Você está na página 1de 17

RUTH SCHEEFFER

Professora da Faculdade de Educação da UFRJ

Professora do Curso de Mestrado de Psicologia da Educação e


Psicologia Aplicada ao Trabalho da Fundação Getúlio Vargas

ACONSELHAMENTO
PSICOLÓGICO
Teoria e Prática

s.a EDIÇÃO

i'

EDITORA ATLAS S. A.
ACONSELHAMENTO PSICOLóGICO SUMÁRIO
RUTH SCHEEFFER

Nota da Autora 9
Introdução .... ........................................ 11
1. Conceito de Aconselhamento Psicológico 13
Capa e diagramação de I. Introdução ................... 13
PAVEL GERENCER 11. Desenvolvimento Histórico ...................... 13
111. Definição .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
IV. Aconselhamento e Entrevista ..................... 16
V. Aconselhamento e Orientação Educacional .. . . . . . . . 16
VI. Aconselhamento e Psicoterapia .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
DIREITOS AUTORAIS - Nos termos da Lei que resguarda os direitos 2. Evolução dos Métodos de Aconselhamento .. . . . . . . . . . . . . . 21
DutOrale. Ó proibida a reprodução total ou parcial bem como a produção
d opootlloe O partir deste livro. de qualquer forma ou por qualquer meio
I. Método Autoritário ........................... 21
- I trÔnloo ou mecAnlco, Inclusive através de processos xerográficos, 11. Método Exortativo 22
do fotooópla o gravaçfto - sem permissão, por escrito, do Editor. 111. Método Sugestivo ............................ 23
IV. Catarse . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23 .
V. Método Diretivo 23
VI. Método Interpretativo ........................ 25
VII. Método Não-diretivo 26
VIII. Método Eclético 27
• 'd I~· ()
.)\11110 l 11175 3. O Aconselhamento Diretivo - Princípios Básicos 29
I. Fundamentos Teóricos 29
lI. Definição e Características .......... 29
III. Análise do Mecanismo do Aconselhamento Diretivo .. 31
IV. Atitude do Orientador 31
V. Etapas.......... ................................. 32
4. O Processo de Aconselhamento Diretivo .............. 36
I. Fases do Aconselhamento Diretivo 36
lI. Técnicas Analíticas 38
Observações Sobre a Entrevista 39
IIl . Valor dos Testes como Instrumentos de Aconselhamen-
to e sua Interpretação para o Cliente 41
IV. O Diagnóstico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
5. Caso Ilustrativo do Aconselhamento Diretivo ...... 48
1.' Entrevista .... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48
I. Apresentação do Problema pelo Orientando .. . . . . . . 48
lI. Dados Clínicos da Entrevista e de Outras Fontes 48
lU. Síntese Clínica do Problema .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
IV. Diagnóstico 49
V. Técnicas de Aconselhamento Aplicadas . . . . . . . . . . . . 49
Copyright 1975 VI. Prognóstico 49
EDlTORA ATLAS S. A. 2.' Entrevista 54
Impresso na República Federativa do Brasil 1: Entrevista (final) .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
28 ACONSELHAMENTO PSICOLóGICO

MÉTODO AUTORITÁRIO: ordenar,


proibir,
repreender,
ameaçar.

MÉTODO EXORTATIVO: termo de compromisso e promes-

sc:
sas formais como estimulo para
modificação de atitudes. o ACONSELHAMENTO DIRETIVO
••E MÉTODO SUGESTIVO: repressão da problemática atra- PRINCÍPIOS BÁSICOS
••
..c: vés de encorajarnento e suporte .
'ic:
CATARSE: verbalização de problemas e de
l vivências emocionais conscientes
e inconscientes a alguém que pro-
"O
GI I. FUNDAMENTOS TEóRICOS
porcione aceitação e compreen-
são.
o ACONSELHAMENTO diretívo baseia-se nos princípios da in-
MÉTODO DlRETIVO: o Orientado r : teração social defendida por um grupo de psicólocos de alto
dirige a entrevista, calibre entre os quais se incluem KURT LEWIN H - psicolo-
seleciona os tópicos,
define os problemas,
gia topológica, teoria do campo (field theoru v e espaço vital
descobre as causas, (fite space) - GORDON ALLPORT 1 - interaçào social -
sugere soluções e planos de ação, GARDNER MURPHY Ó _ situacionismo.
. baseia-se na orientação médica.
Apóia-se nos seguintes fundamentos teóricos:
MÉTODO INTERPRET ATIVO: esclarecimentos a respeito das 1. Conceito unitário do organismo e ambiente não se
motivações (às vezes inconscien-
deve subtrair o indivíduo do meio onde vive.
tes) do comportamento e ati-
tudes. 2. A importância das forças do campo social sobre o
indivíduo.
MÉTODO NÃO-DlRETlVO: o orientando dirige a entrevista,
••••
"O
visa ao amadurecimento emocio- 3. A influência do ambiente e do grupo social no indi-
nal e não apenas solução de víduo como base de suas percepções, sentimentos. emoções e
problemas, ações. Tanto quanto a sua própria constituição mental, o
focaliza o conteúdo emocional
expresso pelo cliente,
grupo social a que pertence transmite ao indivíduo caracterís-
proporciona atmosfera propícia ticas próprias.
para autodeterminação por parte 4. A importância do estudo das situações sobre o indi-
do orientando.
víduo que deve ser tão sistemático e completo como o da es-
MÉTODO ECLÉTICO:· emprega, simultaneamente ou não, trutura interna que responde a essas situações.
os vários métodos, de acordo Como objetivo o aconselhamento diretivo pretende. prin-
com a natureza do problema e cipalmente. o ajustamento atual e remoto do indivíduo ao seu
necessidade do cliente.
meio e a remoção dos obstáculos que dificultam essa aprendi-
z aqern ,

u DEFINIÇÃO E CARACTERÍSTICAS
Pode ser definido como processo educativo que visa ;'!
aprendizagem de atitudes adequadas a um ajustamento pe s-
soa! e social satisfatórios ,
30 ACONSELHAMENTO PSICOLÓGICO O ACONSELHAMENTO DIRETlVO 31

