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BETÃO ARMADO I fct - UNL

BETÃO ARMADO I – MESTRADO EM ENG. CIVIL

8 – DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS
RELATIVAS A VIGAS

PROGRAMA
1.Introdução ao betão armado
2.Bases de Projecto e Acções
3.Propriedades dos materiais: betão e aço
4.Durabilidade
5.Estados limite últimos de resistência à tracção e à compressão
6.Estado limite último de resistência à flexão simples
7.Estado limite último de resistência ao esforço transverso
8.Disposições construtivas relativas a vigas
9.Estados limite de fendilhação
10.Estados limite de deformação
11.Estados limite últimos de resistência à flexão composta com esforço normal
e à flexão desviada
12.Estados limite últimos devido a deformação estrutural
13.Disposições construtivas relativas a pilares e paredes
14.Estado limite último de resistência à torção
VLúcio Out07 1
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8 – DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS RELATIVAS A VIGAS


1. ASPECTOS GERAIS
1. Introdução
2. Distância entre varões
3. Diâmetros admissíveis para a dobragem de varões
4. Aderência aço-betão
5. Amarração
6. Emenda de varões
7. Agrupamentos de varões

1. Introdução
Produção de armaduras para
betão armado:
a. desenhos do projecto
- as peças de betão armado
MATERIAIS:
são pormenorizadas à escala BETÃO C30/37 AÇO A500NR
Rec.: c=30mm Escala 1:10
1:10 ou 1:20;
b. preparação de obra
- cada uma das armaduras é
desenhada pelo “preparador
de obra” à escala 1:10;
VLúcio Out07 2
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c. no “armador de ferro”, as MÁQUINA DE CORTE
DE ARMADURAS
armaduras são cortadas com o
comprimento especificado;

d. e dobradas com a forma


definida nos desenhos;

MÁQUINA DE DOBRAGEM MANDRIL DE DOBRAGEM


DE ARMADURAS DE ARMADURAS

VLúcio Out07 3
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e. as armaduras são montadas e atadas, utilizando “arame de atar”;
ESTALEIRO DE
MONTAGEM DE
ARMADURAS

VLúcio Out07 4
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f. e posteriormente colocadas na cofragem, com “espaçadores” que garantem o
recobrimento especificado.
MONTAGEM DAS
MONTAGEM DAS ARMADURAS DE UM MURO
ARMADURAS DE UMA DE SUPORTE DE TERRAS
PAREDE

ESPAÇADORES

ARMADURAS DE UMA
CONSOLA CURTA

ARMADURAS DE UM PILAR
VLúcio Out07 PRÉ-FABRICADO 5
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2. Distância entre varões
A distância entre varões deve permitir a betonagem e a
compactação do betão.
A distância livre entre varões paralelos s não deve ser s
inferior a:
s ≥ máximo { φ ; dg+ 5mm; 20mm} φ

onde dg é a dimensão máxima do agregado.

VLúcio Out07 6
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3. Diâmetros admissíveis para a


dobragem de varões
MANDRIL DE DOBRAGEM
O diâmetro mínimo de dobragem dos DE ARMADURAS
varões (diâmetro do mandril usado na
máquina de dobragem) deve ser tal que:
• não provoque fendas no varão;

φ
≥5
º
150 gancho

Para evitar danos no varão


≥ 5φ φm cotovelo Diâmetro Diâmetro mínimo do
do varão φ mandril - cotovelos,
ganchos e laços φm
≤16mm 4φ
laço >16mm 7φ
VLúcio Out07 7
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O diâmetro mínimo de dobragem dos varões MANDRIL DE
DOBRAGEM DE
(diâmetro do mandril usado na máquina de ARMADURAS
dobragem) deve ser tal que:
• não provoque rotura do betão situado no
interior da dobra.
Fbt
σc

