência científica centagem de redução está acima da
de qualidade que permita ao Mi- média global verificada (44%).
nistério da Saúde e seus parceiros No entanto, nota-se que a redução
adoptarem as melhores opções média anual não foi similar ao lon-
estratégicas, bem como tornar sua go do tempo, estando na verdade a
implementação mais metódica e mortalidade materna estacionária
Savana 11-03-2016 9
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10 Savana 11-03-2016
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OPINIÃO

Homenageando Samora

Para onde vamos é uma escolha que só a nós cabe

o
Mantchiyani Machel*

É
com grande prazer e honra onde se refere: “O espírito de vi- a disciplina que era uma das suas Poucos tiveram o privilégio de
que me dirijo a vós, nesta tória impede-nos de estudar e de mais importantes caraterísticas. As chamar Samora “marido, pai, ir-

log
homenagem a Samora tirar lições do fracasso”. Hoje, mais minhas tias e tios foram repreen- mão, tio ou primo”. Eu não tive
Moisés Machel, primeiro do que nunca, existe um défice de didos por fazer coisas que hoje em oportunidade de lhe chamar “avô”,
Presidente de Moçambique atra- auto-crítica construtiva, simples e dia qualquer jovem acha normal. nem ele de me ouvir pronunciar
vés da objectiva de Kok Nam. humana. O debate das lideranças Esses actos que hoje consideramos essa palavra. Porque, Samora como
Gostaria de convidar a todos os está direccionado para quem vai extremos deram a Samora autori- comandante-em-chefe, pôs o amor
presentes a descreverem Samora dirigir em vez de como devemos dade moral. Por isso os discursos por Moç
Moçambique em primeiro lu-
numa palavra apenas... (…presi- desenvolver. A preocupação é de dele não eram vazios ou cheios de gar. Uma dor para a família, mas
dente, honesto, filósofo, inteligen- ver quem fica com que parte do palavras para ouvir, bater palmas e também motivo de grande orgulho.
te, corajoso). bolo em vez de ver como vamos serem
em esquecidas no tempo…
tempo Os Samora não vendeu o país, muito

ció
fazer pão. Se continuarmos neste seus discursos são perenes, atem- menos o seu nome. Hoje em dia
Sim, ele era tudo isso, mas acima caminho não vai haver bolo ou pão, poral, clássicos. existem pessoas que tentam usar
de todos os atributos ele colocava e continuaremos a pedir esmola. Os moçambicanos deram credibi- e tirar proveito do seu nome para
as suas responsabilidades à frente Repito, Samora ensina-nos que o lidade à sua honestidade e palavra. fins obscuros. O único, o maior e
das suas necessidades. Samora en- primeiro dever de um governante O povo reconhece a voz da verdade, o mais valioso bem que Samora
sinava a saber estar, a saber ser um é servir o povo e em último lugar por isso o povo o protegia e conti- nos deixou foi o seu exemplo. Em
bom enfermeiro, um bom profes- servir-se a si próprio. nua a protegê-lo, da mesma forma África existem poucos líderes que
sor, um bom camponês e operário. Se analisarmos atentamente os úl- que ele defendia e protegia o povo. deixaram somente isso para a sua
Enfim, a dar dignidade ao moçam- timos 30 anos, em alguns períodos Quantas vezes ouvimos desabafos família directa.

so
bicano, a dar esperança num tempo Samora foi propositadamente es- Mantchiyani Machel tais como,
como “no tempo de Samora, Neste álbum está identificado
em que não havia mais do que isso. quecido pelos seus mais próximos, ou...se Samora estivesse vivo isto quem é o inimigo e as suas tácticas:
Ele estaria orgulhoso de ver o nú- mas imortalizado pelo seu patrão minha atenção é a seguinte: “Se ou aquilo não havia de acontecer”. divisão, supressão e imposição. Não
mero de jovens que as nossas uni- — o povo! Este álbum também o trabalhador da cervejaria pode Isto mostra que a “autoridade mo- podemos apenas alertar o povo e
versidades já formaram. Feliz de revela que Samora era um polícia levar cerveja para casa, se o traba- ral” não se cria à força, bem pelo tornarmo-nos expectadores.
ver as milhares de crianças unifor- de elite para os governantes, uma lhador da avícola pode levar gali- contrário, conquista-se com actos Não precisamos de reinventar a
mizadas caminhando diariamente ameaça para o poder na era dele e nhas para casa… já agora o caixa concretos...
concr Isso é o que eu chamo roda, as lições do nosso fracasso
em todo o país para a escola. Os ainda hoje continua a ser. poderia levar o dinheiro para casa. de legado.
lega foram identificadas anos atrás. A
hospitais, as estradas, as pontes, os O Samora que me é revelado a mim Isso é roubo!” …Nesta frase pode- Os ensinamentos que nos são tra- questão agora é se vamos aprender
um
sistemas de comunicação... Aque- e a toda a minha geração através de ríamos hoje substituir as palavras zidos através de meios como este ou continuar a andar num círculo
les que o conheceram sabem que vídeos, entrevistas, documentários, trabalhador e caixa por governante. álbum estão a ser testados pelo vicioso, em que todos vamos per-
até iria gabar-se da beleza da mu- fotos e testemunhos como este O meu pai (Idelson) teve de devol- tempo. Não pode haver melhor der. A única diferença é que vão ser
lher moçambicana e de como di- ensinou-me a questionar, adaptar, ver uma motorizada que lhe tinha teste de um legado se o povo ain- uns mais que os outros e os mais
ria, ao vê-la maquilhada, “… ahhh inovar. Questionar o Presidente? sido oferecida por investidores.
investidor da fala bem de ti. Não sei se outros culpados vão-se auto-homenagear
como fica linda de batom vermelho Sim, questionar injustiças, a prepo- Outra vez, foi impedido de entrar dirigentes passarão do tempo ou heróis da história. Para onde vamos
nos lábios”! tência, o roubo, mesmo que alguém no palácio e detido por uns dias por do teste. Lembrem-se que faz 30 é uma escolha que só a nós cabe.
Para Samora: “O dever de cada um seja da sua família. ordem do Ministro da Seguran- anos e ele continua ser a sombra A Luta Continua
de nós e dos líderes, em particular, Ou não foi ele que disse: “Se eu ça que dizia que ele tinha violado espiritual de Moçambique e da sua
é de sermos os últimos nos bene- levantar um prédio… Façam o fa- regras de segurança. Samora não família. Claro que cometeu erros e *Neto de Samora Machel, discurso
fícios e os primeiros no sacrifício”. vor de perguntar…Samora onde interveio. Manteve-se Presidente. não foram poucos. Africanos que proferido no dia 4 de Março, no
de

Como os tempos mudaram… arranjou o dinheiro?”. Muito provavelmente “apertou” o somos, dos nossos antepassados lançamento de um álbum fotográfico,
Fazemos o lançamento deste ál- Uma outra citação ão que captou a seu coração de pai, mas manteve devemos colher os bons frutos. “Samora... por Kok Nam”.
bum num momento em que esta-
mos em crise; económica, militar e
moral. Esta obra mostra quão re-
levante a mensagem de Samora se
tornou hoje. Os mesmos inimigos
do povo continuam a existir e mais
fortes ainda: corrupção, tribalismo,
ganância. Isso me deixa a pensar
io

sobre que evolução é que tivemos


como moçambicanos, ou se a análi-
se dele estava muito avançada para
o seu tempo. Assim como os filó-
sofos ocidentais do passado como
ár

Platão, Aristóteles e Sócrates são


relevantes no presente, também as
mensagens de Samora falam da
realidade dos moçambicanos de
ontem, de hoje e de amanhã.
Como um bom médico, Samora
Di

diagnosticou o cancro no Mo-


çambique pós-colonial e queria
combaté-lo antes que se espalhas-
se pelo corpo. Infelizmente, hoje o
cancro já se espalhou pelo corpo e
precisamos de uma terapia urgente,
longa e cara. Mas precisamos tam-
bém de ter coragem para combater
essa doença.
A luta de Samora, o seu discur-
so era para abrir as consciências,
mostrar o caminho e como alcan-
çar os objectivos. Nada escondia
e por isso era muito difícil roubar
à luz do dia. Não podia deixar de
referir a citação contida no álbum
Savana 11-03-2016 11
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o
log
Convite Público
Evento: &RQIHUrQFLD(FRQRPLDH*RYHUQDomR'HVDÀRVH3URSRV-
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Data: 23 de Março de 2016
Local: &HQWURGH&RQIHUrQFLDVGD7'0&LGDGHGH0DSXWR
Entrada: /LYUH QmRUHTXHULQVFULomR

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2ª CONFERÊNCIA ECONOMIA E GOVERNAÇÃO: DESAFIOS E
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1ª CONFERÊNCIA ECONOMIA E GOVERNAÇÃO: DESAFIOS E


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O CIP, IESE e OMR vêm por este meio a convidar os interessados a


participar do evento e a contribuir nos debates.
12 Savana 11-03-2016
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Depois de falhar concessões na Bacia de Angoche

Chipande posiciona-se para negócio de Gasoduto

o
- Adriano Nuvunga, do CIP, chama atenção para que a operação, que poderá ligar Cabo Delgado, em Moçambique, e Gauteng, na África
África do Sul, não se
transforme numa segunda EMATUM
Por Armando Nhantumbo

log
É
mais um daqueles casos que lio João Mandanda Chipande. Cada têm” diz, reiterando que é preciso as-
encerram a promiscuidade um dos accionistas detém 50% da segurar que não seja a cota do gás re-
entre a política e os negó- Chetu”, refere a análise, acrescentan- servado ao gás doméstico que há-de
cios em Moçambique, onde do que “no dia 23 de Junho de 2015, ir para o país vizinho.
os grandes empreendimentos com o casal Chipande, aliás, os sócios da Para o entrevistado, a ser essa cota, é
participação privada, regra geral, Chetu Lda., deliberaram em Assem- preciso assegurar que o gás seja ven-
caem nas mãos da elite frelimista. bleia Geral Extraordinária, realizada dido ao preço do mercado, ressalvan-
Com tentáculos em vários negócios, na sede da empresa (que coincide do contudo que as iniciativas domés-
alguns dos quais conseguidos à meia- com a residência do casal) a partici- ticas moçambicanas não podem ficar
-noite, fruto de negociatas encober- pação da Chetu, Limitada na socie- com défice de provisão de gás porque

ció
tas pela sua forte influência política, dade Profin Consulting, SA”. o mesmo está a ser exportado para a
o general Alberto Chipande, tio do No acto da constituição da Profin, o África do Sul.
actual presidente da República, Fi- casal Chipande foi representado pela Entende, por outro lado, que é pre-
lipe Nyusi, é, juntamente com sua sua filha Doroteia Alberto Chipande ciso assegurar que a construção des-
esposa, Hortência Chipande, um e o CIP publicou documentos oficiais ta mega infra-estrutura não seja, em
dos accionistas do consórcio SacOil- que comprovam todas as ligações. si, lesiva ao Estado, ou seja, nada de
-ENH-Profin que, semana finda, No seu comunicado, o consórcio Alberto Chipande, o todo-poderoso que quer tudo Moçambique aparecer no negócio
anunciou uma ambiciosa intenção SacOil-ENH-Profin diz ter priori- como avalista conforme fez com a
Digital da Radiodifusão que, sem jectos dependerão da avaliação e
de construir um gasoduto de 2600 zado a participação do empresariado Empresa Moçambicana de Atum
concurso público, foi adjudicado à aprovação do Gov Governo, mediante

so
quilómetros ligando a província de nacional, uma vez que integra na sua (EMATUM) que hoje penaliza os
StarTimes, uma empresa participada concurso público que, nos termos da
Cabo Delgado, em Moçambique, à estrutura accionista a Profin, empresa moçambicanos.
pela Focus 21 de Armando Guebuza transparência governativa, deverá ser
província sul-africana de Gauteng, de capitais privados moçambicanos. “Isso significa que não deve ser o Es-
e seus filhos. lançado para o efeito. É que, até aqui,
num orçamento de seis bilhões de “De resto, a garantia da participação tado moçambicano a construir ou o
tudo o que existe são apenas projectos
dólares. do empresariado nacional nos pro- Estado moçambicano a dar garantias
O general vem de uma derrota privados de empresas interessadas na
jectos do sector extractivo e de ou- execução do gasoduto que faz parte soberanas para a construção desse pi-
Quando a notícia chegou, semana A corrida de Alberto Chipande para
tras infra-estruturas tem sido feita do plano nacional de desenvolvimen- peline. Essa tem de ser uma iniciati-
passada, a partir da África do Sul, o negócio da construção do gasodu-
através de empresas da elite política to do gás natural nacional. va puramente privada, impulsionada
criou alguma preocupação para aque- to que poderá ligar Cabo Delgado e
ligada ao partido no poder, como a Por isso, depois do anúncio, seguir- pela demanda do gás na África do
les que, nas memórias, guardam o Gauteng acontece meses depois de o
Profin”, repara a organização que luta Sul” recomendou, sublinhando: “é
um
“homem do primeiro tiro”, juntamen- -se-ão etapas de estudos de viabili-
histórico de um negócio que em 10 pela boa governação, transparência e preciso assegurar que a própria infra-
te com outras figuras sonantes como dade económica e social do projecto
anos, de acordo com uma pesqui- integridade. -estrutura não seja EMATUM 2”.
Raimundo Pachinuapa, José Katu- bem como a elaboração do projecto
sa publicada em 2013 pelo Centro Em Outubro de 2015, a estatal ENH Fora esses dois pontos, Nuvunga diz
pha, Oldivanda Bacar, Abdul Magid de construção do gasoduto, um pro-
de Integridade Pública (CIP), qua- e a Profin do todo-poderoso Alberto que o CIP recebeu a notícia da cons-
Osman e Carimo Abdul Mahomed cesso que não deverá durar menos de
se nada rendeu para Moçambique, Chipande assinaram um acordo para trução do “Renascimento Africano”
Issa, ter perdido, em finais de 2015, seis meses. Depois será submetido ao
nomeadamente, a exploração de gás a “participação como um parceiro de com bastante tranquilidade, uma vez
de Pande e Temane, na província de a batalha na quinta ronda de concur- Governo para análise que se espera
joint-venturee nos projectos de gás so para a concessão de projectos de seja em concurso público. que o gás a sair da bacia do Rovuma
Inhambane, pela multinacional sul- natural integrada, sob reserva da sua precisará de mercado para a sua co-
-africana SASOL que, em contra- pesquisa e exploração de hidrocar- Para além da Chetu, Lda. de Alberto
exequibilidade técnica e viabilidade bonetos na bacia de Angoche, onde Chipande, a Profin, de acordo com mercialização.
partida, era apontada como estando a comercial”, anunciou a SacOil. Até porque considera inevitável a
arrecadar fabulosos lucros no negócio. estavam em jogo 15 concessões, em ofícios publicados pelo Centro de
Assim, o recém-anunciado projecto terra e no mar, com potenciais blocos Integridade Pública, tem na sua es- infra-estrutura e esclarece que tem
Foi assim que, esta semana, o SAVA-
para a construção do gasoduto é o uma diferença fundamental com o
de

NA foi atrás de entendidos na ma- com poços de petróleo naquele distri- trutura accionista, a Phambile - In-
primeiro grande empreendimento to costeiro da província de Nampula. vestimentos, Imobiliária, Logística e projecto da SASOL.
téria para perceber os contornos do
de infra-estrutura ao serviço do gás Mas a empresa dessa nomenklatura, Procurment, Sociedade Unipessoal “O acordo que a SASOL teve foi de
anúncio da SacOil-ENH-Profin.
natural da Bacia do Rovuma em que a Petroinvest, criada em 2014 e sem Limitada, com 18,7%, uma empre- exportar todo o seu gás para a Áfri-
O director do Centro de Integridade
a Profin participa, no âmbito do refe- credenciais petrolíferas conhecidas, sa detida por Milva Luís Ribeiro ca do Sul. A SASOL veio para aqui
Pública, Adriano Nuvunga, abriu as
rido acordo assinado entre a empresa não conseguiu inclusão em nenhu- dos Santos, que em perfis públicos construir uma arquitectura de um
portas do CIP, esta quarta-feira, para
privada do tio e conterrâneo de Filipe ma das propostas de multinacionais apresenta-se como gestora de vendas projecto que envolvia pipeline para a
abordar o dossier que ainda está en-
Nyusi e a ENH. concorrentes. Mais do que isso, a sua e marketing no Serena Polana Hotel. exploração e a exportação do gás para
volto a muitas zonas de penumbra.
Em 2015, Alberto Chipande, depu- proposta de última hora de se can- Foi a 19 de Junho de 2015 que a úni- a África do Sul. É diferente deste
Mais do que dar explicações, Nu-
tado da Assembleia da República e didatar como não operador em duas ca accionista da empresa decidiu, em caso em que temos duas concessioná-
vunga deixou recomendações àqueles
Membro da Comissão Permanente, assembleia-geral extraordinária, par- rias, o grupo da Anadarko e o grupo
io

que, caso o projecto se materialize, concessões na Bacia de Angoche foi


disse tom alto, em plena Universida- desqualificada pelo Instituto Nacio- ticipar na Profin. da ENI que vão explorar quantida-
terão de tomar decisões.
de Eduardo Mondlane (UEM), qual- nal de Petróleos, justamente com ar- Advogada, especialista em Direito da des enormíssimas de gás. Então, eles
O negócio que Chipande quer quer coisa como não era problema gumentos da ausência de experiência Propriedade Intelectual, Contencio- precisam vender o gás. Este grupo
Momentos depois da entrevista, o que os “libertadores” ficassem ricos comprovada na área. so, Comercial e Imobiliário, Joice Re- (SacOil-ENH-Profin) não faz parte
CIP lançava um artigo que revela porque são eles que foram
f à luta. beca Quilambo é a terceira accionista da estrutura accionista das concessio-
ár

as ligações do general Alberto Chi- Numa altura em que choviam críti- O martelo está com o governo singular da Profin. Para além da Pro- nárias do gás”, tranquiliza.
pande com o consórcio que pretende cas de todos os cantos sobre a forma A pretensão da SacOil-ENH-Profin fin, Quilambo tem uma outra empre- Nuvunga diz ainda que o que há até
construir o gasoduto apelidado por nada transparente,
transpar e até de contornos é de construir um gasoduto com 2600 sa registada em seu nome, denomina- aqui é que a empresa sul-africana de
Renascimento Africano. criminosos, como foi criada a insus- quilómetros conectando o norte de da J. Quilambo - Industrial Property, gás e petróleo, a SacOil, associou-se à
De acordo com o CIP, a Profin, parte tentável Empresa
Empr Moçambicana de Moçambique e a África do Sul. Limitada, na qual tem como sócio Profin para fazer um estudo de viabi-
do consórcio que inclui a sul africana Atum (EMATUM), Chipande che- Com um orçamento de seis bilhões Stayleir Marroquim, advogado e can- lidade para financiarem e executarem
SacOil e a Empresa Nacional de Hi- gou a afirmar que os desfalques ao de dólares, a infra-estrutura, caso didato a Bastonário da Ordem dos este projecto.
Di

drocarbonetos (ENH), é uma socie- erário


erár público irão continuar porque proceda, será executada pela China Advogados de Moçambique (OAM). “Não ganharam nenhum concurso,
dade anónima constituída e registada os homens não são santos. Petroleum Pipeline Bureau. No co- não houve nenhum concurso, não
no 1º Cartório
io Notarial de Maputo, a O que é certo é que a promiscuida- municado da semana finda, empresa “Que não seja EMATUM 2” houve nenhuma concessão do Go-
23 de Julho de 2015, por duas empre- de entre a política e os negócios em é descrita como tendo mais de 40 - Adriano Nuvunga verno ou do Estado moçambicano
sas e uma pessoa singular. Moçambique não é de hoje e, nos anos de experiência na área de pes- Em entrevista ao nosso jornal, o di- para este grupo. Este grupo interes-
Trata-se da Chetu, Limitada, com últimos 10 anos, transformou-se uma quisa, engenharia, construção e tec- rector do CIP, muitas vezes crítico ao sou-se pelo projecto. Se constituiu,
46,7% das acções; a Phambile - In- regra. Nos dois mandatos do presi- nologia de construção de gasodutos. Governo, diz que não há problema buscou um parceiro em Moçambique
vestimentos, Imobiliária, Logística e dente Armando Guebuza, ser mem- A empresa sul-africana de gás e pe- em construir um gasoduto desta di- que se chama Profin que foi constitu-
Procurment, Sociedade Unipessoal bro da Frelimo era um passo decisivo tróleo, a SacOil, que anunciou a for- mensão. ída a propósito por pessoas politica-
Limitada, com 18,7% e Joice Rebeca para triunfar nos grandes negócios. mação do consórcio que vai propor Para Adriano Nuvunga, o problemá- mente conectadas (família Chipan-
Quilambo, com a restante percenta- Os exemplos são vários e o CIP cita ao Governo moçambicano a constru- tico é se o gás a ser bombeado para a de). Essas pessoas constituíram um
gem. um dos últimos casos em que o Go- ção do empreendimento, disse que o África do Sul for a da cota reservada consórcio e disseram que hão-de ir
“Por sua vez, a Chetu, Lda. é proprie- verno de Armando Guebuza con- mesmo terá ramificações em “cidades ao mercado moçambicano. buscar financiamento na China. Não
dade de Alberto Joaquim Chipande, cessionou serviços do Estado a uma e assentamentos urbanos” em Mo- “Não está claro ainda se esse gás é tem financiamento, este consórcio é
antigo Ministro da Defesa, membro empresa participada pela família çambique. parte da cota do gás doméstico ou é para fazer estudo de viabilidade. Esse
da Comissão Política do partido Fre- do então Chefe de Estado, nome- De acordo com o CIP, entretanto, a parte do gás que as multinacionais, consórcio não ganhou nenhuma con-
limo, e sua esposa Hortência Corné- adamente, o negócio da Migração para a sua execução, todos os pro- nomeadamente, a Anadarko e a ENI cessão”, diz.
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SOCIEDADE
14 Savana 11-03-2016 Savana 11-03-2016 15
NO CENTRO DO FURACÃO

