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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

DEPARTAMENTO DE QUÍMICA

Curso: Farmácia
Disciplina: Físico-Química Experimental - QMC 5453 Turma: 3102C
Professor: Nito Angelo Debacher
Data da experiência: 15/03/2018
Alunos: Joscelin Esther Kunze, Luiz Gustavo Branco Bellini, Silvestre Lacerda de Aguiar, Tayna
Gonçalves

Experimento 2- Determinação da constate de dissociação de indicadores


por espectrofotometria

1.Introdução

Os indicadores acido-base são substancias amplamente utilizadas em diferentes extensões da


química. Geralmente eles são formados por uma base ou ácido orgânico fraco que quando
dissocia muda de coloração em relação a cor que não esta dissociada. Podemos observar a forma
geral da dissociação de indicadores ácidos em seguida:

HIn ↔ H+ + In-

(cor A) (cor B)

Caso o indicador se encontre em uma faixa de pH abaixo do seu, sua cor será formada pela forma
não ionizada (cor A) enquanto que em pHs acima a cor deve formada pela ionizada (cor B)

Neste ensaio foram também utilizados diversos indicadores com pH diferente para que fosse
possível observar o efeito do pH na mudança de coloração entre os indicadores.

Alem disso, foi utilizado a espectrofotometria da adsorção UV-Vis para determinar a absorção
do indicador vermelho de metila em diversos pHs, isso foi possível pois este indicador é
cromóforo, absorvendo radiação luminosa em determinados comprimentos de onda.

2. Objetivos

Estudar através de experimentos práticos, a transmutação de coloração de diversos indicadores


em variadas faixas de pH, e ainda, determinar a constante de dissociação do indicador vermelho
de metila empregando a espectrofotometria.
3. Experimental

O experimento foi feito em duas partes. Para a primeira parte foram preparadas 6 soluções
tampão utilizando fosfato de sódio e ácido cítrico (conforme a tabela abaixo) de 10mL em tubos
de ensaio numerados. Foram usadas duas buretas, uma para cada solução para medir os
volumes. Após a agitação, foi medido o pH de cada tubo utilizando o pH-metro calibrado com
padrões de pH 7,0 a 4,0.

Então, com o auxilio de pipeta volumétrica, sempre trocando e lavando entre as medidas para
não haver contaminações, transferiu-se 1mL das soluções para uma nova serie de 6 tubos
numerados que serão usados na segunda parte do experimento.

Aos 6 tubos com 9mL foi adicionado 1 gota de indicador e anotada as observações sobre as cores
obtidas (tabela 1). O tubo 6 foi dividido em 6a e 6b, com 4,5ml cada tubo.

Para a segunda parte do experimento, foi adicionado 1mL de vermelho de metila em cada tubo
de ensaio da segunda série preparada. Após, com o auxilio do técnico, foi usado um
espectrofotômetro, para medir as absorbâncias (A) de cada solução,

4. Resultados e Discussão

Tratamentos de dados: a partir dos dados de absorbância obtidos dos espectros de UV-Vis,
foram determinadas as constantes de dissociação (pKa) do indicador por meio da equação:

Sendo que o valor da absorbância (A) em pH 3.04 corresponde AHIn e, em pH 8,16 a AIn-. O valor
de A será obtido em cada um dos outros espectros em um comprimento específico, para o
cálculo do pkA usamos o comprimento de 525 nanômetros.
Agitamos os 6 tubos e medimos o pH das soluções. Na tabela 1 constam o pH experimental
obtido além da cor observada para cada indicador em determinado pH.

Tabela 1.
Sol. pH pH Indicador Cor pH Cor A Cor B
Teórico Exper. Exper. mudança (transição de cor teórico)
1 3,0 3,04 Alaranjado de metila vermelho 2,9-4,6 vermelho alaranjado
2 4,0 4,48 Azul de bromofenol azul 2,8-4,6 amarelo azul
3 4,5 5,06 Vermelho de metila vermelho 4,2-6,3 Vermelho Amarelo
4 5,0 5,70 Bromocresol púrpura verde 5,2-6,8 Amarelo Púrpura
5 6,0 6,5 Azul de bromotimol verde 6,0-7,6 Amarelo Azul
6a 8,0 8,16 Vermelho de cresol vermelho 7,2-8,8 Amarelo vermelho
6b 8,0 8,16 Fenolftaleína Incolor 8,3-10,0 Incolor Rosa

Constatou-se que o pH experimental das soluções não se afastou muito do valor teórico. A
diferença pode ser explicada pela falta de precisão nas medidas.

