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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

Capítulo 1: História da Viola Caipira

Toda cultura em qualquer parte do mundo possui um ícone.


Quando se fala em Brasil, lembramos do Carnaval, quando se fala
em Itália, lembramos das massas, pizzas. Na música isso também
acontece. Quando falamos, por exemplo em música russa,
lembramos da Balaika; da música portuguesa, o Fado; da
Espanha, a música flamenca e o Violão. Nosso país tem uma
cultura musical imensa e que muitas vezes não conhecemos. Por
isso , tenho o grande prazer de apresentar a vocês um instrumento
que talvez seja o mais importante da cultura brasileira: a nossa
Viola Caipira. A Viola é um instrumento presente em quase todas
as festas do nosso interior ( festas do divino, festa de reis, entre
outras ). Foi o primeiro instrumento musical a chegar no país. Se
a MPB faz jus ao nome ( como toda música popular produzida no
Brasil ), então a Viola foi o instrumento precursor de tudo o que
temos hoje. É com certeza o instrumento mais popular do país,
mas que graças a influência da mídia, quase desapareceu do
ouvido dos brasileiros.
Um instrumento de som belíssimo, mas que sofre um preconceito
enorme por ter estampada em seu nome a palavra " Caipira ".
Acima de tudo isso, a Viola é um instrumento que está voltando a
crescer graças a nomes como Almir Sater, Roberto Corrêa e Ivan
Vilela. Nomes que hoje estão levando o instrumento para outros horizontes, como o
erudito, a MPB, a bossa nova. Roberto Corrêa por exemplo já excursionou pela Europa e já
levou nosso instrumento até para o outro lado do mundo. Por estas linhas você irá conhecer
a sua origem, suasparticularidades, seus ícones ( comoTião Carreiro ), seus ritmos e
descobrir muitas novas possibilidades para seu instrumento seja você guitarrista ou
violonista.
Vamos conhecer um pouco da nossa Viola Caipira ?

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HISTÓRICO – 1ª parte

Apesar de hoje a Viola Caipira ser considerada um instrumento tipicamente brasileiro,


temos historicamente que afirmar que esta colocação é errada. Nossa Viola Caipira
supostamente nasceu na Europa por volta do ano 1000, vindo de um instrumento árabe
chamado Guitarra Mourisca. Voltando um pouco no tempo, por volta do ano 3000AC, os
únicos instrumentos de cordas que tínhamos notícias eras as harpas. Instrumentos que
podiam apenas tocar uma nota por corda e eram baseadas em escalas pentatônicas ( escalas
de cinco notas ). Sumérios, Egípcios, Chineses a utilizaram durante muitos milênios. Nesta
época, descobriu-se que esticando uma corda em uma superfície qualquer, a mesma podia
dar inúmeras alturas de som com apenas um toque do dedo. Acredita-se então que a
primeira providência foi colocar em uma harpa um pequeno braço de madeira e esticar suas
cordas até a extremidade das mesmas.
Surgiu então um instrumento mais complexo, capaz de sobrepujar a música até então
realizada. Com o tempo, descobriu-se também que uma corda esticada em um recipiente
acusticamente favorável ( como uma carapaça de quelônio ) produzia um som mais alto.
Surgia na região da Arábia o antecessor do Alaúde, um instrumento que tinha como bojo
uma carapaça de quelônio com um couro esticado como tampo, e braço. Por volta do ano
2000AC, os árabes resolveram construir de madeira este instrumento imitando em seu bojo
a curvatura das carapaças dos quelônios. Surgia então o A´lud ou Alaùde que em árabe
significa "madeira". Perto do ano 900AC, este instrumento sofreu uma ruptura. Dele
surgiria o Alaúde que nós conhecemos hoje, com um braço menor. Nesta época, acredita-se
que o Alaúde já usava cordas duplas para aumentar sua sonoridade. O Alaúde original de
braço comprido utilizado por mouros e egípcios ganhou o nome de Guitarra Mourisca.
Com a invasão árabe na península ibérica por volta do ano 650 de nossa era, toda cultura
árabe foi despejada na região que conhecemos hoje por Portugal e Espanha. Com ela
vieram a música e os instrumentos típicos. O Alaúde teve como alteração apenas o
adicionamento de trastes, enquanto a Guitarra Mourisca começou a passar por uma lenta
transformação. Primeiramente seu corpo passou a ganhar um leve acinturamento na região
central, e seu bojo curvo começou a perder esta característica ( fato que levou por volta de
mil anos ) ganhando forma plana. Já por volta do ano 1000, temos um instrumento com
quatro pares de corda chamado Guitarra Latina ( mais tarde conhecido por Guitarra
Renascentista ). Por volta do ano 1400 surgiram na Espanha dois instrumentos derivados da
Guitarra Renascentista: a Guitarra Barroca com cinco pares de corda e a Vihuela com seis
pares de cordas.
Estes dois instrumentos foram então introduzidos em Portugal com o nome de Viola
(aportuguesamento de Vihuela) por volta do ano1450. Com a expansão ultramarítima
portuguesa, os portugueses introduziram em suas colônias seus costumes e cultura. Com os
jesuítas, chegou ao Brasil por volta de 1550 a Viola de cinco pares de corda. Utilizada
primeiramente na catequese dos índios, ganhou o interior brasileiro e perdeu sua imagem
tão erudita, passando a ser construída pelos nossos próprios caboclos com madeiras toscas.
Surgia a nossa Viola Caipira.

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HISTÓRICO – 2ª PARTE

Durante os próximos 300 anos a Viola foi rapidamente se transformando no instrumento


mais popular do Brasil (o Violão como conhecemos hoje só surgiu por volta de 1800). Um
violeiro brasileiro fez fama nas cortes portuguesas. Era este Domingos Caldas Barbosa
(1740-1800). Em 1817, um censo demonstrava que a Viola era o instrumento maispopular
do Brasil. Mas com o surgimento do Violão (que já veio da Europa com métodos e toda
uma escola formada), a Viola passou a ser confinada cada vez mais para o interior.
O Violão passou a ser um instrumento urbano e a Viola um instrumento rural. Em 1929, o
paulista Cornélio Pires, amante da cultura caipira, levou para o estúdio a música caipira e
com ela a Viola. Pela primeira vez era gravado e lançado em disco o som de uma Viola. O
sucesso foi imediato e várias duplas surgiram a partir daí, como Alvarenga e Ranchinho.
Em pouco tempo a música caipira era o gênero que mais vendia no país. Nomes como
Tonico e Tinoco eram considerados como vedetes.
Na década de 50, surgiu um nome que iria mudar o conceito até então de música caipira.
Era José Dias Nunes que foi imortalizado com o apelido de Tião Carreiro. Ele revolucionou
o modo de tocar o instrumento, estando para a Viola o que Hendrix foi para a Guitarra
elétrica. Na década de 60, com o êxodo rural, milhares de famílias que viviam em zonas
rurais vieram para as cidades, principalmente as capitais, e cessou-se então um ciclo de
aprendizado. Até então os ensinamentos da Viola Caipira eram passados de pai para filho.
O instrumento passou a sercolocado em um segundo plano. Também nesta década, as
várias influências de músicas de outros países, como os ritmos paraguaios, mexicanos
deram ênfase a outros instrumentos como a sanfona e os metais (trumpetes, por exemplo).
A musica caipira sofre uma ruptura e lentamente vai surgindo a música sertaneja de hoje. A
Viola então começa a caminhar outros horizontes. Em 1968 é gravado o primeiro disco de
música erudita totalmente gravado com Viola e Tião Carreiro grava samba e choro com o
instrumento. A década de 80 traria um novo crescimento para o instrumento. Em 1981,
Almir Sater grava seu primeiro disco, mostrando os ritmos pantaneiros e mostrando o lado
MPB da Viola.
A TV Cultura abre um programa totalmente dedicado ao instrumento, o "Viola Minha
Viola" e em 1985 surge a Viola didática nas mão de Roberto Corrêa, que passa a lecionar
Viola Caipira em uma instituição. Em 1990 a Viola volta a mídia com a novela Pantanal,
aonde Almir Sater mostra para todo o Brasil a força do instrumento, repetindo a dose em
1992 com a novela Ana Raio e Zé Trovão e em 1996 com a novela Rei do Gado. Roberto
Corrêa passa a excursionar pelo exterior com a Viola em punho e nossa música Caipira
perde Tião Carreiro em 1993. A década de 90 foi uma década movimentada. Hoje o
instrumento volta a ter grandepopularidade, multiplica-se professores de Viola como Ivan
Vilela que leciona na região de Campinas e Roberto Corrêa em Brasília e Junior da Violla
em São Paulo.