Relato arrepiante de quem diz ter participado

Há esquadrões de morte para abater opositores


8PDJHQWHFRQÀUPRXWHUSDUWLFLSDGRQDRSHUDomRSDUDDEDWHU'KODNDPDHP=LPSLQJD
5HGDFomRGR6$9$1$HPFRODERUDomRFRPRMRUQDO#9HUGDGH
ma das frentes mais activas SAVANA: Qual é o seu percurso gar e destruir. Nós é que entramos Há bocado fomos a Manica, tive- meio das populações? foi atrás deles como comandante do horas extras, porque nós somos so- porque ali há muita gente que quer
do conflito político-mili- até chegar às Forças Especiais? lá e matamos aquele comandante mos um trabalho, só que lá fomos à Eles (os homens armados da Rena- batalhão independente da Goron- licitados a altas horas da noite ou de subir na base do outro. Pode ir dar
tar, que decorre há vários Agente: Fui militar das Forças Ar- que diziam que era anti-bala; aquele paisana. Recebemos a foto da pes- mo) vivem muito bem com a popu- gosa, até agora. madrugada. Estamos a fazer coisas informação.. uma informação dali
U meses em diversas regiões madas de Defesa de Moçambique morreu com canhão em Muxúnguè. soa que nos disseram que devia ser lação, e a população não denuncia. Então o comandante (nome omiti- que não são aquilo que a lei manda. dentro vale muito. Então ali há mui-
de Moçambique, acontece no dis- (FADM). Comecei a minha forma- Em que outras missões você esteve abatida. Nós não conhecemos bem Esses homens armados da Rena- do) está em Sofala ou em Tete? Até aí os nossos chefes ... nós pensa- to risco. O dinheiro é pouco, mas o
trito de Murrupula, na província de ção militar na Catembe, na Escola envolvido? as pessoas (a serem abatidas). Eles mo são jovens? Esse (nome omitido) está na Go- mos que eles recebem, mas não nos risco é grande. Nós temos todas as
Nampula, norte de Moçambique,
onde um contingente da Polícia da
República de Moçambique(PRM)
de Fuzileiros Navais. Depois fiquei
dois anos à procura de emprego, até
ser incorporado na polícia. Aque-
Nós ficamos no quartel, mas eles
chamam-nos e dizem vão para a
província x. Saímos daqui de avião,
trazem e dizem “vão até à zona x, vai
passar alguém”, dão-nos a informa-
ção toda da pessoa (vestuário, car-
go Dos que já capturamos nunca vi jo-
vens. Aqueles jovens que aparecem
a entregar-se como membros da
rongosa, mas é chamado em todo
o sítio onde há confusão, por isso
mandaram-no para Tete. Fomos
dão. Não é nada patentear a Cabo
quando aquilo ali só acrescenta 200
Meticais no meu salário. Quando
provas que podem implicar muitos
comandantes, porque são eles que
dão as ordens.
foi enviado para a localidade de les que foram à tropa não podem e lá apanhamos viaturas dos coman- ro), dizem para persegui-la até uma Renamo são informadores. Mui- juntos para lá, entre Maio e Setem- eles diziam que haviam de nos agra- Não teme represálias?
Naphuco para repor a ordem, ale- ser cinzentinhos; têm de pertencer dos provinciais. O que me deixa zona onde a polícia não estará. tos daqueles que se entregam estão bro. decer, eu pensei que fosse um valor Para eu tomar a decisão de falar
gadamente perturbada por homens às forças especiais. Fui fazer outra revoltado é que o meu trabalho é Já realizou alguma missão contra a ser chantageados e agora estão a Além do vosso pelotão existem ou- mesmo assim... mas só nos deram
armados da Renamo, e um agente
terá sido raptado. Na verdade, um
formação de anti-motim, de contro-
lo de multidões, no caso de greves.
combater a criminalidade, manter
a ordem e tranquilidade públicas.
Afonso Dhlakama?
Já, só que aquele também é um
lo ter problemas para regularizar os
documentos. Muitos nem são guer-
tros que realizam essas missões?
Não é o único. Outros estão espa-
patente de Segundo Cabo.
Qual é a patente que esperava ter?
sobre isto é porque eu acabava de
cumprir uma missão. Acabava de fa-
zer um trabalho e todos nós saímos
esquadrão de elite das forças gover- Essa formação anti-motim é uma A polícia não é para matar; é para drogado. Primeiro tentamos matar rilheiros. lhados pelas províncias. Talvez se eles falassem de Sargento
a murmurar; saímos mesmo mal, le-
namentais foi enviado para o local.
“(...) fizemos uma defesa circular,
em que todos parámos e concentra-
especialidade, Força de Intervenção
Rápida é outra. Intervenção Rápi-
da é uma força tipo bombeiro, que
apanhar a pessoa, isolar e entregar à
justiça para ser ouvida e de lá darem
seguimento. É o que nós entende-
Dhlakama no distrito de Moma,
mas falhamos. Em Manica, agora,
só que aquele senhor não morre.
ió “Em Tete é que foi mais vergonho-
so porque o comandante que esta-
va lá em frente disse queimem lá”lá
E existe armamento?
Tem carros blindados novos com
canhões. Chegaram novos carros na
Principal ou Sargento...
E qual é a promoção que teve?
Fui promovido de Guarda a Cabo....
sados, fomos atirar em pessoas e nós
saímos lesados.
mos o fogo. Mas sem esperar que Que operação foi?
aparece para resolver um problema mos. Mas aqui neste nosso país al- Quer dizer que o vosso pelotão Quantos homens armados da Re- brigada montada, foram buscar ao porque esse valor não chega a ser
aqueles podiam responder, porque
nós fomos de madrugada. Quan-
do responderam cada um correu à
e acabar. Então, porque é que levam
os que foram à tropa? É Porque es-
guém pode chegar, dar ordens para
entrar no carro, e nós só temos de
estava em Manica atrás de Afonso
Dhlakama?
c Mur
namo estavam em Murrupula?
Não sabemos quanto são, porque
porto de madrugada já estão aí ho-
mens a serem formados. Há canhões
nada se comparado com aquilo que
nós fazemos. Até prefiro mil vezes
Tivemos um trabalho... primeiro fo-
mos a Tete. Então vinha um D4D,
nós estávamos num sítio ali. Saímos
tes sabem disparar vários tipos de cumprir ordens. Ninguém vai apare- O trabalho ali foi assim; mandaram- muitos não andam fardados, eles ZU23, armas de precisão Dragunov, estar a fazer patrulha 24/24, do que
sua maneira e ele ficou”, relata um armas. Por exemplo, eu sei disparar cer a dizer que não quer, porque há -nos para lá alguns dias antes. Fo- vivem com a população. Eles nun- e metralhadoras Pecheneg, todas de ir fazer um trabalho que se fosse com uns carros Prados fomos até
agente das forças especiais da Uni- cerca de 26 tipos de armas. Esses das consequências. Vinham com a foto e mos recebidos por um dirigente ca foram a uma aldeia e começarem fabrico russo. contratado um dia saía a ganhar, um sítio numa sombra onde toma-
dade de Intervenção Rápida (UIR)
da Polícia da República de Mo-
çambique (PRM), que revela ainda
esquadras só sabem disparar pistola
e AKM. Por isso é que aqueles que
diziam: “está aqui, vão mata-bichar e
aí onde vão mata-bichar vai aparecer
(nome omitido). Primeiro eles (o
líder da Renamo e a comitiva) esta-
so a disparar. A Força de Intervenção
Rápida é que queima escolas, se não
Porque é que decidiu revelar-nos
tudo o que tem feito?
porque aquilo é um risco. Nós faze-
mos e assistimos as coisas nos jor-
mos refrescos e sumos. Apareceu
um agente do SISE e disse a foto
é esta aqui; uma foto bem grande.
estiveram na tropa não podem estar alguém, então aquele que vier, pri- vam num comício, a força da escolta sabiam. Nós quando íamos atacar, Tenho filhos por criar, e aquele tra- nais... e aquilo que vocês escrevem
ter realizado várias “missões” de
numa esquadra; têm de estar num meiro isolam o guarda-costas dele que estava lá dava-nos informações. quando entrávamos numa aldeia, balho está a criar-me perturbações não é tudo o que nós fazemos. Quando este aqui aparecer vocês
eliminação de alvos previamente
quartel, então nós temos uma dupla porque virá acompanhado”. Dão Quem organizou aquilo, quem nos começávamos a disparar de um lado mentais. Desde que esta confusão Qual foi a sua primeira operação? hão-de ver; pelo movimento hão-de
identificados pelos comandantes,
uma das quais a 25 de Setembro de
2015, em Zimpinga (41 quilóme-
função; operamos como militares e
como polícias também.
Em que ramo da corporação está
m
toda a informação de que “este virá
acompanhado, o nome não vos va-
mos dizer, mas é esta pessoa na foto
u estava a dar refeições, em que sítio
nós dormimos em Manica, a, o res-
ponsável dizia, “que tal hoje não
para o outro, e todos fugiam. O co-
mandante ligava e dizia que “os ho-
mens da Renamo fizeram isto aqui”,
da Renamo começou as pessoas
estão a morrer. Fui fazer outra for-
mação anti-motim, de controlo de
A minha primeira operação foi
em Nampula, na Rua dos Sem
Medo, naquele ataque à residência
ver. De facto, ninguém nos disse. Vi-
mo-lo a vir primeiro e o guarda-cos-
tas estava no meio, e notou-se que
tros a leste de Chimoio na Estrada
Nacional Número 6, entre Gondo- afecto? e deve ser abatida”. pode falhar nada”. e logo vinham ordens superiores a multidões, no caso de greves. Não é de Afonso Dhlakama, na Rua das este estava protegido. Saímos com
la e a Missão de Amatongas ), onde Sou agente da Polícia, da Unidade Então, as missões não são só contra Mas falharam... dizer “destruam isso aí”. para isto que nós juramos. É por isso Flores. Íamos lá com ordens do Co- ele, seguimos. O nosso carro avan-
a ordem era eliminar fisicamente de Intervenção Rápida. Estive a tra- os homens armados da Renamo? Não falhamos. Muitos morreram, Então, quando as populações fo- que alguns já foram expulsos, por se mandante (nome omitido); ele era o çou primeiro, ficou um outro Prado
balhar na Presidência da República. Em Maputo nunca usamos armas mas aquele velho (Dhlakama) não gem porque dizem estarem a ser recusarem a cumprir certas missões. Comandante Provincial. Ele agora
Afonso Dhlakama, líder da Re-
namo. “Aquele velho (Dhlakama)
não morre”, disse. Leia a seguir um
Fiz curso de franco atirador. Vocês
não sabem o que existe aqui, guer-
e
contra militares. Conforme eu dis-
se, dão-nos a foto e depois vão ouvir
d morre, desapareceu. Ali tem mon-
tanhas, nós ficamos na parte alta, Realizamos missões porta-à-porta resgatar um homem que desapare-
atacadas pelas Forças Governa-
mentais não estão mentir?
Por exemplo, somos chamados para
uma formatura, e daqui para a aqui,
foi substituído.
Quantos vocês são no vosso gru-
porque eram quatro Prados; ficou
um Prado atrás um outro adiantou.
Quando ele vinha foi bloqueado.
relato arrepiante, feito por quem ra existe só que nas cidades não há que um desconhecido foi encontra- não podiam ir outros colegas lá em na província de Sofala, nos distritos ceu com a sua arma. Não estão a mentir. Em Tete é que nos dizem, “senhores, entram no po?
Primeiro atiramos contra o ADC.
diz ter participado e por isso tes- guerra. do morto na zona x, como se tivesse baixo porque senão podia haver fogo de Caia, Marromeu e Gorongo- Está a falar de um vosso colega que foi mais vergonhoso porque o co- carro, levem bazucas”. Bazucas não Estou num grupo separado porque
O ADC deu um tiro para o ar, mas
temunha. “Estamos cansados. Não Onde e desde quando é que há sido um assalto. cruzado, naquilo de que o carro que sa. Chegávamos, batíamos à porta, desapareceu? Como é que desapa- mandante que estava a frente disse são para o controlo anti-motim. há um grupo normal da Intervenção
guerra? Quer dizer que também operam passasse havia de levar, porque não queimem lá essas palhotas, matem Para debelar um motim precisa-se Rápida e há o grupo de acções es- ele foi atingido mortalmente. Logo
ganhamos nada e estamos a sonhar e aqueles que saíam eram mortos. receu?
Estava na escolta presidencial, mas nas cidades? estávamos com armas ligeiras; usa- Obtemos informação dos líderes co- os cabritos, bois e outros animais. de pressão de ar e gás lacrimogéneo. peciais, que é o meu grupo. No meu que ele fez aquilo o carro foi bater
com aquilo”, diz o agente. Nós fomos lá e identificamos uma
O referido agente, cuja identidade fui destacado para Nampula por- Na cidade da Beira, mas onde tra- mos armas próprias para estragar munitários; são eles que nos infor- base da Renamo. Fizemos uma de- Quem foi esse comandante? Agora, quando te dizem para levar grupo somos cerca de 50. num arbusto, e ele (o alvo) quando
não revelamos, nasceu na cidade de que precisavam de franco-atiradores balhei mais foi em Nampula. Em carros. Pusemos ali a mira, sabíamos mam sobre a presença de homens da fesa circular, em que todos paramos O comandante é (nome omitido). roquetes isso é guerra, e para mim E o vosso alvo são os homens ar- tentou sair foi mesmo à queima rou-
Maputo em 1985. Fez os seus estu- para operar as armas pesadas que
ir o
Nampula já seguimos um Nissan que Dhlakama vinha, porque esta- Renamo numa determinada região. e concentramos o fogo, mas sem es- Ele teve problemas de tráfico de dro- não faz sentido. mados da Renamo? pa. Daí saímos e apanhamos o voo e
dos nesta cidade até completar a estão lá; canhões novos de fabrico Navarra branco dupla cabine, com vam no comício e de lá ligavam para Onde é que foi a missão mais re- perar que eles pudessem responder, gas. Foi condenado mas não cum- Também já participou em mani- É o que pensávamos, mas mais tarde voltamos para Maputo.
10ª classe. Em 2005 foi incorpora- russo ZU 23. Já existiam do mes- matrícula vermelha. Seguimo-lo o nosso comandante a avisar que daí cente? já que era de madrugada. Quando priu a pena, foram tirá-lo quando festações? Porque é que levam ar- fomos ver que não só eram eles por- Outro dia já fomos a Nampula far-
do no Serviço Militar Obrigatório
(SMO), que concluiu em 2007.
mo tipo antigas, mas recentemente
chegaram novas. Só na posição de

desde o hotel, no centro da cidade,
fomos via Cipal, um pouco depois
a pouco tempo Dhlakama havia de
passar, que já partiu, alimentem as
Eu fui chamado para Murrupula,
em Nampula, em Janeiro de 2016.
responderam fogo cada um correu à
sua maneira e ele ficou, tinha uma
começaram essas confusões e foi co-
locado como comandante em Nam-
mas com balas verdadeiras?
Quando se vai a um sítio para se
que há certos dias em que vinham
com fotos para fazermos certos tra-
dados. Nós não fazemos isto porque
gostamos de guerra. Não ganha-
“Cumpri a tropa no Centro de For- Gorongosa, onde estive em 2012 da Faina, contornou para a estrada armas, e posicionamo-nos com as Porque conforme já disse, os líderes metralhadora PK de 475 munições pula. Quando começou a instabili- manter a ordem contra um motim balhos, mas só que aqueles já não mos nada. Vale a pena eles, porque
mação de Forças Especiais de Na- e 2015, existiam pelo menos oito. Nampula-Cuamba, e era ali mesmo metralhadoras, mas não sei como comunitários conseguem observar (é uma metralhadora Kalashnikov dade em Nampula foi-se instalar a só tinha de ser com gás lacrimo- aparentavam ser homens da Rena- ganham quando a gente mata, eles
cala Porto”, diz o agente.
Cumprido o serviço militar, e de-
pois de algum tempo em que tra-
Éramos uma força conjunta que
estávamos lá a realizar tiros com
Dragunov, uma arma que usamos
D
que o queríamos. Passamos o mer-
cado Waresta, fomos até antes de
Namina, tem o distrito de Ribáuè,
é que é possível um carro passar a
poucos metros e não ser atingido.
Vários morreram ali mas Dhlakama
os movimentos nas aldeias, e verifi-
car a chegada de pessoas ou grupos
estranhos. Então, chamaram-nos
russa vulgarmente conhecida por
PK), tinha dois carregadores. De-
pois o Comandante ligou e disse
Intervenção Rápida na rua dos Sem
Medo, e foi aí que tudo começou.
Aquele Dhlakama tem medo dele,
géneo e pressão de ar, mas leva-se
Makarov, leva-se AKM para com o
gás lacrimogéneo afugentar a mul-
mo.
Nampula é o sítio onde havia mais
problemas. Porque para acabar aqui-
rebocam gado nos camiões; por
exemplo, o meu comandante, o carro
que está a andar com ele é por cau-
balhou para uma empresa privada para procurar as pessoas indicadas quando saímos de Rapale tem uma conseguiu sair. Ainda perseguimos para lá. Não permanecemos lá; fica- que queria esse elemento vivo ou e do (nome omitido), mais conheci- tidão e fazer demonstração. Em lo ali em Nampula teve de se fazer sa daquele gado que se levou lá na
de segurança, foi incorporado nas e abatê-las, porque temos tido esse grande distância de mato. O nosso mas eles responderam. mos num hotel, como civis, à espera morto, e com a sua arma. do por Adolfo, foi comandante dos todas as manifestações tem de se o trabalho porta-a-porta. Porque os Gorongosa. Nós não levamos nada.
fileiras da PRM. trabalho. primeiro carro, um Prado preto, ul- Quem é que deu as ordens para de indicações para irmos trabalhar”. Como é que vocês comunicam com comandos, um desertor da Renamo. fazer demonstração, pessoas têm de líderes comunitários tinham o seu
E um comandante lá também foi
“Entrei para a polícia; fizeram uma Que trabalho é esse, com quem trapassou e atrás estava outro Pra- essas missões em que você partici- Que tipo de trabalho foi esse? os líderes comunitários? A pessoa com quem anima cum- cair para aquilo parar, é como temos papel de identificar as pessoas; quem
bem chantageado porque o dia que
selecção. Queriam aqueles que ti- você realiza? do, ele praticamente ficou no meio. pou? Há uma base da Renamo numa al- Todos os líderes comunitários, nas prir missões é o comandante (nome feito. Para as pessoas saberem que é o líder, quem é o delegado da Re-
províncias, trabalham com as forças fomos queimar, tivemos ordens de
nham sido militares e que tivessem Somos mais ou menos um pelotão Furámos o pneu de frente, ele per- Sabe, aqui em Moçambique tem deia, é uma coisa de 42 quilómetros omitido), porque nas missões que a próxima bala pode ser para mim, namo. Então a gente ia lá... sem o
governamentais; eles dão informa- queimar motorizadas, aquelas to-
feito o curso de armamento, para de 20 especiais. Quando começou deu a direcção e foi parar perto da pessoas que nunca são mencionadas, depois da Estrada Nacional. Dei- ele comanda não morre ninguém. é aquilo que nós chamamos de de- líder, o líder só dizia aos homens do
serem da Intervenção Rápida, mas aquele problema na Gorongosa, em linha férrea. Nós queríamos um que de quem nunca se fala. Quando há xamos os carros para não provocar ção. Têm a missão de vigiar na al- Agora, ir com o comandante (nome monstração. reconhecimento e o reconhecimento das motorizadas da Renamo, nós
estando na Presidência da Repú- 2011, fizemos uma reciclagem e a estava atrás, a mexer o telefone, um problemas, sempre fala a polícia, os ruído. É uma zona onde não entram deia, e informar sobre a presença de omitido) morre o próximo dele, por- Quer dizer que há entre vós um não abate quem abate somos nós das a incendiar ele levou aquela mota
blica. Trabalhei na RP1 e na RP2”, primeira missão foi em 2012. Nós saiu e queria responder o fogo, mas militares, mas há uns que sempre frequentemente carros; os únicos elementos da Renamo; quem são os que aquele no mato não tira a mão sentimento generalizado de revol- operações especiais. e fugiu. Até hoje está a andar com
diz ele. RP é a sigla para Residên- vamos lá quando a situação não está levou na cabeça. O responsável e o ficam por detrás disso: SISE. São carros que vão para lá vão à procura responsáveis, quem são os delegados, do bolso e não é atingido pelas balas. ta? Os teus colegas também estão des- aquela mota, Badjadja, uma mota
cias Protocolares pertencentes à nada bem. Primeiro, há pessoas que motorista também quando iam sair, grandes, têm informação de tudo de carvão e lenha. Nós fomos a pé. etc. Então nós chegamos, batemos à O comandante (nome omitido) foi Uma das razões é que estamos a fa- contentes? vermelha, sem matrícula até... Co-
Presidência da República. avançam para lá e, quando a situação atiramos mortalmente. Ficaram ali.” isto aqui. Mesmo agora que estou a falar tem porta e levamos a pessoa. comandar em Nampula, então aque- zer um trabalho que não correspon- Lá há muito descontentamento. Só mandante Serafim.
Acompanhe excertos da entrevista não está nada bem, chamam os ati- Que outras missões de que se re- Só actuaram em Nampula, Manica lá forças pertencentes à 6ª Unidade Então, está a dizer que os homens les (Afonso Dhlakama e os seus ho- de com aquilo porque nós juramos que ali não se pode fazer o que... no Aqueles só nos usam, nós não ga-
com o referido agente: radores de armas pesadas para che- corda? e Sofala? da Intervenção Rápida, tentando armados da Renamo vivem no mens) fugiram para Gorongosa, ele e também porque não nos pagam meio de muitos estar a murmurar nhamos nada com isto.
16 Savana 11-03-2016
INTERNACIONAL
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PEDIDO DE MANIFESTAÇÃO DE INTERESSE


