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Capítulo 1

1.1 Introdução

Este é um livro escrito com o propósito geral de reunir informações teóricas de modo
que o leitor possa adquirir uma base de informações que o facilite na construção do seu
conhecimento técnico e prático no ramo computacional e/ou eletrônico. Serão apresentadas
informações técnicas com embasamento teórico, ou seja, é um livro escrito para iniciantes que
não possuam qualquer conhecimento computacional ou mesmo para os leitores que já
possuam algum conhecimento e desejam aprimorá-los, utilizando para tal os conceitos
técnicos e/ou teóricos, assim como os exemplos práticos aqui apresentados; hobistas também
podem usufruir do conteúdo deste livro, pois os exemplos apresentados são bastante didáticos
e mostram o passo-a-passo para se obter o resultado proposto das experiências em laboratório.
A principal referência de conhecimento teórico, técnico e prático apresentado neste
livro é a própria experiência profissional e acadêmica do autor. Sendo assim, serão
apresentadas algumas informações históricas, assim como uma ampla gama de informações
que o ajudarão na formação do conhecimento técnico para o mercado tecnológico.
Em suma, a tentativa de transferência de conhecimento do autor levará o leitor a um
patamar onde o mesmo terá a possibilidade de adquirir habilidades onde a partir de um
determinado problema, poderá projetar e desenvolver soluções práticas e objetivas. É claro
que se espera do leitor um mínimo de comprometimento e dedicação nos estudos teóricos
apresentados, assim como a execução dos exercícios práticos sugeridos.
Este não é um livro que deve ser apenas lido, deve ser tratado como um material de
apoio, exercitado e consultado sempre que necessário.
Todas as marcas de produtos, equipamentos e sistemas apresentados neste livro são
pertencentes aos seus respectivos fabricantes e proprietários, sendo que a sua utilização estará
sujeita a aquisição de licenças de uso e o autor não se responsabiliza pela falta destas no uso
realizado pelo leitor. Em todos os exemplos apresentados neste livro, o autor utilizou-se de
licenças temporárias e/ou licenças de avaliações de modo que não é o objetivo deste livro
tratar de assuntos relacionados ao licenciamento de produtos.

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1.2 Pré-Requisitos

Não há pré-requisitos de conhecimentos necessários, no entanto, assume-se que o


leitor possua disponibilidade de um microcomputador com sistema operacional MS-Windows
XP ou superior instalado e ao menos 10 GB de espaço livre em seu Hard Disk e 2 GB de
memória RAM, contudo, recomenda-se para um melhor desempenho, que o espaço disponível
em Hard Disk seja em torno de 20 GB e 4 GB de memória RAM.
Os pré-requisitos de Hardware aqui apresentado não são empecilhos para que o
leitor interrompa sua leitura e/ou estudos, no entanto, será uma boa prática a realização dos
exemplos e exercícios apresentados no decorrer do livro, visto que não é necessário um
computador com características de Hardware muito atualizado.
Alguns exemplos e/ou exercícios práticos serão realizados diretamente no
computador com o auxílio de ferramentas de simulação, porém, em alguns casos será
recomendada a aquisição de alguns componentes de Hardware para que o leitor possa ter uma
maior exposição prática ao assunto abordado; caberá ao leitor realizar uma pesquisa de
mercado pelo melhor valor e analisar se irá prosseguir com a compra ou não.

1.3 Introdução à Engenharia

Um simples olhar ao nosso redor é o suficiente para notarmos a importância dos


engenheiros. Nossas casas foram projetadas por engenheiros, diversos cálculos foram
realizados para garantir que a estrutura construída seja resistente o suficiente para não desabar
sobre nossas cabeças; sim, é verdade que muitos pedreiros constroem diversas edificações
civis sem qualquer projeto ou conhecimentos em engenharia, no entanto, sua experiência está
embasada em conhecimentos transferidos de um profissional para outro, e que em sua remota
origem, em algum momento foi fruto de um engenheiro, o que não justifica é claro a falta de
um engenheiro em sua obra, pois este é o responsável por qualquer consequência negativa que
a edificação sofrer. Considere o fato de que até mesmo nossas roupas foram fabricadas em
máquinas desenvolvidas por engenheiros, embora existam grandes artesões que são
absolutamente capazes de fazerem grandes trabalhos. E não para por aí, o banho quentinho
que tomamos no inverno, o relógio que usamos no pulso, o telefone que nos permite falar com

