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Gestão da Poluição (Atmosférica, Solo e Sonora) - Capa 6mm.

pdf 1 26/06/2015 18:13:03

1ª edição
Gestão da Poluição (Atmosférica, Solo e Sonora)
C

CM

MY

CY

CMY

K
GESTÃO DA POLUIÇÃO
(ATMOSFÉRICA, SOLO E
SONORA)

autor
JOSÉ GUILHERME PASCOAL DE SOUZA

1ª edição
SESES
rio de janeiro  2015
Conselho editorial  regiane burger; roberto paes; gladis linhares; karen bortoloti;
tânia maria bulhões figueira

Autor do original  josé guilherme pascoal de souza

Projeto editorial  roberto paes

Coordenação de produção  gladis linhares

Coordenação de produção EaD  karen fernanda bortoloti

Projeto gráfico  paulo vitor bastos

Diagramação  bfs media

Imagem de capa  ben goode | dreamstime.com

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida
por quaisquer meios (eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em
qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Editora. Copyright seses, 2015.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (cip)

S729g Souza, José Guilherme Pascoal de


Gestão da poluição (atmosférica, solo e sonora) / José Guilherme Pascoal de Souza.
Rio de Janeiro : SESES, 2015.
136 p. : il.

isbn: 978-85-5548-083-6

1. Poluição e degradação ambiental. 2. Métodos de planejamento e controle


da poluição. 3. Gerenciamento de áreas contaminadas. 4. Poluição Atmosférica,
do solo e sonora. I. SESES. II. Estácio. cdd 333.714

Diretoria de Ensino — Fábrica de Conhecimento


Rua do Bispo, 83, bloco F, Campus João Uchôa
Rio Comprido — Rio de Janeiro — rj — cep 20261-063
Sumário

Prefácio 7

1. Poluição Atmosférica (Parte 1) 9


Objetivos 10
1.1  Atmosfera: Caracteristicas e Composição. 11
1.2  Aspectos meteorológicos 14
1.2.1  Estabilidade do ar 14
1.3  Os poluentes suas fontes e escalas 18
1.3.1  Principais poluentes atmosféricos 18
1.3.2  Poluição do ar em diferentes escalas espaciais 22
Atividades 29
Reflexão 30
Referências bibliográficas 32

2. Poluição atmosférica (Parte 2). 33

Objetivos 34
2.1  Emissão, dispersão e padrões de qualidade. 35
2.1.1  Estimando as emissões 37
2.1.1.1  Medição Direta 38
2.1.1.2  Enfoque do balanço de massa 38
2.1.1.3  Modelação do Processo 39
2.1.1.4  Modelação de Fatores de Emissão 40
2.2 Dispersão 41
2.2.1  Meteorologia e Dispersão de Poluentes na Atmosfera 41
2.2.2  Processo de Dispersão 43
2.3  Padrões de Qualidade do Ar 46
2.3.1  Controle das Poluições Atmosféricas 51
Atividades 57
Reflexão 58
Referências bibliográficas 59
3. Poluição do solo ou
Poluição terrestre (Parte 1) 61

Objetivos 62
3.1  Solo: Caracteristicas e Classificação 63
3.2  Conceito, Composição e Formação dos Solos 64
3.2.1  Conceito do Solo 65
3.2.2  Composição do Solo 66
3.2.3  Propriedades Gerais do Solo 67
3.2.4  Formação dos Solos 67
3.2.5  Características do Solo 68
3.2.6  Classificação do Solo 71
3.2.6.1  Tamanho das Partículas 71
3.2.6.2  Classificação pedológica dos solos 73
3.2.7 Erosão 74
3.2.8 Ocorrência 74
3.2.9  Prevenção, Controle e Correção 77
3.2.10  Gerenciamento de Áreas Contaminadas 78
Atividades 81
Reflexão 82
Referências bibliográficas 84

4. Poluição do solo ou
Poluição terrestre (Parte 2) 85

Objetivos 86
4.1  Transportes de Poluentes no Solo 87
4.1.1  Poluição do Solo Rural 87
4.1.1.1  Fertilizantes Sintéticos 88
4.1.1.2  Defensivos Agrícolas 90
4.1.1.3  Salinização 93
4.2  Poluição de Solo Urbano 94
4.2.1  Resíduos Sólidos Urbanos 96
4.2.2  Legislação Aplicada aos Resíduos Sólidos 98
4.2.3  Disposição e Tratamento de Resíduos 101
Atividades 107
Reflexão 107
Referências bibliográficas 109

5. Poluição Sonora 111


Objetivos 112
5.1  Conceito de Som 113
5.2 Ruído 115
5.3  Nível de Intensidade Sonora - Nis 117
5.4  Nível de Pressão Sonora - NPS 118
5.5  O Ruído e a Saúde Humana 121
5.5.1  Avaliação de Nível de Ruído 123
Atividades 124
Reflexão 125
Referências bibliográficas 126

Gabarito 127
Prefácio
Prezados(as) alunos(as),

A existência de regiões saturadas de poluição se deve a um modelo de desen-


volvimento econômico aplicado no nosso país, modelo este que foi baseado no
crescimento a qualquer custo com o discurso das autoridades de que “tínha-
mos muito que poluir”, crescimento populacional desorganizado e indústrias
desprovidas de sistemas de controle de poluentes ou até mesmo instaladas em
áreas inadequadas despejando seus rejeitos de qualquer forma.
Esta atitude teve como resultado a poluição ambiental, o que nos obriga a
conviver nestas áreas com elevada deterioração do meio ambiente.
Não apenas no Brasil, mas em todo o mundo e em diferentes épocas esse
processo foi desenvolvido. Os grandes episódios de poluição ambiental, que
chamaram a atenção da sociedade para o problema, aconteceram nos países
desenvolvidos. Podemos citar os graves problemas de poluição atmosférica em
Londres (1952) causada por uma “névoa negra” resultando na morte de 4 mil
pessoas a mais do que era esperado, o desastre de Minamata no Japão (1956)
onde ocorreu o envenenamento por mercúrio, a contaminação do solo por dis-
posição de lixo tóxico em Love Canal (1970) nos Estados Unidos e alguns mais
recentes como a contaminação radioativa em Three Miles Island e Chernobyl
(1979).
Ao longo do tempo e em função dos problemas ambientais terem sido cada
vez mais frequentes, a gestão pública vem através de instrumentos de comando
e controle, criando dispositivos e exigências legais para a aplicação de meca-
nismos que possam garantir o cumprimento dos instrumentos, como os pro-
cessos de gestão ambiental. Mas algumas medidas têm se tornado ineficiente e
vários esforços têm sido empreendidos no sentido da modernização.
Cada país tem desenvolvido um modelo próprio, de acordo com as suas pe-
culiaridades, utilizando-se instrumentos que nem sempre são os mais adequa-
dos para o Brasil. A partir de década de 90, a questão ambiental ganhou desta-
que na esfera internacional motivada pelo debate sobre a sustentabilidade dos
processos de desenvolvimento, tendo reflexos também no Brasil.
Hoje as questões ambientais priorizam o controle da poluição, responsável
por danos econômicos reais, por perdas ecológicas e pelo comprometimento da
qualidade de vida. Diante disso as tomadas de decisão devem introduzir meca-
nismos inovadores no processo de gestão e implementar o controle ambiental

7
buscando resultados satisfatórios na qualidade ambiental e na qualidade de vida
da população.
A identificação de problemas ambientais, o uso de recursos ambientais ina-
dequados e a gestão ambiental ineficiente podem provocar a necessidade de
adoção de novos modelos e procedimentos técnicos sociais que impactam o ser
humano, econômicos com perda de produtividade e ambientais com a degra-
dação de recursos naturais.
Os problemas de poluição atmosférica, poluição do solo e poluição sonora
têm ocorrido de diferentes formas, em escalas consideráveis e principalmente
em locais que cada vez mais estão sendo ocupados pela população, cabe a você
então a responsabilidade de colaborar para a minimização destes impactos.

Bons estudos!
1
Poluição
Atmosférica
(Parte 1)
Você sabe para onde vai toda a poluição atmosférica emitida em nosso plane-
ta? Neste capítulo iremos abordar as características e a composição da atmos-
fera, bem como o que nela normalmente ocorre.

OBJETIVOS
•  Conhecer sobre a formação da atmosfera e as características das camadas de gases que
envolvem nosso planeta.
•  Conhecer os gases existentes na atmosfera.
•  Entender os aspectos meteorológicos da atmosfera.
•  Compreender o tema da poluição do ar.

10 • capítulo 1
1.1  Atmosfera: Caracteristicas e
Composição.

A Atmosfera da Terra, em sua composição atual, é fruto de processos físico-quí-


mico e biológico iniciado a milhões de anos. Várias são as teorias que procuram
explicar sua origem e evolução. Uma das hipóteses aceita hoje é de que a Terra,
ainda sem atmosfera, formou-se a partir da acumulação de partículas solidas
e relativamente frias dos mais diversos tamanhos, procedentes da nuvem de
gás e poeira que originou o sistema solar. As reações térmicas que se seguiram,
tanto por processos radioativos quanto pela sedimentação de elementos mais
densos (por efeito gravitacional) em direção ao centro da Terra, provocaram o
aumento da temperatura terrestre. Essas mudanças desencadearam reações
nas camadas superficiais da Terra, dando origem à atmosfera. Em primeira
uma fase, a atmosfera era formada por gás carbônico (CO²) e vapor de água,
com ausência de oxigênio livre (Braga, 2005).
Com o surgimento dos oceanos, em virtude do resfriamento da Terra, a par-
tir de um processo evolutivo, foi originada a primeira planta capaz de realizar a
fotossíntese, responsável pela formação do oxigênio livre. Após um longo perí-
odo de evolução, a concentração do oxigênio na atmosfera foi aumentando, até
atingir os níveis atuais (Braga, 2005).
A física da atmosfera da Terra é tal que várias camadas distintas (ou esferas)
estão presentes (figura 1.1). As duas camadas mais próximas da superfície da
Terra são de grande interesse para nós. A camada de ar mais próxima da super-
fície, se estendendo entre 10 e 15 km de altitude, é uma camada tipicamente
turbulenta da atmosfera, devido aos processos de aquecimento e resfriamento
da superfície causada pelo sol levante e poente. Essa turbulência, ou mistura,
é a razão dessa camada ser chamada de troposfera (do latim, tropos, mistura-
do). Acima da troposfera (de aproximadamente 15 km a 50 km em altitude) fica
uma camada com muito pouca mistura. É denominada estratosfera (do latim,
stratos, que significa em camadas ou estratificada) (Mihelcic, 2012).

capítulo 1 • 11
©© LUKAVES | DREAMSTIME.COM

Figura 1.1 – Camadas da Atmosfera.

A troposfera é a camada onde a poluição causada pelos humanos e por ati-


vidades naturais é emitida. Uma vez que um poluente atmosférico tenha sido
colocado na troposfera, os processos de transporte e transformação a influen-
ciar o destino final do poluente. A estratosfera tem menor camada de ar acima
dela, então tem uma radiação mais intensa do que a troposfera. Essa radiação,
com maioria ultravioleta, cria reações fotoquímicas tais como a conversão do
oxigênio molecular (O²) em ozônio (O³). É por isso que a camada de ozônio exis-
te na estratosfera. Contudo, ozônio efetivamente aprisiona o calor, então a tem-
peratura da estratosfera aumenta com a altitude e é por isso que ocorre pouca
mistura (Mihelcic, 2012).
Existem diversas formas de descrever a estrutura da atmosfera. A classifica-
ção feita de acordo com o perfil da variação de temperatura com a altitude é a
mais adequada do ponto de vista ambiental (figura 1.2).
A temperatura na atmosfera pode variar de –80 °C a 15 °C, numa variação de
altitude entre 0 e 100 km aproximadamente.

12 • capítulo 1
Altura (km)

100
Termosfera
90
Estratosfera
Mesopausa
80 Ozonosfera
(Mais baixa temperatura)

70 Absorção de
Raios
Mesosfera Ultravioletas
60

50 Estratopausa
Troposfera
40
Máxima
concentração 95% do Ar
de O2 30 Estratosfera
Região
responsável
20 pelas
mudanças
Tropopausa no tempo
10
Monte Everest
Troposfera 8.848m

–100 –80 –60 –40 –20 0 20 Temperatura °C

Figura 1.2 – Perfil da variação de temperatura com a altitude. Fonte: Material impresso
Estácio. Gestão de Poluição (Atmosférica, solo e sonora). Figura 10.1, pág. 170

Além do oxigênio, a atmosfera terrestre contém outros gases, sendo os prin-


cipais apresentados na tabela 1.1 a seguir (Braga, 2005).

GASES %

Nitrogênio (N2) 78,11

Oxigênio (O2) 20,95

Argônio (Ar) 0,934

Gás Carbônico (CO2) 0,033

Tabela 1.1 – Distribuição percentual média de gases da atmosfera terrestre.

capítulo 1 • 13
O ar atmosférico, na composição apresentada na tabela 1.1, encontra-se na
sua maioria (90%) em uma camada relativamente fina. Essa camada, chama-
da de troposfera, estende-se até uma altitude variando entre 10 km e 12 km.
A troposfera varia em espessura conforme a latitude e o tempo. No Equador,
sua altitude alcança algo em torno de 16,5 km; e, em latitudes de 45 °C alcança
aproximadamente 10,5 km. (Braga, 2005)
Do ponto de vista climático, a troposfera possui importância fundamental,
pois essa camada é responsável pela ocorrência das condições climáticas da
Terra. O decréscimo da temperatura na troposfera, com a altitude, é de aproxi-
madamente 6,5 °C por quilômetro, sendo esse conhecido por gradiente vertical
normal ou padrão. Acima da troposfera encontra-se a estratosfera, cuja linha de
transição é a tropopausa, que é a caracterizada pela mudança na tendência de
variação da temperatura com a altitude (Braga,2005).
A estratosfera é uma camada muito importante do ponto de vista ambiental,
pois é nela que se encontra a camada mais espessa de ozônio, com uma concen-
tração da ordem de 200 mg.L-1 (apud Botkin; Keler, 2000). Essa camada, rica em
ozônio (O3), protege a terra das radiações ultravioletas provenientes do sol. Os
fenômenos que atualmente ocorrem nessa camada e que estão provocando sua
distribuição serão discutidos em item especifico. Acima da estratosfera encon-
tra-se a mesosfera, tendo como ponto de transição a estratopausa. A mesosfera
possui um forte decréscimo de temperatura, registrando-se nela a temperatura
mais baixa da atmosfera. A camada acima da mesosfera é chamada de termos-
fera, e entre a termosfera e a mesosfera situa-se a mesopausa. A termosfera é
muito importante para as telecomunicações, e ela também é conhecida por io-
nosfera, alcançando uma altitude próxima de 190 km (Braga,2005).

1.2  Aspectos meteorológicos


Vejamos agora os principais aspectos meteorológicos interferentes nas cama-
das da atmosfera.

1.2.1  Estabilidade do ar

O movimento vertical do ar é fortemente influenciado pela estabilidade da


atmosfera e pode ser avaliado medindo-se o perfil vertical de temperatura da

14 • capítulo 1
atmosfera. A taxa de mudança de temperatura com a altitude é denominada
gradiente térmico da atmosfera, Γ. Em geral a temperatura decresce com a alti-
tude. A média na troposfera é de –6,5 °C.km–1 (Mihelcic, 2012).
O gradiente térmico na atmosfera está sempre mudando. A hora do dia
(aquecimento solar), as características topográficas e influencias das condi-
ções do tempo em grande escala produzirão um gradiente térmico diferente da
média da troposfera. Portanto, as medições, tipicamente por meio do rotineiro
lançamento de balões atmosféricos, são usadas para revelar o estado corrente
do perfil de temperatura vertical para um dado local (Mihelcic, 2012).
O gradiente térmico medido da atmosfera é denotado por Γaa, e o gradiente
térmico adiabático padrão é denotado por Γd. A atmosfera muda sua tempera-
tura de acordo com o gradiente térmico e considera-se que bolsões de tempera-
tura que contenham emissões de poluentes mudem de temperatura de acordo
com o gradiente adiabático padrão. Para o gradiente adiabático padrão con-
sidera-se que o ar esteja seco, comporte-se adiabaticamente com a atmosfera
circundante e tenha um gradiente adiabático de –9,8°. Km–1. Comparando-se
o gradiente adiabático padrão como gradiente térmico real, podemos avaliar
a estabilidade da atmosfera, assim como o movimento vertical das emissões
através da atmosfera. A tabela 1.2 compara as três condições de estabilidade
gerais da atmosfera, estável, instável, e neutra (Mihelcic, 2012).
As inversões são uma categoria especial de ar fortemente estável. Durante
uma inversão, o perfil de temperatura (que tipicamente decresce com a altitu-
de) é invertido; então, o perfil de temperatura aumenta com a altitude. As emis-
sões de poluentes lançadas em tal condição atmosférica tem pequena possi-
bilidade de se mover para o alto, devido a força fortemente estabilizadora da
atmosfera, assim ocorre pouca diluição dos poluentes. Consequentemente, a
pior qualidade de ar ocorre quando se desenvolvem inversões (Mihelcic, 2012).
A inversão térmica por subsidência (figura 1.3a) ocorre em altitudes maior
e dura alguns dias. Esse tipo de inversão deve-se ao fenômeno da subsidência
do ar (corrente de ar descendente), formado pela diferença de pressão existen-
te entre grandes massas de ar que se deslocam na atmosfera. Observando as
direções preferenciais das massas de ar na atmosfera, tanto do Hemisfério Sul
como do Hemisfério Norte, percebemos que existem zonas propícias a forma-
ção de subsidências ou zonas de correntes verticais descendentes (Braga, 2005).

capítulo 1 • 15
Inversão de temperatura:
(a) por radiação, (b) por subsidência e (c) por combinação dos dois casos.

Noite e

Altitude
amanhecer
Perfil à tarde

N
Inversão
no solo

T
(a)

O ar desce
e se aquece
Altitude

Perfil de Perfil de
PT B

N
temperatura PT B
N

temperatura
antes da PT A após a PT A
subsidência subsidência
T T
(b)
Altitude

1.000 metros
Combinação dos
N

dois casos
150 metros

T
(c)

Figura 1.3 – Inversão de temperatura em função da altitude. Fonte: Material impresso Estácio.
Gestão de Poluição (Atmosférica, solo e sonora), figura 10.7, pág. 183.

As regiões preferenciais para a formação dessas correntes localizam-se nas


proximidades das latitudes mais baixas e de maiores pressões, ele sofre um pro-
cesso de compressão que aumenta sua temperatura. Esse tipo de inversão ocorre
geralmente em grandes altitudes, ou seja, em mais de mil metros. Em uma situ-
ação extremamente crítica podem ocorrer simultaneamente os dois tipos de in-
versão, conforme mostra a figura 1.3c. Existem outros tipos de inversão térmica.
Por exemplo, em regiões costeiras, a brisa do mar pode resfriar o solo durante a

16 • capítulo 1
noite a ponto de formar massas de temperatura mais alta em altitudes superiores
nas primeiras horas da manhã. Esse tipo de inversão desaparece no decorrer do
dia, com o aquecimento da região costeira (Braga, 2005).

CONDIÇÕES
DE DESCRIÇÃO
ESTABILIDADE

Essa situação existe quando a temperatura atmosférica muda


mais dramaticamente com a altitude do que a temperatura da
parede de ar que contém o (s) poluente(s). O resultado dessa
Estável
supressão do movimento vertical é menor mistura vertical dos
poluentes e, portanto, menor diluição. As inversões são exem-
plos de condições estáveis.

Essa situação existe quando a temperatura atmosférica muda


menos dramaticamente com a altitude do que a temperatura
da parcela de ar que contém o (s) poluente (s). Comparando a
variação média da temperatura atmosférica (–6,5 ºC.km–1)com
Instável
a variação padrão (–9,8 ºC.km–1), é aparente que a atmosfera
normalmente está em condições instáveis. Condições instáveis
aumentam a mistura, resultando em aumento da dispersão dos
poluentes e menores concentrações de poluentes.

A atmosfera não exerce força sobre as emissões de poluentes


que se movem verticalmente. Essa situação ocorre quando as
Neutra
mudanças de temperatura da atmosfera e da parcela de ar que
carrega os poluentes são quase idênticas.

Tabela 1.2 – Condições gerais de estabilidade encontradas na atmosfera. Fonte: (Mihelcic,


2012), pág. 468.

capítulo 1 • 17
1.3  Os poluentes suas fontes e escalas
Os principais elementos responsáveis pela poluição atmosférica são os poluen-
tes. Vejamos a seguir quais são estes poluentes e sua importância nos aspectos
ambientais.

1.3.1  Principais poluentes atmosféricos

A existência de poluição do ar se deve ao fato de, no ar, conter uma ou mais


substâncias químicas em concentrações suficientes para causar danos aos se-
res humanos, animais, vegetais ou até mesmo materiais. Esses danos podem
advir também de parâmetros físicos, como, por exemplo, o calor e o som.
Essas concentrações dependem do clima, da topografia, da densidade po-
pulacional, do nível e do tipo das atividades industriais locais (figura 1.4).
©© ALAIN LACROIX | DREAMSTIME.COM

Figura 1.4 – Poluição atmosférica.

Os poluentes são classificados em primários e secundários. Os primários são


aqueles lançados diretamente no ar. São exemplos desse tipo de poluente o dió-
xido de enxofre (SO2), os óxidos de nitrogênio (NOX) . o monóxido de carbono (CO)

18 • capítulo 1
e alguns particulados, como a poeira. Os secundários forma-se na atmosfera por
meio de reações que ocorrem em razão da presença de certas substâncias quími-
cas e de determinadas condições físicas. Por exemplo, o SO3 (formado pelo SO2 e
O2 no ar) reage com o vapor de água para produzir o ácido sulfídrico (H2SO4), que
precipita originando a chamada ‘chuva acida (Braga, 2005).
A tabela 1.3 a seguir, apresenta os principais poluentes do ar e suas fontes.

POLUENTES FONTES DE GERAÇÃO

Gerado nos processos de combustão incompleta de


Monóxido de Carbono (CO) combustíveis fosseis e outros materiais que conte-
nham carbono em sua composição.

O dióxido de carbono é o principal composto resul-


tante da combustão completa de combustíveis fós-
seis e de outros materiais combustíveis que conte-
Dióxido de Carbono (CO2) nham carbono, além de ser gerado no processo de
respiração aeróbia dos seres vivos, que utilizam o
oxigênio para poder liberar a energia presente nos
alimentos que são ingeridos.

Os óxidos de enxofre são produzidos pela queima de


Óxidos de Enxofre combustíveis que contenham enxofre em sua com-
(SO2 SO3) posição, além de serem gerados em processos bio-
gênicos naturais, tanto no solo quanto na água.

Considerando-se que a maior parte dos processos


de combustão ocorre na presença de oxigênio, o
mais comum é utilizar o oxigênio presente no ar para
realizar esses processos e, já que no ar o composto
Óxidos de Nitrogênio (NOX)
mais abundante é o nitrogênio, então, verifica-se que
a principal fonte dos óxidos de nitrogênio são os pro-
cessos de combustão, além de ele poder ser gerado
por processos de descargas elétricas na atmosfera.

capítulo 1 • 19
POLUENTES FONTES DE GERAÇÃO

Os hidrocarbonetos são resultantes da queima in-


completa de combustíveis, bem como da evaporação
Hidrocarbonetos
desses combustíveis e de outros materiais como, por
exemplo, os solventes orgânicos.

Os oxidantes fotoquímicos são compostos a partir de


outros poluentes (hidrocarbonetos e óxidos de nitro-
Oxidantes fotoquímicos gênio), que foram lançados a atmosfera por meio da
reação química entre esses compostos, catalisada
pela radiação solar.

