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CARVALHO, A. R. S.

(Organizador - E-book)

Indústria 4.0
Uma visão prospectiva

Colaboradores: André Yoshimi Kusumoto; Danielli


Villar Lemes; Fabio Mitsuhiko Simomura; Flavia Renata
Dantas Alves Silva Ciaccia; Joana Ramos Ribeiro;
Marcelo Guido de Oliveira Guimarães; Marco Antônio
Fontoura de Albuquerque.

1ª Edição - Apoio: FAAP-SJC


CARVALHO, Antonio Ramalho de Souza
(Organizador). Indústria 4.0 – Uma visão
prospectiva: solidificando conceitos. E-book.
Fundação Armando Álvares Penteado: São José
dos Campos, 2018 – 1ª Edição, 33p.
Antonio Ramalho de Souza Carvalho, Doutor
Administrador de Empresas e Doutor em
Ciências pelo Instituto Tecnológico de
Aeronáutica – ITA, na linha de pesquisa de
gestão de P&D e gestão organizacional. Possui
especialização em gestão de projetos pelo
Centro Técnico Aeroespacial - CTA em parceria
com a Universidade de São Paulo - USP, pós-
graduação em Marketing e mestrado em Gestão
e Desenvolvimento Regional com ênfase em
gestão do conhecimento e gestão
organizacional. Atualmente é assessor da Divisão
de Projetos do Departamento de Ciência e
Tecnologia Aeroespacial - DCTA, pesquisador-
colaborador do ITA e professor de Instituição de
Ensino Superior.
Indústria 4.0 – Uma visão prospectiva: solidificando conceitos - 2
Agradecimentos

Este livro é produto da colaboração e do engajamento de profissionais envolvidos com práticas


e estudos em indústria 4.0, tanto na vertente tecnológica como de gestão.
Em especial, agradeço a esses profissionais que, generosamente, doaram tempo e conhecimento
para fosse possível assentar mais um bloco na capacitação em indústria 4.0:
Colaboradores, Professores titulares e convidados do curso de Pós-
Graduação Indústria 4.0 da Fundação Armando Álvares Penteado, de São
José dos Campos – FAAP-SJC:

André Yoshimi Kusumoto;


Danielli Villar Lemes;
Fabio Mitsuhiko Simomura;
Flavia Renata Dantas Alves Silva Ciaccia;
Joana Ramos Ribeiro;
Marcelo Guido de Oliveira Guimarães;
Marco Antônio Fontoura de Albuquerque.

É concedida permissão para reproduzir cópias deste E-book somente para propósitos acadêmicos e
científicos, desde que citada a fonte, inclusive das imagens. Distribuição gratuita.

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Pós-Graduação Indústria 4.0
Av. Dr. Jorge Zarur, 650
possjc@faap.br
(12) 3925-6400

Acesse o site da Pós-graduação Indústria 4.0:


http://pos.faap.br/descricao/industria-40/946

Indústria 4.0 – Uma visão prospectiva: solidificando conceitos - 4


Sumário:

Introdução - Entendendo a quarta revolução Industrial ................................................................6


Capítulo 1 - Governança Organizacional aplicada à Indústria 4.0 ................................................ 8
Capítulo 2 - Design Thinking, uma abordagem para resolução de problemas ........................... 10
Capítulo 3 - Implantação da indústria 4.0: relação humana e trabalhista................................... 13
Capítulo 4 - Para criar é preciso inovar: Startup como alternativa.............................................. 17
Capítulo 5 - Internet das Coisas (IoT - Internet of Things) ........................................................... 20
Capítulo 6 - Realidade Virtual e Aumentada contribuindo com soluções para a Indústria 4.0 .. 21
Capítulo 7 - Cyber Security ........................................................................................................... 25
Capítulo 8 - Especialização em Indústria 4.0 ............................................................................... 27
Sobre os Autores .......................................................................................................................... 30
Sobre as Imagens .......................................................................................................................... 33

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Introdução - Entendendo a quarta revolução Industrial
Antonio Ramalho de Souza Carvalho

