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SUBESTAÇÕES INDUSTRIAIS

ARRANJOS

A finalidade deste texto é apresentar os princípios fundamentais que norteiam a escolha dos
diversos arranjos para as Subestações (SE) industriais, no que diz respeito aos sistemas de distribuição
de energia elétrica de Média Tensão (MT), i.e., até 34,5kV. Na primeira parte, é realizada uma rápida
discussão sobre a concepção de projeto baseada em centros de carga em comparação com a solução
que adota a construção de apenas uma grande subestação localizada, em geral, afastada dos grandes
centros de consumo. Em seguida é desenvolvido o estudo sobre os principais tipos de arranjos
propriamente ditos.

Centros de Carga
É comum o projetista receber as plantas já com a indicação do local da SE. Nestes casos a
escolha é feita em função do arranjo arquitetônico da construção e, muitas vezes, da exigüidade da
área. Pode ser também uma decisão visando à segurança da indústria, principalmente quando seu
produto é de alto risco. Tendo em vista critérios técnicos, nem sempre este local é o melhor. Muitas
vezes a SE fica afastada do centro de consumo, acarretando alimentadores muito longos e de seção
elevada.
Quando a industria é formada por duas ou mais unidades de produção, localizadas em galpões
fisicamente separados, torna-se mais flexível a escolha do local tecnicamente apropriado para a SE.
Na concepção dos sistemas de distribuição industriais já esta consagrada, a bastante tempo, a
utilização dos chamados “Centros de Carga” (CCg) como fator preponderante para a definição dos
locais de instalação das diversas SE.
A localização dos CCg em uma planta industrial é realizada através da determinação do
baricentro dos pontos de carga concentrada , considerados, para efeito de cálculo, como puntiformes e
localizados em um plano cartesiano. A Figura 1 ilustra esta situação e as equações 1 e 2 mostram como
calcular o CCg.

Figura 1
x1 P1 + x 2 P2 + x3 P3 + x 4 P4 + x5 P5
X CCg =
P1 + P2 + P3 + P4 + P5

Equação 1

y1 P1 + y 2 P2 + y 3 P3 + y 4 P4 + y 5 P5
YCCg =
P1 + P2 + P3 + P4 + P5

Equação 2

Onde, P1...P5 indicam as potências demandas em cada pondo de coordenadas (x1...x5, y1...y5) e
XCCg e YCCg são as coordenadas do CCg. Estas coordenadas indicam a melhor localização para a SE do
ponto vista da carga, entretanto outros parâmetros, de caráter técnico ou não, podem influenciar a
escolha do local para sua instalação.
Os CCg dos sistemas de distribuição de energia apresentam duas características bem definidas
que os distingue dos demais métodos:
 A energia é distribuída em tensão primária para SE localizadas próximo aos centros de
consumo. Nestas SE a tensão é rebaixada a fim de abastecer os pontos de utilização
através de alimentadores secundários de pequena extensão;
 Onde não for possível atender a toda planta industrial com uma única SE de até
1500kVA, o sistema deve ser dividido em dois ou mais CCg.
As principais vantagens da utilização dos CCg em oposição aos sistemas que fazem uso de
apenas uma SE – muitas vezes de grande porte – situada na entrada de energia da planta, são:
 Menor custo;
 Redução das perdas por efeito Joule;
 Maior flexibilidade;
 Facilidade para manter menores as quedas de tensão;
 Boa continuidade no fornecimento de energia;
 Facilitação do projeto.
O menor custo é devido, principalmente, ao cabeamento utilizado, conforme ilustra a Figura 2 e
a tabela que a acompanha. Quando a energia é transportada em uma rede de MT, a corrente elétrica é
menor e com isso a quantidade de cobre necessária também é menor. Mesmo com toda a isolação dos
cabos de MT, normalmente fica mais barato utilizar este tipo de cabo do que vários cabos de BT de
grande bitola. A tabela apresenta o cálculo realizado para determinar o custo dos cabos utilizados para
alimentar uma carga de 500kVA nas duas situações mostradas na Figura 2 (Preços referentes ao ano de
2001).
Número de Corrente Comprimento Seção do Preço Custo
Tensão Corrente Circuitos por Cabo Distância total de Cabos Cabo do Cabo total
(V) (A) (A) (m) (m) (mm2) (R$/m) (R$)
MT (13.8k) 20,94 1 20,94 100 300 25 R$ 17,00 R$ 5.100,00
BT (220) 1313,72 5 262,74 100 1500 240 R$ 37,00 R$ 55.500,00