Através de observação visual determinou-se a coloração. Concluímos que quanto mais próximo
do menor valor de pH da faixa de viragem mais a coloração se assemelha com a cor composta
pela forma não ionizada do indicador (HIn). No caso do pH mais próximo do valor mais alto da
faixa de viragem mais a coloração se aproxima daquela composta pela forma ionizada do
indicador (In-).

Em relação a cor da solução do indicador teórico e experimental o pH de cada tubo observado


obteve um resultado dentro da zona de mudança de pH do indicador com exceção do tudo 6b.
As cores tenderam a ficar da forma ionizada, ou seja, cor B.

Através da absorbância das soluções com pH variando entre 3,04 e 8,16 em vários
comprimentos de onda, obtivemos o seguinte gráfico:
O gráfico mostra espectros de absorção do vermelho de metila em vários valores de pH.
A intensidade da absorbância da curva 1 corresponde a do indicador no pH mais ácido
(AIn), ou seja, no pH em que o indicador está totalmente na sua forma protonada,
apresentando a cor vermelha em solução. A curva 6 corresponde ao valor de
absorbância no pH mais básico (AIn-), quando o indicador está totalmente dissociado ou
desprotonado, apresentando a coloração amarela em solução.
Olhando para o gráfico também podemos ver o ponto isobéstico próximo a 470 nm.

5. Conclusão

O objetivo proposto inicialmente foi alcançado uma vez que conseguimos estudar e analisar as
mudanças de coloração dos diversos indicadores propostos para o experimento, bem como
cálculos das constantes de dissociação do vermelho de metila através da elaboração dos gráficos
(pKa= 5,3) e também através da equação (pKa= 5,25), obtendo valores próximos ao da literatura
(pKa=5,05).

A espectrofotometria mostrou-se um método eficiente para a determinação da constante de


dissociação do vermelho de metila. A partir das concentrações e suas respectivas absorbâncias
de uma mesma solução com concentrações diferentes, podemos determinar o pKa com a
utilização da equação.

É de suma importância para a nossa futura profissão o conhecimento e domínio da variação do


pH em substâncias químicas, pois há uma diferença de pH dentro da fisiologia humana e seu
controle a elaboração de fármacos garante a eficácia destes e a saúde do usuário.

6. Questionário

1- Com os dados de absorbância obtidos dos espectros de UV-Vis, determine a constante de


dissociação (Ka) ou pKa do indicador por meio da Equação 5. A constante de dissociação
corresponde à média aritmética dos quatro valores encontrados

Solução 2: Solução 3:

pH= 4,48 pH= 5.06

pKa = 5,30 pKa= 5,38

Solução 4: Solução 5:

pH= 5,70 pH= 6.50

pKa= 5,18 pKa= 5,15


Média aritmética do pKa= 5,25

2. Faça um gráfico como o da Figura 2 B e determine o pKa por regressão linear, Eq. 5 (y =
ax+b).

O gráfico esta anexado no final do relatório. Por regressão linear, o valor do pH quando x=0 , é
igual ao pKa. pKa=5,3

3. Obtenha da literatura o valor teórico da constante do indicador e calcule o erro


experimental do pKa. Compare o pKa do indicador calculado algebricamente (questão 1) e
com o gráfico, (questão 2). Discuta os dois resultados em relação ao erro.

O valor teórico da constante do indicador vermelho de metila é 5,05 (entre 25o C e


30oC) .
valor teórico – valor experimental
Cálculo do erro= x 100
𝑣𝑎𝑙𝑜𝑟 𝑡𝑒ó𝑟𝑖𝑐𝑜

5,05-5,25x100/5,05= 3,96%
Considerando os erros inerentes ao método, a relação entre o erro de 3,96% e os valores do pKa
do gráfico (5,3) e do pKa obtido pelo cálculo algébrico (5,25) foi baixa, sendo o erro muito
pequeno.

4.1- Discuta os resultados obtidos na Tabela 3 em relação ao pH teórico e experimental e a cor


da solução de indicador teórico e experimental.

O pH da solução 1 deveria rondar o valor 3 (para que o Vermelho de Metila presente estivesse
todo na forma ácida HIn) o valor medido foi 3,04, muito próximo ao valor teórico. Por seu lado,
o pH da solução 6 deveria rondar o valor 8 (para que o Vermelho de Metila presente estivesse
todo na forma básica In-), o valor obtido experimentalmente (8,16), muito próximo ao teórico.
E as demais soluções (2,3,4 e 5) que tem as duas formas (HIn e In-), também apresentaram um
valor de pH experimental próximo ao esperado (ver tabela 1).

Em relação a cor da solução do indicador teórico e experimental o pH de cada tubo observado


obteve um resultado dentro da zona de mudança de pH do indicador com exceção do tudo 6b.
As cores tenderam a ficar da forma ionizada , ou seja, cor B.