A essência da vida moderna não é apenas um processo que depende de uma


sobre a produção e processamento de eficiente integração entre a tríade formada
informações digitais. Não é apenas sobre por pessoas, processos e tecnologia.
automação, desenvolvimento de hardware
ou robôs. É uma demanda cada vez mais Nesse cenário, os sistemas convencionais
de produção tornam-se gradualmente
intensa e mais transparente solicitada pela
sociedade, uma vez que os dados estão obsoletos, devido ao surgimento de novos
disponíveis em volumes quase infinitos em processos, novos produtos e novos
tempo real, é uma verdadeira revolução modelos de negócios, emergentes da
tecnológica, ou seja, a quarta revolução estratégia digital, ou seja, o processo
tecnológica (ou quarta revolução produtivo automatizado migra para um
industrial). processo decisório de investimento em
tecnologias chaves do sucesso da
A consolidação da quarta revolução indústria 4.0.
industrial representa um desafio vital para
a indústria brasileira, sendo que, mais do Conforme Schwab (2018, p. 324), o ser
que os aspectos tecnológicos que humano está mais consciente do poder
singularizam a chamada indústria 4.0, é transformador da tecnologia e do impacto

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na sociedade. As tecnologias são muito partes interessadas devem internalizar o
mais que conjuntos de máquinas, fato de que os resultados do avanço
ferramentas ou sistemas interligados à tecnológico estão ligados às nossas
produção e ao consumo. As tecnologias escolhas em cada nível de
são vetores que moldam valores e desenvolvimento e implantação, seja como
perspectivas sociais. É por meio delas que cidadão, gestor ou representante da
interpretamos o mundo e moldamos o sociedade.
futuro da sociedade, ou seja, todas as

Entende-se que a Indústria 4.0 é o casamento das tecnologias físicas e digitais entre e com
a sociedade, pessoas e estratégias organizacionais.

SCHWAB, K. Aplicando a quarta revolução industrial. São Paulo: Edipro, 2018.

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Capítulo 1 - Governança Organizacional aplicada à Indústria 4.0
Marco Antônio Fontoura de Albuquerque

Os desafios de se fazer uma gestão favoravelmente o ambiente e cultura


transformadora, tem se transformado em organizacional dentro de seus princípios
uma demanda com fortes estímulos para de transparência, prestação de contas,
as empresas frente ao novo cenário da 4ª. equidade e responsabilidade corporativa,
Revolução Industrial. Os processos de
com a legitimidade necessária para que
transformação de negócios, movimenta as
elas possam existir respeitando as leis e
diversas dimensões organizacionais,
dentre elas a governança, a estratégia e legislações em vigor. Além disto é decisiva
modelos operacionais, com a mobilização em um mundo globalizado e pressionado
dos atores envolvidos em todas as etapas por custos, onde negócios precisam ser
produtivas, garantindo a sustentação e dinâmicos e a tecnologia precisa ser um
resultados com valor máximo. aliado na busca por maior dinamismo e
A governança corporativa é um fator chave velocidade capaz de atender aos anseios
para o sucesso em projetos de do negócio. Desta forma, desenvolver uma
transformação, pois condicionam metodologia, um pensamento inovador
que gera e opera uma rede interdisciplinar

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organizacional de processos e serviços Entretanto, a governança deve ser
transformadores para os negócios, consistente o suficiente para adaptar-
fornecendo orientação e apoio à projetos se aos negócios de uma organização
transformadores, reunindo as disciplinas também como um agente
de meta, estratégia, valores econômicos,
transformador. A flexibilidade, deve ser
risco, capacidade digital disruptiva,
realçada, pois não podemos
programas e projetos, mudança
organizacional, processos de negócios,
abandonar a cultura organizacional e
competências e formação. as conquistas na linha do tempo. Assim
como, não podemos negar os novos
tempos, é preciso buscar linhas de
interface e colaboração.

São novos tempos, onde novas


práticas, gestores inovadores e
transformadores – serão os diferenciais
em mercados cada vez mais
competitivos.

