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Poder Judiciário do Estado de Sergipe

2ª Vara Cível E Criminal de Propriá

Nº Processo 201856501251 - Número Único: 0002133-23.2018.8.25.0063


Autor: AUTORIDADE POLICIAL
Réu:

Movimento: Decisão >> Recebimento >> Denúncia

Decisão

Vistos, etc.

Trata-se da DENÚNCIA intentada, às fls. 99/102, peloMINISTÉRIO PÚBLICO


DO ESTADO DE SERGIPE, por conduto do Promotor de Justiça em exercício na 2ª Promotoria
de Justiça Cível e Criminal da Comarca de Propriá/SE, em face deWILAMIS DOS SANTOS
SÉRGIO, vulgo “MILA” e ADELSON SILVA, pelas supostas infrações penaisdescritasno art.
171, § 3º, do Código Penal.

Pervagando o conteúdo da Denúncia, observo que a mesma preenche os


requisitos do artigo 41, do Código de Processo Penal, uma vez que apresenta a exposição do
fato criminoso com todas as suas circunstâncias, traz a qualificação dos acusados, a
classificação do crime e apresenta o rol de testemunhas.

Não se verifica, por outro lado, quaisquer das hipóteses de rejeição prescritas
no artigo 395, do referido diploma legal, quais sejam, quando a denúncia for manifestamente
inepta, faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal ou faltar justa
causa para o exercício da ação penal.

Prima facie, os fatos narrados na peça acusatória constituem crime, ou seja,


encontram tipicidade aparentepela suposta prática penaldescrita no art. 171, § 3º, do Código
Penal.

Anote-se que para o oferecimento de Denúncia, exigem-se apenas indícios de


autoria e materialidade, que são requisitos mínimos para sustentar a deflagração da Ação
Penal. Salientando, que nesta fase, há que se examinar apenas os pressupostos de

Assinado eletronicamente por GEILTON COSTA CARDOSO DA SILVA, Juiz(a) de 2ª Vara Cível E Criminal de Propriá,
em 11/09/2018 às 20:36:40, conforme art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.
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admissibilidade da ação, uma vez que a prova efetiva da autoria somente poderá ser aferida
após a regular instrução processual, observando os princípios constitucionais do devido
processo legal e da ampla defesa.

Consta na Denúncia, vejamos:

“Consta do Inquérito Policial em anexo que os denunciados WILAMIS DOS SANTOS


SERGIO (MILA) e ADELSON SILVA, utilizando-se de fraude, consistente na
falsificação de documentos públicos, tais como certidão de óbito e boletim de acidente
de trânsito, de maneira a forjar um fantasioso acidente automobilístico tendo como
vítima fatal CARLOS ALBERTO DO NASCIMENTO, induziram a erro a
SEGURADORA LÍDER DOS CONSÓRCIOS DO SEGURO DPVAT, de modo a obter
indevidamente a indenização. Segundo consta, foi registrado um Boletim de
Ocorrência de nº 1004026, o qual informava que CARLOS ALBERTO DO
NASCIMENTO, suposto filho da Sra. LUZIENE DO NASCIMENTO, havia sido vítima
de um fantasioso acidente ocorrido em Rondônia, no dia 13/10/2011, sinistro este que
nunca ocorreu. Ademais, consta dos autos a Certidão Negativa do Cartório
competente atestando que a Certidão de Óbito é falsa. Segundo apurado, foi requerida
a indenização junto ao Seguro DPVAT, sendo esta deferida e depositado o respectivo
valor no dia 19/03/2013, na conta Poupança de nº 541.531-4, Agência nº 3167-4,
Banco Bradesco, cujo titular é a Sra. LUZIENE DO NASCIMENTO. Diante do
acorrido, a Sra. LUZIENE DO NASCIMENTO foi ouvida perante a Autoridade
Policial, ocasião em que afirmou que nunca teve um filho com nome de CARLOS
ALBERTO DO NASCIMENTO, além de informar que só realizou a abertura da conta
onde foi depositado o valor do seguro, pois seu cunhado e ora Denunciado ADELSON
SILVA lhe solicitou, alegando que precisava receber um dinheiro, não informando,
contudo, a origem do valor a ser recebido. Consta que Sra. LUZIENE, de forma
espontânea, apresentou os extratos de sua conta contendo o destino do valor
depositado referente ao seguro, sendo este transferido para a conta do também
Denunciado WILAMIS SÉRGIO DOS SANTOS conhecido como “MILA”. Segundo
consta, foi transferido da conta da Sra. LUZIENE o valor de R$ 6.171,33 (seis mil,
cento e setenta e um reais e trinta e três centavos) para o Destinatário WILAMIS
SÉRGIO DOS SANTOS também denunciado na presente ação. Diante disso, WILAMIS
SÉRGIO DOS SANTOS foi questionado pela Autoridade Policial acerca da referida
transferência, ocasião em que o mesmo confessou o recebimento da quantia, além de
confirmar seu envolvimento em fraudes contra o Seguro DPVAT. Nessa oportunidade,
o mesmo alegou que a respetiva quantia foi transferida por ANTÔNIO CELESTINO
ou JESUÍNO. Consta que o ANTÔNIO CELESTINO informou que “MILA” era o
verdadeiro líder do esquema, inclusive, recrutou o mesmo para indicar as pessoas e
colher os documentos pessoais e dados bancários para lhe repassar. Por fim, diante
das provas presentes nos autos de investigação, restou apurado que o ora Denunciado
ADELSON SILVA agiu consciente da ilicitude de sua conduta, ao passo que repassava
documentos verdadeiros para que o também denunciado WILAMIS SÉRGIO DOS
SANTOS realizasse a falsificação dos Boletins de Ocorrência e Laudos Médicos. Não
obstante os esforços empreendidos pela polícia judiciária, não foi possível identificar
os outros indivíduos citados no depoimento do Denunciado como sendo coautores do
crime em baila, quais sejam MESQUITA e JESUÍNO. Ressalte-se, por oportuno, que o
denunciado WILLAMIS vem sendo investigado por ter constituído uma organização
criminosa criada com o fim de perpetrar fraudes para a obtenção de seguro DPVAT,
utilizando-se sempre do mesmo "modus operandi" para realizar diversos pedidos
fraudulentos perante a empresa vítima, resultando num prejuízo total avaliado em
cerca de R$ 310.500,00 (trezentos e dez mil e quinhentos reais)."

Assinado eletronicamente por GEILTON COSTA CARDOSO DA SILVA, Juiz(a) de 2ª Vara Cível E Criminal de Propriá,
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Nesse toar, diante desse oceano de fatos, estou convencido da existência de
indícios de autoria e materialidade de fato típico imputado aos denunciados.

Diante do exposto, fundamentadamente RECEBO A DENÚNCIA em desfavor


de WILAMIS DOS SANTOS SÉRGIO, vulgo “MILA” e ADELSON SILVA pela suposta prática
penaldescritano art. 171, § 3º, do Código Penal, uma vez que verifico que a peça vestibular
encontra-se em conformidade com as disposições contidas no artigo 41 do Código de Processo
Penal, e inexistentes as situações previstas no artigo 395, do mesmo diploma legal.

Assim, DETERMINO:

1 – Citem-sepessoalmente osréus, conforme artigo 396, do CPP para que, querendo, no


prazo de 10 (dez) dias apresentar através de advogado, respostas aos termos da Denúncia, sendo
advertidos de que, caso não se manifestem no prazo, será nomeado por este juiz um Defensor Dativo.

2 – INTIMEM-SE igualmente osréus para a AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E


JULGAMENTO, a ser designada pela Secretaria conforme pauta interna e realizada por
este Magistradona sala de audiência desta 2ª Vara Cível e Criminal.