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Capítulo 2: Notação Musical e sistema de Cifragem

Para usarmos este método, deveremos aprender um pouco sobre o sistema de cifragem. A
notação musical é posterior à linguagem, e surgiu pela necessidade de preservar e de
transmitir as manifestações musicais sem as imprecisões e os inconvenientes da
transmissão oral. Os gregos, já antes de Pitágoras (portantoanteriormente ao século V
A.C.), tinham desenvolvido um sistema de notação baseado nas letras do alfabeto. Os
romanos, herdeiros da cultura e, portanto, da música grega, reduziram a notação (que
compeendia 15 letras) a apenas 7. Como a escala grega começava pela nota que hoje
chamamos de La, ficou assim essa redução:

Esta denominação se conservou intacta através dos séculos até nossos dias e até hoje ainda
é usada preferencialmente, nos países de língua inglesa e na Alemanha. O sistema de
cifragem para designar acordes de acompanhamento usado em todo o mundo emprega essa
notação. Junto destas letras também são usados alguns sinal denominados acidentes:

# (sustenido) ..................aumenta a nota em 1 semitom


b (bemol) .......................diminui a nota em 1 semitom
x (dobrado sustenido) ....aumenta a nota em 1 tom
bb (dobrado bemol) .......diminui a nota em 1 tom

Para explicarmos a palavra TOM e SEMITOM, vamos pegar por base as teclas de um
piano:

A notação musical ocidental ( que é diferente da oriental ) possui 12 semitons. Isso pode ser
percebido quando você vai de uma tecla branca para uma tecla preta que vem em seguida.

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Por exemplo: DO e DO#, DO# e RE, MI e FA. Para termos um semitom, apenas andamos
uma tecla para frente ou para trás. Já para termos 1 TOM, precisamos de 2 semitons, ou
seja, andarmos 2 teclas para frente. Por exemplo: DO e RE, MI e FA#, SOL e LA. Para
achar estas distâncias no braço da viola, basta imaginar que para cada tecla, você tem 1
casa:

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Capítulo 3: Afinações da Viola Caipira

Agora que já temos noção de leitura de cifras, podemos falar sobre algumas afinações
utilizadas na viola.
A viola caipira é um instrumento que diferente do violão, utiliza diversas afinações:
cebolão, rio abaixo, rio acima, natural, entre outras.
Para o nosso método, iremos usar a afinação CEBOLÃO EM MI MAIOR.

Para uma perfeita afinação em sua viola, sugerimos a aquisição de um afinador eletrônico
ou diapasão.
Uma boa afinação é necessária para se tocar em grupo. Imagine se cada um em um grupo
afinar seu instrumento de "qualquer jeito". Para isso emprega-se o La (440 Hz) que é o Lá
do diapasão.
Sabendo a afinação da viola, seremos capazes então de saber o nome da nota em cada casa
do instrumento.

Por exemplo:

Uma boa sugestão de estudo é desenhar o braço do instrumento e fazer como o exemplo
acima, corda por corda, assim ficará mais fácil visualizar as notas quando for necessário.
Vamos então entrar em nosso primeiro ritmo que é o CURURU:

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• CURURU
O cururu é um rítimo bastante usado na música caipira. Nasceu quando o Jesuíta para
ensinar catequese aos índios faziam uma festa chamada de "Festa da Santa Cruz". O Índio,
por não conseguir falar a palavra cruz, dizia "curuz" e com o tempo o ritmo ganhou o nome
de cururu. Há vários tipos de cururu, como o piracicabano, por exemplo que é um desafio
feito entre os violeiros assim como as emboladas. No nosso caso, cururu é um ritmo básico
da viola que veremos a seguir. Exemplos de músicas com este ritmo:

• A VACA JÁ FOI PRO BREJO ( de Tião Carreiro e Pardinho )


• CANOEIRO ( de Zé Carreiro e Carreirinho )
• SAUDADES DE ARARAQUARA ( de Zé Carreiro e Carreirinho )
• PEITO SADIO ( de Zé Carreiro e Carreirinho )
• MENINO DA PORTEIRA ( de Luizinho e Limeira )
• PESCADOR E CATIREIRO ( de Cacique e Pagé )

O rítmo está expresso pelo seguinte desenho:

P...significa polegar, e a seta indica descer o polegar


I....significa indicador, e a seta indica subir com o indicador
R ..sifnifica rasqueado, e a seta indica descer com rasqueado. O rasqueado é feito com a
parte da frente da mão, descendo com a ponta das unhas sobre a corda. Visa um som
mais forte do instrumento.

Escute as músicas indicadas acima e procure treinar o ritmo para que o mesmo tenha o
andamento certo. A seguir vem algumas músicas cifradas para você tocar com este ritmo.

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Segue também um glossário de acordes para você poder tocá-las:

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O MENINO DA PORTEIRA
( De Teddy Vieira e Luizinho )

TOM : A
INTROD : A E7 A E7
RITMO: CURURU

A E7
TODA VEZ QUE VIAJAVA PELA ESTRADA DE OURO FINO
A
DE LONGE EU AVISTAVA A FIGURA DE UM MENINO
E7
QUE CORRIA ABRIR A PORTEIRA / DEPOIS VINHA ME PEDINDO
D E7 A
TOQUE O BERRANTE SEU MOÇO QUE É PRÁ EU FICAR OUVINDO
D E7
QUANDO A BOIADA PASSAVA E APOEIRA IA BAIXANDO
A
EU JOGAVA UMA MOEDA E ELE SAIA PULANDO
E7
OBRIGADO BOIADEIRO QUE DEUS VÁ LHE ACOMPANHANDO
D E7 A
PRÁ AQUELE SERTÃO AFORA MEU BERRANTE IA TOCANDO.
E7
NO CAMINHO DESTA VIDA MUITO ESPINHO EU ENCONTREI
A
MAS NENHUM CALOU MAIS FUNDO DO QUE ISSO QUE EU PASSEI
E7
NA MINHA VIAGEM DE VOLTA QUALQUER COISA EU CISMEI
D E7 A
VENDO A PORTEIRA FECHADA / O MENINO EU NÃO AVISTEI
D E7
APEEI DO MEU CAVALO NUM RANCHINHO À BEIRA CHÃO