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Capítulo 2 - Design Thinking, uma abordagem para resolução de
problemas
Flavia Renata Dantas Alves Silva Ciaccia

Não importa se você está no setor Neste cenário, o Design Thinking auxilia no
industrial, de comércio ou de serviço, as entendimento do problema da empresa e
empresas que possuem mais chances de na geração de produtos e serviços
se destacar no mercado são aquelas que inovadores a partir da compreensão das
entendem as necessidades dos clientes e necessidades das pessoas envolvidas nos
aplicam as tecnologias para fornecer desafios (BROWN, 2009). O Design
soluções integradas e inovadoras. Em Thinking é uma abordagem de design
todas as etapas da jornada do consumidor, centrado no usuário para resolução de
as tecnologias avançadas da Indústria 4.0 problemas complexos com foco na
criam oportunidades de inovação e de empatia, na colaboração e na
crescimento, uma vez que propiciam novas experimentação que visa equilibrar a
formas de melhorar e personalizar a perspectiva do usuário, a viabilidade
experiência do cliente. técnica e a viabilidade do negócio (IDEO,
2003; VIANNA et al., 2011).

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O Design Thinking deve ser usado não 2015). Para tal, o desenvolvimento de um
apenas por designers, mas também por projeto passa por fases divergentes, nas
grupos multidisciplinares, pois facilita o quais surgem novas opções, e por fases
entendimento dos requisitos, estimula o convergentes, nas quais são feitas
aproveitamento de ideias complementares escolhas e eliminadas ideias. O Design
e explora novas possibilidades de solução. Thinking envolve cinco passos iterativos
que auxiliam o profissional a conhecer
Essa abordagem busca o equilíbrio entre o
melhor as necessidades dos clientes e, a
raciocínio associativo, que estimula a partir delas, propor soluções, prototipá-las
inovação, e o pensamento analítico, que e validá-las com os seus clientes. São eles
minimiza os riscos (MELO; ABELHEIRA, (D.SCHOOL, 2008):

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1) Criar empatia - Entender quais são as 4) Prototipar - Escolher uma ou algumas
necessidades, limitações e desejos das ideias para representar em um contexto
pessoas envolvidas no problema mais próximo do real. Incentiva-se usar
(consumidores e principais stakeholders); ferramentas e materiais de baixo custo
como desenho, maquetes e vídeos;
2) Definir - A partir do entendimento do
cliente, definir o foco do problema ou 5) Testar - Agora é hora de experimentar
ponto de vista a ser atacado; os protótipos e coletar o feedback do
usuário a respeito da solução.
3) Idear - É a fase para geração de ideias
e exploração de soluções;

BROWN, T. Design Thinking. Harvard Business Review, 2008.


D.SCHOOL. Bootcamp Bootleg. 2008. Disponível em
<http:school.stanford.edu/wpcontent/uploads/2011/03/METHODCARDS2010v6.pdf>.
Acesso em 21 out 2017.
IDEO. Method Cards: 51 Ways to Inspire Design. Palo Alto, 2003.
MELO, A. ; ABELHEIRA, R. A. Design Thinking & Thinking Design. Novatec, 2015.
VIANNA, M.; VIANNA, Y.; ADLER, I. K.; LUCENA, B.; RUSSO, B. Design Thinking: Inovação em
Negócios. MJV Press, 2011.

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Capítulo 3 - Implantação da indústria 4.0: relação humana e trabalhista
Danielli Villar Lemes

O modelo produtivo evolui ao longo dos equipamentos e maneiras de tomadas de


anos, obrigando as empresas a se decisões.
adequarem e realizarem transformações 3) Implantação 4.0 – Empresas que já
necessárias às implantações previstas para surgem com cultura, estrutura e recursos
se manterem no mercado. humanos 4.0.
A Indústria 4.0 traz à tona a necessidade Para a implantação desses modelos,
da implantação de uma planta digital, que segundo Venturelli (2017), se faz
pode ser constituída de 3 maneiras: necessário alguns passos importantes:
conhecimento do processo produtivo,
1) Criação independente – A instalação criação de indicadores de eficiência de
atual continua funcionando normalmente e
produção, diagnóstico dos processos
é criada outra planta digital, com novos
integradores e conhecimento das
recursos materiais e humanos.
tecnologias a serem empregadas gerando
2) Modernização da Planta – Faz-se trocas mais oportunidades e negócios,
estratégicas para a implantação de novos

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eliminando desperdícios e erros e 3) Legislação: A evolução tecnológica deve
permitindo a customização da produção. ser precedida de adaptações na dinâmica
das leis trabalhistas.
Um dos grandes desafios desta
implantação é a relação humana e Os profissionais em formação ou atuantes
trabalhista, os postos de trabalho que no Mercado de Trabalho, deverão
serão menos impactados são os que atualizar-se constantemente (IOE, 2017), a
realizam atividades criativas, inovadoras e busca por novas tecnologias e novas
de negociação, porém os aspectos que fontes de Marketing Digital, são essenciais
sofrerão maior impacto nas relações de para a permanência das empresas e
trabalho são: indústrias no mercado.

