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Semiologia Pediátrica e Puericultura

 As anotações devem incluir temperamento dos pais, atitude e modo de


relacionamento com a criança
 HDA:
 Quando o paciente esteve bem pela última vez?
 Como e quando começou a doença?
 Estado de saúde imediatamente antes instalar a doença
 Sintomas e sinais físicos específicos desenvolvidos
 Dados negativos importantes
fatores que agravam e que aliviam
 Assistência médica e medicamentos administrados (nome, dose, duração, etc.)
 Se doença infecciosa aguda, relatar o tipo, grau e tempo de exposição
 Para a criança que não está doente, determinar os fatores significativos e a
condição do estado geral desde a última visita
 Opinião do examinador a respeito da fidedignidade do informante
 História obstétrica
 Número de gestações, partos, abortos
 Descrever ocorrências da gravidez, parto e puerpério
 AMP: condições de nascimento, período neonatal, infecções, doenças contagiosas,
operações, acidentes e injurias, etc.
 História alimentar: idade em que se estendeu o aleitamento natural. Procurar
existência de erros alimentares grosseiros.
 História Imunológica: vacinas
 HF (irmãos, tios, avós, pais e contactantes): idade dos pais, consanguinidade,
doenças hereditárias
 História Sócio-Econômica: grau de instrução dos pais, profissão, renda familiar,
condições de moradia e de higiene do ambiente (ventilação, insolação,
disponibilidade de água e esgoto), mora na cidade ou no campo, etc.
 Desenvolvimento Neuropsicomotor: idade em que firmou a cabeça, sentou, andou,
falou, controle dos esfíncteres.
 Interrogatório sobre os diversos aparelhos:
 Geral: apetite, atividade, choro, sono, alterações do peso, febre, sudorese
 Olhos: edema palpebral, enoftalmia, conjuntivite, acuidade visual, ardor
 Nariz: epistaxe, coriza, obstrução
 Boca e garganta: dor, disfagia, salivação, dentição, respiração bucal, lesões,
rouquidão
 Ouvidos: dor, otorréia, audição
 Cabeça: fontanelas, cefaléias, tonturas
 Anexos, pele e mucosas: palidez, icterícia, prurido, assaduras, alterações dos
pêlos
 Pulmões e coração: deformidades torácicas, dor, tosse, expectoração, dispnéia,
cianose, ronqueira, chiado no peito, palpitação
 TGI: dor, N/V, regurgitação, intolerância alimentar, polifagia, polidipsia,
alterações intestinais, eliminação de vermes, prurido anal, regurgitação
 TGU: dor, disúria, polaciúria, alterações do volume urinário, cor da urina,
incontinência urinária, enurese, urina em jato, corrimento vaginal, lesões genitais,
testículos
 Membros e coluna vertebral: dor, edema, tumefação articular, impotência
funcional, deformidades, lesões, tumorações, marcha.
 Sistema nervoso: sonolência, insônia, irritabilidade, perda de consciência,
convulsões, movimentos involuntários, alterações da conduta, confusão mental,
paresias, paralisias.

Avaliação imediatamente após o nascimento

 Para a assistência ao RN na sala de parto é importante obter informações acerca


do período antenatal e intraparto, uma vez que podem constituir situações de risco
ao neonato, como:

 Escore de Apgar
 É a 1º avaliação do neonato
 É dado por 5 parâmetros que recebem um escore de 0 a 2
 Quando os componentes são somados temos o índice de Apgar
 É aplicado no 1º e no 5º min após o nascimento
 Se <7 no 5º minuto, deve ser repetido a cada 5 min até completar 20 min
 Se >7, a avaliação poderá ser interrompida
Escore
Sinal
0 1 2
FC Ausente <100bpm >100bpm

Respiração Ausente Lenta, irregular Regular, chorando

Tônus muscular Flácido Alguma flexão Movimentos ativos


Irritabilidade reflexa Sem resposta Careta Tosse, espirro, choro

Cor da pele Cianótica ou pálida Corpo rosado e acrocianose Completamente rosada

 Além do Apgar, avaliar e classificar o RN quanto ao peso e à IG; e afastar


má-formações

Exame no período de transição para a vida extrauterina

 A perda da conexão placentária significa a perda completa de suporte metabólico,


especialmente suprimento de oxigênio e retirada de CO2.
 Nas primeiras 24h, o neonato precisará manter adequado o padrão respiratório e
circulatório, funcionamento GI, capacidade de nutrição e termorregulação.
 Garantir o Ambente Térmico Neutro (ATN) no EF: para um RN a termo despido,
o ATN varia de 32 a 34ºC.
 Temperatura: o normal é que esteja entre 36,5 e 37,6ºC. Medir 15/15 min durante
a 1º hora após o nascimento. Se há estabilidade, 1/1 hora nas próximas 6h e
depois 8/8h até a alta.
 EF e adaptação do ACV
 Há o fechamento dos shunts fetais: forame oval, canal arterial e ducto venoso.
Durante o choro ou um estresse maior, a pressão aumentada desvia o sangue não
oxigenado do lado direito para o esquero através da abertura dos canais
provocando cianose transitória e, consequentemente, os sopros funcionais.
 Rotina
1) Ausculta cardíaca: a FC pode varia de 100-180bpm logo após o nascimento; e de
120-140 após estabilização.
2) Inspeção da coloração da pele: cianose central (lábios e tórax) poderá ser
indicativa de má adaptação cardiocirculatória ou outra patologia # A acrocianose
(cianose de extremidades) é esperada durante as primeiras 24h e não é sinal de
patoogia a menos que persista após esse período.
3) Palpação de pulso arterial: sempre avaliar frequência, ritmo (correspondência
com o batimento cardíaco), simetria e amplitude. O examinador usa a mão direita
para examinar o pulso esquerdo e vice-versa no caso da artéria radial. Fixar o
polgar no dorso do punho do paciente. Para avaliar o pulso pedioso, deve-se
palpar o pulso no dorso do pé lateralmente ao tendão do extensor longo do hálux
(para identificá-lo, eleva-se o hálux) # A amplitude reduzida poderá ser, p.exm
um sinal de desidratação ou choque circulatório # A assimetria entre o pulso
pedioso e o radial poderá indicar uma cardiopatia (coarctação da aorta)
 EF e adaptação do AR
 As respirações dos neonatos são irregulares e abdominais com frequência de
30-60. Primeiramente vigorosas e depois regulares em ritmo e sem evidência de
esforço.
 A ausculta de estertores logo após o nascimento indica área de atelectasia, o que
representa a transição normal dos pulmões para a vida extrauterina. Entretanto,
sua persistência deverá sera avaliada de forma mais profunda.

1º exame

 O RN não tem sintomas, tem sinais


 Feito entre 6 a 24h (6hs porque alguns parâmetros podem estar alterados devido o
nascimento e 24h porque uma das funções é conseguir captar alguma alteração e
evitar que ela se perpetue). Se tiver que optar por antes de 6 ou depois de 24, faça
antes de 6h após o nascimento.
 Informações básicas: amamentação, eliminações.
 Até 24h é normal não ter urinado (ele pode ter feito intraútero) e eliminado
mecônio.