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qualquer pessoa em quase qualquer lugar do mundo, o celular que nos permite falar com
quase toda a outra parte do mundo aonde os cabos telefônicos não chegam, os computadores
que por sinal nos permite realizar quase todo tipo de trabalho, inclusive automatizando tarefas
que antes eram realizadas de forma manual, enfim, praticamente tudo o que utilizamos,
inclusive e não menos importante, a energia elétrica que com certeza pode ser considerada
uma das maiores e mais bem sucedida invenção da humanidade, pois a partir dela, inúmeras
outras invenções puderam ser criadas. Enfim, tudo isso foi desenvolvido, projetado e
executado por engenheiros ou simplesmente matemáticos.
Toda ideia por mais simples e singela que seja deve ser registrada e analisada se o
seu custo benefício pode ser positivo em algum dado momento para a humanidade. Nem
sempre devemos nos atentar apenas a um retorno financeiro desejável, pois se a ideia for
realmente boa e que traga benefícios para a humanidade ou ao menos a uma parte
significativa desta, é quase certo que o retorno será alcançado. É totalmente possível que a
partir de um conjunto de pequenas e simples ideias, seja elaborado uma grande ideia, aí está à
importância em não desfazermos das pequenas ideias. Este é um dos motivos pelo qual uma
grande empresa de buscas e pesquisas da Internet distribuiu blocos de anotações para todos os
seus funcionários, assim como também colocou blocos espalhados por toda a empresa, afinal,
nunca se sabe quando alguém poderá ter uma grande ideia, e imagine se não tiver onde
registrar essa informação, pois a correria do dia-a-dia pode fazê-lo esquecer alguns pontos
chaves para o sucesso da nova ideia.
Embora de forma bem superficial, já temos informações suficientes para
subentendermos que um engenheiro é uma pessoa que “cria coisas” para o benefício da
humanidade, vamos definir o que é o engenheiro conforme Holtzapple e Reece (2006, p.1):
“Engenheiros são indivíduos que combinam conhecimentos da ciência, da
matemática e da economia para solucionar problemas técnicos com os
quais a sociedade se depara. É o conhecimento prático que distingue os
engenheiros dos cientistas, que também são mestres da ciência e da
matemática. Essa ênfase na praticidade foi eloquentemente relatada pelo
engenheiro A. M. Wellington (1847 – 1895) que descreveu a engenharia
como “a arte de fazer... bem, com um dólar, aquilo que qualquer outro
pode fazer com dois”. ”

Tendo agora a definição para engenheiro, vamos também definir engenharia, e para
tal, iremos recorrer ao dicionário (Aurélio, p.267):
“Aplicação de conhecimentos científicos e empíricos, e certas
habilitações específicas, à criação de estruturas, dispositivos e processos
para converter recursos naturais em formas adequadas ao atendimento das
necessidades humanas.”

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Tanto na engenharia quanto em qualquer outra profissão regulamentada, os
profissionais possuem atribuições legais, para Bazzo; Pereira (2008), as atribuições legais do
engenheiro, dentro de suas competências técnicas legais são: Administrar, executar, analisar,
experimentar, assessorar, fiscalizar, avaliar, gerenciar, construir, manter, consultar, operar,
controlar, pesquisar, desenvolver, planejar, dirigir, produzir, emitir parecer, projetar, ensinar,
supervisionar, ensaiar, testar, especificar, vender, estudar e vistoriar.
É fato que ao engenheiro não cabe apenas “inventar coisas”, mas garantir que o que
foi produzido proporcione maior segurança, rentabilidade e conforto aos usuários do produto,
assim como a responsabilidade com a preservação do meio ambiente. Mas isso não é o que a
história recorda, muitas das grandes invenções foram criadas com o propósito bélico ou ao
menos direcionadas para este propósito. Sem dúvida, a criação dos aviões é uma das grandes
evoluções tecnológicas da humanidade, foi realmente um marco histórico, pois os aviões
diminuíram significativamente o tempo de viagem entre duas cidades, por exemplo, para
viajar de Catanduva-SP até o Rio de Janeiro-RJ, de acordo com dados extraídos do Google®
Maps, estima-se cerca de 8 horas e 50 minutos de carro em um percurso de aproximadamente
790 km, e se o mesmo percurso for realizado a pé, e ainda com a distância reduzida para
aproximadamente 778 km, estima-se cerca de 162 horas; considerando uma pessoa em plena
forma física capaz de andar por 6 horas diárias seguidas, a mesma levaria cerca de 27 dias,
isso sem considerar a variação do ritmo das passadas, no entanto, ao se utilizar dos aviões
para esta viagem, é possível realizar o mesmo trajeto com aproximadamente 2 horas e 35
minutos, uma diferença realmente formidável.
O avião teve sua origem com um brasileiro de ascendência francesa, chamado
Alberto Santos Dummont que dedicou a vida ao sonho de voar. Não apenas Santos Dummont,
mas também os irmãos Wrigh realizavam diversos experimentos de vôo.
Em 23 de outubro de 1906, Alberto Santos Dummont reuniu-se com uma comissão
julgadora e apresentou-lhes seu rústico avião, o 14-Bis, marcando dessa forma a origem da
aviação. Não demorou muito para que os militares introduzissem esta grande obra para fins
bélicos e espionagem. Embora haja controvérsias quanto à causa, Alberto Santos Dummont
faleceu em 23 de julho de 1932, na cidade balneária de Guarujá-SP, as autoridades
registraram sua morte como sendo resultado de “colapso cardíaco”, no entanto, há quem
resista a essa ideia e informam que o mesmo se suicidou devido ao desgosto por ver o uso dos
aviões, obra de sua vida, para fins militares.