FORNECIMENTO DE SERVIÇO DE ALUGUER DE VIATURAS

o
A eni east Africa S.p.A. convida as empresas interessa- indicado abaixo:
KWWSVHSURFXUHPHQWHQLLWLQWBHQJ6XSSOLHUV4XDOLÀ
das a submeterem a sua Manifestação de Interesse para o KWWSVHSURFXUHPHQWHQLLWLQWBHQJ6XSSOLHUV4XDOLÀ-

log
Fornecimento de Serviço de Aluguer de Viaturas. cation/Mozambique-Application (para as candidaturas
HP,QJOrV
O âmbito do trabalho deverá incluir: KWWSVHSURFXUHPHQWHQLLWLQWBLWD)RUQLWRUL4XDOLÀFD
‡$OXJXHUGHYHtFXORVPRWRUL]DGRVGHSDVVDJHLURVOLJHL- Autocandidatura-Mozambico (para as candidaturas em
ros, vans, pick-ups (caixa automática ou manual e 4x4 3RUWXJXrV 
URGDVPRWUL]HV PLQLDXWRFDUURVHDXWRFDUURVHPFXUWR

ció
e longo termo condições; IMPORTANTE
$FDQGLGDWXUDGHYHUi
$FDQGLGDWXUDGHYHU iID]HUUHIHU
ID]HUUHIHUrr
‡2VYHtFXORVDIRUQHFHUGHYHPXVDUFRPRFRPEXVWLYHO $FDQGLGDWXUDGHYHUiID]HUUHIHUrQFLDDRVHJXLQWHFyGLJR
gasolina ou diesel; GHSURGXWRVHUYLoR
%$²0($16
%$²0($1 62)75$1
‡ 3URYLVmR GH VHUYLoRV GH PDQXWHQomR H UHSDUDomR GRV 66%$²0($162)75$1632575(17$/
YHtFXORVDOXJDGRVHVHJXURVFRQWUDVLQLVWURVLQFOXLGR No website de candidatura, na secção “Objecto da Candi-
‡9HtFXORVFRPVLVWHPDGHPRQLWRUL]DomRHDFRPSDQKD- datura”, o campo “Origem do Convite” deverá ser preen-
PHQWRLQFOXLGRVWDLVFRPR*36HRX,906 ,Q9HKLFOH chido com o seguinte: “Serviço de Aluguer de Viaturas”. Viaturas”

so
0RQLWRULQJ6\VWHP  Sujeito à submissão da Manifestação de Interesse e ao
‡9HtFXORVDIRUQHFHUSUHIHUHQFLDOPHQWHGHYHUmRVHUQR- cumprimento com toda a documentação acima indica-
vos e devem cumprir com todos os requerimentos exi- da, as empresas interessadas poderão receber da eni east
RORFDOGHDFRUGRFRPDVHVSHFLÀFD- $IULFDR3DFRWHGH4XDOLÀFDomR
RORFDOGHDFRUGRFRPDVHVSHFLÀFD
JLGRVSHODOHJLVODomRORFDOGHDFRUGRFRPDVHVSHFLÀFD- $IULFDR3DFRWHGH4XDOLÀFDo
ções do fabricante e terem toda a documentação legal; A Eni East Africa S.p.A fará uma avaliação da documen-
‡3URYLVmRGHVHUYLoRGHPRWRULVWDVSDUDDVYLDWXUDVVROL-
SDUDDVYLDWXUDVVROL- tação acima solicitada e, caso o resultado da avaliação
SDUDDVYLDWXUDVVROL
FLWDGDVDFXUWRRXORQJRSUD]R VDWLVIDW
VHMD VDWLVIDWyULR LUi LQFOXLU R FDQGLGDWR QD VXD /LVWD GH
um
‡0RWRULVWDVGHYHPHVWDUKDELOLWDGRVHFHUWLÀFDGRVDFRQ-
‡0RWRULVWDVGHYHPHVWDUKDELOLWDGRVHFHUWLÀFDGRVDFRQ Fornecedores com vista a considerar a empresa em futu-
GX]LU RV YHtFXORV
FXORV VROLFLWDGRV H GHYHP VHU FHUWLÀFDGRV ros processos de concurso relacionados com as activida-
QRV &XUVRV GH &RQGXomR R 'HIHQVLYD H 3ULPHLUR 6RFRU-
6RFRU
RFRU- des em questão.
ros; A solicitação de informação e documentação tem como
‡0RWRULVWDVGHYHPIDODUÁXHQWHPHQWH3RUWXJXrrVHSUH
‡0RWRULVWDVGHYHPIDODUÁXHQWHPHQWH3RUWXJX
‡0RWRULVWDVGHYHPIDODUÁXHQWHPHQWH3RUWXJXrVHSUH- VHSUH-- REMHFWLYRLQLFLDUXPD´DYDOLDomRSDUDTXDOLÀFDomRµHGDU
REMHFWLYRLQLFLDUXPD´DYDOLDo
VHRX,WDOLDQRHRX)UDQFrrV
VHRX,WDOLDQRHRX)UDQF
IHUHQFLDOPHQWH,QJOrVHRX,WDOLDQRHRX)UDQFrV uma oportunidade às empresas seleccionadas de forne-
‡2VVHUYLoRVGHYHPVHUH[HFXWDGRVSULRULWDULDPHQWHQDV FHU GHWDOKHV GD VXD HVWUXWXUD OHJDO JHVWmR H[SHULrQFLD
UHDV PHWURSROLWDQDV GH 0DSXWR 3HPED H 3DOPD QmR
iUHDV Qm recursos e sua capacidade global para executar o serviço.
Qm
de

HVQRWHUULWy
HVQRWHUULWyULR0RoDPELFD Este inquérito não deverá ser considerado um convite
H[FOXLQGRRXWUDVORFDOL]Do}HVQRWHUULWyULR0RoDPELFD-
no; para concurso e portanto, não representa nem constitui
‡2VYHLFXORVHPRWRULVWDVGHYHPHVWDUKDELOLWDGRVDYLD nenhuma promessa, obrigação ou compromisso de qual-
‡2VYHLFXORVHPRWRULVWDVGHYHPHVWDUKDELOLWDGRVDYLD-
MDUSDUDRVSDLVHVYL]LQKRVWDLVFRPRÉIULFDGR
MDUSDUDRVSDLVHVYL]LQKRVWDLVFRPRÉIULFDGR6XO6X- quer tipo da parte da eni east Africa S.p.A em celebrar
D]LOkQGLD7DQ]DQLDHRXWURV contratos ou acordos com qualquer empresa que partici-
pe do presente inquérito.
io

As empresas interessadas em participar deverão subme- Consequentemente, todos os dados e informações forne-
ter a seguinte informação e documentação: cidos pela empresa não deverão ser considerados como
1. Estrutura da Empresa e do Grupo com a lista dos prin- um compromisso por parte da eni east Africa em celebrar
FLSDLVDFFLRQLVWDVHGRVEHQHÀFLiiULRVÀQDLV FDVRDHPSUH um contrato ou acordo com a empresa, nem deverá pos-
FLSDLVDFFLRQLVWDVHGRVEHQHÀFL
FLSDLVDFFLRQLVWDVHGRVEHQHÀFLiULRVÀQDLV FDVRDHPSUH-
ár

RHVWHMDFRWDGDQDEROVDGHYDORUHV
VDQmRHVWHMDFRWDGDQDEROVDGHYDORUHV  VLELOLWDUTXHDHPSUHVDUHLYLQGLTXHTXDOTXHULQGHPLQL]D-
SLDDXWHQWLFDGDGD&HUWLG
6FDQGDFySLDDXWHQWLFDGDGD&HUWLGmRGH5HJLVWR&R- ção da parte da eni east Africa S.p.A.
mercial e nome da Entidade Legal; 7RGRVRVGDGRVHLQIRUPDo}HVIRUQHFLGRVQRkPELWRGHVWH
3HVVRDGHFRQWDFWRSDUDUHFHSo
3HVVRDGHFRQWDFWRSDUDUHFHSomRGDLQIRUPDomR LQTXpULWRVHUmRWUDWDGRVFRPRHVWULWDPHQWHFRQÀGHQFLDLV
Di

4. Declaração de conformidade; e não serão divulgados ou comunicados a pessoas ou em-


5HIHUrQFLDV H EUHYH GHVFULomR
5HIHUr
 5HIHUrQFLDV GHVFULo GRV VHUYLoRV SUHVWDGRV SUHVDVQmRDXWRUL]DGDVFRPH[FHSomRGDHQLHDVW$IULFD
GXUDQWHRV~OWLPRV WUrr
GXUDQWHRV~OWLPRV WU
GXUDQWHRV~OWLPRV WUrV DQRVUHODWLYDPHQWHDRIRUQHFL- S.p.A.
mento do serviço acima mencionado; 2SUD]RSDUDDVXEPLVVmRGD0DQLIHVWDomRGH,QWHUHVVH
ÔOWLPREDODQoRÀQDQFHLUR5HODW
ÔOWLPREDODQoRÀQDQFHLUR5HODWyULR$QXDOGDHPSUH- através do nosso website termina no dia 31 de Março de
VDHRXGR*UXSR FDVRVHMDDSOLFiYHO FRPSURYDQGRFD- 2016.
SDFLGDGHÀQDQFHLUDPtQLPDSDUDDH[HFXomRGRREMHFWR 4XDLVTXHUFXVWRVLQFRUULGRVSHODVHPSUHVDVLQWHUHVVDGDV
do trabalho. na preparação da Manifestação de Interesse serão da total
responsabilidade das empresas, as quais não terão direito
As empresas interessadas deverão submeter a sua Mani- a qualquer reembolso por parte da eni east Africa S.p.A a
festação de Interesse, através do seu registo no website este respeito.
Savana 11-03-2016 17
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SOCIEDADE

REQUEST FOR EXPRESSION OF INTEREST


SUPPLY OF RENTAL CARS SERVICE

o
Eni East Africa S.p.A. invites interested companies to https://eprocurement.eni.it/int_eng/Suppliers/Quali-
VXEPLW([SUHVVLRQVRI,QWHUHVWIRUWKH3URYLVLRQ5HQWDO ÀFDWLRQ0R]DPELTXH$SSOLFDWLRQ(for
ÀFDWLRQ0R]DPELTXH$SSOLFDWLRQ(for applications in

log
Cars Service. (QJOLVKODQJXDJH
7KHVFRSHVKDOOLQFOXGH KWWSVHSURFXUHPHQWHQLLWLQWBLWD)RUQLWRUL4XDOLÀ-
KWWSVHSURFXUHPHQWHQLLWLQWBLWD)RUQLWRUL4XDOLÀ
‡ 5HQWDO VHUYLFHV IRU PRWRUL]HG OLJKW SDVVHQJHU YHKL- ca/Autocandidatura-Mozambico (for applications in
cles, vans, pick-ups (automatic or manual gearbox and 3RUWXJXHVH,WDOLDQODQJXDJH
3RUWXJXHVH,WDOLDQODQJXDJH
[ZKHHOGULYH PLQLEXVHVDQGEXVHVLQVKRUWDQG
long term conditions; IMPORTANT:
‡7KHYHKLFOHWRSURYLGHVKRXOGXVHDVIXHOJDVROLQHRU 7KHVXEPLVVLRQPXVWUHIHUWRWKHIROORZLQJFRPPRGLW\

ció
diesel; code:
‡3URYLVLRQRIPDLQWHQDQFHVHUYLFHDQGUHSDLURIUHQWHG 66%$²0($162)75$1632575(17$/
%$²0($16
%$²0($1 62)75$1
2)75$16 6
vehicles and insurance against accidents included; :LWKLQWKHZHEVLWHDSSOLFDWLRQXQGHUWKHVHFWLRQ´7\SH
‡ 9HKLFOHV ZLWK PRQLWRULQJ DQG IROORZXS V\VWHP LQ- RI WKH $SSOLFDWLRQµ SOHDVH FKRRVH ´5HFRPPHQGDWLRQ
FOXGHGVXFKDV*36DQGRU,906 ,Q9HKLFOH0RQLWR- or invitation received by eni” and as “Origin of invita-
ULQJ6\VWHP  WLRQµVSHFLI\´&$55(17$/6(59,&(µ
WLRQµVSHFLI\´&$55(17$/
‡9HKLFOHVWREHSURYLGHGSUHIHUDEO\VKRXOGEHEUDQG
new and must comply with all the requirements requi-
red by local law, in accordance with the manufacturer’s
VSHFLÀFDWLRQVDQGKDYHDOOWKHOHJDOGRFXPHQWDWLRQ
‡3URYLVLRQRIVHUYLFHRIGULYHUVIRUWKHFDUVUHTXHVWHG
in the short or long term conditions;
so
Subject to the submission of the application and to the
compliance of all the above documentation, Compa-
nies interested in this Expression of Interest may recei-
YHIURPHQLHDVW$IULFDWKH4XDOLÀFDWLRQ3DFNDJH
Eni East Africa will evaluate the above requested docu-
PHQWDWLRQDQGLIVDWLVÀHGZLOOLQFOXGHWKHDSSOLFDQWLQ
um
‡'ULYHUVPXVWKDYHOLFHQVHWRGULYHWKHYHKLFOHVDQG its Vendor List for consideration in future tender pro-
&HUWLÀFDWLRQDVDPLQLPXPLQ'HIHQVLYH'ULYLQJ&RXU-
&HUWLÀFDWLRQDVDPLQLPXPLQ'HIHQVLYH'ULYLQJ&RXU- cesses regarding the subject activities.
ses and Basic First Aid; 2QO\TXDOLÀHGFRPSDQLHVRUFRQVRUWLDRU-9WKDWKDYH
‡ 'ULYHUV PXVW VSHDN ÁXHQW 3RUWXJXHVH DQG LGHDOO\ proven capability and recent experience of supplying
NQRZOHGJHRI(QJOLVKDQGRU,WDOLDQDQGRU)UHQFK the above required services will be considered for po-
‡7KHVHUYLFHVPXVWEHH[HFXWHGPDLQO\LQPHWURSROL-
‡7KHVHUYLFHVPXVWEHH[HFXWHGPDLQO\LQPHWURSROL tential tenders for the scope of service described above.
WDQDUHDVRI0DSXWR3HPEDDQG3DOPDZLWKRXWH[FOX-
WDQDUHDVRI0DSXWR3HPEDDQG3DOPDZLWKRXWH[FOX 7KHSXUSRVHRIWKHLQIRUPDWLRQDQGGRFXPHQWVUHTXHVW
GLQJRWKHUORFDWLRQVLQ0R]DPELTXH LVWRVWDUWD´TXDOLÀFDWLRQDVVHVVPHQWµDQGWRJLYHDQ
de

‡7KHYHKLFOHVDQGGULYHUVPXVWEHDEOHWRWUDYHOWRQHL-
‡7KHYHKLFOHVDQGGULYHUVPXVWEHDEOHWRWUDYHOWRQHL opportunity to the selected companies to provide de-
JKERULQJ FRXQWULHV VXFK DV 6RXWK
RXWK $IULFD 6ZD]LODQG
6ZD]LODQG tails of their legal structure, management, experience,
7DQ]DQLDDQGRWKHUV resources and overall capability to perform the service.
7KLV HQTXLU\ VKDOO QRW EH FRQVLGHUHG DQ LQYLWDWLRQ WR
7KH &RPSDQLHV LQWHUHVWHG LQ WKLV LQYLWDWLRQ PD\ VXE-
VXE bid and therefore it does not represent or constitute any
mit, the following required information and documen- promise, obligation or commitment of any kind on the
io

tation: part of eni east Africa, to enter into any agreement or


1. Company and Group Structure with the list of all arrangement with you or with any company participa-
6KDUHKROGHUVDQGWKHQDPHRIWKHXOWLPDWHEHQHÀFLDULHV
KDUHKROGHUVDQGWKHQDPHRIWKHXOWLPDWHEHQHÀFLDULHV ting in this enquiry.
LIQRWOLVWHGLQWKHVWRFNH[FKDQJH 
LIQRWOLVWHGLQWKHVWRFNH[FKDQJH 
LIQRWOLVWHGLQWKHVWRFNH[FKDQJH Consequently all data and information provided by
ár

6FDQQHG&HUWLÀHGFRS\RIWKH7UDGH5HJLVWHU/HJDO
FDQQHG&HUWLÀHGFRS\RIWKH7UDGH5HJLVWHU/HJDO you shall not be construed as a commitment on the part
Entity name of eni east Africa to enter into any agreement or arran-
&RQWDFWSHUVRQIRUUHFHLYLQJTXDOLÀFDWLRQDQGFRP-
&RQWDFWSHUVRQIRUUHFHLYLQJTXDOLÀFDWLRQDQGFRP gement with you, nor shall they entitle your company
mercial information; to claim any indemnity from eni east Africa.
Di

