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Transferência de Calor

Prof. Marco Antonio

Tópicos Calor:

 Fundamentos de condução, Quantidade de energia térmica transferida


convecção e radiação. em um intervalo de tempo ∆t > 0.

 Condução de calor em regime


permanente. Taxa de transferência de calor:

 Transferência de massa. Quantidade de energia térmica transferida


por unidade de tempo.
Objetivos

 Estabelecer a conceituação e os Fluxo de Calor:


elementos básicos de Transferência
de Calor. É a quantidade de energia trocada por
unidade de tempo e por unidade de área
 Possibilitar a identificação e a perpendicular à direção de troca de calor.
manipulação algébrica dos princípios
básicos de Transferência de Calor.
Leis fundamentais
Conceituação
 Conservação da massa.
Transferência de calor (ou calor):
 Conservação da taxa de variação da
 É a energia térmica em trânsito quantidade de movimento (2ª lei de
devido a uma diferença de Newton).
temperatura.
 Conservação da energia (1ª lei da
 Sempre que existir uma diferença de termodinâmica).
temperatura em um meio ou entre
meios diferentes, ocorre,  2ª lei da termodinâmica.
necessariamente, transferência de
calor.
Leis particulares
Nomenclatura
 Lei de Hooke.
Q = calor [J]
q = taxa de transferência de calor [J/s = W]  Equação dos gases perfeitos.
q  = fluxo de calor [W/m2]
q = taxa volumétrica [W/m3]

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Modos de transferência de calor  Convecção: Transferência de calor


entre uma superfície sólida e um
 Condução: meios estacionários – fluido em movimento.
sólido ou fluido.
TS  T

Convecção = Condução + Advecção

Lei de Newton do resfriamento


T
qx  q  hAS  TS  T 
L

T T T h = coeficiente de transferência de calor por


qx  k  k 2 1 convecção = coeficiente de película ou
L L
coeficiente de filme.
Lei de Fourier
 W 
h 2 
dT m K 
qx  k
dx
 Forçada: movimento do fluido
 O parâmetro k é uma propriedade de ocorre por efeitos externos. Ex.:
transporte conhecida como Ventilador.
condutividade térmica e é
característica do material da parede.  Natural ou livre: movimento ocorre
por efeitos térmicos induzido por
k  k  T, x  forças de empuxo, devido a
diferenças de densidades causadas
por variações de temperatura do
 W 
k 
fluido.
 mK 
 Ebulição e condensação: calor
sensível + calor latente.

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 Radiação: Energia emitida pela Corpo real:


matéria através de mudança nas
configurações dos elétrons dos seus  O fluxo térmico emitido por uma
átomos ou moléculas e é transferido superfície real é menor do que aquele
através de ondas eletromagnéticas ou emitido por um corpo negro à mesma
fótons. temperatura e é dado por

E  TS4
onde:

ε é uma propriedade radiante da superfície


conhecida por emissividade.

 Com valores na faixa de 0    1 ,


essa propriedade fornece uma
medida da eficiência na qual uma
superfície emite energia em relação
 Todo corpo em temperatura finita ao corpo negro.
emite energia.
 Ela depende fortemente do material
 Emissão de corpo negro (ideal). da superfície e de seu acabamento.

 A radiação que é emitida pela Irradiação, G:


superfície tem sua origem na energia
térmica da matéria delimitada pela  A radiação também pode incidir
superfície e a taxa na qual a energia é sobre uma superfície a partir de sua
liberada por unidade de área (W/m2) vizinhança.
é conhecida como poder emissivo, E,
da superfície.  A radiação pode ser oriunda de uma
fonte especial, tal como o sol, ou de
 Há um limite superior para o poder outras superfícies às quais a
emissivo, que é determinado pela superfície de interesse esteja exposta.

Lei de Stefan Boltzmann  Independente da fonte, designa-se a


taxa na qual todas essas radiações
E n  TS4 incidem sobre uma área unitária da
superfície por irradiação, G.
onde Ts é a temperatura absoluta (K) da
superfície e σ é a constante de Stefan-  Uma porção, ou toda a irradiação,
Boltzmann, σ = 5,67 x 10-8 W/m2 K4. Tal pode ser absorvida pela superfície,
superfície é chamada um radiador ideal ou aumentando dessa forma a energia
corpo negro. térmica do material.

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 A taxa na qual a energia radiante é temperatura Tviz seja diferente


absorvida, por unidade de área da daquela da superfície contida no seu
superfície, pode ser calculada com o interior (Tviz  Ts).
conhecimento de uma propriedade
radiante da superfície conhecida por  Se a superfície for considerada uma
absorvidade  . Ou seja, para a qual  =  (uma superfície
cinza), a taxa líquida de
G abs  G transferência de calor por radiação
saindo da superfície, expressa por
onde 0    1 . unidade de área da superfície, é:

 Se   1 e a superfície é opaca, q
qrad   E  G abs
porções de irradiação são refletidas. A

 Se a superfície é semitransparente, qrad  TS4  G    Ts4  Tviz


4

porções de irradiação podem
qrad    Ts4  Tviz 
também ser transmitidas. 4

 Contudo, enquanto a radiação


absorvida e a emitida aumenta e  Essa expressão fornece a diferença
reduz, respectivamente, a energia entre a energia térmica que é liberada
térmica da matéria, a radiação devido à emissão de radiação e
refletida e a transmitida não têm aquela que é ganha devido à
efeito nessa energia. absorção de radiação.

