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Nomenclatura em Química

Revista Virtual de Química ISSN 1984-6835 Volume 3 Número 4

http://www.uff.br/rvq

Sobre a Nomenclatura de Carboidratos


por Ricardo B. de Alencastro*
e Fabrício Bracht Data de publicação na Web: 28 de Agosto de 2011
Recebido em 5 de Agosto de 2011
Aceito para publicação em 17 de Agosto de 2011

Este trabalho não procura de glicoproteínas, glicopeptídeos e Esta metodologia envolvia


discutir em detalhes as peptidoglicanos6 e a nomenclatura moer a cana para extrair o caldo
Recomendações 1996, de glicolipídeos.8,9 Elas que era, a seguir, aquecido à
Nomenclatura de Carboidratos©, suplementam as Regras Definitivas ebulição para eliminar o solvente
da IUPAC, disponível (impresso) da Nomenclatura da Química ou seco ao sol. O resultado era um
em Pure&Applied Chemistry, Vol Orgânica em aspectos não sólido parecido com areia.
68, No. 10, pp 1919-2008, 1996 e, cobertos por elas.10,11
eletronicamente, em
www.chem.qmul.ac.uk/iupac/2car Aspectos Históricos12
b/. O interesse principal é chamar
a atenção para alguns aspectos Os açúcares são conhecidos
históricos e alguns detalhes da pela Humanidade desde tempos
nomenclatura, originalmente na imemoriais. Frutas e mel fazem
língua inglesa, que podem causar parte da dieta humana desde a
dificuldades quando transpostas época dos homídeos. O que
para o Português. Existe uma chamamos comumente de açúcar,
versão recente (2010) publicada a sacarose, tem uma história mais
em Portugal por B. J. Herold e recente. A cana-de-açúcar, de
colaboradores.1 Dada a variedade onde ela é extraída, é originária do
e a complexidade das estruturas sul e sudeste da Ásia e era
que formam a classe dos originalmente mastigada. Os
carboidratos, a tarefa de organizar indianos, durante a dinastia Gupta,
aquelas Recomendações estendeu- no Século IV D.C., desenvolveram
se por treze anos (1983-1996) e uma metodologia de cristalização Figura 2. Hermann Emil Fischer
envolveu Comissões da da sacarose que rapidamente se
International Union of Pure and espalhou pela Ásia.13 A glicose só foi isolada por
Applied Chemistry (IUPAC) e da Andreas Marggraf, em 1747, a
International Union of partir de uvas, cujo sumo contém
Biochemistry and Molecular um grande número de diferentes
Biology (IUBMB), além de uma açúcares. Ele obteve um pó
Comissão de Especialistas e duas branco, que mais tarde passou a
Comissões de Nomenclatura da ser conhecido como glicose.
American Chemical Society (ACS).2 Marggraf reconheceu ter isolado
As Recomendações 1996 um material quase tão doce como
substituem várias Recomendações o açúcar de mesa. No mesmo ano,
anteriores, listadas naquele anunciou a descoberta da sacarose
documento. Outras na beterraba e desenvolveu um
Recomendações relevantes método de extraí-la. O termo
incluem a nomenclatura de glicose foi cunhado mais tarde
ciclitóis,3,4 a numeração dos pelo químico francês Jean Baptiste
átomos no myo-inositol,5 os Andre Dumas, em 1838, a partir da
símbolos usados para especificar a palavra grega "glycos", que
conformação das cadeias de significa "doce". O "y" grego
Figura 1. Andreas Sigismund
polissacarídeos,6,7 a nomenclatura original, traduzia-se em francês
Marggraf
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negócios, queria deixar o Bonn


