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Sistemas estruturais em Aço

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MÓDULO

Galpões em estrutura de aço

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Módulo 6

Índice - Módulo 6
• 11.1. Elementos estruturais e de vedação que compõem o galpão
Estrutura principal
• 11.1.2. Coberturas
• 11.1.2.1. Coberturas em arcos
• 11.1.2.2. Coberturas em treliça de duas águas
• 11.1.2.3. Coberturas com lanternins
• 11.1.2.4. Coberturas em shed
• 11.3. Terças e correntes
• 11.4. Telhas
• 11.1.3. Contraventamentos
Contraventamento horizontal
Contraventamento vertical
• 11.10. Estrutura de fechamento - longarinas – correntes
• 11.11. Pontes rolantes

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Parte 1 - Galpões em estruturas de aço

10. Galpões de estruturas de aço.

Vídeo – Edifícios industriais

10.1. Elementos estruturais e de vedação que compõem o galpão

Galpões
É nos galpões industriais que a estrutura metálica em aço apresenta sua aplica-
ção mais freqüente em nosso país. Tal fato deve-se a exigência de grandes vãos
livres, onde a estrutura metálica torna-se solução mais econômica se com-
parada à estrutura de concreto armado. As primeiras estruturas das grandes
coberturas foram projetadas em madeira, mas a evolução das indústrias e sua
multiplicidade de atividades tornaram o risco de incêndio fator decisivo na
opção pela estrutura metálica.

Os componentes principais de um galpão industrial são:


• Estrutura principal
• Cobertura : terças e telhas
• Fechamento : longarinas e elementos de vedação
• Contraventamentos: horizontal e vertical.

Estrutura principal
A estrutura principal é formada por pórticos com diversas formas. Em função
do vão a ser vencido, a estrutura principal pode ser composta por:

a) Pórtico Simples.
Quando a estrutura principal vence um único vão. Os pórticos simples são
relativamente econômicos para vãos até 40 m. Os elementos que compõem
o pórtico, vigas e pilares, podem ser de alma cheia,Vierendeel ou treliçados. A
opção por uma ou outra solução depende dos vãos e resultados estéticos pre-
tendidos. Normalmente para vãos até 10 m, a viga de alma cheia apresenta-se
como solução satisfatoriamente econômica.

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b) Pórticos múltiplos
Usados quando os espaços a serem cobertos são muito grandes, e não é econô-
mico o uso de um único pórtico. São usados para vãos acima de 30m.

10.2. Coberturas em arcos


As coberturas em arco são as mais freqüentes por que apresentam grande eco-
nomia, principalmente para grandes vãos.Vale lembrar que o arco deve traba-
lhar predominantemente à compressão simples, o que dentro da hierarquia dos
esforços encontra-se em segundo lugar. Para a composição do arco podemos
usar perfis de alma cheia, treliçados e vierendeeel. Destes, sem dúvida, a solu-
ção em treliça é a mais econômica, como já foi discutido anteriormente.Tam-
bém vale lembrar que para um arco ter um bom desempenho, sua forma deve
ser a do antifunicular dos carregamentos predominantes: as cargas gravitacio-
nais (peso próprio, telhas, forros, equipamentos, entre outras). Outra questão
importante é a dos empuxos, que como já foi visto, podem ser absorvidos por
tirantes ou nos pilares. Neste último caso os pilares sofrem flexão apresentando
dimensões maiores.

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Outra possibilidade de cobrir vãos em edifícios industriais é o uso de treliças


de duas águas, também denominadas de tesouras. Apesar de mais pesadas que
os arcos, a tesoura metálica pode apresentar menor altura, resultando em edi-
ficações mais baixas.

Usando treliças de duas águas em disposições diferentes da tradicional, ou


invertendo-a, pode-se criar soluções de cobertura bastante interessantes. Os
perfis utilizados nesta treliças são, normalmente, cantoneiras duplas ou U. Nes-
te último caso pode-se evitar o uso de chapas de nó, fixando-se as diagonais e
montantes diretamente nos abas do perfil U.

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Exemplos de Uso:

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10.4. Coberturas com lanternins


Quando os espaços cobertos são muito grandes, a iluminação do ambiente,
feita apenas pelas laterais, torna-se insuficiente. Neste caso, iluminações inter-
mediárias devem ser previstas através do uso do lanternim, que é uma estrutura
secundária apoiada na principal e que serve para apoio de caixilhos. O lanter-
nim pode ser disposto longitudinalmente e contínuo ou transversalmente e
descontínuo. A opção depende das necessidades de ventilação e iluminação.

