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Educação Feminina

por Pôncio Arrupe


(Ficção curtíssima)
Educação Feminina

Tenho-me deparado, sobretudo, devo dizer, em


determinados meios e zonas geográficas do mundo urbano
mais favorecido, com um certo tipo de educação das
meninas, das raparigas e das jovens mulheres, que atua
quase sempre de forma subliminar insidiosa, e que, talvez
por isso, desenvolve implacavelmente um determinado tipo
de mentalidade naquelas mentes femininas ainda em franca
formação, e que quase sempre lhes condiciona as atitudes e
comportamentos para sempre. Refiro-me a uma mentalidade
que opto, não sem risco, por descrever com o seguinte mote:
Dar o cu em troca de jantares em restaurantes caros e umas
temporadas no Algarve.
Perdoe-me leitor, por favor, por este meu desassombro,
por esta forma de me expressar, pura imagética, e que é tão
cruenta, impúdica e ordinária. Mas não encontro melhor para,
em tão poucas palavras, dizer tudo. Ou quase tudo… Uma
imagem vale mil palavras!, já ouviu dizer…
É que esta mentalidade feminina a que me refiro está até
presente, e é alicerce, de inúmeros casamentos, incluindo
muitos de longa e, não poucos, de eterna duração. E também
aquele mote dá conta de motivos disfarçados, e muitas vezes
não confesso, para inúmeros divórcios, seguidos em pouco
tempo de novos casamentos. É que nem todas aquelas
meninas conseguem, em troca das suas apetecíveis
bundinhas, logo à primeira, as prebendas desejadas e
merecidas. Há que insistir até encontrar…
Claro, o leitor já percebeu e suspeita, é possível que a
maior parte delas, além de para a função de evacuação,
nunca, realmente, cheguem a fazer uso do referido orifício
corporal para fins transacionais, mesmo sendo, esses fins,
não assumidos, e até desconhecidos. O pudor, e a muita
falta de amor, a isso se opõem. Mas, apesar disso, por
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motivos puramente retóricos, insisto no uso da mesma
imagem para continuar nesta minha reflexão.
Está bem de ver, é o que se constata, que a esmagadora
maioria sofre em silêncio as dores anais. E aquelas poucas
que têm a felicidade de descobrir que até gostam, regozijam
também em silêncio, e, na intimidade, por pudor, fingem o
contrário. As primeiras, quase nunca chegam a descobrir os
verdadeiros prazeres do amor e do sexo. As outras,
verdadeiramente, também não, embora obtenham alguma
recompensa extra, ainda que longe de a poderem ter
previsto, logo, estava ausente das suas expectativas
transacionais de início. Mas uma coisa é certa, com vias de
facto sodómicas, ou não, com prazer carnal, ou não, a maior
parte ficará para sempre desconhecedora de outros
possíveis modos de vida e de relacionamento com o sexo,
neste caso, verdadeiramente oposto.
E a maior parte dessa maior parte ficará para sempre
desconhecedora que desconhece o que desconhece. A bem
da ilusão de felicidade, valha-nos e valha-lhes isso! A bem da
verdade e justiça, isso deverá ser melhor do que a pura e
crua infelicidade. Convenhamos. Penso…
Assim se transmitem e perpetuam as educações. Agora
sabeis. Não o podeis negar.
Bem sei que iniciei esta minha reflexão em tom sarcástico,
denotando, inclusive, alguma sobranceria e desprezo pelas
mulheres a que me refiro. Mas, para terminar e colocar tudo
no seu devido e justo lugar, porque é assunto importante e
sério, insto-vos, pais, mães e demais educadores, parai de
ensinar as vossas meninas a armar e dirigir o sorriso
seletivamente, a propósito de tudo e de nada. Parai de
educar as vossas meninas para uma vida de prostitutas sem
que quase nunca venham a saber que o são; Sem que quase
nunca venham a sentir necessidade de outra vida; Sem que
quase nunca descubram que existem outras vidas possíveis.

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Pais, mães, educadores em geral, fazei um exame de
consciência!
Pronto, agora jamais podereis alegar que não sabíeis…

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