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Outra incrível invenção que mudou completamente a forma como as pessoas se
comunicam, se relacionam, ou até mesmo utilizam para pesquisas e estudos, foi a Internet.
Criada no auge da guerra fria, por volta de 1969, duas grandes potências, União Soviética e
Estados Unidos da América exerciam enorme controle e influência no mundo, ambos
compreendiam a eficácia e necessidade absoluta dos meios de comunicação. Os EUA
temendo um ataque russo às suas bases militares, onde poderia trazer a público informações
sigilosas, tornando-os vulneráveis, idealizou um modelo de troca e compartilhamento de
informações de tal forma que permitisse a descentralização das mesmas. Dessa forma se, por
exemplo, o Pentágono fosse atingido, as informações que ali pudessem estar armazenadas,
não estariam perdidas, criou-se então uma rede chamada ARPANET.
A ARPANET criada pela empresa ARPA (Advanced Research Projects Agency –
Agência de Projetos de Pesquisas Avançada), funcionava através de um sistema que era
conhecido como chaveamento de pacotes, o qual transmite dados em uma rede de
computadores onde as informações são divididas em pequenas partes ou “pacotes”, onde estes
pacotes contem trechos de dados, endereços de destino e informações que permitem a
montagem da mensagem original.
O temido ataque inimigo nunca ocorreu (embora Bin Laden infelizmente conseguisse
esta façanha em 11 de setembro de 2001), no entanto, o que resultou foi início do maior
fenômeno midiático do século XX, o único meio de comunicação que em apenas quatro anos
conseguiria atingir cerca de 50 milhões de pessoas e desde então não parou mais de crescer.
Hoje o mundo está muito mais acessível a inovações tecnológicas, pois o acesso a
informações deixou de ser restrito a livros onde nem todos podiam ter acesso por uma série de
motivos, que vão desde a localização geográfica até mesmo a situação financeira de um
indivíduo ou nação. A Internet proporcionou um acesso à informação sem precedentes, no
entanto, devemos ficar atentos à veracidade das informações postadas, visto que qualquer
pessoa pode incluir documentos sem a devida credibilidade e fidelidade à informação idônea.

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1.4 Introdução ao Computador

Os computadores se tornaram tão populares no mundo que praticamente qualquer


pessoa conhece, já utilizou direta ou indiretamente ou pelo menos já teve o prazer de vê-lo.
No entanto, uma quantidade significativa de pessoas não faz a menor ideia do que realmente
são estas máquinas, como elas funcionam e o potencial que possuem para desenvolver tarefas
de forma automática e com uma velocidade extremamente alta.
Basicamente um computador é uma máquina capaz de executar tarefas ou cálculos
de acordo com um conjunto de instruções passadas pelo usuário ou operador, ou seja, apesar
de ser uma máquina que auxilia nosso trabalho, é necessário que um ser humano informe a
esta máquina o modo como ela irá compreender o que está sendo solicitado, e que alem disso,
informe as fórmulas matemáticas e algoritmos sobre como chegar ao resultado esperado.
Conforme nos aprofundamos no íntimo dos computadores, vamos percebendo que não
passam de espelhos de ideias brilhantes e apenas repetem o que em um determinado momento
lhes foi ensinado, ou seja, grosso modo é como se fossem “máquinas adestradas”.
Um exemplo clássico que costumo expor é um cálculo matemático bem simples,
onde qualquer pessoa daria uma resposta exata, correta e direta, no entanto apresento um
resultado que de imediato pode parecer um tanto quanto ilógico, mas acredite quando digo
que é exatamente assim que os computadores efetuam cálculos, aliás, é exatamente dessa
forma que os computadores fazem praticamente tudo. Então o leitor poderia dizer: “Ora, se os
computadores são máquinas adestradas, então estão lhe ensinando errado!”; realmente parece
cômico, mas é a mais pura realidade matemática. Veja por si só, efetue o cálculo e comprove,
qual das duas contas abaixo está correta e qual está incorreta?

Figura 1: Equação algébrica sem identificação de base numérica

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Facilmente qualquer pessoa diria que o resultado correto seria o da segunda conta, ou
seja, “2”, embora se alguém considerar a primeira conta como sendo a correta, ou seja, com
resultado “10”, também estará correto. No entanto, se o leitor questionar o autor sobre qual o
resultado correto, a reposta evidentemente seria “depende”. A palavra “depende” realmente
nos tira de diversas enrascadas, pois abre um leque de possibilidades para as respostas.
Indo um pouco mais a fundo na matemática, em um assunto praticamente não
abordado na grande maioria das escolas, a pergunta correta a se fazer em uma situação como
esta, seria: “Qual a base matemática considerada no cálculo?”, considerando ambos os
cálculos com resultados corretos, pode-se observar que na primeira conta foi utilizada a base
matemática binária, enquanto que na segunda conta foi utilizada a base matemática decimal.
Por convenção, desde que a “Tia Maricléia” começou a nos ensinar a contar maçãs
na escola, como meio de aprendermos matemática, utilizou-se a base matemática decimal, por
este motivo, nunca se fez necessário informar qual a base matemática que se está utilizando
nos cálculos efetuados, no entanto, quando nos aprofundamos no mundo da matemática ou
ainda nos conceitos de engenharia, devemos nos atentar para a base matemática utilizada em
qualquer cálculo, principalmente em se tratando de computação, visto que além das duas
bases já mencionadas, há também a base hexadecimal ou ainda a octal.
Os sistemas de numeração serão abordados de forma mais aprofundada em capítulos
posteriores, no entanto, analise novamente os cálculos a seguir e observe a diferença na
nomenclatura numérica, onde facilmente pode-se notar a base matemática utilizada e assim
norteá-lo na obtenção do resultado correto:

Figura 2: Equação algébrica com identificação de base numérica

O número subscrito à direita dos números representa a base matemática utilizada,


onde até mesmo poderiam estar misturados, mas misturar as bases não é uma prática

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recomendada, pois dificultaria na resolução do cálculo, visto que seriam necessários alguns
ajustes matemáticos para converter os números em uma mesma base matemática.
A leitura dos números também deve receber relevante atenção, na primeira conta, por
exemplo, se dissermos que “UM + UM = DEZ”, estaríamos cometendo um grave erro, pois
não existe “DEZ” no sistema binário, a leitura correta para este resultado é “UM”, “ZERO”,
isso mesmo, cada dígito deve ser lido isoladamente, por isso é chamado de binário, apenas
pode assumir dois valores, porém, um valor em cada momento, pode ser “UM” ou “ZERO”.
Apenas a título de curiosidade, o decimal “DEZ” tem seu equivalente em binário como sendo
“1010”, ou seja, “UM”, “ZERO”, “UM”, “ZERO” e como já vimos, não pode ser lido como
“MIL E DEZ”.
Já na segunda conta, é absolutamente normal efetuarmos a leitura “UM + UM =
DOIS”, pois está no sistema de base decimal de numeração matemática.
A conversão ou equivalência entre as bases decimal e binária serão abordadas em um
capítulo específico dos sistemas de numeração.
De forma resumida temos na tabela 1 a nomenclatura das bases matemática, o
exemplo apresentado representa o decimal 15 nas quatro bases matemática.

Tabela 1: Bases Numéricas

Embora haja um capítulo dedicado aos sistemas de numeração, neste ponto será
utilizada apenas a base binária como princípio para o entendimento introdutório aos
computadores. Para melhor compreensão do conceito binário, iremos fazer uma analogia com
uma lâmpada ligada ou desligada, ou ainda se preferir, uma lâmpada acesa ou apagada.

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Figura 3: Conceito Binário – Desligado/Ligado

Assume-se o valor representativo igual a “0” (zero) equiparando-se à lâmpada


desligada ou apagada, assim como se assume o valor representativo igual a “1” (um)
equiparando-se à lâmpada ligada ou acesa. A essa forma de representação da lâmpada
desligada ou ligada, considera-se uma representação binária, ou seja, pode apenas assumir
dois valores possíveis, “0” ou “1”, que neste exemplo e, aliás, por convenção, consideramos
lâmpada desligada com valor igual a 0 (zero), e lâmpada ligada com valor igual a 1 (um), no
entanto, nunca será possível assumir os dois valores ao mesmo tempo, ou seja, uma lâmpada
nunca poderá estar apagada e ao mesmo tempo acesa.
A este conceito dá-se o nome de lógica TTL (Transistor-transistor logic / Lógica
transistor-transistor), o qual se referencia a circuitos digitais construídos a partir de
transistores bipolares com junção (BJT) e resistores (transistores e resistores são componentes
eletrônicos que serão abordados em capítulo específico). A característica principal dos
circuitos TTL é que estes circuitos trabalham com tensões de 5 Volts. Os circuitos integrados
com a lógica TTL oferecem uma grande variedade de componentes eletrônicos, como por
exemplo, portas lógicas, flip-flop’s, inversores, contadores, drivers, decodificadores,
memórias, somadores, comparadores, multiplicadores, registradores, entre outros circuitos
(alguns destes circuitos serão abordados em capítulo específico).
A designação TTL geralmente é empregada para denominar níveis lógicos TTL, ou
seja, nível lógico baixo, representado pelo binário 0 e consequentemente 0 Volts e nível
lógico alto, representado pelo binário 1 e consequentemente 5 Volts. A tabela 2 demonstra de
forma clara a representação da lógica TTL.

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LÓGICA TTL
NÍVEL LÓGICO BINÁRIO TENSÃO (Volts)
Baixo 0 0
Alto 1 5