3– Certifique a Secretaria se existem outros processos criminais movidos


em face dosdenunciadosnesta Comarca ou fora dela, em pesquisa de âmbito estadual
através do sistema informatizado do Tribunal de Justiça;

4– Certifique a Secretaria deste Juízo se os denunciados sãoreincidentes,


nos termos da lei.

Atente-se a Defesa, para o quanto disposto no artigo 396-A do Código de


Processo Penal, onde, na resposta à acusação, já deverão serem alegadas tudo o que for de
interesse à sua defesa, assim vejamos:

Art. 396-A. Na resposta, o acusado poderá arguir preliminares e alegar tudo o


que interesse à sua defesa, oferecer documentos e justificações, especificar as
provas pretendidas e arrolar testemunhas, qualificando-as e requerendo sua
intimação, quando necessário.

Nesse contexto, sendo apresentadas todas as matérias pertinentes a defesa d


osacusadosem sede de resposta à acusação, evitaremos transtornos que só fazem estorvar a
marcha processual, consequentemente, evitando que o processo chegue ao seu apogeu com a
celeridade que o caso requer.

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Observe o Oficial de Justiça que, na hipótese do réu se ocultar, de imediato
deverá certificar a ocorrência e proceder à citação e intimação com hora certa, nos termos do
artigo 362 do Código de Processo Penal.

Não tendo ocorrido a citação pessoal e também não sendo o caso de ocultação
e citação ou intimação por hora certa, proceda a Secretaria imediatamente por ordem deste
magistrado a expedição de Edital de Citação e intimação com prazo de 15 (quinze) dias.

6 – Na exclusiva hipótese da ocorrência de citação e intimação por edital, após


o prazo de 15 (quinze) dias, não apresentando o acusado defesas através de advogado,
deverá o técnico judiciário proceder imediatamente ao cancelamento da audiência já
designada, para urgente substituição na pauta, certificando (art. 105, XI da Consolidação
Normativa Judicial do TJSE) tudo isso nos autos e remetendo os mesmos urgentemente
conclusos ao Gabinete, para fins de apreciação pelo Juiz e aplicação do artigo 366 do Código
de Processo Penal no que pertine à suspensão do curso do processo e do prazo prescricional e
aplicação de medidas urgentes e/ou cautelares.

7– Na hipótese de citação pessoal ou por hora certa, ultrapassado o prazo para


o oferecimento de resposta através de advogado constituído por procuração formal pelo
acusado sem que tenha sido aquela protocolada, em razão do disposto no art. 408 do Código
de Processo Penal c/c artigo 5º, § 3º da Lei 1.060/50 e considerando que nesta Comarca não
existe Defensoria Pública instalada, assim como Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil,
será nomeadopor este Juiz como defensor (a)dativo (a) Dr. ÁLVARO COELHO MAIA NETO,
OAB - 5301/SE que por ato ordinatório do Chefe de Secretaria deste Juízo será intimadopara
fins de ciência da nomeação e manifestação da aceitação do encargo (arts. 14 e 15, Lei
1.060/50), ficando esclarecido a este que, nos termos do disposto nos arts. 1º e 3º, inciso V da
Lei 1.060/50 e em especial o artigo 22, §§ 1º e 2º da Lei 8.906/94 – Estatuto da OAB, os
honorários de advogado serão arbitrados judicialmente em remuneração compatível com o
trabalho dispendido na causa e observando a tabela organizada pelo Conselho Seccional da
OAB (Resolução OAB 03/94) e Código de Ética da OAB (DOU 1º/03/1995) em seu artigo 40,
serão fixados na sentença ou na hipótese de advogado constituído assumir posteriormente a
causa, tomando-se por paradigma os valores mínimos correspondentes previstos na
mencionada Resolução.

8– Deve o técnico judiciário responsável pelo cumprimento dos atos deste


processo observar atentamente que, na resposta do réu, seja através de Defensor(a)
Constituído(a) ou Designado(a), em sendo arroladas testemunhas pela defesa, deverão ser
expedidos os respectivos mandados, ocorrendo a intimação das testemunhas no máximo em
até 24 (vinte e quatro) horas antes da audiência.