φm
φm ≥ Fbt [1/ab+1/(2φ)] / fcd
Fbt ab ab ab
Fbt é a força resistente de um varão
e ab é metade da distância entre φm/ φ para evitar a rotura do betão com ab = φ
eixos de varões adjacentes, ou o C20/25 C25/30 C30/37 C35/45 C40/50 C45/55 C50/60 ≥C55/67
recobrimento adicionado de metade
do diâmetro do varão, caso este A400 31 25 21 18 16 14 13 12
esteja junto a um paramento. A500 39 31 26 22 20 18 16 14

Não é necessário verificar o diâmetro do mandril para a rotura do betão, se:


• a amarração necessária não ultrapassar 5φ para além da extremidade curva;
• o varão não esteja junto a um bordo e exista um varão transversal com diâmetro ≥φ no
interior da curva.
VLúcio Out07 8
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4. Aderência entre os varões e o betão

fbd = 2.25 η1 η2 fctd fb

fbd é o valor de cálculo da tensão de rotura da


aderência entre o varão e o betão Fs
fctd é o valor de cálculo da resistência do betão
à tracção fctd = fctk,0.05 / (γc=1.5)
η1 = 1.0 para condições de Classes de resistência do betão
“boa aderência” (MPa) C20/25 C25/30 C30/37 C35/45 C40/50 C45/55 C50/60
= 0.7 para outros casos fctk, 0,05 1.5 1.8 2 2.2 2.5 2.7 2.9
η2 = 1.0 para φ ≤ 32mm fctd 1.0 1.2 1.3 1.5 1.7 1.8 1.9

= (132- φ)/100 para φ > 32mm fbd 2.3 2.7 3.0 3.3 3.8 4.1 4.4
(Valores de fbd para η1= η2 = 1.0)
Direcção da
betonagem

α h> 250mm
250 Condições de
mm
45º ≤ α ≤ 90º “boa” aderência

300 Condições de
mm
“fraca” aderência
h≤ 250mm h > 600mm
VLúcio Out07 9
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5. Amarração dos varões ao betão TIPOS DE AMARRAÇÕES
φ
COMPRIMENTO DE AMARRAÇÃO ≥5
º
150 gancho

Comprimento de amarração necessário (required)

≥ 5φ φm cotovelo

fbd φ Fs

laço
lb,req

σsd (πφ2 /4) = lb,req (π φ) fbd φt≥0.6φ ≥5φ


com varão
força no força transmitida por aderência transversal
varão na superfície de contacto do soldado
varão com o betão

lb,req = φ /4 (σsd / fbd)

podemos considerar σsd As,prov = As,req fyd


As,req área de armadura necessária pelo cálculo
As,prov (≥ As,req) área de armadura colocada
VLúcio Out07 10
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COMPRIMENTO DE AMARRAÇÃO DE CÁLCULO lbd = α lb,req
varões rectos: cd = min ( a/2, c1, c)
a cotovelos ou ganchos: cd = min ( a/2, c1)
laços: cd = c
c α2· α3· α4 ≥ 0.7 α = α1 α2 α3 α4 α5
Varões traccionados: lbd,min = max {0.3 lb,req; 10φ; 100mm}
c1
Varões comprimidos: lbd,min = max {0.6 lb,req; 10φ; 100mm}
Factor de influência Armadura para betão armado
Tipo de amarração
Traccionada Comprimida
α1 - Forma dos varões Recta α1 = 1,0 α1 = 1,0
α1 = 0,7 se cd >3φ
Outra, não recta α1 = 1,0
caso contrário α1 = 1,0
α2 - Recobrimento das armaduras Recta α2 = 1 – 0,15 (cd – φ)/φ ≥ 0,7 ≤ 1,0 α2 = 1,0

