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CARACTERIZAÇÃO DE BLENDAS PP/EVA/PP-g-MA ATRAVÉS DE REOMETRIA DE


TORQUE E ANÁLISES MECÂNICAS

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Nelson Marcos Larocca Elias Hage Jr.


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Luiz A. Pessan
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CARACTERIZAÇÃO DE BLENDAS PP/EVA/PP-g-MA
ATRAVÉS DE REOMETRIA DE TORQUE E ANÁLISES
MECÂNICAS

Cibele C. Pessan1*, Nelson M. Larocca1, Elias Hage Jr1, Luiz A. Pessan1

1
Universidade Federal de São Carlos - UFSCar, Rod. Washington Luiz, km 235 – São Carlos –SP
*cibacp@hotmail.com

Blendas de polipropileno (PP) com o copolímero de etileno-acetato de vinila (EVA) e com várias concentrações do
compatibilizante polipropileno-graft-anidrido maleico (PP-g-MA) foram preparadas por extrusão e caracterizadas por
reometria de torque e análises mecânicas. Observou-se o maior valor de resistência ao impacto quando a concentração
de PP-g-MA na blenda é em torno de 2 a 4%, sendo que em concentração maior ocorre um decréscimo do valor destas
propriedades. Tal comportamento é explicado considerando as características de massa molar e polaridade deste
copolímero.

Palavras-chave: polipropileno, etileno-acetato de vinila, blenda, reometria de torque, tenacificação

Characterization of PP/EVA/PP-g-MA Blends by torque rheometry and mechanical analysis

Blends of polypropylene (PP) with the copolymer ethylene-vinyl acetate (EVA) containing various concentrations of
the compatibilizer polypropylene-graft-maleic anhydride (PP-g-MA) were prepared by melt extrusion and characterized
by torque rheometry and mechanical analysis. It was observed that higher values of impact strength have occurred for
the blend containing 2 and 4 % of PP-g-MA, whereas a larger concentration leads to a decrease of the value of this
property. Such behavior is explained by taken in account the molecular weight and polarity of this copolymer.

Keywords: polypropylene, ethylene-vinyl acetate copolymer, polymer blend, torque rheometry, toughening

Introdução
O polipropileno é amplamente utilizado em embalagens, utensílios domésticos, aplicações
automobilísticas e têxteis, devido a sua fácil processabilidade, propriedades mecânicas razoáveis,
ótima reciclabilidade e baixo custo. Entretanto, um dos fatores que ainda limitam o uso do
polipropileno como termoplástico de engenharia é a sua baixa resistência ao impacto, especialmente
em condições de baixa temperatura e altas taxas de deformação. Para expandir o uso do
polipropileno como polímero de engenharia, as características citadas acima podem ser melhoradas
através da modificação com elastômeros, o que vem sendo amplamente estudado [1-5].
O mecanismo de tenacificação que atuará no polipropileno depende do tipo de elastômero,
teor, adesão interfacial com a matriz e da morfologia (tamanho e distribuição de partículas e
distância interpartículas) do sistema. O copolímero etileno-acetato de vinila (EVA) pode tenacificar
o polipropileno, devido à presença dos segmentos olefínicos e a sua baixa temperatura de transição
vítrea. Além disso, a concentração de acetato de vinila é uma variável adicional, pois esta torna os
copolímeros de etileno-acetato de vinila disponíveis com características bem variadas. Por exemplo,
Gupta, Ratnam e Srinivasan [1] mostraram que a resistência ao impacto do polipropileno aumenta
rapidamente com o aumento do teor de EVA até 5% em peso de EVA e então este aumento é
moderado até o teor de 30% e aumenta rapidamente novamente para maiores teores de EVA. Além
disso, quanto maior o teor de acetato de vinila no EVA, maior o aumento na resistência ao impacto.
Uma das limitações do polipropileno na formação de blendas com elastômeros polares é sua
baixa polaridade e falta de sítios reativos. Entretanto, a modificação do PP através da graftização
oferece meios eficientes para introduzir certa polaridade a este polímero sem afetar de modo
significativo a natureza de sua cadeia principal. A funcionalização produzida através do processo de
extrusão reativa, pela introdução de monômeros funcionais como o anidrido maleico resulta em
cadeias de PP graftizadas com estes monômeros, como o PP graftizado com anidrido maleico (PP-
g-MA). Considerando que o grau de funcionalização seja pequeno (ao redor de 1 % em massa),
estes copolímeros graftizados são miscíveis no PP puro e podem ser misturados a este, obtendo-se
como resultado uma fase de PP com uma polaridade suficientemente alta para melhorar sua
compatibilidade com outros polímeros polares, como o EVA, em blendas de PP/EVA. Se o
copolímero PP-g-MA se localizar preferencialmente na interface entre as fases de PP e EVA, a
eficiência de compatibilização é maximizada, aumentando a adesão entre estas duas fases. Por sua
vez, a melhora da adesão entre as fases de PP e EVA pela incorporação do compatibilizante podem
ser refletidas em várias propriedades das blendas, como propriedades reológicas e propriedades
mecânicas. Por exemplo, através da incorporação de PP graftizado com ácido acrílico, PP-g-AA, na
blenda PP/EVA, Martins et al. [6, 7] observaram diminuição do tamanho das partículas de EVA e
um aumento da resistência ao impacto nestas blendas.
Neste trabalho foram preparadas blendas de PP/EVA com várias concentrações do
compatibilizante PP-g-MA, de modo a se avaliar o efeito da concentração deste copolímero na
viscosidade do fundido e nas propriedades mecânicas das blendas.