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A
VI UMA MULHER CHORANDO QUIS SABER QUAL A RAZÃO
E7
BOIADEIRO VEIO TARDE VEJA A CRUZ NO ESTRADÃO
D E7 A
QUEM MATOU O MEU FILHINHO FOI UM BOI SEM CORAÇÃO
E7
LÁ PRÁS BANDAS DE OURO FINO LEVANDO GADO SELVAGEM
A
QUANDO EU PASSO NA PORTEIRA ATÉ VEJO A SUA IMAGEM
E7
O SEU RANGIDO TÃO TRISTE MAS PARECE UMA MENSAGEM
D E7 A
DAQUELE ROSTO TRIGUEIRO DESEJANDO-ME BOA VIAGEM
D E7
A CRUZINHA DO ESTRADÃO DO MEU PENSAMENTO NÃO SAI
A
EU JÁ FIZ UM JURAMENTO QUE NÃO ESQUEÇO JAMAIS
E7
NEM QUE O MEU GADO ESTOURE, QUE EU PRECISE IR ATRÁS
D E7 A
NESTE PEDAÇO DE CHÃO , BERRANTE EU NÃO TOCO MAIS.

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ENCONTRO DAS BANDEIRAS

TOM : E ( Mi Maior )
INTROD.: ( B C# D# E em solo ) 2X
RITMO : CURURU ( REIZADO )

E B7 E E7
AI, QUE BANDEIRA É ESSA, AI, AI
A B7
NA PORTA DA SUA MORADA
AONDE MORA O CALIX BENTO
A B7 E E7
E A HOSTIA CONSAGRADA
A B7 E B7 E ( B7 E B7 E )
E A HOSTIA CONSAGRADA, EH, EH, EH
E B7 E E7
QUE ENCONTRO TÃO BONITO, AI, AI
A B7
QUE FIZEMO AQUI AGORA
OS TRES REIS DO ORIENTE
A B7 E
SÃO JOSÉ, NOSSA SENHORA
A B7 E B7 E ( B7 E B7 E )
SÃO JOSÉ, NOSSA SENHORA, EH,EH,EH
E B7 E E7
AS BANDEIRA VAI-SE EMBORA AI, AI
A B7
AS FITA VÃO AVOANDO
SE DESPEDE DO FESTEIRO
A B7 E
PRÁ VOLTAR NO OUTRO ANO
A B7 E B7 E
PRÁ VOLTAR NO OUTRO ANO EH, EH, EH

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REIZADO
( De. Teddy Vieira)

TOM : E ( Mi Maior )
INTROD.: ( B C# D# E – em solo ) 2X
RITMO : CURURU ( REIZADO )

E A
O GALO CANTOU NO ORIENTE, AI, AI, AI, AI,
B7 E
SURGIU A ESTRELA GUIA, AI, AI
A
HÁ NOS CÉUS DA HUMANIDADE, AI, AI, AI, AI
B7 E B7
DEUS MENINO, DEUS DAS FILHA, AI, AI, AI, AI
E
EM UMA ESTREBARIA, AI, AI
E A
VINTE E CINCO DE DEZEMBRO, AI, AI, AI, AI
B7 E
NÃO SE DORME NO COLCHÃO, AI, AI
A
DEUS MENINO TEVE A CAMA, AI, AI, AI, AI
B7 E B7
DE FOIA SECA DO CHÃO, AI, AI, AI, AI
E
PRÁ NOSSA SALVAÇÃO, AI, AI
E A
SENHORA DONA DA CASA, AI, AI, AI, AI
B7 E
ÓIA A CHUVA NO TELHADO, AI, AI
A
VENHA VER O DEUS MENINO AI, AI, AI, AI

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B7 E B7
COMO ESTÁ TODO MOLHADO AI, AI, AI, AI
E
OS TRES REIS AO SEU LADO AI, AI
E A
DEUS LHE PAGUE A BELA OFERTA AI, AI, AI, AI
B7 E
QUE VOS DEU COM ALEGRIA, AI, AI
A
O DIVINO SANTO FEZ AI, AI, AI, AI
B7 E B7
SÃO JOSÉ, SANTA MARIA, AI, AI, AI, AI
E
HÁ DE SER VOSSA GUIA, AI, AI

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PEITO SADIO

TOM : E ( Mi Maior )
INTROD.: ( E E7 A B7 E ) B7 E
RITMO : CURURU / CORTA JACA

E7 A B7 E
FOI ÀS QUATRO HORAS DA MANHÃ MEU CACHORRO DE GUARDA LATIU
B7 E
LEVANTEI PARA VER O QUE ERA, E VESTI MEU CASACO DE FRIO
E7 A B7 E
ENTÃO VI QUE CHEGOU UM MENSAGEIRO AMUNTADO NUM BURRO
TURDILHO
B7 E
APIOU E ME DISSE BOM DIA O BOLSO DA BARDANA ELE ABRIU
E7 A E B7 E ( Introd. )
UMA CARTA O RAPAZ ME ENTREGOU E DE NOVO AMUNTOU E NA ESTRADA
SUMIU
E7 A B7 E
DEI A CARTA PRO MEU IRMÃO LER, ELE LEU ME OLHANDO SORRIU
B7 E
É CONVITE PRÁ NÓIS IR NA FESTA, VAI HAVER UM GRANDE DESAFIO
E7 A B7 E
O MEU PAI JÁ CORREU NO VIZINHO, FOI CHAMAR O VOVÔ EO TITIO
B7 E
NÓIS CHEGUEMO A PULAR DE CONTENTE, LÁ EM CASA NINGUÉM MAIS
DORMIU
E7 A E B7 E ( Introd. )
PRÁ QUEBRA AQUELES CAMPEONATO, NEM COM SINDICATO NINGUÉM
CONSEGUIU.
E7 A B7 E
VIOLEIRO QUE MANDOU CONVITE MORA LÁ NO OUTRO LADO DO RIO
B7 E
ELE PENSA QUE NÓIS NÃO VAI LÁ, MAIS NÓIS SEMO CABOCLO DE BRIO

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E7 A B7 E
A PETECA AQUI DO NOSSO LADO POR ENQUANTO NO CHÃO NÃO CAIU
B7 E
QUANDO NÓIS CHEGUEMO NO CATIRA OS MAIS FRACO NA HORA SUMIU
A E B7 E ( Introd. )
SÓ CANTEMO MODA DE CAMPEÃO, E OS TAR QUE ERA BÃO NEM SEQUER
REAGIU.
E7 A B7 E
PERGUNTARAM AO DONO DA FESTA, ONDE FOI QUE O SENHOR CONSEGUIU
B7 E
ESSE TAR VIOLERO FAMOSO, QUE AS MODA DE NÓIS ENGOLIU
E7 A B7 E
O FESTEIRO FICOU PENSATIVO, E MORDEU NO CIGARRO E CUSPIU
B7 E
VOCEIS SÃO DOIS CABOCLO BATUTA, QUEM FALOU PODES CRÊ NÃO
MENTIU
A E B7 E ( Introd. )
TEVE ALGUÉM QUE CANTÁ EXPERIMENTOU MAIS O PEITO FALHOU E A VOZ
NÃO SAIU
E7 A B7 E
AS VIOLA NÓIS FAZ DE ENCOMENDA NOSSO PEITO É TRATADO E SADIO
B7 E
JÁ CANTEMO TRES NOITE SEGUIDA E AS MODA NOIS NÃO REPETIU
E7 A B7 E
QUEM REPETE É RELÓGIO DE IGREJA E O TRISTE CANTAR DO TIZIU
B7 E
E AGORA COM ESTA VITÓRIA, AINDA MAIS NOSSA FAMA SUBIU
E7 A E B7 E
E VOCÊIS NÃO DEVE DISCUTIR SE VIEMOS AQUI, FOI VOCÊIS QUEM PEDIU.