Preparo para o exame

1) Obtenção das informações referentes ao RN e sua família


Histórico social e familiar
Identificação: nome dos pais, idade, telefone e endereço
História social: estado civil dos pais, profissão, grau de escolaridade e religião e
condições de moradia
HF: agravos crônicos na família, doenças hereditárias e consanguinidade
Histórico materno
História clínica materna: agravos à saúde ocorridos antes ou durante a gravidez,
inluindo cirurgias e internações
História obstétrica: nº de gestações anteriores, nº de filhos, presença de
intercorrências e história de amamentação
Histórico perinatal
História pré-natal: DUM, IG, nº de consultas pré-natais e intercorrências durante a
gravidez (infecções, uso de medicações, álcool, drogas ilícitas e fumo,
sangramentos, exames laboratoriais)
Parto e nascimento: duração do TP, tipo de parto, duração da ruptura das
membranas, intercorrências intraparto, mecônio, apresentação ao nascimento,
índice de Apgar, necessidade de manobras de reanimação e respostas a elas
2) Preparo do ambiente e materiais necessários ao exame: termômetro, estetoscópio,
fita métrica e relógico. Se o exame for antes do 1º banho, usar luvas de
procedimento.

Observar antes de tocar o RN

 Cor: cianose, palidez, pletora, icterícia


 Choro: agudo, fraco
 Movimentação (assimetria, agitação) e Postura (hipotonia, hipertonia)
 Respiração: pausas, gemidos, apneia

Exame físico

 Classificação do RN de acordo com a IG de nascimento


Pré-termo Nascimentos ocorridos antes de completar 37 semanas de gestação
A termo Nascimentos ocorridos entre 37 e 42 semanas de gestação
Pós-termo Nascimentos ocorridos após 42 semanas de gestação
 Método capurro
 A DUM e um exame de USG podem não estar disponíveis. Com isso, podemos
lançar mão do método Capurro para determinar a IG que usa 5 características
físicas/somáticos e 2 neurológicas.
 É aplicável para RN com 29 semanas ou mais.
 Cada um dos parâmetros recebe uma pontuação que são somados e acrescidos da
constante 204 e o resultado é dividido por 7 (nº de dias que corresponde a 1 sem)
Método Capurro Somático Neurológico IG = 200 + soma dos 6 itens / 7

1 - Textura da pele
0 Muito fina, gelatinosa

5 Fina e lisa

10 Pouco mais grossa, discreta descamação superficial


15 Grossa, gretas superficiais, descamação nas mãos e pés

20 Grossa, apergaminhado com gretas profundas

2 - Forma da orelha
0 Chata, disforme, pavilhão não endurecido
8 Pavilhão parcialmente endurecido no bordo

16 Pavilhão parcialmente encurvado em toda a parte superior

24 Pavilhão totalmente encurvado


3 - Glândula mamária

0 Não palpável

5 Palpável, menor que 5mm


10 Entre 5 e 10mm

4 - Pregas plantares

0 Sem pregas
5 Marcas mal definidas na parter anterior da planta

10 Marcas bem definidas sobre a metade anterior e sulco no terço anterior

15 Sulcos na metade anterior da planta

20 Sulcos em mais da metade anterior da planta

5 - Manobra do cachecol

0 O cotovelo alcança a linha axilar anterior do lado oposto

8 O cotovelo alcança a linha axilar anterior do lado oposto à linha média

12 O cotovelo situado ao nível da linha média

16 O cotovelo situado entre a linha média axiliar anterior do mesmo lado


6 - Posição da cabeça ao levantar

0 Cabeça totalmente deflexionada, ângulo cérvico-torácico igual a 270º


4 Ângulo cérvico torácico entre 180º a 270º

8 Ângulo cérvico torácico igual a 180º

12 Ângulo cérvico torácico menor de 180º

Curva de Alexander para Crescimento Fetal


AIG = entre P10 e P90
PIG = abaixo de P10

GIG = acima de P90


 Escore New Ballard
 Foi criado para contornar as limitações existentes na avaliação do RN prematuro
 Essa escala oferece a possibilidade de avaliar prematuros extremos (mas a partir
de IG=20)
 A soma de todos os 12 critérios representa a maturação neuromuscular e física do
feto. São 6 parâmetros neurológicos (postura, ângulo de flexão do punho, retração
do braço, ângulo poplíteo, sinal do xale, calcanhar-orelha) e 6 parâmetros físicos
(pele, lanugo, superfície plantar, glândula mamária, olhos/orelha, genital
masculino/feminino)
 Quando comparada à grade na folha de contagem, a pontuação denota a IG por
meio da avaliação da maturidade do bebê
New Ballard
 Classificação do RN de acordo com o peso do nascimento
Extremo baixo peso ao nascer (EBPN) >1000g
Muito baixo peso ao nascer (EBPN) 1000-1499g
Baixo peso ao nascer (EBPN) 1500-2500g

Medidas antropométricas do RN

 Peso
 A 1ª pesagem deverá ser realizada logo após o nascimento
 Enrolar o RN numa fralda de pano e posteriormente descontar do peso total
 As pesagens posteriores deverão ser realizadas antes da alimentação
 Geralmente o RN no termo tem de 2700 a 4000g (média: 3400g)
 O RN pode eliminar até 10% do seu peso de nascimento nos primeiros 5 dias
devido à perda de LEC, mecônio e adequação ao padrão alimentar extraútero
 Estatura
 Usar régua antropométrica para medir a distância entre a cabeça e o calcanhar
 Não usar fita métrica
 Deve-se manter a parte fixa da régua antropométrica apoiada no ápice da cabeça,
deslocando a parte inferior da régua até que toque a planta dos pés do neonato
 Deve-se tomar cuidado para que os pés não fiquem em extensão, o que fornecerá
uma estatura maior do que a real
 O comprimento médio do RN está entre 48 e 53cm
 Circuferência da cabeça e do tórax
 Usar fita métrica para medir o perímetro torácico (PT) e o perímetro cefálico (PC)
 Para medir o PT, a fita deverá ser colocada na altura dos mamilos e percorrer em
volta das costas, completando a circunferência do tórax. A medida deve ser
realiada após uma inspiração do neonato e antes da expiração. O PT, em RN no
termo, mede entre 30 e 33cm e é aproximadamente 2cm menor do que o PC
 A medida da circuferência da cabeça deve ser feita passando-se uma fita métrica
na altura da região occiptal, imediatamente acima da orelha e da sobrancelha do
RN, o que permite identificar a maior circunferência (no RN a termo, varia entre
32 e 37cm). Não manter o dedo sob a fita, o que pode provocar interferências na
medida final.
 Ao nascer os valores do PC e do PT são parecidos devido ao cavalgamento dos
ossos do crânio.