Tabela 2: Lógica TTL

O mesmo princípio é aplicado aos computadores, onde na unidade central de


processamento, nos componentes de controles ou periféricos são realizados inúmeros
chaveamentos internos em centenas de milhares de vezes por segundo, realizando dessa forma
os mais variados cálculos e processos. É como se milhares de lâmpadas fossem ligadas e
desligadas de forma combinada, porém, em uma ordem lógica predefinida. A esses
chaveamentos pode-se entender como a operação de ligar e desligar o interruptor de uma
lâmpada, quando ligado dizemos que está com Lógica Alta, quando desligado dizemos que
está com Lógica Baixa.
O funcionamento dos computadores é dado com base em uma interação entre o
Hardware e o Software. O Hardware refere-se às peças do computador, ou seja, a toda parte
física, enquanto que o Software refere-se às instruções dadas ao computador para que ele
saiba a tarefa que deve realizar, ou seja, são os programas ou aplicativos.
Aos itens de Hardware como monitores, teclados, mouses, impressoras, scanners e
outros dispositivos que por sua vez podem ser conectados ao computador, são chamados de
periféricos. Como o próprio nome diz, os “periféricos” são os dispositivos de hardware que
estão ao redor do computador ou que estão próximos, mas ligados a ele, mesmo que esta
ligação seja feita por uma conexão sem fio.
A título de curiosidade, o primeiro computador eletrônico para uso geral foi lançado
em 1946, o ENIAC (Eletronic Numerical Integrator and Computer). Criado pelas forças
armadas dos Estados Unidos da América, para calcular a localização de bombas, o ENIAC era
enorme fisicamente, pesava mais de 27.000 Kg e ocupava uma enorme sala. Para efetuar o
processamento dos dados, o ENIAC utilizava cerca de 18.000 válvulas, cada válvula do
tamanho de uma pequena lâmpada. Estas válvulas queimavam com grande facilidade e devido
a este motivo era necessário manter técnicos o tempo todo observando e analisando para que
pudessem ser substituídas frequentemente.
Em tempos atuais, os computadores variam de tamanho e capacidade, inclusive são
fatores que ajudam a definir a aplicação à qual são destinados. Além é claro dos

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computadores de mesa, os chamados Desktops e Notebooks (também chamados de laptop)
que tiveram com o passar dos anos, o tamanho reduzido e o poder de processamento elevado,
há também os computadores embarcados, ou seja, minúsculos computadores embutidos em
carros, TV, aparelhos de som, calculadoras e até os eletrodomésticos de uma cozinha. Os
computadores embarcados também são chamados de sistemas embarcados, e são criados para
executar um número limitado de tarefas, porém, muito bem definido e específico (os sistemas
embarcados serão tratados detalhadamente em capítulo específico).
O computador de mesa ou Desktop é um conjunto contido pelo computador, também
conhecido como PC (Personal Computer – Computador Pessoal) e a ele conectados seus
periféricos, como o monitor, teclado, mouse, caixas de som, impressora ou qualquer outro
dispositivo periférico. Muitas pessoas chamam o computador de CPU, o que é um erro pois
apesar de culturalmente subentender-se que trata-se do computador, a sigla CPU significa
Central Process Unit ou Unidade Central de Processamento, a CPU nada mais é do que o
cérebro do computador, é um pequeno microchip acoplado à placa principal do computador,
placa esta que também é chamada de Mother Board ou Placa Mãe (em alguns casos também
chamada de System Board – Placa de Sistema), a CPU é responsável por receber todas as
instruções, realizar todos os cálculos matemáticos e disparar as tarefas para todos os
periféricos. Na figura 4 temos uma representação básica de um computador de mesa ou
desktop, onde é possível notar a presença de seus periféricos (monitor, teclado, mouse e
caixas de som).

Figura 4: Desktop e periféricos [Imagem: Microsoft®]

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Os Laptops ou Notebooks são computadores pessoais móveis, mais leves e com o
monitor acoplado em uma fina tela de cristal líquido (há também outras tecnologias de
monitores, como por exemplo, OLED, Plasma). Os Laptops permitem o uso de baterias, por
isso, são ditos computadores móveis, pois o usuário pode levá-lo a qualquer lugar. Ao
contrário dos Desktops, os Laptops possuem todos os periféricos básicos acoplados ao mesmo
gabinete. Na figura 5 temos uma representação do Laptop.

Figura 5: Laptop [Imagem: Microsoft®]

Os Smartphones são telefones celulares e também contam com diversos recursos dos
computadores. É possível utilizá-lo com os mais diversos aplicativos, acessar a Internet,
enviar e receber e-mails, jogos, tirar fotos e claro, efetuar e receber ligações telefônicas.
Assim como os Smartphones que estão cada vez mais modernos e poderosos, há também os
computadores de mão, os chamados PDA (Personal Digital Assistant – Assistente Pessoal
Digital), que praticamente tem a mesma função dos Smartphones, com a diferença de que
alguns modelos não possuem recursos para ligações telefônicas. Geralmente os PDAs vem
equipado com telas sensíveis ao toque (similar aos Smartphones), porém, com o adicional de
um dispositivo apontador em forma de uma caneta, a qual é utilizada com o mesmo propósito
do mouse. A figura 6 demonstra um Smartphone e um PDA básico.

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Figura 6: Smartphone e PDA [Imagem: Microsoft®]

Combinando os recursos dos Laptops com os computadores de mão foi


desenvolvido um novo dispositivo móvel chamado Tablet, onde da mesma forma que os
Laptops, eles possuem um poder de processamento relativamente alto e a tela embutida.
Embora não tenha teclado físico, o mesmo pode ser acessado por meio de um teclado virtual
onde o usuário pode tocar diretamente na tela. Assim como os computadores, os Tablets
possuem inúmeros aplicativos e recursos para as mais variadas situações, alguns modelos
possuem canetas eletrônicas em vez das canetas apontadoras, onde é possível converter um
manuscrito em texto digitado, fazer desenhos ou anotações. A figura 7 representa um Tablet
típico com uma caneta eletrônica.