Gymnasium - uma instituição
universitária - em 1869, pois seu
desejo era estudar matemática e
física. Mas seu pai o compeliu a
trabalhar nos negócios da famíla.
Ficou logo evidente que ele não
tinha nenhuma queda para os
negócios e a família o liberou para
estudar na Universidade de Bonn
(1872), com Friedrich August
Kekulé Von Stradonit (Figura 3), de
onde se transferiu, no mesmo ano,
para a Universidade de
Estrasburgo que passara a integrar
a Alemanha após a guerra franco-
prussiana de 1870-1871 e a
unificação que se seguiu. Em
Estrasburgo, Fischer trabalhou
com Johann Friedrich Wilhelm
Figura 3. Friedrich August Kekulé von Stradonit (esquerda) e Johann Adolf von Baeyer (Figura 4), com
Friedrich Wilhelm Adolf von Baeyer (direita) quem iniciou seus estudos na
química orgânica, disciplina em
por "u" (daí "glucose" em francês, ajudou a reorganizar a Academia que trabalharia o resto da vida.
com um som entre "i" e "u". A Prussiana de Ciências, da qual foi Obteve o doutorado em 1874, com
tradução do termo para o inglês foi diretor em 1760. Ele aposentou-se Baeyer.
dúbia, ora "glucose" ora "glycose" em 1781 e morreu no ano No ano seguinte, Baeyer foi
com o som também intermediário seguinte, ainda em Berlim. convidado a substituir Justus von
entre "i" e "u", confusão que Liebig (Figura 4) na Universidade
persistiu até o século XX, mas de Munique, capital da então
finalmente resolvida como monarquia austro-húngara e
"glucose", reservando-se o "gly" Fischer o seguiu como assistente.
para certas situações especiais. Em Tornou-se livre-docente
português, o "y" grego tornou-se ("Privatdozent") pela Universidade
"i" porque não temos o som de Munique em 1878 e tornou-se
intermediário, daí porque deve-se Professor Associado de Química
usar "glicose" e a raiz "glico" para Analítica da mesma Universidade
todos os nomes derivados, em 1879. Recusou, no mesmo ano,
inclusive glicano e glicosano, e não a oferta da Cátedra de Química na
"glucose" como ainda acontece Universidade de Aachen. Em 1882,
com certa frequência. O nome do passou a Professor de Química na
aminoácido glicina tem a mesma Universidade de Erlangen e em
aiz e i gué es eve glu i a . 1885 a Professor na Universidade
Andreas Sigismund Marggraf de Würzburg, onde permaneceu
(Figura 1) nasceu em 1709, em até 1892. Sete anos depois,
Berlim, filho do farmacêutico sucedeu August Wilhelm Hofmann
Henning Christian Marggraf, o que como professor de química na
levou o jovem Andreas a tomar Figura 4. Justus von Liebig Universidade de Berlim, onde
contato com a química muito permaneceu até sua morte, por
cedo. Ele estudou medicina a O próximo grande nome na suicídio, em 15 de julho de 1919.
partir de 1725 em Berlim onde química de açúcares foi Hermann Fischer era um experimentalista
estudou com Caspar Neuman. Emil Fischer (Figura 2). Nascido em convicto e devotou sua vida ao
Viajou muito pela Alemanha mas Euskirchen, uma pequena cidade desenvolvimento da química
continuou o trabalho de seu pai perto de Colônia, na Prússia, em orgânica. Deu especial ênfase à
em Berlim e, mais tarde na vida, 1852. Filho de um homem de estereoquímica dos compostos
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propôs o uso dos enantiômeros


dos gliceraldeídos para
determinar as séries D e L dos
açúcares, a chamada convenção
Fischer-Rosanoff, aceita até hoje.
No fim do Século XIX já se
sabia que os açúcares livres
existiam na forma de hemiacetais
ou hemicetais cíclicos. Fischer
sugeriu que a forma cíclica
poderia ser um anel de cinco
átomos ou de seis átomos,
designados por Bernhard
Christian Gottfried Tollens (Figura
12), um químico agrícola alemão,
nascido em Hamburgo, em 1841,
e Professor Honorário da
Universidade de Göttingen, pelos
símbolos <1,4> e <1,5>. Tollens,
Figura 5. Joseph Achille Le Bel Figura 6. Jacobus Henricus van't Hoff que desenvolveu o teste que leva
seu nome, adaptou as projeções
explicava a isomeria. Fischer de Fischer para representar as
orgânicos. Concentrou-se entre introduziu as clássicas fórmulas de formas cíclicas. Estas
1882 e 1906 no desenvolvimento projeção e sua orientação padrão, representações, conhecidas como
da química das purinas e dos com a carbonila no alto de uma fórmulas de Tollens, são ainda
açúcares. Seu trabalho no cadeia de carbonos vertical. usadas, apesar de impróprias, em
estabelecimento da estrutura alguns livros-texto.
da glicose é descrito hoje nos Fischer começou a trabalhar
livros-texto como exemplo de com proteínas a partir de 1899.
intuição química aliada ao Descobriu alguns amino-ácidos
raciocínio estrutural. O conceito de naturais como a prolina e a
estereoquímica fora desenvolvido hidróxi-prolina, descobriu a ligação
por Joseph Achille Le Bel e Jacobus peptídica e dedicou-se à síntese de
Henricus van't Hoff (Figuras 5 e 6) proteínas, obtendo amino-ácidos
a partir de 1874, e finalmente Figura 8. Projeções de Fischer para opticamente ativos e ligando-os
aceito não sem resistências de o D-gliceraldeído (esquerda) e L- em dipeptídeos, tripeptídeos e
químicos mais tradicionais. gliceraldeído (direita) polipeptídeos.
Este trabalho estabeleceu as
Ele estabeleceu, de forma bases para o desenvolvimento
arbitrária, que a hidroxila em C5 da posterior da química das
glicose dextrorrotatória apontava proteínas. Fischer estudou as
para a direita e assim enzimas e substâncias químicas de
automaticamente definiu a líquens que recolhia em seus
posição dos outros grupos passeios pela Floresta Negra. Em
hidroxila. Ele sabia perfeitamente 1890, propôs o mecanismo da
que tinha 50% de chances de estar "chave e fechadura" para a
certo. Somente em 1951, Johannes atividade enzimática, que persistiu
Martin Bijvoet (Figura 9), um durante mais de cinquenta anos.
Figura 7. Projeções de Fischer para químico e cristalógrafo holandês, Ganhou o Prêmio Nobel de
a D-glicopiranose (esquerda) e L- trabalhando no Laboratório van 't Química de 1902, por seu trabalho
glicopiranose (direita) Hoff da Universidade de Utrecht nos carboidratos e nas purinas.
provou que Fischer estava correto Durante a Primeira Guerra
O conceito de estereoquímica no sentido absoluto. Martin André Mundial contribuiu enormemente
teve grande importância na Rosanoff (Figura 10), um químico para o esforço de guerra com suas
química de açúcares porque russo, trabalhando com Fischer pesquisas em carvão, borracha,