É a forma clássica de aconselhamento, tradicionalmente do orientando e více-versa , Esta interpelação é vital, já que
aplicada no campo da orientação profissional e, talvez, até a o objetivo não é somente o ajustamento pessoal e sim, tam-
época atual, a mais usada nos vários países. bém, o social.
Entre os defensores da orientação diretiva, encontram- III, ANÁLISE DO MECANISMO DO
se famosos educadores, orientadores e psicólogos, tais como: ACONSELHAMENTO DIRETIVO
DARLEY, Earcxsox. WILLlAMSON, MAC LEAN etc. 1. O orientando adquire novos conhecimentos sobre a
O desenvolvimento da técnica diretíva está intimamente sua pessoa e sobre o ambiente.
ligado à evolução da orientação profissional. Surgiram em 2. Essa aprendizagem resulta num melhor ajustamento.
con j un to. A princípio era feita de maneira mecânica: forne- 3. Para isso, é preciso situar o orientando no seu am-
cimento puro e simples de informações. Passou, depois, a ser biente, conhecendo o sistema de interrelação - efeito do am-
-urn processo dinâmico caracterizado por uma relação entre biente sobre o orientando e das atitudes do orientando sobre
duas pessoas. o ambiente.
N as definições de aconselhamento diretivo encontramos, 4. Portanto, necessário se torna conhecer o histórico de
através dos tempos, modificações que caracterizam a sua evo- suas experiências e, se possível, as pessoas com quem se re-
lução. Nas primeiras há um cunho muito mais autoritário do laciona ou se relacionava no passado.
que as atuais. Em 1943, DARLEY~ apresenta a seguinte 5. Como na aprendizagem, a motivação é um dos as-
definição: "A entrevista de aconselhamento se assemelha a pectos mais importantes para o sucesso do aconselhamento.
uma situação de venda, porquanto o orientador tenta vender
ao orientando certos pontos de vista, planos de ação ou atitu- IV, ATITUDE DO ORIENT ADOR
des, impondo as suas idéias sem levar em conta as motivações
do orientando." Continuando DARLEY diz: "Cuidado com o I. As correntes modernas frisam a rejeiçao do autori-
orientando que discute livremente os seus problemas e retorna tarismo. Jamais devem ser usadas expressões como:
periodicamente ao orientador, mas nesses intervalos, nada faz "a única coisa que você deve fazer"
para se modificar, revelando não aceitação das sugestões que "eu vou lhe dizer o que deve fazer"
lhe são apresentadas. Raramente, esses casos são solucio- "a melhor maneira de você conseguir"
náveís." "a maneira mais inteligente ... "
Atualmente, o aconselhamento diretivo tomou uma carac- "se você não fizer isso, vai se arrepender".
terística diferente, perdendo muito desse autoritarismo inicial. Aconse\hamento díretívo não pode ser confundido com
WILLlAMSON G-7 relaciona o processo de orientação ao pro- aconselhamento autoritário, atualmente já em desuso.
cesso de educação e aprendizagem: a educação moderna visa 2. WILLlAMSON e seus seguidores aceitam uma neutra-
a atingir uma aprendizagem de atitudes adequadas para con- lidade relativa; as decisões devem ser tomadas pelo orientando
seguir um ajustamento melhor. O orientador, assim como o e respeitadas pelo orientador. Entretanto, essa atitude de
professor, ajuda o orientando a utilizar seus próprios pensa- neutralidade não deve ser levada ao exagero a ponto de per-
mentos e encontrar soluções para os seus próprios problemas. mitir (no caso de ser mal escolhida a decisão) a autodestrui-
Na orientação díretiva, os orientadores têm feito dife- ção do cliente, direta ou indiretamente, ou prejuízo ao grupo
rença entre aconselhamento' e psicoterapia. WILLlAMSON en- social a que pertence. Neste caso o orientador interfere.
cara o aconselhamento como um processo de ajuda na apren- Manter a neutralidade seria, nesse caso, adotar uma atitude
dizagem, sem visar a correção de anormalidades ou caracte- de indiferença pelo ajustamento do indivíduo. Na realidade,
rísticas patológicas. Na psicoterapia existe a condição de o orientador não é genumamente neutro, pois deseja sempre
cura, ver os seus casos resolvidos satisfatoriamente. A neutrali-
Os seguidores do aconselhamento diretivo fazem críticas dade absoluta seria, portanto, uma atitude irreal.
severas a ROGERSe seus discípulos, que retiram o indivíduo do 3. A atitude do orientador não pode ser passiva. É pre-
ambiente em que vive. O estudo do ambiente é um dos as- ciso, muitas vezes, comandar a situação na entrevista, impe-
pectos mais enfatizados na orientação díretiva . Não se pode dindo que o orientando se perca no emaranhado de seus pro-
dispensar o conhecimento do efeito do ambiente nas atitudes blemas e conflitos. O aconselhamento diretivo se compara à
O ACONSELHAMENTO DIRETIVO 33
32 ACONSELHAMENTO PSICOLÓGICO

aprendizagem. O papel do orícntador se assemelha ao do Em ambos os caS08 o orien..ador deve explicar os seus pontos
professor: assistir o orientando no processo da aprendizagem. de vista. dizendo. no segundo caso. quais os perigos ,que en-
seguindo os princípios da educação ativa de DEWEY - o volve a decisão escolhida pelo orientando. para que ele aceite
orientando deve aprender por si mesmo. fazendo. As devidas substituí-Ia.
correções e esclarecimentos devem ser fornecidos pelo oríen- Para alcançar este objetivo. são usadas as seguintes
ta dor. que desempenha o papel de assistente. que interfere no técnicas:
momento oportuno. da maneira mais adequada. para impedir
os erros que prejudicam a aprendizagem e propiciando a re- a) PERSUASIVAS: O oricntador não pode ter atitude di-
solução dos problemas. tatorial. É preciso levar o indivíduo a aceitar o
4. O orientador interfere também. sempre que sente que diagnóstico e a orientação. usando persuasão e sim-
há solução mais adequada para o orientando do que aquela patia. A idéia de "ditadura" é rejeit~da totalmente.
que foi escolhida por ele. Nesta atitude está implicita a idéia b) INTERPRETATIVAS: Interpreta-se a açao do orrentan-
de que o orientador é um indivíduo competente. experimen- do para levá-lo ao real conhecimento do problema ~
tado. com grandes possibilidades de ajudar e que dispõe de c) EXPLANATÓRIAS: Consideradas por WILLlAMSON"
variados recursos para conseguir levar o orientando a aceitar como as mais adequadas. O orientador faz o
o diagnóstico feito e os planos. que ele (o orien tador) acha diagnóstico. explana todos os "prós" e "contras" e
mais satisfatórios. O orientador é mais competente e está deixa que o orientando reflita até encontrar a de-
mais habilitado do que o orientando para avaliar as proble- cisão que deverá. posteriQnnen,te. disc~ltir com o
máticas. perceber o melhor plano de ação e a maneira mais orientador. Exemplo: Orientador - Sequndo me
eficiente de executá-lo , Deve transmitir as suas experiências parece. as aptidões por você reveladas indicam pou-
ao orientando. cas chences de vencer o curso da Faculdade de Me-
São inúmeros os recursos para atingir este objetivo e dicina. No entanto. suas possibilidades no setor
não se admite senão a idéia de que o orientador não poupa de administração de negócios são muito mais pro-
esforços em benefício do seu orientando. pondo em uso toda missoras. Vou lhe apresentar as razões para rni-
a sua experiência e capacidade na solução de cada caso. nhas conclusões. Você tem fracassado contínua e
consistentemente em Biologia e Química. Você não
V. ETAPAS possui o padrão de in tercsscs característicos dn~ pes-
soas que têm tido sucesso na Medicina o que indica
1. RAPPORT: é o ponto de partida. Consegue-se atra- que provavelmente não encontraria satisfação neSS3
vés de uma atitude simpática. compreensiva. de interesse sin- atividade. Por outro lado. sua aptidão para Ma-
cero e respeito. O orientando precisa se sentir "importante" temática é excelente. sua inteligência geral é de
para o orientador. O significado da entrevista deve ficar bem bom nível e seu perfil de interesses coincide com o
claro. dos contadores. Esses fatos parecem-me suficien-
É muito útil que o orientador tenha conhecimento das temente siqnificativos para justificar a sua escolha
suas próprias deficiências. dificuldades e problemas pois eles de Contab'ilidade como futura profissão. Suponha-
podem interferir no repport. mos que você pense um pouco sobre esses fatos que
2, OBTENÇÃO DO AUTOCONHECIMENTO: O orientando. lhe apresentei e também sobre a minha sugestão?
através dos testes e do diagnóstico feito pelo orientador, tem Fale com seu pai a esse respeito e converse tam-
conhecimento das suas .limitações, de suas fraquezas. de suas bém com o professor Morais. que ensina Contabí-
possibilidades e fica mais habilitado a usar os seus recursos. lidade. e volte na próxima quinta-feira. às 10 horas.
3. PLANOS DE AÇÃO: São usadas técnicas diversas. É para me dizer a que concllls~o você cheqou. ~e.:
defendido o ponto de vista de que o orientador deve dar a comendo que dê muita atençao a todos os pros
sua opinião desde que o orientando a peça. Também se ad- e "contras" antes de tomar uma decisão final.
mite a opinião do orientador quando este sente que o orien- Orientando - Está certo. Vou fazer isso mesmo.
tando toma um caminho que pode ser prejudicial para ele. Acho que o senhor me ajudou bastante a conhecer
34 ACONSELHAMENTO PSICOLÓGICO O ACONSELHAMENTO DIRETIVO 3S

minhas possibilidades. Na próxima quinta-feira


voltarei, a fim de conversarmos mais sobre o assun-
RESUMO
to. É possível que até lá já tenha tomado uma
decisão. FUNDAMENTOS TEÓRICOS no ACONSELHAMENTO DIRETlVO

