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Introdução Geral:

ANTROPOLOGIA
FILOSÓFICA
Helder salvador
Do grego anthropos (homem) +
logos (tratado) + ia: tratado sobre o
ser humano
HUMANIZAÇÃO

• Trabalho: transformação da
natureza através de uma
atividade consciente
• Cultura é: “o processo pelo qual o
ser humano acumula as
experiências que vai sendo capaz
de realizar, discerne entre elas,
fixa as de efeito favorável e,
como resultado da ação exercida,
homem converte em ideias as imagens e
lembranças, a princípio coladas às
animal realidades sensíveis, e depois
generalizadas, desse contato
inventivo com o mundo natural”
O HOMEM EM SUAS ORIGENS
• Símbolo
animal
• Linguagem

• Costumes

• Religião

• Arte

homem
Interrogação
?

• Mitos
ATIVIDADES HUMANAS
• Símbolo

• Linguagem

• Costumes

• Religião

• Arte

Símbolo
Símbolo

• Signo: Elemento representativo que está no lugar de algo


• Simbolizar: representar
• Signos auditivos: linguísticos – mensagem
• Linguagem: sistema de signos linguísticos
Linguagens

• Linguagem verbal – matemática – artística –


gestuais – corporais - tecnológicas – etc.
• Semiologia: Análise do doente pelos sinais
sintomáticos
• Pensamento: concreto e abstrato
• Pensamento mítico
Mitos
• Narrativas que tentam explicar
as origens e o real
• Cosmogônicos
• Teogônicos
• Antropogônicos
• Escatológicos

Riqueza da Mitologia Grega


• Rituais

- Magia

- Religião


• Poder
• Xamãs
• Sacerdotes
• Chefes
• Guerreiros
• Mestres
Big Bang

Criação
O Ser Humano: quem é ele, afinal?

O que distingue o ser humano


dos demais seres vivos?

Entre o homem e o animal, há


continuidade ou salto
qualitativo?

Em que consiste a natureza Imagem: JP Watrin / Detail of "The Vitruvian Man", by Da


Vinci / Public Domain
humana?
O Ser Humano: quem é ele, afinal?

O homem é composto de
corpo e alma (ou espírito) ou é
de natureza puramente
corpórea?

Imagem: Detalhe de “A Criação do Homem” de Michelangelo


Buonarroti, Afresco da Capela Sistina, Disponibilizado por
Bottesini / 2006-11-28 / United States Public Domain
O Ser Humano: quem é ele, afinal?

O homem é o único animal que ri dos outros. O homem é único animal que
passa por outro e finge que não vê.
É o único que fala mais que o papagaio.
É o único que gosta de escargots (fora, claro, o escargot).
É o único que acha que Deus é parecido com ele.
E é o único ...
... que se veste
... que veste os outros
... que despe os outros
... que faz o que gosta escondido
... que muda de cor quando se envergonha
... que se senta e cruza as pernas
... que sabe que vai morrer Imagem: Victor Bezrukov / Creative
... que pensa que é eterno Commons Attribution 2.0 Generic

... que não tem uma linguagem comum a toda a espécie


... que se tosa voluntariamente
... que lucra com os ovos dos outros
... que pensa que é anfíbio e morre afogado
... que tem bichos
... que joga no bicho
... que aposta nos outros Imagem: OneTrucking / Public Domain

... que compra antenas


... que se compara com os outros.
O homem não é o único animal que alimenta e cuida das suas crias, mas
é o único que depois usa isso para fazer chantagem emocional.
Não é o único que mata, mas é o único que vende a pele.
Não é o único que mata, mas é o único que manda matar.
COMPONENTE CURRICULAR, Série
Tópico

E não é o único ...


... que voa, mas é o único que paga para isso
... que constrói casa, mas é o único que precisa de
fechadura
... que constrói casa, mas é o único que passa quinze
anos pagando
... que foge dos outros, mas é o único que chama isso
de retirada estratégica
... que trai, polui e aterroriza, mas é o único que se
justifica
... que engole sapo, mas é o único que não faz isso pelo
valor nutritivo. [...]