Figura 7: Tablet [Imagem: Microsoft®]

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1.5 “Viagens da Física – do Laboratório ao Mercado”

Este é um tema já discutido sobre a introdução à engenharia no item 1.3 deste


capítulo, no entanto reforça o conceito de valorizarmos todas as ideias, principalmente as que
já estão até mesmo em fase de testes ou pesquisas avançadas de laboratório, mesmo que não
se tenha de imediato a sensação de retorno ou que ainda não se saiba onde poderá ser aplicado
no mercado. O tema “Viagens da física – do laboratório ao mercado”, assim como seu
conteúdo, foi extraído na íntegra do site “Inovação Tecnológica” e trata de uma matéria sobre
descobertas de laboratórios e seus benefícios práticos à humanidade. Essa matéria foi incluída
neste livro por possuir um conteúdo que ajuda a eliminar as dúvidas conquistadas no item 1.3
deste capítulo, onde é explicada a necessidade de valorização das ideias.
“Com informações do IFSC/USP – 05/06/2015:

Muitas vezes é difícil saber como uma descoberta feita nos laboratórios poderá se
traduzir em benefícios práticos.
O problema é consistente, já que poucos sabem quais os fenômenos, materiais ou
propriedades de materiais são os responsáveis pela tecnologia que já é prática, mas cujo
funcionamento não se compreende.
Veja abaixo alguns exemplos de processos e produtos que resultaram diretamente de
pesquisas de laboratórios – mais especificamente de física.
Parte de uma infinidade de inventos que ajudou a moldar aquilo que chamamos de
“Era da Tecnologia”, esses exemplos ajudam a alinhavar a conexão entre a pesquisa científica
e a utilidade tecnológica, talvez desmistificando um pouco a descrição muitas vezes árida das
descobertas relatadas nos artigos científicos.

Magnetorresistência Gigante
Talvez você nunca tenha ouvido falar de magnetorresistência gigante (MRG), mas
certamente já ouviu falar de computadores melhores.
Esse fenômeno, resultado de trabalhos independentes dos físicos Albert Fert (França)
e Peter Gruenberg (Alemanha), aprimorou significativamente o hardware dos computadores
que utilizamos.

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A magnetorresistência gigante ocorre em um sistema de camadas magnéticas e não
magnéticas, no qual a alteração da direção da magnetização em uma das camadas magnéticas
altera a resistência elétrica do sistema como um todo.
Graças a isso é que os discos rígidos dos computadores puderam ser miniaturizados,
aumentando a capacidade de armazenamento de dados dos computadores atuais.
A magnetorresistência gigante também deu origem ao campo da spintrônica e suas
conexões com a eletrônica molecular – hoje já se conhecem novas conexões entre a
eletricidade e o magnetismo que ainda não foram exploradas de forma prática. (abrindo um
parêntese para explicar de forma resumida o que é “spintrônica”. Trata-se da eletrônica de
spins, que tem como objetivo controlar o fluxo de corrente em um dispositivo não somente
pela carga de elétrons, mas também pelo spin. A carga elétrica do elétron é afetada pela ação
de campos elétricos, mas o spin é afetado por campos magnéticos. O “spin” é um termo
utilizado na física quântica e trata do momento angular intrínseco de uma partícula que toma
valores característicos para tipos diferentes de partículas. O spin possui valores quantizados
restritos a múltiplos inteiros ou semi-inteiros da constante de Planck dividida por 2 . Spin
significa “girar” em inglês).
“A empresa responsável por isso foi a IBM. Quando os HD’s ultrapassaram a
capacidade de 1 GB, a MRG foi o fenômeno que permitiu a redução desse componente”,
conta o professor Guilherme Sipahi, do Instituto de Física da USP em São Carlos (IFSC). Por
esse trabalho, Fert e Grünberg ganharam o Prêmio Nobel de Física de 2007.

Ressonância Magnética Nuclear


Em 1937, quando o físico norte-americano Isidor Isaac Rabi apresentou um artigo na
Physical Review 51 falando sobre uma nova técnica para medir momentos magnéticos
nucleares, certamente não imaginou que a Ressonância Magnética Nuclear (RMN) faria tanto
sucesso e teria uma aplicação tão ampla. Pois foi o que aconteceu.
Dos primeiros estudos da técnica até sua aplicação no diagnóstico de doenças,
passaram-se cerca de quatro décadas. Atualmente, a aplicação mais conhecida é na área
médica, para a detecção das mais variadas enfermidades, como tumores cancerígenos,
acidente vascular cerebral (AVC), esclerose múltipla, etc.
Porém, a RMN também pode ser utilizada na química, física, biologia, agricultura,
sondagem de petróleo e até mesmo em informação quântica, para o desenvolvimento e
aprimoramento dos computadores quânticos.

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Elétron, semicondutor, transistor
Se hoje você tem um televisor muito mais fino e mais leve do que os primeiros que
foram inventados, agradeça aos estudiosos de física da matéria condensada. Tudo começou
nos laboratórios Bell, pouco depois da Segunda Guerra Mundial, quando seus pesquisadores
buscavam uma solução para substituir as válvulas termiônicas usadas nos sistemas telefônicos
da época.