Os indicadores das soluções 4 e 5 apresentaram cores diferentes das teóricas quando na forma
ionizada. O indicador Brometocresol púrpura da solução 4 (pH experimental 5,70), quando
ionizado, deveria apresentar cor púrpura segundo a tabela 1. No entanto, constatamos
visualmente a cor verde claro. Já o indicador Azul de bromotimol da solução 5 (pH experimental
6,5), quando desprotonado, deveria apresentar cor azul. No entanto, observamos a cor verde.
4.2 É possível estimar o pH de uma solução aquosa pela cor obtida quando da adição de um
indicador cujo pKa é conhecido?

Sim, isso pode ser feito pois a faixa de pH em que é perceptível a mudança de cor é igual a pKa ±
1, dessa forma você sabe, através da cor obtida qual é o pH aproximado daquela solução.

4.3 O que são espectros de absorção? Explique (Voguel, pg. 542).

A representação gráfica dos valores de comprimento de onda ( ) versus absorbância é


denominada espectro de absorção. É um gráfico que determina a absorção de cada
comprimento de onda por uma molécula (em solução). Cada molécula tem um espectro de
absorção característico e único.

Quando uma solução de um dado composto é submetida a leituras de absorbância ao longo de


uma faixa de comprimentos de onda eletromagnética, passamos a ter informações referentes à
capacidade do composto em absorver luz.

Como a interação da luz com a matéria depende da estrutura química dos compostos, o espectro
de absorção é uma forma de caracterização que permite verificar qual a faixa de comprimento
de onda em que um dado composto apresenta sua maior afinidade de absorção.

4.4 Que tipos de moléculas apresentam absorção no ultravioleta e/ou no visível?

A absorção da região visível e ultravioleta depende, em primeiro lugar, do número e do arranjo


dos elétrons nas moléculas ou íons absorventes. Como consequência, o pico de absorção pode
ser correlacionado com o tipo de ligação que existe na espécie que está sendo estudada.
Nos compostos orgânicos, os que possuem dupla ligação absorvem fortemente no ultravioleta
remoto. Os compostos que possuem ligações simples e duplas alternadamente, chamadas de
ligações conjugadas, produzem absorção em comprimentos de ondas maiores. Quanto mais
extenso for o sistema conjugado, mais longos serão os comprimentos de onda absorvidos,
podendo chegar à região do visível.

5. O que é ponto isosbéstico? É possível observar a existência de ponto isosbéstico nos


espectros de absorbância que você obteve para o vermelho de metila? Quando isto acontece?

Ponto isosbéstico é onde as soluções com diferentes concentrações apresentam a mesma


absorbância em um comprimento de onda fixo. Pode ser visualizado em amostras de um mesmo
produto com concentrações distintas porque apresentam o mesmo coeficiente de absorção
molar. O ponto isosbéstico do indicador vermelho de metila obtido experimentalmente foi
próximo à 470 nm.

6. Você usou um espectrofotômetro na região do visível para verificar a dissociação do


indicador ácido-base vermelho de metila. Porque isso foi possível? Explique fazendo a
dissociação da molécula do vermelho de metila no equilíbrio ácido/base.

Foi possível pois um dos componentes do indicador ácido-base vermelho de metila absorve
determinado comprimento de onda na faixa do visível(cromóforo). E este cromóforo em
especial compreende conjugações nos anéis aromáticos.
A mudança de coloração dos indicadores se explica devido ao fato do vermelho de metila ser
um cromóforo, quanto protonado o cromóforo apresenta cor vermelha, quando desprotonado
cor amarela.

Na imagem, podemos observar a dissociação do indicador vermelho de metila. Ocorre uma


variação da coloração conforme o pH da solução. Passa de vermelho, em meio ácido, a amarelo,
em meio básico.

HIn ⇌ H+ + In-

7. Com o valor do pKa obtido experimentalmente calcule a variação da energia livre de Gibbs
∆G para a dissociação do vermelho de metila. Considere a eq ∆G = -RTlnKa, qual o
significado do resultado obtido, discuta. R=8,314 J/MolK; T=298K.

∆G = -RTlnKa

Ka= 10-pKa
Ka= 10- 5,25
Ka= 5,62x10-6
ln(Ka)= -12.08

∆G = -RTlnKa

∆G = - 8,314.298. -12,08

∆G= + 29.929,06 kcal/mol

∆G>0 significa que o processo não foi espontâneo e é termodinamicamente não favorecido.
A energia livre de Gibbs expressa a diferença de energia entre os reagentes e os produtos no
equilíbrio termodinâmico. O ∆G positivo indica um aumento da entalpia e diminuição da
entropia do sistema, o que significa um processo não espontâneo e com baixa capacidade de
realizar trabalho

8.Descreva outro método que poderia ser usado para determinar o pKa. Através de
espectrofotometria pode-se determinar o pKa de aminoácidos e proteínas? Explique.