A retirada do ar quente se processa pelo efeito de convecção. Sendo o ar


quente mais leve, ele sobe saindo pelo lanternim. O ar frio entra por baixo por
aberturas feitas na vedação.

Exemplos de uso:

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10.5. Coberturas em shed


O shed é um sistema de cobertura muito usado nas indústrias, pois além de
permitir a diminuição dos apoios internos, permite excelente nível de ilumi-
nação e ventilação do ambiente interno.

O sistema de cobertura em shed apresenta dois níveis de estruturas principais


portantes: as vigas primárias ou vigas mestras e as vigas secundárias. As vigas
secundárias são as que recebem a estrutura de apoio das telhas, portanto devem
apresentar a inclinação exigida pelo tipo de telha utilizado.

As vigas secundárias podem ser formadas por vigas de alma cheia, vierendeel
ou treliçadas, conforme exigência do vão ou opção estética.

A viga mestra é o elemento estrutural que apóia as vigas secundárias e trans-


mite a carga de toda cobertura para os pilares. A viga mestra pode ser formada
por vigas de alma cheia, treliçadas de banzos paralelos ou Vierendeel. As vigas
treliçadas serão sempre mais leves e econômicas.

É na viga mestra que se fixa o caixilho para iluminação e ventilação do am-


biente. No nosso hemisfério a face iluminada do shed (viga mestra) deve ficar
voltada para o sul de forma a evitar incidência direta dos raios solares no re-
cinto.

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Parte 2 - Galpões em estruturas de aço


10.6. Terças e correntes

Cobertura
Para apoio das telhas e transmissão das cargas à estrutura principal, são usadas
vigas que recebem o nome de terças. Se atendidos os vãos econômicos (4 a
6 m), as terças podem ser constituídas de perfis U laminados ou de chapas
dobradas. Para vãos maiores são usados perfis l, vigas treliçadas ou, ainda, vigas
armadas (viga vagão).

A exigência do caimento para telhas faz com que as terças sejam montadas
inclinadas. Com isso as cargas que as solicitam provocam esforços de flexão
na direção de menor rigidez do perfil. Para evitar a necessidade de aumento
de seção nessa direção, o que seria anti-econômico, o vão a ser vencido pelas
terças, nessa direção, é diminuído pela colocação de tirantes que recebem o
nome de correntes. As correntes podem ser constituídas por barras redondas
de ½” de diâmetro ou por pequenas cantoneiras.

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Exemplos de uso:

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10.7. Contraventamentos

Vídeo – Contraventamento

Vídeo – Contraventamento portico nó enrijecido 1

Vídeo – Modelo de contraventamento

Vídeo – Contraventamento portico com diagonal

Vídeo – Posições de contraventamento horizontal

Vídeo – Posições de contraventamento vertical

Vídeo – Posições de contraventamento em 3 planos

Vídeo – Contraventamento em estruturas verticais

Vídeo – Contraventamento em estruturas verticais c diagonais

Vídeo – Contraventamento em estruturas verticais c enrijecedor

Vídeo – Contraventamento em estruturas 2 modelos

Contraventamentos
Um elemento estrutural importante e que muitas vezes não é considerado no
projeto de arquitetura, e que pode provocar surpresas ao arquiteto, é o contra-
ventamento. Sendo o aço um material muito resistente, as peças estruturais re-
sultam muito esbeltas. O que por um lado é uma grande vantagem, por outro
pode se apresentar como um inconveniente. Como as estruturas metálicas são
muito esbeltas, apresentam grande instabilidade. Mesmo quando não sujeitas a
esforços de vento, podem apresentar deformações indesejáveis fora dos planos
dos esforços principais. Para travar a estrutura seja pela atuação do vento, seja
por efeito de flambagem ou da própria falta de rigidez do conjunto estrutural,
são usados os denominados contraventamentos.
Os contraventamentos podem ser usados temporariamente, durante a monta-
gem da estrutura, ou definitivamente.
Como nunca se sabe em que direção poderá ocorrer o deslocamento do con-
junto estrutural, o contraventamento deverá garantir a imobilidade em todas
as direções. Para que ele não se torne um elemento pesado, tanto do ponto de
vista visual como físico, deve-se, sempre que possível, fazer com que trabalhe
a tração axial (o mais favorável dos esforços). Em vista disso a maneira mais
simples de concebê-lo é na forma de um X, pois dessa forma, em um ou outro
sentido, as barras que compõem esse X estarão submetidas à tração.
A estabilização da estrutura deverá ser garantida tanto no plano horizontal
como no vertical. No caso da cobertura do galpão a estabilização horizontal, é
dada pela criação de contraventamento no plano inclinado da cobertura.