4. Compliance
mpliance declaration; All data and information provided pursuant to this en-
5HIHUHQFHV EULHIGHVFULSWLRQVHUYLFHVSURYLGHGGX-
5HIHUHQFHV EULHIGHVFULSWLRQVHUYLFHVSURYLGHGGX TXLU\ZLOOEHWUHDWHGDVVWULFWO\FRQÀGHQWLDODQGZLOOQRW
ULQJWKHODVW WKUHH \HDUVZLWKUHJDUGVWRSURYLVLRQRI
ULQJWKHODVW WKUHH \HDUVZLWKUHJDUGVWRSURYLVLRQRI
ULQJWKHODVW WKUHH EHGLVFORVHGRUFRPPXQLFDWHGWRQRQDXWKRUL]HGSHU-
above service; sons or companies except eni east Africa.
/DWHVWEDODQFHVKHHW$QQXDO5HSRUWRIWKHFRPSDQ\ 7KHGHDGOLQHIRUWKHVXEPLVVLRQRI([SUHVVLRQRI,QWH-
DQGRIWKHFRPSDQ\JURXS LIDSSOLFDEOH SURYLQJPLQL- rest through our website is set at 31st March 2016.
PXPÀQDQFLDOFDSDFLW\IRUWKHUHDOL]DWLRQRIWKHVFRSH
of work. Any cost incurred by interested companies in prepa-
Companies interested in this invitation may submit ring the Expression of Interest shall be fully born by
their Expression of Interest on our website indicated Companies who shall have no recourse to eni east Afri-
below: ca in this respect.
18 Savana 11-03-2016
OPINIÃO

EDITORIAL Cartoon
8PROKDUVREUHD
UHYLVmRGD&RQVWLWXLomR

o
N
este momento, os dois principais partidos do nosso parla-
mento tri-partido têm unanimidade sobre um único pon-

log
to. Uma rara excepcionalidade em si, considerando o seu
patológico antagonismo. Embora a partir de abordagens
completamente distintas, quer a Frelimo quer a Renamo estão de
acordo quanto à necessidade de se avançar com um processo de
revisão da Constituição da República.
A única coisa que os distingue é o alcance dessa revisão constitu-
cional. A Renamo quer que seja um acto pontual, destinado apenas
a permitir que ela governe seis províncias que se situam a norte do
Rio Save, onde reivindica ter obtido maioria nas eleições gerais de

ció
2014. Liderança
derança Jurássica
Jurá

Por seu lado, a Frelimo pretende que a revisão seja mais abrangen-
te. Mais abrangente do que a sua própria versão de revisão pontual
na legislatura passada.
$ÀORVRÀDQDÉIULFD/XVyIRQDFHQiULRVQDFLRQDLVHSHUVSHFWLYDV
$ÀORVRÀDQDÉIULFD/XVyIRQDFHQiULRVQDFLRQDLVHSHUVSHFWLYDV
O processo de produção de uma Constituição, que de entre outras LQWHUQDFLRQDLVDSDUWLUGRSHQVDPHQWRGH6HYHULQR(OLDV1JRHQKD
LQWHUQDFLRQDLVDSDUWLUGRSHQVDPHQWRGH6HYHULQR(OLDV1JRHQKD
coisas implica fazer escolhas sobre como a sociedade se organiza
é, eminentemente, um acto político que deve ter como base expe- Por Luca Bussotti*
riências do passado, ao mesmo tempo que incorpora as aspirações

A
filosofia na África Lusófona da revista «Philosophia Africana», é contemporânea. Aqui o jogo de cintura
do futuro. desde sempree representa uma quem conduz a entrevista central jun- resulta evidente, assim como as dificul-

so
A actual Constituição em vigor foi um esforço para o estabele- parte extremamente
emamente marginal to com Severino Ngoenha. Dos mui- dades de propor um pensamento livre e
cimento do Estado de Direito, dentro de um novo contexto de do pensamento filosófico afri- tos assuntos que a entrevista aborda (e de libertação no interior dum país que
democracia multipartidária introduzida pela revisão de 1990. De cano que, por seu turno, é periférico se que os vários artigos dos autores acima se encontra ainda «amarrado» aos fan-
facto, foi a primeira Constituição da República a ser aprovada por comparado com os eixos fundamentais mencionados tocam e desenvolvem, tasmas do seu passado e às promissoras
um parlamento resultante de eleições multipartidárias. do pensamento moderno e contempo- cada um à sua maneira), gostaria aqui riquezas do seu presente e futuro. Que
Uma revisão constitucional do tipo daquela que é proposta pela râneo. Esta situação de «dupla perife- de realçar dois, mutuando inclusive al- tipo de espaço poderá haver um filósofo
ricidade» não é difícil de entender, uma guma temática do último livro de Ngo- que pauta pela procura duma democra-
Renamo tem algumas limitações óbvias. Cria para um conjunto de
vez que o continente africano não está enha, Terceira Questão. cia «autêntica», participada e conscien-
províncias um estatuto que as diferencia das restantes em termos no centro da economia e das relações O primeiro tópico tem a ver com a pos- te? Que tipo de espaço poderá haver
da sua relação com o poder central. Assim teríamos as três provín- internacionais e, dentro deste continen- tura da filosofia moçambicana relativa- um filósofo que coloca no centro das
um
cias do sul e uma do norte a serem regidas pela actual Constituição, te, os países de língua oficial portugue- mente às questões fundamentais que suas reflexões e, porque não, sugestões,
e as restantes por um novo dispositivo consagrado a título pontual. sa (PALOPs) também encontram-se ela aborda, desde a sua recente origem. a questão «ética», o «bem comum», ou
É desnecessário dizer que este cocktail será o ponto de partida numa situação de marginalidade. Como Ngoenha destaca, o objectivo seja, todos aqueles elementos que, desde
para o desmembramento do Estado moçambicano na sua actual Assim sendo, são raros os congressos e sempre foi, desde o início, olhar para o o seu surgimento, a filosofia considerou
configuração. Os que defendem esta posição insistem que esse não as conferências internacionais, sem falar futuro muito mais do que para o pas- como fundantes duma sociedade justa e
é o objectivo, mas em termos práticos é isso mesmo o que se pre- das publicações, em que pensadores da sado. E isso significa, citando Derrida, transparente?
África Lusófona conseguem mostrar as procurar inter-relações, intercultura-
tende; dois países num único Estado. Se há necessidade de conferir Responder a estas perguntas é tarefa
suas reflexões sobre a sociedade actual, lidades e encontros, uma vez que «a complicada, pois o filósofo – e disso
uma maior autonomia às províncias, tal como isso tem vindo a ser nomeadamente sobre os países em que filosofia não tem passaporte». Parecem
defendido em vários sectores, é importante que esse processo seja Severino Ngoenha e todos os outros
eles encontram-se a actuar. afirmações banais, mas não o são: se a
conduzido numa base de igualdade. têm pleno conhecimento – vive e ac-
A revista internacional «Philosophia filosofia de Ngoenha, Castiano, Ma-
tua dentro dum meio social e político
Mas há outras questões que a futura revisão da Constituição deve Africana», no seu primeiro número de zula, ou seja, dos iniciadores, tivesse
determinado historicamente e social-
levar em conta. Uma delas é como garantir que o Presidente da 2015 (o Volume 17 da sua história), olhado para o passado, isto ia significar,
de

mente. Isso significa que ele não tem o


Repúblicaa seja uma figura que se coloca acima de interesses par- procura suprir parcialmente a esta la- primeiro, criar uma fratura insanável
mesmo espaço de actuação (ou quere-
tidários. cuna. Fá-lo através das intervenções entre antigos colonizadores e, por ex-
mos usar a palavra certa: de liberdade?)
No actual figurino, tem sido prática que o candidato à Presidência de investigadores da área das ciências tensão, Europeus, e o novo Moçambi-
independentemente do país onde ele
sociais e da filosofia, que reflectem so- que, acima de tudo do ponto de vista
da Repúblicaa seja também o presidente do partido pelo qual ele se encontra. Por esta razão ele tem de
bre o papel que esta disciplina tem de- das referências culturais e éticas; segun-
concorre. Torna-se difícil que nessas circunstâncias, e no exercício compreender os âmbitos de manobra
sempenhado e continua a desempenhar do, e mais grave, ia significar continuar
das suas funções, ele não seja influenciado nas suas decisões pelo hoje em dia. O foco exclusivo é sobre a reproduzir o conflito, ora explícito, possíveis em Moçambique hoje, assim
estatuto que ocupa como presidente de um partido. O actual de- Moçambique, o país que mais de todos ora latente, entre Moçambicanos, pro- como os dirigentes políticos deveriam
bate sobre a despartidarização do Estado tem a ver em parte com os outros tem contribuído ao avanço da curando responsabilizar esta ou aquela melhor delinear onde é que o filósofo
esta coincidência das funções de Presidente da República com as filosofia nos PALOPs. fação política relativamente às circuns- (ou, mais em geral, o cientista social)
poderá contribuir para que um cami-
io

de líder de um partido.. Os recursos que são destacados para o pre- A figura central deste número da «Phi- tâncias que levaram ao conflito dos 16
losophia Africana» é sem dúvidas Se- anos, que infelizmente foi retomado em nho de paz e de bem-estar para todos
sidente do partido, em missões de natureza puramente partidária,
verino Ngoenha, actualmente Reitor da 2013 e continua até hoje. Olhar para possa ser retomado, independentemen-
são muitas vezes confundidos com os que são colocados à sua dis-
Universidade Técnica de Moçambique o futuro duma maneira intercultural, te dos posicionamentos partidários.
posição na qualidade de Chefe do Estado. A pergunta final que surge espontânea
(UDM), considerado por todos os ou- portanto, revela o intuito de construir
Numa outra vertente, a transparência que se deseja no funciona- é a seguinte: será que não estamos a
tros como o iniciador dum pensamento uma sociedade nova e possível, em que
mento das instituições do Estado poderia ser minimamente garan- precisar dum novo contrato, além dos
ár

filosófico autónomo em Moçambique. pessoas e grupos diferentes do ponto de


tida se cargos como os do Governador do Banco de Moçambique, De forma mais ou menos explícita, os vista das suas ideias políticas, religiosas, que Ngoenha tem proposto há muito
do Presidente do Tribunal Supremo e dos presidentes dos conse- textos de Elísio Macamo, José Castia- éticas, culturais, conseguem conviver tempo, em que os filósofos (e, no geral,
lhos de administração das empresas públicas fossem preenchidos no, Ergimino Pedro Mucale e Marco pacificamente entre elas, dando uma os cientistas sociais) concordam com os
através
és de concursos públicos. Massoni reflectem a volta da proposta esperança concreta às novas gerações. dirigentes políticos um inédito espaço
Um modelo como este poderia também possivelmente aliviar os filosófica de Ngoenha, principalmente O outro aspecto que convém realçar, recíproco de respeito, acção e interven-
titulares destes cargos da pressão política que muitas vezes sofrem no que diz respeito ao paradigma de e que encontra uma explicação clara ção, muito além das simpatias partidá-
Di

libertação que ele há muito tempo vem sobretudo nas análises de Castiano e rias que cada um pode ter?
no processo de tomada de decisões por parte dos seus superiores
propondo, juntamente com o novo con- Mucale, além que em Terceira Questão Se Moçambique estiver preparado para
na hierarquia
arquia partidária. E certamente que ajudaria muito a afastar
trato social pensado para Moçambique. do próprio Severino Ngoenha, tem a este desafio, o caminho da filosofia e da
os fantasmas da exclusão. Anke Graness, da Universidade de Vie- ver com o papel que o filósofo pode de- liberdade poderá continuar a ter evolu-
na, organizadora deste número especial sempenhar na sociedade moçambicana ções particularmente interessantes.

KOk NAM Editor Executivo: Paulo Mubalo (Desporto). (824576190 / 840135281)


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Savana 11-03-2016 19
OPINIÃO

RELATIVIZANDO
3RU(ULFLQRGH6DOHPD

7HPSRGH1\XVLVHUHYHODU

o
O
Presidente da Repúbli- das “decisões” do CNDS, o que Igreja Católica, duas entidades no mais curto espaço de tempo oposição tivesse proposto quadros
ca (PR), Filipe Jacinto se nos afigura no mínimo “inte- avançadas pelo maior partido da possível, “devolvido a bola”, como seus ou da sua confiança
confianç para,
Nyusi, enviou, na última ressante”, por este órgão, à seme- oposição moçambicana em finais se diz na gíria desportiva, ao PR também, cuidarem das questões

log
sexta-feira, 4 de Março, lhança do Conselho de Estado, de 2015. (um claro desafio), a quem com- práticas de preparação do encon-
por via do seu gabinete, uma carta não nos parecer ter competências Esta segunda-feira, 7 de Março, a pete,, igualmente, agir de imedia- tro (incluindo, nisso, a discussão
à liderança da Renamo, o maior para decidir seja o que for, limi- Renamo anunciou, em conferên- to, a bem deste direito natural: a de mediadores), tal seria ao todo
partido da oposição em Moçam- tando-se apenas à produção de cia de imprensa, ter já respondido paz! positivo, pois o tempo urge.
bique, através da qual o Chefe do recomendações. ao convite que lhe foi endereçado Apesar de a Renamo manter al- Enquanto isso, quanto mais o
Estado convida Afonso Macacho Por outro lado, o convite de Nyu- pelo PR, tendo declinado entrar gumas questões prévias, o que, a tempo passa parece crescer a
Marceta Dhlakama e o seu parti- si é feito numa altura em que a em detalhes, alegadamente por nosso ver, até se acham justifi- pressão sobre Nyusi, que, há
do ao reatamento do diálogo, sem Renamo já dissera, publicamente, somente o gabinete de Nyusi ter cáveis, por a confiança entre as cerca de um mês, admitiu publi-
pré-condições, visando o reesta- que a condição prévia para o re- legitimidade para tal. Entretan- partes quase inexistir em abso- camente que já estava a perder

ció
belecimento da paz efectiva no atamento do diálogo era que ela to, a mesma foi por outras vias luto por estes dias, o facto de ela paciência. Ou seja, Nyusi está já
país. assumisse, primeiro, plena e efec- tornada pública, significando, si- ter recuado da exigência que, em a caminhar para o segundo ano
O convite de Nyusi a Dhlakama tivamente, a governação nas seis multaneamente, uma vitória e um boa verdade, constitui o âmago da sua administração, com muito
ocorre uma semana depois de o províncias em que, supostamente, desafio ao PR: se, por um lado, a da questão em diferendo (gover- pouco, senão quase nada, de ma-
PR, na sua qualidade de coman- venceu nas eleições de 2014; outra Renamo desiste do início da go- nação
ão das seis províncias em que terialmente relevante em termos
dante-chefe das Forças de Defesa exigência da Renamo, de há duas vernação nas seis províncias em diz ter ganho), é uma boa notícia. de resultados, tendo em conta que
e Segurança, ter presidido a um semanas, igualmente em jeito que reivindica ter ganho, manten- Defendendo ele que “a única al- o ambiente de quase guerra acaba
encontro do Conselho Nacional de condição prévia, é no sentido do, entretanto, Jacob Zuma, Igre- ternativa à paz é a própria paz”, esvaziando o pouco que ainda se
de Defesa e Segurança (CNDS), de a União Europeia (UE) fazer ja Católica e a UE como media- apesar de tal ainda carecer de poderia citar como avanços.

so
de tal sorte que o próprio convite parte da equipa de mediadores, dores (o que nos parece ece ser uma consubstanciação material, preve- O próximo (2017) será o último
ao líder da Renamo referia que o juntamente com o Presidente da vitória parcial paraa o PR), há, por mos que o PR parta de imedia- da governação de Nyusi que não
mesmo era feito como corolário África do Sul, Jacob Zuma, e a outro, o facto de a Renamo ter, to para a discussão das questões seja um ano eleitoral, tendo em
prévias colocadas pela Renamo. conta que o país vai a eleições em
Muito provavelmente, talvez terá 2018 (autárquicas) e em 2019
que admitir a mediação de parte (gerais e para as assembleias pro-
dos entes que são propostos pela vinciais). Se a questão da insta-
Renamo ( Jacob Zuma e Igreja bilidade político-militar não for
um
Católica), sendo pouco provável resolvida este ano, não é preciso
que faça o mesmo em relação à ser génio para prever que tal po-
UE. Nisso, não será de estranhar derá ter custos políticos elevados
que o PR também proponha um para a Frelimo, de que Nyusi é
presidente desde 29 de Março de

Depoimento 3
ou outro mediador, eventualmen-
te para ‘desequilibrar’ o aparente 2015.
‘equilíbrio’ existente entre Jacob Diferentemente de muitos, que
dizem que Nyusi teve o azar de se

(
Zuma e a Igreja Católica.
Seja como for, há uma questão de tornar PR num momento com-
ssineta, sim, com dois esses. partir,, ficando; ou me apetece ficar, a sociedade quer pôr de lado por
fundo nisto: quando endereçou a plicado para o país (conjuntura
Mas podes tratar-me por partindo.. O azul do céu e o azul do razões que nem têm racionalidade
Netinha. Hahaha… É um carta-convite à Renamo, Nyusi económica desfavorável, severi-
mar sugerem-me um universo sem nenhuma, ou seja, tenho aqui seis
de

tratamento de uso restrito, constituiu uma equipa, consti- dade das mudanças climáticas,
limites, uma vontade de ser e não raparigas declaradamente lésbicas.
mas traz-me à memória os mo- ser. Tenho também homossexuais e tuída por três moçambicanos da instabilidade político-militar,
mentos mais felizes da minha vida; Netinha também me sugere ou- transsexuais, e tenho duas senho- sua confiança, para cuidarem da etc.), continuamos a pensar que
traz-me à memória a minha infân- tros momentos de felicidade, mui- ras a quem a vida quis pôr de lado, preparação logístico-operacional tal deve ser relativizado, pois é em
cia livre e despreocupada, feita de de: quando o céu ficava
to mais tarde: mas que agora, aos 40 anos, sentem desse encontro entre si e Dhlaka- momentos destes que os líderes se
cores e sons. elas e eu me enroscava no
sem estrelas que podem mudar um pouco de ma, mas a Renamo, na sua tem- revelam. Como diria o outro: um
A cor verde, de finais de ano e corpo do Amós, meu marido, que estilo de vida sendo prestáveis para pestiva resposta, primou pelo PR deve resolver os problemas
princípios de outro, quando os ca- Deus o tenha, feita um novelo de a sociedade. Eram prostitutas, tra- silêncio quanto a isso. Achamos do povo e não se transformar em
jueiros ficavam verdes, de um verde lã, ou de linho ou de seda; um cáli- balharam durante muito tempo na nós que se o maior partido da mero analista ou comentador!
io

profundo e denso, quando as man- ce de néctar, os meus seios túrgidos, Rua Araújo, no Dancing Penguin.
gueiras também ficavam densas, duros de encontro ao peito dele, os Dou-me muito bem com todos
quando as mafurreiras e as árvores meus cabelos confundindo-se com eles.
de jambolão - a que na nossa in- os pêlos do seu peito
peito. Sim, porque Apesar dos meus 90 anos, ainda
génua infantilidade chamávamos o Amós tinha essa particularidade me sinto bem quando os bisnetos
jambalão - assim também ficavam. que eu adorava e que muito pou- ou trinetos me tratam por “vovó
ár

E mesmo assim, era um verde que cas mulheres conheciam. Talvez eu Netinha”. Eu fui muito bela, sabes! Email: carlosserra_maputo@yahoo.com
contrastava profundamente com o fosse a única, tirando a mãe dele: E, aliás, se reparares bem em mim, Portal: http://oficinadesociologia.blogspot.com
vermelho do fruto, sob o peso do o Amós tinha um peito cheio de vais notar que ainda tenho traços 467
qual essas mesmas árvores quase pêlos. E no meio desse devaneio dessa beleza no meu rosto. O meu
que se ajoelhavam. Era o caju, era
a mafurra, eram as mangas, era o
de dilúvio, quando se dava o fragor
terramoto sobre nós e os nossos
de terr
cabelo está todo branco, o que me
dá um ar, não digo de superiorida- Crianças e aprendizagem
Di

jambolão. lábios se transformavam em tentá- de, mas de felicidade e autoridade

A
Mas também me traz a cor ala- culos de mel, a única coisa que ele moral para abraçar quem quer que s más condições de vida ancilostomótica  são outros pro-
ranjada de Maio e Junho, quando conseguia dizer aos meus ouvidos seja a qualquer momento. E mesmo de muitas das nossas blemas sérios que afectam o ren-
as tangerineiras, as laranjeiras e os era esse meu diminutivo: “Netinha, assim, nunca perco a oportunidade crianças podem afec- dimento escolar.
ananaseiros estavam em flor e se Netinha minha filha.” de dar um beijo na boca àqueles a tar negativamente a sua O rendimento escolar pode ain-
distribuía no ar a fragrância delico- saúde e, por consequência, o ren- da ser afectado pela distância
Netinha é diminutivo. De nome quem desejo bem, que não são pou-
dimento escolar. São múltiplas que medeia entre a casa do aluno
-doce das flores dessas fruteiras. completo chamo-me Essineta João cos.
as situações de vida responsáveis e a escola. São muitas as nossas
Era um prazer de vida. Macassa, nasci em Morrumbe- Podes tratar-me por Netinha, é
por problemas de saúde e pelo crianças que, diariamente, em
Uma cor que me marca muito e me ne, fiz os meus estudos aqui mes- assim que gosto que me tratem, mau rendimento escolar. Por particular nas zonas rurais, têm
marcou desde essa altura é o azul mo perto, na Missão de Cambine. porque gosto que as pessoas perce- exemplo: casas sem ventilação ou de percorrer enormes distâncias
– o azul do mar e o azul do céu –, Agora, que tenho 90 anos, cultivo bam que sou capaz de amar, e amar com ventilação deficiente, falta entre as suas casas e as escolas,
porque me punham e ainda hoje esta vontade que me vem de dentro profundamente e sem interesse ne- de protecção na estação fresca, não poucas vezes sem terem co-
me põem essa necessidade e ur- de tentar criar à volta de mim este nhum imediato subjacente a esse água não potável e não canaliza- mido o que quer que seja. Esse
gência de partir. Partir sem destino, universo de esperança que é feito amor. Amo por uma questão muito da, higiene, etc. esforço tem efeitos negativos no
mas também sem vontade própria desta casa onde albergo meia dúzia simples: gosto de amar. Sinto-me Malária, parasitoses e anemia rendimento escolar.
de partir. Quer dizer, apetece-me de adolescentes e jovens a quem bem quando amo.
20 Savana 11-03-2016
OPINIÃO

