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PADRÃO PARA GERENCIAMENTO

DA INTEGRIDADE ESTRUTURAL
DOS DUTOS DA PETROBRAS

ÍNDICE:

1 – INTRODUÇÃO

2 – OBJETIVO

3 – DOCUMENTOS COMPLEMENTARES

4 – DEFINIÇÕES

5 – CONSIDERAÇÕES GERAIS

6 – CLASSIFICAÇÃO DOS DUTOS/TRECHOS COM BASE NA


POTENCIALIDADE DAS CONSEQUÊNCIAS
SÓCIO-ECONÔMICO-AMBIENTAIS

7 – CONTROLE DOS MECANISMOS DE DEGRADAÇÃO

8 – PIGS INSTRUMENTADOS

9 – ANÁLISE DE DESCONTINUIDADE E DANOS

10 – REPARO DE CONTINGÊNCIA

11 – TESTE HIDROSTÁTICO
DIRETRIZES PARA INTEGRIDADE DE DUTOS

A PETROBRAS, na busca da excelência em segurança, meio ambiente e saúde, reconhecendo a


importância de garantir de modo permanente a integridade de seus dutos, e em consonância com sua
“Política de Segurança, Meio Ambiente e Saúde”, deseja alcançar padrões de excelência
internacional em controle e garantia de integridade de dutos, pois acredita que o desempenho
satisfatório destes contribui de forma decisiva para a perenidade de seus negócios e satisfação das
partes interessadas. Para atingir este objetivo, estabelece o seguinte conjunto de Diretrizes para as
suas atividades dutoviárias:

§ manter postura de previsão e antecipação nas ações necessárias à operação segura de seus
dutos, realizando e mantendo permanentemente atualizados os diagnósticos da sua condição
de integridade, planejando e executando a sua manutenção, em conformidade com a
legislação, com as normas e padrões técnicos e com as melhores práticas da indústria;
§ assegurar a devida identificação, a sinalização e o cadastramento atualizado de seus dutos e
respectivas faixas de domínio, com vistas a evitar acidentes associados à ação de terceiros;
§ implementar um sistema corporativo de informações sobre os dutos, garantindo a ele o
acesso padronizado das pessoas com atividades associadas à gestão da integridade de
dutos;
§ garantir o permanente atendimento à legislação sobre transporte dutoviário e sua
regulamentação;
§ buscar, de forma contínua, a melhoria da gestão da atividade de transporte por dutos,
baseando os seus controles e ações numa permanente avaliação do risco, operando e
mantendo as instalações de acordo com as melhores práticas da indústria e realizando, onde
necessário, o investimento na tecnologia apropriada;
§ buscar o permanente comprometimento, a capacitação e o treinamento, por meio de
processos de certificação da força de trabalho e a certificação no que tange às atividades de
operação, inspeção, manutenção e de resposta a emergências;
§ desenvolver programas de educação ambiental junto às comunidades vizinhas às instalações
dutoviárias, visando à sua conscientização no sentido da prevenção de danos aos dutos e
sua orientação quando da ocorrência de situações anormais ou acidentes;
§ garantir uma permanente comunicação entre a Companhia e as comunidades vizinhas às
instalações dutoviárias;
§ manter permanentemente atualizados os programas de resposta a emergências,
considerando os diversos cenários possíveis, preparando os recursos materiais e humanos
necessários a uma resposta eficaz e os processos de comunicação que se mostrarem
necessários;
§ garantir adequação dos dutos em relação às necessidades operacionais e de segurança,
certificando-os quanto à sua aplicação.

Estas diretrizes são compromissos permanentes e não-delegáveis dos gerentes e demais


empregados da Companhia, bem como das empresas que lhe fornecem bens e serviços, com as
comunidades vizinhas às instalações dutoviárias, com os clientes dos produtos transportados, com
os acionistas da PETROBRAS e com a sociedade.

Desta forma, a PETROBRAS irá cumprir o seu compromisso de ser uma empresa socialmente
responsável e de excelência nas questões de segurança, meio ambiente e saúde associados às
atividades de transporte por dutos, atendendo aos anseios de seus clientes e acionistas e da
sociedade.

PROGRAMA EMERGENCIAL DE INTEGRIDADE DE DUTOS Documento em Processo de Aprovação


14/09/2001

i
APRESENTAÇÃO

O Gerente da SMS, juntamente com os Gerentes da ENGENHARIA, MATERIAIS,


JURÍDICO, CENPES, E&P, ABASTECIMENTO-REF e RECURSOS HUMANOS da
PETROBRAS e a TRANSPETRO, no uso de suas atribuições, designaram a criação do
Grupo Especial de Trabalho do Programa de Integridade Emergencial dos Dutos da
PETROBRAS e, para isto, indicaram para compor este Grupo os empregados abaixo para,
sob a coordenação do primeiro, elaborar um plano de trabalho, definindo ações e
executando-as, com base em cronograma emergencial, para estudo e avaliação da
integridade dos dutos da PETROBRAS;

Coordenador
Márcio Antônio Leorati TRANSPETRO
Membros
César José Moraes Del Vecchio CENPES
David Almeida Schimidt ENGENHARIA
Glauco Colepicolo Legatti ENGENHARIA
Guilherme Rodrigues Dias JURÍDICO
Jayme de Seta Filho SMS
Jorge Luiz Kauer CENPES
José Pedro de Souza MATERIAIS
Louise Pereira Ribeiro E&P
Murilo Brandão RH
Rui Antônio Alves da Fonseca SMS
Rui Fausto de Moura ABASTECIMENTO

bem como avaliar as condições geotécnicas das suas respectivas faixas, realizando, quando
indicada, a paralisação, reabilitação e/ou substituição dos dutos de transferência e
transporte da Companhia, de modo a restabelecer a sua perfeita condição operacional
devendo, entre outras ações:

· proceder contratações especiais sistêmicas para fornecimento de materiais, contratação


de serviços de tecnologia de inspeção, manutenção, construção e consultoria;

· propor admissão de profissionais especializados em avaliação de integridade e faixas de


dutos;

ii
· estabelecer e aplicar programas de treinamento específicos e complementares para as
atividades de integridade de dutos e faixas de dutos;

· revisar os critérios para operação/paralisação de dutos;

· implementar na Companhia Programa de Integridade de Dutos, com base em análise de


risco;

· certificar, por meio de atestado de comissionamento de 3ª parte, as condições de


integridade dos dutos.

O Grupo do Programa de Integridade Estrutural de Dutos da PETROBRAS elaborou o


Padrão para Gerenciamento da Integridade dos dutos com base nos subgrupos
relacionados a seguir, e que abrange todas as áreas que tratam da integridade dos Dutos
onde foram abrangidos aspectos quanto às ferramentas de controle dos mecanismos de
degradação, aquisição de dados e inspeção, teste hidrostático, análise dos defeitos e reparo
de contingência.

Para eventuais esclarecimentos estão relacionados os subgrupos que efetuaram os vários


capítulos do Padrão:

iii
I - CORROSÃO INTERNA

a) Qualidade/Corrosividade do Produto
b) Análise de Resíduo e da Água
c) Monitoração da Corrosão
d) Inibidores
e) Revestimento Interno

Nome Lotação Chave Tel.


Nair - Coordenação E&P/UN-BC JM55 861-7664
Altoé CENPES/TMEC ZW67 812-6529
Aranha ABAST/REF EG40 814-0916
Baltazar TRANSPETRO/DTCS TPVB 512-1500
Cynthia CENPES/TMEC BW45 812-6529
Décio E&P/UN-RNCE QND6 834-3730
Gutemberg CENPES/TMEC BW27 812-6528
Maria Luíza CENPES/QUÍMICA BQ48 812-6188
Paulo Roberto TRANSPETRO/GETEC DT23 814-2445
Robson TRANSPETRO/DTSUL TF81 856-5453
Soares ABAST/UN-REDUC EDY9 813-2432

iv
II - CORROSÃO EXTERNA
a) Proteção Catódica
b) Revestimento Externo

Nome Lotação Chave Tel.


João Hipólito L. Oliver – Coordenação TRANSPETRO/GETEC DT25 814-2567
Aldo Franzói E&P/UN-BC KMEX 861-3909
Carlos J. B. Jóia CENPES/TMEC BW56 812-6513
Joaquim Pereira Quintela CENPES/TMEC BW20 812-6502
Jorge M. V. Taves ENGENHARIA/EDUT SGSW 816-5870
José Augusto Teles MATERIAIS SMX3 814-2676
Luiz A. Soares de Pontes ABAST/UN-REDUC EDY9 813-2432
Marcelo Piza CENPES/TMEC BW12 812-6511
Walmar CENPES/TMEC BW52 812-6513
Wilson Castinheiras ENGENHARIA/EDUT SG9A 816-5756

v
III - INSPEÇÃO DE FAIXA/MOVIMENTAÇÃO DO SOLO
(Geologia e Geotecnia)

Nome Lotação Chave Tel.


Cláudio – Coordenação CENPES/MÉTODOS CIENTÍFICOS BXG7 812-6262
Álvaro Maia CENPES/MÉTODOS CIENTÍFICOS BX01 812-6272
João Hipólito TRANSPETRO/GETEC DT25 814-2567
Felipe TRANSPETRO/GETEC DTC2 814-4851
Jaqueline TRANSPETRO/GETEC JVRM 814-1825
José Pereira TRANSPETRO/GETEC JOPS 814-1823
Walter TRANSPETRO/DTSE TG54 813-6753
Maldonado ENGENHARIA SGXI 816-5281
Danilo ENGENHARIA SG4T 816-5852
João Bach E&P/UN-BC/GEODES DD09 861-3504
Dennis E&P/UN-BC/GEOMAR IM16 861-3726
Stibich TRANSPETRO/DTCS TP3K 852-9669
Bampa SMS C053 814-2284

vi
IV - AÇÃO POR TERCEIROS

a) Sinalização
b) Barreiras
c) Comunicação
d) Mapeamento dos Dutos
f) Gestão de Interferência

Nome Lotação Chave Tel.


Stibich – Coordenação TRANSPETRO/DTCS/GETEC TP3K 852-9669
Barrilari ENGENHARIA/IEEPT SGZO 816-5102
Elinaldo ENGENHARIA/IEGEN SGZW 816-5867
Daniel Brossi TRANSPETRO JDBR 814-9909
Jayme SMS/COORDENADOR TE83 814-7605
João Batista E&P-SSE/SC-ESUB/GDS GM08 861-3327
Mário Pezzi E&P-CORP/ENGP/ISP C055 814-3981
Peres TRANSPETRO/DTSE/GESEMA TGAL 813-6839
Roberto Vieira ENGENHARIA/IEABAST SGKZ 816-5589
Simão E&P/CORP DE0P 814-6081
Walter TRANSPETRO/DTSE TG54 813-6753

vii
V - PIG E OUTROS ENSAIOS NÃO-DESTRUTIVOS
a) Pig Geométrico
b) Pig Inercial
c) Pig Magnético
d) Pig Bi-direcional
e) Pig Defeito Planar
f) Pig Térmico
g) Pig com Placa Calibradora
h) Pig Umbilical

Nome Lotação Chave Tel.


Jeter - Coordenação E&P/UN-RIO K075 814-4076
Cláudio Camerini CENPES/TMEC BW38 812-7062
Curvelo TRANSPETRO/DTSE TGP4 813-6667
Fernando Borja CENPES BXM6 812-6286
Maurício T. Penido TRANSPETRO/DTCS TP68 852-9630
Paulo F. Scofield Lemos ENGENHARIA SG1E 816-5689
Paulo Roberto TRANSPETRO/GETEC DT23 814-2445
Ribeiro TRANSPETRO/DTCS TPVG 852-9664
Sérgio B. Cunha E&P/CORP W080 814-4632

viii
VI - ANÁLISE DE DESCONTINUIDADES E DANOS
a) Análise de Dutos Corroídos
b) Análise de Dutos com Mossas e Ovalizações
c) Deflexões
d) Defeito Planar

Nome Lotação Chave Tel.


Donato - Coordenador CENPES/PDEP BR46 812-6964
Adilson CENPES/PDEP BX31 812-6263
Dauro CENPES/PDEP BX56 812-6287
Geraldo TRANSPETRO/DTSE TG10 813-6675
Jeter E&P/UN-RIO K075 814-4076
Paulo Roberto TRANSPETRO/GETEC DT23 814-2445
Ribeiro TRANSPETRO/DTCS TPVG 852-9664
Ricardo TRANSPETRO/DTSE TGKS 813-6739
Soares ABAST/UN-REDUC EDY9 813-2432

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VII - REPARO DE CONTINGÊNCIA

Nome Lotação Chave Tel.


Mollica – Coordenação ENGENHARIA SGVQ 816-5699
Byron TRANSPETRO/GETEC EDL7 814-1496
FernandoBorja CENPES/TMEC BXM6 812-6286
Maldonado MATERIAIS/CQDM SMS4 814-2691
Mário TRANSPETRO/DTSE TG2J 813-6608
Mário Pezzi EP-CORP/ENGP C055 814-3981
Meniconi CENPES/TMEC BW01 812-6332
Marcelo Piza CENPES/TMEC BW12 812-6511
Motta CENPES/TS KM7C 812-6501
Pamplona EP-SSE/SC-ESUB/MIS KM7F 861-5299
Santa Cruz TRANSPETRO/DTSE TG44 813-6786
Telles TRANSPETRO/DTCS TP7V 852-9781

x
VIII - TESTE HIDROSTÁTICO

Nome Lotação Chave Tel.


Byron – Coordenação TRANSPETRO/GETEC EDL7 814-1496
Donato CENPES/TMEC BR46 812-6964
Geraldo TRANSPETRO/DTSE TG10 813-6675
José Cláudio CENPES/TMEC BW17 812-6121
Mollica ENGENHARIA SGVQ 816-5699
Ribeiro TRANSPETRO/DTCS TPVG 852-9664
Ronaldo ENGENHARIA SG1H 323-7446
Santa Cruz TRANSPETRO/DTSE TG44 813-6786
Sérgio Ibajé E&P/UN-BC KMZ9 861-4161
Sueli TRANSPETRO/GETEC TG23 814-2453
Vinícius ENGENHARIA SG5M 816-5129

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1 – INTRODUÇÃO

Este padrão foi elaborado com objetivo de condensar, em um único documento, a


experiência da Companhia em todos os aspectos relevantes para a gestão da integridade
estrutural de seus dutos de transporte e de transferência.

1
2 – OBJETIVO

Este padrão determina as condições requeridas para o Gerenciamento da Integridade


Estrutural dos Dutos da PETROBRAS. Estabelece os critérios para classificação dos dutos,
com base nas possíveis conseqüências decorrentes de suas falhas, para priorizar as ações
de monitoramento, controle e intervenção, fixando as ações necessárias para detectar,
monitorar e controlar: corrosão interna, corrosão externa, esforços provocados pelo solo e
ação por terceiros.

O padrão define, também, procedimentos de avaliação e critérios de aceitação para os


diversos tipos de descontinuidade; bem como procedimentos de teste hidrostático e de
reparos de contingência.

Este padrão se aplica a todos os dutos de transporte e de transferência da PETROBRAS,


construídos em aço carbono, com diâmetro igual ou superior a 6 polegadas ou quando
houver exigência legal.

A Atividade/Profissional responsável pela integridade dos Dutos da UN pode, a seu critério,


aplicar este Padrão, em todo ou em parte, a dutos de aço carbono com diâmetro menor que
6 polegadas.

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3 – DOCUMENTOS COMPLEMENTARES

Specification and Requirements for Intelligent Pig Inspection of Pipelines – Pipeline


Operator’s Forum – POF, Pipes & Pipelines International – January-February 1999.

Cordell, Jim e Vanzant, H – “ALL ABOUT PIGGING”, On-Stream Systems, 1998.

PE-3D-0205-0

PE-3D-0405

PI-54.010 (DTCS) – Procedimento para inspeção de dutos com pig instrumentado.

PE-33-0595-0 (UM-RNCE).

PG-11-053-B – Recomendação de critério para inspeção sistemática de oleodutos e


gasodutos do E&P.

CT-CENPES/BIO 053/2001.

Manual de Pigs – PETROBRAS/CENPES.

Os documentos permitidos como referência para a avaliação de descontinuidades e danos


em dutos, além das normas PETROBRAS, são os seguintes:

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4 – DEFINIÇÕES

Ações Emergenciais – Ações que visam impedir quaisquer eventos que possam causar
resultados catastróficos e devem ser deflagradas na mesma jornada de trabalho. Devem ser
comunicadas imediatamente ao gerente operacional.

Ações Preventivas – Ações que visam mitigar a corrosão e evitar a evolução do processo
corrosivo, devendo ser deflagradas em até 10 dias.

Água Livre – Água na fase líquida.

Alças de Deformação - Efeito da restrição à dilatação térmica do duto entre pontos fixos
que favorecem o acúmulo de deformações durante ciclos operacionais. Efeito no duto
proveniente da interação solo – duto causado pela movimentação do solo, podendo ser
proveniente de flexão ou flambagem global.

Cava (“gauge”) - Depressão na superfície de um duto, semelhante a uma escavação com


conseqüente perda de material e redução de espessura de parede, produzida usualmente
por trabalho mecânico.

Cavidades - As cavidades são vazios que podem apresentar formas esféricas, elipsóides e
etc. Estas podem se apresentar próximas ou afastadas e podem se encontrar na raiz da
solda ou na própria solda.

Componentes de um Duto - Qualquer item o qual seja parte integral de um sistema de


dutos tais como flanges, ‘tês’, curvas, reduções e válvulas.

Controle da Corrosão - Medidas com a finalidade de evitar avanço de processos corrosivos


e/ou ocorrência de falhas.

Curto Prazo - Implantar a ação em até 3 meses.

Desalinhamentos e Distorções - Ocorrem principalmente durante a fabricação do


equipamento ou quando de um reparo de solda. Possuem como principal conseqüência um
aumento local de tensões pela introdução de flexões locais.

Dobra (“Kink”) - Mudança severa da curvatura da superfície do duto.

4
Dupla-laminação - Ocorrem no metal de base do tubo, sendo oriundas de problemas
relacionados à fabricação do material.

Duto - Designação genérica de instalação constituída por tubos ligados entre si, destinada
ao transporte de produtos de petróleo líquidos (oleoduto) ou gasosos (gasoduto).

Dutos de Navio - Terminal – Dutos que interligam navio – Píer – Terminal e Navio –
Monobóia – Terminal – Quadro de Bóias.

Dutos de Transporte - Movimentação de petróleo e seus derivados ou gás natural em meio


ou percurso considerado de interesse geral.

Dutos de Transferência - Movimentação de petróleo, derivado ou gás natural em meio ou


percurso considerado de interesse específico e exclusivo do proprietário ou explorador das
facilidades.

Duto Submarino - Parte de um sistema de dutos localizado abaixo da superfície d’água na


maré máxima, exceto para ‘risers’. O duto submarino pode estar totalmente ou
intermitentemente apoiado no, ou enterrado abaixo, do solo marinho.

Falta de Fusão - Fusão incompleta entre a zona fundida e o metal de base, ou entre passes
da zona fundida.

Falta de Penetração - Insuficiência de metal na raiz da solda.

Flambagem local (“buckle”) - Também chamada de flambagem da parede do duto,


corresponde a uma mudança na geometria da seção reta deste devido a tensões
compressivas oriundas de momentos fletores ou forças normais atuantes no duto.

Flexibilidade - Capacidade de uma seção do duto em resistir aos esforços devido às


dilatações térmicas e/ou deslocamento das extremidades.

Fluxo Intermitente - Não contínuo, ou seja, que apresenta interrupções operacionais


rotineiras por quaisquer motivos, exceto manutenção ou inspeção.

Gerenciamento de Dutos - Conjunto de ações a serem adotadas, a partir da coleta de


dados e análise dos mesmos visando à preservação e integridade dos dutos.

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Gradiente Hidráulico (GH) - Representa a pressão requerida em metros de coluna de
líquido (mcl) para vencer as perdas por fricção (perda de carga) e contrapressões impostas
ao fluxo.

Inclusão de Escória - São ocasionadas pela manipulação inadequada do eletrodo e pela


limpeza deficiente entre passes. As inclusões de escória podem estar afastadas, dispersas
ou agrupadas.

Limite de Resistência do Duto(LR) – É a pressão interna de projeto convertida em metro


de coluna de líquido (mcl).

Linha Quente - Duto operando com produto aquecido.

Máxima Pressão de Teste - É a pressão interna, medida no ponto mais baixo do oleoduto
ou trecho, quando este está submetido à pressão de teste, conforme item 3.2 deste
procedimento.

Máxima Pressão Incidental Admissível - Em relação a dutos, esta é a máxima pressão na


qual o sistema pode ser operado em operação incidental (i.e. transiente). A máxima pressão
incidental admissível é definida como a máxima pressão incidental menos a tolerância
positiva do sistema de segurança de pressão.

Médio Prazo - Implantar a ação no período de 3 meses a 1 ano.

Mínima Pressão de Teste - É a pressão interna, medida no ponto mais elevado do oleoduto
ou trecho, quando este está submetido à pressão de teste.

Monitoração de Dutos - Acompanhamento de variáveis relacionadas à corrosão,


englobando dados operacionais (pressão, temperatura, vazão etc.), informações obtidas
através de técnicas específicas (cupons, exame por ultra-som etc) bem como análises
efetuadas nos fluidos transportados e nos resíduos coletados.

Mordeduras, Concavidades e Sobreposição - Depressão formada sob a forma de


entalhe, no metal de base acompanhando a margem da solda.

Mossa (“Dent”) - Depressão na superfície de um duto caracterizada pela alteração na sua


curvatura, sem, contudo apresentar perda de material ou redução de espessura de parede.

6
Pig - Ferramenta introduzida na tubulação com finalidades diversas (limpeza, arraste de
água livre, inspeção, separação da interface de produtos etc).

Ponto de Teste - É o ponto do oleoduto ou trecho, previamente definido, para a injeção de


água destinada à pressurização e monitoração/registro da pressão de teste.

Porosidade - É um vazio arredondado e interno à solda, podendo ser isolada ou um


conjunto de cavidades muito próximas, classificadas em: agrupada, alinhada e uniforme.

Pressão de Projeto (PP) - É a pressão pontual que define a espessura mínima calculada
pela equação de Barlow, considerando as condições operacionais mais extremas. Em
relação a dutos, esta é a máxima pressão interna durante a operação normal, considerada a
uma referência de altura especificada, para a qual o duto ou a seção de duto deve ser
projetado. A pressão de projeto deve levar em consideração condições de fluxo permanente
no range total de vazões, assim como possíveis condições de empacotamentos sobre o
comprimento total do duto ou seção de duto ao qual deve ter uma pressão constante de
projeto.

Pressão de Teste - É a pressão interna que deve ser aplicada no ponto de teste.

Pressão de Teste Hidrostático - É a pressão interna aplicada ao duto ou sistema de dutos


após o término dos trabalhos de instalação, para testar a integridade estrutural do sistema
de dutos quanto a vazamentos. A pressão de teste considera um fator incremental sobre a
pressão incidental.

Pressão Incidental - É a máxima pressão interna na qual o duto ou seção do duto é


projetado para suportar durante qualquer situação de operação incidental (i.e. transiente),
referida à mesma altura equivalente da pressão de projeto.

Pressão Máxima de Operação (PMO) - Maior pressão em cada ponto que o duto é
operado em condições de regime permanente e na condição estática.

Pressão Máxima Admissível de Operação (PMAO) - Maior pressão, em cada ponto, na


qual o duto em condições de regime permanente pode ser operado, em concordância com
as normas e códigos de projeto e construção ou ainda definida por instrumento de inspeção
(ex. pig instrumentado) e em função de sua qualificação por teste hidrostático.

Produto - Qualquer fluido transportado pelos dutos da PETROBRAS.

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Produto Aquecido - Produto cuja temperatura se encontra acima da ambiente.

PRSC – Pressão reduzida na seção corroída.

Potencial de Corrosividade - Medições, indícios, probabilidade ou condições que apontem


para determinada taxa de degradação do material pela ação do fluido.

Sistema de Dutos - Um sistema interconectado de dutos submarinos, seus ‘risers’,


suportes, válvulas de isolamento, todos os componentes de tubulação integrados, sistemas
de segurança associados e sistemas de controle de corrosão. A não ser que de outro modo
especificado, os limites de um sistema de dutos são como abaixo:
- Até e incluindo o lançador/recebedor de pigs em uma instalação. Se não há existência
de equipamentos de pigagem, o sistema de dutos termina na primeira válvula da
instalação.
- Em uma instalação submarina, o sistema de dutos normalmente termina no ponto de
conexão com a árvore de natal ou válvula borboleta. A árvore de natal não é
considerada como parte do sistema de dutos. Em uma instalação submarina, onde esta
definição não pode ser aplicada, o sistema de dutos termina no ponto de conexão à
instalação submarina. A conexão é parte do duto submarino.
- O sistema de dutos termina no primeiro flange/válvula dentro da instalação terrestre
quando o duto submarino possui como limite a linha da costa.

Sistema de Controle de Pressão - Em relação a dutos submarinos este é o sistema para


controle da pressão interna do duto, incluindo o sistema de regulagem de pressão, o
sistema de segurança de pressão e instrumentos associados e sistemas de alarmes, de
acordo com a Figura 1.

Figura 1 - Sistema de Controle de Pressão

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Sistema de Regulagem de Pressão - Em relação a dutos, este é um sistema que assegura
que, independente da pressão à montante, a pressão de set é mantida (em um dado ponto
de referência) para o duto.

Sistema de Segurança de Pressão - O sistema que, independente da pressão de


regulagem do sistema, assegura que a pressão admissível incidental (i.e. transiente) não é
excedida.

Sulco (“Groove”) - Cavidade longa e estreita na superfície de um tubo, caracterizada pela


perda de material e conseqüente diminuição de espessura de parede do tubo, geralmente
produzida por corrosão e/ou erosão.

Temperatura Limite de Operação - Temperatura acima da qual um duto não deve operar
por colocar em risco alguma seção do mesmo.

Variáveis de Processo - Temperatura, pressão, vazão e densidade.

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5 – CONSIDERAÇÕES GERAIS

Todos os dutos devem ser cadastrados no banco de dados corporativo Webdutos, devendo
este cadastro ser mantido atualizado pelas UNs.

Todos os dutos devem ser cadastrados em um Sistema de Gestão de Integridade, vinculado


a informações georeferenciadas, que possibilite o controle e gerenciamento dos seguintes
parâmetros:
a) Programação de Inspeção;
b) Resultados e Recomendações de Manutenção e Inspeção;
c) Resultados obtidos das Técnicas de Monitoração da Corrosão e Potencial de Proteção
Catódica;
d) Cartas Temáticas de Aspectos Geológicos e Geotécnicos e respectivas Ocorrências;
e) Ações de Terceiros na Faixa;

E contenha um prontuário com documentação mínima relacionada a seguir:


§ Dados de Projeto e Perfil do duto
§ Dados de operação atualizados (temperatura, pressão, vazão, ponto de orvalho, regime
de fluxo e regime de escoamento)
§ Histórico de anormalidades operacionais
§ Histórico de limpeza
§ Histórico de injeção de produtos químicos
§ Análise dos fluidos escoados e resíduos

Todos os dutos da PETROBRAS devem ter sua integridade estrutural gerenciada por uma
Atividade ou Profissional formalmente designada(o) para esta tarefa, na UN responsável
pelo duto. Cabe a esta Atividade/ Profissional notificar ao Gerente da Unidade toda vez que
um duto não tiver condições seguras de operação.

Todas as UNs devem designar ou criar um órgão para definir e implementar um programa
permanente de auditorias, a fim de garantir a implantação e atendimento ao Programa de
Integridade Estrutural dos Dutos da PETROBRAS.

Todo duto deverá ter sua integridade avaliada através de passagem de pig de detecção de
perda de espessura com intervalo máximo de 5 anos. Na impossibilidade de execução da
passagem de pig com esta periodicidade, esta inspeção pode ser substituída pelo teste
hidrostático descrito no Capítulo 11, desde que corrosão por pites e defeitos planares
circunferenciais não sejam causas possíveis de falha do duto.

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A Atividade/Profissional responsável pela integridade dos dutos da UN pode,
excepcionalmente, por sua responsabilidade técnica, adotar um procedimento de
gerenciamento de integridade diferente do descrito neste documento. Este procedimento
deve ser devidamente documentado.

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6 – CLASSIFICAÇÃO DOS DUTOS/TRECHOS COM BASE NA POTENCIALIDADE DAS
CONSEQÜÊNCIAS SÓCIO-ECONÔMICO-AMBIENTAIS

Esta seção apresenta o procedimento para classificação dos dutos/trechos de dutos quanto
a sua importância, tomando por base o potencial de conseqüência de sua falha. Diferentes
trechos de um mesmo duto podem apresentar diferentes classificações.

Os dutos deverão ser avaliados subdividindo-os em trechos homogêneos considerando os


tipos distintos de ambiente e as diferentes classes de ocupação populacional, conforme
estabelecidos neste capítulo. Caso haja mais de uma classe de ocupação ou de tipos de
ambientes simultaneamente no entorno de um determinado trecho, para fim de avaliação
será considerado o que for mais crítico em termos de conseqüência.

O Anexo 6.1 detalha as classificações de densidade populacional e tipos de ambientes,


exemplificando o procedimento de classificação de potencial de conseqüência.

As conseqüências sócio-econômico-ambientais de vazamentos de dutos devem ser


classificadas, com base no potencial de danos a seres humanos e/ou prejuízo às suas
atividades, de danos ao meio ambiente e de perda de receita para a companhia. Os dutos
serão classificados em cinco categorias (Potencial de Conseqüência) diferentes, de "A" a
"E", com grau de importância decrescente (Figura 6.1). A classificação aqui proposta é
uma abordagem preliminar, a qual poderá ser complementada por uma análise de
risco mais detalhada. A critério da UN, quando esta dispuser de estudos de riscos
quantitativos dos dutos, será dada preferência aos resultados desses estudos como
elemento de diferenciação do grau de prioridade.

12
CLASSIFICANDO O DUTO PELA CONSEQÜÊNCIA

TIPO DE DENSIDADE TIPO DE


PRODUTO VAZÃO DEMOGRÁFICA AMBIENTE

TABELA (SE LÍQUIDO)


1 OU 2

POTENCIAL DE
CONSEQÜÊNCIA
(A, B, C, D OU E)

Figura 6.1 – Classificação do Duto pela Conseqüência

Para esta classificação os dutos são identificados quanto ao tipo e à vazão de produto
transportado e, quanto ao entorno do duto, identifica-se à vulnerabilidade ambiental e a
ocupação populacional do local ou do trecho em análise.

A classificação deve retratar a situação presente do duto. Portanto, sempre que ocorrer
modificações nos parâmetros que determinaram sua classificação, o duto deverá ser
reclassificado. No caso de dutos que conduzam diferentes fluidos, deverá ser considerado o
fluído de menor ponto de fulgor.

Com base no tipo de duto (oleoduto/poliduto ou gasoduto) escolhe-se a tabela a ser


utilizada (Tabela 6.1 ou Tabela 6.2, respectivamente). Entra-se com o tipo de produto e a
vazão de movimentação na horizontal e com a Classe de Ocupação na vertical (no caso de
usar a TABELA 2) ou com a Classe de Ocupação e o Tipo de Ambiente na vertical (no caso
de usar a TABELA 1). Para efeito da classificação do potencial de conseqüência, os dutos
que transportam GLP deverão ser avaliados pela Tabela 6.2.

Dessa forma, encontra-se a classificação do duto em grau de importância, variando entre A,


B, C, D ou E, sendo respectivamente A o duto / trecho de classe mais importante e E a
menos importante, quanto a vulnerabilidade combinada dos três aspectos (social,
econômico e ambiental), conforme se segue:

13
Tabela 6.1 – Planilha de Oleoduto / Poliduto
CLASSE DE OCUPAÇÃO
CLASSE 4 CLASSE 3 CLASSE 2 CLASSE 1
MEIO AMBIENTE MEIO AMBIENTE MEIO AMBIENTE MEIO AMBIENTE

VAZÃO
PRODUTO
M3/h E4 E3 E2 E1 E4 E3 E2 E1 E4 E3 E2 E1 E4 E3 E2 E1
> 1000 A A A A A A A A A A B C A B C C

500-1000 A A A A A A A A A C C D A C C D
LEVE
200-500 A A A A A A B B A C C E A C D E
PF ≤ 60°°C
30-200 A A A A A B B C B C D E B D E E
< 30 A A A B A B C C B D E E B D E E
> 1000 A A A A A A A B A B C C A B C C

500-1000 A A A A A A A B A B D D A B D D
PESADO
200-500 A A A B A A B C A C D E A C D E
PF > 60°°C
30-200 A A B B A B B C B C E E B C E E
< 30 A B B C A B C C B D E E B D E E

Tabela 6.2 – Planilha de Gasoduto


CLASSE DE OCUPAÇÃO

CLASSE 4 CLASSE 3 CLASSE 2 CLASSE 1


PRODUTO VAZÃO
> 800mil Nm3/dia A A B C
400mil-800mil A B C D
150mil-400mil A B C D
GN

25mil-150mil B C D E
< 25mil B C D E
> 1000m3/h A A B C
500-1000 A A C C
GLP

200-500 A B C D
30-200 A B C D
< 30 m3/h A C D E

OBS:
Classe de Ocupação, vide Anexo 6.1
Densidade Populacional e Comunidades.Meio - Ambiente, vide Anexo 6.1 – Tipos de
Ambientes.

14
Esta classificação permite determinar os diferentes potenciais de conseqüência de um duto
ou de trechos deste duto e, em combinação com os potenciais de falha definidos nos
padrões de integridade de cada modo de falha, permitirá estabelecer o grau de risco para
cada trecho de duto e para cada modo de falha analisado, de forma a subsidiar a priorização
das intervenções a se realizar em uma dada malha de dutos (Figura 6.2).

PRIORIZANDO E EXECUTANDO AÇÕES COM BASE NO RISCO

PADRÃO DE
MONITORAMENTO E
CONTROLE POR POTENCIALIDADE POTENCIAL DE
MODO DE FALHA DE FALHA CONSEQÜÊNCIA

MATRIZ DE
PRIORIZAÇÃO
RISCO

GRAU DE PRIORIDADE
( P1, P2 ou P3 )

ESTABELECER PLANO DE
EXECUÇÃO
INSPEÇÃO / MANUTENÇÃO
Figura 6.2 – Critério para priorização das intervenções

O grau de risco de cada trecho e para cada modo de falha obtido, deverá ser usado na
priorização dos serviços de inspeção, de manutenção, de reparo, na determinação do nível
de automação utilizado na operação do duto e na determinação dos procedimentos e
critérios de controles operacionais.

O grau de risco de cada duto ou trecho de duto será determinado com base no resultado
obtido pela matriz da Figura 6.3. Esta matriz deverá ser aplicada para cada tipo distinto de
modo de falha de um duto, quais sejam: Corrosão Interna, Corrosão Externa, Geotécnica e
Ações por Terceiros. Estes modos de falha são tratados no Capítulo 7 - Controle dos
Modos de Falha deste Padrão.

15
A referida matriz é composta pelo produto do potencial de falha x potencial de
conseqüência. Ela apresenta como resultado 3 níveis distintos de risco (R1 = Alto, R2 =
Médio e R3 = Baixo), os quais deverão ser utilizados pela UN no estabelecimento do seu
Plano de Inspeção e de Manutenção de Faixas e Dutos.

A R1 R1 R1 R2 R2 RISCO
POTENCIAL
1
DE FALHA
POR MODO
B R1 R2 R2 R2 R3
DE FALHA

C R2 R2 R3 R3 R3

A B C D E
GRAU DE RISCO
R1 – ALTO
R2 – MÉDIO
POTENCIAL DE CONSEQÜÊNCIA
R3 - BAIXA

Figura 6.3 – Matriz de Risco

Considerando que o maior risco (em determinado trecho / modo de falha) é o que determina
a condição de integridade do duto, as ações de intervenção e de controle deverão se voltar
aos modos de falha e / ou trechos com maior risco. Apenas com o propósito de se ter uma
visão abrangente e geral do risco dos dutos de uma UN ou da AN, será efetuado o cálculo
do risco ponderado do duto (ponderação baseada na extensão do trecho e o risco médio
dos modos de falha envolvidos em cada trecho). Cabe salientar que para a definição e
priorização das ações de intervenção e de controle sempre deverão ser observados os
riscos calculados individualmente por modo e por trecho.

Objetivando facilitar a organização das informações e calcular os riscos de cada modo de


falha, para cada trecho, bem como os riscos médios por modo e por trecho e o de todo o
duto, foi desenvolvida a planilha EXCEL (formulário e arquivo em anexo a seguir) que
permite os cálculos, considerando os seguintes valores para os potenciais de falha e de
conseqüência literais empregados:
Potenciais de Falha : Potenciais de Conseqüência:
A=3 A=5
B=2 B=4
C=1 C=3
D=2
E=1

16
Formulário Exemplo – Avaliação de Risco do ORBIG

Arquivo: Planilha EXCCEL vazia – AVALIAÇÃO DE RISCO DE DUTOS – PLANILHA.xls

17
ANEXO 6.1

Fatores que Influenciam a Classificação de Conseqüência Potencial de Falha e


Exemplo de Classificação

Densidade Populacional e Comunidades

O potencial de perda de vidas humanas, danos físicos e interrupções às atividades normais


da sociedade causados por uma falha de um duto foi entendida como representada pela
densidade populacional nas proximidades do duto. A norma ASME B31.8 apresenta uma
classificação internacionalmente aceita para a classificação da densidade nas proximidades
de um duto de gás. Para efeito de classificação da densidade populacional, foi adotado o
mesmo critério também para oleodutos, conforme Tabela – A6.1 abaixo:

Tabela – A6.1– Densidade Populacional/Comunidades


Número de Construções / 1,6km Situação Típica

Classe 1 Menos do que 10 construções florestas, desertos, fazendas


Classe 2 Mais do que 10 e menos do que 46 áreas rurais, ranchos
Classe 3 Mais do que 46 construções subúrbios e vilarejos
Classe 4 Áreas densamente povoadas cidades

O número de construções é determinado tomando-se por base uma faixa de 400 m de


largura centrada no duto e contando-se o número de construções destinadas à habitação
humana encontradas em qualquer trecho da faixa. No caso de construções com várias
residências, cada residência deve ser computada individualmente.
Para dutos offshore considerar plataformas com:
até 50 pessoas : classe 1;
51 a 200 pessoas: classe 2;
acima de 200 pessoas: classe 3.

Tipos de Ambientes
Os oleodutos devem ser classificados também quanto ao eventual impacto ao meio
ambiente associado a uma eventual falha do mesmo. A Tabela – A6.2 apresenta diferentes
tipos de ambientes, em termos de grau de sensibilidade, a título de exemplo para a
classificação dos oleodutos como E1, E2, E3 ou E4 para efeito de potenciais danos
ambientais.
18
Tabela – A6.2 – Tipos de Ambientes
Grau de
Classificação Exemplo
Sensibilidade
Vazamentos sem repercussão ambiental. Oceano
E1 Baixa
distante da costa, poças contidas em solo sem uso.
Área rural de uso agrícola (plantio ou dessendentação),
E2 Média Vazamento sem possibilidade de atingir mananciais de
abastecimento urbano.
Baías e região costeira de relevado interesse econômico
E3 Alta
e turístico.
Lençol freático ou manancial de abastecimento urbano,
E4 Crítica
área de proteção ambiental

Exemplo de Classificação de Potencial de Conseqüência

Dados dois dutos (um gasoduto e um poliduto) inseridos em ambientes distintos, conforme
figura abaixo, é realizada a classificação dos mesmos de acordo com o procedimento em
pauta.

Gasoduto:
Vazão: 500 MNm3/dia
Produto: Gás Natural
Classe de Ocupação: 1 e 2

Poliduto:
Vazão: 900 m3/h
Produto: QAv, Gasolina e Diesel

Classe de Ocupação: 1 e 4
Tipos de ambientes: E1, E2 e E4

19
Extração Mineral

Manancial de Abastecimento

Oleoduto Região Urbana


trecho 1 trecho 2 trecho 3 trecho 4 trecho 5

Gasoduto trecho 1 trecho 2 trecho 3

Região Agropastoril

Tabela – A6.3 – Classificação das Conseqüências dos Trechos

CLASSIFICAÇÃO DAS CONSEQUÊNCIAS DOS TRECHOS


TRECHOS 1 2 3 4 5
POLIDUTO VAZÃO 900m3/h - GASOLINA
1. OCUPAÇÃO 1 1 1 4 1
2. AMBIENTE E1 E4 E2 --- E2
CLASSIFICAÇÃO D A C A C
GASODUTO VAZÃO 500 MNm3/dia – GÁS NATURAL
1. OCUPAÇÃO 1 2 1 --- ---
CLASSIFICAÇÃO D C D --- ---

POTENCIAL DE FALHA / RISCO


MODOS DE TRECHOS 1 2 3 4 5 Risco
FALHA EXTENSÃO 10km 40km 15km 20km 45km Médio
CORROSÃO INTERNA B 4 B 10 B 6 B 10 B 6 8
POLIDUTO CORROSÃO EXTERNA A 6 B 10 B 6 B 10 A 9 9
GEOTECNIA B 4 B 10 B 6 A 15 A 9 9
AÇÃO P/ TERCEIROS C 2 C 5 C 3 B 10 B 6 6
MODOS DE TRECHOS 1 2 3
FALHA EXTENSÃO 50km 30km 50km
CORROSÃO INTERNA C 2 C 3 C 2 - - - - 2
GASODUTO CORROSÃO EXTERNA B 4 B 6 B 4 - - - - 4
GEOTECNIA B 4 B 6 A 6 - - - - 5
AÇÃO P/ TERCEIROS C 2 C 3 B 4 - - - - 3
Onde:
Risco alto => Maior/ igual a 10
Risco médio => Maior que 3 e Menor que 10
Risco baixo =. Menor / igual a 3

20
A UN, usando a Classificação de Conseqüências de cada trecho do duto, associada por
meio da Matriz de Risco, aos potenciais de falha de cada modo de falha para cada trecho do
duto, definirá o risco para cada um dos trechos e por modos de falha. Com base nos
diferentes graus de riscos identificados, elaborará do Plano de Inspeção / Manutenção para
um determinado duto, tomando por base as recomendações estabelecidas no Padrão de
monitoramento e controle de cada um dos respectivos modos de falha.

21
7 – CONTROLE DOS MECANISMOS DE DEGRADAÇÃO

7.1 - Corrosão Interna

7.1.1 - Objetivo

Definir diretrizes para gerenciamento da corrosão interna de forma a permitir a avaliação,


monitoração e controle da corrosão interna de dutos de transporte e transferência pelas
Unidades de Negócios.

7.1.2 - Classificação do Potencial de Corrosividade

Para efeito deste documento, classifica-se o potencial de corrosividade dos fluidos de


acordo com os seguintes tipos:
Tipo A – Severo;
Tipo B – Moderado;
Tipo C – Baixo.

O potencial de corrosividade dos fluidos deve ser inicialmente determinado e classificado


por um dos critérios abaixo, que se aplicam a todos os tipos de fluidos.

O potencial será considerado severo se pelo menos um dos critérios iniciais (7.1.2.1, 7.1.2.2
ou 7.1.2.3) assim o indicar. Caso não se obtenha nenhuma evidência de severidade através
dos critérios mencionados, deverá ser feita a avaliação baseada nas recomendações do
item 7.1.2.4.

Os resultados de monitoração devem permanentemente retro-alimentar o sistema de forma


a promover a atualização da classificação do potencial de corrosividade. Caso os fluidos
estejam sendo tratados com inibidor de corrosão e sua eficiência tenha sido
comprovadamente adequada, de acordo com a monitoração preconizada por este
documento, o potencial de corrosividade deverá ser reavaliado

22
7.1.2.1 - Taxa de Corrosão (NACE RP0775 e N - 2364)

A determinação do potencial de corrosividade por cupom ou sonda deve ser confirmada por
três medições sucessivas ou pela concordância das duas técnicas.

Tabela 7.1.1 - Potencial de Corrosividade


POTENCIAL DE TAXA UNIFORME TAXA DE PITES
CORROSIVIDADE (CUPOM) (mm/ano) (CUPOM) (mm/ano)
SEVERO > 0,125 * > 0,201
MODERADO 0,025 a 0,125 0,127 a 0,201
BAIXO < 0,025 < 0,127

*Observações:
1- O tempo de exposição ideal de troca de cupom deve ser determinado em função dos
resultados da sonda de resistência elétrica (caso exista sonda instalada), não podendo
ser superior a seis meses.

2- Havendo uma primeira avaliação, por cupom, de que a corrosão é severa, deve-se
reduzir o tempo de retirada dos próximos cupons para 45 dias.

7.1.2.2 - Relatório de Inspeção – Defeitos Internos Confirmados

O relatório de inspeção classifica o fluido como potencialmente severo e/ou o duto como
potencialmente crítico quando, após a validação dos defeitos por meio de medições de
campo, estes revelarem taxa de corrosão severa, ou seja, maior que 0,125 mm/ano,
calculada com base em um dos seguintes critérios (considerar o maior valor):

§ A maior perda de espessura dividida pelo tempo de operação do duto ou trecho (no caso
de substituição);
§ A maior perda de espessura de um mesmo defeito entre as duas últimas inspeções.

É importante observar que, como as inspeções com ensaios não destrutivos são realizadas
usualmente a intervalos longos, uma corrosão severa, num curto espaço de tempo, pode ser
mascarada. Se a perda de espessura média não for severa, não há garantia de que não
haja corrosão severa.

23
É também importante lembrar que as ferramentas de inspeção muitas vezes localizam
outros defeitos, além de corrosão interna. Neste caso, o profissional que estiver analisando
a integridade do duto deve levar em conta a interação dos defeitos localizados numa mesma
região.

7.1.2.3 – Histórico do Duto

A tabela abaixo classifica o potencial de corrosividade de dutos em função de seu histórico


de falha por corrosão interna:

Tabela 7.1.2 - Potencial de Corrosividade


Se o duto tiver histórico de falha nos últimos 5 anos ou com
Severo mais de cinco anos, porém com as causas de corrosão não
eliminadas.
Se o duto tiver histórico de falha por corrosão entre 5 a 10 anos
Moderado dos seus últimos anos de operação, mesmo que as causas de
corrosão tenham sido eliminadas.
Sem histórico de falha por corrosão ou se esta ocorreu há mais
Baixa
de 10 anos, porém a causa foi eliminada.

7.1.2.4 - Outros Fatores Determinantes do Potencial de Corrosividade

É obrigatório verificar os fatores abaixo, mesmo que os itens 7.1.2.1 a 7.1.2.3 tenham
classificado o potencial de corrosividade do fluido como moderado ou baixo. Deste modo, o
fluido é considerado com potencial de corrosividade severo se apresentar pelo menos uma
das condições abaixo associada a um ou mais itens da tabela abaixo:

§ Oleoduto com BSW > 30%


§ Gasoduto com presença de água livre
§ Regime de fluxo intermitente em presença de água livre
§ Vazão fluxo < vazão de arraste, em presença de água livre (Anexo 7.1.2 -DETRAN CL
61013/84)
§ Regime de escoamento laminar em presença de água livre

24
Tabela 7.1.3 - Potencial de Corrosividade
Potencial
PARÂMETRO Potencial Severo
Moderado

pH < 4.5 > 4.5 e < 6.5


Concentração > 105 NMP/g ou
Atividade e concentração de NMP/cm2, crescimento entre 1 e 6
---
bactérias dias e presença de sulfeto de ferro
no resíduo
PCO2 > 15 psia e pH < 6 ou PCO2> 7 PCO2 > 7 e < 15
Pressão Parcial de CO2 e pH
psia e < 15 psia com pH < 4.5 psia c/ pH < 6.5
“in situ”

Pressão Parcial de H 2S no
PH2S > 0,75 psia ---
gás
Teor de H 2S no óleo > 100 mg de H2S por 1 kg de óleo ---
Teor de Sulfetos Totais na
> 100 mg/l ---
água
Corrosividade de derivados Corrosividade B+
Classificação C, D e E
segundo a NACE TM0172 eB
Teor de Oxigênio Dissolvido > 20 ppb e < que
> 50 ppb
na Água (oleoduto) 50 ppb

Devido à complexidade dos processos corrosivos, possivelmente algumas situações de


corrosão severa e moderada não estão cobertas na tabela acima. Desta forma, o técnico
que gerencia a corrosão interna do duto pode classificar o potencial de corrosividade do
mesmo por algum outro método (similaridade, experiência, modelagem etc). Esta
classificação deve ser documentada no sistema descrito no item 7.1.3.1 abaixo.

25
7.1.3 - Ações Gerais para Todos os Dutos:

7.1.3.1 - Dados de Monitoração da Corrosão a Serem Incorporados ao Prontuário

Deve ser mantido atualizado um cadastro contendo os dados de cada duto, incluindo:

§ Dados de Projeto e Perfil do duto


§ Dados de operação atualizados (temperatura, pressão, vazão, ponto de orvalho, regime
de fluxo e regime de escoamento)
§ Pontos de monitoração com indicação das técnicas utilizadas
§ Histórico de anormalidades operacionais
§ Histórico de manutenção
§ Histórico de inspeção (incluindo pig instrumentado)
§ Histórico de limpeza
§ Histórico de injeção de produtos químicos
§ Análise dos fluidos escoados e resíduos
§ Resultados de taxas de corrosão
§ Resultados de corrosividade do fluido conforme NACE TM0172

Deve-se informatizar os dados acima em um único banco de dados de fácil acesso.

7.1.3.2 - Monitoração da Corrosão

Todos os dutos, conforme definido no item 7.1.1, devem ser, obrigatoriamente, monitorados
por meio de análises de fluido e resíduo, levantamentos de taxa de corrosão e de variáveis
de processo. Na tabela 7.1.4 estão definidos os locais e os métodos aplicáveis.

26
Tabela 7.1.4 - Parâmetros de Monitoração
ITEM LOCAL COMO
no ponto de amostragem a conforme rotina analítica
montante do lançador de estabelecida na TABELA B e
AMOSTRAGEM
pigs, no recebedor de pigs, procedimento de coleta do
DE FLUIDO
e em pontos intermediários CENPES - CT-33/93 (Anexo
(Tabela A Anexo 7.1.5) 7.1.3)
conforme rotina analítica
recebedor de pigs e nos
estabelecida na TABELA C e
COLETA DE provadores de corrosão
procedimento de coleta do
RESÍDUOS (quando da sua
CENPES - CT-33/93 (Anexo
substituição)
7.1.3)
avaliação de perda de massa
Instalar duas tomadas de e taxa de pites, conforme N-
PROVADORES acesso, sendo uma para 2364 (CUPOM)
DE cupom e outra para sonda, coletor de dados automático,
CORROSÃO nos pontos estabelecidos tomadas de acesso e sondas
na Tabela D, Anexo 7.1.5 . conforme Anexo 7.1.1 –
(SONDA)
VARIÁVEIS DE Acompanhamento
saída e chegada do duto
PROCESSO preferencialmente on-line

7.1.3.3 - Requisitos Mínimos para o Combate à Corrosão (Todos Os Dutos).

Os seguintes requisitos de controle devem ser implementados de imediato, independente do


mecanismo de corrosão e do potencial de corrosividade do fluido:

7.1.3.3.1 - Para Qualquer Duto, Exceto Dutos de Navio - Terminal.

1. Tornar todos os dutos pigáveis por pig de arraste/limpeza (a freqüência de passagem


deste pig deverá ser ajustada em função dos dados de monitoração);
2. Todos os dutos devem ter tomadas de ¾” com válvula de bloqueio na geratriz superior
para injeção de produtos químicos, na origem do duto. Em dutos que operam com fluxo
reverso instalar tomadas nas extremidades;

27
3. Nos sistemas onde existir a injeção de produto químico, deve ser utilizada bomba
dosadora automática e exclusiva para cada duto;
4. Nos dutos de transporte e transferência de líquidos com regime de fluxo laminar e
gasodutos com velocidade menor ou igual a 2,1 m/s, deve ser lançado pig de arraste, no
máximo, mensal e semanal respectivamente;
5. Previamente à injeção de produtos químicos, identificar a presença de depósitos na
parede do duto e removê-los;
6. Todo produto químico utilizado deve ser antes testado e aprovado, em laboratório, de
acordo com os critérios e metodologias constantes do Anexo 7.1.3;
7. Reduzir o teor de água no produto, conforme tabela 7.1.5.

Tabela 7.1.5 - Teor Máximo de Água no Produto


Tipo de Duto Teor máximo de água
Oleoduto de transporte 1 % BSW
7 lbm de H2O/MMSCF ou valor menor que
garanta a não condensação da água nas
Gasoduto condições de P e T da origem e destino do
duto
Demais dutos de derivados de
150 ppm dissolvido
petróleo e álcool

7.1.3.3.2 - Dutos de Navio -Terminal

1. Os trechos submarinos dos dutos navio-terminal devem ser submetidos à inspeção para
verificar as condições da parede interna do duto;
2. Os trechos terrestres dos dutos navio-terminal devem ser monitorados com cupons de
corrosão, sondas corrosimétricas e inspecionados quanto à perda de espessura;
3. Adotar todas as alternativas operacionais possíveis com a finalidade de evitar a
permanência de água nos sistemas de transferência;
4. Tratar o petróleo no tanque de carga do navio, com sequestrante de H2S, sempre que o
teor de H 2S esteja acima de 100 mg/kg.

28
7.1.3.3.3 - Ações Específicas Conforme o Produto Transportado

Tabela 7.1.6 - Ações Específicas Conforme o Produto Transportado


Duto Ação Específica
não operar com pressão de operação e concentração de H2S
com valores superiores aos recomendados pela NACE MR-
Gasodutos e dutos
0175, devido a problemas de corrosão sob tensão.
multifásicos
Alternativamente injetar inibidor desde que haja tratamento
mais a jusante dentro da própria UN.
- injetar inibidor com certificação DERD em dutos que operam
com QAV-1.
- determinar a corrosividade de todos os fluidos, com ou sem
Dutos de derivados inibidor, de acordo com a NACE TM0172, garantindo o padrão
claros, exceto GLP, mínimo aceitável A ou B++ para que o fluido possa ser
com ou sem transportado.
transporte de álcool. - manter uma concentração mínima de inibidor a fim de
garantir a permanência do filme no duto em todos os produtos
transportados, inclusive álcool, mesmo os classificados como
não corrosivos, de acordo com a NACE TM0172.

7.1.4 - Requisitos Específicos para Combate à Corrosão de Acordo com: Potencial de


Corrosividade, Tipo de Duto e Agente Agressivo.

Deve-se implementar todas as ações aplicáveis de acordo com os itens 7.1.4.1 a 7.1.4.3
abaixo (em função do potencial de corrosividade) e também as ações de controle descritas
no item 7.1.4.4 (em função do tipo de duto e agente agressivo).

7.1.4.1 - Classificação Severa

Quando o potencial de corrosividade do fluido for severo, de acordo com um dos critérios
do item 7.1.2, as ações descritas na tabela 7.1.7 devem ser deflagradas, imediatamente.
Ressalta-se que estas ações não estão apresentadas em ordem de prioridade, devendo ser
plenamente atendidas, quando aplicáveis.

29
Tabela 7.1.7 - Ações Quando o Potencial de Corrosividade for Severo
AÇÃO OBSERVAÇÃO
Verificar relação PMAO/PRSC assim que houver o
dimensionamento de um defeito e também para a
dimensão máxima estimada em função da taxa de
corrosão do duto e do tempo até a próxima
inspeção/manutenção.
Atuar conforme N-2572, ASME B31.G
Identificar as causas fundamentais do processo
corrosivo.
Em caso de fluxo intermitente, efetuar a passagem de Adequar periodicidade em
pig de arraste de água, concomitantemente, ao final função da redução da taxa de
das operações. corrosão.
Aumentar a vazão de forma a ser superior a vazão de
arraste, exceto para gasodutos, conforme Anexo 7.1.2
DETRAN-CL-61.013/84.
Efetuar passagem diária de pig de arraste para os
dutos (óleo e derivados) que operam em regime Adequar periodicidade em
laminar e gasoduto cuja velocidade é menor que 2,1 função da redução da taxa de
m/s, até que se atinjam taxas de corrosão corrosão.
classificadas como baixas (item 7.1.2.1).
Realizar medição de espessura nos pontos definidos
na Tabela D do Anexo 7.1.5 e conforme item 7.1.3.1.
Passar a inspecionar com pig de detecção de
corrosão com periodicidade máxima de 3 anos. Caso
Adequar periodicidade em
a última inspeção tenha ocorrido a mais de três anos, função da redução da taxa de
programar imediatamente uma inspeção ou teste corrosão.

hidrostático.
O local poderá ser substituído
Incluir pontos de monitoração no local de falha ou
em função da relação
com perda de espessura maior ou igual a 65%.
PMAO/PRSC (N-2572).
Seguir as orientações de curto prazo do item 7.1.4.4.

PMAO – Pressão Máxima Admissível de Operação


PRSC – Pressão Reduzida na Seção Corroída

30
7.1.4.2 - Classificação Moderada

Tabela 7.1.8 - Ações Quando o Potencial de Corrosividade for Moderado


AÇÃO OBSERVAÇÃO
Identificar as causas fundamentais do processo
corrosivo.
Efetuar passagem de pig de arraste para os dutos
(óleo e derivados) que operam em regime laminar
mensal e gasoduto cuja velocidade é menor que 2,1
m/s, quinzenalmente, até que se atinjam taxas de
corrosão classificadas como baixas (item 7.1.2.1).
Realizar medição de espessura nos pontos definidos
na Tabela D do Anexo 7.1.5 e conforme item 7.1.3.1.
Seguir as orientações de médio prazo do item 7.1.4.4.

7.1.4.3 - Classificação Baixa

Tabela 7.1.9 - Ações Quando o Potencial de Corrosividade for Baixo


AÇÃO OBSERVAÇÃO
Identificar as causas fundamentais do processo
corrosivo.
Efetuar passagem trimestral de pig de arraste para os
dutos (óleo e derivados) que operam em regime
laminar e gasoduto cuja velocidade é menor que 2,1
m/s, para manter as taxas de corrosão classificadas
como baixas (item 7.1.2.1).
Realizar medição de espessura nos pontos definidos
na Tabela D do Anexo 7.1.5 e conforme item 7.1.3.1.

