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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA __ª VARA DO JUIZADO ESPECIAL

CÍVEL DA COMARCA DE PAULO AFONSO-BA

GILDASIO GONZAGA DA SILVA, brasileiro, casado, guarda municipal, portadora do RG n° 409009409


SSP/BA, inscrito no CPF sob o n° 520.168.545-53, residente e domiciliada à Rua Marechal Deodoro
da Fonseca, n° 212 B, Alves de Souza, CEP 48.603-310, Paulo Afonso – BA, por intermédio de seus
advogados que está subscrevem, procuração em anexo (doc. 01), com escritório profissional indigitado
no rodapé deste impresso, comparece à ilustre presença de Vossa Excelência para propor a presente

AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C PEDIDO DE REPARAÇÃO POR DANOS


MORAIS

em desfavor de CENCOSUD BRASIL COMERCIAL LTDA, pessoa jurídica de direito privado,


devidamente inscrita no CNPJ n° 39.346.861/0001-61, com filial estabelecida na Avenida Apolônio
Sales, 557, centro, Paulo Afonso/BA, CEP: 48601-200, pelos fatos, motivos e fundamentos a seguir
expostos:

1. DA GRATUIDADE DA JUSTIÇA

A priori, requer a Vossa Excelência o benefício da gratuidade da justiça, com esteio no princípio do
amplo acesso à justiça, salvaguardado no art. 5º, LXXIV, da Constituição Federal de 1988, na Lei
Federal 1060/50, bem como, na previsão legal do Código de Processo Civil vigente, em seu art. 89 e
seguintes.

Na expressão legal, o Requerente, é pessoa pobre, que não se encontra em condição financeiras
suficientes para arcar com todo ônus processual sem que acarrete imenso prejuízo ao seu sustento e
de toda a sua família, portanto, não podendo, no momento, custear com todas as despesas deste
processo.

Assinado eletronicamente por: LAINE DE SOUZA PINHEIRO;


Código de validação do documento: 6545d4da a ser validado no sítio do PROJUDI - TJBA.
2. DA EXPOSIÇÃO FÁTICA

O autor é titular da relação de consumo, de boa-fé, possui vinculo junto a empresa Acionada,
anteriormente intitulada GBARBOSA com o cartão para compra exclusivamente na rede de n°
1553201.0.6, conforme documentos em anexo.

O referido cartão de compra foi aderido há muitos anos, sendo ofertado SEM ANUIDADE, como
vantagem para estimular a adesão do cartão para compra EXCLUSIVA na rede GBARBOSA,
hodiernamente CENCOSUD, única operação possível de ser realizada com o referido cartão.

Ressalte-se, por oportuno, que o Autor jamais recebeu cópia do contrato firmado com a Acionada, não
obstante as solicitações feitas pelo autor neste sentido, lembrando que, é uma prática das
fornecedoras o não oferecimento dos ditos contratos de adesão para o consumidor. Razão pela qual,
é devido que a Requerida apresente do referido contrato.

Ocorre que, a Acionada, de maneira arbitrária, passou a realizar cobrança de anuidade referente ao
cartão de uso exclusivo da rede, desde o ano de 2013 até o presente momento, sem nenhuma
comunicação ou alteração contratual realizada junto ao consumidor.

Importante salientar Excelência, que a conduta arbitrária da Requerida se perfaz por inúmeras cidades
em que atua no mercado, sendo até notificada pelo PROCON, que realizou procedimentos
administrativos, inclusive de investigação dos fatos, CONSTATANDO A ILEGALIDADE DA
COBRANÇA, bem como, aplicou medida sancionatória de multa, todavia, a Requerida absteve-se de
prestar qualquer esclarecimento, bem como tomar medidas cabíveis a cessar tais cobranças, o que
não foi obtido êxito.

Diante de tal situação, o Autor socorre-se a intervenção da Justiça como meio de garantir seus direitos
quanto consumidor, em face das cobranças ilegais e abusivas ofertadas pela Acionada.