Experimental

Materiais
O polipropileno homopolímero utilizado neste trabalho foi o H501HC, fornecido pela
Braskem, com um índice de fluidez (MFI) de 3,5 g/10min (230 °C / 2,16 Kg). O copolímero de
etileno-acetato de vinila utilizado foi o Tritheva® PN 2021, fornecido pela Petroquímica Triunfo,
que contém 18% em massa de acetato de vinila e com MFI de 2 g/10min (190 °C / 2,16 Kg ). O
compatibilizante PP-g-MA utilizado foi o Polybond®3200, fornecido pela Chemtura, que contém

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aproximadamente 1% em massa de anidrido maleico e que possui um MFI de 255 g/10min (230 °C
/ 2,16 Kg).
Preparação das blendas

Inicialmente, todos os polímeros foram micronizados criogenicamente em um moinho e


secados em estufa a vácuo a 60 °C por pelo menos 12 horas antes do processamento no estado
fundido. Este processamento se deu em uma extrusora de dupla rosca B&P Process Equipment and
Systems, modelo MP 19 (diâmetro da rosca, D, igual a 19 mm e L/D = 25). Nesta extrusão,
utilizou-se o perfil de temperatura de 170, 190, 190, 190, 195 °C e a rotação de rosca de 140 rpm. O
extrudado foi granulado, seco e moldado em corpos de prova através de injetora Arburg 270V,
operada sob uma pressão de injeção de 430 bar e pressão de recalque de 350 bar. O perfil de
temperatura do canhão da injetora utilizado foi de 190, 200, 215, 225, 225 °C e a temperatura do
molde foi fixada em 40 °C.
Neste trabalho foram produzidas 5 blendas, com as composições descritas a seguir :
-b1 : 100% PP;
-b2 : 60% PP, 40% EVA;
-b3 : 58% PP, 40% EVA, 2% PP-g-MA;
-b4 : 56% PP, 40% EVA, 4% PP-g-MA;
-b5 : 52%PP, 40% EVA, 8% PP-g-MA.

Análises das blendas


Reometria de torque
As análises foram realizadas em um reômetro de torque HAAKE, modelo RHEOMIX 600p,
com rotores ROLLER sob uma rotação de 50rpm e na temperatura de 190 °C.

Propriedades mecânicas
Tração uniaxial
As análises de tração uniaxial foram realizadas em corpos de prova injetados segundo a
norma ASTM D638-02a. Os ensaios foram conduzidos em máquina universal de ensaios Instron
modelo 5569, a uma velocidade de travessa de 50 mm/min, sendo que foram analisadas dez
amostras para cada composição.
Ensaios de impacto tipo Izod
A resistência ao impacto com entalhe foi medida utilizando um equipamento de impacto tipo
pêndulo CEAST, modelo RESIL 25 com geometria tipo Izod, de acordo com a ASTM D256-06.