Figura 2

O custo final da instalação também apresenta outro fator de redução. Quando se subdivide a
planta em vários CCg, ocorre uma redução do nível de curto-circuito devido a utilização de
transformadores menores, os quais apresentam maior impedância percentual. Desta forma, em alguns
casos, pode-se reduzir o custo dos diversos equipamentos de manobra e proteção das SE.
A redução das perdas por efeito Joule é obtida devido a diminuição significativa das correntes
circulando no sistema.
Devido a sua grande flexibilidade, a medida em que a planta cresce e novas cargas são
adicionadas ao sistema, a utilização dos CCg proporciona uma economia extra. Neste tipo de sistema,
pequenas unidades de transformação são gradualmente adicionadas ao conjunto, de forma a atender ao
crescimento da carga. Portanto, a expansão do sistema é coordenada com a ampliação da planta e,
desta forma, contribui para a redução dos custos envolvidos. A Figura 3 mostra como é conseguida
esta economia.

Figura 3
Quando se opta pela utilização dos CCg, torna-se mais fácil controlar as quedas de tensão nos
diversos condutores. Isto ocorre devido às pequenas correntes que circulam nos sistemas de MT, e
também à proximidade das SE dos centros de carga, demandando menores alimentadores secundários.
A continuidade no fornecimento de energia é melhor tendo em vista a distribuição de
diversas pequenas SE pela planta ao invés de utilizar-se apenas uma grande SE. Uma falha em uma
daquelas pequenas SE afetaria apenas uma pequena parte da carga total ligada ao sistema. A boa
continuidade também é garantida pela facilidade de implementação, nos sistemas baseados na
utilização dos CCg, de interligações entre as diversas SE, como será visto mais adiante.
A facilitação do projeto é obtida devido ao fato de que SE até 1500kVA estão disponíveis no
mercado em módulos padronizados, bastando escolher aqueles que forem necessários para cada caso
nos catálogos dos diversos fabricantes. Portanto o projeto ficará reduzido à reservar uma área
adequada para estes módulos e conduzir os diversos cabos de MT e BT para este local.
Caso uma determinada planta tenha seu layout radicalmente alterado, os diversos módulos
existentes poderão ser empregados com facilidade no novo projeto.

Arranjos
Uma vez que existem várias pequenas SE, nos sistemas que fazem uso de diversos CCg, surge
também a possibilidade de implementar-se diversos arranjos. Embora seja possível um grande número
de implementações distintas, existem quatro arranjos considerados fundamentais e, por isso mesmo,
mais comuns. São eles:
 Radial;
 Secundário Seletivo;
 Primário Seletivo;
 Secundário network.
Estes quatro tipos de arranjos podem ser comparados no que diz respeito a vários aspectos, onde
os mais comuns são:

 Custo;
 Segurança;
 Flexibilidade;
 Confiabilidade;
 Facilidade de Expansão;
 Simplicidade;
 Regulagem de Tensão;
 Nível de Curto-circuito.
Taxa de falha em transformadores e cabos de potência.
Como informação básica para a discussão a respeito dos diversos arranjos, deve-se considerar
que a taxa de falha dos transformadores e cabos de potência é muito pequena. Isto implica que a
confiabilidade do sistema depende muito mais do arranjo escolhido do que do que dos equipamentos
propriamente ditos, considerando-se, é claro, que estes sejam adequadamente instalados, operados e
manutenidos.

