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CAPÍTULO VIII

ARBORIZAÇÃO URBANA
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ARBORIZAÇÃO URBANA

QUANTO VALE UMA ÁRVORE URBANA?


VALORES (ANUAIS) ESTIMADOS PELA ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE
ENGENHEIROS FLORESTAIS
BENEFÍCIOS VALORES (US$)
Economia de arrefecimento ou aquecimento 73,00
Controle de erosão e escoamento superficial 75,00
Proteção à vida silvestre 75,00
Controle da poluição atmosférica 50,00
TOTAL 273,00

8.1. INTRODUÇÃO
O ambiente urbano apresenta tanto um conjunto de elementos naturais (ar, solo e
subsolo, águas superficiais e subterrâneas, áreas verdes) quanto outro conjunto
predominante de elementos construídos, refletindo os processos de interação social
e econômica do homem. Neste contexto, à procura de se melhorar a qualidade de
vida nas cidades, a vegetação assume papel de destaque pelas funções que
desempenha. Assim, a arborização urbana constitui-se em um importante agente de
depuração do meio e de minimização das condições adversas do clima, agravadas
por cobertura, revestimento e impermeabilização do solo, decorrentes das
construções, das obras viárias e de outras relacionadas com a pavimentação. Um
outro aspecto que merece consideração em relação à arborização urbana ao longo
de vias e logradouros públicos e sua utilização como elemento de infra-estrutura:
diferente dos demais elementos é o único a ter forma orgânica e necessitar do meio
natural para o seu desenvolvimento (ZMITROWICZ; DE ANGELIS NETO, 1997).
Esta particularidade confere à vegetação algumas características que são
indicadoras do seu bom ou mau uso, considerando-se a função a que se destina e o
local de implantação.

Estimativas indicam que o Brasil conta hoje com mais de 75% de sua população
residindo nas zonas urbanas, enquanto na década de 50 este percentual não atingia
50%. Grande parte das cidades, entretanto, tem surgido pela simples razão de que o
povo precisou morar no local e, assim, não contam com planos de desenvolvimento
pré-estabelecidos capazes de garantir os requisitos de salubridade e modernidade
que devem apresentar. Características do meio urbano como a impermeabilização
do solo e construções, utilização maciça de materiais como concreto, vidro, ferro,
asfalto e cerâmica, redução drástica da cobertura vegetal e poluições atmosférica,
hídrica, visual e sonora tornam o padrão do ambiente urbano muito inferior àquele
necessário às adequadas condições de vida humana. A vegetação, porém, através
de suas funções ecológicas, econômicas, estéticas e sociais, pode desempenhar
importante papel na melhoria de vida das populações urbanas. Para tal, num espaço
avidamente disputado com finalidades tão diversas como habitação, infra-estrutura,
circulação, serviços e produção, é necessário um profundo e adequado processo de
planejamento que, obrigatoriamente, tenha bases técnicas científicas. Entretanto,
devido à falta generalizada de planejamento das cidades, um dos muitos problemas
para a efetivação de adequado paisagismo urbano é a dificuldade de
compatibilização deste com as estruturas de melhorias básicas como pavimentação,
eletrificação, saneamento, entre outros. Tornar a paisagem urbana não só mais bela,
mas, criar condições de vida satisfatória ao ser humano na urbe, é pressuposto
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primeiro que deve nortear todo e qualquer projeto de paisagismo urbano em suas
faces mais diversas: arborização urbana, parques, praças.

A arborização de cidades é uma prática relativamente nova no Brasil: pouco mais de


100 anos. Desde então vem sendo realizada sem planejamento, devido à grande
carência de contribuições técnicas e literatura especializada. Trazer uma espécie de
mata para as condições adversas da malha urbana, por si só, já é uma decisão
polêmica. Porém, tudo deve ser feito para a melhoria da qualidade de vida nas
grandes aglomerações humanas, justificando, portanto, o plantio de árvores em ruas
e avenidas. Por outro lado, o Homem necessita do gás, do telefone, do esgoto, da
água, da energia elétrica, etc., que são instalados nas vias e passeios públicos.
Urge, portanto, compatibilizar a arborização urbana com os equipamentos utilizados
pelas empresas prestadoras de serviços. Esta compatibilização é possível desde
que utilizemos espécies vegetais adequadas nos locais adequados. Com isso,
estaremos preservando árvores e equipamentos públicos. O uso inadequado das
espécies arbóreas acarreta vários prejuízos, além dos riscos de acidentes à
população beneficiada, pois exige que os órgãos prestadores de serviços realizem
podas periódicas, cortes drásticos e até mesmo a eliminação da vegetação
existente.

8.2. IMPORTÂNCIA DA ARBORIZAÇÃO


URBANA
A arborização é da mais alta importância para a qualidade da vida humana. Ela age
simultaneamente sobre o lado físico e mental do Homem, absorvendo ruídos,
atenuando o calor do sol; no plano psicológico, atenua o sentimento de opressão do
Homem com relação às grandes edificações; constitui-se em eficaz filtro das
partículas sólidas em suspensão no ar, contribui para a formação e o aprimoramento
do senso estético, entre tantos outros benefícios.

ü Interceptação da Luz Solar – Segundo Heisler (1974), árvores de copa rala


interceptam de 60 a 80% da radiação direta incidente, enquanto árvores de copa
densa e espessa interceptam até 98% da radiação direta.
ü Contribuição para o Conforto Acústico - Somente densas barreiras vegetais
conseguem determinar uma redução apreciável nos níveis sonoros. As medições
realizadas indicam a necessidade de barreiras densas de coníferas, com 100
metros de espessura, para a obtenção de índices de atenuação de ruídos na
ordem de 8-20 dB (SZOKOLAY, 1980).
ü Efeitos Sobre a Umidade do Ar - Um índice de cobertura vegetal na faixa de 30%
seria o recomendável para proporcionar um adequado balanço térmico em áreas
urbanas, sendo que áreas com um índice de arborização inferior a 5%
determinam características semelhantes às de um deserto (OKE, 1973). Uma
árvore isolada pode transpirar 400 litros d'água por dia, desde que suprida
suficientemente de água no solo (KOSLOWSKI, 1970). À medida que a
evaporação se desenvolve, a umidade do ar se eleva, e desde que umidade
suficiente esteja presente no solo, as árvores constituem eficientes bombas
hidráulicas, absorvendo a umidade do solo e liberando-a na atmosfera (PITT et
al., 1988).
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ü Capacidade de Filtração/Retenção de Materiais Particulados em Suspensão na


Atmosfera - Os parques podem reter até 85% das partículas, enquanto que ruas
bem arborizadas podem reter até 70% das poeiras em suspensão (BERNATZKY,
1980). Uma barreira com 30 metros de espessura, colocada entre uma área
industrial e uma residencial promove uma interceptação total de poeiras e uma
redução significativa na concentração de poluentes gasosos. Uma única linha de
árvores pode reduzir em 25% a concentração de materiais particulados (WOOD,
1979)).
ü Ação sobre a Saúde do Homem - Experimento feito na Floresta de
Fontainnebleau (França) quantificou a presença de 50 germes/m³ de ar, contra
4.000.000 germes/m³ de ar em uma grande loja parisiense (LAPOIX, 1979).

Os benefícios – a seguir apresentando de forma sucinta - que a vegetação pode


trazer ao ser humano nas cidades são encontrados em vários outros autores
(MARCUS e DETWYLER, 1972; GEISER, et al., 1975; FELLENBERG, 1980;
DOUGLAS, 1983; DI FIDIO, 1985; CAVALHEIRO, 1991):
ü estabilização de determinadas superfícies (...) as raízes das plantas ajudam
afixar o solo;
ü obstáculo contra o vento;
ü proteção da qualidade da água, pois impede que substâncias poluentes
escorram para os rios (...);
ü filtra o ar (...) equilibra o índice de umidade do ar (...) diminui a poeira;
ü reduz o barulho;
ü propicia a interação entre as atividades humanas e o meio ambiente;
ü protege as nascentes e os mananciais;
ü cria abrigo à fauna;
ü é um componente da organização e composição de espaços no desenvolvimento
das atividades humana;
ü é um elemento de valorização visual, ornamental;
ü acompanhamento viário, aumentando a segurança das calçadas;
ü a psicologia indica que para a saúde psíquica do homem é necessário um
suficiente contato com a natureza;
ü função recreativa;
ü caracterizam e sinalizam espaços.

De acordo com Mascaró, 1994; Puppi, 1981, a vegetação urbana constitui-se em


poderoso agente de depuração do meio e de minimização das condições adversas
do clima, agravadas pela cobertura, revestimento e impermeabilização do solo,
decorrentes das construções, das obras viárias e de outras relacionadas com a
pavimentação. Interferem no efeito saneador:
ü a ação da fotossíntese, que assimila o dióxido de carbono da atmosfera, com a
liberação do oxigênio;
ü a ação retentora de poeira e outros elementos em suspensão no ar, através das
superfícies das folhas;
ü a redução da velocidade dos ventos e da propagação de odores e correntes
aéreas contaminadas;
ü o retardamento do escoamento superficial e a absorção das águas de superfície
pelo solo;
ü a exalação do vapor d’água pela evapo-transpiração e a conseqüente ação
refrigerante para o solo e para as camadas da atmosfera sobrejacentes;
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ü a absorção do calor solar nas horas e estações de maior insolamento;


ü a atenuação dos ruídos das vias públicas, das atividades industriais e de outros
focos de poluição sonora;
ü sombreamento;
ü alimentação.

Lombardo (1990), organiza as contribuições da vegetação para melhoria do


ambiente urbano em quatro grupos: composição atmosférica, equilíbrio solo-clima-
vegetação, níveis de ruído e estético, conforme explicitado na tabela 1.

Tabela 1 - CONTRIBUIÇÕES DA VEGETAÇÃO PARA MELHORIA DO AMBIENTE


URBANO.
ü ação purificadora por fixação de poeiras e materiais
residuais
ü ação purificadora por depuração bacteriana e de outros
COMPOSIÇÃO
microorganismos
ATMOSFÉRICA
ü ação purificadora por reciclagem de gases através de
mecanismos fotossintéticos
ü ação purificadora por fixação de gases tóxicos
ü luminosidade e temperatura: a vegetação ao filtrar a
radiação solar suaviza as temperaturas extremas
ü umidade e temperatura: a vegetação contribui para
conservar a umidade dos solos, atenuando sua
EQUILÍBRIO SOLO- temperatura
CLIMA-VEGETAÇÃO ü redução na velocidade dos ventos
ü mantém as propriedades do solo: permeabilidade e
fertilidade
ü abrigo à fauna existente
ü influencia no balanço hídrico
ü amortecimento dos ruídos de fundo sonoro contínuo e
NÍVEIS DE RUÍDO descontínuo de caráter estridente, ocorrente nas
grandes cidades
ü quebra da monotonia da paisagem das cidades,
causada pelos grandes complexos de edificações
ü valorização visual e ornamental do espaço urbano
ESTÉTICO
ü caracterização e sinalização de espaços, constituindo-
se em um elemento de interação entre as atividades
humanas e o meio ambiente
Fonte: Lombardo (1990).

