Você está na página 1de 13

HERBERT MARCUSE E A PSICANÁLISE: MAIS-REPRESSÃO E PRINCÍPIO DE

DESEMPENHO NO “EROS E CIVILIZAÇÃO”


Ícaro Gomes Silva1

Resumo: O artigo analisa o movimento inicial de apropriação da metapsicologia freudiana


realizado por Herbert Marcuse (1898-1979) no Eros e civilização, de 1955. Efetivado à luz de
orientações lançadas por Horkheimer (1895-1973) no texto Teoria crítica e teoria tradicional
(1937), Marcuse procurou revisitar noções fundamentais da psicanálise freudiana, criticá-las e
ampliá-las para o âmbito da sociedade industrial-tecnológica. Tratou-se, fundamentalmente,
de explorar os mecanismos pelos quais a cultura unidimensional se interioriza e se perpetua,
além de desenvolver suas possibilidades revolucionárias. Neste contexto, recorreremos aos
escritos de Sigmund Freud (1856-1939), focando nos conceitos de “repressão” (Verdrängung)
e “princípio de realidade” (Realitätsprinzip), os quais foram apresentados por Marcuse como
“mais-repressão” (surplus-repression) e “princípio de desempenho” (performance principle),
respectivamente. Destarte, analisaremos o movimento de expansão teórico-conceitual operado
por Marcuse ao considerar a repressão não apenas em sua ordem ontogenética, mas também
em sua ordem filogenética. Através das teorias da libido e das pulsões, Freud situou a história
do homem como a história de sua repressão: por um lado, a repressão se apresenta como uma
necessidade, mas até que ponto não envolve a maneira pela qual a dominação se perpetua?

Palavras-chave: Marcuse. Psicanálise. Mais-repressão. Princípio de desempenho.

Introdução
Resultado de uma apropriação da metapsicologia freudiana à luz das orientações
lançadas por Max Horkheimer (1895-1973) e dispondo-se a responder os revisionismos pós-
freudianos de Wilhelm Reich (1897-1957), Carl Gustav Jung (1875-1961) e, sobretudo, Erich
Fromm (1900-1980), Eros e civilização foi publicado em 1955 com o objetivo de revisitar os
conceitos psicanalíticos da teoria da repressão, criticando-os e ampliando-os para o contexto
da sociedade industrial-tecnológica. Já no prefácio de sua primeira edição, Herbert Marcuse
(1898-1979) prestou agradecimentos, no tocante a sua posição teórica, a Max Horkheimer e
os seus colaboradores do Institut für Sozialforschung (“Instituto para Pesquisa Social”) em
Frankfurt (MARCUSE, 1975, p. 26). Pode-se constatar, através desta evidente aliança teórica,
que a aproximação marcuseana da psicanálise não teve o objetivo de apresentar “verdades

1
Graduando em Filosofia pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Bolsista PET – Programa de Educação
Tutorial pela mesma instituição.

FORTALEZA - V.1, N.1, 2016


ISSN: 2526-7515
HERBERT MARCUSE E A PSICANÁLISE:
MAIS-REPRESSÃO E PRINCÍPIO DE DESEMPENHO NO “EROS E CIVILIZAÇÃO”

puras” coerentes com algum suposto sistema doutrinário acerca do pensamento de Sigmund
Freud (1856-1939); a perspectiva e os objetivos do pensador frankfurtiano compactuam,
muito mais, com os de Horkheimer no escrito Teoria tradicional e teoria crítica, de 1937,
considerado um manifesto da Escola de Frankfurt, no qual se procurou delinear tanto as
diferenças como as possíveis aproximações entre a teoria tradicionale a teoria crítica.
Em suma, Horkheimer havia destacado o aspecto fragmentado da teoria tradicional –
iniciada na Modernidade com o método científico proposto por René Descartes (1596-1650),
envolve uma forma de pensamento ligada ao desenvolvimento da matemática e da física, cujo
modelo (Vorbild) dedutivo foi estendido à totalidade das ciências sendo, inclusive, aplicado às
ciências do homem e da sociedade, produzindo teorias que se limitam a um sistema de sinais e
operações lógicas racionalizadas a tal ponto que tendem a compor uma construção puramente
matemática (HORKHEIMER, 1980, p. 126-127). O autor traz o exemplo dos sociólogos de
orientação fenomenológica e a sua prática de aplicar proposições mais ou menos gerais como
hipóteses aos novos fatos surgidos. Após constatar uma lei essencial (Wesensgesetz), o
sociólogo “estará indubitavelmente seguro de que cada exemplar teria que proceder em
conformidade com essa lei” (HORKHEIMER, 1980, p. 128). A lei essencial, no entanto,
impõe o problema de ser um bom exemplar de um gênero e um mau exemplar de outro
gênero: trata-se, “de um lado, o saber formulado intelectualmente e, de outro, um fato
concreto (Sachverhalt) que deve ser subsumido por esse saber” (HORKHEIMER, 1980, p.
128), ou seja, que deve estabelecer uma relação entre o que é percebido (a constatação do fato
concreto) e a ordem conceitual, a explicação teórica. Os cientistas sociais acabam por não
questionar a identidade na concepção (Auffassung) de teoria presente nas diferentes escolas
sociológicas ou nas ciências da natureza. “Não é o significado da teoria em geral que é
questionado aqui, mas a teoria esboçada ‘de cima para baixo’ por outros, elaborada sem o
contato direto com os problemas de uma ciência empírica particular” (HORKHEIMER, 1980,
p. 127). Neste contexto, Horkheimer (1980, p. 131) percebe que a “representação tradicional
de teoria foi abstraída do funcionamento da sociedade, tal como este ocorre a um nível dado
da divisão do trabalho”. Esta representação faz emergir não a função real da ciência e nem o
que as teorias significam para a existência humana, mas apenas o que a teoria significa na
esfera isolada das condições históricas em que é produzida. O funcionamento da teoria
tradicional acaba por aceitar as determinações básicas da existência como naturais e
preestabelecidas, pois considera a gênese dos fatos concretos e o papel do pesquisador na
práxis como algo exterior. Erige-se, desta forma, um pensamento alienante que separa valor
de ciência, saber de agir, perdendo suas próprias bases: a chamada teoria tradicional opera