Outro método muito usado para determinar o pKa é através de uma curva de titulação, onde
pode-se encontrar um valor igual para pH e pKa. É utilizada em pKa na faixa de 2 a 12, sendo
calculado a partir de mudanças na curva de titulação. Há outros métodos para determinar o
pKa, como técnicas de eletroforese capilar, espectrofotometria UV-visível, a cromatografia
líquida e a titulação potenciométrica.

O comprimento de onda no qual a molécula absorve luz depende da intensidade em que seus
elétrons estão ligados. Os elétrons compartilhados de ligações carbono-carbono e carbono-
hidrogênio estão fortemente ligados, fazendo com que suas excitações requeiram energia de
um comprimento de onda abaixo de 180nm. Os elétrons que participam de ligações duplas e
triplas não estão fortemente ligados, e assim são mais difíceis de serem excitados pela
radiação.

Proteínas são macromoléculas, constituídas por uma ou mais cadeias de aminoácidos e


apresentam ligações carbono-carbono e carbono-hidrogênio, sendo assim a
espectrofotometria não teria sucesso. Porém existe aminoácidos como Tirosina, Triptofano e
Fenilalanina que possuem um anel benzênico, que por possuir ligações duplas de carbono, é o
responsável majoritariamente pela absorção de luz na região de ultravioleta nas proteínas.

9. Defina constate de dissociação ácida e básica para uma substância.

A constante de dissociação pode ser definida como um valor que expressa a relação entre as
concentrações dos eletrólitos dissociados em meio aquoso. Assim como as demais constantes
de equilíbrio esta constante nada mais é do que o quociente entre as concentrações dos
produtos e reagentes.

10. O pH é um dos fatores mais importantes no processo de formulação de fármacos por causa
de seus efeitos sobre a solubilidade e a estabilidade dos princípios ativos. Relacione situações
que exemplifiquem a importância do controle do pH na área farmacêutica.

O processo de absorção de fármacos tem por finalidade transferir o fármaco do local onde é
administrado para os fluidos circulantes, representados especialmente pelo sangue. Por
exemplo, um fármaco injetado no músculo terá que se difundir a partir do local de injeção e
atravessar o endotélio dos vasos sanguíneos mais próximos, para alcançar a circulação sistêmica
e, portanto ser absorvido. A importância deste processo de absorção reside essencialmente na
determinação do período entre a administração do fármaco e o aparecimento do efeito
farmacológico (tempo de latência), bem como na determinação das doses e escolha da via de
administração do fármaco.
Um dos fatores que interferem na absorção do fármaco é o pH do sítio da absorção e o pKa do
fármaco. Cada droga possui um pka específico, quando a mesma se encontra em um pH
semelhante ao pKa ela está 50% na forma iônica e 50% na forma molecular. As drogas ácidas
são favorecidas, em relação a sua absorção, no pH ácido e sua eliminação é favorecida num pH
básico. Ocorre o inverso para as drogas básicas, onde sua absorção é favorecida em pH básico e
sua eliminação em pH ácido.

A cocaína é uma droga básica que quando associada ao bicarbonato de sódio, resulta em outra
droga (Crack) que provoca uma dependência bem maior, porque a absorção da cocaína fica
facilitada pela alcalinização do meio, provocada pelo bicarbonato de sódio. Quando um
indivíduo se encontra com uma intoxicação por ácido, a conduta imediata é usar bicarbonato de
sódio para dificultar a absorção do ácido, porque o ácido em pH básico vai ficar mais na forma
iônica. Desse modo, ele não consegue atravessar as barreiras biológicas.

11. Que tipos de resíduos químicos foram gerados neste experimento e como foram tratados.
Explique.

As soluções preparadas (Na2HPO4 e Ácido Cítrico) são diluídas e não tóxicas. Ao final do
experimento, as soluções foram transferidas para um béquer e medidas em phmetro, onde
obteve-se ph 5,75. Assim não foi necessário realizar o ajuste de pH para descarte, sendo que
os valores adequados para para este são entre 5,0 e 9,0. Em seguida a solução foi posta em um
recipiente contendo carvão ativado, no qual ficou em repouso para fazer a adsorção da
solução. Após a perda da coloração, é possível realizar o descarte com segurança.

Bibliografia:

Voguel, Análise Química Quantitativa, 5o Ed., LTC - Livros Técnicos e Científicos, Editora S.A.,
R.J., 1992.

Florence, A.T., Princípios físico químicos em farmácia. 2° edição. M&F Academic Book Services.
1998.

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