Imagem: OneTrucking / Public Domain

VERÍSSIMO, Luís Fernando. O marido do Doutor Pompeu. Porto Alegre: L&PM, 1987.
Dois dicionários brasileiros

Animal racional da ordem dos


mamíferos (Homo) que se distingue de
todos os outros pelo dom da palavra ou
linguagem articulada e pela
inteligência: a razão é que distingue o
homem dos outros animais (Caldas
Aulete, 1958: 2612-3)
Imagem: Mercy from Wikimedia Commons /
Creative Commons Attribution-Share Alike
3.0 Unported
Dois dicionários brasileiros

Qualquer indivíduo pertencente à


espécie animal que apresenta o maior
grau de complexidade na Escala
evolutiva; cada um dos indivíduos da
espécie Homo sapiens (Aurélio, 1986:
903)

Imagem: NASA/ Disponibilizada por Jonas


Bergsten / Public Domain
Do ponto de vista filosófico, pode-se perguntar existe
uma natureza humana? Pode-se falar de uma essência do
ser humano.

Essência
É a capacidade que o ente possui de
receber o SER;
É o que distingue o ente dos demais,
colocando à parte características
acidentais e secundárias, como forma, Imagem: Laitr Keiows / Creative Commons
Attribution-Share Alike 3.0 Unported

tamanho, cor etc.


É a natureza de cada coisa.

Do ponto de vista filosófico pergunta-se: O que, na verdade,


constitui a essencialidade do ser humano?
O ser humano portanto é para existir? Ou existe para ser?
Chega-se a um número relativamente amplo de perguntas
e respostas:

✓ é um ser que é corpo, alma e espírito;


✓ é livre;
✓ elege valores e atua de acordo com
eles;
✓ tem um inteligência teórica e
sentimentos superiores; Imagem: Parnex / Creative Commons Attribution-

✓ vive em sociedade e tem uma história,


Share Alike 3.0 Unported

porque é capaz de evoluir


constantemente;
✓ cria bens cultuais e faz uso de uma
linguagem convencional etc.
Teológica

Antropologia Filosófica

Cultural

Empírica Social

Física
Antropologia Filosófica
• O que interessa a Antropologia
Filosófica é o ser humano enquanto
ser humano.
• Mesmo esgotadas as reflexões
científicas a respeito do ser humano (e
de qualquer ser) fica um resíduo,
inatingível ou, melhor ainda, uma
interrogação:

O que é o ser humano?