Assinado eletronicamente por: LAINE DE SOUZA PINHEIRO;


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DO MÉRITO E SEUS FUNDAMENTOS

3. DA PROTEÇÃO AOS DIREITOS INERENTES AO CONSUMIDOR

É indiscutível a caracterização de relação de consumo entre as partes litigantes desta demanda,


apresentando-se o Reclamante é pessoa física, sendo considerado consumidor final, como determina
jurisprudência, doutrina e de acordo com o conceito previsto no Art. 2º do Código de Defesa do
Consumidor, e a empresa Ré como prestador de serviço e, portanto, fornecedor nos termos do Art. 3º
do mesmo diploma, respectivamente, in verbis:

Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço
como destinatário final.
(...)

Art. 3° Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira,
bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem,
criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de
produtos ou prestação de serviços.
(...)

§ 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração,


inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das
relações de caráter trabalhista. (grifo nosso)

Nesse sentido, espontâneo o vislumbre da incidência das normas inerentes ao Código de Defesa do
Consumidor e a consequente aplicação da responsabilidade objetiva em face da Promovida, visto que
e trata de um fornecedor de produtos e serviços que causou danos efetivos a um de seus
consumidores, ora Proponente.

Lado outro, a defesa aos direitos inerentes ao consumidor guarda esteio e proteção com a Carga
Magna constando o Estado como agente promotor, na forma da lei. A relação jurídica qualificada por
ser “de consumo” não se caracteriza pela presença, apenas, de pessoa física ou jurídica atuantes
como partes no processo, mas sim, pela presença de uma das partes considerada hipossuficiente,
pela vulnerabilidade do consumidor, ora Requerente, em detrimento do economicamente mais forte,
como fornecedor e/ou prestador de serviços e produtos, ora Requerida.

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4. DA VIOLAÇÃO À PROTEÇÃO CONTRATUAL E DA PUBLICIDADE ENGANOSA

O dever de informar é princípio fundamental previsto entre outras normatizações, em especial através
do Código de Defesa do Consumidor (Lei n ° 8.078/1990), elencando veementemente a
obrigatoriedade do fornecedor/prestador em disseminar todas as informações pertinentes e
necessárias acerca dos produto e serviços a que se propunham a fornecer ou realizar, bem como
todas as suas características, qualidades, riscos, preços, sempre de maneira clara e precisa, não se
admitindo falhas ou omissões.

No que tange o dever de informar o Código de Defesa do Consumidor, estabelece o seguinte


dispositivo:

Art. 6º- São direitos básicos do consumidor:


III - a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com
especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade, tributos
incidentes e preço, bem como sobre os riscos que apresentem. (grifo nosso)

Diante de tudo já demonstrado, na condição de fornecedora/prestadora de serviços, a empresa


Requerida deve assegurar informações condizentes com que de fato está sendo ofertado, não
podendo em hipótese alguma expor informações omissas, bem como enganosas ou abusivas.
Guardando refúgio com o Art. 30 e 31, ambos da Lei Consumerista acima mencionada, in verbis:

Art. 30. Toda informação ou publicidade suficientemente precisa, veiculada por qualquer forma ou
meio de comunicação com relação a produtos e serviços oferecidos ou apresentados, obriga o
fornecedor que a fizer veicular ou dela se utilizar e integra o contrato que vier a ser celebrado. (grifo
nosso)

Art. 31. A oferta e apresentação de produtos ou serviços devem assegurar informações corretas,
claras, precisas, ostensivas e em língua portuguesa sobre as características, qualidade, composição,
preço, garantia, prazos de validade e origem, entre outros dados, bem como sobre os riscos que
apresentam à saúde e segurança dos consumidores. (grifo nosso)

A informação clara e precisa sobre um produto ou serviço é direito básico do consumidor, não se
podendo conceber um sistema protecionista das relações de consumo, sem se assegurar o direito de
informação. Ora Nobre Julgador, o esclarecimento acerca do serviço que se está ofertando e das

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cláusulas contratuais é o que de fato faz com que sejam evitados atos abusivos e enganosos e, ainda,
enseja manifestação de vontade por parte do consumidor, salvaguardada de qualquer vício oriundo do
desconhecimento de determinadas informações.