Figura 8: Transistor. Hoje já existem transistores de silício com um átomo de espessura.


[Imagem: Nature Nanotechnology – 10.1038/nnano.2015.10]

Em 1947 foi então criado o transistor, dispositivo eletrônico que controla a passagem
de corrente elétrica. “O desenvolvimento do transistor dependeu do entendimento de como os
elétrons se comportam dentro de um material semicondutor, e foi o físico teórico John
Bardeen quem entendeu os mecanismos fundamentais que os elétrons precisavam realizar
dentro dessas estruturas para controlar sua passagem”, explica o professor Rodrigo Gonçalves
Pereira, também do IFSC.
Se não fossem os semicondutores, o transistor, e o entendimento de como os elétrons
se comportam neles, a eletrônica jamais teria chegado onde chegou – a eletrônica portátil seria
virtualmente impossível.

LED
Considerada a maior revolução na iluminação desde a invenção da lâmpada elétrica,
o LED azul foi o resultado de estudos realizados pelos japoneses Isamu Akasaki, Hiroshi
Amano e Shuji Nakamura, e já está por todos os lados – o LED original na verdade foi
inventado há mais de 50 anos.
O estudo se baseou no fenômeno pela emissão de luz pela passagem de corrente
elétrica por um material semicondutor, processo bem diferente das lâmpadas tradicionais, que
utilizam filamentos metálicos aquecidos, descargas de gases e outros expedientes para a
produção de luz.
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Figura 8: LED
[Imagem: Sinano/Chinese Academy of Sciences]

“O Nobel de 2014 foi dado aos inventores dos LED’s azuis, apresentados em 1994.
Esses LED’s deram origem a uma nova geração de LED’s com freqüências mais altas[azul a
ultravioleta] e, em particular, ao LED branco, que só é dessa cor porque alia um LED azul a
uma camada de fósforo que emite luz na região do amarelo e faz com que o efeito final seja
uma luz branca”, explica Guilherme Sipahi.
Dentre as vantagens da luz de LED estão maior vida útil, mais iluminação com
menos consumo, além de ser ecologicamente correta, já que não possui mercúrio ou qualquer
elemento danoso à natureza.

Estatística da física
Mas nem tudo são experimentos e “dispositivos”. Há também a física estatística, que,
basicamente, descreve o funcionamento do mundo macro físico tendo como base o que
acontece no micro.
“Não sabemos combinar informações de cada um dos elementos [moléculas e
átomos] que formam um material para entender o todo, portanto tentamos descobrir leis de
comportamentos médios”, explica o professor Leonardo Paulo Maia.
Uma das aplicações da física estatística é na instalação de torres para cobertura de
telefonia móvel. A parte estratégica desse trabalho, desenvolvida na maioria das vezes por
engenheiros, é a distribuição dessas torres de tal maneira que não se necessite de grande
quantidade delas – já que o gasto financeiro seria muito grande – e que a cobertura do sinal
não seja comprometida.

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Figura 9: A física estatística é tão apaixonante que alguns pesquisadores mais entusiasmados falam até em
prever o futuro e as necessidades humanas. [Imagem: Alessandro Vespignani]

“Na engenharia e matemática aplicadas, são formuladas as chamadas técnicas de


otimização estocástica, e os físicos estatísticos poderiam atuar nessa direção, pois
cotidianamente utilizam técnicas análogas, embora com outras finalidades”, explica
Leonardo.

Sensores
Quando se fala em sensores, a primeira coisa que vem à nossa mente são aqueles
aparelhos que ficam nos tetos e paredes das casas e que, com a nossa presença, acendem luzes
ou disparam alarmes. No mundo científico, contudo, a utilidade dos sensores vai muito além
da segurança doméstica ou iluminação automática de ambientes.

Figura 10: Transistores que funcionam como sensores prometem novas formas de realizar exames médicos.
[Imagem: EPFL/Jamani Caillet]

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Capazes de responder a diversos estímulos físico-químicos, os sensores são
utilizados para detectar, entre outras coisas, moléculas de gases.
“A grande quantidade de carros que temos hoje nas grandes cidades tornou
necessário o monitoramento intensivo de gases tóxicos, para que as pessoas tenham
conhecimento da toxidade que pode estar presente no ambiente onde estão inseridas”, explica
o professor Valmor Roberto Mastelaro.
Os primeiros sensores construídos tinham um tamanho muito grande ou usavam uma
tecnologia complexa, o que comprometia sua praticidade e funcionalidade. Após vários anos
de estudos, os sensores estão se tornando cada vez mais compactos e eficientes.
“Atualmente, os pesquisadores já são capazes de produzir micros sensores, feitos
com os mais diversos tipos de materiais. Isso, além de tornar o sensor muito pequeno, menor
do que uma moeda de 1 Real, tornou-o mais eficiente e seletivo. Ou seja, ele é capaz de
detectar vários tipos de gases ou um único gás, separadamente”, conta o pesquisador.