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9 – Intimem-se as testemunhas arroladas pelo Ministério Público. Na hipótese
destas residirem em Comarca Diversa, expeçam-se as respectivas cartas precatórias
devidamente aparelhadas com a integral cópia dos autos, para fins de oitiva destas no local de
suas residências.

DA DECRETAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA

Tendo em vista a gravidade da conduta praticada pelos Denunciados, havendo


fortes indícios de que WILAMIS DOS SANTOS SERGIO (MILA) chefiaria organização
criminosa composta por várias pessoas, dentre elasADELSON SILVA, com o fim de perpetrar
fraudes ao Seguro DPVAT, aplicando diversos golpes na cidade de Propriá/SE e municípios
vizinhos, sendo investigados nos Inquéritos Policiais de nº 168/2015, 169/2015 e 134/2016, que
se desdobraram em mais vinte e dois inquéritos, os quais deram origem, nesta 2ª VCC de
Propriá, aos processos de nº201856501230, 201856501231, 201856501240,201856501242,
201856501245, 201856501251, 201856501252 e 201856501258,pelos crimes de estelionato,
falsificação de documento público e organização criminosa, passo a fundamentar a
necessidade da decretação da custódia cautelar dos acusados, nos termos do art. 311, do
CPP.

O artigo 311, do Código de Processo Penal dita que “Em qualquer fase da
investigação policial ou do processo penal, caberá a prisão preventiva decretada pelo juiz, de
ofício, se no curso da ação penal, ou a requerimento do Ministério Público, do querelante ou do
assistente, ou por representação da autoridade policial”.

Conforme o entendimento doutrinário, são pressupostos para a decretação e


manutenção de qualquer prisão cautelar o fumus commissi delictie o periculum libertatis.
Primeiro verifica-se a existência da materialidade do delito e a existência de graves indícios de
sua autoria e, em seguida, deverá ser constatada a ocorrência do perigo concreto que a
manutenção da liberdade do acusado representa para a sociedade, instrução processual ou
para a aplicação da lei penal.

No caso sub judice, num exame dos documentos juntados aos autos, percebe-se
que restou demonstrado o fumus delicti, em razão dos fortes e contundentes indícios acerca da
materialidade e da autoria delitiva. Verifica-se que há constatação dos fatos criminosos
pelas provas da existência dos crimes narrados nos registros policiais e indícios
suficientes de sua autoria pelos depoimentos de testemunhas ali constantes.

Depreende-se do Inquérito Policial acima referido, em especial dos depoimentos das


testemunhas interrogadas, que o Denunciado WILAMIS DOS SANTOS SERGIO (MILA)
chefiava verdadeira organização criminosa que tinha por fim perpetrar fraudes à concessão de
benefícios de seguro DPVAT que, segundo a Autoridade Policial, causou um prejuízo financeiro
da ordem de, aproximadamente, R$ 310.500,00 (trezentos e dez mil e quinhentos reais).

Segundo apurado, Wilamis recrutava pessoas na cidade de Propriá e municípios


vizinhos, dentre elas o Denunciado ADELSON SILVAque, em troca de parte da quantia aferida
no golpe, seriam responsáveis por convencer moradores da região a entregar-lhes seus
documentos pessoais e número de conta bancária, acreditando que estariam, com isso,
obtendo empréstimos bancários a juros baixo.

De posse dos documentos das vítimas, Wilamis e outros integrantes da organização


criminosa, falsificavam os documentos necessários para dar entrada em pedido de indenização

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por acidente de trânsito junto à Seguradora Líder, responsável pela viabilização do Seguro
DPVAT, tais como, registro de boletim de ocorrência circunstanciado, declaração de residência
e certidões de nascimento e óbito da suposta vítima fatal de acidente de trânsito.

