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Assistência de Enfermagem a Mulher e ao RN no período do Parto - Carga horária: 70 horas

- Ementa: Admissão e cuidados de enfermagem da parturiente no pré-parto; Aspectos do parto humanizado; Parto cesário; Cuidados
imediatos e mediatos ao RN; Assistência de Enfermagem ao RN de Alto Risco; Assistência de Enfermagem ao RN de Baixo Peso.
- Metodologia: 4 trabalhos parciais - 23/05, 30/05, 06/06, 09/06. 09/06 – Revisão final, 10/06 – Prova final, 11/06 – Encerramento.
Participação em sala de aula; Trabalhos entregues sempre na data marcada; Desligue o celular; ATENÇÃO nas FALTAS!!!
- Admissão da Parturiente no Pré-parto – Humanização: A partir das primeiras consultas pré-natais, o profissional de saúde precisa
enfatizar que o trabalho de parto e o parto constituem processos fisiológicos normais. A gestante frequentemente se aproxima do momento
do parto com grande preocupação sobre seu bem-estar, do bebê não nascido e com medo de um trabalho de parto difícil e doloroso.
Humanização: Assistir as parturientes no momento do parto e nascimento com segurança e dignidade é um compromisso fundamental da
equipe de enfermagem durante a assistência, propiciando a cada mulher o direito de parir, recebendo uma assistência humanizada e de boa
qualidade. O conceito de atenção humanizada durante o cuidado de enfermagem à parturiente e ao RN é amplo e envolve um conjunto de
conhecimentos, práticos e atitudes que visam à promoção do parto e do nascimento saudáveis e a prevenção da morbimortalidade materna
e perinatal o qual se inicia no pré-natal e procura garantir que a equipe de saúde realize procedimentos comprovadamente benéficos para a
gestante e o RN durante este processo, evitando as intervenções desnecessárias e que preservem sua privacidade e autonomia.
Humanização: Reconhecer a individualidade é humanizar o atendimento. A humanização permite ao profissional estabelecer com cada
parturiente um vínculo e perceber suas necessidades e capacidade de lidar com o processo do trabalho de parto e nascimento.
Admissão: Ao ser admitida na unidade, a equipe de enfermagem deve proporcionar tranquilidade e segurança, pois, sendo a primeira
impressão positiva, a paciente tende a confiar na equipe e ajustar-se melhor ao trabalho de parto dentro do centro obstétrico junto a equipe
de enfermagem. Durante admissão é imprescindível o profissional de saúde relatar no registro de enfermagem as condições em que
chegou a parturiente, tais como: Anamnese; Exame clínico; Exame obstétrico;
Anamnese: Deve-se fazer um interrogatório completo sobre as queixas da paciente, história da gestação, passado obstétrico, patologias
associadas, uso de medicamentos, grupo sanguíneo, movimentação fetal, data da última menstruação, etc. Muitas dessas informações
podem ser obtidas e/ou complementadas através do cartão da gestante. O histórico da parturiente encontra-se descrito no Cartão da
Gestante, as perguntas abaixo poderão ser abreviadas: Identificação; Data da última menstruação (DUM) e idade gestacional (IG);
Assistência pré-natal: realizada ou não e n° de consultas; História pré-natal: etilismo, tabagismo, uso de drogas, intercorrências durante a
gravidez; Antecedentes obstétricos: historia de gestações e partos anteriores, intercorrências, via de parto e indicações, peso do concepto,
evolução puerperal; Antecedentes pessoais: alergia medicamentosa, etilismo, tabagismo, uso de drogas, doenças endócrinas, cardíacas ou
pulmonares; Hemotransfusão, passado cirúrgico; Antecedentes familiares: doenças cardíacas, endócrinas ou pulmonares, malformações.
- Exame clinico: A avaliação clínica da parturiente deve incluir medida dos sinais vitais, os quais se seguem por verificação de:
Temperatura; Pulso; Respiração; Pressão Arterial; Avaliação das mucosas; Presença ou não edema e varizes nos MMII; Ausculta
Cardíaca e pulmonar (enfermeiro ou médico)
- Temperatura: Febrícula: 37,1°C até 37,7°C; Hipertermia: acima de 37,8°C; Hipotermia: abaixo de 35°C.
- Pulso: O número de pulsações normais no adulto é de aproximadamente 60 a 80 batimentos por minuto, sendo que algumas literaturas
consideram até 100 batimentos por minuto. Taquicardia: pulso acima do normal; Bradicardia: pulso abaixo do normal.
- Respiração: A frequência respiratória normal do adulto oscila entre 16 a 20 respirações por minuto.