Esses contaminantes podem ter origem nos proces-


sos de combustão (fuligens e partículas de óleo) ou,
então, ocorrem em consequência dos fenômenos
Material Particulado (MP)
naturais, como é o caso da dispersão do pólen ou
da suspensão de material particulado em razão da
ação do vento.

É um tipo de material particulado, que discutiremos


em item especifico, que produz graves problemas
de saúde associados à sua presença na atmosfe-
Asbestos (amianto)
ra, sendo principalmente gerado durante a etapa de
mineração do amianto ou, então, nos processos de
beneficiamentos desse material.

Os metais também são um tipo de material particu-


Metais lado, associados aos processos de mineração, com-
bustão de carvão e processos siderúrgicos.

20 • capítulo 1
POLUENTES FONTES DE GERAÇÃO

Composto gerado nos processos de produção de


alumínio e fertilizantes, bem como em refinarias de
petróleo. Normalmente são gerados em processos
Gás fluorídrico (HF)
que operam em altas temperaturas e nos quais são
utilizadas matérias-primas que contenham flúor na
sua composição.

As principais fontes de geração de amônia são as


indústrias químicas e de fertilizantes, principalmente
Amônia (NH3)
aquelas à base de nitrogênio, além dos processos
biogênicos naturais que ocorrem na água ou no solo.

O gás sulfídrico é um subproduto gerado nos proces-


sos desenvolvidos em refinarias de petróleo, indústria
química e indústria de celulose e papel, em virtude
Gás Sulfídrico (H2S) da presença de enxofre na matéria-prima processa-
da ou, então, nos compostos utilizados durante esse
processamento. O gás sulfídrico também é produzido
por processos biogênicos naturais.

São compostos químicos (organoclorados, organo-


fosforados e carbamatos) utilizados principalmente
na agricultura para o controle de plantas daninhas
e de pragas. As principais fontes desses tipos de
Pesticidas e herbicidas
contaminantes atmosféricos são as indústrias que
os produzem, bem como os agricultores que fazem
parte uso deles, pelos processos de pulverização nas
plantações e no solo.

capítulo 1 • 21
POLUENTES FONTES DE GERAÇÃO

As principais fontes de substancias radioativas para


a atmosfera são os depósitos naturais, as usinas nu-
Substâncias radioativas
cleares, os testes de armamento nuclear e a queima
de carvão.

O calor é uma forma de poluição atmosférica por


energia que ocorre principalmente pela emissão
Calor de gases a alta temperatura para o meio ambiente,
gases esses que são liberados, em sua maioria, nos
processos de combustão.

A poluição sonora também se caracteriza pela emis-


são de energia para o ambiente, só que na forma de
Som
ondas de som, com intensidade capaz de prejudicar
os seres humanos e outros seres vivos.

Tabela 1.3 – Principais poluentes atmosféricos e suas fontes. Adaptado de Braga, 2005

1.3.2  Poluição do ar em diferentes escalas espaciais

Do ponto de vista espacial, as fontes de poluição podem ser classificadas em


móveis e estacionárias. Podemos citar exemplos de fonte estacionária como a
chaminé de indústria que emitem poluentes (figura 1.5). Veículos são conside-
rados fontes móveis, pois emitem os poluentes de modo disperso (figura 1.6).
As fontes estacionárias produzem as cargas pontuais de poluentes; as fontes
móveis, por outro lado, produzem cargas difusas. Com relação ao controle da
poluição, essa distinção é fundamental, uma vez que o enfoque de tratamento
do problema é diferente em cada caso.

22 • capítulo 1
©© WELDONBREWSTER | DREAMSTIME.COM
Figura 1.5 – Fonte estacionária de poluição.

©© SSUAPHOTO | DREAMSTIME.COM

Figura 1.6 – Fonte móvel de poluição.

Quanto à dimensão da área atingida pelos problemas de poluição do ar, po-


demos classifica-los em problemas globais e em problemas locais. Os locais di-
zem respeito a problemas de poluição em uma região relativamente pequena,

capítulo 1 • 23
como uma cidade. Os globais envolvem toda ecosfera, exigindo, portanto, o es-
forço mundial para enfrenta-los e controla-los (Braga, 2005).
Como problemas de poluição do ar globais podemos citar o efeito estufa, a
destruição da camada de ozônio e a chuva ácida.
O efeito estufa (figura 1.7) é o responsável por manter a temperatura média
do planeta próximo dos 15 °C. A emissão dos gases do efeito estufa na atmos-
fera aumenta a quantidade de energia mantida, aumentando a temperatura da
atmosfera. Esse aumento pode causar impactos ambientais. Os principais ga-
ses de efeito estufa são o CO2, Metano, Óxido Nitroso e CFC.
©© © DAULON | DREAMSTIME.COM

Figura 1.7 – Efeito estufa.

A chuva ácida (figura 1.8) é produzida a partir de gases nitrogenados e sulfo-


nados que através de uma série de atividades da sociedade que em contato com
vapor d´água na atmosfera produzem ácidos (nítrico e sulfúrico). Estes ácidos
precipitam na forma de chuva causando diversos problemas ambientais como
acidificação de rios e lagos, destruição de vegetações, obras civis e até destrui-
ção de tubulações por onde escoam este tipo de água.
A destruição da camada de ozônio (figura 1.9) é um dos problemas bastan-
te discutidos atualmente. A camada de ozônio é a responsável pelo bloqueio
das radiações ultra violeta do sol que podem ser divididas em três grupos em
função do seu comprimento de onda (tabela 1.4). De acordo com cientistas,

24 • capítulo 1
esta camada está sendo prejudicada pela emissão de poluentes na atmosfera.
Programas de redução de emissão de poluentes são constantemente elabora-
dos, devido os efeitos adversos causados pela radiação ultravioleta.

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Figura 1.8 – Produção de chuva ácida.

A destruição do ozônio depende da intensidade da energia associada à radiação


ultravioleta. As preocupações com a camada de ozônio cresceram com o tempo, na
qual buracos começaram a aparecer sobre a Antártica. Alguns cientistas acreditam
que se trata de fenômenos cíclicos e deve-se a circulação de ar na região. Mas com o
fim das emissões dos gases CFC´s acreditam que poluentes nitrogenados e clorados
possam ser mensurados em concentrações bem menores do que as já encontradas.

capítulo 1 • 25
Programas para o congelamento do consumo e banimento definitivo das
substâncias responsáveis pela destruição da camada de ozônio foram elabora-
dos. A produção, importação e exportação dessas substâncias sofreram quedas
consideráveis, colocando em prática o cumprimento das metas propostas.
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Figura 1.9 – Ilustração da camada de ozônio.

26 • capítulo 1
TIPO DE COMPRIMENTO
RADIAÇÃO OBSERVAÇÕES
DE ONDA (NM)
ULTRAVIOLETA

Radiação com comprimento de onda


UVA 320 – 400 próximo da luz visível (violeta), não é
absorvida pela camada de ozônio.

Apresenta vários efeitos prejudiciais,


particularmente efetivos para causar
danos ao DNA, sendo a causa de me-
lanoma e de outros tipos de câncer
UVB 280 – 320 de pele, além de ser apontada como
um dos fatores responsáveis por da-
nos em materiais e em plantações. A
camada de ozônio protege a Terra da
maior parte da radiação UVB.

É extremamente prejudicial, mas é


completamente absorvida pela cama-
UVC < 280
da de ozônio e pelo oxigênio presente
na atmosfera.

Tabela 1.4 – Tipos de radiação ultravioleta em função do comprimento de onda.

Como problemas de poluição local podemos citar o smog industrial e o


smog fotoquímico. São episódios críticos de poluição em cidades e dependem
muito das condições climáticas locais para sua dispersão (figura 1.10). Os smo-
gs podem ter formações diferenciadas. A formação de smog industrial ocorre
normalmente em regiões frias e úmidas, tendo picos de concentração no inver-
no, em condições climáticas adversas para a dispersão de poluentes. O agrava-
mento do smog Industrial se dá pela ocorrência de inversões térmicas.
As origens dos poluentes normalmente estão na queima de carvão e óleo
combustíveis, bastante utilizados nas regiões industriais e domésticas.
Também podemos citar o SO2 e material particulado.

capítulo 1 • 27
O smog fotoquímico é típico de cidades ensolaradas, quentes e de clima
seco. Possui cor marrom avermelhada e tem picos de poluição em dias quentes
e com muito sol, entre 10h-12h. Os principais agentes poluidores são os veí-
culos com a emissão de óxidos nitrosos, CO e hidrocarbonetos. Normalmente
este tipo de poluição recebe o nome de “coquetel de poluição”.
©© XAVIER MARCHANT | DREAMSTIME.COM

Figura 1.10 – Formação de Smog na cidade.


©© ARNE9001 | DREAMSTIME.COM

Figura 1.11 – Formação de Smog fotoquímico na cidade.

28 • capítulo 1
ATIVIDADES
01. A respeito da poluição atmosférica, são feitas as seguintes afirmações:
I. O efeito estufa é causado, principalmente, pelo aumento da concentração de gás car-
bônico na atmosfera, provocado pela queima de combustíveis fósseis, como o carvão e o
petróleo.
II. A destruição da camada de ozônio é maior na região situada no pólo Norte do que na
Antártida, em razão das baixas temperaturas.
III. A substituição dos CFCs (clorofluorcarbonos) por outros gases como o propano e o
butano é uma medida para impedir a destruição da camada de ozônio.
IV. A destruição da camada de ozônio provoca o aumento da radiação ultravioleta, aumen-
tando a atividade fotossintética das plantas com a ampliação das colheitas.
Das afirmações acima, estão corretas, apenas:
a) I e II.
b) I e III.
c) I e IV.
d) II e III.
e) II e IV.

02. Um dos problemas ambientais decorrentes da industrialização é a poluição atmosférica.


Chaminés altas lançam ao ar, entre outros materiais, o dióxido de enxofre (SO2) que pode ser
transportado por muitos quilômetros em poucos dias. Dessa forma, podem ocorrer precipita-
ções ácidas em regiões distantes, causando vários danos ao meio ambiente (chuva ácida).
Com relação aos efeitos sobre o ecossistema, pode-se afirmar que:
I. As chuvas ácidas poderiam causar a diminuição do pH da água de um lago, o que acar-
retaria a morte de algumas espécies, rompendo a cadeia alimentar.
II. As chuvas ácidas poderiam provocar acidificação do solo, o que prejudicaria o cresci-
mento de certos vegetais.
III. As chuvas ácidas causam danos se apresentarem valor de pH maior que o da água
destilada.
Dessas afirmativas está(ão) correta(s):
a) I, apenas.
b) III, apenas.
c) I e II, apenas.
d) II e III, apenas.
e) I e III, apenas.

capítulo 1 • 29
REFLEXÃO
“A poluição num geral tem colaborado com grandes problemas ambientais, animais e de
saúde humana. A extinção de animais e plantas, o aumento de temperaturas no ambiente e
doenças diversas são consequências da poluição como um todo. Indústrias crescendo, emis-
sões aumentando, mais veículos nas ruas, crescimento populacional desordenado e a utiliza-
ção de substâncias perigosas na agricultura podem colaborar para o processo de poluição. O
ar está ficando mais pesado, o solo mais carregado e a poluição aumentando."
A SOLUÇÃO?
Colabore com a proteção do meio ambiente, pense no futuro dos seus filhos.

LEITURA
OMS: 7 Milhões de Mortes em 2012 Foram Associadas à Poluição
Cerca de 7 milhões de pessoas morreram em 2012 por exposição à poluição do ar, que
se transformou no maior fator de risco ambiental para a saúde no mundo, alerta hoje (25) a
Organização Mundial da Saúde (OMS).
Segundo os novos dados divulgados nesta terça-feira, uma em cada oito mortes naquele
ano foi causada pela exposição à poluição do ar, dado que duplica números anteriores e
confirma que a poluição do ar é agora o maior fator de risco ambiental para a saúde humana.
Reduzir a poluição do ar poderia salvar milhões de vidas, destaca a OMS em comunicado.
“Os riscos da poluição do ar são agora muito maiores do que se pensava, particularmente no que
diz respeito a doenças coronárias e acidente vascular cerebral [AVC]”, disse Maria Neira, diretora
do Departamento da OMS para a Saúde Pública, Ambiente e Determinantes Sociais da Saúde.
“Poucos fatores de risco têm hoje maior impacto na saúde global do que a poluição do
ar; as evidências alertam-nos que é preciso uma ação concertada para limpar o ar que res-
piramos”, acrescentou.
Segundo as estimativas divulgadas, a poluição do ar interior esteve ligada a 4,3 milhões
de mortes em 2012 em lares com fogões a carvão, lenha ou biomassa. A poluição do ar
exterior está na origem de 3,7 milhões de mortes em todo o mundo.
Como há muitas pessoas expostas à poluição interior e exterior, a mortalidade associada
às duas fontes não pode ser simplesmente adicionada, daí a estimativa de 7 milhões de
mortes em 2012.

30 • capítulo 1
Os novos dados, adianta a agência da ONU para a saúde, revelam uma ligação mais for-
te entre exposição à poluição do ar interior e exterior e as doenças cardiovasculares, como
o AVC e a cardiopatia isquêmica, assim como a poluição do ar e o câncer. Essas ligações
juntam-se ao papel da poluição do ar no desenvolvimento de doenças respiratórias, incluindo
infecções agudas e doenças pulmonares obstrutivas crônicas.
As novas estimativas baseiam-se não só em mais conhecimento sobre as doenças causadas
pela poluição do ar, mas também em avaliações mais rigorosas da exposição humana aos po-
luentes, por meio de melhores medições e tecnologias. Essas melhorias permitiram aos cientistas
analisar detalhadamente os riscos para a saúde em uma cobertura geográfica mais ampla.
Em termos regionais, os países de baixo e médio rendimento nas regiões do Sudeste
Asiático e do Pacífico Ocidental registraram maior número de mortes associadas à poluição
do ar, com um total de 3,3 milhões de mortes ligadas à poluição do ar interior e 2,6 milhões
de mortes associadas à poluição do ar exterior.
“Limpar o ar que respiramos previne doenças não transmissíveis e reduz as doenças en-
tre as mulheres e os grupos vulneráveis, como as crianças e os idosos”, disse Flavia Bustreo,
diretora adjunta da OMS para a Saúde da Família, Mulheres e Crianças, citada no comuni-
cado da OMS.
“As mulheres e as crianças pobres pagam um preço elevado pela poluição do ar interior
porque passam mais tempo em casa, respirando fuligens de fogões a carvão e a lenha”, explicou.
Segundo os dados da OMS, 80% das mortes associadas à poluição do ar interior devem-
se a doenças cardiovasculares, como a cardiopatia isquêmica (40%) e o acidente vascular
cerebral (40%).
A doença pulmonar obstrutiva crónica (Dpoc) é responsável por 11% das mortes ligadas
à poluição interior, enquanto o câncer de pulmão (6%) e as infeções respiratórias agudas em
crianças (3%) respondem pelo restante.
No que diz respeito à poluição do ar exterior, 34% das mortes devem-se ao AVC, 26%
à cardiopatia isquêmica, 22% à Dpoc, 12% a infeções respiratórias agudas em crianças e
6% ao câncer de
Fonte: <http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2014-03/
oms-7-milhoes-de-mortes-em-2012-foram-associadas-poluicao>.
Acesso em 09/02/2015

capítulo 1 • 31
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRAGA, B. et al. Introdução à Engenharia Ambiental: O desafio do desenvolvimento Sustentável.
2ª Ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005;
CETESB - Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental – www.cetesb.sp.gov.br. acessado em
21/01/2015;
CHIOSSI, Nivaldo José. Geologia de Engenharia. 3º Ed. São Paulo. Oficina de Textos, 2013;
JARDIM, A.; YOSHIDA, C.; FILHO, J.V.M.. Política Nacional, gestão e gerenciamento de resíduos
sólidos. Barueri. Manole, 2012;
MIHELCIC, James R.. ZIMMERMAN, Julie Beth. Auer, Martin T.. Engenharia ambiental:
fundamentos, sustentabilidade e projeto. Rio de Janeiro: Ltc, 2012;

32 • capítulo 1
2
Poluição
atmosférica
(Parte 2).
As alterações da atmosfera susceptíveis de causar impacto a nível ambiental
e de saúde humana, através da contaminação por gases, partículas sólidas,
liquidas em suspensão, material biológico ou energia, são fatores que levam
a poluição atmosférica. Estas ocorrências somente são possíveis mediante a
emissão da poluição. Vamos estudar um pouco mais sobre as emissões, sua
dispersão e os padrões de qualidade do ar.

OBJETIVOS
•  Estudar e conhecer a emissão atmosférica.
•  Entender as formas de dispersão de poluentes.
•  Conhecer os padrões de qualidade do ar.

34 • capítulo 2
2.1  Emissão, dispersão e padrões de
qualidade.

As emissões são a quantidade de um poluente que uma fonte lança ao ar, ge-
ralmente para um período fixo de tempo; portanto as taxas de emissão são ex-
pressas como massa por tempo. As unidades típicas de emissão dependem da
fonte, do poluente e do problema em particular, mas as unidades mais comum
são g.s–1, kg.dia–1 e t.ano–1. Em alguns poucos lugares, toneladas inglesas.ano–1
e Ib.h–1 ainda estão em uso. As taxas de poluição podem ser altamente variáveis.
As emissões de uma mesma fonte podem mudar com o tempo e as emissões
de fontes similares podem ser muito diferentes. Também, as composições dos
poluentes no ar de emissão podem mudar dramaticamente com as condições
de operação (Mihelcic, 2012).
Podemos classificar as emissões atmosféricas em vários métodos, dentre eles:

I. Pelo poluente específico


II. Pelo tipo de fonte e
III. Tipo de lançamento

Este último ainda pode ser dividido em

a) por processo natural


b) como emissões permitidas
c) emissões fugidias
d) emissões acidentais

Para os casos de classificação por poluente específico, os impactos podem


ser específicos a um poluente em particular, bem como as estratégias para re-
dução da emissão. Podem ser o dióxido de enxofre (SO2), óxidos de nitrogênio
(NOx), monóxido de carbono (CO), material particulado (MP10, MP 2,5), amô-
nia (NH3), e compostos orgânicos voláteis (COVs).
Para a classificação quanto às fontes de poluição ou as emissões atmosféricas
podem ser de fontes estacionárias ou fontes móveis. As fontes estacionárias podem
ser fixas e como vimos no capítulo I, os exemplos mais comuns de fontes fixas são
as indústrias. Ainda estas podem ser divididas em pontuais e difusas. As pontuais

capítulo 2 • 35
podem ser facilmente identificadas pelas chaminés das empresas, enquanto que
as difusas podem ser identificadas por um conjunto de várias fontes de emissões
similares. Como exemplo podemos citar as usinas termoelétricas à carvão para
as fontes pontuais e os postos de combustíveis para as fontes difusas (emissão de
COVs na atividade de armazenamento dos tanques (figura 2.1), pequenas quanti-
dades de difícil identificação). Ainda podemos citar como fonte difusa algum pro-
cesso que possa emitir sobre uma determinada região partículas carreadas pelo
vento, podendo ser de um canteiro de obras ou de uma área agrícola.
Para as fontes móveis, também como vimos no capítulo I, podemos classi-
ficar como sendo os veículos. Alguns autores ainda classificam como veículos
de estrada e veículos de fora de estrada. Para os veículos de estradas podemos
citar como exemplos os automóveis e os caminhões e para os veículos de fora
da estrada podemos citar como exemplos os navios, os aviões, trens e etc.
©© JEFFREY ROACH | DREAMSTIME.COM

Figura 2.1 – Armazenamento de combustível em postos. Fontes difusas.

O tipo de lançamento por processo natural pode ser exemplificado como


sendo as emissões de COVs pelas árvores. Porém vale ressaltar que são impor-
tantes fontes naturais de emissões. No caso de emissões permitidas são aque-
las que só foram garantidas mediante acordo com agências ambientais estadu-
ais que regulam a emissão atmosférica. Este acordo só é estabelecido mediante
avaliação da atividade desenvolvida e sobre um valor que é determinado para
que não seja impactante ao meio ambiente. As emissões fugitivas são emissões
de lançamentos não confinados, fontes difusas e em ambientes externos. A

36 • capítulo 2
pulverização de pesticidas, levantamento de poeira em estradas por outro ve-
ículo (figura 2.2), podem ser utilizados como exemplos. E por fim as emissões
acidentais são consideradas aquelas que em virtude de acidentes foram emiti-
das na atmosfera. São normalmente emissões que por falha na operação ou fal-
ta de manutenção foram lançadas de forma inadequada na atmosfera. Devido a
natureza desses tipos de lançamentos, é muito difícil a sua quantificação.

©© TRAVELLING-LIGHT | DREAMSTIME.COM
Figura 2.2 – Levantamento de poeira em estradas. Modelo de emissão fugitiva.

2.1.1  Estimando as emissões

Segundo Mihelcic (2012), são usados quatro métodos para quantificar a magni-
tude das emissões de poluentes atmosféricos:

I. Medida direta
II. Enfoque do balanço de massas
III. Modelação do processo
IV. Modelação do fator de emissão.

capítulo 2 • 37
A figura 2.3 mostra os ganhos e as perdas ao se estimar as emissões com
esses quatro métodos. Por exemplo, enquanto a modelação do fator de emissão
tem seu lugar como ferramenta da engenharia, a confiabilidade da informação
produzida com essa técnica é a de menor qualidade quando comparada com as
outras técnicas de estimação (Mihelcic, 2012).

Medição
direta
Custo (tempo e dinheiro)

Enfoque de balanço
de massa

Modelação de processo

Modelação do fator de emissão


E D C B A
Julgamento
de engenharia

Confiabilidade das estimativas de emissão

Figura 2.3 – Ganhos e perdas relativos na estimação de emissões usando modelação do


fator de emissões, modelação do processo, medição do balanço de massas e monitoramento
contínuo de emissões. Fonte: Mihelcic, 2012.

2.1.1.1 Medição Direta

A medição direta de emissões possui vários desafios particulares. A amostra-


gem ocorre na corrente de ar de descarga da chaminé. Além de ser um local di-
fícil para se amostrar, o ambiente nessas correntes de ar pode ser extremo com
relação a temperatura, umidade e velocidade de descarga. Isso requer equipa-
mento especializado e caro. Os sensores em tais equipamentos são específicos
para cada caso, considerando a chaminé e os poluentes emitidos. Tipicamente,
o equipamento de monitoramento de emissões é integrado nas operações da
instalação, com os sensores permanentemente montados na chaminé. Tal ar-
ranjo permite monitoramento contínuo das emissões (MCE). O MCE é requeri-
do para algumas fontes, incluindo incineradores de resíduos (Mihelcic, 2012).

2.1.1.2 Enfoque do balanço de massa

O balanço de massa pode ser usado para determinar diretamente a taxa de emis-
são de algumas fontes. Em sua forma mais básica essa medida indireta é uma

38 • capítulo 2
ferramenta de contabilização para acompanhar o poluente. Pode ser a forma
mais simples de identificar a existências de emissões fugidias ou acidentais.