Necessário deste modo que a Requerida, quanto fornecedoras/prestadoras de serviço, movido pelo
princípio da boa-fé objetiva, comporte-se com lealdade seguindo valores éticos de conduta nas
relações contratuais, transmitindo informações adequadas, claras e precisas, dando assim,
oportunidade prévia ao Requerente de conhecer o real produto exposto ao mercado e do serviço
oferecido, como determinado no Código de Defesa do Consumidor, toda e qualquer informação
prestada no momento da contratação, vincula o produto ou serviço a ser posto no mercado.

No caso em tela, ao tempo de relação contratual existente entre as partes, a Ré sempre ofertou cartão
para uso exclusivo em sua própria rede, SEM COBRANÇA DE ANUIDADE, conforme se observa na
propaganda acostada aos autos (doc 06).

Diante de tudo aqui já dito, não se pode deixar de mencionar o fundamento contratual previsto no artigo
46 do mencionado Código. Vejamos:

Art. 46. Os contratos que regulam as relações de consumo NÃO OBRIGARÃO OS


CONSUMIDORES, SE NÃO LHE FOR DADA A OPORTUNIDADE DE TOMAR CONHECIMENTO
PRÉVIO DE SEU CONTEÚDO, ou se os respectivos instrumentos foram redigidos de modo a
dificultar a compreensão de seu sentido e alcance. (grifo nosso)

Sob a mesma ótica, o Código de Defesa do Consumidor estabelece diretrizes tendente a assegurar,
efetivamente, que a comunicação do fornecedor e a do produto se faça em obediência aos ditames
morais e jurídicos que governam a atividade publicitária, vedando-se as práticas que venham a lesionar
direito dos consumidores. Desta forma, a normas de proteção ao consumidor condena a publicidade
enganosa, bem como a publicidade abusiva. Não distante disto, de suma importância se faz lembrar
do preceito disposto no Art. 37, do Compilado mencionado. Vejamos:

Art. 37 - É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva.


§ 1º - É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário, inteira
ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro

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o consumidor a respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades, origem,
preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços. (grifo nosso)

A publicidade enganosa influencia os consumidores a adquirir um produto ou serviço que se tivessem


sido anunciados de forma correta, possivelmente o consumidor não o faria. Ela induz o consumidor a
erro na aquisição do serviço, fazendo-o acreditar em alguma coisa que não corresponda a realidade
do que está sendo oferecido.

5. DA OBRIGAÇÃO DE FAZER - DA MÁ PRESTAÇÃO DO SERVIÇO OFERTADO PELA


REQUERIDA E A REPETIÇÃO DE INDÉBITO PELA ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE ANUIDADE
DO CARTÃO

No presente caso, verifica-se que, através dos atos praticados pela Ré, não foi ofertado serviço nos
moldes do contrato firmado originariamente, ao passo que de maneira arbitraria e unilateral, a
Requerida passou a cobrar indevidamente anuidades referentes aos cartões de uso EXCLUSIVOS DA
PRÓPRIA REDE (aqueles que não possuem bandeira).

Diante da conduta praticada pela empresa Ré decorrente da cobrança de anuidades indevidas, o


Código de Defesa do Consumidor cuidou em tutelar e fixar a responsabilidade civil objetiva daqueles
que comercializam produtos e serviços, dispensando cogitar de culpa em razão do produto não
fornecer a segurança que o consumidor dele pode esperar.