- Pressão arterial: Pressão arterial igual ou maior que 140/90mmHg baseada na média de pelo menos duas medidas. A pressão arterial
deve ser mensurada com a gestante sentada, com o braço no mesmo nível do coração e com um manguito de tamanho apropriado.
- Hipertensão crônica: Observada antes da gravidez, ou antes de 20 semanas de gestação, ou diagnosticada pela primeira vez durante a
gravidez e não se resolve ate 12 semanas após o parto.
- Pré-eclâmpsia/eclampsia: Hipertensão que ocorre após 20 semanas de gestação acompanhada de proteinúria, com desaparecimento ate
12 semanas pós-parto.
- Pressão arterial: A proteinúria e definida como a excreção de 0,3g de proteínas ou mais em urina de 24 horas.
- Hipertensão gestacional (sem proteinúria): Como a proteinúria pode aparecer tardiamente, o diagnostico será retrospectivo, sendo
necessário afastar pré-eclâmpsia.
- (1) hipertensão transitória da gravidez: a pressão retorna ao normal ate 12 semanas após o parto (diagnostico retrospectivo);
- (2) hipertensão crônica: a elevação da pressão arterial persiste alem de 12 semanas após o parto.
- Avaliação das mucosas: Mucosas (coloração e umidade): normocorada, hipercorada ou hipocorada (1+/4+). Ao simples exame físico, a
pele pálida e as mucosas descoradas já mostram que a gestante pode está com anemia.
- Edema: Durante a gravidez o corpo produz aproximadamente 50% mais sangue e fluidos corporais para suprir as necessidades do
desenvolvimento do bebê. O edema discreto é uma condição normal da gestação causada pelos fluidos e sangue adicionais e ocorre
nas mãos, face, tornozelos e pés. Ele pode ocorrer a qualquer momento na gestação, mas é mais comum a partir do final do segundo
trimestre, ou seja, a partir do final do quinto mês de gestação e aumenta durante o terceiro trimestre. Um edema discreto é esperado, mas
mesmo assim deve ser avaliado. Quando o acúmulo de líquidos é excessivo e vem acompanhado de aumento na pressão arterial ou perda
de proteínas pela urina, é um sinal de alerta para a gestante. Estes sintomas podem indicar uma pré-eclâmpsia.
- Com a polpa digital do polegar/indicador faz-se uma compressão firme e sustentada, de encontro a uma estrutura rígida subjacente à
área em exame. Havendo edema nota-se uma depressão no local comprimido fóvea/cacifo. Refere-se a intensidade de acordo com a
profundidade da fóvea em cruzes: + ou ++ou +++ e ++++.
- Cuidados de Enfermagem: Verificar a ordem e a limpeza da unidade e encaminhá-la ao leito, deixando-a instalada confortavelmente;
Verificar os sinais vitais e anotar no prontuário; Verificar se há perdas vaginais (líquidos amniótico ou sangramento); Orientar a
parturiente quanto aos procedimentos de rotina que serão realizados no pré-parto, como: exame de toque ou ausculta fetal; Orientar quanto
a evolução do trabalho de parto, especialmente se for primípara; Registrar dados, no livro de admissão e no prontuário; Preencher os
formulários padronizados; Proporcionar conforto e segurança a parturiente.
- Exame obstétrico: Determinar se a paciente está ou não em fase ativa do trabalho de parto, usando os seguintes critérios:
- DINÂMICA UTERINA: Contrações uterinas regulares: 1 a 3 contrações em 10’. Dilatação cervical: 3 cm.
O Trabalho de Parto compreende o conjunto de fenômenos fisiológicos que conduz à dilatação do colo uterino, à progressão do feto
através do canal de parto e à sua expulsão para o exterior. O trabalho de parto começa com contrações uterinas fracas pouco frequentes,
com intervalos de 10 a 30 minutos entre uma e outra contração. Estas contrações tornam-se cada vez mais frequentes e dolorosas, até que
o intervalo entre elas seja aproximadamente de 2 a 3 minutos.
1° período do trabalho de parto. Compreende duas fases:
- Fase latente: É a fase inicial e mais lenta deste período, e culmina com a dilatação do colo até aos 3 cm. É variável de uma mulher para
outra.
- Fase ativa: inicia quando o colo alcança 4 cm até atingir a dilatação completa. Neste período as contrações uterinas são de 2 a 3
contrações em 10 minutos, com a duração de 30 a 90 segundos e uma intensidade moderada a forte e o colo do útero normalmente dilata
de 1 a 1,5 cm/h. Apagamento e dilatação do colo uterino. Apagamento = encurtamento. Dilatação = abertura.
