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Programa de Educação

Continuada a Distância

Curso Básico de Psicologia


Clínica

Aluno:

EAD - Educação a Distância


Parceria entre Portal Educação e Sites Associados
Curso Básico de Psicologia
Clínica

MÓDULO I

Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para
este Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização do
mesmo. Os créditos do conteúdo aqui contido são dados aos seus respectivos autores
descritos na Bibliografia Consultada.

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SUMÁRIO

Módulo I
1. HISTÓRIA DA PSICOLOGIA NO MUNDO
1.1 JOHN LOCKE E A PSICOLOGIA
1.2 A INFLUÊNCIA DE DARWIN
1.3 WUNDT: DA PSICOLOGIA EXPERIMENTAL FISIOLÓGICA À
PSICOLOGIA DOS POVOS
1.4 PSICOLOGIA DA INTELIGÊNCIA E DA FORMA
1.5 O PRINCÍPIO DO SENTIDO
1. 6 BREVES COMENTÁRIOS SOBRE A PSICOLOGIA NO BRASIL

2. GRANDES PENSADORES DA PSICOLOGIA E AS ABORDAGENS


DELES DERIVADAS
2.1 INÍCIO, O ESTRUTURALISMO
2.2 FUNCIONALISMO
2.3 WUNDT E O ASSOCIACIONISMO
2.4 PAVLOV E A REFLEXOLOGIA
2.5 BEHAVIORISMO, A PRIMEIRA POTÊNCIA
2.6 GESTALT E A PSICOLOGIA DA FORMA
2.7 PSICANÁLISE
2.8 HUMANISMO
2.8.1 PIRÂMIDE DE MASLOW
2.9 PSICOLOGIA TRANSPESSOAL
2.10 PSICODRAMA
2.10.1 JACOB LEVY MORENO
2.10.2 TEORIA DO PSICODRAMA
2.10.3 MÉTODO PSICODRAMÁTICO
2.10.4 PSICODRAMA PSICANALÍTICO
2.11 PSICOLOGIA ANALÍTICA

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MÓDULO II
1. A PSICOLOGIA ENQUANTO CIÊNCIA (PSICOLOGIA CIENTÍFICA)
2. PRINCIPAIS ÁREAS DE ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO
3. PSICOLOGIA CLÍNICA: CONCEITO

MÓDULO III
1.CONCEITO DE SAÚDE
2.SAÚDE MENTAL
3 DEFICIÊNCIA MENTAL
4 TRANSTORNO MENTAL
5 PRINCIPAIS TRANSTORNOS MENTAIS

MÓDULO IV
1. AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA
2. INTERVENÇÃO
3. EQUIPE MULTIPROFISSIONAL
4. PRESENTE E FUTURO DA PSICOLOGIA CLÍNICA
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

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MÓDULO I

Prefácio

A Psicologia talvez seja uma das mais controversas


ciências da atualidade. Amada por uns e odiada por outros, sem dúvida ainda
permanece obscura para a grande maioria.
Ouve-se falar dela como ‘coisa do demônio’ dentro de igrejas católicas e
evangélicas. Confundida com práticas alternativas não reconhecidas pela Ciência
tradicional, muitos cientistas a vêem com maus olhos e até com certo desdém. O
certo é que as pessoas normalmente costumam combater aquilo que não conhecem.
Esse comportamento é no mínimo preconceituoso.
Faz-se necessário conhecer para só depois exercer sobre aquilo que se
conhece algum tipo de pensamento, seja de apoio ou repulsa. Mas que seja feito
com fundamento.
O certo é que a Psicologia provavelmente seja uma das mais complexas
ciências da atualidade. A começar pelo seu próprio objeto de estudo, a pretensão de
estudar a alma humana. Por mais que se estude, jamais será possível abarcar toda
esta complexidade, pois o ser humano é o reflexo de interações ambientais, sociais,
físicas, cognitivas e espirituais.
Várias Ciências se cruzam na busca deste conhecimento, como a
Neurologia, a Filosofia, as Ciências Sociais, a Psiquiatria... Tudo o que for dito perto
da dimensão do ser humano envolto em sua cultura e valores será muito pouco.
Tudo isso faz da Psicologia uma Ciência extremamente bela e complexa, dificílima,
embora fascinante. Ninguém, jamais sairá ileso depois que dela se aproximar.

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E o objetivo deste curso é facilitar uma primeira aproximação com esta
Ciência, que mais pergunta que responde, pois não é função da Psicologia encontrar
respostas, ou soluções simples e prontas para coisas complexas, mas apenas se
propõe a entender melhor quem é o ser humano e como ele age. Quero caminhar
com você ao dar os primeiros passos rumo ao conhecimento psicológico e espero
que se apaixone tanto quanto eu me apaixonei por esta Ciência, ainda tão mal
compreendida. Vamos lá?

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1. HISTÓRIA DA PSICOLOGIA NO MUNDO

Desde o início dos tempos, o ser humano sempre quis compreender melhor
o mundo que o rodeia, conhecendo as suas origens. Se entendermos a Psicologia
como um conhecimento amplo, é possível afirmar que os mais antigos filósofos, os
pré-socráticos, eram, em sua essência, psicólogos, embora não fossem assim
denominados nem tivessem o seu exercício regulamentado em lei.
Na busca pela indagação de si e pelo entendimento de suas origens, Várias
correntes teóricas se formaram, dentre elas as duas mais importantes, tentando
explicar a origem do ser humano e do Universo: O Criacionismo e o Evolucionismo.
Entende-se o Criacionismo como sendo a teoria ou sistema que sustenta as
espécies animais e vegetais criadas de forma distinta, permanecendo invariáveis.
Houve um Ser Superior que criou todas as coisas que existem. O relato da criação
do mundo encontra-se pormenorizado na Bíblia Sagrada, livro de orientação de
todos aqueles que professam a fé cristã. (FERREIRA, 1993).
Ao processo gradual de mudança genética em que as características de
toda uma espécie são alteradas durante muitas gerações, produzindo uma mudança
cuja função é proporcionar uma melhor adaptação dos indivíduos daquela espécie
ao meio ambiente, processo conhecido como Seleção Natural, dá-se a denominação
de Evolucionismo. (HAYES, 1997).
Mas as grandes questões da humanidade não se limitaram àquelas ligadas
ao Universo. O ser humano sempre se interessou por conhecer melhor a sua própria
essência - De onde vim? Para onde vou? Quem sou eu? O que vim fazer nesse
mundo? As respostas a estas perguntas trariam alívio para a própria angústia e
inquietação inerentes ao ser humano. Era preciso entender melhor as próprias
emoções, ansiedades, sentimentos, o porquê da existência, do nascimento, da
morte...
Faz-se necessário entender que esses questionamentos tão profundos são
naturais e fazem parte do processo de autoconhecimento. Não é preciso fugir de
sensações que nem sempre são confortáveis, mas enfrentá-las, tirando proveito de
cada evento desagradável para encontrar o próprio equilíbrio, a própria estrada. Um

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dos grandes equívocos atuais provavelmente seja o de querer se livrar a todo e
qualquer custo, da dor e dos sofrimentos humanos. Mas eles são parte da complexa
natureza humana. Não há fórmulas miraculosas para fazer com que o ser humano
pare de sofrer, por mais que os livros de auto-ajuda falem o contrário. Não é essa a
finalidade da Psicologia, mas sim, entender a alma humana e aprender a lidar
melhor com a própria existência.
A partir desse breve comentário, poderíamos afirmar que a Psicologia nasce
de dois ramos distintos: Da Filosofia, considerando pensadores como Aristóteles e
Platão os primeiros psicólogos (ainda que não utilizassem esse termo) e da
Medicina, ainda que, de forma equivocada, tentassem encontrar respostas físicas
para questões emocionais (Os pensadores, 1999).
Provavelmente, a primeira grande obra psicológica de que se tem notícia
seja a do grande pensador Aristóteles, intitulada De Anima. Embora já se estudasse
a alma humana, o termo Psicologia só aparece no século XVI, com Rodolfo
Goclênio.
A palavra Psicologia tem sua raiz etimológica nos termos psiché (alma) +
logos (razão, estudo). É bom que se diga que a Psicologia enquanto profissão é algo
ainda recente, pois a regulamentação da profissão de psicólogo acontece somente
em 27 de agosto de 1962. (Data em que hoje se comemora o Dia do Psicólogo).
Tem-se afirmado que a Psicologia é uma ciência com um longo passado,
mas com uma curta história de reconhecimento enquanto atividade profissional e
Ciência. Tal frase lança luz sobre o fato de que os povos de todos os tempos e de
todas as culturas se tenham ocupado dos problemas da alma e da vida humana.
A partir de alguns testemunhos escritos que nos ficaram das antigas culturas
da Índia, China, Ásia Anterior, do Delta e do Nilo. A partir de mitos e contos
populares, bem como de obras eruditas, pode-se concluir que as pessoas sempre
refletiram sobre a alma, a morte e a imortalidade, sobre o bem e o mal, e as causas
dos seus medos e preocupações.
O estudo da alma humana e a existência do ser humano são eventos
interligados. Daí a afirmação que a Psicologia é uma ciência em construção e de que
o psicólogo é um profissional sempre em formação. Não há psicólogos prontos, visto

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que compreender o ser humano requer estudo incessante e a capacidade de
aprender com os próprios erros.
A nossa ciência ocidental, assim como a psicologia, remonta à Grécia
Antiga, pelo que o antigo escrito do filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.) "Acerca
da Alma", é designado muitas vezes como o primeiro Manual de Psicologia. De fato,
este grande mestre da ciência antiga tratou de quase todos os problemas que ainda
hoje nos ocupam; interessou-se de modo muito especial pela questão dos
fundamentos biológicos da vida anímica e do seu desenvolvimento.
É do pensador Aristóteles a tese de que o todo vem antes das partes e é,
portanto, mais do que o somatório das suas partes. Por exemplo: cada floresta é
mais do que o somatório das suas árvores, arbustos e ervas as quais a constituem e
dos animais que nela habitam, é uma totalidade própria com características
especiais que pertencem à totalidade. Porém, tais totalidades existem igualmente no
domínio psíquico. Este é um dos grandes fundamentos do que atualmente se intitula
Psicologia da Gestalt, ou Psicologia da forma.
Esta concepção opõe-se à de Wilhelm Wundt (1832-1920), de que o todo da
mente é constituído a partir de processos elementares, a qual dominou, a princípio,
de a moderna Psicologia Científica, orientada pelo pensamento atomista da Física.
Os gregos consideravam a alma como o sopro da vida, como aquilo que
vivificava a vida. Como, porém, se realizava essa vivificação foi problema que
permaneceu tão discutido quanto insolúvel. Tales de Mileto, muito antes de
Aristóteles, considerou o movimento como algo essencial para o processo de
vivificação; alguns filósofos da Antiga Grécia pensavam que a alma era "ar", outros,
que eram os odores os elementos vivificantes. (Os pensadores: Pré-socráticos,
1999).
Platão (427-347 a.C.) qualifica alma de ser algo espiritual; o seu discípulo
Aristóteles considerava-a como uma força, aliás, incorpórea, mas que movia e
dominava os corpos. A partir de tais concepções, adquiridas exclusivamente pela
especulação, existiam, contudo, também já na Antigüidade, estudos amplos sobre
processos cerebrais, sobre as funções dos órgãos sensoriais e sobre perturbações
destas funções em caso de lesões cerebrais.