4. ENCAMINHAMENTO: Indicação de instituições espe- 1. Conceito unitário de organismo e ambiente.


cializadas para conseguir melhor ajustamento do indivíduo. 2. Psicologia topológica - KURT LEWIN.
Em síntese, primeiramente verificamos que o aconselha- 3. Interação social no desenvolvimento da personalidade -
mento diretivo está baseado numa relação humana que implica ALLPORT.
4. Situacionismo (conceito bio-social da personalidade) - GARDNER
autoridade, não no sentido de força ou coação, mas calcada
MURPHY.
no reconhecimento da competência do orientador. O oríen-
tador é o mais experiente, o mais treinado para ter o papel
de dirigente nessa relação humana.
Em segundo lugar, o papel do orientador é o do líder ATUAÇÃO DO ORIENTAlX)R:
que assume a maior responsabilidade, porque julga as deci-
sões do orientando e seleciona as mais adequadas. Os roge- 1. Rejeição do autoritarismo.
2. Neutralidade relativa.
rianos chamam esta orientação de Counselor-Centered (o
3. Atitude ativa: seleciona os tópicos
orientador é o centro do processo). define os problemas
O clima psicológico da orientação dirigida é determinado investiga as causas
pelo centro de referência do orientador , A entrevista se asse- diagnostica
melha a uma situação social. Cada um segue a sua própria apresenta soluções
linha de pensamento. O oríentador se concentra nas informa-
ETAPAS:
ções do orientando e as trabalha, chegando à conclusão; trans-
mite-a ao orientando que pode aceitá-Ia ou não. 1. Rapport.
A relação entre o orientador e orientando se caracteriza 2. Obtenção de autoconhecimento.
3. Conselho de planos de ação.
por maior ênfase no aspecto intelectual do que no emocional, 4. Encaminhamento.
visto que o material com que lida é a informação; o histórico
do caso é mais importante do que as vivências do orientando. TÉCNICAS APLICADAS:
Baseia-se na orientação médica que dá importância ao
A. Persuasivas.
histórico, à anamnese, que levam ao diagnóstico e às conclu- B. Interpretativas.
sões. Por isso é também chamado aconselhamento clínico. C. Explanatórias.
D. Informativas.
58 ACONSELHAMENTO PSICOLóGICO

tando. Estabeleceu-se bom rapport e o orientando expres-


sou sua satisfação com o resultado do aconselhamento.

VI. PROGNóSTICO:

Apto para trabalhos técnicos (mecânicos), de nível


médio. o ACONSELHAMENTO
VII. SEGUIMENTO: NÃO-DIRETIVO
Nenhuma informação. CONCEITOS BÁSICOS

I. CARACTERíSTICAS GERAIS
A ORIENTAÇÃOnão-diretiva ou não-diríqida teve a sua origem,
inicialmente, nas idéias de OTTO RANK, discípulo de FREUD,
de quem veio a se separar, posteriormente, por não mais acei-
tar as idéias do mestre, na sua totalidade. Ressaltava RANK
a importância da relação, como elemento terapêutico essencial
no processo psicoterápico. Associou-se a JESSIE TAFT e a
FREDERICKALLEN que esposaram as suas teorias, desenvol-
vendo-as e divulgando-as nos E. U. A. Opsicologista CARL
ROGERS,colaborador de ALLEN. utilizou as idéias dos autores
citados como fundamento da sua abordagem nâo-diretiva ou
centralizada no cliente t client-centetedí . A orientação dire-
tiva ressalta a importância do diagnóstico dos problemas apre-
sentados pelo orientando, partindo da idéia central que o
orientador é mais competente para determinar os objetivos a
serem sequidos como resultado do aconselhamento. As téc-
nicas usadas têm como finalidade levar o orientando a aceitar
e por em prática esses objetivos. A orientação nào-diretiva
representa uma reação contra essa centralização nos proble-
mas e diagnósticos, pois baseia-se no princípio que, no acon-
selharnento, o orientando deve ser encarado como uma pessoa
/ e não como um problema. Afirma CARL ROGERS: 1 "Essa
nova orientação se diferencia das outras. principalmente em
~ relação à sua finalidade. No aconselhamento não-dirigido o
indivíduo e não o problema é focalizado. A finalidade não é
resolver um determinado problema, mas ajudar o indivíduo a
obter uma integração, independência e amadurecimento, que
lhe permitam resolver outros problemas que apareçam no
futuro."
ROGERSapóia a sua orientação no princípio básico de que
as pessoas humanas possuem, em potencial. a capacidade de
O ACONSELHAMENTO NÃO-DlRETlVO 61
60 ACONSELHAMENTO PSICOLóGICO

mana; é possível que o fato de exercermos, diariamente um


resolverem, elas próprias. suas dificuldades. desde que Ihes trahalhc d tato mano nos a 'ude a senti à vontade' ~m
s"eJa proporcionaua uma oportunidade e atmosfera adequada. as pessoas. Felizmente, não há apenas um caminho para se
E essa atm_osfera adequada que pretende oferecer aos clientes chegar a este fim. Muitas pessoas que não trabalham no
ti orientação não-díríqída. no campo da psicoterapia e do campo da Psicologia já a possuem; entretanto outras, profis-
aconselhamento , Assim ROGERS diz que: . sionais da Psicologia, nunca a assimilaram. Os que possuem
( 1.0) O aconselharnento consiste numa relação definiti- esse traço sentem que à medida que se trabalha com os seres
vamente estruturada e permissiva que propicia ao indivíduo humanos há maiores oportunidades para objetivar-se essa
um certo grau de autocompreensão. resultando em novas atí- aceitação o
vidadcs mais positivas. ...Ac..e.itaçã efinida talvez. eOa melhor
. 2.C)) O oricntador age como catalizador através de uma descrevê-Ia. Envolve duas~oisas :_1.°) reconhecimento das_
élt:tl!;lc de profundo re~p_eito. aceitação e confiança na capa- diíerenças.Jndivíduais 2.°) ejei ão de termos de comp-ara-
(~aélGe de autocor.ipreensao e autodeterminação do orientando. ção entre seres humanos, reconhecendo cada um como um
Essa atitude só pode ser adotada por orientadores que ge- todo único. _T..Qdos o meios usados no rocesso de acon se-
num amerite abraçam uma filosofia democrática no setor das .lhamento vísarn.ja omp.reender esse todo 'nico eão - a a-
relações humanas. É uma conseqüência de uma atitude bá- _liá.J.o. Assim. um indivíduo de Q. I. 80 merece tanto respeito
sica de nâo-autoritarismo, de convicção e crença otimista na e compreensão como aquele aluno brilhante de Q. I. 150.
natureza humana. Suas aspirações, seus problemas. valores e emoções são de
_ ROGERS chama atenção para o fato de que aqueles que interesse para o orientador. Essa atitude de aceitação é o
veem. os se~es humanos como objetos a serem manipulados. contrário da atitude de desdém. indiferença e descrença em
diriqidos, diaqnostícados, não se sentirão à vontade no exer- relação à natureza humana. Pessoas que têm atitude de ci-
cício da orientação não-dirigida. nismo com respeito ao gênero humano não possuem capaci-
Essa atitude do orientador no aconselharnento não-diri- dade real de aceitação. Não se trata de aceitação ou res-
( gido. se caracteriza pela aceit ã pree ão. Ele deve peito em forma abstrata ou geral. mas individual. Muitas
sentir !"jenuInamente esses sentimentos e ser capaz de transmi- vezes uma filosofia ou uma crença religiosa otimista com re-
ti-los ao or.e ntando . ·{ã _ ortanto três aspectos importantes lação ao qênero humano, pode carecer desse respeito genuíno
~atitll(~e do orientadçr: o;nQre~nsão. aceitação e. ainda. a pelo ser individual.
capacdaJe de comunicação. Esses três aspectos estão mti-"" Como essa aceitação deve ser comunicada ao cliente?
mamcntc relacionados no processo de aconselhamento , Po- Primeiramente, o mais importante é que o orientador se sinta
demos separá-Ios e nos ocuparmos de cada um deles especi- realmente interessado no orientando. Uma máscara de ami-
fícamente, ap~nas com finalidade didática. Não podem ser zade e aceitação adotada para esconder hostilidade. desinte-
posto~ em prdlCoé\ ou mesmo apreendidos separadamente e resse ou desprezo, simplesmente confundirá o cliente. em vez
ser~ Inconcebível que um or.en tador apresentasse maior acei- de ajudá-lo, porque os verdadeiros sentimentos do orientador
~ taçao do que compreensão. surgirão fatalmente durante a entrevista. O orientando rea-
.A ~apacidade de aceitar os outros não é um traço que girá. sentindo-se pouco à vontade, percebendo que alguma
s.e adquira em cursos ou mesmo na prática do aconselhamento coisa não vai bem na situação e não mais voltará. Esse pro-
E sobretudo uma atitude básica cem relação iJOS seres hurna- cesso de comunicar aceitação exige muita sensibilidade e quase
n~s, qu; se desenvolve através de .experiências vitais (embora que uma intuição - como se fosse "ouvir com um terceiro
nao saibamos exatamente qua.s Si10 essas exper.encias que a ouvido". Exige também coragem porque envolve aceitação
produzem). de sentimentos hostis para com o orientador. Não consiste na
T.alvcz se 'a adquirida através do j.onhecímento profundo aprovação de um outro determinado traço. mas na aceitação
de PSlcoloo}:1 que 110S faz sentir interesse em conhecer eis da personalidade total do orientando. com todas as suas carne-
processos mentais que motivam o comportamento do indivíduo o teristicas. que abrangem seus aspectos positivos e negativos.
em vez de sim!?lesmente fazermos um julgamento. uma- crí~ . _ComQ!'eensão não é um odcr má ico, sabedoria intuitiva
l:ca.on uma avaliaçâo: talvez a leitura de obras lite,árias. poe- . ou es écie de raio X si uico. Trata-s sim lesmente de
1,1;1S etc. a refundem o nosso respeito pela personalidade hu-
62 ACONSELHAMENTO PSICOLóGICO O ACONSELHAMENTO NÃO-DIRETIVO 63