2.1.1.3  Modelação do Processo

Modelos do processo tentam descrever as emissões como funções matemáti-


cas de informações relevantes do processo. Em geral, os modelos de proces-
so tentam incorporar fenômenos físicos ou químicos de um processo que cria
poluentes específicos. Enquanto alguns modelos de processos são disponíveis
publicamente, a maioria é criada internamente pelos proprietários do proces-
so ou pesquisadores e, por tanto, são protegidos. Exemplo de um modelo de
processo comumente utilizado é o MOBILE6 da EPA (EPA, 2003). O MOBILE6
calcula fatores de emissão para 28 tipos de veículos em diferentes condições
de operação. Os fatores de emissão dependem de condições operacionais, tais
como temperatura ambiente, velocidade de deslocamento do veículo, modo
de operação do veiculo, volatilidade do combustível, consumo por quilometro,
entre muitas outras. Essas variáveis são especificadas pelo usuário do modelo.
Os modelos podem estimar as emissões de hidrocarbonetos, monóxido de car-
bono, óxidos de nitrogênio, matéria particulada na exaustão, matéria particu-
lada pelo desgaste do pneu, dióxido de carbono tanto para veículos a gasolina
quanto para veículos de estrada a diesel, incluindo carros, caminhões, ônibus e
motocicletas. Também, existem opções para veículos especiais, tais como a gás
e elétricos. O MOBILE6 também tem a capacidade de calcular outras emissões,
por exemplo, emissões acidentais do tanque de combustível gerados pela eleva-
ção de temperatura de um carro estacionado ao sol, durante o abastecimento,
ou emissões que ocorrem ao final de uma viagem, devido ao aquecimento da
tubulação de combustível. A saída MOBILE6 é um fator de emissão em gramas
ou miligramas de poluentes por veiculo, por milha viajada (por exemplo, g/vei-
culo mi). Com o conhecimento da frota de veículos em uma região (digamos
uma cidade), os padrões de emissão e os fatores de emissão gerados com o MO-
BILE6, podem ser criados uma estimativa das emissões veiculares, talvez com
entrada em modelos de qualidade do ar (Mihelcic, 2012).

capítulo 2 • 39
2.1.1.4  Modelação de Fatores de Emissão

A modelação de fatores de poluição relaciona a poluição do ar lançada por uma


atividade com uma fonte com magnitude daquela atividade. A proporcionalida-
de entre as emissões e a atividade é denominada de fator de emissão. Os fatores
de emissão são a melhor estimativa dos valores mais prováveis, sendo baseados
em revisão de literatura de medida de emissões do processo que tenha qualida-
de aceitável. Esses fatores são expressos como a massa de poluente emitido por
peso, volume, distancia ou duração unitárias da atividade da fonte. Essas medi-
ções são usadas, então, para criar os fatores de emissão para prever a quantidade
provável das emissões de uma nova atividade semelhante (Mihelcic, 2012).
Na maioria dos casos, os fatores de emissão são geralmente considerados
representativos de médias de longo prazo para emissões de instalações da
mesma categoria de fonte. Como sugerido por essa metodologia, os fatores de
emissão são específicos para cada atividade. A equação 1 mostra o modelo geral
do fator de emissão:
E = A x EF x (1 –η) (1)

em que E é a emissão de poluentes (massa por tempo), A é a taxa de ativida-


de (eventos do processo por tempo), EF é o fator de emissão (massa por eventos
do processo) e η é a eficiência do controle de emissão (1 é controle comple-
to de emissões e O é nenhum controle das emissões). Os fatores de emissão
são compilados e disponíveis para uso em um documento da EPA referencia-
do como AP-42 (EPA, 1995). O AP-42 fornece fatores de emissão para mais de
25 atividades-fonte em 15 agrupamentos de fontes, cobrindo um largo espectro
de processos de engenharia, atividades humanas e até alguns poucos processos
naturais. Devido a sua origem na literatura, os fatores de emissão são valorados
para fornecer alguma indicação da qualidade e robustez do fator para a esti-
mativa das emissões médias de uma fonte. Os fatores variam de A (excelente) a
E (ruim). Em geral, os fatores determinados de mais observações e metodolo-
gias de testes aprovadas recebem as melhores classificações. Enquanto existem
muitos fatores de emissão para fontes industriais comuns, comunidades e fon-
tes naturais, não existem fatores para fontes internas de poluição atmosférica
ou atividades baseadas em tecnologias emergentes (Mihelcic, 2012).

40 • capítulo 2
2.2  Dispersão
A dispersão de poluentes é um dos assuntos mais importantes quando se fala
em poluição atmosférica. Devemos conhecer as formas de dispersão, bem
como são identificadas e calculadas para que possamos propor soluções téc-
nicas mais eficazes que contribuam para a minimização do impacto ambiental
gerado pela emissão de poluentes.

2.2.1  Meteorologia e Dispersão de Poluentes na Atmosfera

O perfil técnico da atmosfera tem relação direta com a capacidade de dispersão


de poluentes do ar por mistura vertical. Podemos, usando um exemplo mui-
to simples, explicar a maior ou menor capacidade da atmosfera em dispersar
poluentes. Suponhamos que um balão cheio de ar possa subir e descer na at-
mosfera (figura 2.4). Esse balão não troca calor com o meio externo. Se elevar-
mos o balão, ele irá se expandir por causa do decréscimo da pressão externa. A
medida que o gás do balão se expande, sua temperatura diminui. O decréscimo
da temperatura com a altitude, nesse caso (sem troca de calor), é chamado de
gradiente de temperatura adiabático seco. Esse calor corresponde a aproxima-
damente –0,65 °C para cada 100 metros de acréscimo de altitude. Quando a
temperatura da atmosfera diminui mais rápido que a adiabática, a atmosfera
é dita superadiabática. Nessa situação, se o balão for colocado em uma certa
altitude, a tendência é que ele passe para outra altitude, afastando-se da posi-
ção inicial. Isso pode ser demonstrado se compararmos o empuxo que o balão
sofre com seu peso próprio. Do ponto de vista de poluição do ar, essa condição
é desejada por dispersar rapidamente os poluentes na atmosfera. Portanto, a
atmosfera em condição superadiabática é inevitável, o que permite maior dis-
persão de poluentes. Se a temperatura da atmosfera diminuir mais levemente
do que a adiabática, a atmosfera é dita subdiabática, e, nesse caso o balão tende
aq permanecer estável. Se o balão for colocado em uma determinada altitude, a
tendência é ele permanecer nessa condição. O estado subdiabático não propor-
ciona a mistura vertical, dada a estabilidade do ar. Em situações criticas de po-
luição do ar, essa estabilidade diminui o potencial de dispersão da atmosfera
e, consequentemente, propicia o surgimento de episódios críticos de poluição
em razão da alta concentração de poluentes. O caso extremo ocorre quando a
temperatura aumenta com a altitude; é chamada inversão térmica. Nessa situ-

capítulo 2 • 41
ação, o ar é consideravelmente estável e os índices de poluição tendem a se ele-
var, dependendo também, é óbvio, da carga de poluentes. A figura 2.5 apresenta
todas essas situações aqui discutidas (Braga, 2005).
©© LIBUX77 | DREAMSTIME.COM

Figura 2.4 – Balões de ar como exemplo na dispersão de poluentes.

Adiabático

Inversão

Subadiabático
Altitude

(Estável)

Superadiabático
(Instável)

Temperatura

Figura 2.5 – Método de dispersão de poluentes

A inversão térmica pode ocorrer de diversas formas sendo elas por radiação,
por subsidência e por combinação dos dois casos.

42 • capítulo 2
As inversões térmicas ocorrem na sua maioria por dois mecanismos: por ra-
diação e por subsidência. A inversão por radiação ocorre, na maioria das vezes,
no inverno. Em um dia frio e sem nuvens, o aquecimento solar pode resultar
em temperaturas relativamente altas ao nível do solo durante o final da manhã
e a tarde. Entretanto, a noite, quando geralmente é bem mais frio, a superfície
do solo sofre um resfriamento intenso, de tal forma que as camadas superiores
de ar permanecem mais quentes, gerando uma camada de inversão em altitu-
des da ordem de 100 metros. No decorrer do dia, esse perfil volta a ser inverter,
principalmente pelo aquecimento do solo. Esse tipo de inversão não acontece
em dias nublados; sua formação pode ser reduzida pelo vento e, em áreas de-
sérticas, ocorre em aproximadamente 90% das manhãs. A inversão térmica por
subsidência ocorre em altitudes maiores e dura alguns dias. Esse tipo de inver-
são deve-se ao fenômeno da subsidência do ar (correntes de ar descendestes),
formado pela diferença de pressão existente entre grandes massas de ar que se
deslocam na atmosfera. Observando as direções preferenciais das massas de ar
na atmosfera, tanto no Hemisfério Sul como no Hemisfério Norte, percebemos
que existem zonas propicias à formação de subsidências ou zonas de correntes
verticais descendentes. As regiões preferenciais para a formação dessas corren-
tes localizam-se nas proximidades das latitudes 30 °N e 30 °S. Nessas condi-
ções, o ar desce a taxas de 1.000m/dia. À medida que o ar desce para altitudes
mais baixas e de maiores pressões, ele sofre um processo de compressão que
aumenta sua temperatura. Esse tipo de inversão ocorre geralmente em grandes
altitudes, ou seja, em mais de mil metros. Em uma situação extremamente crí-
tica podem ocorrer simultaneamente os dois tipos de inversão (Braga, 2005).

2.2.2  Processo de Dispersão

De acordo com Braga (2005) suponha que um meio atmosférico esteja sendo po-
luído por uma chaminé. Essa fonte está lançando poluentes continuadamente,
e eles irão se dispersar no ar, resultando na formação de uma pluma. O mesmo
fenômeno ocorre em um rio quando se descarregam poluentes. Estudar o com-
portamento da pluma significa estudar como o meio atmosférico transporta
e dispersa os poluentes nele lançados. A teoria de Fenômenos de Transporte,
tratada pela Mecânica dos Fluidos, possibilita estudar esse fenômeno. A for-
ma de pluma de poluentes emitidos por uma chaminé pode ser classificada de
acordo com o perfil de temperatura da atmosfera. A figura 2.6 ilustra todas as

capítulo 2 • 43
possibilidades de desenvolvimento de plumas em função do gradiente térmico
da atmosfera, desprezando-se os seguintes efeitos:

•  Diferenças de densidade entre os poluentes do ar;


•  Velocidade de saída dos poluentes da chaminé; e
•  Sedimentação dos poluentes (exemplo: MP) etc.
Altitude

Temperatura Looping

Altitude

Temperatura Coning

Altitude

Temperatura Fanning

Altitude

Temperatura Lofting

Altitude

Temperatura Fumigation

Altitude

Temperatura Trapping

Figura 2.6 – Principais tipos de plumas de poluentes atmosféricos. Fonte: Material impresso
Estácio. Gestão de Poluição (Atmosférica, solo e sonora) Figura 10.8, pág. 185.

44 • capítulo 2
Conforme mostrado na figura 2.6 podemos identificar 6 tipos ou formas de
plumas. São elas:

•  Looping
•  Coning
•  Fanning
•  Lofting
•  Fumigation
•  Trapping

O tipo e o comportamento de uma pluma dependem principalmente do cli-


ma e da região. Em climas quentes e secos, as plumas podem se apresentar em
looping ao entardecer e dependendo da altura, lofting ou fanning no período
da manhã. Em regiões de clima úmido, em dias nublados poderá ter o surgi-
mento de plumas do tipo coning.
As plumas do tipo looping ocorrem normalmente em situações em que o
perfil térmico superadiabático prevalece. Sempre nos dias mais claros, de céu
aberto e com poucas nuvens há a ocorrência de plumas do tipo looping.
A ocorrência de plumas do tipo coning ocorrem quando o perfil é subadia-
bático. Tem formato cônico e sua dispersão é menor que a do tipo looping, pro-
vocando assim um aumento na concentração dos poluentes próximos ao solo.
Normalmente este modelo de pluma ocorre em dias nublados e com ventos
moderados.
Quando a massa de poluentes está contida numa camada de inversão tér-
mica, quase não existe mistura vertical devido a estabilidade do ar. Assim deno-
mina-se fanning os modelos de plumas existentes nestas situações. Na medida
que a energia solar aquece o solo, a inversão térmica vai desaparecendo e a mis-
tura ocorre normalmente o que faz com que ocorra a pluma do tipo fumigation,
de pouca duração.
Quando o lançamento da emissão é feito acima da camada de inversão tér-
mica, o tipo da pluma é denominado lofting. Quando esta está retida entre duas
camadas de inversão, esta pode ser do tipo trapping.
Relacionando a Forma de uma Pluma com a Estabilidade da Atmosfera.
Um indicador clássico da estabilidade corrente da atmosfera é o comporta-
mento de plumas de poluente que emanam de chaminés. Caracteristicamente,
as formas das plumas sugerem o estado da atmosfera (Mihelcic, 2012).

capítulo 2 • 45
2.3  Padrões de Qualidade do Ar

©© SKYPIXEL | DREAMSTIME.COM

Figura 2.7 – Qualidade do ar.

O que nosso país faz para contribuir com a qualidade do ar?


A legislação brasileira de qualidade do ar segue muito de perto as leis norte
-americanas. Nos Estados Unidos, o órgão responsável pela fixação de índices
é a Environmental Protection Agency (EPA), que estabelece o National Ambient
Air Quality Standards (NAAQS). Essa lei especifica o nível máximo permitido
para diversos poluentes atmosféricos, sendo que a máxima concentração de
um poluente é especificada em função de um período médio de tempo. Os limi-
tes máximos (padrões) estão divididos em dois níveis: primário e secundário. O
primário inclui uma margem de segurança adequada para proteger indivíduos
mais sensíveis, como crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios.
O secundário é fixado sem considerar explicitamente problemas com saúde
humana, mas levando em conta outros elementos, como danos à agricultura, a
materiais e edifícios e à vida animal, mudanças de clima, problemas de visibili-
dade e conforto pessoal (Braga, 2012).
Para manter o publico informado sobre a qualidade do ar e atuar em situ-
ações críticas quando algum índice do NAAQS é atingido, a EPA fixa o índice
Pollution Standard Index (PSI).

46 • capítulo 2
Dentre os poluentes listados no índice PSI estão o monóxido de carbono
(CO), dióxido de nitrogênio (NO2), ozônio (O3), chumbo, material particulado <
10 mm e < 2,5 µm e dióxido de enxofre (SO2).
No Brasil, esse índice é chamado de Índice de Qualidade do Ar – IQA e foi
desenvolvido pela Agência Ambiental do Estado de São Paulo, a Cetesb.
A relação IQA X qualidade do ar é dada pela tabela 2.1.

IQA QUALIDADE DO AR

0,50 Boa

51-100 Aceitável

101-199 Inadequada

200-299 Má

300-399 Péssima

Maior que 400 Crítica

Tabela 2.1 – Relação do IQA com a qualidade do ar. Fonte: Cetesb, 1996.

O IQA é obtido dividindo-se a concentração de um determinado poluente


pelo seu padrão primário de qualidade e multiplicando-se o resultado dessa
divisão por 100, para que seja obtido um valor percentual. Este calculo é feito
para todos os poluentes monitorados pela Cetesb (CO, MP, SO2, O3 e o produto
SO2 x MP), sendo apresentado o índice de Qualidade do Ar para aquele poluente
que apresentou o maior resultado.

capítulo 2 • 47
CONEXÃO
Para melhor compreensão dos padrões e índices de qualidade do ar, acesse os links da
CETESB: http://www.cetesb.sp.gov.br/ar/Informa??es-B?sicas/22-Padr?es-e-?ndices e
http://www.cetesb.sp.gov.br/userfiles/file/ar/decreto-59113de230413.pdf.

No Brasil, no que se refere à qualidade do ar, a legislação brasileira estabe-


lece índices para sete substâncias conforme tabela 2.2. Vale ressaltar que estes
índices estão mencionados na Resolução nº 03/1990 do CONAMA.
O CONAMA estabelece níveis para o estado da qualidade do ar. Com o objetivo
de minimizar os efeitos adversos dos episódios críticos de poluição, foram fixados
padrões de critérios, onde decretado um determinado nível, os efeitos sobre a saú-
de e as precauções tomadas são as seguintes de acordo com Braga (2005):

PADRÕES
TEMPO
POLUENTE MÉDIO
PRIMÁRIO SECUNDÁRIO

24 h (*) 240 μg/m 150 μg/m

MP

MG anual 80 μg/m3 60 μg/m3

24 h (*) 365 μg/m3 100 μg/m3

SO2

MA anual 80 μg/m3 40 μg/m3

1 (*) 40 000 μg/m3 40 000 μg/m3

CO

8 h (*) 10 000 μg/m3 10 000 μg/m3

48 • capítulo 2
PADRÕES
TEMPO
POLUENTE MÉDIO
PRIMÁRIO SECUNDÁRIO

O3 1 h (*) 160 μg/m3 160 μg/m3

24 h 150 μg/m3 100 μg/m3

Fumaça

MA anual 60 μg/m3 40 μg/m3

Partículas inalá- 24 h 150 μg/m3 150 μg/m3

veis
(<10μm) MA anual 50 μg/m3 50 μg/m3

1 h (*) 320 μg/m3 190 μg/m3

NO2

MA anual 100 μg/m3 100 μg/m3

(*) Não pode ser excedido mais uma vez ao ano. MG – média geométrica; MA – média aritmética.

Tabela 2.2 – Padrões de Qualidade do ar no Brasil. Fonte: CONAMA, 1990.

•  Nível de atenção:
Descrição dos efeitos sobre a saúde, decréscimo da resistência física e signi-
ficativo agravamento dos sintomas em pessoas com enfermidades cardiorres-
piratórias; sintomas gerais na população sadia.
Precauções: pessoas idosas ou com doenças cardiorrespiratórias devem re-
duzir as atividades físicas e permanecer em casa.

capítulo 2 • 49
•  Nível de alerta:
Saúde: aparecimento prematuro de certas doenças, além de significativo agra-
vamento de sintomas. Decréscimos da resistência física em pessoas saudáveis.
Precauções: Idosos e pessoas com enfermidades devem permanecer
em casa e evitar esforço físico. A população em geral deve evitar atividades
exteriores.

•  Nível de emergência:
Saúde: morte prematura de idosos e pessoas doentes. Pessoas saudáveis po-
dem acusar sintomas adversos que afetam sua atividade normal.
Precauções: todas as pessoas devem permanecer em casa, mantendo as
portas e as janelas fechadas. Todas as pessoas devem minimizar as atividades
físicas e evitar o tráfego.

CONEXÃO
Para melhor compreender sobre os níveis de qualidade do ar, acesse o site do Ministério
do Meio Ambiente (CONAMA) através do link: http://www.mma.gov.br/port/conama/res/
res90/res0390.html.

Finalmente, é importante considerar que esses padrões de qualidade de ar


não são definitivos. Eles devem ser revistos constantemente, tendo em vista,
principalmente, a entrada de novos poluentes no ar, que podem alterar seus
efeitos adversos.
A fixação de padrões de qualidade do ar é um processo extremamente com-
plexo, o qual envolvem diversos tipos de problemas e requer um longo período
de trabalho e de observação. A principal dificuldade é estabelecer o nível crí-
tico de concentração de determinada substância, ou seja, avaliar quando um
poluente pode causar danos à saúde humana, principalmente levando-se em
conta as inúmeras doenças que tem origem na poluição do ar (Braga, 2005).
Para manter o publico informado sobre a qualidade do ar, a EPA também re-
quer a publicação diária de uma medida global da qualidade do ar assim como
a CETESB para o Estado de São Paulo.

50 • capítulo 2
2.3.1  Controle das Poluições Atmosféricas

Apresentaremos neste item, meios para o controle das poluições atmosféri-


cas utilizados para minimizar os impactos ambientais gerados pelos poluentes
emitidos na atmosfera.
Historicamente, a poluição atmosférica era descarregada em uma chaminé
alta para ser usada, com vantagem, a distribuição e os processos regionais de
transportes. Hoje, as chaminés ainda são usadas, mas apenas como parte de
uma solução geral.
Para o controle do material particulado que saem dessas chaminés, tam-
bém chamados de aerossol, veremos a seguir. Os aerossóis são suspensões de
partículas sólidas ou líquidas contidas em um gás. Os aerossóis são classifica-
dos da seguinte maneira:

•  quanto a sua origem;


•  quanto ao mecanismo de formação;
•  quanto à penetração no sistema respiratório;
•  quanto à concentração, aos padrões de emissão.

Para classificação quanto à sua origem o importante a saber é a dimensão


da partícula contida no gás. Normalmente é medida em µm (microns) e podem
ser chamadas de poeiras, névoas, fumos, neblinas, fumaças e smog. Quanto ao
mecanismo de formação estas podem ser classificadas como sendo por atrito,
combustão, nucleação e evaporação de gotas. Quanto ao sistema respiratório,
este pode ser classificado como sendo aquele aerossol que pode ou não ser ina-
lado. Normalmente depende muito da dimensão das partículas. E por último
quanto à concentração ou aos padrões de emissão, como já vimos anteriormen-
te, sempre visando a qualidade do ar, este pode ser classificado de 3 formas:
ambientes abertos ou a qualidade do ar externo, limite por tipo de atividade
como é o caso dos padrões de emissão das chaminés ou dos veículos e o am-
biente de trabalho atendendo aos limites de tolerância (figura 2.8).

capítulo 2 • 51
Ambiente externo
Chaminé / Veículos Padrão de qualidade
Padrão de emissão

BRI
CA

Ambiente de trabalho
Limite de tolerância

Figura 2.8 – Classificação de aerossol quanto à concentração ou ao padrão de emissão.

A separação e coleta dos contaminantes da corrente de ar se dão por ações físi-


cas, químicas ou pela combinação de ambas dependendo do processo envolvido.
A tabela 2.3 revisa cinco opções de controle de poluição atmosférica: pre-
venção, solução regulatórias, soluções baseadas no mercado, soluções voluntá-
rias e tecnologias de controle de emissões segundo Mihelcic, 2012.

POLUENTES
TIPO DE PRINCIPIO DE
TECNOLOGIA USUAIS
POLUENTES OPERAÇÃO TRATADOS

Oxidação do poluen-
te por meio de com-
Oxidação térmica Gasosos VOCs, CO
bustão a alta tempe-
ratura

Lavador de leito Transferência do po-


NH3, CI2, SO2,
empacotado de Gasosos luente para um ab-
HCI
absorção sorvente líquido

52 • capítulo 2
POLUENTES
TIPO DE PRINCIPIO DE
TECNOLOGIA USUAIS
POLUENTES OPERAÇÃO TRATADOS

Transferência de um
Torre de absorção Gasosos poluente para um VOCs, SO2
adsorvente sólido

Metabolismo por po-


Biofiltro Gasosos luentes por micror- Odores, VOCs
ganismos

Ciclone e sedi- Remoção do po-


mentador gravita- Particulados luente por força MP > 10 μm
cional centrífuga

Remoção do po-
luente por impacta- 10μm > MP >
Lavador de gases Particulados
ção em gotículas de 5μm
água

Filtração dos po-


Filtro de manga Particulados luentes em filtros de MP > 1 μm
tecido

Atração de partícu-
Precipitador ele-
Particulados las carregadas para MP < 1 μm
trostático
as placas de coleta

Tabela 2.3 – Tecnologia de Controle de Emissões de Poluentes Atmosféricos Comparações


detalhadas de custos podem ser feitas usando recursos como o Air Pollution Control Manuel
EPA (EPA 2002).

capítulo 2 • 53
Os fatores determinantes na escolha da melhor tecnologia incluem:

•  Grau de purificação exigido conforme concentração ou padrão de emissão;


•  Característica do ar ou gás transportador do poluente (temperaturas ele-
vadas, condensação de vapores, corrosão, densidade, viscosidade, reatividade
do gás com o material utilizado, etc.);
•  Característica do poluente conduzido pelo gás (densidade, solubilidade,
agressividade química e biológica, etc.);
•  Facilidade de limpeza;
•  Custos de fabricação, operação e manutenção.