Diante da conduta praticada pela empresa Ré, tem-se que o Código de Defesa do Consumidor cuidou
de fixar a responsabilidade civil objetiva dos fornecedores de serviços, dispensando cogitar de culpa
em razão do serviço não fornecer a segurança que o consumidor dele pode esperar, com amparo
normativo no art. 14 do Compilado mencionado:

Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela


reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos
serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.
(grifo nosso)

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Resta patente a confirmação do ilícito contratual por parte da Promovida, no sentido de que o serviço
foi prestado de forma defeituosa e inadequada, não restando dúvidas quanto a necessidade de
responsabilidade e a consequente reparação pelos danos causados.

Por derradeiro, mesmo após a investigação do PROCON, que culminou com multa sancionatória a
continuidade da conduta da Promovida não pode ser considerada como mero dissabor do cotidiano.
Nessa seara, a angustia, o incomodo e o sentimento de impotência do Promovido diante das
ilegalidades e dos abusos cometidos, extrapola os limites do aceitável e do razoável como
aborrecimento cotidiano e sustenta, sem restar dúvidas, o dano pessoal.

Neste sentido, traçando-se liame entre a conduta lesiva da Ré o claro direito do Requerente, a
repetição de indébito é um instituto promulgado pelo legislador com intuito de ressarcir o consumidor
dos ônus causados pela situação adversa que a cobrança ilícita lhe gerou. Quanto a temática,
disciplina o Art. 42, parágrafo único do Código de Defesa do Consumidor, vejamos:

Art. 42. Na cobrança de débitos, o consumidor inadimplente não será exposto a ridículo, nem
será submetido a qualquer tipo de constrangimento ou ameaça.
Parágrafo único. O consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à repetição do indébito
por valor igual ao dobro do que pagou em excesso, acrescido de correção monetária e juros
legais, salvo de engano justificável.

Notória percepção de que o Código de Defesa do Consumidor veda práticas de cobrança que possam
extrapolar os meios legais, transmudando o exercício regular de um direito em abusividade imposta ao
consumidor, não podendo nesta esteira ser submetido a vexame, constrangimento ou qualquer
ameaça.

Desta feita, torna-se clara percepção que a referida repetição de indébito em dobro tem natureza
jurídica de sanção civil com finalidade punitiva, o que não encontra qualquer vedação pelo
ordenamento jurídico brasileiro, já que há previsão legal permitindo tal punição civil. Diante desta
premissa a devolução em dobro do valor indevidamente cobrando ao Demandante deve ser
interpretado de maneira sistemática, pressupondo para tanto, a existência do pagamento indevido,
como também a má-fé da credora em continuar agindo em arbítrio.

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Assim, considerando que o Requerente não possui as faturas dos anos anteriores, os valores indevidos
JÁ CONHECIDOS E COMPROVADOS ATÉ O PRESENTE MOMENTO, no corrente ano, possui
cobrança de anuidade indevida no valor de R$ 5,99 (cinco reais e noventa e nove centavos).

Conforme se observa nas poucas faturas que o Requerente possui, o valor cobrando no período entre
junho e agosto de 2018, totalizam um valor de R$ 17,97 (dezessete reais e noventa), com a repetição
do indébito, em dobro, totaliza o importe de R$ 35,94 (trinta e cinco reais e noventa e quatro centavos),
acrescidas de correção monetária e juros legais, conforme planilha abaixo. Todavia Excelência, os
valore pertinentes à reparação por danos materiais necessitam de manifestação da parte Ré com o
fito de concretude na determinação do valor devido, conforme descrito e fundamento em tópico
seguinte.

Resta observar que as faturas colacionadas aos autos demonstram por si só, que o Promovente
adimpliu com as referidas quantias ilegais. Por se tratar da relação de consumo, cabe a Promovida
comprovar que não cobrou os valores mencionados na tabela, em especial, com o fito de apurar o real
valor pago indevidamente ao longo dos 05 (cinco) anos pretéritos.

Por fim, insta observar que, sendo comprovado, pela análise das faturas pela ré, que existam outros
valores cobrados indevidamente, devem ser aplicadas a mesma devolução em dobro, conforme
disciplina o Código do Consumidor.