7.1.4.4 - Ações de Controle em Função do Tipo de Duto e Agente Agressivo

7.1.4.4.1 - Oleoduto
A Tabela 7.1.10 indica as ações de controle recomendadas. De forma geral as ações de
curto prazo estão em ordem de menor impacto na operação.

31
Tabela 7.1.10 - Ações de Controle para Oleodutos
CAUSA CONTROLE OBSERVAÇÃO
FUNDAMENTAL CURTO PRAZO MÉDIO PRAZO (p/ ações de curto prazo)
o
1. – Evitar a
intermitência do
escoamento Realizar EVTEA
para definir o Esta ação deverá ser feita
o
2. – Injetar método de controle no caso do fluxo ser
inibidor de a ser adotado: mantido laminar, mesmo
corrosão e revestimento, após redução do BSW
1- CO2 e/ou H 2S
adequar sua injeção de inibidor, e/ou bombeio intermitente.
dosagem p/ que redução de BSW, Quando houver
a taxa de injeção de contaminação por
corrosão seja sequestrante de oxigênio, a injeção de
inferior a 0,025 H2S etc inibidor está condicionada
mm/a. ao teor de O 2 dissolvido
na água.
1.o – Impedir sua Algumas fontes de O 2 são
entrada no decorrentes de problemas
sistema Realizar EVTEA de selagem de vasos,
para definir o bombas e compressores.
2- O2
método de controle
o a ser adotado. No caso de água
2. – Injetar
produzida avaliar
sequestrante de
previamente a eficiência
O2
do sequestrante.
1.o – Elevar a
velocidade de
fluxo para
valores A avaliação da eficiência
Realizar EVTEA
superiores a 1 da ação implementada
para definir o
3- BACTÉRIAS m/s deverá estar de acordo
método de controle
2.o – Aumentar a com a CT CENPES/BIO
a ser adotado.
freqüência de 053/2001.
passagem de
pigs.
3o–Injetar biocida

7.1.4.4.2 - Gasoduto

A Tabela 7.1.11 indica as ações de controle recomendadas. De forma geral as ações de


curto prazo estão em ordem de menor impacto na operação.

32
Tabela 7.1.11 - Ações de Controle para Gasodutos

CONTROLE OBSERVAÇÃO
CAUSA
FUNDAMENTAL (p/ ações de curto
CURTO PRAZO MÉDIO PRAZO prazo)

1.o – Injetar inibidor de Realizar EVTEA para


corrosão e adequar sua definir o método de
dosagem p/ que a taxa controle a ser adotado:
1- CO2 e/ou H 2S de corrosão seja inferior injeção de inibidor,
a 0,025 mm/a. remoção de
contaminantes (CO2
e/ou H 2S) etc

1.o - Eliminar as causas


da entrada 2.o - Algumas fontes de O 2
Interromper a operação Realizar EVTEA para são decorrentes de
2- O2 do gasoduto, definir o método de problemas de selagem
condicionando o seu controle a ser adotado. de vasos, bombas e
retorno à eliminação da compressores.
contaminação do O 2.
Realizar EVTEA para
1.o – Aumentar a
definir o método de
3- BACTÉRIAS freqüência de
controle a ser adotado:
passagem de pig.
injetar biocida etc

7.1.4.4.3 - Dutos de Derivados de Petróleo e Álcool

A Tabela 7.1.12 indica as ações de controle recomendadas. De forma geral as ações de


curto prazo estão em ordem de menor impacto na operação.

Tabela 7.1.12 - Ações de Controle para Dutos de Derivados de Petróleo e Álcool

CAUSA CONTROLE OBSERVAÇÃO (p/


FUNDAMENTAL CURTO PRAZO MÉDIO PRAZO ações de curto prazo)
Esta ação deverá ser
feita no caso do fluxo
1.o – Evitar a
ser mantido laminar,
intermitência do EVTEA para estudo mesmo após redução
escoamento. de métodos para do teor de água e/ou
melhorar a remoção bombeio intermitente.
1- O2 de água e/ou
2- Injetar inibidor de selecionar outros
corrosão e adequar inibidores de Todos os inibidores de
corrosão. corrosão devem ser
sua dosagem p/ que a
qualificados
taxa de corrosão seja
previamente.
inferior a 0,025 mm/a.

33
ANEXO 7.1.1

DIRETRIZES PARA UTILIZAÇÃO DE CUPONS E SONDAS CORROSIMÉTRICAS

1- Objetivo

O presente anexo tem como objetivo orientar os técnicos no uso de sondas corrosimétricas
e cupons nas operações de monitoração e controle da corrosão em dutos, definindo
requisitos básicos para a seleção, instalação e utilização das sondas/cupons.

2- Aplicação

Este documento é aplicável à monitoração e controle da corrosão de oleodutos, gasodutos e


polidutos da PETROBRAS.

3- Sondas de Resistência Elétrica

3.1- Princípio de Funcionamento

A determinação de taxas de corrosão através de sondas de resistência elétrica baseia-se na


variação de resistência elétrica da seção de um elemento metálico quando esta seção varia
de dimensões devido à perda de massa pelo ataque do meio onde o sensor está instalado.
Esta variação de resistência é comparada com uma referência interna fixa, possibilitando a
determinação de taxas de corrosão.

3.2- Seleção

A seleção da sonda de resistência elétrica deve ser efetuada levando-se em consideração o


local em que será instalada (passagem ou não de pigs de limpeza) e a taxa de corrosão
esperada para o fluido transportado. Uma vez definido o tipo da sonda (tangencial ou pino),
estima-se a taxa de corrosão do fluido que será monitorado e seleciona-se o sensor que
melhor se adequará em relação a vida útil do elemento e tempo de resposta.

34
No caso de implantação da monitoração em dutos onde não se tenha noção da taxa de
corrosão provável, deve ser selecionada uma sonda com espessura do sensor de 5 mils
(127 µm).

A Figura1 abaixo apresenta os diversos tipos de sondas disponíveis com as respectivas


indicações em função das agressividades dos fluidos.

Figura1 – Relação Sondas de Corrosão / Agressividade

O tipo de sonda, sua respectiva vida útil e tempo de resposta devem ser selecionados para
cada velocidade de corrosão (taxa) com base nas informações fornecidas por cada
fabricante de sonda. Normalmente tal informação é fornecida.

Preferencialmente, recomenda-se o uso de sondas tangenciais, visto que as mesmas


possibilitam a monitoração na geratriz inferior dos dutos sem interferir com as corridas de
pigs. Dutos que necessitem respostas mais rápidas, ou seja, maior sensibilidade
principalmente na monitoração de dutos com aplicação de inibidores de corrosão, outras
sondas corrosimétricas podem ser também selecionadas como, por exemplo, as do tipo
CEION.

35
4- Tomadas de Acesso

Dependendo da pressão de operação e do tipo de fluido as tomadas de acesso são


definidas, sendo classificadas como tomadas de baixa (até 1500 psi) e alta pressão (até
6000 psi).

Selecionar conforme o projeto do duto e as recomendações do fabricante à tomada de


acesso mais apropriada com a classe de pressão do duto, temperatura e tipo de fluido
transportado. Para dutos com transporte de líquido existem dois tipos de configuração: as de
baixa pressão e as de alta pressão. A mais utilizada pela PETROBRAS é a de alta pressão,
em função desta ser de mais fácil manutenção e preservação.

No caso de baixa pressão (até 1500 psi max.), usar conexões flangeadas compatíveis com
a classe de pressão do sistema. O espaço entre a face externa do flange da válvula e a
geratriz inferior do duto deve ser o menor possível e compatível com o comprimento
especificado para a haste da sonda (ver Figura 2).

36
Figura 2 - Exemplo de Tomada de Acesso para Sondas/Cupons de Corrosão

Para tomadas de acesso instaladas na geratriz inferior, o projeto da caixa de acesso deverá
ser feito de forma que a profundidade e largura sejam suficientes para permitir a operação
pelo técnico com a ferramenta retratora considerando o comprimento deste equipamento.
Como existem ferramentas retratoras de comprimento diferentes, a Unidade de Negócio
deverá definir qual o tipo adotado ou assumir um valor mínimo baseado nas ferramentas
usadas.

37
4.1- Oleodutos

Podem ser usadas tomadas de acesso de baixa ou alta pressão, dependendo do projeto do
duto e fluidos transportados.

4.2- Gasodutos

Em gasodutos, independentemente da pressão de operação, as tomadas especificadas são


as de alta pressão, podendo ser de acionamento mecânico ou hidráulico. As operações de
retirada e instalação das sondas/cupons devem ser efetuadas com base no PE-33-0595-0
(UN-RNCE).

5- Critérios de Aquisição de Dados (Medições) e Análise dos Dados

5.1- Valores Medidos de Taxa de Corrosão pelas Sondas de Resistência Elétrica

O valor absoluto registrado de taxa de corrosão com sonda de resistência elétrica não
corresponde ao valor real de desgaste da parede do duto e difere ainda da taxa média
obtida via cupom em um mesmo duto para o mesmo período de tempo.

A taxa de corrosão obtida por sonda corrosimétrica representa uma tendência e o seu valor
absoluto não deve ser utilizado em cálculos mais refinados como, por exemplo, de
integridade de dutos. No entanto, o valor de taxa de corrosão obtido através de sonda é
adequado à classificação de corrosividade quando esta taxa se encontra acima de 0,025
mm/ano. Nos casos em que a leitura da sonda apresentar valores menores que 0,025
mm/ano, o resultado não será confiável, pois podem ocorrer ataques localizados, que geram
falsos resultados (limitação da técnica).

5.2- Aquisição de Dados

Em sistemas com aquisição automática de taxa de corrosão via sonda de resistência elétrica
é recomendável que:

• Sejam feitas medidas a cada 6 horas;

38
• A taxa de corrosão seja calculada usando-se filtros para cálculo médio em um intervalo
de amostragem semanal (média dos dados aquisitados nos últimos sete dias);
• Em sistemas supervisionados, deverá ser disponibilizada, para acompanhamento pelos
técnicos, a taxa de corrosão calculada com base na sua variação mensal, semanal e
diária.

6- Levantamento das Taxas de Corrosão por Cupom

O levantamento das taxas de corrosão é feito por meio de cupons de corrosão.

6.1- Cupom de Corrosão

6.1.1- Local de Instalação

Utilizar os critérios da norma N-2364, item 4.2, procurando instalar os cupons em locais com
regime de escoamento laminar (petróleo).

6.1.2- Preparação do Cupom

6.1.2.1- Material

Para confecção dos cupons deve ser utilizado material de aço carbono, especificação SAE -
1020, cuja composição química (em %) está descrita a seguir:

Fe C Mn P S
balanço 0,18 a 0,30 a 0,04 0,05
0,23 0,60 max. max.

NOTA: Em casos especiais, a critério de exigências normativas, poderão ser empregados


outros materiais não previstos nesta rotina.

39
6.1.2.2- Tipos de Cupons

Utilizar os cupons tipo haste ou circular. Nos trechos de dutos com passagem de "pigs" ou
"esferas", utilizar somente cupom circular tangencial (Figura 3).

6.1.2.3- Fabricação dos Cupons

Os cupons devem ser usinados, tendo o cuidado de não chanfrar as bordas, de modo a não
modificar a área exposta.

6.1.2.4 - Identificação dos Cupons

Identificar os cupons através de puncionamento fora das áreas de interesse.

Exemplo:
Cupom tangencial: puncionar na face de contato com a arruela de isolamento.
Cupom haste: puncionar entre os furos de fixação.

Para a identificação dos cupons deve ser utilizado um código alfanumérico, identificando o
número do ponto de medição, a campanha e o número do cupom.

Exemplo: 11 B 1, onde:

11- Identifica o número do ponto (cronológico específico de cada atividade do Setor).


B - Identifica a campanha (2ª campanha).
1- Identifica o número do cupom por ponto de medição (puncionar apenas nos casos de
mais de um cupom por ponto).

6.1.3- Período de Exposição

Do início da avaliação até a quarta campanha, utilizar período mínimo de exposição de 90


dias. Se as taxas de corrosão encontradas forem muito baixas (< 0,025 mm/ano para
corrosão uniforme e < 0,0124 mm/ano para corrosão por pite), estender por um período de
exposição de 180 dias.

40
NOTA: Em casos especiais, como pesquisa de inibidores, análises de águas etc, pode ser
adotada outra periodicidade.

6.1.4- Manuseio e Limpeza dos Cupons antes da Instalação

6.1.4.1- Determinar as dimensões dos cupons com precisão de 05 (cinco) centésimos de


milímetro (0,05mm).

6.1.4.2- Desengordurar os cupons utilizando um dos seguintes solventes orgânicos não


clorados: C5+, Álcool Etílico ou Acetona.

6.1.4.3- Após serem desengordurados, os cupons só podem ser manuseados através de


lenços de papel ou luvas de algodão, evitando o contato direto com as mãos.

6.1.4.4- Realizar limpeza da superfície do cupom através de jato de esfera de vidro, até
atingir o metal branco.

6.1.4.5 - Após o jateamento dos cupons, deve ser feita a pesagem em balança com precisão
de décimo de mg (0.0001g), tendo-se o cuidado de identificar a balança utilizada.

6.1.4.6- Os cupons, até sua utilização no campo, devem ser envolvidos em papel toalha e
colocados em um invólucro plástico vedado, contendo sílica-gel desidratada. Observar a
mudança de coloração da sílica-gel, que é indicativa da perda de eficiência da preservação.

6.1.5- Instalação do Cupom

6.1.5.1- Registrar massa inicial em décimo de miligrama (0,0001g), área inicial em cm2, data
de instalação (dia, mês e ano) e identificação dos cupons.

6.1.5.2- O cupom deve ficar isolado eletricamente das outras partes metálicas do provador,
sendo comprovada a eficiência do isolamento através de ohmímetro.

41
6.1.5.3- No caso de cupons tipo haste, o suporte de fixação (sextavado) deve ser marcado
externamente quanto à posição do mesmo no interior do equipamento, duto ou tubulação,
de modo a garantir que a face de maior área fique paralela ao fluxo.

6.1.5.4- Para instalação dos cupons deve-se observar as recomendações dos


procedimentos de utilização do recuperador e do fixador de cupons tipo retrátil e alta
pressão.

6.1.5.5- Executar periodicamente a manutenção e limpeza da ferramenta retratora e


recuperadora e seus acessórios de acordo com o procedimento e frequencia recomendada
pelo fornecedor do equipamento.

6.1.6- Manuseio e Limpeza dos Cupons após a Retirada

6.1.6.1- Registrar a data da retirada (dia, mês e ano), aspecto dos cupons e variáveis do
processo.

6.1.6.2- Na retirada dos cupons, após o período de exposição, deve-se ter o cuidado de
evitar que ferramentas provoquem danos mecânicos aos mesmos.

6.1.6.3- Verificar o isolamento elétrico do cupom. Caso haja ineficiência, esta deve ser
registrada.

6.1.6.4- Os cupons de corrosão não devem ser reutilizados.

6.1.6.5- Os cupons que estiverem impregnados com óleo devem ser mergulhados,
cuidadosamente, em solvente não clorado (C5+, Álcool Etílico ou Acetona).

6.1.6.6- Caso a inspeção visual dos cupons demonstre quantidade significativa de produtos
de corrosão e resíduos, os mesmos devem ser registrados por fotografias, antes e após a
limpeza, sendo as fotos identificadas com o código do cupom e período de exposição.

42
6.1.6.7- Os cupons, após sua retirada, devem ser acondicionados em saco plástico,
procurando retirar todo o ar de seu interior. O manuseio deve ser feito com papel toalha,
papel higiênico, lenço de papel ou luvas limpas (do tipo cirúrgico). O saco plástico com o
cupom deve ser, então, colocado em um segundo saco plástico com sílica gel de cor azul a
fim de reduzir a umidade.

6.1.6.8- Quando não for possível coletar resíduos do próprio equipamento, os produtos de
corrosão e/ou incrustação formados nos cupons devem ser retirados no laboratório com
espátula de plástico para posterior análise química.

6.1.6.9- Caso haja injeção de inibidores de corrosão fílmicos no sistema, a formação do


filme deve ser avaliada no cupom ainda no campo. Para tal, deve-se mergulhar o cupom em
solução de água destilada saturada com sulfato de cobre. A superfície não passivada será
coberta pelo cobre em solução. A área passivada deve ser avaliada visualmente em
porcentagem.

6.1.6.10- A limpeza dos cupons consiste de desengraxamento e decapagem ácida. O


desengraxamento deve ser efetuado com água e sabão, ou com solventes orgânicos não
clorados, auxiliando-se a limpeza com escova com cerdas de NYLON.

6.1.6.11- Para cupons de aço carbono, a decapagem ácida deve ser feita após o
desengraxamento, utilizando uma solução de CLARK conforme o ASTM-G1, apresentando
as características abaixo:

Ácido Clorhídrico (HCl): 1 litro


Trióxido de Antimônio (Sb2O3): 20g
Cloreto Estanhoso (SnCl2): 50g
Temperatura: 20 a 25º C.
Tempo para limpeza: 1 a 25 min.

43
NOTAS:
1. Para outros materiais utilizar critérios do Anexo A.1 da Norma ASTM-G1.
2. Deve ser colocado um cupom testemunha, previamente decapado e pesado, para medir
a taxa de corrosão provocada pela solução decapante.
3. O cupom testemunha deve ter área semelhante a do cupom analisado, ou deve-se
determinar a perda de massa por unidade de área registrada na pesagem.
4. A perda de massa do cupom testemunha deve ser adicionada à massa final do cupom
decapado (diretamente para cupom com a mesma área ou através da perda de massa
por unidade de área para cupons com áreas diferentes).

Exemplo:
Cupom Testemunha:
Área Exposta = AT
Massa inicial = Mi = 10,0012g
Massa final = Mf = 10,0000g
Perda de massa = AM = 0,0012g

Cupom Qualquer:
Área encontrada Ô= Ac
Massa final do cupom Ô= Mfc

Para áreas semelhantes:


Mfc = Massa encontrada + 0,0012g

Para áreas diferentes:


Mfc = Massa Encontrada + (0,0012 / AT) x Ac

6.1.6.12- Após a decapagem ácida, os cupons devem ser lavados com água corrente e
álcool, sendo posteriormente secos com lenço de papel.

6.1.6.13- A pesagem dos cupons deve ser feita, preferencialmente, na mesma balança
utilizada na pesagem inicial, com precisão de décimo de miligramas (0.0001g).

6.1.6.14- Identificar o número da balança utilizada na pesagem final do cupom.

44
6.1.7- Avaliação do Tipo de Corrosão e Cálculo da Taxa de Corrosão

6.1.7.1- Após a pesagem dos cupons, deve ser realizada uma inspeção visual visando
detectar o tipo da corrosão (se uniforme ou pitiforme).

6.1.7.2- Corrosão uniforme, utilizar a Norma N-2364 ou ASTM G1 para calcular a taxa de
corrosão.

6.1.7.3- Quando detectar corrosão por pite, a determinação do seu número e a medição da
sua profundidade deve ser realizada em laboratório, conforme Norma ASTM - G46.

6.1.7.4- Para corrosão por pite, a taxa de corrosão é obtida segundo a seguinte expressão:

Taxa de corrosão (mm/ano) = (365 x Y) / T, onde:

Y = profundidade máxima dos pites (mm)


T = tempo de exposição (dias)

6.1.7.5- Após a determinação da taxa de corrosão, deve ser utilizado o seguinte critério de
classificação:

INTENSIDADE TAXA DE CORROSÃO (mm/ano)


UNIFORME POR PITE
BAIXA < 0,025 < 0,127
MODERADA 0,025 - 0,126 0,127 - 0,201
SEVERA > 0,126 > 0,202

45
F
Figura 3 – Tipos de Coupons
7- OUTRAS TÉCNICAS

Em casos especiais, devido à dificuldade de acesso aos pontos onde a água está sendo
acumulada, os provadores instalados de cupons e sondas podem não ser suficientes para
detectar o processo corrosivo. Tal situação pode ocorrer em dutos com baixo BSW e com
escoamento laminar. Nestes casos, deverá ser feita uma avaliação técnica para verificar a
necessidade ou adequabilidade de dispositivos laterais (“side-stream”) que permitam a
segregação da água e posteriormente a avaliação da sua corrosividade nas condições reais
de temperatura e pressão do duto.

46
ANEXO 7.1.2 - CIRCULAR DETRAN-CL-61.013/84

INFORMAÇÃO TÉCNICA

Deposição de Água em Oleoduto

Normalmente os produtos transportados têm um teor de água livre ou emulsionada. Durante


os períodos de parada, em operação intermitente ou mesmo durante as transferências em
baixas vazões, esta água tende a decantar acumulando-se ao longo da geratriz inferior da
tubulação.

O tempo necessário para que haja a separação é função da agitação prévia a que o produto
esteve submetido. Para agitação moderada a separação se dá em poucas horas.

Dependendo da velocidade de escoamento os depósitos de água no interior da linha podem


ser permanentes ou não. Altas velocidades de escoamento podem arrastar a água
acumulada. Existe uma velocidade critica acima da qual se dá arraste de água e abaixo da
qual os depósitos de água são permanentes.

Esta velocidade critica para arraste de água não está relacionada com o número de
Reynolds e sim com o diâmetro interno da tubulação. Quanto maior o diâmetro interno,
maior a velocidade critica. O simples fato de que um escoamento se dê no regime turbulento
não significa que os depósitos de água serão arrastados. É necessário que a velocidade
critica seja superada.

Uma visão em termos qualitativos do mecanismo de arraste de um depósito de água em um


oleoduto pelo produto sendo transferido é o seguinte:
• Havendo escoamento em velocidade suficiente formam-se ondulações na interface
produto-água.
• Em velocidades maiores ocorre a formação de gotas a partir das cristas dessas
ondulações, sendo que estas gotas ainda podem retornar à água acumulada devido ao
seu grande tamanho.
• Em velocidades ainda maiores, formam-se gotas de menor tamanho e quando a
velocidade supera a velocidade critica o tamanho das gotas é tão pequeno que elas são
carreadas pelo produto, eliminando-se o leito de água após um certo período de tempo.

47
Os gráficos em anexo mostram as vazões críticas para alguns petróleos e derivados em
função do diâmetro interno da tubulação e levando-se em conta os valores das propriedades
ali citados. Tais gráficos dão apenas uma ordem de grandeza de vazão critica, pois foram
elaborados a partir de um modelo matemático desenvolvido por WICKS e FRASER que
considera:

As gotas de água, uma vez introduzidas no fluxo de produto, comporta-se como partículas
sólidas. A velocidade critica para que haja transporte axial de partículas sólidas (ou gotas de
água) é igual à velocidade limite na qual existe um leito estacionário.

O modelo matemático não nos fornece o tempo necessário para que a água acumulada em
um ponto do oleoduto seja, totalmente, carreada pelo fluxo do produto, entretanto acredita-
se que quanto maior for a relação entre a vazão de transferência e a vazão critica, maior
será a vazão de carreamento de água e, portanto menor este tempo.

48
Figura - Vazão crítica para arraste de água em oleoduto – petróleos

49
Figura - Vazão crítica para arraste de água em oleoduto – derivados

50
ANEXO 7.1.3

COLETA E IDENTIFICAÇÃO DE AMOSTRAS E CUPONS PROVADORES. ANÁLISE DE


INSTALAÇÕES E EQUIPAMENTOS (REVISÃO DA Comunicação Técnica
SEMEC-033/93)

1- Objetivo

Este procedimento visa padronizar o ato de coleta e identificação de amostras para análise
de fluidos, produtos de corrosão e incrustações.

2- Exame Visual e Fotografias

Proceder a um exame visual segundo Procedimento de Inspeção Visual e registrar


observações em documento apropriado.

Examinar a área de trabalho (instalações, equipamentos ou cupons) e os produtos de


corrosão e/ou incrustações observando e registrando cor, textura, extensão, tipo de ataque
corrosivo e outros dados relevantes. O exame visual pode ser auxiliado pelo uso de uma
lupa manual com aumento de 7 (sete) a 10 (dez) vezes. Fotografar a área corroída e/ou
incrustada antes e depois da remoção dos produtos em questão, utilizando uma escala ou
referência dimensional qualquer. E recomendado o uso de fotografias coloridas assim como
um padrão de cores para garantir a qualidade da revelação.

3- Levantamento de Dados de Campo

Os seguintes dados devem ser levantados e registrados:


• Tempo de exposição ao meio;
• Localização de espécime no sistema (incluindo a fase líquida ou vapor);
• Ponto de coleta;
• Ambiente de exposição;
• Materiais envolvidos no equipamento ou instalação;
• Injeção de produtos químicos (tipo, freqüência e dosagem);
• Pressão;

51
• Vazão;
• Temperatura;
• Regime de fluxo.

4- Coleta de Amostras

4.1 - Identificação da Amostra /Testes de Laboratório

A etiqueta de identificação da amostra deve conter, no mínimo, os seguintes dados:


processo (tipo de fluido ou gás envolvido); localização do ponto de coleta; tipo de amostra;
data e coleta; temperatura.

4.2 - Amostras Líquidas

Água do Mar; Água Produzida; Água de Injeção; Água Industrial; Água de Refrigeração;
Água de Condensado e Óleos com alto (> 50%) e com baixo BSW (< 50%).

4.2.1 - Análises Químicas e Físico-Químicas

Tipo de Análise Procedimentos Volume Mínimo


de Amostra
A) Alcalinidade, Sulfatos, Coletar em frascos de vidro ou
Cloretos, Sílica, pH, plástico limpo e manter a amostra 1000 ml
Resistividade ou Condutividade, sob refrigeração, entre 4°C e 10°C.
Sólidos Dissolvidos, Suspensos
e Total (1)
B) Metais em geral (Ferro Total, Idem A e acidificar a amostra com
Cálcio, Bário, Magnésio, ácido nítrico concentrado ou ácido 250ml
Manganês, Potássio, Silício, clorídrico concentrado até pH < 2
Estrôncio, Sódio, etc) e ácidos (2ml de ácido para cada 100ml de
orgânicos. amostra)

C) CO2 dissolvido, O 2 dissolvido, Analisar imediatamente “in situ” Depende da


pH e Cloro Residual e Potencial Metodologia
Redox
D) H 2S dissolvido Para estas análises a amostra deve
ser preservada em uma solução de 1000ml
soda cáustica (NaOH) a pH >9
(1) As amostras de água produzida e água do mar desaerada (meios anaeróbios) devem ser coletadas conforme a fig. 1, deixando verter pelo
menos dois litros (cerca de dois volumes de frasco) do fluxo a fim de reduzir o contato da amostra com a atmosfera. Para as demais amostras,
água do mar, água industrial, água de refrigeração e água de condensado (meios aeróbios) deixar uma interface líquido-ar conforme fig. 2.
(2) As amostras de óleo com alto teor de emulsão devem ser coletadas diretamente em recipiente com capacidade de 5.000 ou 10.000 ml,
dependendo do BSW da amostra, esperando-se o tempo necessário à separação da água por decantação. Neste período manter o recipiente
invertido de forma que o fluido mais pesado (água) fique próximo à tampa. Após a decantação desenroscar a tampa, lentamente, e transferir a
água para os frascos apropriados, preservando-os de acordo com a análise a ser realizada.

52
4.2.2. Análises Microbiológicas

Tipo de Análise Procedimentos Material Necessário


A)Bactérias 1) Antes da coleta, drenar o ponto de amostragem A) Frascos de vidro, do tipo
Aeróbias Totais, por 15 minutos no caso de água em fluxo. Em antibiótico, previamente
Bactérias sistemas óleo-água com baixo BSW, reduzir este lavado com detergente,
Redutoras de tempo para garantir a coleta de água livre. Se a enxaguado com água
Sulfato e amostra estiver em condições estagnadas, a corrente, seco em estufa a
Bactérias drenagem inicial não é necessária. 100ºC, lacrado e esterilizado
Facultativas 2) Lavar, por duas vezes, o frasco de coleta com a em autoclave por 15 minutos
própria água a ser amostrada e coletar dois à 121ºC/1 atm.
UNIDADES: frascos sendo um parcialmente cheio (para B) Recipiente de isopor;
(NMP/ml – nº organismos aeróbios) e um outro totalmente C) Seringas descartáveis;
mais provável/ml) cheio (para organismos anaeróbios), de cerca de D) Mangueira de borracha
(UFC/ml = unid. 50ml de volume cada. cirúrgica estéril (50 cm);
Formadores de 3) Ao coletar amostras para análises E) Lacrador,
colônia/ml) microbiológicas é importante ter cuidados de F) Septos de borracha butílica e
assepsia e evitar manusear materiais, selos de aluminio;
instrumentos e amostras com mãos nuas. É G) Papel alumínio;
necessário o uso de luva do tipo cirúrgica. H) Gelo de campo ou Gel para
4) Conectar uma mangueira de borracha cirúrgica refrigeração
estéril no ponto de amostragem. A 5-10cm de
distância da extremidade da mangueira, inserir a
agulha de uma seringa coletora no interior da
mesma (conforme fig. 3) e coletar do fluxo
aproximadamente 50ml de amostra em frasco
vazio, estéril e selado tipo antibiótico.
5) Caso o ponto de amostragem não permita a
conexão da mangueira cirúrgica (grande
diâmetro), abrir o frasco (retirar o lacre e o septo)
no momento da amostragem, evitando-se tocar
nas bordas do mesmo, para manter a integridade
da amostra. Sela-lo e lacra-lo imediatamente
após a amostragem, tendo o mesmo cuidado
durante o manuseio do septo.
6) Manter o frasco num ambiente fechado na
ausência de luz (por exemplo, envolto em papel
alumínio, no interior de uma caixa ou dentro do
isopor) e refrigerado entre 4°C e 10°C.
7) As análises devem ser realizadas em, no
máximo, 48 horas. Em caso de unidades
“offshore”, a amostra deve ser coletada
momentos antes do desembarque.

NOTA: As amostras de óleo com alto teor de emulsão devem ser coletadas diretamente em proveta com capacidade de 1000
ou 2000 ml, dependendo do BSW da amostra, esperando-se o tempo necessário à separação da água por decantação. Após a
decantação transferir a água por sucção, com auxílio de uma pipeta, mangueira e pró-pipete para os frascos pré-esterilizados.

53
Figura 1 – Coleta de amostra de água Figura 2 – Coleta de amostra de água

Figura 3 – Coleta de amostra de água

4.3 - Amostras Sólidas

Amostras sólidas contemplam apenas resíduos de corrosão ou incrustação e borras.

54
4.3.1 - Análises Químicas

Tipo de Análise Procedimentos Material


Necessário
A) Fluorescência de 1) Os produtos de corrosão devem ser * Saco plástico;
Raios X (Identificação coletados num recipiente de boca larga * Recipiente de
dos Elementos). ou saco plástico com o uso de uma boca larga de
B) Difração de Raio X espátula ou concha não-metálica ou 250 ml;
(Identificação dos com uma ferramenta de aço duro. O * Espátula.
compostos cristalinos) produto de corrosão e/ou incrustação
deve ser imerso, quando possível, no
fluido de processo (que deve ser
coletado antes do resíduo), a fim de
evitar a interface resíduo-ar (no caso
de frascos). No caso de sacos plásticos
retirar todo o ar do seu interior,
adicionar sílica-gel para absorção da
umidade e colocar o resíduo no seu
interior, acondicionado em papel de
filtro.
2) Se o produto de corrosão e/ou
incrustação variar em cor, aparência,
etc, retirar amostras separadas
correlacionando-as com a descrição
obtida do exame visual.
3) A quantidade de produto de corrosão
e/ou incrustação coletada deve ser a
máxima disponível (no mínimo 1 g),
não devendo ultrapassar 100 cm3.
Devem ser removidos de uma área
onde o processo corrosivo seja
representativo.
4) Há produtos de corrosão que podem
ser tóxicos. Evitar, sempre que
possível, respirar vapores
desprendidos e contato com a pele e
olhos com tais produtos.

55
4.3.2 - Análises Microbiológicas

Tipo de Análise Procedimentos Solicitar o


Seguinte Material
A) 1) Coletar a parte mais interna do A) Frascos estéreis
Bactérias Aeróbias Totais resíduo e/ou borra em 2 (dois) co capacidade de
Bactérias Redutoras de frascos de 20ml cada, tipo 20 ml pré-
Sulfato antibiótico, estéril, pré-pesado e pesados e os
Bactérias Facultativas contendo solução salina redutora respectivos
(NMP/g) (Nota 1). Deve-se ter o cuidado de pesos anotados
(UFC/g) não deixar transbordar a solução na etiqueta de
redutora tendo em vista que a identificação da
quantificação depende do peso amostra (4 casas
inicial. A amostra deve ser coletada decimais de
com o auxílio de uma pinça ou miligrama);
espátula estéril não-metálica B) Espátula estéril;
fazendo a raspagem de cerca de 1g C) Material para
de amostra sólida. Deve-se abrir o preparo da
frasco e coletar a amostra evitando- solução redutora.
se manusear as bordas. Re-lacrar o
frasco após a coleta.
2) Estocar os frascos em ausência de
luz, sendo mantidos sob
refrigeração entre 4 e 10ºC.

Nota 1: A solução redutora permite que o resíduo se mantenha estável pois é composta por substâncias que oferecem
condições de pH, salinidade e potencial redox ideais para preservação das características microbiológicas do resíduo. Entram
em sua composição as seguintes substâncias: Tioglicolato de sódio (0,124 g/l); Ácido ascórbico (0,1 g/l); Resazurina (4 ml de
solução 0,025% (p/v); água com salinidade compatível com a do campo (1000 mL) e pH = 7,6.

4.4 - Amostras Sólidas Metálicas

As amostras metálicas contemplam os cupons provadores do tipo corrosão, incrustação ou


microbiológico (biocupons), além de trechos retirados de equipamentos, tubulações etc.

4.4.1 - Cupons e Amostras Metálicas


a) Na retirada dos cupons, após o período de exposição, deve-se ter o cuidado de evitar
que ferramentas provoquem danos mecânicos aos mesmos;
b) Os cupons e amostras metálicas que estiverem impregnados com óleo devem ser
mergulhados cuidadosamente em solvente não clorado para retirar o excesso e propiciar
condições para o exame visual de sua superfície;
c) Os cupons e amostras metálicas, após sua retirada, devem ser acondicionados em saco
plástico, procurando retirar todo o ar de seu interior. O manuseio deve ser feito com
papel toalha, papel higiênico, lenço de papel ou luvas limpas (do tipo cirúrgica). O saco
plástico com o cupom deve ser, então, colocado em um segundo saco plástico com
sílica gel não saturada a fim de reduzir a umidade. Deve ser também avaliado o número
e a profundidade de pites (ASTM G-46);

56
d) Verificar o isolamento elétrico entre o suporte o cupom, e caso ineficiente, registrar no
rótulo. Os cupons de corrosão não devem ser reutilizados.

4.4.2 - Cupons para avaliação de Corrosão Microbiológica (Biocupons)

Os biocupons são devem ser retirados do dispositivo e, imediatamente, colocados em


frascos de antibiótico contendo 20 ml de solução redutora de salinidade equivalente a do
fluido monitorado, relacrando-se o frasco.
A estocagem deve ser feita em ausência de luz, sendo mantidos em temperatura entre 4 e
10°C.

No caso de análises por microscopia eletrônica (MET e MEV), os cupons devem ser imersos
em solução fixadora (glutaraldeído a 2,5%, preparada em tampão de cacodilato 0,1 M) a ser
fornecida pelo CENPES. Os frascos são do tipo antibiótico de 20ml.

4.5 - Testes De Campo

4.5.1 - Amostras Líquidas

a) pH – utilizar medidor de pH portátil ou papel de pH


b) Cloro e Oxigênio e Ferro Total – utilizar kits de campo (MERCK ou CHEMETS)
c) Temperatura (termômetro ou medidor portátil)
d) CO2 dissolvido – Titulação no local;
e) Potencial Redox – deve-se utilizar um eletrodo tipo calomelano saturado ou prata/cloreto
de prata e outro de platina, acoplados a um voltímetro ou equipamento similar.

4.5.2 - Testes de Campo em Amostras Sólidas Tipo Resíduo

a) pH – utilizar papel indicador de pH para determinar a natureza ácida ou alcalina dos


resíduos úmidos na superfície do filme e junto ao substrato, principalmente quando se
observar ataque corrosivo. No caso de resíduos secos usar papel de pH umedecido em
água destilada ou, no caso de amostras em grande quantidade, diluir parte de amostra
em água também destilada e medir o pH com o medidor de pH. Neste último caso deve-
se, antes da diluição, medir o pH da água destilada a fim de verificar se o deslocamento
do pH conferido pelo resíduo é do tipo ácido ou básico;

57
b) Teste Qualitativo para Detecção de Sulfetos e Carbonatos – colocar cerca de 3 gramas
de resíduo em Becker pequeno. Pingar, usando um conta-gotas, ácido clorídrico
concentrado e ao mesmo tempo tapar com papel impregnado de acetato de chumbo.
Utilizar luvas do tipo cirúrgicas. Se o papel ficar enegrecido pelos gases desprendidos
(H2S) indicará a presença de sulfetos no resíduo. Se houver diluição do resíduo com
borbulhamento de hidrogênio, tem-se provavelmente carbonato, caso contrário, podem
estar presentes sulfatos de bário, estrôncio ou óxido de silício (areia);
c) Exame Magnético – tem como objetivo detectar a presença de produtos de corrosão
e/ou incrustação do tipo ferromagnéticos com uso de um pequeno imã. O grau de
magnetismo da amostra pode ser avaliado colocando-se certa quantidade de amostra
triturada num papel limpo com imã por baixo do mesmo. Verifica-se, então, o percentual
da amostra magnetizada.

4.5.3 - Testes de Campo em Cupons

a) Teste do deslocamento do cobre em cupons provadores – tem por objetivo avaliar a


formação de filmes em sistemas onde haja injeção de inibidores de corrosão que atuam
como barreira física. Para tal, deve-se mergulhar o cupom provador em solução de água
destilada saturada com sulfato de cobre. A superfície não passivada será coberta pelo
cobre em solução. A área passivada deve ser avaliada visual e percentualmente.
Registrar a eficiência do inibidor em percentagem.

58
ANEXO 7.1.4

DIRETRIZES PARA UTILIZAÇÃO DE INIBIDOR DE CORROSÃO

1. Objetivo

A presente especificação técnica tem como objetivo orientar os técnicos como proceder na
qualificação, compra e controle da qualidade dos inibidores utilizados no controle da
corrosão interna de dutos em aço carbono de transporte e transferência de gás, petróleo e
derivados na PETROBRAS.

2. Premissas

2.1 – A seleção dos inibidores de corrosão para oleodutos e gasodutos de transporte e


transferência são para meios corrosivos contendo CO2 e/ou H2S.

2.2 – Todo inibidor de corrosão, inclusive os comprados na modalidade de teste, a ser


aditivado nos produtos transportados através dos dutos da PETROBRAS deverá ser
previamente qualificado antes da sua aplicação.

2.3 – Durante o processo de qualificação, o fornecedor deverá fornecer uma amostra de 200
ml do inibidor à PETROBRAS para esta seja avaliada.

2.4 – O fornecedor e sub-fornecedor do inibidor deverão definir e garantir a qualidade do


produto, com base na amostra de inibidor que irá entregar a PETROBRAS.

2.5 – Para dutos que transportam QAV, somente poderão ser injetados inibidores de
corrosão constantes no regulamento técnico e aprovados pela edição mais atualizada do
Defence Standard 91-91(certificação DERD), e suas dosagens deverão respeitar os limites
máximos e mínimos aprovados nesta certificação e contidas na QPL 68-251.

59
2.6 – Dutos que transportem derivados claros e que não transportem QAV, caso venham a
utilizar inibidores de corrosão que não tenham certificação DERD, deverão ser qualificados
não somente quanto a sua propriedade anticorrosiva como também quanto ao seu efeito na
qualidade do produto transportado antes de serem utilizados nos dutos, afim de não
comprometer a qualidade dos produtos certificados da PETROBRAS.

3 – Protocolo de Testes para Qualificação do Inibidor

3.1 – O inibidor para ser utilizado deve atender requisitos técnicos mínimos que atendam o
esquema de seleção apresentado a seguir:
• Compatibilidade com o Meio: processo (ex: emulsão, estabilidade térmica, borra,
espuma) e outros produtos químicos;
• Compatibilidade com materiais: metalurgia do sistema de injeção (tanques, gaxetas,
linhas);
• Eficiência de proteção: controle da corrosividade, partição do inibidor;
• Meio ambiente: toxidade (manuseio e descarte)

Seleção e Avaliação de Inibidores

Compatibilidade Compatibilidade Eficiência de Meio


com o Meio c/os Materiais Proteção Ambiente

- Processo -Metalurgia do -Controle da -Toxidade :


sistema de injeção corrosividade Manuseio
(emulsão, espuma,
estabilidade (tanques, linhas, - Limitações - Toxidade :
térmica, borra, gaxetas, etc..) quanto ao fluxo Descarte
etc..)
- Partição do
- Outros produtos inibidor nas fases
químicos hidrocarboneto e
aquosa

3.2 – A avaliação em relação às características do inibidor ao meio ambiente e


compatibilidade com materiais será feita com base em documentos entregues pelos

60
fornecedores, contendo timbre da companhia e assinado por técnico credenciado por
entidade de classe. Tais documentos estão definidos no item 4.

3.3 – Todo inibidor de corrosão para oleoduto e gasoduto só será aprovado se apresentar
uma eficiência igual ou superior a 90% nos testes de proteção em relação ao meio sem
inibidor ou maior que 90% dependendo da severidade esperada. Para dutos de derivados,
só serão aprovados os inibidores que atingirem classificação A ou B++, conforme o teste
NACE TM0172 utilizando água acidulada em pH 4,5. A aprovação do inibidor estará sempre
condicionada a concentração usada no seu teste.

3.4 – Os resultados de eficiência e/ou compatibilidade de inibidores em laboratório não


garantem performance semelhante em campo. Os resultados são qualitativos, servindo
apenas para ranquear os melhores candidatos para aplicação em campo. O real
desempenho nas condições operacionais de campo deve ser monitorado e avaliado pelos
técnicos das UN’s.

3.5 – O inibidor deve ser sempre líquido nas condições ambientais e ter propriedades
adequadas para seu bombeio nas condições de aplicação.

3.6 – O inibidor de corrosão para oleodutos e gasodutos deve ser testado em relação a sua
compatibilidade em termos de emulsão, solubilidade e formação de borra (gunk). Para
gasodutos, dependendo do processo, o inibidor deve ser testado também quanto à sua
tendência de formação de espuma em TEG e MEA e estabilidade térmica.

3.7 – O sistema de injeção tem que ter uma tancagem mínima para um período mínimo de 1
semana, sendo recomendável dimensionar o sistema para uma capacidade maior possível.

3.8 – Todo o sistema de injeção deverá ser automatizado.

61
4- Prazo e Local de Fornecimento de Amostras e Documentos

Durante o processo de seleção de inibidor para oleodutos, gasodutos e dutos de derivados,


os fornecedores deverão entregar as UNS ou órgãos encarregados pela compra do produto
uma amostra de 200 ml do inibidor nos prazos estabelecidos pelo usuário na licitação ou
qualificação. Junto deverão ser obrigatoriamente entregues os documentos:

• Dados de segurança e manuseio do produto (MSDS - Material Safe Data Sheet)


incluindo a ficha técnica contendo as características do produto;
• Dosagem recomendada para teste de desempenho;
• Lista de materiais metálicos e não-metálicos compatíveis e não compatíveis com o
produto.

5- Controle de Qualidade

Os inibidores utilizados nos dutos da PETROBRAS devem ter sua qualidade verificada no
máximo a cada dois anos através da caracterização do teor de material ativo por
espectroscopia no Infravermelho (I.V), como também o tipo e percentual de solvente.

6 – Exigências Complementares- Dados de Segurança e Manuseio do Inibidor

A ficha de segurança e manuseio do inibidor deverá conter as seguintes informações:

• Nome do Produto;
• Fornecedor: Nome, telefone, fax e endereço;
• Fabricante: Nome, telefone, fax e endereço;
• Nome do responsável pela elaboração do documento;
• Data da emissão do documento;
• Composição genérica dos ingredientes perigosos: Nome da família química, WT/WT%;
• Limite de exposição de cada um dos ingredientes;
• Ficha de Periculosidade contendo.
• Aparência, Odor e descrição com efeitos à sua exposição pelos vários meios de contato
possíveis;
• Primeiras Medidas de Socorro;
• Medidas de Combate a incêndio;

62
• Medidas de Acidente com Derrame;
• Manuseio e Estocagem;
• Propriedades Físico-Químicas do Inibidor.

Propriedade Método
Solubilidade: Óleo -> Água -> Solúvel, Disperso: Faixa, totalmente.
Densidade a 16C (60F): ASTM D-891
Flash Point: ASTM D-3828
Faixa de Ebulição: ASTM D-86
Ponto de Fluidez: ASTM D-97
Ponto de Fulgor: ASTM D-92
Viscosidade à 15C (60F), -1C (30F) ASTM D-445
Estado Físico:
Coeficiente de distribuição água/óleo:

o Estabilidade e Reatividade
o Informações Toxicológicas
o Informações ecológicas
o Informações para descarte do produto
o Informações para transporte

7- Sistema de Injeção

Todo sistema de injeção de inibidor dos gasodutos da PETROBRAS, deverá ter tomadas de
acesso para injeção contendo na sua extremidade final bicos especiais para pulverizar ou
atomizar o produto na massa gasosa. Preferencialmente selecionar a extremidade tipo “quill”
(bico chanfrado). Tais facilidades podem ser obtidas com os fornecedores de cupons e
sondas corrosimétricas.

63
Figura 1 – Tomadas de injeção de inibidor

64
ANEXO 7.1.5

TABELAS

Tabela A1 – Pontos de Amostragem da Fase Líquida


TIPO DE DUTO PONTO DE AMOSTRAGEM CRITÉRIO
OLEODUTO a montante de lançadores de pig, no Acompanhar a chegada do pig no recebedor,
recebedores de pig e em pontos isolar e manter a câmara pressurizada por um
intermediários, quando possível período de 24 a 48 horas.
GASODUTO no recebedor de pig Após a chegada do pig no recebedor
DERIVADOS CLAROS, Origem: no tanque de transferência e a - Água: após a chegada da interface e após a
EXCETO GLP, COM jusante do ponto de injeção de inibidor chegada do pig.
OU SEM Destino: a jusante ou a montante do - Derivado: na origem durante a transferência
TRANSPORTE DE recebedor de pig de cada batelada e no recebimento após 30
ÁLCOOL minutos da chegada de cada batelada
NAVIO-TERMINAL Na linha de chegada do terminal -

Tabela A2 – Pontos de Amostragem da Fase Gás


TIPO DE DUTO PONTO DE AMOSTRAGEM CRITÉRIO
GASODUTO Origem: o mais próximo possível a Após a quebra de pressão, quando existir:
montante do lançador analisar ponto de orvalho, CO2, O2, H2S e
enxofre total.
Destino: a jusante ou a montante do Analisar H2S
recebedor de pig

Tabela A3 – Pontos de Amostragem de Resíduo


TIPO DE DUTO PONTO DE AMOSTRAGEM CRITÉRIO
GASODUTO em provadores de corrosão quando da troca do provador
no recebedor de pig após a chegada do pig no recebedor
vaso depurador ciclone e filtros da após a passagem do pig
chegada dos gasodutos
OLEODUTO E em provadores de corrosão quando da troca do provador
DUTOS DE no recebedor de pig após a chegada do pig no recebedor
DERIVADOS
CLAROS, EXCETO
GLP, COM OU SEM
TRANSPORTE DE
ÁLCOOL.

65
Tabela B1 – Rotina Analítica da Fase Líquida
TIPO DE DUTO ANÁLISE METODOLOGIA FREQÜÊNCIA
CRÍTICOS NÃO CRÍTICOS

Trimestral

Semestral
OLEODUTO . Basic Water and Sediments - N-2381
(1o ponto de BSW (1)
amostragem: . SULFETOS TOTAIS N-1802
- em dutos . CO2 DISSOLVIDO(2) N-1467
submarinos é a . O2 DISSOLVIDO(3) N-1462
montante do . pH N-1215
lançador de pigs . FERRO TOTAL N-1753
- no caso de duto ASTM D 1068
terrestre é na 1a ASTM D 1976
estação de . MANGANES ASTM D 1976
bombas) ASTM 858
. ESTRÔNCIO ASTM 1976
(Natureza da N- 2486
amostra: água) . BÁRIO ASTM 1976
N- 2486
. POTÁSSIO ASTM 1976
N- 2486
. MAGNÉSIO E CÁLCIO ASTM 1976
N-1796
N-1458
. SÓDIO ASTM 1976
N- 2486
. CLORETOS ASTM 4327
N-1454
. SULFATO ASTM 4327
N-1448
. ALCALINIDADE N-1451
. ACIDOS ORGÂNICOS CENPES
PE–3D–0205-0
. DETECÇÃO E CONTAGEM N-2462
DE BRS(*) (fase aquosa e fase N-2463
oleosa) N-2464
. DETECÇÃO E CONTAGEM RT - 14/98
BANHT(**) CENPES/BIO
. RESIDUAL INIBIDOR Procedimento
CORROSÃO fornecido pelo
fabricante

66
TIPO DE DUTO ANÁLISE METODOLOGIA FREQÜÊNCIA
OLEODUTO . FERRO TOTAL N-1753
(Em pontos ASTM D 1068
intermediários e/ou ASTM D 1976
chegada de dutos) . pH N-1215
. SULFATO ASTM 4327
(Natureza da N-1448
amostra: água) . BÁRIO ASTM D 1976
N- 2486
. ESTRÔNCIO ASTM D 1976
N- 2486
. CÁLCIO ASTM D 1976
N-1796
N-1458
. DETECÇÃO E N-2462
CONTAGEM DE N-2463
BRS(*) (fase aquosa ) N-2464
. DETECÇÃO E N-2462
CONTAGEM DE N-2463
BRS(*) (fase oleosa, na N-2464
ausência de água livre)
. DETECÇÃO E RT - 14/98 CENPES/BIO
CONTAGEM BANHT(**)
. RESIDUAL INIBIDOR Procedimento fornecido
CORROSÃO pelo fabricante
NAVIO-TERMINAL . H2S N-2586
(Natureza da . SALINIDADE
amostra: óleo) . BSW N-2381
GASODUTO . SÓLIDOS N-1548
(Natureza da SUSPENSOS
amostra: . FERRO TOTAL N-1753
condensado ASTM D 1068
aquoso) ASTM D 1976
. ALCALINIDADE N-1451
. ACIDOS ORGÂNICOS CENPES
PE–3D–0205-0

Semestral
. CLORETO N-1454
Trimestral

. pH N-1215
. RESIDUAL INIBIDOR Procedimento fornecido
CORROSÃO pelo fabricante
DERIVADOS . CORROSIVIDADE AO Teste NACE TM0172 Na origem : Na origem :
CLAROS, O2, COM e SEM por batelada por
EXCETO GLP, INIBIDOR DE No destino : batelada
COM OU SEM CORROSÃO semanal No destino
TRANSPORTE DE : mensal
ÁLCOOL . PARTÍCULAS ASTM D 2276 Trimestral Semestral
CONTAMINANTES EM
SUSPENSÃO (4)
. TEOR DE ÁGUA ASTM D 4377- (KARL Na origem : Na origem :
DISSOLVIDA FISCHER) por batelada por
No destino : batelada
semanal No destino
: mensal
pH(6) N-1215 Na origem: Na origem:
para cada tipo para cada
de fluido, tipo de
mensalmente fluido,
semestral
* BRS = Bactéria Redutora de Sulfato. ** BANHT = Bactéria Anaeróbica Heterotrófica Total

67
Deverá ser utilizada tomada isocinética para amostragem da emulsão, Complementar com a
informação do gasoduto.

Em oleodutos em que a fase aquosa esteja segregada garantir que a fração de fluido
amostrada na chegada do duto seja a mesma daquela amostrada no início do
bombeamento, em função da vazão.

Em plataformas onde existam sistemas de descarte de água produzida, as análises devem


ser realizadas na água descartada, exceto BSW e Bactérias que deve ser feita na amostra
do oleoduto.

Em dutos de petróleo e derivados terrestres onde não houver água livre na origem, coletar
amostra de fundo do tanque de transferência para realizar as análises, exceto BSW e
Bactérias que deve ser feita na amostra do oleoduto.

Quando ocorrer algum fato diferenciado nos dados de taxa de corrosão dos pontos
intermediário em comparação com o ponto final, realizar também a análise: O2 dissolvido e
CO2 dissolvido.

Tabela B2 – Rotina Analítica da Fase Gás


TIPO DE ANÁLISE METODOLOGIA FREQÜÊNCIA
DUTO Críticos Não Críticos
GASODUTO PONTO DE ORVALHO ASTM D5454 Continua (on-line)
CO2 e O2 ASTM D1945 e ISO 6974 Trimestral Semestral
H2S ISO 6326 Trimestral Anual
COMPOSTOS ASTM D 5504 Trimestral Anual
SULFURADOS

68
Tabela C – Rotina Analítica do Resíduo
TIPO DE DUTO ANÁLISE METODOLOGIA FREQÜÊNCIA
DUTOS DUTOS
CRÍTICOS NÃO
CRÍTICOS
OLEODUTO E ANALISE TÉRMICA (TGA) CENPES PE–3D-0405 trimestral semestral
GASODUTO TEOR DE ORGÂNICOS EXTRAÇÃO POR SOXHLET
CARACTERIZAÇÃO DA DIFRAÇÃO DE RAIOS X
MATÉRIA INORGÂNICA (DRX) E FLUORESCÊNCIA
DE RAIOS X (FRX)
DETECÇÃO E CONTAGEM DE N-2482
BACTÉRIAS SÉSSEIS
DERIVADOSCLAR ANALISE TÉRMICA (TGA) CENPES PE–3D-0405 semestral anual
OS + DIESEL TEOR DE ORGÂNICOS EXTRAÇÃO POR SOXHLET
CARACTERIZAÇÃO DA DIFRAÇÃO DE RAIOS X
MATÉRIA INORGÂNICA (DRX) E FLUORESCÊNCIA
DE RAIOS X (FRX)

69
Tabela D – Localização de Pontos de Monitoração
TIPO DE DUTO PONTO DE MONITORAÇÃO CRITÉRIO
OLEODUTO SUBMARINO a montante de lançadores de linha principal em trecho horizontal na
pig e a jusante de geratriz inferior
recebedores de pig (*)
TERRESTRE a jusante das estações de segundo a ordem de prioridade:
bombas, na geratriz inferior local onde ocorreu falha
pontos de baixa espessura
em caso de oleoduto novo, utilizar o
histórico de um oleoduto similar.
Adotar NACE RP0775 em relação aos
pontos baixos
GASODUTO SUBMARINO Origem : a montante de Origem : linha principal em trecho horizontal
lançadores de pig na geratriz inferior
Destino : a jusante de Destino : na geratriz superior ou inferior (**)
recebedores de pig
TERRESTRE a jusante das estações de segundo a ordem de prioridade:
transferência, na geratriz local onde ocorreu falha
inferior e superior pontos de baixa espessura
após a travessia de rio, lagos etc.
em caso de gasoduto novo, utilizar o
histórico de um gasoduto similar.
Adotar NACE RP0775 em relação aos
pontos baixos
DUTOS DE DERIVADOS a jusante das estações de segundo a ordem de prioridade:
CLAROS E ESCUROS. bombas, na geratriz inferior local onde ocorreu falha
pontos de baixa espessura
após a travessia de rio, lagos etc.
em caso de duto novo, utilizar o histórico de
um duto similar.
Adotar NACE RP0775 em relação aos
pontos baixos
geratriz inferior = posição 6 horas
geratriz superior = posição 12 horas
(*) preferencialmente localizar o ponto pelo menos a uma distância de 20 vezes o diâmetro interno da tubulação
após curvas, válvulas e acessórios em geral
(**) para dutos novos, na presença de água livre, instalar dispositivo submarino de monitoração no trecho do duto
próximo a origem após a equalização da temperatura do gás com a da água do mar.

70
7.2 Corrosão Externa

7.2.1 Objetivo

Avaliar e controlar a corrosão externa dos dutos terrestres e marítimos de forma


emergencial e de forma sistemática.

São estabelecidos critérios para classificação do potencial de ocorrência de corrosão


externa, assim como, diretrizes para a elaboração de um Plano de Inspeção e um Plano de
Reabilitação do sistema de proteção anticorrosiva, ou seja, sistema de proteção catódica
(SPC) e revestimento. Este padrão visa a adoção de medidas pró-ativas que venham a
preservar a integridade estrutural do duto, a segurança operacional e o meio ambiente.

7.2.2 Classificação do Potencial de Ocorrência de Corrosão Externa


A classificação contida neste item refere-se exclusivamente ao aspecto de corrosão externa,
e visa dar orientações para identificar os parâmetros que influenciam a corrosão externa e
para auxiliar na priorização dos dutos a serem inspecionados, conforme suas características
específicas.

Os seguintes parâmetros são considerados com relação à Corrosão Externa, seja na


monitoração e registros de inspeção, como no controle do processo corrosivo propriamente
dito:

• Histórico de Corrosão;
• Sistema de Proteção Catódica - Potencial Eletroquímico e Correntes de Interferência;
• Revestimento - Tipo e Dano por Terceiros;
• Tensionamento no duto por ação do meio.

O parâmetro Histórico de Corrosão, definido no item 7.2.2.1, deverá ser utilizado para efeito
de classificação do risco atual do “modo de falha - corrosão externa”, conforme planilha de
avaliação de risco do capítulo 6. Os demais parâmetros se referem ao controle do processo
corrosivo externo de um duto.

Cada parâmetro terá uma classificação quanto ao potencial de ocorrência de corrosão


externa. Esta classificação é dividida em três níveis, cada nível indicará o tipo de inspeção
requerida ao duto. Os seguintes níveis foram considerados:

71
(A) = Alto, será objeto de Inspeção Especial Emergencial e ação corretiva imediata;

(B) = Moderado, será objeto de Inspeção Especial Periódica e ação corretiva programada;

(C) = Baixo, será objeto de Inspeção de Rotina (N-2098) e ação corretiva de rotina.

As Inspeções Especiais Emergencial e Periódica serão implementadas conforme um Plano


Especial de Inspeção (ver item 7.2.4.1). As ações corretivas serão definidas em função dos
resultados das inspeção, e executadas através de um Plano de Reabilitação da proteção
anticorrosiva (ver item 7.2.4.2).