Após constatar o depósito da quantia pretendida na conta bancária da vítima,


Wilamis a acompanhava até a agência bancária a fim de efetuar o saque. Aproveitando-se da
boa-fé das vítimas e, muita das vezes, de sua pouca instrução, o Denunciado retirava a
quantia, repassando o valor que alegava ser do empréstimo, cerca de R$ 1.000,00 (mil reais) e
ficava com o restante, alegando ser sua comissão junto à financeira. No caso dos autos, o
denunciado ADELSON SILVA entregou os documentos de sua cunhada a Sra. LUZIENE DO
NASCIMENTO para a prática do golpe, restando constatado que este tinha conhecimento da origem
ilícita do dinheiro.

Ouvido na Delegacia WILAMIS DOS SANTOS SERGIO (MILA) confessou a prática


dos atos criminosos, afirmando que os praticava com o auxílio de duas outras pessoas
chamadasMesquita e Jesuino, conhecido como “Irmão Metralha”, não sendo estes, contudo,
identificados pela Autoridade Policial.

Esse era o modus operandida associação criminosa chefiada por Wilamis, sendo
que nos autos de nº 201856501231a vítima foi a senhora Mirtis Silva Fernandes, que relatou
em suas declarações à fl. 42, que o Denunciado lhe oferecera empréstimo bancário, contudo,
que os boletos de pagamento nunca chegaram à sua residência. Alega que seu filho não
falecera vítima de acidente automobilístico, bem como que jamais residira em Palmas/TO, o
que demonstra a inautenticidade dos documentos constantes às fls. 32, 33 e 36 daqueles
autos.

Nos autos de nº 201856501230, a vítima é a senhora Rosa Maria dos Santos Dias,
que também relatou que não possui filho chamado Durval Teixeira dos Santos, bem como nega
haver pleiteado indenização pela morte de algum de seus filhos em acidente automobilístico.
Afirma que entregou seus documentos e o número de sua conta bancária à Mila, que havia lhe
pedido anteriormente, sob o pretexto de que não possuía conta para recebimento de um
dinheiro.

Por sua vez, nos autos de nº 201856501245, Wilamis em associação criminosa com
Gilvânio Gomes da Silvae Audálio de Farias Santos, forjaram acidente de trânsito que teria por
vítima Audálio, bem comofalsificaram documentos a fim de obter vantagem ilícita através de
induzimento a erro da Seguradora Líder.

Nos autos de nº 201856501240, Wilamis, em associação criminosa com Cleovânia


Dias de Oliveira, José Augusto Vieira de Souza e Antônio Carlos Vieira forjaram acidente de
trânsito que teria por vítima Alfredo as Silva Neto, suposto filho falecido da senhora Maria
Marlene da Silva Melo, a qual fora convencida por Cleovânia e seu esposo Antônio a
estregar-lhe seus documentos para receber dinheiro “a fundo perdido”. José Augusto e Wilamis
seriam os responsáveis pela falsificação e retirada do dinheiro na conta da vítima.

Já nos autos de nº 201856501251, Wilamis e Adelson Silva forjaram acidente fatal


de Carlos Alberto do Nascimento a fim de receber o seguro DPVAT. A vítima seria a senhora
Luziene do Nascimento, cujos documentos foram apropriados pelo seu cunhado Adelson, o
qual lhe convencera a abrir conta em seu nome para que ele recebesse um dinheiro.

Nos autos de nº 201856501252, a organização criminosa composta por Wilamis,


Júlio Vieira Feitoza, Carlos Roberto Ferreira Lima, Sirlance Farias Santos Costa, Valcira da
Silva Guimarães e Gilvânio Gomes da Silva, forjaram o acidente automobilístico supostamente
sofrido por Júlio, o qual juntamente com Sirlance e Maria José dos Santos (já falecida) foram
convencidos a entregar-lhes seus documentos pessoais. Wilamis e Gilvânio seriam os

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responsáveis pela falsificação de documentos e retirada do dinheiro no banco, sendo que
Gilvânio levava o titular da conta bancária até a agência.