FORTALEZA - V.1, N.1, 2016


ISSN: 2526-7515
SILVA, Í. G.

segregando indivíduo e sociedade, além de despojar um mero caráter de facticidade ao objeto


estudado, na medida em que os entende como produtos do homem e que, como tais, devem
estar sob o controle humano (HORKHEIMER, 1980, p. 139). Em última instância, a teoria
tradicional impõe o social como um fatalismo inevitável de leis que podem ser descobertas,
descritas e estudadas, mas não podem ser alteradas. Contrapondo-se à teoria tradicional, a
teoria crítica visa promover uma eliminação das barreiras entre indivíduo e sociedade, além de
diagnosticar o tempo presente e viabilizar um comportamento crítico orientado para as
potencialidades de emancipação (NOBRE, 2008, p. 34). “A teoria crítica afirma: isso que existe
não tem que ser necessariamente assim, os homens podem mudar o ser, e as circunstâncias
propícias já existem” (HORKHEIMER, 1980, p. 152). Não devemos, no entanto, cair na
concepção de que há uma oposição radical entre a teoria tradicional e a teoria crítica; acerca
deste ponto, Horkheimer (1980, p. 160) foi sucinto na sua colocação: toda a teoria pode e deve
ser apropriada como ponto de partida para uma análise crítica, adequando-a a novas
circunstâncias. Neste contexto, Marcuse está mais interessado em explorar, através do
arcabouço teórico-conceitual freudiano, “os mecanismos pelos quais a cultura unidimensional
se interioriza e se perpetua” (ROUANET, 1989, p. 199), além de desenvolver suas potências
revolucionárias.
1 Teoria crítica e psicanálise: o sujeito na sociedade industrial
Eros e civilização antecipou algumas noções que seriam desenvolvidas por Marcuse
em O homem unidimensional, de 1964, onde o autor destacou a tendência de integração da
classe trabalhadora na ideologia da sociedade industrial, um fenômeno que envolve a crença
no progresso técnico-científico, a assimilação de interesses anteriormente antagônicos e a sutil
administração das maneiras de agir, pensar e sentir. Neste contexto, o conceito de “alienação”
torna-se questionável na medida em que os indivíduos se identificam com a existência que
lhes é imposta e projetam nela toda a sua vida: o seu desenvolvimento, os seus desejos, a sua
satisfação. “O sujeito que é alienado é engolfado por sua existência alienada. Há apenas uma
dimensão que está em tôda parte e tem tôdas as formas” (MARCUSE, 1973, p. 31). Marcuse
denuncia que nas sociedades contemporâneas a falsa consciência se tornou a verdadeira: ela
surge do padrão de pensamentos e comportamentos unidimensionais que erigem um estado de
conformismo generalizado. O exercício do livre pensamento e a liberdade de oposição política
se tornaram superficiais e perderam a sua função crítica na sociedade unidimensional, pois o
seu desenvolvimento possibilitou, cada vez mais, a satisfação das necessidades individuais.