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Capítulo 3: Os Acordes na Viola Caipira


Para os que estão começando agora nesse novo curso dediquei este capítulo para abordar sobre a posição dos ac?

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Capítulo 4: Escala Cromática

Olá, tudo bem??? Fiquei sabendo que com o conteúdo da aula passada você já está
conhecido em sua região como o "rei do cururu"!!! Parabéns. Vamos então a mais um passo
A ESCALA CROMÁTICA nada mais é do que a escala musical que contém todas as
notas do nosso alfabeto musical. É como o nosso alfabeto e todas as suas letras. Temos
então na escala cromática:

Como já dissemos na aula passada, nossa escala musical é formada por 12 notas e que a
distância entre elas é de 1 semitom, ou seja, de DÒ para DÒ# existe a distância de
1semitom, de RÈ# para MI exista também a distância de 1 semitom, de MI para FÀ
também existe a distância de 1 semitom. Cabe ressaltar uma regra básica para se decorar (
ou entender, o que é melhor ) esta escala. Toda nota terminada em "i" NÂO tem
sustenido, ou seja, MI e SI. Continuando, podemos também concluir que de DÒ para RÈ
temos a distância de um tom, assim como de RÈ# para FÀ, temos também a distância de
um tom.
Mas para produzirmos música popular, não é necessário que você use todas as 12 notas da
escala cromática e sim apenas um pequeno grupo de 7 ( sete ) notas que são as conhecidas
ESCALAS MAIORES e ESCALAS MENORES. O que irá diferenciar uma da outra é a
distância entre semiton e tom que há entre uma nota e outra. Vamos ver?

ESCALA MAIOR
Você já deve ter ouvido isso?
DÓ – RÉ – MI – FÁ – SOL – LÁ – SI – DÓ
Isso é um exemplo de escala maior, no caso DÓ MAIOR. Vamos entender a estrutura desta
escala?
De DÓ para RÉ temos a distância de 1 tom
De RÉ para MI temos a distância de 1 tom
De MI para FÁ temos a distância de 1 semitom
De FÁ para SOL temos a distância de 1 tom
De SOL para LÁ temos a distância de 1 tom
De LÁ para SI temos a distância de 1 tom
De SI para DÓ temos a distância de 1 semitom

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Portanto a estrutura de uma escala MAIOR é:


TOM – TOM – SEMITOM – TOM – TOM – TOM – SEMITOM

Podemos aplicar esta regra em outras tonalidades também:


SOL – LÁ – SI – DÓ – RÉ – MI – FÁ# - SOL

Esta escala é uma escala de Sol Maior e como você pode observar, a nota FÁ está com um
sinal de sustenido. Este sinal foi colocado pois houve a necessidade de se alterar a escala
para que ela pudesse conter a mesma estrutura de uma escala maior. Vejamos

De SOL para LÁ temos a distância de 1 tom


De LA para SI temos a distância de 1 tom
De SI para DÓ temos a distância de 1 semitom
De DÓ para RÉ temos a distância de 1 tom
De RÉ para MI temos a distância de 1 tom

De MI para FÁ temos a distância de 1 semitom, mas preciso ter 1 tom, então coloco um
sustenido no FÁ para aumentar a distância de 1 semitom para 1 tom. Portanto, de MI para
FÀ# temos 1 tom

De FÀ# para SOL temos 1 semitom ( se fosse FÁ para SOL teríamos 1 tom, o que também
fica fora do que nós precisávamos ).

Espero que você tenha compreendido a lição desta aula teórica. Com as regras aqui
passadas você pode testar outras tonalidades, mas lembre-se que a ajuda de um bom
professor é fundamental para a compreensão desta matéria. No próximo mês iremos ver
ESCALAS MENORES. Vamos a nossa aula prática?

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Capítulo 5: Cateretê

O Cateretê é um ritmo ternário ( conta-se 1...2...3...1...2...3...) e é muito usado em músicas


caipiras, principalmente aquelas músicas mais românticas e tristes. Segue alguns exemplos
de cateretê:
A MÃO DO TEMPO ( Tião Carreiro e Pardinho )
MODA DA MULA PRETA ( Raul Torres e Florêncio )
DUAS CARTAS ( Zé Carreiro e Carreirinho )
GARÇA BRANCA ( Vieira e Vieirinha )
AMOR E SAUDADE ( Tião Carreiro e Pardinho )
OI PAIXÃO! ( Tião Carreiro e Pardinho )
Vamos ao Ritmo:

Neste ritmo, o polegar desce duas vezes, o indicador sobe duas vezes e desce rasqueando.
Se tiver dúvidas ouça as músicas indicadas acima e segue algumas músicas cifradas para
você tocar.

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PORTA DO MUNDO
( De Peão Carreiro e Zé Paulo )

TOM : E ( Mi Maior )
INTRO.: E E7 A Am E F# B7 E B7 E
RITMO: CATERETÊ
E A B7
O SOM DA VIOLA BATEU / NO MEU PEITO DOEU MEU IRMÃO
A E
ASSIM EU ME FIZ CANTADOR / SEM NENHUM PROFESSOR APRENDI A LIÇÃO
E7 A
SÃO COISAS DIVINAS DO MUNDO / QUE TEM UM SEGUNDO A SORTE MUDAR
E F# B7
TRAZENDO PRÁ DENTRO DA GENTE / AS COISAS QUE A MENTE VAI LONGE
BUSCAR
A E B7 E
TRAZENDO PRÁ DENTRO DA GENTE / AS COISAS QUE A MENTE VAI LONGE
BUSCAR
E A B7
TEM VERSOS QUE FALA E CANTA / O MAL SE ESPANTA E A GENTE É FELIZ
A E
NO MUNDO DE RIMAS E TROVAS / EU SEMPRE DEI PROVA DAS COISAS QUE
FIZ
E7 A
POR MUITOS LUGARES PASSEI / MAS NUNCA PISEI EM FALSO NO CHÃO
E F# B7
CANTANDO INTERPRETO A POESIA / LEVANDO ALEGRIA ONDE HÁ SOLIDÃO
A E B7 E (INTRO)
CANTANDO INTERPRETO A POESIA / LEVANDO ALEGRIA ONDE HÁ SOLIDÃO
E A B7
O DESTINO É O MEU CALENDÁRIO / O MEU DICIONÁRIO É A INSPIRAÇÃO
A E
A PORTA DO MUNDO É ABERTA / MINHA ALMA DESPERTA BUSCANDO A
CANÇÃO

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E7 A
COM MINHA VIOLA NO PEITO / MEUS VERSOS SÃO FEITOS PRO MUNDO
CANTAR
E F# B7
É A LUTA DE UM VELHO TALENTO / TININDO POR DENTRO SEM NUNCA
CANSAR
A E G B7 E (INTRO)
É A LUTA DE UM VELHO TALENTO / TININDO POR DENTRO SEM NUNCA
CANSAR

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CARTEIRO
( De Tião Carreiro, Sebastião Vitor e Carreirinho )

