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13/09/2010

Biofilme e Cálculo Dentais


Placa Dental como um Biofilme

Biofilme e Cálculo Dentais • Biofilmes - Comunidades biológicas com um elevado grau de organização,
onde as bactérias formam comunidades estruturadas, coordenadas e
funcionais . Estas comunidades biológicas encontram-se embebidas em
matrizes poliméricas produzidas por elas próprias. Os biofilmes podem
desenvolver-se em qualquer superfície húmida, seja ela biótica ou
13.09.2010 abiótica. A associação dos organismos em biofilmes constitui uma forma
de proteção ao seu desenvolvimento, favorecendo relações simbióticas e
permitindo a sobrevivência em ambientes hostis. Os biofilmes podem
formar-se em qualquer superfície e em qualquer ambiente. Podem
observar-se biofilmes em condutas de água, permutadores de calor,
sanitas, cascos de navio, na pele e mucosas de animais (incluindo o
homem), nos dentes, em próteses e em variadíssimas indústrias, desde a
indústria química e farmacêutica à alimentar

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Considerações Microbiológicas

• Corpo está exposto a colonização por microorganismos;


• Em 1mm³ de placa (1mg) = 108 bactérias;
• Mais de 300 espécies identificadas;
• Acúmulo bacteriano induz resposta inflamatória nos tecidos
gengivais (Löe e cols. 1965).
• Hipótese da placa específica (Lesche , 1979)
• Hipótese da placa inespecífica (Theilade, 1986)
• A maioria destes microorganismos é encontrada, em menores
proporções, em sítios saudáveis;

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Considerações Microbiológicas Introdução Geral à Formação da Placa Bacteriana

• Placa pode acumular-se supra ou subgengivalmente. As • Película adquirida – macromoléculas hidrofóbicas adsorvidas
diferenças na composição da microbiota sofrem influência de: pela superfície dental, composta por glicoproteínas salivares e
anticorpos;
• Disponibilidade local de produtos derivados do sangue; • Bactérias têm a propriedade de adesão às superfícies;
• Profundidade da bolsa; • Há um aumento da eficiência de adesão bacteriana devido à
• Potencial de Oxirredução; alteração da carga e energia livre de superfície;
• Disponibilidade de O2.
• Bactérias aderem-se de forma variável;
• Após aderidas, o comportamento se altera.

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Introdução Geral à Formação da Placa Bacteriana Introdução Geral à Formação da Placa Bacteriana

• O aumento da espessura da placa dificulta a difusão através


do filme biológico;
• Condições nutricionais da placa supra e subgengival;

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Introdução Geral à Formação da Placa Bacteriana Introdução Geral à Formação da Placa Bacteriana
Seqüencia de Colonização Bacteriana:
• Cocos gram-positivos anaeróbios facultativos (S. Sanguis);
• Bastonetes gram-positivos (Actinomyces ssp) ; • Troca de nutrientes entre as espécies;
• Bactérias gram-negativas (Veillonella ssp, Fusobacterium ssp e • Produção de bactericinas;
Prevotella ssp) • Inflamação.

• Comunidade Estável

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Estrutura da Placa Dental Estrutura da Placa Dental
Placa Supragengival Placa Supragengival

• Primeiro material a aderir à película, consiste em: • Após a higiene, as bactérias resistentes formam pequenas colônias
• Cocos; de microorganismos morfológicamente semelhantes;
• Outos microorganismos podem proliferar em região adjacente;
• Células Epiteliais;
• Colônia heterogênea favorece o aparecimento de outros
• Leucócitos Polimorfonucleares. microorganismos;
• Matriz intermicrobiana – 25% do volume total.
• Estágios de adesão reversível e irreversível dos – Microorganismos que sofrem lise e produtos metabólicos;
microorganismos. – Saliva;
– Exsudato gengival.

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Estrutura da Placa Dental Estrutura da Placa Dental
Placa Supragengival Placa Subgengival

• Os componentes orgânicos que tem maior volume são • Poucos estudos detalham a estrutura interna da placa
proteínas e carboidratos; subgengival;
• Polissacarídeos • Estruturalmente muito semelhante à placa supra, mas os
microorganismos variam consideravelmente;
– Frutana (levana) – fonte de energia
– Glicana • Cutícula – material orgânico eletrodenso;
• Dextrana • Cocos gram-positivos e gram-negativos, bastonetes,
• Mutana – forma o esqueleto da matriz. filamentosos, espiroquetas e flagelados;
• Leucócitos na camada superficial;
• Depósito bacteriano de aparência muito mais complexa.

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Estrutura da Placa Dental Estrutura da Placa Dental
Placa Subgengival Placa Supragengival e Subgengival

• Porção superficial – predomínio de microorganismos


filamentosos, com presença de cocos e bastonetes;
• Porção intemediária – redução do número de filamentosos;
• Porção apical – filamentosos virtualmente ausentes.

• Bactérias localizadas subgengivalmente têm capacidade de


invadir túbulos dentinários que se tornaram exposto;
• Evidência de fagocitos (leucócitos PMN).

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Estrutura da Placa Dental Distribuição da Placa Dental
Placa Periimplantar Formação da Placa Supragengival

Lang e cols., 1973


• Estudos seccionais e longitudinais demonstraram claramente • 32 estudantes de odontologia com excelente higiene e saúde
semelhanças entre os depósitos microbianos subgengivais e gengival.
os periimplantares; • 4 grupos
– 1- Controle de placa a cada 12 horas
– 2- Controle de placa a cada 48 horas
– 3- Controle de placa a cada 72 horas
– 4- Controle de placa a cada 96 horas
• Quantidade de placa registrada semanalmente por 6
semanas.