A classificação dos dutos deve ser reavaliada a cada 5 anos e à medida que as ações
corretivas forem se tornando eficazes.

O potencial de ocorrência de corrosão externa será avaliado considerando os critérios dos


itens 7.2.2.1 a 7.2.2.6, conforme descritos abaixo.

7.2.1.1 Histórico de Corrosão

A classificação do parâmetro Histórico de Corrosão é feita considerando os resultados da


inspeção do pig instrumentado de corrosão e relatórios de inspeção. Ela leva em
consideração a evolução da perda de espessura do duto por corrosão externa e surgimento
de trincas na parede externa do duto. Esta classificação é resumida nas seguintes faixas:

(A) = Alta, perda de espessura maior que 50% ou presença de trincas;

(B) = Média, perda de espessura entre 20% e 50%;

(C) = Baixa, perda de espessura menor que 20%.

NOTAS:
Os dutos terrestres que não possuem informações de histórico de inspeção por pig
instrumentado devem ser considerados como (A).

Os dutos submarinos que não possuem informações de histórico de inspeção por pig
instrumentado e não tenham sido inspecionados por ROV (ver Anexo 7.2.1) nos últimos 5
anos devem ser considerados como (A).

72
Os dutos submarinos com SPC por corrente galvânica, inspecionados integralmente por
ROV e com a efetiva comprovação de que está catodicamente protegido devem ser
considerados como (C).

7.2.2.2 Potencial Eletroquímico de Proteção Catódica

(a) Para os dutos terrestres, o parâmetro Potencial Eletroquímico é classificado em função


do valor medido em relação ao eletrodo de referência (Cu/CuSO4), considerando os critérios
de proteção catódica mencionados no item 7.2.3.1. As seguintes faixas são definidas:

(A) = Insuficiente, mais positivo que –0,85 V (OFF e ON), e polarização inferior a -100 mV
sobre o potencial natural do duto (ver item 7.2.3.1, nota 4);

(B) = Parcial, mais positivo que –1,0 V (ON) e mais negativo que –0,85 V (ON);

(C) = Suficiente, mais negativo que –1,0 V (ON) ou –0,85 V (OFF).

(b) Para os dutos submarinos, o parâmetro Potencial Eletroquímico é classificado em


função da comparação do valor medido (por mergulhador ou ROV) em relação ao eletrodo
de referência (Ag/AgCl), com os critérios de proteção catódica mencionados no item 7.2.3.1.

Esta classificação é definida nas seguintes faixas:

(A) = Insuficiente, mais positivo que –0,80 V, e polarização inferior a -100 mV sobre o
potencial natural do duto (ver item 7.2.3.1, nota 4);

(C) = Suficiente, igual ou mais negativo que –0,80 V.

NOTA: Os dutos que não possuem SPC ou nem registro de medição, devem ser
classificados como (A).

73
7.2.2.3 Correntes de Interferência

A classificação do parâmetro Correntes de Interferência é feita considerando as variações


que estas causam no potencial eletroquímico médio observado em um mesmo registro. Ela
é resumida nas seguintes faixas:

(A) = Alta, variação maior que 100 mV;

(B) = Moderada, variação entre 50 mV e 100 mV;

(C) = Baixa, variação menor que 50 mV.

7.2.2.4 Tipo de Revestimento

A classificação do parâmetro Tipo de Revestimento é feita considerando os revestimentos


térmico e anticorrosivo, assim como, o histórico de falhas. Ela é resumida nas seguintes
faixas:

(A) = Revestimento térmico de espuma de poliuretano expandido com gás contendo o


elemento cloro, sem pintura anticorrosiva da parede do duto e com histórico de falhas; ou
revestimento de fita de polietileno com histórico de descolamento;

(B) = Revestimento térmico de espuma de poliuretano expandido com gás sem o elemento
cloro com pintura da parede do duto e com histórico de falhas;

(C) = Revestimento térmico de espuma de poliuretano expandido com gás sem o elemento
cloro com pintura da parede do duto e sem histórico de falhas, e Revestimento anticorrosivo
(Coaltar, Asfalto, FBE, Polietileno etc).

7.2.2.5 Revestimento – Danos por Terceiros

A classificação deste parâmetro refere-se ao risco de eventual obra de terceiros, realizada


na faixa do duto, danificar o revestimento. Ela é resumida nas seguintes faixas:

74
(A) = Iminência de obras por terceiros com máquinas escavadoras, ou histórico de danos
já causados ao revestimento do duto por máquinas ou embarcações;

(C) = Faixa sem histórico de danos causados ao revestimento do duto, e ausência de


obras por terceiros.

NOTA: Os dutos com histórico de falhas no revestimento, mas com ações corretivas
adotadas, serão classificados como (C).

7.2.2.6 Tensionamento por Ação do Meio

A classificação deste parâmetro refere-se a movimentação do meio (solo) que possa causar
tensionamento ao duto e gerar trincamento por corrosão sob tensão, ela é resumida nas
seguintes faixas:

(A) = Histórico de movimentação do meio com deformação do duto, sem monitoração


geotécnica da faixa e sem ações corretivas realizadas;

(B) = Histórico de movimentação do meio com deformação do duto, com monitoração


geotécnica da faixa e com ações corretivas realizadas; ou histórico de movimentação do
meio sem deformação do duto;

(C) = Faixa sem histórico de movimentação de solo.

NOTA: Os dutos instalados na Serra do Mar devem ser classificados como (A) ou (B).

7.2.3 Requisitos Mandatórios

7.2.3.1 Critérios de Proteção Catódica

O potencial eletroquímico de proteção de um duto, com sistema de proteção catódica,


medido livre da queda ôhmica do eletrólito (potencial OFF), deve ser, em solo, igual ou mais
negativo que –0,850 Volt, com relação à semi-célula de cobre/sulfato de cobre (Cu/CuSO4)
ou, na água do mar, igual ou mais negativo que –0,800 Volt, com relação à semi-célula de
prata cloreto de prata (Ag/AgCl).

75
NOTAS:
1. É recomendado evitar potenciais OFF mais negativos que –1,20 V (Cu/CuSO4) ou –1,10
V (Ag/AgCl).
2. Em meios anaeróbicos com bactérias redutoras de sulfato, deve-se adotar potencial de
proteção igual ou mais negativo que –0,950 V (Cu/CuSO4) ou –0,900 V (Ag/AgCl).
3. Potencial ON corresponde ao valor medido com os retificadores ligados, isto é, com a
queda ôhmica do solo presente. O potencial OFF pode ser obtido medindo
imediatamente após o desligamento simultâneo dos retificadores do SPC;
4. O critério alternativo de polarização igual ou superior a -100 mV, sobre o potencial
natural do duto, pode ser usado em locais onde o critério acima não for possível de ser
obtido, e a resistividade do solo for maior que 30.000 Ω.cm. Este critério só será válido
se aplicado ao longo de todo o trecho sob investigação (medição passo a passo a
intervalos máximo de dois metros).
5. Nos dutos com correntes de interferência, onde o potencial OFF não pode ser obtido, o
critério de proteção deve ser o potencial ON igual ou mais negativo que –0,85 V
(Cu/CuSO4) ou –0,80 V (Ag/AgCl), avaliados com registro de potenciais por 24 horas.

7.2.3.2 Todos os dutos enterrados e submarinos devem possuir um sistema eficaz de


proteção anticorrosiva, composto de um sistema de proteção catódica e revestimento.

7.2.3.3 Nos trechos aéreos, na zona de variação da maré (ZVM) e na transição


solo/atmosfera deve ser utilizado revestimento anticorrosivo.

7.2.3.4 Os dutos devem ter seus potenciais eletroquímicos monitorados periodicamente e


comparados com os critérios de proteção catódica.

7.2.3.5 Dutos sujeitos a correntes de interferências provenientes de sistema de tração


eletrificada devem possuir, além dos retificadores, equipamentos de drenagem elétrica
instalados em locais de retorno de corrente. Os retificadores de proteção catódica e
equipamentos de drenagem devem ser monitorados remotamente com aquisição de dados
diários e alarmes de falhas dos equipamentos.

7.2.3.6 Para cada duto devem estar disponíveis os documentos do projeto básico e de
detalhamento, bem como as informações do histórico da operação, inspeção e manutenção
do duto, relevantes para o gerenciamento da corrosão externa.

7.2.3.7 Os relatórios de inspeções devem ser consultados para identificar dados de


deficiências da proteção anticorrosiva. Entre eles estão:

76
• Histórico de vazamento por perda de espessura da parede externa;
• Resultados da inspeção por pig instrumentado, apontando perda de espessura por
corrosão externa do duto;
• Dados dos relatórios de inspeção do duto, como inspeção visual, proteção catódica,
revestimento, medição de espessura por ultra-som etc.

7.2.3.8 Um Plano de Inspeção Periódica deve ser implementado e mantido, com o objetivo
de estabelecer rotinas destinadas a garantir que os sistemas operem dentro dos critérios de
proteção estabelecidos, possibilitando a tomada de decisões em tempo hábil que evitem a
corrosão externa do duto.

O plano tem como objetivo:

• Inspecionar as instalações do SPC;


• Detectar pontos de deficiência de potencial de proteção catódica;
• Localizar falhas representativas no revestimento;
• Registrar as não-conformidades encontradas;
• Classificá-las de acordo com o nível de risco envolvido;
• Recomendar ações corretivas.

Este plano se aplica a dutos terrestre e marítimo, conforme abaixo:

7.2.3.8.1 Dutos Terrestres

a) Para inspeção de rotina de dutos terrestres, aplicar a Norma N-2098 – Inspeção de Duto
Terrestre em Operação.

b) A medição do potencial eletroquímico, livre da queda ôhmica provocada pelo eletrólito


(potencial OFF), deve ser realizada anualmente nos pontos de testes, válvulas e
equipamentos do sistema de proteção catódica.

7.2.3.8.2 Dutos Marítimos

a) Os dutos Marítimos devem ter os potenciais eletroquímicos medidos por mergulhador ou


ROV, a cada 5 anos. A inspeção por ROV deve ser feita, também, para inspeção visual
e medição de gradiente de campo elétrico;

77
b) Para dutos com SPC por corrente impressa, as inspeções dos retificadores devem
seguir a Norma N-2098 – Inspeção de Duto Terrestre em Operação.

7.2.3.9 Um Programa de Manutenção deve ser empregado para assegurar que o SPC e o
revestimento permaneçam eficazes durante a vida do duto. Ações preventivas e corretivas
devem ser tomadas onde as inspeções e testes de rotina indicarem que a proteção não está
dentro dos critérios estabelecidos.

7.2.4 Requisitos Específicos

7.2.4.1 Plano Especial de Inspeção

7.2.4.1.1 Um Plano Especial de Inspeção deve ser adotado nos dutos com parâmetros
classificados como (A) ou (B), para identificar as deficiências do sistema de proteção
catódica e do revestimento. Este plano de inspeção tem por objetivo:

a) Identificar e cadastrar os pontos ao longo do duto com indícios de deficiências na


proteção anticorrosiva que representem risco de ocorrência de processo corrosivo
nos dutos;

b) Recomendar, para cada ponto cadastrado, ações corretivas que venham a


restabelecer as condições de integridade dos dutos;

c) Priorizar a implementação das ações corretivas de acordo com o nível de risco de


falhas.

7.2.4.1.2 Nos dutos com parâmetros classificados como (A) este plano deve ser
emergencial, isto é, implementação prioritária seguida de um plano de reabilitação imediato
(ver item 7.2.4.2).

7.2.4.1.3 Nos dutos com parâmetros classificados como (B) este plano deve ser periódico
dentro de prazos definidos. As freqüências das inspeções devem ser reavaliadas a cada 5
anos, e à medida que as ações corretivas forem se tornando eficazes.

78
7.2.4.1.4 Inspeção de Dutos Terrestres

7.2.4.1.4.1 Dutos não Sujeitos a Correntes de Interferência


a) O duto com o parâmetro Potencial Eletroquímico classificado como (A), ou com Histórico
de Corrosão classificado como (A) deve adotar, em curto prazo (dois anos), e ao longo de
todo duto, as técnicas de inspeção Potencial Passo a Passo e DCVG, descritas no Anexo
7.2.1;

Nota: O duto considerado como (A) segundo a nota 1 do item 7.2.2.1, deve ser, primeiro,
inspecionado por pig instrumentado de corrosão e, conforme o resultado, ser reclassificado
pelos critérios do item 7.2.2.1 antes de ser adotada qualquer técnica de inspeção especial.

O duto com o parâmetro Potencial Eletroquímico classificado como (B), ou com Histórico de
Corrosão classificado como (B) deve adotar, ao longo de sua extensão, as técnicas de
inspeção Potencial Passo a Passo e DCVG, com periodicidade de 5 anos a 10 anos.

7.2.4.1.4.2 Dutos Sujeitos a Correntes de Interferência

a) No duto com o parâmetro Correntes de Interferência classificado como (A), devem ser
executados estudo de interferência (ver item 7.2.4.2.3), registros contínuos (24 h) de
potencial tubo-solo em todos os pontos de teste, retificadores e equipamentos de
drenagem, e registros contínuos de corrente nos equipamentos de drenagem. Os
retificadores e equipamentos de drenagem devem possuir um sistema de monitoração
remota;

b) No duto com o parâmetro Correntes de Interferência classificado como (B) devem ser
executados registros contínuos (24 h) de potencial tubo-solo em todos os pontos de
teste, retificadores e equipamentos de drenagem;

c) No duto com o parâmetro Histórico de Corrosão classificado como (A) deve ser adotada,
em curto prazo (dois anos), uma das técnicas de inspeção DCVG ou Atenuação de
Corrente (AC), descritas no Anexo 7.2.1;

NOTA:
O duto considerado como (A) segundo a nota 1 do item 7.2.2.1, deve ser, primeiro,
inspecionado por pig instrumentado de corrosão e, conforme o resultado, ser reclassificado
pelos critérios do item 7.2.2.1 antes de ser adotada qualquer técnica de inspeção especial.

79
No duto com o parâmetro Histórico de Corrosão classificado como (B) deve ser adotada ao
longo de todo duto uma das técnicas DCVG ou Atenuação de Corrente, com periodicidade
de 5 a 10 anos.

7.2.4.1.4.3 Duto com Revestimento Térmico de Espuma de Poliuretano ou Fita de


Polietileno

a) O duto com revestimento térmico de espuma de poliuretano, com parâmetro Tipo de


Revestimento classificado como (A), deve ter a periodicidade de inspeção por pig
instrumentado de corrosão, inicialmente, de 3 anos;

b) A inspeção dos revestimentos dos dutos classificados como (A), deve ser feita, em curto
prazo (dois anos), pela técnica Atenuação de Corrente ou DCVG, e também deve ser
reinspecionado periodicamente a cada 5 anos;

c) A inspeção do revestimento de poliuretano nos dutos classificados como (B), deve ser
feita pelas técnicas Atenuação de Corrente ou DCVG, e deve ter, inicialmente, a
periodicidade de 5 anos.

NOTA:
Em serviço de sondagem de dutos com revestimento térmico de poliuretano (A) ou (B),
devem ser empregadas técnicas não destrutivas do revestimento, ou seja, sondagem
eletromagnética ou escavação. Para localização “in situ” de trechos contínuos do duto deve
ser utilizada a sondagem eletromagnética.

7.2.4.1.4.4 Duto Sujeito a Danos por Terceiros

a) Os trechos de duto com o parâmetro “Revestimento - Danos por Terceiros” classificados


como (A), devido à iminência de obras por terceiros com máquinas escavadoras, devem
ter sua rota localizada por sondagem eletromagnética e demarcada por estacas em toda
a extensão considerada, antes do início das obras.

b) Os trechos de duto com o parâmetro “Revestimento - Danos por Terceiros” classificados


como (A), devido ao Histórico de danos já causados ao revestimento do duto por
máquinas, devem ter o revestimento inspecionado pelas técnicas Atenuação de Corrente
ou DCVG, em toda a extensão considerada.

80
7.2.4.1.4.5 Dutos Sujeitos a Tensionamento por Ação do Meio

a) O duto instalado em região sujeita a movimentação do solo, com o parâmetro


“Tensionamento por Ação do Meio” classificado como (A), deve ser inspecionado em
curto prazo quanto à susceptibilidade à ocorrência de CST, conforme procedimento do
Anexo 7.2.2;

b) Os dutos com o parâmetro “Tensionamento por Ação do Meio" classificado como (A) ou
(B) devem ter sua faixa inspecionada sistematicamente a cada 15 dias, sazonalmente, a
cada ano, e após o período de chuvas;

NOTA:
As orientações contidas no item 7.3 devem ser consideradas para a realização das
inspeções, do controle e da estabilização da faixa.

7.2.4.1.4.6 Trechos Aéreos e Zona de Transição Solo/Atmosfera

a) Estes trechos devem ser revestidos e inspecionados visualmente, para avaliação do


estado do revestimento (bolhas, fissuras, descolamento, perda de aderência etc.) e
presença de corrosão.

7.2.4.1.5 Inspeção de Dutos Marítimos

7.2.4.1.5.1 Dutos Submarinos

a) Nos dutos com os parâmetros Histórico de Corrosão, ou Potencial Eletroquímico, ou


Revestimento - Danos por Terceiros, ou Tensionamento por Ação do Meio classificados
como (A) devem adotar, em curto prazo (dois anos), a Inspeção por ROV, ao longo de
todo duto, para medição de potenciais eletroquímicos, inspeção visual, incluindo vão
livre, e medição de gradiente de campo elétrico.

b) Nos dutos com os parâmetros Histórico de Corrosão, ou Potencial Eletroquímico, ou


Tensionamento por Ação do Meio classificados como (B) devem adotar, ao longo de
todo duto, a Inspeção por ROV para medição de potenciais eletroquímicos, inspeção
visual, incluindo vão livre, e medição de gradiente de campo elétrico, com periodicidade
de 5 anos.

81
7.2.4.1.5.2 Trecho Aéreo e Zona de Variação de Maré (ZVM)

a) Os trechos aéreos revestidos devem ser inspecionados visualmente, para avaliação do


estado do revestimento (bolhas, fissuras, descolamento, perda de aderência etc.) e
presença de corrosão;

b) Recomenda-se adotar nas ZVM a medida estabelecida no item 7.2.4.2.3 (g), em virtude
da criticidade operacional e das dificuldades de inspeção.

Plano de Reabilitação

7.2.4.2.1 Um Plano de Reabilitação do sistema de proteção anticorrosiva deve ser elaborado


para implementar as ações corretivas recomendadas pelo Plano Especial de Inspeção. Este
plano deve contemplar:

a) Reforço do SPC;

b) Reparo ou substituição de revestimento;

c) Reparo ou substituição de trechos do duto, quando complementado com a análise


estrutural do duto.

7.2.4.2.2 As ações corretivas devem ser implementadas o mais breve possível, e avaliadas
periodicamente quanto a sua eficácia dentro do Plano de Inspeção Periódica.

7.2.4.2.3 Ações Corretivas

a) A adequação do SPC deve ser executada quando ocorrer deficiência de proteção. Nela
incluí o reajuste ou reforço do sistema de forma local, com instalação de leitos de
anodos (contínuos ou não), ou de forma ampla com instalação de novos conjuntos
retificadores e leitos de anodos;

b) O controle das correntes de interferência deve ser feito estudando toda a região afetada,
consultando mapas com as malhas de dutos e fontes interferentes, instalando
equipamentos retificador e de drenagem elétrica adequadamente alocados nos pontos
de retorno dessas correntes. Os equipamentos retificadores e de drenagem elétrica
danificados devem ser imediatamente reparados. O reparo das falhas no revestimento

82
em regiões de entrada e saída da corrente de interferência pode reduzir tais
interferências;

c) O revestimento deve ser reparado quando forem detectadas falhas associadas a trechos
com deficiência de proteção catódica e após uma inspeção visual na vala. A forma de
reparo deve levar em consideração o revestimento existente, a temperatura de operação
do duto, tipo de solo e preparação de superfície;

d) Todas as falhas no revestimento térmico de espuma de poliuretano, em duto com o


parâmetro Tipo de Revestimento classificado como (A), devem ser reparadas;

e) Nos trechos aéreos, o esquema de pintura deve ser reparado sempre que forem
observados falhas e pontos de corrosão;

f) Havendo detecção de corrosão sob tensão, deve ser feita uma análise do defeito do
duto, complementada por técnicas específicas, para definição de troca ou reparo do
trecho do duto;

g) Nas ZVM dos risers rígidos de aço carbono de plataformas marítimas, deve ser utilizado
revestimento metálico, à base de material 70Ni30Cu (monel), UNS NO4400, com
espessura de 2 a 3 mm, conforme CT CENPES/PDEP/TMEC 072/2001;

h) As tensões impostas aos dutos, devido à movimentação do solo ou à formação de vão


livre, deverão ser avaliadas por medições específicas no aço ou por estudo de
integridade global. Este estudo visa definir a extensão do trecho a ser aliviado ou
trocado.

83
ANEXO 7.2.1

TÉCNICAS ESPECIAIS DE INSPEÇÃO SOBRE A FAIXA DE DUTOS

1. Atenuação de Corrente (Coating Attenuation)

Esta técnica é usada para avaliar qualitativamente e quantitativamente os defeitos no


revestimento de dutos enterrados e mapear a corrente simulada de proteção. A técnica
utiliza a injeção de corrente alternada entre o duto e a terra, e um operador rastreia o sinal
injetado através de um receptor que usa uma bobina sensora para medir a força do campo
magnético resultante do sinal CA, localizando o duto sobre a faixa e medindo o valor da
corrente ao longo dele.

Ela é baseada no princípio de que quando uma corrente alternada passa por um condutor
(no caso a tubulação), um campo magnético simétrico em volta da tubulação é produzido. O
sensor usa a indução eletromagnética para detectar e medir a intensidade do sinal. Onde o
revestimento está em boas condições a corrente atenuará numa taxa constante, o que
dependerá das propriedades do revestimento. Um defeito no revestimento ou um contato
com outra tubulação metálica ou uma falha no isolamento do SPC é identificado quando
ocorre uma mudança significante na taxa de atenuação da corrente.

Esta é uma técnica de localização rápida de uma zona com defeitos entre dois pontos de
medição. Para ser mais preciso na localização de um defeito novos pontos em intervalos
curtos na região anteriormente identificada são medidos. Nesta técnica é utilizada tecnologia
digital, de tal forma que os dados são gravados facilitando a análise e rastreamento futuro
dos dados.

2. Inspeção do Potencial Passo a Passo (Close Interval Potential Survey)

Esta técnica é usada para determinar o nível de proteção catódica ao longo de toda a
extensão do duto. O potencial tubo/solo é medido a pequenos intervalos (1 a 2 m) usando
um voltímetro/microprocessador, dois eletrodos de referências (Cu/CuSO4) e um cabo
elétrico conectado a um ponto de teste. É produzido, então, um gráfico do potencial
tubo/solo em função da distância, permitindo identificar locais com deficiência nos potenciais

84
eletroquímicos ON e OFF. Esta inspeção é normalmente realizada com todos os
retificadores do SPC simultaneamente chaveados (liga-desliga) com ajuda de interruptores
sincronizados.

3. Inspeção DCVG (Direct Current Voltage Gradient Survey)

A inspeção DCVG é usada para localizar e estimar o tamanho do defeito no revestimento


anticorrosivo de dutos enterrados, assim como identificar defeitos anódicos. Seu
funcionamento ocorre pela aplicação de uma corrente contínua no duto da mesma forma
como a proteção catódica, e normalmente é usado o próprio retificador do SPC. Um
gradiente de tensão é então estabelecido no solo pela passagem da corrente para o metal
do duto no local de defeito no revestimento. Geralmente quanto maior o defeito maior a
corrente e o gradiente de tensão.

Um interruptor de corrente é instalado no(s) retificador(es) mais próximo(s) para permitir a


avaliação do comportamento anódico ou catódico do local de teste.

Usando um milivoltímetro sensitivo, a diferença de potencial é medida entre dois eletrodos


de referencia de cobre/sulfato de cobre posicionados no solo sobre a diretriz do duto. Para
realizar a inspeção, o operador caminha sobre a faixa do duto fazendo medições a cada
intervalo de 2 metros com os eletrodos um em frente ao outro afastados de 1 a 2 metros
entre si. A identificação do defeito ocorre quando um pico de tensão é observado no
milivoltímetro quando o eletrodo passa sobre o defeito e seguido de uma tensão nula
quando os eletrodos são posicionados simetricamente a cada lado do defeito. O
posicionamento dos eletrodos perpendicularmente ao duto, sendo um sobre o defeito e o
outro afastado 2 metros, permite identificar o comportamento anódico ou catódico no local
do defeito.

4 Inspeção por ROV

A inspeção por ROV de dutos submarinos permite obter uma inspeção visual do duto,
medição do seu potencial eletroquímico e medição de gradiente de campo elétrico produzido
pelas correntes dos anodos de proteção catódica.

A medição do potencial eletroquímico por ROV é aplicada em dutos submarinos e


disponibiliza uma indicação adequada das condições da corrosividade de um duto protegido

85
catodicamente. No entanto, a técnica de medição de gradiente de campo elétrico fornece
informações mais detalhadas sobre a saída de corrente do anodo, vida remanescente do
anodo, passivação dos anodos, regiões sub protegidas e indicação de falhas no
revestimento ou revestimento de boa qualidade.

O gradiente de campo elétrico é obtido pela medição da queda ôhmica entre duas semi
células instaladas em um mesmo compartimento e com uma distância conhecida entre elas.
Este conjunto, instalado em um manipulador de ROV, é mantido perpendicular ao duto e a
diferença de potencial entre estas semi-células é medido por um voltímetro com
sensibilidade adequada para medir micro volts.

86
ANEXO 7.2.2

PROCEDIMENTO PARA INVESTIGAR A OCORRÊNCIA DE CORROSÃO


SOB TENSÃO EM DUTOS

1 Identificação dos trechos do duto de maior susceptibilidade à ocorrência de CST.

1.1 Para dutos instalados em regiões sujeitas à movimentação do solo, que possam
submeter o duto a esforços de compressão e tração, observar os critérios a seguir:

a) Fazer um levantamento geológico-geotécnico na região da faixa de servidão, segundo


as Inspeções Sistemáticas e Sazonais, conforme item 7.3, para observar qualquer
ocorrência que possa colocar em risco a integridade do duto, visando cadastrar e
classificar os pontos em níveis de risco;

b) Realizar inspeções específicas nos pontos classificados como sensíveis, determinando o


posicionamento “in situ” do traçado do duto, incluindo levantamento plani-altimétrico e
nível de enterramento. Estas inspeções devem identificar nos dutos alças de deformação
e trechos submetidos a esforços de tração e compressão;

c) Nos pontos classificados como sensíveis, inspecionar o revestimento do duto para


identificar pontos de falha.

1.2 Para dutos com revestimento de fita de polietileno; selecionar para investigar a
ocorrência de CST todos os trechos em que ocorreram descolamento no revestimento e
deformação plástica no duto. Dar atenção especial aos primeiros 30 km de dutos enterrados
após a estação de compressores.

2. Nos locais de falha do revestimento com presença de eletrólito, fazer a medição do


pH e concentração de BRS da solução retida entre o revestimento e o duto e coletar para
análise o produto de corrosão.

3. Nos locais onde ocorrer o contato direto tubo/solo aplicar a técnica de classificação
de corrosividade do solo apresentado no Anexo 7.2.3;

87
4. Remover o revestimento com jato de água e jato abrasivo em todo o local que houve
descolamento do revestimento fazer inspeção não destrutiva por partículas magnéticas;

5. Quando detectada a existência de trincas, considerar a substituição do trecho sob


tensão.

6. Realizar análises de interação solo-duto para avaliar as condições de segurança


estrutural do duto.

88
ANEXO 7.2.3

CLASSIFICAÇÃO DA CORROSIVIDADE DO SOLO

1. Introdução

A agressividade do solo aos metais engloba dois tipos: a agressividade específica e a


agressividade relativa. A primeira se relaciona ao amplo elenco de propriedades físico-
químicas e biológicas do solo, enquanto a segunda apresenta-se dependente de fatores
externos, capazes de modificar o processo de corrosão, como a presença de correntes de
fuga, macro pilha de corrosão etc.

A classificação da corrosividade do solo tem aplicação principalmente em estruturas de


pequeno porte (tanques de postos de serviço e tanques de armazenamento) ou quando da
avaliação de falha ocorrida em determinado equipamento Aqui se inclui dutos, onde esta
corrosividade pode ter tido um papel fundamental na ocorrência no modo de falha.

2. Critérios de Agressividade do Solo

Um dos critérios mais completos de avaliação de agressividade do solo é o de Trabanelli,


onde índices parciais de agressividade são atribuídos a cada parâmetro com o objetivo de
definir-se a agressividade global pelo módulo do somatório. O critério de Trabanelli
modificado utiliza a concentração de BRS (NMP/g) em lugar do valor do potencial redox.
Para solos oxidantes esta substituição não é recomendada. Deve-se utilizar apenas um
destes índices ou os dois em conjunto.

Na tabela abaixo são apresentados os índices parciais de agressividade do solo segundo


Trabanelli modificado.

89
Parâmetros Índice Parâmetros Índice
do Solo Parcial do Solo Parcial
Resistividade Cloreto
(ohm.cm) (mg/Kg)
> 12000 0 < 100 0
12000 à 5000 -1 100 a 1000 -1
5000 à 2000 -2 > 1000 -4
< 2000 -4
Sulfeto (mg/Kg)
BRS (NMP/g) Ausente 0
< 2 x 10 +2 < 0,5 -2
2 x10 à 103 0 > 0,5 -4
> 103 à 6 x 104 -2
> 6 x 104 -4 Sulfato (mg/Kg)
< 200 0
PH 200 a 300 -1
>5 0 > 300 -2
<5 -1

Umidade (%)
< 20 0
> 20 -1

No critério de Trabanelli original, os índices parciais atribuídos podem ser observados entre
parênteses, em termos de faixa de potencial redox (EPH).

• > + 400 mV (+2)


• 400 mV à 200 mV (0)
• 200 mV a 0 mV (-2)
• < 0mV (-4)

90
De posse dos índices parciais, deve ser calculado o índice total de agressividade do solo. O
solo é classificado conforme a tabela abaixo:

Classificação do Solo Índice total de agressividade


Não Agressivo 0
Ligeiramente Agressivo -1a-7
Agressivo - 8 a – 10
Muito Agressivo > - 10

3. Procedimento de Coleta de Amostra

Devem ser coletadas amostras do solo que envolve o duto, exatamente no local em que
ocorreu a falha. No local definido, a perfuração deve ser feita a trado. As amostras devem
ser imediatamente coletadas do interior da massa de solo compactada no trado, através de
material estéril:

• espátulas
• frascos de vidro de 125 ml (para análise microbiológica)
• sacos plásticos de 500 g (para análise química).

Nos frascos, o solo deve ser novamente compactado, preenchendo todo o volume para
assegurar-se melhor anaerobiose, evitando contato com as mãos e a exposição prolongada
ao ar. Os frascos devem ser identificados, tampados e vedados com fita teflon.

Os frascos assim vedados devem ser mantidos em ambiente preferencialmente refrigerado,


por um tempo menor possível até a realização das análises microbiológicas.

Os sacos plásticos devem ser preenchidos, lacrados e identificados. A seguir, devem ser
mantidos em ambiente preferencialmente refrigerado, por um menor tempo possível até a
realização das análises químicas.

91
7.3 Análise Geológica-Geotécnica

7.3.1 Objetivo

Este capítulo tem por objetivo estabelecer critérios e rotinas para o mapeamento,
classificação, inspeção, monitoramento, intervenção, manutenção e gerenciamento
geológico-geotécnico ao longo das faixas de dutos terrestres e marítimos da PETROBRAS.

A principal preocupação está relacionada à identificação e classificação das Ocorrências


geológico-geotécnicas que possam ameaçar a integridade dos dutos ou levar à interrupção
do seu funcionamento, trazendo prejuízos sociais, ambientais e econômicos.

Neste trabalho estão incluídas rotinas de:

• Classificação das Ocorrências Geológico-Geotécnicas;


• Elaboração da Carta Temática Geotécnica;
• Inspeção Geológico-Geotécnica;
• Levantamento do Traçado dos Dutos;
• Análise da Interação Solo-Duto;
• Manutenção das Faixas de Dutos;
• Gerenciamento das Informações (inclui BD e GIS);
• Implantação de Ações Corretivas.

Na Figura 7.3.1 apresenta-se um Fluxograma Simplificado destas atividades.

92
Carta Temática Geotécnica

Suscetibilidade Suscetibilidade Suscetibilidade


Alta (1) Moderada (2) Baixa (3)

Inspeção Inspeção Levantamento Inspeção Inspeção L evantamento Inspeção Inspeção L evantamento


Sistemática Sazonal Traçado Duto Sistemática Sazonal Traçado Duto Sistemática Sazonal Traçado Duto
Inspetores Inspetores Inspetores
Geólogos Anual Geólogos 5 Anos Geólogos 5 Anos
de Faixa de Faixa de Faixa
15 Dias ou Mensal ou Bimestral ou
Anual Anual Bianual
Menor Menor Menor

Avaliação

Ocorrências

Severa Moderada Baixa


(A) (B) (C)

Inspeção Específica
Engenheiro Geotécnico
Análise Interação
Solo-Duto
Relatório
Específico

Soluções
Mitigadoras

Projeto de Projeto de
Monitoramento Estabilização

Obras de
Implantação
Manutenção

Acompanhamento

Reavaliação

Retorno para
Inspeções

Figura 7.3.1 – Fluxograma simplificado de atividades

93
7.3.2 Classificação das Ocorrências Geológico-Geotécnicas

Define-se como risco geológico-geotécnico a possibilidade de Ocorrência de processo


geológico-geotécnico, induzido ou não, que possa trazer conseqüências danosas ao
homem, às suas propriedades e ao meio ambiente.

Para efeito de gerenciamento, é necessário classificar tanto o potencial de risco geológico-


geotécnico de uma determinada área, quanto a severidade de uma determinada ocorrência
geológico-geotécnica já existente.

A principal dificuldade para se estabelecer uma classificação única para as situações de


risco decorre da subjetividade dos parâmetros envolvidos. Isto permite que a avaliação seja
influenciada pela experiência profissional da equipe responsável.

Para uniformizar a classificação, evitando que equipes distintas apresentem avaliações


divergentes para uma mesma situação de risco, é preciso estabelecer critérios de
classificação.

Nas Tabelas 7.3.2.1 e 7.3.2.2, apresenta-se a classificação da severidade de uma


Ocorrência já existente, em função do risco desta Ocorrência induzir a falha do duto.

94
Tabela 7.3.2.1 - Classificação das Ocorrências Geológico-Geotécnicas de Acordo com a
Probabilidade de Falha de Dutos Terrestres

Classificação Ocorrência Ações Mandatórias


a. exposição do duto em travessia de rios; • Solicitar inspeções específicas
b. exposição do duto devido a processos erosivos; ao local;
c. exposição do duto em cavidades; • Intensificar inspeções
d. corrida de detritos ao longo de talvegues sistemáticas ao local, até que
interceptando a faixa; sejam realizadas obras
Severa e. trincas na faixa de servidão associadas a corretivas;
(A) processos de escorregamento; • Solicitar levantamento do
f. depósitos de tálus/colúvio com indícios ou traçado do duto no local,
histórico de movimentação próximos à faixa; exceto nas ocorrências dos
g. escorregamento de taludes laterais à faixa; tipos a, b, c e m;
h. processos de rastejamento em áreas próximas à • Realizar obras de
faixa; monitoramento e/ou
i. zonas de baixada, sujeitas ao alcance de estabilização, conforme
escorregamentos das encostas a montante; definido pelas inspeções
j. zonas de baixada, sujeitas a recalques específicas.
diferenciais;
k. construções/aterros na faixa;
l. escavações na faixa;
m. erosão nos suportes do duto nas travessias
aéreas.
a. erosão transversal invadindo a faixa; • Solicitar inspeções específicas
b. erosão longitudinal à faixa, com sulcos ao local;
profundos; • Intensificar inspeções
Moderada c. erosão nas margens de rios/córregos; sistemáticas ao local, até que
(B) d. áreas com blocos soltos a montante de sejam realizadas obras
travessias aéreas do duto; corretivas;
e. aterros próximos à faixa; Realizar obras de monitoramento
f. escavações de grande extensão próximas à e/ou estabilização, conforme
faixa. definido pelas inspeções
específicas.
a. escavações localizadas próximas à faixa; • Manter inspeções sistemáticas;
b. erosão transversal próxima à faixa; • Realizar obras de manutenção
Baixa c. erosão longitudinal à faixa, com sulcos pouco (onde cabível).
(C) profundos;
d. construções próximas à faixa;
e. áreas encharcadas;
f. deficiência de drenagem.

95
Tabela 7.3.2.2 - Classificação das Ocorrências Geológico-Geotécnicas de Acordo com a
Probabilidade de Falha de Dutos Marítimos

Classificação Ocorrência Ações Mandatórias

a. zonas de erosão e descalçamento (duto em • Solicitar inspeções específicas ao


balanço); local;
b. indícios de movimentos de massa • Intensificar inspeções
sedimentar; sistemáticas ao local, até que
c. juntas de tração; sejam realizadas obras corretivas;
Severa d. zonas de falhas e fraturas; • Solicitar levantamento do traçado
(A) e. escarpas; do duto no local, exceto nas
f. acumulações coralíneas; ocorrências do tipo a;
g. pavimentos rochosos; • Realizar obras de estabilização,
h. feições de escape de fluído; conforme definido pelas
i. cânions submarinos; inspeções específicas.
j. zonas de arrebentação.

Baixa a. ausência de qualquer feição geológico- • Manter inspeções sistemáticas a


(C) geotécnica de risco. cada 5 anos.

96
A Classificação das Áreas quanto ao potencial de risco geológico-geotécnico deve ser feita
durante a elaboração de Carta Temática (ver item 7.3.3.1).

Cabe ao executante da Carta Temática classificar as Áreas de acordo com a sua


suscetibilidade a processos de natureza geológico-geotécnica em níveis 1, 2 ou 3, sendo 1 o
de maior potencial de risco.

7.3.3 Requisitos Mandatórios

7.3.3.1 Elaboração da Carta Temática Geotécnica

Elaborar, para todas as faixas, Carta Temática Geotécnica, com a Classificação das Áreas
de acordo com a sua suscetibilidade a processos de natureza geológico-geotécnica. Esta
classificação será a base para definição da periodicidade das inspeções em cada Área.

Para elaboração da Carta Temática Geotécnica são necessárias as seguintes atividades:

• Estabelecer uma base cartográfica em meio digital de todas as faixas de dutos e áreas
adjacentes (400 m), recomendando-se a adoção da escala mínima 1:1.000. Em áreas de
relevo pouco acidentado, poderá ser adotada a escala 1:5000.

• Estabelecer um diagnóstico geral de todas as faixas de dutos e Áreas adjacentes,


mapeando-se e classificando-se todas as feições geológico-geotécnicas que representem
risco para a integridade estrutural dos dutos.

A Carta Temática Geotécnica deverá ser reavaliada a cada 5 anos ou menos, em função do
tipo e da freqüência das ocorrências identificadas em cada área.

Os procedimentos para a elaboração da Carta Temática Geotécnica são apresentados no


Anexo 7.3.1.

97
7.3.3.2 Inspeção Geológico-Geotécnica

Com base na Classificação de Áreas feita nas Cartas Temáticas, realizar inspeção
geológico-geotécnica de acordo com as periodicidades previstas nas Tabelas 7.3.3.1 e
7.3.3.2 e as recomendações descritas nos itens 7.3.3.2.1 e 7.3.3.2.2.

Estas inspeções têm por objetivo:

• Identificar e cadastrar os pontos ao longo das faixas de dutos e áreas adjacentes com
indícios de processos naturais ou antrópicos que possam representar risco para a
segurança e integridade estrutural dos dutos (Ocorrências).

• Classificar as Ocorrências (pontos cadastrados) de acordo com a severidade usando as


Tabelas 7.3.3.1 e 7.3.3.2.

• Recomendar, para cada Ocorrência (ponto cadastrado), soluções mitigadoras de simples


execução ou a concepção e o detalhamento de soluções de engenharia que possam
melhorar as condições de segurança dos dutos.

• Monitorar a evolução dos processos detectados.

Os procedimentos para a realização das Inspeções Geológico-Geotécnicas são


apresentados no Anexo 7.3.2.

7.3.3.2.1 Dutos Terrestres

Na Tabela 7.3.3.1, é apresentada a periodicidade das inspeções dos dutos terrestres, de


acordo com a Classificação das Áreas quanto à sua suscetibilidade a processos de natureza
geológico-geotécnica.

Para os dutos terrestres, as inspeções sistemáticas, sazonais e específicas devem atender


aos seguintes requisitos:

98
7.3.3.2.1.1 Inspeções Sistemáticas.

Identificar e registrar anomalias de natureza geológico-geotécnica. Realizadas pelos


inspetores de faixa da PETROBRAS, devidamente treinados. Para tanto, serão promovidos
cursos de treinamento e reciclagem de inspetores de faixa, com uma periodicidade de 2
anos.

7.3.3.2.1.2 Inspeções Sazonais.

Identificar, cadastrar e classificar os pontos com risco geológico-geotécnico (Ocorrências).


Realizadas por equipe de geólogos de engenharia, acompanhados pelos inspetores de faixa
da PETROBRAS. Serão inspecionadas as faixas dos dutos, bem como as encostas
adjacentes às mesmas.

7.3.3.2.1.3 Inspeções Específicas

Confirmar o nível de risco envolvido, sugerindo medidas mitigadoras. Restringe-se aos


pontos classificados como severos (Ocorrências), devendo ser deflagradas pela Atividade
responsável pela integridade do duto assim que uma Ocorrência for classificada como
severa. Deverão ser realizadas por equipe de engenheiros geotécnicos especialistas,
sempre acompanhados pelos inspetores de faixa da PETROBRAS.

Nos pontos classificados como severos (Ocorrências), deverá ser também determinado o
traçado atual do duto, conforme estabelecido no item 7.3.3.3

7.3.3.2.2 Dutos Marítimos

Na TABELA 7.3.3.2, é apresentada a periodicidade das inspeções dos dutos marítimos, de


acordo com a Classificação das Áreas quanto à sua suscetibilidade a processos de natureza
geológico-geotécnica.

Para os dutos marítimos, as inspeções sistemáticas e específicas devem atender aos


seguintes requisitos:

99
7.3.3.2.2.1 Inspeções Sistemáticas

Identificar, cadastrar e classificar os pontos com risco geológico-geotécnico (Ocorrências).


Realizadas por equipe de técnicos devidamente treinados. Para tanto, serão promovidos
cursos de treinamento e reciclagem dos técnicos, com uma periodicidade de 2 anos.

7.3.3.2.2.2 Inspeções Específicas

Confirmar o nível de risco envolvido e sugerir medidas mitigadoras. Restringe-se aos pontos
(Ocorrências) classificados como severos, devendo ser deflagradas pela Atividade
responsável pela integridade do duto assim que uma Ocorrência for classificada como
severa. Sua realização deverá ser acompanhada por equipe especializada que empregará
as técnicas de inspeção definidas na fase de planejamento.

Nos pontos (Ocorrências) classificados como severos deverá ser solicitada ainda a
determinação do traçado do duto, incluindo cotas batimétricas e seu enterramento.

7.3.3.2.2.3 Planejamento das Inspeções.

Devem ser consideradas as profundidades envolvidas na faixa a ser mapeada. Deverão ser
utilizadas técnicas e equipamentos compatíveis com a profundidade da mesma. Assim,
deverão ser consideradas as seguintes situações:

• Zonas de transição, com profundidades variando de 0 a 5 m;


• Zonas de arrebentação;
• Regiões com profundidades variando de 5 a 20 m;
• Regiões com profundidades variando de 20 e 1000 m;
• Regiões com profundidades acima de 1000 m.

Devem ser consideradas as seguintes técnicas de inspeção, aplicadas em conjunto ou


individualmente, conforme a situação:

• ROV (Remote Operated Vehicle);


• Sonografia;
• Batimetria de Varredura;

100
• Magnetometria;
• Pulso Induzido (PCM -Pipe Current Mapper);
• Filmagem;
• Fotografia;
• Inspeção Visual por Mergulhador;
• Pig Inercial;
• SBP (Sub Bottom Profiler);
• Técnicas de Hidroacústica Submarina.

7.3.3.3 Levantamento do Traçado dos Dutos

O levantamento do traçado dos dutos é fundamental na interpretação dos processos de


interação solo-duto, permitindo visualizar alças de deformação.

O traçado deverá ser determinado utilizando-se de técnicas já consagradas em


levantamentos terrestres ou marítimos, tais como:

• Dutos terrestres:
- Pulso Induzido (PCM - Pipe Current Mapper);
- Pig Inercial.

• Dutos Marítimos:
- Sonografia;
- Batimetria de Mutifeixe;
- Magnetometria por Gradiômetro;
- SBP (Sub Bottom Profiler);
- Pig Inercial;
- Técnicas de Hidroacústica Submarina;
- Pulso Induzido (Innovatum).

Obs: todas as técnicas acima, tanto nas atividades terrestres quanto marítimas, deverão ser
combinadas com tecnologias de Geodésia a Satélites (GPS)

A periodicidade destes levantamentos é apresentada nas Tabelas 7.3.3.1 e 7.3.3.2,


recomendando-se que os mesmos sejam executados, para dutos terrestres, logo após o
período chuvoso.

101
Os dados obtidos deverão ser analisados e arquivados em um banco de dados, permitindo
acompanhar a evolução dos processos detectados e subsidiar a tomada de decisão quanto
à necessidade de interrupção do duto.

Tabela 7.3.3.1 - Periodicidade das Inspeções das Faixas e do Traçado de Dutos Terrestres
de Acordo com a Suscetibilidade da Área a Processos Geológico-Geotécnicos

Suscetibilidade Tipo de Inspeção Equipe de Inspeção Periodicidade

• Inspeções Sistemáticas Inspetores de faixa da Quinzenal ou menor


• Inspeções Sazonais PETROBRAS Anual
Alta • Inspeções Específicas Geólogos de Engenharia Eventual (conforme solicitado)
(1) • Levantamento do Engenheiros Geotécnicos Anual
Traçado do Duto na Área Especialistas
Equipe de Especialistas

• Inspeções Sistemáticas Inspetores de faixa da Mensal ou menor


• Inspeções Sazonais PETROBRAS Anual
Moderada • Inspeções Específicas Geólogos de Engenharia Eventual (conforme solicitado)
(2) • Levantamento do Engenheiros Geotécnicos 5 anos
Traçado do Duto na Área Especialistas
Equipe de Especialistas

• Inspeções Sistemáticas Inspetores de faixa da Bimestral ou menor


• Inspeções Sazonais PETROBRAS Bianual
Baixa • Inspeções Específicas Geólogos de Engenharia Eventual (conforme solicitado)
(3) • Levantamento do Engenheiros Geotécnicos 5 anos
Traçado do Duto na Área Especialistas
Equipe de Especialistas

Obs: A classificação das áreas de acordo com sua suscetibilidade a processos geológico-geotécnicos
deverá ser feita durante a elaboração da Carta Temática Geotécnica.

102
Tabela 7.3.3.2 - Periodicidade das Inspeções das Faixas e do Traçado de Dutos Marítimos
de Acordo com a Suscetibilidade da Área a Processos Geológico-Geotécnicos

Suscetibilidade Tipo de Inspeção Equipe de Inspeção Periodicidade

• Inspeções Sistemáticas Equipe de Técnicos 2 anos ou menor


• Inspeções Específicas Equipe de Especialistas Eventual (conforme solicitado)
Alto • Levantamento do Traçado Equipe de Especialistas 2 anos ou menor
(1) do Duto na Área

• Inspeções Sistemáticas Equipe de Técnicos 5 anos


• Inspeções Específicas Equipe de Especialistas Eventual (conforme solicitado)
Leve • Levantamento do Traçado Equipe de Especialistas 5 anos
(3) do Duto na Área

Obs.: A classificação das áreas de acordo com sua suscetibilidade a processos geológico-
geotécnicos deverá ser feita durante a elaboração da Carta Temática Geotécnica.

7.3.3.4 Análise da Interação Solo-Duto.

Nos locais onde foram identificadas ocorrências severas relacionadas a movimentos de


massa ou a perda de sustentação, e onde o levantamento do traçado do duto indicar a
presença de anomalias, deverá ser realizada uma análise da interação solo-duto,
procurando-se avaliar as condições de segurança estrutural do mesmo através de métodos
expeditos (onde aplicáveis) ou de análises computacionais. Esta análise deverá ser feita por
engenheiro estrutural, em conjunto com engenheiro geotécnico.

Como dados para estas análises serão considerados o mapeamento das feições de risco
geológico-geotécnico, os dados de investigação de campo e laboratório, as características
geométricas do duto e os dados disponíveis de instrumentação (traçado e medição de
tensões etc). Esta análise deverá seguir os critérios estabelecidos no Capítulo 9.

Estas análises determinarão a necessidade de intervenção e/ou paralisação do duto.

103
7.3.3.5 Manutenção das Faixas de Dutos.

De posse dos relatórios de inspeção sistemática, o engenheiro responsável pela integridade


do duto deverá programar e executar os serviços de manutenção.

Para os dutos terrestres, os serviços de manutenção consistem de:

• Roçada do local;
• Limpeza e recomposição de canaletas de drenagem e descidas d’água;
• Desobstrução de bueiros e caixas de passagem;
• Limpeza e desobstrução de drenos profundos;
• Limpeza e desobstrução de piezômetros, medidores de nível d’água e inclinômetros;
• Proteção vegetal;
• Recomposição de erosões;
• Proteção de cabeças de tirantes;
• Recomposição de juntas de estruturas de concreto;
• Recomposição dos acessos.

As informações relativas ao andamento das obras de manutenção deverão ser


constantemente atualizadas. Uma vez concluídos os trabalhos, deverá ser programada uma
visita de inspeção ao local para avaliação dos serviços executados.

Para os dutos marítimos, os serviços de manutenção consistem na modificação das


condições de apoio do duto no solo marinho e sinalização da faixa, tais como:

• Calçamentos;
• Enterramento;
• Fixação por lastro;
• Liberação de engastamentos;
• Instalação de proteção mecânica;
• Sinalização da faixa;
• Atualização permanente dos mapas.

Serviços específicos tais como contenção adicional de encostas, mudanças de traçado etc,
envolvendo equipes especializadas, deverão ser tratados separadamente.

104
7.3.3.6 Gerenciamento das Informações

Todas as informações relativas a inspeções, mudança de traçado do duto, obras de


estabilização, monitoramento e manutenção deverão ser arquivadas, mantendo-se um
registro histórico dos eventos.

Para gerenciamento das informações, deverá ser implantado sistema de informações


geográficas (GIS – Geographic Information System) integrado ou fundido com a base de
dados de outros sistemas da Companhia.

Este sistema deverá apresentar as seguintes características:

• Possibilitar a compatibilização entre os diversos data em uso nas unidades operacionais


da Companhia;
• Permitir a integração com outros bancos de dados da Companhia - (expansão do
sistema);
• Integrar a localização geográfica dos dutos e as informações de engenharia relativas aos
mesmos;
• Selecionar dutos ou trechos de dutos com determinadas características comuns, tais
como classe de risco, processo envolvido, tipo de intervenção, obras de estabilização,
monitoramento etc;
• Examinar o histórico de qualquer ponto do duto, incluindo fotos terrestres, aéreas e
imagens de satélites ou sonar;
• Sinalizar o agravamento de qualquer ponto com alerta visual intermitente;
• Permitir a localização dos projetos e relatórios das obras de estabilização e
monitoramento em qualquer ponto;
• Acompanhar a instrumentação em qualquer ponto;
• Examinar relatórios de acompanhamento da instrumentação;
• Verificar o andamento de obras e serviços em execução.

O sistema de gerenciamento (banco de dados) deverá ser atualizado mensalmente,


cabendo à Atividade responsável pela integridade do duto a responsabilidade pela
realização desta tarefa.

As informações atualizadas deverão estar disponíveis para consulta do grupo responsável


pela integridade do duto, na sede e nos respectivos órgãos operacionais.

105
Para facilitar a atualização de dados, as Ocorrências identificadas através dos relatórios de
inspeção sistemática, sazonal e específica deverão ser enquadradas dentro de um padrão
previamente estabelecido. Da mesma maneira, as folhas de leitura de instrumentos deverão
estar padronizadas. No sistema de gerenciamento deverá constar, ainda, a data da última
alteração.

7.3.4 Ações Corretivas

Todas as ocorrências geológico-geotécnicas classificadas como severas deverão ser objeto


de ação imediata (correção ou implantação de gerenciamento).

A priorização dos planos de ação deverão ser estabelecidas com base no cruzamento das
ocorrências, classificadas nas Tabelas 7.3.2.1 e 7.3.2.2, com as conseqüências sociais,
ambientais e econômicas decorrentes.

A Atividade responsável pela integridade do duto na unidade operacional deverá solicitar


inspeções específicas sempre que:

• as inspeções sistemáticas detectarem novas situações de anormalidade ou constatarem


que os processos já detectados apresentaram uma evolução contrária às condições de
segurança;

• as inspeções sazonais detectarem novas ocorrências severas ou moderadas, no caso


de dutos terrestres.

Sempre que a inspeção específica confirmar a severidade da Ocorrência, a equipe


responsável pela inspeção deverá indicar as medidas mitigadoras a serem implementadas,
de forma a restabelecer um nível de risco aceitável para o duto.

As medidas mitigadoras deverão ser implementadas pela Atividade responsável pela


integridade do duto na unidade operacional com a presteza determinada nos respectivos
relatórios de inspeção.

No caso de dutos terrestres, as medidas mitigadoras podem envolver o monitoramento, a


realização de obras de estabilização, a escavação do duto para alívio de tensões ou a
combinação destas medidas. Em casos extremos, poderá ser necessário o corte e a
substituição de trechos de dutos já comprometidos estruturalmente.

106
No caso de dutos marítimos, as medidas mitigadoras podem envolver calçamento,
enterramento, fixação por lastro, liberação de engastamentos ou a instalação de proteção
mecânica. Em casos extremos, poderá ser necessário o corte e a substituição de trechos de
dutos já comprometidos estruturalmente.

As medidas corretivas implementadas deverão ser obrigatoriamente documentadas


(elaboração de desenhos como construído) e arquivadas no arquivo técnico da unidade
operacional. O banco de dados deverá ser alimentado com a lista dos documentos e
referências para o rastreamento dos mesmos.

Após a realização das obras, que deverá ser feita, por uma equipe de especialistas, a
avaliação da eficiência das medidas implementadas e a reclassificação do nível de risco da
Ocorrência.

Em virtude da severidade de uma determinada Ocorrência, a Atividade responsável pela


integridade do duto poderá optar por uma solução emergencial que restaure o duto nas
condições originais de projeto até que os estudos específicos sejam realizados. De forma
alguma, a solução emergencial poderá se tornar definitiva.

107
ANEXO 7.3.1

PROCEDIMENTOS PARA ELABORAÇÃO DA CARTA TEMÁTICA GEOTÉCNICA

Deverá ser elaborada, para todas as faixas, uma Carta Temática, com a Classificação das
Áreas de acordo com a sua suscetibilidade a processos de natureza geológico-geotécnica.
Esta classificação será a base para definição da periodicidade das inspeções em cada Área.

Este trabalho deverá ser realizado por equipe multidisciplinar, composta por geólogos,
geofísicos, geomorfólogos, engenheiros geotécnicos e de geodésia.

A Carta Temática Geotécnica deverá ser reavaliada a cada 5 anos, em função do tipo e da
freqüência das Ocorrências identificadas em cada Área.

1 Dutos Terrestres

Para elaboração da Carta Temática são necessárias as seguintes atividades:

• Estabelecimento de uma base cartográfica em meio digital de toda a faixa de servidão


do duto e áreas adjacentes (400 m);

• A base cartográfica deverá ser elaborada a partir de levantamentos


aerofotogravimétricos ou métodos topográficos e geodésicos. A escala da base
cartográfica será definida considerando-se os aspectos relevantes para garantir a
integridade dos dutos. A escala mínima desejada é de 1/1000;

• Mapeamento e classificação das feições de risco geológico-geotécnico, tais como


escoamentos, escorregamentos, subsidências e fenômenos conexos. Utilizar como
referência o critério de classificação de Magalhães Freire (1965), adaptado por Guidicini
e Nieble (1984);

• Alimentação do banco de imagens para registro e acompanhamento da evolução das


feições de risco detectadas em cada faixa;

108
• Atualização da base cartográfica, com periodicidade máxima de 5 anos ou menor, a
critério da equipe multidisciplinar;

• Inspeção local de detalhe da faixa em estudo.

2 Dutos Marítimos

Para elaboração da Carta Temática Geotécnica são necessárias as seguintes


atividades:

• Estabelecimento de uma base cartográfica em meio digital de toda a faixa do duto e


áreas adjacentes;

• A base cartográfica deverá ser obtida a partir de levantamentos batimétricos e


sonográficos de toda a faixa do duto e áreas adjacentes;

• Mapeamento e classificação das feições geológico-geotécnicas, que representem risco


para a integridade estrutural dos dutos, tais como movimentação de massa sedimentar,
juntas de tração, ravinamentos, cânions, feições de escape de fluído, escarpas, zonas
de falhamento geológico, fraturas, acumulações coralíneas e fenômenos conexos.
Utilizar como referência os critérios praticados pela gerência de geologia marinha (E&P-
SSE/SC-ESUB/GM);

• Alimentação do banco de imagens para registro e acompanhamento da evolução das


feições de risco detectadas em cada faixa;

109
ANEXO 7.3.2

PROCEDIMENTOS PARA INSPEÇÃO GEOLÓGICO-GEOTÉCNICA

Através das inspeções, pretende-se:

• Identificar e cadastrar os pontos ao longo das faixas de dutos e áreas adjacentes com
indícios de processos naturais ou antrópicos que possam representar risco para a
segurança e integridade dos dutos (ocorrências) ;

• Classificar os pontos cadastrados (ocorrências), de acordo com o nível de risco


envolvido (severidade), usando as tabelas 7.3.2.1 e 7.3.2.2.

• Recomendar, para cada ponto cadastrado (ocorrência), soluções mitigadoras de simples


execução ou a concepção e o detalhamento de soluções de engenharia que possam
melhorar as condições de segurança dos dutos;

• Monitorar a evolução dos processos detectados.