6. DA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA

Como dito anteriormente, verificou-se que o presente caso se trata de relação de consumo, sendo
amparada pela Lei 8.078/90, salvaguardando especificamente as questões em que fornecedores e
consumidores integram a relação jurídica, principalmente no que concerne a matéria probatória. Tal
legislação faculta ao magistrado determinar a inversão do ônus da prova em favor do consumidor
conforme seu artigo 6º, VIII, da referida Lei:

Art. 6º. São direitos básicos do consumidor:

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[...]
VIII- A facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus
da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil
a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de
experiência.

No mesmo sentido, urge explanar entendimento do Novo Código de Processo Civil em seu Art. 373, §
1° e do artigo 324, III do Código de Processo Civil in verbis:

Nos casos previstos em lei ou diante das peculiaridades da causa relacionadas


à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos
do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o
juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão
fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se
desincumbir do ônus que lhe foi atribuído.

Art. 324. O pedido deve ser determinado.


§ 1o É lícito, porém, formular pedido genérico:
II - quando a determinação do objeto ou do valor da condenação depender de
ato que deva ser praticado pelo réu.

Corroborando com a necessidade de apresentação dos documentos mencionados até o presente


momento, a verossimilhança das alegações, resta comprovada através de todos os documentos
comprobatórios do direito do Autor e da configuração do evento danoso (todos em anexo), bem como
a hipossuficiência do Requerente que se encontra em posição de inferioridade em relação a
supremacia econômica da empresa Requerida.

Diante disso, resta evidente o ato ilegal e repulsivo de cobrar anuidade sem previsão contratual de um
cartão que só realiza compras no estabelecimento comercial da Promovida, bem como demonstra-se
a necessidade da juntada das faturas pagas pelo Requerente a fim de se comprovar o real valor pago
indevidamente oriundos das anuidades do cartão de crédito expedido pela Ré. Pugna o Promovente
pelo seu direito expresso em legislação em vigor, onde deve o Juízo conceder a inversão do ônus da
prova em seu favor, em especial:

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 Do contrato original de adesão ofertado pela Requerida;

 Apresentar as faturas adimplidas pelo Autor, dos últimos 5 (cinco) anos, do lapso temporal
entre os anos 2013 até 2018;

Nestes termos, a parte Autora REQUER, a inversão do ônus da prova, em favor do Requerente, razão
de que a Requerida é detentora dos documentos relacionados à ação em comento, que devem ser
disponibilizadas por estas para que auxiliem este juízo em sua decisão na busca pela justiça.

7. DA REPARAÇÃO POR DANOS MORAIS

Por oportuno, em sede de necessidade de reparação pelos danos extrapatrimoniais acometidos ao


Requerente, é do conhecimento de Vossa Excelência, a dificuldade em se encontrar parâmetros para
sua mensuração. Por outro lado, reputa-se incabível pela doutrina mais especializada uma espécie de
tarifação do valor indenizatório, posto que impossível igualar este tipo de situação, dado o bem da vida
atingido ser algo intrínseco, subjetivo a cada pessoa.

Válida, portanto, a ponderação de Ortega y Gasset trazida por Antonio Jeová Santos no seu livro
Mensuração do Dano Moral, p. 168: “Minha Alegria é minha; a tristeza é minha e ninguém mais que
pode tê-las”.

Desse modo, conclui o autor em sequência:

O sofrimento humano é insuscetível de ser avaliado por terceiros. Sobretudo se a avaliação deve
ser feita em dinheiro. Afinal, um fato danoso repercute no ânimo das pessoas em graus
diferentes. Um é mais intimorato; o outro em uma personalidade mais suscetível à intimidação,
de sorte que não se pode auscultar o espírito humano para verificar a extensão do dano.
Essa constatação, de si mesma inarredável, impede a existência de termos e critérios
quantitativos exatos, o que é buscado pelo operador do direito, mas pelo caráter fluido e fugidio
do tema ora versado, jamais será encontrado....