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3
3RU0DFKDGRGD*UDoD
com mais balelas
Maria de Lourdes Torcato

N
os últimos dias a memória de Mandela asso- mal compreendido pelos seus próprios camaradas, ele

o
ciada ao que vivi na África do Sul, entre 1985 sabia que aquele era o tempo da negociação e não do
e 1997, não me sai da cabeça. Sim, falo desse derramamento de sangue. E assumindo todos os riscos,

Mudança policial herói que fez a primeira página dos jornais e a


primeira notícia nas TVs em todos os cinco continen-
corajosamente avançou.
Esta situação durou quase uma década: camaradas seus

log
tes do planeta quando morreu há pouco mais de dois iam sendo libertados, o apartheid procedia a algumas
anos, serenamente, de doença e idade avançada. Nem mudanças e chegou o dia da sua própria libertação. A

C
ausou alguma surpresa na medida em que grande parte
a morte de Samora, esse sim desaparecido em circuns- partir daí o diálogo, agora já não em segredo, mas se-
que Filipe Nyusi tenha desse armamento foi comprado tâncias dramáticas, teve tal impacto. guido e escrutinado pelos media nacionais e de todo o
escolhido um militar com os impostos pagos pelos O que fez de Mandela uma personalidade fora do mundo, ia mostrando a complexa situação da África
de carreira, e não um militantes e simpatizantes da- comum, admirado sem contestação pelos seus pares do Sul e as crises sucessivas a que Mandela, sempre
quadro da Polícia, para suceder quele partido. e amado por gente de países distantes nas geografias ele, tinha de acudir. Conflitos que não degeneraram em
a Khalau. Não percebo porquê. De qualquer forma, nas cir- mais diversas, resumo-a assim: foi um jovem com so- banhos de sangue porque o país ouviu dele as palavras
Se fosse eu a escolher, muito cunstâncias actuais, faz perfei- nhos simples a nível pessoal, mas com grandes ambi- oportunas. Várias vezes a guerra civil e fratricida pare-

ció
provavelmente teria escolhido tamente sentido ir buscar um ções para a África do Sul. Dedicou a vida ao ANC ceu inevitável,
inevitáv mas ele sempre soube lidar com diferen-
um civil. Porque, para mim, o general de carreira para dirigir enquanto organização que devia libertar o povo sul- tes adversários usando a argumentação certa. Entretan-
corpo de polícia deve ser um um órgão cuja principal activi- -africano do regime do apartheid e morreu com essa to, as conversações terminaram, a Nova Constituição
órgão civil, não militar nem dade é, neste momento, de ca- missão cumprida. Foram as suas qualidades morais e foi acordada, e os sul-africanos festejaram a vitória e
militarizado. rácter militar. intelectuais aliadas à integridade e firmeza nos propó- exaltaram o seu principal protagonista, Nelson Man-
Mas não fui eu a escolher e Se o general Jane vai dar conta sitos, que mais contribuíram para a rendição dos ini- dela.
quem o fez actuou de acordo do recado onde Khalau falhou migos. Mandela sabia ser intransigente nos princípios e flexí-
com a realidade actual do país. isso é o que o futuro nos dirá. O que se passa com Moçambique que não tirou lições vel nos detalhes. Mas nunca lhe faltou o discernimento
da história do país vizinho quando, infelizmente, nos para separar o essencial do secundário e só assim diálo-

so
Isto é, o facto de que, neste mo- Em relação a ter uma PIC a
mento, a maioria dos meios po- funcionar devidamente, segu- seus 40 anos de independência não teve praticamente go e negociação podem avançar. Quando teve de fazer
liciais do país não está a exercer rança nas ruas, uma Polícia de uma década em paz? cedências, e conhecemos-lhe muitas, nunca saiu delas
Mandela, como homem não teve uma vida comum, diminuído.
tarefas policiais mas sim mili- Trânsito menos corrupta e ou-
tranquila ou sem dramas. Casamentos e divórcios, a Quem me está a ler já se perguntou a que propósito
tares. tras coisas do género não tenho
dor de perder um dos filhos, a sua ausência como chefe vem este elogio a Mandela? Vem a propósito do que
Em relação às actividades que, grandes esperanças na mudan- de família que não lhe permitiu cumprir esse papel, fo- estamos a viver em Moçambique neste preciso mo-
normalmente, constituem o ça. ram o fardo pessoal que carregou durante a maior parte mento em que escrevo. Será possível que o conflito ar-
principal esforço de uma po- Preferia, no entanto, que as da sua vida. Mas isso nunca o desviou da grande causa mado, que quase destruiu este país durante 16 anos de
lícia, deslindar assassinatos e habilidades militares do novo a que escolheu como destino: a luta por uma África atrocidades e horrores, se vai repetir? O que se passa já
um
raptos, capturar traficantes de Comandante Geral da Polícia do Sul livre, de vários povos reconciliados e unidos em não são sinais, já não são avisos, já não são ensaios. É
drogas e coisas dessas, nada se não tivessem oportunidade de torno de uma Constituição
Constituiç democrática,
democrátic sem racismo e um perigosíssimo jogo entre adversários que têm tudo
ouve, a não ser o habitual “es- ser demonstradas, por o país ter sem discriminações.
discrimina em mente menos a vida do povo moçambicano que os
tamos a trabalhar”. Já quando entrado, finalmente, num pro- O que se destaca na vida de Mandela é, em primeiro suporta há demasiado tempo. É um jogo que ninguém
se trata de escoltas armadas nas cesso sério de negociações para lugar, a maneira como se preparou para cumprir o des- ganhará mas que já sabemos quem perde: os moçambi-
estradas, tentativas de assalto a uma Paz duradoura. tino que escolheu para si. Preparou-se estudando, tra- canos jovens que atrasarão anos do seu futuro por causa
bases da Renamo ou apareci- Só que não sei se o bom sen- balhando como profissional e nas estruturas do ANC. dos que se entregam aos seus estúpidos desafios pelo
mentos, em pé de guerra, para so demonstrado na retirada de Criou o seu círculo de camaradas e amigos próximos poder. As crianças, os inocentes entre os inocentes, já
impedir actividades políticas da Khalau é suficiente para afastar que o viriam a acompanhar de perto até ao resto da não chegarão a viver uma vida digna desse nome por
oposição, isso é o pão nosso de da paisagem política as múmias vida, alguns deles a seu lado na cadeia. Foram eles que causa dos estragos que já foram feitos, somados aos que
cada dia. que impedem o avanço desse melhor compreenderam e reconheceram na sua gran- hão-de vir, e que resultam da ganância pelas coisas mais
deza moral, inteligência e sabedoria as qualidades ne- mesquinhas que vêm com o poder de decidir sobre ou-
de

Ainda por cima com péssimos sentido.


resultados operativos. Apa- cessár para os dirigir nas tarefas e nos sacrifícios que
cessárias tros. Perderemos todos nós, sem excepção, porque não
missã exigia.
a sua missão há ilha para onde alguém possa fugir e sobreviver.
rentemente, a Renamo nunca
É hoje conhecido que Mandela, ainda como prisionei- Quem poderia ter imaginado isto em 1992 quando
conseguiu tanto armamento
ro, consciente da evolução da situação política mundial parecia que os desavindos se tinham finalmente enten-
moderno como desde que foi mais favorável ao ANC, cedo na década de 80 come- dido e assinado um Acordo de Paz em Roma? Onde
decidido desarmá-la. O que çou conversações secretas com o governo do apartheid estão os Mandela de Moçambique?
não deixa de ter alguma lógica – mantendo aberta a opção da luta armada em caso
de fracasso do diálogo. Mesmo correndo o risco de ser
io

3RU/XtV*XHYDQH
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$PiTXLQDHOHLWRUDO
ár

O
provável retomar do diálogo com nistração Eleitoral (STAE) para que ninguém trolo e isenção. Não basta cantarolar que a Re- ainda não dialogaram? O provável reto-
vista a estabelecer novos caminhos duvide dos resultados eleitorais e que isso não namo sempre reclama dos resultados eleitorais, mar do diálogo deve sanar a problemática
para a paz em Moçambique já está cause mortes e destruições. é preciso, isso sim, não dar motivos para que da nossa máquina eleitoral. Esta é uma das
Di

a dar os seus sinais positivos. A Há em Moçambique, recorrentemente, uma ela se sinta obrigada a isso. Qual o alcance e o questões de fundo. Muitos moçambicanos
Renamo pode ter ponderado, assim, a go- fortíssima ligação entre os problemas político- significado quando ressurgem expressões como perderam a vida devido ao impacto negati-
vernação nas “suas províncias”. As partes -militares e o tipo e qualidade de trabalho “roubaram votos”, “encheram urnas”, “destru-
vo da problemática surgida da contestação
em conflito, por esta via, dão indicações de realizado pela CNE e STAE (sobretudo em íram editais”? E por outro lado reprova-se ou
abandono de hostilidades de índole políti- momentos de pico eleitoral). É importante que rejeitam-se tais pronunciamentos alegando que dos últimos resultados eleitorais. A máquina
co-militar que têm produzido um conside- estes órgãos de gestão eleitoral sejam potencia- não devem reclamar porque eles estavam lá pre- eleitoral não pode e nem deve ser, directa ou
rável número de óbitos (sobretudo jovens). dos e realimentados em termos de ética eleito- sentes. Ou seja, houve enchimento porque uns indirectamente, uma máquina de produção
Os acontecimentos ocorridos no centro do ral, em termos de reinterpretação do significado e outros distraíram-se. A vontade popular pode de mortes, emigração forçada e exclusão. Su-
país, que nos fizeram temer a reedição do de “eleições livres, justas e transparentes”. Pode- ser, assim, manipulada. Como dizia, é preciso gerimos, deste modo, que este aspecto seja,
triste passado que Moçambique atravessou -se dizer, aqui e ali, que as eleições na África repensar ou debater-se profundamente sobre a sem delongas, um dos pontos em discussão
com a Guerra dos 16 anos, serviram uma subsaariana valem pelas reclamações de fraude, composição e o mérito que se pretende da CNE entre as partes. A democracia tem os seus
vez mais para voltarmos a perceber que o mas esta suposta verdade obriga-nos a que não e do STAE. É que os políticos estão sempre a
custos: à imagem, por exemplo, da Nigéria,
diálogo entre o Governo/Frelimo e a Re- nos acomodemos nesse rótulo. O que é mau não estragar a sopa. Esta é consumida em ambiente
namo é fundamental para o progresso deste pode ser bom para nós! de repulsa (por todos) e, em função da “cami- Costa do Marfim e Tanzânia, já é tempo de
país, que é mister reformular e/ou recriar a Ao que parece, para o nosso caso, as eleições sola partidária”, cada um diz se a sopa é boa ou enveredarmos pelo “voto electrónico” como
Comissão Nacional de Eleições (CNE) e gerais aparentam ter muito menos qualidade péssima. solução, como motivação para a coesão entre
respectivo Secretariado Técnico de Admi- relativamente às municipais, em termos de con- O que se espera que as partes dialoguem, que os moçambicanos.
Savana 11-03-2016 21
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MOVIMENTO DEMOCRATICO DE MOÇAMBIQUE


MDM

o
MENSAGEM DO PRESIDENTE AOS MOÇAMBICANOS POR
OCASIÃO DA PASSAGEM DO SÉTIMO ANIVERSÁRIO DO
PARTIDO

log
Compatriotas, YHPID]HUXPDSHORjUHÁH[mRSDUDTXHWRGRVRV
Dessa maneira, o MDMYHPID]HUXPDSHORjUHÁH[mRSDUDTXHWRGRVRV
moçambicanos, homens e mulheres de boa vontade, considerem como ur-
Hoje celebramos o sétimo aniversário do partido sob fogo cruzado em Mo- gente a discussão do tema das Eleições para Governadores Provinciais, da
çambique, no meio de matanças por parte de moçambicanos contra outros decentralização efectiva em todo o território nacional e da Revisão Consti-
moçambicanos, esta naturalmente não é a nossa opção, mas devido a intole- tucional e da Lei da Apartidarização do Estado chumbada pela Assembleia
rância politica, arrogância, o ódio e expropriação do destino comum, somos da República.. Somente através do exercício do voto, poderemos avançar em
sujeitos a viver num país, onde se procura encontrar na arma e no sangue mais uma etapa de legitimação da estabilidade política, da unidade nacional
PRGXVRSHUDQGRHWHPRVDPDWXULGDGHVXÀFLHQWHSDUDRGLDGHVWDFHOHEUD- ipalmente, da melhoria da nossa qualidade democrática.
e, principalmente,
ção dizer aos que enriquecem por esta via, de que estão do lado errado e

ció
não aceitamos que hipotequem a nossa historia, o nosso bem-estar e das O MDM quer a redução dos poderes do Chefe do Estado, pois muitos dos
gerações vindoiras. problemas de governação têm as suas razões na estrutura constitucional vi-
gente e nos amplos poderes concentrados nas mãos de única pessoa, o Pre-
É sabido por nós e por eles de que o cidadão moçambicano consciente não sidente da República. Por outro lado, urge, para o bom funcionamento da
quer a guerra, nem apologia da guerra, nem os riscos da guerra ofensiva. O justiça moçambicana, libertar os diferentes juízes e a procuradoria da inter-
cidadão moçambicano quer que assuntos dos homens sejam tratados com ferência do poder político devendo, os respectivos cargos, serem ocupados
humanidade e não por meio de violência; as tensões, os casos contenciosos SRUJHQWHSURÀVVLRQDOPHQWHFRPSHWHQWHHGHQWURGDVSURYLGHQFLDV
SRUJHQWHSURÀVVLRQDOPHQWHFRPSHWHQWHHGHQWURGDVSURYLGHQFLDVLQWHUQDV
H RV FRQÁLWRV GHYHP VHU FRPSRVWRV SRU QHJRFLDo}HV UD]RiYHLV H QmR FRP

so
a força; as oposições ideológicas devem confrontar-se num clima de diálo- O MDM considera que o sistema de Justiça é um pilar do Estado de Direito
go e discussão livre; os interesses legítimos de determinados grupos devem HWDPEppPXPIDFWRUGHHÀFLrQFLDGDHFRQRPLD$VXDLPSRUW
HWDPE
HWDPEpPXPIDFWRUGHHÀFLrQFLDGDHFRQRPLD$VXDLPSRUWkQFLDpSRU
ter em consideração também os interesses legítimos de outros grupos aos isso, transversal a várias dimensões da vida pública e social.
quais digam respeito e as exigências do bem comum; o recurso as armas
para silenciar seja quem for, ou para procura de protagonismo muscular não Garantir a aplicação do Direito é uma das funções de soberania fundamen-
GHYHVHULQVWUXPHQWRSDUDUHVROYHURVFRQÁLWRVWHPRVTXHVDOYDJXDUGDURV tais do Estado. Sem um sistema de Justiça que faça respeitar a legalidade,
direitos humanos em todas as circunstâncias; não se deve produzir cultura UHSULPDDVXDYLRODomRHGHFLGDRVFRQÁLWRVHQWUHRVSDUWLFXODU
UHSULPDDVXDYLRODomRHGHFLGDRVFRQÁLWRVHQWUHRVSDUWLFXODUHVHHQWUHHVWHV
de matar, silenciar vozes, e nem se deve tolerar matança para impor solução. e o Estado, não há condições mínimas para que os cidadãos se sintam em
segurança quanto à sua integridade física e moral.
um
*RVWDULDGHFKDPDUDUHÁH[mRDWRGRVGHTXHHPTXDOTXHUQDomRFLYLOL]D-
LYLOL]D--
LYLOL]D
da, em primeira instancia a responsabilidade primordial pela prevenção dos O MDM defende mecanismos práticos para operar uma reforma profunda
FRQÁLWRVUHFDLDR*RYHUQRHXPDHVWUDWpJLDGHSUHYHQomRHÀFD]H[LJHXPD
JLDGHSUHYHQomRHÀFD]H[LJHXPD do Sistema Judicial do País, dando às Magistraturas todas as garantias de
abordagem global, envolvendo todas forças vivas da sociedade, dai apela- independência, de dignidade e de soberania que precisam para orgulhar o
mos ao governo do dia para o ataque das causas estruturais profundas que Estado Moçambicano e o seu Povo.
estão frequentemente subjacentes aos sintomas políticos.
Dai ser um imperativo Transformar o Conselho Constitucional em Tribunal
23DtVSUHFLVDGHDGRSWDUPHFDQLVPRVDSURSULDGRVHHÀFD]HVSDUDHQIUHQWDU
23DtVSUHFLVDGHDGRSWDUPHFDQLVPRVDSURSULDGRVHHÀFD]HVSDUDHQIUHQWDU Constitucional, a existência do Tribunal de Contas, o reforço das competên-
os problemas, nomeadamente instituições que assegurem uma boa governa- cias da Polícia de Investigação Criminal e sua colocação sob tutela do Minis-
ção e o Estado de Direito Democrático, instituições democráticas interdepen- tério Público.
dentes e uma imprensa livre das amarras partidárias.
de

6yDVVLPpTXHRSDtVSRGHUiWHUXPVLVWHPDHÀFD]GHFRPEDWHjFRUUXSomR
É imperativo tratarmos das questões relacionas à PAZ e à ECONOMIA, que à informalidade e a posições dominantes, e um sistema de regulação mais
tanto impacto têm na vida dos nossos concidadãos, sobretudo os mais ca- coerente e independente.
renciados. Porém, essas questões não encontrarão a solidez e continuarão na Se as sementes da actual discórdia residem nas governações provinciais,
esfera apenas das palavras, se não forem tratadas também do ponto-de-vista mostremos ao mundo e aos nossos concidadãos que somos capazes de so-
da JUSTIÇA e das REFORMAS POLÍTICAS. lucionar os problemas, sem o retrocesso da luta armada. Moçambique pode
sim ser um Estado dinâmico e moderno, rico em recursos, em cultura e so-
Importante ressaltar que “Interdependência” não é sinónimo de “depen- bretudo em madurez democrática, saindo do estigma dos Estados belicistas,
“separação” VLJQLÀFD D OLEHUGDGH que afugentam os investimentos, que atrasam o crescimento e desenvolvi-
dência”,, mas sim colaboração mútua; e “separação”
io

necessária
essária para tratar e gerir cada uma de suas esferas. Num verdadeiro mento económico e social, com consequências cruéis para todo o nosso povo.
Estado Democrático de Direito, esses são princípios vividos e praticados de
facto,
to, com autonomia e relação respeitosa entre poderes. Por isso, nenhum Pensemos agora em nossos irmãos, refugiados no Malawi, a representar
dos poderes pode estar atrelado ao outro, sobretudo no que se refere às ques- uma cena triste de abandono, de fome, de medo, porque não encontraram
tões económicas. em seus próprios representantes a segurança. Pensemos agora em como vai
ár

o coração de cada moçambicano, vendo o tempo todo as imagens da guerra


Mas, acima de tudo, é preciso olhar com olhos responsáveis para o nosso nos meios de comunicação, colocando-lhes a incerteza como visão do futuro.
PDLRUÁDJHORDDPHDoDFRQVWDQWHGR UHWRUQRDRVFRQÁLWRVDUPDGRV Não é Somos seus representantes e, em vez de oferecermos a solução e a esperança
PDLRUÁDJHORDDPHDoDFRQVWDQWHGRUHWRUQRDRVFRQÁLWRVDUPDGRV
DGPLVVtYHOTXHSDVVDGRVWDQWRVDQRVGR$FRUGR*HUDOGH3D]TXHS{VÀP
DGPLVVtYHOTXHSDVVDGRVWDQWRVDQRVGR$FRUGR*HUDOGH3D]TX de um país melhor, os estamos empurrando para um clima de pânico e de
a uma guerra entre irmãos, que só nos trouxe mortes, sofrimento e miséria, desesperança. É nossa obrigação trabalharmos por uma alternativa política
este ainda seja considerado como a solução para os nossos problemas polí- HÀFD] H WXGR SDVVD QHFHVVDULDPHQWH SHOR HPSHQKR GH FDGD PRoDPELFDQR
Di

ticos e sociais. liderado por MDM.