1) Capacitação: o sistema deve se O deslocamento de mão de obra é uma


comunicar de maneira eficiente com realidade deste novo mercado, pois os
operadores capacitados para a esforços repetitivos, montagem de peças e
interpretação e coleta dos dados; manufatura em geral, serão
2) Relações de Trabalho: Com plataformas automatizadas, gerando ganhos de
flexíveis, modulares e descentralizadas, as produtividade, qualidade e diminuição em
relações de trabalho devem obedecer a problemas trabalhistas causados por
estas características também, alterando lesões. Em contrapartida, setores
assim as relações de cargo e de hierarquia relacionados à Tecnologia de Informação,
dentro das indústrias. pesquisa e desenvolvimento, prestação de

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serviço, marketing e vendas deverão ter 1) Maior tempo livre, sem deslocamentos,
incremento na necessidade de
2) Mais qualidade de vida, trabalhando em
trabalhadores (LORENZ et al., 2015).
horários mais adequados à sua realidade,
Uma vez percebida a necessidade do
3) Menos exposição à riscos de saúde e
deslocamento da mão de Obra as leis
segurança, com automação de atividades
trabalhistas deverão ser adaptadas,
arriscadas e repetitivas,
criando programas de capacitação e
readequação profissional, flexibilização de 4) Maior competitividade no mercado
jornada de trabalho, flexibilização do devido à necessidade de menos
formato de trabalho, mobilidade, uma vez investimentos para o início de uma
que em qualquer lugar será possível a empresa.
realização do trabalho, evitando assim
Percebemos recentemente algumas
grandes deslocamentos e permitindo o atualizações de legislações trabalhistas,
trabalho em qualquer local com acesso à
mas para o Brasil estar pronto para esta
Internet.
nova realidade, muito ainda há de ser
Concluindo, esta (r)evolução trabalhista realizado pelos governantes e legisladores
trará aos trabalhadores muitos benefícios, do País.
tais como:

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IOE. Understanding the future of work. Geneva: IOE, 2017
VENTURELLI, Marcio. Industria 4.0: Projeto e Implantação, 2017 - Disponível em:
<https://marcioventurelli.com/2017/07/24/industria-4-0-projeto-e-implantacao/>. Acesso
em: 21 jul. 2018

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Capítulo 4 - Para criar é preciso inovar: Startup como alternativa
Joana Ramos Ribeiro

Pensando em criar uma Startup? A inovação foi de suma importância para a


Empreender já é uma tarefa muito difícil evolução da humanidade e hoje é
que exige um alto nível de dedicação e considerada símbolo de competitividade
comprometimento. Agora, pensar em abrir das organizações. Frente a esse contexto,
uma startup é estar ciente que você irá despertou o interesse de muitos
dispor de todo seu tempo para se dedicar pesquisadores para estudar esse tema. A
a ela, assumir os riscos devido a alta consequência, é uma diversidade de
incerteza do negócio. Mas o que diferencia conceitos sobre inovação com diferentes
um empreendimento comum de uma abordagens.
startup? A diferença está no produto,
Em 1990 foi publicada, pela Organização
serviço e ou processo que está ofertando.
para a Cooperação e Desenvolvimento
É obrigatório que seja algo novo e único.
Econômico (OCDE), a primeira edição do
Impossível falar de startup sem o perfeito
“Manual de Oslo”, com o objetivo de
entendimento prático de inovação.
orientar e padronizar conceitos,
Vamos entender um pouco de inovação? metodologias e a construção de
indicadores de inovação. A partir dessa

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data, o Manual passou por diversas processo, ou um novo método de
revisões. Segundo a versão de 2006, uma marketing, ou um novo método
inovação pode ser a implementação de um organizacional nas práticas de negócios na
produto, bem ou serviço, seja novo ou organização do local de trabalho ou nas
significativamente melhorado; ou um relações externas.