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Lang e cols., 1973 Distribuição da Placa Dental
Resultados: Formação da Placa Supragengival

Lang e cols., 1973


 Resultados:
• O nível médio de acúmulo de placa para o grupo de 1 foi o
único a diferir significativamente de todos os outros;
• Somente os grupos 3 e 4 desenvolveram gengivite;

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Cálculo Dental Cálculo Dental
Aspecto Clínico, distribuição e diagnóstico
Cálculo Supragengival
• Apesar de a formação do cálculo ter sido observada em
animais germ-free como resultado da calcificação de • Coloração branco amarelada ao amarelo acastanhado ou
mesmo marrom e dureza moderada.
proteínas salivares, o cálculo dental ou tártaro representa a
placa bacteriana mineralizada. • O grau de formação do cálculo dental não é dependente
somente da quantidade de placa bacteriana, mas também da
secreção das glândulas salivares;
• É mais frequente próximo à saída dos ductos excretores das
glândulas salivares maiores.

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Cálculo Dental Cálculo Dental
Aspecto Clínico, distribuição e diagnóstico Aspecto Clínico, distribuição e diagnóstico
Cálculo Supragengival Cálculo Subgengival

• Normalmente detectado por sensibilidade táctil durante a


sondagem;
• Ocasionalmente pode ser visto em radiografias dentais;
• Coloração esverdeada, marrom ou preta;
• Superfície rugosa;
• Remoção mais difícil (mais aderido).

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Cálculo Dental Cálculo Dental
Supragengival Subgengival
Aspecto Clínico, distribuição e diagnóstico Características dos cálculos supra e subgengivais
Cor Amarelo/Esbranquiçado Marrom/Preto
Cálculo Subgengival Distribuição Dentes ajacentes à abertura dos ductos salivares Ao acaso nas superfícies radiculares
Composição Baixa concentração de Ca, Mg, F e Zn maior concentração de Maior concentração de Ca, Mg e F e menor
carbonato e Mn. Distribuição de F mais regular concetração de carbonato. Distribuição de F
mais regular
Conteúdo mineral e Média de 37% pelo volume salivar Média de 58% pelo volume do fluido
origem crevicular gengival
Tipo de Cristal e Principalmente fosfato de octacálcio e hidroxiapatita. Algum Principalmente whitloquita e ausência de
tamanho fosfato dicalcio dihidratado. Cristais pequenos em forma de fosfato dicálcio dihidratado. Somente
agulha ou maiores em forma de faixa pequenos cristais.

Formação Nucleação heterogênea e crescimento de cristais, com Nucleação heterogênea e crescimento de


calcificação variável cristais, com calcificação mais uniforme
Microrganismos Presença de mo., alguns em áreas não calcificadas. Mais Poucos m.o. não calcificados. Menos
bactérias filamentosas, crescimento rápido bactérisa filamentosas, crescimento lento

Morfologia Indiferenciada Várias formas identificadas: nodular,


lamelar.

Potencial patogênico Poucas evidências Associado com periodontite

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Cálculo Dental Cálculo Dental
Implicações Clínicas Implicações Clínicas

• Fazia-se associação entre a formação do cálculo e a doença periodontal • O efeito do cálculo é secundário
(Waerhaug 1952, 1955; Lövdal e cols, 1958);
– Fornecendo superfície ideal para maior acúmulo de placa e
• Está sempre coberto de camada viável de placa bacteriana não
mineralizada; subsequente mineralização;
• Listgarten & Ellegaard, 1973 – demonstraram que houve formação de – Comprometendo as práticas de higiene;
epitélio juncional com presença de hemidesmossomos e membrana basal – Amplifica o efeito da placa bacteriana por ser capaz de manter os
sobre o cálculo estabelecido após desinfecção do cálculo por clorexidina. depósitos bacterianos em íntimo contato com as superfícies dos
• Allen & Kerr, 1965 – Inocularam cálculo autoclavado em cobaias – cálculo tecidos, influenciando a ecologia e a resposta tecidual.
foi encapsulado por tecido conjuntivo sem presença de inflamação
siginificativa ou formação de abscessos.

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Questão Concurso Prefeitura Municipal de Vitória 2010 Questão Concurso Prefeitura Municipal de Vitória 2010
FUNCAB - RJ FUNCAB - RJ

Na microbiota associada à periodontite, há a • No estudo “Gengivite Experimental em Humanos” (Löe e


cols, 1965), houve supressão dos métodos de higiene bucal.
predominância de: O primeiro indivíduo a desenvolver gengivite foi diagnosticado
A) cocos facultativos gram-positivos. após:
B) bastonetes anaeróbios gram-positivos. A) 03 dias.
B) 05 dias.
C) bastonetes anaeróbios gram-negativos. C) 10 dias.
D) cocos anaeróbios gram-negativos. D) 15 dias.
E) bastonetes facultativos gram-positivos. E) 20 dias.

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Referências

• Tratado de Periodontia Clínica e Implantologia Oral – Jan Lindhe – p. 66 a


91 – 3ª ed. – 1997 - Guanabara Koogan;
• Periodontia. A atuação clínica baseada em Evidências Científicas – Vol 1 –
Javan Seixas de Paiva, Rodrigo Veras de Almeida – p. 23 a 37 - 2005 – Artes
Médicas