compreender com clareza o ue; o cliente está .tentando ex- que você não consegue fazer." Em vez de: "Química é a
pressar. Provavelmente, nenhum ser humano compreende to- matéria em que você tem mais dificuldade."
talmente o outro e para o orientador a personalidade do orien- A clarificação do conteúdo emocional vem com a reflexão.
tando nunca é um livro aberto. Também não é necessário, O orientando percebe objetivamente suas emoções, sentimen-
do ponto de vista da orientação rogeriana, que o orientador tos e conflitos e isto ajuda a se compreender melhor. Por
compreenda o cliente melhor que ele próprio. Numa entre- exemplo:
vista produtiva é apenas necessário que haja o máximo de Orientando - Eu sei que não devia me preocupar. Mas
comunicação de pensamentos e emoções. _Com reensão assim o fato é que me preocupo. Na minha classe sempre acho que
ista, é um processo de comQartilhar' as '-'yivências expressa; todo o mundo fica à espera da primeira chence para caçoar
elo orientando. Para compreender o cliente, não é neces- de mim . Tenho a impressão de que qualquer coisa errada que
sário que se conheça apenas os fatos de sua vida. O mais eu fizer todo mundo vai cair na minha pele. O pior é que
importante é saber como reagiu a esses fatos e experiênciª-s-,_ detesto que riam de mim. Por isso não gosto de ter muito
bem como as atitudes que daL resultaram, conforme ele as contato com os meus colegas .. ( Pausa.) Quando encontro uma
sente e as ercebe , A fim de compreender é preciso que o pessoa fico sempre imaginando o que ela pensou de mim. De-
orientador não se limite ao papel de observador mas que se pois fico preocupado em ser aquilo que ela pensa que eu sou.
ponha no lugar do orientando e perceba o mundo e as expe- Orientedor - Você sente que a opinião dos outros o
riências como esse as percebe, penetrando no seu mundo emo- afeta muito.
cional. Para isso é necessário adotar o "centro de referên~ Orientando - Sinto sim, mas estas coisas não deviam
me afetar desta maneira.
cías" do orientando. Quando uma criança nos conta que os
pais a punem severamente, nossa primeira tentativa é verificar
Orientedor - Você sente que apesar de não haver razão,
fica muito afetado com essas coisas todas.
se isso acontece realmente: Mas a função do orientador é
A aceita ão a com reensão a comunica ão desses dois
ver o mundo familiar da criança corno ela Q vê, e compreen-
_eLem.eIÚ.O.S-ao.....nQen.t.an..Qo
--ªtra - da reflexií do conteúdo
dê-lo como ela realmente o percebe. Exi alta çapacidade
_emocional e clarificação, determinam-ª-s~guintes rea ões:
de emRatia que ROGERS denomina identificação empática. Não
1. .maíor expressão dos sentimentos e emoções,
~ identificação emocional:-Lsentir c0.l!LQ...Qrientando, Rensar
2. autocompreensão,
com o orientando, em vez de ensar a respeito do orientando. 3. aceitação de suas deficiências,
Essa atitude n'os ermite com reender e aceitar as essoas.
4. reconhecimento dos seus aspectos positivos,
Temos o exemplo do marido que exige demais de sua esposa 5. insiqht,
de um nível social inferior ao seu; mas se se compreende que 6. atitudes e ações positivas,
foram as suas experiências de infância que provocaram nele 7. maturação emocional. independência.
esse comportamento, então a nossa própria atitude para com Resumindo, podemos apresentar as seguintes caracterís-
ele será diferente.
ticas principais do aconselhamento não-dirigido:
Como comunicar essa compreensão? Fazendo a reflexão 1. Aconselhamento não é mero fornecimento de conse-
do conteúdo emocional em vez do Iatual . As respostas do lho. Progresso e amadurecimento só são consequídos através
orientador refletem o conteúdo emocional do orientando. É do trabalho psicológico realizado pelo orientando e não pelas
difícil às vezes essa percepção do conteúdo emocional porque sugestões do orientador. Mesmo nos casos em que se fornece
tendemos a nos prender ao conteúdo fatual. Por exemplo, conselhos, o sucesso é resultado de uma boa relação e não do
uma orientanda declara: "Estou muito preocupada com a conselho em si.
Química. .~enho que me sair bem nesse curso já que desejo 2. Aconselhamento não visa apenas a solução de um
fazer Medicina. No entanto, não tenho conseguido. Estudo problema imediato mas operar modificações no indivíduo que
mais e mais durante o dia e quanto mais leio mais confusa o habilitem a tomar decisões no futuro, bem como a resolver
fico." A reflexão do conteúdo emocional consiste em trazer o problema atual. Por exemplo, no caso de um orientando
2. tona a preocupação, não a deficiência na matéria _ "Isso indeciso entre Medicina e Direito, o orientador o ajuda a
a perturba, saber que todo o seu futuro' depende de uma coisa avaliar todos os fatores relevantes, a compreender como se