8.3. PLANEJAMENTO
Segundo Grey e Deneke (1978), entende-se por arborização como sendo o “(...)
conjunto de terras públicas e privadas com vegetação predominantemente arbórea
que uma cidade apresenta”. O capítulo em tela aborda com mais detalhe um tipo
específico de arborização urbana, a chamada arborização de acompanhamento
viário ou verde de acompanhamento viário, definido por Cavalheiro (1991) como
sendo as árvores dispostas “(...) em calçadas ou canteiros centrais, rotatórias e
trevos de conversão de vias públicas”.
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A arborização urbana está amparada, em seus aspectos mais gerais, por legislação
específica junto às Constituições Federal e Estaduais, além do Código Florestal
Brasileiro. De forma particular as chamadas “Constituições Municipais” ou Lei
Orgânica dos municípios devem contemplar a questão, através de Planos Diretores
de Desenvolvimento Integrados (PDDI), Códigos de Arborização Urbana, entre
outros. Como instrumento normativo, coercitivo e punitivo, a importância da
legislação é inequívoca, sendo de competência do poder público municipal a
promoção e execução de ações que objetivem a preservação, recuperação e
ampliação da arborização urbana de acompanhamento viário.

É importante entender e discutir o conceito de implantação de arborização. Não é só


plantar uma árvore em qualquer espaço de terra. Este conceito é bastante amplo e
envolve, entre outras, educação ambiental, conscientização comunitária, estratégias,
legislação, aspectos político-administrativos e planejamento (projeto). Passa pelas
técnicas agronômicas e florestais utilizadas para a introdução, consolidação,
desenvolvimento e manutenção da arborização no meio urbano. A implantação não
finaliza com a execução do projeto, ou seja, com o plantio das árvores. Por tratar-se
da introdução de seres vivos, é um processo que tem uma duração indeterminada,
por envolver a vida inteira de cada planta, chamada de cultivo.

Ao se elaborar o plano de arborização deve-se responder a quatro questionamentos:


ONDE
O QUE
PLANTAR?
COMO
QUANDO
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Figura 1 – ESQUEMA DE IMPLANTAÇÃO DA ARBORIZAÇÃO VIÁRIA


Fonte: CPFL (2004).

Figura 2 – LOCAIS ADEQUADOS PARA O PLANTIO DAS ÁRVORES DE


ACOMPANHAMENTO VIÁRIO
Fonte: CPFL (2004).
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O planejamento da arborização de uma cidade deve considerar os aspectos


culturais e históricos da população local, suas necessidades e anseios aliados a
uma análise das atividades desenvolvidas (indústria, comércio, habitação), da infra
estrutura (rede elétrica, de água, esgoto, etc.), além do espaço físico disponível e
vegetação local. Todas as informações obtidas a partir desse levantamento serão
analisadas e resultarão no plano geral que irá determinar os locais a serem
arborizados, os espaçamentos a serem obedecidos e os tipos de árvores a serem
plantados. A árvore deverá satisfazer tanto aos interesses do morador da residência
em frente à qual ela se localiza, quanto aos interesses da comunidade como um
todo. A ação de se plantar uma árvore deve ser precedida de uma preparação,
seguindo um roteiro adequado e determinado. A solução precisa ser estudada e
aplicada para cada cidade isoladamente, aumentando a complexidade na proporção
em que as cidades se desenvolvam.

8.3.1. Etapas do planejamento


O processo de planejamento, para efeito de estudo, é dividido em etapas
(atividades, fases, operações), que vão proporcionar a elaboração de uma proposta
lógica, para solucionar a questão, objeto do mesmo. Essas etapas serão em maior
número, se o objetivo do planejamento for muito complexo.

De maneira geral, o planejamento da arborização urbana pode ser subdividido nas


seguintes etapas:
ü conhecimento do objetivo; por exemplo: se arborização de um bairro novo ou
replanejamento da arborização do centro de uma cidade;
ü estudos preliminares e levantamentos bibliográficos sobre a área a ser
arborizada;
ü diagnóstico (equacionamento do problema); prognóstico (conjunturas sobre o
local, os impactos conseqüentes);
ü verificação da existência de mudas de espécies vegetais;
ü projeto executivo de arborização;
ü implantação/execução do projeto executivo;
ü avaliação e replanejamento.

8.3.2. Diagnóstico da área a ser


arborizada
É a parte técnica imprescindível para o planejamento. Para se chegar a um
diagnóstico é necessário um conhecimento detalhado da área. Inicia-se por um
inventário da arborização existente e complementa-se com coleta de dados
climáticos e informações do local a ser trabalhado.

8.3.2.1. Inventário da arborização existente


Os inventários são de domínio técnico e vem sendo utilizados em várias cidades
brasileiras, fazendo-se uso de diferentes metodologias – por amostragem, por
censo, etc. Os inventários podem identificar, qualificar e quantificar as espécies
existentes na arborização, por isso denominamos qualitativos e quantitativos. Por
esse instrumento pode-se conhecer além das espécies arbóreas existentes, a altura,
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ARBORIZAÇÃO URBANA

o diâmetro da copa, a altura da primeira bifurcação, o DAP (diâmetro na altura do


peito), as condições fitossanitárias das árvores, até avaliar as mais adaptáveis e
resistentes ao local, as notáveis, de valor histórico ou paisagístico, etc., bem com a
freqüência de ocorrência de cada espécie e a quantidade total de árvores. As
árvores inventariadas deverão ser locadas em planta baixa da área, para maior e
melhor visualização do espaço disponível para novos plantios ou quando
necessário, para indicação ou substituições. Quanto mais completo for o inventário,
maior será o conhecimento da área.

8.3.3. Planejamento/Projeto
Nesta etapa elabora-se, desenvolve-se o plano geral da arborização, chamado
Plano Diretor, que define as linhas mestras e as diretrizes da arborização como um
todo. Se for para uma cidade, deve incluir o Código de Arborização, as normas e os
decretos. Para por em prática o Plano Diretor de Arborização é necessário elaborar
projetos de arborização para as diversas ruas, bairros ou região.

O Projeto de Arborização pode ser entendido como sendo o Projeto Executivo, por
conter:
ü as espécies vegetais a serem plantadas;
ü a localização, os espaçamentos, os alinhamentos e os afastamentos
(distâncias) mínimos das covas;
ü o tipo e altura da muda;
ü o tamanho da cova e as quantidades de calcário e adubos orgânicos e
químicos indicados;
ü os elementos de proteção da muda e do canteiro;
ü se necessários, as podas de formação e a época de plantio.

O Projeto de Arborização deve ser composto pelos seguintes documentos:


ü planta baixa do local com a proposta geral para a arborização;
ü os detalhes necessários para a melhor compreensão do projeto, em escala
maior, como espaçamentos, alinhamentos, etc;
ü memorial descritivo (ou redação técnica) contendo as explicações
necessárias para a melhor compreensão do projeto e sua execução,
contendo ainda as técnicas de plantio e, se necessário, cortes e perspectivas
do local.

8.3.3.2. Características botânicas das plantas


São as características intrínsecas, morfológicas e fenológicas, próprias de cada
espécie vegetal. As importantes para a escolha das árvores urbanas viárias são:
ü porte (altura e diâmetro da copa): baixo, média, alto, muito alto;
ü sistema radicular: pivotante (profundo), tabular (superficial);
ü tronco (caule, fuste ou estipe): diâmetro, textura;
ü copa: arquitetura, forma, diâmetro;
ü folhagem: forma, tamanho, textura, cor, caducidade, densidade;
ü florescimento: época e persistência, tamanho, forma, cor;
ü frutificação: época e persistência, tamanho, forma;
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ü presença de espinhos, odores, perfumes, princípios alérgicos ou tóxicos em


qualquer parte da planta; e,
ü tempo de crescimento e longevidade.

8.3.3.3. Escolha das espécies


São recomendadas espécies de pequeno porte (tabela 2) para o plantio em calçadas
sob rede elétrica. Nas calçadas sem postes de rede elétrica, recomenda-se o uso de
espécies de médio porte (tabela 3). Espécies de grande porte não são
recomendadas para arborização viária, pois causam problemas ao pavimento das
calçadas, à rede elétrica e ao sistema de esgoto, além de fundações de muros e
paredes.

Além do porte das espécies, deve-se observar:


ü espécies resistentes a pragas e doenças, visando evitar o uso de produto
fitossanitários, prejudiciais e desaconselháveis em logradouros públicos;
ü a árvore planta sob a rede não deve ser do tipo que produza frutos
comestíveis ao homem (salvo em casos especiais);
ü o sistema radicular deve ser pivotante e não superficial, que prejudica as
calçadas e fundações de prédios e muros;
ü o lenho deve ser resistente a ventos fortes para evitar queda de ramos nas
vias públicas, nas instalações elétricas, etc;
ü a copa deve ter tamanho e forma adequados para evitar danos às
construções, veículos, rede elétrica, etc;
ü as árvores não devem possuir princípios tóxicos que provoquem reações
alérgicas;
ü deve ser dada preferência para espécies nativas, contribuindo para sua
preservação.
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Tabela 2 – ÁRVORES DE PEQUENO PORTE INDICADAS PARA ARBORIZAÇÃO


DE ACOMPANHAMENTO VIÁRIO.

Fonte: CPFL (2004).


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Tabela 3 – ÁRVORES DE MÉDIO PORTE INDICADAS PARA ARBORIZAÇÃO DE


ACOMPANHAMENTO VIÁRIO.

Fonte: CPFL (2004).


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8.3.3.4. Quantidade de espécies e quantidade


de indivíduos por espécie para composição
florística da arborização
Cada espécie vegetal deve entrar na composição florística proposta até o limite
máximo de 15% da quantidade total (GREY & DENEKE, 1978). Quanto menor for
essa percentagem, melhor será essa composição, pois, maior será o número de
espécies, maior a diversificação delas e melhor será a biodiversidade da área.
Entendemos que mais importante que o estabelecimento de um índice é a
diversidade das espécies plantadas.

Considerando o aspecto fitossanitário das árvores, quanto maior a quantidade de


espécies, menor será o risco de perda parcial ou até total da arborização, pelo
ataque de pragas e doenças. Se levarmos em consideração o aspecto estético, uma
composição florística mais homogênea é mais monótona, do que uma com grande
diversidade de espécies vegetais. Haverá períodos mais limitados de florescimento,
com poucas cores ou formas de flores. E, por fim, considerando o ecossistema local,
as composições muito homogêneas tornam a presença da avifauna quase
inexistente, desequilibrada pela pobreza de espécies, acarretando outros
desequilíbrios ecológicos.