• Talvez poderá alguém objetar. Não é querer demais?
Não é ter a presunção de captar o que não é captável
pela mente humana? Pouco interessa, no caso, a
resposta afirmativa ou negativa.
• O fato é que há mais de 2.500 anos a humanidade vem
fazendo esta pergunta. A Antropologia Filosófica, na
pior das hipóteses, seria apenas a colocação
consciente, crítica, orgânica desta problemática
radical.
• Antropologia filosófica coloca no centro de
sua reflexão a questão: que é o ser humano?
Como problema, ela tem seus primórdios mais
fecundos nos debates de Sócrates e dos
Sofistas. Immanuel Kant definiu a
antropologia como ‘a’ questão filosófica por
excelência, uma vez que a filosofia enquanto
tal tomaria ao seu encargo quatro grandes
problemáticas: a metafísica, a ética, a
religião e a antropologia, considerando que
todas a três primeiras não seriam senão partes
da última, pois todas elas remetem, em
última análise, ao problema do humano.
O que é Antropologia Filosófica?
• É uma disciplina filosófica ou movimento filosófico que
tem relações com as intenções e os trabalhos de Scheler,
mas não está unido ao conteúdo específico desse autor. A
antropologia encarada metafisicamente é antes aquela
parte da filosofia que investiga a estrutura essencial do ser
humano.
• Contudo este ocupa o centro da especulação filosófica, na
medida em que tudo se deduz a partir dele, na medida em
que ele torna acessíveis as realidades, que o transcendem,
nos modos de seu existir relacionados com essas
realidades. Ou seja, a antropologia filosófica é uma
antropologia da essência e não das características
humanas.
• A Antropologia Filosófica se distingue da antropologia
mítica, poética, teológica, e científico natural ou
evolucionista por dar uma interpretação basicamente
ontológica do ser humano:
• a reflexão sobre nós próprios, reflexão sempre renovada que o
ser humano faz para chegar a compreender-se.
• Explicação conceitual da ideia do ser humano a partir da
concepção que este tem de si mesmo em determinada fase
de sua existência.
Origem
• O pensamento antropológico filosófico teve
início quando o ser humano se sentiu
jogado sobre si mesmo e (em oposição ao
idealismo) precisamente sobre a
concreticidade pessoal e histórica de sua
vida que antecede e ultrapassa todo e
qualquer conceito. O nome “Antropologia
filosófica” é relativamente recente.
Difundiu-se sobretudo a partir dos trabalhos
de Scheler, que considera a antropologia
filosófica a ponte estendida entre as
ciências positivas e a metafísica.
Objeto de estudo
• As perguntam são o objeto e o
conteúdo da antropologia
filosófica: quem sou? é a
reflexão sobre as dimensões
estruturais do ser humano; com
quem sou? é a reflexão sobre as
dimensões relacionais do ser
humano; que sentido tem a
existência? é a reflexão sobre a
dimensão existencial
(realização) do ser humano.
• a) quem sou? naquilo que tenho de original e
naquilo que me identifica com os demais
seres?
• b) com quem sou? os demais seres para mim:
outros, rivais, amigos, mundos fechados em si
mesmos?
• c) que sentido tem a existência? este
paradoxo fundamental e iniludível que é a
“existência humana”, de um lado limitado no
tempo, no espaço, na sua estrutura mesma
(pois não é a totalidade do ser) e, de outro
lado, ansioso de superar as limitações?
• Dissemos: objeto, sobretudo, porque as perguntas se
implicam de tal forma que é impossível colocar um
problema antropológico sem colocar os outros, sendo
assim a reflexão tende para a unidade totalizante do
pensar filosófico na reflexão sobre a pessoa humana.
• O objeto de estudo das estruturas fundamentais do ser
humano converte-se numa ontologia, na medida em que
nos conduz à questão do significado do “Ser”. O ser
humano torna-se para si mesmo o tema de toda a
especulação filosófica: interessa estudar o ser humano
e estudar tudo o mais apenas em relação a ele.
• O que é mais significativo é o conhecimento do ser
humano, e não o de nós próprios enquanto individualidade.