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Muito se houve falar sobre a doutrina dos quatro temperamentos, sobretudo
em livros norte-americanos de Psicologia. Mas a grande verdade é que esta doutrina
remonta ao grande médico grego Hipócrates (cerca de 400 a.C.), retomada e
desenvolvida pelo médico romano Galeno (131 até 201 a.C.). Segundo ele, existem
quatro temperamentos, determinados pela predominância de um dos quatro
"humores": o sangüíneo (sangue: folgazão e superficial), o colérico (bílis amarela:
vontade forte e iras repentinas), o melancólico (bílis negra: pensativo e triste) e o
fleumático (muco: sossegado e inativo). Apesar do seu funcionamento
pseudocientífico, a doutrina dos quatro temperamentos afirmou-se na prática e os
quatro tipos foram finalmente introduzidos como noções da nossa linguagem do dia-
a-dia. (Sournia, 1996).
Outro nome fundamental para que se estudem os primórdios da Psicologia é
Santo Agostinho (354-430), pelo fato de ter descoberto dois métodos importantes: o
da auto-observação e o da descrição da experiência interior, dando origem a uma
Psicologia mais subjetiva e qualitativa, baseada na fala e na introspecção, ao
contrário daquela que prioriza apenas o comportamento observável. De certa forma,
pode-se citar a Psicologia Européia como aquela que mais se aproxima de uma
Psicologia menos comercial e imediatista para uma mais aprofundada e introspectiva
denominada por alguns de ‘Psicologia profunda’.

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Imagem retirada do site www.alamed.com.br/psicologia.htm

1.1 JONH LOCKE E A PSICOLOGIA

Grande parte das pessoas que trabalham na Educação já ouviu falar que ‘a
criança é como uma folha em branco na qual são registradas as várias experiências’.
Esta idéia que também influenciou bastante a Psicologia, principalmente em relação
às abordagens que priorizam a experiência como a principal fonte de formação do
ser humano, vem de um pensador conhecido: Jonh Locke.
Este pensador veio sublinhar a importância que desempenham as
impressões sensoriais para o desenvolvimento da nossa experiência. Imaginou o
espírito da criança como uma folha de papel em branco (tábula rasa) na qual são
"registradas" as experiências. John Locke também tem papel decisivo na Pedagogia
e na Psicopedagogia. Seu pensamento sustentou ricas correntes pedagógicas e
psicológicas. (Abagnano, 2000).
Já Aristóteles se ocupara das associações, da combinação de duas ou mais
representações ou vivências parciais. O fato de David Hume (1711-1776) ter

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retomado e aperfeiçoado a teoria aristotélica das associações demonstrou ser de
extraordinária importância, também para a atual Psicologia. Hume ensinou que as
representações eram imagens de impressões sensoriais e se encontravam ligadas
umas às outras com base em leis mecanicamente funcionais. Reforçando o
pensamento de Aristóteles, formulou as leis da associação do contato espaço-
tempo, da semelhança, do contraste e da causalidade.
Desde então se verifica a importância que as experiências exercem sobre a
vida de qualquer ser humano, gerando gratificação ou traumas. As experiências têm
uma função primordial na estrutura da pessoa, principalmente de zero aos seis anos
de vida. Aquilo que é vivenciado nessa fase torna-se determinante na vida adulta. A
forma de ser, de reagir e de enfrentar crises em boa parte é construído na infância.
Também a forma feliz de celebrar a vida em seus detalhes mais simples.

1.2 A INFLUÊNCIA DE DARWIN

Charles Darwin

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A Psicologia sempre viveu o dilema de optar entre entregar-se à


objetividade, para que ocorresse a apropriação do fazer científico, ou exercer um

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modo alternativo de fazer seus estudos de maneira mais alternativa e aberta à
especulação e assim correr o risco de não ser legitimada nos meios acadêmicos.
Pela própria raiz eminentemente filosófica, toda a Psicologia fora praticada
até aos meados do século XX de modo predominantemente especulativo: julgava-se
poder solucionar todos os problemas a partir da reflexão, da análise e da síntese.
Ledo engano. Atualmente, percebe-se que as alternativas acima citadas não são
excludentes, mas podem se complementar e se enriquecer mutuamente e assim o
fazer científico enriquece seu olhar, tornando-se mais holístico e menos
fragmentado.
Prova disso são as propostas atuais do Sistema Único de Saúde, de tornar o
trabalho cada vez mais interdisciplinar e menos individualista, o que amplia o prisma
do observador para um horizonte mais amplo dentro do estudo de cada caso. Uma
gastrite, por exemplo, pode ser analisada como algo proveniente de uma irritação
gástrica apenas ou do produto complexo da somatização de uma vida corrida e
sedentária. Aliado a uma alimentação precária digerida num ambiente de ansiedade,
somatizando numa irritação gástrica, que vai eclodir num órgão de choque, que
pode ser o estômago.
Isso prova que vários olhares sobre o mesmo assunto mostram o quão
complexo é cada situação e o quanto podem se tornar ricos os debates entre os
vários fazeres científicos.
Quanto ao modo empírico de fazer ciência, pode-se afirmar que um dos
principais impulsos na Psicologia teve sua origem nas observações e experimentos
de Charles Darwin (1809-1882), o fundador da moderna doutrina genética e da
hereditariedade.
“A Origem das Espécies" (1859), magnífica obra deste cientista, influenciou
de modo revolucionário quase todos os domínios da Ciência, desde a Física e
Química, passando pela Biologia até chegar à Psicologia. Essa obra promove
debates, os mais acalorados, e inúmeras teses, colocando como inimigos frontais
teólogos e cientistas, lógico, dentro de uma perspectiva excludente, fragmentada e
dualista.

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Além das suas investigações biológicas, Darwin ocupou-se igualmente de
uma série de problemas que hoje denominaríamos psicológicos. As idéias de Darwin
deram um novo impulso à investigação psicológica e constituíram o fundamento para
muitos campos da moderna Psicologia: - a Psicologia do Desenvolvimento e a
Psicologia Animal; o estudo da expressão dos movimentos afetivos, a investigação
das diferenças entre os diversos indivíduos; - o problema da influência da
hereditariedade em comparação com a do meio ambiente; o problema do papel da
consciência; e, logo a seguir; o estudo experimental das funções anímicas como
também a introdução do princípio quantitativo da investigação.
O historiador Boring, cuja formação acadêmica remonta a Wilhelm Wundt,
passando por Edward E. Titchener, afirma, em determinado passo, acerca da
psicologia americana, que ela herdou o corpo da investigação experimental alemã; o
espírito, porém, provém de Darwin. Refere-se assim à tradição americana fundada
com base em William James (1842-1910) e John Dewey (1859-1952) que -
diferentemente da tradição alemã criada por Wundt - transfere para primeiro plano
as questões da Biologia, do Desenvolvimento e da Atividade Anímica.
Historicamente é interessante verificar que as primeiras publicações de
Fechner e Wundt sobre as Percepções Sensoriais surgiram ao mesmo tempo em
que a "Origem das Espécies" de Charles Darwin: os "Elementos de Psicofísica" de
Fechner apareceram em 1860 e os "Contributos para uma Teoria das Percepções
Sensoriais" de Wundt, no ano de 1862. (DAVIDOFF, 2003).

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1.3 WUNDT: DA PSICOLOGIA EXPERIMENTAL FISIOLÓGICA À
PSICOLOGIA DOS POVOS

Wundt

serendip.brynmawr.edu

Wundt é considerado por muitos estudiosos como o pai da Psicologia. Sem


dúvida, a posição de destaque que Wundt ocupa entre os psicólogos e a sua
influência internacional, gigantesca, tem sua fundamentação numa série de
circunstâncias: Wundt não se limitou a criar em 1879, em Leipzig, o primeiro
laboratório destinado à investigação experimental dos fenômenos da consciência,
fato que muitos consideraram o marco inicial da Psicologia como ciência
independente.
Ele desenvolveu, além disso, um sistema amplo para o nascimento desta
nova ciência, pesquisando aspectos que iam desde a Psicologia Experimental
Fisiológica até a Psicologia dos Povos, dando origem àquilo que hoje se conhece
como Psicologia Social e Comunitária. Essa ampla gama de estudos dentro da
Ciência Psicológica demonstrava que Wundt possuía invulgar capacidade e
fecundidade para o trabalho.
Fato curioso é que a base teórica da Psicologia pensada por de Wundt vinha
da Física. Não é à toa que hoje se fala em termos como campos de tensão dentro da
dinâmica dos grupos.
Tal como um físico, ele pretendia encontrar elementos e processos
elementares; a partir deles pensava poder construir a alma como um todo. No
entanto, também ele próprio, no fundo, não estava absolutamente convencido desta

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idéia, como demonstra o fato de ter esperado que a Psicologia dos Povos
fornecesse de qualquer modo conhecimento para os fenômenos mais complexos da
alma humana.
Apesar da grandiosa concepção fundamental, a Psicologia dos Povos de
Wundt não levou a quaisquer resultados duradouros precisamente no que se refere
à compreensão dos fenômenos mais complexos ou mesmo daqueles que dizem
respeito ao desenvolvimento humano. Mesmo porque Wundt não chegou a
desenvolver um conceito preciso daquilo que seria essa área da Psicologia, a
Psicologia dos Povos.
Enquanto Wundt militava em defesa da Psicologia dos Povos, outros
pensadores estudavam os fenômenos de maturação por meio da observação de
animais e de crianças, o que daria origem à Psicologia do Desenvolvimento. Esse
sistema de pensamento incide exclusivamente sobre a observação do
comportamento animal e humano e dos processos de maturação de tal
comportamento. De Francis Galton a Lloyd Morgan, William McDougall, Thorndike,
Yerkes e John B. Watson, encontramos uma série de investigações brilhantes que
se ocupam das questões da hereditariedade, do comportamento animal, dos
instintos e do comportamento infantil.
O estudo do comportamento observável é um dos pilares doutrinários do
Behaviorismo e os estudos realizados por seus seguidores baseavam-se quase que
exclusivamente em observações animais e de crianças. Hoje em dia a Psicologia
Animal e a Psicologia Infantil constituem dois ramos extremamente vastos e
significativos da investigação psicológica, apesar de que já são necessários vários
cuidados legais, pelos abusos antes cometidos por pesquisadores menos avisados.
Em pesquisas que envolvam seres humanos, por exemplo, é necessário,
atualmente, que seja assinado um termo de Livre Consentimento. É preciso
conhecer de que trata a pesquisa e quais os possíveis riscos envolvidos nela, para,
só assim, decidir se deseja fazer parte da experiência ou não.
Em relação aos animais, o pesquisador precisa garantir, através de
documentações específicas, que este não vai sofrer nenhum dano. Controvérsias à
parte, o certo é que a tradição das observações realizadas em animais foi

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perpetuada em muitos países e pela comparação cuidadosa entre: o comportamento
animal e humano, levada a efeito nas investigações de Wolfgang Köhler, Howard
Liddel, Nikolaas Tinbergen, Konrad Lorenz e Otto Koehler, permitiu que se
obtivessem conhecimentos fundamentais sobre as funções psíquicas em diferentes
fases do desenvolvimento.
Muitas pesquisas relacionadas a medicamentos, por exemplo, parte da
generalização dos resultados obtidos do estudo com animais. É do conhecimento
geral o grande incremento sofrido pela Psicologia da Criança e do Adolescente;
amplificadas ao âmbito da investigação experimental, desde Karl Bühler e David
Katz até Arnold Gesell e Jean Piaget.
Praticamente toda a teoria piagetiana foi obtida a partir de observações dos
seus próprios filhos. Um estudo cuidadoso e que certamente exigiu muito do seu
espírito investigativo. Foram anos a fio para que fosse possível elaborar a sua teoria,
de contribuição inestimável também para a Psicologia Clínica infantil, de maneira
mais específica.