8.3.4. Fatores físicos


8.3.4.5. Largura das ruas, calçadas e recuo
das edificações

LARGURA DAS LARGURA RECUO DAS DIÂMETRO


RUAS DAS CALÇADAS EDIFICAÇÕES DA COPA
menos de 3,0 sem recuo Arboretas
7,0 METROS OU metros 4,0 metros médio (1)
MAIS sem recuo Médio
mais de 3,0 metros
4,0 metros grande (2)
(1) – entre 4,0 e 6,0 metros
(2) – maior de 6,0 metros

Canteiro central Palmeiras ou espécies


menor 1,5 metros colunares
Canteiro central Espécies de porte médio a
maior 1,5 metros grande
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8.3.4.6. Arborização versus infra-estruturas


urbana

Tabela 4 – INFRA-ESTRUTURAS URBANAS QUE “CONCORREM” COM A


ARBORIZAÇÃO DE ACOMPANHAMENTO VIÁRIO.
FIAÇÃO BAIXA TENSÃO
ELÉTRICA ALTA TENSÃO
AÉREA TELEFONIA
INFRA CABOS INTERNET
ESTRUTURAS TV CABO
URBANA REDE DE ESGOTO
GALERIAS PLUVIAIS
SUBTERRÂNEA
REDE DE ÁGUA
REDE DE TELEFONIA
POSTEAMENTO, LIXEIRAS, GUARDA-BICICLETA,
NA SUPERFÍCIE PLACAS DE SINALIZAÇÃO, PROTETORES DE
ÁRVORES...
Fonte: Organizado pelo autor (2004).

8.4. PLANTIO
Geralmente submetidas a intenso estresse ao longo de suas vidas, as árvores de
acompanhamento viário requerem atenção especial por ocasião de seu plantio,
sobretudo se atentarmos para o fato de que, nem sempre, sua manutenção será a
mais adequada. A época mais indicada para seu plantio é o início do período das
chuvas; o que não significa, porém, que não se possa proceder ao plantio em outras
épocas, desde que, em havendo déficit hídrico, proceda-se a irrigações. Observar
sempre as distâncias que devem ser respeitadas entre árvores, entre árvores e
postes, entre árvores e entradas de garagens e, entre árvores e esquinas.
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ARBORIZAÇÃO URBANA

Figura 3 – ILUSTRAÇÃO DE COMO PROCEDER AO PLANTIO DE MUDA DE


ESPÉCIE ARBÓREA
Fonte: CPFL (2004).
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ARBORIZAÇÃO URBANA

Figura 4 – DESENHO ESQUEMÁTICO DE COMO PLANTAR MUDA DE ESPÉCIE


ARBÓREA, COM DETALHE DE “MURETA” DE CONTENÇÃO PARA IMPEDIR
AFLORAMENTO DO SISTEMA RADICULAR.
Fonte: CPFL (2004).

8.5. MANEJO
A fiscalização e controle das árvores urbanas são amparados efetivamente pela Lei
Federal 4771/65, que institui o Código Florestal Brasileiro, que em seu artigo 2º
determina: “Todas as florestas e demais formas de vegetação natural situadas em
encostas, topos de morros, nascentes e margens de arroios, riachos, rios e nas
áreas metropolitanas definidas em lei são consideradas de preservação
permanente.” Os diplomas legais mais específicos que regulam as atividades de
arborização urbana tem origem nos municípios. Apresentam dispositivos que
definem questões que vão desde a preservação da vegetação original até a
determinação de reposição em conseqüência de supressões julgadas necessárias.
Em geral as leis, decretos e normas municipais estabelecem a responsabilidade
exclusiva dos municípios nos trabalhos em logradouros público. A legislação em
algumas cidades determina ingerência pública inclusive em áreas particulares. Um
dos exemplos é Curitiba/PR onde é estabelecida a necessidade de obtenção de
licença para remoção de árvores com DAP igual ou superior a 0,15 m.
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ARBORIZAÇÃO URBANA

A estrutura urbana cresce em dimensões e complexidade. São muitos os serviços


que devem coexistir para um bom atendimento à população. A arborização em
cidades, da mesma forma que a distribuição de energia elétrica, a telefonia, o
abastecimento d’água, a presença do sistema de esgoto, a limpeza urbana, etc., é
um serviço urbano e, como tal, deve ser tratado e considerado. Só dessa forma
poderão ser contornados os conflitos da mesma com as redes aéreas, redes
subterrâneas, redes de esgoto, galerias de água pluvial, fachadas de prédios,
muros, postes, luminárias, semáforos, placas de trânsito, pavimentações de
calçadas, pavimentações de pistas de rolamento, veículos, pedestres, etc.

8.5.1. Trabalhos técnicos na condução da


arborização urbana
Os trabalhos técnicos mais importantes na condução da arborização urbana: poda,
adubação, dendrocirurgia, transplante e remoção.

8.5.1.1. Poda
A poda é tão importante para manter as árvores saudáveis quanto as regas e
adubações. Devido à falta de podas no período de crescimento, muitas árvores tornam-
se incômodas, quando não perigosas. Ao contrário do que muitos pensam, os galhos
não sobem à medida que a árvore cresce. Esta se desenvolve verticalmente a partir do
topo e a copa aumenta devido ao aparecimento de novos galhos. Poda é conceituada
como sendo o ato de cortar, aparar, desbastar as plantas; é uma operação cultural em
árvores ornamentais, visando corrigir o seu desenvolvimento.

Figura 5 – REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DE UMA ÁRVORE COM SUA


ESTRUTURA DE RAMOS
Fonte: CPFL (2004).
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ARBORIZAÇÃO URBANA

Existe uma série de denominações para diferentes formas de se efetuar o corte de


galhos. Muitos diferem apenas no termo em si, como por exemplo, poda de formação,
condução ou conformação, mas processam o corte de forma similar. Restringiremos o
estudo a quatro tipos de podas: de formação, de adequação ou para manter o porte, de
limpeza e de regeneração.

(a) Poda de formação – É o processo de se conduzir a essência desde a


semeadura, a fim de obter uma árvore com equilíbrio e forma adequada ao local de
seu plantio definitivo.
(b) Poda de conformação ou contenção – Visa manter a copa da árvore sob
controle. Consiste no desponte das extremidades dos ramos e eliminação dos que
reclinam. É também conhecida como poda ornamental.
(c) Poda de rebaixamento – Visa reduzir-se o comprimento das ramificações das
árvores adultas. É também conhecida como poda drástica. Para ser tecnicamente
correta, deve se limitar a um terço do volume da copa da árvore.
(d) Poda de limpeza - É uma poda limitada à supressão das partes mortas,
indesejáveis, doentes, atrofiadas e mal formada, além dos ramos quebrados pelo
vento.
(e) Poda longa, média e curta – São três as intensidades com que se devem
executar as podas, de modo a deixar bem posicionadas num ângulo aberto, para
fora e para cima, 5 ou mais gemas (na poda longa); 3 a 5 gemas (na poda média);
e, 1 a 2 gemas (na poda curta).
(f) Poda programada - É a poda executada sistematicamente, nos ramos das
árvores que oferecem risco potencial, visando manter livre a fiação elétrica;
conhecida também como poda preventiva.
(g) Poda para restabelecimento – É a poda executada em ramos de árvores
visando livrar a fiação elétrica em situações críticas (temporais, ventanias, curto-
circuito, etc.); também conhecida como poda de emergência.
(h) Poda (parcial) em “V” – Visa eliminar os ramos que estão prejudicando a fiação
elétrica primária e/ou secundária. (Obs: a figura 6 ilustra a poda em “V” idealizada
com afastamento para rede primária; na prática, poda-se neste raio de 2,0 m
apenas os ramos que apontam em direção a rede).

Figura 6 – PODA (PARCIAL) EM “V”


Fonte: CPFL (2004).
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ARBORIZAÇÃO URBANA

(i) Poda (parcial) em furo – Visa eliminar os ramos que estão prejudicando a
fiação elétrica secundária e/ou primária. Esta poda, desde que bem executada não
provocará o desequilíbrio da árvore.
Obs: Normalmente quando a poda é executada em “V”, posteriormente a árvore se
recompõe fechando a copa por sobre a fiação criando uma área de sombreamento não
mais havendo brotações significativas, de modo a tomar a forma de um”furo” ou túnel.
Somente em copas muito densas será possível executar de início, a pode em “furo”.

Figura 7 – PODA (PARCIAL) EM “FURO”


Fonte: CPFL (2004).

8.5.1.2. Metodologia de poda


O corte dos ramos na operação de poda deve ser feito com muito cuidado para não
prejudicar a árvore em demasia. Deve-se ter cuidado para evitar que os ramos não
rachem ou a casca seja arrancada, pois podem surgir grandes ferimentos, e de difícil
cura. Pelo grande peso, os ramos quando cortados racham, levando às vezes muita
casca, caso não se tomem cuidados indispensáveis. Existem muitas maneiras de se
cortar os ramos grossos. O processo mais fácil e sem inconvenientes, é fazer cortes
provisórios, sendo um na parte superior e outro na parte inferior próximos um do outro,
para depois cortar definitivamente o toco que ficou. Devem ser feitos cortes lisos,
rentes à base do ramo, sem deixar tocos, pois estes dão origem aos troncos ocos.

Antes de mostrar em detalhes, os vários passos da poda, convém diferenciar a poda


parcial; (comumente sob responsabilidade da concessionária de serviços elétricos) da
poda completa, responsabilidade da prefeitura municipal.

As figuras 8 e 9 indicam as situações antes e após a poda de ramos, a fim de ilustrar


as diferenças entre os resultados da poda parcial e da poda completa.
20
ARBORIZAÇÃO URBANA

Figura 8 – PODA PARCIAL E COMPLETA


Fonte: CPFL (2004).

Figura 9 – EXEMPLO ESQUEMÁTICO DE ÁRVORE ANTES E APÓS DOIS TIPOS


DE PODA: PARCIAL E COMPLETA
Fonte: CPFL (2004).
21
ARBORIZAÇÃO URBANA

Pequenos ramos – No caso de pequenos ramos, é suficiente um corte apenas, de


baixo para cima, conforme figura abaixo.

Figura 10 – CORTE DE RAMOS PEQUENOS


Fonte: CPFL (2004).

Grandes ramos – O procedimento para remover os grandes ramos é mostrado na


figura 7. O 1º corte é feito por baixo do mesmo, como na figura, a aproximadamente 50
cm de seu ponto de derivação. O 2º corte será feito a 5 cm distante e além do 1º, de
cima para baixo. Os 3º e 4º cortes serão feitos rente ao ramo de onde deriva, isto é, o
3º de baixo para cima e o 4º de cima para baixo, de modo a se encontrarem (figura 11).

Figura 11 – PODA DE RAMOS DE DIÂMETRO MAIOR


Fonte: CPFL (2004).

Ramos verticais – Se o ramo a ser podado for vertical, serão necessários 3 cortes: os
dois primeiros do lado do tombamento do ramo, em forma de cunha, sem atingir a linha
de eixo do ramo, conforme a figura 8. O 3º corte do lado oposto, de cima para baixo na
direção do 2º e até encontra-lo (figura 12).
22
ARBORIZAÇÃO URBANA

Figura 12 – PODA DE RAMOS VERTICAIS


Fonte: CPFL (2004).

Ramos altos – Ramos altos podem causar danos para as redes elétricas ou a outras
propriedades durante as podas sem uso de cordas. A figura abaixo, que se aplica
somente para rede desenergizada, mostra a maneira de podar um ramo alto que
certamente causaria, ao cair, problemas à rede elétrica. Antes de corta-lo, o mesmo é
suportado por duas cordas, uma próxima ao corte e a outra próxima às pontas. As
corças são passadas por sobre ramos ou forquilhas mais altos e amarrados no tronco
da árvore. Uma terceira corda trabalha como guia, não permitindo a aproximação do
ramo podado aos condutores ou construção (figura 13).