Estuda, também, o carácter biopsicológico do ser humano,
verifica o que o ser humano faz com suas disposições
bioquímicas dentro de seu ambiente biológico que possa
diferenciá-lo de outros animais.
A especulação sobre o ser humano
• Desde os fins do século XVIII, com o
rápido desenvolvimento das
chamadas "ciências do homem" e
das “ciências da vida” que
investigam cada vez mais
profundamente o ser biológico do
ser humano, a antropologia
filosófica foi chamada a definir
rigorosamente o seu estatuto
epistemológico em face dos novos
saberes científicos sobre o ser
humano, definindo, ao mesmo
tempo, sua relação com os
procedimentos metodológicos e com
os conteúdos dessas novas ciências.
• A situação da Antropologia Filosófica em face
dos novos saberes sobre o ser humano
assume inicialmente as características de
uma crise. Essa crise apresenta duas
vertentes:
• Histórica
• Metodológica
• A histórica, formada pelo entrelaçar-se, no tempo, das
diversas imagens do ser humano que dominaram
sucessivamente a cultura ocidental, como o ser humano
clássico, o ser humano cristão e o ser humano modernos;
• A metodológica, provocada pela fragmentação do objeto da
Antropologia filosófica nas múltiplas ciências do ser humano,
muitas vezes apresentando peculiaridades sistemáticas e
epistemológicas dificilmente conciliáveis.
• Na tentativa de superação da crise que envolve a
concepção do ser humano na cultura ocidental,
diversas tendências se manifestaram desde o século
XIX, que podem ser enfeixadas em duas grandes
correntes:
• o naturalismo, que professa um reducionismo mais ou menos
estrito do fenômeno humano à natureza material como
fonte última de explicação. Entre os exemplos
contemporâneos desse naturalismo podem ser apontadas as
obras do antropólogo C, Lévi-Strauss e do biólogo molecular
J. Monod;
• e o culturalismo, que acentua a originalidade da cultura em
face da natureza, separando no ser humano o "ser natural" e
o "ser cultural", O mais conhecido representante dessa
tendência é Wilhelm Dilthey (1833-1911) que inspirou a
distinção, tomada clássica, entre as ciências da cultura ou
do espírito e as ciências da natureza.
• Assim, a resposta à questão sobre o que é o ser
humano fica distendida entre os dois pólos da
natureza e da cultura, cada um exercendo poderosa
atração sobre os conceitos com os quais a
Antropologia filosófica pretende explicar o ser
humano.
• Neste vasto horizonte das ciências do homem,
apresentam-se problemas antigos e novos que irão
construir, juntamente com os dados permanentes da
experiência natural, o domínio objetivo dos saberes do
homem sobre si mesmo que a reflexão filosófica deverá
tematizar e organizar sistematicamente em torno do
centro último de inteligibilidade do homem, que é a sua
autoposição como SUJEITO.
Tarefas da Antropologia Filosófica
• Essa situação problemática da concepção do ser
humano na nossa cultura aponta para três tarefas
fundamentais a serem cumpridas por uma
Antropologia filosófica:
• A elaboração de uma ideia de ser humano que leve em conta:
os problemas e temas presentes ao longo da tradição
filosófica e as contribuições e perspectivas abertas pelas
recentes ciências do homem;
• Uma justificação crítica dessa ideia, de sorte a que possa
apresentar-se como fundamento da unidade dos múltiplos
aspectos do fenômeno humano implicados na variedade das
experiências com que o ser humano se exprime a si mesmo, e
investigados pelas ciências do homem;
• Uma sistematização filosófica dessa ideia do ser humano
tendo em vista a constituição de uma ontologia do ser humano
capaz de responder ao problema clássico da essência: “O que
é o ser humano?”
• É evidente que a relação da Antropologia
filosófica com as ciências do homem deve
estabelecer-se no terreno dos problemas
reconhecidos como propriamente filosóficos
que cada uma dessas ciências levanta.
• A complexidade e pluralidade desses
discursos sobre o ser humano devem de
alguma maneira, estar presentes no campo
de visão da Antropologia filosófica enquanto