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No presente caso, temos que, a fornecedora praticou ato ilícito com reflexo nas relações psíquicas do
autor. Esclarecendo que, no CDC, a garantia de segurança do produto ou serviço deve ser interpretada
enquanto reflexo do princípio geral do mesmo diploma legal, de proteção da confiança (§ 1º, do art.
12), o qual possui estreita relação com a boa-fé objetiva do Código Civil, as quais foram amplamente
desrespeitadas pela fornecedora.

Entretanto, embora não existam critérios quantitativos para a mensuração do dano moral, a busca,
então, se dá por critérios objetivos que devem ser atentados para a avaliação subjetiva, vez que a
indenização não pode deixar de ser aplicada.

Assim, segue o referido Doutrinador na p. 178:

A indenização com caráter exemplar e sancionador observa, sobretudo, o seguinte:


• A gravidade da falta;
• A situação econômica do ofensor, especialmente no atinente à sua fortuna pessoal;
• Os benefícios obtidos ou almejado com o ilícito;
• A posição de mercado ou de maior poder do ofensor;
• O caráter anti-social da conduta;
• A finalidade dissuasiva futura perseguida;
• A atitude ulterior do ofensor, uma vez que a sua falta foi posta a descoberta;
• O número e nível de empregados comprometidos na grave conduta reprovável;
• Os sentimentos feridos da vítima;

Houve, então, uma ação voluntária que causou sérios prejuízos à vítima na sua honra e moral, de
forma a ensejar a respectiva reparação do dano sofrido, conforme disciplina os arts. 186 e 927 do
Código Civil, in verbis:

Art. 186 - Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência, ou imprudência, violar
direito, ou causar prejuízo a outrem, fica obrigado a reparar o dano.Art. 927. Aquele que, por ato
ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.
Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos
especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano
implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.

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Nesse contexto, é de bom alvitre lembrar que o direito à inviolabilidade da honra foi erigido à categoria
de garantia constitucional, inteligência do art. 5º, inciso X, da Constituição Federal de 1988, nos
seguintes termos:

X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o
direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;

O Código de Defesa do Consumidor prevê expressamente a reparação dos danos morais, nos
seguintes termos do art. 6º, inciso VI:

VI – a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e


difusos;

Nesse contexto, para a configuração do dano moral não necessitaria a demonstração do prejuízo,
bastando à prova do fato que deu ensejo ao resultado danoso à moral da vítima, fato esse que deve
ser ilícito e guardar nexo de causalidade com a lesão sofrida.

A empresa Ré, efetivamente, realizou conduta lesiva para com ao consumidor, sendo evidente os
transtornos resultantes da tentativa em obter a regularidade do seu cartão. O autor teve sua
tranquilidade, comodidade e bem estar abalada, ainda que, resguardado pelo seu direito contratual, o
qual tem plena consciência, o que intensifica seu sentimento de impotência e injustiça.

E, in casu, presentes se encontram os requisitos necessários para o reconhecimento do dever de


indenizar, haja vista a situação que a requerida causa, pois, feriu o CDC, não se importou com
procedimento administrativo aberto pelo PROCON, e continuou, lesando o Promovente cobrando
anuidade não prevista em contrato, um ato de violação grosseira e injustificada, causando-lhe danos
e transtornos decorrentes deste ato repulsivo.

Para a fixação do valor indenizatório do dano moral, deve observar as funções ressarcitórias e
putativas da indenização, bem como a repercussão do dano, a possibilidade econômica do ofensor e
o princípio de que o dano não pode servir de fonte de lucro. Nesse sentido, as lições de Sérgio Cavalieri
Filho que:

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“(...) o juiz, ao valor do dano moral, deve arbitrar uma quantia que, de acordo com seu prudente
arbítrio, seja compatível com a reprovabilidade da conduta ilícita, a intensidade e duração do
sofrimento experimentado pela vítima, a capacidade econômica do causador do dano, as
condições sociais do ofendido, e outras circunstâncias mais que se fizerem presentes”.