FORTALEZA - V.1, N.1, 2016


ISSN: 2526-7515
Anais
II Encontro Nacional Herbert Marcuse
Contenção, Contestação e Perspectivas de Emancipação

Entretanto, o horizonte intelectual marcuseano não deixa de denunciar que muitas destas
necessidades não adquiridas, implantadas ou pré-condicionadas para além do nível biológico.
Pode-se distinguir, portanto, entre necessidades verídicas (vitais) e as “falsas” necessidades –
que são, estas últimas, superimpostas ao indivíduo por interesses particulares e instituições
sociais comuns.
Tais necessidades têm um conteúdo e uma função sociais determinados por
forças externas sobre as quais o indivíduo não tem controle algum; o
desenvolvimento e a satisfação dessas necessidades são heterônimos.
Independentemente do quanto tais necessidades possam ter tornado do
próprio indivíduo, reproduzidas e fortalecidas pelas condições de sua
existência; independentemente do quanto êle se identifique com elas e se
encontre em sua satisfação, elas continuam a ser o que eram de início –
produtos de uma sociedade cujo interesse dominante exige repressão.
(MARCUSE, 1973, p. 26)
Herbert Marcuse denunciou as necessidades humanas como necessidades históricas,
destacando a prevalência das “falsas” necessidades nas sociedades unidimensionais – efeito
do desenvolvimento repressivo dos indivíduos. Esta repressão, no entanto, se manifesta em
formas cada vez mais sutis de controle que perpetuam a ideologia da sociedade industrial pelo
progresso técnico, promovendo uma liberdade “confortável, suave, razoável, democrática”
(MARCUSE, 1973, p. 23). Erige-se, neste estado de conformismo, uma unidimensionalização
que “afeta tanto o universo político-social como o linguístico-teórico” (ROUANET, 1989, p.
202), nivelando e integrando qualquer forma de oposição em extensão qualitativa. O resultado
é a crescente homogeneização ideológica que tende a tornar-se totalitária – não devido ao
regime político de um ditador, mas devido à “contenção” proporcionada pela racionalidade
tecnológica, impedindo uma práxis que conteste e supere este modo de existência.
Em virtude do modo pelo qual organizou sua base tecnológica, a sociedade
contemporânea tende a tornar-se totalitária. Pois “totalitária” não é apenas
uma coordenação política terrorista da sociedade, mas também uma
coordenação técnico-econômica não-terrorista que opera através da
manipulação das necessidades por interesses adquiridos. Impede, assim, o
surgimento de uma oposição eficaz ao todo. Não apenas uma forma
específica de Govêrno ou direção partidária constitui totalitarismo, mas
também um sistema específico de produção e distribuição que bem pode ser
compatível com o “pluralismo” de partidos, jornais, “poderes
contrabalançados” etc. (MARCUSE, 1973, p. 24-25)
A teoria freudiana da repressão constituiu o alicerce central sob o qual a apropriação
marcuseana se desenvolveu: ao tomar a psicanálise como uma teoria tradicional, o pensador
frankfurtiano utilizou suas ferramentas teórico-conceituais para produzir uma teoria crítica da
sociedade com fortes contribuições ao pensamento contemporâneo. O próprio Marcuse ainda
destacou que sua preocupação não foi a de corrigir interpretações, nem aumentar o arcabouço
conceitual da psicanálise, mas em averiguar “as suas implicações filosóficas e sociológicas”
(MARCUSE, 1975, p. 30). Neste contexto, o artigo analisa o movimento inicial de expansão

FORTALEZA - V.1, N.1, 2016


ISSN: 2526-7515
HERBERT MARCUSE E A PSICANÁLISE:
MAIS-REPRESSÃO E PRINCÍPIO DE DESEMPENHO NO “EROS E CIVILIZAÇÃO”

operado por Marcuse em sua apropriação da psicanálise, que está concentrado na primeira
parte do livro, intitulada Sob o domínio do princípio de realidade; mais especificamente,
tomaremos os conceitos freudianos de “repressão” (Verdrängung) e “princípio de realidade”
(Realitätsprinzip), os quais foram apreendidos por Marcuse, respectivamente, como “mais-
repressão” (surplus-repression) e “princípio de desempenho” (performance principle).
2 Marcuse e a teoria freudiana: pulsão e repressão
No escrito A história do movimento psicanalítico, de 1914, Freud declarou que “a
teoria da repressão é a pedra angular sob a qual repousa toda a teoria psicanalítica. É a parte
mais essencial dela e todavia nada mais é senão a formulação teórica de um fenômeno que
pode ser observado quantas vezes se desejar [...]” (FREUD, 1974, p. 26). Fundada na Europa
entre o final do século XIX e o início do século XX, entre aprovações e críticas, a psicanálise
surgiu com a pretensão de dar conta dos atos irracionais dos humanos, deslocando o sujeito
supostamente soberano, consciente e unificado, para uma característica de inconsciência. Em
suma, Freud se dedicou ao estudo dos investimentos libidinais: o desejo, suas inter-relações e
as conexões com o aparelho psíquico. O conceito de “repressão” nos direciona historicamente
aos primórdios da teoria psicanalítica e permite articulá-la, simultaneamente, como uma teoria
psicológica e social. Trata-se de um complemento à teoria das pulsões, desenvolvida com
profundidade no texto Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, de 1905. Neste escrito,
cujos conceitos foram extensivamente revisitados posteriormente, Freud introduziu o conceito
de “pulsão” (Trieb, do original em alemão) para se referir ao representante psíquico com
estimulações constantes de fonte endógena (interna ao organismo), sendo um conceito
limítrofe entre o psíquico e o somático, isto é, entre a mente e o corpo (FREUD, 1996a).
Marcuse afirmou, logo na introdução de Eros e civilização, que pretendeu tomar a noção de
“pulsão” no mesmo significado que Freud, para se referir “aos impulsos primários do
organismo humano que estão sujeitos a modificação histórica” (MARCUSE, 1975, p. 30).
Esta modificação histórica, a qual Marcuse se refere, é justamente o ponto de contato entre a
teoria das pulsões e a teoria da repressão. No texto Formulação sobre os dois princípios de
funcionamento mental, de 1911, Freud concebeu o sujeito como regido pelo princípio de
prazer-desprazer (Lust-Unlust), o qual seria o mais remoto dos processos mentais: um esforço
contínuo por obter prazer, ao mesmo tempo em que a atividade psíquica afasta-se de qualquer
operação que possa originar sensações de desprazer. Mas foi somente no escrito Repressão,
de 1915, que se formalizou na teoria freudiana a noção de “repressão”, apresentada em
relações claras com o princípio de realidade e a condição de desprazer (FREUD, 1996). Em
sua interpretação filosófica, Marcuse apreendeu o conceito de repressão em uma “acepção
não-técnica para designar os processos conscientes e inconscientes, externos e internos, de