Por fim, nos autos de nº 201856501258, Wilamis, Petrúcia Santos Silva Farias e
Gilvânio Gomes da Silva, forjaram acidente automobilístico sofridoporPetrúcia a fim de receber
o seguro DPVAT. Wilamis e Gilvânio seriam os responsáveis pela falsificação de documentos e
retirada do dinheiro no banco.

No que tange ao periculum libertatis, é de suma importância salientar que a


decretação da prisão preventiva se mostra necessária, haja vista a GARANTIA DA ORDEM
PÚBLICAtendo em vista a gravidade doscrimescometidose sua repercussão no meio social,
mas também pela reiteração de condutas delituosas por parte do acusado que, conforme já dito
alhures, responde por vários processos nesta Comarca pela prática de estelionato, falsificação
de documento público e organização criminosa.

Neste sentido a jurisprudência do STJ:

PROCESSUAL PENAL E PENAL. RECURSO EM HABEAS CORPUS. PRISÃO


PREVENTIVA. ESTELIONATO TENTADO. FUNDAMENTAÇÃO CONCRETA.
REITERAÇÃO DELITIVA. ILEGALIDADE. AUSÊNCIA. RECURSO IMPROVIDO. 1.
Apresentada fundamentação concreta para a decretação da prisão preventiva,
consistente na periculosidade do acusado, pois o réu é contumaz na prática de
crimes contra o patrimônio, tendo diversas condenações já transitadas em julgado,
não há que se falar em ilegalidade do decreto de prisão preventiva. 2. Recurso em
habeas corpus improvido. 9(STJ - RECURSO ORDINARIO EM HABEAS CORPUS RHC
86430 MG 2017/0159705-0 (STJ), Data de publicação: 19/09/2017)

PROCESSUAL PENAL. RECURSO EM HABEAS CORPUS. PRISÃO PREVENTIVA.


ESTELIONATO. 38 VEZES. EXPRESSIVO PREJUÍZO ÀS VÍTIMAS. GRAVIDADE
CONCRETA DA CONDUTA DELITUOSA.RÉU FORAGIDO. CONVENIÊNCIA DA
INSTRUÇÃO CRIMINAL E GARANTIA DA APLICAÇÃO DA LEI PENAL.
CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO CARACTERIZADO. RECURSO DESPROVIDO. 1.
Havendo prova da existência do crime e indícios suficientes de autoria, a prisão preventiva,
nos termos do art. 312 do Código de Processo Penal , poderá ser decretada para garantia
da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal ou para
assegurar a aplicação da lei penal. 2. Aprisão preventiva está adequadamente motivada
com base em elementos concretos extraídos dos autos, diante do modus operandi
da suposta conduta delituosa, indicando a periculosidade do recorrente, bem como
na conveniência da instrução criminal e na necessidade de assegurar a aplicação da
lei penal, porquanto o agente teria praticado 38 crimes de estelionato, ocasionando
às vítimas prejuízos estimados em R$ 7.600.000,00, havendo notícia de que esteja
foragido no exterior.3. Recurso em habeas corpus a que se nega provimento.

(STJ - RECURSO ORDINARIO EM HABEAS CORPUS RHC 70215 RJ 2016/0112114-0


(STJ), Data de publicação: 08/05/2017) (grifos nossos)

PROCESSUAL PENAL. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. ESTELIONATO.


RECEPTAÇÃO. ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA. FALSIFICAÇÃO DE PAPÉIS PÚBLICOS.
ADULTERAÇÃO DE SINAL IDENTIFICADOR DE VEÍCULO AUTOMOTOR. PRISÃO

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CAUTELAR DEVIDAMENTE FUNDAMENTADA NA GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA.
PERICULOSIDADE DO AGENTE. NECESSIDADE DE DIMINUIR A ATUAÇÃO DE
INTEGRANTES DE ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA.EXCESSO DE PRAZO. NÃO
OCORRÊNCIA. INVIABILIDADE DE ANÁLISE DE POSSÍVEL PENA A SER APLICADA.
RECURSO ORDINÁRIO DESPROVIDO.