Ectoscopia

 Estado de nutrição e hidratação


 Temperatura
 Edema: se acentuado no dorso das mãos e pés indica sd de Turner

Pele

 Cor
 Rosada: normal
 Palidez: anemia, vasoconstricção periférica, choque
 Icterícia: anotar intensidade e distribuição (pode evoluir no sentido crânio-caudal)
 Cianose de extremidades: relativamente comum em RN (Hb=15), mas que
regride com aquecimento das extremidades
 Eritema, exantema, púrpura, mácula, discromia (hipercromia, hipocromia),
pigmentação anormal (endógena/exógena), pletora (policitemia, hipreoxigenados,
hipertermia)
 Fenômeno de arlequim (linha delimitando um hemicorpo com eritema e outro
com coloração normal)
 Lesões elementares da pele:
 Elevações sólidas: pápula, placa de urticária, nódulo, vegetação, verruga
 Elevações de conteúdo líquido: vesícula, bolha, flictena, pústula
 Alterações da camada córnea: hiperceratose, descamação
 Soluções de continuidade: escoriação, erosão, ulceração, fissura, rágade
 Lesões caducas: escama, crosta, escara
 Modificações estruturais profundas: liquenificação, atrofia, cicatriz
 Alterações vasculares: telangiectasias, hemangiomas, circulação colateral, cútis
marmorata, púrpuras (petéquias, víbices e equimoses)
 Petéquias: não se preocupar se estiverem restritas ao rosto, mas se generalizadas
devem ser investigadas. A reabsorção do sangue extravazado pode contribuir para
o aumento tardio dos níveis de bilirrubina.
 Equimoses: mais comum em prematuros e sua distribuição depende da
apresentação e dos traumas sofridos durante o parto. Equimose situada na face
tem aspecto de cianose localizada e é chamada de máscara cianótica ou
equimótica, geralmente sem relevância clínica.
 Textura
 Depende da IG
 Pré-termo: pele fina e gelatinosa
 A termo: pele fina, lisa, brilhante e úmida
 Pós-termo: pele seca, enrugada, apergaminhada e com descamação acentuada
 Umidade
 Elasticidade
 Turgor
 Firme: normal (bom estado nutricional)
 Frouxo: crianças emagrecidas
 Pastoso: lento retorno do TCS após seu pinçamento (desnutrição ao final da
gestação geralmente por insuficiência placentária)
 Cabelos: alopecia, tricotilomania
 Pêlos: hipertricose ou hirsutismo
 Unhas: linha de Beau, unhas hipocráticas, celoníquia, paroníquia
 Tecido Subcutâneo
 Prematuros não possuem acúmulo de gordura SC comprometendo sua
termorregulação. Possuem uma pela gelatinosa e transparente com coloração
vermelha devido ao pouco desenvolvimento do estrato córneo.
 Linfonodos: deve-se palpar todas as cadeias ganglionares (cervicais, occipitais,
submandibulares, axilares e inguinais) e descrever o número de gânglios
palpáveis, seu tamanho, consistência, mobilidade e sinais inflamatórios.
Habitualmente, o RN apresenta raros pequenos gânglios em torno de 3mm.
 Achados especiais:
Achado Descrição Duração/significância
Dura várias semanas
Pápulas (<1cm) puntiformes e brancas
Mílium sebáceo de material queratógeno mais comuns Ocorrem por distenção e obstrução
no queixo, nariz e testa das glândulas sebáceas decorrentes do
estrógeno materno

Miliária, brotoeja Ligada a glândulas sudoríparas


Vesículas puntiformes na testa, couro
ou dermatite de Normalmente desaparece dentro de 1
cabeludo e dobras cutâneas
calor semana

Pelos finos que costumam recobrir a


região do ombro e da escápula,
Lanugo Desaparecem em alguns dias
encontrados de forma mais abundante
nos RNs prematuros

É um lubrificante branco ou amarelada.


É composto de secreções de glândulas
É mais abundante durante o 3º
sebáceas, lanugo e células epiteliais
trimestre e se reduz à 40º semana. Por
descamadas e tem uma função
isso, pode ser um indicativo da IG do
protetora contra perda de fluidos e
Vérnix caseoso RN. Geralmente é encontrado apenas
invasão bacteriana.
nas dobras, como axila ou virilha.
É observado em locais protegidos
Só deve ser retirado após o
como nas dobras dos membros e na
estabelecimento de controle térmico.
genitália feminina entre os pequenos e
os grandes lábios.

Traduz imaturidade da pele na


São manchas azul-acizentadas migração dos melanócitos,
Manchas localizadas preferencialmente no dorso relacionada à fatores raciais.
mongólicas e nas regiões glútea e lombossacra, São mais comuns em negros e
podendo ser disseminadas. orientais e regridem nos primeiros 4
anos de idade.

Geralmente aparece nos primeiros dias A microscopia mostra migração


de vida sob a forma de pústulas eosinofílica.
amareladas sob base eritematosa, Possui causa desconhecida e pode ser
Eritema tóxico
esparsas ou confluentes. Muito desencadeado por estímulos
frequente em áreas de contato. mecânicos de atrito ou pressão na
Pode ser facilmente confundido com pele.
impetigo. Regride de horas a 5 dias.
Infecção piogênica causada
comumente por S aureus. Inicia-se com
lesões eritematosas puntiformes que Deve-se tomar cuidado para não não
em 1 ou 2 dias evoluem para vesículas contaminar outras crianças próximas.
Impetigo que a seguir se pustulizam ou TTO: é tópico com soluções
tornam-se bolhas. As lesões se antissépticas e cremes ATB. Em casos
propagam por inoculação e quando se graves, se usa ATB sistêmico.
rompem, formam crostas
amarelo-acastanhadas.

Não tem importância clínica ou


São manchas cor de salmão que estética.
Máculas desaparecem à pressão, e estão
vasculares principalmente na nuca, pálpebra As máculas de face desaparecem em
superior e fronte. alguns meses e as de nuca podem
persistir por mais tempo.
50% desaparecem até os 5 anos e
70%, até os 7 anos de idade
São formas vasculares mais extensas e
elevadas que podem ter significado # Sd de Sturge-Weber: hemangiomas
Hemangiomas patológico. em segmento cefálico e face de
coloração vinhosa + angiomas de
leptomeninges + convulsões e
hemiplegias.

À medida que o RN cresce, elas não


somem. O pequeno número de
Lesões lisas, castanhas, redondas ou
Mancha café com manchas tem pouco ou nenhum
ovais, encontradas em qualquer lugar
leite significado, mas manchas grandes
do corpo.
com números crescente podem indicar
neurofibromatose.