esta se entrega à tarefa da elaboração, no
nível da conceitualização filosófica, da idéia
do ser humano.
• No estágio atual de nossos conhecimentos,
um imenso horizonte de saber envolve o
objeto-ser humano, desdobrando em
múltiplas direções e aprofundando no
sentido das explicações fundamentais a
pergunta inicial "o que é o ser humano?“
• A Antropologia filosófica se propõe encontrar
o centro conceitual que unifique as múltiplas
linhas de explicação do fenômeno humano e
no qual se inscrevam as categorias
fundamentais que venham a constituir o
discurso filosófico sobre o ser humano ou
constituam a Antropologia como ontologia.
Centros de referência da Antropologia
Filosófica
• A compreensão do ser humano é formada por
centros de referências privilegiados e que
acentuam os aspectos da realidade humana
investigados por esse ou aquele grupo de
ciências. Pode-se distinguir três centros
referenciais:
• (F) das formas simbólicas: situado no horizonte das
ciências da cultura;
• (S) do sujeito: situado no horizonte das ciências do
indivíduo e do seu agir individual, social e histórico;
• (N) da natureza: situado no horizonte das ciências
naturais do ser humano.
• Fazem-se presentes no campo da Antropologia
filosófica concepções que tentam reduzir a
complexidade das manifestações do fenômeno
humano a uma matriz explicativa única:
• cultura (culturalismo), os métodos de tipo culturalista que
dão ênfase ao pólo forma, interpretando a natureza do ser
humano por meio do universo de símbolos por ele criado;
• sujeito (idealismo), com os métodos de tipo dialético ou
fenomenológico que dão ênfase ao pólo do sujeito, seja
interpretado como ser histórico, segundo determinadas
oposições fundamentais (dialéticas), seja interpretado como
ser de intencionalidade a ser descrito em suas estruturas e
situações fundamentais (fenomenologia);
• natureza (naturalismo) com os métodos de tipo naturalista,
que dão ênfase ao pólo natureza e inspiram filosofias do ser
humano derivadas de teorias científicas como a teoria da
evolução, a biologia molecular etc.;
• Uma Antropologia integral deve tentar uma
articulação entre esses três pólos que não
ceda ao reducionismo e não se contente com
simples justaposição, mas proceda
dialeticamente, integrando os três pólos da
natureza (N), do sujeito (S) e da forma (F)
na unidade das categorias fundamentais do
discurso filosófico sobre o ser humano.
• A Filosofia recebe de duas fontes principais
seus dados e seus problemas:
• da experiência natural
• e da ciência.
• No caso da Antropologia filosófica, tanto a
experiência natural como a ciência voltam-se
para o próprio ser humano que é, a um
tempo, sujeito e objeto da interrogação
filosófica.
• Assim, nesse vasto horizonte das ciências do
homem, apresentam-se problemas antigos e
novos que irão constituir, juntamente com os
dados permanentes da experiência natural, o
domínio objetivo dos saberes do ser humano
sobre si mesmo que a reflexão filosófica
deverá tematizar e organizar
sistematicamente em torno do centro último
de inteligibilidade do ser humano, que é sua
autoposição como sujeito.
Método de estudo
• O método é o instrumento com o qual se
dispõem a interpretar o objeto. A filosofia
contemporânea apresenta diversos roteiros
metodológicos para que a Antropologia
filosófica perscrute o ser humano.
• Esses procedimentos vão do:
• Método empírico-formal, tendo como
modelo as ciências da natureza;
• Método dialético, tendo como modelo
as ciências da história;
• Método fenomenológico, tendo como
modelo as ciências do psiquismo;
• Método hermenêutico, tendo como
modelo as ciências da cultura;
• Método ontológico, tendo como modelo
a Antropologia clássica.
• O estudo sobre o ser humano tende a partir,
do que se poderia denominar, pólos
epistemológicos ou centros de referências
privilegiados segundo os quais se organiza a
compreensão do ser humano ou se formam
“imagens do ser humano” e que acentuam os
aspectos da realidade humana investigados
por esse ou aquele grupo de ciências. Propõe-