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Oito amostras foram testadas para cada composição. Os corpos de prova obtidos por moldagem por
injeção foram entalhados em uma máquina de entalhe marca CEAST, verificando-se a profundidade
do entalhe em um micrômetro apropriado.

Resultados e Discussão

Reometria de torque:

A Figura 1 apresenta as curvas obtidas por análises de reometria de torque do PP, da blenda
PP/EVA 60/40 e das blendas contendo várias porcentagens de PP-g-MA. Observa-se nesta figura
que os valores dos torques de todas as blendas contendo PP-g-MA são sempre menores do que o
torque observado na blenda pura. Estes resultados podem ser explicados considerando-se a baixa
massa molar do PP-g-MA utilizado, que é refletida em seu alto MFI. Considerando que o torque no
reômetro é proporcional à viscosidade do polímero sob análise, a queda de torque observada ao se
incorporar o PP-g-MA na blenda PP/EVA pode ser explicada pela introdução de um composto de
massa molar muito baixa e, portanto, de baixa viscosidade no fundido nesta blenda.

0% PP-g-MA(b2)
Torque ( N.m )

2% PP-g-MA(b3)
4% PP-g-MA(b4)
8% PP-g-MA(b5)
6

PP(b1)
4

2 3 4 5 6 7 8 9 10
tempo (min)

Figura 1. Curvas de reometria de torque do PP e das blendas PP/EVA/PP-g-MA.

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Propriedades mecânicas:

Na Tabela 1 são apresentados os valores de tensão de escoamento, módulo e resistência ao


impacto Izod do PP, da blenda PP/EVA e das blendas contendo várias concentrações de PP-g-MA.
Pode-se observar que com a incorporação de 40% de EVA no PP tem-se um significativo aumento
da resistência ao impacto da blenda (aumento de mais de 4 vezes), isto é, um aumento da
tenacidade, embora também ocorra uma simultânea diminuição do módulo e da tensão de
escoamento, comportamentos típicos quando da incorporação de polímeros com características
elastoméricas em matrizes vítreas como o PP. Este comportamento pode ser melhor visualizado
através da Figura 2, que correlaciona o módulo e a resistência ao impacto do PP e das blendas.

Tabela 1. Propriedades mecânicas do PP e das blendas PP/EVA/PP-g-MA

Tensão no Módulo de Resistência ao


Composição escoamento Young impacto Izod
(MPa) (GPa) ( J/m )
b1 37,26 ± 0,09 2,402 ± 0,082 25
b2 22,77 ± 0,23 1,183 ± 0,045 107
b3 22,69 ± 0,31 1,239 ± 0,040 187
b4 22,98 ± 0,25 1,215 ± 0,057 181
b5 22,69 ± 0,19 1,207 ± 0,051 142

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Figura 2. Correlação entre o Módulo e Resistência ao impacto do PP puro e das blendas PP/EVA/PP-g-MA.

Na Tabela 1 e na Figura 2 pode-se também observar o efeito da incorporação de PP-g-MA