Outra, não recta α2 = 1 – 0,15 (cd – 3φ)/φ ≥ 0,7 ≤ 1,0 α2 = 1,0


α3 - Cintagem com armaduras transv. α3 = 1 – Kλ ≥ 0,7 ≤ 1,0 α3 = 1,0
Todos os tipos
não soldadas à armadura principal
α4 - Cintagem com armaduras α4 = 0,7 α4 = 0,7
Todos os tipos,
transversais soldadas
α5 - Cintagem por compressão α5 = 1 – 0,04p ≥ 0,7 ≤ 1,0 -
Todos os tipos
transversal
VLúcio Out07 p - pressão transversal [MPa] no estado limite último ao longo de lbd 11
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COMPRIMENTO DE AMARRAÇÃO DE CÁLCULO
Comprimento de amarração de cálculo lbd/φ
C20/25 C25/30 C30/37 C35/45 C40/50 C45/55 C50/60
A400 39 32 29 26 23 21 20
(27) (23) (20) (18) (16) (15) (14)
A500 48 40 36 33 29 27 25
(34) (28) (25) (23) (20) (19) (17)
(α = 0.7) Fs
recto laço
(tracção)
lbd= lb,req Fs Fs
φ lbd= 0.7 lb,req
≥5
50º gancho
≥1 gancho (compressão)
(tracção)
Fs
Fs lbd= lb,req
lbd= 0.7 lb,req
se cd >3φ cotovelo
(compressão)
Fs
lbd= lb,req
≥ 5φ
cotovelo φt≥0.6φ
(tracção) ≥5φ
Fs com varão
lbd= 0.7 lb,req Fs transversal
VLúcio Out07
se cd >3φ lbd= 0.7 lb,req soldado 12
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AMARRAÇÃO DE ARMADURAS DE ESFORÇO TRANSVERSO E DE CINTAS

≥ 5φ ≥ 5φ
≥50mm ≥70mm

φt φt

gancho cotovelo
estribo ou
Amarração de cinta
cinta com cotovelo em pilar

≥10mm ≥10mm
≥ 2φ
com varões ≥20mm
transversais ≤50mm
soldados φt≥1.4φ
(rec.≥(3φ;50mm) φt≥0.7φ

VLúcio Out07 13
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ROTURA POR FALHA DA AMARRAÇÃO DAS ARMADURAS LONGITUDINAIS
Rotura por aderência
- fenda longitudinal - M
+

+
V
FS = V 0.5 cotgθ -

SOLUÇÃO
lbd CORRECTA
VLúcio Out07 14
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6. Emenda de varões
A transmissão de forças de um varão para outro dentro do betão, pode ser
efectuada por:
• soldadura;
• dispositivos mecânicos;
• sobreposição de varões, com ou sem cotovelos ou ganchos.

Emenda por
sobreposição

VLúcio Out07 15
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EMENDA POR SOLDADURA

5φ 5φ 5φ
≤ 1.4φ

φ
5φ 5φ ≤ 0.85φ

φ
5φ 5φ

Soldadura de topo
φ≥20mm

VLúcio Out07 16
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EMENDA COM DISPOSITIVOS MECÂNICOS

Porca e rosca no varão


sistema BBR Swift

Porca e
varão com
nervuras em
forma de rosca
(com contra porca)
Sistema GEWI da Dywidag

VLúcio Out07 17
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EMENDA COM DISPOSITIVOS MECÂNICOS

Sistema Halfen

Estes sistemas têm que ser


testados experimentalmente e
a rotura deve ocorrer pelo
varão e não ser condicionada
pela emenda.