Figura 13 – PODA DE RAMOS ALTOS


Fonte: CPFL (2004).

8.5.1.3. Época de podar


Se as feridas causadas pela operação de poda não forem extensas, não há diferença
em fazer-se a poda no inverno ou primavera. As árvores que exsudam líquidos após a
23
ARBORIZAÇÃO URBANA

poda na primavera e perdem muita seiva, deverão ser podadas noutra época quando o
movimento desta seiva é menor. O verão é freqüentemente a época mais apropriada
para fazer a poda de limpeza, pois os ramos doentes, mortos, fracos ou mal nutridos
são mais visíveis nesta época. Por outro lado, os ramos cruzados que ofendem a
estética, serão eliminados com maior facilidade no inverno, quando se trata de árvores
decíduas. A poda de regeneração, sempre que necessária, deve ser feita,
preferencialmente, no final do inverno. As árvores perenefólias, sempre que possível,
devem ser podadas no início do verão, assim os galhos remanescentes podem
preencher as falhas deixadas pelo corte de ramos e galhos. Isto é válido para podas
leves.

8.5.1.4. Tratamento dos ferimentos


A poda produz ferimentos dos mais diversos nas árvores. Aos poucos, e naturalmente,
a casca vai reagindo e fechando as feridas. Forma-se inicialmente um colo que
cicatriza, deixando apenas vestígios. Os ferimentos pequenos cicatrizam-se
rapidamente, se a superfície for lisa. Os maiores necessitam de proteção contra pragas
e patógenos que entrariam pelos ferimentos, causando freqüentemente o
apodrecimento do lenho. O ideal é passar um fungicida comum, como a calda
bordalesa ou sulfo-cálcica, e após cobrir a ferida com substância protetora. Tais
substâncias protetoras podem ser: parafina, pintura a óleo, cera de enxertar, mastique
(resina de aroeira). As substâncias corrosivas, como alcatrão ou piche, não devem ser
usadas, pois corroem e matam os tecidos.

8.5.1.5. Adubações em árvores


Para crescer e atingir grandes proporções, as árvores precisam encontrar condições
favoráveis. A maioria delas, contudo, não é muito exigente e se adapta em solos não
preparados. Mas, em tais circunstâncias, nem sempre podem se desenvolver
plenamente. As árvores, como é sabido, retiram seus alimentos básicos dos recursos
naturais do solo. A dificuldade de compatibilizar o local disponível com solo de boa
qualidade torna necessário que contenham os elementos químicos necessários. O
cuidado com a alimentação das árvores deve ser iniciado no momento do plantio ou do
transplante. Mais tarde, porém, as reservas de nutrientes se esgotam e a árvore
precisa ser novamente alimentada. Há três maneiras de se aplicar o adubo em árvores
já estabelecidas: fazer furos ao redor da copa e preenchê-los com adubo seco; injetar
nutrientes no solo; borrifar adubo líquido nas folhas.

8.5.1.6. Dendrocirurgia1
É o tratamento realizado em áreas lesionadas do caule ou dos ramos que
apresentam uma necrose em expansão. Tem como objetivo principal conter o
processo de necrose dos tecidos, através da limpeza das áreas afetadas e do uso
de fungicidas e substâncias impermeabilizantes, para proteger as cavidades que se
originam das lesões. Este tratamento deve ser aplicado em casos muito especiais
como: árvore considerada monumento histórico; árvore adulta de crescimento lento;
espécies raras nativas ou exóticas. Caso contrário, o replantio torna-se mais prático
e econômico, já que estes tratamentos irão depender de muitos fatores que poderão
1
Disponível na Internet: http://www.floresta.ufpr.br/~paisagem/dicas/dendrocirurgia.htm.
24
ARBORIZAÇÃO URBANA

desfavorecer o sucesso de sua aplicação, tornando incerta a aceitação da árvore


aos tratamentos.

A prática deste tratamento requer pessoas habilitadas especialmente em práticas


fitossanitárias para o emprego adequado de certos produtos químicos no combate
de fungos apodrecedores, cupins, formigas e outros organismos aproveitadores de
pequenas lesões presentes nas árvores. Além disto, deve conhecer a capacidade de
regeneração das espécies, idade da árvore, vitalidade ou vigor da espécie e grau de
resistência da espécie aos ataques de fungos e insetos.

O diagnóstico em uma árvore que, potencialmente, venha a necessitar de


dendrocirurgia, pode ser feito da seguinte forma:
ü observar se há galhos mortos, ou ponteiros secos, pode ser um sinal do
ataque de brocas, cupins ou parasitas, como a erva-de-passarinho;
ü examinar cuidadosamente o tronco principal, tentando detectar orifícios;
muitas vezes diminutos estes orifícios podem apresentar um pequeno rastro de
serragem ou terra, denunciando brocas e cupins;
ü verificar a possível existência de lesões superficiais de origem mecânica não
cicatrizadas - podas mal feitas, mutilações, etc;
ü examinar a possível existência de cavidades, tentando encontrar porções
ocas sob a casca, ou por trás de grandes ferimentos; esta região costuma
apresentar madeira já bastante apodrecida, com sinais de colonização por insetos;
ü verificar cuidadosamente, sobretudo o colo da árvore; as cavidades
localizadas nessa região tendem a ser fatais se não cuidadas a tempo;
ü tentar detectar a presença de parasitas, como erva-de-passarinho, por
exemplo; mas lembre-se que samambaias, orquídeas e bromélias, entre outras
plantas superiores, não são parasitas e sim epífitas, buscam apenas apoio;
ü observar se há desfolhamento ou amarelecimento de porções da copa.

Sugestões de tratamentos
Para ferimentos superficiais - Recortar a casca numa forma ovalada e eliminar os
tecidos já comprometidos. A seguir esterilizar com calda bordalesa e aplicar um
cicatrizante ao longo de toda a extensão da ferida. Existe um produto chamado
“Mastique Dr. Moura Brasil”. Esses curativos devem ser refeitos periodicamente, até
que se verifique a cicatrização com formação de calos.

Para ferimentos em grandes cavidades - Fazer inicialmente uma raspagem, com


remoção de todo o tecido apodrecido, até que seja encontrado tecido sadio. Em
seguida desinfetar com pasta bordalesa, que é semelhante à calda, porém, mais
concentrada. Depois, a cavidade deve ser preenchida com argamassa, feita com
cimento colante. Deve-se observar que o limite da obturação não deve exceder o
limite interno da casca, para permitir o fechamento (foto 1). E finalmente aplicar
“Mastique Dr. Moura Brasil”, nas bordas da casca ferida, para auxiliar a cicatrização.

Para casos graves - Quando uma árvore perde uma parte do tronco, seja
exteriormente ou, na forma de uma grande cavidade, o que compromete sua
sustentação. Nestes casos, é necessária a introdução de um núcleo mais rígido e
apoio de sustentação. Isso pode ser feito com a criação de escoras de concreto
armado, mediante a instalação prévia de formas. Outro modo de se tratar o
25
ARBORIZAÇÃO URBANA

problema é a introdução de ferragens entrelaçadas no interior das cavidades. Às


vezes, forma-se sapatos ou fundações no solo, preenchidas com cimento, se o colo
da planta estiver completamente oco (foto 1).

Foto 1 – DENDROCIRURGIA EM PAU-FERRO


Fonte: http://www.floresta.ufpr.br/~paisagem/dicas/dendrocirurgia.htm

8.5.1.7. Transplante
A impossibilidade de permanência de uma árvore no seu local de origem, nem sempre
deve significar a sua eliminação. Com freqüência nos deparamos com situações em
que a construção de um prédio, a abertura de uma via pública e até mesmo a
instalação de redes subterrâneas, esgotadas todas as possibilidades de escolha do
local, conflitam com a existência de uma árvore. O transplante deve ser uma alternativa
26
ARBORIZAÇÃO URBANA

estudada para a conciliação das obras necessárias com a preservação dos espécimes
existentes no local.

8.5.1.8. Remoção
A remoção é a última alternativa para uma árvore no meio urbano e deve ser
determinada em função de questões de segurança, danos crescentes e irreversíveis ao
patrimônio, estado fitossanitário irrecuperável ou morte do vegetal.

8.5.2. Condições estressantes para as


árvores de acompanhamento viário
ü Falta de espaço para o crescimento das raízes, determinado por alicerces,
dutos, etc.
ü Solos urbanos são, via de regra, excessivamente compactados, o que impede a
existência de poros, portanto falta ar e água e não se estabelece capilaridade.
ü Há extensas superfícies impermeabilizadas, o que impede aeração e infiltração
d’água.
ü A vida de microorganismo de solo é prejudicial, há pouca disponibilidade de
nutrientes e o pH do solo é mais elevado que em ambientes naturais.
ü Por falta de coordenação como Planejamento Urbano, existência desordenada
de fiação, posteação, canalização, etc.
ü Há uma série de danos provocados por veículos, através de derrame de óleo,
gasolina, emissões gasosas, atritos e colisões.
ü Influência nociva das emissões sólidas e líquidas do ambiente urbano.
ü Há excessiva reflexão de energia pelas casas e pavimentos.
ü Há diminuição da vitalização do vegetal devido a escavações, acidentes
automobilísticos, vazamentos de canalizações e criminosas anelações.

8.6. DESVANTAGENS CAUSADAS POR UMA MÁ


UTILIZAÇÃO DO ESPAÇO FÍSICO DAS VIAS
PÚBLICAS
ü Interferência do sistema elétrico com a arborização e vice-versa.
ü Críticas constantes da população em geral, trazendo desgastes à imagem
dos órgãos públicos envolvidos.
ü Podas draconianas na vegetação existente.
ü Interrupção nos serviços públicos de água, energia elétrica, telefônico,...
ü Redução no grau de iluminação pública.
ü Entupimento de calhas e canalizações.
ü Redução no sombreamento dos passeios.
ü Prejuízos à estética urbana.
ü Riscos de acidentes aos transeuntes.
ü Plantio de espécies inadequadas por terceiros.
27
ARBORIZAÇÃO URBANA

8.7. ARBORIZAÇÃO DE MARINGÁ


No ano de 1988 Maringá apresentava 63 mil árvores plantadas em seu perímetro
urbano, distribuídas entre 75 diferentes espécies; a estimativa atual (2004) é que
esse número seja da ordem de 80 mil.

Tabela 5 – DEZ ESPÉCIES ARBÓREAS DE ACOMPANHAMENTO VIÁRIO MAIS


PLANTADAS NA CIDADE DE MARINGÁ/PR.
ESPÉCIE N. º DE ÁRVORES %
Sibipiruna 31.300 49,8
Tipuana 6.700 10,6
Jacarandá 5.900 9,4
Ipê-roxo 5.000 8,0
Flamboyant 2.600 4,0
Ligustro 2.100 3,4
Grevílea 1.700 2,7
Pata-de-vaca 1.110 1,7
Alecrim 760 1,2
Ipê-amarelo 670 1,0
Fonte: Milano (1988).