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Contraventamento horizontal
O contraventamento horizontal é composto pelas barras em X, pelo banzo
superior das tesouras e pelas terças. Esse conjunto forma uma grande treliça
de banzos paralelos que é responsável por levar qualquer força horizontal para
os pilares.

Longe da região do contraventamento, as forças horizontais, devidas aos des-


locamentos fora do plano da estrutura principal, são transmitidas a ele pelas
terças. Se a distância entre contraventamentos for muito grande a eficiência
de transmissão de forças pelas terças fica muito prejudicada, pois elas ficam
muito longas.

Para maior eficiência os contraventamentos horizontais deverão ser previstos


com afastamentos convenientes. A experiência mostra que, colocados a cada
três ou quatro pórticos, os contraventamentos mostram-se eficazes. Em outras
palavras: os contraventamentos não devem ser afastados mais que 25 m.

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Exemplos de uso:

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Contraventamento vertical
Os contraventamentos horizontais são necessários, mas não suficientes. As for-
ças horizontais que chegam nos pilares devem ser transmitidas às fundações.
Para isso são previstos contraventamentos verticais executados no plano verti-
cal e entre pilares.

Quando a locação do contraventamento vertical prejudicar a circulação, a for-


ma em X poderá ser substituída por um pórtico treliçado. Esta solução, no
entanto, será sempre mais cara que a anterior. O arquiteto deverá estar sempre
consciente da necessidade desse contraventamento para que possa, se houver
interesse, tirar proveito estético dele.

Exemplos de uso:

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Parte 3 - Galpões em estruturas de aço

10.9. Telhas

Para cobertura do galpão poderão se previstos diversos tipos de telhas. O uso


de telha de barro, em princípio, não é o mais indicado devido ao seu grande
peso, no mínimo o dobro de outros tipos de telhas. Apesar disso, soluções de
coberturas em estruturas metálicas com telhas de barro resultam em soluções
estética e ambientalmente agradáveis.

As telhas mais comumente usadas na cobertura de galpões são:


• telhas metálicas em aço ou alumínio.
• telhas de PVC.
• telhas de fibras vegetais

As telhas de fibras vegetais têm desenho semelhante às telhas de fibrocimento,


hoje pouco usadas por suspeita de provocarem problemas de saúde. São for-
necidas em diversas cores. Têm contra si a necessidade de grande número de
terças, pois devido à sua pouca rigidez e resistência não vencem vão superior
a 50 cm.

Atualmente as telhas de aço são as mais usadas, por apresentarem dimensões


que agilizam a montagem do telhado. Por serem de aço apresentam a possibi-
lidade de deterioração, o que é solucionado com o uso de telhas galvanizadas,
plastificadas ou pré-pintadas. São mais leves que as de fibrocimento e com
possibilidade de vencerem vãos bem maiores, o que pode representar uma
economia no uso de terças. Apresenta como desvantagem o alto índice de
transmissão de ruídos e calor. Esse problema pode ser minimizado com o uso
de telhas “sanduíche”, com material isolante entre elas, o que, por outro lado,
aumenta o seu custo. Entretanto, no computo geral, considerando-se custos in-
diretos de refrigeração ao longo da vida útil da edificação, as telhas isotérmicas
tem se mostrado muito competitivas e até mais econômicas.

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As telhas de alumínio apresentam como grande vantagem seu baixo peso.

Quanto ao aspecto de conforto valem as observações feitas para as telhas de


aço. As telhas de alumínio não devem entrar em contato direto com peças de
aço, devido ao processo de corrosão eletrolítica que acontece entre os dois
materiais.