-- ---
. ' . /:H!!!~UHmil~il1!!i1I
O ACONSELHAMENTO NÃO-DIRETIVO 65
64 ACONSELHAMENTO PSICOLóGICO

sente a respeito desses campos e ver as situações mais claras. IlI. APLICAÇÕES DO ACONSELHAMENTO
Nesse caso o orientando torna-se uma pessoa mais habilitada NÃO-DIRETIVO
para tomar uma decisão adequada e bem fundamentada. Inicialmente. a orientação roq er inn a parecia ter aplica-
3. Aconselhamento se relaciona mais com atitudes do ção apenas no campo do aconselharne nto de problemas vitais
que com ações - ações são resultados de mudanças de ati- e em psicoterapia. pois. quando apresentadas por ROGERS.
tudes. Exemplo: no caso de uma adolescente inibida com essas teorias tinham se oriqinado princi;;,llmente de suas ex-
rapazes. de nada adiantaria. apenas. suqerrr-lhe freqüentar periências em Clínicas. Todavia. este conceito foi-se mori i-
clubes e ter mais atividades sociais. Seria preciso .criar at- ficando. ROGERS. 1 na sua primeira obra sobre o aconse-
mosfera para ela explorar os fatores ligados às suas inibições Ihamento nâo-diretívo. apresenta as sequintes situações como
e timidez e ajudá-Ia a compreendê-los , as mais propícias para a utilização da orientação não-dirig!da:
4. O aconselhamento lida mais com conteúdo emocional 1.0 Estado de tensão emocional: quando o 1I1dlvlduo
do que com o intelectual. Leitura e conhecimentos não são está sob um grau razoável de tensão que provém de desejos
suficientes. Uma pessoa angustiada e insegura não se modi- ou necessidades pessoais incompatíveis. ou conflitos causados
ficará apenas com cursos e leituras de livros sobre Psicologia. pelas demandas do ambiente e as necessidades individuais.
5. O aconselhamento envolve uma relação. A reflexão A tensão assim criada é mais forte do que o desconforto
que se faz na sala do orientador parece mais produtiva. Há resultante da expressão de suas vivências emocionais e pro-
mais enfase na relação do que em técnicas. O orientado r age blemas. Essa tensão deve provocar um certo desequílibrio
como estimulante para desencadear as reações do orientando que serve como motivação. O descon forto da tensão emo-
e a relação existente deve ser de calor afetivo e não neutra. cional deverá ser maior que o desconforto do indivíduo em
verbalizar os problemas. Exemplos: o aluno socialmente de-
lI. PRINCÍPIOS BÁSICOS COT'v{RESPEITO À ATUAÇÃO sajustado que deseja ser mais sociável e popular e ao me s-
DO ORIENTADOR mo tempo se proteger dos riscos da humilhação e ínferiorr-
Os princípios que o orientador deve seguir na orientação dade que ele sentirá quando se envolver e~ atividades sociais;
rogeriana. podem ser sintetizados nos sete itens abaixo apre- um indivíduo que está em conflito entre forte necessidade
sentados por AXLINE 2: sexual de um lado e forte sentimento de culpa do outro.
1. O orientador deve desenvolver. com o orientando. re- As demandas do ambiente também entram em conflito com
lação que revele calor afetivo, simpatia e cordialidade. a fim, as próprias necessidades da pessoa; como por exemplo. o
de estabelecer imediato repport . aluno que nunca teve conflito por causa da falta de estudo
2. O orientador aceita o orientando como ele é na rea- e passou a sentí-lo, quando ingressou na Universidade. Há
lidade. Implica em aceitação total da personalidade. casos. porém. em que o desconforto de falar de sua pro-
3. O orientador estabelece um clima permissivo na sua blemática é mais forte do que a tensão causada pela mesma
relação com o orientando, a fim de que este possa expressar como em certos' casos de neurose muito estruturada. Mesmo
livremente suas vivências emocionais. com relação à escolha profissional. só é possível aconselha-
4. O orientador compreende essas vivências reveladas mento nâo-diretivo quando o desconforto causado pela pressão
pelo orientando e expressa essa compreensão, refletindo-as e ambiental é de tal ordem que supera o desconforto de ter que
objetívando-as . Não avalia nem diagnostica, simplesmente enfrentar o problema.
compreende. 2.0 Cepecidede de o cliente lidar com sua pró ria vida:
5. O orientador mantém profundo respeito e confiança Ele deve possuir suficiente capacidade e estabilidade para
nas possibilidades do orientador resolver seus problemas, exercer algum controle sobre os elementos de sua sítuaçâo.
desde que este tenha oportunidade. para isso. As circunstâncias que ele tem que enfrentar não são tão ad-
6. A responsabilidade das decisões pertence ao oríen- versas e imutáveis que se torne impossível para ele contro-
tando, bem como das modificações nas suas atitudes. lá-Ias e alterá-Ias. Há certos indivíduos que estão tão car-
7. O oríentador não pretende dirigir as ações ou a con- regados de deficiências pessoais ou ambientais que se tor~a
versa do orientando, de nenhuma maneira. O orientando di- irrealizável uma reorganização de atitudes que lhes permita
rige a entrevista, o orientador seque-o. . enfrentar a vida de maneira mais adequada. l! o caso do
O ACONSELHAMENTO NÃO-DIRETIVO 67
66 ACONSELHAMENTO PSICOLóGICO

sos próprios do orientando. pois suas características o impe-


delinqüente que mora em uma área delinqüente. onde os fa-
tores sociais encorajam atos delinqüentes. é rejeitado na Ia- dem de Iazê-lo.
. Vários autores (3) apresentam possibilidades de aplica-
myía em favor de um irmão menor e aluno de uma escola que
ção da teoria rogeriana em inúmeros campos de atividades.
nao oferece um programa específico para sua capacidade de
tais como: educacionais. administrativos. psicoterápicos etc ..
aprendizagem medíocre. mas que o faz constantemente cons-
pois a orientação não-dirigida já constitui. praticamente, uma
ciente de seus fracassos. Nenhuma dose de aconselhamento
filosofia no setor das relações humanas em geral.
poderia ajudar esse indivíduo. Só mudança ambíental . É
;ERICKSON 4 sugere a aplicação do aconselhaménto não-
também assim o caso da mãe superprotetora cuja atitude está
neurotizando a sua filha. Trata-se de uma senhora intro- dirigido nas seguintes situações:
vertida neurótica e doente Iisícamente , Esses fatores restrin- 1. Quando o orientando revela considerável estado de
gem seu campo de atividades. Não tem amigos. dá-se mal tensão.
com o marido e seu único interesse é a filha. Para ajudar a 2. Quando o orientando revela bloqueio emocional que
filha. essa senhora teria que renunciar a essa única fonte de o impede de fazer análise intelectual da situação.
satisfação. Díficílmente, isto poderia ser conseguido por meio 3. Quando a solução dos problemas do orientando exige
de aconselhamento, já que as condições são por demais ad- que assuma considerável responsabilidade para decisão e ação.
versas. 4. Quando as causas da dificuldade são obscuras e com-
3.° Desejo de receber ajuda: É necessário que o orien- plicadas.
tando que se apresenta para o aconselhamento, sinta real ne- Ressalta também a necessidade do orientador ter muita
experiência na aplicação desse método. Indica as seguintes
cessidade de receber ajuda. Os indivíduos que vêm coagi-
dos pela autoridade. adolescentes trazidos pelos pais contra situações, onde seria menos útil esse método:
a sua vontade. geralmente mostram-se rebeldes ao orientador. 1. Quando o número de orientandos é muito grande e
As vezes, consegue-se estabelecer um repport mas exige muita o tempo para as entrevistas é limitado.
habilidade por parte do crientador. que usa técnicas não-di- 2. Quando a dificuldade não envolve muita tensão emo-
retivas. Precisa demonstrar aceitação das vivências do orien- cional por parte do orientando.
tando. reconhecer suas razões. sua rebeldia. sua revolta e de- 3. Quando o problema do orientando reflete a necessi-
monstrar essa compreensão e aceitação. As vezes. o orien- dade de maiores esclarecimentos, ínforrnacôcs e de uma aná-
tando fica tão surpreso com essa atitude que se sente moti- lise objetiva.
vado para aceitar a ajuda. 4. Quando o orientador não é suficientemente experien-
4.° /nexistência de de iciências or ânicas: Ausência de te e competente no uso da orientação não-dirigida.
instabilidade excessiva. particularmente de origem orgânica;
híperatívídade: nervosismo exagerado de origem fisiológica; RESUMO
descontrole excessivo das reações emocionais.
5.° Nível intelectual su iciente elo menos rude: Dé- Objetivos do Aconselhamento Não-Díretívo:
beis mentais tendem a ter menos possibilidades de serem aju- 1. Lidar com o orientando corno pessoa e não como problema.
dados. com esse tipo de orientação.
2. Proporcionar:
_Em livro mais recente" ( 1951) ROGERS3 modificou. par- Maior independência,
cialmente. esses critérios: aceit-ª-..a _possibilidade de acon- ln teg ração.
s_elhamentº-não-dirigido mesmo para_retardado mentais. com , Amadurecimt:nto.
bons resultados. Ressaltª.!. orém ue tem sido pouco usado
FllndaOH~ntos Básicos:
com esse tipo de indivíduos. Há também pouca experiência
com delinqjlent~_. Admite fracassos freqüentes em casos _de 1. Concepção Hlosófica pcsitiva e otimista da natureza humana.
pessoas agressivamente dependentes que exigem do orientador 2. Concepção filosófica democrática no setor das relações humanas..
uma direção; esses indivíduos fo..gem ao príncípíç, "básico da 3. Convicção nos recursos do indivíduo para solucionar seus próprios
orientação não-díríqída que é o deaproveítamegto dos recur- problernas .
- - -
68 ACONSELHAMENTO PSICOLóGICO