Apesar de comum, você não deve enxergar a inovação apenas de produtos e serviços, mas
também de processos e métodos. Sim, isso mesmo, métodos. Vamos pensar em alguns
métodos famosos que revolucionaram o mundo dos negócios. Após a 2ª Guerra Mundial, o
Japão, devastado economicamente, acabou sendo berço de diversos métodos desenvolvidos
que resultaram em melhoria da qualidade e redução de custos dos produtos. A criação do

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sistema kanban de abastecimento, por exemplo, foi inspirado no sistema de reposição dos
supermercados, em 1940, que utilizavam o controle visual, porém, somente em 1953 é que
foi possível aplicar o método em toda a operação da Toyota. O sucesso deste método
revolucionou o sistema tradicional de produção, sendo ele difundido para o mundo todo.
Segundo a Lei da Inovação (Lei produto (bem ou serviço) novo ou
10.973/04), a inovação é a introdução de significativamente melhorado, ou um
uma novidade ou um aperfeiçoamento no processo, ou um novo método de
ambiente produtivo ou social que resulte marketing, ou um novo método
em novos produtos, processos ou organizacional nas práticas de negócios,
serviços. Portanto, o resultado da na organização do local de trabalho ou nas
aplicação bem-sucedida de uma ideia é a relações externas.
inovação. Para o grande economista
Assim, a startup é uma forma de
Schumpeter (1982) “se não forem
disponibilizar uma grande ideia no
colocadas em prática, invenções são
mercado. Uma ideia que os fundadores
economicamente irrelevantes”. Quando a
amam e que muitas pessoas podem amar
ideia “sai” do papel torna-se uma
também, e este é o principal motivo delas
invenção, e sendo percebida e aceita pelos
crescerem da “noite para o dia”.
seus usuários se torna inovação. Uma
inovação é a implementação de um

SCHUMPETER, Joseph Alois. Teoria do desenvolvimento econômico: uma investigação sobre


lucros, capital, crédito, juro e o ciclo econômico. São Paulo: Abril Cultural, 1982.

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Capítulo 5 - Internet das Coisas (IoT - Internet of Things)
Marcelo Guido de Oliveira Guimarães

A IoT permitiu que objetos diversos A execução de uma ação, realizada de forma
possam se comunicar com o mundo real coordenada por diversos dispositivos físicos
de tal forma que antes não era possível. não interligados diretamente e remotamente
Isto permite que seja realizada a coleta de controlados, permite que o tempo de
dados e que eles sejam analisados em execução seja menor e que o resultado final,
tempo real visando maior assertividade seja um produto ou serviço, apresente um
nas decisões a serem tomadas. A ganho qualitativo maior com um custo
quantidade de dados gerados, ao ser menor.
analisado corretamente, permite um São diversos os exemplos de ganhos com a
melhor desempenho de uma forma geral. adoção do IoT em indústrias. Gestão de
estoque e logística de entrega interligadas,
O advento de recursos como IPv6, Arduíno,
permite a adoção de larga escala de robôs
ESP 8266, Raspberry Pi, computação em
autônomos, reduzindo o custo de mão de
nuvem, entre outros, permitiu a indústria de
obra e otimizando tempo de separação e
produtos e serviços conectar diversas
entregas.
tecnologias que anteriormente trabalhavam
de forma isolada. Além disso, permite que A IoT veio para trazer dinamicidade ao
dispositivos em campo se comuniquem e mundo e, por consequência, a indústria, que
interajam com a indústria. cada vez mais precisa estar conectada o
tempo todo.

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Capítulo 6 - Realidade Virtual e Aumentada contribuindo com soluções
para a Indústria 4.0
André Yoshimi Kusumoto
Fabio Mitsuhiko Simomura

A Realidade Virtual e Aumentada (RVA) A Realidade Virtual (RV) envolve a


está se tornando a grande tendência interação do usuário com um ambiente
tecnológica no mercado. As empresas de virtual, isto é, gerado totalmente por
tecnologia têm acompanhado de perto computador. A interação pode ser obtida
esse cenário e têm investido alto no através do uso de controles como
desenvolvimento de equipamentos e joysticks, luvas, óculos ou wands (i.e.
conteúdo para esse ambiente. Esse bastão ou varinha) em um ambiente
interesse se justifica pois existe um amplo imersivo (e.g. Cave Automatic Virtual
campo de aplicação nas áreas de Environment – CAVE ou Head Mounted
Entretenimento, Negócios, Educação, Display – HMD), resultando em uma
Saúde e principalmente na Indústria. experiência mais próxima do real. Para
criação desses ambientes são aplicados
conceitos de computação gráfica,

