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Revisão do que já estudamos até o momento:

I. Definição da Igreja
 Origem da Igreja
 Igreja universal (estar “em Cristo)
 Igreja local

II. Porque das denominações


 Igrejas falsas e igrejas verdadeiras
 Respeito pelo pensamento diferente
 Zelo pelo que acreditamos

III. O que acreditamos?


 Credo dos pais da igreja
 O movimento dos irmãos
 Quais são as nossas características peculiares?

IV. Poder na igreja


 Tipos de governo (Presbiteriano, Episcopal e
Congregacional)
 Os oficiais na igreja (Presbítero, Pastor, diácono,
etc...)

V. A missão e os objetivos da igreja


 Evangelismo
 Adoração
 Ensino

Hoje estudaremos sobre o batismo e a ceia do Senhor, ou


também conhecido como as ordenanças. Chamamos de
ordenanças porque foram duas ordens explícitas deixadas por
Cristo para obedecermos. Jesus não disse qual a cor das paredes
que devemos pintar a igreja, ou se devemos louvá-lo usando
apenas um piano, ou como devemos ficar sentados no culto
coletivo (homens de um a lado e mulheres do outro). Diferente
do velho testamento quando até as medidas e as cores da cortina
no tabernáculo Deus detalhou, temos liberdade para expressar a
nossa adoração e o nosso louvor da forma como achamos
melhor. Apenas duas coisas Jesus exigiu da nossa parte quanto
ao ritual ou a liturgia na igreja, e por isso mesmo devemos fazer
um esforço para obedecê-lo: o batismo e a ceia do Senhor. São
várias ordenanças que Jesus nos deixou, como por exemplo:

- amar o nosso próximo


- confessarmos os nossos pecados
- esperarmos anciosamente a sua volta
- preservarmos a são doutrina
- evangelizarmos e fazermos discípulos
- amar as nossas esposas
- esposas se submeterem aos vossos maridos
- subordinados obedientes ao seu patrão
- e todas as outras coisas que encontramos na Palavra de Deus

Mas com relação a liturgia ou ao ritual na igreja, encontramos


apenas a cerimônia da ceia e o ritual do batismo.

Na Palavra de Deus encontramos vários pactos que Deus fez com


o homem, como por exemplo:

- Noé na ocasião do dilúviu (Gn 9: 11-16), sendo o arco-íris o


sinal daquela aliança
- Abraão na ocasião do seu chamado para ser pai de uma grande
nação (Gen 17: 11) sendo a circuncisão o sinal desta aliança

- outro exemplo é no casamento, quando expressamos nosso


eterno amor e fidelidade ao cônjuge, o anel é um símbolo desta
aliança, para nunca nos esquecermos deste pacto que fizemos
com o nosso parceiro

O batismo e a ceia do Senhor funcionam da mesma forma, como


sinal ou símbolo da salvação que obtivemos em Cristo Jesus. É a
forma didática que Jesus estabeleceu para que aprendêssemos
do valor destas coisas, e para que nos lembrássemos de
verdades espirituais até que Ele venha.

O batismo é algo tão conhecido que quase nos isenta de termos


que explicar o que é. Mas é um gesto tão simples porém com
um significado muito profundo, e é isto que muitas pessoas não
entendem (o seu significado). O batismo é um ato físico de
mergulhar uma pessoa na água, ou quando não é possível,
apenas jogar água sobre o seu corpo. A imersão na água
simboliza a morte para o pecado, enquanto que o retorno para a
superfície simboliza a ressurreição para a vida eterna. O batismo
é um ritual que nos identifica com Cristo, pois através do seu
sacrifício na cruz do Calvário e ressurreição ao terceiro dia, é que
temos salvação garantida para todo aquele que crê. Jesus disse
em Mateus 28: 19

Matthew 28:19 Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome
do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;

Encontramos depois disso no início da igreja primitiva o


cumprimento desta ordem, sendo várias pessoas batizadas logo
após a sua fé expressada em Cristo Jesus. Um estudo simples
dos acontecimentos no início da igreja comprovará esta fato. Em
Marcos 16: 16 encontramos outro versículo interessante sobre o
assunto (promover discussão):

Mark 16:16 Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado.

