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18/09/2018 “Um drama simbólico” de grande valor para nós

Testemunhas de Jeová
Publicações > Revistas > A Sentinela (Edição de Estudo)  |  15 de Março de 2006

“Um drama simbólico” de grande


valor para nós
“Um drama simbólico” de grande valor para nós

COMO seria difícil entender plenamente certos trechos bíblicos se


outras partes da Bíblia não os esclarecessem! Muitos relatos da Palavra
de Deus têm valor histórico, mas outros contêm verdades profundas
não tão evidentes. Um exemplo disso é a narrativa sobre duas
mulheres da casa do patriarca Abraão. O apóstolo Paulo chamou esse
relato de “um drama simbólico”. — Gálatas 4:24.

Esse drama merece a nossa atenção porque as realidades que


apresenta são de importância fundamental para todos os que desejam
ter a bênção de Jeová Deus. Mas antes de analisarmos por que isso é
tão importante, vamos considerar as circunstâncias que levaram Paulo
a desvendar o significado desse drama.

No primeiro século, havia um problema entre os cristãos da Galácia.


Alguns deles ‘observavam escrupulosamente dias, meses, épocas e
anos’ — o que era exigido pela Lei mosaica. Eles afirmavam que para se
ter o favor de Deus, era preciso obedecer à Lei. (Gálatas 4:10; 5:2, 3) No
entanto, Paulo sabia que os cristãos não precisavam observar esses
aspectos da Lei. Para provar isso, ele usou um relato bem conhecido de
todos os que tinham formação judaica.

Paulo lembrou os gálatas que Abraão, o pai da nação judaica, havia


gerado Ismael e Isaque. O primeiro nasceu da escrava Agar e o
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segundo da mulher livre Sara. Com certeza, os gálatas que estavam


promovendo a obediência à Lei mosaica conheciam o relato da
esterilidade de Sara e que por isso ela tinha dado sua serva Agar a
Abraão, a fim de ter um filho por meio dessa serva. Eles sabiam
também que Agar, depois de conceber Ismael, começou a desprezar
sua senhora, Sara. No entanto, conforme Deus havia prometido, Sara
por fim deu à luz Isaque quando já era idosa. Mais tarde, Abraão
mandou Agar e Ismael embora porque Ismael havia maltratado Isaque.
— Gênesis 16:1-4; 17:15-17; 21:1-14; Gálatas 4:22, 23.

Duas mulheres, dois pactos

Paulo explicou os personagens desse “drama simbólico”, dizendo:


“Estas mulheres significam dois pactos, um do monte Sinai, que dá à luz
filhos para a escravidão, e que é Agar. . . . Ela corresponde à Jerusalém
atual, pois está em escravidão com os seus filhos.” (Gálatas 4:24, 25)
Agar representava o Israel natural, cuja capital era Jerusalém. A nação
judaica estava sujeita a Jeová por meio do pacto da Lei celebrado no
monte Sinai. Sob esse pacto, os israelitas eram constantemente
lembrados da sua condição de escravos do pecado e da necessidade de
redenção. — Jeremias 31:31, 32; Romanos 7:14-24.

Então, quem a mulher “livre” Sara e seu filho Isaque representavam?


Paulo indicou que Sara, a “mulher estéril”, simbolizava a esposa de
Deus, a parte celestial da sua organização. Essa mulher celestial era
estéril visto que antes de Jesus vir ao mundo ela não tinha “filhos”
ungidos na Terra. (Gálatas 4:27; Isaías 54:1-6) Entretanto, no
Pentecostes de 33 EC espírito santo foi derramado sobre um grupo de
homens e mulheres que então nasceram de novo como filhos dessa
mulher celestial de Deus. Os filhos produzidos por essa organização
foram adotados como filhos de Deus, tornando-se co-herdeiros de
Jesus numa nova relação pactuada. (Romanos 8:15-17) Sendo um
desses filhos, o apóstolo Paulo pôde escrever: “A Jerusalém de cima é
livre, e ela é a nossa mãe.” — Gálatas 4:26.
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Filhos das mulheres