VLúcio Out07 18
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EMENDA POR SOBREPOSIÇÃO DE VARÕES
As emendas de varões por sobreposição devem ser afastadas entre si, e
afastadas de zonas de esforços elevados:
• não devem ser feitas emendas nas zonas de ligação das vigas aos pilares
por aí surgirem os máximos esf. transversos e momentos negativos, e
elevados esforços sísmicos (acções cíclicas) nem nas zonas de meio vão
onde os momentos positivos são máximos.
• não devem ser efectuadas emendas nos pilares nas zonas dos nós de
ligação às vigas, por ser nas extremidades dos pilares que se situam os
máximos momentos e surgem forças cíclicas elevadas durante a acção dos
sismos.
Comprimento de sobreposição l0

l0 = α lb,req ≥ l0,min

l0

α = α1 α2 α3 α5 α6
Zonas onde não devem ser efectuadas emendas
VLúcio Out07 19
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COMPRIMENTO DE SOBREPOSIÇÃO l0
l0 = α lb,req ≥ l0,min
α = α1 α2 α3 α5 α6
α1 α2 α3 e α5 podem ser obtidos do quadro de cálculo de lbd
α6 = (ρ1/25)0.5 1.0 ≤ α6 ≤1.5 , ρ1 é a percentagem de varões emendados a uma
distância inferior a 0.65 l0 da secção média da sobreposição
ρ1 ≤25% 33% 50% >50%
α6 1.0 1.15 1.4 1.5

2 varões dentro de
0.65 l0, logo ρ1=50% l0

0.65 l0 0.65 l0

l0,min = max {0.3 α6 lb,req; 15φ; 200mm}


VLúcio Out07 20
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• A distância livre entre varões emendados não l0
deve exceder 4φ nem 50mm
≤ 4φ; ≤ 50mm

• Caso tal aconteça, o comprimento a


de emenda deve ser acrescido
dessa distância
l0 + a

• Sobreposições adjacentes:
• a distância longitudinal entre duas ≥ 0.3 l0 l0
emendas deve ser superior a 0.3 l0;

≥ 2φ; ≥ 20mm

• a distância livre entre duas


sobreposições adjacentes não deve
ser menor que 2φ nem 20mm.

VLúcio Out07 21
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• Os varões comprimidos podem ser emendados todos na mesma secção;

• Os varões traccionados:
• podem ser emendados todos na mesma secção se se encontrarem numa única
camada;
• caso contrário apenas podem se emendados 50% dos varões na mesma secção.

duas
uma camadas
camada

emendas de todos emendas de ≤ 50%


os varões dos varões

VLúcio Out07 22
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ARMADURA TRANSVERSAL NA ZONA DA SOBREPOSIÇÃO Fst
Nas emendas por sobreposição, é Fs
necessário uma armadura transversal
para resistir às forças de tracção que se
Fs
desenvolvem devido ao mecanismo de Fs
transferência da força de um varão para
o outro, através do betão.
Quando φ < 20mm, ou se emenda menos de 25% dos varões duma secção,
considera-se que as armaduras transversais existentes por outros motivos são
suficientes para equilibrar as forças de tracção resultantes da emenda.
Nos outros casos: Fst ≥ Fs ou seja: ∑ Ast ≥ As
Se mais de 50% dos varões forem emendados numa secção e a distância transversal entre
emendas for a ≤ 10φ, as armaduras transversais devem constituir cintas.
Varões traccionados Varões comprimidos
l0 l0

≤150mm ≤150mm
∑Ast/2 ∑Ast/2 ∑Ast/2 ∑Ast/2

VLúcio Out07 l0 / 3 l0 / 3 4φ l0 / 3 l0 / 3 4φ 23
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8 – DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS RELATIVAS A VIGAS


7. AGRUPAMENTOS DE VARÕES
Podem-se agrupar varões com diferentes diâmetros desde que
a razão entre os diâmetros não exceda 1,7.

φn = φ √nb ≤ 55mm diâmetro equivalente do agrupamento

Em que nb é o número de varões do agrupamento.


nb ≤ 4 no caso de varões verticais comprimidos e s
de varões numa emenda por sobreposição;
nb ≤ 3 nos restantes casos.
• Distância entre agrupamentos de varões s ≥ máximo { φn ; dg+ 5mm; 20mm}
• O recobrimento de agrupamentos de varões não deve ser inferior a φn.
• Para a determinação do comprimento de sobreposição l0 deve ser usado φn.