Por que insistir nessa linha de ação, sabedores que somos todos de que a O MDM continuará empenhado na busca e luta pela razão do bemestar de
única solução para retomada da estabilidade e do crescimento económico cada moçambicano, e termino endereçando felicitações e cordiais saudações
é a garantia de um estado de PAZ? Por que continuar a falar de PAZ, em- aos nobres companheiros nesta celebração do Sétimo Aniversário do Mo-
punhando armas, se as verdadeiras armas são a do debate e da participa- vimento Democrático de Moçambique, e agradecemos aos moçambicanos
ção democrática? Cada passo da nossa ainda jovem e frágil Democracia tem que tem vindo dia após dia a acreditarem no nosso exercício, e mesmo aque-
avançado com muito esforço, com muito trabalho, com muita resistência, les que por qualquer razão o MDM não é a sua opção mas pelo facto de
através do exercício eleitoral. Viver esse avanço da óptica da oposição tem WRGRV VHUPRV ÀOKRV GHVWD WHUUD FRQWLQXDUHPRV D URJDU H DSUHFLDU D YRVVD
demonstrado que não é fácil, mas o MDM tem sido coerente na opção pe- contribuição na construção da sociedade moçambicana.
los caminhos democráticos e da participação em todos os escrutínios, por
considerar que não há Democracia sem eleições, sem participação popular e Obrigado pela vossa atenção
sem descentralização do poder. Sendo assim, não podemos nos ausentar de Moçambique para Todos!
DÀUPDUTXHQmRKDYHUiOyJLFDHPQRVVRPRGHORGHUHSUHVHQWDomRHQTXDQWR Nampula, 07 de Março de 2016
não existir o respeito da vontade popular. Daviz Mbepo Simango
22 Savana 11-03-2016
DESPORTO

Moçambola-2016 arranca com problemas por resolver

Transmissões televisivas indefinidas e


arbitragem desfalcada

o
Por Abílio Maolela

log
O
país testemunha, este fim- quarta-feira, a instituição gestora
-de-semana, o arranque do campeonato renovou o contrato
de mais uma edição do de parceria com as Linhas Aéreas
campeonato nacional de de Moçambique para esta época e
futebol, neste caso, o Moçambo- cerca de 4900 passagens serão emi-
la-2016. O pontapé de saída será tidas nesta temporada, numa prova
dado na vila de Songo, província de orçada em mais de 121 milhões de
Tete, com União Desportiva local meticais.
metic
e Desportivo de Nacala como pro- Até à data do arranque da prova,

ció
tagonistas. A prova, a contar pela apenas 13 campos estão garan-
primeira vez com 16 equipas, em tidos, faltando fazer-se a vistoria
representação de oito províncias, nos campos de Desportivo de Tete
excepto Manica, Cabo Delgado e (onde Chingale vai acolher seus jo-
Maputo Província, será disputada gos) e Municipal 1º de Maio, em
em 30 jornadas, registando 240 Lichinga, para o Desportivo doe-
jogos e com mais de 400 atletas a Niassa.
correm atrás da bola. Esta será efectuada na próxima
semana, segundo garantiu Augus-

so
to Pombuane, acrescentando que
Nas vésperas do arranque da maior os técnicos da LMF efectuaram
competição futebolística do país, o visitas aos referidos campos, mas
SAVANA procurou os protagonis- constataram algumas irregularida-
tas para saber o nível de preparação des no processo de reabilitação dos
para o novo ano, assim como para o Quatro meses depois, Moçambola regressa aos relvados mesmos.
novo figurino da mesma (16 equi- Sendo assim, caso os erros não te-
pas). sul-africana, SuperSport, mas, esta se. de cinco jogadores estrangeiros por
nham sido corrigidos, o Chingale
O presidente da Liga Moçambi- semana, revelou que o negócio ain- Ou seja, o Moçambola vai começar partida, além dos três permitidos de Tete será obrigado a realizar
cana de Futebol (LMF), Ananias da não está concluído. na Televisão de Moçambique, ape- pelo Regulamento, mas o timonei- os seus jogos em Songo, enquanto
um
Couane, garante que está tudo a “Ainda estamos a trabalhar com sar da dívida existente, que ascende ro daquela instituição explica que o Desportivo de Niassa terá de se
postos para o arranque da prova, eles. Têm uma nova administra- aos 30 milhões de meticais, não se esse dossier é da competência da deslocar a Nampula para receber os
faltando apenas o acerto de alguns ção e isto fez retardar os contactos sabendo em que canal televisivo vai FMF. seus adversários.
pormenores. que estávamos a estabelecer. Mas, desaguar. “Aguardamos por uma comuni- Quem já tem a vida resolvida é o
Entre os pormenores ainda por o Moçambola vai ser transmitido O outro e menos importante por- cação da FMF sobre esse caso. Se Ferroviário de Nacala que, graças
acertar estava a questão da arbitra- porque trabalhamos em dois mol- menor a ser resolvido é a permissão não se pronunciar, vamos assumir à intervenção do governo distrital,
gem que, até ao dia do fecho desta des: o comercial e o social. Do lado de uso de, no mínimo, cinco joga- o que está no regulamento (três jo- conseguiu chegar a acordo com o
edição (quarta-feira), não se sabia social, temos a televisão pública que estrangeiros pelas equipas,
dores estrangeir gadores)”, confessou. Desportivo local para receber os
quantos árbitros seriam envolvidos tem a obrigação de transmitir os jo- por cada jogo. O que já está acertado é a questão seus jogos naquele recinto, deixan-
na competição. gos e comercial, que ainda estamos Na referida AG, os clubes exigi- do transporte, que também tem do então a hipótese de se deslocar a
O facto é que 16 árbitros habilita- a negociar com a SuperSport”, dis- ram que a LMF permitisse o uso preocupado esta agremiação. Nesta Nampula para o fazer.
dos para apitar a primeira divisão
de

estão inaptos (fisicamente) para o


fazer esta época, facto que preocu-
pa todos os intervenientes da mo-
dalidade.
Ananias Couane reconheceu o
Songo no centro das atenções
problema, mas disse esperar pela

A
lista dos árbitros aptos para dirigir Vila de Songo, na pro- uma grande equipa e a primeira levou o SAVANA a questio-
a prova, a ser apresentada pela Fe- víncia de Tete, tornou- jornada é sempre a mais difícil, por- nar se este cenário estava sen-
deração Moçambicana de Futebol, -se no destino nacio- que entramos em pé de igualdade”, do acautelado para esta época,
io

órgão que tutela a Comissão Na- nal mais procurado da concluiu, referiu. ao que Mohamed respondeu:
cional de Árbitros. ssemana.
emana. Não é para menos. É Entretanto, não foi possível ouvir o “A Comissão de Gestão está a
“Estamos à espera da lista a ser distrital, que
que aquela sede distr técnico de Nacala, que não atendeu fazer todo o possível para que
fornecida pela FMF, mas continu- se localiza junto à Albufeira de o nosso telefonema. possamos ter um campeonato
amos preocupados com a qualida- Cahora Bassa (quarta maior Além da partida de Songo, no sá- nacional tranquilo”, garantiu.
de dos nossos árbitros. Somos pela de África), acolhe o festival bado, a primeira jornada reserva, Quanto ao jogo do próximo
ár

verdade desportiva e pela mudança de abertura do campeonato no domingo, o clássico entre os domingo com o Maxaquene,
de atitude dos mesmos”, reafirmou. nacional de futebol, uma ceri- vizinhos da capital, a ter lugar no Uzaras Mohamed afirmou
“A CNAF tem uma nova direcção mónia que se caracteriza por Estádio Nacional do Zimpeto. que vai ao Zimpeto com o
e está num processo de reestru- muita festa, misturada ao fu- Uzaras Mohamed, treinador do objectivo de ganhar, mas se
turação. Já tivemos uma reunião tebol. O ponto mais alto será Desportivo de Maputo, diz que a não for possível, “não dá para
técnica juntos esta semana”, acres- a partida de abertura da prova sua equipa parte para o Moçambo- perder”.
Di

centou Augusto Pombuane, vice- ternas, como na época passada, a


que opõe, frente-a-frente, a la-2016 com o objectivo de melho- Eis o calendário de jogos da
-Presidente da LMF para a Alta equipa está preparada para ganhar
União Desportiva de Songo e o rar a classificação da época passada, 1ª jornada: UDS-Desportivo
Competição. a competição, começando pelo jogo
Desportivo de Nacala. em que os “alvi-negros” ficaram em de Nacala; Ferroviário da
O segundo pormenor está relacio- de abertura.
“No ano passado herdei um plantel 11º lugar. Beira-Desportivo de Niassa;
nado com a concessão dos direitos “Queremos melhorar a classifica- Estrela Vermelha de Mapu-
Songo venceu a concorrência de que não estava ao meu nível. Neste
de transmissão televisiva da prova. ção da época passada. Não teremos to-ENH de Vilanculo; Ferro-
Nacala e, nesta primeira jorna- ano, fizemos uma requalificação e,
Na Assembleia-Geral da agre-
da, enfrenta a equipa de Antero se não houver situações internas, o Desportivo a lutar pela manuten- viário de Maputo-Liga Des-
miação, havida a 22 de Fevereiro,
Cambaco, que na época passada iremos ganhar o campeonato”, ga- ção como no ano passado. Estamos portiva de Maputo; Costa do
os clubes exigiram a celeridade do
foi despromovida, tendo apenas rantiu o técnico, explicando que é concentrados em formar uma equi- Sol-1º de Maio de Quelima-
processo, aventado até a possibi-
permanecido na competição, preciso que a vila de Songo esteja pa, depois da razia que tivemos no ne; Maxaquene-Desportivo
lidade de negociarem, unilateral-
devido ao aumento de número unida para ajudar a equipa. ano passado”, disse o técnico. de Maputo; Ferroviário de
mente, os contratos com televisões
de equipas. “Não preparamos nada de extraor- Na época passada, os jogadores do Nampula-Clube de Chibu-
nacionais privadas, caso este não
tenha um desfecho favorável a eles. Lutando pelo título, Artur Se- dinário, a não ser a preparação nor- Desportivo de Maputo terminaram to; e Ferroviário de Nacala-
No momento, Couane garantiu es- medo, treinador da UDS, diz mal da equipa para mais um cam- a época sem receber os salários e -Chingale de Tete.
tar em negociações com a gigante que se não houver entraves in- peonato nacional. Vamos defrontar nem os prémios do jogo, facto que Abílio Maolela
Savana 11-03-2016 23
DESPORTO

Nkutumula afasta pesos-pesados


N
uma atitude ousada, o portos de Cabo Delgado, enquan- vinciais da Juventude e Desportos pula. sa, para Gaza.
ministro da Juventu- to que Pereira já foi porta-voz do de Gaza, Fernando Pinho, mas, Nkutumula nomeou, ainda, Cláu- A nível central, Sandra Tembe
de e Desportos, Alberto Ministério. entretanto, nomeado para o mesmo dio Njudi, para o cargo de director passa a dirigir o Departamento da
cargo em Sofala; Cruz Coimbra,

o
Nkutumula, surpreen- O assessor Inácio Bernardo, que provincial da Juventude e Despor- Administração no Fundo de Pro-
deu meio-mundo, ao afastar dos também já foi director nacional de Sofala; Albino Perieia, de Cabo tos de Cabo Delgado; Cachimo moção Desportiva e Ivan Ernesto,
seus cargos figuras com larga ex- e director nacional adjunto dos Delgado, e Ângela Reane, de Nam- Raul, para Nampula e Rui de Sou- o Departamento de Planificação.
periência no dirigismo. Entre os Desportos e director do Fundo de

log
sacrificados, conta-se António Promoção Desportiva não esca-
Munguambe, que já ocupou várias pou à vassourada. Outros afasta-
pastas no ministério, entre elas, as dos foram: Alexandre Zandamela,
de director nacional de Desportos, jornalista sénior e antigo chefe da
director nacional adjunto, director redacção desportiva do Notícias,
de Estudos e Projectos, director da e Ceise Mabjaia, que, entretanto,
Juventude e Desportos da cida- passa a chefiar o departamento de TÉCNICA – Engenheiros Consultores, Lda
de de Maputo, director-geral do Gestão de Património no Fundo de
Instituto Nacional de Desportos, Promoção Desportiva .
INADE, entre outras. Mas a vassourada de Nkutumu-

ció
la não termina por aqui, pois do
Para além de Munguambe, Antó- Fundo de Promoção Desportiva
nio Enes e José de Sousa Pereira, mandou cessar funções Martinha
director-geral e director-geral ad- Mulungo, chefe do Departamento
junto do Complexo Desportivo do de Administração, e Sandra Tembe, COMUNICADO
Zimpeto, foram despromovidos. chefe do Departamento de Planifi-
Enes já esteve afecto à Direcção cação e Estatística.
Provincial da Juventude e Des- Cessaram ainda os directores pro- A TÉCNICA-Engenheiros Consultores, Lda, na se-

so
quência do acidente da queda parcial da parede da
fachada
hada frontal do Complexo de Piscinas da Vila
Olimpica, ocorrido no passado dia 20 de Fevereiro
de 2016, vem por este meio comunicar que:
1. A TÉCNICA-Engenheiros Consultores Lda, nun-
ca teve Contrato para a Fiscalização do Complexo
um
de Piscinas da Vila Olimpica;

2. A TÉCNICA-Engenheiros Consultores Lda foi


O trio que caiu nas malhas de Nkutumula contratada, pelo Comité de Organização dos X Jogos
Africanos (COJA) para a Prestação de Serviços de
Fiscalização da Construção de Apartamentos Des-
de

tinados ao Acolhimento de Delegações Desportivas


(Vila dos X Jogos Africanos), o qual consistia na Fis-
calização da construção de 136 apartamentos, dis-
SRVWRVHPFRQMXQWRVGHHGLÀFLRVGHSLVRVFRQ-
forme o contrato celebrado a 10 de Março de 2011.
io

3. A TÉCNICA-Engenheiros Consultores Lda, decli-


na qualquer responsabilidade pela elaboração e al-
WHUDomRGRSURMHFWRDVVLPFRPRSHODÀVFDOL]DomRH
ár

construção do Complexo de Piscinas.

4. A TÉCNICA-Engenheiros Consultores, Lda la-


Di

menta profundamente o sucedido e solidariza-se


para com vítimas e familiares das vitimas do aciden-
te ocorrido no recinto da Piscina Olímpica do Zim-
peto.

À venda na livraria Mabuko, o livro Maputo, 9 de Março de 2016


“Samora por Kok”, do Director Emérito
do SAVANA, Kok Nam O CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO
24 Savana 11-03-2016
CULTURA

Lúcio Lara empossou Agostinho Neto e Eduardo dos Santos


L
úcio Lara morreu aos 86 anos em Lu- cionalistas, o vai guindar à posição de co-fun-
anda, no passado dia 27 de Fevereiro dador do Movimento Popular de Libertação
corrente. Lara foi um dos fundadores de Angola.
Movimento Popular de Libertação de A participação na luta de libertação nacional,

o
Angola (MPLA) e foi Secretário-geral do a entrega total à causa do povo angolano, o
MPLA durante a guerra pela independência empenho para tornar Angola um país uno e
de Angola e durante a guerra civil. indivisível, fizeram de Lúcio Lara uma figura
incontornável no seio do MPLA.

log
Foi um dos fundadores do MAC (Movimen- A luta gloriosa levada a cabo ao longo de 14
to Anti-Colonialista / Movimento Anti-Co- anos de guerrilha em Angola, que se espalhou
lonial), que também incluiu Agostinho Neto, praticamente por todo o país, a par das guer-
Amílcar Cabral, Mário de Andrade, Noémia ras de libertação que teve de enfrentar nas
de Sousa, Humberto Machado e Eduardo outras ex-colónias, levaram o poder colonial
dos Santos, entre outros. a claudicar. O golpe de Estado que em 25 de
Lúcio Lara, filho de pai português e mãe Abril de 1974 pôs fim à ditadura colonial fas-
angolana, natural da província do Huam- cista em Portugal foi o corolário de todo esse
bo, fez os seus estudos em Portugal. A sua longo processo de desarticulação da máquina
que Salazar havia montado.

ció
militância no partido maioritário iniciou-se
Como resultado, a 8 de Novembro de 1974
na década de 1950, em Angola e entre an-
Lúcio Lara aterrava em Luanda à frente da
golanos no exílio, tendo sido eleito secretário
primeira delegação do MPLA que se deslo-
da organização e dos quadros do partido na
cou à capital angolana depois do derrube da
primeira conferência nacional do MPLA, em Lúcio Lara ditadura em Portugal. Viria então preparar o
Dezembro de 1962. Posteriormente, passou a
ao povo angolano o sonho de independên- Agostinho Neto, Humberto Machado, Zito regresso de Agostinho Neto, que teria lugar
secretário-geral. em Fevereiro de 1975. Foi Lúcio Lara quem
Para se saber com exactidão quem foi, na óp- cia que a implantação do colonialismo havia Van-Dúnem, e outros nacionalistas, Lara fa-
empossou Agostinho Neto como primeiro
tica do regime, Lúcio Lara, nada melhor do roubado. zia também parte do Clube Marítimo
Mar Africa-
Presidente de Angola, e foi também Lúcio

so
que transcrever o texto do Jornal de Angola: A repressão colonial fascista fez emergir uma no, em Lisboa, importante ponto de encontro
Lara quem deu posse ao Presidente José
“Também conhecido por Tchiweka, pseudó- geração de angolanos que procurou, dentro para troca de informações, de documentos e
Eduardo dos Santos, depois do desapareci-
nimo de guerra escolhido em homenagem à e fora do país, criar as condições para que o de coordenação da luta clandestina contra o
mento físico do fundador da nação.
terra da sua mãe, uma aldeia situada no Hu- processo de luta anti-colonial ganhasse uma poder colonial. Falar de Lúcio Lara é tão somente falar de
ambo, a morte de Lúcio Lara é a partida de outra dinâmica e reconhecimento a nível Quando a PIDE (polícia secreta portugue- um dos grandes vultos da política angolana
uma das principais figuras da luta pela inde- africano e internacional. sa) desencadeia uma vaga de perseguições que, ao lado de Agostinho Neto, marcou de
pendência do país do jugo colonial. É neste contexto que Lúcio Lara se destaca e detenções, entre 1950 e 1959, Lúcio Lara forma inapagável um dos mais ricos períodos
Lúcio Lara foi o exemplo de jovens que, na como um dos impulsionadores de todo o pro- refugia-se na Alemanha. É seguindo, depois, da história da luta pela autodeterminação do
década de 40 do século XX, abraçaram os cesso de organização política que veio a de- a rota Tunes (Tunísia), Rabat (Marrocos) e povo angolano e pela afirmação de Angola
um
ideais de liberdade e de progresso e, deter- senvolver-se, tendo como ponto de partida a Conacry (Guiné Conacry) que faz o regresso como país soberano no concerto das nações.
minados, formaram um amplo movimento Casa dos Estudantes do Império, em Coim- ao continente. A partir desta última capital, Com a sua morte, parte o último fundador
de libertação nacional com o objectivo de bra, onde se encontrava a estudar e onde deu enceta um intenso trabalho político que, em até então vivo do Movimento Popular de Li-
quebrar as algemas da repressão e devolver início à actividade política, em 1949. Com conjunto com Agostinho Neto e demais na- bertação de Angola”.