Utilização de chaves seccionadoras em sistemas primários


Embora a utilização das chaves seccionadoras no sistema primário das SE dos CCg não tenha
grandes efeitos sobre o diagrama unifilar do arranjo utilizado, ela possui uma enorme importância
quando o assunto é segurança e proteção do sistema como um todo.
Na prática, o uso das chaves seccionadoras nas diversas SE apresenta-se como um compromisso
entre a solução ideal do ponto de vista da segurança e a solução mais factível do ponto de vista
econômico.
A solução ideal é aquela que prevê a utilização de disjuntores em todas as linhas de entrada das
diversas SE, conforme pode ser visto na Figura 4.

Figura 4

Obviamente, esta é uma solução relativamente cara e, por este motivo, a utilização das chaves
seccionadoras tornou-se bastante comum, possibilitando a desconexão sem entretanto fornecer a
devida proteção contra sobrerrentes em cada uma das SE, conforme mostrado na Figura 5.
Figura 5

Proteção
A proteção contra sobrecorrente em cada transformador (com impedância percentual mínima de
6%) pode ser omitida quando o disjuntor geral do circuito primário tiver seu relé ajustado para atuar
em um valor de corrente igual a, no máximo, 6 vezes a corrente primária do menor transformador
conectado a este circuito. Por exemplo, se um circuito primário alimenta dois transformadores de 750
kVA e um 300kVA, cada um deles instalado em uma SE de CCg, todos eles sem proteção individual
de MT (Figura 6), o disjuntor geral do alimentador deverá estar ajustado para atuar, no máximo, para
1800kVA (6 x 300kVA). Observa-se que este ajuste é igual a soma das potências dos transformadores
conectados ao alimentador. Espera-se que o fator de diversidade das cargas seja suficiente para que
nunca venha a ocorrer uma demanda de 1800kVA, de tal forma a causar o desligamento do disjuntor.

Figura 6

Espera-se que o ajuste proposto forneça razoável proteção para faltas ocorrendo no secundário
do transformador, conforme assinalado pelos números 1, 2 e 3 na Figura 7. A proteção contra
sobrecarga nos circuitos secundários fica assegurada pelos dispositivos de proteção de BT.
Figura 7

Se a potência de uma das SE for menor do que 1/6 (um sexto) da carga total conectada ao
circuito primário, conforme mostra a Figura 8, deve-se utilizar um disjuntor ou uma seccionadora
fusível a fim de proporcionar a adequada proteção contra curto-circuito para esta SE.

Figura 8

Arranjo Radial
Neste tipo de arranjo existem um ou mais alimentadores primários, que conectam-se aos
transformadores das diversas SE, seguindo uma trajetória única. Estes transformadores alimentam
exclusivamente seus respectivos barramentos de BT. Não existe duplicação de equipamentos. Em
geral, este arranjo (Figura 9) é o que fornece o menor custo de implantação.
Figura 9

Tendo em vista que a taxa de falha nos transformadores e cabos de potência é muito pequena,
pode-se considerar muito boa a confiabilidade deste arranjo. Entretanto, deve ser levado em conta que
o desligamento de um cabo de MT ou de um transformador, seja por falha ou para manutenção,
implica no completo desligamento dos circuitos de BT, alimentados pelo transformador afetado, até
que se recupere os equipamentos danificados ou que seja finalizada a manutenção.
Algumas vantagens deste tipo de arranjo são:
 Baixo custo;
 Segurança;
 Simplicidade;
 Facilidade de operação;
 Facilidade de expansão;
 Boa regulagem de tensão;
 Baixo nível de curto-circuito;