1.4 PSICOLOGIA DA INTELIGÊNCIA E DA FORMA

É impossível falar da Psicologia da Inteligência e da Forma sem citar nomes


como: Franz Brentano (1838-1917), Christian von Ehrenfels (1859-1932) e Edmund
Husserl (1859-1938). Estes dois grupos, que costumam normalmente serem
designados por Escola de Würzburg e de Berlim, insistiam em que a compreensão
das relações de sentido e a percepção de formas, ou seja, de formas e totalidades.
São processos de uma espécie própria e não se podem explicar como sendo
formados por elementos, ou seja, a forma não se mostra absoluta, mas existe uma
relação entre a forma e a percepção de quem vê, para que haja um sentido. Esse
pensamento explica de certa forma, a existência da relatividade e do significado da
arte.
O valor da obra artística, uma tela, por exemplo, está no significado atribuído
pelo observador. Esta Escola Psicológica demonstra que o todo tem um significado
maior do que o que teria simplesmente em unirem as suas partes.

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Fazendo uma analogia a esse pensamento e demonstrando-o, por exemplo,
na rotina de uma policlínica, diria que trabalhar numa equipe interdisciplinar de
saúde tem um efeito muito superior que tentar unir conclusões de trabalhos isolados
de diversos profissionais de saúde, produzidos de forma individualizada. Daí ser a
máxima desta Escola: “O todo é mais que a soma de suas partes”.
Os pensadores da Psicologia da Inteligência e da Forma apresentavam,
além disso, a comprovação experimental para provar a exatidão da sua tese. Não
são as representações, mas sim as suas relações que decidem o sentido de um
pensamento, afirmou Karl Bühler, um dos jovens representantes da Escola de
Würzburg, ao ser contestado por Wundt.
As percepções estruturais do pensamento são operações específicas, por
meio das quais se constroem as nossas percepções: as impressões sensoriais não
são simplesmente refletidas e ligadas umas com as outras, mas dá-se a partir de
diferentes centros cerebrais, uma projeção das impressões sensoriais em diferentes
direções, o que faz com que cada pessoa interprete e veja o mundo de uma
determinada forma. (Pimentel, 2003; Perls, 1969).

1.5 O PRINCÍPIO DO SENTIDO

“Minha vida carece de sentido”. “É preciso dar sentido à existência.”


“Menino, dê um rumo à sua vida!” Todos certamente já ouviram frases assim, que
denotam, de certa forma, a necessidade de que a vida tenha um significado, uma
direção, senão se transformaria num barco a deriva.
Eduard Spranger trouxe à Psicologia o que denominava de valores
espirituais, aos poucos retornando à mesa de discussão, dentro de uma perspectiva
mais abrangente e menos reducionista. "Reivindico a palavra Psicologia para a
ciência da vida provida de sentido" declarou Eduard Spranger no ano de 1922, numa
máxima verdadeiramente clássica. A palavra "sentido" é definida aqui de modo

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diferente do que na Psicologia da Inteligência, para a qual sentido significa o
contexto espiritual de um pensamento.
Sentido aqui é definido como "aquilo que está integrado num todo de valores
como membro constituinte" ou, por outras palavras, provido de sentido é aquilo que
contribui para a realização de valores, o que amplia a função da Psicologia, de
apenas explicativa para algo compreensivo. Spranger, que, seguindo as idéias de
Wilhelm Dilthey (1833-1911), contrapõe uma Psicologia compreensiva à Psicologia
explicativa dos experimentalistas.
O essencial na vida humana passa a ser a orientação dos valores. Dever-se-
ia compreender a pessoa a partir do "espírito objetivo", produtor de valores.
Na linguagem da moderna Psicologia isso quer dizer que Spranger se
ocupava exclusivamente com as finalidades de valor e com os produtos de cultura
formados através deles, enquanto considera o estudo da realização das ações
humanas desprovidas de importância.
Porém, como Karl Bühler acentua na sua obra "A Crise da Psicologia",
ambos os aspectos são importantes. É necessário entender que se tratam apenas
de aspectos diferentes de um mesmo ser, o ser humano. Portanto, uma dimensão
não deve excluir a outra, mas a ela se complementar. Ação e sentido são inerentes à
alma da pessoa. De nada adianta a execução de tarefas se aquilo não vier provido
de sentido e, a falta deste sentido tem promovido diversos transtornos psíquicos no
mundo do trabalho. Um terceiro grupo ocupou-se ainda de outra maneira com a
relação de sentido das finalidades.
Este fato mostra cada vez mais claramente que o ponto de vista do sentido
ocupa um plano especial na Psicologia atual. É a relação de sentido da ação
motivada, tal como Sigmund Freud (1856-1939), o fundador da Psicanálise, a viu e
descreveu - aliás, descreveu-a, no início da sua teorização dentro dos limites daquilo
que ele definiu como Libido, e que pode ser rapidamente conceituado como energia
vital.
Aos poucos a relação de sentido da ação motivada foi se ampliando, até
compreender-se a concepção cada vez mais divulgada de que todo o nosso

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pensamento e procedimento visam a satisfação de determinadas necessidades e
adquire o seu sentido a partir de tal necessidade ou desejo.
Sob este ponto de vista, todo o procedimento é provido de sentido, uma vez
que é determinado por motivos. Mesmo o pensamento e procedimento daqueles que
estão em sofrimento psíquico têm sentido, isto é, tem em vista um objetivo, ainda
que o sentido dos próprios objetivos seja mal compreendido naquele momento.
No entanto, uma vez que mesmo esse sentido mal compreendido é muitas
vezes susceptível de ser interpretado pelo analista, é possível, em muitos casos,
ajudar a pessoa a adquirir uma melhor autocompreensão e a partir daí um modo de
vida mais equilibrado e harmônico. Dentro de uma perspectiva psicanalítica, pode-se
afirmar que até aquilo que se sonha é provido de sentido, visto que lhe é inerente
uma finalidade dirigida no sentido da satisfação de necessidades.
A interpretação, introduzida por Freud no pensamento psicológico como
novo princípio fundamental, deve ser utilizado sempre que a pessoa que atua oculta
a si própria e aos outros o verdadeiro objetivo dos seus anseios. Em tais casos, ela
pensa e atua simbolicamente, quer dizer, (acontece inconscientemente), em vez do
objetivo verdadeiro coloca um objetivo substituto ou ilusório, para desviar a atenção
das intenções que lhe parecem contestáveis, reprováveis ou puníveis.
No princípio do sentido amplo aqui desenvolvido, encontram-se incluídos,
tanto o princípio da relação do sentido no nosso pensamento, acentuado pela
Psicologia da Inteligência, como o princípio do sentido das finalidades de valor,
defendido por Spranger. Atravessada por várias teorias, recorrendo a métodos e
técnicas de investigação diversificada, organizada em várias especialidades, a
Psicologia procura, nesta diversidade, responder às questões que desde sempre se
colocaram acerca do comportamento, emoções, sentimentos, relações sociais,
sonhos, perturbações... (NASIO, 1988).

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1. 6 BREVES COMENTÁRIOS SOBRE A PSICOLOGIA NO BRASIL

Fonte: www.veja.abril.com.br

É possível falar de uma Psicologia genuinamente brasileira? Até bem pouco


tempo parecia impossível até mesmo pensar sobre essa possibilidade.
O filósofo Farias Brito (1912, p. 277 apud Antunes, 2004 ) retrata bem essa
posição pessimista ao questionar que de todo este assunto, de tão alta significação,
o que motivaria entre eles incentivaria o interesse dos homens mais eminentes de
todo o mundo? A resposta deveria ser: nada, absolutamente nada! Pois, para ele,
realmente, o solo da intelectualidade nacional não parecia ser terreno fértil e propício
para a semente da nova Ciência.
Depois de posição tão desoladora, é importante ressaltar que se o
pensamento culto brasileiro não fosse tão fértil, a Psicologia enquanto Ciência não
teria tido a expansão tão grande que teve no início século XX, e ainda hoje continua
tendo. Poucas vezes uma Ciência cresceu tanto e em tantas áreas ao mesmo tempo
como a Ciência Psicológica, e de forma específica, a Ciência Psicológica Brasileira.
O brasileiro tem as suas peculiaridades e, se ainda hoje ainda importamos boa parte
das pesquisas da Europa e dos Estados Unidos, também já se fazem adaptações de

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testes psicológicos para a realidade brasileira, o que demonstra o franco
crescimento desta Ciência em nosso País, o Brasil.
A Psicologia enquanto profissão, por exemplo, está presente nas áreas
jurídica, clínica, organizacional, dos esportes, hospitalar, do comportamento animal,
etc. Além disso, o Brasil foi um dos primeiros países do mundo a regulamentar a
profissão de Psicólogo, pela Lei 4.119.
Infelizmente, não há muitos registros daquilo que se produz no Brasil em
termos de Ciência Psicológica, pelo menos em termos proporcionais. Aprendeu-se a
supervalorizar aquilo que vem de fora e a desvalorizar a nossa produção, seja ela
artística ou científica e de que área for.
Por um lado, os profissionais de Psicologia não registram seu trabalho,
talvez por considerarem de pouco valor (Seria um complexo de inferioridade?). Por
outro lado, o Brasil, pelo próprio processo de colonização, sofre daquilo que se pode
denominar “Complexo de Menos Valia”. E assim se forma uma profissão sem
registros, sem memória, sem história, aliás, noção plenamente generalizada para
outras áreas no Brasil. Infelizmente, ainda há uma grande quantidade de
conhecimentos importados, de forma especial, o conhecimento importado dos
Estados Unidos.
O grande problema é que a nossa gente e a nossa cultura são diferentes e
aquilo que se aplica para outros países muito provavelmente não se aplicará para
nosso povo. Principalmente em se tratando de questões psicológicas e emocionais,
pois se tem no Brasil, uma diversidade religiosa e cultural completamente incomum a
outros lugares.
Daí se questionar tanto a validade dos testes psicológicos, em sua grande
maioria criado em outros países e aplicado aqui.
Ao realizar um breve retrospecto da história da Psicologia no Brasil, vê-se
que no início do século XX muitos estudantes que se interessaram pela Psicologia
foram estudar no exterior, vislumbrando problemas e “soluções” típicos daqueles
locais. Ao retornarem ao Brasil, assumiram a posição de intelectuais dominadores,
colocando o Brasil na posição de “objeto de pesquisa”.

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Dentro dessa perspectiva, tudo o que partia do povo, sua cultura, suas
crenças, seus valores, era menosprezado, considerado como “não científico”.
Apagar hábitos, costumes e tradições eram “papel científico”, sua “mais nobre
função”. Decorre daí que um povo que não preserva as suas próprias raízes se torna
mais fácil de dominar, pois não reconhece a sua própria identidade. Um povo sem
história é um povo sem identidade.
E um povo sem identidade assume a identidade de qualquer outro como
sendo sua. O que não é verdade soa falso, inautêntico. Esse fato é visto muito
facilmente nos hábitos alimentares, na linguagem, na forma de vestir... É urgente a
necessidade de nos reconhecermos como Nação e valorizar aquilo que é
genuinamente nosso.
Boa parte desse problema tem a sua origem no Pensamento Positivista,
que não considera o conhecimento histórico como algo de valor científico, o que se
torna um impedimento ao próprio avanço.
Ao desvalorizar a contribuição da cultura pré-científica à evolução do
conhecimento humano, essa corrente restringe a história da Psicologia ao
desenvolvimento da Psicologia científica nos últimos dois séculos.
A exclusão do domínio historiográfico dos conhecimentos psicológicos
difundidos no seio das diferentes tradições culturais e julgados não relevantes.
Implica a renúncia à memória das raízes dessa disciplina presente em tais tradições
e o esquecimento das questões originais que determinaram o seu surgimento, ou
favoreceram sua influência e seu desenvolvimento em específicos ambientes
culturais. Outra conseqüência é a redução da Psicologia a apenas a européia e
norte-americana, revestidas de uma pretensa universalidade. (ANTUNES, 2004).
Felizmente, o que era visto como avanço científico, hoje é visto como sério
entrave ao conhecimento. Não há mais como negar o profundo nexo entre Ciência e
conhecimento histórico. Parte daí a busca incessante de vários estudiosos em
Psicologia para encontrar as verdadeiras raízes do conhecimento psicológico
brasileiro.
A partir do séc. XVI o que se vê é uma combinação original entre o que se
pode denominar de Psicologia indígena e conhecimentos europeus.