O sedimentador gravitacional (figura 2.9) é um separador físico mecânicos


de grande eficiência. Utiliza da força centrífuga para a coleta do material parti-
culado. Não há partes móveis no equipamento. Seu projeto deve ser específico
para partículas que tendem a se depositar no seu interior, devido à ação da gra-
vidade, em uma câmara projetada para coletar pelo peso da partícula contida
no meio gasoso. A eficiência de coleta é calculada mediante balanços de massa.
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Figura 2.9 – Sedimentador gravitacional.

54 • capítulo 2
Os ciclones (figura 2.10) são separadores mecânicos de grande escolha, pela
geometria e desempenho. Geralmente não atendem a padrões de emissão e
servem de pré-coletores para outros equipamentos. Utilizam a força centrífuga
para a coleta do material particulado. Podem atuar sozinhos ou em conjuntos
de ciclones em série e paralelo. Utilizado nas indústrias alimentícias de grãos,
pós, fibras, indústria de fertilizantes, cimento, operações de moagem, fornos
de incineração, etc. No seu projeto incluem além do ensaio granulométrico do
MP, dados de vazão do ar e queda de pressão.

II
©© KASPRI | DREAMSTIME.COM

Figura 2.10 – Ciclone e modelos de projetos.

Os filtros de manga (figura 2.11) são equipamentos mais utilizados para re-
moção de partículas em correntes gasosas. São excelentes para partículas finas
e possui eficiência de coleta da ordem de 99,00%. O ar utilizado para transporte
do material particulado pode ser recirculado. A corrente com o poluente pas-
sa por um meio poroso e permeável, os chamados filtros. As partículas conti-
das no aerossol se depositam nas fibras dos filtros. Os filtros são produzidos
de diferentes materiais, e são indicados para tipos de poluentes específicos.
Normalmente o fabricante do filtro disponibiliza tabelas que comparam o de-
sempenho dos mesmos mediante diferentes condições de operação. A limpeza
se dá por mecanismos simples, podendo ser jatos de ar aplicado diretamente
nos filtros ou até mesmo por mecanismos de sacudimento das mangas.

capítulo 2 • 55
©© RYSZARD PARYS | DREAMSTIME.COM

Figura 2.11 – Filtro de manga.

O lavador de gases são equipamentos que fazem a coleta a úmido de vapo-


res, gases condensáveis e aerossóis. Coletam a partícula através do contato di-
reto com um líquido que normalmente é a água. Muito utilizados em sistemas
em que a umidade é problema, principalmente nas indústrias químicas.
Para o controle da emissão de SO2 diversas maneiras são dadas como exem-
plos, onde se pode variar desde os métodos gerais envolvendo a conservação de
energia até soluções particulares para cada situação. Podem ser citados:

•  Substituição da utilização de combustíveis fósseis por outras fontes de


energia como nuclear, solar, hidrelétrica e geométrica;
•  Transformação do carvão sólido em combustível gasoso ou líquido, remo-
vendo impurezas como o enxofre (figura 2.12);
•  Utilização de carvão com baixo teor de enxofre;
•  Remoção do SO2 por lavadores de gases, entre outras.

56 • capítulo 2
©© PAPRIKAA | DREAMSTIME.COM
Figura 2.12 – Poluição atmosférica pela queima de carvão.

ATIVIDADES
01. Segundo a CETESB, depois de cinco anos de melhora, a qualidade do ar na metrópole
de São Paulo voltou a piorar nos últimos dois anos. O número de vezes em que a qualidade
do ar ficou inadequada ou má foi 54% maior em 2007, se comparada à de 2006. Dentre
possíveis causas e consequências, é correto afirmar que a gravidade do problema da polui-
ção, a partir de 2006:
a) aumentou, em função do forte crescimento das taxas de industrialização na capital e no
litoral e em razão da desobediência legal das indústrias dessas áreas.
b) teve desdobramentos, como a expansão da área mais poluída, em função do aumento
da emissão de poluentes por veículos automotores e outras fontes.
c) aumentou, em virtude de um novo fenômeno, o da emissão de gás ozônio pela frota de
automóveis bicombustíveis, concentrada na região metropolitana.
d) teve desdobramentos sobre a formação das ilhas de calor, cujos efeitos de aquecimento
foram atenuados no centro da região metropolitana.
e) aumentou, em função do crescimento econômico do interior do Estado e em virtude da
ausência de legislação sobre emissão de poluentes nessa região.

capítulo 2 • 57
02. A dispersão de poluentes na atmosfera pode ser comparada a balões de ar soltos na
atmosfera. Para melhor entendimento, é necessário se atentar para o perfil térmico da at-
mosfera, o que pode ou não colaborar para a capacidade de dispersão destes poluentes.
Explique melhor a relação perfil térmico x Capacidade de dispersão de poluentes.

REFLEXÃO
“A poluição atmosférica causada pelo ser humano abrange ainda uma quantidade enorme
de compostos químicos além dos já mencionados, como: monóxido e dióxido de carbono,
aldeídos, peróxidos, chumbo, arsênio, cádmio, cromo, cobalto, mercúrio, asbesto, benzeno,
enxofre e material particulado. Os efeitos dessas substâncias sobre a saúde humana variam
de acordo com a concentração, mas podem ser resumidos como se segue: alergias, tonturas,
dor de cabeça, bronquite crônica, enfisema pulmonar, pneumoconiose, alterações no tecido
conjuntivo, danos na visão, hipoxia, lesões degenerativas no coração, nos rins, no fígado, no
sistema nervoso central e no cérebro, defeitos congênitos e câncer. Suspeita-se que só a
inalação de material particulado seja a causa da morte de cinco mil pessoas por ano em Los
Angeles e outras quatro mil em Nova York. No ano de 1952, de 4 a 9 de dezembro, entre
3.500 a 4.000 pessoas morreram de bronquite aguda em Londres, vítimas de uma densa
fumaça sobre a cidade”. (Dra. Shirley de Campos/2007).
Já imaginou como era a situação da poluição atmosférica nas indústrias na época da Revo-
lução Industrial?

LEITURA
Impactos do incêndio de tanques em Santos vão durar 5 anos.
Os impactos ambientais do incêndio que atingiu seis tanques de uma empresa de San-
tos, na semana passada, poderão durar pelo menos cinco anos, contaminando plantas e
animais. Além disso, com a emissão de poluentes na atmosfera, existe a possibilidade de
ocorrência de chuvas ácidas, o que comprometeria a vegetação da serra do Mar. O alerta é
do zoólogo Marcelo Pinheiro, do Campus Litoral Paulista da Unesp.
O incêndio no terminal da Ultracargo - o maior já registrado no Estado de São Paulo - só foi
declarado extinto pelo Corpo de Bombeiros na sexta-feira (10), nove dias após ter começado.
Segundo a Companhia Ambiental do Estado (Cetesb), até agora todos os esforços ha-
viam sido concentrados no controle do incêndio e a avaliação dos danos ambientais terá
início só após o rescaldo. Mas, segundo Pinheiro, é provável que a situação da área de estu-

58 • capítulo 2
ário e dos manguezais, que já era crítica, fique ainda pior: bilhões de litros de água que foram
usados no resfriamento dos tanques voltaram para o ecossistema aquático com resíduos do
combustível e dos produtos químicos que compõem a espuma usada para debelar o fogo.
"Não podemos ainda prever com precisão quanto vai durar o impacto. Mas, dependendo da
composição química da espuma e da quantidade utilizada, vai levar de cinco a dez anos para que a
natureza se recupere e volte à situação original. Na água, esse produto poderá reagir com outros
resíduos químicos, formando compostos mais tóxicos. A contaminação pode repercutir por toda a
cadeia alimentar", disse Pinheiro. "Além disso, os poluentes lançados na atmosfera podem formar
a chuva ácida, que queima o tecido das folhas e impede a fotossíntese, matando a vegetação."
Segundo o gerente da Agência Ambiental de Santos na Cetesb, Carlos Eduardo Pado-
van Valente, ainda não foram detectadas alterações consideráveis na qualidade do ar. Mas
a quantidade de oxigênio disponível na água foi reduzida dramaticamente e a temperatura
subiu 7°C acima do tolerável para os peixes, o que causou a morte de oito toneladas deles.
"Desde domingo passado não temos mortes de peixes."
As consequências imediatas, porém, são visíveis na região do incêndio. Na Favela Chico
de Paula, no mangue ao lado do Porto de Santos, o cheiro lembra o de posto de combustível.
Nos carros, moradores apontam marcas de pingos pretos e a fuligem vinda do pátio da Ultra-
cargo, a menos de 500 metros de palafitas e barracos, onde moram cerca de 30 mil pessoas.
A fumaça preta que co briu a comunidade também agravou a situação de moradores que
sofrem de doenças respiratórias. "Estou com uma dor de cabeça que não passa. Quando bate
um vento e a fumaça vem com mais força, a gente tem até de fechar a janela", disse a dona
de casa An a Paula Palhas, de 38 anos. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".
falta referencia
Fonte: <http: //estadao.com.br/noticias/geral.impactos-do-incendio-de-tanques-em-santos-
vao-durar-5-anos-.1668237>.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRAGA, B. et al. Introdução à Engenharia Ambiental: O desafio do desenvolvimento Sustentável. 2º
Ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005;
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Resolução do CONAMA nº 03 de 28 de Junho de 1990.
Disponível em http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res90/res0390.html. Acessado em
12/02/2015;
CETESB - Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental – www.cetesb.sp.gov.br. acessado em
21/01/2015;

capítulo 2 • 59
CHIOSSI, Nivaldo José. Geologia de Engenharia. 3º Ed. São Paulo. Oficina de Textos, 2013;
JARDIM, A.; YOSHIDA, C.; FILHO, J.V.M.. Política Nacional, gestão e gerenciamento de resíduos
sólidos. Barueri. Manole, 2012;
MIHELCIC, James R.. ZIMMERMAN, Julie Beth. Auer, Martin T.. Engenharia ambiental: fundamentos,
sustentabilidade e projeto. Rio de Janeiro: Ltc, 2012;

60 • capítulo 2
3
Poluição do solo ou
Poluição terrestre
(Parte 1)
Vamos falar de um dos principais problemas ambientais da atualidade, a
contaminação do solo. Durante séculos, o homem pouco se preocupou com
o descarte de lixo, produtos químicos e resíduos industriais trazendo assim a
contaminação e prejuízo ao meio ambiente. O solo atua frequentemente como
um "filtro", tendo a capacidade de depuração e imobilizando grande parte das
impurezas nele depositadas. Historicamente, o solo tem sido utilizado por ge-
rações como receptor de substâncias resultantes da atividade humana.

OBJETIVOS
•  Conhecer as características e a classificação dos solos;
•  Entender um dos mais sérios problemas ambientais quanto a utilização do solo, a erosão;
•  Conhecer os métodos de prevenção e controle da qualidade do solo.

62 • capítulo 3
3.1  Solo: Caracteristicas e Classificação
O conceito de solo para os engenheiros difere um pouco do conceito geológico,
uma vez que, para eles, o termo inclui todo tipo de material orgânico ou inor-
gânico inconsolidado ou parcialmente cimentado encontrado na superfície da
terra, materiais estes classificados em geologia como rochas sedimentares ou
sedimentos (Chiossi, 2013).
Os solos residuais são bastante comuns no Brasil, principalmente na região
centro-sul, em função do próprio clima. Praticamente todos os tipos de solo
formam solo residual. A sua composição vai depender do tipo e da composição
mineralógica da rocha original que lhe deu origem. Por exemplo, a decompo-
sição de basaltos forma um solo típico, conhecido como “terra roxa”, de cor
marrom chocolate, composição argilo arenosa e elevada plasticidade. De outro
lado, a desintegração e a composição de arenitos ou quartizitos irão formar um
solo 100% arenoso, constituído de quartizo. Rochas metamórficas do tipo filito
(constituído de micas) darão origem a um solo de composição argilosa e bas-
tante plástico (Chiossi, 2013).
O solo (figura 3.1) pode ser estudado por suas características físicas, quími-
cas e biológicas, com o objetivo de conhecermos suas propriedades e utiliza-lo
no atendimento das necessidades sem degradar o ambiente. ©© DLEONIS | DREAMSTIME.COM

Figura 3.1 – Porção de solo.

capítulo 3 • 63
Inicialmente, os homens nômades percebiam o solo apenas como suporte
para si, para seus deslocamentos e para a flora e fauna de que eles desfrutavam.
Com o passar do tempo, o solo passou a ser essencial para semear e obter germi-
nação e o desenvolvimento do alimento, surgindo assim, a agricultura primitiva e
itinerante. À melhoria advinda da capacidade de extrair seu sustento da terra cul-
tivada somaram-se outras vantagens para a fixação do homem em um local. O uso
do solo cultivado pelo homem sedentário foi se expandindo com o crescimento
populacional e o progressivo domínio da energia (fogo, queimada, utensílios para
manejo do solo pelo homem e por consequência, a fertilidade e a produtividade
naturais do solo foram reduzindo-se. Enquanto a alternativa de deslocamento para
outras terras foi possível, a sobrevivência foi assegurada. Entretanto, no caso de
grandes civilizações que dependiam das facilidades e características locais (abrigo,
edificações, vias, equipamentos públicos etc.) para viver e que eram de reprodução
mais difícil ou impossível, essa perda de fertilidade e produtividade foi fatal. Em
sua esteira, muitos povos e cultura sumiram sem deixar vestígios. Outros tantos
deixaram apenas memória de suas culturas e a certeza, cada vez mais evidente, de
que seu desaparecimento retardou o progresso social, tecnológico e econômico
da humanidade. Desde então, a humanidade vem se preocupando em conhecer
novas maneiras de preservar o solo como fonte de seu sustento, formando tanto
cultura oral e familiar como a que vem sendo consolidada e sistematizada de ma-
neira cientifica por toda a sociedade. Mais recentemente, a explosão demográfica
e produtiva que a Revolução Industrial deflagrou mudou a escala do problema. De
um problema local, limitado aquelas áreas de solo em rápido processo de degrada-
ção, perda de fertilidade e subsequente desertificação, transformou-se em proble-
mas de interesse de toda humanidade, à medida que a independência econômica
e social dos povos tornou a fome uma calamidade que afeta a todos, deixando claro
que o bem estar e a qualidade de vida da humanidade dependem da preservação
do equilíbrio dos ecossistemas na Terra (Braga, 2005).

3.2  Conceito, Composição e Formação dos


Solos

Será abordado neste capítulo informações básicas da formação dos solos,


sua composição e a importância para a vida terrestre.

64 • capítulo 3
3.2.1  Conceito do Solo

O conceito de solo pode ser diferente de acordo com o objetivo mais imediato
de sua utilização. Para o agricultor e agrônomo, esse conceito destacará suas
características de suporte da produção agrícola. Para o engenheiro civil, o solo
é importante por sua capacidade de suportar cargas ou de se transformar em
material de construção. Para o engenheiro de minas, o solo é importante como
jazida mineral ou como material solto que cobre e dificulta a explosão dessa
jazida. Para o economista, o solo é um fator de produção. Já o ecologista vê o
solo como componente da biosfera na qual se dão os processos de produção e
decomposição que reciclam a matéria, mantendo o ecossistema em equilíbrio.
De um modo geral, o solo pode ser conceituado como um manto superficial
formado por rocha desagregada e, eventualmente, cinzas vulcânicas, em mis-
tura com matéria orgânica em decomposição, contendo, ainda, água e ar em
proporções variáveis e organismos vivos (Braga, 2005).
Várias são as funções do solo, como sustentação da vida e do "habitat" para pes-
soas, animais, plantas e outros organismos, manutenção do ciclo da água e dos nu-
trientes, proteção da água subterrânea, manutenção do patrimônio histórico, na-
tural e cultural, conservação das reservas minerais e de matérias primas, produção
de alimentos e meio para manutenção da atividade sócio-econômica (figura 3.2).

Figura 3.2 – Solo como fonte de vida.

capítulo 3 • 65
3.2.2  Composição do Solo

A proporção de cada um dos componentes pode variar de um solo para outro. Mes-
mo em um solo de determinado local, as proporções de água e ar variam sazonal-
mente, com de períodos de maior ou menor precipitação. Em termos médios de or-
dem de grandeza, os componentes podem ser encontrados na seguinte proporção:

•  45% de elementos minerais


•  25% de ar
•  25% de água
•  5% de matéria orgânica

A matéria sólida mineral é proveniente de rochas desagregadas ou no próprio local ou


em locais distantes, trazidas pela água e pelo ar. A desagregação das rochas se da por
ações físicas, química e, em menor proporção, biológicas, as quais constituem oque se
denomina de intemperismo. Em proporções relativamente pequenas na escala de tempo
geológica, essa parte sólida pode provir de cinzas vulcânicas. As principais ações físicas
que provocam a desagregação do solo são a erosão pela água e pelo vento, variações
bruscas de temperatura, com formação de tensões residuais nas rochas, e o congela-
mento de água em fissuras, com ação de cunha decorrente da sua dilatação entre 4ºC
e 0 ºC etc. As ações químicas mais comuns ocorrem sobre as rochas calcárias atacadas
pela água que contenham gás carbono dissolvido e, em situações especificas de poluição
atmosférica, que contenham também outros íons ácidos (chuvas ácidas). A parte liquida é
fundamentalmente constituída por água proveniente de precipitações, tais como: chuvas,
sereno, neblina, orvalho e degelo de neve e geleiras, que contenham em solução (des-
tacando-se pela importância a coloidal) substâncias originalmente presentes nas fases
sólida e gasosa. A parte gasosa é proveniente do ar existente na superfície e, em propor-
ções variáveis, dos gases da biodegradação de matérias orgânicas nos quais predomina
o dióxido de carbono (biodegradação aeróbia) e outros como o metano (biodegradação
anaeróbia). A parte orgânica é proveniente da queda de folhas, frutos, galhos e ramos,
além de restos de animais, excrementos e outros resíduos, em diferentes estágios de
decomposição em fase sólida ou liquida. É a biodegradação dessa matéria orgânica que
resulta o húmus do solo, responsável, em boa parte, pelas suas características agrícolas
(produção primária) e várias de suas propriedades físicas (Braga, 2005).

66 • capítulo 3
3.2.3  Propriedades Gerais do Solo

De acordo com Chiossi (2013), as propriedades, tanto a mais simples, como as


mais complexas, e os respectivos ensaios deverão ser consultadas em livros ou
em disciplinas específicas como a de Mecânica dos Solos. Nessa seção, as pro-
priedades gerais dos solos serão apenas citadas:
a) Porosidade (n) de uma massa de solo é definida como a relação do volu-
me de vazios pelo volume total da massa.
b) Índice de vazios (e) de uma massa de solo é definido como a relação do
volume de vazios pelo volume de sólidos.
c) Grau de saturação (G) é definido como a relação do volume de água pelo
volume de vazios.
d) Umidade natural (h) é definida como a relação do peso de água pelo
peso de material sólido.
e) Peso específico de um material é definido como a relação do peso de
um determinado fragmento pelo seu volume. Uma vez que um agregado de solo
é constituído de três diferentes fases, o peso específico desse agregado deverá
considerar essas três fases:

•  Peso específico do solo


•  Peso específico dos grãos sólidos
•  Peso específico da água

3.2.4  Formação dos Solos

A formação dos solos é resultante da ação combinada de cinco fatores: clima


(pluviosidade, umidade, temperatura etc.), natureza dos organismos (vegeta-
ção, micro-organismos decompositores, animais) material de origem, relevo e
idade (figura 3.3). Na sua atuação, os quatro primeiros fatores imprimem, ao
longo do tempo (idade), características que definem os estágios de sucessão
por meio de sua profundidade, composição e propriedades e do que se deno-
mina “horizontes do solo”.

capítulo 3 • 67
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Figura 3.3 – Formação do solo.

Para determinadas condições de relevo, organismos presentes e material


de origem, o intemperismo aumenta continuamente a profundidade do solo
a velocidades crescentes com a pluviosidade, a umidade e a temperatura. No
solo formado à superfície, começam a se estabelecer os vegetais e os microor-
ganismos. A lixiviação (transporte por meio de água que infiltra e percola no
solo) faz translocação das frações mais finas do solo (argilas, especialmente)
e a remoção de sais minerais. As frações mais grossas (arenosas) permanecem
na parte superior. Em consequência, forma-se extratos com aparência diferen-
te, constituindo os horizontes. O estágio de formação do solo tem implicações
bastante diversas e marcantes, por exemplo sobre o ciclo hidrológico e sobre o
regime dos cursos de água em uma região (Braga, 2005).

3.2.5  Características do Solo

Há certas características do solo que podem ser vistas a olho nu ou facilmente


percebidas pelo seu tato que são frequentemente utilizadas para a descrição
de sua aparência no ambiente natural. Dentre as principais dessas característi-
cas, estão a cor, textura (ou granulometria), estrutura, consistência e espessura
dos horizontes (essa ultima já referida anteriormente). Além delas são também

68 • capítulo 3
importantes, do ponto de vista ecológico, o grau de acidez, a composição e a
capacidade de trocas de íons (Braga, 2005).
A cor, como característica mais prontamente perecível, é, em muitos casos,
utilizada popularmente e mesmo em classificações científicas, como veremos
adiante, para denominar e identificar os solos, sendo ‘terra roxa’ e a ‘terra pre-
ta’ os dois exemplos mais conhecidos. Em termos técnicos, a cor é descrita por
comparação com escalas padronizadas (Braga, 2005).
Porém, mesmo sem recorrer a procedimentos padronizados, por simples
inspeção é possível associar algumas propriedades do solo à sua coloração. Os
solos escuros, tendendo a marrom, por exemplo, quase sempre podem ser as-
sociados à presença de matéria orgânica em decomposição em teor elevado; a
cor vermelha é indicativa da presença de óxidos de ferro e de solos bem drena-
dos; as tonalidades acinzentadas, mais comumente encontradas junto às bai-
xadas, são indício de solos frequentemente encharcados (Braga, 2005).
A textura ou granulometria descreve a proporção de partículas de dimensões
distintas componentes do solo. Um exame mais atento de um solo mostra que
ele é constituído de partículas de tamanhos diversos, frequentemente agrupadas
na forma de torrões ou grumos. A estrutura é o modo pelo qual as partículas do
solo se arrajam em agregados ou torrões. Produtos da decomposição de matéria
orgânica, juntamente com alguns componentes minerais, como óxido de ferro e
frações argilosas, promovem a agregação das partículas. A presença de umidade
e ressecamento, com consequente inchamento e encolhimento, acaba por dar
origem aos torrões do solo, com tamanha e forma variados e característicos, os
quais podem se granular (esféricos ou arredondados), angular (com faces planas
e dimensões aproximadamente iguais), laminar (faces planas e dimensão hori-
zontal bem maior) e prismático (faces planas e dimensão vertical bem maior). A
estrutura de um solo explica, em boa parte, seu comportamento mecânico (ca-
pacidade de suportar cargas, resistência ao cisalhamento ou escorregamento),
conferindo-lhe o que se denomina consistência, ou seja, a capacidade de resistir
a um esforço destinado a rompe-lo e que podemos avaliar a consistência pressio-
nando os torrões entre os dedos (Braga, 2005).
A composição do solo (figura 3.4), referida anteriormente em termos médios de
ordem de grandeza das porcentagens, sendo bastante variável na sua composição
mineral e extremamente variável na proporção água/ar, pode apresentar também
teores variáveis de matéria orgânica.

capítulo 3 • 69
“A argila é considerada a parcela ‘ativa” da fração mineral por sediar os fenô-
menos de trocas de íons determinantes da fertilidade do solo (existência de nu-
trientes em quantidade adequada) e da boa nutrição vegetal (capacidade de ceder
os nutrientes à planta), Por sua vez, as frações minerais mais grossas presentes
no solo são também essenciais para assegurar a drenabilidade, a permeabilidade
e a areração indispensáveis para o equilíbrio àgua_ar exigido para a realização da
fotossíntese (captação dos nutrientes em solução por meio de pressão osmótica
nas raízes) e da respiração dos organismos existentes no solo (Braga, 2005).
A porção orgânica – e particularmente sua parcela em decomposição – é
importante por dar origem ao húmus. Ao húmus cabe a função de agente gra-
nulados (formação de torrões) dos solos produtivos. A matéria orgânica tem a
elevadíssima capacidade de reter nutrientes e água, muito superior, por exem-
plo, à existente na caulinita, a argila predominante em nossos solos. Pesquisas
(Coelho e Verlengia, 1976) estimam que mais
de 70% da capacidade de retenção de nu-
trientes dos solos do Estado de São
Paulo seja devida a matéria orgâni-
ca. Além disso, a matéria orgânica
pode ter um efeito atenuador da
nocividade de alguns elementos mi-
nerais sobre as plantas, como o
alumínio e o manganês, por
vezes presentes em
teores indesejáveis
nos solos tropicais
(Braga, 2005).
©© DESIGNUA | DREAMSTIME.COM

Figura 3.4 – Camadas de solo.