se três pólos epistemológicos fundamentais:
• - pólo das formas simbólicas: situado no
horizonte das ciências da cultura
(interpretando o ser humano por meio do
universo de símbolos por ele criado);
• - pólo do sujeito: situado no horizonte das
ciências do indivíduo e do agir individual,
social e histórico (interpretando o ser
humano como ser histórico, segundo
determinadas oposições fundamentais
dialéticas, seja interpretando como ser de
intencionalidade a ser descrito em suas
e st ru t u ra s e si t u a ç õe s fu n d a m e n t a i s
fenomenológicas);
• - pólo da natureza: situado no horizonte das
ciências naturais do ser humano (inspiram
antropologias filosóficas derivadas de teorias
científicas como a teoria da evolução, a
biologia celular)
• A antropologia filosófica articula entre esses três pólos,
integrando-os:
• a natureza (aquilo que é dado / EIDOS)
• o sujeito (aquilo que posso tornar-me / TÉTICO)
• a forma (aquilo que é manifestado, expresso simbolicamente
/ TOTALIZAÇÃO) na unidade das categorias fundamentais do
discurso filosófico sobre o ser humano construído
articuladamente.
• O discurso dialético sobre o ser humano acontece na
articulação dos três pólos epistemológicos do discurso
sobre o ser humano articulado a partir de três princípios
agentes:
• princípio da limitação eidética
• princípio de ilimitação tética
• princípio da totalização
• - princípio da limitação eidética: aquilo que é
conhecido, sabido, visto. Exigência da não-intuitividade
do nosso conhecimento intelectual, impondo ao
conhecimento a necessidade de exprimir o objeto na
forma do conceito que delimita uma região de
objetividade e não coincide, por definição, com uma
intuição totalizante do objeto. Implica a pluralidade das
categorias para exprimir a identidade do ser; e a
necessidade de articulá-las no discurso dialético.
Corresponde ao momento eidético (Natureza) e não se
confunde com a abstração científica porque opera em
uma referência ao ser do sujeito.
• - princípio de ilimitação tética: é o tornar-se. Fruto do
dinamismo de nosso conhecimento intelectual que
aponta para a ilimitação ou infinidade do ser e,
portanto, vai além de todo horizonte do objeto em sua
limitação eidética. Introduz a negatividade no seio da
limitação eidética, é o momento tético (Sujeito), dando
origem à oposição entre as categorias que leva adiante o
movimento dialético do discurso.
• - princípio da totalização: momento da sistematização
(Forma) da categoria onde se exprime a forma como
conteúdo conceptual concreto, ao efetivar-se, o princípio
mantém, pois, a ilimitação tética apontada para o
horizonte último do ser.
• O momento da totalização é o momento da suprassunção
como a “elevação que conserva”. Ou seja, dentro do
movimento dialético do discurso a totalização é a
unidade sistemática expressa na forma como conteúdo
concreto, mediatizado pelo sujeito em sua acepção
ontológica, sem negar a natureza. O momento da
totalização internaliza o momento eidético e mantém a
ilimitação apontada para o horizonte último do ser.
• A originalidade da experiência na Antropologia filosófica
consiste num dar-se do sujeito a si mesmo ou no
experimentar-se como sujeito. Por conseguinte, se
considerarmos o esquema (N) > (S) > (F), o que é
mediatizado ou dado no caso da experiência filosófica é o
ser humano como Sujeito no movimento de passagem da
Natureza à Forma nas suas diversas modalidades.
• O discurso antropológico construído
segundo o procedimento filosófico –
articulação do movimento de auto-
expressão do ser humano como
sujeito na passagem da natureza
dada à forma manifestada - obedece
ao esquema trial corpo-alma-
espírito, ou seja a auto-expressão
do ser humano como espírito na
totalização da pulsão dialética
psico-somática.
Antropologia Filosófica
• Pergunta-se:
• O que é o ser humano?
• Com quem ele é?
• Para que ele existe?
Mas que coisa é homem nem lhe subtrai
que há sob o nome: da doação do pai?
uma geografia? Como se faz um homem?