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Como exemplos destes primeiros registros podemos citar os seguintes
títulos: Tratados da Terra e Gente do Brasil (Londres, 1625), Notícias curiosas e
necessárias sobre o Brasil: (Lisboa, 1668), Crônicas (Lisboa, 1661), Sermões-15
volumes (Lisboa, 1696), Arte de criar bem os filhos na idade de puerícia (Lisboa,
1685), Nova Escola para aprender a ler, escrever e contar, (Lisboa, 1722), Viridiário
Evangélico IV volumes (Lisboa, 1724; 1734; 1746, 1755), Progymnasma Literário e
Tesouro de erudição sagrada e humana, para enriquecer o ânimo de prendas e a
alma de virtudes (Lisboa, 1737), Reflexões sobre a vaidade dos homens ou
Discursos Morais sobre os efeitos da vaidade (Lisboa, 1752), Problemas de
Arquitetura Civil, a saber: Porque os edifícios antigos têm mais duração e resistem
mais ao tremor de terra que os modernos? (Lisboa, 1770).
Muito interessantes são os relatos sobre o comportamento social dos índios
numa fase de pré-colonização. Eles revelam muito sobre uma forma peculiar de
Psicologia, a indígena. De acordo com esses relatos, o amor às crianças é intenso e
se alguém trata bem aos pequenos indígenas tem dos pais aquilo de que precisar.
O papel maternal é extenso, ou seja, as mulheres das tribos cuidam das
crianças como se fossem suas mães. Depois do parto, a mulher se levanta e ocupa
de suas tarefas domésticas e da roça. Enquanto o marido fica deitado na rede e
recebe as visitas e os cuidados de amigos e parentes – como se fora à mulher –
Para dar atenção à criança, o pai se afasta do trabalho e permanece em casa. A
mãe amamenta a criança exclusivamente de leite materno até um ano, um ano e
meio e em alguns casos até os sete ou oito anos.
As índias, no período da colonização, foram proibidas de amamentar seus
filhos por período prolongado – À moda das mulheres portuguesas, que entregavam
seus filhos às amas nos primeiros anos -, tendo como justificativa que, se
amamentadas, as crianças cresceriam ‘frouxas’. Atualmente, o hábito de amamentar
é amplamente estimulado e reconhecido como benéfico pela Ciência.
Há relatos deste período de que as crianças indígenas participam
ativamente da sociedade e da rotina da vida adulta. Os pais levam as crianças para
junto de si quando vão trabalhar. De igual modo, os hábitos higiênicos são
aprendidos desde cedo: as crianças levantam cedo e vão ao rio, lavar-se e nadar.

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Os jogos simbólicos, tão enfatizados por psicanalistas como Erik Erikson e
Bruno Bettelheim são prática comum na vida das crianças indígenas há muito
tempo. Iniciadas na vida social e religiosa desde cedo, elas cantam, dançam e
representam nas suas tribos e as brincadeiras variadas são feitas com muita alegria.
Segundo relatos do período colonial, as crianças eram muito mais alegres que os
meninos portugueses e as brincadeiras ocorriam sem brigas nem palavrões. É
prática comum, os mais hábeis ensinarem os outros a tocar e a cantar.
Não se observam práticas punitivas nas comunidades indígenas e há uma
relação de estreito afeto entre pais e filhos. Também não se observa uma divisão
radical entre infância e vida adulta, mas as regras sociais são transmitidas
gradativamente, sempre ao lado de algum adulto, pai ou mãe, o que se transforma
numa fonte de segurança e saúde emocional.
As condições de vida social indígena aparecem como elementos que
facilitam um desenvolvimento psíquico sadio e bem integrado em todos os seus
fatores. A clareza acerca do significado e da positividade da vida, transmitida pelos
adultos, permite à infância indígena uma alegria, vivacidade, abertura à realidade,
muitas vezes relatadas pelos missionários e viajantes do período colonial, em seus
diários.
Pode-se dizer que, de modo geral, na formação da cultura brasileira, a
Psicologia, antes do advento deste saber enquanto Ciência ocupava um lugar de
conhecimento generalizado difuso, presente em diversas áreas humanas. No Brasil
do séc. XIX, a Psicologia se restringe na transmissão e interpretação de
conhecimentos vindos da Europa e Estados Unidos. Observa-se uma
descontinuidade entre conceitos e práticas de conhecimentos psicológicos do
período colonial e aqueles adquiridos no século XIX.
Este fato se deve à intensa desvalorização de tudo o que foi aprendido
anteriormente, havendo, então, uma tentativa de apagar todo e qualquer registro e
impregnar uma “nova psicologia”, a “psicologia médica”.
Quase nada se sabe acerca das produções brasileiras. Pouco se fala das
publicações psicopedagógicas de Alexandre de Gusmão, da obra de Pe. Vieira ou

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do Frei Mateus da Encarnação Pinna. Nossos pensadores não são reconhecidos, à
época, como intelectuais.
Pode-se afirmar que o esquecimento praticado no século XIX a respeito da
tradição anterior é uma das causas da “perda de memória” da Psicologia atual. A
fragmentação e a dispersão dos conhecimentos psicológicos também são uma
grande barreira à tentativa de unificação desta Ciência, pois seus conhecimentos
nascem da Medicina e da Filosofia e perpassam a Política, Sociologia, Direito e
Religião.
Sem dúvida, as dificuldades se iniciam a partir de seu objeto de estudo: a
subjetividade humana. Apesar disso, ou até mesmo por causa disso, a Psicologia
também é reconhecida como uma Ciência altamente rica e complexa, perpassando
várias áreas humanas.

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2 GRANDES PENSADORES DA PSICOLOGIA E AS BORDAGENS
DELES DERIVADAS

Letra grega psi, símbolo da Psicologia

2.1 Início, o Estruturalismo

Considera-se como fundador da psicologia moderna Wilhelm Wundt, por ter


criado, em 1879, o primeiro laboratório de psicologia na universidade de Leipzig,
Alemanha. A psicologia só se tornou uma ciência independente da filosofia graças a
Wundt, nos finais do século XIX. Foi a partir deste acontecimento que se
desenvolveram de forma sistemática as investigações em psicologia, através de
vários autores que a esta ciência se dedicaram, construindo múltiplas escolas e
teorias.
Wundt criou o que, mais tarde, seria chamado de Estruturalismo, por
Edward Titchener; cujo objeto de estudo era a estrutura consciente da mente, as
sensações. Segundo esta perspectiva, o objetivo da psicologia seria o estudo
científico da Experiência Consciente através da Introspecção. Titchener levou a idéia
da Psicologia para os Estados Unidos da América, modificando-a em alguns pontos.
As principais limitações do Estruturalismo residem no fato de a introspecção não ser
um verdadeiro método científico incontestável e de esta corrente excluir a psicologia
animal e infantil. Esta corrente foi extinta em meados do século XX. (Badcock, 1976).

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2.2 Funcionalismo

O Funcionalismo é o modelo que substitui o Estruturalismo na evolução


histórica da Psicologia, sendo o seu principal impulsionador William James. O
principal interesse desta corrente teórica residia na utilidade dos processos mentais
para o organismo, nas suas constantes tentativas de se adaptar ao meio. O
ambiente é um dos fatores mais importantes no desenvolvimento. (Cultural, 1974).

2.3 Wundt e o Associacionismo

Wilhem Wundt (1832-1920), juntamente com o seu discípulo Tichener, inicia


o caminho que irá levar a Psicologia a atingir o estatuto de ciência.
Começa por definir como objeto da psicologia o estudo da mente: O estudo
da mente (ou consciência) faz-se ao nível do consciente do ser humano pela análise
dos elementos simples da mente, à semelhança da divisão em átomos da realidade.
(Monteiro 2003).
Para ele e seus seguidores (nomeadamente Edward Tichener, 1867-1927),
as operações mentais não eram mais do que a organização de sensações
elementares, procurando relacioná-las com a estrutura do sistema nervoso.
No seu laboratório, em Leipzig, vai procurar conhecer a forma como se
relacionam e associam os elementos da consciência: é a concepção
associacionista (vide associacionismo) dos comportamentos.
Para atingir este objetivo, vai utilizar como método a introspecção
(observação interna), mas de um modo controlado: Observadores treinados
deveriam, no laboratório, descrever as suas próprias experiências, resultantes de
uma situação experimental definida. Os dados eram depois relacionados e
interpretados por uma equipe de psicólogos; ex. após a apresentação de um
estímulo visual ou som teriam de descrever as sensações recorrendo a um conjunto
definido de termos para maior objetividade.

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2.4 Pavlov e a Reflexologia

www.sonoma.edu/psychology/images/pavlov.gif

Você está condicionado a fazer isto ou aquilo. Joãozinho precisa de um


reforço escolar. Os trabalhadores da empresa estão sem estímulo. Seqüestradores
precisariam ser punidos no Brasil. Todos nós já ouvimos expressões desse tipo pelo
menos uma vez na vida.
Em grande parte o nosso vocabulário de base comportamentalista se deve
ao pensador Pavlov, devido a uma de suas clássicas experiências fisiologistas e
uma das mais conhecidas é a que ele realizou com cães.
De modo simples esse experimento pode ser descrito de forma simplista, da
seguinte forma: O cientista tocava uma sineta e em seguida oferecia alimento ao
cão.
Depois de algumas vezes repetindo essa experiência ele passou a apenas
tocar a sineta e observou, através de equipamentos de laboratório que esse simples
estímulo estimulava as glândulas salivares do cão, fazendo-o produzir secreção e
exibir um comportamento de esperar pela chegada do alimento. Esse

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comportamento poderia ser reforçado e se tornar cada vez mais forte ou se tornar
tênue até a ponto de ser extinto, a depender das variáveis apresentadas ao sujeito.

Extraído do site http://animalbehaviour.net/gifs+pics/Pavlov's_dog.jpg

Os conhecimentos advindos dos experimentos de Pavlov se generalizaram


e, com as devidas adaptações, puderam ser utilizados em muitas outras áreas e
atualmente são empregados nos setores empresarial, escolar e clínico,
principalmente. Na área de adestramento animal, até hoje os princípios da
Reflexologia de Pavlov são empregados.
Pavlov continuou suas pesquisas em ritmo intenso, estudando
minuciosamente aquilo a que hoje denominamos sistema nervoso e sistematizou um
conjunto de leis fisiológicas, o que lhe valeu o Prêmio Nobel de Medicina em 1904.
Segundo este cientista, é no córtex cerebral o local onde reside o espírito. É lá onde
os comportamentos nascem, se modificam e são extintos.
Atualmente, estas idéias já não são utilizadas de forma tão radical, apesar
de muitas delas se fazerem presentes, de forma mais sutil, no chamado
neobehaviorismo; contudo, é na aprendizagem onde ganha um forte impacto. Veja o
nosso sistema de avaliações, por exemplo!