70 • capítulo 3
3.2.6  Classificação do Solo

Dentre as muitas classificações existentes para os solos, destacam-se aqui duas


com base, respectivamente, na granulometria e na pedologia (origem e evolução).

3.2.6.1  Tamanho das Partículas

Sabe-se que o comportamento dos solos está, de certo modo, ligado ao tamanho
das partículas que os compõem. De acordo com a granulometria, os solos são
classificados nos seguintes tipos (em ordem decrescente de tamanho dos grãos):

a) Pedregulhos ou cascalhos;
b) Areias: grossas, médias e finas;
c) Siltes;
d) Argilas

Na natureza, raramente um solo é do tipo “puro”, isto é, constituído, na


sua totalidade, de uma única granulometria. Dessa maneira, o comum é o solo
apresentar certa porcentagem de areia, de site, de argila, de cascalho etc. Como
exemplo, citamos um solo originário de arenito que apresentou as seguintes
características: 52% de areia fina, 36% de silte e 12% de argila. Esses números
não são absolutos e definitivos para esse solo arenoso, uma vez que a rocha ma-
triz pode variar de arenito para argilito ou siltito etc. dessa maneira os solos
são classificados de acordo com a seguinte nomenclatura: o elemento predo-
minante é expresso por um substantivo e os demais, por um adjetivo. Por exem-
plo: areia argilosa é um solo predominantemente arenoso com certa porcenta-
gem de argila (Chiossi, 2013).
A acidez do solo atua sobre a produção primária de várias formas. Sobre os so-
los com pH inferior a 5,5, ela favorece a solubilização do alumínio, do manganês
e do ferro, em detrimento do fósforo que precipita, ficando reduzida a disponi-
bilidade desse nutriente essencial para as plantas. Alem disso, a acidez reduz a
atividade de bactérias decompositoras da matéria orgânica, diminuindo a quan-
tidade do nitrogênio, fosforo e enxofre contidos no solo. A deficiência desses nu-
trientes essenciais prejudica o desenvolvimento das plantas e pode aumentar sua
sensibilidade à toxidez do alumínio e do manganês. Por fim, o pH baixo pode
afetar a atividade microbiana de decomposição e nutrição de húmus ao reduzir

capítulo 3 • 71
a ação desse ultimo na estruturação dos solos. Os valores de pH mais elevados
(acima de 6,5) reduzem a disponibilidade de vários nutrientes ( Zn, Cu, Fe, Mn,
B), podendo provocar sua deficiência nas plantas (Braga, 2005).
A classificação granulométrica mais conhecida e internacionalmente aceita
estabelece as frações para os componentes minerais dos solos, conforme mos-
tra a tabela 3.1.

FRAÇÃO DIÂMETRO (MM)

Pedra Maior que 20

Cascalho Entre 20 e 2

Areia Entre 2 e 0,02

Silte (ou limo) Entre 0,02 e 0,002

Tabela 3.1 – Classificação granulométrica.

Raramente um solo ou um horizonte é constituído de uma só das frações an-


teriormente definidas, mas sim de uma combinação com diferentes proporções.
Para facilitar a identificação dos solos com propriedades próximas, é possível uti-
lizar diagramas triangulares. Definida a granulometria de um solo, ele pode ser
classificado com base na figura em argiloso, quando possui mais do que 15% de
argila, siltoso (ou limoso), quando possui mais do que 60% de silte (limo) e menos
do que 20% de argila; e barrento, quando não estiver enquadrado em nenhum
dos anteriores, tendo, portanto, uma composição mais equilibrada (Braga, 2005).
Na linguagem técnica corrente, é comum encontrarmos as referencias ‘so-
los finos ou pesados para indicar solos argilosos; ‘solos grosseiros’ para solos
arenosos; e ‘solos médios’ para solos barrentos. Nas práticas de campo, esses
solos, quando úmidos, podem ser reconhecidos pelo tato: são arenosos, quan-
do ásperos e pouco pegajosos; são argilosos, quando a impressão é de suavida-
de e pregajosidade; são siltosos, quando se apresentam sedosos (Braga, 2005).

72 • capítulo 3
3.2.6.2  Classificação pedológica dos solos

Qualquer uma das classificações disponíveis descreve conjuntos de solos com


características e propriedades pedologicamente homogêneas, constituídos,
por sua vez, por subconjuntos de peculiaridade crescente, definidos à medida
que se lhe detalham essas características e propriedades para áreas geográficas
de extensão mais reduzidas. Assim, quando se passa da escala mundial para
a nacional ou para a estadual ou local, o mapeamento permite a representa-
ção de subclasses cada vez mais específicas. Nesse detalhamento progressivo,
a exemplo do que acontece nas Ciências Biológicas, em que podem ser distin-
guidos conjuntos de abrangência decrescente e especificidade crescente como
ordem, subordem, grandes grupos, genérica do tema, não será necessário des-
crever mais detalhes do que os existentes nos grandes grupos.
Tomando como referencia a classificação norte-americana, os solos, segun-
do a ordem, podem ser zonais, intrazonais e azonais – cada um delescompor-
tando subordens ou grandes grupos, como os indicados na tabela 3.2.

ORDEM SUBORDEM OU GRANDE GRUPO

•  Latossolo (inclusive terra roxa legitima)


•  Terra roxa estruturada
•  Solos paradzólicos
Zonal •  Podzol
•  Brunizem ou solo de pradaria e rubrozem
•  Bruno não cálcio
•  Solo desértico
•  Solo tundra

capítulo 3 • 73
ORDEM SUBORDEM OU GRANDE GRUPO

•  Solo salino ou halomórfico


•  Solo hidromórfico
Intrazonal
•  Grumossolo
•  Litossolo

•  Regossolo
Azonal •  Solo aluvial
•  Cambissolo

Tabela 3.2 – Classificação pedológica dos solos. Fonte: Braga, 2005.

3.2.7  Erosão

Erosão é o desgaste do solo e das rochas, em geral por causa do intemperismo.


Este desgaste pode ser natural ou provocado pela ação do homem. A erosão des-
trói as estruturas que compõem o solo, levando seus nutrientes e sais minerais
existentes para as partes baixas do relevo (figura 3.5).
A erosão é muito pequena em solos cobertos pela vegetação e quase inexis-
tente, mas é um processo natural sempre presente e importante para a formação
dos relevos. O problema ocorre com a retirada das vegetações para uso agrícola,
deixando o solo exposto e tornando a erosão, o que pode levar à desertificação.

3.2.8  Ocorrência

São várias maneiras pelas quais pode ser classificada a erosão. Além da erosão
urbana e rural, que se diferenciam tanto pelas causas como pelos efeitos, é
comum distinguir-se a erosão geológica ou lenta da acelerada. A primeira pro-
cessa-se de modo inexorável sob a ação dos agentes naturais; a segunda ocorre
como uma consequência da ação do homem sobre o solo. As partículas do solo
são carregadas pela água à proporção da pluviosidade e da declividade do terre-

74 • capítulo 3
no e à proporção do tempo de replantio ou rebrota, assim como a rarefação do
cultivo de substituição implantado.
Além dessa perda de matéria orgânica e nutrientes, que dariam origem
a substâncias coloidais capazes de garantir certa coesão do solo, as próprias
substâncias coloidais já existentes também podem ser destruídas pelo fogo.
Em todos os casos, a consequência é a perda progressiva da fertilidade e da pro-
dutividade primária do solo, podendo-se chegar a sua total e rápida esteriliza-
ção e eventual desertificação, caso não sejam tomadas precauções adequadas
em tempo oportuno (Braga, 2005).
Ainda de acordo com Braga (2005) a história registra muitos episódios em que
a erosão tem causado verdadeiras catástrofes, destruindo povos, civilizações e im-
périos, de modo a alterar situações de domínio e gerar desequilíbrios socioeconô-
micos que perduram por sécilos ou milênios. O fato novo, decorrente do conhe-
cimento da inter-relação mundial dos mecanismos ecossistêmicos e da possível
integração socioeconômica do planeta, já referido na introdução deste capítulo,
mostra a dimensão internacional do interesse que o problema da erosão hoje des-
perta, mesmo quando os episódios agudos não estão por perto de nós.
Por outro lado, a expansão das fronteiras agrícolas veio ocorrendo a veloci-
dades crescentes, ocupando novos solos, quase sempre a partir dos mais aptos
e menos frágeis até alcançar as áreas hoje cultivadas, perfazendo uma extensão
total mais próxima da que é admitida como ideal para a produção primária in-
tensiva. Dados do Instituto Internacional para o Ambiente e o Desenvolvimento,
órgão da ONU, mostram que a área cultivada praticamente triplicou em pouco
mais de um século, com a agravante desse crescimento entre 1950 e 1980, ter
se dado, principalmente, em países em desenvolvimento, à custa do desmata-
mento de florestas tropicais. Embora não existam estatísticas globais disponí-
veis para todo território brasileiro, são conhecidos vários episódios de perdas
progressivas e graves do potencial produtivo, inclusive com desertificação já
visível em vários estados. Como exemplo, podemos citar o sul do Maranhão e
do Pará e o norte do estado de Tocantins, em áreas da Amazônia recentemente
abertas a colonização com a Belém – Brasília (início da década de 1960) e com a
Transamazônica e outras vias amazônicas (década de 1970); as áreas a sudoeste
do Estado de São Paulo e a norte e nordeste do Estado do Paraná, formadas
por solos podzólicos naturalmente férteis e bastante erodíveis, extensivamente
utilizados para muitas monoculturas de algodão, soja, amendoim etc.; e parte
dos pampas gaúchos outrora empregados na produção intensiva de gramíneas

capítulo 3 • 75
alimentícias e forrageiras. Pesquisas efetuadas no Estado de São Paulo pelo
instituto Agronômico de Campinas dão uma medida das repercussões erosivas
dos ciclos sucessivos de cultivo iniciado pelo café, com a derrubada da mata
(que originalmente cobria mais de 80% do território paulista), seguida pela pas-
tagem e diferentes cultivos (Braga, 2005).
A tabela 3.3 apresenta as perdas de solo por erosão decorrentes de várias
coberturas vegetais.

TIPO DE VEGETAÇÃO OU CULTIVO PERDAS DE SOLO (T/HA/ANO)


Mata 0,004
Café 0,9 a 1,1
Pastagem 0,4 a 0,7
Mamona 41,5
Feijão 38,1
Mandioca 33,9
Amendoim 26,7
Arroz 25,1
Algodão 24,5 a 33,0
Soja 20,1
Batata 18,4
Cana 12,4
Milho 12,0
Milho + Feijão 10,1

Tabela 3.3 – Perdas de solo por erosão decorrente de diferentes coberturas vegetais.
Fonte: Braga, 2005.

Coroando as tentativas de reunir em uma fórmula todos os fatores causadores


da erosão hídrica, Wischmeyer e Smith, em 1960, criam a Equação Universal de
Perdas de Solos, útil para as avaliações preliminares e para planejamento, mas que
é aqui apresentada principalmente com o intuito de evidenciar os principais fato-
res intervenientes e sua importância relativa em diferentes situações. Como vere-
mos os principais fatores intervenientes e sua importância relativa em diferentes
situações. Como veremos em seguida, sua aplicação efetiva é trabalhosa e depende
de informações preexistentes, além de ela ter pretensão de ser universal. A perda de
solo anual, por unidade de área e tempo, é calculada pela expressão:

A= R • K • L • S • C • P (1)
Onde:

A – perda anual de solo por unidade de área e tempo (t/há ano)


R – fator de erosividade da chuva ou índice de erosão pela chuva

76 • capítulo 3
K – fator de erodibilidade ou capacidade de solo erodir-se em face de uma
determinada chuva
L – fator de comprimento do declive ou rampa
S – fator do grau do declive
C – fator de uso e manejo do solo
P – fator de prática conservacionista

A bibliografia específica apresenta a maneira de se estimar os valores de


cada um dos fatores por meio de se estimar os valores de cada um dos fatores
por meio de expressões empíricas, nomogramas, quadros e mapas (Salvador,
198; Bertoni et al, 1985). Desses, a tabela 3.4 com o fator de erodibilidade K para
o Estado de São Paulo, que permite comparar o comportamento de dois solos
comuns no estado para condições semelhantes quanto aos demais fatores.

FATOR K FATOR K
TIPO DE SOLO HORIZONTE HORIZONTE
SUPERFICIAL SUBSUPERFICIAL

Podzolizado com cascalho 0,54 0,26

Latossolo vermelho-amarelo 0,11 0,04

Tabela 3.4 – Fator de erodibilidade K para diferentes solos do Estado de São Paulo (Braga,
2005 apud Bertoni et al., 1985).

3.2.9  Prevenção, Controle e Correção

A aplicação de medidas corretivas visando à recuperação de solos degradados


pela erosão continua sendo de viabilidade restrita a situações muito peculia-
res e localizadas. Quando a erosão restringe-se à laminar ou pequenos sulcos,
de tal modo que a camada de solo removido ainda é delgada, permanecendo à
superfície os horizontes superiores, pode-se recorrer ao plantio de vegetação e
à correção da drenagem que deu inicio a formação de sulcos para que o ecossis-
tema alcance um novo equilíbrio, repondo a fertilidade e a produtividade pri-

capítulo 3 • 77
mária do solo. Nos demais casos, principalmente quando se manifesta a erosão
regressiva (‘boçorocas’ ou ‘voçorocas’), os investimentos corretivos necessários
só são financeiramente possíveis e economicamente justificáveis quando se
destinam a recuperar terras produtivas altamente valorizadas e de pequena ex-
tensão ou a proteger áreas ameaçadas de ser destruídas pela erosão.
Os episódios mais graves registrados no país têm sido objeto de programas
federais, estaduais e municipais visando a correção de boçorocas. Na região
de solos podzólicos localizada entre os estados de São Paulo e do Paraná, por
exemplo, o Departamento Nacional de Obras de Saneamento (DOS) vem apli-
cando, há quase duas décadas, vultuosos investimento para implantar obras
de recuperação de solos atacados por voçorocas. O Departamento Estadual de
Água e Energia Elétrica do Estado de São Paulo vem desenvolvendo trabalhos
similares no estado, seja na periferia ou nas próprias áreas centrais de núcleos
urbanos ameaçados de destruição pela erosão regressiva.
As medidas preventivas, muito mais eficazes e de custo social bem mais redu-
zido, existem em maior numero. As limitações a sua aplicação decorrem não de
restrições financeiras ou de complexidade técnica, mas das dificuldades próprias
de as sociedades menos desenvolvidas política e socialmente manterem meca-
nismos legais, institucionais e administrativos capazes de ordenar a ocupação e
o uso do solo, estimular a aplicação de técnicas ambientalmente adequadas e im-
pedir aquelas que ponham em risco os recursos do patrimônio privado e público.

3.2.10  Gerenciamento de Áreas Contaminadas

De acordo com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, a CETESB,


define-se área contaminada como sendo “uma área, local ou terreno onde há
comprovadamente poluição ou contaminação causada pela introdução de
quaisquer substâncias ou resíduos que nela tenham sido depositados, acu-
mulados, armazenados, enterrados ou infiltrados de forma planejada, aciden-
tal ou até mesmo natural. Nessa área, os poluentes ou contaminantes podem
concentrar-se em subsuperfície nos diferentes compartimentos do ambiente,
como por exemplo no solo, nos sedimentos, nas rochas, nos materiais utiliza-
dos para aterrar os terrenos, nas águas subterrâneas ou, de uma forma geral,
nas zonas não saturada e saturada, além de poderem concentrar-se nas pare-
des, nos pisos e nas estruturas de construções”.

78 • capítulo 3
CONEXÃO
Para maior conhecimento das questões relacionadas às áreas contaminadas, como são
efetuados os levantamentos, o gerenciamento e suas tratabilidades, acessem: http://www.
cetesb.sp.gov.br/areas-contaminadas/O-que-s%EF%BF%BDo-%EF%BF%BDreas-Conta-
minadas/1-O-que-s%EF%BF%BDo-%C3%81reas-Contaminadas.

Os poluentes ou contaminantes podem se infiltrar no solo através desses


meios propagando-se por diferentes vias, como o ar, o próprio solo, as águas
subterrâneas e superficiais, alterando suas características naturais de qualida-
de e determinando impactos negativos e/ou riscos sobre os bens a proteger, lo-
calizados na própria área ou em seus arredores.
As fontes de contaminação são várias:

•  Fontes destinadas a descarga de substâncias (como as fossas sépticas, po-


ços de injeção, lagoas de infiltração);
•  Fontes destinadas ao armazenamento, tratamento ou disposição de substân-
cias (como aterros sanitários, cemitérios, rejeitos de atividades de mineração, tan-
ques de armazenamento aéreos, tanques de armazenamento subterrâneos, etc.);
•  Fontes destinadas ao transporte de substâncias (como linhas de transpor-
te de gás natural, hidrocarbonetos e demais substâncias);
•  Descarga de substância como consequência de outras atividades (como
irrigação, utilização de fertilizantes e pesticidas, resíduos de animais, escoa-
mento superficial, etc.);
•  Fonte que atuam como conduto entre aquíferos e substâncias (como po-
ços de bombeamento p/ abastecimento, poços de monitoramento, escavação);
•  Fontes que ocorrem naturalmente mas são aumentadas por ações antró-
picas (como as interações entre águas superficiais e subterrâneas, percolação,
intrusão salina).

A contaminação de uma área normalmente se dá através de plumas, e a re-


mediação é necessária para que a massa de contaminantes seja removida.
Várias são as estratégias de remediação para que a essa massa seja removi-
da, dentre elas destacamos as técnicas que visam conter a pluma e a fonte de
contaminação, conter a fonte e remediar a pluma e eliminação da fonte e utili-
zar remediação natural para a pluma.

capítulo 3 • 79
Após maio de 2002, quando a CETESB divulgou a primeira lista de áre-
as contaminadas, o número era de 255 áreas contaminadas no estado de São
Paulo. Já em novembro de 2008, após a oitava atualização, o número de áreas
contaminadas chegou a 2.514 (CETESB, 2008).
O principal motivo dessa alteração nos dados diz respeito às descobertas
constantes de áreas contaminadas por postos de combustíveis (CETESB, 2008).
Na figura 3.6 é possível observar a distribuição das áreas de contaminação de
acordo com a atividade realizada.

Resíduo (80) Acidentes (20)


3% 1%
Indústria (337)
13%
Desconhecida (2)
0% Comercial (120)
5%

Posto de
combustível (1.953)
78%

Figura 3.6 – Distribuição de Áreas Contaminadas por atividades realizadas. Fonte: CETESB, 2008.

Existe uma grande quantidade de processos físico-químicos e biológicos que


podem ser utilizados para a remediação dessas áreas contaminadas. Normalmente
a contaminação de solos requer auto custo para remediação quando contamina-
dos, bem como leva-se em consideração o elevado tempo para sua remediação.
Podemos as técnicas para recuperação de uma área contaminada, podem
ser classificadas em “in situ” avaliando o local onde ocorreu a contaminação
e “ex situ” quando há a remoção da terra ou água contaminado para um local
onde será feito o tratamento. Em termos de custos a remoção da contaminação
acaba sendo bem mais cara. Abaixo citaremos alguns métodos de tratamento:

•  in situ são: bioventing, bioaumento, bioestimulação, fitorremediação


(biológicos); oxidação química, separação eletrocinética, fraturamento, lava-
gem do solo, extração de vapores, solidificação/estabilização (físico-químico).
•  ex situ: biopilhas, compostagem, landfarming, reator de lama em bate-
lada (biológicos); extração química, oxidação-redução; desalonagem redutiva,
lavagem e solidificação/estabilização (físico-químicos); incineração, pirólise e
dessorção térmica (térmicos).

80 • capítulo 3
ATIVIDADES
01. São formas de contaminação do solo:
a) Aterros sanitários, a emissão veicular, a poluição sonora.
b) Disposição de resíduos em aterros, atividades industriais, tanques enterrados.
c) Poluição sonora, as atividades industriais, e os equipamentos lavadores de gases.
d) Equipamento lavadores de gases, as atividades industriais e os veículos.
e) Veículos pesados, atividades industriais e atividade agrícola.

02. Tendo em vista que aterro sanitário é uma forma de disposição final os resíduos sólidos gera-
dos pelas atividades humanas, e é objeto de investimentos governamentais, analise o gráfico abaixo.

2000
1800
Número de municípios

1600
1400
1200
1000
800
600
400
200
0
Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-oeste

Destinam Não destinam

Destino do lixo para aterro sanitário, segundo as Grandes Regiões do Brasil.

Sobre o destino do lixo no Brasil, analise as seguintes afirmativas:

I. Mais de 60% dos municípios dispõem o lixo adequadamente em aterros sanitários em


todas as grandes regiões brasileiras.
II. Na região Sudeste existe um número maior de municípios dispondo o lixo em aterros
sanitários do que nas regiões Sul e Nordeste reunidas.
III. Os dados do gráfico permitem deduzir que os investimentos públicos em relação à
correta destinação do lixo são insuficientes.

Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s):


a) I e II, apenas d) II e III, apenas
b) I, II e III e) I, apenas
c) I e III, apenas

capítulo 3 • 81
REFLEXÃO
“A preocupação com os processos de degradação do solo vem sendo crescente, à medida
que se verifica que, para além da clássica desertificação por secura, outros processos con-
ducentes aos mesmos resultados se têm instalado, devido a:
•  Utilização de tecnologias inadequadas em culturas de sequeiro.
•  Falta de práticas de conservação de água no solo.
•  Destruição da cobertura vegetal.” (Ambiente Brasil, 2014)

Existe mesmo degradação do solo? Você conseguiria identificar este tipo de poluição?

LEITURA
O que fazer com as áreas contaminadas de São Paulo?

O mapa mostra as áreas contaminadas (em laranja), as em processo de investigação


(vermelho), em processo de reabilitação (azul) e reabilitadas (verde) no Estado de São Paulo.
Dados são de 2012.

