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Introdução

A filosofia teve seu ponto de partida admitida comumente por historiadores na Magna Grecia
(Sul da Italia), mais especificamente na cidade de Mileto, com Tales considerado o "pai" da
Filosofia. Neste período, em Mileto e adjacências foram categorizados pelos historiadores da
Filosofia como pertencentes à uma escola filosófica Jónica.

Os primeiros gregos que se dedicaram à meditação filosófica estavam buscando uma forma
racional de compreender o mundo, investigando o seu princípio constitutivo, isto é, a questão
emergente no mundo grego exigiu uma compreensão do cosmos, o mundo externo ao ser
humano. Portanto, os primeiros filósofos gregos dedicaram-se em descobrir o princípio de todas
as coisas, ou seja, o tema central foi o mundo, sua origem e sua manutenção.

Sendo Mileto um centro de trocas comerciais, havia também a troca de valores e conhecimentos
que exigia uma explicação racional e natural das experiências místicas. Portanto, foi nesta cidade
onde se desencadeou o pensamento filosófico.

Um dos maiores patrimónios da filosofia é a sua própria história: iniciando-se com os filósofos
pré-Socráticos na Grécia Antiga.

Durante os primórdios das primeiras civilizações ocidentais/gregas, os mitos e as cosmogonias


dominaram as formas de explicação do Universo e do Homem. Nesta fase toda a explicação da
realidade estava voltada aos elementos fora da Natureza, isto é, para os deuses.

A tradição filosófica já nos acostumou a indicar os nomes de Tales, Anaximandro e


Anaximenes como os três primeiros filósofos, que a humanidade conheceu. Todos estes três
viveram na cidade jónica de Mileto, na Grécia. Daí que também se designam por
filósofos jónicos. E de que falavam estes três homens, para merecerem o nome de filósofos?
Falavam da origem do mundo, da sua composição, do seu ordenamento, e de muitos outros
fenómenos naturais. Por isso mesmo, a filosofia de Tales, Anaximandro e Anaximenes é
também designada como naturalismo. E a eles chamaram-lhes os filósofos naturalistas.

Exactamente por gostarem tanto de falar da natureza é que está a sua originalidade.
Pela primeira vez, na história, alguém ousava falar da natureza, não como de algo gerado ou
criado por algum deus, mas sim como de algo com uma sua dinâmica própria, de algo que se
podia explicar, sem se ter de recorrer ao sobrenatural. Quer dizer: com estes 3 filósofos
jónicos, as grandes figuras das forças primordiais, dos agentes sobrenaturais, de cujas
aventuras, segundo a crença dos antigos, o mundo teria emergido, deixaram de ser
necessárias, para se poder explicar o aparecimento do mundo e o estabelecimento da ordem
natural e dos homens.

I. Escola Jónica

Tales de Mileto (624-546/5 a.C) - o mais proeminente dos filósofos naturalistas, acredita que a
substância geradora de todas as coisas é a água

Anaximandro de Mileto

Anaxímenes

Com Tales, Anaximandro e Anaximenes, o mundo físico passou a bastar-se a si próprio, e a


ser suficiente para se auto-explicar. Foram eles os primeiros a afirmar que, na natureza, nada
existe que não seja natureza, physis. Ensinaram ainda que os processos, pelos quais a
natureza apareceu, e se diversificou e se organizou, são perfeitamente acessíveis à
inteligência humana. E que, portanto, não era preciso recorrer à religião e aos mitos, para se
perceberem os fenómenos naturais. Para os nossos três filósofos jónicos, a natureza não
actuou, na origem, de forma diferente daquela com que actua ainda hoje.
Para percebermos o alcance desta nova perspectiva, é preciso termos em conta que, na
antiguidade, os fenómenos humanos e naturais quotidianos eram explicados através dos actos
exemplares executados pelos deuses, nas origens. Por exemplo, se havia água, era porque
havia também os espíritos das fontes, e, se chovia, era pelo favorecimento de alguma
divindade. E o mesmo se dizia dos reis: o rei representava um deus ou espírito superior. Isto
significa que os homens não eram livres, e recebiam tudo dos deuses, a quem, por isso,
deviam submissão, e de quem recebiam as explicações e razões de todas as coisas.
Tales, Anaximandro e Anaxímenes não pretendiam afirmar ou negar a existência dos
espíritos e deuses. Nem pensavam em discutir as razões do culto e a veracidade das crenças.
O que eles quiseram foi mostrar que é possível explicarmos muitos fenómenos naturais, sem
recorrermos ao mundo da magia, da religião e da superstição.
Este dado é muito importante, já que nos mostra que a primeira Filosofia surgiu na
continuação do mito e da religião, e não em rotura com eles.
Conclusão