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CICLO LENOIR

O ciclo de Lenoir foi um ciclo termodinâmico idealizado usado para modelar


o motor a pulso jato. É baseado na operação do motor patenteado por Étienne
Lenoir em 1860, considerado como o primeiro motor de combustão interna,
comercialmente fabricado.
O motor foi chamado de motor de explosão, pois a energia fornecida é
devida somente ao surgimento da pressão da combustão extremamente rápida do
combustível, ou a explosão da mistura no espaço confinado do cilindro. Centenas de
máquinas de Lenoir foram usadas no século XIX, mas atualmente se encontram
ineficientes comparadas aos padrões atuais.
Em 1862 Alphonse Beau de Rochas apontou que a eficiência da queima
interna poderia ser aprimorada em motores alternativos através da compressão da
mistura de ar-combustível antes da combustão. Em 1876 Nicolaus Otto pensou que
as sugestões de Rochas eram inconsistentes e construiu uma máquina que
incorporou esse recurso importante, como descrito no ciclo de Otto.
A ausência de um processo de compressão no projeto leva-o a melhor
eficiência térmica a baixas temperaturas comparado aos motores baseados no ciclo
de Otto ou ciclo Diesel.

O ciclo

Um ciclo ideal de Lenoir com um gás ideal passa por:


 1-2: Adição de calor a volume constante;
 2-3: Expansão Adiabática;
 3-1: Rejeição de calor a pressão constante.

Diagrama Pressão x Volume do ciclo térmico de Lenoir.

Onde: QH = Transferência de calor quente, e Qc = Transferência de calor frio.


De acordo com o ciclo:
 O pistão inicial (1), quando há adição de calor ocorre um aumento de pressão
a volume constante, (2);
 Do ponto (2) para o (3) ocorre uma expansão adiabática.
 De (3) para (1) o calor é liberado a pressão constante.

A energia é absorvida em forma de calor durante o aquecimento em volume


constante e fornecida como trabalho durante a expansão. O calor restante não é
aproveitado e é perdido durante o processo de resfriamento a pressão constante.
Para o cálculo da eficiência do ciclo de Lenoir deve ser levado em
consideração que:

Considerando que o trabalho realizado é dado por nos leva a


equação de eficiência

Adição de calor a volume constante (1-2)

No processo isocórico, o volume do sistema é constante, pela equação do


trabalho isso faz com que o trabalho seja igual a zero. Logo, ΔU=Q.
Na versão com gás ideal do ciclo de Lenoir tradicional, o primeiro estágio (1-
2) envolve a adição de calor de modo que o volume seja constante. Este processo
se baseia na primeira lei da termodinâmica: QH = T2 – T1.

Não existe trabalho durante este processo porque o volume se mantém


constante:

e da definição de calores específicos de volume constante para um gás


ideal:

Expansão adiabática (2-3)

No processo adiabático não há troca de calor do sistema com o meio, ou


seja, Q = 0, então pela equação da 1ª lei da termodinâmica, ΔU=W.
A segunda etapa (2-3) envolve uma expansão adiabática reversível do fluido
de volta para sua pressão original. Pode-se determinar que, para um processo
Adiabático, a aplicação da segunda lei da termodinâmica resulta no seguinte:
Onde p3 = p1 para esse ciclo específico. A primeira lei da termodinâmica
resulta na seguinte equação a seguir para esse processo de expansão: 2W 3 = mcv
(T2 – T3) porque para um processo adiabático: 2Q3 = 0

Perda de calor a pressão constante (3-1)

A fase final (3-1) envolve uma perda de calor a pressão constante


(transformação isobárica), voltando ao estado original. Da primeira lei da
termodinâmica, temos: 3Q1 – 3W 1 = U1 – U3 concomitantemente, podemos definir
também que Qc = cp (T3 – T1) da definição de calor específico a pressão constante
para um gás ideal:

Eficiência do Ciclo de Lenoir

Outras formas de calcular a eficiência do Ciclo de Lenoir são através das


equações:
Princípio de funcionamento

O pistão desce desde o ponto morto superior, admitindo a mistura ar-


combustível por uma válvula (que pode ser somente uma válvula anti-retorno, que
se abre por depressão).
Num dado ponto da descida do pistão dá-se a ignição que produz uma
combustão instantânea, produzindo um aumento, também instantâneo, da pressão;
a partir daí o pistão é expandido para o ponto morto inferior, baixando a pressão do
gás.
No ponto morto inferior a válvula de escape abre (por meio de um
mecanismo, tipo carne) e os gases queimados são expulsos do cilindros pela subida
do pistão. Teoricamente estes motores poderiam atingir um rendimento algo inferior
a 30%, embora na prática se obtivessem valores na ordem dos 10%. Mas o grande
problema destes motores não residia tanto no rendimento, mas sim na potência que
estava disponível. Para se obter um pouco mais de 1 kW estes motores poderiam
pesar 2 toneladas. O ciclo de funcionamento destes motores tinha a grande
desvantagem de a s condições para grande potência e elevado rendimento serem
incompatíveis, ou seja, ao máximo da potência correspondia baixo rendimento e vice
versa.

Diagrama do Ciclo

A imagem representa o diagrama Temperatura x Entropia.

 1-2: Volume constante;


 3-1:Pressão constante.

Referência bibliográfica

Ciclo Lenoir. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Ciclo_Lenoir> Acesso em:


12de mario de 2018.