I - A segregação cautelar deve ser considerada exceção, já que tal medida constritiva só se
justifica caso demonstrada sua real indispensabilidade para assegurar a ordem pública, a
instrução criminal ou a aplicação da lei penal, ex vi do artigo 312 do Código de Processo
Penal.

II -No caso, o decreto prisional encontra-se devidamente fundamentado em dados


concretos extraídos dos autos, aptos a demonstrar a indispensabilidade da prisão
para a garantia da ordem pública, notadamente se considerada a participação do
agente em associação criminosa, sendo supostamente o "responsável por ocultar
veículos de origem criminosa e representa elo entre a associação criminosa ora
investigada e outra, cuja extensão se desconhece, do Estado da Bahia".

III -Sobre o tema, já se pronunciou o col. Supremo Tribunal Federal no sentido de que
"A necessidade de se interromper ou diminuir a atuação de integrantes de
organização criminosa, enquadra-se no conceito de garantia da ordem pública,
constituindo fundamentação cautelar idônea e suficiente para a prisão preventiva"
(HC n. 95.024/SP, Primeira Turma, Relª. Minª. Cármen Lúcia, DJe de 20/2/2009).

IV - O prazo para a conclusão e julgamento do feito não tem as características de


fatalidade e de improrrogabilidade, fazendo-se imprescindível raciocinar com o juízo de
razoabilidade para definir o excesso de prazo, não se ponderando a mera soma aritmética
dos prazos processuais para a aferição do eventual excesso (precedentes).

V - Revela-se inviável a análise de eventual pena ou regime a serem aplicados em caso de


condenação, a fim de determinar possível desproporcionalidade da prisão cautelar, uma
vez que tal exame deve ficar reservado ao Juízo de origem, que realizará cognição
exauriente dos fatos e provas apresentados no caso concreto.

VI - Condições pessoais favoráveis, tais como primariedade, ocupação lícita e residência


fixa, não têm o condão de, por si sós, garantirem ao recorrente a revogação da prisão
preventiva se há nos autos elementos hábeis a recomendar a manutenção de sua custódia
cautelar. Pela mesma razão, não há que se falar em possibilidade de aplicação de medidas
cautelares diversas da prisão, o que ocorre na hipótese.

Recurso ordinário desprovido.

(RHC 98.398/MG, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 21/06/2018,
DJe 28/06/2018) (grifos nossos)

Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a necessidade de se


interromper a atuação dos integrantes de organização criminosa é fundamentação suficiente
para segregação cautelar e enquadrar-se-ia no conceito de garantia à ordem pública, senão
vejamos:

Assinado eletronicamente por GEILTON COSTA CARDOSO DA SILVA, Juiz(a) de 2ª Vara Cível E Criminal de Propriá,
em 11/09/2018 às 20:36:40, conforme art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.
Conferência em www.tjse.jus.br/portal/servicos/judiciais/autenticacao-de-documentos. Número de Consulta: 2018002233239-36. fl: 8/10
EMENTA: HABEAS CORPUS. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO
CAUTELAR IDÔNEA PARA A PRISÃO PREVENTIVA. AUSÊNCIA DE
CONSTRANGIMENTO ILEGAL. ORDEM INDEFERIDA. 1. Devem ser desconsiderados
quaisquer fundamentos que não tenham sido expressamente mencionados no decreto de
prisão preventiva, pois, na linha da jurisprudência deste Supremo Tribunal, a idoneidade
formal e substancial da motivação das decisões judiciais há de ser aferida segundo o que
nela haja posto o juiz da causa, não sendo dado "ao Tribunal do habeas corpus, que a
impugne, suprir-lhe as faltas ou complementá-la" (Habeas Corpus ns. 90.064, Rel. Ministro
Sepúlveda Pertence, DJ 22.6.2007; 79.248, Rel. Ministro Sepúlveda Pertence, DJ
12.11.1999; 76.370, Rel. Ministro Octavio Gallotti, DJ 30.04.98). 2. A necessidade de se
interromper ou diminuir a atuação de integrantes de organização criminosa,
enquadra-se no conceito de garantia da ordem pública, constituindo fundamentação
cautelar idônea e suficiente para a prisão preventiva. 3. Ordem denegada. (HC 95024,
Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Primeira Turma, julgado em 14/10/2008, DJe-035
DIVULG 19-02-2009 PUBLIC 20-02-2009 EMENT VOL-02349-06 PP-01220)(grifo nosso)