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O pensamento pavloniano foi aprofundado pelo cientista J.B.Watson. Ao
reflexo condicionado de Pavlov, ele acrescentou o condicionamento denominado
operante. Era tanta a confiança de Watson que ele afirmou em certa ocasião que
bastava entregar nas mãos dele uma dúzia de crianças bem nutridas e um ambiente
favorável no qual ele as transformaria naquilo que ele quisesse e isso não iria
depender da raça, aptidões ou inclinações intelectuais. Da mesma forma, poderia
transformar essas crianças em ladrões ou pedintes, caso desejasse.
Essa forma de pensar e fazer a Psicologia trouxe para si um sem-número de
críticas, principalmente a de ser “reducionista”, ou seja, o pensar psicológico estaria
reduzido ao comportamento, fosse ele humano ou animal.
O fato é que, por causa desse sistema de conhecimentos sobre o
comportamento, a Psicologia pode ser reconhecida atualmente como Ciência,
embora ainda seja vista com certa desconfiança pelos pensadores mais radicais de
outras áreas, principalmente aquelas mais antigas, como o Direito e a Medicina. É
lógico que isso não se aplica a todos.
Para os behavioristas, entretanto, que se utilizavam e ainda se utilizam, do
conhecimento objetivo, todo e qualquer comportamento poderia ser medido,
quantificado, controlado, como também a possibilidade de repetir ações poderia ser
prevista.
Dentro de uma perspectiva mais radical, pode-se afirmar que a
hereditariedade não é levada em conta e o ambiente só é considerado como forma
de exercer um maior controle sobre as variáveis. Emoções não são levadas em
conta. Não se cogita o subjetivo. Contudo, houve um intenso estudo dos processos
cognitivos, dando origem em grande parte àquilo que hoje se denomina
Neuropsicologia.
O pensamento Behaviorista Radical é norteado por princípios que aos
nossos olhos podem parecer estranhos, a depender da perspectiva com que
observarmos esses parâmetros: Essa corrente apregoa que todo e qualquer
comportamento se constitui de uma resposta a estímulos. Comportamentos simples
são formados por cadeias menores e comportamentos mais complexos são
simplesmente o somatório de redes mais simples de comportamentos interligados.

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O comportamento humano passa a ser visto, então, como fruto dos
movimentos musculares e das secreções glandulares, o que parece absurdo aos
nossos olhos. Watson não se resumiu à vida acadêmica, mas chegou a ser vice-
presidente de uma agência de propaganda.
Dentro dessa linha de pensamento também se destacaram nomes como
Skinner, Tolman e Hull.

2.5 Behaviorismo, a primeira potência

Fonte: John B. Watson. Retirado de arbeitsblaetter.stangl-taller.at

A maior escola de pensamento americana surgiu no início do século XX,


sendo influenciada por teorias sobre o comportamento e fisiologia animal. A tradução
do inglês de Behavior é comportamento, portanto, o foco de estudo do
comportamentismo ou comportamentalismo (título traduzido) é o comportamento
observável, e o condicionamento é o método utilizado nesta escola. Foi fundada por

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John B. Watson (Behaviorismo Metodológico) que acreditava que o controle do
ambiente de um indivíduo permitia desencadear qualquer tipo de comportamento
desejável. Traz do funcionalismo a aplicação prática da Psicologia; o seu foco está
na aprendizagem. Segundo esta perspectiva não se pode estudar cientificamente os
pensamentos, desejos e sentimentos que acompanham os comportamentos em
estudo. (Watson, 1972).

2.5.1 Burrhus Frederic Skinner

Skinner

www.facade.com/celebrity/B_F_Skinner/

Foi influenciado, inicialmente, pelas teorias de Ivan Pavlov e Edward


Thorndike. E, posteriormente, pelas teorias do operacionismo. Foi Burrhus Frederic
Skinner o maior autor neocomportamentalista, levantando a tona seu
condicionamento operante e a modificação do comportamento (Behaviorismo
Radical).
No meio do século XX, vários autores escreveram sobre o pensamento, a
cognição. Diziam fazer parte do comportamento este pensamento, estava sendo
criada uma divisão no behaviorismo: a Psicologia Cognitiva. Alguns autores desta

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escola foram: Albert Bandura, Julian Rotter e Aaron Beck. Estes falavam que o
comportamento pode ser entendido também a partir da cognição. O aprendizado
pode existir sem a necessidade de condicionamento em laboratório, mas pela
observação e elaboração do que foi visualizado. É chamada de a primeira grande
força da psicologia. (Skinner, 2006).

2.6 Gestalt, a psicologia da forma

Retirado de web.educastur.princast.es/.../191gestalt.gif

Fundada dentro da filosofia por Max Wertheimmer e Kurt Koffka a Gestalt


traz novas perguntas e respostas para a Psicologia. Ela se detém nos campos da
percepção e na visão holística do homem e do mundo. A palavra gestalt não tem
uma tradução para o português, mas pode ser entendida como forma, configuração.
Criticava principalmente a psicologia de Wundt, que era chamada de Psicologia do
"tijolo e argamassa", pois via a mente humana dividida em estruturas.
A gestalt preocupa-se com o homem visto como um todo, e não como a
soma das suas partes (o lema da Gestalt é justamente este: O todo é mais que a
soma das suas partes). No ano de 1951, Frederic S. Pearls cria a teoria Gestalt-
terapia, trazendo consigo a teoria de campo de grupos de Kurt Lewin.

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2.7 Psicanálise

Sigmund Freud. Retirado de www.thecjc.org/sfreud.htm

Quando se pensa em procurar um psicólogo, um emaranhado de idéias


invade a mente: Tem-se a falsa impressão de que é preciso estar transtornado
emocionalmente ou mentalmente para procurar ajuda. Na verdade o psicólogo
deveria trabalhar numa perspectiva muito mais de promoção à saúde que
propriamente no âmbito meramente curativo, mas os preconceitos em relação ao
seu trabalho muitas vezes o impedem de trabalhar dentro dessa perspectiva.
Também se imagina uma sala sombria, com móveis pretos e um divã. Atrás
dele alguém calado e de aspecto severo, fechado. Muito desse imaginário coletivo
faz parte do legado deixado por Sigmund Freud, Pai da Psicanálise (1856-1939).
Na verdade nem todo psicanalista é psicólogo. Ele pode ser formado em
Medicina, por exemplo. O médico psiquiatra também pode se utilizar a Psicanálise
para a elaboração de alguns conceitos.
O psicólogo por sua vez, trabalha dentro do que denomina abordagem, que
pode ser: Humanista, Existencialista, Behaviorista ou Psicanalista, a depender da
base teórica que dá sustentação à sua prática. Isso também não quer dizer que o
psicólogo só possa utilizar-se dos conhecimentos de sua abordagem.

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É cada vez maior o número de psicólogos denominados temáticos, ou seja,
aqueles que se utilizam diversos arcabouços teóricos, a depender da demanda
daquele momento. São também denominados de psicólogos ecléticos.
Sigmund Freud foi um médico psiquiatra que estudou sobre vários assuntos
e levou bem mais tempo que seus colegas para se formar, por ter utilizado boa parte
de seus anos em estudos de laboratório.
Estudou, por exemplo, temas como a fisiologia dos peixes. O seu interesse
pela Psiquiatria, entretanto, se iniciou com as descobertas de Charcot, seu futuro
mestre, e os estudos sobre Histeria, considerado naquela época, doença de mulher,
principalmente daquelas que não haviam casado. O termo histeria vem de ‘útero’ e
até hoje as mulheres solteiras de idade mais avançada são chamadas de forma
desprezível, de histéricas.
Freud descobriu que a histeria possuía causas emocionais e que as pessoas
nas quais eram recalcadas, ou seja, as que não extravasavam seus desejos
libidinais, poderiam sofrer de crises histéricas, inclusive homens. Essa descoberta,
ao ser proclamada em um encontro científico, causou furor nos médicos presentes,
que se retiraram, deixando o Dr. Freud falando sozinho naquele encontro
internacional. Freud viu suas aulas particulares se esvaziarem de alunos. Como
também suas turmas da faculdade se tornaram pouco freqüentadas.
Polêmico, mas obstinado, estudava até às três horas da manhã, e muito
material escrito acabava sendo jogado no lixo, pois já discordava de tudo aquilo.
Suas teorias iam ser reescritas por várias vezes durante a sua vida. Trabalhou com
hipnose, mas logo reconhecera a sua falta de habilidade com tal técnica e percebeu
que poderia produzir os mesmos efeitos com a técnica da associação livre, o que
daria origem à cura pela fala, ou, como ficaria conhecida mais tarde, psicanálise.
A Psicanálise foi considerada por Freud como um conhecimento firmado em
um tripé composto por técnica, teoria e pesquisa, principalmente. A Psicanálise é
conhecida pela investigação do inconsciente e pela descoberta da sexualidade
infantil, tema polêmico até hoje. Freud não teve apenas um mestre, mas vários
nomes inspiraram sua teoria, desde Goethe a Nietzsche e costumava ler desde

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literatura e antropologia, a livros de Biologia e Fisiologia Animal. Também tinha uma
predileção por antiguidades.
Um personagem importante da psicanálise é seu discípulo, Carl G.Jung,
primeiro presidente da sociedade psicanalítica. Com o avanço da teoria de Freud em
relação à sexualidade infantil, Jung, que não concordava com o que Freud afirmava
acerca do assunto, rompe com o psicanalista e segue outro caminho, criando uma
nova teoria, denominada psicologia analítica.
A proposta inicial foi retirar do inconsciente o seu teor puramente sexual.
Mas Freud retifica o ex-colega, dizendo que "o ego possui várias naturezas das
pulsões, mas a pulsão sexual é a que ganha mais investimento". Freud, inclusive,
alerta que é possível canalizar as pulsões libidinais para as artes ou a produção
científica.
O conceito de inconsciente foi criado anos antes, e Freud utilizou-se desse
termo com outro sentido, encarregando-se de criar uma teoria acerca do tema. Na
psicanálise, inconsciente significa outra ordem, com outras regras, um dos
elementos do aparelho psíquico, constituído por pensamentos, memórias e desejos
que não se encontram em nível consciente, mas que exercem grande peso no
comportamento humano.
Existem atualmente várias correntes psicanalíticas, oriundas de pensadores
que ampliaram ou discordaram da visão freudiana. Dentre estes nomes estão Anna
Freud, filha de Freud, Melanie Klein, Lacan, Bion,Winnicott, Carl G. Jung, Alfred
Adler, Erik Erikson, Carl Rogers etc. (TALAFERRO, 1996).
A psicanálise hoje se apresenta de várias formas, que são a psicanálise
ortodoxa, a psicanálise nova (ou neopsicanálise) e a psicologia de orientação
analítica ou de orientação psicanalítica (utilizada não só por psicanalistas formados,
mas também por psicólogos não especializados), todas com algumas
peculiaridades.
A Psicanálise é considerada a segunda grande força de Psicologia, e
segundo o Conselho Federal de Psicologia Brasileiro e demais Conselhos Regionais
de Psicologia (CRPs). A psicanálise é aceita no meio acadêmico, porém só pode ser
utilizada de forma integral com uma formação em Psicanálise, devo dizer que ainda

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não reconhecida pelo MEC. Caso contrário, deve-se utilizar a técnica de psicoterapia
de orientação psicanalítica.

Para a Psicanálise, as ações humanas são orientadas, basicamente, por três


instâncias mentais (simbólicas):

• Consciente (EGO) - Raciocínio, operações lógicas;


• Pré-consciente (SUPEREGO) - Memórias, interiorização de regras
sociais, produzem angústias, ansiedades e “pune” o EGO quando este aceita
impulsos vindos do ID;
• Inconsciente (ID) - pulsões, desejos e medos recalcados. Não obedece
à lógica nem à moral. Representa os impulsos e os instintos.