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Sir Walter Norman Haworth


(Figura 18), professor em
Birmingham, na Inglaterra,
compartilhou o Prêmio Nobel de
Química de 1937 com o químico
suíço Paul Karrer (Figura 19),
recebido por suas pesquisas em
açúcares e na vitamina C. Karrer
obteve seu doutorado com Alfred
Werner, em Zurich em 1911 e
especializou-se em vitaminas.
Haworth propôs, nos anos 1920 os
termos "furanose" e "piranose"
para os hemiacetais cíclicos dos
ácúcares e introduziu fórmulas
estruturais que levam em conta a
estereoquímica, conhecidas como
Figura 9. Johannes Martin Figura 10. Martin André fórmulas de Haworth, que
Bijvoet Rosanoff rapidamente substituiram as
fórmulas de Tollens e são ainda
óleos, gorduras, taninos, Max Planck, Richard Willstätter e usadas em livros-texto. Nestas
alimentos, etc., mas não escondia Arnold Sommerfeld, dentre outros, fórmulas a hidroxila ligada ao
sua oposição à guerra, o que muito após sua morte. No ano em que carbono 1 determina a fo a α e β
o prejudicou. morreu, a Sociedade Alemã de e a posição relativa da mesma é
Química estabeleceu a Medalha gerada na reação de ciclização. Em
em Memória de Emil Fischer. Em solução aquosa, a glicose está em
2009 a Eu opea Ca ohyd ate e uilí io o % a fo a β-D-
O ga izatio ECO esta ele eu o gli opi a ose e 3 % o o α-D-
prêmio de Carboidratos Emil glicopiranose. Estas fórmulas, que
Fischer, concedido no Simpósio tem a numeração dos carbonos
Europeu de Carboidratos que importada das estruturas abertas,
acontece a cada dois anos, para o foram modernamente substituídas
químico que mais se destaca na pelas estruturas "em cadeira", que
área. levam em conta a forma
Figura 11. Projeções de Tollens tetraédrica dos átomos de carbono
pa a a α-D-glicopiranose e oxigênio.
es ue da e a β-D-glicopiranose
(direita) Alguns Comentários Sobre as
Recomendações de 1996
Dentre outras distinções,
Fischer tornou-se um Geheimrat A seção 2-Carb-1 apresenta as
(Excelência) da Prússia e recebeu definições e convenções usadas no
vários doutorados honorários das documento. Vale registrar aqui
Universidades de Christiana, na que a definição do termo genérico
Dinamarca, Cambridge e "carboidrato" inclui
Manchester (Inglaterra) e Bruxelas monossacarídeos, oligossacarídeos
(Bélgica). Recebeu, também, a e polissacarídeos, além de
Ordem do Mérito da Prússia e a substâncias derivadas por redução
importante Ordem de Maximiliano da carboxila, por oxidação de um
para as Artes e Ciências da Bavária. ou mais grupos hidroxila ou
Receberam, também, esta última substituição desses grupos por
comenda Alexander von átomos de hidrogênio, grupos
Figura 12. Bernhard Christian
Humboldt, Justus von Liebig, amino, tiol ou outros
Gottfried Tollens
Friedrich Wöhler e Hermann heteroátomos. Ciclitóis não são
Helmholtz, antes dele, bem como

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considerados como carboidratos e


têm nomenclatura própria.
Uma definição tão ampla leva
naturalmente a uma grande
variedade de estruturas, o que
complica a nomenclatura dos
carboidratos, que se traduz nas 89
páginas de Regras que compõem
as Recomendações de 1996 e
justifica os treze anos necessários
para sua compilação a partir de
Regras pré-existentes.