Tabela 6 – PROBLEMAS ENCONTRADOS NA ARBORIZAÇÃO DE


ACOMPANHAMENTO VIÁRIO NA CIDADE DE MARINGÁ/PR.
PROBLEMA DIAGNOSTICADO % DAS ÁRVORES
Poda inadequada 28,8
Danos por vandalismo e acidentes 24,8
Problemas fitossanitários 6,7
Tutoramento inadequado 3,2
Atividade da construção civil 2,2
Fonte: Milano (1988).

8.7.1. Normas para plantio de árvores em


Maringá2
A seguir apresenta-se as normas da Prefeitura Municipal de Maringá para execução
dos projetos de arborização urbana.
ü As árvores ficarão afastadas no mínimo um metro de acessos à veículos, e
serão plantadas apenas após a colocação de meio-fio, sarjeta, nivelamento
de passeio e pista.
ü As árvores deverão ter, depois de plantadas, altura mínima dos primeiros
galhos (altura de bifurcação) de 1.80 metros.
ü As árvores deverão ter o tronco reto, sadio, e apresentar brotações novas
visivelmente sadias.
ü O tutoramento é indispensável, e deverá ser feito com tutor de boa qualidade.

2
Disponível em: http://www.maringa.pr.gov.br/conteudo/04/04/13,0632,40921,27.html?dest=seuma.
28
ARBORIZAÇÃO URBANA

ü As árvores devem ser plantadas a uma distância média de 0,80 m. do meio-


fio, o mais próximo possível ao alinhamento da iluminação pública.
ü A área livre de pavimentação deixada no passeio ao redor de cada muda
deverá ser de no mínimo 2,00 m2.
ü A distância das árvores até postes de luz e até esquinas será de no mínimo
4,00 m.
ü Quando o acesso a veículos não estiver definido, locar a árvore, sempre que
possível, próxima ao meio da data (lote), procurando deixar ao menos uma
das laterais com largura mínima de 3,50 m livre de arborização, poste e boca-
de-lobo.
ü Os projetos de arborização deverão quantificar e qualificar as espécies
utilizadas, locando-as na planta em escala conveniente.
ü A freqüência máxima de árvores por espécie não deverá ultrapassar 30%,
salvo impossibilidade devido a condições específicas da estrutura urbana.
ü Os seguintes elementos deverão constar em escala conveniente na planta do
projeto de arborização:
† croquis de localização do loteamento;
† árvores existentes;
† postes;
† acesso a veículos;
† bocas-de-lobo;
† orientação magnética.
ü O projeto de arborização deverá ter legenda com os seguintes itens:
† nome dos logradouros;
† largura dos passeios e canteiros centrais;
† vias comerciais, residenciais e mistas;
† nome comum e científico de cada espécie utilizada;
† número total de árvores de cada espécie com as respectivas
porcentagens em relação ao número total de árvores utilizadas.
ü As árvores do mesmo lado da via pública deverão ser da mesma espécie
(grupo homogêneo), podendo ou não diferir da espécie a ser plantada do
outro lado; dar preferência por espécies de pequeno e médio porte nas faces
com menor exposição aos raios solares, e por espécies de médio e grande
porte nas faces com maior exposição aos raios solares.
ü As espécies de canteiro central não deverão ser iguais às espécies da
calçada lateral no mesmo trecho de avenida.
ü Plantar, de preferência, uma árvore por data (lote), desde que siga os
espaçamentos e demais normas recomendados.
ü O espaçamento entre as árvores deverá ser de:
† espécies de pequeno porte = mínimo 6,00 m - máximo 12,00 m;
† espécies de médio porte = mínimo 10,00 m - máximo 18,00 m;
† espécies de grande porte = mínimo 12,00 m - máximo 24,00 m.
ü O projeto de arborização deverá obedecer às limitações e critérios técnicos
para o uso de árvores utilizadas em arborização urbana.
29
ARBORIZAÇÃO URBANA

Tabela 7 – LIMITAÇÕES E CRITÉRIOS TÉCNICOS PARA O USO DE ÁRVORES


UTILIZADAS EM ARBORIZAÇÃO URBANA NA CIDADE DE MARINGÁ/PR.
NOME
PORTE NOME CIENTÍFICO OBSERVAÇÕES
COMUM
Manacá-da-
Pequeno Tibouchina mutabilis Plantar preferencialmente em
serra
locais com limitação de
Pequeno Ipê-amarelo Tabebuia chrysotricha
espaço físico (passeio
Pequeno Resedá Lagerstroemia indica
estreito, vias comerciais) e/ou
Pequeno Hibisco Hibiscus sp pouco ensolarados
Pequeno Murta Blepharocalyx salicifolius
Médio Pata-de-vaca Bauhinia variegata
Médio Quaresmeira Tibouchina sp
Médio Manduirana Senna macranthera
Grande Cássia Cassia leptophylla
Uso não permitido no
Caesalpinea
Grande Sibipiruna momento devido à grande
peltophoroides
freqüência
Somente para canteiros
Grande Flamboyant Delonix regia
centrais largos
Somente para canteiros
Grande Tamareira Phoenix dactylifera
centrais
Somente para canteiros
Grande Grevílea Grevillea robusta
centrais
Palmeira- Somente para canteiros
Grande Roystonea oleracea
imperial centrais
Palmeira- Somente para canteiros
Grande Caryota urens
cariota centrais
Palmeira- Somente para canteiros
Grande Archontophoenix sp
seaforte centrais
Somente para canteiros
Grande Ficus Ficus spp
centrais largos
Grande Alecrim Holocalyx balansae
Grande Ipê-branco Tabebuia roseo-alba
Grande Ipê-roxo Tabebuia avellanedae
Jacarandá- Não plantar sob rede de
Grande Jacaranda mimosaefolia
mimoso energia elétrica
Nectandra Não plantar sob rede de
Grande Canelinha
megapotamica energia elétrica
Canela-
Grande Ocotea odorifera
sassafrás
Aroeira-
Grande Schinus terebenthifolius
vermelha
Grande Imbuia Ocotea porosa
Grande Pau-brasil Caesalpinea echinata
Grande Ipê-amarelo Tabebuia alba
Grande Oiti Licania tomentosa
Fonte: Prefeitura Municipal de Maringá (2004)
30
ARBORIZAÇÃO URBANA

8.8. OS INSTRUMENTOS URBANÍSTICOS E A


ARBORIZAÇÃO URBANA3
8.8.1. Introdução
O crescimento rápido e desordenado das cidades brasileiras nas últimas décadas,
reflexo do êxodo rural e das altas taxas de natalidade até então percebidas, tornou o
ambiente urbano impróprio para uma vida saudável e equilibrada. Diversos
indicadores de qualidade ambiental apontam para a deterioração cada vez maior
destas áreas (BERNSTEIN, 1994). Como intuito de se reverter esse quadro, e
seguindo padrões de alguns países desenvolvidos, tem crescido a inserção e a
participação de temas ambientais em leis e instrumentos urbanísticos, visando um
desenvolvimento sustentável e melhoria da qualidade de vida em áreas urbanas.
Assim, passa-se à descrição de alguns destes instrumentos urbanísticos que podem
ser utilizados com estes objetivos com vistas à arborização urbana.

8.8.2. A arborização e a estruturação


urbana
Vários são os motivos da demanda do vegetal como elemento integrante do
organismo urbano, justificando-se assim as modalidades diversas que assume e que
permitem diferenciá-lo em jardins e parques públicos, praças e largos ornamentais
ou recreativos, verde protetor de um monumento ou obra de arte, verde vinculado
arquitetônica ou funcionalmente a edifícios de uso público, plantação em vias e
logradouros públicos, campos de diversões e de desportos, parques e jardins
privados, entre outros. O verde urbano está relacionado entre os elementos básicos
da moderna estruturação das cidades. Os seus benefícios se fazem sentir de
diversas maneiras, prevalecendo os que concernem à higiene, ao saneamento e à
estética. Há que se considerar, ainda, seu projeto, implantação e manutenção,
relacionando-se estas atividades com os instrumentos urbanísticos e as formas de
utilização da arborização urbana (DE ANGELIS NETO; DE ANGELIS, 1999a).

8.8.3. Os instrumentos urbanísticos


municipais e a arborização urbana
De acordo com Silva (1995), diversos instrumentos urbanísticos podem ser utilizados
para o disciplinamento do verde urbano, dependendo do enfoque que se queira dar
a eles. Dentre os instrumentos urbanísticos disponíveis, pode-se citar: Lei orgânica,
Lei do plano diretor, Lei de parcelamento do solo urbano, Lei de uso e ocupação do
solo urbano, Código de obras e Código de posturas, entre outros.

8.8.3.1. Plano Diretor


Instituído por lei municipal, é um instrumento básico da política de desenvolvimento
e de expansão urbana. Pode ser também um dos instrumentos da política municipal
de meio ambiente, uma vez que o desenvolvimento local deve ser compatível com a
proteção ambiental e com o bem-estar dos habitantes. Em matéria ambiental e de

3
DE ANGELIS NETO, G; DE ANGELIS, B.L.D. (1999a).
31
ARBORIZAÇÃO URBANA

planejamento, deve condicionar o processo de desenvolvimento, através de


diretrizes básicas para a formulação de planos, programas, projetos e obras. Dentre
suas aplicações, destacam-se:
ü orientar o manejo da arborização urbana e atividades afins, direcionadas à
exploração turística, paisagística, cultural e ambiental;
ü conhecer a realidade na qual o município está inserido, para prever
mecanismos de adequação às espécies exóticas e/ou importadas;
ü adequar os investimentos públicos aos objetivos do desenvolvimento urbano,
quanto ao plano de manejo da arborização urbana;
ü prever a expansão e adequação ao adensamento populacional, no que se
refere aos projetos de implantação e manutenção da arborização urbana;
ü prever a implantação de um plano municipal de arborização urbana,
respeitadas as peculiaridades locais e, em especial, as características
fisiográficas da região;
ü orientar a utilização racional da arborização urbana de forma sustentada,
compatível com a preservação do meio ambiente, especialmente quanto à
proteção e conservação do solo e da água.

8.8.3.2. Lei de uso e ocupação do solo


Regulamenta a utilização do solo em todo o território municipal, e é de competência
exclusiva do município, por tratar de matéria de interesse local. É específico para
cada município e obrigatório para o controle do uso, da densidade populacional, da
localização, finalidade, dimensão e do volume das construções, a fim de atender a
função social da propriedade e da cidade. É também conhecida como lei de
zoneamento (CEPAM, 1991).

Pode ser utilizado como um instrumento de proteção ao meio ambiente urbano. As


liberdades individuais, quando em sociedade, devem ser limitadas ao interesse
público, da mesma forma que deve haver restrições ao uso dos recursos naturais
(solo, água, ar, flora, fauna) em prol do desenvolvimento urbano. Dentre suas
aplicações destacam-se:
ü controlar a relação entre a densidade demográfica e o tipo de ocupação do
terreno (residencial, comercial, misto, industrial) com o tipo de arborização,
considerando as características das espécies vegetais utilizadas;
ü prever mecanismos de adequação entre o tipo de arborização utilizada e as
características sócio-econômicas da área de implantação;
ü definir critérios paisagísticos para evitar a poluição visual e outras formas de
impactos, como as incompatibilidades entre os sistemas de infra-estrutura (ao
nível aéreo, do solo e subterrâneo) com a arborização urbana;
ü controlar a ocupação e o desmatamento do solo para evitar a erosão e o
assoreamento de rios, muito freqüentes em áreas com alta declividade, com a
introdução de espécies que possuem sistema radicular adequado;
ü prever um sistema de incentivos destinado a pessoas físicas ou jurídicas que
conservar não só a arborização urbana, mas também outras formas do verde
urbano, desde o projeto até a manutenção;
ü prever mecanismos que propiciem a participação da população para legitimar
a implantação e as alterações no plano municipal de arborização urbana;
32
ARBORIZAÇÃO URBANA

ü compatibilizar a previsão de recuos (laterais e frontais) ou de áreas non


aedificandi, em propriedades edificáveis, para a garantia de espaços livres
para ventilação e, principalmente, arborização.