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estereoscopia, espaço 3D, rastreamento e posicionamento e navegação real do
navegação. usuário no ambiente.
A Realidade Aumentada (RA), por outro
lado, consiste em produzir elementos
virtuais em um ambiente real. Há uma
combinação do espaço físico do usuário
com objetos e informações virtuais,
geradas e processadas em tempo real.
Nesse caso, os dispositivos móveis são
excelentes plataformas para o
desenvolvimento de aplicações em RA.
Atualmente, os smartphones possuem
câmeras com alta resolução, Na indústria 4.0, a Realidade Virtual e
Aumentada (RVA) pode fornecer
processadores com boa capacidade de ferramentas interativas permitindo assim
processamento e o principal, diversos alcançar melhores resultados em
sensores como giroscópios, acelerômetros atividades de capacitação e simulação, por
e GPS (i.e. Global Positioning System). Esse exemplo.
conjunto de recursos é essencial na criação Durante o treinamento, é importante
dos objetos virtuais e na determinação do manter um equipamento em uso, sem a

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necessidade de parar a sua utilização e aeronaves e automóveis. A utilização de
consequentemente prejudicar a RVA pode melhorar a experiência do
produtividade daquela seção. Para isso, usuário fornecendo uma simulação do
todas as tarefas podem ser realizadas em espaço físico e a distribuição dos
um ambiente virtual, através do uso da equipamentos dentro de uma cabine de
RVA. Outra aplicação pode ocorrer no uma aeronave.
desenvolvimento de novos produtos como

Estas tecnologias podem ser aplicadas em diversas soluções:

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1) Treinamentos práticos podem ser montagem e previsão do custo de
simulados em realidade virtual, diminuindo fabricação do futuro produto.
a necessidade de recursos para capacitar 4) Projetar o resultado de uma inspeção
as equipes de trabalho, além de permitir sob um componente utilizando realidade
observar as reações dos alunos em aumentada, facilitando a identificação da
situações críticas, diminuindo o risco de região afetada.
lesão e danos a máquinas e equipamentos.
5) Como resultado tem se a agilidade na
2) O projeto de um produto pode ser fabricação com registro da informação de
apresentado e discutido em uma sala execução, bem como a melhora da
virtual, onde as pessoas podem ser qualidade final do produto.
representadas por avatares e a interação
6) Visualização de discrepâncias através
entre elas é feita totalmente de forma
da realidade aumentada, onde o objetivo
virtual.
é mostrar dados de uma máquina ou
3) A montagem e desmontagem virtual de equipamento captados por sensores em
um novo produto pode ser simulada em tempo real para averiguar a condição da
um ambiente de realidade virtual. Para mesma, caso encontre discrepâncias, o
essa aplicação de realidade virtual existe sistema de realidade aumentada poderá
um potencial ganho de redução no ciclo de mostrar os passos a serem realizados para
desenvolvimento, previsão do ciclo de que a discrepância seja resolvida.
Enfim, as aplicações de RVA na indústria são inúmeras e cada vez mais será comum encontrar
soluções baseadas nessas tecnologias resultando em mais agilidade, inovação e melhor
utilização dos recursos disponíveis.

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Capítulo 7 - Cyber Security
Marcelo Guido de Oliveira Guimarães

A indústria 4.0 é impulsionada por


inovações como internet das coisas,
robótica, inteligência artificial, impressão
3D entre outros. Dadas estas
características, um de seus pilares é a
Cyber Security - cibersegurança.
A Cyber Security visa a identificação e a
mitigação de ameaças e falhas, que podem
vir a causar transtornos na produção,
envolvendo um ecossistema complexo e
com diversos pontos de vulnerabilidade
deve ser encarada em todos os processos
e não apenas como um custo ou fator
isolado.