Caracteristicas da Entrevista Não-Diretiva:

1. O orientando assume a responsabilidade.


2. O orientando dirige a entrevista.
3. Segue-se o centro de referência do orientando.
-4. Ênfase no conteúdo emocional e na relação (rapport).

Atitude do orientador:
A DINÂMICA DO
Aceitação.
Compreensão. ACONSELHAMENTO
Respeito.
Permissiva. NÃO-DIRETIVO
Objetivando confiança nas possibilidades de autodeterminação do
orientando.

Atuação do orientador :
o TREINAMENTO e prática em qualquer tipo de aconselharnen-
Compreende. to depende de dois aspectos. altamente relacionados: primeiro.
Clarifica. da atitude do orientador e segundo. das suas técnicas. Estes
Sente e percebe com o orientando.
Reflete o conteúdo emocional,
dois aspectos são mtimamente interdependentes e só se sepa-
Penetra no mundo psicológico do orientando. ram para apresentação didática. Mesmo aí. dificilmente po-
dem ser apreciados completamente em separado. porque .as,
Utiliza-se quando o orientando apresenta: técnica ernpreqadas pelo oricntador dependem da sua atitude;
isto é. a técnica é a objetivação da atitude do orientador .
I. Estado de tensão emocional.
2. Capacidade de lidar com os elementos de sua situação vital.
Assim. as respostas_do-º.!-"ientador depend.gm de seu sistema
3. Desejo de receber ajuda. .de valores e da sua percepção da realidade objetiva.
-4. Inexístêncía de deficiências orgânicas. Muito se tem dito a respeito da inconveniência. e mesmo
_peri o de o orientador p-ro'etar as suas própr.ias .atítndes e vi-
Campos de aplicação da orientação não-diriqida:
vêncías no cliente. bem corno da possibilidade da int~lerência
1. Administração. das atitudes do orientador no processo de aconselhamento .
2. Ensino. Muito se tem feito para evitar que isso aconteça. A escola
3. Psicotcrapia individual. psicanalítica tem procurado contornar o problema. submetendo
-4. Psicoterapia em grupo.
à análise os próprios psicanalistas. com o objetivo de controlar
S. Ludoterapía,
6. Aconselhamento: Profissional. as suas ações. levando-os a um conhecimento profundo de
Educacional. suas próprias motivações. Oríentadores profissionais e psicó-
Vital. logos têm procurado. como meio de controlar a projeção de
suas atitudes e conseguir uma base objetiva para os seus jul-
gamentos. Iundarnen tá-Ios mais e mais. nos resultados dos
testes padronizados.
Existem. porém. outras maneiras do orientador controlar
as suas atitudes e estas são:

1.0 Conhecer. com precisão. a natureza da técnica que


usa e as atitudes que (através da aplicação dessa
técnica) ele objctivará na sua relação com o orien-
tando;
2.0 Compreender qual o clima psicológico que a técnica
determina.
94 ACONSELHAMENTO PSICOLÓGICO

13. Jamais esquecerei o choque que eu senti quando


encontrei meu pai. Ela o matara. '


14. Todavia. acho que já sou suficientemente adulta
para viver e deixar os outros viverem suas próprias vidas.
15. Na verdade. eu estava fugindo de enfrentar uma
decisão. na esperança que algo lhe ocorresse. Mas isto agora
depende de mim. Realmente. acho que tenho pena dela. Sua
vida deve ser um inferno.
16. Talvez. algum dia. possa haver uma certa concilia- ACONSELHAMENTO ECLÉTICO
ção entre nós duas.
17. Como a senhora vê eu não precisava mesmo vir aqui.
18. Poderia me dar seu telefone, caso eu necessite lhe
ACONSELHAMENTO ECLÉTICO se caracteriza jrela utilização
falar outra vez?
Ia várias técnicas aplicadas pelas diversas orientações, de
rdo com a necessidade do caso. A in tegração dessas téc-
SEGUIMENTO ni as poderá ou não constituir uma nova abordagem teórica.
Alguns autores são de opinião de que não é possível o ecle-
Alguns meses após a entrevista transcrita. Margarida
ti ismo baseado em conceitos retirados das teorias díretivas e
Castro casou-se com um colega de Faculdade. Seu médico
nâo-diretívas. visto que. considerando essas orientações pra-
nos informou que ela parecia estar muito feliz.
i amente opostas em seus princípios básicos. jamais poderão
Dois anos mais tarde. soubemos que sua progenitora so-
s entrosar de forma coerente. Realmente, no que se segue
frera um derrame cerebral. que a deixara paralítica. Atual-
possível apreciar as diferenças fundamentais entre esses dois
mente vive em companhia de Margarida. que voluntariamente
m . todos de aconselhamento psicológico:
se propôs a cuidá-Ia. A relação entre arnbas, segundo os in-
formes recebidos. é muito satisfatória. parecendo haver com-
preensão e amizade. VER QUADRO ANEXO (pág. 111)
Infelizmente. fica apenas no terreno das especulações se
Todavia. operacionalmente, verifica-sei que não há con-
houve alguma relação entre esses acontecimentos e a entre-
trastes significativos nas duas orientações. Pesquisas reali-
vista de aconselhamento.
zadas revelaram que há elementos idênticos na dinâmica das
-ntrevistas de aconselharnen to-diretivo e não-diretivo . Verifi-
u-se que há diversas técnicas comuns às duas orientações
qu variam apenas na freqüência com que são utilizadas pelo
ri ntador. Apresentamos. a seguir, essas técnicas pela ordem
d freqüência.

A NSELHAMENTO DIRETIVO ACONSEl HAMENTO NÃO-DIRETIVO

ri ntador faz perquntas espe- 1. Orientador reconhece sentimen-


I' flr. s que podem ser respon- tos e atitudes (ia).
d doiS p 10 cliente: ..sim" ou
"11 re" ( 4, 1) •

~ ,. ~pli .t, discute. dá informa- 2. Interpreta e reconhece senti-


~ I" (O. ). mentos e vivências (9. 3).