8.8.3.3. Lei de parcelamento do solo urbano


É um instrumento urbanístico capaz de ordenar a divisão do solo para fins urbanos,
definindo o tamanho dos lotes e percentual de áreas públicas. O parcelamento do
solo urbano é disciplinado pela Lei federal 6766/79, conhecida como Lei Lehmann. A
lei municipal pode estabelecer legislação complementar relativa ao parcelamento do
solo para fins urbanos, para adequá-la às necessidades locais, sem, contudo,
afrontar o previsto naquela Lei federal. Assim, tem-se:
ü fixar normas para a rede viária e tamanho dos lotes consoante aos tipos de
arborização utilizadas na região, compatibilizando sua função com a
prevenção de processos do meio físico;
ü determinar o percentual de áreas públicas, aí incluídas as áreas verdes e a
arborização, a serem consideradas nos parcelamentos. A preservação de
praças e áreas verdes assegura a sadia qualidade de vida, que decorre de
um direito constitucional de toda a coletividade;
ü assegurar o uso das áreas verdes dos loteamentos ao interesse público;
ü fixar normas visando a manutenção da vegetação ciliar ao longo dos cursos
d'água;
ü fixar normas técnicas para as movimentações de terra, associadas ao
arruamento e aos taludes com relação ao projeto, implantação e manutenção
da vegetação e arborização protetoras.

8.8.3.4. Código de posturas


Instrumento urbanístico que visa regularizar a utilização dos espaços públicos ou de
uso coletivo. Trata-se, sobretudo, de fixar regras para o homem que vive em
sociedade (CEPAM, 1991).

Com o intuito de instrumentalizar a política de preservação do meio ambiente urbano


via arborização, sugere-se que o código de posturas discipline alguns destes
comportamentos, dentre os quais tem-se:
ü estabelecer sanções administrativas (multas, recuperação do bem
degradado) para os que destruírem as árvores em logradouros públicos -
vias, praças e parques;
ü proibir a colocação de fios, cabos, anúncios e cartazes em árvores de
logradouros e vias públicas;
ü estimular e contribuir para o plantio de árvores em logradouros públicos ou
áreas privadas;
ü implantar, com a ajuda da população, o código municipal de arborização
urbana, e educar a população para a conservação da arborização e áreas
verdes urbanas.
33
ARBORIZAÇÃO URBANA

8.9. IMPACTOS AMBIENTAIS CAUSADOS


PELA ARBORIZAÇÃO URBANA4
8.9.1. Introdução
A Resolução 001/86 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) considera
impacto ambiental qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e
biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia
resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam a saúde, a
segurança e o bem-estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota;
as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; a qualidade dos recursos
ambientais (SÃO PAULO, 1992).

Da definição anterior, fica implícita que as transformações havidas por atividades


antrópicas não necessitam ocorrer apenas em ambientes naturais; num ambiente
urbano, a vida humana e as complexas formas de agregação social e econômica
são, por excelência, o objeto básico de um estudo ambiental, cabendo explicitar os
aspectos ambientais circundantes ao homem.

O ambiente urbano apresenta tanto um conjunto de elementos naturais (ar,


solo/subsolo, águas superficiais/subterrâneas, áreas verdes) quanto outro conjunto
predominante de elementos construídos, refletindo os processos de interação social
e econômica do homem. Neste contexto, à procura de uma melhor qualidade de vida
nas cidades, a vegetação assume papel de destaque pelas funções que
desempenha. A compatibilização entre as vantagens da arborização urbana e os
impactos decorrentes da mesma depende, em grande parte, dos conhecimentos
técnicos de planejamento urbano e da correta técnica de manejo vegetal.

A arborização deve ser feita, sempre que possível, para amenizar os aspectos
negativos do entorno urbano, transformando os locais insalubres e desagradáveis
em hospitaleiros e aconchegantes aos usuários. No ambiente urbano, as plantas
encontram-se submetidas a situações de estresse e poluição adversas a seu
crescimento e vida. Porém, com alguns cuidados tomados, desde a escolha
adequada para o plantio e manutenção, se conseguirá cumprir com as funções que
lhes são cabidas (MASCARÓ, 1994).

A maioria das plantas precisa da luz para crescer corretamente; entretanto, algumas
espécies se desenvolvem muito bem em áreas sombreadas e podem ser utilizadas
com êxito em zonas densamente construídas, onde a disponibilidade de luz é
limitada, mas não totalmente inexistente. Nos espaços urbanos onde existem
problemas com os ventos dominantes ou o efeito de canal produzido pelos edifícios
altos, a solução pode ser utilizar-se uma barreira de árvores resistentes à ação do
vento, para fornecer o abrigo às pessoas e às espécies vegetais menos adequadas
a essas condições climáticas. Há que se considerar, porém, se o local apresenta
condições desfavoráveis de solo, microclima, poluição do ar ou configuração urbana
problemática.

A princípio, a arborização ao longo de vias de tráfego de veículos automotores e


pedestres tem por função melhorar a qualidade de vida no seu entorno e na cidade

4
DE ANGELIS NETO, G; DE ANGELIS, B. L. D. (1999b).
34
ARBORIZAÇÃO URBANA

como um todo. Todavia, existem situações em que, devido a problemas de


planejamento, implantação, acompanhamento e monitoramento da arborização
urbana, ocorrem impactos negativos, que suplantam as vantagens oferecidas pela
arborização urbana.

Para o estudo destes impactos, será utilizada a metodologia apresentada em DE


ANGELIS NETO (1999b), e que se caracteriza pela divisão do estudo de impactos
em três subgrupos: avaliação, mitigação e monitoramento dos impactos, que serão
descritos a seguir.

8.9.2. Avaliação dos impactos ambientais


8.9.2.1. Escolha inadequada das espécies
Porte - As espécies vegetais utilizadas na arborização urbana devem possuir porte
compatível com a largura dos passeios, com a localização das redes aéreas de
infra-estrutura urbana e com as características do tráfego da via urbana onde está
inserida. Assim, tem-se:
ü impactos decorrentes dos conflitos provocados entre as copas das árvores e
as redes aéreas de infra-estrutura urbana, como as de energia elétrica,
telefonia e TV a cabo;
ü impactos decorrentes dos conflitos provocados pelo trânsito de veículos
automotores, como ônibus e caminhões, e as copas das árvores (galhos mais
baixos);
ü impacto decorrente dos conflitos provocados entre a copa das árvores e a
fachada das edificações, principalmente nos andares inferiores (letreiros,
placas, luminosos, sacadas e varandas, rufos, calhas e marquises, entre
outros);
ü impactos decorrentes dos conflitos provocados pelos ventos dominantes (e
temporais) e a copa das árvores, acarretando quedas das redes aéreas de
infra-estrutura urbana e queda de árvores, produzindo danos materiais e
perda de vidas humanas.

Plástica - As espécies arbóreas selecionadas deverão se inserir suavemente no


contexto urbano, de acordo com técnicas paisagísticas adequadas. Neste sentido,
tem-se:
ü impactos decorrentes dos conflitos existentes entre a escolha da espécie
arbórea e monumentos/edificações a serem destacados;
ü impactos decorrentes da falta de harmonia entre o logradouro ou via pública e
as espécies arbóreas, gerando poluição e desconforto visuais.

Sistema radicular – Zmitrowicz e De Angelis Neto (1997) destacam a necessidade


de compatibilização entre a arborização e as redes de infra-estrutura urbana
subterrânea e ao nível do solo, de onde vem:
ü impactos decorrentes de interferências entre o sistema radicular das espécies
arbóreas e redes subterrâneas como as de gás, água potável, águas pluviais
e esgotos, acarretando o vazamento dos fluidos transportados e conseqüente
contaminação do meio, além do surgimento de deseconomias e riscos de
explosões;
35
ARBORIZAÇÃO URBANA

ü impacto decorrente de interferências entre o sistema radicular e as vias de


tráfego, seja de veículos automotores ou de pedestres, pela destruição de
pavimentos e conseqüente perda de qualidade em suas funções;
ü impactos decorrentes da implantação de espécies arbóreas em locais que
apresentem incompatibilidades com o sistema radicular das mesmas, como
solos rasos, de má qualidade ou impróprios ao plantio.

Parte aérea - Destaque especial deverá ser dado à periodicidade de floração,


frutificação e abcisão foliar das espécies selecionadas para a arborização urbana.
Caso contrário, tem-se:
ü impactos decorrentes do entupimento de bocas-de-lobo e galerias de águas
pluviais, provocando inundações em épocas de elevada precipitação
pluviométrica;
ü impactos decorrentes da queda de frutos sobre veículos, edificações e
pessoas, causando desconfortos, sujeiras e danos materiais;
ü impactos decorrentes do uso de árvores frutíferas que sirvam de alimento
para os seres humanos, causando depredação e conseqüente morte da
espécie arbórea.

8.9.2.2. Manutenção
Tutoramento - Com a finalidade de prover às espécies arbóreas um crescimento
harmonioso e vertical, sua ausência acarreta o surgimento de árvores tortas e com
aspectos paisagísticos e funcionais desagradáveis, de onde vem:
ü impactos decorrentes da queda de espécies arbóreas mal desenvolvidas e
conduzidas, acarretando perdas materiais e de vidas humanas,
principalmente durante os temporais e ventos fortes;
ü impactos decorrentes do aspecto visual desagradável de árvores tortas e/ou
desalinhadas.

Poda - Muitas vezes decorrente da localização inadequada de espécies arbóreas


sob as redes aéreas de infra-estrutura urbana, a poda poderá constituir-se em
geradora de impactos negativos, a saber:
ü impactos decorrentes da execução de podas radicais em árvores, devido à
presença das redes aéreas de infra-estrutura urbana, causando a
descaracterização completa da espécie arbórea;
ü impactos decorrentes da execução inadequada das podas, seja por mão-de-
obra não especializada ou equipamentos inadequados, causando perda de
equilíbrio na espécie arbórea e conseqüente queda com o passar do tempo.