um ser metafísico? Apenas deitar,


uma fábula sem copular, à espera
signo que a desmonte? de que do abdômen

Como pode o homem brote a flor do homem?


sentir-se a si mesmo, Como se fazer
quando o mundo some? a si mesmo, antes
de fazer o homem?
Como vai o homem Fabricar o pai
junto de outro homem, e o pai e outro pai
sem perder o nome?
Imagem: Carlo de Fornaro / Public Domain
e um pai mais remoto
E não perde o nome que o primeiro homem?
e o sal que ele come Quanto vale o homem?
nada lhe acrescenta ..........................
Há alma no homem? Que milagre é o homem?
E quem pôs na alma Que sonho, que sombra?
algo que a destrói? Mas existe o homem?

Como sabe o homem


o que é sua alma
e o que é alma anônima?

Para que serve o homem?


para estrumar flores,
para tecer contos?

para servir o homem?


para criar Deus? Imagem: Salvador Dalí Domènech / Niño geopolítico observando el
Sabe Deus do homem? nacimiento del hombre nuevo / 1943 / Acervo The Salvador Dalí
Museum / http://www.artehistoria.jcyl.es/artesp/obras/9578.htm

E sabe o demônio? ANDRADE, C. Drummond de. Poesia e prosa.


Como quer o homem Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1988. p. 276-8.
ser destino, fonte?
O ser humano, um ser corpo
✓ é um ser vivo, com vida não
apenas vegetativa mas também
animal e espiritual;
✓ é um corpo, ou seja, é matéria viva
complexamente organizada e,
como tal, sujeito às mesmas leis Imagem: Giuseppe Arcimboldo / Agua / 1566 /
Public Domain
que governam outras matérias;
O ser humano, um ser corpo

✓ é dotado de instintos e impulsos


relativos à sua vida não-
consciente;

✓ é determinado pelo meio físico Imagem: Pratyeka / Creative Commons Attribution-

e cultural em que vive; Share Alike 3.0 Unported


O ser humano, um ser
psíquico

✓ É um ser único;
✓ é um ser de interioridade;
✓ possui uma identidade
própria e individualidade
Imagem: Fran6fran6 / Creative Commons CC0 1.0
que lhe garantem sua Universal Public Domain Dedication

singularidade.
O ser humano, um ser espiritual

✓ é capaz de refletir, emitir juízos, dominar


e modificar a natureza através de suas
conquistas técnico-científicas bem como
elaborar conceitos e idéias;

✓ é dotado de um poder de conhecimento


ilimitado: compreende a si mesmo e às
coisas que o cercam, o que lhe permite
Imagem: Satyakamk / GNU Free
alterar consciente e intencionalmente as Documentation License

circunstâncias em que vive;


O ser humano, um ser espiritual

✓ ele se indaga acerca dos valores


morais, sociais, políticos e torna-
se efetivamente humano, isto é,
torna-se pessoa.

Fotografia de Bonhams / 1863 / Public Domain

Pessoa

Do latim, persona, significa “máscara teatral”;


Pessoa

✓ segundo os escolásticos (Idade Média),


a pessoa é um indivíduo dotado de
razão;

✓ do ponto de vista jurídico, pessoa é o


cidadão que possui uma existência
Imagem: rejon / Public Domain
civil e direitos;

✓ para Kant, significa o ser humano com um fim em si


mesmo e autodeterminado pela sua própria razão;
Pessoa
✓ conforme a tradição cristã, é o ser
humano racional moral e espiritual,
plenamente consciente do bem e do mal,
livre e responsável;

✓ para o personalismo de E. Mounier, “a


pessoa se apreende e se conhece em
seu ato, como movimento de
Imagem: Joaquim Alves Gaspar / GNU
personalização”. Free Documentation License

O ser humano é um ser pensante.


O ser humano, um ser social e político
✓ Os seres humanos não vivem
sozinhos; não são animais
solitários;

✓ o indivíduo não existe, como


ser humano, fora do meio Imagem: Ian MacKenzie / Creative Commons
Attribution 2.0 Generic

social;

✓ a coexistência e a cooperação entre indivíduos e grupos


são necessárias para a constituição e desenvolvimento
das diferentes instituições sociais e políticas que, por sua
vez, garantem o bem-estar individual e coletivo.
O ser humano, um ser da práxis

✓ O processo de produção da
existência humana é um convite
permanente para a ação;

✓ a ação é consciente, finalística, Imagem: Joe Thomissen / Creative Commons


Attribution-Share Alike 3.0 Unported
livre e responsável;

✓ as relações do homem com a natureza e com os outros


homens criam um complexo de relações práticas e
sociais.
O ser humano, um ser livre

✓ O homem é capaz de raciocinar,


de julgar, de discernir e de
compreender, o que o habilita a Imagem: Walter Baxter / Creative Commons
Attribution-Share Alike 2.0 Generic

fazer escolhas e a optar


livremente.
O ser humano, um ser ético e estético

✓ Na tentativa de

Imagem: Куликов И. С. / 1937 / Public Domain


transformar "aquilo que é"
em "aquilo que deve ser“,
o homem se apresenta
como um ser moral;

✓ é um ser que possui um


senso ético e uma
consciência moral;
O ser humano, um ser ético e estético

Imagem: Wonderlane / Creative Commons Attribution 2.0


✓ é permanentemente atraído
pelo belo;

✓ ele pode criar, inventar e


renovar o belo por meio da
arte, que nada mais é do
que a maneira intuitiva

Generic
segundo a qual apreende a
natureza, a realidade
concreta e existencial que o
cerca.
O ser humano, um ser finito,
perfectível e inacabado

Imagem: Rotatebot / GNU Free Documentation License


✓ É o único ser que tem
consciência de sua
finitude;

✓ não se satisfaz com o


que é ou com aquilo que
possui;

✓ está continuamente buscando algo mais.