TOM : E ( Mi Maior )
INTRO: F# B7 E B7 E
RITMO: CATERETÊ

E A B7 E
EU ESTAVA NO PORTÃO QUANDO O CARTEIRO PASSOU
E7 A B7 E
TIROU DA CORRESPONDENCIA UMA CARTA E ME ENTREGOU
F# B7
ABRI A CARTA PRÁ LER OS ARES DIFERENCIOU
A E F# E F#
QUANDO LI O CABEÇALHO OS MEUS OLHOS SE ORVALHOU , AI...
E B7 E
LÁGRIMAS NO CHÃO PINGOU
A B7 E
DOIS AMIGOS QUE PASSAVAM ME VIU CHORANDO E PAROU
E7 A B7 E
O QUE TINHA ACONTECIDO UM DELES ME PERGUNTOU
F# B7
A CAUSA DESSA TRISTEZA , MEU AMOR ME ABANDONOU
A E F# E F#
AMIGOS FIQUEM SABENDO PRIMEIRA VEZ POR AMOR , AI...
E B7 E
QUE ESTE CABOCLO CHOROU
A B7 E
O AMOR QUE EU TINHA NELA EM ÓDIO SE TRANSFORMOU
E7 A B7 E
POR SER UMA MULHER FALSA , NÃO CUMPRIU O QUE JUROU
F# B7
NÃO QUERO SABER ONDE ANDA NEM ELA ONDE ESTOU

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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

A E F# E F#
VAI SER COMO O SOL E A LUA , QUANDO UM SAI O OUTRO JÁ ENTROU, AI...
E B7 E
NÃO QUERO TER MAIS AMOR
A B7 E
DAS MULHER QUE EU CONHECI SÓ UMA QUE CONFIRMOU
E7 A B7 E
UM AMOR SINCERO E PURO QUE NUNCA ME TRAIÇOOU
F# B7
EM MINHAS HORAS AMARGAS O QUANTO ME CONFORTOU
A E F# E F#
PRIMEIROS PASSOS DA VIDA FOI ELA QUEM ME ENSINOU, AI....
E B7 E
MINHA MÃE QUE ME CRIOU

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PIRILUME
( De Roberto A Barbosa, Nil Bernardes,
Luiz Schiavon e Marcelo Barbosa )

TOM : E ( Mi Maior )
INTRO: E G#m B7
RITMO: CATERETÊ

E B7 E
PIRILAMPO VAGALUME / CABELOS PRO MEU CANTAR
B7 E
TANTA COISA ACONTECE / E CARECE MATUTAR
G#7 C#m
PIRILAMPO BOIADEIRO / TANGE O GADO SEM SABER
A E B7 E
QUE O GADO É QUEM O LEVA / QUEM É BOI NÃO TEM QUERER
E B7 E
VAGALUME NA BALÉIA / DO GARIMPO A ROLAR
B7 E
OH, PENEIRA RODA , RODA / ME AJUDA A ENCONTRAR
G#7 C#m
A PEPITA QUE PERMITA / DESSA LIDA REPOUSAR
A E B7 E E7
É DEBAIXO DESSA TERRA / QUE NOS DEIXAM DESCANSAR
B7 E
VOA , VAGALUME PIRILAMPO
B7 E E7
VOA , VEM MEU CANTO ILUMINAR
A E B7
VOA, ILUMINA MEU DESTINO / ILUMINA MEU CAMINHO
A B7 E
NESSA NOITE DE LUAR

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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

E B7 E
PIRILAMPO QUE BELEZA / QUE LINDEZA O TEU BRILHAR
B7 E
PISCA, PISCA PIRILUME / OH, FAÍSCA DE LUAR
G#7
TEU PISCAR TEU LUME INCERTO
C#m A E
É POEIRA DE ILUSÃO / É PRECISO ARMAR FOGUEIRA
B7 E E7
PRÁ ACENDER O MEU SERTÃO

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TRISTEZA DO JECA
( De. Angelino de Oliveira )

TOM : E ( Mi Maior )
INTRO: A B7 E C#m F#m B7 E B7
RITMO. CATERETÊ
E A E B7 E B7
NESTES VERSOS TÃO SINGELOS MINHA BELA , MEU AMOR
E A E B7 E E7
PRÁ VOCÊ QUERO CONTAR / O MEU SOFRER A MINHA DOR
A B7 E C#m F#m
EU SOU COMO O SABIÁ / QUE QUANDO CANTA É SÓ TRISTEZA
B7 E
DESDE O GALHO ONDE ELE ESTÁ
B7 E
NESTA VIOLA EU CANTO E GEMO DE VERDADE
B7 E
CADA TOADA REPRESENTA UMA SAUDADE
E A E B7 E B7
EU NASCI NAQUELA SERRA / NUM RANCHINHO BEIRA CHÃO
E A E B7 E E7
TODO CHEIO DE BURACO / DONDE A LUA FAZ CLARÃO
A B7 E C#m F#m
E QUANDO CHEGA A MADRUGADA / LÁ NO MATO A PASSARADA
B7 E
PRINCIPIA UM BARULHÃO
E AE B7 E B7
LÁ NO MATO TUDO É TRISTE / DESDE O JEITO DE FALAR
E A E B7 E E7
QUANDO RISCAM A VIOLA / DÁ VONTADE DE CHORAR
A B7 E C#m F#m
NÃO TEM UM QUE CANTE ALEGRE / TODOS VIVEM PADECENDO

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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

B7 E
CANTANDO PRÁ SE ALIVIAR
E A E B7 E B7
VOU PARAR COM A MINHA VIOLA / JÁ NÃO POSSO MAIS CANTAR
E A E B7 E E7
POIS O JECA QUANDO CANTA / TEM VONTADE DE CHORAR
A B7 E C#m F#m
E O CHORO VAI CAINDO / DEVAGAR VAI SE SUMINDO
B7 E
COMO AS ÁGUAS VAO PRO MAR. ( NEGRITO 2 X )

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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

Capítulo 5: Escala Menor

Olá pessoal, tudo bem?


Depois de passar pela escala maior em nossa aula passada, vamos agora conhecer outra
escala muito importante que é a ESCALA MENOR.
Esta escala possui uma estrutura diferente da maior. Observe o exemplo abaixo:
Na escala maior temos TOM-TOM-SEMITOM-TOM-TOM-TOM-SEMITOM
Na escala menor temos TOM-SEMITOM-TOM-TOM-SEMITOM-TOM-TOM
Vamos observar por exemplo a escala de Lá Menor
A–B–C–D–E–E–F–G–A
De Lá para Si temos 1 TOM
De Si para Dó temos 1 SEMITOM
De Dó para Ré temos 1 TOM
De Ré para Mi temos 1 TOM
De Mi para Fá temos 1 SEMITOM
De Fá para Sol temos 1 TOM
De Sol para Lá temos 1 TOM
Assim como na escala maior, você pode experimentar outras tonalidades, sempre atentando
para a estrutura da escala que deve ser mantida, para que ela tenha característica sonora de
uma escala menor. Por exemplo:
Escala de E menor
E – F# - G – A – B – C – D – E
De Mi para Fá sustenido temos 1 TOM ( Mi para Fá tem apenas 1 SEMITOM )
De Fá# para Sol temos 1 SEMITOM
De Sol para Lá temos 1 TOM
De Lá para Si temos 1 TOM
De Si para Dó temos 1 SEMITOM
De Dó para Ré temos 1 TOM
De Ré para Mi temos 1 TOM
Espero que você tenha compreendido bem nossa aula teórica de hoje.
Volto a relembrar que a ajuda de um bom professor de viola é fundamental
para um bom aprendizado. E temos muitos profissionais de altíssimo nível espalhado por
este país.