Ainda, consoante a linha pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça (AgRg no Ag. 884.139/SC, Rel.
Min. João Otávio de Noronha, 4ª Turma, DJ 11.02.2008), deve o julgador, na fixação dos danos morais,
atentar para os seguintes aspectos: (a) extensão dos danos provocados; (b) grau de reprovabilidade
da conduta do ofensor; (c) capacidade econômica das partes, ofensor e ofendido.

Devendo-se pontuar que estas falhas na prestação de serviço de cartão de compras por parte da
empresa ré, inclusive, já se tornaram fato público e notório, tendo sido frequentemente denunciadas
na internet, sobretudo nas redes sociais, pelos usuários desse serviço, também tendo sido amplamente
noticiadas por toda a imprensa e reconhecida pelo órgão de fiscalização, proteção e defesa do
consumidor (PROCON), sendo necessária uma indenização que constitua reprimenda eficaz.

Por essa razão, requer que seja condenada a Promovida para efetuar o pagamento de indenização, a
título de dano moral, no valor aqui sugerido não inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais), valor este
atribuído à finalidade que se destina, ou seja, a confortar o Promovente após o descaso, a humilhação,
o vexame, angústia e falta de respeito, e servir de lição para que a Ré não volte mais a afrontar tão
seriamente a dignidade dos hipossuficientes.

8. DA JURISPRUDÊNCIA

Na lide em questão, corroborando com tudo quanto exposto e os documentos acostados nos autos,
indiscutível a confirmação de lesão ao direito do Autor em razão da situação a qual foi exposto.

Por ter a Empresa Ré agido em desconformidade com as normas legais e consumeristas, deve ser
compelida a reparar o dano moral causado ao Autor, o que causou danos notáveis a sua honra e
dignidade humana, no que tange à sua tranquilidade, segurança, manutenção de vida e saúde, ainda,

Assinado eletronicamente por: LAINE DE SOUZA PINHEIRO;


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a credibilidade, inclusive por sua hipossuficiência o que caracteriza verdadeiro abuso de direito por
parte da Empresa Ré. Esse é o recente entendimento jurisprudencial:

(PROCESSO N° 0011975-31.2018.8.08.0080 – MM Magistrado: CLAUDIO SANTOS


PANTOJA SOBRINHO. Feira de Santana, 20 de julho de 2018).

MÉRITO
[...]
Vê-se, assim, que defeituoso foi o serviço prestado, nos termos do art. 14, da Lei
Federal nº 8.078/90, devendo o fornecedor responder objetivamente pelos danos
causados ao consumidor, em virtude da cobrança da anuidade não informada.
Em relação ao pleito indenizatório, o dano moral decorre da própria situação
apresentada, consistente na violação aos princípios da boa-fé objetiva, da confiança e
da lealdade, que devem nortear as relações contratuais.
Demonstrado o eventus damni, cumpre-me pontuar o valor da indenização por danos
morais.
Com efeito, o instituto jurídico do dano moral possui uma tríplice função. A primeira é
compensar alguém em função de lesão cometida por outrem à sua esfera
personalíssima; a segunda é punir o ofensor e a terceira função é dissuadir e prevenir
nova prática do mesmo tipo do evento danoso. Tal prevenção ocorre tanto de maneira
específica e pontual em relação ao agente ofensor, quanto funciona como prevenção
geral, ou seja, de forma ampla pra a sociedade como um todo.
Em síntese, as funções do dano moral podem ser representadas por três verbos:
COMPENSAR, PUNIR E DISSUADIR. Assim, ponderando tais aspectos verificados no
caso concreto, e dentro dos parâmetros da razoabilidade e proporcionalidade, tenho
que o valor de R$ 3.000,00 (três mil reais) atenda aos referidos critérios.
Dano material
A ausência de impugnação específica por parte da ré gera a presunção de veracidade
dos fatos narrados pela autora (art. 341, do Novo Código de Processo Civil), por tal
razão, tenho como incontroverso o valor que a parte autora afirma ter desembolsado a
título de anuidade, totalizando R$ 293,40 (duzentos e noventa e três reais e quarenta
centavos).