Cresce com rapidez durante os 6


primeiros meses e continua até 1 ano
Hemangioma em Lesão irregular elevada vermelho
de idade. A maioria sofre involução
morango brilhante.
espontânea. É mais comum em
prematuros.
Involui, mas não desaparece.
Mancha em vinho
Lesão plana, roxo avermelhada, não Muitas vezes está associada a
do Porto (nevo
fica branca ao ser pressionda. hemangiomas de estruturas
flâmeo)
subjacentes. Há associação do nevo

Mancha salmão Lesão maculosa plana, cor-de-rosa,


(nevo simples) ou encontrada na fronte, pálpebra Normalmente desaparece pro volta de
hemangioma superior, área nasolabial, glabela ou 1 ano de idade.
maculoso nuca (bico de cegonha).
Pequenas pústulas, vesículas, lesões
Melanose pustulosas e pontos hiperpigmentados
pustulosa neonatal que ocorrem mais comumente na Resolvem-se em 1 ou 2 dias.
transitória fronte, pescoço, região lombar e
pernas.

Mucosa
 Avaliar cor, umidade, presença de lesões
 O exame da mucosa conjuntival costuma estar prejudicado devido à irritação
causada pela solução de nitrato de prata a 1% instilada nos olhos do RN como
medida de prevenção da conjuntivite gonocócica.
 Avaliar a mucosa oral que pode ser feita enquanto a criança chora.

Cabeça

 Assimetrias, volume e forma: macrocefalia, microcefalia, hidrocefalia,


anencefalia, craniossinostose, braquicefalia, escafocefalia e plagiocefalia
 Formato: arredondado (cesárea), alterada (parto vaginal pode causar o
cavalgamento das suturas que persiste por poucos dias em a termos e por várias
semanas em prematuros)
 Perímetro cefálico: deve ser medido com fita métrica inextensível, passando pela
glabela e proeminência occiptal. Em a termos varia de 33 a 37cm.
 Palpação das fontanelas
 Analisar tamanho, tensão, abaulamentos ou depressões e pulsações
 Abaulamento indica HIC (meningite, hidrocefalia, edema cerebral ou hemorragia
intracraniana) e escavamento indica desidratação
a) Anterior: 1-5cm ao nascimento e normalmente não se fecha antes de 18 meses.
b) Posterior: tem ≈ 0,5 cm ao nascimento, fechando-se pouco tempo depois (ou em
até 4 meses). Quando grande pode estar associada a hipotireoidismo e síndrome
de down.
c) Suturas: são as aberturas entre os ossos cranianos
 Craniosinostose: fechamento prematuro das suturas
 Diástase ou disjunções de suturas: espaçamento anormal
 Caput succedaneum (bossa serossanguinolenta): alteração benigna que se resolve
em poucos dias pós-parto, decorrente da pressão da cérvix materna sobre o crânio.
É geralmente simétrico e caracterizado por um edema na região epicraniana,
vagamente demarcado e que não respeita as linhas de sutura. Pode se deslocar de
acordo com a gravidade.
 Cefalohematoma: sangramento no subperiósteo. Sua consistência é de conteúdo
líquido. Geralmente ocorre em um osso parietal ou em ambos e não ultrapassa a
sutura, mantendo o delineamento de sua margem. Sua aparência é geralmente
assimétrica. Desaparecendo de 1 semana a 3 meses. A reabsorção do sangue pode
causar icterícia na criança.
 Craniotabes: ossos cranianos delgados que quando pressionados se movem e
retornam (na ausência de pressão) como uma bola de ping pong. Pode ser uma
variação normal se estiver em grau moderado e próxima das suturas. Costuma
desaparecer nos primeiros meses de vida.
 Encefalocele: (ou cranium bifidum) é um defeito do tubo neural, doença na qual
ocorre a herniação do cérebro e das meninges por aberturas no crânio. Pode
causar deficiências motoras e intelectuais graves, mas é menos frequente. O único
tratamento efetivo disponível é a cirurgia reparadora. Existem três classificações
para os casos de Encefalocele, que variam de acordo com o conteúdo que compõe
a bolsa herniada.
a) Meningocele craniana: é o tipo com menor gravidade porque o conteúdo que
fica para fora do crânio é composto apenas por meninges (membranas que
revestem o sistema nervoso). O líquido que preenche a bolsa é o
cefalorraquidiano, uma solução transparente como a agua.
b) Meningoencefalocele: a gravidade aumenta nesse caso porque, além das
meninges, uma parte do encéfalo (cérebro ou cerebelo) também é herniada.
c) Meningohidroencefalocele (ou apenas Hidroencefalocele): a herniação das
meninges e do encéfalo leva junto extensões do sistema ventricular.

Face

 Indicação de alguma síndrome: trissomias 13, 18, 21, síndrome de Pierre-Robin


 Assimetria facial: paralisia facial
 Edema palpebral: diminui nas primeiras horas após o nascimento

Olhos

 Os RN permanecem com os olhos fechados a maior parte do tempo


 Elevando-se o RN à posição semissentada, em movimento relativamente rápido,
consegue-se a abertura dos olhos e a verificação da mobilidade das pálpebras
 As pálpebras geralmente estão edemaciadas devido à instilação do nitrato de prata
 Teste do olhinho: com o auxílio do oftalmoscópio, em quarto escuro para melhor
abertura das pupilas e a cerca de 40 a 50cm de distância, deve-se pesquisar o
reflexo vermelho do fundo de olho, que indica a adequada transparência da
córnea e do cristalino. Alterado, geralmente, se catarata ou tumores.
 Hipertelorismo
 Epicanto
 Microftalmia: córnea menor que 9mm
 Glaucoma: córnea maior que 11mm
 Buftalmia
 Exoftalmia: olhos saltados
 Enoftalmia
 Estrabismo transitório
 Nistagmo horizontal
 Hemorragia conjuntival
 Criptoftalmia
 Obliquidade dos eixos palpebrais
 Ptose
 Blefarite
 Hordéolo ou tersol
 Calázio
 Fotofobia
 Conjuntivite
 Manchas de Brushfield
 Pupilas (reação à luz, anisocoria, midríase, miose, leucoria)
 Dacrioadenite
 Dacriocistite
 Epífora
 Acuidade visual
 Esclera: levemente azulada em pré-termos e mais azul na osteogênese imperfeita
 Opacificação da córnea
 Catarata

Ouvido

 Implantação do Pavilhão auricular: pode ser aferida tracando-se um plano


imaginário que passe pela fenda palpebral e se estenda horizontalmente em
direção às orelhas. A borda superior da orelha deve estar pouco acima dessa linha.
Geralmente a implantação baixa da orelha é acompanhada
 Desenvolvimento do pavilhão auricular: Microtia (subdesenvolvido) e Anotia
(desenvolvido)
 Processos digitiformes (apêndices pré-auriculares)
 Fístulas congênitas
 Presença de conduto auditivo externo
 MT: brilho, cor, translucidez, cabo do martelo, triângulo luminoso
 Audição: teste da orelhinha e reflexo cócleo-palpebral
 Secreção e Cerume
 No RN a termo, o pavilhão possui consistência cartilaginosa, voltando
rapidamente à posição normal quando solto após ser dobrado. No RN pré-termo,
o pavilhão não retorna à posição inicial após ser dobrado e é liso em sua borda
superior.
Nariz