Para ter acesso ao inconsciente, o psicanalista utiliza processos indiretos,


tais como:

• Hipnose – Consiste em induzir o paciente, através de uma sugestão


intensa, a um estado semelhante ao sono, a partir do qual é possível estabelecer a
comunicação com o hipnotizador e ser sugestionado, podendo assim revelar
memórias ocultas ou ser condicionado para determinada ação ou comportamento.
A hipnose é pouco usada atualmente. Sua utilização se restringe ao controle
de comportamentos de uso abusivo de álcool e drogas e só deve ser praticado por
profissionais capacitados e treinados devidamente.

• Método psicanalítico, recorrendo às técnicas de:

o Interpretação dos sonhos


o Interpretação de atos falhos
o Transferência, ou seja, o paciente atua, durante a sessão, em relação
ao psicanalista, como se ele fosse uma outra pessoa: pai, mãe, namorado, etc. Cabe
ao profissional trabalhar com essa “encenação” de forma a levar o paciente à cura
de seu trauma. Nesse jogo se encontram envolvidos sentimentos e emoções muito
fortes, de raiva, ressentimento, paixão...

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A Psicanálise se popularizou demais, o que levou seu vocabulário a ser
utilizado de forma indiscriminada e também a graves erros de interpretação. Além
disso, várias pessoas praticantes de charlatanismo se dizem “psicanalistas”.

2. 8 HUMANISMO

Carl Rogers

www.psychotherapie-netzwerk.de

O enfoque da psicanálise no inconsciente, e seu determinismo, e o enfoque


na observação apenas do comportamento, pelo behaviorismo, foram às críticas mais
fortes dos novos movimentos de Psicologia surgidos no meio do século XX. Na
verdade o humanismo não é uma escola de pensamento, mas sim um aglomerado
de diversas correntes teóricas.
Em comum elas têm o enfoque humanizador do aparelho psíquico, em
outras palavras elas focalizam o ser humano como detentor de liberdade, escolha,
sempre no presente. Traz da filosofia fenomenológico-existencial um extenso
gabarito de idéias. Foi fundada por Abraham Maslow, porém a sua história começa
muito tempo antes. A Gestalt foi agregada ao humanismo pela sua visão holística do
homem, sendo importante campo da Psicologia, na forma de Gestalt-terapia. Mas foi

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Carl Rogers, um psicanalista americano, um dos maiores exponenciais da obra
humanista.
Ele, depois de anos afinco praticando psicanálise, notou que seu estilo de
terapia se diferenciara muito da terapia psicanalítica. Ele utilizava outros métodos,
como a fala livre, com poucas intervenções, e o aspecto do sentimento, tanto do
paciente, como do terapeuta. Deu-se conta de que o paciente era detentor de seu
tratamento, portanto não era passivo, como passa a idéia de paciente, denominando
então este como cliente.
Era a terapia centrada no cliente (ou na pessoa) Seus métodos foram
usados nos mais vastos campos do conhecimento humano, como nas aulas
centradas nos alunos, etc. Apresentou três conceitos, que seriam agregados
posteriormente para toda a Psicologia.
Estes eram a congruência (ser o que se sente, sem mentir para si e para os
outros), a empatia (capacidade de sentir o que o outro quer dizer, e de entender seu
sentimento), e a aceitação incondicional (aceitar o outro como este é, em seus
defeitos, angústias, etc.). Erik Erikson, também psicanalista, trouxe seu estudo sobre
as oito fases psicossociais, em detrimento às quatro fases psicossexuais de Freud,
onde todas as fases eram interdependentes, e não necessariamente determinam as
fases posteriores; para ele o homem sempre irá se desenvolver, não parando na
primeira infância.
Viktor Frankl, com sua logoterapia, veio a acrescentar os aspectos da
existência humana, e do sentido da vida, onde um homem, quando sente um vazio
de sentido na vida, busca auxílio, pois não se sente confortável em viver sem sentido
ou ideais. Diz também que eventos muito fortes podem adiantar a busca pelo sentido
da vida. Tais eventos podem criar desconforto, trauma intenso, mas podem criar um
aspecto de fortaleza no indivíduo. (ROGERS, 1961, 1974).

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2.8.1 Pirâmide de Maslow

Maslow trouxe, para a psicologia que havia fundado, estes autores,


agregando, ainda seus estudos sobre a pirâmide de necessidades humanas.

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Para Maslow, as necessidades fisiológicas precisam ser saciadas para que


se precise saciar as necessidades de segurança. Estas, se saciadas, abrem campo
para as necessidades sociais, que se saciadas, abrem espaço para as necessidades
de auto-estima. Se uma destas necessidades não está saciada, há a
incongruência. Quando todas estiverem de acordo, abre-se espaço para a auto-
realização, que é um aspecto de felicidade do indivíduo. Esta é hoje considerada a
terceira grande força dentro da psicologia. (FRICK, 1975).

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2.9 Psicologia Transpessoal

www.rcespiritismo.com.br

Maslow estava insatisfeito com sua própria teoria, dizendo que faltava-lhe o
fato de o homem ser um ser espiritualizado. Para ele era importante a espiritualidade
e as características da consciência alterada, teoria de Stanislav Grof. Criou então,
com ajuda de outros psicólogos, uma teoria que era abrangente neste aspecto.
Como Carl G. Jung era um estudioso dos aspectos transcendentais da consciência,
foi tomada sua teoria para incorporar a Psicologia transpessoal.
A abordagem Transpessoal é, portanto, uma área da psicologia que estuda
as possibilidades psíquicas (mentais, emocionais, intuitivas e somato-sensoriais) do
ser humano pelos diferentes estados ou graus de consciência pelos quais passa a
pessoa (para se ter idéia do que sejam estados de consciência, lembre-se que o
estado de consciência de quando se está acordado é diferente do estado de
consciência de quando se está dormindo; que o estado de consciência de quando se
resolve um problema de matemática é diferente de quando se assiste a um filme,
etc.). (Jornal Infinito, 2003).
Em cada um destes estados de consciência (que são vários, alguns ainda
desconhecidos) é experimentado uma forma diferente de se perceber ou interpretar
a realidade (quando estamos com raiva ou frustrados, percebemos o mundo de uma
maneira muitíssimo diversa de quando estamos apaixonados).

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A Psicologia Transpessoal, portanto, volta-se para o estudo destes diversos
estados, não os encarando como contrários, mas como complementares, dando,
porém, especial ênfase aqueles estados de consciência superiores, espirituais ou
“transpessoais”. Porque em tais estados, o sentimento de separação e de egoísmo
torna-se um segundo plano em relação a um sentimento e identificação mais ampla,
cooperativa, fraternal, transpessoal para com todos os seres vivos (consciência
crística, búdica, nirvânica, universal ou ecológica).
Segundo a Teoria Transpessoal, Francisco de Assis, Gandhi, Jesus Cristo,
Einstein, Luther King e tantos outros grandes nomes foram detentores de uma outra
forma de ver e sentir o mundo que o fizeram capazes de ajudar o próximo e
tornaram-se capazes de ver o mundo de uma outra forma. A essa capacidade eles
denominam “consciência cósmica”.
A Psicologia Transpessoal fala de vários níveis de consciência, que vão do
mais obscuro (a sombra), até o mais alto grau de consciência, a transpessoal. Por
ter seu foco na consciência e seus aspectos, foi também chamada de psicologia da
consciência. Seu estudo é recente e traz muitas características que necessitam de
um estudo maior. (TABONE, 2005). Vale ressaltar que a Psicologia Transpessoal
ainda não é reconhecida como prática científica pelo Conselho Federal de Psicologia
e os psicólogos inscritos no Conselho não estão autorizados a tê-la como prática
profissional.

2.10 Psicodrama

"Um Encontro de dois: olhos nos olhos, face a face. E quando estiveres
perto, arrancar-te-ei os olhos e colocá-los-ei no lugar dos meus; E arrancarei meus
olhos para colocá-los no lugar dos teus; Então ver-te-ei com os teus olhos e tu ver-
me-ás com os meus." (J.L.Moreno)

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2.10.1 Jacobo Levy Moreno

Moreno

www.jacobmoreno.it/images/morenofoto1.gif

O Psicodrama pode ser considerado como um dos meios psicoterápicos


mais inovadores. Falar em Psicodrama nos remete a um médico romeno chamado
Jacob Levy Moreno. Ele foi o criador do Psicodrama e do Sociodrama, reverenciado
como exemplo de criatividade e dedicação à investigação psicológica e social. Ele
nasceu na Romênia em 1892 e faleceu nos EUA em 1974.
Foi um homem de ampla cultura e fortes idéias religiosas e filosóficas,
amante do teatro e incansável investigador do ser humano e de seus vínculos
afetivos; deixou-nos uma vasta obra escrita e um movimento psicodramático que
abrange a América, Europa e Ásia.
Em 1925, indo morar no EUA, desenvolveu e sistematizou suas
descobertas: a socionomia, sendo dividida em sociometria, sociodinâmica e a
sociatria. A socionomia é o estudo do grupo e suas relações. A sociometria visa
medir as relações entre os membros do grupo, evidenciando as preferências e
evitações presentes nas relações grupais.
Utiliza como método o teste sociométrico. A sociodinâmica se interessa pela
dinâmica do grupo e utiliza como método o role-playing ou jogo de papéis. Já a

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sociatria busca tratar as relações grupais e utiliza três métodos: o sociodrama, a
psicoterapia de grupo e o Psicodrama.
Com a leitura de suas obras, muitos autores declaram que o psicodrama
possui um grande conteúdo emocional e uma audácia renovadora, pois surgiu como
uma nova e dinâmica linha de investigação para o conhecimento e terapia dos
conflitos psicológicos.
Para o surgimento desta teoria, Moreno desafiou críticas, rompeu com o
movimento médico da sua época, atacando os valores oficiais, conseguindo
desenvolver uma teoria baseada numa concepção de ser humano e de saúde que
têm como núcleo a espontaneidade. O otimismo sobre o vital, o amor, a catarse e os
papéis que o Eu do indivíduo vai formando. (MORENO, 1980).
Esta busca pelo reencontro dos verdadeiros valores éticos, religiosos e
culturais em uma forma dramática espontânea, (mais tarde, denominado como
desenvolvimento do Axiodrama) foi o primeiro conteúdo do Psicodrama. O lugar do
nascimento do psicodrama foi um teatro dramático de Viena. Moreno declarou que
não possuía nenhuma equipe de atores, nem uma peça e que neste dia apresentou-
se sozinho, sem nenhuma preparação, ante um público de mais de mil pessoas.
Segundo ele no palco havia somente uma poltrona de espaldar alto, como o
trono de um rei, no assento, uma coroa dourada. Surgiu com um intento de tratar e
curar o público de uma enfermidade, uma síndrome cultural e patológica que os
participantes compartilhavam no momento (Viena encontrava-se em pós-guerra, não
havia governo... a Áustria estava inquieta em busca de uma nova alma).
Mas psicodramaticamente, Moreno possuía um elenco e uma obra. Uma vez
que o público era seu elenco, e a obra era retratada pela trama demonstrada pelos
acontecimentos históricos, no qual cada um representava seu papel real.
Cada representante de um papel foi então convidado para subir ao palco, e
encenar o papel de um rei, sem preparação e diante de um público desprevenido,
que funcionava como jurado. Mas neste primeiro momento nada se passou.
Ninguém foi achado digno de ser rei e o mundo permaneceu sem líder.
Apesar do aparente fracasso desta primeira representação, este foi o marco do
nascimento de uma nova modalidade de expressão catártica que, instrumentada

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pelo exercício da espontaneidade e sustentada na teoria dos papéis, viria a se
constituir o método psicodramático de abordagem dos conflitos interpessoais, cujo
âmbito natural é o grupo. Surge então, a expressão “psicoterapia de grupo".
O psicodrama desde seus primórdios estabeleceu um setting basicamente
grupal, com a presença do terapeuta (diretor de cena), seus egos auxiliares e os
pacientes (tanto como protagonistas como público). Aliás, a expressão, "psicoterapia
de grupo" foi pela primeira vez utilizada por Moreno.