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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

Na aula que vem veremos formação de escalas duetadas, que é o tipo de solo
característico do nosso amado instrumento.

TOADA
Vamos agora para a parte rítmica, com a toada.
A Toada é um dos ritmos mais bonitos da viola. Temos verdadeiros clássicos tocados
este ritmo como por exemplo "Chico Mineiro", "Cabocla Tereza", "Pingo d’Água, "
Tristezas do Jeca" entre muitas outras. Vamos ver como é o seu ritmo?

Neste ritmo deve-se reparar que ele começa com polegar e termina com polegar, ou seja,
colocado em seqüência, teremos dois polegares descendo um após o outro. há a mudança de
acorde, o mesmo entrará entre os polegares como no exemplo abaixo:

Segue abaixo algumas pérolas da nossa música caipira:

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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

CHICO MINEIRO
( De Tonico e Francisco Ribeiro Barbosa )

TOM : E
INTRO.: A B7 E C#m F#m B7 E E7
RITMO: TOADA

E B7 E
FIZEMO A ÚLTIMA VIAGEM / FOI LÁ PRO SERTÃO DE GOIÁS
B7 E E7
FOI EU E O CHICO MINEIRO / TAMBÉM FOI O CAPATAZ
A B7 E
VIAJEMO MUITOS DIA / PRÁ CHEGA EM OURO FINO
C#m F#m B7 E
AONDE NOIS PASSEMO A NOITE / NUMA FESTA DO DIVINO
B7 E
A FESTA TAVA TÃO BOA / MAS ANTES NÃO TIVESSE IDO
B7 E E7
O CHICO FOI BALEADO / POR UM HOMEM DESCONHECIDO
A B7 E
LARGUEI DE COMPRÁ BOIADA / MATARAM MEU COMPANHEIRO
C#m F#m B7 E
ACABOU-SE O SOM DA VIOLA / ACABOU-SE O CHICO MINEIRO
B7 E
DEPOIS DAQUELA TRAGÉDIA / FIQUEI MAIS ABORRECIDO
B7 E E7
NÃO SABIA DA NOSSA AMIZADE / PORQUE NOIS DOIS ERA UNIDO
A B7 E
QUANDO VI SEUS DOCUMENTOS / ME CORTOU O CORAÇÃO
C#m F#m B7 E
DE SABE QUE CHICO MINEIRO ERA MEU LEGÍTIMO IRMÃO
C#m F#m B7 E
DE SABE QUE CHICO MINEIRO ERA MEU LEGÍTIMO IRMÃO

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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

BOIADEIRO ERRANTE
( De Teddy Vieira )

TOM : A
INTRO: E7 D A
RITMO: TOADA
A E7 A
EU VINHO VINDO DE UMA QUERENCIA DISTANTE
E7 A E7
SOU UM BOIADEIRO ERRANTE / QUE NASCEU NAQUELA SERRA
D E7
O MEU CAVALO CORRE MAIS QUE O PENSAMENTO
D E7 A
ELE VEM NO PASSO LENTO / PORQUE NINGUÉM ME ESPERA
E7 A
TOCANDO A BOIADA AUÊ, UÊ, UÊ BOI / EU VOU CORTANDO ESTRADA, UÊ
BOI (2x)
E7 A
TOQUE O BERRANTE COM CAPRICHO ZÉ VICENTE /
E7 A E7
MOSTRE PARA ESSA GENTE / O CLARIM DAS ALTEROSAS
D E7
PEGUE NO LAÇO / NÃO SE ENTREGUE COMPANHEIRO
D E7 A
CHAME O CACHORRO CAMPEIRO/ QUE ESSA REZ É PERIGOSA
E7 A
OLHE NA JANELA AUÊ, UÊ, UÊ BOI / QUE LINDA DONZELA , UÊ BOI (2x)
E7 A
SOU BOIADEIRO MINHA GENTE O QUE É QUE HÁ
E7 A E7
DEIXA O MEU GADO PASSAR / VOU CUMPRIR A MINHA SINA
D E7
LÁ NA BAIXADA QUERO OUVIR A SIRIEMA

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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

D E7 A
PRÁ LEMBRAR DE UMA PEQUENA QUE EU DEXEI LÁ EM MINAS
E7 A
ELA É CULPADA AUÊ, UÊ, UÊ BOI / D´EU VIVER NAS ESTRADAS, UÊ BOI (2x)
E7 A
O RIO TÁ CALMO E A BOIADA VAI NADANDO
E7 A E7
VEJA AQUELE BOI BERRANDO / CHICO BENTO CORRE LÁ
D E7
LACE O MESTIÇO / SALVE ELE DAS PIRANHAS
D E7 A
TIRE O GADO DA CAMPANA / PRÁ VIAGEM CONTINUAR
E7 A
COM DESTINO A GOIÁS AUÊ, UÊ , UÊ BOI / DEIXEI MINAS GERAIS , UÊ BOI (2x)

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CABOCLA TEREZA
( De Raul Torres e João Pacífico )

TOM : E
INTRO: ( B7 A B7 E E7 ) 2X
RITMO: TOADA
FALADO:
Lá do alto da montanha, numa casinha bem estranha, toda feita de sapê
Parei uma noite o cavalo prá mor de dois estalos, que eu lá dentro batê.
Apeei com muito jeito, vi um gemido perfeito, e uma voz cheia de dó:
- Vancê Tereza, descansa, jurei de fazê vingança, pra mode de meu amor.
Pela réstia da janela, por uma luzinha amarela, dum lampião apagando.
Vi uma cabocla no chão, e um cabra tinha na mão
Uma arma alumiando.Virei meu cavalo a galope, risquei de espora e chicote
Sangrei a anca do talo, desci a montanha abaixo, galopando o meu macho
Seu dotô eu fui chama. Vortemo lá prá montanha, naquela casinha estranha
Eu e mais seu dotô, topemo um cabra assustado, que chamando nóis prum lado
A sua história contô :
E A E B7
HÁ TEMPO FIZ UM RANCHINHO / PRÁ MINHA CABOCLA MORAR
A B7 A B7 E
POIS ERA ALI NOSSO NINHO / BEM LONGE DESTE LUGAR
A E B7
NO ALTO LÁ DA MONTANHA / PERTO DA LUZ DO LUAR
A B7 A B7 E
VIVI UM ANO FELIZ / SEM NUNCA ISSO ESPERAR
A E B7
E MUITO TEMPO PASSOU / PENSANDO EM SER TÃO FELIZ
A B7 A B7 E
MAS A TEREZA, DOUTOR , / FELICIDADE NÃO QUIS
A E B7
OS MEUS SONHOS NESSE OLHAR / PAGUEI CARO MEU AMOR

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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

A B7 A B7 E
PRÁ MODE DOUTRO CABOCLO / MEU RANCHO ELA ABANDONOU
A E B7
SENTI MEU SANGUE FERVER / JUREI A TEREZA MATAR
A B7 A B7 E
O MEU ALAZÃO ARRIEI / E ELA FUI PROCURAR
A E B7
AGORA , JÁ ME VINGUEI / É ESTE O FIM DE UM AMOR
A B7 A B7 E
ESSA CABOCLA MATEI / É A MINHA HISTÓRIA DOUTOR.