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Malwares, acesso indevido, vazamento de aquela que integra a rede administrativa e
credenciais de segurança, restrição de a industrial.
acesso, análise de tráfego de rede em
Na indústria 4.0 não é possível existir a
tempo real, criptografia, gerenciamento de
crença de que “nunca serei invadido”. Faz-
senhas entre outras medidas são
se necessário aceitar esta realidade e estar
necessárias para uma realidade que se
preparado para reagir o mais breve
encontra constantemente em mudança.
possível.
Ao pensar na questão da cibersegurança
Para tanto, deve-se pensar na segurança
não se pode esquecer de levar
desde o início do projeto. Além disso é
consideração que o ataque à rede
necessário que todos, desde a alta
puramente industrial, aquela que atende
gerência até o chão de fábrica, tenham
apenas a linha de produção por exemplo,
uma cultura e consciência de segurança da
já era uma realidade antes mesmo desta
informação, a final, a segurança é tão forte
passar a integrar a rede convergente,
quanto o seu elo mais fraco.

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Capítulo 8 - Especialização em Indústria 4.0
Antonio Ramalho de Souza Carvalho

A consolidação da 4ª revolução tecnológica capazes de apoiar o desenvolvimento


representa um desafio vital para a indústria tecnológico das empresas brasileiras, assim
brasileira, sendo que, mais do que os como vem ocorrendo nas demais nações
aspectos tecnológicos que singularizam a industrializadas.
chamada indústria 4.0, é um processo que A especialização em Indústria 4.0 deve,
depende de uma eficiente gestão dos primeiramente, complementar a formação
recursos. do aluno para o trato da indústria 4.0,
Nesse cenário, os sistemas convencionais de qualificando profissionais que serão os
produção tornam-se gradualmente responsáveis pela atualização tecnológica
obsoletos, ocorrendo novos processos, do setor.
novos produtos e novos modelos de O curso deve posicionar o aluno como
negócios. responsável em direcionar, acompanhar e
Ressalta-se também que Confederação opinar sobre as práticas relacionadas à
Nacional da Indústria (CNI) trabalha, desde indústria 4.0, permitindo formular e
2016, na sensibilização da indústria para a viabilizar estratégias vinculadas à essa
importância de se engajar neste movimento indústria, sendo sua estrutura representada
em direção à Indústria 4.0 e atua junto ao por meio do seguinte Bulding Blocks.
governo para a criação de políticas públicas

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Ao preparar os profissionais nos conceitos estruturados na Pós-graduação em Indústria 4.0,
possibilita-se a compreensão das tecnologias, infraestrutura e boas práticas para a
transformação digital das empresas, onde a criatividade, multidisciplinaridade e gestão
integradora permitem delinear novos modelos de negócios e propostas de valor inovadoras
que atendam aos desafios de novo contexto exponencial.

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Pós-Graduação Indústria 4.0
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Sobre os Autores

André Yoshimi Kusumoto, Mestre

Tecnologista Sênior no Instituto de Pesquisas e Ensaios em Voo, responsável pelos


Projetos e Sistemas de Tecnologia da Informação. Membro da equipe que desenvolve
ferramentas de Processamento em Tempo Real para Estações de Telemetria, com a função
de desenvolver ferramentas utilizando técnicas de processamento de imagens para cálculo
de trajetografia em ensaios de separação de carga. Experiência na área de Ciência da
Computação, atuando principalmente nos seguintes temas: Processamento Digital de
Imagens, Visão Computacional e Análise de Sistemas Computacionais. Professor Adjunto
a mais de 11 anos nos cursos de Ciência da Computação e Engenharia da Computação.

Danielli Villar Lemes, Mestre

Empreendedora no seguimento de Engenharia, com o desenvolvimento de projetos,


processos e treinamentos, Diretora de Mobilidade Urbana do Município da Cidade de
Jacareí, responsável pela proposição, negociação e implementação de diversos projetos,
entre eles “Rota de cargas Pesadas do Município” e “BRT na cidade”, e professora de
graduação e pós-graduação em engenharia, bem como de educação para o futuro dos
jovens. Possui extensão universitária em técnicas de negociação.