2.10.2 Teoria do psicodrama

Moreno foi capaz de dar sentido à improvisação dramática e retomar o


conceito de catarse, pois, ao ocorrer uma identificação do espectador com os
atores, ocorre uma catarse e, também, certa conscientização.
Para que ocorra esta catarse deve existir uma espontaneidade e
criatividade, pois, caso contrário, é uma mera repetição que não trará nada de novo
nem aos protagonistas nem ao público. É na criação espontânea que se consegue o
vínculo do ser humano com o mundo.
O Psicodrama possui o conceito de espontaneidade-criatividade, a teoria
dos papéis, a psicoterapia grupal como pontos básicos da sua teoria, além de outros
como: Tele (capacidade de se perceber de forma objetiva o que ocorre nas
situações e o que se passa entre as pessoas), Empatia (tendência para se sentir o
que se sentiria caso se estivesse na situação e circunstâncias experimentadas pela
outra pessoa.), Co-inconsciente (vivências, sentimentos, desejos e até fantasias
comuns a duas ou mais pessoas, e que se dão em "estado inconsciente".) e Matriz
de Identidade (lugar do nascimento). A teoria da espontaneidade: está ligada
dialeticamente à criatividade, compreende uma fenomenologia, uma metapsicologia,
uma psicotécnica, uma psicopatologia e uma psicologia genética.
As que possuem maiores riquezas são: a Psicotécnica ou treinamento da
espontaneidade que, ainda que pareça parado, procura resgatar o espontâneo
perdido pelo homem ao longo da sua existência e a Psicologia Genética, quer dizer:
a criança, ao nascer, realiza seu primeiro ato criativo: é o primeiro ato de catarse de

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integração. Nasce com uma capacidade criadora própria do ser humano que irá
completando com a maturidade e com a ajuda dos outros. O primeiro ego-auxiliar é
a sua própria mãe.
Ao longo de sua infância, à medida que vai vivendo os diversos papéis e em
contato com os agentes sociais. Desenvolve essa capacidade criadora e atrofia em
maior ou menor medida, de acordo com o tipo de relações e na medida em que as
"tradições culturais" lhe sejam impostas pelos mais velhos.
Esses agentes da sociedade lhe submetem, durante o desenvolvimento,
condutas estereotipadas, repetitivas, ritualistas, muitas delas para ela e para os
demais vazias de significado, assim como também ajudam o desenvolvimento da
espontaneidade. Depende de cada caso e do meio em que vive a criança em um
determinado momento histórico-social.
O ato espontâneo está intimamente ligado ao instante, dali surge à noção do
aqui e agora. A filosofia do momento opõe-se à duração, os benefícios do instante,
do presente, em constante mudança. É lugar (lócus) onde se dá o crescimento.
Segundo Moreno, esta experiência primitiva da identidade configura o destino da
criança. Em toda essa primeira etapa, os papéis são psicossomáticos.
A segunda etapa é a do reconhecimento do Eu. A criança observa o outro
(mãe) como algo diferente dela. Integra as diferentes partes do seu corpo numa
unidade e é a partir dali que se diferencia. É na segunda etapa que aparecem os
papéis psicodramáticos.

Moreno faz uma pormenorizada descrição da evolução da imagem do


mundo da criança, distinguindo: 1) Matriz de identidade total: primeiro universo: tudo
é um. As configurações estão configuradas pelos atos. 2) Matriz de identidade total
diferenciada: segundo tempo do primeiro universo diferencia-se as unidades, porém
têm o mesmo grau de realidade, os indivíduos, os objetos imaginários e os reais. 3)
Matriz da lacuna entre fantasia e realidade: começam a se organizar dois mundos, o
da realidade e o da fantasia. Isto, na linguagem moreniana, marca o começo do
segundo universo.

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O ideal é que o indivíduo possa dominar a situação e que não desenvolva
um mundo real em detrimento da fantasia, nem vice-versa.
Teoria dos papéis: o termo "papel" é um conjunto das várias possibilidades
identificatórias do ser humano. Os papéis psicodramáticos expressariam as distintas
dimensões psicológicas do eu (self) e a versatilidade potencial de nossas
representações mentais. Nesta teoria, tomam-se os papéis como núcleos do
desenvolvimento egóico, e à medida que a criança cresce e se diferencia vai
ampliando seu leque de papéis. Alguns papéis ficarão inibidos, necessitando,
posteriormente, serem resgatados (função do Psicodrama).
A psicoterapia grupal: Moreno assim a define “a psicoterapia de grupo é um
método para tratar, conscientemente, na fronteira de uma ciência empírica, as
relações interpessoais e os problemas psíquicos dos indivíduos de um grupo...” na
sua concepção, todos no grupo são agentes terapêuticos, e todo o grupo também o
pode ser em relação a outro grupo.
Este método aspira alcançar o melhor agrupamento de seus membros para
os fins que persegue. Não trata somente dos indivíduos, mas de todo o grupo e dos
indivíduos que estão relacionados a ele. Em sua relação sociológica vê a sociedade
humana total como o verdadeiro paciente. O conceito de encontro está no centro da
psicoterapia de grupo, comunicação mútua que não se esgota no intelectual, mas
que abrange a totalidade de seu ser. O encontro vive no "aqui e agora". Vai mais
além da empatia e da transferência. Forma um "nós".
Moreno enumera os métodos a serem utilizados, entre os quais se
destacam: método de clube ou associação, de assessoramento, de conferência, de
classes, psicanalítico, visuais, discussão livre, sociométricos, de histórias clínicas, da
bibliografia, magnetofônico (sessões gravadas), da música e da dança, ocupacionais
e laboratoriais e o que se destaca é o método psicodramático.

2.10.3 Método psicodramático

O método do Psicodrama usa a representação dramática como um núcleo


de abordagem e exploração do ser humano e seus vínculos. A ação, unida à

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palavra, brinda o mais completo desdobramento do conflito, do drama que ocupa o
protagonista no espaço dramático.
Na cena, o indivíduo pode representar seus conflitos passados e presentes,
e também externar seus temores, expectativas, projetos e dúvidas sobre o futuro,
explorando suas relações com o presente e o passado.
Distinguem-se, no desenvolvimento da ação dramática, três momentos que
possuem cada um, uma importância singular. A primeira fase, chamada
aquecimento, é quando se prepara o clima do grupo. Escolhem-se um tema e um
protagonista e tenta-se penetrar no mesmo no maior nível de espontaneidade
possível.
O segundo momento ou fase é a representação propriamente dita, a cena
dramática. Aqui ganha importância os ego-auxiliares, que serão os encarregados de
encarnar os personagens para os quais o protagonista os escolheu: os personagens
reais ou fantasiosos, aspectos do paciente, símbolos do seu mundo.
O terceiro momento ou fase é o compartilhar, é onde o grupo participa
terapeuticamente. Nesta etapa o grupo devolve, compartilham seus sentimentos e
vivências, tudo o que lhes foi acontecendo durante a cena, às ressonâncias que ele
produziu. As diversas técnicas dramáticas utilizadas durante a representação foram
pensadas por Moreno em relação à sua teoria da evolução da criança.

Cada uma delas cumpre uma função que corresponde a uma etapa do
desenvolvimento psíquico. O diretor do Psicodrama instrumentará, em cada
situação, aquelas que pareçam mais adequadas e correspondentes ao momento do
drama, segundo o tipo de vinculação que nele se expressa.
A primeira etapa de indiferenciação do Eu como o Tu corresponde à técnica
do duplo. A segunda, do reconhecimento do Eu, a técnica do espelho. A terceira
etapa do reconhecimento do eu, a técnica da inversão de papéis. Mediante a técnica
do duplo, um eu-auxiliar desempenha o papel de protagonista. Verbal e
gestualmente complementam aquilo que, a partir desse desempenho, entende e
sente que o protagonista não pode expressar completamente por ser isto
desconhecido ou oculto, por inibições.

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Coloca-se ao lado a idêntica postura ao protagonista, fazendo seus
movimentos, funcionando como a mãe e a criança na primeira etapa. Na técnica do
espelho, o protagonista sai do palco e é público da representação que um ego-
auxiliar faz dele. Busca-se, com isso, que o paciente se reconheça em determinada
representação, assim como na sua infância reconheceu sua imagem no espelho. O
terapêutico desta técnica consiste em que se reconheçam como próprios os
comportamentos e aspectos que lhe são desconhecidos e que importam para o
esclarecimento do conflito.
Utilizando a técnica da inversão de papéis, a mudança de papéis investiga
na cena o sentir desses personagens do mundo do paciente. Esta é a técnica básica
do Psicodrama. Existem outras técnicas dramáticas criadas por Moreno e
posteriores a ele.
Moreno, tomando do modelo teatral seus elementos, distinguem, para a
cena psicodramática, cinco elementos ou instrumentos: a) Cenário: neste continente
desdobra-se à produção e nele podem-se representar fatos simples da vida
cotidiana, sonhos, delírios, alucinações. b) Protagonista: o protagonista pode ser um
indivíduo, uma dupla ou um grupo. É quem, em Psicodrama, protagoniza seu próprio
drama. Representa a si mesmo e seus personagens são parte dele. Palavra e ação
se integram, ampliando as vias de abordagem. c) Diretor: o psicoterapeuta do grupo
é também o diretor psicodramático. O diretor do psicodrama está atento a toda
informação ou dado que o protagonista dê, para incluí-la na cena, guia e ajuda a
chegar à cena com espontaneidade.
Uma vez começada a cena, o diretor se retira do espaço dramático e
somente intervém se é necessário incluir alguma técnica, dando ordens ao
protagonista ou ego-auxiliares. d) Público: é o grupo terapêutico Moreno distingue
três procedimentos, segundo o objeto de estudo para se abordar quando se
dramatiza: Psicodrama, tratamento dos conflitos individuais. Sociodrama, onde o
objeto de estudo são os grupos sociais. Role playing: quando o Psicodrama é
utilizado para a formação e treinamento de papéis profissionais e técnicos.