Arranjo Secundário Seletivo


Este tipo de arranjo é adequado quando, em um determinado sistema elétrico, faz-se necessário
manter energizados os barramentos de BT, mesmo em casos de manutenção ou falhas no alimentador
primário ou em algum transformador.
Consiste basicamente de uma modificação do arranjo radial através do acréscimo de uma
conexão, do tipo “Normalmente Aberta” (NA), interligando um par de SE (secundário seletivo
distribuído – Figura10), ou mesmo dois barramentos de BT de uma mesma SE (secundário seletivo
local – Figura11).
Figura 10

Figura 11

Em ambos os casos, e em condições normais, os transformadores operam de forma independente


tal como no arranjo radial. No caso de uma falha ou de um desligamento programado o disjuntor geral
de cada QGBT (Quadro Geral de Baixa Tensão) é aberto e o disjuntor (ou os disjuntores) que faz a
conexão é fechado.
Em outras palavras, o arranjo secundário seletivo consiste basicamente em dois sistemas radiais
com uma conexão entre seus barramentos de BT, portanto, apresenta todas as vantagens do arranjo
radial. Os benefícios adicionais são:
 Boa flexibilidade;
 Maior confiabilidade teórica.
O aumento de confiabilidade é dito “teórico” devido ao fato de que a possibilidade de falha em
um cabo de energia ou em um transformador já é muito pequena, ou seja, a confiabilidade no arranjo
radial já é bastante elevada. Portanto, a confiabilidade do arranjo secundário seletivo só é teoricamente
maior pois, na prática, é a mesma do arranjo radial.
Pode-se esperar uma pequena redução da facilidade de operação devido ao acréscimo da
conexão entre os barramentos.
O nível de curto-circuito se mantém igual uma vez que a conexão é do tipo NA.
O custo pode aumentar de cerca de 10 a 30%, dependendo da localização dos barramentos que
serão interligados e do acréscimo de potência que deverá dispor cada transformador a fim de atender o
barramento adicional quando a conexão for fechada.
Os arranjos secundário seletivo e radial correspondem a mais de 90% das aplicações industriais,
sendo que o secundário seletivo responde por 25 a 35% do total.
Tendo em vista que, no arranjo secundário seletivo, há uma interligação entre os barramentos de
BT de um par de SE, existe a possibilidade de que um transformador seja conectado a estes dois
barramentos simultaneamente. Desta forma, este transformador estaria suprindo uma carga que
normalmente é atendida por dois deles. Faz-se necessário então, que o projetista estabeleça o
percentual de carga de cada barramento que será considerada como essencial e, a partir daí, defina a
potência extra que cada transformador deverá dispor. Na grande maioria dos casos este percentual é
pequeno, e varia entre 25 e 50% da carga de cada barramento. Evidentemente, a operação em
condições de emergência ou de manutenção exige que as cargas não-essenciais sejam desligadas em
ambos os barramentos. Se o percentual de cargas não-essenciais chegar a, no máximo, 75%, o
transformador remanescente poderá continuar atendendo-as mesmo em sobrecarga, uma vez tomadas
as precauções cabíveis. Eventualmente poderá ser implementado um sistema adicional de resfriamento
para este transformador, a fim de permitir que ele opere em sobrecarga por um tempo maior. Deve ser
considerado também que, a possibilidade de um transformador sair de serviço é tão pequena que,
somente em raras oportunidades de toda sua vida útil, o segundo transformador será utilizado para
alimentar os dois barramentos. Portanto deve-se estudar com bastante critério, e tendo em vista o custo
global da instalação do sistema, se é melhor que ele trabalhe em sobrecarga durante estes curtos
intervalos de tempo ou, se realmente será necessário prever uma reserva de potência para estas
ocasiões.
A forma mais comum de dimensionar os transformadores para o arranjo secundário seletivo
consiste em prever uma pequena sobrecarga em cada um (da ordem de 25 a 50%), acima da reserva
necessária para atender o crescimento natural da carga. Portanto, deve-se tratar o sistema como se
fosse radial e acrescentar a sobrecarga prevista em cada transformador além dos dispositivos para
interligação entre os barramentos de BT.
Em plantas pequenas é muito utilizado o arranjo secundário seletivo local (Figura 11 e 12), que
apresenta como vantagens:

• Implementação simples;

• Sistema compacto;

• Baixo custo (da ordem de 10 a 15% superior ao custo do arranjo radial).