Assim, faz-se misterque o Judiciário tome providências no sentido de acautelar o


meio social e a própria credibilidade da justiça. Está claro no caso em tela a repercussão
negativa do delito no meio social.

Insta pontuar, que a decretação da prisão preventiva nesse momento é também para
CONVENIÊNCIA DA INSTRUÇÃO CRIMINAL e para ASSEGURAR A APLICAÇÃO DA LEI
PENAL, haja vista que uma vez o acusado solto, pode atrapalhar nas investigações da
autoridade policial, bem como na fase instrutória da ação penal, ameaçando testemunhas e ou
destruindo provas, ou até mesmo, evadindo-se do local dos fatos.

Ademais, o encarceramento do indiciado poderá repercutir positivamente na colheita


de dados importantes referentes aos crimes de estelionato e falsificação de documento público
praticado. Considerando ainda que o delito em tela constituiu-se ato de extrema reprovação
pela sociedade, causando revolta no meio social, em virtude da amplitude de vítimas que foram
prejudicadas pela ação do acusado.

Em sendo assim, faz-se necessária a adoção de uma medida mais extrema, qual
seja, o acautelamento provisório do representado, a fim de resguardar a ordem pública e a
aplicação da lei penal, uma vez que entendo que as medidas cautelares diversas da prisão,
elencadas no art. 319, do CPP, são inadequadas e insuficientes neste caso, pois o acusado
constitui uma ameaça àqueles que estão inseridos na sociedade, sendo uma providência
cautelar, o seu recolhimento, a fim de acalmar a ansiedade pública pelo mesmo provocada.

Isto posto, Decreto a Prisão Preventiva dos acusados WILAMIS DOS SANTOS
SÉRGIO, vulgo “MILA” e ADELSON SILVA, nos termos do artigo 312, do CPP.

Expeçam-se os competentes mandados de prisão preventiva.

Dê-se ciência ao Representante do Ministério Público e à OAB/SE, tendo em vista a


condição de advogado do Denunciado WILAMIS DOS SANTOS SÉRGIO.

Comunique-se à Autoridade Policial acerca da necessidade de acompanhamento do


ato por representante da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Sergipe, nos termos do art.
7º, incisos IV e V, da lei nº 8.906/94, uma vez se tratar o acusado de advogado regularmente
inscritos na OAB/SE.
P. R. I.
Assinado eletronicamente por GEILTON COSTA CARDOSO DA SILVA, Juiz(a) de 2ª Vara Cível E Criminal de Propriá,
em 11/09/2018 às 20:36:40, conforme art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.
Conferência em www.tjse.jus.br/portal/servicos/judiciais/autenticacao-de-documentos. Número de Consulta: 2018002233239-36. fl: 9/10
Cumpra-se.

Documento assinado eletronicamente por GEILTON COSTA CARDOSO DA SILVA,


Juiz(a) de 2ª Vara Cível E Criminal de Propriá, em 11/09/2018, às 20:36, conforme
art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.

A conferência da autenticidade do documento está disponível no endereço eletrônico


www.tjse.jus.br/portal/servicos/judiciais/autenticacao-de-documentos, mediante
preenchimento do número de consulta pública 2018002233239-36.

Assinado eletronicamente por GEILTON COSTA CARDOSO DA SILVA, Juiz(a) de 2ª Vara Cível E Criminal de Propriá,
em 11/09/2018 às 20:36:40, conforme art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.
Conferência em www.tjse.jus.br/portal/servicos/judiciais/autenticacao-de-documentos. Número de Consulta: 2018002233239-36. fl: 10/10