Reposição - Considera-se sob este aspecto, a troca de árvores que colocam em


risco vidas humanas e/ou perdas materiais, de onde vem:
ü impactos decorrentes da ausência na reposição de árvores defeituosas,
velhas ou doentes, e a conseqüente queda das mesmas;
ü impactos decorrentes do aspecto visual desagradável ocasionado pelos
vazios deixados ao longo da via, pela falta de reposição de exemplares
suprimidos.
Tratamento - Consiste em se fazer manutenção preventiva da saúde das árvores, e
também corretiva, quando os exemplares já apresentarem sintomas de patologias.
Tem-se:
36
ARBORIZAÇÃO URBANA

ü impactos decorrentes da perda de exemplares por doenças, pela ausência de


tratamento preventivo ou corretivo;
ü impactos decorrentes da utilização de tratamentos impróprios e/ou incorretos
que ocasionem a morte de exemplares;
ü impactos decorrentes da disseminação de doenças entre diversos
exemplares, pela ausência de tratamento sistêmico e programado.

8.9.2.3. Falta de cadastro atualizado


A falta de um cadastro geral e atualizado das espécies arbóreas existentes ao longo
das vias e logradouros públicos acabam ocasionando uma série de impactos, que
podem ser assim resumidos:
ü impactos decorrentes da utilização de número reduzido de diferentes
espécies arbóreas pela ausência de dados atualizados da distribuição
espacial e do número proporcional de cada espécie nas vias e logradouros
públicos sobre o total, em que o ataque de pragas ou doenças dizimaria
grande número de exemplares;
ü impactos decorrentes da ausência de um controle centralizado sobre o
número de espécies e exemplares plantados, para acompanhamento de
desenvolvimento dos exemplares e planejamento da troca/reposição dos
mesmos, quando necessário.

8.9.3. Mitigação
Mitigação dos impactos ambientais
Pretende-se apontar aqui, de forma genérica, os procedimentos gerais mais
recomendados para se evitar ou minorar a intensidade e extensão dos impactos
arrolados no item anterior. As medidas mitigadoras serão apresentadas
conjuntamente para esse grupo de impactos, uma vez que uma delas poderá servir
para mitigar mais de um impacto. Assim, vem:

8.9.3.1. Medidas mitigadoras


ü escolher espécies climato e edafologicamente ambientadas ao meio urbano
onde irão se inserir;
ü escolher espécies que se adeqüem: aos gabaritos dos passeios e vias de
tráfego de veículos automotores, aos recuos e fachadas das edificações e às
redes de infra-estrutura urbana em seus diversos níveis;
ü desenvolver projetos paisagísticos dentro da correta técnica e que levem em
consideração o desenho das cidades, os tipos de espécies arbóreas e o
conjunto por eles formados;
ü tomar cuidados especiais no tocante à parte aérea e ao sistema radicular, de
maneira a evitar-se impactos entre as partes vegetais e o meio urbano;
ü desenvolver planos e medidas de acompanhamento do crescimento e
desenvolvimento das espécies arbóreas, para que venham a desempenhar
corretamente as funções especificadas no projeto paisagístico;
ü utilizar mão-de-obra treinada e especializada no manejo da arborização
urbana, ou seja, treinar equipes para o plantio, acompanhamento do
crescimento, poda e tratamentos preventivo/corretivo, dentro da correta
técnica;
37
ARBORIZAÇÃO URBANA

ü evitar a disseminação de pragas e doenças através de medidas fitossanitárias


entre exemplares de mesma espécie ou espécies diferentes, para mitigar a
perda de grande número de exemplares;
ü manter um cadastro sempre atualizado com os dados completos de todas as
árvores, entre os quais destacam-se: idade, características plásticas,
características de crescimento, histórico fitossanitário, número de exemplares
de cada espécie, distribuição espacial das espécies na malha urbana e
porcentagem de cada espécie no total das árvores plantadas, entre outros.

8.9.4. Monitoramento dos impactos


ambientais
Uma vez que não seja possível evitar a ocorrência dos impactos, há que se levar em
consideração uma série de medidas de monitoramento dos mesmos, entre os quais
destaca-se na seqüência.

8.9.4.1. Medidas de monitoramento


ü Acompanhamento da adaptação das espécies escolhidas no ambiente
urbano, desde seu padrão de crescimento e desenvolvimento até a
composição cênica final.
ü Acompanhamento das interferências entre as espécies arbóreas e as redes
de infra-estrutura urbana, para se evitar repetições de erros e conseqüentes
impactos.
ü Monitoramento do manejo das espécies arbóreas, desde seu plantio até a
idade adulta, passando pelo tutoramento e poda, dentro da correta técnica e
utilizando-se mão-de-obra treinada e especializada.
ü Monitoramento da saúde das árvores sob os aspectos fitossanitário, climato e
edafológico.
ü Monitoramento do cadastro geral das espécies arbóreas implantadas ao
longo das vias e logradouros públicos.

Embora a arborização de vias e logradouros públicos sirva, via de regra, para


melhorar a qualidade de vida no ambiente urbano, percebeu-se que a utilização de
técnicas incorretas de manejo, de escolha das espécies e de projeto podem
acarretar o surgimento de uma série de impactos. Com a utilização de medidas
simples de gestão, de vontade política e de correta técnica, estes impactos poderiam
ser reduzidos e até evitados.

Sugere-se a existência de um corpo técnico especializado (engenheiro florestal,


engenheiro agrônomo, biólogo, arquiteto, engenheiro civil, geógrafo e pessoal de
informática, entre outros) para as funções de gerência e transferência de
conhecimentos específicos aos menos instruídos, que serão responsáveis diretos
pelo manejo das espécies arbóreas (mão-de-obra braçal).

A manutenção de uma equipe de profissionais afinados com a arborização e suas


interferências no meio urbano, dentro da administração municipal, poderia ajudar
muito a mitigação e monitoramento dos impactos ambientais causados pela
arborização de vias e logradouros públicos.
38
ARBORIZAÇÃO URBANA

BIBLIOGRAFIA
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GEISER, R. R. et al. Áreas verdes nas grandes cidades. In: CONGRESSO
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Acesso em: 03 mai. 2004.
39
ARBORIZAÇÃO URBANA

PITT, D.; SOERGELL, K.; ZUBE, E. Trees in the city. In: Nature in cities: the
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SÃO PAULO. Secretaria de Estado do Meio Ambiente. Coordenadoria de
Planejamento Ambiental. Estudo de Impacto Ambiental/EIA; Relatório de
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SILVA, J. A. Direito urbanístico brasileiro. 2ª ed., São Paulo: Malheiros Editores
LTDA, 1995.
ZMITROWICZ, W.; DE ANGELIS NETO, G. Infra-estrutura urbana. São Paulo:
EDUSP, 1997. (Texto Técnico da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo
Departamento de Engenharia de Construção Civil, TT/PCC/17)
40
ARBORIZAÇÃO URBANA

ANEXO I
PLANO DIRETOR DE ARBORIZAÇÃO
URBANA DE PORTO ALEGRE/RS
41
ARBORIZAÇÃO URBANA

O Plano Diretor de Arborização (PDAU) de Porto Alegre/RS, ora apresentado, foi


elaborado no ano de 2000 por um grupo multidisciplinar coordenado por Maria do
Carmo Conceição Sanchotene.

MANUAL DE DADOS DAS ÁRVORES


DA ESPÉCIE VEGETAL
IDENTIFICAÇÃO
01 - Número da árvore a ser inventariada
- Número da quadra
- Lado da rua A (par), B (impar) e C (canteiro central)
- Distância da esquina
02 - Número respectivo de cada inventariante
03 - Área e sub-área a serem inventariadas de acordo com o mapeamento do
projeto
04 - Número do código de logradouros (código adotado em toda a Prefeitura)
05 - Número do imóvel em frente à árvore inventariada (se situada em divisa, colocar
o número anterior e posterior):
a - Construção
b - Terreno baldio
c - Praça
d - Parque
06 - Número atribuído ao imóvel interpolado ( no caso de terreno desocupado)
07 – Zona:
a - Zona Norte
b - zona Leste
c - Zona Sul
d – Zona Oeste
e - Zona Central

DADOS DA ÁRVORE
08 - Classificação taxonômica
09 - Destina-se ao plantio:
a - Regular, quando efetuado pela PMPA5
b - Irregular, quando efetuado por particulares

MEDIÇÕES
Anotar dados levantados a campo, tendo como base o eixo da árvore
10 - É a medida tomada entre o eixo da árvore e a face interna do meio-fio da
calçada da rua transversal
11 - É a medida tomada entre o eixo da árvore e a face interna do meio-fio
12 - É a medida tomada entre o eixo da árvore e a face externa do muro ou limite de
praça
13 - É a medida tomada entre o eixo da árvore e a face externa da construção

5
Prefeitura Municipal de Porto Alegre.
42
ARBORIZAÇÃO URBANA

14 - É a medida tomada entre o eixo da árvore que está sendo analisada e o eixo da
árvore anterior
15 - É a medida tomada entre o eixo da árvore que está sendo analisada e o eixo da
árvore posterior
16 - É a medida tomada entre o eixo da última árvore da quadra e a face interna do
meio-fio da calçada da próxima esquina
17 - É a área sem pavimentação existente em torno do canteiro
18 - Altura - É a medida tomada do nível do solo na região do colo até a parte mais
elevada da copa, onde se tem os seguintes códigos:
a - até 2,0 m
b - 2,1 à 4,0 m
c - 4,1 à 6,0 m
d - 6,1 à 8,0 m
e - 8,1 à 10,0 m
f - 10,1 à 12,0 m
g - 12,1 à 14,0 m
h - maiores de 14,0 m
19 - CC - Circunferência do caule - medida a menos de 1,30 m do solo
20 - CAP - Circunferência do tronco tomado à 1,30 m do solo
21 - DPC - Diâmetro de projeção da copa. É a média das medidas obtidas pela
projeção ortogonal da copa, na direção do meio fio e na perpendicular deste
alinhamento
22 - APR - Altura da primeira ramificação. Altura medida do colo até a parte inferior
do ramo mais próximo do solo

FENOLOGIA
23 - Flores Codificação das cores:
a - ausente 01 - amarela 05 - cor-de-rosa
b - inicial 02 - branca 06 - cor-de-laranja
c - plena 03 - lilás 07 - roxa
d - final 04 - vermelha 08 - amarelo parda
24 - Frutos Codificação das cores:
a - ausente 01 – amarelo 05 - branco
b - muitos 02 - roxo 06 - vermelho
c - poucos 03 - castanho 07 - verde
d - raros 04 - preto
e - maduros
f - imaturos
25 - Folhas:
a - sem folhas
b - com poucas folhas
c - com muitas folhas

SISTEMA RADICULAR
26 - Afloramento:
a - sem afloramento
b - com afloramento restrito à área livre
c - afetando a calçada
d - afetando o muro de limite do imóvel com a calçada
43
ARBORIZAÇÃO URBANA

e - afetando o prédio
f - afetando a pista de rolamento
g - deslocando a pedra do meio-fio
h - atingindo rede subterrânea de forma evidenciada