 Forma, simetria, patência, lesões e sinais de trauma


 Localização: linha média
 Secreções: normal se em pequena quantidade e de aspecto fluido e claro
 Permeabilidade: ocluir uma narina de cada vez e observar respiração
 Batimento de aletas nasais: indica dificuldade respiratória
 Milium facial
 Batimentos das asas do nariz
 Mucosa, fossas nasais, cornetos, septo
 Secreção: coriza mucoide, mucopurulenta ou micopiossanguinolenta é rara e
sugere o diagnóstico de lues congênita (geralmente por volta da 2º semana)
 Epistaxe
 Corpos estranhos
 Pólipos
 Pressão sobre o sinus

Boca

 Inspecionar tamanho, cor e presença de massas


 Macroglossia: língua larga que não pode ser mantida no interior da boca. Sugere
hipotireoidismo ou síndrome de Beckwith-Wiedeman (macroglossia, gigantismo,
onfalocele e hipoglicemia grave)
 Micrognatia: menor comprimento da mandíbula. Pode ser isolada ou fazer parte
de alguma alteração genética (p.ex sequência de Pierre Robin). Nessa situação,
pode ocorrer glossoptose (queda da língua) com obstrução de VA e cianose.
 Sialorreia: atresia de esôfago
 Desvio da comissura labial durante o choro: paralisia facial decorrente de
posturas anormais intraútero ou trauma de parto (p.ex compressão por fórcipe)
 Avaliar reflexo de sucção: velocidade de resposta e intensidade
 Fissuras no palato
 Secreção: normal se fluida e clara
 Frênulos linguais: se curtos podem não provocar restrição do movimentos da
língua. Quando a criança chora, a ponta da língua pode formar um “V”.
 Palato: normal ou ogiva, avaliar integridade, fenda palatina (pode vir
acompanhada de lábio leporino)
 Úvula: bífida, tumores
 Perólas de Epstein: cistos duros brancos ou amarelados próximo à rafe mediana
do palato. Somem em 1 a 2 semanas e não tem significado patológico.
 Dentes supranumerários: retirar devido risco de aspiração

Pescoço

 Simetria e mobilidade
 Palpar ECOM em busca de torcicolo congênito causado por posições intraútero
viciosas (p.ex oligodrâmnio)
 Aparência da pele
 Amplitude de movimento, massas, fístulas
 Clavículas: intactas e sem crepitações ou edema
 Tamanho (Síndrome de Klippel-Feil: caracterizada pela ausência ou fusão de
vértebras cervicais)
 Firmeza da cabeça
 Pterygium colli
 Palpar tireóide em busca de bócio e presença de fístulas, cistos e restos de arcos
branquiais
 Cisto tireoglosso
 Estase jugular
 Pele reduntante: down (nuca) ou turner (parte lateral/“pescoço alado”)
 Adenopatias
 Higroma cístico
 Cistos branquiais
 Opistótono
 Brudzinki e rigidez de nuca

Tórax

 No RN, o PT é 2cm maior do que o PC


 Assimetria está associada com malformalões
 O apêndice xifoide é frequentemente saliente

Aparelho respiratório

 Inspeção
 Forma: assimétrico, rosário costal, tórax de pombo ou em quilha, em barril, em
funil, cintura raquítica ou sulco de Harrison, abaulamento
 O diâmetro AP é ≈ igual ao transverso (aparenta ser arredondado)
 FR: taquipnéia (>60irpm/min), bradipnéia, dispnéia, periódica, crises de apnéia,
ritmo de Kussmaul, de Cheyne-Stokes
 Tipo de respiração: abdominal, torácica, paradoxal
 A respiração do RN é do tipo costoabdominal.
 São comuns vairações de frequência e ritmo, observando-se pausas respiratórias
curta (cerca de 5 seg) nos RN prematuros. Configura-se apneia quando o tempo
de parada respiratória é maior que 20 seg ou menor se associada à cianose ou
bradicardia.
 Expansibilidade
 Tosse, hemoptise, expectoração
 Cianose, batimento de aletas nasais, retrações de fúrcula ou torácica
 Retrações subcostais: podem ser observadas em RN saudáveis devido à reduzida
complacência das costelas. Os movimentos respiratórios acontecem com
rebaixamento da parede torácica durante a inspiração e protrusão do abdome.
Durante a inspiração, tem-se o contrário (elevação do tórax e rebaixamento do
abdome).
 Tiragem intercostal supra e infraesternal é anormal mesmo em prematuros.
 Palpação: FTV, massas, sensibilidade
 Ausculta pulmonar
 O RN deve estar calmo porque o choro altera os parâmetros
 Devido à proximidade entre as VAI e a parede torácica, o som pulmonar pode ser
do tipo brônquico, semelhante ao que pode ser ouvido ao longo da laringe e
traqueia ou em uma área acometida por pneumonia (por isso é difícil a
diferenciação somente pela ausculta do tecido pulmonar normal e daquele
acometido por pneumonia).
 Estertores finos são comuns logo após o nascimento, assim como roncos de
transmissão decorrentes de obstrução nasal.
 Roncos: sons contínuos de baixa intensidade produzidos por muco espesso
aderido à parede dos brônquios de grosso calibre
 Estridores: sons produzidos durante a inspiração causados por estreitamento de
laringe, traqueia ou epiglote
 Crepitações: ocorrem devido à presença de líquido intersticial e secreção
brônquica podendo indicar infecção subjacente, aspiração de secreções ou IC.
Entretanto, nas primeiras horas após o nascimento, durante o período de transição,
a presença do líquido pulmonar fetal pode produzir esse som, tratando-se portanto
de um achado normal. Nos demais momentos, a respiração do RN é tranquila.