VLúcio Out07 24
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BETÃO TRANSLÚCIDO
(com fibras ópticas)

VLúcio Out07 25
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2. REGRAS PARTICULARES RELATIVAS A VIGAS
1. Regras gerais para zonas sísmicas
2. Armaduras longitudinais
A. Armaduras longitudinais nas zonas críticas
B. Armadura mínima de tracção
C. Armaduras máximas
D. Armadura nos apoios
E. Dispensas de armaduras
3. Armaduras transversais
A. Armadura mínima
B. Espaçamentos máximos
4. Redistribuição de momentos

VLúcio Out07 26
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1. Regras gerais para zonas sísmicas

Definem-se com elementos estruturais primários para os sismos os elementos da


estrutura responsáveis pela sua resistência e rigidez face à acção dos sismos.
• Em geral, os elementos estruturais primários para os sismos são as vigas, os
pilares e as paredes principais da estrutura.
• As lajes, os lintéis e os pilaretes, não são, em geral, considerados elementos
estruturais primários para os sismos.

• Nos elementos estruturais primários para os


sismos apenas se podem usar aços das
σ MPa
classes de ductilidade B e C.
ftk = k fyk
fyk

Classe de ductilidade A B C
k = (ft/fy)k ≥ 1,05 ≥ 1,08 ≥ 1,15
< 1,35
εuk (%) ≥ 2,5 ≥ 5,0 ≥ 7,5 0 2 4 6 8
εuk 10 12
ε %

VLúcio Out07 27
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8 – DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS RELATIVAS A VIGAS


No EC8 (EN1998), para efeitos da análise e pormenorização das estruturas para
responderem às acções sísmicas, definem-se três classes estruturais:
• classe de ductilidade baixa DCL (low ductility class)
• classe de ductilidade média DCM (medium ductility class)
• classe de ductilidade alta DCH (high ductility class)
Quanto mais elevada é a classe de ductilidade da estrutura, maiores são as
exigências de ductilidade e menores as de resistência.
Assim, para a classe de ductilidade média DCM exige-se que a estrutura seja mais
resistente que na classe de ductilidade alta DCH, em contrapartida pode possuir
menor capacidade de deformação plástica.
No que se segue, considera-se que a estrutura é da

classe de ductilidade média DCM (medium ductility class).

(para a classe de ductilidade baixa DCL ver EN1992


e para a classe de ductilidade alta DCH ver EN1998).

• Para a classe de ductilidade média (DCM) não devem ser usados betões de
classe de resistência inferior a C16/20 nos elementos estruturais primários.
VLúcio Out07 28
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δ

E
E2

δ
E1

-E

Estrutura mais dúctil, garantindo maiores deslocamentos horizontais,


podendo ser menos resistente.
δ

E
E2


E1 δ

-E
As duas estruturas são igualmente eficientes se
VLúcio Out07 possuírem a mesma energia de deformação. 29
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8 – DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS RELATIVAS A VIGAS


ZONAS CRÍTICAS EM VIGAS
Forças estáticas equivalentes à acção sísmica Momentos devidos à acção sísmica

Os maiores
Comprimento momentos
da zona crítica flectores
da viga surgem nas
extremidades
h dos pilares e
das vigas.
lcr≥h Zonas críticas
zonas onde se podem
formar rótulas plásticas
VLúcio Out07 devido à acção sísmica
30
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8 – DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS RELATIVAS A VIGAS


Para uma estrutura possuir maior ductilidade, terá que respeitar
maiores exigências de pormenorização nas zonas críticas, designadamente:
• Estribos e cintas mais apertados para:
• confinar o betão, garantindo que este resiste
a maiores deformações e ciclos de compressão-tracção;
• controlar a encurvadura das armaduras,
as quais estão também sujeitas a maiores ciclos de compressão-tracção.
• Menores quantidades de armadura traccionada
e maiores quantidades de armadura comprimida,
garantindo, assim, que as armaduras plastificam devido à flexão das vigas.

