Você está na página 1de 3

ATOS-FATOS JURÍDICOS

Não existe unanimidade entre os doutrinadores sobre o tratamento do ato-fato


jurídico. No ato-fato jurídico o elemento humano é essencial, mas os efeitos jurídicos
independem da vontade da pessoa. Neste sentido, MARCOS BERNARDES DE MELLO
afirma que “como o ato que está à base do fato é da substância do fato jurídico, a
norma jurídica o recebe como avolitivo, abstraindo dele qualquer elemento volitivo
que, porventura, possa existir em sua origem; não importa, assim, se houve, ou não,
vontade em praticá-lo. Com esse tratamento, em coerência com a natureza das coisas,
ressalta-se a consequência fática do ato, o fato resultante, sem se dar maior
significância à vontade em realizá-lo. A essa espécie Pontes de Miranda denomina ato-
fato jurídico, com o que procura destacar a relação essencial que existe entre o ato
humano e o fato de que decorre”.
Os atos-fatos jurídicos podem ser classificados em: atos reais (atos materiais), atos-
fatos jurídicos indenizativos; e atos-fatos jurídicos caducificantes.
Atos reais ou atos materiais: Nestes atos não se considera a vontade em praticá-los,
mas sim o seu resultado.
Atos-fatos jurídicos indenizativos: São casos de indenizabilidade sem culpa, isto é,
casos em que, de um ato humano não contrário ao direito decorre prejuízo a terceiro,
com o dever de indenizar.
Atos-fatos jurídicos caducificantes: É o caso em que ocorre a caducidade,
independentemente de ato culposo, e, dessa maneira, não constitui ato ilícito.
EXEMPLOS:
O locatário que está prestes a desocupar o imóvel quando uma doença em sua
família retarda sua saída. Não sofrerá as consequências da inadimplência contratual,
mas responderá pelos dias em que retardou a entrega do imóvel por assim determinar
a legislação.
Com a criação intelectual também ocorre aquisição de propriedade sem análise
nenhuma sobre a vontade. Portanto, com o ato-fato jurídico criação já surge a relação
de propriedade entre o sujeito e a coisa, não havendo que se falar em qualquer
nulidade sobre o consentimento.
JURISPRUDÊNCIA

Processo
Apelação Cível 1.0105.05.167040-1/001 1670401-24.2005.8.13.0105 (1)
Relator(a)
Des.(a) Dídimo Inocêncio de Paula
Órgão Julgador / Câmara
Câmaras Cíveis Isoladas / 3ª CÂMARA CÍVEL
Súmula
DERAM PROVIMENTO PARCIAL
Comarca de Origem
Governador Valadares
Data de Julgamento
20/11/2008
Data da publicação da súmula
13/01/2009

Ementa
APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE INDENIZAÇÃO - REVELIA - ATO-FATO PROCESSUAL -

PRECLUSÃO - INOCORRÊNCIA - MATÉRIA FÁTICA DEDUZIDA EM RECURSO -

IMPOSSIBILIDADE - FRAUDE EM MEDIDOR DE ENERGIA ELÉTRICA - PENDÊNCIA DE

RECURSO ADMINISTRATIVO QUANTO AO DÉBITO - CORTE DO FORNECIMENTO -

ILEGALIDADE - DANO MORAL - OCORRÊNCIA.

- Não preclui a possibilidade de a parte alegar a intempestividade da contestação do


réu, bem como sua consequente revelia, uma vez que a apreciação de tal matéria
deve ser efetuada de ofício pelo julgador, constituindo norma de ordem pública.

- Enquanto pendente discussão na via administrativa a respeito do débito apurado


unilateralmente pela ré, é ilegal a suspensão do fornecimento de energia elétrica.

- Cabe indenização a título de danos morais se restou efetuado corte ilegal do


fornecimento, devendo esta ser arbitrada de acordo com as particularidades de cada
caso e com prudência, evitando-se aviltar a reparação ou, em contrapartida,
enriquecer indevidamente o beneficiário.
Direito civil : parte geral / Cleyson de Moraes Mello. - 3. ed. - Rio de Janeiro : Freitas
Bastos Editora, 2017/ p. 480, 484, 485
MEDINA, Cleber Pereira. Revista de Direito, v. 13, nº 18, ano 2010, p. 119-138. Fatos
Jurídicos: Um enfoque sobre o ato-fato jurídico - Centro Universitário Anhanguera de
São Paulo
(http://www.pgsskroton.com.br/seer/index.php/rdire/article/viewFile/1861/1767)

(http://www5.tjmg.jus.br/jurisprudencia)