82 • capítulo 3
Os números impressionam. Apenas no Estado de São Paulo há mais de 4 mil áreas
definidas pela Cetesb como contaminadas, em suspeita de contaminação ou em processo
de descontaminação. A grande maioria dessa áreas são postos de gasolina, mas há também
atividades agrícolas envolvendo agrotóxicos e setores industriais e de resíduos. Algumas
dessas áreas podem ser recuperadas, mas em outras, simplesmente não há tecnologia o
suficiente para reparar o dano – infelizmente, ainda seguimos o padrão de primeiro sujar para
depois descobrir como limpar.
Brasil é o segundo maior poluidor da América Latina
Para tentar lidar com o problema, São Paulo aprovou no dia do meio ambiente uma nova
legislação sobre o assunto. O novo decreto regulamenta uma lei que já existia desde 2009, mas
como não estava regulamentada, ainda causava confusão com o setor produtivo. O Blog do Pla-
neta conversou com duas especialistas em direito ambiental que explicam como essas novas
regras vão funcionar, as advogadas Renata Amaral e Camila Steinhoff, do escritório Trench, Rossi
e Watanabe Advogados. “O decreto determina como vai funcionar o dia a dia do empreendedor,
quando e como ele deve comunicar às autoridades uma suspeita de contaminação”, diz Renata.
Com o decreto, todas as empresas passam a ser obrigadas a comunicar não apenas
casos de contaminação, como também indícios e suspeitas de que uma área pode estar
contaminada. Além disso, o texto aumenta o valor das multas ambientais. Pela legislação
anterior, o valor máximo da multa era de 10 mil UFESPs (Unidade Fiscal do Estado de São
Paulo). Pela cotação atual, essa multa seria de cerca de R$ 190 mil. Agora, a multa máxima
pode chegar até o máximo previsto pela legislação federal, de R$ 50 milhões.
Outra inovação do decreto é exigir que das empresas a contratação de um seguro am-
biental obrigatório. Quando o empreendedor tem uma área contaminada ou com suspeita
de contaminação, ele deve contratar um seguro no valor de 125% do valor da processo de
descontaminação. “Esse seguro foi criado para garantir recursos para a recuperação. Para
evitar que a empresa fique sem recursos para reabilitar a área”, diz Camila.
Entre as áreas poluídas de São Paulo, a Cetesb lista dez áreas contaminadas críticas.
Oito dessas áreas ficam na região metropolitana da cidade de São Paulo, entre elas o
Shopping Center Norte.
Fonte: <http://colunas.revistaepoca.globo.com/
planeta/tag/poluicao/>.
Acesso em 09/02/2015

capítulo 3 • 83
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRAGA, B. et al. Introdução à Engenharia Ambiental: O desafio do desenvolvimento Sustentável. 2º
Ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005;
CETESB - Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental – www.cetesb.sp.gov.br. acessado em
21/01/2015;
CHIOSSI, Nivaldo José. Geologia de Engenharia. 3º Ed. São Paulo. Oficina de Textos, 2013;
JARDIM, A.; YOSHIDA, C.; FILHO, J.V.M.. Política Nacional, gestão e gerenciamento de resíduos
sólidos. Barueri. Manole, 2012;
MIHELCIC, James R.. ZIMMERMAN, Julie Beth. Auer, Martin T.. Engenharia ambiental: fundamentos,
sustentabilidade e projeto. Rio de Janeiro: Ltc, 2012;

84 • capítulo 3
4
Poluição do solo ou
Poluição terrestre
(Parte 2)
Estamos a beira de desastres ambientais irreparáveis. Assim, temos que co-
nhecer as formas de transportes dos resíduos, as fontes de poluição no solo e
principalmente praticar a prevenção da poluição.

OBJETIVOS
•  Conhecer as forma de transporte de poluentes no solo;
•  Compreender a importância do solo como fonte de vida;
•  Conhecer as formas de poluição em solos rurais e urbanos;
•  Conhecer um pouco sobre os tipos de resíduos sólidos e seu gerenciamento.

86 • capítulo 4
4.1  Transportes de Poluentes no Solo
O processo de transporte de poluentes no solo se dá por diversas maneiras, des-
de o lançamento inadequado de diversos tipos de resíduos até mesmo pela utili-
zação exagerada de substâncias que servem para colaborar com a qualidade do
solo. O contato destes resíduos e destas substâncias com o solo traduzem os im-
pactos que por eles são gerados. Vejamos a seguir as consequências da utilização
de fertilizantes e defensivos no solo e também da disposição de resíduos no solo.

4.1.1  Poluição do Solo Rural

O emprego de fertilizantes sintéticos e defensivos (figura 4.1) é um fato relativa-


mente novo, cujo uso cresceu rapidamente e que se estende, hoje, por pratica-
mente todas as terras cultiváveis, com alguns impactos ambientais imediatos
e bem conhecidos e outros, especialmente os relacionados aos defensivos, que
dependem de anos e décadas para manifestar e ser avaliados em suas consequ-
ências totais. Nos dois casos, a produção e o consumo vêm crescendo geometri-
camente a taxas que giram em torno de uma sextuplicação a aproximadamen-
te a cada duas décadas e que tendem a manter-se ou crescer em curto prazo.
Entretanto, a despeito dos riscos envolvidos, é forçoso reconhecer que o uso
de fertilizantes sintéticos e defensivos é essencial para assegurar os níveis de
produção primária, particularmente de alimentos, para o atendimento de uma
população que continua a crescer em taxas elevadas, da qual cerca de dois ter-
ços tem graves problemas de desnutrição. Se não é possível abolir o uso desses
fertilizantes em curto prazo, é urgente limitar seu uso ao estritamente indis-
pensável, cortando os desperdícios geradores de resíduos poluidores, restrin-
gindo o emprego de defensivos aos ambientalmente mais seguros e empregan-
do técnicas de aplicação que reduzam os custos derivados de sua acumulação e
propagação pela cadeia alimentar (Braga, 2005).

capítulo 4 • 87
©© ROBERT CARNER | DREAMSTIME.COM

Figura 4.1 – Aplicação de fertilizantes e defensivos no solo.

4.1.1.1  Fertilizantes Sintéticos

Os restos de vegetais decompostos e excrementos de animais (estrume) eram


muito utilizados como fertilizantes no auge da industrialização, quase sempre
provenientes da produção própria e local. Quando da alta necessidade, eram
obtidos de produtores, como é o caso do Salitre do Chile, ou obtidos pelo be-
neficiamento, de imensos depósitos de ‘guano’ (excrementos depositados na
costa do Chile e do Peru por aves aquáticas cuja alimentação provém das ricas
aguas da corrente de Humboldt e das várias ressurgências que aí ocorrem).
Sendo todos produtos naturais, sua biodegradação e incorporação às ca-
deias alimentares dos ecossistemas associados ao solo eram imediatas e não
havia criação de desequilíbrios ou danos maiores (Braga, 2005).
A produção do adubo artificial levou a queda da barreira física e econômica
que limitava a disponibilidade de ambos os produtos, assim, fazendo com que
os riscos da acumulação ambiental no solo de certas substâncias, muitas vezes
utilizada em altas concentrações levassem a problemas mais sérios e danosos
ao solo. Tanto devido as altas dosagens ou a alta concentração utilizada de nu-
trientes essenciais quanto de outros elementos tidos como impurezas do pro-
cesso de fabricação podem trazer danos ambientais.

88 • capítulo 4
De acordo com Braga (2005) a bibliografia cita casos de pesquisas efetua-
das em vários países onde foram constatadas várias impurezas constituídas por
substancias altamente toxicas. Pesquisas realizadas nos Estados Unidos desde
1970 indicam a presença de várias impurezas, algumas delas na forma de me-
tais pesados, de reconhecida toxidez, mesmo em teores bastante reduzidos.
A adição de fertilizantes (figura 4.2) ao solo visa atender à demanda de nu-
trientes das culturas. Em ordem decrescente das qualidades exigidas pela plan-
ta, são cerca de dezesseis os elementos necessários assimilados a pelo vegetal,
principalmente a partir de suas formas minerais ou mineralizadas encontradas
em solução nos solos. Os macronutrientes principais são o nitrogênio, o fos-
foro e o potássio. Em seguida, estão os macronutrientes secundários: cálcio,
magnésio, enxofre. Por fim, os micronutrientes como ferro, manganês, cobre,
zinco, boro, molibdêncio e cloro. Como em qualquer processo físico, químico
e biológico, mesmo quando o fertilizante é aplicado com a melhor técnica e de
modo que seja mais facilmente assimilável pelo vegetal, a eficiência nunca é de
100%, provocando, em consequência, um excedente que passa a incorporar-se
ao solo, fixando-se à sua porção sólida ou solubilizando-se e movimentando-se
em conjunto com sua fração liquida. A eficiência dessa aplicação, além de de-
pender da técnica utilizada (modo e local da aplicação, momento da aplicação
e ocorrência ou de agentes que carregam e lixiviam etc.), depende também das
quantidades adotadas. Essa dependência é expressa pela conhecida lei econô-
mica ‘dos rendimentos decrescentes’. Por essa lei, a medida que as aplicações
de fertilizante se intensificam a cada novo acréscimo de quantidade de fertili-
zante empregado, o acréscimo de produção primária é crescentemente menor.
Em outras palavras, a eficiência cai e quantidades crescentes incorporam-se ao
ambiente, e não a planta, mas relembrando os ciclos biogeoquímicos vistos nos
capítulos precedentes, é fácil intuir que alguns deles poderão vir a integrar-se a
corpos de agua e outros ficarão no solo, próximos a superfícies em que ocorrem
os cultivos. Os primeiros poderão elevar os teores com que naturalmente se
apresentam nas aguas, ocasionando diferentes formas de poluição. Uma delas,
denominadas contaminação ocorre quando esses teores atingem níveis tóxicos
à flora, à fauna, à fauna e o homem em particular. A outra denominada eutro-
fização corresponde à superfície das aguas, que passam a produzir enormes
quantidades de algas que, por competição, eliminam muitas espécies aquáti-
cas e restringem severamente os benefícios que podem ser extraídos da agua.

capítulo 4 • 89
A parcela que se fiou ao solo tente a acumular-se em concentrações crescentes
que poderão torna-lo impróprio à agricultura (Braga, 2005).
©© AMNARJ2006 | DREAMSTIME.COM

Figura 4.2 – Fertilizantes ou adubos.

4.1.1.2  Defensivos Agrícolas

Os defensivos agrícolas (figura 4.3) são classificados em grupos, de acordo com


o tipo de praga que combatem: inseticidas, fungicidas, herbicidas, rodentici-
das (contra roedores) etc.
©© ZERBOR | DREAMSTIME.COM

Figura 4.3 – Aplicação de defensivo agrícola.

90 • capítulo 4
Os defensivos que inauguram o ciclo que ainda hoje caracteriza a tecnologia
predominante de combate às pragas agrícolas têm cerca de 50 anos. Eles foram
sintetizados na busca de um efeito mais duradouro de sua aplicação. Surgiu,
então, o DDT, em 1979, como o primeiro inseticida organoclorado de elevada
resistência à decomposição no ambiente (meia vida da ordem de decênios).
Desde então, um grande numero deles vem sendo sintetizados, partindo-se do
mesmo objetivo inicial, mas com a preocupação crescente de torna-los mais
específicos quando aos organismos afetados e menos duradouros. É forçoso
reconhecer que esses dois ultimo objetivos ou não tem sido alcançados com
sucesso ou o sucesso da sua concretização tem esbarrado em uma consequente
perda de eficiência. O atributo que foi o grande motor da expansão dos defen-
sivos – seu efeito residual – transforma-se cada vez mais na pior de suas carac-
terísticas. A resistência em decompor-se no ambiente, de modo a impedir o
desenvolvimento de organismos indesejados, justificou o sucesso do DDT em
programas de saúde publica (pelo combate a malária, tifo exantemático e varias
outras doenças transmitidas por insetos) e na contribuição para o aumento da
produtividade agrícola. Entretanto, essa permanência no ambiente ampliava a
oportunidade de sua disseminação pela biosfera, seja por meio de fenômenos
físicos (como a movimentação das aguas e a circulação atmosférica), seja pe-
las cadeias alimentares dos ecossistemas presentes no local de sua aplicação
original. De repente, os resultados de pesquisas e expedições cientificas come-
çaram a registrar a presença de defensivos como DDT nas calotas polares e em
tecido celular de animais e aves com habitat bastante afastados dos locais de
sua aplicação costumeira, e, oque é pior, em teores elevadíssimos. Enquanto
a circulação das aguas e da atmosfera juntamente com os deslocamentos dos
organismos integrados a cadeias alimentares explicavam a disseminação dos
defensivos em escala mundial, as concentrações elevadas são consequência do
que se denomina biomagnificação ou amplificação biológica. A biomagnifica-
ção ocorre quando substancias persistente ou cumulativa, como os compostos
organoclorados, migram do mecanismo da nutrição de um organismo para se-
guintes da cadeia alimentar. Essa migração pode ser iniciada pela concentra-
ção da substancia no organismo fotossintetizante e chegar até os últimos elos
da cadeia alimentar (Braga, 2005)
Outros estudos mostram que os defensivos presentes no solo transferem-
se, parcialmente, para o tecido celular da planta, com relações de concentra-
ções que dependem, entre outros fatores, da concentração existente no solo e

capítulo 4 • 91
do tipo de planta. Ramade (1974) apresentou os efeitos da contaminação do
solo por heptacloro em vários cultivos.
Os efeitos ambientais ou indiretos podem ser resumidos em:

•  Mortandade inespecífica: mesmo quando sintetizada na tentativa de se


combater especificamente uma certa praga por meio da propagação pela ca-
deia alimentar, essa mortandade pode tornar-se inespecífica;
•  Redução da natalidade e de fecundidade de espécies: mesmo naquelas
espécies que só longinquamente e apenas por meio da cadeia alimentar ligam-
se à praga combatida.

Muitas pragas, hoje em dia, podem ser controladas por meios biológicos lu-
garde pesticidas. Nesse caso, as espécies nocivas são mantidas em níveis aceitá-
veis pela introdução de um predador natural ou microorganismo que lhe cause
doença. Por exemplo, os insetos que infestam a cana-de-açúcar podem ser con-
trolados por uma espécie de joaninha. O manejo integrado de pragas visa contro-
lar as pragas de modo a minimizar as perdas econômicas por meio de sua redu-
ção populacional sem que seja preciso eliminá-las por completo. A abrangência
e a complexidade elevada dos efeitos dos defensivos na biosfera não permitem
que, até agora, pudessem ser vislumbradas medidas corretivas. Por outro lado,
persistem várias incógnitas sobre a natureza e a extensão de algumas das con-
sequências em longo prazo. Considerando-se, ainda, a atual existência de solu-
ções alternativas em escala compatível com a necessária, concluir-se esse um dos
maiores desafios ambientais desde o inicio do século. A seguir, relacionamos os
principais grupos de defensivos agrícolas sintéticos de acordo com Braga (2005).

Inseticidas:

•  Organoclorados DDT, Aldrin, Dieldrin, Heptacloro etc. De um modo


geral, eles são extremamente persistentes. Alguns, deles, como DDT, perma-
necem em percentuais de mais de 40% decorridos cerca de 15 anos após sua
aplicação. O heptacloro, um dos menos persistentes, após os mesmos 15 anos
apresenta percentual em torno de 15%. Sua produção e consumo Vêm sendo
proibidos progressivamente em um número cada vez maior de países.

92 • capítulo 4
•  Organofosforados: Parathion, Malathion, Phosdrin, etc. Apresentam uma
certa seletividade em sua toxidez para os insetos. Em sua maioria, degradam-se
bem mais rapidamente que os organoclorados.

•  Carbamatos: São específicos em sua toxidez para os insetos e de baixa to-


xidez para os vertebrados de sangue quente.

Fungicidas:

•  Sais de cobre: os de uso mais antigo.


•  Organomercuriais: de uso restrito às sementes.

Herbicidas:

•  Derivados do arsênio: de uso decrescente e limitado.


•  Derivados do ácido fenoxiacetico: 2,4D; 2,4,5T; Pichloram. Os dois pri-
meiros foram utilizados no Vietnã em dosagens dezenas de vezes superiores
às máximas recomendadas na agricultura e provocaram efeitos catastróficos
sobre a fauna, a flora e as populações (‘agente laranja”).

4.1.1.3  Salinização

A salinização é uma forma particular de poluição do solo. Como menciona-


mos anteriormente, ela ocorre com mais frequência em solos naturalmente
susceptíveis, seja pela natureza do material de origem, seja pela maior aridez
do clima ou pelas condições do relevo local. Há, porém, uma salinização que
pode ocorrer pela ação do homem quando a exploração agrícola é feita com o
auxilio de irrigação. Em zonas de maior pluviosidade, além de a solução aquo-
sa do solo apresentar menor teor de sais, as precipitações frequentes lixiviam
esse sal, devolvendo-o, por infiltração, para o lençol freático. Em zonas áridas,
o teor de sais na solução aquosa é mais elevado, e a frequência das lixiviações
pelas chuvas é bem menor. Além disso, a exploração agrícola, muitas vezes,
só é possível mediante irrigação. A consequência imediata é uma elevação do

capítulo 4 • 93
lençol freático. Quando ele é naturalmente, pouco profundo, a franja capilar
imposto pelo novo nível pode atingir a superfície do terreno, acumulando sais.
A prevenção desse problema deve ser feita na fase do projeto de engenharia,
mediante a previsão de um sistema de drenos que rebaixe a superfície do len-
çol freático. Uma outra medida, que pode ser utilizada em paralelo, consiste
em sobreirrigar, aplicando quantidade de agua superiores às requeridas pela
planta, para obter o efeito de lixiviação normalmente resultante das chuvas. As
duas medidas encarecem os custos de investimento e de operação. Outras ve-
zes nem sequer é detectada previamente sua necessidade. O resultado que tem
sido frequente em grandes programas de irrigação é a salinização e a perda de
enormes extensões de solos agricultáveis, a exemplo do que ocorreu muitas ve-
zes na Antiguidade, contemporaneamente na Califórnia e, mais recentemente,
no semi-árido brasileiro (Braga, 2005)

4.2  Poluição de Solo Urbano


A poluição do solo urbano é proveniente dos resíduos gerados pelas atividades eco-
nômicas que são típicas das cidades, como a indústria, o comércio e os serviços,
além dos resíduos provenientes do grande número de residências presentes em
áreas relativamente restritas. Difere da poluição rural por outro aspecto importan-
te do ponto de vista ecológico e de equilíbrio dos ecossistemas. A maior parte dos
resíduos urbanos é proveniente de áreas externas ao seu território. Ao serem lan-
çados ou dispostos adequadamente aos limites do território urbano, elas não só
acostumam com os problemas de poluição (especialmente quando ela é entendida
pelo seu conceito de ‘indigestão’ em um seguimento biosfera), como causam o em-
pobrecimento nas áreas de onde provêm a matéria e a energia que, após utilização
no meio urbano,transforma-se em resíduos (Braga, 2005).
Embora a poluição do solo possa ser provocada por resíduos nas fases solidas,
liquida e gasoso, é, sem duvida, sob a primeira forma que se manifesta mais inten-
samente por duas razões principais: as quantidades geradas são grandes caracte-
rísticas de imobilidade (figura 4.4) – ou pelo menos de muito menor mobilidade
dos sólidos – impõe grandes dificuldades ao seu transporte no meio Ambiente. É
exatamente a grande mobilidade dos gases propiciada pela circulação atmosférica
com frequentes trocas de massa e a redução das concentrações de poluentes re-
lativamente rápida (em relação aos líquidos e em especial os sólidos) que tornam

94 • capítulo 4
de menor significado o efeito poluidor direto dos resíduos gasosos sobre o solo.
Indiretamente, porém, a parte que precipita nas áreas urbanas pode chegar ao solo
na forma de poluentes em solução, trazidos pelas chuvas conhecidas como ‘chuvas
acidas’, por exemplo. Além desses, há os resíduos líquidos que atingem o solo ur-
bano e que são provenientes dos efluentes líquidos de processos industriais e, dos
esgotos sanitários que não são lançados nas redes publicas de esgotos. Tanto uns
como outros podem chegar ao solo como parte de um procedimento técnico de
tratamento de resíduos líquidos por aplicação ao solo ou, como consequências de
descuido e descaso, serem aí simplesmente lançados (Braga, 2005).
Vários são os tipos de resíduos sólidos existentes e que hoje são gerenciados
mediante legislações específicas, como por exemplo:

•  Resíduos sólidos urbanos - RSU


•  Resíduos sólidos industriais - RSI
•  Resíduos sólidos de sérvios de saúde - RSS
•  Resíduos sólidos de construção e demolição – RCD

©© FRANSEN | DREAMSTIME.COM

Figura 4.4 – Resíduos sólidos e sua imobilidade.

CONEXÃO
Para maiores informações da geração de resíduos no Brasil, acessem a página da Associa-
ção Brasileira das Empresas de Limpeza Pública, a ABRELPE, através do link: http://www.
abrelpe.org.br/

capítulo 4 • 95
4.2.1  Resíduos Sólidos Urbanos

De acordo com a ABRELPE (2013) a geração total de RSU no Brasil em 2013 foi de
76.387.200 toneladas, o que representa um aumento de 4,1%, índice que é supe-
rior à taxa de crescimento populacional no país no período, que foi de 3,7%.
Os resíduos sólidos de uma área urbana são constituídos por desde aquilo que
vulgarmente se denomina “lixo” (mistura de resíduos produzidos nas residências,
comércio e serviços e nas atividades públicas na preparação de alimentos, no de-
sempenho de funções profissionais e na variação de logradouros) até resíduos es-
peciais, e quase sempre mais problemáticos e perigoso, provenientes de processos
industriais e de atividades médico-hospitalares (figura 4.5) (Braga, 2005).
©© ANGELLODECO | DREAMSTIME.COM

Figura 4.5 – Resíduos Sólidos de Serviço de Saúde – RSS.

O denominado ‘lixo’, em função de sua proveniência variada, apresenta


também constituintes bastante diversos, e o volume de sua produção variada,
apresenta também constituintes bastante diversos, e o volume de sua produção
varia de acordo com sua procedência, com o nível econômico da população e
com a própria natureza das atividades econômicas na área onde é gerado. Não
é por acaso que os estudos arqueológicos valorizam tanto os resíduos como

96 • capítulo 4
fonte de conhecimentos dos costumes e da civilização de povos mais antigos.
Por exemplo, as proporções de papel, de substancias inertes, de matéria orgâni-
ca mais prontamente biodegradável, como resto de alimentos, variam bastan-
te conforme a predominância da ocupação urbana mais típica da área da qual
eles provém. Entretanto, no conjunto dos resíduos coletados nos aglomerados
urbanos maiores, com atividades diversificadas, há certo grau de similaridade
em sua composição (Braga, 2005).
A tabela 4.1 a seguir apresenta a composição do lixo no município de São Paulo
de acordo com a Autoridade Municipal de Limpeza Urbana - AMLURB. Observa-se
como essa composição se altera no tempo em razão de uma serie de fatores, como
crise econômica, avanços tecnológicos e reciclagem de materiais, entre outros.
Da composição e, principalmente, do maior ou menor teor de matéria orgâ-
nica biodegradável depende a maior ou menor eficiência na utilização de pro-
cessos biológicos naturais ou intensificados para o tratamento do lixo - os mais
empregados habitualmente, por serem os mais simples e viáveis. A quantidade
de lixo gerada decorre da população servida. Em termos médios, cada pessoa pro-
duz diariamente cerca de 0,4 kg a 0,7 kg, valor que pode ultrapassar 1,0 kg em
países desenvolvidos. Lançado em qualquer lugar ou inadequadamente tratado e
disposto, o lixo é uma fonte dificilmente igualável de proliferação de insetos e ro-
edores, com os consequentes riscos para a saúde publica que dai, derivam, além
de ser causa também de incômodos estéticos e de mau cheiro. As soluções indi-
viduais de disposição e tratamento do lixo mais empregados nas áreas rurais até
por sua utilidade (adubação do solo ou alimentação de animais) são dificilmente
viáveis em áreas urbanas, em decorrência da escassez de área e pela proximidade
de pessoas. Nas cidades é indispensável um sistema publico ou comunitário que
incumba da limpeza de logradouros, da coleta, disposição e tratamento do lixo
que extinga os riscos de saúde publica e elimine ou reduza a níveis aceitáveis os
demais impactos sobre o ambiente associado ao lixo (Braga, 2005).

capítulo 4 • 97
MATERIAL 1927 1957 1969 1976 1991 1996 1998 2000 2003
Matéria
82,5 76,0 52,2 62,7 60,6 55,7 49,5 48,2 57,5
orgânica
Papel, pape-
13,4 16,7 29,2 21,4 13,9 16,6 18,8 16,4 11,1
lão e jornal
Embalagem
-- -- -- -- -- -- -- 0,9 1,3
longa vida
Plásticos -- -- 1,9 5,0 11,5 14,3 22,9 16,8 16,8
Metais
1,7 2,2 7,8 3,9 2,8 2,1 2,0 2,6 1,5
ferrosos
Metais
não-ferrosos -- -- -- 0,1 0,7 0,7 0,9 0,7 0,7
(alumínio)
Trapos,
panos, couro 1,5 2,7 3,8 2,9 4,4 5,7 3,0 * 4,1
e borracha
Pilhas e
-- -- -- -- -- -- -- 0,1 0,1
baterias
Vidros 0,9 1,4 2,6 1,7 1,7 2,3 1,5 1,3 1,8
Terra e
-- -- -- 0,7 0,8 -- 0,2 1,6 0,7
pedra
Madeira -- -- 2,4 1,6 0,7 -- 1,3 2,0 1,6
Diversos -- 0,1 -- - 1,7 2,6 -- 9,3 1,0

*incluídos materiais diversos


-- Indica que o material ainda não era contabilizado

Tabela 4.1 – Composição (%) do lixo no município de São Paulo (AMLURB, 2003).