VLúcio Out07 31
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2. Armaduras longitudinais
A. ARMADURA LONGITUDINAL NAS ZONAS CRÍTICAS (DCM)
• Nas zonas críticas deve ser colocada na zona comprimida da secção uma
quantidade de armadura pelo menos igual a metade da armadura traccionada,
para além da necessária para efeitos de resistência aos Est. Lim. Últimos de
flexão.
1.8 x10 − 3 fcd
• Nas zonas críticas, a taxa de armadura ρmax = ρ'+
traccionada não deve exceder ρmax: μ φ ε yd fyd
onde: ′s
fcd é o valor de cálculo da resistência do betão à compressão ρ =
A A
s
ρ' =
fyd é o valor de cálculo da tensão de cedência do aço bd bd
εyd = fyd/Es é o valor de cálculo da extensão de cedência do aço
As
ρ e ρ’ são as taxas de armadura traccionada e comprimida,
respectivamente, sendo b a largura do banzo comprimido
e d a altura útil da secção d A’
μφ é o coeficiente de ductilidade á rotação da secção s

(ver EN1998 5.2.3.4 - para estruturas porticadas correntes b


e estruturas pórtico-parede, podemos considerar μφ ≈ 5.0)
A expressão anterior pode ser ωmax,- ω’
1.8 x10 − 3
apresentada em termos de ωmax = ω'+ A400 0.21
percentagem mecânica de armadura: μ φ ε yd A500 0.17
VLúcio Out07 32
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8 – DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS RELATIVAS A VIGAS


B. ARMADURA MÍNIMA DE TRACÇÃO (DCM)
As
A taxa de armadura traccionada ρ é dada por: ρ= d
onde: As é a a área da armadura traccionada
btd As
bt é a largura média da zona de betão traccionado, e
d é a altura útil da secção bt

f onde:
ρmin = 0.5 ctm fctm é o valor médio da resistência à tracção do betão
fyk fyk é o valor característico da tensão de cedência do aço
Classes de
Ou seja: resistência do betão C16/20 C20/25 C25/30 C30/37 C35/45 C40/50 C45/55 C50/60
fctm (MPa) 1.9 2.2 2.6 2.9 3.2 3.5 3.8 4.1
fctmb t d
A s,min = 0 .5 ρmin,A400 (%) 0.24 0.28 0.33 0.36 0.40 0.44 0.48 0.51
fyk ρmin,A500 (%) 0.19 0.22 0.26 0.29 0.32 0.35 0.38 0.41

C. ARMADURAS MÁXIMAS As ≤ 0.04 Ac A’s ≤ 0.04 Ac


Onde Ac é a área total da secção de betão, e
As e A’s são as áreas de armadura de tracção e de compressão,
respectivamente, excluindo as zonas de emenda por sobreposição.
VLúcio Out07 33
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8 – DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS RELATIVAS A VIGAS


D. ARMADURA NOS APOIOS
• Nos apoios extremos de vigas com continuidade com pilares, a armadura
superior deve ser dimensionada para um momento não inferior a 15% do máximo
momento no vão. A-s,apoio ≥ As(15% M+max) ≈ 15% A+s,vão ≥ As,min
• Nos apoios extremos e intermédios de vigas, com ou sem continuidade com
pilares, a armadura inferior não deve ser inferior a 25% da armadura máxima no
vão. A+s,apoio ≥ 25% A+s,vão ≥ As,min