Figura 12

Uma segunda configuração, utilizada em plantas maiores, é o arranjo secundário seletivo


distribuído (Figura 10). Neste caso as SE atendem a pequenos CCg, reduzindo a quantidade de
cabeamento secundário necessário mas, por outro lado, aumentando a quantidade de cabo para
interligação dos barramentos. O custo deste arranjo é cerca de 15% maior do que o radial.

Pode-se conseguir uma redução ainda maior no custo da instalação, deixando-se apenas uma
previsão de interligação nos barramentos secundários, ou seja, é reservado o espaço para a ligação do
disjuntor em todas as SE. Quando for necessário, instala-se os disjuntores e conecta-se o cabo de
interligação, o qual pode ser utilizado em qualquer par de SE (Figura13). Em caso de necessidade, o
tempo para a implementação desta solução vai depender, essencialmente, do treinamento da equipe de
manutenção, da distância entre as duas SE e dos equipamentos utilizados.
Figura 13
Arranjo Secundário Network
Este arranjo (Figura 14) difere do radial, do secundário seletivo e do primário seletivo em dois
aspectos:

• Os transformadores operam em paralelo;

• No caso de uma falha no alimentador primário ou de um transformador o circuito


defeituoso é isolado automaticamente através da abertura do disjuntor associado a este
alimentador e do disjuntor geral de BT, aqui chamado de NWP (Network Protector),
associado ao transformador.

Figura 14

O NWP consiste basicamente de um disjuntor controlado por um relé direcional. Em caso de


falta no alimentador primário ou no transformador, seu acionamento, em conjunto com o disjuntor
associado ao alimentador, isola automaticamente o equipamento defeituoso sem desligar nenhuma
carga do sistema.
Em geral, em sistemas industriais, é dispensada a utilização dos NWP, os quais são substituídos
por dispositivos de proteção comuns.
Tal como o secundário seletivo, o arranjo secundário network também apresenta duas
configurações básicas:

• Secundário network distribuído (Figura 14);

• Secundário network local (Figura 15).

Figura 15

Vantagens e desvantagens da operação em paralelo dos transformadores


 Maior confiabilidade: ocorre devido justamente a operação conjunta de mais de um
transformador servindo a uma mesma carga. Esta vantagem é muito pequena tendo em
vista que a confiabilidade do sistema radial já é bastante elevada.
 Redução da potência instalada em transformadores: é ocasionada, em alguns casos,
devido a transferência automática de carga de um transformador para outro através das
interligações entre os diversos barramentos de BT.
 Elevação do nível de curto-circuito: este fato se dá devido ao paralelismo das
impedâncias dos dois transformadores. Exige a utilização de equipamentos com maior
capacidade de ruptura e, conseqüentemente, mais caros.
 Redução da queda de tensão por ocasião da partida de motores: isto é acarretado
pela redução da impedância causada pelo paralelismo. Este fato torna-se mais evidente
durante a partida de motores de grande potência e na utilização de máquinas de solda,
também de grande porte.
Arranjo Primário Seletivo
Neste tipo de arranjo cada SE recebe dois alimentadores primários (Figura 16). Desta forma é
necessário escolher um deles para fornecer energia à carga.