1 Dutos Terrestres

1.1 Pré-Requisitos

Antes da realização da inspeção de campo, deverão ser atendidos os seguintes pré-


requisitos:

• Roçada e limpeza da faixa;


• Recuperação dos caminhos de acesso;
• Preparação dos equipamentos necessários à inspeção tais como bússola, GPS,
máquina fotográfica;
• Preparação de veículo adequado para transporte ao local;
• Análise da documentação existente sobre o local, incluindo banco de imagens, relatórios
de inspeção anteriores, obras de estabilização executadas, relatórios de instrumentação
etc.

110
1.2 Tipos de Inspeção

As inspeções de campo estão classificadas em 03 (três) categorias distintas, a saber:

• Inspeções sistemáticas;
• Inspeções sazonais;
• Inspeções específicas.

1.2.1 Inspeções Sistemáticas

Estas inspeções serão realizadas pelos inspetores de faixa da PETROBRAS, devidamente


treinados para identificar e registrar anomalias de natureza geológico-geotécnica. Para
tanto, serão promovidos cursos de treinamento e reciclagem de inspetores de faixa, com
uma periodicidade de 2 anos.

A periodicidade das inspeções sistemáticas será estabelecida de acordo com a classificação


do potencial de risco da Área, definida na Carta Temática Geotécnica, conforme indicado na
Tabela 7.3.3.1.

Em pontos específicos, a freqüência das inspeções será aumentada, em função de obras de


estabilização ou monitoramento já implantadas ou em fase de implantação.

Nos períodos chuvosos ou sempre que houver qualquer suspeita de anormalidade, as


inspeções sistemáticas deverão ser intensificadas.

Durante as inspeções sistemáticas, deverá ser observado qualquer tipo de ocorrência ou


alteração, natural ou antrópica, que possa colocar em risco a integridade do duto, tais como
focos de erosão, indícios de movimentos de encosta, escorregamentos de talude, recalques,
abatimentos, acúmulo de água, surgências d’água, deficiência ou danos nos dispositivos de
drenagem, exposição do duto em travessia de curso d’água, invasão da faixa, cortes e
aterros.

As inspeções sistemáticas serão reportadas à Atividade responsável pela integridade do


duto através de um relatório padrão, conforme modelo apresentado no Anexo 7.3.3, emitido
ao final de cada inspeção. Estes relatórios deverão conter:

111
• Observações feitas durante as visitas de inspeção;
• Registro fotográfico georreferenciado;
• Andamento das obras em implantação (quando houver);
• Estado de conservação das obras já implantadas (quando houver);
• Leituras de instrumentos sob responsabilidade da PETROBRAS (quando houver);
• Necessidade de serviços de manutenção.

Caso seja constatada alguma situação de anormalidade, o fato deverá ser comunicado
imediatamente à Atividade responsável pela integridade do duto. Caberá à Atividade
responsável pela integridade do duto, solicitar inspeções específicas ou contratar serviços
de urgência.

As feições detectadas deverão ser comparadas com as pretéritas registradas no banco de


imagens. Caso seja uma feição nova, o banco de imagens deverá ser atualizado.

Os relatórios de inspeção sistemática deverão ser atualizados e arquivados no banco de


dados.

1.2.2 Inspeções Sazonais

Estas inspeções serão realizadas por equipe de geólogos de engenharia, acompanhados


pelos inspetores de faixa da PETROBRAS. Estas inspeções deverão ser realizadas
anualmente, após o período de chuvas, com o objetivo de avaliar o comportamento
geotécnico do terreno ao longo da faixa e encostas adjacentes. Sabe-se que os períodos de
maior precipitação são os mais críticos, do ponto de vista de estabilidade dos solos.

Em áreas classificadas como de baixa suscetibilidade a processos de natureza geológico-


geotécnica (nível 3), as inspeções sazonais poderão ser realizadas a cada 2 anos.

Os trabalhos de campo serão precedidos por uma fase de coleta e análise de dados
referentes à faixa ou ao duto. Serão consultados:

• Projetos “conforme construído” do duto;


• Cadastros de pontos severos identificados em inspeções anteriores;
• Obras de estabilização existentes;
• Projetos de monitoramento e os respectivos relatórios de acompanhamento da
instrumentação;

112
• Bibliografias;
• Mapas;
• Registros pluviométricos na região;
• Interpretação de fotografias aéreas.
• Banco de imagens.

Inicialmente, a equipe de geólogos deverá sobrevoar a área de helicóptero. Desta maneira,


é possível uma visão mais ampla do entorno da faixa. Após a visita ao campo, poderá ser
feito um novo sobrevôo, a critério da equipe de geólogos.

Posteriormente, serão feitas visitas ao campo pelos geólogos, com o objetivo de identificar e
cadastrar os pontos com risco geológico-geotécnico (ocorrências). Serão inspecionadas as
faixas dos dutos, bem como as encostas adjacentes às mesmas.

Todos os pontos com indícios de processos naturais ou antrópicos que representem risco
para a integridade dos dutos, tais como erosões, ravinamentos, deslizamentos, minerações,
obras de infra-estrutura urbana, loteamentos etc, deverão ser cadastrados através de fichas
descritivas, conforme modelo apresentado no Anexo 7.3.4. Observações do tipo trincas,
abatimentos, surgências de água e mau funcionamento do sistema de drenagem superficial,
indicativas de situações de risco iminente ou futuro deverão ser obrigatoriamente anotadas
nas fichas de inspeção.

Os pontos relacionados (Ocorrências) deverão ser fotografados, georreferenciados e


descritos para posterior documentação e análise.

Deverão ser também identificadas as áreas com potencial de risco geológico-geotécnico, as


quais, mesmo não representando uma situação de risco imediato, poderão tornar-se
problemáticas no futuro.

Durante as visitas ao campo, atenção especial será dada aos pontos já cadastrados como
severos. Nestes locais, as equipes de inspeção deverão vistoriar as obras de estabilização
ou de monitoramento implementadas ou em implantação, bem como avaliar a sua eficiência.

Posteriormente, serão desenvolvidas atividades de escritório, compreendendo a compilação


dos dados, análise de risco, classificação dos pontos cadastrados em níveis de risco e
confecção do relatório final de inspeção.

113
Os pontos cadastrados durante as inspeções visuais serão classificados de acordo com o
nível de risco envolvido, segundo a Tabela 7.3.2.1.

Os relatórios de inspeção deverão ser arquivados, de forma a:

• Acompanhar a evolução dos processos detectados;


• Avaliar a freqüência de determinados tipos de ocorrência;
• Avaliar a eficiência de medidas corretivas eventualmente implementadas;
• Subsidiar novas inspeções.

As inspeções sazonais serão reportadas à Atividade responsável pela integridade do duto


através de um relatório, incluindo:

• Todos os pontos identificados (Ocorrências), devidamente classificados em níveis de


risco (severidade);
• Mapa com a localização dos pontos (Ocorrências);
• Recomendações gerais para melhoria das condições de segurança de cada ponto.

Após cada inspeção sazonal, o cadastro de pontos de risco deverá ser atualizado e
encaminhado aos inspetores de faixa, de maneira a orientar os trabalhos de inspeção
sistemática. Os pontos classificados como severos ou moderados deverão ser submetidos a
inspeções específicas.

Ficará a cargo da Atividade responsável pela integridade do duto a atualização do banco de


dados.

1.2.3 Inspeções Específicas

Estas inspeções restringem-se aos pontos (Ocorrências) classificados como severos ou


moderados. Deverão ser realizadas por equipe de engenheiros geotécnicos, especialistas,
sempre acompanhados pelos inspetores de faixa da PETROBRAS.

As inspeções específicas deverão ser solicitadas pela Atividade responsável pela


integridade do duto e têm por finalidade confirmar o nível de risco envolvido (severidade),
sugerindo medidas mitigadoras.

114
Nos pontos classificados como severos, deverá ser novamente determinado o traçado do
duto, incluindo levantamento plani-altimétrico e nível de enterramento. A visualização do
traçado do duto fornece subsídios importantes para a interpretação dos processos de
instabilização e da necessidade de intervenção imediata. Fornece subsídios ainda quanto à
extensão da área afetada, facilitando o trabalho de inspeção.

Os trabalhos de campo deverão ser precedidos pelo sobrevôo da área, de forma a melhor
avaliar a extensão do problema.

Toda a documentação existente a respeito do local deverá ser também disponibilizada.

Ao final das inspeções específicas, será elaborado um relatório técnico contendo:

• Listagem dos pontos vistoriados (Ocorrências);


• Descrição dos problemas encontrados;
• Registro fotográfico georreferenciado ou filmagem;
• Confirmação do nível de risco em cada ponto (severidade);
• Recomendação de estudos ou levantamentos adicionais em cada ponto;
• Recomendação de intervenção ou monitoramento em cada ponto.

Neste relatório, deverão ser apontadas a urgência das medidas recomendadas e a ordem
de prioridade das ações, subsidiando a tomada de decisões por parte da Atividade
responsável pela integridade do duto.

Os relatórios de inspeção específica deverão ser arquivados, de forma a:

• Acompanhar a evolução dos processos detectados;


• Avaliar a freqüência de determinados tipos de ocorrência;
• Avaliar a eficiência de medidas corretivas eventualmente implementadas;
• Subsidiar novas inspeções.

As principais recomendações dos relatórios de inspeção específica serão também


armazenadas na base de dados. Ficará a cargo do engenheiro responsável pela integridade
do duto a atualização deste banco de dados.

115
2 Dutos Marítimos

2.1 Pré-Requisitos

Estas inspeções serão realizadas por equipe de técnicos devidamente treinados para
identificar problemas de natureza geológico-geotécnica. Para tanto, serão promovidos
cursos de treinamento e reciclagem dos técnicos, com uma periodicidade de 2 anos.

Antes da realização da inspeção, deverão ser atendidos os seguintes pré-requisitos:


• Análise da documentação existente sobre o local, incluindo relatórios de inspeção
anteriores, medidas mitigadoras adotadas, relatórios de ocorrências etc.;
• Planejamento da inspeção submarina (área ou faixa, direção do levantamento,
equipamentos necessários);
• Requisição ou contratação dos serviços de inspeção.

O planejamento da inspeção deverá levar em consideração as profundidades envolvidas na


faixa a ser mapeada. Deverão ser utilizados técnicas e equipamentos compatíveis com a
profundidade local, de modo a possibilitar a perfeita identificação e o georreferenciamento
dos objetos presentes na faixa de dutos. Assim, deverão ser consideradas as seguintes
situações no momento do planejamento da inspeção:
• Zonas de transição, com profundidades variando de 0 a 5 m;
• Zonas de arrebentação;
• Regiões com profundidades variando de 5 a 20 m;
• Regiões com profundidades variando de 20 e 1000 m;
• Regiões com profundidades acima de 1000 m.

Deverão ser consideradas no planejamento as seguintes técnicas de inspeção, aplicadas


em conjunto ou individualmente conforme a situação:
• ROV (Remote Operated Vehicle);
• Sonografia;
• Batimetria de Varredura;
• Magnetometria;
• Pulso Induzido;
• Filmagem;
• Fotografia;
• Inspeção Visual por Mergulhador;
• Pig Inercial;
• SBP (Sub Bottom Profiler);
116
• Técnicas de Hidroacústica Submarina.

2.2 Tipos de Inspeção

As inspeções estão classificadas em 02 (duas) categorias distintas, a saber:


• Inspeções sistemáticas;
• Inspeções específicas.

2.2.1 Inspeções Sistemáticas

As inspeções sistemáticas deverão seguir as técnicas definidas durante a fase de


planejamento, de maneira a possibilitar a perfeita identificação e o georreferenciamento das
ocorrências presentes na faixa de dutos. Estas inspeções serão realizadas com
periodicidade indicada na Tabela 7.3.3.2.

Em pontos específicos, a freqüência das inspeções será aumentada, em função da dinâmica


da movimentação de sedimentos marinhos (ex: zonas costeiras) e da identificação de zonas
de risco em inspeções anteriores. Da mesma maneira, sempre que houver qualquer
situação de anormalidade (ex: sismos), as inspeções sistemáticas serão realizadas em
intervalos menores.

Os trabalhos de campo serão precedidos por uma fase inicial de coleta e análise de dados
referentes à faixa ou ao duto. Serão consultados:

• Projetos “conforme construído” do duto;


• Condições de operação do duto (transporte de produtos na temperatura ambiente,
aquecidos/resfriados).
• Cadastros de pontos severos ou moderados identificados em inspeções anteriores
(ocorrências);
• Medidas mitigadoras adotadas;
• Bibliografias;
• Mapas batimétricos e faciológicos;
• Registros de correntes marinhas de fundo da região;
• Interpretação de imagens de sonar e de sísmica 3D e de perfis de sísmica rasa.

117
Durante as inspeções sistemáticas, deverá ser observado qualquer tipo de ocorrência que
possa colocar em risco a integridade do duto, tais como zonas de erosão e descalçamento
(duto em balanço), indícios de movimentos de massa sedimentar, juntas de tração, zonas de
falhas e fraturas, escarpas, acumulações coralíneas, pavimentos rochosos, feições de
escape de fluído, travessias de cânions submarinos e zonas de hidrato de gás.

Todos os pontos com indícios de processos naturais que representem risco para a
integridade dos dutos deverão ser cadastrados através de fichas descritivas próprias,
conforme modelo apresentado no Anexo 7.3.5. Observações indicativas de situações de
risco iminente ou futuro deverão ser obrigatoriamente anotadas nas fichas de inspeção.

Os pontos relacionados deverão ser filmados, fotografados ou imageados, para posterior


documentação, análise e armazenamento no banco de dados.

Deverão ser também identificadas as áreas com potencial de risco geológico-geotécnico, as


quais, mesmo não representando uma situação de risco imediato, poderão tornar-se
problemáticas no futuro.

Durante as inspeções, atenção especial será dada aos pontos já cadastrados como severos
ou moderados. Nestes locais, as equipes de inspeção deverão vistoriar as condições das
instalações onde foram adotadas medidas mitigadoras, bem como avaliar a sua eficiência.

Posteriormente, serão desenvolvidas atividades de escritório, compreendendo a compilação


dos dados, análise de risco e confecção do relatório final de inspeção.

Os pontos cadastrados durante as inspeções serão classificados de acordo com a Tabela


7.3.2.2.

As inspeções sistemáticas serão reportadas à Atividade responsável pela integridade do


duto através de um relatório, incluindo:

• Todos os pontos identificados (Ocorrências), devidamente classificados em níveis de


risco (severidade);
• Mapa com a localização dos pontos (Ocorrências);
• Recomendações gerais para melhoria das condições de segurança de cada ponto.

Estes relatórios deverão ser arquivados, de forma a:


• Acompanhar a evolução dos processos detectados;

118
• Avaliar a freqüência de determinados tipos de ocorrência;
• Avaliar a eficiência de medidas corretivas eventualmente implementadas;
• Subsidiar novas inspeções.

Os pontos classificados como severos deverão ser submetidos a inspeções específicas.


Caberá à Atividade responsável pela integridade do duto solicitar inspeções específicas ou
contratar serviços de urgência.

A atualização do banco de dados ficará a cargo à Atividade responsável pela integridade do


duto.

2.2.2 Inspeções Específicas

Estas inspeções restringem-se aos pontos classificados como severos (Ocorrências),


devendo ser solicitadas à Atividade responsável pela integridade do duto. Têm por finalidade
confirmar o nível de risco envolvido (severidade) e sugerir medidas mitigadoras. Sua
realização deverá ser acompanhada por equipe especializada que empregará as técnicas
de inspeção definidas na fase de planejamento.

Nestes pontos, deverá ser solicitada a determinação do traçado do duto, incluindo cotas
batimétricas e seu enterramento, com precisão imposta pela profundidade da área
investigada. A visualização do traçado do duto fornece subsídios importantes para a
interpretação dos processos de instabilidade e da necessidade de intervenção imediata.
Fornece subsídios ainda quanto à extensão da área afetada, facilitando o trabalho de
inspeção.

Toda a documentação existente a respeito do local deverá ser também disponibilizada.

Ao final das inspeções específicas, será elaborado um relatório técnico contendo:

• Listagem dos pontos vistoriados;


• Descrição dos problemas encontrados;
• Confirmação do nível de risco em cada ponto;
• imageamento do ponto georreferenciado;
• Recomendação de estudos ou levantamentos adicionais em cada ponto;
• Recomendação de intervenção ou monitoramento em cada ponto.

119
Neste relatório, deverão ser apontadas a urgência das medidas recomendadas e a ordem
de prioridade das ações, subsidiando a tomada de decisões por parte do engenheiro
responsável pela integridade do duto.

Após cada inspeção específica, o banco de dados deverá ser atualizado. Caberá à Atividade
responsável pela integridade do duto a atualização do banco de dados.

120
ANEXO 7.3.3

Ficha de Inspeção Sistemática Terrestre

Ficha de Inspeção Sistemática Terrestre


Duto: Inspetor de Faixa:
Trecho: Data:
Ponto:
Localização:
Descrição do Ponto:

Status:
( ) Antigo ( ) Classificação anterior ( ) Em evolução
( ) Novo ( ) Estabilizado ( ) Em obras

Ocorrências:
( ) Escorregamento de talude ( ) Abatimentos ( ) Exposição do duto
( ) Deslizamento de encosta ( ) Recalques ( ) Erosão
( ) Queda de blocos ( ) Surgências d'água ( ) Invasão
( ) Trincas ( ) Acúmulo de água ( ) Tráfego

Delimitação / Sinalização da Faixa:


( ) Eficiente ( ) Marcos avariados ( ) Placas avariadas
( ) Deficiente ( ) Marcos inexistentes ( ) Placas inexistentes

Irregularidades na Faixa:
( ) Mato alto ( ) Entulho ( ) Lixo ( ) Incêndio

Talude: Vegetação:
( ) Natural Inclinação: ( ) Densa ( ) Esparsa
( ) Corte Extensão: ( ) Média ( ) Inexistente
Altura:
Drenagem Natural: Drenagem Superficial:
( ) Eficiente ( ) Eficiente ( ) Danificada ( ) Inexistente
( ) Deficiente ( ) Deficiente ( ) Entupida

Obras de Estabilização:
( ) Existente ( ) Eficiente ( ) Danificada
( ) Inexistente ( ) Ineficiente

Tipo de Obra de Estabilização:


( ) Contenção ( ) Drenagem profunda ( ) Outra(especificar)

Instrumentação:
( ) Existente ( ) Avariada ( ) Inexistente

Tipo de Instrumento: Leitura dos Instrumentos:


( ) Piezômetro ( ) Derfomímetro ( ) Realizada
( ) Medidor de NA ( ) Pluviômetro ( ) Não
( ) Inclinômetro ( ) Outros (especificar) Data última leitura:

121
ANEXO 7.3.4

Ficha de Inspeção Sazonal Terrestre

Ficha de Inspeção Sazonal Terrestre


Duto: Inspetor de Faixa: Data:
Trecho: Geólogo:
Ponto:
Localização:
Descrição do Ponto:

Status:
( ) Antigo ( ) Classificação anterior ( ) Em evolução
( ) Novo ( ) Estabilizado ( ) Em obras
Ocorrências:
( ) Escorregamento de talude ( ) Abatimentos ( ) Exposição do duto
( ) Deslizamento de encosta ( ) Recalques ( ) Erosão
( ) Queda de blocos ( ) Surgências d'água ( ) Invasão
( ) Trincas ( ) Acúmulo de água ( ) Tráfego
Causa Provável ou Agente Potencial Indutor:
( ) Corte ( ) Inundação ( ) Atividade antrópica
( ) Desmatamento ( ) Estrutura geológica ( ) Delimitação deficiente
( ) Erosão ( ) Drenagem deficiente ( ) Outros (especificar)
( ) Chuva intensa ( ) Contenção insuficiente
Risco geológico-geotécnico:
( ) Instalado ( ) Alto ( ) Moderado II
( ) Potencial ( ) Moderado I ( ) Baixo
Delimitação / Sinalização da Faixa:
( ) Eficiente ( ) Marcos avariados ( ) Placas avariadas
( ) Deficiente ( ) Marcos inexistentes ( ) Placas inexistentes
Irregularidades na Faixa:
( ) Mato alto ( ) Entulho ( ) Lixo ( ) Incêndio
Talude: Vegetação:
( ) Natural Inclinação: ( ) Densa ( ) Esparsa
( ) Corte Extensão: ( ) Média ( ) Inexistente
Altura:
Drenagem Natural: Drenagem Superficial:
( ) Eficiente ( ) Eficiente ( ) Danificada ( ) Inexistente
( ) Deficiente ( ) Deficiente ( ) Entupida
Obras de Estabilização:
( ) Existente ( ) Eficiente ( ) Danificada
( ) Inexistente ( ) Ineficiente
Tipo de Obra de Estabilização:
( ) Contenção ( ) Drenagem profunda ( ) Outra(especificar)
Instrumentação: Tipo de Instrumento:
( ) Existente ( ) Piezômetro ( ) Derfomímetro
( ) Avariada ( ) Medidor de NA ( ) Pluviômetro
( ) Inexistente ( ) Inclinômetro ( ) Outros(especificar)

122
ANEXO 7.3.5

Ficha de Inspeção Sistemática Marítima

Ficha de Inspeção Sistemática Marítima


Duto: Inspetor de Faixa:
Trecho: Data:
Data da inspeção anterior:

Ponto:
Localização:

Descrição do Ponto:

Status:
( ) Antigo ( ) Classificação anterior ( ) Em evolução
( ) Novo ( ) Estabilizado ( ) Em obras

Ocorrências:
( ) Deslizamento de talude ( ) Exudação de fluidos
( ) Trincas ( ) Exposição do duto ( zona de arrebentação )
( ) Recalque ( afundamento ) ( ) Erosão
( ) Depósito de detritos ( ) Soterramento do duto
( ) Descalçamento

Delimitação / Sinalização Náutica ( Águas rasas ) Estado de conservação


( ) Existente ( ) Bom
( ) Localização correta ( ) Ruim

Talude:
( ) Natural Inclinação:
( ) Coral Extensão:
Altura:

Obras de Estabilização:
( ) Existente ( ) Danificada
( ) Inexistente

Tipo de Obra de Estabilização:


( ) Calçamento ( ) Enterramento ( ) Outra(especificar)
( ) Proteção mecânica

123
7.4 - Ação de Terceiros

Visando possibilitar o gerenciamento de risco das ações de terceiros, os dutos devem ser
subdivididos em trechos terrestre e submarino.

7.4.1 – Ações de Terceiros em Duto Terrestre

De forma a gerenciar o risco das ações de terceiros em duto terrestre, deve ser realizado o
levantamento de risco, conforme item 7.4.1.1 e análise das informações existentes sobre a
faixa do duto (registros, entrevistas e auditorias).

De posse da pontuação obtida do levantamento do potencial de risco, deve-se classificar a


faixa do duto, de acordo com a Tabela 7.4.2.

As atividades mínimas a serem desenvolvidas para o gerenciamento de risco da faixa de


duto terrestre, independente de sua classe de risco, estão definidas no item 7.4.1.2.

Em função da classe de risco da faixa do duto, deve-se executar as atividades contidas no


item 7.4.1.3.

O Anexo 7.4.1 - Procedimento para Monitoramento e Controle de Ações de Terceiros em


Áreas de Dutos Terrestres e Submarinos, contém a descrição detalhada para condução
destas atividades.

7.4.1.1 – Levantamento do Potencial de Risco da Faixa de Duto Terrestre

O levantamento do potencial de risco deve contemplar a verificação de cada faixa de duto,


quanto aos fatores de risco relacionados a seguir, adotando-se a pontuação constante da
Tabela 7.4.1.

PC - Profundidade de Cobertura do duto na vala: representa a distância em metros da


superfície do terreno até a geratriz superior do tubo:

I - Se PC > 1,50 m.
II - Se 1,00 m ≤ PC < 1,50 m
III - Se 0,50 m ≤ PC < 1,00 m

124
IV - Se 0,20 m ≤ PC < 0,50 m
V - Se 0,00 m ≤ PC < 0,20 m
VI - Duto aéreo.

NA - Nível de Atividade: representa o nível de atividade de terceiros na pista ou nas


proximidades da pista devido à densidade populacional e o tipo de atividade:

I - Se não existe possibilidade de atividades de escavação ou movimentação no solo por


terceiros na proximidade da pista.

II – Se há possibilidade de atividades de escavação ou movimentação no solo por terceiros


na proximidade da pista, mas não há densidade populacional.

III - Se a densidade populacional na proximidade da pista é classe 1 .

IV - Se a densidade populacional na proximidade da pista é classe 2

V - Se a densidade populacional na proximidade da pista é classe 3

VI - Se a densidade populacional na proximidade da pista é classe 4

IS - Instalações de Superfície: representa a existência de instalações acima da superfície na


pista do duto, tais como; válvulas, derivações, trechos aéreo etc.:

I - Se não existe instalações acima da superfície da pista de dutos.

II - Se existe instalações de superfície, porém distantes a mais de 60 m de tráfego de


veículos.

III - Se existe IS, distante a menos de 60 m e a mais de 10 m de tráfego de veículos, porém


protegida por cerca de tela com estacas de concreto ou muro.

IV - Se existe IS a menos de 10 m de tráfego de veículos, porém protegida por cerca ou


árvores.

V - Se existe IS a menos de 10 m de tráfego de veículos sem proteção.

125
VI - Se existe IS a menos de 5 m de tráfego de veículos sem proteção.

PE - Programa de Educação Pública: representa a existência de um programa regular de


educação para a comunidade residente nas vizinhanças da pista de dutos:

I - Se existe um programa regular de educação da comunidade com reuniões e contato


mensal tipo “porta-em-porta” com as pessoas da vizinhança da pista de dutos.

II - Se só existe um programa de reuniões trimestrais com a comunidade.

III - Se só existe um programa de reuniões semestrais com a comunidade.

IV - Se só existe um programa de reuniões anuais com a comunidade.

V - Se só existem reuniões não programadas com a comunidade quando ocorre algum


problema.

VI - Se não existe nenhum programa de educação da comunidade nem reuniões, mesmo


que eventuais.

CP - Condições da Pista: representa a situação da pista de duto quanto sua definição


(clareza dos limites da faixa da pista), limpeza e sinalização:

I - Se a pista é limpa, definida e sinalizada em toda sua extensão, com cruzamentos


sinalizados conforme a norma N-2200 e visíveis.

II - Se a pista é limpa e definida, porém a sinalização não atende a norma N-2200.

III - Se a pista é uniformemente limpa e não definida e a sinalização não atende a norma N-
2200.

IV - Se a pista possui áreas com vegetação alta e não é definida e a sinalização não atende
a norma N-2200.

126
V - Se a pista é totalmente coberta com vegetação alta, não definida e a sinalização não
atende a norma N-2200.

VI - Se a pista não é visível devido à vegetação e não existe sinalização.

FP - Freqüência de Inspeção da Pista: representa a freqüência em que é feita a vistoria ao


longo da pista para verificar a existência de anomalias, tais como; invasão da pista, erosão,
atividades de escavação, trafego de veículos não autorizados etc:

I - Se a inspeção é diária.

II - Se a inspeção é feita 3 vezes por semana.

III - Se a inspeção é feita 1 vez por semana.

IV - Se a freqüência de inspeção é quinzenal.

V - Se a inspeção é mensal.

VI - Se a inspeção é eventual ou com freqüência inferior a 12 vezes ao ano.

CC - Comunicação com a Comunidade: representa as facilidades de comunicação com a


comunidade vizinha a pista de duto para comunicação de anomalias observadas e/ou
esclarecimentos de duvidas da comunidade.:

I - Se existe um sistema de telefone 0800 para receber informações da comunidade


durante 24 horas por dia.

II - Se só existe divulgação de telefones normais para receber informações da comunidade


durante 24 horas por dia.

III - Se só existe divulgação de telefones normais para receber informações da comunidade


durante o horário administrativo.

IV - Se existem telefones normais para receber informações da comunidade, porém não são
divulgados perante a comunidade.

127
V - Se existem telefones normais para receber informações da comunidade, porém a
comunidade é deficiente de telefones.

VI - Se não existe sistema telefônico na comunidade.

Tabela 7.4.1 – Pontuação de Risco para Faixa de Duto Terrestre

NÍVEL DE RISCO CRESCENTE

NÍVEIS DE RISCO
FATORES DE
RISCO
I II III IV V VI

PC
Profundidade de 1 3 5 10 15 20
Cobertura
NA
Nível de 1 3 5 7 10 15
Atividade

IS
Instalações de 1 2 4 6 8 10
Superfície

PE
Programa de 1 3 5 7 10 15
Educação Pública
CP
Condições da 1 3 5 7 10 15
Pista
FP
Freqüência de 1 3 5 7 10 15
Patrulhamento
CC
Comunicação com 1 2 4 6 8 10
a Comunidade

128
7.4.1.2 – Classificação de Risco da Faixa de Duto Terrestre

Os resultados da pontuação de cada fator de risco (PC, NA, IS etc), conforme níveis de risco
(I, II, III etc) devem ser somados e entrando-se com este valor na Tabela 7.4.2, classifica-se
a faixa do duto terrestre quanto ao seu risco final em A, B e C, ou seja, SEVERO,
MODERADO e BAIXO, respectivamente.

A Tabela 7.4.2 classifica, de forma simplificada, as situações em que há risco de que uma
ação por terceiros possa causar uma falha estrutural de um duto.

Tabela 7.4.2 – Classificação de Risco de Faixa de Duto Terrestre


A SEVERO 70 A 100 PONTOS
B MODERADO 30 A 69 PONTOS
C BAIXO ZERO A 29 PONTOS

7.4.1.3 Ações a Efetuar em Todas as Faixas de Dutos Terrestres

7.4.1.3.1 – Efetuar, de imediato, o levantamento das deficiências de sinalização nas faixas


de dutos de forma a subsidiar os serviços a serem efetuados.

7.4.1.3.2 – Preparar, de imediato, um programa provisório de comunicação à comunidade,


concessionárias de serviços, Prefeituras, Corpo de Bombeiros, etc, com informações
básicas das faixas e dutos, bem como o que fazer em caso de emergências, sempre que for
identificada a inexistência de um programa sistematizado.

7.4.1.3.3 – Reduzir a periodicidade de inspeção, para diária, nas faixas com problema de
falta de demarcação e incidência de casos de invasão ou com constante interferência de
terceiros.

7.4.1.3.4 – Impedir a execução por terceiros de qualquer serviço na faixa que não tenha sido
analisado e aprovado pela PETROBRAS.

129
7.4.1.3.5 – Efetuar sondagem para obter a posição dos dutos sempre que não existirem
desenhos com informações georreferenciadas precisas e atualizadas.

7.4.1.4 Ações Específicas em Função da Classe de Risco da Faixa de Duto Terrestre

7.4.1.4.1 Condição de risco severo (A)

• Ausência de Sinalização - Deverá ser providenciada, de imediato (até 1 mês), a


instalação de sinalização que atenda a norma N-2200.

• Sinalização Deficiente - Deverá ser providenciada, de imediato (até 1 mês), a


complementação da sinalização de forma a atender a norma N-2200.

• Inspeção com periodicidade acima de semanal - Deverá ser providenciada, de imediato


(até 1 mês), a alteração da periodicidade de inspeção para semanal ou diária.

• Inspeção com periodicidade semanal - Deverá ser providenciada, de imediato (até 1


mês), a alteração da periodicidade de inspeção para diária.

• Ausência de Programa de Comunicação - Deverá ser providenciado, de imediato (até 1


mês), um programa sistematizado de comunicação com informações básicas das faixas
e dutos, bem como o que fazer em emergência.

• Existência de Programa de Comunicação Incompleto ou não Sistemático - Deverá ser


sistematizado ou revisado o programa utilizado ou providenciado outro, de imediato (até
1 mês), com informações básicas das faixas e dutos, bem como o que fazer em
emergência.

7.4.1.4.2 Condição de risco moderado (B)

• Ausência de Sinalização - Deverá ser providenciado, em curto prazo (até 3 meses), a


instalação de sinalização que atenda a norma N-2200.

• Sinalização Deficiente - Deverá ser providenciado, em curto prazo (até 3 meses), a


complementação da sinalização de forma a atender a norma N-2200.

130
• Sinalização Atende a Norma N-2200 - Deverá ser providenciado, em médio prazo (até 6
meses), a intensificação da sinalização.

• Inspeção com periodicidade acima de semanal - Deverá ser providenciado, em curto


prazo (até 3 meses), a alteração da periodicidade de inspeção para semanal ou diária.

• Inspeção com periodicidade semanal - Deverá ser providenciado, em médio prazo (até
6 meses), a alteração da periodicidade de inspeção para diária.

• Ausência de Programa de Comunicação - Deverá ser providenciado, em curto prazo


(até 3 meses), um programa de comunicação com informações básicas das faixas e
dutos, bem como o que fazer em emergência.

• Existência de Programa de Comunicação Incompleto ou não Sistemático - Deverá ser


sistematizado ou revisado o programa utilizado ou providenciado outro, em curto prazo
(até 3 meses), com informações básicas das faixas e dutos, bem como o que fazer em
emergência.

7.4.1.4.3 Condição de risco baixo (C)

• Ausência de Sinalização - Deverá ser providenciado, em médio prazo (até 6 meses), a


instalação de sinalização que atenda a norma N-2200.

• Sinalização Deficiente - Deverá ser providenciado, em médio prazo (até 6 meses),a


complementação da sinalização de forma a atender a norma N-2200.

• Inspeção com periodicidade acima de semanal - Deverá ser providenciado, em médio


prazo (até 6 meses), a alteração da periodicidade de inspeção para semanal ou diária.

• Inspeção com periodicidade semanal - Deverá ser providenciado, em médio prazo (até
6 meses), a alteração da periodicidade de inspeção para diária.

• Ausência de Programa de Comunicação - Deverá ser providenciado, em médio prazo


(até 6 meses), um programa de comunicação com informações básicas das faixas e
dutos, bem como o que fazer em emergência.

131
• Existência de Programa de Comunicação Incompleto ou não Sistemático - Deverá ser
sistematizado ou revisado o programa utilizado ou providenciado outro, em médio prazo
(até 6 meses), com informações básicas das faixas e dutos, bem como o que fazer em
emergência.

7.4.2 – Ação de Terceiros para Duto Submarino

De forma a gerenciar o risco das ações de terceiros em duto submarino deve-se inicialmente
levantar o potencial de risco a partir da análise dos registros e informações existentes sobre
sua diretriz e de entrevistas e auditorias a bordo de embarcações em atividade, bem como,
junto às autoridades fiscalizadoras na área de atuação da Unidade de Negócios, e onde o
duto está instalado. Este levantamento deve abordar, no mínimo, os aspectos listados no
item 7.4.2.1 e gerar uma pontuação total de risco correspondente, a partir da Tabela 7.4.3.

De posse da pontuação obtida do levantamento do potencial de risco, deve-se então,


categorizar a diretriz do duto submarino aplicando esta pontuação na Tabela 7.4.4. - classe
de risco da diretriz do duto submarino.

O Item 7.4.2.3 estabelece as atividades mínimas de gerenciamento de risco a serem


desenvolvidas para cada classe de risco da diretriz do duto submarino.

O Anexo 7.4.1 - Procedimento para Monitoramento e Controle de Ações de Terceiros em


Áreas de Dutos Terrestres e Submarinos contém o procedimento detalhado para condução
destas atividades.

7.4.2.1 Levantamento do Potencial de Risco da Diretriz de Duto Submarino

O levantamento potencial de risco deve contemplar a verificação de cada diretriz do duto


quanto aos fatores definidos a seguir, adotando-se a pontuação constante na Tabela 7.4.3:

PC - Profundidade de Cobertura do duto no leito marinho: representa a distância em metros


da superfície do leito marinho até a geratriz superior do tubo:

I - Se PC > 1,50 m.

132
II - Se 1,00 m ≤ PC < 1,50 m

III - Se 0,50 m ≤ PC < 1,00 m

IV - Se 0,20 m ≤ PC < 0,50 m

V - Se 0,00 m ≤ PC < 0,20 m

VI - Se o duto não é enterrado.

LA - Lâmina d'Água: representa a profundidade média do mar onde o duto está instalado.
Pode ser usada como lâmina d'água média a média aritmética entre a lâmina d'água da
origem e do destino.: LDA m= LDA origem + LDA destino

I - Lâmina d'água acima de 500 m.

II - Lâmina d'água entre 300 m e 500 m.

III - Lâmina d'água entre 100 m e 300 m.

IV - Lâmina d'água entre 30 m e 100 m.

V - Lâmina d'água entre 0 m e 30 m em praia aberta.

VI - Lâmina d'água entre 0 m e 30 m em área fechada do tipo baía, enseada etc.

NA - Nível de Atividade: representa o nível de atividade de terceiros mais crítico, ao longo


da diretriz do duto ou nas suas proximidades, devido a atividade de embarcações militares
ou civis de transporte e manuseio de âncoras, de lançamento de dutos e cabos elétricos e
de telecomunicação, de sísmica, de perfuração, de completação e de pesca:

I - Se não existem instalações na superfície acima da diretriz do duto, num raio de 1500 m
ao redor da mesma.

II - Se existe monobóia ou quadro de bóias acima da diretriz ou num raio de 1500 m ao


redor das mesmas.

133
III - Se existe plataforma fixa desabitada ou com tripulação apenas em turno diurno até 20
pessoas acima da diretriz ou num raio de 1500 m ao redor da mesma.

IV - Se existe plataforma fixa habitada ou “jack up” com até 100 pessoas embarcadas a
bordo acima da diretriz ou num raio de 1500 m ao redor das mesmas.

V - Se existe plataforma flutuante de produção acima da diretriz ou num raio de 1500 m ao


redor das mesmas.

VI - Se existe mais de uma plataforma ou instalações acima da diretriz num raio de 1500m
ao redor das mesmas.

PE - Programa de Educação Pública: representa a existência de um programa regular de


educação/comunicação com os GRUPOS DE TERCEIROS I E II.

GRUPO DE TERCEIRO I - é constituído das seguintes empresas e entidades:

1- Contratadas que operam na área da Unidade de Negócios.

2- Concessionárias e ANP – Agência Nacional do Petróleo que tem controle sobre a área
de operação e circunvizinhanças da Unidade de Negócios.

3- Autoridades Fiscalizadoras, tais como; IBAMA, órgãos ambientais, Marinha etc.

GRUPO DE TERCEIROS II – é constituído das seguintes entidades:

1- Entidades representantes da comunidade que exploram a pesca e outras atividades, na


área de operação da Unidade de Negócios e as outras embarcações em operação na
área onde se encontram os dutos submarinos.

ATENÇÃO: O nível de risco será definido pela situação mais crítica do aspecto e o
julgamento feito em termos do condicionante inexistente mesmo que os demais
existam e estejam operacionais. Por exemplo: Um duto será classificado como PE-VI

134
se não houver programa de reuniões, mesmo que a Unidade de Negócios disponha de
equipamentos para combate a emergências e plano de contingência.

I - Se existe um programa mensal de educação/comunicação com os Grupos Terceiros I e


II, além da realização de pelo menos, 3 simulados do plano de contingência por ano.

II - Se existe um programa de reuniões trimestrais com os Grupos Terceiros I e II, além da


realização de pelo menos, 1 simulado do plano de contingência por ano.

III - Se existe um programa de reuniões semestrais com os Grupos Terceiros I e II, além da
realização de pelo menos, 1 simulado exclusivamente para o público interno do plano de
contingência por ano.

IV - Se existe um programa de reuniões anuais com os Grupos Terceiros I e II, além de


haver plano de contingência e os equipamentos operacionais para a realização do plano.

V - Se existem reuniões não programadas com os Grupos Terceiros I e II, tem


equipamentos para emergência mas não tem plano de contingência.

VI - Se não existem reuniões programadas com os Grupos Terceiros I e II, não tem plano de
contingência nem equipamentos para emergência.

CD - Cadastramento de Dutos: representa a atualização do cadastramento dos dutos e


instalações a eles conectados em GIS e sua divulgação aos GRUPOS DE TERCEIROS I E
II definidos neste Padrão:

I - Se o cadastramento está atualizado e divulgado aos Grupos Terceiros I e II dentro de 10


dias após sua última atualização.

II - Se o cadastramento está atualizado e foi divulgada somente ao Grupo Terceiros I.

III - Se o cadastramento está atualizado e não foi divulgado.

IV - Se o cadastramento não está atualizado.

V - Se o cadastramento não está atualizado e não há um responsável ou gerência com esta


atribuição formalizada.

135
VI - Se não há cadastramento.

FP - Freqüência de Inspeção da Diretriz: representa a freqüência em que é feita a


inspeção submarina do duto ao longo de sua diretriz para verificar a existência de
anomalias, tais como; cruzamentos, danos em seu perímetro/revestimento de concreto,
existência de sucatas sobre o duto ou próximo a ele, estado geral dos anodos e conexões,
alterações do seu traçado por ação externa, existência de pequenos vazamentos, bem
como, inspeção visual pelos barcos e helicópteros de transporte:

ATENÇÃO: O nível de risco será definido pela freqüência da vistoria, pois a inspeção
submarina é obrigatória e deve ser realizada a cada 5 anos no mínimo.

I - Se a vistoria por helicópteros é diária e a inspeção submarina a cada 5 anos.

II - Se a vistoria por helicópteros é diária e a inspeção submarina a cada 5 anos.

III - Se a vistoria por helicópteros for feita 3 vezes por semana e a inspeção submarina a
cada 5 anos.

IV - Se a freqüência por helicópteros for inferior a 3 vezes por semana e a inspeção


submarina a cada 5 anos.

V - Se a freqüência por helicópteros for mensal e a inspeção submarina a cada 5 anos.

VI - Se a freqüência por helicópteros for eventual ou inferior a 12 vezes por ano e a inspeção
submarina a cada 5 anos.

CC - Comunicação com a Comunidade: representa as facilidades de comunicação


proporcionadas as embarcações, as contratadas, aos prestadores de serviços a outras
concessionárias atuantes na área onde o duto da Unidade de Negócios - UN se encontram
e as entidades representantes da comunidade que explora a pesca junto as áreas da diretriz
do duto da UN para comunicação de anomalias observadas e/ou esclarecimentos de
duvidas:

136
ATENÇÃO: O nível de risco será definido pela situação mais crítica do aspecto e o
julgamento feito em termos do condicionante inexistente mesmo que os demais
existam e estejam operacionais. Por exemplo: Um duto será classificado como PE-VI
se não houver programa de reuniões mesmo que a UN disponha de equipamentos
para combate a emergências e plano de contingência.

I- Se existe um sistema de telefone 0800 ou canal de freqüência para receber


informações durante 24 horas por dia.

II - Se só existe divulgação de telefones ou canais de freqüência normais para receber


informações durante 24 horas por dia.

III - Se só existe divulgação de telefones ou canais de freqüência normais para receber


informações durante o horário administrativo.

IV - Se existem telefones ou canais de freqüência normais para receber informações,


porém não são divulgados junto as embarcações, as contratadas, aos prestadores de
serviços a outras concessionárias e as entidades representantes da comunidade que
explora a pesca ou atuantes na área onde os dutos da UN se encontram.

V - Se existem telefones ou canais de freqüência normais para receber informações,


porém as embarcações, as contratadas, aos prestadores de serviços a outras
concessionárias e as entidades representantes da comunidade que explora a pesca ou
atuantes na área onde os dutos da UN se encontram são deficientes de telefones ou de
rádios com alcance e canais de freqüência.

VI - Se não existem telefones ou canais de freqüência para receber informações ou sistema


telefônico na área para a comunicação de terceiros com a UN.

137
Tabela 7.4.3 - Pontuação de Risco para Diretriz de Duto Submarino

NÍVEL DE RISCO CRESCENTE

FATOR DE NÍVEL DE RISCO


RISCO I II III IV V VI
PC
Profundidade de 1 2 3 5 6 8
cobertura

LA
Lâmina d'água 1 2 3 5 8 10

NA
Nível de 1 5 10 15 20 25
atividade

PE
Programa de 1 3 5 7 10 15
Educação

CD
Cadastramento 1 5 10 15 20 25
dos Dutos e
Divulgação

FP
Freqüência de 1 2 4 6 8 10
Patrulhamento
CC
Comunicação 1 2 4 5 6 7
com a
Comunidade

7.4.2.2 Classificação de Risco de Diretriz de Duto Submarino

Os resultados da pontuação de cada fator de risco (PC, LA, NA etc), conforme níveis de
risco (I, II, III etc) da Tabela 7.4.3, devem ser somados e entrando-se com este valor na
Tabela 7.4.4, classifica-se a diretriz do duto submarino quanto ao risco final em A, B e C, ou
seja, SEVERO, MODERADO e BAIXO, respectivamente.

138
A Tabela 7.4.4 classifica, de forma simplificada, as situações em que há risco de que uma
ação por terceiros possa causar uma falha estrutural de um duto.

Tabela - 7.4.4 – Classificação de Risco da Diretriz de Duto Submarino


CLASSE DE RISCO
PONTUAÇÃO
CÓDIGO DESCRITIVO
A SEVERO 70 A 100 PONTOS
B MODERADO 30 A 69 PONTOS
C BAIXO ZERO A 29PONTOS

7.4.2.3 Ações Específicas em Função da Classe de Risco da Diretriz de Duto


Submarino

Para cada classe de risco da diretriz dos dutos, são estabelecidas ações específicas
mínimas a serem realizadas naquele duto.

7.4.2.3.1 Risco severo (A)

• Desatualização do cadastramento de dutos - Deverá ser providenciado, de imediato


(dentro de até 1 mês), o cadastramento dos dutos no GIS, conforme o D.3 do ANEXO
7.4.2.3.1.

• Divulgação do Cadastro Deficiente - Deverá ser providenciada, de imediato (até 10 dias


após a atualização do cadastramento), a divulgação do cadastro a todos os terceiros
envolvidos na atividade.

• Inspeção visual com periodicidade menor que mensal - Deverá ser providenciada, de
imediato (até 1 mês), a alteração da periodicidade de inspeção para semanal ou diária.

• Inspeção visual com periodicidade semanal - Deverá ser providenciada, de imediato


(até 1 mês), a alteração da periodicidade de inspeção para diária.

• Inspeção submarina vencida - Deverá ser providenciada, de imediato (até 2 meses), a


inspeção submarina dos dutos cuja última inspeção foi realizada há mais de 5 anos.

139
• Ausência de Programa de Educação - Deverá ser providenciado, de imediato (até 1
mês), um programa sistematizado de educação com informações básicas sobre as
diretrizes, os procedimentos a serem cumpridos antes do início de trabalhos nas áreas
da UN onde os dutos estejam instalados, bem como o que fazer em emergência. Este
programa deverá contemplar no mínimo, comunicação com a ANP, contratadas,
embarcações, entidades representantes da comunidade que explora a pesca,
concessionárias de serviços de telecomunicações e energia elétrica, se aplicável,
Prefeituras, Corpo de Bombeiros, Marinha, IBAMA, órgão ambiental etc, com
informações básicas das diretrizes e dos dutos, bem como, sistematização das ações
em caso de emergências e programa no mínimo, anual para realização de simulados do
plano de contingência.

• Existência de Programa de Educação Pública incompleto ou não sistemático - Deverá


ser sistematizado ou revisado o programa utilizado ou providenciado outro, de imediato
(até 1 mês).

• Ausência de Programa de Comunicação - Deverá ser implementado programa de


comunicação, contemplando as condições de infra-estrutura básica para permitir a
comunicação com a UN.

7.4.3.2 Condição de risco moderado (B)

• Programa de Educação Pública Sistemático, mas limitado - Deverá ser providenciado,


em curto prazo (até 3 meses), a implementação do Programa as demais entidades
atuantes na área da UN onde os dutos se encontram instalados, bem como, de
programa de simulados do plano de contingência.

• Divulgação do Cadastro Deficiente - Deverá ser providenciada, de imediato (até 10 dias


após a atualização do cadastramento), a divulgação do cadastro a todos os terceiros
envolvidos na atividade.

• Programa de Comunicação em Horários Restritos - Deverá ser providenciado, em curto


prazo (até 3 meses), a ampliação dos horários de atendimento para 24 horas por dia.

140
• Inspeção visual com periodicidade acima de semanal - Deverá ser providenciado, em
curto prazo (até 3 meses), a alteração da periodicidade de inspeção para semanal ou
diária.

• Inspeção visual com periodicidade semanal - Deverá ser providenciado, em médio


prazo (até 6 meses), a alteração da periodicidade de inspeção para diária.

7.4.3.3 Condição de risco baixo (C)

• Programa de Educação Pública Sistemático, mas com pouca limitação - Deverá ser
providenciado, em curto prazo (até 3 meses), a implementação do Programa junto as
demais entidades atuantes na área da UN onde os dutos se encontram instalados, bem
como de programa de simulados do plano de contingência.

• Inspeção visual com periodicidade acima de diária - Deverá ser providenciado, em


médio prazo (até 6 meses), a alteração da periodicidade de inspeção para diária.

• Programa de Comunicação apenas com canais de radio freqüência 24 horas por dia -
Deverá ser providenciado, em médio prazo (até 6 meses), um programa de
comunicação contemplando telefones 0800 24 horas por dia.

141
ANEXO 7.4.1

PROCEDIMENTO PARA MONITORAMENTO E CONTROLE DE AÇÕES DE TERCEIROS


EM ÁREAS DE DUTOS TERRESTRES E SUBMARINOS

Objetivo
Emitir recomendações e estabelecer critérios para orientar as providências a serem
adotadas quanto às ações de terceiros interferentes com as instalações (dutos) da
PETROBRAS.

Escopo
Serão abrangidos os seguintes aspectos:
a) Sinalização
b) Barreiras
c) Comunicação
d) Mapeamento dos dutos e faixas
e) Gestão de Interferência
f) Gerenciamento de Informações
g) Emergência
h) Auditoria
i) Classificação do Risco

A) Sinalização

A.1) Terrestre:
• Revisar a sinalização existente nas faixas de dutos terrestres de forma a atender
integralmente às orientações da norma N-2200.

• Identificar e sinalizar as áreas de propriedade da PETROBRAS. As áreas que não forem


de interesse operacional ou econômico deverão ser vendidas.

• Manter uma estrutura contínua para manutenção e melhoria permanente da sinalização


existente que deverá atender no mínimo os seguintes itens:

142
- Fornecimento e instalação de marcos delimitadores
- Fornecimento e instalação de marcos quilométricos
- Fornecimento e instalação de placas de advertência tipo I
- Fornecimento e instalação de placas de advertência tipo II
- Pintura de marcos
- Pintura de placas
- Remoção de marcos
- Remoção de placas

A.2) Marítima:

A.2.1-PETROBRAS e Contratados

• Tornar obrigatório o uso de recursos de georreferenciamento, tais com; mapas e


equipamentos de posicionamento a satélite, a todos aqueles que executam serviços nas
áreas de influência das plataformas, dutos e equipamentos.

• Nos casos de intervenção em dutos nas áreas de fundeio restrito, deverá ser
respeitada uma faixa de segurança ao longo dos dutos com 100 metros de largura para
cada lado da diretriz dos mesmos. Caso esta faixa de segurança não possa ser respeita,
a instalação deverá ser sinalizada com bóia ou ROV de embarcação especial.

• Elaborar e disponibilizar, permanentemente, Mapas de Localização e de Obstáculos, de


modo a divulgar as áreas fundeio restrito/proibido onde estão instalados dutos e
equipamentos, mantendo-os sempre atualizados.

A.2.2-Externos a PETROBRAS

• Manter acordo com a Marinha, a fim de que a mesma divulgue através de suas Cartas
Náuticas as áreas de restrição de fundeio restrito/proibido, onde estão instalados dutos e
equipamentos.
• Nas áreas de águas rasas abrigadas onde exista a possibilidade de arraste do fundo de
embarcações sobre o duto, deverá ser adotado sistema de sinalização segundo padrão
da Marinha.

143
• Elaborar estudo de forma a proteger o duto nas áreas de águas rasas ou restringir o
limite de calado das embarcações que trafegam na área.

• Deverá ser feita inspeção por pig calibrador para verificação de deformidades, em
instalações de águas rasas (especificamente na Praia de Pelônias, onde navios tocam
no leito marinho).

A.3) Interface Mar x Terra - Zona de Transição:

• Adotar os seguintes critérios para sinalização das áreas e proteção dos dutos no
afloramento dos mesmos na parte terrestre:
- Proteção mecânica através de jaqueta de concreto ou furo direcional para dutos novos;
- Instalar placas de advertência e marcos de concreto conforme norma N-2200;

B) Barreiras

B.1) Terrestre

Em áreas com situação de risco de invasão dos limites da faixa, deverão ser adotadas as
seguintes ações:

• Ações de curto prazo:

- Delimitar com muros, telas e outros, de acordo com a necessidade e as posturas


municipais;
- Construir acessos nos limites da faixa para uso da comunidade;
- Urbanizar com jardins, se possível, através de convênios com Prefeituras;
- Conceder o uso a escolas ou outras entidades governamentais, para implantação de
hortas comunitárias.

• Ações de longo prazo:

- Implantar um Plano Diretor que verifique e analise as alternativas para o redesenho da


malha dutoviária da PETROBRAS nas áreas metropolitanas, em substituição à existente,
de forma a reduzir o risco da atividade de transporte de hidrocarbonetos.

144
C) Comunicação

• Elaborar plantas com a localização dos dutos e equipamentos, divulgando-as às


Concessionárias de Serviços Públicos, Prefeituras, Corpos de Bombeiro, Marinha,
órgãos de Meio Ambiente e outros, mantendo-as sempre atualizadas.

• Implantar programa permanente de informação sobre dutos e equipamentos à


comunidade, através de palestras, distribuição de revistas, cartazes ou calendários,
visita às áreas operacionais ou outro meio.

• Implantar programa permanente de treinamento para situações de emergência


(simulados) que envolvam a comunidade.

D) Mapeamento Dos Dutos E Faixas

D.1) Dutos Terrestres de Transporte

• Realizar mapeamento cartográfico e plani-altimétrico de todas as faixas, envolvendo


uma largura média de 5 km, mostrando as regiões de influência direta e indireta do duto,
em escala de visualização 1:10000, nos moldes da norma N-2624.

• Realizar mapeamento cartográfico e plani-altimétrico das faixas na escala 1:1000 com


uma largura média de 300 metros, mostrando a faixa de domínio do duto e áreas
adjacentes, da forma prevista na norma N-2624, consolidando as informações de
“conforme construído” em um único documento, principalmente quando existirem
diversos dutos na mesma faixa.

• Atualizar o cadastro de proprietários atingidos pelas faixas de dutos, divisas de


propriedades e levantamentos de pendências jurídicas para posterior ação institucional
da PETROBRAS (inexistência de escrituras de servidão de passagem).

• Realizar levantamento e cadastro das áreas de mineração existentes próximas às faixas


dos dutos (em atividade, licenciadas, em licenciamento e clandestinas). Realizar estudo
e plano de ação com base nas informações obtidas do citado levantamento.

145
• Implantar uma rede de marcos geodésicos que será a base de amarração de todos os
trabalhos de mapeamento citados e intervenções posteriores nas faixas quer pela
PETROBRAS quer por terceiros.

• Levantar a posição de cada duto instalado nas faixas e suas instalações


complementares (válvulas, leitos de anodos, retificadores etc), com precisão mínima de
0,5 metros na projeção horizontal e 10% na profundidade de enterramento, juntando os
dados daí advindos às informações do mapeamento na escala de 1:1000 (desenhos de
planta-perfil-conforme construído) acima citado.

• Os mapeamentos deverão ser atualizados de forma sistemática, no mínimo a cada 5


anos.

D.2) Dutos Terrestres de Transferência, Coleta e Produção

• Realizar mapeamento cartográfico e plani-altimétrico regional de toda a área de


influência dos dutos na Unidade de Negócio, na escala de 1:25000 ou maior, para os
dutos de transferência e coleta, envolvendo uma largura média de 5 km, mostrando as
regiões de influência direta e indireta do duto. Para as linhas de produção o
mapeamento abrangerá toda a área de produção na mesma escala.

• Realizar mapeamento cartográfico plani-altimétrico das faixas e áreas adjacentes aos


dutos, em escala cadastral, variando de 1/1.000 a 1/10.000, levando-se em
consideração a densidade populacional e outras características físicas do terreno, assim
como necessidades operacionais da Unidade de Negócio.

• Realizar e manter atualizado o cadastro de proprietários atingidos pelas faixas de dutos


e divisas de propriedades.

• Realizar levantamento e cadastro das áreas de mineração existentes próximas às faixas


dos dutos (em atividade, licenciadas, em licenciamento e clandestinas). Realizar estudo
e plano de ação com base nas informações obtidas do citado levantamento.

• Implantar uma rede de marcos geodésicos ao longo das faixas dos dutos.

• Levantar a posição de cada duto instalado nas faixas e suas instalações


complementares (válvulas, leitos de anodos, retificadores, etc), com precisão mínima de

146
0,5 metro na projeção horizontal e 10% na profundidade de enterramento, juntando os
dados advindos das informações do mapeamento em escala cadastral.

• Os mapeamentos cartográficos deverão ser atualizados de forma sistemática, no mínimo


a cada 5 anos.

D.3) Dutos Submarinos

• Realizar mapeamento cadastral cartográfico plani-altimétrico dos dutos e suas áreas de


influência, equipamentos e demais instalações marítimas.

• Realizar levantamento geodésico plani-altimétrico da posição de cada duto, seus


equipamentos, suas interferências e das demais instalações submarinas.

• Os dados obtidos através do mapeamento cadastral deverão possibilitar o modelamento


tridimensional.

• O mapeamento cartográfico e o levantamento geodésico deverão ser atualizados de


forma sistemática, no mínimo a cada 5 anos.

D.4) Orientações Gerais

• Adotar os produtos resultantes das atividades acima como os únicos a serem


disponibilizados para terceiros e utilizados nas atividades de manutenção dos dutos e
faixas.

• Na representação cartográfica dos mapeamentos deverão constar todos os parâmetros


pertinentes, tais como datum geodésico, elipsóide, projeção cartográfica, meridiano
central etc.

• Todos as instalações (terrestres e marítimas) e os obstáculos à navegação deverão ser


disponibilizados em Sistemas de Informações Geográficas que deverão ser publicados
na Intranet, e sempre que possível, ser acessível a qualquer computador conectado a
rede interna, atendendo a Política de Segurança da Informação da PETROBRAS, bem
como, servir de base de dados para os SICONs (Sistema Informatizado de

147
Contingência). Estes sistemas deverão ser integrados com as bases de dados de outros
sistemas da PETROBRAS (tais como WEBDUTOS, GISBR, GEORISCO, etc).