4.2.2  Legislação Aplicada aos Resíduos Sólidos

A Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT NBR 10.004/2004 caracteriza


como resíduos sólidos todos os “resíduos, nos estados solido e semi solido, que
resultam de atividades da comunidade de origem: industrial, domestica, hospi-
talar, comercial, agrícola, de serviços e de variação. Ficam incluídos nessa defini-
ção, os lodos provenientes de sistemas de tratamento de agua, aqueles gerados
em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determina-
dos líquidos cujas particularidades tornam-se inviável o seu lançamento nas re-
des publicas de esgotos ou corpos de agua ou exijam, para isso, soluções técnica
e economicamente inviáveis, em fase da melhor tecnologia disponível”.

98 • capítulo 4
A classificação dos resíduos sólidos é realizada com 3 objetivos básicos:

•  Caracterização: Conhecer as propriedades ou características dos resídu-


os que possam causar algum dano ao homem e a o meio ambiente.
•  Disposição: Permitir a tomada de decisões técnicas e econômicas em to-
das as fases do tratamento de resíduos sólidos.
•  Mobilização: Concentrar esforço da sociedade no controle de resíduo
cuja liberação para o meio ambiente seja problemática, de modo a permitir a
tomada de decisões técnicas e econômicas em todas as fases do trato do resí-
duo, visando a sua disposição.

Ainda, segundo a NBR 10004/2004 um resíduo é considerado perigoso


quando suas propriedades físicas, químicas e infectocontagiosas oferecem:

•  Risco à saúde pública, caracterizado pelo aumento de mortalidade ou in-


cidência de doenças;
•  Risco ao meio ambiente, quando manuseados de forma inadequada;
•  Dose Letal 50 (oral ratos) morte de 50 % da população de ratos quando
administrado por via oral;
•  Concentração Letal 50 que representa a concentração de uma substância
que, quando administrada por via respiratória, provoca a morte de 50% da po-
pulação exposta;
•  Dose Letal 50 (dérmica coelhos) morte de 50 % da população de coelhos
quando administrado por via cutânea.

A NBR -10.004 estabelece 5 critério de periculosidade, sendo eles:

•  Inflamabilidade;
•  Corrosividade;
•  Reatividade;
•  Toxicidade;
•  Patogenicidade (excluídos os resíduos sólidos domiciliares e o de trata-
mentos de esgoto).

capítulo 4 • 99
Na impossibilidade de se enquadrar o resíduo em 1 das 5 classes cita-
das anteriormente, parte-se para os ensaios Tecnológicos para avaliação dos
extratos líquidos, através das normas NBR 10.005 (Lixiviação), NBR 10.006
(Solubilização) e NBR 10.007 (Amostragem de resíduos).
Outra importante legislação aplicada aos resíduos sólidos é a Política
Nacional de Resíduos Sólidos - PNRS, através da Lei nº 12.305 de 05 de Agosto
de 2010. Bastante atual e com conteúdo de instrumentos importantes que per-
mitem o avanço necessário ao País no enfrentamento dos principais problemas
ambientais, sociais e econômicos decorrentes do manejo inadequado dos resí-
duos sólidos (MMA, 2015).
A PNRS reúne pressupostos e condições para conduzir um sistema de co-
mendo e controle através de mecanismos e instrumentos de planejamentos e
de gestão dos resíduos.
São princípios da PNRS:

•  Princípio da prevenção
•  Princípio da precaução
•  Princípio poluidor pagador
•  Princípio da responsabilidade compartilhada
•  Princípio da cooperação
•  Princípio do protetor-recebedor
•  Princípio da visão sistêmica
•  Princípio do desenvolvimento sustentável
•  Princípio da ecoeficiência
•  Princípio do reconhecimento do valor do resíduo sólido reutilizável e reciclável
•  Princípio do respeito às diversidades locais e regionais
•  Princípio da razoabilidade e da proporcionalidade
•  Princípio do direito da sociedade a informação
•  Princípio do direito da sociedade ao controle social

Estes princípios integram várias áreas incluindo a do Direito que são na


maioria das vezes testados da gestão dos resíduos sólidos.

100 • capítulo 4
CONEXÃO
Acesse as resoluções do CONAMA através do link: www.mma.gov.br

Para casos específicos, como por exemplo, para resíduos de serviços de


saúde, outras legislações devem ser seguidas. O Conselho Nacional do Meio
Ambiente – CONAMA, através da RESOLUÇÃO CONAMA No 358, DE 29 DE
ABRIL DE 2005, “Dispõe sobre o tratamento e a disposição final dos resíduos dos
serviços de saúde e dá outras providências” e a Agência Nacional de Vigilância
Sanitária – ANVISA, através da RESOLUÇÃO DA DIRETORIA COLEGIADA - RDC
Nº 306, DE 7 DE DEZEMBRO DE 2004, “Dispõe sobre o Regulamento Técnico
para o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde”, são exemplos de legis-
lações aplicadas aos RSS.

4.2.3  Disposição e Tratamento de Resíduos

A disposição e tratamento do lixo podem ser feitos de varias maneiras. Primeiro


vamos definir os termos de tratamento e disposição de resíduos.
Define-se tratamento como uma série de procedimentos destinados a reduzir a
quantidade ou o potencial poluidor dos resíduos sólidos, seja impedindo descarte
de resíduo em ambiente ou local inadequado, seja transformando-o em material
inerte ou biologicamente estável. Já a disposição é a mais adequada forma utiliza-
da para dispor o resíduo através de tecnologias eficientes como é o caso dos aterros
sanitários, coprocessamento, incineradores, compostagem, reciclagem, etc.
Uma delas, lamentavelmente em muitas cidades, consiste em simplesmen-
te lançar e amontoar o lixo em algum terreno baldio, dando origem aos ‘lixões’
ou ‘monturos’. Além dos já referidos problemas estéticos e de saúde publica,
essa pratica estimula a catação, com todos os enormes problemas sociais cor-
relatados, e propicia episódios de poluição hídrica e atmosférica (a matéria
orgânica em biodegradação atinge temperaturas de combustão espontânea,
liberando grossos rolos de fumaça que chegam a sombrear e fustigar enormes
áreas). Outras vezes, essa pratica atinge o paroxismo, quando, apesar de todos
os inconvenientes anteriores, é utilizada para recompor encostas e aterrar áre-
as íngremes, com riscos de provocar futuros deslizamentos de taludes, que
destroem edificações e vidas. As alternativas tecnicamente adequadas mais

capítulo 4 • 101
comuns para a disposição e o tratamento do lixo são o aterro sanitário ou ener-
gético, a compostagem e a incineração (Braga, 2005).
No aterro sanitário (figura 4.6), o lixo é lançado sobre o terreno e recoberto
com solo do local, de forma a isola-lo do ambiente, formando “câmaras’”. Pela
própria movimentação das maquinas de terraplenagem na execução dessas ‘câ-
maras’, o lixo é compactado e seu volume, substancialmente reduzido. Nessas
‘câmaras’, cessada a biodegradação aeróbia com o esgotamento do pouco oxi-
gênio existente, processa-se a biodegradação araeróbia, com liberação de gás e
de uma substancia liquida escura constituída pelos resíduos orgânicos apenas
parcialmente biodegradados, denominados chorume (Braga, 2005).
Para Braga (2005) a fração gasosa é predominantemente formada por gás meta-
no e tende a se acumular nas porções superiores das câmaras, devendo ser drenada
para a queima ou beneficiamento e utilização. O chorume acumula-se no fundo e
tende a infiltrar-se no solo, podendo alcançar o lençol freático, contaminando-o, no
caso de ele não estar separado por uma camada de solo ou de um revestimento sufi-
cientemente espesso ou de baixa permeabilidade, de modo a garantir a preservação
do solo. As normas de aterro sanitário requerem captação e tratamento dos gases e
do chorume. O projeto do aterro deve seguir as normas do ABNT (NBR 8.419). Ainda,
segundo Braga (2005), aterros controlados podem em certos casos, ser constituídos
sem o tratamento do chorume, seguindo as normas especificas (NBR 8.849).
Os aterros uma vez esgotados sua capacidade de receber lixo, podem ser
uteis como elementos de recuperação de áreas de baixos degradados, incorpo-
rando-as ao tecido urbano, na forma de áreas verdes e parques. Além das vanta-
gens do aterro sanitário, de baixo custo de manutenção e de execução, o aterro
energético-sanitário ainda pode reduzir os riscos de contaminação do lençol
e promover a reciclagem do gás de lixo. Entre as desvantagens do aterro está
a exigência de extensões de terreno relativamente amplas. Além disso, exige-
se que ele seja instalado em locais em que o entorno não seja prejudicado por
inconvenientes ambientais e paisagísticos que sua operação pode trazer (mau
cheiro, tráfego de caminhões de lixo e mau aspecto etc.) (Braga, 2005).

102 • capítulo 4
Setor dreno de gás
Setor em concluído dreno de água
operação de superfície

Setor em
implantação

célula de lixo
lençol freático
selo de proteção mecânica

dreno de chorume saída para estação de tratamento


geomembrana impermeabilizante
camada impermeabilizante

Figura 4.6 – Esquema de um aterro sanitário.

O processo de compostagem do lixo é uma adaptação do processo que o agri-


cultor utiliza, desde a remota antiguidade, para produzir composto de restos
agrícolas e utiliza-lo no campo como condicionador de solo. Como dizemos a
compostagem do lixo é um aperfeiçoamento das técnicas utilizadas pelos agri-
cultores, desde a Antiguidade, para a produção de composto. Geralmente, ela é
processada em instalações denominadas Usinas de Triagem e Compostagem de
Lixo, onde, inicialmente, há a separação de materiais que podem prejudicar o
processo, como trapos, madeiras e pneus, e de recicláveis, como latas, vidros e
plásticos, que tem valor comercial. O grau da sofisticação da tecnologia empre-
gada depende, principalmente, da quantidade de lixo processada, que é função
da população atendida, podendo-se dividir em dois tipos de processos: a com-
postagem natural, ou acelerada, sendo que, na primeira, o processo todo se dá
em pilhas aeradas reviradas periodicamente, e a fase termófila, que é acelerada
por dispositivos de insuflação de ar e de revolvimento mecanizado (Braga, 2005).
Na figura 4.7 apresentamos um esquema de usina de compostagem para
regiões até 60.000 habitantes onde se utiliza a compostagem normal, somete
com reviramento de leiras. Qualquer que seja o processo, devemos ressaltar as

capítulo 4 • 103
vantagens da compostagem em relação ao aterro, que são: diminuição de áre-
as de aterros, disposição em aterros de materiais não agressivos ao meio am-
biente, reciclagem de materiais e geração de empregos formais, substituído os
catadores, que se sujeitam a condições de trabalhos insalubres, por empregos
formais com condições e regimes de trabalhos adequados.
Esteira de
carregamento Pólo
Esteira de magnético
catação

Balança rodoviária

Peneiramento
de composto curado Esteira de Bioestabilizador
carregamento

Pátio
Chorume
Comercialização

Aterro de Lago de tratamento


rejeitos de chorume

Figura 4.7 – Esquema de uma usina de compostagem. Fonte: Fonte: Material impresso
Estácio. Gestão de Poluição (Atmosférica, solo e sonora) Figura 9.10, pág. 151.

A vantagem da compostagem é a menor exigência de área necessária para a


instalação e a reciclagem que propicia. Entretanto, essas vantagens só se efetivam
quando há demanda continuada para o composto (figura 4.8). Quando a demanda
é intermitente, será necessária a previsão de áreas para a sua estocagem enquanto
os interessados em utilizar o composto não o retiram da usina (Braga, 2005).
A incineração (figura 4.9) do lixo é feita em usinas de incineração, nas quais o
lixo é reduzido a cinzas e gases decorrentes de sua combustão. Por meio de ins-
trumentação e controle, a combustão pode ser otimizada, de modo a diminuir
a quantidade de matéria apenas parcialmente oxidada, reduzindo os inconve-
nientes da disposição dos resíduos sólidos restantes (cinzas) e das emissões
gasosas e de fuligem. As cinzas assim obtidas, em volume bastante reduzido e
mineralizadas, podem ser inconvenientes, em áreas de dimensões reduzidas.

104 • capítulo 4
©© HEATHSE | DREAMSTIME.COM
Figura 4.8 – Utilização de composto orgânico.

As emissões gasosas podem, também, ser lançadas a atmosfera sem maiores


inconvenientes ambientais (de contaminação, poluição por partículas ou polui-
ção visual), desde que utilizem equipamentos de poluição. É importante saber a
composição de carga alimentada ao incinerador, pois suas características podem
determinar as condições de operação ou mesmo inviabiliza-las. Assim, materiais
excessivamente úmidos acarretarão um gasto excessivo de energia em razão da
necessidade de secagem da carga. Por outro lado, a presença de materiais que
contem cloro, como plásticos do tipo PVC, pode, dependendo das condições de
queima, provocar formação de furanos e dioxinas, compostos altamente tóxicos
e cancerígenos. Para evitar esse problema, deve-se, entre outros cuidados, pro-
cessar a queima em temperatura acima de 900 ˚C (Braga, 2005).
As principais vantagens da incineração são a minimização de áreas para
aterro e para instalações e a possibilidade de sua utilização para alguns tipos de
resíduos perigosos, como hospitalares. As desvantagens são, principalmente,
os altos custos de investimento, operação e manutenção e a exigência de pesso-
al qualificado para a operação. (Braga, 2005). Além disso, tem que se pensar na
disponibilidade de área para implantação destes equipamentos, pois utilizam
grandes áreas e requer controles ambientais absolutos (figura 4.10).

capítulo 4 • 105
Vapor para Turbina
calefação a gerador

Caldeira
Tremonha de
alimentação

Câmara de
combustão
Filtro

Dispositivo
de alimentação

Recepção Introdução
de ar
e carga primário
Saída para
Descarte a chaminé
de escória Ventilador

Grelha

Figura 4.8 – Esquema de uma unidade de incineração de resíduos sólidos. Fonte: Material
impresso Estácio. Gestão de Poluição (Atmosférica, solo e sonora) Figura 9.11, pág. 152.
©© ELLIONE | DREAMSTIME.COM

Figura 4.10 – Incinerador industrial

106 • capítulo 4
ATIVIDADES
01. A área urbana é caracterizada por um município, pela edificação contínua e a existência
de equipamentos sociais destinados às funções urbanas básicas, como habitação, recreação,
trabalho e circulação. A poluição do solo urbano é provocada por resíduos sólidos, líquidos e
gasosos, mas um deles se destaca devido a sua quantidade e imobilidade. Quais são eles, dê
exemplos e mencione do por que devemos preocupar com este tipo de resíduo.

02. O desenvolvimento de estratégias sustentáveis, garantia que os resíduos retornem à ca-


deia produtiva, minimização da geração de resíduos e desperdício materiais, incentivo ao uso
de insumos considerados não poluidores ou degradadores do meio ambiente, redução de
danos ambientais, estímulo a produção/consumo produtos derivados de materiais reciclados
e recicláveis são atividades descritas em qual legislação brasileira?
a) LEI nº 11.445 DE 05 DE JANEIRO DE 2007, LEI SANEAMENTO BÁSICO
b) LEI nº 9.605 DE 12 DE FEVEREIRO DE 1998, LEI CRIMES AMBIENTAIS
c) LEI nº 12.305 DE 02 DE AGOSTO DE 2010, POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS
SÓLIDOS
d) RESOLUÇÃO DO CONAMA 357 DE 17 MARÇO DE 2005
e) DECRETO 8.468 DE 8 DE SETEMBRO DE 1976

REFLEXÃO
“A reflexão a respeito da remediação de áreas urbanas degradadas por contaminação é uma
questão que desafia a gestão ambiental urbana atual. A ocupação humana de terrenos con-
taminados promove um risco ao meio ambiente e à saúde pública.
A revitalização dessas áreas pode garantir um retorno do uso residencial e comercial para
as regiões centrais, assegurando assim, a produtividade econômica e o cumprimento das
funções sociais dessas regiões, além de contribuir para uma redução da pressão sobre os
recursos naturais.” (Ekos Brasil, 2014)

capítulo 4 • 107
LEITURA
Historicamente, o solo tem sido utilizado por gerações como receptor de substân-
cias resultantes da atividade humana.
O solo atua frequentemente como um "filtro", tendo a capacidade de depuração e imobi-
lizando grande parte das impurezas nele depositadas. No entanto, essa capacidade é limita-
da, podendo ocorrer alteração da qualidade do solo, devido ao efeito cumulativo da deposição
de poluentes atmosféricos, aplicação de defensivos agrícolas e fertilizantes e disposição de
resíduos sólidos industriais, urbanos, materiais tóxicos e radioativos.
O tema poluição do solo vem, cada vez mais, se tornando motivo de preocupação para a
sociedade e para as autoridades, devido não só aos aspectos de proteção saúde publica e ao
meio ambiente, mas também publicidade dada aos relatos de episódios críticos de poluição
por todo o mundo.
Apesar desta realidade, a poluição do solo ainda não foi plenamente discutida e ainda
não existe um consenso entre os pesquisadores de quais seriam as melhores formas de
abordagem da questão. Além das dificuldades técnicas, a questão política se reveste de
grande importância pois, se não for adequadamente conduzida, o controle da poluição ficará
muito prejudicado e terá conseqüências irreversíveis para a ciclagem de nutrientes (ciclo do
carbono, nitrogênio, fósforo) na natureza e ciclo da água, prejudicando a produção de alimen-
tos de origem vegetal e animal.
Historicamente, o solo tem sido utilizado por gerações como receptor de substâncias
resultantes da atividade humana. Com o aparecimento dos processos de transformação em
grande escala a partir da Revolução Industrial, a liberação descontrolada de poluentes para
o ambiente e sua conseqüente acumulação no solo e nos sedimentos sofreu uma mudança
drástica de forma e de intensidade, explicada pelo uso intensivo dos recursos naturais e dos
resíduos gerados pelo aumento das atividades urbanas, industriais e agrícolas.
Essa utilização do solo como receptor de poluentes pode se dar localmente por um
depósito de resíduos; por uma área de estocagem ou processamento de produtos químicos;
por disposição de resíduos e efluentes, por algum vazamento ou derramamento; ou ainda
regionalmente através de deposição pela atmosfera, por inundação ou mesmo por práticas
agrícolas indiscriminadas. Desta forma, uma constante migração descendente de poluentes
do solo para a água subterrâne ocorrerá, o que pode se tornar um grande problema para
aquelas populações que fazem uso deste recurso hídrico.
Fonte: <http://www.cetesb.sp.gov.br/solo/Informa%C3%A7%C3%B5es-B%C3%A-
1sicas/5-Polui%C3%A7%C3%A3o>. Acesso em 09/02/2015

108 • capítulo 4
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ABRELPE, 2013. Panorama dos Resíduos sólidos no Brasil. Associação Brasileira das Empresas de
Limpeza Pública e Resíduos Especiais.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10004 - Resíduos sólidos: classificação.
Rio de Janeiro: ABNT, 2004.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10005: Procedimento para obtenção de
extrato lixiviado de resíduos sólidos. Rio de Janeiro: ABNT, 2004;
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10006: Procedimento para obtenção de
extrato solubilizado de resíduos sólidos. Rio de Janeiro: ABNT, 2004;
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10007: Amostragem de Resíduos sólidos.
Rio de Janeiro: ABNT, 2004;
BRAGA, B. et al. Introdução à Engenharia Ambiental: O desafio do desenvolvimento Sustentável. 2º
Ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005;
BRASIL. Lei nº 12.305, de 02 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos;
altera a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Disponível em <http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ ato-2007-2010/2010/lei/l12305.htm>. Acesso: 28 Jan. 2015.
CETESB - Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental – www.cetesb.sp.gov.br. acessado em
21/01/2015;
CHIOSSI, Nivaldo José. Geologia de Engenharia. 3º Ed. São Paulo. Oficina de Textos, 2013;
JARDIM, A.; YOSHIDA, C.; FILHO, J.V.M.. Política Nacional, gestão e gerenciamento de resíduos
sólidos. Barueri. Manole, 2012;
MIHELCIC, James R.. ZIMMERMAN, Julie Beth. Auer, Martin T.. Engenharia ambiental: fundamentos,
sustentabilidade e projeto. Rio de Janeiro: Ltc, 2012;

capítulo 4 • 109
110 • capítulo 4
5
Poluição Sonora
Pouco discutida e mencionada nos meios comunicativos, a poluição sonora
pode trazer danos irreparáveis não especificamente ao meio ambiente, mas à
aqueles que nele estão, os seres humanos. A poluição sonora pode trazer sé-
rios danos a saúde humana, chegando a ser a perda da audição. O som, quan-
do da sua intensidade e frequência, torna-se um ruído, o impacto ambiental
causado deve ser reparado.

OBJETIVOS
•  Conhecer os conceitos de som e ruído;
•  Aprender a calcular os níveis de intensidade sonora e os níveis de pressão sonora.
•  Aprender sobre os problemas à saúde humana causada pela exposição a este tipo de poluição.

112 • capítulo 5
5.1  Conceito de Som
O conceito de som (ou ruído) vem da física acústica: é o resultado da vibração acús-
tica capaz de produzir sensação auditiva. O som, como poluição, está associado ao
‘ruído estridente’ ou ao ‘som não desejado’. Podemos então concluir que, embora
o conceito de som esteja perfeitamente definido pela física, o conceito de ‘som não
desejado’ (como poluição) é muito relativo. Por exemplo, para muitos, um show
de rock não passa de uma fonte extraordinária de poluição auditiva; para outros, é
pura expressão da arte musical contemporânea (Braga, 2005).

©© ALEJANDRO DURAN | DREAMSTIME.COM


Figura 5.1 – Representação da vibração acústica.