CONDIÇÃO FÍSICO-SANITÁRIA
27 - Vitalidade:
a - o vegetal se encontra sem vitalidade
b - o vegetal se encontra com vitalidade
28 - Injúrias mecânicas:
a - sem injúrias mecânicas
b - injúrias mecânicas com boa recuperação
c - injúrias mecânicas com má recuperação
d - injúrias mecânicas sem sinais de recuperação
29 - Podas anteriores:
a - sem podas anteriores
b - com boa recuperação
c - com má recuperação
d - sem sinais de recuperação
30 - Inclinação do fuste:
a - sem inclinação
b - interferindo no trânsito de pedestres
c - interferindo no trânsito de veículos
d - sem interferência
31 - Interferência da copa:
a - interferindo no trânsito de pedestres
b - interferindo no trânsito de veículos
c - sem interferência
32 - Infestação:
a - ausente
b - por erva-de-passarinho
b1 - tipo cipó (Tripodanthus sp)
b2 - folha miúda (Phoradendro martianum)
b3 - folha larga com nervura (Phoradendro martianum crassifolium)
b4 - folha média (Phoradendro ulofillum)
c - por cochonilha
d - por broca
e - por outros
33 - Infecção:
a - ausente
b - por oídio
c - por outros
34 - Relação saprofítica:
a - ausente
b - com Ficus sp
c - com Coussapoa microcarpa
d - com outros
35 - Plantas Epífitas, Pteridófitas e Musgos
a - ausente
b - Polipodium spp
44
ARBORIZAÇÃO URBANA

c - Tillandsia usneoides
d - Tillandsia sp
e – Orquídeas
f - Rhipsalis
g - outros
h - Musgos
i - Outras Pteridófitas
36 - Líquens:
a - ausente
b - com manchas disseminadas
c - com manchas localizadas
37 – Necrose:
a - ausente
b - no colo
c - no fuste
d - nos ramos
38 - Dendrocirurgia:
a - ausente
b - no colo
c - no fuste
d - nos ramos

PLANEJAMENTO
39 – Compatibilização - porte da espécie e espaço disponível:
a - compatível
b - medianamente compatível, requerendo poda leve, porém sistemática, para
controle do tamanho e forma da copa
c - pouco compatível, requerendo poda pesada e sistemática para controle de
tamanho e formato da copa

NECESSIDADE DE MANEJO
40 - Remoção:
a - não necessária
b - com reposição
c - sem reposição
d - transplante
e - urgente (risco iminente de queda)
41 – Retutoramento:
a - não necessário
b - necessário
42 - Ampliação da área livre:
a - não necessária
b - necessária
43 - Poda(s) recomendada(s):
a - não necessária
b - poda de limpeza
c - poda de levantamento de copa
d - poda de equilíbrio
e - poda da afastamento da rede elétrica
45
ARBORIZAÇÃO URBANA

f - poda de afastamento de semáforo


g - poda de afastamento de placas de trânsito
h - poda de afastamento de prédios
i - poda de afastamento de luminária
j - poda de desbrote
44 - Dendrocirurgia:
a - não necessária
b - necessária
45 - Controle de erva-de-passarinho:
a - não necessária
b - poda de ramo infestado
c - remoção do parasita (sem poda do ramo)
46 - Recomendações extras - algum tipo de dado importante para o referente projeto

FATORES FÍSICOS
PASSEIO PÚBLICO
01- Pavimentação:
a - ausente
b - cimento alisado
c - basalto irregular
d - basalto serrado (regular)
e - laje de grés
f - pedra portuguesa
g - lajota renner
h - saibro
i - ladrilho hidráulico
j - outro
02- Gabarito do passeio: distância entre o alinhamento e o meio-fio
03- Recuo: distância entre o alinhamento e a construção
04- Gabarito do logradouro: distância de meio-fio a meio-fio
(a primeira medida é sempre da via mais próxima ao lado que está sendo analisado,
por exemplo quando existir canteiro central)
05- Compatibilidade - o passeio público e a pista de rolamento permitem a
implantação de arborização:
a - sim
b - não

SINALIZAÇÃO DE TRÂNSITO
06 - Semáforo principal: distância do eixo da árvore à projeção do semáforo:
a - ausente
b - não encoberto
c - encoberto
07 - Semáforo auxiliar: distância do eixo da árvore à projeção do semáforo:
a - ausente
b - não encoberto
46
ARBORIZAÇÃO URBANA

c - encoberto
08 - Semáforo pedestre: distância do eixo da árvore à projeção do semáforo:
a - ausente
b - não encoberto
c - encoberto
09 - Rede de semáforo: distância do eixo da árvore à projeção da rede:
a - ausente
b - não interfere
c - interfere
10 - Ponto de ônibus: se o ponto do ônibus interfere no desenvolvimento do vegetal
e a distância do eixo da árvore ao ponto de ônibus:
a - ausente
b - poste com placa
c - abrigo
d - não interfere
e - interfere
11 - Placa com braço: distância do eixo da árvore ao centro da placa:
a - ausente
b - não encoberta
c - encoberta
12 - Poste com placa: distância do eixo da árvore à face do poste:
a - ausente
b - não encoberta
c - encoberta
13 - Placa 2x1: distância do eixo da árvore ao eixo central da placa:
a - ausente
b - em braço
c - em poste
d - não encoberta
e - encoberta
14 - Placa proibindo o trânsito de veículos pesados: distância do eixo da árvore ao
eixo central da placa:
a - ausente
b - em braço
c - em poste
d - não encoberta
e - encoberta
15 - Outras placas: distância do eixo da árvore ao centro de projeção da placa:
a - ausente
b - em braço
c - em poste de energia
d - em cano galvanizado
e - não encoberta
f - encoberta
g - ponto de táxi com placa
h - ponto de táxi com abrigo
47
ARBORIZAÇÃO URBANA

REDES SUBTERRÂNEAS: ÁGUA


16 - Localização de rede: distância do eixo da árvore à rede (vide informação em
planta DMAE6) - adotar a medida em que a rede está mais próxima das árvores:
a - ausente
b - calçada
c - pista de rolamento
d - sem registro em planta
17 - Diâmetro da rede: (vide informação em planta do DMAE)
18 - Profundidade: (vide informação em plantas do DMAE) - média - 0,90 m
19 - Material da rede: (vide informações em planta do DMAE)
a - FD ferro dúctil
b - FF ferro fundido
c - FC ou CA fibrocimento
d - PVC
e - FG ferro galvanizado
f - PEAD
g - Poly plaster
h - Vinilfer
i - aço
20 - Distância do eixo da árvore ao hidrante:
a - não existente
b - existente

REDES SUBTERRÂNEAS: ESGOTO


21 - Localização de rede - Distância do eixo da árvore à rede cloacal: (vide
informações em plantas do DMAE):
a - ausente
b - calçada
c - pista de rolamento
d - sem registro em planta
22 - Diâmetro da rede: (vide informações em planta do DMAE)
23 - Profundidade: tomar o trecho entre dois PVS e considerando o PV de menor
profundidade subtrair deste o diâmetro da rede (vide informações em planta do
DMAE)
24 - Material de rede: (vide informações em plantas do DMAE):
a - manilha de grés
b - PVC rígido com ponta, bolsa e anel para junta elástica
c - cimento amianto
d - FF ferro fundido
e - concreto

REDES SUBTERRÂNEAS: GALERIA PLUVIAL


25 - Localização da rede: Distância do eixo da árvore à rede pluvial (vide
informações em planta do DEP):
a - ausente
b – calçada
c - pista de rolamento

6
Departamento Municipal de Água e Esgoto.
48
ARBORIZAÇÃO URBANA

d - sem registro em planta


26 - Diâmetro de rede (vide informações em plantas do DEP):
200 mm
250 mm
300 mm
400 mm
450 mm
500 mm
600 mm
700 mm
800 mm
900 mm
1000 mm
1200 mm
27 - Profundidade: tomar o trecho entre dois PV e considerando o PV de menor
profundidade subtrair o diâmetro da rede (vide informações em plantas do DEP)
28 - Distância do eixo da árvore aos poços de visita:
PVA - PV anterior a - ausente
PVP - PV posterior b - interfere
c - não interfere
29 - Distância do eixo da árvore às caixas coletoras (boca-de-lobo):
CCA - CC anterior a - ausente
CCP - CC posterior b - interfere
c - não interfere

REDES SUBTERRÂNEAS: REDE ELÉTRICA


30 - Localização da rede:
a - ausente
b - calçada
c - pista de rolamento
d - sem registro em planta
31 - Rede:
a - em duto
b - em tubulação
32 - Profundidade: (vide informação CEEE) - média 0,60 m
33 - Material da rede:
a - PVC
b - cimento-amianto
34 - Distância do eixo da árvore à caixa de inspeção. Esta distância deve ser tomada
do eixo da árvore a periferia da tampa da caixa de inspeção:
CIA – Anterior a - ausente
CIP – Posterior b - interfere
c - não interfere

REDES SUBTERRÂNEAS: REDE TELEFÔNICA


35 - Localização da rede: distância do eixo da árvore à rede (vide informações em
planta CRT):
a - ausente
b - calçada
49
ARBORIZAÇÃO URBANA

c - pista de rolamento
d - sem registro em planta
36 - Rede:
a - em duto (calçada)
b - em tubulação (pista de rolamento)
37 - Profundidade (vide informações em planta CRT):
0,40 m em calçadas
0,60 m em pistas de rolamento
38 - Material dos dutos (vide informações em planta CRT):
a - PVC
b - FG ferro galvanizado
c - manilha de grés
d - cimento-amianto
39 - Material de canalização (tubulação) - (vide informações em planta CRT):
a - encapsulado de areia (sem trânsito de veículos)
b - concreto magro (av. secundária - pequeno porte)
c - concreto armado (av. principal - grande porte)
40 - Distância do eixo da árvore à caixa de inspeção. Esta distância deve ser tomada
do eixo da árvore à periferia da tampa da caixa de inspeção:
CIA – anterior a - ausente
CIP – posterior b - interfere
c - não interfere

REDES AÉREAS: REDE ELÉTRICA


41 - Primária - alta tensão (AT):
a - ausente
b - mesma calçada
c - calçada oposta
d - interfere
e - não interfere
f - canteiro central
42 - Secundária - baixa tensão (BT):
a - ausente
b - mesma calçada
c - calçada oposta
d - interfere
e - não interfere
f - canteiro central
43 - Ramal de serviço:
a - ausente
b - não interfere
c - interfere
d - rede convencional
e - cabo multiplexado
44 - Transformador:
a - ausente
b - mesma calçada
c - calçada oposta
d - interfere
e - não interfere
50
ARBORIZAÇÃO URBANA

f - canteiro central
45 - Distância do eixo da árvore à projeção da rede:
a - mesma calçada
b - calçada oposta
c - canteiro central
46 - Poste: distância do eixo da árvore aos postes:
PA - poste anterior a - ausente
PP - poste posterior b - não interfere
c - interfere

REDES AÉREAS: REDE TELEFÔNICA


47 - Altura da fiação:
a - ausente
b-4m
c-5m
d-6m
48 - Rede: distância do eixo da árvore à projeção da rede:
a - ausente
b - mesma calçada
c - calçada oposta
d - interfere
e - não interfere
49 - Ramal de serviço:
a - ausente
b - não interfere
c - interfere

REDES AÉREAS: ILUMINAÇÃO PÚBLICA


50 – Luminárias Distância do eixo da árvore à projeção da luminária:
a - ausente
b - na mesma calçada da árvore
c - na calçada oposta à árvore
d - no canteiro central
e - não encoberta
f - encoberta
g - posteação CEEE (8 m)
h - posteação DIP (12 a 15 m)