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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

CHITÃOZINHO E XORORÓ
( De Serrinha e Athos Campos )

TOM : E
INTROD.: B7 E B7 E
RITMO: TOADA
E B7 E
EU NÃO TROCO MEU RANCHINHO AMARRADINHO DE CIPÓ
B7 E
PRUMA CASA NA CIDADE / NEM QUE SEJA BANGALÓ
E7 A E
EU MORO LÁ NO DESERTO / SEM VIZINHO EU VIVO SÓ
B7 E
SÓ ME ALEGRA QUANDO PIA / LÁ PRÁ AQUELES CAFUNDÓ
B7 E
É O INHAMBU-CHITÃ / E O XORORÓ
B7 E ( INTRODUÇÃO )
É O INHAMBU-CHITÃ / E O XORORÓ
E B7 E
QUANDO ROMPE A MADRUGADA / CANTA O GALO CARIJÓ
B7 E
PIA TRISTE A CORUJA / NA CUMEIRA DO PAIÓ
E7 A E
QUANDO CHEGA O ENTARDECER / PIA TRISTE O JAÓ ( Refrão )
E B7 E
NÃO ME DOU COM A TERRA ROXA / COM A SECA LARGA PÓ
B7 E
NA BAIXADA DO AREIÃO / EU SINTO PRAZER MAIÓ
E7 A E
VER A ROLINHA NO ANDAR / NO AREIÃO FAZ CARACÓL ( Refrão )
E B7 E
EU FAÇO MINHA CAÇADA / BEM ANTES DE SAIR O SOL

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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

B7 E
ESPINGARDA DE CARTUCHO / PATRONA DE TIRACÓ
E7 A E
TENHO BUZINA E CACHORRO / PRÁ FAZER FORROBODÓ ( Refrão )
E B7 E
QUANDO SEI DE UMA NOTÍCIA / QUE UM OUTRO CANTA MIÓ
B7 E
MEU CORAÇÃO DÁ UM BALANÇO / FICA MEIO BANZARÓ
E7 A E
SUSPIRO SAI DO MEU PEITO / QUE NEM BALA JEVELÓ ( Refrão )

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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

PINGO D´ÁGUA
( De Raul Torres e João Pacífico )

TOM : E
INTRO: A B7 E F#m C#m B7 E
RITMO: TOADA

E B7 E
EU FIZ PROMESSA PRA QUE DEUS MANDASSE CHUVA
B7 E
PRÁ CRESCER A MINHA ROÇA / E VINGÁ AS CRIAÇÃO
B7 E
POIS VENHO A SECA / E MATOU MEU CAFEZÁ
B7 E
MATÔ TODO MEU ARROIS / E SECOU MEU ARGODÃO
B7 E
NESSA COLHEITA / MEU CARRO FICOU PARADO
B7 E
MINHA BOIADA CARRERA / QUASE MORRE SEM PASTAGEM
B7 E
EU FIZ PROMESSA / QUE O PRIMEIRO PINGO D ´ÁGUA
B7 E
EU MOIAVA AS FRÔ DA SANTA / QUE TAVA EM FRENTE DO ALTAR
B7 E
EU ESPEREI UMA SEMANA / UM MEIS INTEIRO
B7 E
A ROÇA TAVA TÃO SECA / DAVA PENA INTÉ DE VÊ
B7 E
OIAVA O CÉU / CADA NUVEM QUE PASSAVA
B7 E
EU DA SANTA ME ALEMBRAVA / PRÁ PROMESSA NÃO ESQUECER
B7 E
EM POUCO TEMPO / A ROÇA FICOU VIÇOSA

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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

B7 E
AS CRIAÇÃO JÁ PASTAVA / FLORECEU MEU CAFEZAL
B7 E
FUI NA CAPELA E LEVEI / TRES PINGO D´ÁGUA
B7 E
UM FOI O PINGO DA CHUVA / DOIS CAIU DO MEU OLHAR

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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

TRISTEZA DO JECA
( De. Angelino de Oliveira )

TOM : E
INTRO: A B7 E C#m F#m B7 E B7
RITMO. TOADA
E A E B7 E B7
NESTES VERSOS TÃO SINGELOS MINHA BELA , MEU AMOR
E A E B7 E E7
PRÁ VOCÊ QUERO CONTAR / O MEU SOFRER A MINHA DOR
A B7 E C#m F#m
EU SOU COMO O SABIÁ / QUE QUANDO CANTA É SÓ TRISTEZA
B7 E
DESDE O GALHO ONDE ELE ESTÁ
B7 E
NESTA VIOLA EU CANTO E GEMO DE VERDADE
B7 E
CADA TOADA REPRESENTA UMA SAUDADE
E A E B7 E B7
EU NASCI NAQUELA SERRA / NUM RANCHINHO BEIRA CHÃO
E A E B7 E E7
TODO CHEIO DE BURACO / DONDE A LUA FAZ CLARÃO
A B7 E C#m F#m
E QUANDO CHEGA A MADRUGADA / LÁ NO MATO A PASSARADA
B7 E
PRINCIPIA UM BARULHÃO
E A E B7 E B7
LÁ NO MATO TUDO É TRISTE / DESDE O JEITO DE FALAR
E A E B7 E E7
QUANDO RISCAM A VIOLA / DÁ VONTADE DE CHORAR
A B7 E C#m F#m
NÃO TEM UM QUE CANTE ALEGRE / TODOS VIVEM PADECENDO

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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

B7 E
CANTANDO PRÁ SE ALIVIAR
E A E B7 E B7
VOU PARAR COM A MINHA VIOLA / JÁ NÃO POSSO MAIS CANTAR
E nnnnnnA E B7 E E7
POIS O JECA QUANDO CANTA / TEM VONTADE DE CHORAR
A B7 E C#m F#m
E O CHORO VAI CAINDO / DEVAGAR VAI SE SUMINDO
B7 E
COMO AS ÁGUAS VAO PRO MAR.

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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

Capítulo 6: Formação de Acordes

Agora que você viu os dois modos de escalas ( maior e menor ) e fez os exercícios
propostos em todos os tons, vamos ver como se formam os acordes. Temos duas categorias
principais de acordes: tríades e tétrades. As tríades como o próprio nome já diz são acordes
formados por três notas e as tétrades por quatro notas. Vamos conhecê-las:

a) Tríades
Para a formação de um acorde é necessário que se tenha no mínimo três notas de uma
determinada escala. Geralmente se usa a 1ª nota ( também chamada de tônica ), a 3ª e a 5ª
nota. Por exemplo, vamos pegar a escala de Mi Maior:
E - F# - G# - A - B - C# - D# - E
O acorde de Mi Maior seria formado pelas notas E, G# e B.
Quando você bate sua viola sem apertar acorde nenhum, automaticamante você estará
tocando um acorde de mi maior, certo? Confira então as notas que você está tocando. A
afinação da viola é da mais grave para a mais fina: B, E, G#, B, E. E então, bateu? Veja que
todas as notas do acorde de Mi maior estão presentes. É assim que se forma um acorde.
Vamos pegar agora a escala de Mi Menor: E - F# - G - A - B - C - D - E
Fazendo o mesmo procedimento, veremos que o acorde de Mi Menor é formado pelas notas
E, G e B. Relembre de nossa primeira aula que cada casa da viola tem um semitom. Então
basta procurar no braço as notas do acorde. Veja o desenho a seguir:

Veja que apertando as notas certas teremos da mais grave para a mais fina B, E, B, B, G.
Observe que todas as notas fazem parte da escala de Mi Menor.
Um bom exercício é pegar todas as escalas maiores e menores que você fez e formar
tríades. Lembre-se que o acorde irá ganhar o nome da escala e do modo a que ele pertence.
Se você pega e faz a tríade da escala de Dó Maior, obviamente o acorde também se
chamará Dó Maior. Na aula que vem veremos como se formam as tétrades.
Dando continuidade à parte rítmica, vamos conhecer hoje a Querumana. Este ritmo não é lá
muito conhecido, mas está presente num dos maiores sucessos da música caipira dos

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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

últimos anos: “Meu Reino Encantado”, gravado em 2000 pelo cantor Daniel. Vamos ver o
seu desenho?