Figura 16

A função dos disjuntores neste tipo de arranjo assume o importante papel de realizar a
transferência de cargas, e não apenas a conexão e desconexão destas. Para a execução segura desta
tarefa devem ser utilizados disjuntores adequados, entretanto, em sistemas com SE muito pequenas,
pode não ser economicamente justificável. Neste caso recomenda-se a utilização do arranjo secundário
seletivo, que pode apresentar tantas vantagens quanto o primário seletivo e, em geral, custa bem
menos.
Com o intuito de reduzir o custo, muitas vezes é proposta a utilização de chaves seccionadoras
sob carga com 3 posições, em substituição aos disjuntores (Figura 17). Deve-se notar que no arranjo
radial ou secundário seletivo as chaves seccionadoras são empregadas apenas para desconectar parte
do sistema a fim de permitir a realização de manutenção, enquanto no primário seletivo elas servem
para operar o sistema.
De maneira geral, o arranjo radial e o secundário seletivo apresentam boa confiabilidade, com
destaque para o segundo. A única razão para o emprego do primário seletivo é manter o sistema
funcionando em caso de falha no alimentador primário. A possibilidade de ocorrência de uma falha
deste tipo é tão pequena que, normalmente, não se justifica seu emprego.
Figura 17

Uma variação do arranjo primário seletivo é o primário em anel, conforme pode ser visto na
Figura 18.

Figura 18

A única maneira de operar sob carga o anel primário é através do emprego de disjuntores
propriamente instalados, conforme mostrado na Figura18. Assim como no arranjo primário seletivo
clássico, o custo destes disjuntores, onde as SE são de pequena capacidade, pode ser proibitivo. Desta
forma, existe sempre a tendência de tentar reduzir este custo substituindo-os por chaves seccionadoras,
tal como apresentado na Figura 19.
Figura 19

Quando são empregadas chaves seccionadoras, praticamente todas as vantagens do emprego do


anel são perdidas, quais sejam a confiabilidade e a segurança. As razões para isto são:
 Uma falta no alimentador primário “derruba” todo o sistema.
 Após a ocorrência de uma falta, sua localização pode levar várias horas.
 A determinação exata da falta, em geral, não é uma operação segura.
 A maior desvantagem do emprego das chaves seccionadoras é o perigo de estas virem a
ser operadas em condições de falta.
Embora, academicamente, seja fácil de estabelecer procedimentos em caso de uma falta, na
prática, o operador podem ser submetidos a situações de risco. Deve-se lembrar primeiramente que
faltas não ocorrem todos os dias, portanto, não importa quão bom são os procedimentos pré-
estabelecidos, na hora em que for preciso, os operadores normalmente estão sob forte pressão física e
psicológica, o que os leva a cometer enganos e a confundir estes procedimentos. A utilização de
chaves seccionadoras submete-os a condições de riscos inadmissíveis.
Uma comparação entre os arranjos secundário seletivo e primário seletivo ressalta as
vantagens e desvantagens de cada um conforme pode ser visto na Figura 20 e na tabela que se segue.
Este mesmo tipo de comparação, entre os arranjos radial e primário seletivo, é apresentado na
Figura 21 e na respectiva tabela.
Figura 20

Secundário Seletivo Primário Seletivo


1. Custo menor maior
2. Confiabilidade
Um alimentador
Igual
primário fora de serviço
Capacidade do sistema
com um alimentador 75% 100%
primário fora de serviço
Um transformador fora
75% 0%
de serviço
Um disjuntor geral
secundário fora de 75% 0%
serviço
Um barramento
secundário fora de 50% 0%
serviço
3. Segurança Igual
4. Área ocupada maior menor
5. Perdas Igual
6. Queda de tensão
Regime permanente Igual
Partida de motores metade
Complexidade de
7. Igual
operação
Figura 21

Radial Primário Seletivo


8. Custo menor maior
9. Confiabilidade
Capacidade do sistema
com um alimentador 0% 100%
primário fora de serviço
Um transformador fora
0% 0%
de serviço
Um disjuntor geral
secundário fora de 0% 0%
serviço
Um barramento
secundário fora de 0% 0%
serviço
10. Segurança Igual
11. Área ocupada menor maior
12. Perdas Igual
13. Queda de tensão Igual
Complexidade de Um pouco mais
14. Menos complicado
operação complicado