Com base neste versículo, muitas pessoas acreditam que o


batismo é necessário para a salvação, pois o versículo fala “quem
crê e for batizado”. Porém estaríamos exigindo à salvação algo
que a Bíblia em outros tantos trecho não exige. Como os irmãos
de Gálatas, estaríamos acrescentando à salvação coisas que não
são necessárias, e coisas que expressam o nosso esforço em
obtê-la. A segunda parte do próprio versículo derruba esta idéia,
pois fala quem “não crer será condenado”. O versículo deveria
dizer quem não crer e não for batizado será condenado, mas
não, ele exclui a idéia do batismo para a condenação. Se fosse
assim, então o ladrão crucificado com Cristo não poderia ter
obtido a salvação, pois não deu tempo dele ser batizado. Pelo
contrário, ele herdou a salvação e Jesus disse: ...“hoje mesmo
estarás comigo no paraíso”. Não devemos e não podemos mudar
o plano da salvação, e o meio que Deus desenhou para que isso
acontecesse!

Não podemos confundir também o batismo das águas com o


batismo do Espírito Santo. Em Atos 1: 5 lemos

Acts 1:5 Porque João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o
Espírito Santo, não muito depois destes dias.
O batismo do Espirito Santo, conforme já estudamos juntos,
acontece naquele momento que confessamos o nome de Jesus
Cristo como nosso Senhor e Salvador, naquele momento que
depositamos fé em Jesus. Então recebemos o Espírito Santo e
passamos a fazer parte da igreja de Cristo, ou do corpo de
Cristo. I Cor 12: 13 descreve isso muito bem: “pois, em um só
Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer
escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito”. O batismo
do Espirito Santo é algo que acontece interiormente, no nosso
espírito. Por outro lado o batismo das águas é algo visível, que
acontece exteriormente com o nosso corpo, portanto algo que
todos podem ver. O batismo das águas é apenas um símbolo
daquilo que acontece dentro da gente. Para nada serve se a
transformação interior não aconteceu. Batizar uma criança
recém-nascida não adianta nada, pois como ela pode entender a
fé e reconhecer o seu próprio pecado se nem o nome da sua mãe
ela sabe falar? É como vestir uma criança recem-nascida com a
camisa do Palmeiras e falar que ela é Palmeirense. Como se ela
nem sabe o que é uma bola? É necessário uma compreensão e
aceitação das verdades espirituais do pecado, morte,
ressurreição, o sacrifício de Cristo, etc... para que a pessoa seja
batizada nas águas se identificando com algo que ela entende.
Você já fez algo sem entender porque está fazendo aquilo? Tem
algum sentido em você fazer algo que você nem imagina o que
é? É como vestir um Palmeirense com a camisa do Corinthians
e dizer que ele é Corinthiano. Não, no seu interior ele não é
Corinthiano, então não adianta dar a camisa para ele! O ritual do
batismo não é mágico, e a água passando pelo corpo da pessoa
não causa nenhuma transformação interior. É apenas um
símbolo externo!

As três visões do batismo:

Visão Católica: acreditam que a salvação é obtida através do


batismo. Dizem que assim como todo homem nasce pecador,
todo homem pode ser salvo através do batismo. Colocam o
batismo antes da fé e do conhecimento a respeito de Cristo, e
uma pessoa só não será salva depois de batizada se ela se
perder no pecado e na incredulidade.
Visão Batista: acreditam que a salvação não salva; o que salva é
a fé em Cristo Jesus apenas. O batismo vem depois da salvação
como confirmação pública de algo que aconteceu interiormente.
A salvação não vem pelo batismo, como pensam os da visão
católica, mas o batismo é uma das consequências da salvação.