+' O e.IKull.m I se referem aos índices de freqüência do uso de cada técnica


111 I untu t 111 PO Quiso realizada.
96 ACONSELHAMENTO PSICOLóGICO
O ACONSELHAMENTO ECLÉTICO 97

3. Indica tópico de conversa, mas 3. Indica tópico de conversa, mas


deixa o cliente desenvolvê-Ia deixa o cliente desenvolvê-Ia mperamentais que indiquem impossibilidade de receber acon-
(16.4). (6.3). lhamento.
4. Propõe atividade (13. 3). 4. Reconhece o conteúdo fatual ACONSELHAMENTO NÃO-
ACONSELHAMENTO DlRETIVO
(6) . DIRETIVO

5. Reconhece conteúdo fatual 5. Dá informações (3. 9). Dirigido Pelo Orientador Pelo Cliente
apresentado pelo cliente (6. 1).
O cliente conhece melhor
6. Mostra evidências para persua- 6. Define a situação da entrevista O orientador conhece me- o que lhe convêm e está
Princípio
dir o cliente a um plano de em termos da responsabilidade lhor os objetivos mais ade- mais capacitado para es-
Básico
ação (5. 3). do cliente. quados ao cliente. colher os seus próprios
objetivos.
7. Aponta o problema ou condi-
ção requerendo correção (3. 7). Humanista - O que ínte-
o orientado r fala mais que o orien- o orientador fala menos que o
Pilosoiie
Mecanicisfa -
caracteri-
za-se pelo conceito de com-
ressa
humano
no comportamento
não é o poder,
tando orientando portamento como o im- mas suas energias criado-
Geral ras, capacidades
pacto de uma força sobre e poten-
Examinando as idéias dos diversos autores que defendem outra. cialidades. Conceito oti-
as vantagens do ecleticismo no aconselhamento psicológico, mista da natureza humana.
concluímos que há, sobre esse assunto, dois conceitos relati-
vamente bem definidos. O primeiro preconiza a aplicação de- Fi/o30fia d83 Oligárquica
Democrática
Relações Hierárquica
liberada de técnicas diretívas e não-díretívas , Seus principais Humenes Autocrática
Liberal
representantes são THORNE, WARTERS, HAMRIN, PAULSON e
ultimamente ERICKSONque abandonou a posição absolutamen- Fenomenológico - Consí-
te diretiva para se agregar ao grupo de eclétícos cuja orien-
tação denomina cooperativa. O segundo conceito representa Ponto de
Ciências Físicas
Iíse dos fatos: procura de
-
aná- dera as coisas como apa-
recem. A personalidade do
objetividade: lida com ob- orientando é vista como
a incorporação dos pontos de vista e técnicas diretivas e não- Vista Ciemi- única. Não há preocupa
fico [etos: manipula-os e os
diretivas que foram provados Il!.é:lisválidos e úteis, experimen- disseca. ção com leis gerais ma
talmente, numa nova teoria denominada pelos seus autores, com a pessoa na sua indi
vidualidade.
SHOSTROM e BRAMMER, Aconselhamento Auto-Ajustatívo ,
O principal precursor e defensor do primeiro conceito de Centro de
Referê"ncia Externo - Objetivo Interno - Subjetivo
aconselhamento eclético é FREDERICKTHORNE que o considera
como o mais adequado tipo de abordagem à teoria e prática
Método objetivo - ênfase
do aconselhamento psicológico. Defende a idéia de que o Método subjetivo - ênfa
no aspecto intelectual. O
orientador deve ser igualmente competente na aplicação de nas vivências emocionai
Método orientador focaliza o hís-
O orientador procura coi
ambos os métodos. A validade dos resultados será determi- Seguido tórico do cliente, díaqnos-
preender o cliente. Pen
nada pela habilidade de selecionar o método a ser empregado, tica, dirige. Pensa a res-
com o cliente.
peito do cliente.
sob a luz dos fatores etiológicos do diagnóstico e de acordo
com as indicações de cada caso. O ponto crítico não é mé-
todo, mas a habilidade com que o método é selecionado e I' r I do
Analista -
o orientador
avalia e elabora um diaq-
Cafalista
-
o orientad
age como catalizador q
aplicado. r/"ntodor nóstico e prognóstico.
visa a desencadear UI

Na escolha do método devem ser consideradas as seguin- modificação de atitude


tes circunstâncias: a) se o cliente procurou o aconselhamento Depende, principalmente, Depende, principalmer
por vontade própria; b) se sua atitude é genumamente recep- H ult I 3 da competência do oríen- da maneira que o clie
tiva ou se a cooperação é apenas superficial; c) se o estado tador.
,
utiliza seus recursos.
emocional do orientando está interferindo na sua receptíví-
IIIHlru mparativo das caracteristicas básicas dos aconselhamen
dade; d) se há presença de estados patológicos afetivos e díretívo e não-diretívo
98 ACONSELHAMENTO PSICOLóGICO
o. ACONSELHAMENTO ECLÉTlCO 99

'LHORNE considera a técnica não-diretiva inadequada para 5. É conveniente dar a cada orientando uma opor tuni-
dade de resolver o seu problema de maneira não-díretiva .
o indivíduo que deseja apenas informações e não tem proble-
mas emocionais. Inefícíente, também. para pessoas que apre- uando há absoluta inabilidade. por parte do orientando. para
sentam distorção de personalidade - do tipo personalidade progredir. usando-se. apenas. métodos passivos. indica-se a
psicopática - que nunca formaram um verdadeiro superego. utilização de métodos diretivos.
censura. ou mesmo senso de autocrítica. 6. Métodos diretivos são. geralmente. utilizados quando
THORNE apresenta as seguintes etapas para a Orientação a dificuldade apresentada pelo orientando não pode ser re-
Eclétíca: solvida sem a cooperação de outras pessoas.
7. Certo grau de diretivismo é inevitável em qualquer
tipo de aconselhamento. ainda que seja apenas para se de-
1. Diagnóstico das causas do problema. cidir pela aplicação dos métodos passivos.
2. Elaboração de um plano para modificar os fatores 8. Tratando-se de conflito intrapsíquico (discrepância
etiológicos. entre o conceito do "eu" e as suas próprias experiências) é
3. Assegurar condições propícias para a aprendizagem preferível usar o método não~diretivo. com as seguintes ressa.l~
adequada. vas: a) orientador deve pedir ao orientando que chegue as
4. Estimular o cliente a utilizar seus próprios recursos suas próprias conclusões. Quando isso não for possível. o
e assumir responsabilidade para a prática de novas orientador deverá concluir para o orientando; b) o orientador
formas de ajustamento. não deve permitir que o cliente se afaste do aconselhamento.
5. Manejar de maneira acertada problemas correlatos enquanto se encontrar no auge do conflito.
que possam contribuir para melhor ajustamento. THORNE faz críticas à orientação absolutamente não-di-
retiva. Afirma mesmo que não acredita em método cornple-
O oríentador pode delegar a responsabilidade das várias ta mente não-diretívo, pois este não é compatível com a natu-
fases do aconselhamento ao cliente. mas é. em última análise. reza da relação entre orientador e orientando. Apresenta as
o responsável pelo seu planejamento e execução. eguintes razões para objetívar seu ponto de vista:
THORNE preconiza a possibilidade de se utilizar técnicas 1.0 O orientando procura o orientado r porque o consí-
diretivas e não-diretívas na mesma entrevista. sem perturbar dera mais experiente e treinado; considera-o um especialista.
a atmosfera e a relação permissiva que deve caracterizar uma A condição de superioridade do orientado r já se encontra es-
boa entrevista. O cliente aceita bem. tudo que é feito 'com truturada. desde o início da relação. devido ao seu prestiqio
tato e de uma maneira emocionalmente não "ameaçadora". mo especialista.
Com a finalidade de indicar a conveniência da aplicação 2.0 O orientador determina o método a ser usado. o que
de um outro método (diretivo e não-díretívo ) THORNE faz as Implica. indiretamente. em "dirigir".
seguintes generalizações: 3.0 O que é realizado na situação de aconselhamento
1. Os métodos passivos (não-díretívos] devem ser usa- não é avaliado. apenas. em termos do que o orientador pensa
dos. sempre que for possível. tar realizando. mas também em termos do que o aconselha-
2. Os métodos ativos (díretívos] devem ser usados so- m nto representa para o orientando.
mente quando houver indicação específica. Geralmente. uma Emcxsox. inicialmente díretívista. defende agora a orien-
interferência diretiva é suficiente para alcançar os objetivos. to ão eclética. Aceita também a idéia de que mesmo numa
3. As técnicas passivas são. em geral. mais recomen- ntrevista podem-se usar várias técnicas. Acha que a ex-
S iva aderência a um só método torna o orientador menos
dadas. no início do aconselhamento, quando o orientando está
narrando a sua história. a fim de permitir a liberação do con- fi xivel . Considera bom orientador aquele que é capaz de
teúdo emocional. I r m prática. com igual habilidade. as duas técnicas.
Chama a sua orientação de cooperativa e nela inclui os
4. Todo aconselhamento deve ser centralizado no clíen-
te. nos seus interesses. Isso não quer dizer que os métodos uíntes princípios:
1. A entrevista proporciona uma oportunidade conjunta
diretívos sejam contra-indicados. Em muitos casos as neces-
I I tarse, diagnóstico e planejamento de ação. O grau de
sidades do orien tando indicam ação diretiva ,
100 ACONSELHAMENTO PSICOLÓGICO
O ACONSELHAMENTO ECLÉTICO 101