Umberto Eco ajudou a reinventar Moreira Chonguiça


a figura do intelectual no Moda Lisboa
de

O
autor de O Nome da Rosa, que tinha eram os seus temas”, diz o historiador Dio-

O
84 anos, era um dos mais conheci- go Ramada Curto. “O ensaio, a história mas saxofonista moçambicano gia, consultora de imagem e desenho
dos intelectuais europeus. O escritor sobretudo, desde a publicação de O Nome da Moreira Chonguiça vai par- de moda, trabalhou vários anos como
italiano Umberto Eco, autor de O Rosa, a obra de ficção eram os instrumentos ticipar em Portugal, no Moda manequim, uma profissão que lhe des-
Nome da Rosa, morreu na noite de 19 de Fe- de que se servia para responder tanto às pre- Lisboa, no dia 13 de Março pertou a paixão pelas artes e pelo fas-
vereiro na sua casa em Milão. Tinha 84 anos ocupações pelo presente, como pelo passado.” corrente. O etnomusicólogo moçambi- cinante mundo da moda, em especial, a
e era uma das mais relevantes figuras da cul- Dr. Eco nasceu em Alexandria, na região do cano vai actuar acompanhando o desfi- moda africana.
io

tura italiana dos últimos 50 anos. Não foi re- Piemonte, a 5 de Janeiro de 1932. Cresceu le da estilista angolana Nadir Tati. Ela Nadir Tati afirma que encontra inspira-
velada a causa da sua morte, mas o intelectual durante a II Guerra Mundial, estudou filo- vai apresentar uma colecção denomina- ção na sua própria vida e na história de
e professor de Semiótica na Universidade de sofia e estética e formou-se com uma tese da A voz de Angola. “O meu trabalho vida dos Angolanos. As suas colecções
Bolonha sofria de um cancro há vários anos. é de “transportar” para o mundo toda são elegantes, modernas e glamorosas
sobre a estética de São Tomás de Aquino
O seu último livro, com o título Pape Satàn uma história africana que passa por sem, contudo, esquecer a identidade an-
mas, sublinha o Le Monde, não se mantém
Aleppe,, será publicado em Maio. um processo de identidade e afirma- golana .
ár

apenas na área da teoria e logo a partir de


O seu nome fica ligado a nível internacional ção de um continente que acompanha A voz de Angola é o tema da sua mais
meados dos anos 50 entra no mundo dos
ao grande sucesso que teve a obra O Nome cada vez mais o mundo num processo recente colecção africana. “Dedicada e
media começando
começ por trabalhar na RAI, a
da Rosa, editado em 1980, e que se trans- de globalização. Drapeados, bordados, refinada esta colecção foi inspirada na
televisão pública italiana, em programas cul- transparências, rendas e tecidos africa- situação actual da mulher angolana no
formou num best-seller internacional. O ro-
turais. Ao mesmo tempo, em 1962, publica nos irão dar corpo a esta obra criativa mundo. Tenho em atenção o desenvol-
mance, um mistério passado num mosteiro
medieval, foi traduzido em todo o mundo e a Obra Aberta, referência incontornável do desta que é a grande Mestre e Diva da vimento e a história da mulher angolana
Di

vendeu mais de 10 milhões de cópias. Mais seu pensamento na área da semiótica na qual moda angolana”, explica Nadir. que cada vez mais sofisticada luta para
tarde, foi adaptado ao cinema pelo realizador defende que cada obra é composta por uma um lugar de destaque na sociedade. É
Jean-Jacques Annaud, com Sean Connery a infinidade de signos e por isso oferece a pos- uma colecção sublime de vestidos de
Moreira Chonguiça afirma que o traba-
desempenhar o papel principal. sibilidade de múltiplas interpretações. noite dourados e vermelhos trabalhados
lho conjunto é uma referência na pro-
Umberto Eco foi um pioneiro da semiótica, a Entre os seus livros mais conhecidos está o moção e divulgação de cultura e criati- ao detalhe”, finaliza.A.S
ciência dos signos, um teórico da linguagem já referido O Pêndulo de Foucault, editado vidades africanas. “Conheço a estilista
e autor de vários ensaios filosóficos. Foi só re- em 1988, uma obra na qual cruza templários, Nadir Tati. Na cultura não há fronteiras
lativamente tarde que publicou o seu primei- kabala e sociedades secretas. Além de vários e temos os dois a parceria em outros
ro romance, precisamente O Nome da Rosa, romances, em que se incluem ainda A Ilha projectos. Essa é mais uma experiência
mas foi este que lhe garantiu uma populari- do Dia Anterior (1994), Baudolino (2000), A que resulta dessa cooperação existente
dade mundial ao pôr a sua enorme erudição Misteriosa Chama da Rainha Loana (2004) entre nós como artistas e como países,
ao serviço da construção do romance históri- e O Cemitério de Praga (2011), Eco é autor Moçambique e Angola”.
co. “A linguagem, a informação, a retórica dos de inúmeros ensaios sobre semiótica, estética Nadir Tati é a principal referência
discursos e a necessidade de compreender as medieval, linguística e filosofia. Mas conside- quando se fala de moda contemporânea
configurações culturais em que vivemos, em rava-se sobretudo “um filósofo”: “Só escrevo em Angola. Formada em Criminolo-
comparação com as que existiam outrora, romances aos fins-de-semana.”
Dobra por aqui
SUPLEMENTO HUMORÍSTICO DO SAVANA Nº 1157 ‡ DE MARÇO DE 2016

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2 Savana 11-03-2016 Savana 11-03-2016 3
SUPLEMENTO
Savana 11-03-2016 27
OPINIÃO

Abdul Sulemane (Texto)


Naita Ussene (Fotos)

o
log
É de analisar
A
notícia da exoneração do Comandante Geral da Polícia,
Jorge Khalau, foi motivo de muitos comentários. Agora,
com a sua saída, os comentários sobre o seu desempenho
estão a cair a granel. Os mais atentos consideram que o

ció
seu desempenho não atingiu as expectativas. A criminalidade no
país continua alarmante. Muita coisa ficou por resolver no que diz
respeito ao combate ao crime no mandato de Jorge Khalau.

O aparelho judicial sempre mostrou preocupação com o desempe-


nho da polícia no combate ao crime. Não há sinais de que o alto
índice da criminalidade que se assiste no país possa baixar. Não é

so
por acaso que a conversa entre os juízes Augusto Paulino e Luís
Sacramento é de preocupação.
As figuras ligadas à segurança e tranquilidade públicas têm muito
com que se preocupar com a situação. Em todos os momentos que
se encontram procuram encontrar formas de resolver a questão de
segurança. Como vemos nesta segunda imagem, o vice-Ministro do
Interior, José dos Santos Coimbra, está a comentar alguns aspectos
ligados à situação de segurança do país para o Ministro do Interior,
um
Basílio Monteiro, que nem presta atenção para a saudação do antigo
Comandante Geral da Polícia, Miguel dos Santos. No entanto, o
outro antigo Comandante Geral da Polícia, Pascoal Rungo, escuta o
José dos Santos Coimbra.
Na hora do adeus, o exoneradoado Comandante Geral da Polícia, Jorge
Khalau, aproveita para trocar um dedo de conversa com o actual
Comandante Geral da Polícia, Julião Jane. O semblante de Jorge
Khalau é sinal de alívio pelo sucedido. Como se estivesse a dizer
paraa o seu sucessor que é a tua vez de encarar os problemas que não
consegui resolver no meu mandato.
de

Parece que muitos ficaram felizes com saída de Jorge Khalau do seu
cargo. Ouvimos que foi motivo de comemoração no seio da polícia.
Não é por acaso que vemos o antigo Ministro da Segurança da era
do Samora, Mariano Matsinha, a felicitar o novo Comandante Ge-
ral da Polícia.
Nesta última imagem foi na cerimónia do lançamento do livro de
fotografias de Samora Machel feitaseitas pelo fotojornalista Kok Nam.
Dado curioso nesta imagem, tivemos conhecimento que Narsecia
io

Massago, que se encontra de pé, conversado com Graça e Olívia


Machel, viúva e filha do malogrado Presidente Samora respectiva-
mente, é prima legítima de Graça Machel. Passados 40 anos de con-
vivência na antiga Revista Tempo, só agora tivemos conhecimento
desse laço de familiaridade.
ár
Di
À HORA DO FECHO
www.savana.co.mz EF.BSÎPEFt"/099***t/o 1157
se
Diz-
IMAGEM DA SEMANA Foto Naíta Ussene
Diz-
s e. . .

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CTA aluga avião do seu presidente


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iolando o artigo 37 da Lei
de Probidade Pública, P FMFJUPSBEP WBJ DPNFÎBS B FYJHJS EP 13 B NBUFSJBMJ[BÎÍP EB
a direcção executiva da QSPNFTTBEFDPOTUSVJSVNBFSPQPSUPOP'SFMJNJTUÍP
Confederação das Asso-
ciações Económicas de Moçambi-
que (CTA) alugou uma aeronave t %FQPJT EF PVWJS UBNBOIBT DSÓUJDBT TPCSF B OPNFBÎÍP EF VN
do seu presidente, Rogério Manu- $PNBOEBOUF (FSBM EB 13. QSPWFOJFOUF EP FYÏSDJUP  P 13
al, para transportar membros do UFOUPV KVTUJmDBS RVF IÈ VOJEBEF FOUSF B BMB EPT CVGPT F EBT
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Conselho Directivo da CTA que, NJMÓDJBT F P NFTNP WBJ EJSJHJS TFN TPCSFTTBMUPT 2VF P EJHB
de 15 a 20 de Fevereiro, se desloca- $VTUØEJP1JOUP
ram às províncias para acompanhar
o processo de eleição dos presiden- t 0IPNFNRVFOÍPUFNNFEPEFmDBSSJDPQPSRVFMVUPVQFMB
tes dos Conselhos Económicos JOEFQFOEÐODJBEF.PÎBNCJRVFKÈFTUÈOBMJTUBEFFTQFSBQBSB
Provinciais (CEP). VNGVUVSPOFHØDJPEFDPOTUSVÎÍPEBRVJMPRVFTFEÈPOPNFEF
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Rogério Manuel e a aeronave da sua empresa que foi alugada à CTA
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Savana 11-03-2016 1
EVENTOS

EVENTOS
0DSXWRGH0DUoRGH‡$12;;,,,‡1o 1157

o
20 anos de Cism

Papel de Institutos de

log
Investigação em África

ció
so
um
de

A
Fundação Manhiça jun- o alcance dos Objectivos de De- 20 anos de existência do CISM, ram um grande valor, naquela que gariar fundos locais para o desen-
tou, na última terça-feira, senvolvimento Sustentável. Aliás, a primeira em termos de impacto foi a geração de políticas a nível volvimento de pesquisas.
em Maputo, Directores de este foi o tema chave do debate nacional e global, de seguida o de- global, especificamente na área da Este momento foi igualmente so-
Centros de Investigação apresentado por diferentes orado- senvolvimento de ensaios de vaci- malária, em que contribuiu recen- lene, pois terminou com uma ho-
em Saúde em África e seus repre- res e suscitou diferentes questões nas, “que não era comum no país”, temente para a aprovação da im- menagem ao Dr. Pascoal Mocum-
sentantes, parceiros internacionais por parte
te da plateia, sobre até que e por fim a tradução da pesquisa plementação da vacina pela OMS bi, patrono da Fundação Manhiça,
chaves, cientistas, sector privado, a ponto a investigação representa para
par a parte clínica. nos programas de vacinação. um dos grandes impulsionadores
academia e a sociedade civil para um papel importante no desen- No país, o CISM foi envolvente Apesar dos avanços destas insti- de investigação no país. Este mo-
io

um simpósio em saúde global. O volvimento dos países africanos. porque aumentou, quer para a so- tuições de investigação a nível do mento único e emotivo contou
encontro, que teve lugar no salão Segundo o Dr. Betuel Sigaúque, ciedade civil quer para o governo, o continente, foram apresentados com discursos de figuras que, junto
nobre do Conselho Municipal da um dos investigadores do CISM, interesse em pesquisa, assim como durante este simpósio alguns cons- deste governante, vivenciaram os
cidade de Maputo, faz parte das a exemplo da instituição onde tra- o aumento da consciencialização trangimentos e desafios no que se desafios e sucessos da pesquisa em
comemorações do 20º aniversário balha, as pesquisas têm um grande em termos de importância desta refere à sustentabilidade e desafios
Moçambique e em África. Trata-se
ár

da criação do Centro de Investiga- impacto na formulação de políticas para o país. O centro esteve envol- destas instituições nos locais onde
do antigo Presidente da República
ção em Saúde de Manhiça, criado a nível nacional e internacional. O vido em outras pesquisas que não actuam. Um deles tem a ver com
de Moçambique, Joaquim Chissa-
em 1996. O crescimento desta ins- mesmo aponta que, desde a criação fossem só na Malária, como por a maximização destas pesquisas
no, o Director Executivo da EDC-
tituição e a adopção de novas po- do CISM, uma instituição inicial- exemplo Meningite, Pneumonias, para um impacto maior a nível da
TP, Parceria entre a Europa e os
líticas com o passar de ano, como mente virada para a pesquisa em ITS e diarreias, e com os resulta- sociedade civil, não somente na re-
a criação da Fundação Manhiça, Malária, esta instituição, de carác- dos destas contribuiu para a imple- alização de publicações científicas. Países em Desenvolvimento para
a Realização de Ensaios Clínicos,
Di

dotando o CISM de uma estrutura ter sólido e com padrões interna- mentação de políticas em Moçam- Foi igualmente atribuída uma nota
legal moçambicana, fez com que a cionais, conseguiu ao longo dos bique na introdução de vacinas no negativa aos Centros de Investi- Michael Makanga, a Ministra da
mesma reflectisse sobre o papel das anos angariar fundos para diferen- programa alargado de vacinação. gação, para aquilo que são as suas Saúde, Nazira Abdula, e o Director
instituições de pesquisa biomé- tes pesquisas. O investigador refere Em termos de impacto global, os políticas de marketing e promoção do Programa Mundial para Malá-
dicaa no continente africano para três grandes áreas de conquista nos ensaios clínicos do CISM trouxe- das actividades como forma de an- ria da OMS, Pedro Alonso.
2 Savana 11-03-2016
EVENTOS

Mulheres apelam ao fim de violência CDN recruta 75 jovens


para programa de estágio
F
oi neste âmbito que o merca- Ainda na sua intervenção, Chaúque direito das mulheres, desafiando o
do grossista do Zimpeto, na destacou a importância da escolari- Governo a redobrar esforços para

O
cidade de Maputo, no dia 08 zação da mulher e acesso ao crédito investir na implementação da legis- programa de estágio Segundo Sérgio Paunde, Director
de Março, dia Internacional como forma de empondera-lá. “Te- lação existente”. “Portas Abertas” da de Recursos Humanos e Comu-
mos consciência de que a emanci- empresa Corredor de nicação da CDN ``a CDN de-

o
da Mulher, acolheu as cerimónias Refira-se que, segundo dados qua-
centrais desta data, com o início da pação da mulher é a condição pri- litativos da ONU MULHERES, Desenvolvimento do cidiu dar uma oportunidade aos
deposição da coroa de flores na Pra- mordial para o desenvolvimento e, duas em cada três mulheres sofrem Norte (CDN), divulgado há dois jovens da região norte com en-
por isso, somos todos convidados meses, recrutou 75 jovens com sino médio geral ou técnico-pro-
ça dos Heróis Moçambicanos, pela de qualquer tipo de violência, daí
a participar através do reforço da ensino médio e técnico-profis- fissional, de aprenderem a profis-

log
Ministra do Género, Criança e Ac- a necessidade de consciencializar e
alfabetização, combate à violência sional, com a oportunidade de são ferroviária e ingressarem no
ção Social, Cidália Chaúque. sensibilizar para reduzir os números
doméstica, prevenção e combate a ingressar no mercado de trabalho mercado de trabalho, permitindo
de actos que enfermam a sociedade.
através de uma empresa sólida e aumentar os seus conhecimentos
Esta efeméride decorreu sob o lema: casamentos prematuros”, apelou. Actualmente Moçambique conta
em constante crescimento. Este em ambiente real de trabalho. Es-
“Planeta 50/50 Até 2030: Acelere o Por seu turno, o embaixador do Ja- com legislações que protegem a mu- numero foi seleccionado de um peramos que estes jovens contri-
passo rumo à Igualdade de Géne- pão, Akira Mizutani, presente na lher, nomeadamente a Lei da Famí- total de 7000 candidaturas de buam, com o seu saber e vontade
ro” cujo objectivo é chamar atenção cerimónia, reafirmou o compromis- lia, Lei sobre Violência Doméstica Nampula, Nacala e Cuamba, lo- de aprender, para o crescimento
dos Governos, das organizações, do so daquele país nipónico em apoiar praticada contra a Mulher; e várias cais onde a empresa opera. da empresa e da economia da re-
sector privado e da sociedade, para Moçambique na erradicação da vio- organizações da sociedade civil que O estágio deste ano será faseado gião norte do país.
a necessidade de redobrar os esfor- lência contra as mulheres e raparigas trabalham na prestação de serviços, e dividido em grupos e realizar-

ció
Este programa vem complemen-
ços, individuais e colectivos, para a e feminização do HIV/SIDA. com destaque para a MULEIDE -se-á de Fevereiro a Abril do cor- tar recrutamento recente de mais
promoção e elevação do estatuto da “Nenhuma sociedade pode atingir (associação Mulher, lei e Desen- rente ano com módulos de ma- de 20 engenheiros recém-forma-
mulher na sociedade. o seu pleno desenvolvimento quan- volvimento), que se tem notabiliza- nutenção de vagões e carruagens; dos, que constituem a primeira
Na sua intervenção, a Ministra do do metade da população é negada do na área de assistência jurídica e de via permanente e operação turma de engenheiros ferroviá-
Género, Criança e Acção Social, a oportunidade de alcançá-lo. O psicológica às vítimas de doméstica. assistida. rios da empresa.
afirmou que o dia Internacional da Japão acredita que cultivar o poder (Elisa Comé)
Mulher serve de reflexão sobre o das mulheres como maior potencial
respeito, direitos da mulher e com- para o crescimento da nação e de
promisso para a igualdade de género criar uma sociedade em que as mu-

so
na esfera política, económica, social lheres brilham trará vigor ao mun-
e cultural. do”, comentou.
A titular da pasta referiu na ocasião Já a representante da ONU MU-
que, em Moçambique, “a promoção LHERES em Moçambique, Flo-
de igualdade de género é prioridade rence Raes, referiu: “o nosso país
do Governo, pois, a pobreza deve possuí um quadro legal bastante UNIVERSIDADE WUTIVI
deixar de ter o rosto da Mulher.” progressivo no que diz respeito ao
(ex ISTEG)

EDITAL DE CURSOS DE MESTRADO


um
EDIÇÃO 2016
Cidade do Cabo realiza A UNIVERSIDADE WUTIVI tem abertas candidaturas para o
17º Festival Internacional presente ano lectivo os seguintes cursos de Mestrado:

de Jazz I. CIÊNCIAS JURÍDICAS


II. DIREITO EMPRESARIAL

É
já nos próximos dias 1 e 2 de São mais de 40 artistas, dos quais III. GESTÃO DE EMPRESAS
de

Abril que a Cidade do Cabo, metade sul-africanos


ricanos e a outra me-
África do Sul, volta a brilhar tade internacionais. Para Chip Con- IV. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
como a Capital do Jazz, com ley,, um dos fundadores do Fest300, V. GESTÃO E LIDERANÇA DE PESSOAS
a realização do 17º Festival Interna- um dos maiores guias dos melhores
cional de Jazz de Cape Town, consi- festivais do mundo, “o Festival In- VI. PSICOLOGIA CLÍNICA
derado recentemente, pelo Fest300, ternacional de jazz em Cape Town VII. TERAPIA FAMILIAR
um dos melhores festivais do mun- está na minha lista de prioridades. A
do. Por sinal um dos maiores eventos mistura de músicos locais que estão VIII. TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICA-
musicais da África-subsaariana, este dispostos a compartilhar do mesmo ÇÃO com especialização em: Redes de Computadores, Análi-
festival tem sido anualmente um dos espaço com músicos internacionais
io

mais cobiçados da época, por cele- traz ao de cima um ambiente de se de Dados e Desenvolvimento de Aplicações
brar o estilo jazz em todas as suas amizade e partilha. Parte desta par-
vertentes culturais. Para além de se tilha e destes sabores de amizade e
realizar na cidade mais internacio- celebração da música sem fronteiras Através de actividades organizadas e facilitadas por docentes
nal e turística da África do Sul, este nem bandeiras é reconhecido pela Doutorados, os cursos habilitam os mestrandos a:
ár

evento reúne um leque de artistas realização de um concerto de jazz de


internacionais, que em dois dias, em borla para a comunidade, que lan-
cinco palcos, vão saciar os amantes ça o próprio festival, a acontecer no a) Pesquisar e gerar novos conhecimentos nas suas áreas espe-
deste estilo, provenientes de vários centro da Cidade do Cabo, no dia
pontos do mundo, com boa música. 30 de Março”,
Mar disse.(E.B)
disse. FtÀFDV
E ([HUFHUDFWLYLGDGHVGHGRFrQFLDQR(QVLQR6XSHULRUH
Di

c) Gerir e liderar sistemas e organizações públicas e privadas.