FORTALEZA - V.1, N.1, 2016


ISSN: 2526-7515
SILVA, Í. G.

restrição, coerção e supressão” (1975, p. 30). Em suma, a repressão envolve o movimento de


interpelação ou inibição de uma pulsão, forçando-a a permanecer um estado arcaico. Em uma
segunda etapa, ocorre a introjeção da repressão (a qual, segundo Freud, é a “repressão
propriamente dita”), situação na qual o indivíduo parte dos sistemas de consciência e os volta
contra os derivados psíquicos das pulsões anteriormente fixadas. Desta forma, o ego-prazer,
regido pelo princípio de prazer-desprazer da instância inconsciente (a qual não é orientada por
nenhuma regra e visa somente satisfazer as necessidades vitais) passa a ser regido pelo
princípio de realidade, tornando-se um ego-realidade que abandona o prazer incerto e
momentâneo e escolhe um prazer mais tardio, porém seguro.
Tal como o ego-prazer nada pode fazer a não ser querer, trabalhar para
produzir prazer e evitar o desprazer, assim o ego-realidade nada necessita
fazer a não ser lutar pelo que é útil e resguardar-se contra danos. Na
realidade, a substituição do princípio de prazer pelo princípio de realidade
não implica a deposição daquele, mas apenas sua proteção. (FREUD, 1996,
p. 241)
A relação entre o princípio de prazer e o princípio de realidade foi postulada,
inclusive, como inserida na tríade do modelo psíquico freudiano (id, ego e superego),
fundamentado no texto O ego e o id, de 1923. Freud definiu o id como a instância dos
conteúdos inconscientes regida pelo princípio de prazer, o superego como a consciência moral
regida pelo princípio de realidade, e o ego como o mediador circunscrito entre ambos. Desta
forma, Freud postulou a interação entre homem e sociedade como um conflito incessante que
visa destituí-lo do princípio de prazer e a alocá-lo no princípio de realidade, contemplando a
trajetória humana como permeada por “frustrações e derrotas” (MACINTYRE, 1973, p. 49),
de onde Marcuse viu emergir uma irrefutável acusação da civilização ocidental: “a história do
homem é a história de sua repressão” (MARCUSE, 1975, p. 33). No escrito Mal-estar na
civilização, de 1930, Freud evidenciou como nunca o conflito entre homem e cultura, homem
e civilização: a livre gratificação dos indivíduos é incompatível com a vida coletiva e a
possibilidade de uma civilização não repressiva parece impossível. Neste texto, o psiquiatra
alemão até chegou a reconhecer o lado positivo da civilização, frisando-a como um “processo
a serviço do Eros, cujo propósito é combinar indivíduos humanos isolados, [...] raças, povos e
nações numa única grande unidade, a unidade da humanidade” (FREUD, 1996c, p. 125-126).
No entanto, o trabalho do Eros é continuamente minado pelo instinto ou pulsão de Morte, o
qual se opõe drasticamente a este programa da civilização: estes seriam, segundo Freud, os
“dois instintos” fundamentais da humanidade, que foram colocados de maneira hipotética
desde o escrito Além do princípio do prazer, de 1920, revisitando a sua teoria das pulsões. O
primeiro, Eros, diz respeito a uma manifestação instintiva da libido sexual, e também se refere

FORTALEZA - V.1, N.1, 2016


ISSN: 2526-7515
Anais
II Encontro Nacional Herbert Marcuse
Contenção, Contestação e Perspectivas de Emancipação