participação do orientador e orientando varia e é transferido


no fornecimento dos resultados dos testes e de informações
de acordo com as considerações individuais.
que o orientando necessita para melhor se orientar. ou quando
2. Ambos os participantes têm interesse em ter alguma próprio orientador precisa de esclarecimentos sobre o cliente.
responsabilidade com relação aos resultados do aconselha-
mento. para complementar sua compreensão do mesmo.
As entrevistas desse tipo de orientação eclética são semi-
3. Ambos os participantes reconhecem o direito e res-
dirigidas e a atmosfera é permissiva. Como na orientação
ponsabilidade do orientando de tomar as decisões e executar
os planos de ação. nâo-diretiva, SHOSTROMe BRAMMERdefendem a filosofia bá-
ica de autodeterminação do indivíduo e de confiança na sua
_ HAMRIM e PAULSON preconizam a utilização da orienta- capacidade para atínqí-la ,
çao nâo-diretíva quando se trata de situação de aconselha;
~ento. que implica em ajuda para solução de problemas de TAPAS DO PROCESSO DE ACONSELHAMENTO
ajustamento. preferindo porém o método diretivo para os casos AUTO-AJUSTATIVO:
que necessitam orientação profissional. informação ocupacío- . 1.0 ENTREVISTAINICIAL: realizada após o preenchimento
nal ou educacional. de um questionário informativo pelo orientando. Apresenta
. Há autores que defendem o ponto de vista de que se pode o seguinte processo:
incorporar numa nova teoria aquilo que for constatado Como I. Estabelecimento do "repport": Define o repport
válido e útil nas diferentes teorias. através de pesquisas ou como "um estado de confiança e respeito recíprocos. entre o
e~tudos experimentais ... ROGERSparece adotar este ponto de orientador e o cliente". Essa relação deve inspirar no cliente
vista quando afirma: As escolas de pensamento ainda não sentimentos de segurança.
abandonaram o pensamento mágico. Uma pessoa que tentar 11. Estruturação: Após o estabelecimento do repport,
um meio termo ou entrosar duas teorias basicamente opostas. o orientador inicia a entrevista. informando o cliente a res-
conseguirá. apenas. um ecleticismo superficial. que em nada peito do tipo de relação que existe entre ambos. O seguinte
aumentará a sua objetividade. Não se chega ao conhecimento exemplo de estruturação é apresentado pelos autores:
da verdade, através de concessões feitas às várias escolas de Orientador - Achamos que. em geral. essa entrevista
pensamento. Só é possível fazer desaparecer esses desacor- inicial é mais produtiva quando o orientando nos fala a res-
dos quando. através de pesquisas. forem estabelecídas novas peito do motivo da sua vinda ao Centro de Orientação e da
evidências. permitindo que as duas orientações rivais sejam natureza dos seus problemas. De certa forma. isso já é feito
organizadas sob um novo prisma mais vantajoso." quando se preenche o Questionário Informativo. que pode
SHOSTROM e BRAMMER apresentam um corpo de teoria também servir de roteiro para a sua conversa aqui conosco.
coerente com este ponto de vista. Chamam de aconselhamen , Assim. enquanto o orientando fala. o orientador procura pen-
to auto-ajustatívo. tem a finalidade de ajudar o orientando a sar com ele e, então, juntos decidem o que deve ser feito.
se tornar mais autodiretivo e auto-responsável , Convém registrar nessa estruturação os seguintes as-
Nos seus objetivos. muito se assemelha ao aconselhamen., pectos:
to rogeriano. Nessa orientação a atitude do orientador é não- a) O Questionário Informativo e usado pelo cliente e
diretiva e permissiva. centralizada no cliente. Emprega con- não pelo orientador.
sistenternente testes. pois é importante o fornecimento de ínfor- b) O orientador fala em termos gerais e não especí-
mações a<: cliente para que ele adquira melhor compreensão ficos. a fim de permitir ao cliente decidir se quer ou não seguir
e percepçao dos seus problemas e suas dificuldades. Essas esse procedimento.
inform~ções só são for~ecidas quando pedidas ou desejadas c) O locus da responsabilidade é o cliente.
pelo orientando. Atraves das informações que recebe. o oríen- 111. Discussão dos Problemas (Aconselhamento pro-
tando pode considerar melhor as várias alternativas e assume priamente dito): São empregadas as técnicas nâo-diretivas
a responsabilidade da escolha.
de reflexão de vivências, aceitação e clarificação do conteúdo
O orientador procura sempre que possível adotar o cen- emocional expresso pelo cliente. Nessa etapa ocorrem libera-
tro de referência do orientando. Todavia. usa também o cen- ção de cargas emocionais (catarse), obtenção de insights e
tro de referência externo. quando necessário. Por exemplo: laboração de planos positivos de conduta, que incluem: a so-
102 ACONSELHAMENTO PSICOLÓGICO O ACONSELHAMENTO ECLÉTICO 103

licitação e seleção de testes psicológicos por parte do orien- RESUMO


tando e procura de informação ocupacional ou dos recursos
oferecidos pela comunidade para satisfazer suas necessidades. A escolha do mé-
0 Conceito que de- todo depende da
2. FASE EXPLORATÓRIA: OS planos elaborados pelo fende a aplica- THORNE
situação e ati-
orientando são postos em prática: submete-se aos testes, obtém ção deliberada {
tude do cliente.
informações nos serviços informativos especíalizados etc. de princípios di-
0 retívos e não-
3. ENTREVISTA DE SÍNTESE: Tem como finalidade sin-
díretivos. Problemas
tetizar e relacionar os seguintes tipos de informação a respeito HAMRIN e de ajustamento
do orientando: _. métodos não-
a) Informação sobre ele próprio fornecida na entrevista díretívos
inicial. PAULSON Orientação pro-
[ fissional - mé-
b) Informação fornecida pelos testes cujos resultados ACONSELHA- todos diretivos.
são explicados e interpretados pelo orientador. MENTO
c) Informação sobre o mundo do trabalho que o orien- ECLÉTICO
tando obteve por si mesmo. Orientação co-
d) Informação sobre outros recursos da comunidade.
CONCLUSÃO: Conforme foi exposto, o ecleticismo repre-
senta uma posição de meio termo e de equilíbrio no campo
ERICKSON
{ operativa
xibili da d e
técnicas) .
( fle-
de

do aconselhamento. Todavia, conforme ressalta WARTERS,


Conceito que de-
apresenta o perigo de tornar-se um método de orientação vago
fende a incorpo-
e superficial. inconsistente e simplesmente oportunista. Isto ração de princí-
pode ocorrer quando o orientador não procura entender real- pios diretivos e SHOSTROM
Aconselhamento
mente ambos os pontos de vista, seguindo simplesmente um não-diret i vos, auto-ajustativo.
consid e r a dos BRAMMER {
processo denominado por WARTERS de "fórmula gerar'.
mais válidos, em
uma nova teo-
ria.

Discussão do problema [aconse-


Ihamento) .
ETAPAS DO Entrevista inicial.
Estruturação.
ACONSELHA- { Estabelec ímento de reppott,
MENTO AUTO-
J\]USTJ\TIVO

Fase explorató- {APlicação de testes.


ria. Obtenção de informações.

Entrevista de síntese.