Segundo o relato bíblico, Ismael perseguia Isaque. De forma similar,


durante o primeiro século EC, os filhos da Jerusalém escravizada
desprezavam e perseguiam os filhos da Jerusalém de cima. “Assim
como então aquele nascido na maneira da carne [Ismael] começou a
perseguir o nascido na maneira do espírito [Isaque], assim também é
agora”, explicou Paulo. (Gálatas 4:29) Quando Jesus Cristo veio à Terra e
começou a anunciar o Reino, os líderes religiosos judaicos agiram da
mesma forma que o filho de Agar, Ismael, agiu com Isaque, o
verdadeiro herdeiro de Abraão. Eles desprezaram e perseguiram Jesus
Cristo, evidentemente imaginando que eles eram o herdeiro legítimo
de Abraão e que Jesus era o intruso.

Pouco antes de os governantes israelitas conseguirem que Jesus fosse


morto, ele disse: “Jerusalém, Jerusalém, matadora dos profetas e
apedrejadora dos que lhe são enviados — quantas vezes quis eu ajuntar
os teus filhos, assim como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo de
suas asas! Mas vós não o quisestes. Eis que a vossa casa vos fica
abandonada.” — Mateus 23:37, 38.

O registro inspirado dos acontecimentos do primeiro século mostra que


a nação carnal representada por Agar não gerou, por si mesma, filhos
que seriam co-herdeiros de Jesus. Os judeus que orgulhosamente
julgavam ter direito a essa herança por nascimento foram expulsos,
rejeitados por Jeová. É claro que alguns israelitas naturais se tornaram
herdeiros com Cristo, mas receberam esse privilégio com base na fé
que tinham em Jesus e não pela sua linhagem.

A identidade de alguns desses co-herdeiros de Cristo ficou conhecida no


Pentecostes de 33 EC. Com o tempo, Jeová ungiu outros como filhos da
Jerusalém de cima.

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O objetivo de Paulo ao explicar esse “drama simbólico” era o de ilustrar


a superioridade do novo pacto em relação ao pacto da Lei mediado por
Moisés. Ninguém poderia obter o favor de Deus por meio de obras da
Lei mosaica, visto que todos os humanos são imperfeitos e essa Lei
simplesmente destacava sua escravidão ao pecado. No entanto, como
disse Paulo, Jesus veio “livrar por meio duma compra os debaixo de lei”.
(Gálatas 4:4, 5) Assim, a fé no valor do sacrifício de Cristo permitiu-lhes
ser libertados da condenação da Lei. — Gálatas 5:1-6.

De grande valor para nós

Por que deveríamos estar interessados na explicação inspirada de


Paulo sobre esse drama? Uma razão é que ela nos dá entendimento
profundo sobre significados bíblicos que de outra forma
permaneceriam obscuros para nós. Esse esclarecimento fortalece a
nossa confiança na unidade e harmonia da Bíblia. — 1 Tessalonicenses
2:13.

Além disso, as realidades simbolizadas nesse drama são essenciais para


a nossa felicidade futura. Deus prometeu que surgiriam “filhos”; se isto
não acontecesse, a nossa única perspectiva seria a escravidão ao
pecado e à morte. No entanto, sob a amorosa supervisão de Cristo e de
seus co-herdeiros da promessa de Deus feita a Abraão, ‘todas as nações
da terra abençoarão a si mesmas’. (Gênesis 22:18) Isto se dará quando
elas estiverem livres para sempre dos efeitos do pecado, da
imperfeição, do pesar e da morte. (Isaías 25:8, 9) Será realmente uma
época gloriosa!

[Foto na página 11]

O pacto da Lei foi celebrado no monte Sinai

[Crédito]

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18/09/2018 “Um drama simbólico” de grande valor para nós

Pictorial Archive (Near Eastern History) Est.

[Foto na página 12]

Qual é o significado do “drama simbólico” mencionado pelo apóstolo


Paulo?

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