• Os Sistemas de Informações Geográficas deverão ter as seguintes características


complementares:
- Permitir a integração com outros bancos de dados da PETROBRAS (expansão do
sistema);
- Ser baseado em sistemas gerenciadores de BD que tenham capacidade de
armazenar informações gráficas;
- Manter arquivadas as informações de metadados dos dados adquiridos e
processados.
- Permitir controle de sinalização e de barreiras;
- Auxiliar na gestão de interferências;
- Integrar a localização geográfica dos dutos com as informações alfanuméricas
relativas aos mesmos;
- Examinar o histórico de qualquer ponto do duto, incluindo fotos terrestres e aéreas;
- Verificar o andamento de obras e serviços em execução;
- Gerenciar os registros de serviços de terceiros;
- Gerenciar a documentação que englobe as escrituras de propriedade das áreas,
plantas, controle de impostos (IPTU) etc.
- O mapeamento deve identificar os dutos, bem como, todas as feições naturais
(corais, afloramentos etc) e artificiais (cruzamentos, restos de obras, sucatas,
depósitos etc).

E) Gestão de Interferência

E.1) Terrestre:
• Elaborar e implantar procedimentos para retirada de invasões em áreas de propriedade
da PETROBRAS, considerando os aspectos jurídicos, mantendo-os atualizados. Deverá
ser considerada a seguinte orientação:
- A invasão recente deverá ser retirada de imediato.
- Nos casos de invasões já existentes com prazo menor que um ano e dia, deverá ser
providenciada liminar para reintegração de posse do terreno.
- Invasões já existentes com prazo maior que um ano e dia, deverá ser providenciada
ação judicial para reintegração de posse do terreno.
- A negociação deverá ser prevista como alternativa para as situações acima ou nos
casos onde a faixa for servidão de passagem ou estiver em área de domínio público.

148
• Manter uma estrutura contínua para inspeção das faixas de dutos e áreas de domínio da
PETROBRAS, que deverá contemplar no mínimo:
- Especificar as ocorrências que deverão ser verificadas durante a inspeção da faixa e
formalizadas através de Relatório de Inspeção;
- As ocorrências de invasão, vazamento, movimentação do solo, incêndio,
construções, escavação e estaqueamento deverão ser comunicadas, de imediato, à
PETROBRAS;
- As faixas deverão ser distribuídas por trechos e definida a periodicidade de inspeção
de cada trecho;
- Os inspetores deverão ter sua freqüência controlada por sistema eletrônico instalado
ao longo das faixas de dutos;
- Os inspetores deverão possuir, no mínimo, o primeiro grau completo e receberem
treinamento específico, com carga de oito horas em sala de aula e de oito horas em
visita de campo, com acompanhamento e aprovação da PETROBRAS;
- Deverá ser previsto meio de comunicação que permita o rápido contato do Inspetor
com a PETROBRAS quando necessário.

• Elaborar e implantar processo para regular, controlar e gerenciar os serviços de terceiros


em áreas de uso da PETROBRAS, mantendo-o permanentemente atualizado e
divulgado. Deverão ser consideradas as seguintes etapas e orientações:

E.1.1-Solicitação para Execução da Interferência


- O solicitante (Órgãos Públicos, Concessionárias de serviços públicos, empresas
privadas ou pessoas físicas em geral) requisita informações e/ou plantas para subsidiar
uma obra de interferência em área de uso da PETROBRAS.

- O órgão da PETROBRAS responsável pela área informa ao solicitante como formalizar o


pedido de interferência (dados e documentos necessários), e se for o caso, fornece as
orientações e/ou desenhos;

- O projeto do terceiro a ser apresentado para aprovação da PETROBRAS deverá tomar


como base o desenho da PETROBRAS, inclusive no aspecto do Sistema de Projeção e
Datum utilizado, de forma a permitir a inserção das informações em Sistema de
Informações Geográficas;

149
E.1.2-Formação do Processo
- Iniciar o processo dando número ao mesmo e cadastrando-o em Banco de Dados
específico, atualizando-o permanentemente até o seu encerramento.

E.1.3-Análise Técnica da Obra Interferente


- Identificar com precisão a localização da interferência, em cópia da planta cadastral da
área envolvida, a qual deverá ser anexada ao Parecer Técnico;

- Visitar o local da interferência, para verificar as condições reais da área e a necessidade


ou não de sondagem para inspecionar as instalações subterrâneas ou as condições
geológicas;

- Para a realização das obras de campo, complementarmente deverão ser realizadas


sondagens ao longo de cada duto na faixa, no trecho da interferência, e estas
sondagens terão afastamento máximo longitudinal ao duto de 5 metros;

- Os processos de sondagens aceitos são os não destrutivos e que garantam a


localização de cada duto (escavação manual, instrumento eletromagnético ou georadar).
Fica vedada a prática de sondagem por haste metálica;

- Os dutos localizados pelo processo de sondagem deverão ser sinalizados no campo


com piquetes sobre o terreno;

- Elaborar a Análise Preliminar de Perigo (APP) dos serviços, com a participação do


solicitante (projetista e execução) e PETROBRAS (fiscalização e segurança), prevendo
Plano de Contingência em caso de emergência. Havendo envolvimento de outros
setores, representantes dos mesmos deverão participar da análise;

- Classificação da obra interferente, (aérea, em nível, subterrânea ou especial),


mencionando-a no parecer Técnico;

- A partir da análise dos dados fornecidos pelo solicitante, as observações obtidas na


visita e os resultados de sondagem, verificar a viabilidade técnica da obra pretendida,
em relação às instalações da PETROBRAS, estabelecendo as condições a serem
observadas, quando da execução dos serviços;

150
- Os materiais empregados na interferência, assim como os métodos executivos, devem
estar de acordo com as normas, especificações e recomendações da Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e normas da PETROBRAS em vigor.

- Nos cruzamentos sobre os dutos, deve ser verificado se a carga adicional advinda da
obra interferente é compatível com a carga máxima admissível suportada pelos mesmos.

- No caso de obras que venham a dificultar o acesso futuro às instalações subterrâneas


da PETROBRAS, verificar a necessidade de escavação e prévia inspeção destas
instalações, bem como estabelecer eventuais medidas de proteção ou que visem facilitar
o acesso às mesmas, após a implantação da obra interferente. Estabelecer as
dimensões do trecho a ser escavado, bem como verificar a necessidade de troca do solo
na área de interferência.

- As interferências não devem utilizar a faixa de dutos no sentido longitudinal.

- Caixas de inspeção, passagem e válvulas da interferência devem estar fora dos limites
da faixa de dutos.

- Verificar se durante a execução da interferência haverá o trânsito de máquinas sobre a


faixa e se o duto suporta esta carga. Solicitar a instalação de placas de advertência
próxima ao local de cruzamento de máquinas autorizado (existência de duto(s),
proibições pertinentes etc). Solicitar também a instalação de cercas em torno dos limites
da faixa, a fim de deixar livre somente o local de cruzamento de máquinas.

- Solicitar a instalação de placa na obra, com as informações técnicas desta.

• Obras aéreas
- Os cruzamentos aéreos devem ser executados numa altura compatível com a finalidade
a que se destina a instalação, obedecida eventual restrições quanto à utilização da área
pela PETROBRAS.

- Nos cruzamento de linhas de transmissão e/ou distribuição de energia elétrica de baixa


tensão (220 V) e média tensão (13,6 KV), deve ser mantida uma distância mínima de 6,0
(seis) metros entre as mesmas e o nível do solo. Devem ser analisados as
interferências do sistema de transmissão e eventuais aterramentos, com as instalações
da PETROBRAS.

151
- Os postes e estais devem ficar fora dos limites da faixa, a uma distância mínima de 3,0
(três) metros.

- Os postes adjacentes à faixa não podem possuir aterramento e o ângulo de cruzamento


com a faixa de dutos deve ser de 90°.

- As linhas de transmissão de energia elétrica de alta tensão (à partir de 69 KV), deverão


ser sinalizadas com esferas no cruzamento com a área ocupada pela PETROBRAS,
segundo normas próprias do solicitante ou, na inexistência destas, segundo padrões
estabelecidos por órgãos técnicos oficialmente reconhecidos ou ainda, conforme
orientações e normas da PETROBRAS.

- O ângulo de cruzamento com a faixa de dutos deve ser o mais ortogonal possível, com
ângulo mínimo de 60o (sessenta graus) e as torres equidistantes da faixa.

- O solicitante deverá apresentar estudo sobre as interferências eletromagnéticas da linha


de transmissão sobre a faixa, visando a segurança das instalações e dos seres
humanos. Este estudo deve contemplar:
a) O perfil de tensão ao longo de todo o duto.
b) O levantamento das medidas corretivas necessárias, realizando a simulação das
novas tensões resultantes, até que seja obtida a condição de segurança para os
dutos e seres humanos.

- O limite de tensão induzida total deve ficar abaixo de 5.000 volts.

• Obras em nível
- Verificar a necessidade de substituição do solo e de compactação, determinando o tipo
de material de reposição.

- Havendo necessidade de corte no terreno da faixa, indicar a cota de rebaixamento do


nível do terreno.

- Havendo necessidade de aterro, verificar o tipo de solo e compactação, bem como a


altura da camada de material, para que o duto não fique muito profundo. Se for o caso,
determinar a instalação de tubo camisa.

- Deve ser analisado se a drenagem de águas no local será afetada ou se necessitará de


alterações.

152
- Nos casos de acesso de veículos verificar a carga máxima de veículo prevista para
circular, tipo de pavimentação e facilidade de bloqueio do trânsito por tempo
indeterminado para manutenção dos dutos da PETROBRAS. Havendo necessidade
determinar a instalação de tubo camisa.

• Obras subterrâneas
- A distância mínima entre a interferência e a instalação existente deve ser de 60
(sessenta) centímetros.

- Verificar a necessidade de proteções como jaqueta de concreto (norma N-1502) e/ou


tubo camisa (norma N-2177).

- Para obras subterrâneas prever sinalização de acordo com a norma N-2200.

- Em áreas onde existam instalações subterrâneas da PETROBRAS, as escavações que


se façam necessárias à execução da obra, devem ser feitas, em princípio, apenas com
ferramentas manuais. Escavações com equipamentos mecanizados só devem ser
autorizadas após criteriosa verificação da situação das instalações da PETROBRAS e
devem ser, necessariamente, acompanhadas pela fiscalização da PETROBRAS.

- Nos cruzamentos de tubulações em aço ou ferro fundido, com diâmetro maior ou igual a
4” (quatro polegadas) com os dutos da PETROBRAS, exigir do solicitante projeto de
proteção catódica, que deverá ser enviado à atividade de proteção catódica do órgão,
para análise e emissão de Parecer Técnico.

- No caso de adutoras ou quaisquer outras tubulações conduzindo fluidos sob pressão,


deverá ser prevista a instalação de válvulas de bloqueio à montante e à jusante do
cruzamento com a área de uso da PETROBRAS.

- Cruzamentos de cabos elétricos ou telefônicos, quando subterrâneos, deverão ser


executados através de eletrodutos envelopados em concreto, devidamente sinalizados,
segundo normas próprias do solicitante ou, na inexistência destas, segundo padrões
estabelecidos por órgãos técnicos oficialmente reconhecidos ou, ainda, conforme
orientações e normas da PETROBRAS.

153
• Obras especiais
- Deverá ser verificado se as orientações descritas anteriormente podem ser adequadas a
interferência.

- Havendo necessidade consultar normas PETROBRAS e/ou outras normas técnicas


pertinentes ao tipo de interferência.

E.1.4-Formalização do Processo
- Concluindo pela inviabilidade da interferência, o órgão irá preparar correspondência
comunicando o fato ao solicitante, com as devidas justificativas e providenciar o
encerramento do processo.

- Concluindo pela viabilidade da interferência o órgão procederá a análise da situação


dominial da área, a fim de determinar o tipo de documento a ser emitido para a
formalização do processo junto ao solicitante. O documento formalizador da
interferência poderá ser:

§ CONTRATO PARA USO DE ÁREA - Será utilizado quando a interferência ocorrer


em área de propriedade da PETROBRAS;

§ TERMO DE AJUSTE - Será utilizado quando a interferência ocorrer em área na qual


a PETROBRAS detenha apenas direitos de uso de passagem (domínio público ou
servidão);

§ Quando a situação dominial da área não se enquadrar em um dos padrões jurídicos


ou a natureza da obra e/ou sua forma de execução apresentarem características
especiais, a minuta do documento deverá ser encaminhada ao órgão jurídico de
apoio, com os anexos necessários para a completa análise do caso sob os aspectos
legais e normativos.

E.1.5-Execução da Obra
- Acompanhar as escavações de sondagem prévia efetuada para subsidiar o projeto e/ou
o parecer técnico;

154
- Somente liberar o início dos serviços após o recebimento do instrumento formalizador ou
outro que o substitua, com a aprovação do Titular do órgão, o documento bancário de
cobrança quitado da taxa de fiscalização, e se for o caso, a anuência de outra Unidade
da PETROBRAS ou do proprietário da área envolvida;

- Ao receber o instrumento formalizador verificar a existência de todos os anexos citados


no mesmo (Análise Preliminar de Risco - APP, Memorial Descritivo, Procedimentos
Executivos, Qualificações, Desenhos etc.). Na ausência de algum anexo, solicitar cópia;

- Efetuar reunião para soldagem de trepanação conforme a norma N-2163, se o projeto


prever a necessidade de soldagem nos dutos de cabo para proteção catódica;

- Informar a Atividade Operacional do órgão através do sistema informatizado de correio


eletrônico, a realização de serviços de terceiros na faixa de dutos.

- Observar que a obra seja executada em conformidade com o projeto aprovado e as


condições estabelecidas no instrumento formalizador e seus anexos, atentando para o
cumprimento das recomendações técnicas estabelecidas no instrumento formalizador da
interferência;

- Cobrar a emissão de Relatório Diário de Obra (RDO) durante a execução da


interferência, a ser rubricado pela fiscalização e o responsável técnico do serviço;

- Preencher a Permissão de Trabalho e as Listas de Verificação para trabalhos na faixa e


trabalhos a quente, se for o caso;

- Acompanhar permanentemente a execução dos serviços de interferência. Caso o fiscal


designado para o acompanhamento necessite ausentar-se do local, deve paralisar o
serviço ou providenciar sua substituição;

- Em casos extremos, onde houver potencial de risco iminente ao duto, deverá ser
procedida a interrupção da operação do duto durante o período crítico.

- Em caso de emergência em que haja vazamento e/ou fogo, deve comunicar


imediatamente a Atividade Operacional do órgão através de telefone, para acionamento
do Plano de Ação de Emergência (PAE).

155
- Se forem necessárias alterações no projeto original da obra, paralizá-la, estabelecendo
as medidas de segurança necessárias, e orientar o solicitante que justifique por escrito,
para análise e aprovação;

- A continuidade dos serviços dar-se-á somente após o retorno do processo com a devida
aprovação do Titular do órgão ou responsável por ele designado.

- Após um período de 30 (trinta) dias corridos de interrupção da obra, sem justificativa


formal, formalizar ao solicitante o cancelamento da autorização.

E.1.6-Encerramento e Arquivamento do Processo


- Após a conclusão dos serviços, será efetuado o arquivamento do processo, com todos
os seus anexos.

- Deverá ser efetuada a atualização dos desenhos existentes da área envolvida, neles
inserindo os dados relativos à obra interferente tal como executada, destacando o seu
posicionamento em relação aos equipamentos e/ou instalações da PETROBRAS.

E.2) Marítima:
• Antes do início de qualquer trabalho off-shore em áreas com instalações da
PETROBRAS, a empresa responsável pela embarcação deverá contactar o órgão da
PETROBRAS responsável pelo Sistema de Informações Geográficas, visando obter as
informações georreferenciadas pertinentes. Este órgão fornecerá mapas atualizados
com as instalações e obstáculos das áreas em questão e orientações para evitar
acidentes com as instalações da PETROBRAS.

• Sempre que for identificada uma embarcação desconhecida em área de concessão da


PETROBRAS, deverá ser adotado o seguinte procedimento:
- Notificar a embarcação por rádio e por escrito, exigindo a imediata interrupção de
suas operações e solicitando as coordenadas geodésicas da área de trabalho e o
período estimado para as operações e informando do risco de acidentes para as
instalações da PETROBRAS.
- Dar conhecimento do ocorrido a ANP.
- Exigir a presença, na PETROBRAS, do responsável pela embarcação em questão,
para definir quando e como será o retorno à operação.

156
- Providenciar mapa contendo a delimitação da área em questão, instalações da
PETROBRAS e demais obstáculos, encaminhando-a a embarcação.
- Atualizar permanentemente o Sistema de Informações Geográficas gerenciador das
informações, repassando os dados pertinentes para a embarcação;

• Estabelecer fluxo de informações georreferenciadas e procedimentos entrem a


PETROBRAS e a Marinha, visando salvaguardar os dutos e demais equipamentos e
instalações da PETROBRAS;

• Analisar a viabilidade de implementação de Sistema de Georeferenciamento e de


Controle da Navegação nas áreas de atuação da Unidade de Negócios (tipo SINDACTA
DE NAVEGAÇÃO) de embarcações com capacidade de detecção das mesmas em
tempo real.

F) Gerenciamento de Informações
• Designar ou criar um órgão em cada Unidade Operacional, que irá centralizar e
gerenciar as informações referentes às instalações existentes, definindo os
procedimentos a serem adotados para atualização permanente da base de dados
implantada.

• Este órgão será o responsável pela atualização permanente do Sistema de Informações


Geográficas e pela divulgação interna e externa dos dados necessários aos aspectos de
sinalização, barreiras, comunicação e mapeamento dos dutos e faixas.

G) Emergência
• Para casos de emergência deverá ser elaborado e implantado previamente um Plano de
Ação de Emergência, para determinar as ações a serem efetuadas.

H) Auditoria
• Designar ou criar um órgão para definir e implementar um programa permanente de
auditorias, a fim de garantir a implantação e atendimento ao Programa de Integridade
Estrutural dos Dutos da PETROBRAS.

157
8 – PIGS INSTRUMENTADOS

8.1 - Objetivo

Estabelecer as características básicas e diretrizes para seleção e uso de pigs


instrumentados na inspeção de dutos.

O Anexo 8.1 descreve os diversos tipos de pig instrumentado, incluindo a que cada pig se
aplica (tipo de defeito detectado, levantamento de coordenadas etc)

8.2 - Seleção do Tipo de Pig a Ser Utilizado

Os pigs instrumentados devem ser selecionados de acordo com o tipo de ocorrência que se
procura, sejam elas deflexões, descontinuidades, acessórios e mesmo características do
duto. Na tabela a seguir estão listados os principais tipos de ocorrências que se procura nos
dutos e os pigs com capacidade de detectá-las:

TIPOS DE PIGS
GEO MFL UT INERCIAL PERFIL UMBILICAL ULTRA- MAGNÉT. PIG
OBJETIVO DA INSPEÇAO TEMP E SÔNICO P/ P/ DETECÇAO
PRES. TRINCAS TRINCAS VAZAMENTO

AMASSAMENTOS X
MOSSAS X
OVALIZAÇÃO X
GAUGE, ENTALHES, X X X
SULCOS.
DOBRAMENTO (BUCKLE) X
EROSÃO INTERNA X X X
TRINCAS X X
RAIOS DE CURVATURA X X
CORROSÃO INTERNA X X X
CORROSÃO EXTERNA X X X
FALHAS NO X
REVESTIMENTO ISOLANTE
TÉRMICO
VALORES DE PRESSÃO E X
TEMPERATURA
MUDANÇA DE TRAÇADO X
PEQUENOS VAZAMENTOS X
EMPOLAMENTO X X
ACESSÓRIOS DO DUTO X X X

158
Deve-se observar adicionalmente que:

1- Os pigs geométricos (GEO) são indicados para:


a. Habilitação do duto após a sua montagem;
b. Identificação de reduções e obstruções internas;
c. Raios de curvatura;
d. Habilitação do duto para inspeção com outros pigs instrumentados.

2- Os pigs magnéticos para detecção de defeitos volumétricos (MFL) são indicados


especialmente para a detecção de corrosão.

Os pigs magnéticos (MFL) de baixa resolução podem ser utilizados em dutos onde:
a. Correlação é possível;
b. Não se tem histórico de falhas;
c. Não críticos;
d. Não se tem histórico de inspeção.

Os pigs magnéticos (MFL) de alta resolução são indicados quando:


a. Histórico de muitas anomalias;
b. Necessidade de diferenciação de defeitos internos dos externos;
c. Necessidade de maior precisão no dimensionamento de defeitos.

3- Em dutos com severa corrosão interna (“tipo caminho de rato”), onde a quantificação dos
defeitos é imprescindível e com elevada precisão, deve-se empregar o pig de ultra-som
para detecção de defeitos volumétricos (UT). Nestes casos é importante uma boa
limpeza do duto, velocidade de deslocamento do pig menor que 1,5 m/s e o uso de
líquido leve e homogêneo. O pig de ultra-som tolera maiores restrições geométricas
quando comparado com o pig magnético. Portanto, nos casos de restrições geométricas,
o pig de ultra-som é a melhor alternativa para detecção de defeitos volumétricos em
linhas com restrição geométrica.

4- O pig inercial é o pig que deve ser empregado nas seguintes situações:
a. Mapear o traçado do duto (coordenadas UTM);
b. Localizar (coordenadas UTM) as indicações relatadas por outros pigs;
c. Identificar alterações de traçado provocadas por movimentação de solo ou
operações em temperaturas elevadas.

159
5- Em dutos com danos extensos no revestimento isolante térmico, e onde se deseja
identificar a região danificada através do uso de pigs, deve-se utilizar pigs para a
perfilagem de temperatura.

8.3 - Procedimentos Operacionais

A PETROBRAS deve fornecer à prestadora de serviços com pigs instrumentados, o


Questionário Padrão do duto. Este formulário deve estar preenchido de forma criteriosa, pois
as informações ali contidas são essenciais tanto no planejamento da inspeção, por parte da
contratada, como no momento da emissão dos laudos e relatórios finais. No Anexo 8.3,
apresenta-se o modelo do Questionário Padrão.

8.3.1 - Planejamento da Corrida

Deve ser elaborado um planejamento da corrida do pig, envolvendo os setores de


programação, operação, inspeção, manutenção e segurança industrial, além da participação
da empresa prestadora de serviços com o pig. Este planejamento deverá atender os
requisitos do item 5.1 da norma N-2634. No mínimo, os seguintes assuntos devem ser
abordados:

a. Confirmar a abertura plena de todas as válvulas, fechamento de bypasses, a


necessidade da retirada de cupons de corrosão e outros obstáculos para a passagem do
pig. Verificar o funcionamento dos indicadores de passagem de pigs;
b. Acompanhar e registrar detalhadamente a vazão e pressão no duto durante a corrida;
c. Definir a velocidade de deslocamento do pig e estabelecer a necessidade ou não de
velocidade constante;
d. Definir pressão e temperatura;
e. Definir tempo estimado de corrida;
f. Reservar uma quantidade mínima de produto a ser bombeado para garantir a chegada
do pig no recebedor, dentro do tempo estimado para a corrida;
g. Definir os pontos de acompanhamento de passagem do pig, em especial válvulas,
travessias de rios, trechos aéreos etc. Confirmar o fácil acesso a estes pontos.

É recomendável estabelecer um plano de contingência para implementar ações mitigadoras


em curto prazo, no caso de aprisionamento do pig.

160
8.3.2 - Condicionamento do Duto

O duto a ser inspecionado por pig instrumentado deve ser previamente preparado a fim de
assegurar a qualidade das inspeções e evitar o aprisionamento do pig.

8.3.2.1 - Condições de Limpeza

Para dutos sem rotina de limpeza, esta deve ser iniciada através da passagem de pigs de
espuma de baixa densidade (28 kg/m3). Progressivamente, a agressividade do pig deve ser
aumentada, primeiramente com o aumento da densidade e depois, passando-se para pigs
rígidos, como: flexpigs, raspadores etc. (ver norma N-2634).

O controle do grau de limpeza do duto é acompanhado pelos seguintes indicadores:

a. Pressão – alterações de pressão durante o deslocamento do pig de limpeza indicam a


possibilidade de presença de detritos e resíduos internos, observando-se os valores de
pressão nas duas extremidades do duto.

b. Resíduos – controlar a quantidade e características dos resíduos carreados pelo pig e


encontrados no recebedor. Para melhor controle deste item, é importante isolar o
recebedor logo após a chegada do pig. Quanto maior a dimensão dos detritos sólidos,
piores as condições de limpeza do duto. O mesmo acontece com a quantidade de
resíduos trazidos pelo pig.

c. Em dutos sujeitos a incrustação ou parafinação, a fim de evitar o acúmulo de resíduos à


frente do pig, recomenda-se utilizar aberturas de bypass no pig;

d. Condições do pig: Ao sair do recebedor, o pig deverá ser analisado quanto ao desgaste
geral e danos localizados, como por exemplo rasgos, desgastes dos copos etc (maior
dano apresentado pelo pig pode ser indicativo de detritos no duto, válvulas com abertura
parcial, derivações etc).

A condição final de limpeza é um dos principais pré-requisitos para o bom desempenho dos
pigs instrumentados.

161
Recomenda-se que as últimas etapas da limpeza fiquem a cargo da mesma empresa
operadora do pig instrumentado.

A empresa operadora do pig instrumentado deverá atestar oficialmente que o duto


está em condições adequadas de limpeza para a inspeção.

8.3.2.2 - Condições Geométricas

Inicialmente, deve-se passar um pig com placa calibradora com diâmetro de 94% do menor
diâmetro interno do duto. Caso a placa saia sem deformações, não é imperativa a
passagem do pig geométrico. Nos casos de indicações de obstruções e outros tipos de
dúvidas quanto à geometria do duto, deve-se utilizar o pig geométrico.

Observar que a passagem do pig com placa calibradora não assegura nenhuma informação
quanto ao raio mínimo de curvatura.

É prática usual a inspeção do duto com pig geométrico previamente à inspeção com pigs de
corrosão.

Os lançadores e recebedores de pigs e derivações devem estar de acordo com os requisitos


do pig instrumentado a ser utilizado. Estes acessórios devem estar de acordo com a norma
N-505.

A empresa operadora do pig instrumentado deverá atestar oficialmente que o duto


está em condições geométricas para a inspeção.

8.3.2.3 - Velocidade de Deslocamento do Pig

No caso de gasodutos é essencial que o controle de velocidade de deslocamento do pig


seja objeto de discussão específica com a contratada e de acompanhamento por parte da
PETROBRAS.

O Anexo 8.2 discute os limites aceitáveis para velocidade de deslocamento dos diversos
tipos de pig.

162
8.3.2.4 - Referências de Posição Longitudinal

Recomenda-se que, no máximo, a cada dois quilômetros do duto exista uma referência de
distância com o objetivo de minimizar os erros de localização longitudinal. A escolha de um
determinado tipo de referência de distância é função do tipo de pig que será utilizado, isto é,
o pig instrumentado deve ser capaz de registrar a marca gerada pela referência. O uso de
magnetos é preferível.

A seguir, apresentam-se alguns tipos de referências de distância que são normalmente


utilizadas:
a. Acessórios existentes no duto, como válvulas, derivações, niples, etc;
b. Magnetos instalados na linha;
c. Para dutos com revestimento espesso, como concreto, isolamento térmico, mantas, etc,
o uso de magnetos instalados sobre o revestimento tem baixa eficiência. Nestes casos,
o uso de dispositivo sinalizador de superfície (above ground), é o mais recomendado.
d. Para dutos submarinos recomenda-se o uso dos anodos de sacrifício. Alternativamente
pode ser utilizados sistema de referência com rádio freqüência.

Os pigs não magnéticos como o de ultra-som, geométrico e inercial podem utilizar marcas
obtidas a partir do above ground ou sinalizadores de rádio freqüência.

A relação completa das referências deve constar de uma tabela a ser criada entre a
PETROBRAS e a empresa contratada.

8.3.3 - Sinalizador do Pig Instrumentado

Recomenda-se que todo o pig instrumentado tenha um sinalizador que auxilie na sua
localização. Normalmente isto é feito com a colocação de um emissor de ondas de rádio no
pig e um receptor de ondas portátil, que é deslocado externamente ao duto. Este sistema
permite a detecção e localização do pig, mesmo que o detector esteja afastado em
aproximadamente 3 metros do duto.

O uso destes sinalizadores permite identificar mais facilmente a passagem do pig em pontos
de acompanhamento, além de permitir a localização precisa do pig caso haja travamento da
ferramenta.

163
8.3.4 - Lançamento, Acompanhamento da Corrida e Recebimento do Pig.

Estas etapas deverão atender os requisitos dos itens 5.2, 5.3 e 5.4 da norma N-2634. No
mínimo, durante a corrida do pig, deve-se realizar o seguinte:
a. Registrar os tempos de: inicio da corrida, passagem nos pontos de acompanhamento,
chegada no recebedor;
b. Manter comunicação freqüente com a operação e entre as equipes de
acompanhamento;
c. Controlar a velocidade de passagem, especialmente quando o pig requer controle de
velocidade;
d. Registrar qualquer anomalia ocorrida durante a corrida, registrando no relatório de
acompanhamento. Por exemplo, parada do pig, parada de bombeio, excesso de
pressão, queda de vazão etc.
e. Observar que, após a passagem do pig, para os dutos onde ocorre a injeção de inibidor,
deverá ser previsto um aumento de sua concentração.

Uma vez que os pigs instrumentados têm uma grande capacidade de carrear resíduos,
recomenda-se, quando do recebimento, proceder a coleta de amostras de resíduos para
análise quanto à corrosividade. Registrar também o volume e tipo do resíduo. É
recomendável o registro fotográfico deste resíduo.

8.3.5 - Análise Preliminar da Corrida

Após a retirada do pig do recebedor, os seguintes parâmetros devem ser verificados:

a. Estado geral quanto ao desgaste e danos mecânicos – copos, hodômetros, sensores,


presença de detritos, cortes, amassamentos no pig;
b. Validação preliminar da corrida. A empresa prestadora de serviços responsável pelo pig
deve informar se a corrida foi válida ou não. Sempre que possível solicitar a impressão
do registro do lançador, recebedor e de algum outro ponto notável. Isto permite ver se os
sensores e hodômetros funcionaram adequadamente;
c. Para dutos críticos, a prestadora de serviço deve indicar, após a corrida do pig, os
pontos críticos para imediata ação saneadora.
d. Não é aceitável perda de registro de inspeção, em todos os canais ao mesmo tempo, em
nenhuma fração do comprimento do duto. Em casos onde a perda de sinal ocorra em
trechos onde é possível a aplicação de métodos alternativos de verificação, será feita
avaliação pelo técnico da PETROBRAS responsável pela inspeção com pig.

164
e. A aceitação do relatório final com a perda de um ou mais canais não consecutivos pode
ser avaliada pelo técnico da PETROBRAS responsável pela inspeção com pig.

8.3.6 - Recondicionamento do Duto Após a Corrida do Pig

Após a corrida do pig, deve-se retornar às condições normais de operação, especialmente


nos seguintes itens:

a. Reposicionar os provadores, quando for o caso.


b. Reposicionar os indicadores de passagem de pig e os bypass ao longo do duto, se for o
caso.
c. Restabelecer o filme do inibidor de corrosão, quando aplicável.
d. Secagem dos gasodutos, quando a inspeção for realizada em meio líquido.
e. Recuperar pontos de retirada de revestimento, onde foram colocados os magnetos.

8.4 - Relatórios de Inspeção

O relatório de inspeção é característico de cada tipo de pig a ser utilizado. A seguir serão
listados os requisitos de relatório exigidos em função do tipo de pig:

8.4.1 - Pig Geométrico

Requisitos padrão:
– Especificação do pig utilizado;
– Dados da operação de campo;
– Informações sobre o duto, responsáveis pelo serviço, data, responsável pelo cliente
(técnico da PETROBRAS);
– Lista das principais anomalias encontradas com as respectivas folhas de escavação.
Indicar o posicionamento em relação à distância do lançador e a uma referência próxima
conhecida, quantificar a profundidade, largura e comprimento, identificando o tipo de
anomalia. Todas as restrições geométricas acima de 4% devem ser relatadas. Em
regiões de soldas, todas as anomalias devem ser relatadas;
– Mudanças de espessura de parede do tubo;
– Listar todos os acidentes identificados.

165
Requisitos adicionais:
– Planilha de tubos – lista seqüencial dos tubos que compõe o duto;
– Visualização tridimensional das anomalias;
– Caso seja solicitado, todas as restrições geométricas acima de 1,5% devem ser
relatadas;
– Identificação de referências tipo above ground, para facilitar a localização e manutenção
de avarias;
– Precisão do hodômetro em 1:1000.

8.4.2 - Pig Magnético – Alta Resolução

Requisitos padrão:
– Especificação do pig utilizado;
– Dados da operação de campo;
– Informações sobre o duto, responsáveis pelo serviço, data, responsável pelo cliente
(técnico da PETROBRAS);
– Listar no relatório todas as anomalias acima de 20% de perda da espessura. Apresentar
as folhas de escavação das mais críticas (acima de 50% de perda de espessura e os
pontos que comprometem a PMAO). Indicar o posicionamento em relação à distância do
lançador e às referências adjacentes, posição horária com precisão de +/- 15 graus,
quantificar a profundidade, largura e comprimento, identificando o tipo de anomalia, se é
interno ou externo. A folha de escavação deverá apresentar a seqüência tubos antes e
depois da anomalia (aproximadamente 7 tubos ao todo);
– Lista completa dos tubos indicando hodometricamente: as soldas, a localização das
referências e das anomalias detectadas;
– Listar todos os acidentes identificados;
– Gráfico de velocidade;
– Distribuição dos defeitos ao longo do duto em forma de histograma, dando uma visão
geral. O histograma é composto pela distância longitudinal do duto no eixo X, versus
criticidade dos defeitos no eixo Y versus quantidade no eixo Z;
– Análise da pressão máxima de operação (PMAO) segundo critério estabelecido
previamente pela PETROBRAS. Esta análise correlaciona a pressão máxima admissível
e a gravidade das anomalias detectadas;
– Relatório em meio digital, contendo todas as informações descritas acima e que permita
a visualização dos dados adquiridos por todos os sensores durante a corrida.
– Precisão do hodômetro em 1:1000.

166
Requisitos adicionais:
– Identificar defeitos mecânicos (mill defects);
– Identificar soldas longitudinais;
– Identificar sinais nas regiões das soldas;

8.4.3 - Pig Magnético de Baixa Resolução

Requisitos padrão:
– Especificação do pig utilizado;
– Dados da operação de campo;
– Informações sobre o duto, responsáveis pelo serviço, data, responsável pelo cliente
(técnico da PETROBRAS);
– Listar no relatório todas as anomalias encontradas, classificando-as em três níveis de
perda espessura:
a. LEVE - de 10 a 30%;
b. MÉDIO - acima de 30% até 50%;
c. SEVERO – acima de 50%.

Apresentar as folhas de escavação das indicações severas. Indicar o posicionamento


em relação à distância do lançador e às referências adjacentes, posição horária com
precisão de +/- 25 graus. A folha de escavação deverá apresentar a seqüência de tubos
antes e depois da anomalia (aproximadamente 7 tubos ao todo).
– Lista completa dos tubos indicando hodometricamente: as soldas, a localização das
referências e das anomalias detectadas;
– Listar todos os acidentes identificados;
– Gráfico de velocidade;
– Precisão do hodômetro em 1:1000.

8.4.4 - Pig de Ultra-Som

Requisitos padrão:
– Especificação do pig utilizado;
– Dados da operação de campo;
– Informações sobre o duto, responsáveis pelo serviço, data, responsável pelo cliente
(técnico da PETROBRAS);

167
– Listar no relatório todas as anomalias acima de 10% de perda da espessura. Apresentar
as folhas de escavação das mais críticas (acima de 50% de perda de espessura e os
pontos que comprometem a PMAO). Indicar o posicionamento em relação à distância do
lançador e às referências adjacentes, posição horária com precisão de +/- 15 graus,
quantificar a profundidade, largura e comprimento, identificando o tipo de anomalia, se é
interno ou externo. A folha de escavação deverá apresentar a seqüência tubos antes e
depois da anomalia (aproximadamente 7 tubos ao todo);
– Lista completa dos tubos indicando hodometricamente: as soldas, a localização das
referências e das anomalias detectadas;
– Listar todos os acidentes identificados;
– Gráfico de velocidade;
– Distribuição dos defeitos ao longo do duto em forma de histograma, dando uma visão
geral. O histograma é composto pela distância longitudinal do duto no eixo X, versus
criticidade dos defeitos no eixo Y versus quantidade no eixo Z;
– Análise da pressão máxima de operação (PMAO) segundo critério estabelecido
previamente pela PETROBRAS. Esta análise correlaciona a pressão máxima admissível
e a gravidade das anomalias detectadas;
– Relatório em meio digital, contendo todas as informações descritas acima e que permita
a visualização dos dados adquiridos por todos os sensores durante a corrida;
– Precisão do hodômetro em 1:1000.

8.4.5 - Pig Inercial

Requisitos padrão:
– Especificação do pig utilizado;
– Dados da operação de campo;
– Informações sobre o duto, responsáveis pelo serviço, data, responsável pelo cliente
(técnico da PETROBRAS);
– Lista completa dos tubos indicando hodometricamente: as soldas, a localização das
referências e das anomalias detectadas;
– Gráfico de velocidade;
– Relatório em meio digital, contendo todas as informações descritas acima e a relação
das coordenadas GPS do duto;
– Precisão do hodômetro em 1:1000;
– A precisão do sistema inercial deve ser de 1:2000, isto é, em cada dois quilômetros de
duto, admite-se o erro de no máximo 1 metro.

168
8.4.6 - Pig Magnético para Detecção de Defeitos Planares

Requisitos padrão:
– Especificação do pig utilizado;
– Dados da operação de campo;
– Informações sobre o duto, responsáveis pelo serviço, data, responsável pelo cliente
(técnico da PETROBRAS);
– Listar no relatório todas as anomalias, especialmente os defeitos planares. Apresentar
as folhas de escavação das mais críticas. Indicar o posicionamento em relação à
distância do lançador e às referências adjacentes, posição horária com precisão de +/-
15 graus. A folha de escavação deverá apresentar a seqüência tubos antes e depois da
anomalia (aproximadamente 7 tubos ao todo).
– Listar todos os acidentes identificados;
– Distribuição dos defeitos ao longo do duto em forma de histograma, dando uma visão
geral. O histograma é composto pela distância longitudinal do duto no eixo X, versus
criticidade dos defeitos no eixo Y versus quantidade no eixo Z;
– Precisão do hodômetro em 1:1000.

8.4.7 - Pig Ultra-Sônico para Detecção de Defeitos Planares

Requisitos padrão:
– Especificação do pig utilizado;
– Dados da operação de campo;
– Informações sobre o duto, responsáveis pelo serviço, data, responsável pelo cliente
(técnico da PETROBRAS);
– Listar no relatório todas as anomalias, especialmente os defeitos planares. Apresentar
as folhas de escavação das mais críticas. Indicar o posicionamento em relação à
distância do lançador e às referências adjacentes, posição horária com precisão de +/-
15 graus. A folha de escavação deverá apresentar a seqüência tubos antes e depois da
anomalia (aproximadamente 7 tubos ao todo);
– Lista completa dos tubos indicando hodometricamente: as soldas, a localização das
referências e das anomalias detectadas;
– Listar todos os acidentes identificados;
– Gráfico de velocidade;

169
– Distribuição dos defeitos ao longo do duto em forma de histograma, dando uma visão
geral. O histograma é composto pela distância longitudinal do duto no eixo X, versus
criticidade dos defeitos no eixo Y versus quantidade no eixo Z;
– Precisão do hodômetro em 1:1000.

8.4.8 - Pig de Perfilagem de Temperatura e Pressão

Requisitos padrão:
– Especificação do pig utilizado;
– Dados da operação de campo;
– Informações sobre o duto, responsáveis pelo serviço, data, responsável pelo cliente
(técnico da PETROBRAS);
– Listar no relatório todas as anomalias no gradiente de temperatura ao longo do duto,
correlacionando-as a possíveis falhas no revestimento térmico. Apresentar as folhas de
escavação dos mais críticos. Indicar o posicionamento em relação à distância do
lançador e às referências adjacentes. A folha de escavação deverá apresentar a
seqüência tubos antes e depois da anomalia (aproximadamente 7 tubos ao todo);
– Distribuição dos defeitos ao longo do duto em forma de histograma, dando uma visão
geral;
– Precisão do hodômetro em 1:1000.

8.5 - Verificação dos Resultados de Pigs de Detecção de Corrosão

Recomenda-se que todo relatório de pigs magnéticos e ultra-sônicos seja validado através
de medições de campo, em no mínimo cinco pontos diferentes. Nos dutos marítimos, a
validação só deverá ser feita caso o pig indique defeitos que necessitem de reparo. Neste
caso a validação será baseada nos trechos removidos em função da própria inspeção.

Após a validação do relatório, a Atividade responsável pela integridade do duto deve


tomar providências relativas ao gerenciamento da corrosão e análise dos danos
encontrados durante a inspeção com pig.

É importante notar que, após a passagem de pig instrumentado, muitas vezes é encontrada
uma quantidade muito grande de defeitos. Neste caso é prática freqüente:
a. Para indicações de redução de espessura entre 10 e 20%:
- Armazenar os dados para comparação com inspeções futuras;

170
- Comparar com a última inspeção (caso aplicável);
- Avaliar a necessidade de atuar para controlar o processo corrosivo.
b. Para dutos com redução de espessura de 20 a 50%:
- Avaliar se o processo corrosivo é interno ou externo e adotar as seguintes ações:
• Corrosão interna: atuar para controlar o processo corrosivo e efetuar monitoração
por amostragem nos pontos de corrosão indicados pelo relatório do pig
instrumentado e avaliar necessidade de reduzir o intervalo entre inspeções com
pig instrumentado;
• Corrosão externa: intervir na recuperação do revestimento externo ou no sistema
de proteção catódica de modo a inibir ou controlar o processo corrosivo;
c. Reparar ou reduzir a pressão de operação para todos os defeitos que comprometam a
pressão de operação do duto, considerando o próximo intervalo de inspeção por pig
instrumentado usando os métodos e critérios dos itens 9.2.2 e 9.2.3 do Capítulo 9;
d. Independente da redução de espessura, analisar individualmente as indicações
associadas com soldas, amassamentos e outros eventos geométricos, usando os
métodos e critérios dos itens 9.2.2 e 9.2.3 do Capítulo 9.

Apesar de não ser habitual analisar defeitos com redução de espessura entre 10 e 20%,
recomenda-se analisar os defeitos longos (conforme definição no item 9.2.3 abaixo) usando
os métodos e critérios dos itens 9.2.2 e 9.2.3 do Capítulo 9.

Para os dutos marítimos cujos projetos basearam-se nos esforços de lançamento, é prática
freqüente usar critérios menos restritivos, desde que observadas as condições necessárias
para uma eventual recuperação do duto por içamento.

Caso existam defeitos que comprometam a pressão de operação do duto, é aceitável


reduzir a pressão de operação (derate), respeitando a pressão máxima calculada de acordo
com o item 9.2.3 do Capítulo 9. É importante lembrar que o defeito a ser considerado tem
que levar em conta a possível evolução até a próxima inspeção.

8.6 - Acompanhamento PETROBRAS e Documentação dos Serviços com Pigs


Instrumentados

Todos os serviços de inspeção com pig instrumentado deverão ser acompanhados por
profissional da PETROBRAS, registrando as informações de todas as etapas, desde a fase
de preparação até a solução das anomalias identificadas no relatório final, armazenando os

171
resultados da corrida e mantendo todos os softwares aplicáveis para avaliação dos
resultados. Todas estas informações devem ser armazenadas no prontuário do duto.

8.7 – Considerações Finais

De forma alguma se deve gerenciar a integridade de um duto baseando-se apenas nos


resultados das inspeções com pig instrumentado visto que apresentam apenas uma
avaliação instantânea do estado do duto. Estas ferramentas, apesar de serem as únicas
alternativas economicamente viáveis para a realização de inspeção de um duto em toda a
sua extensão, possuem limitações no que se refere à sua precisão.

Os resultados obtidos na inspeção por pig instrumentado devem ser avaliados com base no
capítulo 9, Análise de Descontinuidade e Danos.

172
ANEXO 8.1

TIPOS E CLASSIFICAÇÃO DE PIGS INSTRUMENTADOS

Pig Geométrico (GEO)

Pig instrumentado com a finalidade de adquirir informações dimensionais de variações de


diâmetro e localizar anomalias, tais como: amassamentos, mossas, ovalizações,
incrustações (sulfato de bário, carbonato de cálcio, parafinas etc) e outros detritos internos.
Este pig também identifica acessórios da linha e outras ocorrências, como: flanges, válvulas,
curvas, derivações, mudanças de espessura, soldas circunferenciais etc. Os pigs
geométricos permitem também a quantificação de raios de curvatura, especialmente quando
o raio é pequeno e pode ser uma restrição à utilização de outros pigs.

Pig Magnético para Detecção de Defeitos Volumétricos (MFL)

Pig instrumentado que utiliza o método de medição de fuga de campo magnético, com a
finalidade de adquirir informações de variações de espessura, especialmente aquelas
devido ao desgaste pela corrosão. As ferramentas do tipo pig magnético são apresentadas
no mercado com duas denominações diferentes: PIG de ALTA RESOLUÇÃO e PIG de
BAIXA RESOLUÇÃO.

Os pigs instrumentados magnéticos de alta resolução são de tecnologia mais avançada e


normalmente possuem as seguintes características:
a. Distinguem defeitos internos e externos;
b. Apresentam como resultados as dimensões dos defeitos quanto à profundidade,
comprimento, largura e posição horária, apresentando menor imprecisão do que o de
baixa resolução no dimensionamento do defeito;
c. Normalmente, o espaçamento entre sensores é menor do que 13 mm e a amostragem
axial é feita a cada dois milímetros.

Os pigs instrumentados magnéticos de baixa resolução possuem as seguintes


características:
a. Não distinguem defeitos internos e externos;

173
b. Apresentam como resultados as dimensões dos defeitos quanto à profundidade, por
faixa (leve, moderada e severa), comprimento e posição horária;
c. Normalmente operam com uma quantidade de sensores menor do que os pigs de alta
resolução, impossibilitando um dimensionamento do defeito, necessitando de uma
correlação de campo.

Pig Ultra-Sônico para Detecção de Defeitos Volumétricos (UT)

Pig instrumentado que utiliza o método de ultra-som com a finalidade de adquirir


informações de variações de espessura, especialmente aquelas devido ao desgaste pela
corrosão.

A probabilidade de detecção de defeitos é determinada pela quantidade de sensores e pela


taxa de amostragem axial. Recomenda-se um espaçamento entre sensores não superior a
10 mm para inspeções de cobertura total. Para linhas de grande diâmetro é aceitável
espaçamento maior entre sensores, em função das limitações das ferramentas atuais.

Pig Magnético para Detecção de Defeitos Planares

Pig instrumentado que utiliza o método magnético para identificar defeitos planares,
especialmente trincas. A detecção dos defeitos planares é tão mais fácil quanto mais
ortogonal for a aplicação do campo magnético. Por exemplo, no caso de trincas
longitudinais, o pig deverá magnetizar o duto transversalmente.

A PETROBRAS ainda não possui experiência na utilização deste tipo de pig instrumentado.

Pig Ultra-Sônico para Detecção de Defeitos Planares

Pig instrumentado que utiliza o método ultra-sônico para identificar defeitos planares,
especialmente trincas. A detecção dos defeitos planares é tão mais fácil quanto mais
ortogonal o defeito estiver em relação ao feixe sônico.

A PETROBRAS ainda não possui experiência na utilização deste tipo de pig instrumentado.

174
Pelas características do princípio físico de medição, o ultra-som se mostra mais adequado
para esta aplicação.

Pig Inercial

Utiliza sensores de navegação inercial para definir o traçado do duto, informando o


posicionamento em coordenadas UTM de cada solda circunferencial e acessórios.

A inspeção inercial pode ser realizada separadamente ou simultaneamente com outras


inspeções, como por exemplo, a inspeção de perda de espessura ou de geometria.

Pig de Perfilagem de Temperatura e Pressão

Pig instrumentado que adquire informações de temperatura e pressão ao longo do duto.

Pig Umbilical

Ferramenta utilizada em linhas especiais e não convencionalmente pigáveis, como por


exemplo, linhas de píer e linhas de monobóia. Normalmente é bidirecional, podendo ser
autopropelido ou não, com resultados on-line ou não. Os métodos de avaliação e medição
podem ser ultra-som, que é o mais usual, ou magnético, com TV e outros.

Pig para Detecçao de Vazamentos

Pig que registra valores de pressão ou de ondas acústicas para localizar pequenos
vazamentos.

A PETROBRAS ainda não possui experiência na utilização deste tipo de pig instrumentado.

175
ANEXO 8.2

VELOCIDADE DE DESLOCAMENTO DO PIG

A faixa de velocidade útil dos pigs é função do seu projeto e método de medição, estando
em constante evolução.

O pig geométrico possui uma grande faixa de velocidades aceitáveis, podendo ser
deslocado em uma faixa que varia de 0,1 m/s até 8 m/s.

Para os pigs magnéticos esta faixa é de 0,5 m/s até 3 m/s. Este tipo de pig é um dos mais
influenciados pela velocidade. Preferencialmente o pig deve ser operado a uma velocidade
constante, para não comprometer a qualidade dos dados adquiridos.

No caso do pig ultra-sônico, praticamente não existe limite inferior de velocidade, sendo que
o limite superior sugere-se 1,5 m/s.

O pig inercial requer uma faixa de velocidade de 1 m/s a 7 m/s.

O pig de temperatura e pressão tem uma faixa de velocidades de 0,2 m/s até 8 m/s.

Tabela - Resumo das Velocidades dos Pigs


TIPO DE PIG RANGE DE VELOCIDADE
GEOMÉTRICO 0,1 a 8 m/s
MAGNÉTICO 0,5 a 3 m/s
ULTRA-SOM 0,1 a 1,5 m/s
MAGNÉTICO P/ TRINCAS
ULTRAS-SOM P/ TRINCAS
INERCIAL 1 a 7 m/s
PERFILAGEM DE 0,2 a 8/s
TEMPERATURA E PRESSÃO

176
ANEXO 8.3

QUESTIONÁRIO PADRÃO.

Questionário Padrão Para

Inspeção de Dutos

Com Pigs Instrumentados

(Pipeline Questionnaire)

Duto / trecho (pipeline section):

Órgão operacional (operational division):


Endereço (address)
Cidade (city): Estado (state):
CEP (Z.C.) Telex:
Telefone (phone) Fax:
E-mail:

177
1 - Dados do duto (pipeline data)
Nome Trecho terrestre (onshore)
(Name): Trecho submarino (offshore)

Trecho (section):

Diâmetro nominal (in) Extensão


Nominal diameter (in): Length (km):

Local do lançador (launch location):


(sigla do Órgão op. e cidade)

Local do recebedor (receiver location):


(sigla do Órgão op. e cidade)

Base (land base):


(sigla do Órgão op. e cidade)

2 - Condições operacionais (operational data)


Gás natural (natural gas) Diesel Álcool (alcohol)
Gasolina (gasoline) LCO Água doce (fresh water)
Petróleo (crude oil) Nafta Água salgada (salt water)
Querosene (Kerosene) GLP (LPG) QAV (jet fuel)
Outros (Others)

Unidade Máxima Normal Mínima


(unit) (maximum) (average) (minimun)
Velocidade m/s
(velocity)
Vazão m3 /h
(flow rate)
Pressão kgf/cm2
(pressure)
Temperatura ºC
(temperature)

Fluxo bi-fásico?
(two phase flow?) Sim (yes) Não (no)

Teor de parafina Teor de CO2


(wax content) (%): (CO2 content) (%):
Teor de H2S Teor de água salgada
(H2S content) (%): (salt water content) (%):
Outras informações (additional information):
_____________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________

178
3 - Especificações técnicas (line specifications)

Espessura (mm) Extensão (km)


(wall thickness) (length)

Diâmetro interno Max.: Material (ais)


(I. D.) (mm): Mín.: (pipegrades):

Tipo de tubo Sem costura (seamless)


(type of pipe): Com costura (seam welded)
Solda espiral (spiral weld)
Outros (others):

Revestimentos:
Interno (internal) Coaltar Poliuretano (polyurethane)
Externo (external) Concreto (concrete) Polietileno (polyethilene)
Outros (others):

Apoios Contra-peso de concreto (concrete saddle)


(anchors): Suportes (suports) Ancoragens (anchors)
Outros (others)

Tubos camisa?
(casings?) Sim (yes) Não (no)

3.1- Canhões (TRAP description):

A B C D E F G H I J
Lançador
(launcher)
Recebedor
(receiver)

179
Lançador Horizontal Recebedor Horizontal
(launcher) Vertical (receiver) Vertical
Ângulo (angle)(*) Ângulo (angle)(*)
Onshore Onshore
Offshore Offshore
Soldado (welded) Soldado (welded)
Forjado (forged) Forjado (forged)
(*) – Informar se não for horizontal (if not horizontal)

Acessórios dos canhões:

Lançador (launcher) Recebedor (receiver)


Pig sig (pig indicator) Sim (yes) Pig sig (pig indicator) Sim (yes)
Não (no) Não (no)
Vent (purge) Sim (yes) Vent (purge) Sim (yes)
Não (no) Não (no)
Dreno (drain) Sim (yes) Dreno (drain) Sim (yes)
Não (no) Não (no)
Manômetro (gauge) Sim (yes) Manômetro (gauge) Sim (yes)
Não (no) Não (no)
Termômetro (thermometer) Sim (yes) Termômetro (thermometer) Sim (yes)
Não (no) Não (no)
Barras (guide bars) Sim (yes) Barras (guide bars) Sim (yes)
Não (no) Não (no)

Reduções (taper section):

Lançador (launcher): Concêntrica (concentric) Excêntrica (eccentric)


Recebedor (receiver): Concêntrica (concentric) Excêntrica (eccentric)
Áreas de acesso (access areas):

A B1 B2 Altura da tampa (m) Tipo de solo


(mm) (mm) (mm) (closure height) (soil type)
Lançador
(launcher)
Recebedor
(receiver)

180
Guindaste Sim (yes) Capacidade (T) Lança
(hoist): Não (no) (capacity): ___________ (lift height): __________

Outras informações (other informations):


_____________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________

3.2 - Curvas (bends)


Raio de curvatura mín. Ângulo
(min. Bend radius) (mm or ND): (angle):
Dist. Mín. entre curvas Diâm. interno mín.
(min. Length between bends) (mm): (min. I.D.) (mm):

Tipo Curva a quente (hot bend)


(type): Curva a frio (cold field bend)
Curva forjada (forged bend)
Curva gomada (mitre bend) – se exisitir anexar deseho ou croquis

3.3 - Conexões e derivações (tees and branches)


Tipo Hot-tap Quantidade (quantity):
(type): Forjada (forged)
Outros (others):

Diâmetro Dist. Mín. entre derivações


(diameter) (in): (min. dist. between tees):
Posição horária Ângulo
(o’clock position): (angle):

Barras
(guide bars): Sim (yes) Espaçamento (spacing) (mm):
Não (no)
Desconhecido Quantidade (quantity)
(unknown)

3.4 - Válvulas de bloqueio (block valves)


Tipo Gaveta (gate) Quantidade (quantity):
(type): Esfera (ball)
Outras (others)

Fabricante Classe
(manufacturer): (class):
Diâm. interno Material
(I.D.) (mm): (material):
Largura da gaveta Série
(seat ring spacing) (mm): (serial #):

181
3.5 - Válvulas de retenção (check valves)
Tipo (type): Quantidade
Fabricante (quantity):
(manufacturer): Classe (class):
Comprimento Modelo
(length): (model):
Pode ser mantida aberta?
(can be locked open?) Sim (yes) Não (no)

4 - Dados de manutenção (maintenance data)


Proteção catódica Corrente impressa (impressed current)
(cathodic protection): Anodos de sacrifício (sacrificial anodes)
Outros (others)

Tipo de corrosão esperada Corrosão interna (internal)


(expected corrosion): Corrosão externa (external)
Desconhecido (unknown)

Histórico do duto Corrosão interna (internal corrosion)


(pipe history): Corrosão externa (externa corrosion)
Deformações (internal restrictions, dents etc)
Vazamentos (leakages)
Vazamentos nas soldas (weld leaks)
Desconhecido (unknown)
Outros (others)

Reparos Bacalhau (patch) Enchimento com solda (puddle weld)


(repairs): Luva (sleeve) Braçadeira (clamp)
Calha (patch) Outros (others)

4.1 - Passagens de pigs (piggings)


Frequente (regularly) Frequência (frequency)
algumas vezes (sometimes) Última passagem (last pigging)
Nunca (never pigged)

Motivo Limpeza (cleaning)


(purpose): Secagem (drying)
Remoção de condensado (liquid removal)
Separação (batching)
Calibração (sizing) Diâm. placa (plate size)

Tipo Pig de limpeza (cleaning pig) Flex-pig


(type): Esfera (sphere) Polly-pig
Outros (others)

182
Material removido Areia (sand)
(removed material): Parafina (wax)
Pedra (stone)
Produtos de corrosão (corrosion scale)
Outros (others)

Inspeções Resultados disponíveis


(surveys) (available results)
Pig calibrador Sim (yes) Quando? Sim (yes)
(caliper pig) Não (no) (when?) Não (no)

Pig de perda espessura Sim (yes) Quando? Sim (yes)


(metal loss pig) Não (no) (when?) Não (no)

5 - Histórico do duto (pipeline History)

Tempo de operação em anos (age – years):

Mapas disponíveis? (line maps available?) Sim (yes) Não (no)

Desenhos disponíveis? (line drawings available?) Sim (yes) Não (no)

Registro das soldas? (record of weld joints?) Sim (yes) Não (no)

Estado do duto Em operação (in operation)


(pipeline status): Fora de operação (out of operation)
pré-operação (commissioning)
Outros (others)

183
Questionário Padrão Para

Inspeção de Dutos

Com Pigs Instrumentados

(Pipeline Questionnaire)

Dutos Submarimos e Tubulações Offshore(*)


(Offshore Pipelines(*))

(*) - Anexo a ser preenchido apenas para dutos submarinos.