Visão Protestante pedobatista: assim como os católicos, também


batizam crianças, porém não acreditam que o batismo salva.
Acreditam que o batismo coloca a pessoa, ou a criança, numa
condição favorável à posterior crença e salvação pela fé. É como
dizemos naquela expressão tão popular “começar com o pé
direito”. A circuncisão era aplicada nos judeus recém nascidos de
8 anos, mas quando mais jovens deveriam aprender e entender
todas as coisas sobre o seu Deus. A circuncisão já era um sinal
visível que iria ajudar a pessoa a crescer numa direção desejada.
Da mesma forma, o batismo infantil não salva, mas coloca a
criança numa condição favorável ao entendimento posterior
sobre a salvação pela fé. Quando esta pessoa crê no Senhor
Jesus, mesmo se batizada como criança, é feito um novo batismo
de “confirmação”. A Bíblia não proíbe nem obriga o batismo de
crianças.

A ceia do Senhor também dispensa explicações, pois todos


sabem que o pão representa o corpo de Cristo e o vinho
representa o seu sangue derramado por nós na cruz do Calvário.
Todos sabem que devemos lembrar do sacríficio de Cristo ao
celebrar este ritual, e que devemos fazer isto com frequência até
que Ele venha. Da mesma forma, os emblemas na ceia do
Senhor são apenas símbolos, não havendo nenhuma mágica ou
nenhuma transformação no interior da pessoa ao tomar estes
alimentos. Nada adianta comer aquilo se no interior a pessoa
não está em comunhão com Cristo, e se ela não entende o
significado destas coisas.

A igreja Católica Romana acredita na transubstanciação, e que o


pão e o vinho se tornam realmente o corpo e o sangue de Cristo
no momento que o padre diz “isto é o meu corpo” e “isto é o meu
sangue”. Lutero ensinou a consubstanciação, ou que o corpo e o
sangue de Cristo estão com ou presentes nos emblemas. Não
que os emblemas se transformam, mas que a matéria já está lá.
De qualquer forma, estaríamos dando algum poder de magia aos
emblemas, quando na verdade são apenas símbolos de um pacto
que Deus estabeleceu conosco. Jesus várias vezes usou símbolos
para explicar alguma verdade espiritual. Ele disse “eu sou a
porta”, ou “eu sou a videira verdadeira”, mas não significa que
Jesus literalmente se trasnformou numa porta ou numa planta.
Eram apenas símbolos de uma verdade que ele estava
explicando. Estaríamos sendo um tanto carnívoros ao pensar
assim, não ?!

Enquanto o batismo é algo que fazemos uma vez na vida (é um


ritual único), a ceia do Senhor é algo que fazemos
frequentemente. Desta forma não nos esquecemos nunca da
morte e ressurreição de Cristo, pois ao celebrarmos a ceia nos
recordamos constantemente da grande benção espiritual que
obtivemos em Cristo Jesus. Em Ex 12 quando Deus instituiu a
Páscoa ao povo de Israel, ele disse que deveria lembrado como
estatuto perpétua ( Ex 12:14 Este dia vos será por memorial, e o celebrareis
como solenidade ao SENHOR; nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo).
A ceia do Senhor é a nossa Páscoa que celebramos como
estatuto perpétuo. Os judeus usavam filactérios, que era uma
pequena caixa de couro presa no corpo com tiras de couro,
contendo dentro textos das Escrituras. Para eles era um símbolo
para eles não se esquecerem do seu Deus, e das suas palavras.
Para nós também tanto a ceia do Senhor como o batismo são
símbolos para não nos esquecermos do que Cristo fez por nós!
Diferente dos fariseus que Jesus chamou de hipócritas, porque
“alargavam os seus filactérios e alongavam as suas franjas”, mas
por dentro não havia sinceridade, vamos obedecer o Senhor
nestas ordenanças com sinceridade, fazendo com que estes
símbolos exteriores reflitam algo que realmente acontece no
nosso interior. Somos encorajados inclusive a nos examinarmos
sempre antes de tomarmos os emblemas, para que não seja um
ritual vazio e sem significado no nosso interior.

Versículos que ajudam a pensar que o batismo salva


Marcos 16: 16
João 3: 5
I Pedro 3: 21

Versículos que ajudam a pensar que não é o batismo que salva


Ef 5: 26
Col 2: 12