Novos tipos de aço, revestidos de alumínio e zinco, comercializados como


galvalume, zincalume, entre outros, são alternativas às telhas de alumínio, sen-
do mais baratas e mais resistentes. (para saber mais: www.55alzn.com)
As telhas de PVC, por serem translúcidas são usadas, exclusivamente, quando
há necessidade de aumento de área de iluminação natural.

Perfilação da telha no local

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Módulo 6

Montagem do telhado

Montagem com telhas isotérmicas

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Telha isotérmica

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Módulo 6

Montagem de telha zipada

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Maquina de zipar de telhas

Vista geral

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Módulo 6

Telha multi-dobra

Telha multi-dobra - instalação

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10.10. Estrutura de fechamento - longarinas – correntes

Fechamentos laterais
Os fechamentos dos galpões industriais podem ser feitos com:
• alvenaria de tijolos, blocos cerâmicos ou de concreto
• telhas metálicas
• painéis sanduíche metálicos
• painéis pré-moldados de concreto armado.
• painéis pré-moldados de argamassa armada.

As alvenarias, principalmente de blocos, são normalmente utilizadas como


complemento das vedações com telhas. Neste caso a alvenaria fecha o edifí-
cio até uma altura em torno de 2 m e o restante é fechado com telha. Entre
as telhas e a alvenaria é deixado um vão para penetração do ar externo para
ventilação do ambiente.

Devido ao comportamento diferenciado entre a alvenaria e o aço, alguns cui-


dados especiais devem ser observados nas regiões de contato entre esses ma-
teriais.

O uso de uma alvenaria autoportante, totalmente independente da estrutura


metálica, quando possível, é a melhor solução.

Quando o fechamento lateral for constituído por telhas metálicas há a neces-


sidade de se criar uma estrutura para apoiá-las. Essa estrutura tem a função de
suportar as cargas verticais do peso próprio das telhas e as cargas horizontais
devidas ao vento. Para essa função são usadas vigas constituídas de perfis “U”
laminados ou de chapa dobrada.

As vigas são posicionadas na horizontal visando maior resistência aos efeitos


do vento. Na direção vertical os vãos são diminuídos pelo uso de correntes
(tirantes) verticais.
O uso de painéis de argamassa armada, devido ao seu baixo peso e grande
resistência, é uma solução bastante promissora como elemento de vedação das
estruturas metálicas.

Mais promissores ainda são os painéis sanduíche metálicos, com enchimen-


tos em pur ou pir. Por se constituírem de elementos industrializados, com
grande qualidade de acabamento e velocidade de montagem compatível com
a estrutura de aço, tem as vantagens de serem isotérmicos. E, com o uso de
aços pré-pintados, tem ainda grande durabilidade e não necessitam de pintura
adicional.

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Exemplos de uso

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10.11. Pontes rolantes

Ponte rolante
Quando o uso do galpão exigir deslocamento de produtos dentro do seu es-
paço, deverá ser prevista a existência de talhas ou pontes rolantes. Para isso a
estrutura principal do galpão (pórtico) deverá ser projetada para os grandes es-
forços oriundos desses equipamentos. As frenagens longitudinais e transversais,
que correspondem 1/7 a 1/10 da carga da ponte rolante, respectivamente, po-
dem introduzir esforços muito grandes nos pilares, principalmente de flexão.
Com isso os pilares dos pórticos passam a apresentar dimensões variáveis, com
seção mais robusta até o nível da ponte rolante e menor daí até a cobertura.

Ponte rolante

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As vigas que apóiam a ponte rolante, e que vencem o vão entre os pilares do
pórtico, são chamadas vigas de rolamento. Devido às grandes cargas que su-
portam e ao vão que vencem, as vigas de rolamento apresentam grande altura
e são normalmente executadas em perfil de chapas soldadas.

Para se evitar torção, nessas vigas, devido à força de frenagem transversal, deve
ser prevista ao nível da mesa superior, uma viga horizontal, de alma cheia ou
treliçada, que irá transferir a força horizontal diretamente aos pilares do pór-
tico.

Dependendo do tipo e capacidade das pontes rolantes, são exigidas medidas


especiais, necessárias para o bom desempenho do equipamento e que deverão
ser rigorosamente seguidas pelo projeto de arquitetura. Em vista disso, reco-
menda-se que sejam cuidadosamente consultados os catálogos dos fabricantes
das pontes para obtenção dessas medidas.

Exemplos de uso:

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