(*) - Attachment to be filled only for offshore pipelines

184
6 - Especificações dos risers (risers’ specifications)

Além dos dados do duto submarino, constante do Questionário, são as seguintes as


especificações referentes aos risers;

(Besides the data on the main form the following are the risers’ specifications)

Espessura Extensão
(wall thickness) (length)
(mm) (m)

6.1 - Acoplamento dos risers (risers coupling)

Tipo Hydroballs
(type): Weld balls
flangeado (flanged)
Outros (others)

Fabricante Ângulo
(manufacturer): (angle):
Modelo Diâm. Int. min
(model): (min. I.D.):

Outras informações (additional informations):

________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________

185
9 – ANÁLISE DE DESCONTINUIDADES E DANOS

9.1 – Requisitos Gerais

Este capítulo define procedimentos de avaliação e critérios de aceitação de


descontinuidades e danos encontrados em dutos da PETROBRAS.

Os procedimentos e critérios aqui descritos são conservativos e devem ser aplicados pela
Atividade de Integridade Estrutural de Dutos das Unidades de Negócios da empresa
inclusive na definição de reparos imediatos nos dutos avaliados.

Para condições extremas, em que esta ação de reparo imediato não é viável, poderão ser
executadas avaliações através de critérios menos conservativos, desde que formalmente
aprovadas por profissional da PETROBRAS com qualificação compatível para esta tarefa. A
inviabilidade técnica do reparo por ocasião da conclusão do estudo de avaliação do duto
deverá ser justificada e registrada. Esta situação poderá prevalecer até que sejam
estabelecidas as condições para a realização dos reparos recomendados para eliminação
do dano no duto.

Alguns tipos de danos não permitem a definição de critérios e procedimentos gerais. Para
estes casos, é determinante que a avaliação do duto seja responsabilidade de equipe
multidisciplinar podendo conter especialistas de materiais, análise de tensões, mecânica dos
solos, corrosão, revestimento, operação, reparos e mecânica da fratura, entre outros.

Considera-se que reparos no duto serão realizados conforme exigências e qualidade de


execução que garantam o retorno, naquele ponto, às condições normais, conforme códigos
originais de fabricação e montagem do duto e as orientações contidas no Capítulo 10
(Reparos de Contingência).

9.2 - Avaliação Estrutural de Dutos Corroídos

9.2.1 - Introdução

A avaliação de dutos corroídos é realizada através da utilização de resultados obtidos pela


inspeção da linha com o auxílio de técnicas de medição de espessura, tais como o ultra-som
e diversos tipos de pigs ultra-sônicos e magnéticos, devidamente validados.

186
A análise estrutural do defeito tem que levar em conta o tamanho relatado (após
validação do relatório), a tolerância da ferramenta de inspeção, a estimativa de
crescimento do defeito até a próxima inspeção e a interação com outros defeitos.

O procedimento de cálculo proposto por este item é o apresentado no ASME B31.G, já


incorporado à norma N-2572. Este procedimento é mundialmente aceito e reconhecido pelo
conservadorismo em seus resultados, aliado à simplicidade de uso.

Apesar de não ser habitual analisar defeitos com redução de espessura entre 10 e 20%,
recomenda-se analisar os defeitos longos (conforme definição no item 9.2.3 abaixo) usando
os métodos e critérios dos Itens 9.2.2 e 9.2.3 abaixo.

Para os dutos marítimos, projetados com base nos esforços de lançamento, é prática
freqüente usar critérios menos restritivos, desde que observadas as condições necessárias
para uma eventual recuperação do duto por içamento.

Caso existam defeitos que comprometam a pressão de operação do duto, é aceitável


reduzir a pressão de operação (derate), respeitando a pressão máxima calculada de acordo
com o item 9.2.3 abaixo. É importante lembrar que o defeito a ser considerado tem que levar
em conta a possível evolução até a próxima inspeção.

9.2.2 – Caracterização da Geometria de um Defeito Causado por Corrosão

Os defeitos de corrosão têm em geral contornos e topografias irregulares, porém para efeito
de avaliação estrutural terão sua geometria descrita apenas por três parâmetros: a
profundidade máxima d, o comprimento L (dimensão longitudinal) e a largura l (dimensão
circunferencial).

O comprimento L de uma região corroída deve ser medido na direção longitudinal do duto,
conforme ilustrado na figura 9.1. Esta é a convenção adotada pela norma ASME B31G.

Analogamente, a largura l de uma região corroída deve ser medida na direção


circunferencial do duto.

187
Eixo longitudinal do duto

L : extensão longitudinal
medida da área corroída

Profundidade máxima
medida de corrosão

Figura 9.1 – Convenção para estabelecimento do comprimento L de um defeito de Corrosão


de geometria irregular - Norma ASME B31G

9.2.3 – Procedimentos de Cálculo

Os procedimentos de cálculo e os critérios de aceitação estão definidos no Anexo 9.1.

9.3 - Avaliação de Dutos Com Mossas

9.3.1 - Introdução

A avaliação estrutural de dutos com danos mecânicos é uma atividade com


desenvolvimentos recentes. Em função das incertezas ainda existentes nos critérios de
avaliação propostos e apresentados em literatura, e pela ausência de normas ou
procedimentos reconhecidos, os limites de aceitação apresentados neste item se restringem
aos definidos pelos códigos de fabricação e montagem de dutos.

9.3.2 - Escopo

As recomendações deste item se aplicam a oleodutos ou gasodutos que se encontram em


operação, não se aplicando, portanto, a projeto, construção, soldagem ou montagem de
dutos. Para dutos novos deve-se adotar os limites previstos nas normas de projeto,
construção e montagem do duto.

188
As recomendações contidas neste item se aplicam somente a situações em que a pressão
interna atuante no duto seja maior que a pressão externa. Caso a pressão externa seja
superior, adotar as recomendações do item 9.8.

A avaliação de dutos que apresentem seções com flambagem local (buckle), algumas vezes
confundida com mossas, não fazem parte do escopo deste trabalho. Até o momento não
foram encontradas normas que permitissem uma avaliação deste tipo de
dano/descontinuidade. Atualmente a recomendação é que este tipo de dano seja reparado,
independente de suas dimensões.

Defeitos agudos, por exemplo, provocados por pressão contra pedras pontiagudas, também
devem ser reparados, pois não foi possível localizar norma que permitisse avaliar este tipo
de dano.

Para avaliação de ovalização de seções de dutos surgidas após a instalação do mesmo,


oriundas da movimentação do solo, deve-se seguir as recomendações do item 9.7.

9.3.3 – Critérios de Avaliação

Os critérios de avaliação de mossas estão definidos no Anexo 9.2.

9.4 - Avaliação de Dutos com Descontinuidades de Fabricação

9.4.1 - Introdução

A avaliação de integridade de dutos com descontinuidades planares decorrentes de


condições operacionais, ou descontinuidades provenientes da fabricação do tubo e/ou
montagem do duto, em geral deve ser realizada utilizando-se os conceitos e critérios
definidos pelos documentos BS-7910 e API RP-579.

As informações que devem ser utilizadas em uma avaliação de integridade são obtidas pela
análise da documentação de fabricação dos tubos, montagem do duto, relatórios de
inspeção e manutenção e dados operacional. Citam-se como relevantes as seguintes
informações:

189
A - Dados de projeto original do duto:
• Pressão de projeto no ponto;
• Pressão de teste hidrostático no ponto;
• Diâmetro nominal;
• Espessura nominal no ponto;
• Pressão máxima admissível de operação do tubo;
• Pressão máxima de operação no ponto;
• Especificação de material

B - Histórico de manutenção e inspeção:


• Mecanismo provável de acúmulo de danos;
• Indicação de crescimento ou não das descontinuidades em operação;
• Relatórios com inspeções anteriores e acompanhamento de dimensões das
descontinuidades;
• Mecanismo provável de falha;
• Medidas preventivas e de remediação empregadas.

C - Propriedades de material:
• Tensão de escoamento nominal do material dos tubos;
• Limite de resistência mínimo do material dos tubos;
• Tenacidade do material expressa em valores de CTOD ou energia Charpy-V

D - Caracterização das descontinuidades;


• Dimensionamento das descontinuidades;
• Orientação das descontinuidades em relação às tensões circunferencial e
longitudinal atuante no tubo;
• Localização das descontinuidades em relação aos cordões de solda longitudinal e
circunferencial;
• Posição relativa entre descontinuidades próximas.

Como algumas das informações citadas podem não estar disponíveis, a metodologia de
avaliação proposta neste documento considera valores conservativos para as variáveis
principais do problema.

190
9.4.2 – Escopo

Para efeitos de aplicação deste item, todas as descontinuidades planares surgidas durante o
regime operacional, na medida do possível, devem ser eliminadas da estrutura. Tais
descontinuidades estão relacionadas à corrosão sob tensão ou a crescimento sub-crítico
devido a variações expressivas de pressão no duto (fadiga).

Estudos baseados em conceitos de mecânica da fratura em dutos visando a avaliação de


descontinuidades surgidas e/ou que evoluam durante a operação, devem servir apenas
como subsídios para ações mais efetivas no sentido de reabilitação ou reparo da estrutura e
não para a manutenção da operação do duto.

9.4.3 – Terminologia para Descontinuidades em Juntas Soldadas

Para a terminologia das diversas descontinuidades em juntas soldadas devem ser


utilizados os desenhos esquemáticos representados na norma N-1738.

9.4.4 – Procedimentos de Cálculo e Análise


Os procedimentos de cálculo e os critérios de aceitação estão definidos no Anexo 9.3.

9.5 Avaliação de Dutos Sujeitos a Carregamentos Cíclicos

9.5.1 - Introdução

Dutos sujeitos a carregamentos cíclicos podem propagar descontinuidades oriundas da


fabricação ou terem induzido a nucleação de descontinuidades em regiões de concentração
de tensões.

A aceitabilidade de descontinuidades detectadas em dutos que operam em serviços cíclicos


é realizada pela análise de sua propagação e estabilidade.

191
9.5.2 – Escopo

Diversas podem ser as fontes de carregamento cíclico atuantes no duto, diferenciando


também a forma de avaliar a ação destas variações de tensões na estrutura. Citam-se as
seguintes:

A - Variações de tensões em dutos submarinos em regiões de suportação insuficiente.


Neste caso, a corrente marinha pode provocar efeitos de vortex no duto induzindo uma
variação de tensões expressiva. Não está incluído no escopo deste item avaliar esta
situação;

B - Variações de tensões em risers de produção devido aos movimentos de maré. Esta


situação é avaliada quando do projeto do riser, sendo responsável por definir critérios de
aceitação de descontinuidades durante a fabricação que possam sobreviver ao
carregamento de projeto durante a vida útil prevista da estrutura. Procedimentos de
cálculo para risers que devam ser reavaliados não estão incluídos no escopo deste item;

C - Variações de tensões circunferenciais em dutos com não-conformidades de fabricação.


Neste caso, a verificação de carregamentos cíclicos e o efeito dos mesmos na
propagação de descontinuidades pré-existentes são complexos, não sendo incluído no
escopo deste item.

D - Variações de tensões circunferenciais em dutos construídos conforme requisitos normais


de fabricação. Para esta situação verifica-se o carregamento cíclico em relação a uma
metodologia S-N, onde variações de tensão de maiores amplitudes contribuem para a
redução da vida útil à fadiga da estrutura. Esta verificação é incluída no escopo deste
item.

192
9.5.3 – Critérios de Avaliação

Os critérios de avaliação para dutos, conforme metodologia S-N, estão definidos no Anexo
9.4.

9.6 - Avaliação de Dutos com Suscetibilidade para Corrosão sob Tensão

9.6.1 - Introdução

A geração e propagação de defeitos em operação podem ocorrer pela ação de outros


mecanismos que exclusivamente a fadiga. Dentre estes mecanismos cita-se a corrosão sob
tensão.

A interação entre o material e o ambiente, na presença de tensões, induz uma taxa de


propagação controlada pela intensidade de tensões. Verifica-se em ensaios de laboratórios
que o nível de solicitação no corpo de prova altera em muito o tempo de falha do
componente. Para solicitações elevadas, a falha ocorre em um tempo muito curto. Para
solicitações pequenas, o tempo de falha eleva-se.

Apesar da Mecânica da Fratura poder tratar a propagação de defeitos de CST de forma


similar à fadiga, não são práticos o controle e acompanhamento de defeitos em operação.
Este fato deve-se às altas taxas de propagação devido à CST, o que ocasiona tempos de
falha reduzidos em relação a defeitos propagando por carregamentos cíclicos. Assim sendo
a CST deve ser prevenida e não controlada.

Os critérios definidos neste item devem ser aplicados em conjunto com as recomendações
estabelecidas pelos Grupos de Trabalho de Pigs, Corrosão Externa e Geotecnia.

9.6.2 - Escopo

O problema relacionado à CST em dutos pode se manifestar das seguintes formas:

A - Corrosão sob tensão nas juntas soldadas com trincamento interno devido à ação do
fluido transportado que possui contaminantes;

193
B - Corrosão sob tensão com trincamento longitudinal no metal de base ou junta soldada
devido à ação corrosiva do solo na superfície externa do duto e à tensão circunferencial
devido à pressão interna;

C - Corrosão sob tensão com trincamento circunferencial no metal de base ou junta soldada
devido à ação corrosiva do solo na superfície externa do duto e à tensão longitudinal
devido à pressão interna e ações externas, tais como deslizamento de terreno.

Considera-se que não é aceitável o transporte de fluidos que contenham contaminantes que
possam provocar o trincamento interno do duto. As conseqüências do bombeamento de
produtos contaminados podem ser imprevisíveis, devendo assim ser evitado.

Este item tem o objetivo de recomendar ações e procedimentos que permitam identificar
pontos suscetíveis à ocorrência do mecanismo de dano. Não é objetivo apresentar critérios
de cálculo que permitam a continuidade operacional de dutos com corrosão sob tensão
comprovada pela inspeção.

Dutos que possuam o fenômeno devem ser avaliados de uma forma particularizada, por
uma equipe multidisciplinar, tanto para uma possível ação de reparo quanto para a sua
reabilitação.

9.6.3 – Gerenciamento da Corrosão sob Tensão

É imprescindível que sejam analisadas todas as variáveis de projeto e de fabricação do


duto, bem como realizado um estudo do comportamento do solo ao longo de sua extensão,
com o objetivo de identificar áreas de risco para a ocorrência do mecanismo de dano.

Um sistema de gerenciamento deve ser elaborado, consistindo de um banco de dados com


informações relevantes ponto a ponto ao longo do duto, identificação de reparos, regiões
com danos mecânicos, solos com maior agressividade e regiões de maior risco populacional
ou ambiental. Tais informações devem ser analisadas no sentido de realizar escavações
orientadas periódicas com o objetivo de inspecionar pontos críticos identificados.

Dutos onde se identifica potencialmente a possibilidade de corrosão sob tensão devem fazer
parte de um planejamento de inspeção diferenciado. Este planejamento poderá incluir ações
não-convencionais, tais como testes hidrostáticos periódicos em seções do duto, partículas

194
magnéticas em superfícies externas do duto nas regiões escavadas, reparo de revestimento
e maiores freqüências para a verificação da proteção catódica do duto.

9.6.4 – Recomendações

As recomendações sugeridas para dutos sujeitos a ocorrência de corrosão sob tensão estão
definidas no Anexo 9.5.

9.7 - Avaliação de Dutos Sujeitos a Flambagem Devido à Temperatura

9.7.1 - Introdução

A avaliação estrutural de dutos sujeitos a flambagens devido ao efeito de temperatura deve


ser realizada considerando todas as particularidades referentes, no mínimo, à geometria do
duto, seu traçado, condições de ancoramento das extremidades, diferencial de temperaturas
e propriedades mecânicas do material do duto.

Estas variáveis devem ser utilizadas no sentido de definição dos limites de deformação e
verificação de possíveis restrições operacionais. Como a solução de um duto com este tipo
de dano é complexa, envolvendo critérios de cálculo numéricos, entre outros recursos
necessários, não são apresentados procedimentos de avaliação neste item, mas sim
recomendações para a melhor identificação do problema.

9.7.2 - Escopo

Estão incluídos no escopo deste item dutos que trabalham com produtos aquecidos onde
existe a possibilidade de ocorrência de flambagem devido a restrições à dilatação térmica
em alguma seção do duto.

Não é incluído o efeito do solo atuando no duto que poderá ocasionar flambagem ou
deflexões excessivas.

195
9.7.3 - Recomendações

As recomendações sugeridas para dutos sujeitos a ocorrência de flambagem devido à


temperatura estão definidas no Anexo 9.6.

9.8 - Avaliação de Dutos Sujeitos a Colapso pela Pressão Externa

9.8.1 – Introdução

Para que um duto submarino, submetido a uma pressão externa significativa, venha
apresentar uma falha relacionada à presença de uma imperfeição geométrica, devem ser
avaliadas as condições de colapso local e colapso propagante da estrutura.

A pressão resultante externa, devido a diferença entre a pressão da coluna correspondente


à lâmina d’água e a pressão interna no duto, não poderá ultrapassar os valores definidos
para os 2(dois) tipos de colapso citados.

9.8.2 – Critérios de Avaliação

Os critérios de avaliação para dutos que apresentem imperfeições geométricas estão


definidos no Anexo 9.7.

Adicionalmente, mossas existentes no duto devem atender aos critérios de aceitação e


limites dimensionais definidos no item 9.3.

9.9 - Avaliação de Dutos Sujeitos a Falhas pela Ação do Solo

9.9.1 – Introdução

A ação do solo sobre dutos pode induzir diferentes tipos de defeitos estruturais durante a
sua vida útil. As falhas estruturais dos dutos associadas à ação do solo são em geral
proveniente da interação solo – duto causado pela movimentação vertical e / ou horizontal
do solo de fundação, seja este causado por recalque seja por deslocamento horizontal do
maciço. Nestes casos os defeitos oriundos podem ser:

196
• Flexão lateral do duto no caso de movimento de solo na direção transversal a geratriz do mesmo;
• Flambagem lateral ou vertical global no trecho comprimido do duto devido a
movimentação do solo na direção longitudinal a geratriz do mesmo;
• Desenvolvimento de trações elevadas com desenvolvimento de corrosão sobre tensão
no caso de movimentação do solo na direção longitudinal à geratriz do mesmo e ou
flexões elevadas por deslocamento lateral ou vertical do solo;
• Flexão vertical no caso de recalque ou subsidência de solos de fundação;
• Flambagem local do duto proveniente de cargas axiais induzidas por compressão e / ou flexão;
• Mossas causadas pela interação com rochas ou materiais mais rígidos;
• Cisalhamento causado por movimentação relativa de falhas geológicas ativas;
• Puncionamento do duto por rochas pontiagudas e com dureza elevada;
• Arraste e perda de sustentação em trechos de travessias de rios induzidas por
enxurradas ou em trechos de zonas de arrebentação.

Para a avaliação dos efeitos destas ações sobre o duto, devem ser consideradas todas as
particularidades referentes, tais como tipo de solo de fundação, caracterização da feição
geológica e geotécnica de risco, histórico referente à geometria do traçado do duto,
condições de reação do solo, e propriedades mecânicas do material do duto.

Estas variáveis devem ser utilizadas no sentido de definir os limites de deformação e


verificação de possíveis restrições operacionais. Como a análise de integridade estrutural de
um duto com dano associado à ação do solo é complexa, envolvendo modelagem
computacional entre outros recursos necessários, não são apresentados procedimentos de
avaliação neste item, mas sim recomendações para a melhor identificação do problema.

9.9.2 - Escopo

Estão incluídos no escopo deste item dutos que trabalham em áreas que apresentem
feições de risco geológico e geotécnico que possam induzir danos aos dutos.

Não são incluídos neste item os efeitos do solo causados pela construção e montagem
inapropriada do duto.

9.9.3 – Recomendações

As recomendações sugeridas para dutos sujeitos a ação do solo estão definidas no Anexo 9.8.

197
ANEXO 9.1

AVALIAÇÃO ESTRUTURAL DE DUTOS CORROÍDOS - PROCEDIMENTOS DE


CÁLCULO E ANÁLISE

1 - Nomenclatura

d- profundidade máxima do defeito de corrosão [mm];


De - diâmetro externo do duto [mm];
l- largura (dimensão circunferencial) do defeito de corrosão [mm];
L- comprimento (dimensão longitudinal) do defeito de corrosão, projetado no eixo
longitudinal do duto [mm];
La - comprimento máximo admissível para aceitação do defeito sem verificação da
pressão interna [mm];
pa - pressão interna admissível do duto corroído [MPa];
pd - pressão interna de projeto determinada com base na espessura nominal tn e na
tensão SMYS [MPa];
poper - pressão de operação do duto [MPa];
Rm - raio médio da seção transversal do duto [mm];
tn - espessura nominal de parede do duto [mm];
β- metade do comprimento angular do defeito
γc - fator de segurança para avaliação de corrosão em soldas circunferenciais (γc = 0.45);
γd - fator de segurança de projeto (de acordo com a norma de projeto)
γT - fator de redução devido à temperatura (de acordo com a norma de projeto), caso não
seja fornecido assumir γT = 1.
(σa)x - tensão axial admissível do duto com defeito circuferencial [MPa];
σx - tensão axial atuante no duto [MPa];
σy - tensão de escoamento mínima especificada do material (SMYS) [MPa];

2 – Interação entre Defeitos

A maioria dos métodos existentes para avaliação estrutural de dutos corroídos foi
desenvolvida para defeitos isolados. Porém, muitos dos defeitos encontrados na prática

198
apresentam-se próximos uns dos outros, o que faz com que seja necessário estabelecer,
antes de aplicar o método de avaliação, se existe interação entre estes defeitos.

Em dutos submetidos apenas a carregamento de pressão, para estabelecer se existe ou


não interação entre defeitos deve ser aplicada o critério de interação do Pipeline Operator
Forum. De acordo com este critério, existe interação entre dois defeitos quando à distância,
sL , entre eles na direção longitudinal é menor que o comprimento, L, do mais curto deles e a

distancia, sC , entre eles na direção circunferencial é menor que a largura l do mais estreito
deles.

Portanto, existe interação se as seguintes inequações são satisfeitas:

sL < min (L1,L2) e s C < min (l1,l2) (1)

Caso o critério indique que existe interação, a avaliação estrutural dos defeitos deve ser feita
utilizando-se o defeito resultante da interação. A figura 1 representa as duas situações que
levam a interação entre defeitos.

DIREÇÃO LONGITUDINAL DO DUTO L2

l2
L2 sL L1
DIREÇÃO LONGITUDINAL sc
DO DUTO
l2
l1
l1

L1

Se s L < min (L1,L2) è Interagir as duas regiões Se s C < min(l1,l2) è Interagir as duas regiões

Figura 1 – Desenho esquemático com a interação entre defeitos

3 – Avaliação de Defeitos no Metal Base com Comprimento L Maior ou Igual à Largura

Defeitos longitudinais isolados em dutos submetidos apenas a carregamento de pressão


devem ser avaliados pelo método da norma ASME B31G. Este método não pode ser
aplicado na avaliação de defeitos de corrosão na solda ou na zona termicamente afetada.

199
O procedimento para aplicação deste método encontra-se na página a seguir. O objetivo
final das verificações realizadas é saber se o duto corroído tem condições de suportar a
pressão de operação poper. As equações usadas são apresentadas a seguir.

São aceitos, independentemente do valor de L, defeitos cuja relação (d/tn) satisfaz a


seguinte inequação:

d
≤ 0,10 (2)
tn

São reprovados, independentemente do valor de L, defeitos cuja relação (d/tn) satisfaz a


seguinte inequação:

d
> 0,80 (3)
tn

O procedimento para aplicação do método ASME B31G é descrito pelos passos abaixo
indicados.

1) Determinar (d/tn).
2) Se (d/tn) ≤ 0,10 vai para o passo (20).
3) Se (d/tn) > 0,80 vai para o passo (17).
4) Se 0.10 < (d/tn) ≤ 0,80 continua.
5) Determinar La usando a equação (5).
6) Se L ≤ La vai para o passo (20).
7) Se L > La continua.
8) Determinar Λ usando a equação (10).
9) Se Λ ≤ 4 vai para o passo (11).
10) Se Λ > 4 vai para o passo (12).
11) Determinar pa usando a equação (14a). Vai para o passo (13).
12) Determinar pa usando a equação (15a). Vai para o passo (13).
13) Continua.
14) Se poper ≤ pa vai para o passo (20).
15) Se poper > pa e for possível reduzir a pressão de operação vai para o passo (18).
16) Se poper > pa e não for possível reduzir a pressão de operação vai para o passo (19).
17) O defeito foi reprovado. Vai para o passo (19).
18) Fazer poper igual a pa. Vai para o passo (21).

200
19) Reparar ou trocar o trecho. Vai para o passo (21).
20) O defeito foi aceito. Vai para o passo (21).
21) Deter o processo corrosivo e operar o duto normalmente.

É necessário realizar outras verificações para defeitos cuja relação (d/tn) está dentro do
seguinte intervalo:

d
0,10 < ≤ 0,80 (4)
tn

O comprimento máximo admissível La é dado por:

L a = 1,12.B De tn (5)

Onde,

1/2
 d/t n 
2

B =   − 1 para 0,175 ≤ (d/tn) ≤ 0,800 (6)
1,1(d/t n ) − 0,15  

B=4 para 0,10 < (d/tn) < 0,175 (7)

São aceitos defeitos cujo comprimento L satisfaz a seguinte inequação:

L ≤ La (8)

É necessário fazer verificação da pressão interna para defeitos cujo comprimento L satisfaz
a seguinte inequação:

L > La (9)

O parâmetro Λ usado na classificação dos defeitos quanto ao seu comprimento é definido


da seguinte forma:

 L 
Λ = 0,893.  (10)
 D t 
 e n 

201
O defeito é classificado como curto quando:

Λ≤4 (11)

O defeito é classificado como longo quando:

Λ>4 (12)

A pressão interna de projeto pd é determinada pela seguinte equação:

2t n
pd = γd γT σy (13)
De

A pressão interna admissível pa de um duto corroído com defeito curto (Λ ≤ 4) é determinada


através da seguinte equação:

 1 − (2 / 3 )(d / t n ) 
pa = 1,1.p d  2 −1/ 2 
(14a)
 1 − (2 / 3)(d / tn )[1 + Λ ] 

pa ≤ pd (14b)

A pressão interna admissível pa de um duto corroído com defeito longo (Λ > 4) é


determinada através da seguinte equação:

 d
pa = 1,1.pd 1 −  (15a)
 tn 

pa ≤ pd (15b)

São aceitos defeitos para os quais a seguinte inequação é satisfeita:

poper ≤ pa (16)

Defeitos para os quais a inequação (16) não foi satisfeita são aceitos, com a condição de
que a pressão de operação poper seja reduzida para pa.

202
A norma ASME B31G admite também que se realize uma análise mais rigorosa baseada na
Mecânica da Fratura.

4 - Avaliação de Corrosão em Soldas Circunferenciais

Defeitos de corrosão em soldas circunferenciais devem ser avaliados usando a equação


proposta por Kastner e outros.

O procedimento para realização desta verificação encontra-se na página a seguir. As


equações usadas são apresentadas a seguir.

A equação de Kastner e outros tem a seguinte forma:

 d d
1 −   π − β 
(σa)x = γc.σy. 
tn   tn 
(17)
 d d
π 1 −  + 2 sin β
 tn  tn

O parâmetro β é dado por:

β = (l / 2) / R m (18)

O raio médio do duto é dado por:

De − t n
Rm = (19)
2

A verificação é feita comparando-se a tensão axial σx atuante no duto com a tensão axial
admissível do duto (σa)x. A tensão axial σx atuante no ponto de localização da região
corroída deverá ser determinada através de cálculos usando-se além do carregamento de
pressão, outros carregamentos que estejam atuando no duto. Caso a tensão resultante na
direção axial σx seja de compressão deve-se fazer também uma verificação da flambagem
local da parede do duto.

O procedimento para avaliação de corrosão em soldas circunferenciais usando a equação


de Kastner e outro é descrito pelos passos abaixo indicados.

203
1) Determinar (d/tn).
2) Determinar Rm usando a equação (19)
3) Determinar β usando a equação (18)
4) Determinar (σa)x usando a equação (17)
5) Se σx ≤ (σa)x o defeito é aceito
6) Se σx > (σa)x o defeito é reprovado

São aceitos defeitos para os quais a seguinte inequação é satisfeita:

σx ≤ (σa)x (20)

São reprovados defeitos para os quais a seguinte inequação é satisfeita:

σx > (σa)x (21)

5 - Avaliação de Corrosão em Soldas Longitudinais

Defeitos de corrosão em soldas longitudinais devem ser avaliados por um especialista em


Mecânica da Fratura, usando o procedimento para avaliação de defeitos planares em soldas
da norma BS 7910 (anteriormente denominada BS PD 6493).

6 - Avaliação de Defeitos no Metal de Base com Comprimento L Menor que a Largura l

Defeitos isolados devem ser avaliados aplicando-se simultaneamente os procedimentos


descritos nos itens 3 e 4, apresentados anteriormente. Feito isto, adota-se o resultado da
avaliação mais desfavorável.

Caso a tensão resultante na direção axial σx seja de compressão deve-se fazer também
uma verificação da flambagem local da parede do duto.

7 - Avaliação de Dutos “Offshore” com Corrosão

Os métodos para avaliação de dutos corroídos submetidos a carregamento de pressão


foram desenvolvidos originalmente considerando apenas a pressão interna, porém podem

204
ser aplicados também a dutos “offshore” nos quais a pressão interna seja sempre maior que
a pressão externa.

8 - Avaliação de “Risers” com Corrosão

Defeitos de corrosão em “risers” devem ser avaliados por um especialista em Integridade de


Dutos Corroídos, após a realização de uma análise global da estrutura submetida às cargas
ambientais para a determinação dos esforços normais e momentos fletores atuantes no
“riser”.

205
ANEXO 9.2

AVALIAÇÃO ESTRUTURAL DE DUTOS COM MOSSAS - CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO

1 - Critérios de Avaliação

Mossas com as seguintes características devem ser removidas ou reparadas:

(a) Mossas que afetem os cordões de solda (longitudinal, circuferencial ou em espiral);

(b) Mossas contendo ranhuras, sulcos ou cavas;

(c) Para oleodutos - mossas com profundidade > 6 mm em dutos com diâmetro nominal φ 4
polegadas ou com profundidade > 6% do diâmetro nominal do duto para diâmetro
nominal > 4 polegadas (ver figura 1);

(d) Para gasodutos – mossas com profundidade > 6% do diâmetro nominal do duto (ver
figura 1);

(e) Mossas contendo dobras.

Observações:
(1) Entende-se como remoção a substituição de trecho cilíndrico de tubo danificado por
trecho cilíndrico de tubo íntegro com pressão de projeto igual ou superior à do duto em
consideração.

(2) A profundidade de uma mossa deve ser medida como sendo a distância entre o ponto
mais baixo da mossa e o prolongamento do contorno do tubo (ver figura 3).

(3) Dutos sujeitos a um grande número de ciclos de carregamento podem vir a falhar em
mossas com profundidade > 2% (mesmo sem estarem associadas a outros defeitos).
Nestes casos deve ser conduzido um cálculo da vida residual à fadiga do duto por
especialista no assunto. A definição sobre a criticidade do duto em relação à vida útil à
fadiga deve ser avaliada conforme requisitos do item 9.5 deste Capítulo.

206
(4) Dutos submarinos podem requerer uma análise criteriosa do efeito da mossa na
flambagem devido à pressão externa. Neste caso deve-se seguir as recomendações do
item 9.8.

207
2 - Figuras
A título ilustrativo são mostradas neste Item figuras que podem ser de auxílio na
compreensão da geometria de mossas associadas ou não a outros defeitos, assim como na
medição da profundidade das mesmas.

D = profundidade da mossa [mm];


t = espessura da parede do tubo [mm];
R = raio do tubo [mm].

Figura 1 – Mossa sem outros defeitos associados

d = profundidade da cava [mm];


D = profundidade da mossa [mm];
t = espessura da parede do tubo [mm];
R = raio do tubo [mm].

Figura 2 – Mossa com cava

208
H

H = profundidade da mossa [mm].

Figura 3 – Medida da profundidade da mossa

209
ANEXO 9.3

AVALIAÇÃO DE DUTOS COM DESCONTINUIDADES DE FABRICAÇÃO -


PROCEDIMENTOS DE CÁLCULO E CRITÉRIOS DE ACEITAÇÃO

1 - Nomenclatura

a- altura da descontinuidade superficial [mm];


2a - altura da descontinuidade interna (embedded) [mm];
B- espessura nominal do tubo [mm];
c- semicomprimento da descontinuidade [mm];
CV - energia Charpy-V, obtida na temperatura de operação;
d- profundidade da descontinuidade [mm];
ddl - dimensão característica da dupla-laminação [mm];
e- desalinhamento da solda [mm];
fw - fator de dimensão finita;
Ldl - distância entre dupla-laminações adjacente [mm];
Lw - distância entre o limite da dupla-laminação e a junta soldada [mm];
M- fator de folias;
Mm - fator de intensificação de intensidade de tensões;
p- pressão interna atuante [MPa];
Pb - tensão de flexão primária [MPa];
Pb’ - tensão de flexão equivalente, somado o efeito de desalinhamento de solda [MPa];
Pm - tensão de membrana primária [MPa];
Q- tensão secundária atuante [MPa];
Ro - raio externo do tubo [mm];
Ri - raio interno do tubo [mm];
r- raio médio do tubo [mm];
s- extensão na direção longitudinal da dupla-laminação [mm];
Sf - sigma flow do material do duto [MPa];
SR - relação de colapso plástico;
Su - limite de resistência mínimo do material do duto [MPa];
Sy - tensão de escoamento nominal do material do duto [MPa];
KI - fator de intensificação de tensões [N / mm3/2];
km - fator de intensificação devido a desalinhamento de solda;
Kmat - estimativa “lower bound” da tenacidade a fratura do material [N/mm3/2];
210
KR - relação de tenacidade;
w- extensão na direção circunferencial da dupla-laminação [mm];
α’’ - fator geométrico da descontinuidade;
σmáx - tensão máxima atuante [MPa]
σn - tensão de referência [MPa];

2 - Critérios para a Avaliação de Descontinuidades Planares

As descontinuidades que apresentam característica planar, ou mesmo volumétricas quando


se exija um rigor maior na avaliação do duto, devem seguir os critérios definidos neste item.
Consideram-se como descontinuidades oriundas da fabricação com característica planar, as
seguintes:
• Trincas;
• Falta de fusão;
• Falta de penetração;
• Mordeduras;
• Concavidades;
• Sobreposição;
• Inclusões de escória.

Em alguns casos, descontinuidades classificadas como mordeduras podem ser avaliadas


como defeitos não planares.

Descontinuidades classificadas como planares devem ser verificadas através da localização


do ponto de trabalho no diagrama FAD (“Failure Diagram Analysis”). Para tanto devem ser
considerados como modos possíveis de falha a fratura frágil e o colapso plástico.

2.1 – Tenacidade do Material

A tenacidade do material deverá ser estimada a partir de resultados de ensaios de impacto


Charpy-V, que podem ser obtidos dos ensaios de qualificação de soldagem do duto. Esta
informação normalmente faz parte do “data-book” de fabricação do duto.

O valor médio da energia Charpy-V para as 3(três) regiões distintas da junta soldada devem
ser avaliadas, a saber : Metal de Base, Cordão de Solda e Zona Termicamente Afetada.

211
A qualificação de soldagem do duto contempla resultados tanto para as soldas longitudinais
quanto para as circunferenciais de fábrica ou de campo. Os valores a serem utilizados na
avaliação da descontinuidade dependem de sua localização.

As relações a seguir devem ser utilizadas para a determinação da tenacidade equivalente


do duto.

• Tenacidade “lower bound” correspondente ao comportamento do material em “lower


shelf” e regime de transição:

820. CV − 1420
K mat = 1
+ 630
B 4

• Tenacidade “lower bound” correspondente ao comportamento do material em “upper


shelf” e regime de fratura totalmente dúctil (válido para C v > 60 Joules) :

Kmat = 17.C V + 1740

2.2 – Geometria das Descontinuidades

A figura 1 mostra as dimensões a serem consideradas para cada tipo de defeito.

2c
2c
2a B B
a
d

Trinca interna Trinca superficial


(embedded flaw). (surface flaw).
Dimensões : B, 2a, 2c, d Dimensões : B, a, 2c

Figura 1 - Dimensões de defeitos - conf. Figura 8 / BS-7910: 1999

2.3 – Estimativa da Razão de Colapso Plástico SR

A razão de colapso associada à avaliação da descontinuidade deverá ser determinada em


função da geometria da descontinuidade e sua orientação no duto. As fórmulas a seguir
devem ser utilizadas, conforme o caso.

212
A - Descontinuidades superficiais orientadas na direção longitudinal do duto

2.Pb '
σn = 1,2.M.Pm +
3.(1 − α´´)
2

1 −  a 
 c2 
 B.MT 
M= MT = 1 + 3,2. 

1− a  2 .r.B 
B

[ ( c )]
α´´= B
1+ B

p.R2o  B 3  B  9 B 
2 3
p.Ri
Pm = +p Pb =  −   +   
B ( ). .
R 2o − Ri2  Ri 2  Ri 

.
5  Ri  

km = 1 + 3.e / B

Pb’ = Pb + (km – 1).Pm

B - Descontinuidades superficiais orientadas na direção circunferencial do duto

  a a  c 
Pm π 1 −  + 2  sen 
 B B  r 
σn = 
2.Pb '
+
 a   c  a  3.(1 − α´´)
2
 1 − π −   
 B   r  B 

[ ( c )]
α´´= B
1+ B

p.Ri
Pm =
2B

km = 1 + 3.e / B

Pb’ = (km – 1).Pm

213
C - Descontinuidades internas orientadas na direção longitudinal do duto

 d.α´´ 
Pb + 3.Pm.α´´+ [Pb + 3.Pm.α´´] + 9.Pm (1 − α´´) + 4
2 2 2

 B 
σn =
  d.α´´ 
3(1 − α´´) + 4
2

  B 

2a

[ ( )]
α´´= B
1+ B
c

p.R2o  B 3  B  9 B 
2 3
p.Ri
Pm = +p Pb = 2 . − .  + .  
B ( )
R o − Ri2  Ri 2  Ri 

5  Ri  

km = 1 + 3.e / B

Pb’ = Pb + (km – 1).Pm

D - Descontinuidades internas orientadas na direção circunferencial do duto

 p.α´´ 
Pb + 3.Pm.α´´+ [Pb + 3.Pm.α´´] + 9.Pm (1 − α´´) + 4
2 2 2

 B 
σn =
  p.α´´ 
3(1 − α´´) + 4
2

  B 

2a

[ ( )]
α´´= B
1+ B
c

p.Ri
Pm =
2B

km = 1 + 3.e / B

Pb’ = (km – 1).Pm

214
A equação para cálculo da razão de colapso é: SR = σn / Sf

A tensão Sf (sigma flow) pode ser definida como o valor médio entre a tensão de
escoamento e o limite de resistência do material, até o máximo de 1,2.Sy. Para valores
maiores que 1,2.Sy, utilizar este valor máximo.

2.4 – Estimativa das Tensões Residuais no Duto

Os valores a serem considerados para a tensão residual na região de localização da


descontinuidade no duto são os seguintes:

Descontinuidade localizada no metal de base:

Q = 30%.Sy

Descontinuidade localizada na junta soldada (longitudinal ou circunferencial):

Q : menor valor entre 100%.Sy e (1,4 – SR).Sy

2.5 – Determinação da Relação de Tenacidade K R

Para a determinação da relação de tenacidade da descontinuidade, os itens a seguir devem


ser calculados.

A – Tensão máxima atuante

A tensão máxima atuante deverá ser obtida conforme abaixo.

σmáx = km.Pm + Pb + Q

B – Fatores de correção de geometria

B.1 – Fator de bulging (M) – correção da curvatura do tubo

O fator de correção da curvatura do tubo deve ser calculado através da formulação abaixo.

215
1 −  a 
 B.MT 
M= para trincas superficiais orientadas na direção longitudinal
1− a
B

 c2 
MT = 1 + 3,2. 

 2 .r.B 

M = 1,0 para trincas superficiais orientadas na direção circunferencial ou trincas


internas (embedded) orientadas na direção longitudinal ou circunferencial

B.2 – Fator de dimensão finita (fw) – correção em função das dimensões da descontinuidade
em relação às dimensões do tubo. Será considerado, para qualquer avaliação, um valor
para o fator f w = 1,0.

B.3 – Fator de intensificação de intensidade de tensões (Mm) – correção da geometria da


descontinuidade em relação à espessura e a localização na parede do tubo.

O valor de Mm deve ser obtido através da figura M.4a do documento BS-7910 para
descontinuidades superficiais e figura M.8 do documento BS-7910 para descontinuidades
internas (embedded flaws).

Para a utilização da figura M.4a, reproduzida pela figura 2, temos:

a / B – relação entre a altura da descontinuidade e a espessura do tubo;

a / 2c – relação entre a altura da descontinuidade e o seu comprimento total.

Para a utilização da figura M.8, reproduzida pela figura 3, temos :

2a / (2a + 2p) – relação entre a altura da descontinuidade e a soma entre a altura e


2 vezes a profundidade mínima até a superfície do tubo;

2a / 2c – relação entre a altura da descontinuidade e o seu comprimento total.

216
C – Fator de intensificação de tensões.

KI = ( Y.σ). π.a

Onde: (Yσ) = M.f w.Mm.σmáx

D – Determinação da relação K R

A relação entre a tenacidade aplicada na ponta da descontinuidade e a tenacidade estimada


do material é determinada pela equação abaixo.

KI
KR =
K mat

2c
B
a

Trinca superficial
(surface flaw).
Dimensões : B, a, 2c

217
3,0
a / 2c = 0

2,5 a / 2c = 0,05

2,0
a / 2c = 0,10

0,15
1,5
Mm

0,20
0,25
0,30
1,0 0,35
0,40
0,45
0,50

0,5

0,0
0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9

a/B

Figura 2 – Fator de Intensificação de Tensões para Descontinuidades Superficiais


submetidas a tração. - Fonte : BS-7910 – Figura M.4a

2c

2a B
d

Trinca interna
(embedded flaw).
Dimensões : B, 2a, 2c, d

218
2,5

2a / 2c = 0

2,0 0,10

0,20

1,5 0,30

0,40
Mm

0,50
0,60
1,0 0,70
0,80
0,90
1,00

0,5

0,0
0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9

2a / (2a + 2d)

Figura 3 – Fator de Intensificação de Tensões para Descontinuidades Internas submetidas


a tração. - Fonte: BS-7910 – Figura M.8

219
2.6 – Diagrama FAD - NÍVEL 1

O diagrama FAD - Nível 1, possui limites máximos para os valores de SR e KR . Para este
nível de avaliação, não são necessários fatores de segurança adicionais.

1.2

FAD - Nível 1
1.0

0.8

KR 0.6

0.4

0.2

0.0
0.0 0.2 0.4 0.6 0.8 1.0 1.2
SR

Figura 4 - Diagrama FAD - Nível 1

2.7 – Critério de Aceitação

O ponto de trabalho da descontinuidade é obtido localizando no diagrama FAD o ponto


correspondente aos valores de SR e KR determinados pelo método de cálculo apresentado.
Se o ponto de trabalho estiver localizado no interior do diagrama FAD, a descontinuidade é
considerada aceitável. Se o ponto de trabalho estiver localizado fora do diagrama FAD, a
descontinuidade deverá ser reparada ou a continuidade operacional do duto deverá ser
avaliada por especialista em Mecânica da Fratura.

220
3 - Critérios para a Avaliação de Descontinuidades Volumétricas

As descontinuidades que apresentam característica volumétrica devem ser avaliadas


conforme os critérios definidos neste item. Consideram-se como descontinuidades oriundas
da fabricação com característica volumétrica, as seguintes:
• Cavidades;
• Porosidade;

Em alguns casos, descontinuidades com característica planar podem ser avaliadas como
volumétricas:
• Inclusões de escória;
• Mordeduras;
• Concavidades.

3.1 – Exigências de Propriedades de Material

Para que seja possível utilizar os critérios dimensionais estabelecidos neste item, as
propriedades do material do duto devem obedecer aos limites apresentados na tabela 1.

Tabela 1 – Exigências para propriedades do material do duto


Propriedade Mecânica Valor Limite
Mínima tensão de escoamento especificada do material < 450,0 MPa
Valor médio de energia Charpy-V, na temperatura mínima de ≥ 40,0 Joules
operação. (mínimo de 3 testes)
Valor mínimo de energia Charpy-V, na temperatura mínima de 28,0 Joules
operação.

Para materiais que não obedeçam aos limites definidos pela tabela 1, é exigido que a
tenacidade à fratura seja superior a 1250,0 N/mm3/2. Para materiais com tenacidade
inferiores a este valor, as descontinuidades devem ser avaliadas como planares.

3.2 – Critérios de Aceitação

Os limites admitidos para inclusões de escória e porosidade são apresentados na tabela 2


abaixo.

221
Tabela 2 – Limites para inclusões de escória e porosidade
Porosidade
Inclusões de Escória Percentagem da área projetada Diâmetro de poro isolado
na radiografia [%]
Sem limite no comprimento;
máxima altura ou largura 5 B / 4 ou 6,0 mm, o que for
permitida: 3,0 mm. menor.
Fonte : BS-7910 – Item 7.5.3.1

Imperfeições de forma geométrica no cordão de solda que possam reduzir a


capacidade de carregamento local a valores inferiores à tensão admissível são
inaceitáveis.

Para o caso de mordeduras, onde é possível afirmar que não existem outras
descontinuidades planares associadas na região da solda, o critério de aceitação da
profundidade máxima da mordedura é: 1,0 mm ou 10% da espessura do tubo, o que for
menor. Este critério somente pode ser utilizado se o material do tubo atende aos requisitos
da tabela 1.

4 - Critérios para a Avaliação de Descontinuidades no Metal de Base

4.1 – Caracterização da geometria da dupla-laminação.

Descontinuidades no metal de base oriundas do processo de fabricação do material do tubo,


denominadas como “dupla-laminação” devem ser caracterizadas conforme figura 5 a seguir.

222
Junta soldada
longitudinal

Lw

Lw s

Junta soldada Dupla-laminação


circunferencial

Lw s

Figura 5 – Caracterização de dupla-laminação no metal base do tubo

A dimensão característica da dupla-laminação (ddl) corresponde ao maior valor entre


“s” e “w”.

4.2 – Critérios de aceitação

Para a aceitação da dupla-laminação no metal base do tubo, devem ser obedecidos todos
os seguintes critérios:
- A distância entre os limites da dupla-laminação e as soldas circunferencial ou
longitudinal, Lw deverá ser maior que 25,4 mm ou duas vezes a espessura do tubo (2B),
o que for maior;
- O diâmetro característico da dupla-laminação, ddl deverá ser inferior a 50,8 mm;
- Os carregamentos predominantes são pressão interna e/ou pressão externa;
- O duto não está submetido a serviços cíclicos severos.

Descontinuidades caracterizadas como dupla-laminações, localizadas a uma distância


inferior ao diâmetro característico da menor das duas deverão ser consideradas como
interagindo, conforme definido pela figura 6.

223
C
L

ddl(1)

Ldl

d dl(2)

Figura 6 – Interação entre dupla-laminações no tubo

Para ddl(1) < ddl(2) :

Se L dl < ddl(1) è Considerar interação entre as descontinuidades

Se L dl ≥ ddl(1) è Não considerar interação entre as descontinuidades

224
ANEXO 9.4

AVALIAÇÃO DE DUTOS SUJEITOS A CARREGAMENTOS CÍCLICOS –


CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO

1 - Carregamentos Cíclicos em Dutos em Conformidade com Códigos de Projeto e


Fabricação

A fadiga em dutos fabricados em conformidade com os códigos de projeto e fabricação, que


possuem descontinuidades em juntas soldadas aprovadas pelos critérios normais de
montagem de dutos, deve ser avaliada através de metodologia S-N.

Esta verificação é necessária, desde que dutos com variações expressivas de pressão
durante a operação possam ter sua vida útil reduzida em função destes carregamentos.
Diversos dutos são originalmente projetados sem verificações relacionadas ao
carregamento cíclico e limites operacionais.

As descontinuidades que podem propagar durante a operação correspondem àquelas


aprovadas pela inspeção de fabricação e montagem do duto e que sobreviveram sem a
falha ao teste hidrostático final de aceitação ou ao último teste hidrostático realizado no
duto.

Para a definição de uma estimativa de vida útil à fadiga é necessário o estabelecimento do


ciclo operacional do duto. Este ciclo operacional pode ser definido, em função de dados de
projeto, registros operacionais ou monitoramento de tensões atuantes em pontos ao longo
do duto.

A determinação do carregamento cíclico deve ser realizada através de um método de


contagem de ciclo (por exemplo: método “rainflow”), que permite definir o número de ciclos
associados a uma variação de pressões (ou tensões) durante o tempo de registro ou
monitoração do duto.

Considera-se adequado a ocorrência de 1 (um) ciclo por dia, ao longo de 40 anos de vida
útil, totalizando 15.000 ciclos de variação de pressão equivalente a 125,0 MPa atuante na
direção circunferencial do duto.

225
Para variações de tensão atuante diferente deste valor, deve-se utilizar um fator de correção
para a contagem dos ciclos de operação, conforme tabela 1.

Tabela 1 – Fator de correção em função da faixa de variação de tensões


Variação de Tensões Circunferenciais Constante C
[MPa]
145 – 165 2,5
125 – 145 1,5
105 – 125 1,0
70 – 105 0,6
35 – 70 0,2
0 – 35 0,0
Fonte: BS 8010 : Section 2.8 : 1992

Como exemplo, temos:

Em 2(dois) anos de operação as variações de carregamento cíclico registrado de um


determinado duto são as seguintes:

N [ciclos] dS [MPa] C N.C


25 140 2,5 62,5
50 130 1,5 75
250 110 1,0 250
750 90 0,6 450
2500 50 0,2 500
5000 20 0,0 0
TOTAL = 1337,5

Dessa forma, a vida útil deste duto exemplificado será de:


t [anos] = 15.000 / (1337,5 / 2) = 22,4 anos

Para dutos que possuam este tipo de dano e com possibilidade de propagação em serviço
de descontinuidades devem ser registradas todos as variáveis operacionais importantes,
permitindo uma posterior avaliação da vida útil da estrutura. Considera-se que dutos com
vida estimada inferiores há 20 anos, segundo esta metodologia, devem ser totalmente
monitorados e devem ser considerados sujeitos a variações significativas de pressão.

226
ANEXO 9.5

AVALIAÇÃO DE DUTOS COM SUSCETIBILIDADE PARA CORROSÃO SOB TENSÃO -


RECOMENDAÇÕES

1 - Recomendações para Redução do Risco Associado à Falha de Dutos com CST

As recomendações a seguir devem ser implementadas como parte do sistema de


gerenciamento da corrosão sob tensão no duto avaliado.

• Identificar os dutos ou seções de dutos que são revestidos com fita de polietileno, já que
este é o revestimento que corresponde ao maior número de falhas associadas à
corrosão sob tensão;

• Identificar as áreas críticas para a ocorrência de corrosão sob tensão, realizando


escavações e inspeções detalhadas da superfície do tubo;

• Realizar medições de tensões totais (atuantes e residuais) nos tubos expostos pelas
escavações realizadas;

• Realizar medições para classificação da agressividade do solo ao longo da extensão do


duto;

• Substituir, para os trechos escavados, o revestimento existente pelo mais adequado, em


função das características do duto e do solo no local;

• Estabelecer um programa de inspeção adequado ao duto e sua suscetibilidade ao


mecanismo de dano;

• Não utilizar a redução de pressão de operação como a solução do problema. Esta


providência apenas retarda a ocorrência da falha, sendo fundamental ações mitigadoras
e estudos mais específicos;

• Se realizado um teste hidrostático no duto, como providência para prolongar a vida útil
da estrutura, as condições de teste devem ser avaliadas em função das características
do duto, principalmente nas regiões críticas e mais suscetíveis ao mecanismo de dano.

227
ANEXO 9.6

AVALIAÇÃO DE DUTOS SUJEITOS A FLAMBAGEM DEVIDO À TEMPERATURA -


RECOMENDAÇÕES

1 - Recomendações

Recomenda-se que dutos aquecidos que possam sentir os efeitos de restrição ao


deslocamento em alguma seção sejam inspecionados com os seguintes objetivos:

A - Determinar o traçado atual do duto comparando, quando possível, com o traçado


previsto em projeto;

B - Desvios de traçados devem ser registrados e avaliados em função das condições


operacionais do duto;

C - A presença de regiões com as chamadas “alças de deformação” devem ser objeto de


avaliação específica, utilizando-se ferramentas de cálculo que permitam concluir sobre
os limites de deformação da seção analisada;

D - Seções do duto, mesmo que sem desvios relevantes do traçado original, que estejam
localizados entre pontos fixos favorecendo a restrição térmica devem ser avaliados;

E - Quando os resultados da inspeção e definição do traçado atual do duto apresentarem


regiões críticas, deve-se avaliar a possibilidade de redução das temperaturas do produto
e demais ações mitigadoras evitando o agravamento do problema;

F - Regiões consideradas como críticas devem ser monitoradas considerando-se o


acompanhamento de deslocamentos, tensões atuantes e temperaturas na seção;

G - Para dutos que apresentem regiões críticas ou com possibilidade futura de acúmulo de
deflexões devem ser registradas todas as variáveis operacionais relevantes, tais como
temperaturas e pressões.

228
ANEXO 9.7

AVALIAÇÃO DE DUTOS SUJEITOS A COLAPSO PELA PRESSÃO EXTERNA

1 – Nomenclatura:

Dmax - diâmetro máximo medido em uma seção transversal do duto [mm];


Dmín - diâmetro mínimo medido em uma seção transversal do duto [mm];
D- diâmetro nominal do duto [mm];
E- módulo de elasticidade do material [MPa];
fo - ovalização equivalente [MPa];
pe - pressão externa resultante [MPa];
pel - pressão de colapso elástica [MPa];
pc - pressão crítica externa para colapso local do duto com ovalização [MPa];
pp - pressão de colapso plástico [MPa];
Sy - tensão de escoamento nominal do material do tubo [MPa];
t- espessura do duto na região da imperfeição geométrica [mm];
αfab - fator de fabricação (= 1,0 para tubo sem costura / = 0,85 para tubo com costura);
ν- coeficiente de Poison;

2 – Critério de Avaliação

Para uma avaliação expedita do risco de colapso de um duto com mossa, deve-se comparar
a pressão necessária para o colapso local, calculada de acordo com a formulação analítica
da norma DNV-2000 – OS-F101 Submarine Pipeline Systems e a pressão externa máxima
possível de ocorrer.

Uma maneira alternativa de abordar o problema é considerar a geometria da seção tranversal


mais deformada do duto e quantificá-la em têrmos de ovalização, conforme figura 1.

A pressão característica de resistência deverá ser calculada através da equação a seguir.

(pc – pel).(pc2 – pp2) = pc.pel.pp.fo.D / t

229
Onde :
pel = 2.E.(t / D)3 / (1 - ν2)
pp = 2.Sy.αfab.t / D
fo = (Dmax – Dmin) / D

A pressão externa no ponto considerado deverá atender ao critério abaixo.

pe ≤ pc / 1,65

Dmax

Dmin

Para dutos que não atendam a este critério de cálculo, deverá ser realizada uma
avaliação específica utilizando-se ferramentas numéricas e as formulações internas
da PETROBRAS.

230
ANEXO 9.8

AVALIAÇÃO DE DUTOS SUJEITOS A FALHAS PELA AÇÃO DO SOLO

1 - Recomendações

Recomenda-se que dutos instalados em regiões com risco geológico e geotécnico sejam
inspecionados com os seguintes objetivos:

A- Regiões que contenham feições geológicas e geotécnicas de risco considerado


relevante deverão ser mapeadas e inspecionadas de forma rotineira. Dependendo das
recomendações deverão ser implementadas medidas mitigadoras que reduzam a
movimentação do maciço com conseqüente minimização dos riscos sobre os dutos e a
instalação e acompanhamento de instrumentação do terreno e do duto.

B- Determinar o traçado atual do duto comparando, quando possível, com o traçado inicial
por ocasião da instalação;

C- Desvios de traçados devem ser registrados e avaliados em função de mudança nas


condições geológicas e geotécnicas;

D- Se os resultados da inspeção e definição do traçado atual do duto apresentarem regiões


críticas, deve-se avaliar a possibilidade de aplicação de ações mitigadoras evitando o
agravamento do problema;

E- Regiões consideradas como críticas devem ser monitoradas considerando-se o


acompanhamento de deslocamentos, tensões atuantes, pressões e regime de chuvas;

F- Os dados referentes a instrumentação das áreas de risco deverão ser registrados e


armazenados em banco de dados com direto acesso aos interessados.

A presença de regiões com as chamadas “alças de deformação” devem ser objeto de


avaliação específica, utilizando-se metodologias e ferramentas de cálculo que permitam
concluir sobre os limites de deformação da seção analisada;

231
A ocorrência de “flambagem local” deve ser objeto de avaliação específica, utilizando-se
metodologias e ferramentas de cálculo que permitam concluir sobre os limites de
deformação da seção analisada;

A ocorrência de “mossas” deve ser objeto de avaliação específica, utilizando-se


metodologias e ferramentas de cálculo que permitam concluir sobre os limites de
deformação da seção analisada;

232
10 – REPARO DE CONTINGÊNCIA

10.1 - Objetivo

Definir técnicas de reparo dominadas pela PETROBRAS, suas aplicações e limitações,


assim como a logística requerida para realizar reparos de contingência para o
restabelecimento das condições operacionais de dutos comprometidos, em caráter definitivo
ou provisório, visando, sempre que possível, o atendimento aos requisitos da norma de
construção dutos.

10.2 - Técnicas de Reparo

As técnicas contempladas são:

- Conector mecânico, com interrupção do fluxo;


- Braçadeira bipartida;
- Bandagem de material composto;
- Dupla calha soldada;
- Remoção do defeito por trepanação;
- Esmerilhamento;
- Enchimento com solda;
- Troca de trecho com e sem interrupção do fluxo.

Técnicas tais como: pigs bloqueadores, congelamento de água ou do produto, instalação de


“stopples” e bypass são aqui considerados recursos auxiliares.