às pulsões de autoconservação; o segundo, o instinto de morte, envolve uma manifestação que


garante “que o organismo seguirá seu próprio caminho para a morte” (FREUD, 1976, p. 57) e
voltará para um estado inorgânico, eliminando completamente as tensões e as dores. A pulsão
de morte (Todestrieb) foi posta como hipótese a partir de estudos provenientes da biologia, e
possui o sadismo como seu representante principal: se manifesta como uma pulsão destrutiva
quando direcionada ao exterior e como uma pulsão autodestrutiva quando direcionada ao
interior (no último caso, tratar-se-ia do masoquismo: um retorno do sadismo ao próprio eu).
Assim, Sigmund Freud postulou a constante “luta entre Eros e a Morte, entre o instinto de
vida e o instinto de destruição” (FREUD, 1996c, p. 126) como o significado da evolução da
civilização.
Acerca destes pontos, Marcuse (1975, p. 86) também considerou o trabalho cultural do
Eros ao unir a vida social em unidades cada vez maiores. No entanto, seguindo os passos de
Freud, Marcuse também destaca que este movimento de expansão acaba por propagar a
autoridade do pai – suplementado, substituído pelas autoridades da sociedade, propagam-se
também as inibições e os impulsos agressivos. Destarte, a humanidade tende a passar por uma
intensificação do sentimento de culpa. Em Totem e tabu, de 1913, Freud havia se baseado nas
pesquisas do antropólogo evolucionista James George Frazer (1854-1941) na tribo australiana
dos “Arunta” para estabelecer a origem primordial da estrutura conflituosa que chamou de
“complexo de Édipo”. Em síntese, trata-se de um conflito com o pai, o qual representa um
obstáculo às necessidades sexuais e a vontade de poder dos filhos: o repressor, o representante
do princípio de realidade. Os aborígenes australianos foram tomados como exemplo devido as
fortes ambivalências afetivas (próprias do aparelho psíquico, segundo Freud) ao assassinarem
o pai e, posteriormente, o colocarem em uma posição totêmica – um movimento que, segundo
a análise freudiana, põe origem ao sentimento de culpa, a prática da exogamia e da religião.
A repressão é um fenômeno histórico. A subjugação efetiva dos instintos,
mediante controles repressivos não é imposta pela natureza, mas pelo
homem. O pai primordial, como arquétipo da dominação, inicia à reação em
cadeia de escravização, rebelião e dominação reforçada que caracteriza a
história da civilização. Mas, desde a primeira e pré-histórica restauração da
dominação, após a primeira rebelião contra esta, a repressão externa foi
sempre apoiada pela repressão interna: o indivíduo escravizado introjeta seus
senhores e suas ordens no próprio aparelho mental. A luta contra a liberdade
reproduz-se na psique do homem, como auto-repressão do indivíduo
reprimido, e a sua auto-repressão apoia, por seu turno, os senhores e suas
instituições. É essa a dinâmica mental que Freud desvenda como dinâmica
da civilização. (MARCUSE, 1979, p. 37)
Em dimensão ontogenética, o princípio de realidade é imposto durante a infância
pelos pais e pelos educadores: a submissão é reproduzida ao longo da vida até se materializar
em um sistema de instituições sociais que transmitem a lei e a ordem para as gerações futuras

FORTALEZA - V.1, N.1, 2016


ISSN: 2526-7515
HERBERT MARCUSE E A PSICANÁLISE:
MAIS-REPRESSÃO E PRINCÍPIO DE DESEMPENHO NO “EROS E CIVILIZAÇÃO”

(MARCUSE, 1979, p. 36). A passagem do principio de prazer para o princípio de realidade