O H O
H
N S N S
OH OH
R
HO

Figura 13. Estrutura da prolina


(esquerda) e da hidroxi-prolina determinação da estrutura indicadores de estereoquímica α e
(direita) principal quando mais de um β. A Seção 2-Carb-7 descreve a
monossacarídeo faz parte da notação do descritor
H3C molécula, além das normas para a conformacional e as Seções
O S O
S numeração dos átomos da seguintes de 2-Carb-8 a 2-Carb-35
NH estrutura principal e sua descrevem a nomenclatura das
OH nomenclatura. Nestas seções são diversas classes de
NH descritos também o uso correto monossacarídeos. As Seções 2-
das fórmulas de Fischer e de Carb-36 a 2-Carb-39 descrevem a
Figura 14. Ligação peptídica entre Haworth, bem como da fórmula de nomenclatura dos dissacarídeos,
a prolina e a alanina Mills e da representação em oligossacarídeos e polissacarídeos.
cadeira.
As Seções 2-Carb-2 a 2-Carb-5 A Seção 2-Carb-6 trata do Conclusão
apresentam as regras para a centro anomérico e do uso dos
A história do desenvolvimento
da linguagem química, muito mais
do que uma simples coleção de
regras de nomenclatura e de
procedimentos gráficos para
representar estruturas, evoluídos
no decorrer do tempo para
representar o "estado-da-arte", é
uma leitura fascinante de como a
ciência da química desenvolveu-se
a partir da observação de
propriedades físicas, químicas e
biológicas de materiais naturais,
aparentemente não relacionadas.
A história e a nomenclatura dos
açúcares obviamente seguiu o
mesmo caminho. Do uso, como
condimento, de um material de
composição desconhecida até o
isolamento e purificação dos
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6
IUPAC-IUB Joint Comission on
Biochemical Nomenclature (JCBN)
Eur. J. Biochem. 1983, 131, 5.
[CrossRef]
7
IUPAC-IUB Joint Comission on
Biochemical Nomenclature (JCBN)
Pure Appl. Chem. 1983, 55, 1269.
[CrossRef]
8
IUPAC-IUB Joint Comission on
Biochemical Nomenclature (JCBN)
Eur. J. Biochem. 1986, 159, 1.
[CrossRef] [Pubmed]
9
IUPAC-IUB Joint Comission on
Biochemical Nomenclature (JCBN)
2010, em preparação.
Figura 18. Walter Norman Figura 19. Paul Karrer 10
IUPAC Nomenclature of Organic
Haworth Chemistry, Sections A, B, C, D, E, F
and H, Edition Pergamon Press,
2
primeiros carboidratos, o O único participante de língua Oxford, UK, 1979.
isolamento de estruturas naturais portuguesa foi a Professora Maria 11
Guide to IUPAC Nomenclature of
mais complexas, a síntese dos Auxiliadora C. Kaplan, Professora Organic Compounds,
primeiros monossacarídeos e, Emérita da Universidade Federal Recommendations 1993 Blackwell
depois, de outros materiais do Rio de Janeiro. Scientific Publications, Oxford, UK,
3
relacionados, lemos uma bela IUPAC-IUB Joint Comission on 1993.
história do engenho humano. Biochemical Nomenclature (CBN) J. 12
As fontes utilizadas para a
Biol. Chem. 1982, 257, 3347. elaboração desta seção foram:
Referências Bibliográficas [PubMed] Moore, F. J. A History of Chemistry
4
IUPAC-IUB Joint Comission on McGraw-Hill: New York, 1939 e
1
Rauter, A. P.; Herold, B. J.; da Biochemical Nomenclature (CBN) www.wikipedia.org/, acessado em
Silva, A. M.; Relva, A.; Figueiredo, Pure Appl. Chem. 1982, 54, 1517. 01/08/2011
J. A.; Rodrigues, J. A. R.; Bento, L.; [CrossRef] 13
Adas, M. Agricultural and
5
Caldeira, M.; Coimbra, M.; Ismael, Nomenclature Committee of IUB Pastoral Societies in Ancient and
M. I.; Nomenclatura de Hidratos de (NC-IUB) Biochem. J. 1976, 153, 23. Classical History. Temple
Carbono, Edições Lidel, 2010 [ISBN [PubMed] University Press, Philadelphia,
978-972-757-577-0]. EUA, 2001. [ISBN 1-56639-831-2]

LabMMol, Pós-Graduação em Química, Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Cidade
Universitária, CT, Bloco A, Lab. 609, Rio de Janeiro, RJ 219441-909- Brasil.
bicca@iq.ufrj.br
DOI: 10.5935/1984-6835.20110039

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