10.2.1 - Conector Mecânico

É indicada para substituição de trecho defeituoso quando o dano é maior que o diâmetro
nominal do duto, mesmo com ovalizações maiores que as aceitas por norma.

a) VANTAGENS
É um serviço realizado a frio; permite testar a estanqueidade do reparo sem pressurizar o
duto; absorve desalinhamentos de até 14o com spool reto; permite o retorno imediato à
operação após o reparo; permite passagem de pig, reparos submarinos podem ser
realizados em até 300 metros de profundidade, com traje atmosférico podem ser realizados

233
em até 800 metros de profundidade. A PETROBRAS possui dutos em que o reparo por
conector mecânico opera há mais de cinco anos.

b) DESVANTAGENS
Custo elevado; exige o corte do duto; não é normalizado para dutos terrestres; necessita
mão de obra especializada; requer cuidados especiais durante armazenamento; para
diâmetros acima de 26”, dado o peso elevado, é exigida uma análise mais apurada para a
aplicação; precisa ter diâmetro compatível com o do duto.

c) ESTRUTURA REQUERIDA
Complexa, com necessidade de mão-de-obra especializada e recursos para realizar
continuamente a preservação dos componentes e manutenção do ferramental. Dada a
complexidade do armazenamento e especialização da equipe, sugere-se capacitar o Grupo
de Reparo Submarino para atender a todo o sistema PETROBRAS em termos de
componentes, ferramental e mão-de-obra de execução.

10.2.2 - Braçadeira Bipartida

É utilizada quando a dimensão do defeito na direção longitudinal do duto é menor que 150
mm, afim de permitir o emprego de braçadeiras padrão. Não se aplica quando há ovalização
do duto.

a) VANTAGENS
Fácil instalação; baixo custo; retorno imediato à operação após o reparo; permite verificar a
estanqueidade do reparo, é prevista nas normas de projeto, operação e manutenção de
dutos.

b) DESVANTAGENS
Grandes diâmetros acarretam pesos elevados, que dificultam a instalação; requerem
cuidados especiais para preservação do sistema de vedação.

c) CUIDADOS
Se for utilizada vedação de Viton, se aplica a uma grande diversidade de produtos. Na
instalação, devem ser utilizados tensionadores hidráulicos. Deve ser verificada a
necessidade de acessórios de ancoragem.

d) INFRAESTRUTURA REQUERIDA

234
Centralizada. Dada a complexidade do armazenamento e especialização da equipe, sugere-
se capacitar o Grupo de Reparo Submarino para atender a todo o sistema PETROBRAS em
termos de componentes, ferramental e mão-de-obra de execução.

10.2.3 - Bandagem de Material Composto

É indicada para reparar defeitos de qualquer comprimento, sendo que a aplicação em um


trecho contínuo é limitada pelo tempo de cura da resina. Comprimentos longos podem ser
reparados por aplicações em série de sistemas de reparo pré-curados.

a) VANTAGENS
Aplicação a frio; adequada para reparos em locais de difícil acesso por não requerer
veículos nem equipamentos; baixo custo; aplicável a trechos curvos; é adequada para
aplicação submarina (sistemas com cura a água). É prevista nas normas de projeto,
operação e manutenção de dutos.

b) DESVANTAGENS
A bandagem pré-curada requer luvas, macacão e máscara adequados. Seu comportamento
em longo prazo ainda não é conhecido.

c) CUIDADOS
Qualificação prévia dos aplicadores. A qualidade final do reparo é muito dependente do
procedimento de aplicação, que deve contemplar preparo e limpeza da superfície,
sobreposição da bandagem etc Recomenda-se aplicar o reparo com a mínima pressão
possível no duto.

d) LOGÍSTICA
O armazenamento do material requer cuidados como a mudança de posição periódica das
bandagens. Por isso, deve ser centralizado. Já a mão-de-obra pode ser qualificada
localmente sob a supervisão do fabricante.

10.2.4 - Dupla Calha Soldada

As duplas calhas podem ser estanques (com as extremidades soldadas ao tubo) ou não
estanques (não soldadas nas extremidades). As estanques são recomendadas para defeitos
com possibilidade de vazamento. Elas podem ainda ser com interferência ou sem

235
interferência. São aplicáveis a defeitos de qualquer dimensão. O limite de comprimento
dessas calhas é ditado apenas pelas dificuldades de fabricação e instalação.

a) VANTAGENS
Adequado para todos os defeitos, incluindo defeitos com vazamento. São normalizadas, o
que permite sua aplicação como reparo definitivo.

b) DESVANTAGENS
Não recomendada para dutos submarinos em lâminas d’água acima de 20m, devido à
dificuldade na soldagem molhada, exigindo soldagem hiperbárica. Requer o transporte de
peças/equipamentos grandes e pesados, o que dificulta sua aplicação em locais de difícil
acesso. Demanda razoável tempo de preparação, devido a necessidade de projeto,
conformação etc.

c) CUIDADOS
Deve ser conformado de modo a não deixar folgas entre o tubo e as calhas. Calhas com
estanqueidade devem ser fabricadas. Requerem projeto específico, contemplando a
redução de pressão e o pré-tensionamento a ser aplicado durante a execução do reparo, e
respeitando a norma do duto. Requerem qualificação prévia do procedimento de soldagem e
do soldador. A operação de soldagem deve respeitar a norma N-2163, mesmo quando
utilizada mata-junta.

10.2.5 - Remoção de Defeito por Trepanação

É indicada para remover regiões pequenas com baixa espessura ou trincas profundas que
não podem ser eliminadas por esmerilhamento.

a) VANTAGENS
Pode ser feita sem interrupção da operação.

b) DESVANTAGENS
Requer procedimento de soldagem e soldador qualificados, além de atendimento à norma
N-2163.

236
10.2.6 – Esmerilhamento

É a solução mais indicada para as tricas superficiais, sendo também indicada para
arrancamento de material, com o objetivo de eliminar cantos vivos. O esmerilhador deve ser
treinado e a operação deve ser acompanhada por método adequado de medição de
espessura. No caso de trinca, um método de inspeção adequado deve ser adotado para
acompanhar sua eliminação.

a) VANTAGENS
Requer poucos recursos (equipamento e pessoal).

b) CUIDADOS
O acompanhamento da espessura remanescente deve ser rigoroso.

10.2.7 - Enchimento com Solda

É indicado apenas para pequenas áreas com baixa espessura. Requer procedimento de
soldagem e soldador qualificado, além de atendimento à norma N-2163.

10.2.8 - Troca de Trecho

São indicados para reparar defeitos inaceitáveis de grandes extensões, trechos do duto com
grande concentração de defeitos ou para eliminar defeitos em regiões de difícil acesso, que
não permitiria a execução de outras alternativas de reparo.

a) VANTAGEM
Permite reconstituir a condição de projeto do duto.

b) DESVANTAGENS
Requer paralisação da operação, limpeza e inertização do trecho.

OBSERVAÇÕES GERAIS

As técnicas de reparo aqui apresentadas estão detalhadas no relatório do PRCI, numero


L51716, intitulado “Pipeline in-service repair manual”. Neste documento ainda são
encontrados critérios para seleção da técnica de reparo em função do tipo de defeito.

237
Em princípio, trincas devem ser removidas por esmerilhamento, antes de serem submetidas
a qualquer técnica de reparo, cuidando-se para que a redução de espessura seja a mínima
necessária.

Por razões de segurança e também para aumentar a efetividade dos reparos, recomenda-se
efetuar os reparos com a menor pressão possível no duto.

Ao solicitar um reparo, as seguintes Informações devem ser fornecidas pelo usuário do duto:
descrição do local, condição de acesso, diâmetro nominal, produto, material do duto,
espessura, pressão de operação no ponto, temperatura, estado geral do dano e tipo de
revestimento.

Reparos em dutos submarinos em catenária, tais como risers, que introduzam restrição à
vida em fadiga, devem analisados previamente por profissional qualificado.

Quando o reparo envolver soldagem no duto em operação devem ser observados os


cuidados adicionais previstos na norma N-2163 e no relatório CENPES intitulado “Seleção
de procedimentos para soldagem em operação de tubulações industriais e dutos”.

238
REPAROS PRESERVAÇÃO MÃO DE OBRA APLICAÇÃO Observações
(defeitos sem
vazamentos)
CONECTORES Complexa Especializada Qualquer defeito Previsto nas normas DNV OS-101
em trecho reto e DNV OS-104

BRAÇADEIRA Simples Treinada Quqlquer defeito em Previsto nas normas ASME B


MECÂNICA trecho reto sem 31.4 e 31.8
ovalização. Aplicação Previsto nas normas
rápida

REPARO COM Simples Qualificado Qualquer (submerso e Previsto na norma ASME B 31.4
MATERIAL emerso).
COMPOSTO Em trechos retos e
curvos
DUPLA CALHA Simples Qualificado Qualquer (emerso e Previsto nas normas ASME B
SOLDADA submerso até 30m) 31.4 e 31.8
Em trechos retos

ENCHIMENTO Simples Qualificado Defeitos pequenos Previsto nas normas ASME B


COM SOLDA externos 31.4 e 31.8

TREPANAÇÃO Complexa Especializada Previsto nas normas ASME B31.4


Qualificada e B31.8

ENCHIMENTO Simples Qualificada

239
11 – TESTE HIDROSTÁTICO

11.1 - Objetivo

Este capítulo fixa as condições mínimas exigíveis para o planejamento e preparação


visando a execução de teste hidrostático de dutos ou trechos de dutos terrestres ou
submarinos, novos ou existentes. Aplica-se a: teste de dutos novos, requalificação
de dutos existentes para diferentes condições operacionais, averiguação de
resistência mecânica e estanqueidade após a execução dos reparos.

Este procedimento não se aplica a testes pneumáticos.

11.2 - Condições Gerais

O teste hidrostático deverá sempre ser executado nas seguintes condições:

a) Dutos novos, após sua construção;


b) Dutos existentes quando, durante sua manutenção, os trechos inseridos não foram
testados hidrostaticamente em separado;
c) Dutos existentes que necessitem operar a pressões superiores àquela qualificada pelo
último teste hidrostático realizado.
d) Dutos existentes, em áreas sensíveis, em que haja incertezas quanto a sua integridade
estrutural.

Recomenda-se o teste hidrostático nas seguintes condições:

a) Dutos que tenham permanecido por mais de 5 anos inoperantes, e que tenham
necessidade de operar novamente;
b) Dutos que estejam operando há mais de 5 anos (sem teste), em um determinado nível
de pressão, e que necessitem operar a pressões 25% ou mais acima do nível atual,
porém ainda inferior ou igual ao valor qualificado pelo último teste realizado. Para
requalificação, por aumento de pressão de gasodutos, o teste hidrostático pode ser
substituído pelos requisitos definidos no item 6.5.7.2 da N-2246.
c) Dutos inoperantes, mesmo para períodos inferiores a 5 anos, que não possuam um
critério adequado de hibernação;

240
d) Dutos operando há mais de 25 anos, sem execução de teste hidrostático.

O teste hidrostático pode também ser aplicado a outros trechos ou dutos em situações
especiais, a critério da Atividade/Responsável pela sua integridade.

Garantias do Teste Hidrostático

O teste hidrostático habilita o duto para operar a uma pressão interna inferior à pressão de
teste dividida pelo fator de projeto. Este valor é definido como PMAO.

A garantia do TH é puramente mecânica, porém pequenos defeitos podem vir a falhar logo
após sua execução por não ter sido estancado o processo corrosivo. Isto reforça a
necessidade de associação do TH a um sistema de controle do processo corrosivo interno
e/ou externo.

11.3 - Condições Específicas

11.3.1 - Memorial de Cálculo

Demonstrar os cálculos que conduziram à determinação dos valores máximo e mínimo de


pressão de teste ao longo do duto, verificando para cada ponto a sua cota no perfil
longitudinal e a espessura nominal, indicando o ponto/equipamento/acessório determinante
da pressão de teste (ponto mais restritivo, que para uma seção de teste de mesmo material
e espessura corresponde ao ponto de menor cota do perfil).

A pressão de teste hidrostático em qualquer ponto do duto, em qualquer condição de teste,


não deve ser superior ao menor dos seguintes valores:

- Pressão que produza 100% da tensão mínima de escoamento especificada para o


material (SMYS), considerando a espessura corroída;

- 1,5 vez a pressão máxima admissível de operação, para a classe de pressão dos
acessórios instalados, válvulas e flanges, conforme as normas ASME B16.5 e API std-6D.

241
NOTA:
Caso a tensão na parede em algum ponto do duto ultrapasse 90% do SMYS, evitar ciclar
mais que duas vezes a pressão de teste hidrostático, evitar manter o duto pressurizado na
pressão de teste por tempo superior a duas vezes o estabelecido no procedimento de teste
e empregar um ou mais dos seguintes cuidados adicionais propostos a seguir:

- Monitoração visual com comunicação, específica para aqueles pontos;


- Monitorar por extensometria (ou método equivalente) para acompanhar pressão e avaliar
se ocorreu plastificação naqueles pontos;
- Elaborar gráfico PxV de todo o trecho em teste para avaliar se está ocorrendo
escoamento em algum ponto do duto;
- Prever logística apropriada para o acionamento rápido do plano de contingência para
minimizar o volume vazado caso aquele ponto falhe durante o teste.

11.3.2 Cálculo de pressão de TH de Dutos Novos

A pressão do teste hidrostático em qualquer ponto do duto deve ser calculada de maneira a
garantir que o duto esteja sendo solicitado a uma pressão superior à mínima estabelecida
pelas normas de projeto específicas e definidas nos procedimentos de teste para cada uma
das condições:

• Dutos terrestres novos;


• Dutos terrestres existentes;
• Dutos marítimos novos;
• Dutos marítimos existente

11.3.3 - Considerações sobre pressões em dutos

A figura 1 representa de forma esquemática os conceitos de pressão em dutos.

242
Figura 1 - Representação esquemática de pressões em dutos, baseado na BS 8010, parte 2.

A PMO ao longo de um determinado duto depende fundamentalmente dos seguintes


fatores:
a) Características/arranjos de bombas utilizados no duto;
b) Características físicas dos produtos transportados;
c) Classes de locação da faixa do duto (gasodutos);
d) Características dimensionais do duto (diâmetro/extensão/perfil);
e) Características dos sistemas de proteção e alívio do duto.

Face às inúmeras variáveis envolvidas, não é possível, na maioria dos dutos, determinar
precisamente o perfil de pressão máxima de operação ao longo do mesmo sem o uso de
software apropriado.

Alem disso, temos ainda as flutuações de pressão em regimes transitórios, oriundos, por
exemplo, de queda do sistema de bombeamento (desligamento ou falta de energia),
bloqueios indevidos do duto com ou sem abertura de PSV’s, fechamento de coluna na

243
partida (para dutos, com altura estática elevada e que operam em meia cana - sem controle
de pressão na chegada), que devem ser considerados na determinação da pressão máxima
que pode ser desenvolvida no duto.

Assim, para a elaboração do diagrama de teste hidrostático de um duto, é altamente


recomendável que seja adotado um dos procedimentos a seguir:

a) Lançar mão do diagrama de teste hidrostático de construção (projeto) do duto;


b) Caso tenha havido alterações no processo do duto (inversão de fluxo, produto
transportado etc) deve-se proceder a análise utilizando-se software simulador, para
dutos mais complexos ou através de métodos gráficos, para dutos mais simples (único
sistema de bombeamento, perfil plano etc);
c) Implementar um plano de reavaliação estrutural para o duto baseado no teste
hidrostático, executado de tal forma que cada trecho de mesma espessura de
parede/material seja submetido às condições de testes, respeitados os limites de
pressão de teste dos equipamentos/acessórios instalados.

11.3.4 Teste Hidrostático de Reabilitação

Este teste se aplica a dutos em que se desconheça a integridade estrutural ou onde a


localização e dimensionamento das descontinuidades são inviáveis, como no caso de
trincas por corrosão sob tensão internas ou externas. Este teste em geral é precedido de
várias rupturas e sucessivas trocas de trechos e reabilitará o duto por um prazo determinado
em função de um estudo de crescimento de defeitos planares em operação.

A pressão de teste deve ser objeto de um cálculo específico que considere todos os
possíveis modos de falha e o prazo determinado para a reabilitação. A pressão de teste
ultrapassa o limite de escoamento do material e assim outros danos podem ser introduzidos
no duto.

244
ANEXO 11.1

TESTE HIDROSTÁTICO DE DUTOS TERRESTRES NOVOS


(PROCEDIMENTO)

1 Objetivo

1.1 Este procedimento fixa as condições exigíveis para a execução de teste hidrostático de
dutos ou trechos de dutos terrestres novos.

1.2 Este procedimento não cobre testes hidrostáticos em dutos submarinos.

1.3 Este procedimento não se aplica a testes pneumáticos.

1.4 Este procedimento se aplica somente a testes hidrostáticos realizados a partir da data
de sua edição.

1.5 Estes procedimentos contem requisitos técnicos e práticas recomendadas.

2 Documentos Complemetares

2.1 Norma-Base

API RP 1110/97-Recommended practice for pressure testing of petroleum pipelines.

2.2 Referencias Normativas

BS 8010- Part 2 - Pipelines on land: design, construction and instalation;


PETROBRAS N-464 – Construção, montagem e condicionamento de duto terrestre;

245
3 Condições Gerais

3.1 Após a conclusão da lavagem e passagem do pig de enchimento deve ser efetuado o
teste hidrostático para a detecção de eventuais defeitos e para alívio das tensões
mecânicas.

3.2 A pressão mínima de teste deve ser estabelecida de acordo com as normas ASME
B31.4 para oleodutos e ASME B 31.8 para gasodutos.

3.3 A pressão de teste não deve ser superior àquela que produz na tubulação uma tensão
circunferencial superior à tensão mínima de escoamento especificada na norma de
fabricação do tubo.

3.4 Os equipamentos necessários à realização do teste hidrostático devem atender ao item


2.4 da norma API-RP-1110. Os instrumentos necessários à execução do teste,
acompanhados dos respectivos certificados de aferição, são os seguintes:

a) Balança de peso morto ou instrumento equivalente com resolução de 0,1 kgf/cm2 (9,8
kPa);
b) Registrador contínuo de pressão que forneça um registro permanente em função do
tempo;
c) Manômetros com resolução máxima de 5 kgf/cm2 (490,33 kPa) e range que permita
leituras no terço médio da escala;
d) Registrador contínuo de temperatura que forneça um registro permanente em função do
tempo, sendo colocado em contato direto com o duto em trecho enterrado;
e) Termômetro de leitura direta para determinação da temperatura ambiente.

Nota: Como alternativa, pode ser utilizado um sistema computadorizado de monitoração de


pressão e temperatura, desde que seus sensores individuais de pressão possuam
sensibilidade adequada, conforme alínea c, acima.

3.5 Um plano de teste hidrostático deve ser preparado previamente ao início dos trabalhos
de montagem da tubulação, a fim de se determinar, em tempo hábil, os pontos de divisão da

246
linha, a pressão de teste de cada trecho, os pontos de captação e descarte de água e os
resultados de análise da água a ser utilizada, conforme o item 2.5 do API-RP-1110.

3.6 Um procedimento de teste hidrostático deve ser preparado previamente ao início dos
trabalhos e atender ao item 2.6 do API-RP-1110, além das seguintes recomendações:

a) Toda a extensão da linha a ser testada deve estar completamente cheia de água e com
a cobertura executada;
b) As pressões de teste em qualquer ponto do trecho testado devem estar limitadas aos
valores máximo e mínimo indicados no projeto;
c) A linha deve permanecer cheia de água por, no mínimo, 24 horas antes do início do
teste; a pressão deve ser de 50% da pressão de teste;
d) A pressão deve ser elevada de forma moderada e a uma taxa constante até atingir a
100% da pressão de teste e mantida durante uma hora;
e) Em seguida, deve ser escoada a quantidade de água necessária para que a pressão
atinja 50% da pressão de teste;
f) A pressão deve ser novamente elevada de forma moderada e a taxa constante até
atingir 70% da pressão de teste; a partir deste ponto o bombeamento deve evitar
grandes variações de pressão, garantindo que incrementos de 1 kg/cm2 (98,06 kPa)
sejam perfeitamente lidos e anotados; o incremento deve ser dado com intervalo mínimo
de 3 minutos, até atingir novamente 100% da pressão de teste;
g) Observar então um período mínimo de 3 horas para estabilização da pressão;
h) Começar a contagem de tempo, recuperando a pressão quando esta cair 0,5% da
pressão de teste; limitando a repetição desse procedimento a 24 horas de linha
pressurizada ou 02 (duas) recuperações; adotando-se o que resultar maior tempo de
teste;
i) A linha será aprovada quando em 24 horas a pressão não cair abaixo de 99,5% da
pressão de teste;
j) Em situações onde haja risco de se ultrapassar a "máxima pressão de teste" indicada
pelo projeto, devido à recuperação de pressão por efeito de temperatura, deve-se reduzir
a pressão de teste para no máximo 96% da "máxima pressão de teste";
k) Preferencialmente, a pressão de teste deve ser atingida nas horas mais quentes do dia,
de forma a se evitar sobrepressões na tubulação, devido à elevação da temperatura.

247
3.6.1 Devem ser instaladas câmaras de recebimento de pig e linhas de descarte de água
nas extremidades de cada trecho, de maneira a minimizar eventuais danos ao meio
ambiente durante o escoamento.

3.7 Os trechos de travessias de rios e lagos que forem objeto de projetos específicos,
devem receber o teste hidrostático simplificado antes e após o seu lançamento, conforme
abaixo:

3.7.1 O teste antes do lançamento consiste em:

a) Pressurizar o trecho, com as juntas sem revestimento, durante 02 (duas) horas, com a
pressão máxima de teste;
b) Realizar inspeção visual para detectar vazamentos.

3.7.2 Após o lançamento, o trecho deve ser percorrido por pig calibrador, conforme
definido no item 4.1.6.

3.7.3 A água utilizada para o teste dos trechos citados no item 6.7 deve ser totalmente
removida imediatamente após a execução do teste.

3.7.4 Os trabalhos de correção de eventuais defeitos constatados devem ser executados


e, em seguida, devem ser repetidas as atividades descritas nos itens 6.7.1 e 6.7.2.

3.8 Todos os dispositivos e acessórios provisórios submetidos à pressão durante o teste


hidrostático deverão ser dimensionados e testados antes de instalados.

248
CONDICIONAMENTO DE OLEODUTOS

3.9 Selo de Água

3.9.1 O selo de água deve ser realizado após a montagem completa do oleoduto, incluindo
lançadores, recebedores, válvulas e demais complementos.

3.9.2 Durante a formação do selo, o bombeamento não pode ser interrompido, para evitar
a formação de bolsões de ar.

3.9.3 O selo de água deve abranger toda a extensão do duto e estar isento de bolsões de ar.

3.10 Condição de Entrega

3.10.1 O oleoduto será considerado em condição de entrega quando o selo d’água atender
ao item 7.1.

CONDICIONAMENTO DE GASODUTOS

3.11 Esvaziamento da Linha

3.11.1 Considera-se esvaziamento da linha a remoção de água do gasoduto com a


utilização de ar comprimido.

3.11.2 Imediatamente após a realização e aceitação do teste hidrostático, deverá ser


executado o esvaziamento total da linha.

3.11.3 No planejamento do esvaziamento não são permitidos os cortes adicionais aos


previstos no plano de teste hidrostático, exceto nos locais de instalação de válvulas.

249
3.11.4 Na operação de esvaziamento deverá ser utilizado preferencialmente pig-espuma de
baixa densidade (28 a 33 Kgf/m3).

3.11.5 Deve ser garantida uma contra-pressão no descarte, de forma a assegurar o


deslocamento do pig numa velocidade inferior a 2,0 m/s e para evitar a formação de
bolsões de ar.

3.12 Pré-Secagem e Execução de Tie Ins

3.12.1 Considera-se pré-secagem a operação de eliminação de bolsões de água


remanescentes do esvaziamento, com a utilização de pigs espuma de baixa densidade,
deslocados com ar comprimido.

3.12.2 A pré-secagem da linha deve ser iniciada imediatamente após o esvaziamento.

3.12.3 A pré-secagem será considerada satisfatória quando os pigs-espuma de baixa


densidade estiverem sendo recebidos na condição “seco ao toque”.

3.12.4 Durante a pré-secagem, a velocidade de deslocamento dos pigs deve ser mantida
entre 0,2 a 1,0 m/s.

3.13 Secagem e Limpeza Final

3.13.1 Considera-se secagem a operação de eliminação da umidade do gasoduto, com o


emprego de ar seco ou gás inerte.

3.13.2 Considera-se limpeza final a retirada de óxidos, areia e resíduos metálicos, realizada
durante a operação de secagem.

250
3.13.3 Nas operações de secagem e limpeza deverão ser utilizados dispositivos provisórios
de lançamento e recebimento de pigs, compostos de válvulas de bloqueio e tampões de
fecho rápido, dimensionados de acordo com as pressões máximas de trabalho.

3.13.4 Na fase de secagem estão incluídas as etapas de passagem de pigs-espuma, pigs


raspadores com escova de aço e pig magnético.

3.13.5 A secagem deverá ser executada com pigs-espuma de baixa densidade. Os locais
de montagem de unidade de secagem e os pontos de recebimento de pigs deverão ser
preferencialmente os pontos de montagem das válvulas de bloqueio, devendo também ser
considerados os seguintes dados:

- Topografia do terreno ao longo do tramo;


- Facilidades de montagem da unidade de secagem;
- Extensão do tramo a ser secado (preferencialmente entre 30 e 60 quilômetros).

3.13.6 Depois de atingido o ponto de orvalho de 0 oC no local de recebimento de pigs,


deverão ser lançadas, no mínimo, 4 (quatro) baterias de pigs, compostas de um pig de
poliuretano de alta densidade com escovas de aço temperado (power brush) seguido de um
pig espuma de baixa densidade. No caso de tubulações com revestimento redutor de
rugosidade, as escovas devem ser de material que não danifique o revestimento.

3.13.7 O intervalo entre as baterias de pigs deverá ser de no mínimo 30 minutos.

3.13.8 A operação de passagem das baterias de pigs será considerada satisfatória quando
os pigs-escova chegarem ao local de recebimento íntegro e com as escovas não saturadas
de material aderido.

3.13.9 Após a passagem dos pigs-escova, deverão ser passadas baterias de pigs-espuma
de baixa densidade. A operação de limpeza será considerada satisfatória quando a seção
transversal do pig revelar uma profundidade de espuma impregnada com sujeira menor ou
igual a uma polegada.

251
3.13.10 Para complementação da limpeza, deverão ser passados no mínimo duas baterias,
constituídas de pigs-espuma e pigs magnéticos.

3.13.11 A limpeza final será considerada aprovada se a quantidade de resíduos metálicos


(pontas de eletrodo, fragmentos de arco de serra etc) aderidas ao pig magnético for inferior
a 50 g/km. O pig deverá ser pesado antes e depois da passagem, a fim de se verificar a
quantidade de elementos aderidos ao mesmo.

3.13.12 As válvulas de bloqueio somente poderão ser instaladas após a aprovação da


limpeza final. Antes da instalação das válvulas, deverá ser garantido que não há presença
de água no interior da válvula (corpo e dreno das válvulas, incluindo as de bypass,
tubulações, respiros etc).

3.13.13 A secagem será considerada concluída quando o ponto de orvalho, medido no


lançador, no recebedor e em todas as válvulas de bloqueio, atingir – 20º C.

3.13.14 A medição do ponto de orvalho deve ser feita com instrumento calibrado.

A soldagem dos “tie-ins” entre as seções definidas no plano de teste deverá ser
executada após a conclusão da secagem. O passe de raiz dos tie-ins deve ser
executado pelo processo TIG, para evitar a introdução de resíduos no duto.

3.14 Instalações Complementares

3.14.1 Com o objetivo de evitar a retenção de umidade no sistema, não deve ser utilizada
graxa na montagem de flanges, válvulas, recebedores e lançadores.

3.14.2 Após o teste das válvulas no canteiro, estas devem ser submetidas à sopragem com
ar, de forma a garantir a retirada de toda a água do corpo e do dreno das válvulas, incluindo
as tubulações de bypass e vents.

252
3.14.3 Os lançadores, recebedores e as respectivas tubulações de interligação às unidades
deverão ser limpas e secadas, com o mesmo critério de aceitação do gasoduto.

3.15 Selo de Nitrogênio

Por ocasião da pré-operação, um selo de nitrogênio deve ser injetado no gasoduto


imediatamente antes do gás. O volume de nitrogênio a ser injetado deve ser calculado em
função das dimensões da tubulação e pressão de injeção do gás, de modo a garantir a
segurança da operação.

3.16 Segurança

3.16.1 As áreas de bombeamento, lançamento e recebimento de pigs e descarte de água


ou ar devem ser isoladas e sinalizadas, de modo a se evitar acesso de pessoas não
autorizadas.

3.16.2 As áreas de bombeamento, lançamento e recebimento de pigs e descarte de água


ou ar devem ser providas de sistema de iluminação artificial.

3.16.3 As áreas de bombeamento e de lançamento e recebimento de pigs devem possuir


sistema de comunicação com um canal ou linha exclusiva.

3.16.4 Tubulações e acessórios provisórios, submetidos à pressão de teste, devem ser


inspecionadas antes de sua utilização.

3.16.5 Mangueiras de alta pressão devem ser ancoradas em toda sua extensão.

3.16.6 Tubulações provisórias de descarte de água ou ar devem ser ancoradas em toda sua
extensão, de maneira a suportar os esforços gerados pelo fluxo.

253
3.16.7 As válvulas do sistema de enchimento da tubulação não devem ser fechadas
instantaneamente, a fim de se evitar efeitos dinâmicos oriundos de Golpe de Aríete.

4.17 Meio Ambiente

4.17.1 A captação de água deve ser feita de modo a não alterar as características originais
do local.

4.17.2 Todos os equipamentos estacionários devem ser instalados de modo a evitar


contaminação do solo e dos cursos d’água. Eventuais derramamentos de óleo ou
combustível devem ficar contidos em bacias de contenção impermeabilizadas.

4.17.3 Deve ser evitada a geração de ruídos elevados próximos a comunidades. Se


necessárias medidas para atenuação de ruídos devem ser providenciadas.

4.17.4 Deve ser analisado o impacto ambiental causado pelos volumes de água captada e
descartado.

4.17.5 A energia da água de descarte deve ser dissipada por meio de instalação de difusor
na tubulação de descarte ou outro meio que impeça a erosão do terreno.

4.17.6 No local de descarte da água, deve ser construído um fosso, com fundo forrado em
pedras de mão, de modo a garantir a decantação dos resíduos sólidos existentes na água
antes de sua reintegração ao meio ambiente.

254
ANEXO 11.2

TESTE HIDROSTÁTICO DE DUTOS TERRESTRES EXISTENTES

(PROCEDIMENTO)

1 Objetivo

1.1 Este procedimento fixa as condições exigíveis para a execução de teste hidrostático de
dutos ou trechos de dutos terrestres existentes.

1.2 Este procedimento não cobre testes hidrostáticos em dutos submarinos.

1.3 Este procedimento não se aplica a testes pneumáticos.

1.4 Este procedimento se aplica somente a testes hidrostáticos realizados a partir da data
de sua edição.

1.5 Estes procedimentos contem requisitos técnicos e práticas recomendadas.

2 Documentos Complemetares

2.1 Norma-Base

API RP 1110-Recommended practice for pressure testing of petroleum pipelines.

2.2 Referencias Normativas

BS 8010- Part 2 - Pipelines on land: design, construction and instalation;


N-2098 – Inspeção de duto terrestre em operação;
N-2246 - Pré-operação, operação e manutenção de gasoduto terrestre.

255
3 Condições Gerais

3.1 . As condições exigíveis para execução do teste hidrostático e os valores limites para a
pressão de teste, deverão atender ao item 5.8 da N-2098.

4 Condições Específicas

4.1 Equipamentos e instrumentos para o teste hidrostático

Para a realização do teste hidrostático devem ser disponibilizados, no mínimo, os seguintes


equipamentos e instrumentos, adequadamente selecionados e em perfeito estado de
funcionamento:

4.1.1 Equipamentos:

a) Bomba de deslocamento positivo, rotação variável, com pressão de descarga de, no


mínimo, 1,5 vezes a pressão de teste no ponto de injeção d’água. O volume deslocado
por cilindro, deve ser conhecido e deve possuir um contador de pulsos por cilindro.
Como alternativa, pode ser usada uma bomba de rotação constante, que possua
controle de vazão, conjugada com um sistema que possibilite a medição do volume de
água injetado no duto durante a pressurização;

b) Válvula de alívio, para prevenir sobrepressão no trecho em teste, durante a


pressurização ou devido a expansão térmica, instalada no ponto de teste e ajustada
para abrir a 5% acima da pressão de teste;

c) Tanque portátil para armazenamento de água para teste (pressurização), com controle
de nível;

d) Mangotes, conexões, válvulas e acessórios necessários à interligação bomba-duto;

e) Tubos, válvulas, juntas, gaxetas e outros componentes sobressalentes para troca dos
que possam falhar durante o teste;

f) Equipamentos para isolar a linha em segmentos para detecção de vazamentos;

256
g) Equipamentos de comunicação adequados à coordenação das atividades do teste.

4.1.2 Instrumentos:

a) Balança de peso morto ou instrumento equivalente com resolução de 0,1 kgf/cm² (9,8
kPa);

b) Registrador contínuo de pressão que forneça um registro permanente em função do


tempo;

c) Manômetros com resolução máxima de 5 kgf/cm² (490,33 kPa) com leituras feitas no
terço médio da escala;

d) Registrador contínuo de temperatura que forneça um registro permanente em função do


tempo, sendo colocado em contato direto com o duto em trecho enterrado;

e) Termômetros de leitura direta para determinação da temperatura ambiente;

f) Termômetros de leitura direta para determinação da temperatura do solo ou da


superfície do duto ao longo do trecho em teste;

NOTAS:
1) Todos os instrumentos deverão possuir certificado de calibração emitido por laboratório
da Rede Brasileira de Calibração (RBC) ou por instituto equivalente no exterior, e deverão
atender aos prazos de validade do respectivo certificado.

2) A balança de peso morto deve possuir fórmula de correção da altitude de calibração para
a altitude de execução do teste.

3) Como alternativa pode ser utilizado um sistema computadorizado de monitoração de


pressão/temperatura, desde que os sensores individuais de pressão incluídos no sistema
possuam um nível de sensibilidade compatível e possam ser calibrados de maneira similar
àqueles instrumentos listados acima.

257
4.2 Plano de Teste

Deve ser preparado, previamente ao início da execução do teste hidrostático propriamente


dito, um plano de teste, onde os seguintes fatores devem ser considerados:

a) A máxima pressão de operação do duto. O teste freqüentemente é planejado de maneira


que em qualquer ponto do segmento de teste o nível de pressão não produza uma
tensão circunferencial próxima ou acima da tensão de escoamento do material (SMYS).
Se este valor for atingido, cuidado especial deve ser tomado para prevenir deformação
excessiva. Um exame detalhado da documentação de projeto, como registros de testes
de laminados e relatórios de manutenção de campo, pode confirmar o mínimo grau e
espessura de tubos na seção em teste. Se forem realizadas inspeções internas com
Pigs os dados devem ser cuidadosamente analisados;

b) Identificar o componente que limita a máxima pressão de teste considerando, os tubos e


acessórios nas suas diferentes composições químicas, espessuras, e perfil de elevação;

c) Avaliar previamente a temperatura do solo, ambiente e da água. Cuidado especial deve


ser tomado com grandes trechos de dutos desenterrados que pode conduzir a um tempo
de estabilização mais prolongado ou exigir maior precisão nos cálculos da variação de
pressão pela temperatura;

d) Os cuidados necessários com a fonte e o descarte de água - coleta de amostra e envio


para análise em laboratório especializado, inclusive para o caso de vazamento;

e) Localização e procedimento para tratamento e/ou descarte da água de teste;

f) Precauções e procedimentos de segurança para o pessoal envolvido na execução do teste;

g) Uma avaliação de responsabilidades dos envolvidos na organização e execução do


teste, especialmente aqueles que devem preparar documentos;

h) Precauções e procedimentos para minimizar o risco ao público e ao meio ambiente;

i) Notificar as autoridades competentes, agências de fiscalização e grupos de combate de


emergências, bem como aos donos de propriedades ao longo da faixa, sobre a
execução do teste;

258
j) Critério de aceitação para o teste de resistência e de estanqueidade.

4.3 Procedimento de Teste

Deve ser preparado, previamente ao início da execução do teste hidrostático propriamente


dito, um procedimento de teste detalhando os itens a seguir:

a) Diagrama indicando comprimentos, elevações e localizações dos segmentos de teste.


Localização dos pontos de monitoração de pressão;

b) Qualidade da água de teste no ponto de enchimento;

c) Vazão e tempo de enchimento do duto ou trecho;

d) Métodos de limpeza, descomissionamento e recomissionamento dos segmentos em


teste;

e) Métodos de pressurização dos segmentos em teste, indicando a localização dos pontos


de pressurização, alertando para os limites mínimo e máximo de pressão de teste;

f) Métodos de isolamento dos segmentos em teste, indicando localização de flanges cegos


e plugues a instalar, válvulas por remover, e retificadores de proteção catódica a ser
desenergizados;

g) Duração mínima do teste para cada trecho.

4.3.1 Plano de instalação dos instrumentos de controle e registro

4.3.1.1 Definir os locais de instalação dos equipamentos e instrumentos de controle e


registro, incluindo os de registro permanente e os de leitura periódica. Definir
também o intervalo de medição ou leitura.

4.3.1.2 Sugere-se instalar manômetros em todas válvulas de bloqueio intermediárias, e


fazer medições a cada 30 minutos para facilitar a detecção de um possível vazamento.
Sugere-se instalar termômetros para medição de temperatura ambiente, do solo e da água

259
injetada nas duas extremidades do trecho em teste. Em trechos maiores que 10km instalar
termômetros de contato para medição de temperatura do solo a cada 10km, no mínimo,
para permitir avaliação mais precisa do efeito da expansão térmica.

4.3.2 Plano de Raqueteamento

Elaborar um plano de raqueteamento e instalação de flanges cegos visando isolar a seção


em teste e protegendo os equipamentos e acessórios dispensáveis ao teste.

4.3.3 Plano de Enchimento do Duto com Água

4.3.3.1 A operação de enchimento deve limpar a linha e introduzir a quantidade de água


para o teste do segmento. Deve ser observado que os pigs não removem completamente os
hidrocarbonetos.

4.3.3.2 A operação de enchimento requer o emprego dos seguintes equipamentos:

a) Bomba de enchimento de grande volume (relativa ao volume do duto) ou a própria


bomba do duto;
b) Filtros de tela, para evitar introduzir sedimentos no duto;
c) Medidor de fluxo;
d) Pig(s) de enchimento;
e) Localizador de pigs (pig locator);
f) Reservatório para água;
g) Dispositivos para o controle de contrapressão no duto.

4.3.3.3 A bomba de grande volume deve ser dimensionada para que os pigs percorram o
duto a uma velocidade que minimizem a possibilidade de introduzir ar ou outra mistura
compressível atrás dos pigs de enchimento. Sugere-se como ponto de partida uma
velocidade de 0,9 a 1,3 m/s. É fundamental também controlar a contrapressão na
extremidade do duto, pois, a medida que o pig vence pontos altos do perfil, se não houver
um controle de pressão adequado, o pig acelera e permite a passagem de ar ou gás atrás
do mesmo.

260
4.3.4 Procedimento de Pressurização

4.3.4.1 Após o completo enchimento e iniciada a pressurização deve ser plotado o gráfico P
x V iniciando na pressão estática até a pressão definida no item 5.3.4.2. A verificação do
volume de ar residual contido no duto deve seguir o procedimento definido no item 5.3.4.4;

4.3.4.2 O oleoduto, ou trecho, deve ser mantido pressurizado por no mínimo, 12 horas antes
do início do teste, a uma pressão, no ponto de teste, correspondente a 50% da mínima
pressão de teste (ver item 3.3). Neste período, a pressão e temperatura devem ser
constantemente monitoradas e registradas. Espera-se, ao final deste, uma estabilização da
temperatura da água utilizada no enchimento do oleoduto ou trecho e, conseqüentemente,
da pressão;

4.3.4.3 A pressão deve ser então elevada, de forma moderada e à taxa constante até atingir
a uma pressão, no ponto de teste, correspondente a 70% da mínima pressão de teste. A
partir deste instante, o bombeamento deve evitar grandes variações de pressão, garantindo
que incrementos de 1Kg/cm² (98,06 kPa) sejam perfeitamente lidos e anotados; o
incremento deve ser dado com intervalo mínimo de 3 minutos, até atingir a 100% da pressão
de teste. O volume de água injetado deve ser medido e anotado em um gráfico pressão x
volume;

5.3.4.4 A determinação do conteúdo de ar na seção de teste deve ser feita construindo-se


um gráfico PV durante a fase inicial de pressurização da linha. Quando uma razoável porção
deste gráfico tornar-se nitidamente reta seu prolongamento até a intercessão com o eixo das
abscissas determina o volume de ar residual na linha (ver figura 1). O volume de ar residual
assim determinado deve ser comparado com o volume inicial de água na linha e obedecer à
seguinte condição:

∆Var 0,002 ∆Vi

Onde:
∆Var = volume de ar residual determinado graficamente (litros)
∆Vi = volume inicial (litros);

261
Figura 1 - Medição gráfica do volume de ar residual

4.3.4.4 Aferir a pressão de teste, efetuando-se os ajustes finos necessários pela Balança de
Peso Morto, até a pressão atingir, com precisão, 100% da pressão de teste;

4.3.4.5 Atingida a pressão de teste, observar então um período mínimo de 30 minutos para
estabilização do oleoduto ou trecho e verificações de eventuais vazamentos;

4.3.4.6 Havendo queda de pressão, retornar a mesma para 100% da pressão de teste e
iniciar a contagem de tempo;

4.3.4.7 O duto ou trecho será considerado aprovado, se no período de 4 horas não houver
queda de pressão equivalente a 0,5% da máxima pressão de teste (ver exceção no item
5.3.5) e não for observado qualquer indício de vazamento. Se não houver possibilidade de
inspecionar visualmente o oleoduto e seus componentes quanto a eventuais vazamentos, o
período de teste deve ser aumentado para 8 horas. Entretanto, nas últimas 4 horas, a
pressão de teste deve ser reduzida de um valor equivalente à redução de 12% da máxima
pressão de teste.

Nota: O controle de pressão deve ser feito no ponto de teste, fazendo-se as devidas
correlações entre a pressão de teste com a mínima pressão de teste e a máxima
pressão de teste.

262
4.3.5 Critério de Aceitação – Correção para o Efeito da Variação da Temperatura

4.3.5.1 Variações de pressão superiores ao limite de 0,5% devem ser comparadas com a
variação de temperatura considerando a fórmula a seguir, extraída da norma BS 8010-2;
neste caso o valor calculado deve ser multiplicado à variação de temperatura durante o teste
e o resultado comparado com a variação de pressão observada; caso o valor calculado seja
superior ao valor verificado o teste será considerado aprovado.

∆P = (264.7*Tf)/((D/t)+100)

Onde ∆P é a variação incremental de pressão [bar/°C];


D é o diâmetro nominal do duto [m];
t é a espessura nominal de parede do duto [m];
Tf é o fator de temperatura conforme tabela II [bar/°C].

Tabela II - Dados extraídos da figura 5 da BS 8010-2


Temperatura Fator de Temperatura Fator de
média de teste Temperatura média de teste Temperatura
[°C] [bar/°C] [°C] [bar/°C]
8 0,35 19 1,34
9 0,45 20 1,44
10 0,55 21 1,51
11 0,66 22 1,58
12 0,74 23 1,66
13 0,83 24 1,75
14 0,93 25 1,82
15 1,02 26 1,88
16 1,09 27 1,95
17 1,18 28 2,03
18 1,26 29 2,09
19 1,34 30 2,16

4.3.5.2 Caso pequenos vazamentos não possam ser estancados e seja possível sua
quantificação, o teste de resistência será considerado aprovado se a queda de pressão
atender a correlação teórica de variação de pressão com o incremento ou retirada de
volume de água. Esta correlação é dada pela fórmula a seguir, extraída da BS 8010-2.

263
∆V/∆P = V*(0,044*(D/t) + 4,5)*10-5

Onde ∆ P é a variação incremental de pressão [bar];


∆ V é a variação incremental ou decremental de água [m3]
D é o diâmetro nominal do duto [m];
t é a espessura nominal de parede do duto [m];

5 Recomendações de Segurança

5.1 O teste hidrostático deve ser desenvolvido preferencialmente durante a luz do dia para
facilitar possível identificação de vazamento, para assegurar a integridade física dos
técnicos envolvidos no teste devido à extensão a ser percorrida, e pela facilidade de
mobilização de recursos para solução de eventuais problemas.

5.2 Todos os pontos sensíveis em termos de integridade, cruzamentos com rodovias,


ferrovias, passagens aéreas e áreas de acesso ao público devem ser patrulhadas durante o
período de teste, e os responsáveis devem estar munidos de sistema de comunicação
compatível para acionamento rápido do plano de contingência.

5.3 Todo pessoal envolvido no teste deve estar utilizando equipamentos de proteção
individual adequados.

5.4 Deve ser provido um sistema eficiente de comunicação para todos os envolvidos no
teste nos pontos de patrulhamento e central de controle do teste.

6 Relatório de Teste Hidrostático

A certificação final do teste hidrostático será concluída com a entrega, por parte da
executante do ensaio, dos registros de pressão nos pontos de monitoração, da carta dos
registros de pressão devidamente assinada por profissional habilitado na entidade de classe
regional, e do relatório de teste aprovado pela fiscalização da PETROBRAS contendo todo o
procedimento de teste e os resultados obtidos.

264
ANEXO 11.3

TESTE HIDROSTÁTICO DE DUTOS SUBMARINOS NOVOS


(PROCEDIMENTO)

1 - Objetivo

1.1. Este procedimento cobre os testes hidrostáticos de dutos submarinos novos


transportando óleo, gás e fluxo multifásicos. Este procedimento recomenda práticas
mínimas que devem ser seguidas além de pontos ou fatores que devem ser considerados
durante a execução do teste.

1.2. Este procedimento se aplica a teste de dutos novos para averiguação de resistência
mecânica e estanqueidade após a construção.

1.3. Este procedimento não se aplica a testes pneumáticos.

1.4. Este procedimento não cobre testes hidrostáticos em dutos terrestres.

1.5. Este procedimento não cobre testes hidrostáticos de dutos existentes.

2 - Normas de Referência

2.1. BS 8010 Part 3;


2.2. API RP-1110;
2.3. DNV OS-F101 – 2000.

265
3 - Especificação do Teste Hidrostático

3.1 - Conteúdo Mínimo

A Especificação do Teste Hidrostático deve conter, pelo menos, os seguintes pontos:

a) Descrição do duto;
b) Operações de preparação para o teste;
c) Requisitos de equipamentos;
d) Especificação da pressão e duração do teste;
e) Critério de aceitação para o teste de resistência e de estanqueidade;
f) Condição de entrega;
g) Procedimentos que devem ser preparados e qualificados.

3.2 - Descrição do Duto

O duto deverá ser descrito segundo a Folha de Alinhamento e a Folha de Dados, conforme
modelo incluído no Anexo 11.3.1.

3.3 - Operações de Preparação para o Teste

Inspeção Pós-Lançamento. As seguintes inspeções deverão ser realizadas após o


lançamento do duto submarino:

A)Inspeção para Identificação de Vãos Livres

Deverá ser executada inspeção para a identificação de vãos livres os quais deverão ser
corrigidos, antes do Teste Hidrostático, se acima do máximo comprimento admissível.

B) Inspeção por Pig com Placa Calibradora

b.1) Características da Placa Calibradora


Quando a inspeção por pig geométrico não for especificada (ver item 3.3.1.c) deve ser
passado um pig calibrador, cuja placa deve ter as seguintes características:

266
b.1.1) Diâmetro da Placa Calibradora

Dp = DE − 2 e (1+ K ) − 0 , 025 DE − 0 , 250 "

Onde:
Dp = diâmetro da placa (polegada);
DE = diâmetro externo do tubo (polegada);
e = espessura nominal de parede do tubo ou da conexão, o que for maior (polegada);
K = tolerância da espessura, conforme Tabela 1.

267
Tabela 1 - Tolerância da Espessura de Parede – K
Diâmetro Nominal Processo de Grau do Aço (API 5L)
do Duto Fabricação B X42 a X70
< 2" com/sem costura 0,20 0,15
2" a 18" com/sem costura 0,15 0,15
≥ 20" com costura 0,18 0,20
≥ 20" sem costura 0,15 0,18

b.1.2) Fabricação da Placa Calibradora


A placa calibradora deve ser de aço-carbono SAE-1020 ou de alumínio, com pelo menos
oito cortes radiais e espessura mínima conforme abaixo:
- 1/8" para tubos com diâmetros < 6";
- 1/4" para tubos com diâmetros ≥ 6".

b.2) Critério de Aceitação da Inspeção por Placa Calibradora

A placa calibradora deve ser recebida sem amassamentos. Amassamentos detectados na


placa calibradora implicam na identificação da localização do dano ao duto por inspeção
complementar, onde a metodologia de inspeção corretamente detecte a localização do
defeito ao longo do comprimento do duto.

C) Inspeção por Pig Geométrico

Para dutos onde a expansão térmica possa acarretar flambagem lateral ou flambagem
vertical deverá ser realizada inspeção com pig geométrico para definir corretamente a
geometria pós-lançada do duto. O critério de aceitação de defeitos para pigs geométricos
deverá ser de acordo com normalização PETROBRAS e de acordo com critério de
irregularidade de construção definido por análise estrutural.

3.4 - Requisitos de Equipamentos e Materiais para Teste Hidrostático

Os equipamentos necessários à realização do teste hidrostático devem ser propriamente


selecionados, devendo estar incluídos na ordem de serviço e procedimento de teste
hidrostático. Os equipamentos de medição devem ser apropriados para a pressão esperada

268
durante o teste de pressão. O seguinte equipamento deve ser requerido para um teste
hidrostático:

a) Bomba de alto volume para encher a linha garantindo pressão adequada para vencer a
contrapressão e manter velocidade suficiente para manter os pigs de enchimento em
movimento, garantir fluxo turbulento e minimizar interfaces;

b) Bomba de injeção que para injeção de biocida, inibidor de corrosão, corantes para
identificação de vazamentos, e outros componentes químicos, se necessários, no
segmento de teste;

c) Medidor de vazão e totalizador de volume para controle do enchimento do duto;

d) Medidor de vazão e totalizador de volume para controle da injeção de biocida, inibidor,


corante, e outros componentes químicos;

e) Bomba de deslocamento positivo com velocidade variável para pressurização do duto,


com capacidade excedendo a pressão de teste. A bomba deve ter um volume de
deslocamento de pistão conhecido, devendo ter um contador do número de
deslocamentos de pistão. (Bomba de velocidade constante pode ser utilizada se o
volume injetado para pressurização do duto é medido com precisão);

f) Equipamentos de teste para verificar a concentração de inibidor;

g) Válvula de alívio, a ser incluída para prevenir pressurização acima do admissível durante
as operações de pressurização e teste;

h) Tanque, onde o meio de teste excedente seja descartado, e/ou para drenagem de
volume de pressurização excessivo;

i) Sensor de pressão com monitor com limites nos quais a pressão de teste esteja incluída
e subdivisões de escala adequadas para a indicação da pressão de teste,

j) Balança de peso morto, ou instrumento equivalente. Quando o teste hidrostático é


executado de uma embarcação, onde a balança de peso morto não pode ser utilizada
devido ao movimento da embarcação, a pressão de teste deve ser medida utilizando um
transdutor de pressão de alta acurácia, em adição a um manômetro de alta acurácia e
escala de leitura de alta resolução.

269
l) Registrador de pressão contínuo que forneça um registro gráfico permanente em função
do tempo;

m) Sensor de temperatura com monitor com limites nos quais a temperatura estimada para
teste esteja incluída, e subdivisões de escala adequadas para a indicação da variação
da temperatura de teste.

n) Registrador contínuo de temperatura que forneça um registro permanente da


temperatura do fluido de teste em função do tempo;

o) Termômetros para leitura direta da temperatura ambiente, água do mar, ao longo do


trecho do duto em teste;

p) Sistema eletrônico para monitoração e registro da pressão e temperatura para auxiliar a


análise dos dados de teste. Tal sistema pode ser utilizado como alternativa aos
componentes acima listados. Tal sistema deve ter como saída o registro da temperatura,
o registro da pressão, registro da pressão compensada por efeito da temperatura e linha
de tendência linear (para pressão compensada). O sistema eletrônico deve possuir
sensores de pressão e de temperatura com a mesma precisão especificada para os
sensores individuais.

q) Pigs de enchimento (para remoção do ar), calibração, limpeza e de remoção de água


(para esvaziamento ou secagem), se necessário.

r) Lançadores e recebedores de pigs,

s) Acessórios e mangotes para instalação e montagem do sistema para execução do teste;

t) Equipamentos de comunicação adequados à coordenação da atividade do teste;

u) Equipamentos para isolar a linha em segmentos para detecção de vazamentos;

v) Tubos, válvulas, juntas, gaxetas e outros componentes sobressalentes para troca dos
que possam falhar durante o teste.

x) Facilidades que protejam toda a instrumentação de condições ambientais extremas;

270
OS SEGUINTES REQUISITOS DEVEM SER APLICADOS PARA INSTRUMENTOS E
EQUIPAMENTOS DE TESTE:

a) Instrumentos e equipamentos de teste usados para a medição de pressão, volume e


temperatura devem ser calibrados quanto a acurácia, repetibilidade e resolução
especificadas. Todos os instrumentos e equipamentos de teste devem possuir
certificados de calibração válidos, com rastreabilidade em referência à padrões
(certificado de calibração emitido por laboratório da Rede Brasileira de Calibração – RBC
– ou por instituto equivalente no exterior), dentro de 6 meses precedendo o teste. Se os
instrumentos e equipamentos são de uso freqüente, calibração específica para o teste
deve ser requisitada.

b) Indicadores e registradores devem ser verificados quanto ao correto funcionamento


antes de cada teste.

c) As balanças de peso morto devem ter um ‘range’ mínimo de 1.25 vezes a pressão de
teste especificada e deve ter uma acurácia melhor do que +/- 0.1 bar e uma resolução
melhor do que 0.05 bar;

d) O volume de água somada ou subtraída durante o teste de pressão deve ser medida
com uma acurácia melhor do que +/- 1% e uma resolução melhor do que 0.1%;

e) Instrumentos de medição de temperatura e registradores devem ter uma acurácia melhor


do que +/- 1°C;

f) registradores de temperatura devem ser usados para fornecer registro gráfico da


pressão de teste para a total duração do teste;

g) Se transdutor de pressão é utilizado no lugar de balança de peso morto, o transdutor deve


ter um ‘range’ mínimo de 1.1 vezes a pressão de teste especificada, e a acurácia deve ser
melhor que +/-0.2% da pressão de teste. A resolução deve ser melhor do que 0.1%.

h) Lançadores e recebedores de pigs devem ser previamente testados com fator de


segurança de 1.25, em relação à pressão de teste, caso os mesmos sejam atuados pela
pressão de teste hidrostático (estruturas específicas, as quais substituam os
recebedores e lançadores durante a pressurização e teste hidrostático, devem ser
testadas com o mesmo fator de segurança);

271
3.5 - Especificação da Pressão e Duração do Teste

3.5.1- A pressão de teste deverá ser deverá ser no mínimo 15% acima da pressão
incidental, ou 25% acima da pressão de projeto, considerando a maior entre as duas.

3.5.2- O tempo de duração do teste hidrostático deverá ser de, no mínimo, 24 horas, para
dutos novos, após a estabilização da pressão de teste.

3.5.3- A máxima tensão combinada existente para a pressão de teste, limitada pela tensão
máxima admissível normalizada, deverá ser avaliada para toda a extensão do duto,
considerando a condição de suportação do duto no solo marinho. Correções de vão livres ou
de perfil de solo deverão ser realizadas caso a tensão combinada exceda a admissível.

3.5.4- Todos os acessórios do duto (válvulas, flanges, etc) deverão ser verificados limitando-
se a pressão de teste à 1.5 vezes a classe de pressão admissível para o acessório.

3.6 - Critério de Aceitação

3.6.1- Se a pressão não cair mais que 0,5% da pressão de teste durante tempo de patamar,
e após uma única eventual recuperação da pressão o duto em teste será considerado
aprovado.

3.6.2- Variações de pressão superiores ao limite de 0,5% devem ser comparadas com a
variação de temperatura considerando a fórmula a seguir. Neste caso o valor calculado deve
ser multiplicado à variação de temperatura durante o teste e o resultado comparado com a
variação de pressão observada, caso o valor calculado seja inferior ao valor verificado o
teste será considerado aprovado.

∆P = (t E (B – 2 A))/(D (1 - Y^2) + t E C)

Onde :
∆ P é a variação incremental de pressão [bar/°C];

272
t é a espessura nominal de parede do duto [m];
E é o módulo de elasticidade do material [bar];
B é o coeficiente de expansão da água [1/°C ];
A é o coeficiente de expansão do material do duto [1/°C ];
D é o diâmetro externo do duto [m] ;
Y é o coeficiente de Poisson;
C é o fator de temperatura conforme [bar/°C].

4.6.3- Seguem valores usuais para A, E Y para aço:


A = 1.116 x 10-5 1/°C
E = 20.7 x 105 bar
Y = 0.3

3.6.4- O Anexo 11.3.2 inclui valores para B, coeficiente de expansão da água, e para C,
fator de temperatura conforme para água doce, e água do mar, para serem utilizados
somente com unidades métricas.

3.6.5- Caso o sistema de dutos envolva dutos flexíveis e rígidos deverão ser considerados
os requisitos da BS-8010 (Parte 3) item 11.11.

3.7 - Condição de Entrega

3.7.1- Deverá ser especificada a condição de entrega do duto, ou seja, deverá ser
especificada a necessidade de serem executadas operações de desalagamento e secagem.

3.7.2- Deverá ser fornecido o período de tempo previsto entre o teste hidrostático do duto e
o início da operação.

3.7.3- Deverá ser especificado o critério de aceitação para secagem.

273
3.8 - Procedimento e Documentação Técnica a ser Emitida

3.8.1- O Procedimento de Teste Hidrostático e documentação de teste deverá ser emitida


conforme os requisitos estabelecidos nesta norma, ressaltando-se os itens 4.0 e 5.0, para a
aprovação da PETROBRAS. A PETROBRAS poderá, a seu critério, aprovar seções
independentes do Procedimento de Teste fornecido.