altera radicalmente o âmbito dos desejos humanos: aprende-se a adiar a satisfação, restringe-
se o prazer, aumenta-se o esforço e a produtividade do trabalho em momentos que poderiam
ser direcionados para o júbilo das atividades lúdicas e recreativas; destarte, este movimento
também aumenta a capacidade de transformação da realidade, tendo em vista aquilo que é
utilitário. Entretanto, Marcuse adverte que, neste ponto, os desejos e todo o potencial de
alteração da realidade deixam de ser do sujeito e passam a ser “organizados” pelo campo
social (MARCUSE, 1979, p. 36). Em outras palavras, não mais o pertencem: a civilização luta
contra a liberdade dos indivíduos, e esta luta contra a liberdade se reproduz na própria psique
individual como auto-repressão.
3 Para além da dimensão ontogenética da repressão
Marcuse observou que todos os “conceitos psicanalíticos (sublimação, identificação,
projeção, repressão, introjeção) implicam a mutabilidade dos instintos” (MARCUSE, 1975, p.
33). Trata-se de pensar o princípio de realidade freudiano como aquele que entrega uma forma
modeladora aos instintos, às necessidades e às satisfações humanas, apesar de não determiná-
los por completo. Os impulsos instintivos são continuamente transmutados e convertidos
através da influência da realidade externa, a qual transforma a sua natureza, afeta “não só os
anseios instintivos, mas também os ‘valores’ instintivos – isto é, os princípios que governam a
consecução dos anseios” (MARCUSE, 1979, p. 34). A repressão, neste contexto, torna-se a
condição necessária para converter o homem animal, movido pela livre gratificação de suas
pulsões, em um ser humano: “a luta pela existência forçou as pulsões a uma mudança em
nome da sobrevivência, uma repressão em benefício da civilização” (FREUD, 1996b, p. 50).
Trata-se, fundamentalmente, de um processo racionalizante: deve-se aprender a “examinar” a
realidade através das faculdades da atenção, da memória e do discernimento, distinguindo
“entre bom e mau, verdadeiro e falso, útil e prejudicial” (MARCUSE, 1979, p. 35). Marcuse
também aceitou como axiomática a noção freudiana de que a civilização “se baseia na
permanente subjugação dos instintos humanos” (MARCUSE, 1975, p. 27), e utilizou os
termos “civilização” e “cultura” no mesmo sentido que Freud. Para o pensador frankfurtiano,
o adiamento do prazer, a renúncia e o sacrifício da libido constituem o motor do progresso,
imposto pelas expressões utilitaristas da sociedade: abandona-se o objetivo primário (isto é, a
satisfação integral) para se perseguir outros objetivos.
Partindo do objetivo de trazer os conceitos freudianos de “repressão” e “princípio de
realidade” para o contexto da sociedade industrial-tecnológica, Herbert Marcuse operou uma
ampliação conceitual: não tomou apenas a ordem ontogenética da repressão, isto é, o
desenvolvimento do indivíduo reprimido “desde a mais remota infância até a sua existência

FORTALEZA - V.1, N.1, 2016


ISSN: 2526-7515
SILVA, Í. G.

Social consciente” (MARCUSE, 1979, p. 39), mas também considerou a sua dimensão
filogenética, ou seja, o desenvolvimento da repressão em ordem coletiva, a civilização desde a
ordem primordial até sua plena constituição. Freud não desenvolveu com profundidade a
dimensão filogenética, mas deu indícios através do ciclo “repressão-rebelião-nova repressão,
ilustrado no mito do parricídio e da restauração (interiorizada) do Pai” (ROUANET, 1989, p.
229) no escrito Totem e tabu. No entanto, os conceitos freudianos parecem permanecer em
uma posição estática, não-histórica, situação a qual Marcuse procurou inverter.
O caráter não-histórico dos conceitos freudianos contém, pois, o seu oposto:
sua substância histórica deve ser retomada, não somando-se-lhe alguns
fatores sociológicos (como fazem as escolas “culturais” neofreudianas), mas
revelando o seu próprio conteúdo. Neste sentido, o nosso exame subsequente
constitui uma “extrapolação” que deriva das noções e proposições da teoria
de Freud, nesta implícitas tão-só numa forma coisificada, em que os
processos históricos se apresentam como processos naturais (biológicos).
(MARCUSE, 1979, p. 51)
Em suma, Marcuse percebeu que a repressão, tal como formulada por Freud, ganha
uma dimensão a-histórica e universal: ela continuará a se reproduzir ad infinitum, não abrindo
espaço para que outro princípio de realidade se constitua historicamente, funcionando sempre
em oposição ao princípio de prazer. Marcuse também chega a argumentar contra o biologismo
freudiano: a repressão e a dominação não são questões biológicas, mas históricas e devem,
portanto, ser concebidas como passíveis de transformação.
[...] Freud não distingue entre a repressão por assim dizer estrutural,
efetivamente necessária para garantir a sobrevivência biológica dos
indivíduos e grupos, e a repressão excedente, variável historicamente,
vinculada aos interesses da dominação. O princípio de realidade inclui esses
dois momentos, ao passo que Freud ignora, ou deixara de explicitar, o
componente histórico (e, portanto político) do princípio de realidade, e o
define, em conjunto, como um limite absoluto, inerte à natureza humana,
inibindo, imutavelmente, as aspirações do indivíduo à felicidade.
(ROUANET, 1989, p. 228)
Neste movimento de ruptura, Herbert Marcuse apresentou os conceitos freudianos
reformulados para distinguir adequadamente entre as mudanças biológicas e histórico-
culturais dos instintos: a “repressão básica” transforma-se no conceito de “mais-repressão”
(surplus-repression), que diz respeito às restrições necessárias para manter ou perpetuar uma
forma particular de dominação social; e o “princípio de realidade” transforma-se em
“princípio de desempenho ou de performance” (performance principle), que diz respeito à
forma histórica ou predominante do princípio de realidade. Marcuse percebeu, assim como
Freud, a repressão como necessária em ordem filogenética: mesmo “o Eros incontrolado é tão
funesto quanto a sua réplica fatal, o instinto de morte” (MARCUSE, 1979, p. 33). Por outro
lado, até que ponto a repressão não se apresenta como a maneira pela qual a dominação se
perpetua com o objetivo de manter o status quo, reproduzindo frequentes relações de poder?