Aparelho cardiovascular
 Inspeção
 Cianose
 Baqueteamento de dedos e unhas em vidro de relógio
 Ictus cordis: está no 4º EIC à esquerda da linha hemiclavicular. Se deslocado para
a direita pode indicar pneumotórax hipertensivo à esquerda. Precórdio
hiperdinâmico
 Abaulamento, depressão
 Palpação
 Choque da ponta (ictus cordis)
 Frêmito catáreo (thrill): sempre sugere cardiopatia principalmente se associada a
sopro. Em crianças maiores, se for mais intenso/indica:
- borda esternal alta > estenose pulmonar e estenose de artérias pulmonares
- borda esternal esquerda baixa > comunicação interventricular
- borda esternal direita alta > estenose aortica
- fúrcula esternal > estenosa aórtica, PCA ou coarctação da aorta
 Em RN essa diferenciação é difícil.
 Pulso: taquicardia e bradicardia sinusal, taquicardia paroxística, pulso paradoxal,
extra-sístole, arritmia.
 Pulso femoral: pulso cheio em RN prematuro sugerem PCA. Pulsos débeis ou
ausentes apontam para coarctação da aorta.
 Ausculta cardíaca
 Avaliar:
a) Regularidade
b) Frequência: varia em média de 120 a 140bpm. Acima de 160, considerar
taquicardia. Durante o sono profundo, a FC de um RN a termo pode ficar entre 80
e 90bpm retornando ao normal quando acordado
c) Localização do ponto de maior intensidade
d) Presença de murmúrio ou sopro: ruído adicional auscultado durante o ciclo
cardíaco. Ao identificá-lo, fazer a palpação do pulso braquial simultaneamente
para determinar se o sopro é sistólico ou diastólico
 São 5 áreas a serem auscultadas na parede torácica para excluir a presença de
murmúrios cardíacos:
1) Área mitral: ápice
2) Área tricúspide: borda esternal esquerda, na altura do 4º EIC
3) Área pulmonar: à esquerda do esterno no 2º EIC
4) Área aórtica: à direita do esterno no 2º EIC
5) Zona de coarctação: área escapular medial dorsalmente
 Bulhas: B1 é mais audível no ápice e representa o fechamento das válvulas mitral
e tricúspide. B2 é mais audível em focos da base (2º EIC), sendo subdividida em
2 componentes. O 1º componente representa o fechamento da válvula aorta e o 2º
o fechamento da válvula pulmonar. Essa subdivisão é mais evidente durante a
inspiração, sendo dificultada a sua ausculta mediante uma FC aumentada.

Desenvolvimento areolar

 Os mamilos e as gândulas mamárias crescem com a IG e num RN a termo medem


cerca de 1cm.
 Pode ocorrer hipertrofia bilateral do tecido mamário decorrente de estímulo
estrogênico materno. Uma substância leitosa pode estar presente nas mamas do
RN no final da 1ª semana de vida, resolvendo-se 1 a 2 semanas. Deve-se
desencorajar a expressão das mamas e ficar atento para sinais de infecção.

Abdome

 Inspeção
 Forma: plano, abaulado, depressão, ventre escafóide, distensão
 O abdome do RN é mais protuberante e arredondado do que o tórax. Apresenta-se
semigloboso (mole) e o PA é cerca de 2-3cm menor que o cefálico.
 A forma pode sofrer interferências de ingestão recente de leite, presença de fezes
ou enchimento da bexiga
 Agenesias dos músculos abdominais
 Síndrome de Prune Belly: deficiência ou mesmo ausência dos músculos na parede
do abdômen, ficando como os intestinos e a bexiga apenas cobertos pela pele.
 Onfalocele: ocorre herniação na linha média recoberta por saco peritoneal, com o
cordão umbilical inserido no centro dessa massa.
 Gastroquise: o defeito encontra-se à direita do umbigo. As alças intestinais e
outros órgãos abdominais podendo exteriorizar-se através dessa abertura, sem
membrana peritoneal recobrindo o conteúdo exposto.
 Diástase dos retos abdominais: há um pequeno abaulamento herniário.
Normalmente regride após o início da deambulação.
 Ondas peristálticas: abdome globoso, distendido (endurecido), com ondas
peristálticas visíveis sugerem obstrução.
 Circulação colateral: é normal
 Extrofia de bexiga
 Hérnia diafragmática: abdome escavado e assimetria abdominal. Isso ocorre
porque o conteúdo abdominal “escorrega” para dentro do espaço torácico. O
desconforto respiratório vai depender do volume abdominal intruso no tórax.
 Umbigo
 A eliminação de mecônio costuma ocorrer nas primeiras 24 a 36 horas de vida. É
um material viscoso, verde escuro, composto por sais biliares, células epiteliais
de descamação, suco digestivo e lanugo. Após esse período, as fezes,
denominadas de transição, têm coloração amarelo-esverdeada, liquefeitas,
podendo até ser confundidas com diarreia. O reflexo gastrocólico exacerbado
(relaxamento do esfíncter anal que ocorre com a distensão do estômago) aumenta
o número de exacerbações diárias, sobretudo no RN com aleitamento materno
exclusivo sob demanda que pode evacuar em cada mamada.
 Onfalite: secreção purulenta na base do coto, com edema e hiperemia da parede
abdominal, sobretudo se formar um triângulo na parte superior do umbigo.
 Granuloma
 Persistência do canal onfalomesentérico
 Persistência do úraco
 Umbigo amniótico
 Umbigo cutâneo
 Hérnia umbilical
 Palpação
 Técnica: do lado direito do RN com a mão direita. Tocar gentilmente de forma
superficial os 4 flancos e centralmente. Quando a criança estiver habituada, fazer
a palpação profunda. As pernas flexionadas produzem relaxamento da
musculatura abdominal.
 Avaliar: sensibilidade, tensão e presença de tumefações anormais, turgor e
elasticidade da parede abdominal, sinal de descompressão súbita (Blumberg),
reflexos abdominais (defesa), rechaço, oliva pilórica, massas, vísceras (fígado,
baço, rins, bexiga, intestino), hérnias umbelical e inguinal.
 Ausculta: RHA (se aumentados indicam luta contra obstrução), sopros
 Fígado: a borda pode ser palpada de 1 a 2 cm da borda costal na linha clavicular
média, devendo ser lisa, firma e bem definida. Descrever suas características
como consistência (parenquimatosa, endurecida), superfície (lisa, granulada) e
borda.
 Baço: sua ponta pode ser sentida abaixo da borda costal esquerda e seu tamanho
depende de aspectos como volume de sangue circulante, dias de vida e tipo de
terapia, que precisam ser considerados para definir sobre benignidade ou não do
seu aumento. Sempre que palpável, deve ser considerada infecção e
incompatibilidade sanguínea.
 Rins: a mão esquerda é colocada sobre o dorso do RN. Com os dedos da mão
direita, realiza-se a palpação da parede abdominal esquerda, pressionando
suavemente o lado esquerdo em direção ao direito. Esse mesmo procedimento
deve ser repetido, fazendo uma leve pressão da parede abdominal no sentido da
direita para a esquerda. O rim direito pode ser palpável, pois tende a estar mais
abaixo devido à presença do fígado. O rim esquerdo geralmente é impalpável.
Umbigo

 Identificar a existência de 2 artérias e 1 veia umbilical. A presença de artéria


umbilical única pode estar associada a anomalias renais ou a problemas genéticos,
principalmente trissomia do 18.
 O coto umbilical inicialmente é gelatinoso e seca progressivamente. Nos exames
subsequentes, deve-se manter uma avaliação acerca do processo de mumificação,
atentando para sinais flogísticos (base eritematosa, odor). Passar álcool a 70%
2x/dia e deixar descoberto. Imediatamente após a limpeza pode-se observar
hiperemia transitória da pele, o que não apresenta risco para o RN.
 O álcool ajuda na mumificação do cordão umbilical que basicamente é um
processo de desidratação. A mumificação ocorre no 3º ou 4º dia de vida. O coto
umbilical costuma desprender-se do corpo em torno do 6º ao 15º dia.