• Nos apoios extremos de vigas, o comprimento de amarração lbd da armadura


inferior deve ser medido a partir da linha de contacto entre a viga e o apoio.
• Nos apoios intermédios de vigas, o comprimento de amarração lbd da armadura
inferior deve ser medido a partir da linha de contacto entre a viga e o apoio e não
deve ser inferior a 10φ em amarrações rectas, ou ao diâmetro do mandril em
amarrações em gancho ou em cotovelo para φ ≥ 16mm, ou ao dobro do diâmetro
do
VLúciomandril
Out07 para φ < 16mm. 34
BETÃO ARMADO I – MESTRADO EM ENG. CIVIL fct - UNL

8 – DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS RELATIVAS A VIGAS


E. DISPENSA DA ARMADURA LONGITUDINAL
O esforço transverso introduz um incremento de força na armadura traccionada,
podendo esta ser dimensionada pela seguinte expressão:
Fs = MEd / z + 0.5 VEd cotgθ
Este efeito pode, no entanto, ser tido em conta efectuando uma translação do
diagrama de momentos flectores de: al = 0.5 z cotgθ
Os varões da armadura longitudinal, devem ser prolongados de um comprimento
de amarração lbd para além da secção onde podem ser dispensados de acordo
com a translação do diagrama de momentos.

lbd al

ΔM
Nos apoios simples (MEd = 0) M
M'
as armaduras longitudinais
devem ser dimensionadas

M
para o efeito do esforço x
transverso:
al al M'
Δ Fs = 0.5 VEd(x=0) cotg θ
VLúcio Out07 35
BETÃO ARMADO I – MESTRADO EM ENG. CIVIL fct - UNL

8 – DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS RELATIVAS A VIGAS


3. Armaduras transversais
A. ARMADURA MÍNIMA
• O diâmetro das armaduras de esf. transverso não deve ser inferior a 6mm

0.08 fck
• Taxa mínima de armadura de esf. transverso é dada por: ρ w,min =
fyk
A sw
sendo: = ρ w ⋅ b w ⋅ sen α Para armaduras verticais: (Asw/s)min ≈ 0.1% bw
s
B. ESPAÇAMENTOS MÁXIMOS
• O espaçamento longitudinal
em estribos verticais não deve
exceder:
smax= min {0.75d; 300mm}

• O espaçamento longitudinal em estribos inclinados não deve exceder:


smax= min {0.75d; 300mm} (1 + cotgα)
• O espaçamento longitudinal em varões inclinados não deve exceder:
smax= 0.6d (1 + cotgα)
VLúcio Out07 36
BETÃO ARMADO I – MESTRADO EM ENG. CIVIL fct - UNL

8 – DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS RELATIVAS A VIGAS


• A armadura longitudinal comprimida deve ser envolvida por armaduras
transversais com espaçamento longitudinal máximo: smax= 15φ.

• O espaçamento transversal não deve exceder:


smax= min {0.75d; 600mm}

• NAS ZONAS CRÍTICAS:


• o espaçamento longitudinal de estribos verticais não deve exceder:
smax= min {0.25h; 24φt; 225mm; 8φ}
Onde h é a altura da secção da viga φt é o diâmetro da armadura transversal
e φ é o diâmetro da armadura longitudinal.
O primeiro estribo não deve distar mais de 50mm da extremidade da viga.

VLúcio Out07 37
ESTRUTURAS DE BETÃO ARMADO I fct - UNL
BETÃO ARMADO I – MESTRADO EM ENG. CIVIL

PROGRAMA
1. Introdução ao betão armado
2. Bases de Projecto e Acções
3. Propriedades dos materiais: betão e aço
4. Durabilidade
5. Estados limite últimos de resistência à tracção e à compressão
6. Estado limite último de resistência à flexão simples
7. Estado limite último de resistência ao esforço transverso
8. Disposições construtivas relativas a vigas
9. Estados limite de fendilhação
10. Estados limite de deformação
11. Estados limite últimos de resistência à flexão composta com esforço
normal e à flexão desviada
12. Estados limite últimos devido a deformação estrutural
13. Disposições construtivas relativas a pilares e paredes
14. Estado limite último de resistência à torção

VLúcio Out07 38

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