Inscreva-se já.

Para matrículas, inscrições e mais informações contacte o Re-


gisto Académico da Universidade Wutivi, pelo seguinte ende-
reço:
Campus Universitário – Belo Horizonte - Boane
Telefone celular: +258 846440854 / + 258 84 2557356
Email: unitiva@unitiva.ac.mz,
Website: www.unitiva.ac.mz
Savana 11-03-2016 3
EVENTOS

INAM procura melhorar qualidade


Em parceria com a Universidade Politécnica

Total investe na formação da informação meteorológica

A
Universidade Politécnica fórum profissional organizado pela

A
e a Total Moçambique as- Universidade Politécnica, a primei- rrancou, esta quarta-fei- sobre os Planos e Relatórios de Ac- tando ser “importante que sejam
sinaram, na última sexta- ra instituição privada de ensino su- ra, 9 de Março, na cidade tividade, a Proposta do Orçamento redobrados os esforços no sentido
de Maputo, o primeiro Anual, a Expansão e Modernização de melhor servir o utilizador desta

o
-feira, 4 de Março, um me- perior a estabelecer-se no País.
Para a directora da Unidade de Ex- Conselho Consultivo do da Rede de Observadores, entre ou- informação”.
morando de entendimento visando
Instituto Nacional de Meteoro- tros assuntos relevantes para o pleno Por seu turno, a directora geral do
a formação, patrocínios, recruta- tensão e Cooperação Universitária
logia de Moçambique (INAM), funcionamento e desenvolvimento INAM, Cândida Nhapulo, asse-
mento e oferta de estágios e bolsas da Universidade Politécnica, Rosâ-
que se vai debruçar sobre os Pla- do instituto”. gurou
ou no discurso de apresenta-

log
de estudo aos estudantes com alto nia da Silva, a assinatura deste me- nos e Relatórios de Actividade, Contextualizando a situação calami- ção do Conselho Consultivo que
aproveitamento académico e ou morando de entendimento “marca entre outros assuntos relevantes tosa do País, Olívio Pinto referiu que, o encontro visa a planificação das
carenciados daquela instituição de a abertura e ampliação dos nossos para o pleno funcionamento da no ano passado, o Governo foi desa- relacionadas com a
actividades relacio
ensino superior. horizontes para áreas mais técni- instituição. fiado por inundações que assolaram a salvaguarda de vidas e bens, pas-
cas”. cidade de Maputo, bem como as pro- sando pelas que dizem respeito à
“A oferta de estágios aos nossos A reunião, que terá a duração de víncias da Zambézia e de Nampula agricultura, à navegação aérea e
Este memorando visa igualmente
estudantes e as possibilidades de três dias, conta com a participa- sendo que, actualmente, enquanto marítima, bem como ao turismo.
o desenvolvimento de conteúdos
emprego que se abrem com a assi- ção de delegados provinciais do as zonas Norte e Centro têm estado Como desafio, Cândida Nhapulo
educacionais e a realização de pa-
natura deste acordo encorajam-nos INAM, quadros técnicos e re- a registar cenários de enxurradas, a disse: “o INAM deve providenciar
lestras, cursos e apresentação de ca- a apostar mais nas áreas técnicas”, presentantes do Ministério dos

ció
zona Sul do País continua afectada informação fiável, atempada e de
sos de estudo por parte de trabalha- referiu Rosânia da Silva. Transportes e Comunicações. por uma grave seca. Por isso, acres- fácil compreensão para o públi-
dores qualificados e experientes da Já o director-geral da Total Mo- O inspector geral do Ministério centou, “estas situações gravosas do co, bem como para outros acto-
Total Moçambique, empresas afi- çambique, Joseph Kouamé, con- dos Transportes e Comunicações, tempo e do clima precisam de uma res da sociedade por forma a que
liadas ou estudantes universitários. sidera que este memorando vai Olívio Pinto, fez o discurso de pronta resposta do INAM e, a nos- compreendam e tomem medidas
Nesse sentido, a Universidade Po- permitir a formação de jovens com- abertura, em representação do mi- sa expectativa, é que as medidas para necessárias para proteger vidas e
litécnica deverá organizar debates petentes e preparados para ingres- nistro de tutela, Carlos Mesquita, uma resposta mais eficiente saiam meios de subsistência, reduzindo
relativos aos conteúdos dos cursos tendo explicado que o Conselho deste Conselho Consultivo”. desta maneira o risco de desastres
sar no mercado de trabalho.
ou programas de formação que mi- Consultivo está estabelecido no “Estamos cientes de que os fenóme- naturais”.
“Há necessidade de formarmos
nistra a fim de adaptá-los às neces- Estatuto Orgânico do INAM, nos naturais não podem ser travados Ainda de acordo com Cândida

so
jovens para desenvolver o País e recentemente aprovado pelo Go-
sidades de empresas como a Total pelo homem. Mas o seu impacto na Nhapulo, este primeiro Conselho
este acordo vai ajudar os estudan- verno.
Moçambique ou do seu sector de vida humana pode ser reduzido se Consultivo irá também apreciar os
tes universitários a aliar a teoria à Trata-se, segundo referiu, “de um tivermos uma informação meteoroló- novos instrumentos normativos para
actividade. prática e, por via disso, terem ideia órgão de consulta e de coordena- gica correcta e a chegar aos utilizado- o funcionamento do INAM, recen-
Como contrapartida, a Total Mo- do que o mercado espera deles após ção, com o dever de se pronunciar res atempadamente”, disse, acrescen- temente aprovados pelo Governo.
çambique irá participar em feiras a formação”, explicou o director-
de emprego ou qualquer tipo de -geral da Total Moçambique.

ANÚNCIO DE VAGA
um
Samora Machel em Consultor para Saúde Ambiental

livro de fotografias $2UJDQL]DomR0XQGLDOGH6D~GH 206 SUHWHQGHGHUHFUXWDUXPFRQVXOWRUTXDOLÀFDGRHH[SH-


$2UJDQL]Dom
$2UJDQL]Do mR0XQGLDOGH
riente na área de saúde ambiental, por seis (6) meses,
meses baseado na sua representação em Maputo
para prestar apoio técnico ao Ministério da Saúde.

O
salão nobre do Municí- cumentam importantes fazes es do Tarefas:
pio de Maputo acolheu início da história de Moçambique
ambique Na áreaea de desenvolvimento
d da estratégia nacional de saúde ambiental:
na passada sexta-feira o Independente que vão desde a fase &RQWULEXLUSDUDRSURFHVVRGHGHVHQYROYLPHQWRGDHVWUDWpJLDGHVD~GHDPELHQWDO
&RQWULEXLUSDUDRSURFHVVRGHGHVHQYROYLPHQWRGDHVWUDWpJLD
lançamento do livro de de nacionalizações, passando pela 2. Prestar apoio técnico ao Assessor de saúde ambiental da OMS facilitando o desenvolvimento
fotografias de Samora Machel guerra de libertação da Rodésia GDHVWUDWpJLDJOREDO
de

ilustradas por KokNam, director do Sul (hoje Zimbabwe), criação &RQWULEXLUSDUDRGHVHQYROYLPHQWRGHSURSRVWDVGHÀQDQFLDPHQWR


&RQWULEXLUSDUDRGHVHQYROYLPHQWRGHSURSRVWDVGHÀQDQFLDPHQ
emérito do semanário SAVANA. de cooperativas agrícolas
ícolas e aldeias Na área de mudanças climáticas e de saúde:
O referido livro está venda na li- comunais, até à guerra civil que 4. Apoiar iniciativas de capacitação na área de saúde ambiental e no uso de informações climáti-
vraria Mabuku. dilacerou o país durante 16 anos. FDVHVLVWHPDVGHDYLVRSUpYLRSDUDDSUHYHQomRQDiUHDGHVD~GHHJHVWmRGHULVFRV
FDVHVLVWHPDVGHDYLVRSUpYLRSDUDDSUHYHQo
O Livro SAMORA MACHEL 5. Facilitar a coordenação entre os parceiros nacionais e internacionais de apoio ao Ministério da
O lançamento foi acompanhado por KokNam é prefaciado por Saúde na implementação de actividades de avaliação climática e de riscos de saúde, pesquisa e
pela apresentaçao de canticos de Alves Gomes e tem textos escri- outras.
um coral de mulheres religiosas tos por diferentes personalidades Na área de indústrias extractivas e saúde:
como tambem foi abençoado pelo nacionais. A obra contou com o 6. Apoiar a implementação de actividades relacionadas com a avaliação do impacto na saúde
+,$ GDVLQG~VWULDVH[WUDFWLYDVHGDPLQHUDomRDUWHVDQDOGHRXURHPSHTXHQDHVFDOD $6*0 
io

sacerdote da referida igreja. Dado importante apoio da Sociedade de


curiso é que o Presidente Samora Águas de Moçambique (SAM), 7. Prestar apoio técnico a todos consultores internacionais contratados para facilitar a HIA e
Machel e o fotografo Kok Nam proprietária da Marca Água da $6*0
nao profeçavam nenhuma religiao. Namaacha, Universidade Pedagó- 8. Contribuir para o desenvolvimento de relatórios ou análises geradas com o apoio da OMS
gica e o Estúdio KOK N NAM. DWUDYpVGHVWHVSURMHFWRV
Trata-se duma obra de elevada
A cerimónia contou com a presen- &RODERUDUFRPSDUFHLURVUHOHYDQWHVSDUDDXPHQWDUDFRQVFLHQFLDOL]DomRGHVWHWUDEDOKR
ár

qualidade a preto e branco, com


ça da Graça Machel viúva de Sa- &RQWULEXLUSDUDRGHVHQYROYLPHQWRGHSURSRVWDVGHÀQDQFLDPHQWRSDUDDUHDOL]DomRGXPD
perto de setenta fotografias de Sa-
mora Machel, seus filhos e netos. avaliação do impacto na saúde.
mora Machel captadas por Kok-
Contou também com os antigos Formação Académica
Nam, um ícone da fotografia que
camaradas de “trincheira”, pessoas Essencial: Nível superior ou similar em ciências de saúde, ambiente ou engenharia ambiental ou
faleceu em 2012 e que deixou um
que acompanharam o seu percurso civil com pós-graduação em saúde pública ou saúde ambiental.
acervo fotográfico do qual fazem
de vida. Desejável: Formação em mudanças climáticas, gestão de recursos naturais, promoção da saúde.
Di

parte conjuntos de fotos que do- Experiência


(VVHQFLDO3HORPHQRVDQRVGHH[SHULrQFLDSURÀVVLRQDOHPSURJUDPDVGHVD~GHDPELHQWDO
Desejável: Conhecimentos básicos de intervenções sobre gestão de riscos em todos os domínios
GHVD~GHDPELHQWDOFDSDFLGDGHFRPSURYDGDGHLGHQWLÀFDomRGHIRUPDHÀFD]GHFRQYRFDomRGDV
partes interessadas e de facilitação de reuniões do governo com parceiros. Excelentes habilidades
interpessoais.
Línguas
3RUWXJXrV(VFULWRHIDODGRÁXHQWHPHQWH
,QJOrV3URÀFLrQFLDSURÀVVLRQDO
Duração
De 1 de Abril a 30 de Setembro de 2016, com possibilidade de prorrogação.

Candidaturas:
Os candidatos interessados deverão, formalizar a sua candidatura até ao dia 15 de Março de 2016
através do e-mail afwcomz@who.int
Para mais informações, acesse o link http:/www.afro.who.int/en/Mozambique/vacancies.html
4 Savana 11-03-2016
EVENTOS

FDC aposta na formação da mulher


N
o âmbito das celebrações ção. Brasil.
do dia internacional da Segundo Nampawa, o cenário mais Conta Cidália que, uma vez aberta
mulher, a Fundação para dramático foi quando durante ano esta oportunidade, tinha de colocar
o Desenvolvimento da cortaram o financiamento da bolsa os estudos em primeiro lugar e fa-

o
Comunidade (FDC) sentou-se à devido à crise financeira que abalou zer valer esta janela de modo a con-
mesa com uma dezena de raparigas o parceiro. Para dar volta à situa- tribuir para o desenvolvimento do
para fazer o balanço e o respectivo ção, trançava cabelos, confeccio- país. Assim foi e em 2009 conclui
encerramento do projecto de finan- nava comida tipicamente nacional o curso e regressou a Moçambique,

log
ciamento de bolsas de estudos. em alguns restaurantes e, um anos sendo que actualmente trabalha
depois, a FDC conseguiu um outro como Técnica Informática do Mil-
parceiro que deu continuidade ao lennium Bim.
Trata-se de uma iniciativa que, en-
financiamento dos estudos. Depois Márcia Guido contempla o gru-
tre 2010 a 2012, atribuiu 132 bolsas
po de raparigas que beneficiou de
de estudos a raparigas moçambica- da formação voltou a Moçambique
bolsa de estudos para estudar em
nas, provenientes de famílias ca- e trabalha no Ministério de Eco-
Moçambique. Guido, de 28 anos
Moç
renciadas. As bolsas vão do ensino nomia e Finanças e é docente na
que a educação é vector de inclusão saber fazer para que juntamente de idade e natural do Niassa, cur-
medio ao superior, quer dentro e Universidade São Tomás.
social. com o homem possam fazer as de- sou Administração e Gestão de
fora do país, tendo abrangido quase Cidália Piwalo, de 30 anos de ida- Empresas no ISPU de Quelimane,
A dirigente destaca que é chegado vidas transformações.

ció
todas as províncias nacionais. de, é natural de Sofala, e depois de mas voltou a sua terra natal onde
Segundo Zélia Menete, directora o momento de construir uma so- Isabel Nampava, de 35 anos de ida- concluir o nível médio não vislum-
ciedade baseada no conhecimento, de e natural de Inhambane, foi uma trabalha na direcção provincial de
executiva da FDC, esta iniciativa brava a possibilidade de continuar Saúde, no sector de contabilidade
é exclusiva para mulheres, porque com massa crítica para alavancar das mulheres beneficiárias do pro- com os estudos superiores porque a e é docente da UP na delegação de
formar a mulher é a posta certa o crescimento do país. Isto porque jecto de bolsas de estudo da FDC. família não dispunha de condições Lichinga.
para o desenvolvimento. Menete Moçambique tem muitos recursos Concorreu à bolsa e formou-se em financeiras para tal. Márcia Guido agradeceu o gesto
defende ainda que em Moçambi- que podem catapultar o país para Economia no Brasil. Conta que Em 2004 concorreu às bolas da da FDC, pois transformou a sua
que as mulheres representam 54% outros níveis de crescimento, mas foi uma experiência difícil, porque FDC juntamente com outras sete vida e hoje sente-se realizada por-
da população nacional e, muitas ve- para tal é preciso que a mulher não nasceu em Inhambane e cresceu em raparigas da sua província, tendo que contribui com os seus conheci-

so
zes, têm sido excluídas das oportu- fique alheia a esses processos, pelo Cabo Delgado e, logo nos primei- sido seleccionada para cursar Ma- mentos para o desenvolvimento da
nidades de desenvolvimento, sendo que há necessidade de provê-la do ros dias, teve problemas de adapta- temática Aplicada e Informática no sua província.

Odebrecht oferece carteiras escolares


Vem aí Emerging Voices
A
caba de ser concluída a nistro Jorge Ferrão. As actividades ector da Escola Primária de
Director
primeira fase da entrega foram retomadas em Janeiro de Bumel, “será ensinado às crianças
um
O
de carteiras escolares na 2016 com a entrega de 75 carteiras a cuidar bem destas carteiras. Elas Financial Times e a a sociedade: “Um país que se
província de Gaza, no âm- escolares para a Escola Primária de vão ficar animadas e estudar me- OppenheimerFunds esquece de si próprio é um país
bito da parceria entre a Odebrecht ”, conclui. Para o director da
lhor”, anunciaram recente- que vai repetir os seus erros”,
Chihacho, em cerimónia conduzida
e o Ministério da Educação e De- Escola Primária de Madjele, Fa- mente as candidaturas afirmou a artista. A obra que
pela Directora Provincial de Edu-
bião Chitlango, “As crianças vão para a segunda edição do Pré- Planas apresentou reflecte o
senvolvimento Humano. cação de Gaza, Maimuna Ibrahi-
chegar à escola e ficar muito con- mio Emerging Voices, edição quotidiano do seu país e ganha
mo. 2016, uma iniciativa global ao mesmo tempo a dimensão
As demais entregas foram conclu- tentes porque vão ter carteiras para
Através da iniciativa do Clube dos concebida para descobrir novos de um lugar comum no mun-
ídas durante o mês de Fevereiro, sentar”.
Amigos da Educação, lançada ano talentos artísticos nos países do globalizado. “Eu não acre-
contemplando as seguintes escolas: O Clube dos Amigos da Educação
passado pelo Ministro Jorge Fer- emergentes, nas categorias de dito numa arte que seja deco-
Escola Primária de Bumel – 30 car- tem apoiado o sector da educação rativa ou complacente. Prefiro
rão, com o objectivo de sensibilizar Artes, Ficção e Cinema.
com carteiras escolares, salas de au- trabalhar em assuntos que me
a sociedade a apoiar a Educação, teiras; Escola Primária de Chissica
de

outr meios.
las e outros incomodam, ando sempre à
foram entregues, pela Odebrecht, – 40 carteiras; Escola Primária de Os vencedores das três catego-
A Odebrecht aderiu à iniciativa procura de respostas e não as
500 carteiras escolares no Distrito Chitucazima – 50 carteiras; Escola rias serão anunciados em Se-
do Ministério da Educação e De- encontro”. Em 2015, o 2º e
de Bilene-Macia na Província de Primária de Guagua – 40 carteiras; tembro de 2016. Cada vencedor
senvolvimento Humano por ter o 3º lugar do Prémio Emerging
Gaza. Na fase a seguir a decorrer Escola Primária de Madjele – 50 receberá um prêmio de US$
compromisso com os valores éticos, Voices Artes foram atribuídos
nos próximos meses, serão entre- carteiras; Escola Primária de Tso- com a formação profissional e do 40.000, e o segundo e terceiro a Fabiola Menchelli Tejeda e
gues 1.600 carteiras escolares na veca – 50 carteiras; Escola Primá- humano
ser humano. classificados por cada categoria Pablo Mora Ortega, de Mé-
Província da Zambézia. ria Completa Mao Tsé Tung – 40 Em Moçambique, através do Pro- irá receber US$ 5.000. xico e Colômbia respectiva-
Na Província de Gaza, dez escolas carteiras e Escola Primária Mitine grama “Acreditar”, já certificou O Prémio Emerging Voices mente.
receberam o apoio da Odebrecht 1 – 50 carteiras. mais de 1.700 pessoas de modo a 2016 dá continuidade ao su- As inscrições estão abertas até
io

como instituição Amiga da Educa- “É um grande passo em frente. atender as demandas geradas na cesso do programa inaugu- dia 3 de Maio e, em Junho
ção e membro do Clube dos Ami- As crianças sentavam-se no chão. construção civil nas regiões de Tete ral lançado em Dezembro de próximo, será anunciada a lis-
gos da Educação. Vamos cuidar muito bem destas e Nampula. Em parceria com o 2014. No ano passado, a escul- ta dos candidatos para cada
Em Dezembro de 2015, foi reali- carteiras”, avalia Carlos Benhane, Governo e a sociedade civil, tam- tora Cristina Planas, do Peru, categoria e os participantes
zada a primeira entrega oficial de Director da Escola Primária de bém já apoiou programas de saúde, ganhou o Prémio Emerging de cada lista por categoria se-
Chihacho que teve três salas de aula Voices Artes com um conjun- rão anunciados em Agosto de
ár

75 carteiras escolares para a Escola segurança no trabalho e de susten-


to de obras que questionavam 2016. (Elisa Comé)
Primária Completa de Chissano, construídas pela própria comuni- tabilidade junto às comunidades
em cerimónia conduzida pelo Mi- dade. Segundo Arão Macaringue, onde actuou no País.
Di