FORTALEZA - V.1, N.1, 2016


ISSN: 2526-7515
Anais
II Encontro Nacional Herbert Marcuse
Contenção, Contestação e Perspectivas de Emancipação

Na estrutura total da personalidade reprimida, a mais-repressão diz respeito aos resultados de


uma interpelação intencional, realizada e perpetuada com o objetivo de dominação; o
princípio de desempenho, por sua vez, diz respeito às formas gerais e históricas a qual a mais-
repressão assume – as instituições e as relações que constituem o “corpo” social do princípio
de realidade (MARCUSE, 1979, p. 44).
Marcuse chega a citar alguns exemplos destes controles adicionais e intencionais que
compõem a mais-repressão: a reprodução da sociedade através do modelo monogâmico e
patriarcal da família, a canalização da libido sexual por vias genitais, a divisão hierárquica do
trabalho, e até o controle público da existência privada dos indivíduos (MARCUSE, 1979, p.
53). Na história da civilização, a repressão básica e a mais-repressão estão necessariamente
interligadas: uma não anula a outra. Trata-se, antes, de uma adição que envolve tanto as
restrições básicas (de ordem filogenética) como a sua dimensão ontogenética, demarcando a
transformação progressiva do animal humano em animal sapiens e modificando suas pulsões
originárias. “Os vários modos de dominação (do homem e da natureza) resultam em várias
formas do princípio de realidade” (MARCUSE, 1979, p. 52), porque diferentes modos de
organização social exigem diferentes formas de repressão. O pensador frankfurtiano chega a
mencionar, por exemplo, uma sociedade em que todos os indivíduos trabalham normalmente
pela vida e outra sociedade em que somente um grupo se ocupa do trabalho; uma sociedade
em que a produção individual é direcionada ao lucro ou ao consumo individual, com
propriedade privada ou coletiva; ou até uma sociedade na qual vigore uma economia
planejada ou prevaleça uma economia de mercado: em cada situação, os modos de repressão
serão distintos em escopo, conteúdo e grau. “Essas diferenças afetam o próprio conteúdo do
princípio de realidade, pois toda e qualquer forma do princípio de realidade deve estar
consubstanciada num sistema de instituições e relações sociais, de leis e de valores que
impõem a requerida ‘modificação’ dos instintos” (MARCUSE, 1979, p. 52). É importante
destacar que a mais-repressão no princípio de desempenho – este “corpo” social do princípio
de realidade nos diversos estágios da civilização – ocorre de uma forma muito mais elevada e
com um alcance muito maior do que a repressão no princípio de realidade pensado por Freud.
Além disto, trata-se de uma repressão desnecessária, pois visa apenas manter relações de
dominação. Caso esta mais-repressão vise alguma necessidade, tratar-se-á de uma necessidade
extremamente superficial para a manutenção da vida. Nesta conjuntura, Marcuse defende que
o “trabalho que criou e ampliou a base material da civilização foi principalmente labuta,
trabalho alienado, penoso e desagradável e ainda é. [...] Foi imposto ao homem pela
necessidade e forças brutais” (MARCUSE, 1979, p. 88). A labuta envolve um trabalho árduo,

FORTALEZA - V.1, N.1, 2016


ISSN: 2526-7515
HERBERT MARCUSE E A PSICANÁLISE:
MAIS-REPRESSÃO E PRINCÍPIO DE DESEMPENHO NO “EROS E CIVILIZAÇÃO”

penoso e de difícil gratificação: o indivíduo empenha atividades que, na maioria das vezes,
não coincidem com suas próprias faculdades ou desejos, fazendo-o negar o princípio de
prazer.

Conclusão

Partindo de uma teoria tradicional, a psicanálise freudiana, Herbert Marcuse operou