Região anogenital

 A 1ª diurese costuma ocorrer na sala de parto ou nas primeiras 48h.


Eventualmente observam-se manchas vermelhas nas fraldas devido a presença de
uratos na urina e não tem repercussão clínica.
 O períneo deve ser liso e não possuir fístulas
 Genitália masculina
 O pênis normal de um RN a termo mede de 2 a 3 cm
 A glande não costuma ser exposta e o orifício prepucial é estreito
 A visualização do meato urinário na extremidade da glande nem sempre é
possível. Existe a possibilidade de anormalidades na saída da uretra (estenose e
atresia). Se uma estenose for identificada, chamar o serviço de cirurgia para
realizar uma dilatação.
 Edema de glande
 Ectopia do meato uretral: fase dorsal (hipospádia) ou ventral (epispádia) do pênis.
Na hipospádia, o orifício pode localizar-se desde a transição balano-prepucial até
a região pene-escrotal.
 Fimose: a maioria dos RN possui fimose fisiológica. Nunca expor a glande para
evitar causar parafimose ou causar fibrose devido a formação de microfissuras.
 Balanopostite e Balanite
 Palpação do canal inguinal: com dois dedos da mão esquerda, pressionar a virilha
do lado da bolsa escrotal a ser examinada, enquanto se faz a palpação com a mão
direita
 Bolsa escrotal: rugosa no RN a termo
 Os testículos têm consistência firme, parenquimatosa, com tamanho de cerca de
1cm, e não são hipersensíveis.
 Hidrocele: é o acúmulo de líquido dentro do testículo e sua reabsorção se dá nos
primeiros meses de vida. Deve-se fazer a prova da transiluminação
 Criptorquirdia
 Pseudocriptorquidia: testículos migradores ou retráteis
 Ectopia testicular
 Anorquidia
 Monorquidia
 Poliorquidia
 Microrquidia
 Macrorquidia
 Orquite
 Torção do testículo: hipersensibilidade
 Puberdade precoce
 Macrogenitossomia
 Genitália feminina
 Avaliar estrutura externa: clitóris/meato uretral/orifício vaginal
 Em RN pré-termo os grandes lábios podem ser inexistentes. Isso faz com que o
clítoris se sobressaia e dê a falsa impressão de clitoromegalia.
 Em RN a termo os grandes lábios chegam a cobrir totalmente os pequenos lábios.
 Afastados os grandes lábios, avalia-se o sulco entre os grandes e pequenos lábios
frequentemente recobertos de vérnix. Aderência ou sinéquia dos pequenos lábios
são raras e requerem intervenção.
 Prolapso de uretra
 Corrimentos e vulvovaginite: um corrimento vaginal perolado ou esbranquiçado e
até mesmo sangramento “pseudomenstruação” pode estar presente nos primeiros
dias, ainda como resultados dos hormônios maternos. Costumam desaparecer na
1ª semana. O corrimento ocorre por descamação do epitélio da vagina.
 Prurido
 Tumores
 Hímen imperfurado: hidrometrocolpo é o acúmulo de secreções no útero e na
vagina, associado a obstruções do trato genital), Se há acúmulo de sangue,
denomina-se hematometrocolpos. Já no hidrocolpos o acúmulo de secreções
encontra-se limitado à vagina.
 Hipertrofia de hímen com prolapso da parte distal para fora dos grandes lábios é
uma achado comum e sem significado clínico.
 Puberdade precoce, pubarca ou adrenarca precoce.
 Intersexualidade ou genitália ambígua: é a ocorrência de qualquer variação de
caracteres sexuais, incluindo cromossomos, gônadas e/ou órgãos genitais, que
dificultam a identificação de um indivíduo como totalmente feminino ou
masculino. Desconfiar quando a criptoquirdia é bilateral e os testículos não são
palpáveis nem na bolsa escrotal nem no canal inguinal, deve-se suspeitar de
genitália ambígua.
 Hermafroditismo: estão presente no mesmo indivíduo tecidos ovarianos e
testiculares.
 Ânus
 Permeabilidade do ânus: não insira objetos rígidos como termômetro. A inspeção
visual num primeiro exame é suficiente. Observe eliminação de mecônio,
distensão abdominal ou ausência de fezes.
 Imperfuração do ânus
 Prolapso retal
 Fístulas ano-retais
 Escoriações e fissuras anais
 Pólipos retais
 Dermatite perineal
 Toque retal e tônus do esfíncter: não recomendado
 Região inguinal: adenite, hérnia inguinal, hidrocele do cordão espermático,
ovário encarcerado em saco herniário
 Região sacrococcigiana: fosseta sacrococcigiana, seio pilonidal, meningocele,
meningomielocele, teratoma.

Esqueleto e articulações

 Deformidades ósseas
 Inadequações de mobilidade
 Dor à palpação de algum osso ou articulação
 Polidactilia, sindactilia, clinodactilia
 Agenesia de ossos
 Pé
 Torto postural: diferente do pé torto congênito, pode ser colocado facilmente na
posição adequada por meio de fisioterapia por manipulação diária.
 Equino: o calcanhar está elevado e o antepé caído
 Varo: há torção do pé fazendo com que sua face plantar fique voltada
medialmente
 Aduto: o antepé é desviado medialmente
 Cavo: há uma prega transversal na planta do pé
 Pé aduto
 Paralisias por lesão de plexo braquial devido estiramento durante o parto
 O RN fica com o membro superior paralisado em rotação interna devendo ser
descartadas fraturas de clavícula ou da região proximal do úmero que podem
coexistir com a lesão neurológica ou simulá-la.
 As lesões neurológicas podem ser:
a) Neuropraxia (mais comum): há edema na raiz nervosa que desaparece em 1 a 2
semanas. A recuperação é completa.
b) Axonotmese: ruptura das fibras com recuperação lenta e incompleta
c) Neurotmese (grave): há ruptura completa da raiz. A recuperação nunca ocorre.
 A manifestação clínica decorre da topografia da lesão
 C5-C6: afeta principalmente mm do ombro e o cotovelo
 C7-C8-T1: afeta mm da mão e poupa mm do ombro
 Total: o mmss é balouçante, podendo incluir paralisia diafragmática
 Fratura de clavícula: mais comum que as paralisias, causam restrições de
movimentaão do membro correspondente devido à intensa dor. Há crepitação sob
palpação acompanhada de manifestação de dor do RN. O tratamento é feito com
analgesia, tipoia e manipulação cuidadosa do membro envolvido.
 Displasia do Desenvolvimento do Quadril
 Instabilidade da articulação coxo-femural ao nascimento porque o acetábulo é
mais raso e a cápsula mais frouxa, o que permite mobilização inadequada da
cabeça do fêmur que fica parcialmente desencaixada do acetábulo.
 Se não for adequadamente tratada no período neonatal por simples imobilizaão, a
lesão poderá levar a grandes limitações na deambulação futura e poderá até haver
necessidade de correção cirúrgica.
 Pode-se encontrar assimetria das pregas glúteas e encurtamento do membro
afetado no caso de displasia unilateral. Entretanto, mais frequentemente a
alteração não provoca deformidades, não limita os movimentos e é indolor. Isso
significa que a displasia só será diagnosticada se pesquisada.
 Condições predisponentes: apresentação pélvica, oligodrâmnio materno, HF e
sexo feminino.
 Avaliação da estabilidade do quadril:
# a USG também pode auxiliar no diagnóstico
Teste de Ortolani
 É uma manobra de redução do quadril luxado
 Com o dedo médio sobre a região do grande trocânter
e o polegar sobre os adutores, faz-se abdução do
quadril e tração da coxa para cima
 Se ouvirmos “clique” houve redução (Ortolani
positivo)
Teste de Barlow