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2.10.4 Psicodrama psicanalítico

O psicodrama psicanalítico nasceu na França em 1944. Hoje, há uma


corrente na qual define que a cena dramática é reconhecida na função de concentrar
o drama e permitir que apareçam novos significantes. Dizem que “... o Psicodrama
não é a busca de certo sentido nem tampouco de um significante fundamenta”l.
“Por isso, deve-se evitar a interpretação que proporcione o sentido e a perda
do sentido...” Conforme Anzieu "...o psicodrama analítico favorece a expressão dos
conflitos por intermédio de imagens simbólicas..." caracteriza quatro aspectos
importantes no Psicodrama: dramatização dos conflitos, comunicação simbólica,
efeito catártico e natureza lúdica. Na América Latina, a Argentina é o país pioneiro
em Psicodrama. Atualmente , Brasil, México e outros fizeram um importante
desenvolvimento, sendo pertinente destacar o Psicodrama no Brasil que,
inicialmente foi desenvolvido por docentes argentinos e, atualmente, por seus
próprios docentes.
Para Osório, a teoria moreniana, que se torna pouco sólida, se a
compararmos com a teoria psicanalítica, tem, entretanto, alguns aspectos que não
são excludentes, mas que se complementam. E, em alguns casos, são parcialidades
de conceitos psicanalíticos não reconhecidos e rebatizados com outros nomes ou
trabalhados sob outros ângulos, como acontece com os conceitos de regressão e
fixação.
A regressão em Psicodrama não se obtém através da transferência, mas
através de cena dramática que torna presente o passado. Tele e transferência em
Moreno são conceitos herdeiros da transferência freudiana. Espontaneidade,
essencialmente, está relacionada com o conceito de libido de Freud.
O encontro, o compartilhar, a criatividade e o ato espontâneo possibilitam
novos papéis e resgatam energias perdidas. Isto levará a uma catarse de integração
e a uma catarse do público. A cena é a representação do passado, um “lugar
simbólico” onde se revela o imaginário através das cenas atuais ou manifestas,
podendo explorar e elaborar situações conflitivas do mundo externo, encontrando

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sua conexão com o mundo interno dele ou dos indivíduos, em sucessivas ações
dramáticas com cenas antigas e inconscientes.
Em suma, a cena dramática é, basicamente, a “presentificação” e
“corporização” que, através da representação, têm os vínculos intrapsíquicos em sua
mútua e dinâmica reestruturação com os vínculos interpessoais.
Moreno resgatou o valor das forças imanentes ao grupo. Retomou o fato de
que vivemos em grupo desde que nascemos e nossos problemas provêm desse
mundo. Que todos se ajudam em um grupo, mas nem por isso estão ausentes as
relações hostis. Afirmou que trabalhar em um grupo sem uma fundamentação
sociométrica, antropológica e microssociológica, somente com a interpretação da
análise individual, é impossível.
Mostrando que a regra fundamental é a interação livre e espontânea, e o
objetivo é favorecer a integração do indivíduo e do grupo. Considerou a
transferência como expressão da dissociação e desequilíbrio do grupo. Este se
deteve no papel de psicoterapeuta de grupo e psicodramaturgo, demonstrando uma
série de normas éticas e, científico-técnicas. Normatizaram regras e normas de
grupos como sigilo, os honorários iguais, a seleção de pacientes a livre expressão, o
cuidado do indivíduo e do grupo, a utilização de métodos cientificamente
comprovados. Resgatam assim, muito além da comunicação verbal, o contato
corporal, motor e tátil.

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2.11 Psicologia Analítica

Carl Gustav Jung

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Também conhecida como Psicologia junguiana, é um ramo de conhecimento


e prática da Psicologia, iniciado por Carl Gustav Jung no qual se distingue da
psicanálise iniciada por Freud, por uma noção mais alargada da libido e pela
introdução do conceito de inconsciente coletivo. (JUNG, 1981)
Divergindo da perspectiva de Freud, Jung via a psique como positiva e
negativa, um repositório não só das memórias e das pulsões reprimidas, mas
também uma instância da dinâmica da divindade.
A psicologia analítica foi desenvolvida com base nos estudos de Freud e no
amplo conhecimento que Jung tinha da tradição psicológica contida na alquimia e na
mitologia. Quando Jung conheceu a obra de Freud, identificou-se com suas idéias e
logo quis conhecê-lo.
Ao se conhecerem a admiração foi mútua, pois Freud rapidamente recebeu
o jovem como seu discípulo e um dos defensores de suas idéias. Porém, esta
parceria durou pouco, pois Jung mostrava-se insatisfeito, com algumas das posições

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de Freud, especialmente a teoria da libido e sua relação com os traumas. Freud, por
sua vez, não compartilhava do interesse de Jung pelos fenômenos espirituais como
fontes válidas de estudo.
A Psicologia Analítica conheceu, depois da estruturação por C.G.Jung, um
grande desenvolvimento nos chamados pós-junguianos, que ampliaram a visão de
Jung.
Merece destaque neste desenvolvimento a Escola Desenvolvimentista, que
estudou o desenvolvimento humano desde o nascimento até a fase adulta. E, que
tem como fonte a Escola Junguiana de Londres e a pessoa de Michael Fordham
com sua obra "A criança como indivíduo" e também a pessoa de Eric Neumann, com
a obra "A criança".
Além desta, há também a Psicologia Arquetípica, que é fruto do trabalho de
James Hillman, o qual explora e desenvolve ao máximo a importância dos
arquétipos na vida das pessoas. Marie-Louise voz Franz foi uma das mais
importantes colaboradoras de Jung, e após sua morte desenvolveu um amplo
trabalho abordando temas como a alquimia, a interpretação psicológica dos sonhos
e dos contos de fada.
Parabéns, você está concluindo o primeiro módulo! Não se preocupe tanto
com nomes e datas. É suficiente apenas que você tenha uma visão geral sobre os
fundamentos da Psicologia.

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GLOSSÁRIO

ANÍMICO (VIDA ANÍMICA): Do Latim animu, que se refere à alma.


Psicológico.

ASSOCIACIONISMO: Doutrina relativa à associação de idéias; teoria da


explicação dos fenômenos psicológicos pela associação de idéias.

ATUAR: O termo atuar é utilizado dentro da abordagem psicanalítica para


se referir a comportamentos que representam/simbolizam ações ou personagens
que ainda estão inconscientes ao ser analisado. O comportamento “atuado” em
consultório é uma resposta àquilo que se denomina transferência, ou seja, pessoa
representada simbolicamente pelo analista, a quem o paciente, devota um suposto
amor ou ódio, a depender do momento da análise.

BEHAVIORISMO: do Ing. behaviorism, behaviourism, de behavior,


behaviour, comportamento; Psicologia do comportamento; corrente segundo a qual
a Psicologia tem por objeto o comportamento exterior do homem; Psicologia
objetiva.

CATARSE: do Gr. Kátharsis s. f., .Purificação, evacuação, purgação.

CONNGRUÊNCIA: do Lat. Incongruentia s. f., incoerência; Desarmonia de


uma coisa ou de um fato com o fim em vista; inconveniência, impropriedade;

EMPIRICISMO OU EMPIRISMO: Uma escola de pensamento filosófico com


muita influência na Psicologia, cujo pressuposto é de que apenas aquilo que pode
ser diretamente observável ou medido pode ser estudado de modo significativo.

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EMPÍRICO: Aquilo que pode ser mensurado. Observações empíricas são
aquelas que podem proporcionar um nível de dados objetivos, os quais podem ser
avaliados de uma forma ou de outra. De forma geral, empregando o termo “medida”,
vagamente, quase todas as formas de investigação psicológica podem ser
consideradas empíricas.

ESTEREOTIPIA: do Gr. stereós, sólido + typos, tipo s. f., arte de converter


em formas fixas o que primeiro se compõe com tipos móveis; casa em que se
estereotipa; palavra, atitude, gesto invariavelmente retido. Comportamento
mecanicista, robotizado, pouco original, ritualista.

ESTRUTURALISMO: Pressuposto metodológico segundo o qual as ciências


humanas devem abordar os seus objetos do ponto de vista das estruturas, na
medida em que estas podem traduzir características universais ou princípios
organizadores; denominação dada aos estudos lingüísticos da primeira metade do
séc. XX, da gramática generativo-transformacional.

EXISTENCIALISMO: s. m., Filos., Corrente de pensamento, iniciada por


Kierkegaard, que, por oposição às filosofias conceptuais (essencialismo), cujo
modelo é o sistema hegeliano, tem o centro das suas reflexões na existência
humana considerada como existência livre, desprovida de normas e de essência
abstrata e universal, sendo o homem o responsável pelo seu próprio destino;
movimento cultural em torno daquela corrente de pensamento, caracterizado, de
uma forma geral, pelo relevo dado à subjetividade e ao método de descrição
fenomenológica das realidades existenciais e ao absurdo da existência.

FENOMENOLOGIA: do Gr. phainómenon, fenómeno + logos, tratado.


Estudo descritivo de um conjunto de fenômenos.

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HISTERIA: do Gr. hystéra, útero. s. f., Doença nervosa caracterizada por
convulsões e acessos espasmódicos.

LIBIDO: Termo originalmente utilizado por Sigmund Freud para se referir à


energia sexual do ID (instância inconsciente responsável pelo instinto) e disponível
para distribuir energia para os processos mentais e as atividades físicas. Mais tarde,
Freud reconsiderou a libido como a energia geral de vida. No uso cotidiano, o termo
ainda está associado à conotação de energia sexual.

PENSAMENTO ATOMISTA: Vertente do pensamento pré-socrático baseia-


se na teoria dos átomos, criada por Leucipo e desenvolvida, posteriormente, por
Demócrito de Abdera. Para o pensamento atomista, o princípio (arché) da realidade
(phýsis) reside nos átomos, elementos invisíveis, de número ilimitado, cada um
possuidor de uma forma própria; sendo o número de formas presentes nos átomos,
igualmente, ilimitado. A natureza destes elementos é unitária e plena, uma vez que
eles são indivisíveis (em grego, o termo átomo significa sem divisão).
Além dos átomos, deve também existir o vazio, lugar onde aqueles residem
e realizam seu modo de ser, que é movimento incessante. Sem a existência do
vazio, o movimento não pode ser explicado; nem pode haver pluralidade entre os
entes, sem haver um meio que os separe. Deste modo, segundo alguns comentários
de pensadores da Antiguidade acerca desta teoria, para pensar as questões
relativas ao movimento, provando sua existência, é necessário aceitar a co-
pertinência entre ser -- no presente caso, os átomos -- e não ser -- entendido aqui
como o vazio. É do movimento realizado pelos átomos, constituído de
turbilhonamentos e choques entre eles, que se formam todas as coisas. (conceito
extraído do site www.algosobre.com.br em 19 de janeiro de 2008)

PSICOLOGIA DA GESTALT: A palavra Gestalt tem origem alemã e surgiu


em 1523 de uma tradução da Bíblia, significando "o que é colocado diante dos olhos,
exposto aos olhares". Hoje adotada no mundo inteiro significa um processo de dar
forma ou configuração. Gestalt significa uma integração de partes em oposição à

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soma do "todo". A palavra gestalt tem o significado de uma entidade concreta,
individual e característica, que existe como algo destacado e que tem uma forma ou
configuração como um de seus atributos.

Dizer que um processo, ou o produto de um processo é uma gestalt,


significa dizer que não pode ser explicado pelo mero caos, a uma mera combinação
cega de causas essencialmente desconexas, mas que sua essência é a razão de
sua existência. A Psicologia da Gestalt, baseada neste princípio, dá origem a uma
prática clínica denominada Gestalt-terapia, um método de psicoterapia desenvolvido
por Fritz Perls, que trabalha de preferência com o aqui e agora e não com o
passado, cuja pretensão é promover o aumento da consciência da pessoa acerca do
modo como os seus processos psicológicos estão integrados. A ênfase na
compreensão da pessoa como um todo decorre dos princípios da Gestalt. (HAYES,
1997).

PENSAMENTO POSITIVISTA: Teoria Filosófica que tem como base a idéia


de evolução do pensamento e do comportamento humano, do mais baixo para o
mais alto escalão. A evolução humana é tratada como algo alinear e contínuo. O
pensamento só é considerado válido se tiver valor científico e a pesquisa científica
válida é a quantitativa, numérica. Nada que não for comprovado não tem valor
enquanto Ciência. Nâo são considerados pontos como a cultura, a religião ou os
mitos de um determinado lugar. Este pensamento originou o Behaviorismo, na
Psicologia, que acredita que o comportamento humano pode ser treinado, moldado.

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