nas propriedades mecânicas da blenda PP/EVA. Nota-se um pequeno efeito no módulo com um
aumento médio ao redor de 2,5 %. Entretanto, o efeito na resistência ao impacto é significativo,
observando-se um aumento médio ao redor de 69%. Estes valores são superiores aos encontrados
por Martins et al. [6, 7] em blendas de PP/EVA com o copolímero de PP-g-AA, onde foi observado
que a incorporação de 5 % deste copolímero diminui o módulo da blenda em 7% e aumenta a
resistência ao impacto em apenas 8%, o que sugere que o PP-g-MA é mais eficiente do que o PP-g-
AA para a compatibilização da blenda PP/EVA.
O aumento de resistência ao impacto da blenda PP/EVA ao se incorporar PP-g-MA pode ser
explicado pelo provável aumento da adesão entre as fases de PP e EVA ao se incorporar o
copolímero na fase PP, uma vez que a introdução de grupos polares na fase PP possivelmente
aumentou a interação entre estas fases por meio de forças dipolo-dipolo entre estes grupos e os
grupos polares do EVA na interface entre as fases. Uma melhor adesão promove então uma melhor
transferência de tensão entre a fase vítrea de PP e a fase elastomérica de EVA durante a solicitação
mecânica, de modo a tornar mais eficiente a dissipação de energia pelo EVA. Além disso, uma
melhor adesão também evita a formação de vazios na interface PP/EVA, o que poderia levar a uma
baixa dissipação de energia. Outra possibilidade é a de que o aumento de polaridade na fase PP na
interfase pode ter promovido uma diminuição da tensão interfacial entre a fase PP e EVA, de modo
a diminuir o tamanho da fase dispersa de EVA. Uma diminuição de tamanho de partículas, por sua
vez, aumenta a capacidade de absorção de energia mecânica de uma blenda, como observado

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extensivamente na literatura [8, 9]. No trabalho de Martins et al. observou-se que o aumento de
tenacidade da blenda PP/EVA quando da incorporação de PP-g-AA foi acompanhado de
diminuição de tamanho das partículas de EVA.
Os resultados da Tabela 1 e da Figura 2 também indicam que o máximo valor de resistência
ao impacto é obtido quando a concentração de PP-g-MA na blenda é em torno de 2 a 4%. Ao se
continuar a aumentar a concentração de PP-g-MA para 8 % observa-se um decréscimo da
resistência ao impacto. O comportamento da resistência ao impacto pode ser explicado
considerando-se a baixa massa molar e a polaridade do PP-g-MA. Como descrito acima, considera-
se que a polaridade deste copolímero aumenta a compatibilidade entre o PP e o EVA, aumentando a
tenacidade. Entretanto, como este copolímero tem uma massa molar muito menor do que o PP
(como pode ser inferido da comparação entre os MFI´s do PP e do copolímero), o excesso de PP-g-
MA pode se tornar prejudicial à tenacificação, uma vez que fases poliméricas de baixa massa molar
são mais frágeis do que fases de alta massa molar.

Conclusões
Neste trabalho foi estudado como a variação da concentração de PP-g-MA em blendas
PP/EVA/PP-g-MA influencia o comportamento de viscosidade no estado fundido e as propriedades
mecânicas dessas blendas. Observou-se que blendas com a concentração de PP-g-MA ao redor de
4% apresentam o máximo valor de resistência ao impacto. Este valor máximo pode ser explicado
considerando-se duas características do PP-g-MA que produzem efeitos antagônicos nas blendas: a
baixa massa molar, que tende a diminuir a viscosidade e resistência ao impacto e a polaridade dos
grupos anidrido maleico deste copolímero, que tende a promover maior compatibilidade entre as
fases PP e EVA e como conseqüência, tende a aumentar a resistência ao impacto.

Agradecimentos
Os autores agradecem à FAPESP pela bolsa de iniciação científica e à Braskem,
Petroquímica Triunfo e Chemtura pela doação dos polímeros.

Referências Bibliográficas
1. A. K. Gupta; B. K. Ratnam; K. R Srinivasan. J. Appl. Polym. Sci., 1992, 45, 1303.
2., Y. Yokoyama, T. Ricco. Polymer, 1998, 39, 3675.

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3. G.M. Kim; G.H. Mighler. Polymer, 1998, 39, 5689.
4., A. Van Der Wal;, R. J. Gaymans. Polymer, 1999, 40, 6067.
5. M. Oksuz; M. Eroglu. . J. Appl. Polym. Sci., 2005, 98, 1445.
6. C.G. Martins. Dissertação de Mestrado, UFSCar, São Carlos, 2007.
7. C.G. Martins, N.M. Larocca, D.R. Paul e L.A. Pessan, Polymer, 2009, 50, 1743.
8. C.B. Bucknall in Polymer Blends, C.B. Bucknall; D.R. Paul, Eds.; John Wiley & Sons, New
York, 2000, Vol.2.
9. C.B. Bucknall in Toughened Plastics. Applied Science Publishers, London; 1977.

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