O ser humano é
objeto de estudo das
mais diferentes
ciências, como
biologia, psicologia,
sociologia,
antropologia etc.,
que procuram
descrever e explicar
os aspectos
multiformes de sua
vida. Imagem: Tamara de Lempicka / La Dormeuse/ 1932 / http://www.tamara-
de-lempicka.org/La-Dormeuse.html
O ser humano:

Imagem: Sarahjohnson22 / Public Domain


• Na condição de ser-
no-mundo, o
homem se
comunica com a
realidade de
diversas maneiras:

• pela linguagem, que é a estruturação e


articulação concreta do pensamento por meio da
palavra;
E o ser humano:

✓ pela ação intersubjetiva, que


se realiza em termos da moral
e da avaliação estética;

✓ pela atuação dentro da


coletividade, que é a realidade Imagem: Ben Schumin / Creative Commons Attribution-
Share Alike 2.5 Generic

política;
✓ pela inserção no mundo, que é produto do
passado projetado no presente, isto é, a história.
Fontes
ARANHA , Maria Lúcia de Arruda/ MARTINS , Maria Helena Pires.
Filosofando – Introdução à Filosofia. São Paulo: Moderna, 2010.
MONDIN, BATISTA, O homem, quem é ele? 11ª Ed. São Paulo: Paulus,
2003
CASSIRER, Ernst. Antropologia filosófica. Introdução a uma filosofia da
cultura humana 2ª ed. São Paulo: Mestre Jou, 1977.
CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Atica, 2005.
COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia – História e grandes temas.
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8 Mercy from Wikimedia Commons / Creative http://commons.wikimedia.org/wiki/ 09/04/201
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10 Laitr Keiows / Creative Commons http://commons.wikimedia.org/wiki/ 09/04/201
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11 Parnex / Creative Commons Attribution- http://commons.wikimedia.org/wiki/ 10/04/201
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12 Giuseppe Arcimboldo / Agua / 1566 / http://commons.wikimedia.org/w/ 10/04/201
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13 Pratyeka / Creative Commons Attribution- http://commons.wikimedia.org/wiki/ 09/04/201
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14 Satyakamk / GNU Free Documentation http://commons.wikimedia.org/wiki/ 09/04/201
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15 Fotografia de Bonhams / 1863 / Public http://commons.wikimedia.org/wiki/ 09/04/201
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pg
16 rejon / Public Domain http://commons.wikimedia.org/wiki/ 10/04/201
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17 Joaquim Alves Gaspar / GNU Free http://commons.wikimedia.org/wiki/ 09/04/201
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18 Fran6fran6 / Creative Commons CC0 1.0 http://commons.wikimedia.org/wiki/ 10/04/201
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19 Ian MacKenzie / Creative Commons http://commons.wikimedia.org/wiki/ 09/04/201
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20 Joe Thomissen / Creative Commons http://commons.wikimedia.org/wiki/ 10/04/201
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21 Walter Baxter / Creative Commons http://commons.wikimedia.org/wiki/ 09/04/201
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22 Куликов И. С. / 1937 / Public Domain http://commons.wikimedia.org/wiki/ 10/04/201
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23 Wonderlane / Creative Commons http://commons.wikimedia.org/wiki/ 10/04/201
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26 Sarahjohnson22 / Public Domain http://commons.wikimedia.org/wiki/ 10/04/201
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27 Ben Schumin / Creative Commons http://commons.wikimedia.org/wiki/ 10/04/201
Attribution-Share Alike 2.5 Generic File:October_Rebellion_People 2
%27s_Tribunal.jpg
28 Carlo de Fornaro / Public Domain http://commons.wikimedia.org/wiki/ 10/04/201
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g
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29 Salvador Dalí Domènech / Niño geopolítico http://www.artehistoria.jcyl.es/artesp/ 09/04/201
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nuevo / 1943 / Acervo The Salvador Dalí
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