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Assim, prospera o pedido de repetição do indébito, ante o efetivo pagamento da
cobrança indevida, a teor do que dispõe o parágrafo único, do art. 42 da Lei 8.078/90.
Ante o exposto e por tudo o mais que dos autos consta, julgo parcialmente procedentes
os pedidos formulados na inicial para:
(I). Condenar a Requerida a restituir em dobro o valor cobrado indevidamente a título
de anuidade, no importe de R$ 586,80 (quinhentos e oitenta e seis reais e oitenta
centavos), já incluída a dobra legal, devidamente corrigido desde o ajuizamento da
ação e juros legais desde a citação;
(II). Condenar a Requerida ao pagamento de R$ 3.000.00 (três mil reais), a título de
indenização por danos morais, acrescido de correção monetária (INPC) e juros legais
de 1% ao mês a partir deste arbitramento.
Havendo cumprimento voluntário da sentença, EXPEÇA-SE o competente alvará para
levantamento dos valores depositados judicialmente em favor da parte autora.
Sem custas e honorários advocatícios nessa fase processual. Após o trânsito em
julgado e não sendo realizado o depósito dos valores da condenação no prazo de
quinze dias, incidirá multa de 10% (dez por cento), em conformidade ao previsto no art.
52, III da Lei 9099/05 e art. 523 do NCPC, §1º primeira parte, sendo dispensável a
intimação com fulcro no princípio da celeridade processual, inerente ao rito
sumaríssimo. Publique-se. Intimem-se
(PROCESSO N° 0011975-31.2018.8.08.0080 – MM Magistrado: CLAUDIO SANTOS
PANTOJA SOBRINHO. Feira de Santana, 20 de julho de 2018).

9. DOS REQUERIMENTOS

Ante todo o exposto, requer:

a) PRELIMINARMENTE, requer o benefício da GRATUIDADE DA JUSTIÇA, já que o Autor,


no sentido legal é pessoa pobre, portanto, não podendo, no momento, arcar com as despesas sem
que cause prejuízo a seu sustento e de sua família;

b) Ordenar a citação da empresa Ré, no endereço inicialmente indicado, quanto à presente


ação, para que, querendo, apresente a defesa, sob pena de confissão e revelia.

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c) Conceder a inversão do ÔNUS DA PROVA, ante a hipossuficiência do Requerente perante
a Requerida, nos termos do artigo 6º, VIII, do Código de Defesa do Consumidor, para apresentar cópia
do contrato de adesão, bem como a juntadas das faturas pagas pelo Autor no período entre os anos
de 2013 até 2018;

d) Em razão da confirmação dos valores com a juntada das faturas pagas requerido no pleito
anterior, e em atenção ao art. 324, III, do Código de Processo Civil, REQUER a CONDENAÇÃO DA
RÉ A RESTITUIÇÃO EM DOBRO DOS VALORES COBRADOS INDEVIDAMENTE EM VIRTUDE DA
ANUIDADE ABUSIVA, em atenção ao artigo 324, III do Código de Processo Civil vigente;

e) Pleiteia-se a CONDENAÇÃO da Requerida a título danos morais em favor do Autor, no


valor a ser definido por este r. Juízo, observando a sugestão acima para que estes sejam fixados na
importância de R$ 10.000,00 (dez mil reais).

Protesta pela produção de todas as provas admissíveis em juízo, juntada de novos documentos, bem
como pelo depoimento pessoal do representante legal da Ré, ou seu preposto designado, sob pena
de confissão, oitiva testemunhal, para todos os efeitos de direito.

Dá-se à presente causa, o valor de R$ 15.000,00 (quinze mil reais)

Termos em que,
Pede e espera deferimento.

Paulo Afonso - Bahia, 16 de agosto de 2018.

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LAINE DE SOUZA PINHEIRO DIONATAS MERELES
OAB/BA 49252 OAB/BA 50929

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