um movimento de expansão através dos conceitos de “mais-repressão” (surplus-repression) e
“princípio de desempenho” (performance principle). Em suma, procuramos demonstrar que
este movimento acabou por destacar o posicionamento crítico que faltava na teoria de Freud,
compactuando com a proposta de Horkheimer em Teoria tradicional e teoria crítica (1937). É
importante destacar que as alianças entre a filosofia de Marcuse e os conceitos freudianos,
explorados neste artigo, envolvem apenas o movimento inicial de apropriação, que ainda pode
ser evidenciado através do conceito de “sublimação repressiva” (no Eros e civilização) ou por
intermédio do conceito de “dessublimação repressiva” (no O homem unidimensional), quando
foi completamente revisitado. Tratou-se, fundamentalmente, de uma operação que privilegiou
a ordem filogenética da repressão, pouco explanada por Freud, sem desconsiderar a dimensão
ontogenética. Desta forma, Marcuse ampliou os conceitos de “repressão” (Verdrängung) e
“princípio de realidade” (Realitätsprinzip) para o âmbito da sociedade industrial-tecnológica,
retirando-os de uma posição estática ou a-histórica: valiosos “prismas” para se contemplar as
sociedades contemporâneas. Quando regidos pelo princípio de desempenho, corpo e mente
renunciam a “liberdade do sujeito-objeto libidinal que o organismo humano primariamente é e
deseja” (MARCUSE, 1979, p. 59) e passam a ser meros instrumentos do trabalho alienado, da
labuta. Mas a proposta geral que atravessa o Eros e civilização envolveu muito mais do que a
simples ampliação dos conceitos freudianos.
Marcuse procurou delinear, ao longo da obra, a possibilidade de uma civilização não-
repressiva. Apesar de o próprio Freud ter negado esta possibilidade, existiriam elementos em
sua teoria que transgridem esta racionalização e sugerem o seu inverso (MARCUSE, 1979, p.
37). Marcuse (1979, p. 28) admite desenvolver esta “tendência oculta da psicanálise” como
uma especulação abstrata e utópica, afinal, erigir uma ordem não-repressiva envolve erigir
relações existenciais distintas entre homem natureza e, ao mesmo tempo, erigir uma ordem de
abundância, na qual todas as necessidades básicas podem ser satisfeitas “com o dispêndio
mínimo de energia física e mental, num mínimo de tempo” (MARCUSE, 1979, p. 72). Institui
também, como horizonte de reflexão utópica, um modo de trabalho que ofereça alto grau de

FORTALEZA - V.1, N.1, 2016


ISSN: 2526-7515
SILVA, Í. G.

satisfação libidinal que não vise finalidades repressivas. “Sob condições não-repressivas, a
sexualidade tende a tornar-se Eros quer dizer, à auto-sublimação em relações duradouras e
expansivas (incluindo relações de trabalho)” (MARCUSE, 1979, p. 193) que intensificam e
ampliam a gratificação dos instintos. A proposta marcuseana é mapear a possibilidade de um
Eros liberto e de um trabalho escolhido por livre opção – não a partir de uma seleção limitada
entre necessidades preestabelecidas, mas escolhido por inclinação e satisfação, diferente do
trabalho pré-figurado por um princípio repressivo de realidade.

Referências bibliográficas

HORKHEIMER, Max. Teoria tradicional e teoria crítica. In: BENJAMIN, Walter; ADORNO,
Theodor W.; HORKHEIMER, Max; HABERMAS, Jürgen. Textos escolhidos. São Paulo,
SP: Abril Cultural, 1980, p. 117-161.

MACINTYRE, Alasdair. As idéias de Marcuse. São Paulo: Cultrix, 1973.

MARCUSE, Herbert. Eros e civilização: uma interpretação filosófica do pensamento de


Freud. 6ª ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1975.

. A ideologia da sociedade industrial. Trad. de Giasone Reubá. 4ª ed. Rio de


Janeiro: Zahar Editores, 1973.

. O homem unidimensional: estudos da ideologia da sociedade industrial


avançada. Trad. de Robespierre de Oliveira, Deborah Christina Antunes e Rafael Cordeiro
Silva. São Paulo: Edipro, 2015.

ROUANET, Sérgio Paulo. Teoria critica e psicanálise. 3ª ed. Rio de Janeiro: Tempo
Brasileiro, 1989.

FREUD, Sigmund. O ego e o id. In: . Edição standard brasileira das obras
psicológicas completas de Sigmund Freud, v. XIX. Rio de Janeiro: Imago, 1969, p. 13-80.

. A história do movimento psicanalítico. In: . Edição standard brasileira


das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, v. XIV. Rio de Janeiro: Imago,
1974a, p. 16-82.
. Repressão. In: . Edição standard brasileira das obras psicológicas
completas de Sigmund Freud, v. XIV. Rio de Janeiro: Imago, 1974b, p. 16-82.

. Formulações sobre os dois princípios do funcionamento mental. In: . Edição


standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud., v. XII. Rio de
Janeiro: Imago, 1996a, p. 231-244.

. Três ensaios sobre a teoria da sexualidade. In: . Edição standard brasileira


das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, v. VII. Rio de Janeiro: Imago,
1996b, p. 128-217.

FORTALEZA - V.1, N.1, 2016


ISSN: 2526-7515
Anais
II Encontro Nacional Herbert Marcuse
Contenção, Contestação e Perspectivas de Emancipação

. O Mal-estar na civilização. In: Edição standard brasileira das obras psicológicas


completas de Sigmund Freud, v. XXI. Rio de Janeiro: Imago, 1996c, p. 73-148.

. Além do princípio do prazer. In: Edição standard brasileira das obras


psicológicas completas de Sigmund Freud, v. XVIII. Rio de Janeiro: Imago, 1976, p. 17-85.
NOBRE, Marcos. A teoria crítica. 2ª ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

FORTALEZA - V.1, N.1, 2016


ISSN: 2526-7515