 Utilizada para evidenciar se um quadril é luxável


 A coxa é mantida em ângulo reto com o tronco na
linha média. É feita em adução e flexão da coxa. Se
ouvirmos “clique”, o sinal de Barlow é positivo
 Ao final, reduz-se o quadril com Ortolani.

Extremidades

 Postura de repouso: membros superiores fletidos e os inferiores semifletidos,


cabeça lateralizada e mãos cerradas.
 Tônus: avaliar com a criança em alerta
 Hipotonia: pobre controle da cabeça e extremidades flácidas
 Hipertonia: os mmss estão em forte flexão e os mmii, estendidos
 RN a termos possuem hipertonia em flexão dos membros
 Espamos e contrações periódicas leves são consideradas normais
 Trofismo muscular
 É averiguado pela palpação do mm peitoral que deve ter ≈ 1cm de espessura
 Fazer leve extensão do braço
 Braços e pernas: simetria, comprimento, força, amplitude de movimento
 Prega semiesca: prega palmar única que se estende em toda sua extensão. Decorre
de hipotonia fetal.

Dorso e coluna vertebral

 Examinar em decúbito ventral


 Simetria do dorso e das dobras do glúteo
 Palpar a linha média em busca de espinha bífida, meningocele, etc
 Disrafismos ocultos da espinha: são defeitos do tubo neural cobertas por pele
(sem exposição do tubo neural). Em 25% desses casos existem manifestações
cutâneas associadas como pilosidades locais, hemangiomas capilares, fossetas ou
acúmulo anormal de gordura.
 Fístulas, cistos pilonidais e tumefações
Sistema nervoso

 O exame neurológico: ao nascer a criança costuma ficar durante cerca de 1 a 2h


muito desperta, e a seguir habitualmente dorme profundamente por até 12h.
Deve-se evitar a realização do exame neurológico nas primeiras 12h de vida, para
minimizar a influência do estresso do parto que pode mascarar algumas respostas
normais, dando falsa impressão de comprometimento. Esperar a criança despertar
para uma avaliação adequada.
 Avaliar
 Atitude: o tônus em flexão é relacionado à IG. RN a termo apresenta-se com
hipertonia em flexão dos membros, com postura semelhante à fetal. Conseguem
inclusive manter a cabeça no mesmo nível que o corpo por alguns segundos
quando levantados pelos braços.
 Atividade: movimentam-se ativamente ao serem manipulados.
 Intensidade do choro
 Reflexos primitivos do RN
 São mediados por mecanismos neuromusculares subcorticais que se encontram
desenvolvidos desde o período pré-natal. Desaparecem nos primeiros 6 meses de
vida devido ao desenvolvimento de mecanismos corticais inibitórias.
 Observar simetria e a força de resposta.
 É a IG, e não o peso, o fator que mais interfere na resposta da criança ao estímulo
para teste dos reflexos.
 Evite realizar os testes se o RN não está alimentado ou com esforço respiratório.
Quando Quando
Reflexo Descrição
aparece desaparece
Preensão 28ª semana 4 a 6 meses Ao colocar o dedo na palma da mão do
palmar de gestação de vida neonato, ele o agarrará
Ao simular suspender e soltar
repentinamente o neonato ou promover
32º semana 6 meses de
Moro ruído súbito, observam-se abdução de
de gestação vida
braços, extensão de mãos e flexão de
polegares (abraço)
Busca
Voracidade
Torna-se
voluntário O rosto vira para o mesmo lado da
Fossadura Ao nascer
após 3 bochecha que está sento tocada
Reflexo dos semanas
pontos cardeia

Continua na Sucção em resposta à estimulação da


Sucção Ao nascer
vida adulta parte posterior da cavidade oral
Segura-se a criança pelas axilas em
posição ortostática. Ao contato das
3 meses de plantas dos pés com a superfície, a
Marcha Ao nascer
vida criança estende as pernas até então
fletidas. Se a criança for inclinada para
a frente, inicia a marcha reflexa.
O neonato usa a língua para empurrar
Extrusão Ao nascer 3-4 meses
objetos estranhos para fora da boca
Com O RN em decúbito ventral e a
cabeça centrada, estimula-se a região
paraverterbal de cima para baixo.
4 meses de
Galant Ao nascer Como resposta, espera-se um
vida
encurtamento do tronco no lado
estimulado. Deve ser pesquisado
bilateralmente.
Preensão 8 meses de Ao colocar o dedo contra a base dos
Ao nascer
plantar vida artelhos, o RN irá curvá-los para baixo
O RN flexiona o dedão do pé quando
Cutaneo- 2 anos de um objeto é arrastado ao longo da sola
Ao nascer
plantar vida do pé, do calcanhar até a cabeça do 5º
metatarso
Do
esgrimista Com um movimento rápido, vira-se a
Entre o cabeça do RN para um lado. Ele
Tônico-cervical 4 a 6 meses
nascimento estenderá as extremidades para o lado
de vida
Magnus-De e 2 meses que a cabeça foi virada e haverá flexão
do braço e perna do lado oposto
-Kleijn

 Outros reflexos:
 Fuga à asfixia: é avaliado colocando-se a criança em decúbito ventral no leito
com a face voltada para o colchão. Em alguns o RN deverá virar o rosto liberando
o nariz para respirar adequadamente.
 Reflexo do olhos de boneca: é desencadeado quando se promove a rotação lateral
da cabeça do RN e os olhos seguem lateralmente para o lado da rotação.
 Reflexo Babkin: reação à pressão simultânea das palmas das mãos do bebê. Com
esse estímuo, a criança abre a boca e mantém a cabeça na linha média levantando
sua cabeça. Pode haver fechamento dos olhos e flexão do antebraço do bebê.
 Reflexos tendinosos: podem ser avaliados utilizando-se o martelo com ponta de
borracha ou o próprio dedo do examinador para o estímulo. O reflexo patelar
costuma ser facilmente detectável.