 Os líquidos podem ser considerados  Condução e convecção necessitam


opacos e os gases podem ser da mudança de variação no meio
considerados transparentes em material.
relação à transferência de calor por
radiação. Sólidos podem ser opacos  Embora a radiação se origine da
(como é o caso dos metais) ou matéria, o seu transporte não
semitransparentes necessita de meio material e ocorre
com maior eficiência no vácuo.
Caso particular:
Existem muitas aplicações nas quais é
 Um caso particular é a troca de conveniente expressar a troca líquida de
radiação entre uma pequena calor por radiação através de uma expressão
superfície a Ts e uma superfície na forma:
isotérmica, muito maior, que envolve
completamente a menor. Essa q rad  h r A  Ts  Tviz 
vizinhança poderia ser as paredes de
uma sala ou um forno, cuja onde o coeficiente de transferência de calor
por radiação hr é dado por:

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( )( ) Exemplo 1:
Os gases quentes da combustão de uma
Regime Permanente: fornalha são separados do ar ambiente e de
sua vizinhança, que estão a 25oC, por uma
 A situação física na qual as variáveis parede de tijolos de espessura 0,15m. O
dependentes como temperatura, tijolo tem condutividade térmica de 1,2W/m
pressão, etc. não variam no tempo. K e emissividade superficial de 0,8. Em
Elas podem variar de um ponto a condições de regime estacionário, a
outro (variação espacial), mas não temperatura da superfície externa vale
variam ao longo do tempo (variação 100oC. A transferência de calor por
temporal). convecção livre para o ar adjacente à
superfície é caracterizada pelo coeficiente de
Regime Transitório: convecção h = 20 W/m2 K. Qual a
temperatura da superfície interna do tijolo.
 A situação física na qual as variáveis
dependentes como temperatura,
pressão, etc. variam no tempo.

Conservação de energia em um Volume


de Controle

 Região do espaço delimitada por


uma superficie imaginária, chamada
superfície de controle, através da
qual massa e energia podem passar.

 O aumento na quantidade de energia


Exemplo 2:
armazenada em um volume de
Um recipiente fechado, completamente
controle deve ser igual à quantidade
cheio com café quente, está em uma sala
de energia que entra no volume de
cujo ar e as paredes encontram-se a uma
controle menos a quantidade de
temperatura fixa. Identifique todos os
energia que deixa o volume de
processos de transferência de calor.
controle

onde:
E ar  E e  E g  E s

é a taxa de variação de energia armazenada


no interior do volume.

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 Condução de calor A equação da difusão de calor (Difusão


térmica):
A condução está relacionada com o
transporte de energia em um meio
estacionário devido ao gradiente de
temperatura, e o mecanismo físico envolvido
é a movimentação aleatória dos átomos ou
atividade molecular.

Lei de Fourier:

O fluxo de calor é dado por:

q  kT A conservação da energia no volume de


controle em termos das taxas de condução
de calor é dada por:
onde a temperatura T é avaliada
tridimensionalmente T(x,y,z). Já a taxa de
E ar  q x  q y  q z  E g  q x  dx  q y  dy  q z  dz
calor relaciona-se com a área da forma:

q   kAT onde:

q x
Condutividade Térmica: q x dx  q x  dx
x
Quando o valor da condutividade térmica k
é igual para as dimensões x, y e z o material q y
é chamado de material isotrópico. Para os q y dy  q y  dy
y
casos onde não, o material é anisotrópico.
Os materiais são classificados como
q z
condutivos, k > 1 W/m.K e isolantes k < 1 q z dz  q z  dz
W/m.K. z

Dessa forma:

q x
q x  q x dx   dx
x

q y
q y  q y dy   dy
y

q z
q z  q z dz   dz
z

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As taxas de transferência de calor por Utilizando:


condução podem ser determinadas pela lei
de Fourier T
q x  kdydz
x
T
q x  kdydz
x q x  2T
 dx  kdxdydz 2
x x
T
q y  kdxdz
y Chega-se finalmente na equação geral da
condução:
T
q z  kdxdy
z ̇
A taxa de geração de energia térmica é
representada por: ou
( ) ̇
E g  qdxdydz

Assim, para condutividade térmica


O termo referente a energia armazenada
constante, tem-se:
pode ser escrito como:
̇
dU
E ar 
dt

e a energia interna extensiva é dada por


Onde  é a difusividade térmica dada por:
U  mu . Como u  cdT e m  dxdydz :
k
dU du dT dT 
E ar  m  mc  cdxdydz c
dt dt dt dt
e tem dimensão de:
chega-se a:
 m2 
T q q y q  
cdxdydz   x dx  dy  z dz  qdxdydz
t x y z  s 

onde o termo c é chamado de capacidade


calorífica e tem dimensão de:

 J 
 m3K 
 

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Condições de contorno para a equação da 3. Condição de convecção na superfície:


difusão de calor na superfície (x=0)
T
k  h T  T  0, t  
x x 0
1. Temperatura da superfície constante:

T(0,t) = Ts

Condução unidimensional em regime


2. Fluxo térmico na superfície constante: permanente sem geração de energia

(a) Fluxo térmico diferente de zero: Geometria plana:

T
k  qs
x x 0

(b) Superfície isolada termicamente ou


adiabática: TS1  TS2 , k  cte com x e t:

T
0 Utilizando a equação geral da condução:
x x 0
T
c    kT   q
t

e as condições de regime permanente sem


geração de energia, tem-se:

k 2 T  0

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 2T Utilizando a lei de Fourier


2T  0
x 2
dT
q  k  q   kc1
 2T d 2T dx
 0  0
x 2 dx 2 O que mostra que fluxo de calor é constante
com x. Substituindo a constante c1:
Condições de contorno:
k
x0 T  0   TS1 q   TS1  TS2 
L
xL T  L   TS2
k
q A  TS1  TS2 
d  dT  L
 0
dx  dx 
q
 TS1  TS2 
Integrando uma vez: L
kA
dT
 c1
dx
Resistência Térmica:
Integra novamente:
 Uma maneira muito útil de resolver a
T  x   c1x  c 2 maioria dos exercícios de
transferência de calor é a utilização
do conceito de resistência térmica.
x0 TS1  c 2
 É possível a construção de circuitos
xL TS2  c1L  c 2 térmicos equivalentes para a
resolução de problemas envolvendo
c1   TS2  TS1  / L a transferência de calor em diversos
materiais e meios.
Substituindo as constantes na equação:
 É análogo a construção de circuitos
elétricos, assim, a associação série e
T  x   c1x  c 2 paralelo de circuitos elétricos
continua valendo.
chega-se a distribuição da temperatura:
A resistência elétrica é dada por:
T  x    TS2  TS1  x / L   TS1
L L
R el  e 
A A

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onde  e é a resistividade elétrica e  é a


q  qA 
 T1  T 2 
condutividade elétrica. De forma análoga 1 L 1
 
pode-se definir as resistências térmicas: h1A kA h 2 A

Resistência térmica para a condução: Exemplo3:


L
R cond 
kA

Resistência térmica para a convecção:

1
R conv 
hA

Resistência térmica para a radiação:

1
R rad 
hrA

No caso de uma parede plana de espessura L


e condutividade k onde as superfícies
externas trocam calor por convecção com o
meios 1 e 2:
T1  T2
q
R total

Para coordenadas cilíndricas:

ln  r2 / r1 
R cil 
2Lk

é possível construir o seguinte circuito


térmico:

onde a taxa de transferência de calor é


calculada por:

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Coeficiente global de transferência de  Transferência de massa:


calor: UA

A camada-limite de concentração:
 Em sistemas compostos, é
frequentemente conveniente o
trabalho com um coeficiente global Se ar movimenta-se ao longo da superfície
de transferência de calor, U, que é de uma porção de água, a água líquida irá
definido por uma expressão análoga evaporar e vapor d’água será transferido
à lei de resfriamento de Newton. para dentro da corrente de ar. Isto é um
Assim: exemplo de transferência de massa por
convecção.
q  UAT
De uma forma mais geral, considere uma
onde T é a diferença de temperaturas mistura binária, que escoa sobre uma
global. O coeficiente global de transferência superfície. A concentração molar (kmol/m3)
de calor está relacionado à resistência da espécie A na superfície é CA,s e na
térmica total. Em geral: corrente livre é CA, . Se CA,s é diferente de
CA, , irá ocorrer transferência da espécie A
T 1
R total   R t   por convecção.
q UA

No caso da parede plana de espessura L e


condutividade k onde as superfícies externas
trocam calor por convecção com o meios 1 e
2:

A taxa de transferência da espécie A por


convecção entre a superfície e a corrente
livre do fluido é determinada pelas
condições na camada-limite, e estamos
interessados na determinação da taxa na qual
essa transferência ocorre. Em particular,
estamos interessados no fluxo molar da
espécie A, NA (kmol/(s.m2)).

1 1
UA  
1 L 1 R total
 
h1A kA h 2 A

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O fluxo molar associado a transferência de


uma espécie por difusão é análogo a lei de
Fourier. A expressão que é chamada de lei
de Fick, tem a forma:

CA
NA  DAB
y

onde DAB é uma propriedade da mistura


binária conhecida por coeficiente de
difusão binária.

Analogamente à lei de resfriamento de


Newton, uma equação pode ser escrita
relacionando-se o fluxo molar com a
diferença de concentrações através da
camada-limite, como:

NA  h m  CA,s  CA, 

onde hm (m/s) é o coeficiente de


transferência de massa por convecção,
análogo ao coeficiente de transferência de
calor por convecção.

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