- 1° período do trabalho de parto: Este período do trabalho de parto pode durar até 12 horas na nulípara e 9 horas na multípara e é
normalmente neste período que ocorre a rotura das membranas.
- TP Verdadeiro X TP Falso: No final da gravidez podem aparecer contrações com uma frequência irregular, incômodas mas de pouca
intensidade, que não conduzem à dilatação do colo do útero, podendo-se tratar de um falso trabalho de parto.
- Manobras de Leopold: O diagnóstico clínico da apresentação e situação fetal é determinado pela palpação abdominal e pelo toque
vaginal. A palpação abdominal deverá ser realizada de maneira sistemática, em todas as mulheres grávidas, mesmo sem estar em trabalho
de parto e utilizando as quatro Manobras de Leopold, que compreendem:
- 1ª manobra de Leopold: Delimita-se o fundo do útero e observa a posição do polo fetal. Pode ser feito o rechaço fetal. Pode sentir-se
uma formação rotunda, dura, não depressível (o crânio fetal); Pode sentir-se uma formação maior, depressível (a pélvis fetal).
- 2ª manobra de Leopold: Visa determinar a posição fetal. Deslizam-se as mão do fundo em direção do polo inferior. Durante a palpação
é possível sentir até os movimentos. Pesquisa a localização do dorso e dos membros fetais. Serve para detectar o precórdio e ouvir os
BCF’s
- 3ª manobra de Leopold: Avalia o polo fetal que fica na estreita inferior, isto é, avalia-se a apresentação do feto: Cefálica; Pélvica. Se o
polo fetal esta faltando, possivelmente a apresentação é transversa. Explora-se a mobilidade do polo cefálico: Com o polegar e o dedo
indicador apreende-se o polo fetal e executa-se discretos movimentos de lateralidade.
- 4ª manobra de Leopold: Esta manobra completa o tempo 3, explorando a apresentação fetal, observando se está em cima ou em baixo
da sínfise púbica. Identifica o grau de apresentação do feto no estreito superior da bacia. Deslize as mãos pelas fossas ilíacas da gestante
buscando insinuar os dedos entre a pelve materna e a apresentação fetal.
- Manobras de Leopold: 1ª Manobra: identifica o conteúdo do fundo uterino, se é a cabeça ou pélvis fetal.
2ª Manobra: permite localizar o dorso fetal, se está à direita, esquerda ou transverso em relação à mãe.
3ª Manobra: confirma a impressão obtida na primeira manobra, determinando a parte apresentada, cabeça ou pélvis fetal.
4ª Manobra: confirma se a parte fetal apresentada está móvel ou encaixada na pélvis materna.
- Apresentação fetal: A apresentação é definida pela parte do corpo do feto que se encontra mais próximo do canal do parto e que se
palpa quando se faz o toque vaginal. Dependendo da parte que se apresenta pode ser cefálica, pélvica ou de espádua.
- 1. Apresentação cefálica: A parte apresentada é a cabeça fetal. Pode ser: Apresentação de vértice - a parte apresentada é a fontanela
posterior. Apresentação occipito posterior (bregmática) - a parte apresentada é a fontanela anterior. Apresentação de fronte - a parte
apresentada é a fronte, pode-se tocar as arcadas orbitárias. Apresentação de face – a face está mais anterior no canal de parto. Toca-se o
nariz e a boca.
- Apresentação composta: Por vezes a parte apresentada é a cabeça e mão.
- 2. Apresentação pélvica: A parte apresentada é a pélvis fetal e pode ser: Pélvica franca - toca-se a crista sagrada e ânus do feto. Pélvica
incompleta - Podálica - tocam-se os pés do feto. Pélvica completa - toca-se a crista sagrada, ânus e pés do feto.
- 3. Apresentação de espádua: Quando toca-se o ombro, o cotovelo ou o membro superior no canal vaginal. Surge nas situações
transversas.
- Ausculta dos Batimentos cardiofetais: As características dos batimentos cardíacos fetais indicam o bem-estar fetal. Um foco normal
varia entre 120 e 160 batimentos por minuto (bpm), sendo o valor médio de 140 bpm. A auscultação do BCF depende da apresentação
fetal. Se o feto é cefálico, o BCF é ouvido abaixo do umbigo materno e se o feto é pélvico, acima do umbigo materno. Durante a contração
uterina há uma diminuição fisiológica do foco e após a contração, o foco normalmente aumenta de intensidade; pelo que, é recomendada a
sua auscultação logo após as contrações uterinas.