3.8.2- A Documentação Técnica do teste ‘conforme realizado’ deverá ser emitida de acordo
com os requisitos desta especificação, ressaltando-se os itens 4.0 e 5.0, para a aprovação
da PETROBRAS.

3.8.3- Procedimento e Documentação Técnica deverão ser emitidos para comentários em


pelo menos 3 volumes impressos e arquivo eletrônico, formato WORD (.doc) e ACROBAT
(.pdf). O relatório final, incluindo Procedimento e Documentação Técnica, aprovados pela
PETROBRAS, deverá ser emitido em CD ROM, com navegador para facilidade de acesso.

4.0 - Procedimento de Teste

4.1 - Conteúdo Mínimo

O Procedimento de Teste Hidrostático deve conter, pelo menos, os seguintes pontos:

a. Descrição do duto na condição ‘como lançado’;


b. Descrição do equipamento de teste;
c. Lay-out do equipamento de teste;.
d. Plano de instalação dos instrumentos de controle e registro;
e. Plano de raqueteamento;
f. Requisitos para a água de teste.
g. Procedimento de enchimento, limpeza e calibração;
h. Procedimento de pressurização;
i. Avaliação da segurança e eliminação de risco ao meio ambiente;
j. Recomendações de segurança;
k. Relatórios e gráficos que deverão ser emitidos.

274
4.2 - Descrição do Duto na Condição ‘Como Lançado’

4.2.1- O duto deverá ser descrito segundo a Folha de Alinhamento e a Folha de Dados,
conforme modelo incluído no Anexo 11.3.1, as quais deverão ser emitidas na condição do
duto ‘como construído’.

4.2.2- A folha de alinhamento na condição ‘como construído’ deverá conter a localização dos
vãos livres corrigidos e de pontos do duto onde a tensão de combinada produzida durante o
teste hidrostático seja igual ou maior do que 80% da tensão de escoamento.

4.2.3- A Folha de dados deverá indicar comprimentos, elevações e localização dos pontos
de monitoração de pressão, alertando para os limites mínimo e máximo de pressão de teste.

4.3 - Descrição dos Equipamentos de Teste

A descrição dos equipamentos de teste deve conter, pelo menos:

a) Dimensões, pesos e detalhes das facilidades principais (por exemplo, equipamento de


enchimento, equipamento de teste e desalagamento, etc);
b) Folha de dados dos equipamentos e instrumentos, incluindo acurácia, resolução e
‘range’ de medição;
c) Desenhos dos pigs, incluindo rótulo de identificação;
d) Desenho dos lançadores e recebedores, incluindo a identificação dos pigs que devem
ser lançados e recebidos para cada lançador/recebedor;
f) Certificado de calibração dos equipamentos de teste.

4.4 - Arranjo do Equipamento de Teste


Desenho identificando a posição dos equipamentos de teste hidrostático na plataforma ou
no convés da embarcação suporte.

275
4.5 - Plano de Instalação dos Instrumentos de Controle de Registro
Definir os locais de instalação dos equipamentos e instrumentos de controle e registro,
incluindo os de registro permanente e os de leitura periódica. Definir também o intervalo de
medição ou leitura.

4.6 - Plano de Raqueteamento


Elaborar um plano de raqueteamento e instalação de flanges cegos visando isolar a seção
em teste e protegendo os equipamentos e acessórios dispensáveis ao teste.

4.7 - Requisitos para a Água de Teste


Os requisitos para a água de teste estão incluídos no Anexo 11.3.3 desta norma.

4.8 - Procedimento de Enchimento, Limpeza e Calibração

4.8.1- Para a lavagem do duto com água, requisitos segundo item 5.7, devem ser utilizados
pelo menos dois (2) pigs com as seguintes características:

a) Um (1) pig raspador, constituído de, no mínimo, quatro discos de selagem e dois discos
suporte de poliuretano. O pig deve ser equipado com escovas de aço temperado, pré-
tensionadas, de forma a cobrir todo o perímetro da parede interna do duto;

b) Um (1) pig calibrador constituído de, no mínimo, quatro discos de selagem e dois discos
suporte de poliuretano. O pig deve ser equipado com placa calibradora conforme item
4.3.1.b;

4.8.2- Devem ser instalados um manômetro e um medidor de vazão no local de


bombeamento.

4.8.3- Antes do lançamento do pig raspador deverá ser bombeado um volume de água
equivalente a 500 metros de duto. Antes do lançamento do pig calibrador deverá ser
bombeado um volume de água equivalente a 100 metros de duto.

276
4.8.4- O volume a ser bombeado para enchimento do duto deve ser , pelo menos, 20%
superior ao volume do duto, a fim de garantir o recebimento dos pigs de limpeza e
calibração.
Adicionalmente, ‘pinger’ deverá ser previsto para o pig de calibração, a fim de possibilitar a
verificação do recebimento de mesmo.

4.8.5- O equipamento de bombeamento deve ser dimensionado para garantir uma


velocidade de deslocamento dos pigs entre 0,2 e 1,0 m/s.

4.9 - Procedimento de Pressurização

4.9.1- Deverá ser realizados segundo os seguintes passos:

a) Pressurizar o equipamento de teste hidrostático a 100% da pressão de teste, durante


pelo menos 15 minutos para a verificação de vazamentos;

b) Pressurizar o duto a uma taxa de 1 bar/min até que o mesmo atinja 50% da pressão de
teste. Avaliar volume de ar segundo procedimento incluído no Anexo 11.3.4 desta
norma. O volume de ar avaliado não poderá exceder 0.2% do volume total do duto;

c) Sendo o volume de ar menor do que 0.2%, continuar pressurização, mantendo a taxa de


1 bar/min, até que 70% da pressão de teste seja atingida;

d) Atingida a pressão de 70% da pressão de teste, o bombeamento deve ser interrompido,


sendo permitida a estabilização do sistema por 30 min. A pressão deve ser monitorada
para qualquer indicação de vazamento. A pressão deve ser registrada em intervalos de
pelo menos 10 minutos;

e) Completado o período de 30 minutos a pressurização deve prosseguir, à taxa de 0.5


bar/min, até uma pressão de 95% da pressão de teste.

f) Atingida a pressão de 95% da pressão de teste, o bombeamento deve ser interrompido,


sendo permitida a estabilização do sistema por 15 min. A pressão deve ser monitorada
para qualquer indicação de vazamento. A pressão deve ser registrada em intervalos de
pelo menos 5 minutos;

277
g) Completado o período de 15 minutos a pressurização deve prosseguir, à taxa de 0.1
bar/min, até uma pressão de 2 bar acima da pressão de teste;

h) Se em qualquer momento ao longo da pressurização, ou estabilização, vazamento seja


detectado, reparos somente serão executados se o equipamento, puder ser
isoladamente despressurizado. Caso não seja possível, todo o sistema deve ser
despressurizado para a execução do reparo;

i) Atingida a pressão de 2 bar acima da pressão de teste e isolado o sistema em teste,


inicia-se o período de estabilização;

j) Repressurizar o sistema, para pressão 2 bar acima da pressão de teste, caso seja
atingida pressão abaixo de 100% da pressão de teste, durante o período de
estabilização;

k) Leituras da pressão, e da temperatura do ambiente submarino próximo ao duto, devem


ser registradas a cada 15 minutos, ao longo do período de estabilização;

l) A estabilização é considerada atingida quando quatro (4) leituras de pressão idênticas e


consecutivas (considerando 15 minutos entre leituras) ocorrem;

m) Atingida a estabilização, inicia-se o período de teste de 24 horas;

n) Critério de aceitação de teste segundo item 4.6 desta especificação;

o) A pressão e temperatura devem ser continuamente registradas, durante as fases de


pressurização, estabilização e período de teste. Adicionalmente, a temperatura e
pressão devem ser manualmente registradas a cada, pelo menos, 30 minutos;

p) Completado o período de teste, tendo sido atendido o critério de aceitação, inicia-se a


despressurização do duto;

q) A despressurização deve occorrer à taxa máxima de 3 bar/min até que o duto atinja a
pressão ambiente.

278
4.9.2- Se possível, flanges, conectores mecânicos etc, mantidos sobre pressão durante o
teste, devem ser visualmente inspecionados para detecção de vazamentos.

4.9.3- Para dutos cuja tensão combinada máxima prevista para o teste hidrostático seja
igual ou maior do que 90% da tensão de escoamento, deverá ser monitorada a ocorrência
de tensões acima do escoamento (controle do limite elástico), segundo a metodologia
incluída no Anexo 11.3.5 desta norma.

4.10 - Relatórios e Gráficos que Deverão ser Emitidos

A certificação final do teste hidrostático será concluída com a entrega, por parte da
executante do ensaio, dos registros de pressão nos pontos de monitoração, da carta do
registrados de pressão devidamente assinada por profissional habilitado na entidade de
classe regional, e do relatório de teste aprovado pela fiscalização da contratante contendo
todo o procedimento de teste e os resultados obtidos.

4.11 - Avaliação da Segurança e Eliminação de Risco ao Meio Ambiente

Os seguintes requisitos deverão ser considerados nos procedimentos de teste:

a) Cuidados necessários com o descarte de água. Inclusive a coleta de amostra, preparada


com os produtos químicos especificados para o teste, para análise em laboratório
especializado, inclusive para o caso de vazamento.

b) Procedimento para descarte da água de teste.

c) Precauções e procedimentos de segurança para o pessoal envolvido na execução do teste.

d) Avaliação de responsabilidades dos envolvidos na organização e execução do teste,


especialmente aqueles que devem preparar documentos.

e) Precauções e procedimentos para minimizar o risco para pessoal da embarcação ou


instalação ‘offshore’ e ao meio-ambiente.

f) Identificar necessidade de notificar às autoridades competentes.

279
4.12 - Recomendações de Segurança

O teste hidrostático deve ser desenvolvido preferencialmente durante a luz do dia para
facilitar possível identificação de vazamento, para assegurar a integridade física dos
técnicos envolvidos no teste devido à extensão a ser percorrida, e pela facilidade de
mobilização de recursos para solução de eventuais problemas.

Todos pontos sensíveis em termos de integridade devem ser monitorados durante o período
de teste, e os responsáveis devem estar munidos de sistema de comunicação para adoção
de medidas contingenciais.

Todo pessoal envolvido no teste deve estar utilizando equipamentos de proteção individual
adequados.

Deve ser provido um sistema eficiente de comunicação para todos envolvidos no teste nos
pontos de patrulhamento e central de controle do teste.

280
ANEXO 11.3.1

FOLHA DE ALINHAMENTO E FOLHA DE DADOS

281
282
ANEXO 11.3.2

VALORES PARA B, COEFICIENTE DE EXPANSÃO DA ÁGUA, E PARA C,


FATOR DE TEMPERATURA.

283
284
ANEXO 11.3.3

REQUISITOS PARA A ÁGUA DE TESTE

O sistema de alimentação de água a ser utilizado em qualquer das operações previstas


nesta norma deve atender aos requisitos abaixo:

a) A instalação típica do sistema de bombeamento deverá conter um filtro no ponto de


coleta, um tanque pulmão e um sistema de filtragem antes da injeção da água no duto.

b) O filtro do ponto de coleta poderá ser construído em tecido geotêxtil ou tela, de


modo a reter partículas de 100 micrometros.

c) O volume do tanque pulmão deve assegurar um tempo mínimo de permanência da


água de cerca de 5 minutos.

d) O filtro a ser instalado antes da injeção no duto deve reter partículas de 30 micrometros.

e) A água deve ser limpa e isenta de agentes agressivos ao tubo. Deve ser previamente
analisada, conforme definido nas Tabelas I e II e atender aos requisitos da Tabela III.

285
Tabela I - Metodologias de Amostragem de Água para Teste Hidrostático
Parâmetros Químicos
Determinação Recipiente Volume Preservação Período
Mínimo de Máximo de
Amostra (ml) Estocagem
Alcalinidade P, V 200 Refrigerar 24h/14d
Carbono Analisar imediatamente ou
Orgânico Total V 100 refrigerar e acrescentar H 2SO4 7d/28d
até pH<2
Cloreto P, V 500 Analisar imediatamente 0,5h/2h
Condutividade P, V 500 refrigerar 28d/28d
Óleos e Graxas V, boca 1000 Acrescentar HNO3 até 28d/28d
larga pH<2, Refrigerar
Dureza P, V 100 Acrescentar HNO3 até 6 meses/6
pH<2 meses
Cálcio e Ferro P(A), V(A) - Para metais dissolvidos, filtrar 6 meses/6
imediatamente, acrescentar meses
HNO3
até pH<2
Nitrogênio P, V 500 Analisar assim que for possível ou 7d/28d
acrescentar H 2SO4 até pH<2;
refrigerar
Oxigênio Frasco de 300 Analisar imediatamente 0,5h/1h
Dissolvido DBO
Turbidez P, V - Analisar em poucos dias, manter 24h/48h
em local escuro por 24h
pH P, V - Analisar imediatamente 2h/2h
Sílica P - Refrigerar, não congelar 28d/28d
Sólidos Totais P, V - Refrigerar 7d/7-14d
Sólidos P, V - Refrigerar 7d/7-14d
Suspensos
Sulfato P, V - Refrigerar 28d/28d
Sulfeto P, V 100 Refrigerar; adicionar 4 gotas de Imediato/5d
2N (CH3COO)2Zn
pH alcalino

Notas:
- Para determinações não listadas, deve ser usado recipiente de vidro ou plástico; é preferível
refrigerar durante a estocagem e analisar o mais rápido possível.
- A refrigeração e a estocagem devem ser a 4°C, no escuro.
- P = plástico (polietileno ou equivalente)
- V= vidro.
- V(A) ou P(A) = lavado com solução de HNO 3, proporção de 1:1.
- Agência de Proteção ao Meio Ambiente. Regras Propostas. Registro Federal 44, Nº 244, 18 de
dezembro de 1979.

286
Tabela II - Metodologias de Amostragem de Água para Teste Hidrostático
Parâmetros Microbiológicos
Volume Período Máximo
Determinação Recipiente Mínimo Preservação de Estocagem
da Amostra Recomendado
(ml)
V(C) 1 50 Manter refrigerado (não 24-48h
Bactérias congelar). O frasco deve
Redutoras de ser completamente
Sulfato (BRS) preenchido.
Bactérias V(C) 1 50 Manter refrigerado (não 24-48h
Anaeróbias congelar). O frasco deve
Heterotróficas ser completamente
Totais (BANHT) preenchido.
Bactérias V(C) 1 50 Manter refrigerado (não 24-48h
Facultativas congelar). O frasco deve
Heterotróficas ser completamente
Totais (BFHT) preenchido.
Bactérias V(C) 2 100 Manter refrigerado (não 24-48h
Aeróbias Totais congelar)
(BAHT)
Bactérias V(C) 2 50 Manter refrigerado (não 24-48h
Produtoras de congelar)
Ácidos (BPA)
Bactérias V(C) 2 50 Manter refrigerado (não 24-48h
Precipitadoras de congelar)
Ferro (BPF)

Notas:
- V(C) 1 = Frasco de vidro tipo antibiótico (cap. 50 ml), lavado com detergente, enxaguado com
água corrente, seco em estufa a 100°C, lacrado e esterilizado em autoclave por 15 min a
121°C/1 atm.
- V(C) 2 = Frasco de vidro (cap. 125 ml), boca larga e esmerilhada. Lavado com detergente,
enxaguado com água corrente, seco em estufa a 100°C e esterilizado em autoclave por 15 min a
121°C/1 atm.

287
Tabela III – QUALIDADE DA ÁGUA
Parâmetro Resultado da análise Tempo de Procedimento de
Permanência no Correção
Duto
Sólidos suspensos > 30 mg/l Independe Filtrar
Turbidez > 10 NTU Independe Filtrar
Bactérias Aeróbias > 103 col/ml > 90 dias (3) Dosar com biocida
(2) (4)
Bactérias Anaeróbias > 102 NMP/ml > 90 dias (3) Dosar com biocida
Totais (2) (4)
Cloretos e/ou Sulfatos > 10 mg/l Independe Dosar com
seqüestrador de O 2
(1) (4)
Índice de Corrosividade Em torno de 0,1 Independe Não necessário
de Larson (IL)
IL= mg/l (Cl- + SO4--) / Entre 0,1 e 0,6 Independente
mg/l (alcalinidade total)

Notas:
1) O seqüestrador de O2 para água doce é a hidrazina (N2H4) catalisada. Este é um produto líquido
normalmente fornecido na concentração de 35%. Cada mg/l de oxigênio é consumido com 6 mg/l
de hidrazina, recomendando-se para dutos, um residual de 150 a 200 mg/l. Para gasodutos,
quando a secagem for realizada num prazo máximo de 30 dias após a realização do teste
hidrostático, não é necessária a utilização de seqüestrador de O2.

2) O biocida mais eficiente é o glutaraldeído, que é fornecido nas concentrações 25%, 50% ou 42%
(combinado a um sal quaternário de amônio a 8%). Sua dosagem deve ser: 500 ppm (25%); 250
ppm (50%); 200 ppm (42%). As amostras de água para a medição dos sólidos em suspensão e
turbidez devem ser colhidas após a unidade de filtragem.

3) Caso o tempo de permanência da água no duto ultrapasse 90 dias e não tenha sido utilizada
biocida, a água deve ser substituída.

4) Sempre que for utilizada hidrazina ou biocida, deve ser providenciado o tratamento adequado da
água de descarte, de modo estabelecer condições toleradas pelo meio ambiente.

288
ANEXO 11.3.4

VOLUME DE AR RESIDUAL NA SEÇÃO DE TESTE

1- A determinação do conteúdo de ar na seção de teste deve ser feita construindo-se um


gráfico PV durante a fase inicial de pressurização da linha.

2- Quando uma razoável porção deste gráfico tornar-se nitidamente reta seu prolongamento
até a intercessão com o eixo das abscissas determina o volume de ar residual na linha.

3- Para melhorar a precisão no traçado da porção reta do gráfico PV deve-se levar a


pressão pelo menos até um valor próximo à metade da pressão de teste.

4-O volume de ar residual assim determinado deve ser comparado com o volume inicial de
água na linha e obedecer à seguinte condição:

∆Var ≤ 0,002 Vi

Onde:

∆Var = volume de ar residual determinado graficamente (litros)


Vi = volume inicial (litros)

289
P(bar)

Gráfico PV
~50% Pressão teórico
de teste Gráfico PV
real
∆P a

∆V a
∆P b

∆V b

∆Var ∆V
(litro)

5- Se o conteúdo de ar ∆Var exceder o limite de 0,2% Vi , medidas mitigadoras do acúmulo


de ar devem ser praticadas, as quais devem incluir desde purgas adicionais de ar e/ou a
passagem de outros pigs, até o completo reenchimento da linha.

6- Além da medida prescrita no item 5 deve ser feita uma comparação entre as inclinações
das porções retas do gráfico PV considerando:

a) o gráfico PV real da seção de teste


b) o gráfico PV teórico da seção de teste

Se as duas inclinações diferirem por mais de 10% deve ser levada a cabo uma investigação
∆Pb
para determinação da causa e sua eliminação. Portanto, deve ser igual ou superior a
∆Vb

∆Pa
90% de .
∆Va

O gráfico PV teórico deve ser determinado a partir da seguinte fórmula (ver também
item 3.2 da ET-4600.00-6520-940-PEI-033):

10 . Vadic
∆ Pa =
D 1 - υ2 V + Vadic
[ Vi ( - 1) ( )] + [ i ]
e E E'

290
onde:

∆ Pa = variação teórica da pressão interna da seção de teste para um volume (Vadic) de


água injetada no sistema (bar).
Vadic = volume de água injetado no sistema (litros).
Vi = volume inicial de água no sistema (despressurizado) estimado a partir da
geometria interna da seção de teste (litros).
D = diâmetro externo do duto (mm).
e = espessura de parede do duto (mm).
υ = relação de Poisson para o aço (adimensional).
E = módulo de elasticidade longitudinal do aço (N/mm2).
E’ = módulo de elasticidade volumétrica da água à temperatura do teste (N/mm2).

291
ANEXO 11.3.5

Controle do Limite Elástico

∆V
1- Controle do Limite Elástico pela Relação
∆P

Uma indicação da proximidade do limite elástico σy, durante a pressurização de uma seção
de teste, é estabelecida quando o volume de água ∆ Vn, injetado para produzir um
incremento de pressão de 1 bar, torna-se duas vezes superior ao volume ∆ V que vinha
sendo injetado para obtenção do mesmo incremento de pressão durante o traçado do
segmento reto do gráfico PV.

∆Vn / ∆P
= 2 [ ou, simplesmente, ∆ Vn = 2 ∆V ] indica a proximidade do limite
∆V / ∆P
elástico do material.

P(bar)

gradiente no trecho de
transição entre propor-
∆P c i o n a l i d a d e e i n í c i o d e

∆V n p l a s t i f i c a ç ã o

∆V n
= 2
∆V

gradiente no trecho de
∆P p r o p o r c i o n a l i d a d e
∆V

∆V
(litro)

292
2- Controle do Limite Elástico pelo Desvio de 0,2% do Volume

2.1- A indicação de que o limite elástico σy foi atingido, durante a pressurização de uma
seção de teste é, neste caso, estabelecida ao ser determinada a pressão Py, tirada no
gráfico PV, correspondente a um desvio (do trecho reto deste gráfico) igual a 0,2% do
volume inicial (Vi) de água na seção de teste.

P(bar)
Py

Desvio de
0,2% Vi

∆V
∆V0 , 2
(litro)

Obs.: O traçado do gráfico PV para controle do limite elástico pode ter início quando a
pressão atingir 50% da pressão teste; o desvio volumétrico continua sendo, neste caso,
traçado da mesma forma.

onde:

Py = pressão (bar) que produz uma tensão correspondente ao limite elástico σy


∆Vo,2 = incremento volumétrico (litro) numericamente igual a 0,2% de Vi
∆V = incremento volumétrico do tubo sob efeito da água injetada ( e comprimida),
0,10P
calculado em litros pela expressão: ∆V = Vadic - (Vi + Vadic) .
E'
Vadic = volume de água (medido) injetado na seção de teste para elevação da pressão
(litro)
Vi = volume inicial de água na seção de teste (litro)

293
P = pressão (bar ) (medida) correspondente ao incremento volumétrico ∆V
E’ = módulo de elasticidade volumétrica da água à temperatura e à pressão do teste
(N/mm2)

2.2- A tensão correspondente ao limite elástico do material pode ser calculada pela seguinte
fórmula:

D e e
σy = 0,10 Py . 0,79 + 2,6 ( ) + 4 ( )2
2e D D

onde:

σy = tensão de limite elástico (N/mm2)


Py = pressão (bar), obtida no gráfico PV, correspondente ao desvio volumétrico de
0,2% de Vi
D = diâmetro externo do tubo (mm)
e = espessura de parede do tubo (mm)

2.3- A condição necessária para que toda a seção de teste atinja simultaneamente o
limite elástico é que todos os tubos apresentem razoável uniformidade em suas
propriedades mecânicas e espessuras de parede além de que não haja grande diferença de
altitude entre os pontos de maior e menor elevações da seção de teste.

2.4- A não-conformidade com uma ou mais das condições citadas no item 2.3
implica em que alguns tubos atingirão o início da fase plástica primeiro do que
outros, o que não é desejável; portanto, a interpretação do resultado do controle de
σy só terá confiabilidade quando se dispuser dos certificados de qualidade dos tubos
constituintes da seção de teste e quando se tiver conhecimento dos locais onde
esses tubos foram instalados.

294
ANEXO 11.4

TESTE HIDROSTÁTICO DE DUTOS SUBMARINOS EXISTENTES


(PROCEDIMENTO)

1 - Objetivo

1.1. Este procedimento cobre os testes hidrostáticos de dutos submarinos existentes


transportando óleo, gás e fluxo multifásicos. Este procedimento recomenda práticas
mínimas que devem ser seguidas além de pontos ou fatores que devem ser considerados
durante a execução do teste.

1.2. Este procedimento se aplica a teste de requalificação para diferentes condições


operacionais e para averiguação de resistência mecânica e estanqueidade de dutos
existentes.

1.3. Este procedimento não se aplica a testes pneumáticos.

1.4. Este procedimento não cobre testes hidrostáticos em dutos terrestres.

1.5. Este procedimento não cobre testes hidrostáticos de dutos novos.

2 - Normas de Referência

2.1 - BS 8010 Part 3;


2.2 API RP-1110;
2.3 DNV OS-F101 – 2000

295
3 - Especificação do Teste Hidrostático

3.1 - Conteúdo Mínimo

A Especificação do Teste Hidrostático deve conter, pelo menos, os seguintes pontos:

a) Descrição do duto;
b) Operações de preparação para o teste;
c) Requisitos de equipamentos;
d) Especificação da pressão e duração do teste;
e) Critério de aceitação para o teste de resistência e de estanqueidade;
f) Condição de entrega;
g) Procedimentos que devem ser preparados e qualificados.

3.2 - Descrição do Duto


O duto deverá ser descrito segundo a Folha de Alinhamento e a Folha de Dados, conforme
modelo incluído no Anexo 11.4.1.

3.3 - Operações de Preparação para o Teste

Inspeção de Requalificação

As seguintes inspeções deverão ser realizadas anteriormente a realização do teste


hidrostático:

a) Inspeção para Identificação de Vãos Livres


Deverá ser executada inspeção para a identificação de vãos livres os quais deverão
ser corrigidos, antes do Teste Hidrostático, se acima do máximo comprimento
admissível.

b) Inspeção para Identificação de Deformações Excessivas


Para dutos onde a expansão térmica possa acarretar flambagem lateral, ou flambagem
vertical, deverá ser realizada inspeção que permita concluir pela presença de alças de
deformação e pontos de acúmulo de deformações excessivas no duto. Tais ocorrências, se
identificadas no duto, devem ser objeto de uma análise estrutural específica antes da
realização do teste hidrostático.
296
3.4 - Requisitos de Equipamentos e Materiais para Teste Hidrostático

3.4.1 - Os equipamentos necessários à realização do teste hidrostático devem ser


propriamente selecionados, devendo estar incluídos na ordem de serviço e procedimento de
teste hidrostático. Os equipamentos de medição devem ser apropriados para a pressão
esperada durante o teste de pressão. O seguinte equipamento deve ser requerido para um
teste hidrostático:

a) Bomba de alto volume para encher a linha garantindo pressão adequada para vencer a
contrapressão e manter velocidade suficiente para manter os pigs de enchimento em
movimento, garantir fluxo turbulento e minimizar interfaces;

b) Bomba de injeção que para injeção de biocida, inibidor de corrosão, corantes para
identificação de vazamentos, e outros componentes químicos, se necessários, no
segmento de teste;

c) Medidor de vazão e totalizador de volume para controle do enchimento do duto;

d) Medidor de vazão e totalizador de volume para controle da injeção de biocida, inibidor,


corante, e outros componentes químicos;

e) Bomba de deslocamento positivo com velocidade variável para pressurização do duto,


com capacidade excedendo a pressão de teste. A bomba deve ter um volume de
deslocamento de pistão conhecido, devendo ter um contador do número de
deslocamentos de pistão. (Bomba de velocidade constante pode ser utilizada se o
volume injetado para pressurização do duto é medido com precisão);

f) Equipamentos de teste para verificar a concentração de inibidor;

g) Válvula de alívio, a ser incluída para prevenir pressurização acima do admissível durante
as operações de pressurização e teste;

h) Tanque, onde o meio de teste excedente seja descartado, e/ou para drenagem de
volume de pressurização excessivo;

i) Sensor de pressão com monitor com limites nos quais a pressão de teste esteja incluída

297
e subdivisões de escala adequadas para a indicação da pressão de teste,

j) Balança de peso morto, ou instrumento equivalente. Quando o teste hidrostático é


executado de uma embarcação, onde a balança de peso morto não pode ser utilizada
devido ao movimento da embarcação, a pressão de teste deve ser medida utilizando um
transdutor de pressão de alta acurácia, em adição a um manômetro de alta acurácia e
escala de leitura de alta resolução.

l) Registrador de pressão contínuo que forneça um registro gráfico permanente em função


do tempo;

m) Sensor de temperatura com monitor com limites nos quais a temperatura estimada para
teste esteja incluída, e subdivisões de escala adequadas para a indicação da variação
da temperatura de teste.

n) Registrador contínuo de temperatura que forneça um registro permanente da


temperatura do fluido de teste em função do tempo;

o) Termômetros para leitura direta da temperatura ambiente, água do mar, ao longo do


trecho do duto em teste;

p) Sistema eletrônico para monitoração e registro da pressão e temperatura para auxiliar a


análise dos dados de teste. Tal sistema pode ser utilizado como alternativa aos
componentes acima listados. Tal sistema deve ter como saída o registro da temperatura,
o registro da pressão, registro da pressão compensada por efeito da temperatura e linha
de tendência linear (para pressão compensada). O sistema eletrônico deve possuir
sensores de pressão e de temperatura com a mesma precisão especificada para os
sensores individuais.

q) Pigs de enchimento (para remoção do ar), calibração, limpeza e de remoção de água


(para esvaziamento ou secagem), se necessário.

r) Lançadores e recebedores de pigs,

s) Acessórios e mangotes para instalação e montagem do sistema para execução do teste;

t) Equipamentos de comunicação adequados à coordenação da atividade do teste;

298
u) Equipamentos para isolar a linha em segmentos para detecção de vazamentos;

v) Tubos, válvulas, juntas, gaxetas e outros componentes sobressalentes para troca dos
que possam falhar durante o teste

x) Facilidades que protejam toda a instrumentação de condições ambientais extremas;

3.4.2 - Os seguintes requisitos devem ser aplicados para instrumentos e


equipamentos de teste:

a) Instrumentos e equipamentos de teste usados para a medição de pressão, volume e


temperatura devem ser calibrados quanto à acurácia, repetibilidade e resolução
especificadas. Todos os instrumentos e equipamentos de teste devem possuir
certificados de calibração válidos, com rastreabilidade em referência à padrões
(certificado de calibração emitido por laboratório da Rede Brasileira de Calibração – RBC
- ou por instituto equivalente no exterior), dentro de 6 meses precedendo o teste. Se os
instrumentos e equipamentos são de uso freqüente, calibração específica para o teste
deve ser requisitada.

b) Indicadores e registradores devem ser verificados quanto ao correto funcionamento


antes de cada teste.

c) As balanças de peso morto devem ter um ‘range’ mínimo de 1.25 vezes a pressão de
teste especificada e deve ter uma acurácia melhor do que +/- 0.1 bar e uma resolução
melhor do que 0.05 bar;

d) O volume de água somada ou subtraída durante o teste de pressão deve ser medida
com uma acurácia melhor do que +/- 1% e uma resolução melhor do que 0.1%;

e) Instrumentos de medição de temperatura e registradores devem ter uma acurácia melhor


do que +/- 1°C;

f) registradores de temperatura devem ser usados para fornecer registro gráfico da


pressão de teste para a total duração do teste;

g) Se transdutor de pressão é utilizado no lugar de balança de peso morto, o transdutor


deve ter um ‘range’ mínimo de 1.1 vezes a pressão de teste especificada, e a acurácia

299
deve ser melhor que +/-0.2% da pressão de teste. A resolução deve ser melhor do que
0.1%.

h) Lançadores e recebedores de pigs devem ser previamente testados com fator de


segurança de 1.25, em relação à pressão de teste, caso os mesmos sejam atuados pela
pressão de teste hidrostático (estruturas específicas, as quais substituam os
recebedores e lançadores durante a pressurização e teste hidrostático, devem ser
testadas com o mesmo fator de segurança);

3.5 - Especificação da Pressão

3.5.1 - A pressão de teste hidrostático em qualquer ponto do duto, em qualquer condição de


teste, não deve ser superior ao menor dos seguintes valores:

- pressão que produza 100% da tensão mínima de escoamento especificada para o


material (SMYS), considerando a espessura corroída;

- 1,5 vezes a pressão máxima admissível de operação, para a classe de pressão dos
acessórios instalados, válvulas e flanges.

- pressão limite de teste hidrostático das linhas flexíveis conectadas ao duto, se for o
caso;

3.5.2 – Para o TH de Dutos Existentes para Avaliação da Resistência Mecânica e


Estanqueidade nas Condições Operacionais Originais, a pressão de TH deverá ser no
mínimo o maior dos valores calculados abaixo, para o pontos mais restritivo.

a) 1,25 vezes a PMO no ponto;


b) 1,136 vezes a pressão de alívio das PSVs em condições de alívio pleno.

3.5.3 – Para o TH de Dutos Existentes para Requalificação para Novas Condições


Operacionais, a pressão de TH deverá ser no mínimo o maior dos valores calculados
abaixo, para o pontos mais restritivo.

a) 1,39 vezes a PMO no ponto;


b) 1,26 vezes a pressão de alívio das PSVs em condições de alívio pleno.

300
3.6 - Duração do Teste

3.6.1- O tempo de duração do teste hidrostático deverá ser de, no mínimo, 8 horas, para
dutos existentes, após a estabilização da pressão de teste.

3.6.2- A máxima tensão combinada existente para a pressão de teste, limitada pela tensão
máxima admissível normalizada, deverá ser avaliada para toda a extensão do duto,
considerando a condição de suportação do duto no solo marinho. Correções de vão livres ou
de perfil de solo deverão ser realizadas caso a tensão combinada exceda a admissível.

3.7 - Critério de Aceitação

3.7.1- Se a pressão não cair mais que 0,5% da pressão de teste durante tempo de patamar,
e após uma única eventual recuperação da pressão o duto em teste será considerado
aprovado.

3.7.2- Variações de pressão superiores ao limite de 0,5% devem ser comparadas com a
variação de temperatura considerando a fórmula a seguir. Neste caso o valor calculado deve
ser multiplicado à variação de temperatura durante o teste e o resultado comparado com a
variação de pressão observada, caso o valor calculado seja inferior ao valor verificado o
teste será considerado aprovado.

∆P = (t E (B – 2 A))/(D (1 - Y^2) + t E C)

Onde :
∆ P é a variação incremental de pressão [bar/°C];
t é a espessura nominal de parede do duto [m];
E é o módulo de elasticidade do material [bar];
B é o coeficiente de expansão da água [1/°C ];
A é o coeficiente de expansão do material do duto [1/°C ];
D é o diâmetro externo do duto [m] ;
Y é o coeficiente de Poisson;
C é o fator de temperatura conforme [bar/°C].

301
3.7.3- Seguem valores usuais para A, E Y para aço:

A = 1.116 x 10-5 1/°C


E = 20.7 x 105 bar
Y = 0.3

3.7.4- O Anexo 11.4.2 inclui valores para B, coeficiente de expansão da água, e para C,
fator de temperatura conforme para água doce, e água do mar, para serem utilizados
somente com unidades métricas.

3.7.5- Caso o sistema de dutos envolva dutos flexíveis e rígidos deverão ser considerados
os requisitos da BS-8010 (Parte 3) item 11.11.

3.8 - Procedimento e Documentação Técnica a ser Emitida

3.8.1- O Procedimento de Teste Hidrostático e documentação de teste deverá ser emitida


conforme os requisitos estabelecidos nesta norma, ressaltando-se os itens 4.0 e 5.0, para a
aprovação da PETROBRAS. A PETROBRAS poderá, a seu critério, aprovar seções
independentes do Procedimento de Teste fornecido.

3.8.2- A Documentação Técnica do teste ‘conforme realizado’ deverá ser emitida de acordo
com os requisitos desta especificação, ressaltando-se os itens 4.0 e 5.0, para a aprovação
da PETROBRAS.

3.8.3- Procedimento e Documentação Técnica deverão ser emitidos para comentários em


pelo menos 3 volumes impressos e arquivo eletrônico, formato WORD (.doc) e ACROBAT
(.pdf). O relatório final, incluindo Procedimento e Documentação Técnica, aprovados pela
PETROBRAS, deverá ser emitido em CD ROM, com navegador para facilidade de acesso.

302
4.0 - Procedimento de Teste

4.1 - Conteúdo Mínimo

O Procedimento de Teste Hidrostático deve conter, pelo menos, os seguintes pontos:

a) Descrição do duto;

b) Descrição do equipamento de teste;

c) Lay-out do equipamento de teste;.

d) Plano de instalação dos instrumentos de controle e registro;

e) Plano de raqueteamento;

f) Requisitos para a água de teste.

g) Procedimento de enchimento, limpeza e calibração;

h) Procedimento de pressurização;

i) Avaliação da segurança e eliminação de risco ao meio ambiente;

j) Recomendações de segurança;

k) Relatórios e gráficos que deverão ser emitidos.

4.2 - Descrição do Duto

4.2.1- O duto deverá ser descrito segundo a Folha de Alinhamento e a Folha de Dados,
conforme modelo incluído no Anexo 11.4.1, as quais deverão ser emitidas na condição do
duto.

303
4.2.2- A folha de alinhamento deverá conter a localização dos vãos livres corrigidos e de
pontos do duto onde a tensão de combinada produzida durante o teste hidrostático seja
igual ou maior do que 80% da tensão de escoamento.

4.2.3- A Folha de dados deverá indicar comprimentos, elevações e localização dos pontos
de monitoração de pressão, alertando para os limites mínimo e máximo de pressão de teste.

4.3 - Descrição dos Equipamentos de Teste

A descrição dos equipamentos de teste deve conter, pelo menos:

a) Dimensões, pesos e detalhes das facilidades principais (por exemplo, equipamento de


enchimento, equipamento de teste e desalagamento, etc);

b) Folha de dados dos equipamentos e instrumentos, incluindo acurácia, resolução e


‘range’ de medição;

c) Desenhos dos pigs, incluindo rótulo de identificação;

d) Desenho dos lançadores e recebedores, incluindo a identificação dos pigs que devem
ser lançados e recebidos para cada lançador/recebedor;

e) Certificado de calibração dos equipamentos de teste.

4.4 - Arranjo do Equipamento de Teste


Desenho identificando a posição dos equipamentos de teste hidrostático na plataforma ou
no convés da embarcação suporte.

4.5 - Plano de Instalação dos Instrumentos de Controle de Registro


Definir os locais de instalação dos equipamentos e instrumentos de controle e registro,
incluindo os de registro permanente e os de leitura periódica. Definir também o intervalo de
medição ou leitura.

304
4.6 - Plano de Raqueteamento
Elaborar um plano de raqueteamento e instalação de flanges cegos visando isolar a seção
em teste e protegendo os equipamentos e acessórios dispensáveis ao teste.

4.7 - Requisitos para a Água de Teste


Os requisitos para a água de teste estão incluídos no Anexo 11.4.3 desta norma.

4.8 - Procedimento de Enchimento, Limpeza e Calibração

4.8.1- Para a lavagem do duto com água, requisitos segundo item 5.6, devem ser utilizados
pelo menos dois (2) pigs com as seguintes características:

a) Um (1) pig raspador, constituído de, no mínimo, quatro discos de selagem e dois discos
suporte de poliuretano. O pig deve ser equipado com escovas de aço temperado, pré-
tensionadas, de forma a cobrir todo o perímetro da parede interna do duto;

b) Um (1) pig calibrador constituído de, no mínimo, quatro discos de selagem e dois discos
suporte de poliuretano. O pig deve ser equipado com placa calibradora conforme item
4.3.1.b;

4.8.2- Devem ser instalados um manômetro e um medidor de vazão no local de


bombeamento.

4.8.3- Antes do lançamento do pig raspador deverá ser bombeado um volume de água
equivalente a 500 metros de duto. Antes do lançamento do pig calibrador deverá ser
bombeado um volume de água equivalente a 100 metros de duto.

4.8.4- O volume a ser bombeado para enchimento do duto deve ser , pelo menos, 20%
superior ao volume do duto, a fim de garantir o recebimento dos pigs de limpeza e
calibração.

Adicionalmente, ‘pinger’ deverá ser previsto para o pig de calibração, a fim de possibilitar a
verificação do recebimento de mesmo.

305
4.8.5- O equipamento de bombeamento deve ser dimensionado para garantir uma
velocidade de deslocamento dos pigs entre 0,2 e 1,0 m/s.

4.9 - Procedimento de Pressurização

4.9.1- Deverá ser realizados segundo os seguintes passos:

a) Pressurizar o equipamento de teste hidrostático a 100% da pressão de teste, durante


pelo menos 15 minutos para a verificação de vazamentos;

b) Pressurizar o duto a uma taxa de 1 bar/min até que o mesmo atinja 50% da pressão de
teste. Avaliar volume de ar segundo procedimento incluído no Anexo 11.4.4 desta
norma. O volume de ar avaliado não poderá exceder 0.2% do volume total do duto;

c) Sendo o volume de ar menor do que 0.2%, continuar pressurização, mantendo a taxa de


1 bar/min, até que 70% da pressão de teste seja atingida;

d) Atingida a pressão de 70% da pressão de teste, o bombeamento deve ser interrompido,


sendo permitida a estabilização do sistema por 30 min. A pressão deve ser monitorada
para qualquer indicação de vazamento. A pressão deve ser registrada em intervalos de
pelo menos 10 minutos;

e) Completado o período de 30 minutos a pressurização deve prosseguir, à taxa de 0.5


bar/min, até uma pressão de 95% da pressão de teste.

f) Atingida a pressão de 95% da pressão de teste, o bombeamento deve ser interrompido,


sendo permitida a estabilização do sistema por 15 min. A pressão deve ser monitorada
para qualquer indicação de vazamento. A pressão deve ser registrada em intervalos de
pelo menos 5 minutos;

g) Completado o período de 15 minutos a pressurização deve prosseguir, à taxa de 0.1


bar/min, até uma pressão de 2 bar acima da pressão de teste;

h) Se em qualquer momento ao longo da pressurização, ou estabilização, vazamento seja


detectado, reparos somente serão executados se o equipamento, puder ser
isoladamente despressurizado. Caso não seja possível, todo o sistema deve ser
despressurizado para a execução do reparo;

306
i) Atingida a pressão de 2 bar acima da pressão de teste e isolado o sistema em teste,
inicia-se o período de estabilização;

j) Repressurizar o sistema, para pressão 2 bar acima da pressão de teste, caso seja
atingida pressão abaixo de 100% da pressão de teste, durante o período de
estabilização;

k) Leituras da pressão, e da temperatura do ambiente submarino próximo ao duto, devem


ser registradas a cada 15 minutos, ao longo do período de estabilização;

l) A estabilização é considerada atingida quando quatro (4) leituras de pressão idênticas e


consecutivas (considerando 15 minutos entre leituras) ocorrem;

m) Atingida a estabilização, inicia-se o período de teste de 8 horas;

n) Critério de aceitação de teste segundo item 4.6 desta especificação;

o) A pressão e temperatura devem ser continuamente registradas, durante as fases de


pressurização, estabilização e período de teste. Adicionalmente, a temperatura e
pressão devem ser manualmente registradas a cada, pelo menos, 30 minutos;

p) Completado o período de teste, tendo sido atendido o critério de aceitação, inicia-se a


despressurização do duto;

q) A despressurização deve ocorrer à taxa máxima de 3 bar/min até que o duto atinja a
pressão ambiente.

4.9.2- Se possível, flanges, conectores mecânicos etc, mantidos sobre pressão durante o
teste, devem ser visualmente inspecionados para detecção de vazamentos.

4.9.3- Para dutos cuja tensão combinada máxima prevista para o teste hidrostático seja
igual ou maior do que 90% da tensão de escoamento, deverá ser monitorada a ocorrência
de tensões acima do escoamento (controle do limite elástico), segundo a metodologia
incluída no Anexo 11.4.5 desta norma.

307
4.10 - Relatórios e Gráficos que Deverão ser Emitidos

A certificação final do teste hidrostático será concluída com a entrega, por parte da
executante do ensaio, dos registros de pressão nos pontos de monitoração, da carta do
registrados de pressão devidamente assinada por profissional habilitado na entidade de
classe regional, e do relatório de teste aprovado pela fiscalização da contratante contendo
todo o procedimento de teste e os resultados obtidos.

4.11 - Avaliação da Segurança e Eliminação de Risco ao Meio Ambiente

Os seguintes requisitos deverão ser considerados nos procedimentos de teste:

a) Cuidados necessários com o descarte de água. Inclusive a coleta de amostra, preparada


com os produtos químicos especificados para o teste, para análise em laboratório
especializado, inclusive para o caso de vazamento.

b) Procedimento para descarte da água de teste.

c) Precauções e procedimentos de segurança para o pessoal envolvido na execução do


teste.

d) Avaliação de responsabilidades dos envolvidos na organização e execução do teste,


especialmente aqueles que devem preparar documentos.

e) Precauções e procedimentos para minimizar o risco para pessoal da embarcação ou


instalação ‘offshore’ e ao meio-ambiente.

f) Identificar necessidade de notificar às autoridades competentes.

4.12 - Recomendações de Segurança

O teste hidrostático deve ser desenvolvido preferencialmente durante a luz do dia para
facilitar possível identificação de vazamento, para assegurar a integridade física dos
técnicos envolvidos no teste devido à extensão a ser percorrida, e pela facilidade de
mobilização de recursos para solução de eventuais problemas.

308
Todos pontos sensíveis em termos de integridade devem ser monitorados durante o período
de teste, e os responsáveis devem estar munidos de sistema de comunicação para adoção
de medidas contingenciais.

Todo pessoal envolvido no teste deve estar utilizando equipamentos de proteção individual
adequados.

Deve ser provido um sistema eficiente de comunicação para todos envolvidos no teste nos
pontos de patrulhamento e central de controle do teste.

309
ANEXO 11.4.1

FOLHA DE ALINHAMENTO E FOLHA DE DADOS

310
311
ANEXO 11.4.2

VALORES PARA B, COEFICIENTE DE EXPANSÃO DA ÁGUA, E PARA C,


FATOR DE TEMPERATURA.

312
313
ANEXO 11.4.3

Requisitos para a Água de Teste

O sistema de alimentação de água a ser utilizado em qualquer das operações previstas


nesta norma deve atender aos requisitos abaixo:

a) A instalação típica do sistema de bombeamento deverá conter um filtro no ponto de


coleta, um tanque pulmão e um sistema de filtragem antes da injeção da água no duto.

b) O filtro do ponto de coleta poderá ser construído em tecido geotêxtil ou tela, de


modo a reter partículas de 100 micrometros.

c) O volume do tanque pulmão deve assegurar um tempo mínimo de permanência da


água de cerca de 5 minutos.

d) O filtro a ser instalado antes da injeção no duto deve reter partículas de 30 micrometros.

e) A água deve ser limpa e isenta de agentes agressivos ao tubo. Deve ser previamente
analisada, conforme definido nas Tabelas I e II e atender aos requisitos da Tabela III.

314
Tabela I - Metodologias de Amostragem de Água para Teste Hidrostático
Parâmetros Químicos
Determinação Recipiente Volume Preservação Período
Mínimo de Máximo de
Amostra (ml) Estocagem
Alcalinidade P, V 200 Refrigerar 24h/14d
Carbono Analisar imediatamente ou refrigerar e
Orgânico Total V 100 acrescentar H2SO4 até pH<2 7d/28d
Cloreto P, V 500 Analisar imediatamente 0,5h/2h
Condutividade P, V 500 refrigerar 28d/28d
Óleos e Graxas V, boca 1000 Acrescentar HNO 3 até 28d/28d
larga pH<2, Refrigerar
Dureza P, V 100 Acrescentar HNO 3 até 6 meses/6
pH<2 meses
Cálcio e Ferro P(A), V(A) - Para metais dissolvidos, filtrar 6 meses/6
imediatamente, acrescentar HNO 3 meses
até pH<2
Nitrogênio P, V 500 Analisar assim que for possível ou 7d/28d
acrescentar H2SO4 até pH<2;
refrigerar
Oxigênio Frasco de 300 Analisar imediatamente 0,5h/1h
Dissolvido DBO
Turbidez P, V - Analisar em poucos dias, manter em 24h/48h
local escuro por 24h
pH P, V - Analisar imediatamente 2h/2h
Sílica P - Refrigerar, não congelar 28d/28d
Sólidos Totais P, V - Refrigerar 7d/7-14d
Sólidos P, V - Refrigerar 7d/7-14d
Suspensos
Sulfato P, V - Refrigerar 28d/28d
Sulfeto P, V 100 Refrigerar; adicionar 4 gotas de Imediato/5d
2N (CH3COO)2Zn
pH alcalino

Notas:
- Para determinações não listadas, deve ser usado recipiente de vidro ou plástico; é preferível
refrigerar durante a estocagem e analisar o mais rápido possível.
- A refrigeração e a estocagem devem ser a 4°C, no escuro.
- P = plástico (polietileno ou equivalente)
- V= vidro.
- V(A) ou P(A) = lavado com solução de HNO 3, proporção de 1:1.
- Agência de Proteção ao Meio Ambiente. Regras Propostas. Registro Federal 44, Nº 244, 18 de
dezembro de 1979.

315
Tabela II - Metodologias de Amostragem de Água para Teste Hidrostático
Parâmetros Microbiológicos
Volume Período Máximo
Determinação Recipiente Mínimo da Preservação de Estocagem
Amostra (ml) Recomendado
V(C) 1 50 Manter refrigerado 24-48h
Bactérias (não congelar). O
Redutoras de frasco deve ser
Sulfato (BRS) completamente
preenchido.
Bactérias V(C) 1 50 Manter refrigerado 24-48h
Anaeróbias (não congelar). O
Heterotróficas frasco deve ser
Totais (BANHT) completamente
preenchido.
Bactérias V(C) 1 50 Manter refrigerado 24-48h
Facultativas (não congelar). O
Heterotróficas frasco deve ser
Totais (BFHT) completamente
preenchido.
Bactérias V(C) 2 100 Manter refrigerado 24-48h
Aeróbias Totais (não congelar)
(BAHT)
Bactérias V(C) 2 50 Manter refrigerado 24-48h
Produtoras de (não congelar)
Ácidos (BPA)
Bactérias V(C) 2 50 Manter refrigerado 24-48h
Precipitadoras (não congelar)
de Ferro (BPF)

Notas:
- V(C) 1 = Frasco de vidro tipo antibiótico (cap. 50 ml), lavado com detergente, enxaguado com
água corrente, seco em estufa a 100°C, lacrado e esterilizado em autoclave por 15 min a
121°C/1 atm.
- V(C) 2 = Frasco de vidro (cap. 125 ml), boca larga e esmerilhada. Lavado com detergente,
enxaguado com água corrente, seco em estufa a 100°C e esterilizado em autoclave por 15 min a
121°C/1 atm.

316
Tabela III – Qualidade da Água
Parâmetro Resultado da Tempo de Procedimento
análise Permanência no de Correção
Duto
Sólidos suspensos > 30 mg/l Independe Filtrar
Turbidez > 10 NTU Independe Filtrar
Bactérias Aeróbias > 103 col/ml > 90 dias (3) Dosar com
biocida (2) (4)
Bactérias Anaeróbias > 102 NMP/ml > 90 dias (3) Dosar com
Totais biocida (2) (4)
Cloretos e/ou Sulfatos > 10 mg/l Independe Dosar com
seqüestrador de
O2 (1) (4)
Índice de Corrosividade Em torno de 0,1 Independe Não necessário
de Larson (IL)
IL= mg/l (Cl- + SO4--) / Entre 0,1 e 0,6 Independente
mg/l (alcalinidade total)
Notas:
5) O seqüestrador de O2 para água doce é a hidrazina (N2H4) catalisada. Este é um produto líquido
normalmente fornecido na concentração de 35%. Cada mg/l de oxigênio é consumido com 6 mg/l
de hidrazina, recomendando-se para dutos, um residual de 150 a 200 mg/l. Para gasodutos,
quando a secagem for realizada num prazo máximo de 30 dias após a realização do teste
hidrostático, não é necessária a utilização de seqüestrador de O2.

6) O biocida mais eficiente é o glutaraldeído, que é fornecido nas concentrações 25%, 50% ou 42%
(combinado a um sal quaternário de amônio a 8%). Sua dosagem deve ser: 500 ppm (25%); 250
ppm (50%); 200 ppm (42%). As amostras de água para a medição dos sólidos em suspensão e
turbidez devem ser colhidas após a unidade de filtragem.

7) Caso o tempo de permanência da água no duto ultrapasse 90 dias e não tenha sido utilizada
biocida, a água deve ser substituída.

8) Sempre que for utilizada hidrazina ou biocida, deve ser providenciado o tratamento adequado da
água de descarte, de modo estabelecer condições toleradas pelo meio ambiente.

317
ANEXO 11.4.4

VOLUME DE AR RESIDUAL NA SEÇÃO DE TESTE

1- A determinação do conteúdo de ar na seção de teste deve ser feita construindo-se um


gráfico PV durante a fase inicial de pressurização da linha.

2- Quando uma razoável porção deste gráfico tornar-se nitidamente reta seu prolongamento
até a intercessão com o eixo das abscissas determina o volume de ar residual na linha.

3- Para melhorar a precisão no traçado da porção reta do gráfico PV deve-se levar a


pressão pelo menos até um valor próximo à metade da pressão de teste.

4- O volume de ar residual assim determinado deve ser comparado com o volume inicial de
água na linha e obedecer à seguinte condição:

∆Var ≤ 0,002 Vi

Onde:
∆Var = volume de ar residual determinado graficamente (litros)
Vi = volume inicial (litros)

318
P(bar)

Gráfico PV
~50% Pressão teórico
de teste Gráfico PV
real
∆P a

∆V a
∆P b

∆V b

∆Var ∆V
(litro)

5- Se o conteúdo de ar ∆Var exceder o limite de 0,2% Vi , medidas mitigadoras do acúmulo


de ar devem ser praticadas, as quais devem incluir desde purgas adicionais de ar e/ou a
passagem de outros pigs, até o completo reenchimento da linha.

6- Além da medida prescrita no item 5 deve ser feita uma comparação entre as inclinações
das porções retas do gráfico PV considerando:

c) o gráfico PV real da seção de teste


d) o gráfico PV teórico da seção de teste

Se as duas inclinações diferirem por mais de 10% deve ser levada a cabo uma
∆Pb
investigação para determinação da causa e sua eliminação. Portanto, deve
∆Vb

∆Pa
ser igual ou superior a 90% de .
∆Va

O gráfico PV teórico deve ser determinado a partir da seguinte fórmula (ver


também item 3.2 da ET-4600.00-6520-940-PEI-033):

319
10 . Vadic
∆ Pa =
D 1 - υ2 V + Vadic
[ Vi ( - 1) ( )] + [ i ]
e E E'

onde:

∆ Pa = variação teórica da pressão interna da seção de teste para um volume


(Vadic) de água injetada no sistema (bar).

Vadic = volume de água injetado no sistema (litros).

Vi = volume inicial de água no sistema (despressurizado) estimado a partir da


geometria interna da seção de teste (litros).

D = diâmetro externo do duto (mm).

e = espessura de parede do duto (mm).

υ = relação de Poisson para o aço (adimensional).

E = módulo de elasticidade longitudinal do aço (N/mm2).

E’ = módulo de elasticidade volumétrica da água à temperatura do teste


(N/mm2).

320
ANEXO 11.4.5

Controle do Limite Elástico

∆V
1- Controle do Limite Elástico pela Relação
∆P

Uma indicação da proximidade do limite elástico σy, durante a pressurização de uma seção
de teste, é estabelecida quando o volume de água ∆ Vn, injetado para produzir um
incremento de pressão de 1 bar, torna-se duas vezes superior ao volume ∆ V que vinha
sendo injetado para obtenção do mesmo incremento de pressão durante o traçado do
segmento reto do gráfico PV.

∆Vn / ∆P
= 2 [ ou, simplesmente, ∆ Vn = 2 ∆V ] indica a proximidade do limite
∆V / ∆P
elástico do material.

P(bar)

gradiente no trecho de
transição entre propor-
∆P c i o n a l i d a d e e i n í c i o d e

∆V n p l a s t i f i c a ç ã o

∆V n
= 2
∆V

gradiente no trecho de
∆P p r o p o r c i o n a l i d a d e
∆V

∆V
(litro)

321
2- Controle do Limite Elástico pelo Desvio de 0,2% do Volume

2.1- A indicação de que o limite elástico σy foi atingido, durante a pressurização de uma
seção de teste é, neste caso, estabelecida ao ser determinada a pressão Py, tirada no
gráfico PV, correspondente a um desvio (do trecho reto deste gráfico) igual a 0,2% do
volume inicial (Vi) de água na seção de teste.

P(bar)
Py

Desvio de
0,2% Vi

∆V
∆V0 , 2
(litro)

Obs.: O traçado do gráfico PV para controle do limite elástico pode ter início quando a
pressão atingir 50% da pressão teste; o desvio volumétrico continua sendo, neste caso,
traçado da mesma forma.

onde:

Py = pressão (bar) que produz uma tensão correspondente ao limite elástico σy


∆V0,2 = incremento volumétrico (litro) numericamente igual a 0,2% de Vi

322
∆V = incremento volumétrico do tubo sob efeito da água injetada ( e comprimida),
0,10P
calculado em litros pela expressão: ∆V = Vadic - (Vi + Vadic) .
E'
Vadic = volume de água (medido) injetado na seção de teste para elevação da pressão
(litro)
Vi = volume inicial de água na seção de teste (litro)
P = pressão (bar) correspondente ao incremento volumétrico ∆V
E’ = módulo de elasticidade volumétrica da água à temperatura e à pressão do teste
(N/mm2)

2.2- A tensão correspondente ao limite elástico do material pode ser calculada pela seguinte
fórmula:

D e e
σy = 0,10 Py . 0,79 + 2,6 ( ) + 4 ( )2
2e D D

onde:
σy = tensão de limite elástico (N/mm2)
Py = pressão (bar), obtida no gráfico PV, correspondente ao desvio volumétrico de
0,2% de Vi
D = diâmetro externo do tubo (mm)
e = espessura de parede do tubo (mm)

2.5- A condição necessária para que toda a seção de teste atinja simultaneamente o
limite elástico é que todos os tubos apresentem razoável uniformidade em suas
propriedades mecânicas e espessuras de parede além de que não haja grande diferença de
altitude entre os pontos de maior e menor elevações da seção de teste.

2.6- A não-conformidade com uma ou mais das condições citadas no item 2.3 implica em
que alguns tubos atingirão o início da fase plástica primeiro do que outros, o que não é
desejável; portanto, a interpretação do resultado do controle de σy só terá confiabilidade
quando se dispuser dos certificados de qualidade dos tubos constituintes da seção de teste
e quando se tiver conhecimento dos locais onde esses tubos foram instalados.

323