Alivie a dor e fique rico


Se tudo isso está ameaçando lhe dar dor de cabeça, talvez você se lembre da aspirina.
No final do século XIX, “a Bayer começou a comercializar heroína como analgésico,
que foi muito bem recebida, uma vez que uma dose pequena já trazia um grande alívio da dor.
Por isso o nome “heroína”. Porém, os fabricantes perceberam que ela causava grande
dependência nos usuários, o que, além de prejudicial à saúde, não trazia uma boa imagem à
empresa”, explica o professor Rafael Carvalho Guido.
Depois de retirar a heroína do mercado, a própria Bayer começou a se interessar pelo
ácido salicílico. “Mas havia um problema: esse ácido reagia com a estrutura da pele humana,
causando danos celulares. Foi quando Felix Hoffman sintetizou o ácido acetilsalicílico,
popularmente conhecido como AAS ou aspirina, que continha as mesmas propriedades
terapêuticas do anterior, mas sem causar danos ao organismo”, conta Rafael.
Depois de tantos exemplos, talvez seja melhor, da próxima vez que ouvir ou ler sobre
uma descoberta ou novidade um tanto estranha saindo dos laboratórios, tentar imaginar um
uso ou aplicação que aquela novidade poderia ter. Ou você achava que seria impossível virar
um grande empresário lendo novidades científicas?”.

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Inovação tecnológica

A humanidade já passou de fato por diversas inovações tecnológicas e, vive-as em


tão grande comunhão que nem se dão conta da grandiosidade que muitas vezes possuem em
suas mãos. Eis a grande oportunidade de novas inovações tecnológicas – basta olhar a sua
volta, o que pode ser melhorado no meio em que vive? Não é necessário criar algo inédito,
por isso o nome “inovação”, ou seja, introduzir uma novidade em algo que já exista, ou ainda
fazer algo como não era feito antes.
Inovar é construir novas soluções ou significativamente melhores do que as opções
disponíveis no mercado – é encontrar soluções para problemas já conhecidos, não é
necessário “reinventar a roda”, também não significa que precisa criar algo que lhe renda
milhões de dólares. Basta criar maneiras de se fazer algo que há muito tempo é feito de uma
mesma maneira.
A inovação algumas vezes pode surgir em uma ideia num piscar de olhos, mas é
claro que não é uma tarefa fácil e que nem todos conseguem piscar os olhos e ter de cara uma
ideia revolucionária, é necessário trabalhar firme em um caminho de pesquisas, tentativas,
erros, liberdade de tempo e espaço. É claro que muitas vezes nos deparamos com uma forte
barreira chamada “custo financeiro” que nos impede de prosseguir e em consequência disso,
muitos bons projetos são engavetados – no entanto, é necessário criar coragem e iniciativa
para ir à busca de resultados através de alguma parceria ou patrocínio, que nem sempre pode
ser viável, mas é uma alternativa a se considerar.

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1.6 Componentes do Computador

A esta altura o leitor por mais leigo que seja já deve ter adquirido o mínimo de
conhecimentos necessários para saber que um computador não é simplesmente e tão apenas
uma “caixa que acende”, como disse o senhor Bill Gates se referenciando ao projeto do
computador Altair, quando tentava vender sua primeira versão do sistema operacional DOS –
mas este é um assunto para o capítulo VII onde falaremos detalhadamente sobre os Sistemas
Operacionais.
Imagine um chuveiro elétrico, o banho quentinho que tomamos é possível porque o
chuveiro obviamente está ligado à rede elétrica, mas como a água é aquecida? Muitas pessoas
não sabem como a água é aquecida no interior dos chuveiros, alguns até se arriscariam a dizer
que a água é aquecida pela energia elétrica, o que não está errado, no entanto como é que a
energia elétrica é capaz de fazer esse aquecimento?
Um chuveiro elétrico básico possui uma câmara, onde a água penetra e entra em
contato com o elemento de aquecimento, chamado resistência, cujo este elemento de
aquecimento é ligado à rede elétrica. A corrente elétrica somente passará pelo elemento de
aquecimento ou resistência quando o registro for aberto e a água forçar uma pressão em uma
pequena peça chamada diafragma, fazendo com que os contatos elétricos do elemento de
aquecimento sejam ligados à rede elétrica. A figura 11 ilustra um chuveiro por dentro e seus
elementos, assim como o posicionamento do diafragma.

Figura 11: Chuveiro em corte

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Continua...

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BAZZO, W. A; PEREIRA, L. T. V. Introdução à Engenharia: Conceitos, ferramentas e comportamentos. 2.


Ed. Florianópolis: Ed. da UFSC, 2008.

HOLTZAPPLE, M. T; REECE, W. D. Introdução à Engenharia. Rio de Janeiro: LTC, 2006.

FERREIRA, A. B. H. Miniaurélio Século XXI: O minidicionário da língua portuguesa. 4 ed. Rio de Janeiro:
Nova Fronteira, 2000.

Site Microsoft. Introdução ao Computador. Disponível em: http://windows.microsoft.com/pt-


br/windows/introduction-to-computers#1TC=windows-7. [Acesso em: 03/06/2015].

Site Inovação Tecnológica. Viagens da física: do laboratório ao mercado. Disponível em:


http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=descobertas-laboratorio-viraram-novidades-
mercado&id=010110150605&ebol=sim. [Acesso em: 10/06/2015].

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