- Ausculta dos BCF’s: Deve ser feita pela ausculta intermitente dos batimentos cardíacos fetais a cada 30 minutos com o sonar Doppler
ou estetoscópio de Pinard. A ausculta deve ser feita principalmente durante e logo após as contrações com o objetivo de detectar possíveis
desacelerações. A ausculta dos batimentos cardíacos do feto tem como objetivo acompanhar sua vitalidade durante o trabalho de parto e
auxiliar no diagnostico do sofrimento ou óbito fetal, da situação e posição do feto.
- Material: Sonar Doppler; Estetoscópio de Pinard; Relógio com marcador de segundos; Gel condutor.
- Cuidados de Enfermagem: Informar a parturiente quanto ao procedimento; Posicioná-la em decúbito dorsal com o abdome descoberto;
Realizar palpação abdominal para identificar o dorso fetal; Segurar o estetoscópio de Pinard pelo tubo, encostando a extremidade de
abertura mais ampla no local previamente identificado como correspondente ao dorso fetal; Encostar o pavilhão da orelha na outra
extremidade do estetoscópio; Fazer com a cabeça, uma leve pressão sobre o estetoscópio e só então retirar a mão que segura o tubo;
Procurar o ponto de melhor ausculta; Contar os batimentos cardiofetais por 1 minuto, observando sua frequência e ritmo; Registrar o BCF
obtido.
- Altura uterina: A medição da altura uterina (AU) serve para avaliar o crescimento do bebê durante a gravidez. Esta medida fornece os
dados necessários sobre o tamanho do bebê, seu desenvolvimento e a posição. É mensurado pela distância entre o osso púbico (sínfise
púbica) e a parte superior do útero. A altura uterina cresce mais ou menos 4 cm por mês, a partir do 4 mês.
4 mês: 14 - 16 cm; 5 mês: 16 - 20 cm; 6 mês: 22 - 24 cm; 7 mês: 26 - 28 cm; 8 mês: 31 - 32 cm; 9 mês: 32 – 36 cm
- Resumindo: A ausculta da frequência cardíaca fetal, a medida da altura uterina, a palpação obstétrica (para determinar a situação,
posição, apresentação e insinuação) são procedimentos obrigatórios na admissão da parturiente e este é realizado pelo médico obstetra ou
enfermeira obstetra, sendo auxiliado pela equipe de enfermagem.
- Parturiente deu entrada na unidade (pré-parto). Realizar: Dinâmica uterina, Manobras de Leopold, Asculta de BCF’s, Mensuração da
altura uterina. Visto tudo isso avaliamos a 1 fase do trabalho de parto!
- Assistência de Enfermagem à parturiente no pré-parto: A equipe de saúde deve estar preparada para acolher a grávida, seu
companheiro e família, respeitando todos os significados desse momento, esclarecendo suas dúvidas, minimizando seus medos e
angústias. Acolher a parturiente com carinho; Apresentar-se, chamando-a pelo nome; Informá-la sobre os procedimentos a serem
realizados; Proporcionar ambiente limpo, confortável e silencioso; Respeitar a privacidade da parturiente; Oferecer conforto físico e
emocional; Auxiliar a parturiente e a família a lidar melhor com o ciclo medo/tensão/dor e, desta forma, melhorar e desenvolver o trabalho
de parto; Manter a parturiente e família informada sobre seu quadro clínico; Controle de sinais vitais maternos; Realizar analgesia quando
prescrito pelo médico obstetra; Estimular a higienização de secreções pela vagina; Orientar quanto à posição decúbito lateral direito ou
esquerdo (DLE ou D), quando deitada (favorece ao fluxo sanguíneo uterino e placentário); Estimular a deambulação durante as contrações
(favorece o TP); Controlar frequência cardíaca fetal e dinâmica uterina; Observar perda líquida transvaginal; Orientar a parturiente a
esvaziar a bexiga; Auxiliar na utilização de técnicas, massagens e banhos mornos; Orientar a parturiente sobre os métodos para o alívio da
dor que podem ser utilizado, se necessários; Estimular a participação do marido ou acompanhante em todo o processo; Apoiar e orientar a
mulher durante todo o período expulsivo, incluindo a possibilidade da liberdade de escolha quanto à posição a ser adotada.
- Medidas Gerais: Abertura do partograma; Líquidos; Deambulação; Higiene; Tricotomia; Enema ou clister; Infusão venosa.
- 2° período do trabalho de parto: Período expulsivo: começa com a dilatação completa do colo e termina com a expulsão total do feto.
- Sinais: Frequentemente há ruptura espontânea das membranas, Geralmente a dilatação do colo está completa. A mulher sente vontade
de puxar e de defecar, porque a “bolsa das águas” ou a apresentação se expõe e passa através do colo dilatado, pressionando o reto.