Para fins práticos, o som é a medido pela pressão que ele exerce no sistema
auditivo humano. Na medida em que a pressão provoca danos a saúde humana,
comportamentais ou físicos, ela deve ser tratada como poluição (figura 5.2).
©© MAXIMINO GOMES | DREAMSTIME.COM

Figura 5.2 – Pressão sonora e danos a saúde.

capítulo 5 • 113
A medida da intensidade do som é feita em decibéis (dB) (figura 5.3), unidade pro-
posta por Grahan Bell. Embora o Comitê internacional de Pesos e Medidas - BIPM
aceite a sua utilização com Sistema Internacional, o decibel não é uma unidade do
SI. Apesar disso, seguem-se as convenções do SI, e a letra d é grafada em minúscula
por corresponder ao prefixo deci- do SI, e B é grafado em maiúsculo pois é uma abre-
viatura (e não abreviação) da unidade bel que é derivada de nome Alexander Graham
Bell. Como o bel é uma medida muito grande para uso diário, o decibel (dB), que cor-
responde a um décimo de bel (B), acabou se tornando a medida de uso mais comum.
Qualquer fenômeno capaz de causar ondas de pressão no ar é considerado
uma fonte sonora. Pode ser um corpo sólido em vibração, uma explosão ou um
vazamento de gás a alta pressão, etc. O som pode ser mais ou menos perigos
dependendo da sua intensidade e frequência.
De acordo com Braga (2005) é interessante recordar alguns dos principais
elementos da física relativos ao som:

•  O homem possui a capacidade de ouvir o som em uma faixa auditiva que


vai de 20 Hertz a 20.000 Hertz (vibrações por segundo). Abaixo de 20 Hz tem-se
o infra-som; acima de 20.000 Hz, o ultra-som;
•  O som propaga-se a diferentes velocidades em função do meio – no ar, ele
se propaga a 345 m/s (23°C com CNP e Densidade); na água, a 1.430 m/s; e, no
vácuo, não há propagação, pois o som é uma onda mecânica; e
•  O som possui três qualidades essenciais: a intensidade, a altura e o timbre.
©© OLIVIER LE MOAL | DREAMSTIME.COM

Figura 5.3 – Medida da intensidade do som em decibel (dB).

114 • capítulo 5
A intensidade depende da amplitude do movimento vibratório, da superfí-
cie da fonte sonora, da distância entre o ouvido e a fonte da natureza do meio
entre a fonte e o receptor. Tudo isso condiciona dizer se o som é forte ou fraco.
A altura, ou frequência do som, é a qualidade que corresponde à sensação de
som mais ou menos ‘agudo’ ou ‘grave’. Finalmente, dois sons da mesma inten-
sidade e mesma altura podem proporcionar sensações diferentes, ou seja, eles
se distinguem pelo timbre. É o que se sente quando se ouve um violino e um
piano, por exemplo.
O som possui ainda as seguintes propriedades:

•  Reflete-se em paredes e anteparos;


•  É absorvido pelos materiais e pelo ar;
•  Sofre difração quando passa por fendas; e
•  Sofre refração quando se transmite por materiais.

5.2  Ruído
O ruído é uma mistura de sons cujas frequências não seguem lei precisa, que
diferem entre si por valores imperceptíveis ao ouvido humano, ou seja, qual-
quer sensação sonora indesejável.
O ruído pode ser classificado em:

•  Contínuo: som que se mantém no tempo;


•  Intermitente: som não contínuo, em que nos intervalos hà dissipação da
pressão;
•  Impulsivo: som proveniente de explosões, escape de gás etc., e
•  Impacto: som proveniente de certas máquinas, como prensa gráfica, por
exemplo.

A medida do nível de ruído é feita pelo decibelímetro (figura 5.4) ou também


chamado de dosímetro, e a unidade de medida do som é o decibel (dB) como já
foi mencionado anteriormente.
Um medidor de nível sonoro, ou decibelímetro, é composto basicamente
por um microfone acoplado a um circuito de amplificação e quantificação que
indica o nível de pressão sonora no microfone. Os medidores diferenciam-se

capítulo 5 • 115
por uma série de elementos, principalmente pelos tipos de microfones. Porém,
a norma exige que os medidores forneçam idêntica leitura quando expostos a
uma pressão sonora. Existem quatro tipos de medidores; tipo 1, medidor de
precisão; tipo 2, medidor de uso geral; e tipo 3, medidor para amostragem.
A medição sonora depende das características do ruído e da informação
desejada. Os ruídos contínuos são mais fáceis de serem medidos. Esse tipo de
medição requer um medidor de nível sonoro e um filtro de oitava para levanta-
mento do espectro. Os ruídos impulsivos ou de impactos requerem medidores
com resposta para impulsos, registradores e osciloscópios.
A medição exige uma série de preparos para que fatores externos não mas-
carem os resultados, como, por exemplo, a influencia do ambiente (umidade,
alta temperatura, etc.) no equipamento de medida e a interferência de outros
fatores físicos, como vento, vibrações, campos eletromagnéticos, poeiras, vapo-
res, etc. Para assegurar a obtenção de dados confiáveis, o instrumento deve ser
calibrado no local.
O decibel é definido como sendo igual a 10 vezes o logaritmo decimal da
razão entre a pressão sonora e uma pressão de referência.
©© GEARGODZ | DREAMSTIME.COM

Figura 5.4 – Decibelímetro.

116 • capítulo 5
O ruído é um som prejudicial à saúde humana, causador de sensações de-
sagradáveis e irritantes, o grau de risco depende de vários fatores e um deles é
calculado pelo tempo de exposição ao risco e mediante isso tem que ser tratado
ou eliminado (figura 5.5). O simples fato de um vizinho produzir sons de altas in-
tensidades e por um longo período de tempo, pode ser caracterizado como ruído.

©© KIOSEA39 | DREAMSTIME.COM
Figura 5.5 – Ruído, irritante e desagradável.

5.3  Nível de Intensidade Sonora - Nis


A intensidade do som pode ser medida de dois parâmetros, a energia contida
no movimento vibratório e pela pressão do ar causada pela onda sonora.
O nível de intensidade sonora é a expressão utilizada para caracterizar a re-
lação Estímulo-Sensação do som, também chamada de Lei de Weber-Fechner.

 I 
NIS = 10 log 
I  ( dB )
 0 

onde:

•  I é a intensidade sonora existente (W/cm2);


•  I0 é a intensidade sonora de referência (1 x 1016 W/cm2 – Limite de
audibilidade).

capítulo 5 • 117
5.4  Nível de Pressão Sonora - NPS
O NPS é uma expressão similar ao NIS, só que baseada na expressão da pressão
do som.
2
P 
NPS = 10 log  ef
P  ( dB )
 0 

onde:

•  Nps é o nível de pressão ou intensidade sonora em dB;


•  Pef é a pressão sonora efetiva (Pa); e
•  P0 é a pressão sonora de referência: 2 x 10-5 (Pa) (20 micropascal), sendo
esse valor o mínimo audível.

A Pef é estimada pela média geométrica de pressões p, determinadas instan-


taneamente pelo medidor de nível sonoro. A tabela 5.1, a seguir, apresenta o
nível sonoro de diversas atividades humanas. No meio urbano, o nível sonoro
varia de 30 dB a 120 dB.

ATIVIDADE NÍVEL (dB)

Limiar auditivo (folhas na brisa) 0 Limite da


percepção

Estúdio de gravação 20

Biblioteca forrada 30

118 • capítulo 5
ATIVIDADE NÍVEL (dB)

Sala de descanso 40

Escritório 50

Conservação 60 Faixa de
conversação

Datilografia 70

Tráfego 80

Serra circular 90
Limite do
desconforto
Prensas excêntricas 100

Marteletes Pneumáticos 110


Limite da
dor
Aeronaves 130

Limiar da dor 140

Tabela 5.1 – Nível sonoro das atividades humanas.

O decibel (dB) não tem escala linear, não podendo ser somado ou subtraí-
do aritmeticamente. Ambientes com diversas fontes devem ser avaliados pelo
som total (NPStotal), veja o exemplo a seguir:

capítulo 5 • 119
Um ambiente que possui diversas fontes de som deverá ter seu som total
avaliado da seguinte forma:

FONTE A FONTE B
NPS1 NPS2

2
P 
NPS1 = 10 log  ef 1  ( dB )
 P 
 0 
2
 Pef 2 
P 2 P 2  NPS2 = 10 log  P  ( dB )
NPStotal = 10 log  ef 12 + ef 22
 P  ( dB )  0 
 0 P0 

Logo, rearranjando a equação, podemos calcular o NPS total de um ambien-


te com diversas fontes de som através da equação:

 NPS1 NPS2 
NPStotal = 10 log  10 10 + 10 10  ( dB )
 
 

A investigação do potencial de risco de uma área é feita pelo levantamento


do espectro sonoro do local. O espectro sonoro é uma curva que fornece a va-
riação do nível sonoro com a frequência (análise de frequência). Outro elemen-
to importante na determinação do ruído em um ambiente fechado ou não é a
absorção sonora. Os ruídos de um ambiente provêm de fontes diretas (depen-
de da fonte natural propriamente dita) e de fontes indiretas (retorno e perma-
nência do som). As fontes indiretas dependem da absorção. Esse parâmetro é
avaliado pela chamada constate sala, tabelada para cada material componente
do ambiente. O isolamento do ambiente, por outro lado, determina a perda de
transmissão. Essa perda é de terminada geralmente em laboratórios acústicos.
Outra variável importante é a reverberação, que designa o grau de reflexões
sonoras em determinado recinto fechado. Ela é medida pelo tempo de reverbe-
ração, definido como o tempo necessário para queda de 60 dB no nível sonoro
depois de cessada a fonte. A medida do tempo de reverberação é importante para
projetos de ambientes fechados como, por exemplo, salas de aula (Braga, 2005).

120 • capítulo 5
5.5  O Ruído e a Saúde Humana
Para compreender melhor os impactos do ruído na saúde humana, é importan-
te uma pequena descrição do sistema auditivo.
O ouvido é constituído por três partes:

•  Ouvido externo, que compreende o pavilhão e o conduto auditivo externo.


•  Ouvido médio, chamado de ‘caixa do tímpano’ É formado pela base exter-
na (tímpano) e pela base interna. As duas bases estão unidas por uma cadeia de
ossículos: martelo, bigorna, e estrivo. O ouvido médio comunica-se com a farin-
ge pela trompa de Eustáquio. Essa trompa fica normalmente fechada, mas, du-
rante a deglutição, a mastigação e o bocejo, ela se abre, mantendo equilibrada
a pressão do ar em ambos os lados do tímpano.
•  Ouvido interno, que é constituído por uma serie de cavidades ósseas (la-
birinto), compreendendo o vestíbulo, o utrículo e o sáculo, e por uma cavidade
central que se comunica com os canais semicirculares e com a caixa do tímpa-
no por meio da janela oval. É no labirinto que se encontra o caracol (cóclea).

O ouvido converte a energia das ondas sonoras em impulsos nervosos, que


são interpretados no cérebro, resultando na sensação do som. No organismo
humano, o som captado chega até o tímpano, e a membrana timpânica se
move, funcionando como um ressoador, que produz as vibrações da fonte so-
nora. Esses movimentos são transmitidos aos três ossículos do ouvido médio,
que funcionam como um sistema de alavancas, convertendo mecanicamente
as vibrações. Essas vibrações passam para o ouvido interno pela janela oval e
daí para as células que produzem impulsos nervosos, enviados para o cérebro
(região do córtex auditivo), produzindo sensação de som (Braga, 2005).
O campo auditivo, ou a zona de sensibilidade do ouvido, está restrito ao li-
mite de audição e ao limite da dor.
De acordo com Braga (2005) uma série de pesquisas mostra os efeitos dos
sons excessivos na saúde humana (Figura 6). Como exemplo, citamos o levanta-
mento feito nas proximidades do aeroporto de Los Angeles. Nas 200 mil mortes
ocorridas em 8 anos, constatou-se um alto numero de mortes por ataques car-
díacos (acima do valor esperado), suicídios e assassinatos.

capítulo 5 • 121
Os principais efeitos danosos do ruído à saúde humana são:

•  Perda auditiva (temporária ou permanente): temporária, quando expos-


to a ruídos excessivos; permanente, quando ocorre uma perda neurossensorial
de audição, que é irreversível, causada geralmente pela exposição prolongada
ao ruído e pelos sons de alta frequência (em torno de 4 mil Hz, faixa de maior
sensibilidade). A taxa de extensão da perda dependem da intensidade e da ex-
posição ao ruido. Diversos profissionais estão sujeitos a esses danos perma-
nentes: operadores de cadeiras, de tratores, de prensas, de bate-estacas e outras
máquinas com nível de ruído alto, motoristas de ônibus e táxis, mecânicos,
empregados de bares e restaurantes etc.
•  Interferência na fala: a fala é afetada pela perda auditiva e pela presença
de sons que competem pela atenção do ouvinte (mascaramento).
•  Perturbações do sono: a perturbação do sono ocorre em ambientes com
ruídos acima de 35 dB. Esse limite é recomendado para preservar o sono.
•  Estresse e hipertensão: ruídos instantâneos, de alta frequência podem
constringir artérias, causando tremedeira, parada respiratória e espasmos es-
tomacais. Paralelamente, podem ocorrer dores de cabeça, ulceras e alterações
neurológicas.
©© KATARZYNA BIALASIEWICZ | DREAMSTIME.COM

Figura 5.6 – Perturbação causada pelo desconforto auditivo.

122 • capítulo 5
Outros problemas associados ao ruído são desconforto, perturbações no
trabalho e perda de rendimento, além, é claro, do incômodo que é causado por
níveis excessivos de ruído.

5.5.1  Avaliação de Nível de Ruído

A avaliação de níveis de ruído em ambientes é feita segundo dois critérios bási-


cos: conforto acústico, e ocupacional.
O conforto acústico é fixado pela Portaria nº 92, de 19/06/1980, do Ministério
do Interior. Nessa portaria estão especificados os níveis de ruído para efeito do
incômodo provocado em moradores que ficam próximos às fabricas e outras
instalações fixas.
O critério ocupacional trata dos efeitos auditivos causados pelo ruído
(Portaria nº 3.214 NR 15, de 08.06.78, do Ministério do Trabalho). Para ruídos
contínuos, a legislação estabelece os limites fixados na tabela 5.2, a seguir.
As formas de controle e prevenção para os problemas relacionados à poluição
sonora vão deste a minimização do risco como da utilização de equipamentos de
proteção individual – EPI’s, ou até mesmo a minimização da exposição ao risco.
Podemos citar como medida de controle as medidas de controle do ruído
que podem ser diretamente na fonte, no meio ou no receptor e as medidas de
controles sociais, como por exemplo, refúgio, rotatividade, educação, supervi-
são e treinamentos.
Os valores calculados por NIS e NPS são comparados em normas do
Ministério do Trabalho e diante das avaliações são propostas soluções que se-
jam adequadas a cada caso. A Norma Regulamentadora – NR-6 do Ministério
dom Trabalho traz as exigências e obrigações quanto aos EPI’s.

TEMPO DECIBÉIS

8 horas 85

4 horas 90

2 horas 94

capítulo 5 • 123
TEMPO DECIBÉIS

1 hora 100

30 minutos 105

15 minutos 110

07 minutos 115

Tabela 5.2 – Relação Tempo x Decibéis para critério ocupacional.

ATIVIDADES
01. São propriedades do som:
a) O som não é absorvido pelos materiais, mas sofrem refração quanto se transmitem por
materiais.
b) Ser de intensidade forte ou fraco.
c) O timbre é uma propriedade que pode traduzir sons de intensidades diferentes, mas com
sensações iguais.
d) Reflete-se em paredes e anteparos, é absorvido pelos materiais e pelo ar e sofre refra-
ção quando se transmite por materiais.
e) São medidos em hertz (Hz)

02. Qual o nome do equipamento que mede o nível de ruído em um ambiente? Supondo que
eu tenha mais de um ambiente e faça a medição em ambos, posso dizer que a somatória dos
níveis é a medida real de impacto sonoro? Como são calculados os níveis de ruídos em mais
de um ambiente?

124 • capítulo 5
REFLEXÃO
“A poluição sonora pode diminuir gradativamente a audição. A surdez progressiva é comum
em pessoas submetidas a sons fortes em seus trabalhos (indústria pesada, serraria, etc).
Mas além destes problemas da audição ela pode gerar muitas outras doenças. Intensidades
sonoras a partir de 120 decibéis são estressantes, estimulam aa produção de adrenalina e,
se uma pessoa for submetida durante longo tempo a tais intensidades, poderá ter distúrbios
nervosos, infarto, úlcera gástrica e outras doenças de stress. Mesmo intensidades sonoras
mais baixas como de 80 decibéis, quando originadas de fontes que não podem ser elimina-
das, podem provocar alterações nervosas se houver exposição prolongada. A intensidade do
som, o tempo de exposição e o tipo de som, são dependências fundamentais para os proble-
mas voltados à poluição sonora”. (adaptado de Souza, M.M.A., 2007)

LEITURA
O que é poluição sonora?
Especialistas definiram um limite seguro para seus ouvidos, mas situações cotidianas o
ultrapassam fácil, fácil. Quer saber quais? Os sons do metrô, dos latidos de cães, do secador
de cabelos, do liquidificador e até o de uma bronca... Conheça algumas das fontes mais no-
civas de decibéis ao seu redor
Poluição sonora é todo ruído que pode causar danos à saúdehumana ou animal. Existem
diversas situações que causam desconforto acústico, como uma pessoa falando alto ao ce-
lular e um indivíduo ouvindo música sem fones. Mas, se não tiver potencial para causar dano,
não é poluição sonora.
Embora não se acumule no meio ambiente, como outros tipos de poluição, ela é considerada
um dos principais problemas ambientais das grandes cidades e uma questão de saúde pública.
Uma pessoa exposta a ruídos muito altos pode sofrer de insônia, depressão, perda de
memória, gastrite, doenças cardíacas e, claro, surdez. Por isso, existem leis e normas para evi-
tar altos níveis de ruídos. Entre os especialistas, o consenso é que o limite seguro é de 80 dB.

Inimigos do ouvido
Conheça algumas da fonte mais nocivas de decibéis ao seu redor:
•  Trânsito congestionado: 80 a 90 dB;
•  Avenida em obras com britadeiras: 120 dB;
•  Feira livre: 90 dB;

capítulo 5 • 125
•  Trios elétricos: 110 dB;
•  Latidos: 95 dB;
•  Secador de cabelos: 95 dB;
•  Bronca: 84 dB;
•  Banda de rock: 100 dB;
•  Liquidificador: 85 dB;
•  Fogos de artifício: 125 dB; e
•  Avião decolando: 140 dB.

Tocador de música
Os aparelhos mais populares passam de 100 dB. O recomendável é não usar fones em
volume mais alto do que a metade da capacidade do player: 15 minutos ouvindo música a
mais de 110 dB bastam para causar um trauma acústico. E as células da audição não se
regeneram, ou seja, o dano aos ouvidos é irreversível.

Curiosidade
O Congresso brasileiro estuda aprovar uma lei que obrigue os tocadores a mostrar o
volume em decibéis.

Fonte: <http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/ambiente/o-que-e-poluicao-so-
nora-mundo-estranho-777867.shtml>. Acesso em 15/02/2015

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ABRELPE, 2013. Panorama dos Resíduos sólidos no Brasil. Associação Brasileira das Empresas de
Limpeza Pública e Resíduos Especiais.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10004 - Resíduos sólidos: classificação.
Rio de Janeiro: ABNT, 2004.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10005: Procedimento para obtenção de
extrato lixiviado de resíduos sólidos. Rio de Janeiro: ABNT, 2004;
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10006: Procedimento para obtenção de
extrato solubilizado de resíduos sólidos. Rio de Janeiro: ABNT, 2004;
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10007: Amostragem de Resíduos sólidos.
Rio de Janeiro: ABNT, 2004;

126 • capítulo 5
BRAGA, B. et al. Introdução à Engenharia Ambiental: O desafio do desenvolvimento Sustentável. 2º
Ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005;
BRASIL. Lei nº 12.305, de 02 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos;
altera a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Disponível em <http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ ato-2007-2010/2010/lei/l12305.htm>. Acesso: 28 Jan. 2015.
BRASIL. Resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária RDC no 306, de 7 de dezembro de
2004. Aprimora, atualiza e complementa os procedimentos contidos na Resolução RDC no 33, de 25
de fevereiro de 2003. Disponível em: . Acesso em: 14 Jan. 2015.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Resolução do CONAMA nº 03 de 28 de Junho de 1990.
Disponível em http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res90/res0390.html. Acessado em
12/02/2015;
CETESB - Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental – www.cetesb.sp.gov.br. acessado em
21/01/2015;
CHIOSSI, Nivaldo José. Geologia de Engenharia. 3º Ed. São Paulo. Oficina de Textos, 2013;
JARDIM, A.; YOSHIDA, C.; FILHO, J.V.M.. Política Nacional, gestão e gerenciamento de resíduos
sólidos. Barueri. Manole, 2012;
MIHELCIC, James R.. ZIMMERMAN, Julie Beth. Auer, Martin T.. Engenharia ambiental:
fundamentos, sustentabilidade e projeto. Rio de Janeiro: Ltc, 2012;

GABARITO
Capítulo 1
01. b
Os itens II e IV não condizem com as ocorrências da poluição atmosférica. O Efeito Estufa
é caudado pelo aumento da temperatura na atmosfera, e a destruição da camada de ozônio
não aumenta a atividade de fotossíntese.
02. c
A água destilada apresenta um pH neutro, portanto, um pH maior que o dela, poderá ser
básico, não caracterizando acidez. Portanto o item III está errado.

Capítulo 2
01. b
A facilidade de financiamentos contribuiu para o aumento dos veículos e consequentemente
a elevação da poluição atmosférica.

capítulo 5 • 127
02. A dispersão de poluentes podem oscilar ao longo do tempo e do espaço. Dependem da
intensidade da emissão, dos tipos de atividades, das condições meteorológicas e da estru-
tura térmica da atmosfera. A efetividade de uma dispersão está diretamente relacionada a
instabilidade da atmosfera. Quando na atmosfera estável, o processo é dificultado devido
as inversões térmicas próximas ao solo. Pode ser comparado a um balão de ar solto na
atmosfera, e que ele possa subir e descer. Quando o balão sobe, diminui a pressão externa
e o gás no seu interior se expande, diminuindo a sua temperatura. Conforme vai ganhando
altitude, vai diminuindo a temperatura e isso se chama gradiente de temperatura adiabático.
Quando a Temperatura da atmosfera diminui mais rápido que a adiabática, denominamos de
superadiabática, que representa a condição instável, fazendo com que o balão tenda-se a
movimentar-se na atmosfera.

Capítulo 3
01. d
Não existe um número adequado, mas as regiões brasileiras sofrem com o descarte inade-
quado do lixo. Grande parte ainda dispõe o lixo em lixões a céu aberto. Portanto apenas as
afirmativas II e III estão corretas.

Capítulo 4
01. c
As atividades descritas na questão dizem respeito a Lei nº 12305/2010, que instituiu a
Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Capítulo 5
01. d
São propriedades do som:
- Reflete-se em paredes e anteparos;
- É absorvido pelos materiais e pelo ar;
- Sofre difração quando passa por fendas;
- Sofre refração quando se transmite por materiais.
02. O equipamento utilizado para medição dos níveis de ruídos é o decibelímetro. O Decibel
(dB) é a escala utilizada, e não uma unidade de medida, portanto não pode ser somada ou
subtraída aritmeticamente. Para o cálculo de níveis de ruídos em mais de um ambiente são
necessários a utilização de expressões numéricas que possam calcular o Nível de Pressão
Sonora (NPS).

128 • capítulo 5