Indústria 4.0 – Uma visão prospectiva: solidificando conceitos - 30


Fabio M. Simomura, Especialista

Possui especialização em Manutenção Aeronáutica pela Universidade Federal de Itajubá,


MBA em Gestão Empresarial Avançada pela Fundação Armando Álvares Penteado com
extensão na Escuela de Administración de Empresas em Barcelona-Espanha e graduação
em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Itajubá. Atua como engenheiro de
manutenção aeronáutica na EMBRAER S.A. Tem experiência nas áreas de planejamento
estratégico, publicações técnicas, gerenciamento de projetos, subcontratação, manutenção
aeronáutica e inovações tecnológicas, atualmente focado nos seguintes temas: ensaios não
destrutivos (NDT), saúde estrutural da aeronave (SHM), projetos de inovação e
desenvolvimento tecnológico relacionados a manutenção de aeronave, pesquisador e
coordenador das comunidades de prática nas tecnologias de realidade virtual (RV),
realidade aumentada (RA) e NDT

Flavia Renata Dantas Alves Silva Ciaccia, Doutora

Trabalha com gestão de projetos de inovação e user experience na Embraer como


consultora de inovação para negócios e projetos sociais. Possui experiência em gestão de
projetos e capacitação, atuando principalmente com experiência do usuário, inovação,
mudança de cultura, ergonomia de produto e design universal. Doutorado em Engenharia
de Produção pela USP, pós-graduação em Gestão da Inovação Tecnológica para a
Competitividade pela FIA, mestrado profissional em Engenharia Aeronáutica e Mecânica
no ITA e graduação em Engenharia Mecatrônica pela USP.

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Joana Ramos Ribeiro, Doutora
Formada em Ciências da Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina. Doutora em
Engenharia Aeronáutica e Mecânica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Data analyst na
startup Petmondo, Ministra disciplinas na área de Supply Chain Management e Métodos
Quantitativos em instituições do Ensino Superior, em cursos de Pós-Graduação e Sócia da
microcervejaria Bugio localizada em Florianópolis.

Marcelo Guido de Oliveira Guimarães, Mestre


Coordenador do curso em Redes de Computadores. Possui artigo publicado em conferencia no
exterior e em simpósio e revista nacional. Responsável pela rede e segurança digital do Instituto de
Fomento Industrial, organização militar do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial
(DCTA). Participação como especialista em auditorias ISO 9000. Participação como analista de
incidentes, durante os jogos olímpicos RIO 2016, no CDCIber (Centro de Defesa Cibernética) do
Ministério da Defesa.

Marco Antônio Fontoura de Albuquerque, Mestre


Doutorando pelo Instituto de Tecnologia da Aeronáutica (ITA) - Ciências e Tecnologia Espacial -
Gestão Tecnológica e Mestrado em Administração pela EBAP - FGV do Rio de Janeiro e
Especialização em Teoria Econômica pelo CESAPE - DF, possui larga experiência acadêmica como
Gestor e Professor de Ensino Superior e Pós-Graduação em diversas IES no Brasil e como executivo
de diversas multinacionais e nacionais de porte. Possui sólida experiência profissional no Brasil e
América Latina adquirida em funções de Consultoria, Superintendência, Diretoria e Gerência, em
empresas como Shell Brasil, Souza Cruz, Coca-Cola, Itambé Laticínios, BP Brasil - Castrol
Lubrificantes, Shoppings Centers em Brasília, Citibank e Sistema Unimed Brasil.

Indústria 4.0 – Uma visão prospectiva: solidificando conceitos - 32


Sobre as Imagens

As imagens utilizadas neste e-book são de domínio público:

Capa adaptada de: https://br.pinterest.com


Introdução – p. 7 disponível em: www.omspresse.it/industria-4-0
Capítulo 1 – p. 9 disponível em: https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-884791038-painel-
em-lona-colmeia-de-abelhas-300x200-bannersdisplay-_JM
Capítulo 2 – p. 11 Traduzida de http://ignitetech.org/design-thinking-2
Capítulo 6 – p. 22 disponível em: https://blog.thomasnet.com/augmented-reality-manufacturing
Capítulo 6 – p. 23 disponível em https://www.insightssuccess.com/virtual-augmented-reality-in-
retail-the-store-is-open e https://www.worldskills.org.au/tradiebot-industries-
to-exhibit-4-0-technologies-at-skills-show
Capítulo 7 – p. 25 – disponível em: https://juliandontcheff.wordpress.com/2017/06/02/twelve-
new-features-for-cyber-security-dbas

É concedida permissão para reproduzir cópias deste E-book somente para propósitos acadêmicos e
científicos, desde que citada a fonte, inclusive das imagens. Distribuição gratuita.

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