Este ritmo é muito fácil, porém você tem que observar que ele tem 6 tempos e você toca
apenas nos 4 primeiros deixando os dois últimos sem bater. Por exemplo, conte até seis.
Depois toque contando os quatro primeiros tempos e no 5 e 6 abafe as cordas para não
tocar. Este ritmo é bem audível na música “Encantos da Natureza”, dos nossos saudosos
Tião Carreiro e Pardinho. A seguir algumas músicas para você tocar:

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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

MEU REINO ENCANTADO


( De Valdemar Reis e Vicente F. Machado )

TOM : B ( Si Maior)
INTROD: B F# B F# B F# B
RITMO: QUERUMANA

B F#
EU NASCI NUM RECANTO FELIZ / BEM DISTANTE DA POVOAÇÃO
E F# B
FOI ALI QUE EU VIVI MUITOS ANOS / COM PAPAI , MAMÃE E OS IRMÃOS
F#
NOSSA CASA ERA UMA CASA GRANDE / NA ENCOSTA DE UM ESPIGÃO
B ( F# B ) 2x
UM CERCADO PRÁ APARTAR BEZERRO / E AO LADO UM GRANDE
MANGUEIRÃO

F#
NO QUINTAL TINHA UM FORN O DE LENHA / E UM POMAR ONDE AS AVES
CANTAVAM
E F# B
UM COBERTO PRA GUARDAR O PILÃO / E AS TRALHAS QUE O PAPAI USAVA
F#
DE MANHÃ EU IA NO PAIOL / UMA ESPIGA DE MILHO EU PEGAVA
B ( introd)
DEBULHAVA E JOGAVA NO CHÃO / NUM INSTANTE AS GALINHAS
JUNTAVAM

F#
NOSSO CARRO DE BOI CONSERVADO / QUATRO JUNTAS DE BOI DE PRIMEIRA
E F# B
QUATRO CANGAS, DEZESSEIS CANZIS / ENCOSTADOS NO PÉ DA FIGUEIRA
F#
TODO SÁBADO EU IA NA VILA / FAZER COMPRA PRÁ SEMANA INTEIRA

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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

B ( F# B ) 2x
O PAPAI IA GRITANDO COM OS BOIS / EU NA FRENTE ABRINDO AS
PORTEIRAS

F#
NOSSO SÍTIO QUE ERA PEQUENO / PELAS GRANDES FAZENDAS CERCADO
E F# B
PRECISAMOS VENDER A PROPRIEDADE / PARA UM GRANDE CRIADOR DE
GADO
F#
E PARTIMOS PRÁ CIDADE GRANDE / A SAUDADE PARTIU AO MEU LADO
B ( introd.)
A LAVOURA VIROU COLONIÃO / E ACABOU-SE MEU REINO ENCANTADO

F#
HOJE ALI SÓ EXISTEM TRES COISAS / QUE O TEMPO AINDA NÃO DEU FIM
E F# B
A TAPERA VELHA DESABADA / E A FIGUEIRA ACENANDO PRÁ MIM
F#
E POR ÚLTIMO MARCOU SAUDADE / DE UM TEMPO BOM QUE JÁ SE FOI
B ( C# F# B )
ESQUECIDO EMBAIXO DA FIGUEIRA / NOSSO VELHO CARRO DE BOI.

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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

PORTA FECHADA
( Tião Carreiro e Moacyr dos Santos )

TOM: E
INTRO: ( A E B7 E ) 2X B7 E
RITMO: QUERUMANA

E B7 E
AO SAIR PRO MEU TRABALHO, BEIJEI A MULHER AMADA
B7 E E7
AO VOLTAR DE TARDEZINHA, JÁ NÃO ENCONTREI MAIS NADA
A B7 E
ENCONTREI O MEU DESPREZO, MINHA CASA ABANDONADA
B7 E B7 E
ENCONTREI O MEU LAR TRISTE COM SUAS PORTAS FECHADAS

E B7 E
EU PENSEI EM SER FELIZ COM TODA SINCERIDADE
B7 E E7
NOSSO MUNDO MEUS AMIGOS, ESTÁ CHEIO DE MALDADE
A B7 E
A INGRATA ABRIU PRA ELA AS PORTAS DA FALSIDADE
B7 E ( INTROD. )
E FECHANDO PARA MIM AS PORTAS DA FELICIDADE

E B7 E
CALOU FUNDO EM MINHA ALMA O DESPREZO DESTE ALGUÉM
B7 E E7
AO ME VER DESAMPARADO, NESTE MUNDO SEM NINGUÉM
A B7 E
EU FUI AO ALTAR DE DEUS, PERGUNTAR PELO MEU BEM
B7 E B7 E
MAS AS PORTAS DA IGREJA ESTAVAM FECHADAS TAMBÉM

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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

E B7 E
PORQUE SERÁ QUE UM HOMEM PRECISA SOFRER ASSIM
B7 E E7
RESOLVI ME EMBRIAGAR E NESTA DOR DAR UM FIM
A B7 E
TAMBÉM ENCONTREI FECHADA AS PORTAS DO BOTIQUIM
B7 E ( INTROD.)
SOMENTE AS PORTAS DO MUNDO ESTAVAM ABERTAS PARA MIM

E B7 E
O DRAMA TRISTE DA VIDA DESEMPENHA O SEU PAPEL
E B7 E E7
AQUELAS PORTAS FECHADAS ME ATIRARAM ASSIM AO LEO
A B7 E
QUANDO ACABAR A MINHA VIDA, O MEU DESTINO CRUEL
B7 E B7 E
SÓ PEÇO A DEUS QUE NÃO FECHE PRA MIM AS PORTAS DO CÉU

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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

ENCANTOS DA NATUREZA
( De Tião Carreiro e Luís de Castro)

TOM: A ( Lá Maior )
INTRO: ( A D A E7 A ) E7 A
RITMO: QUERUMANA

A E7 A
TU QUE NÃO TIVESTE A FELICIDADE / DEIXA A CIDADE, VEM CONHECER
E7 A
MEU SERTÃO QUERIDO, MEU REINO ENCANTADO / MEU BERÇO ADORADO
QUE ME VIU NASCER
D E7 A
VENHA O MAIS DEPRESSA, NÃO FIQUE PENSANDO / ESTOU TE ESPERANDO
PARA TE MOSTRAR
E7 A E7 A
VOU MOSTAR OS LINDOS RIOS DE ÁGUAS CLARA / E AS BELEZAS RARAS DO
NOSSO LUAR.

E7 A
QUANDO A LUA NASCE POR DETRÁS DA MATA / FICA COR DE PRATA A
IMENSIDÃO
E7 A
ENTÃO FICO HORAS E HORAS OLHANDO/ A LUA BANHANDO LÁ NO
RIBEIRÃO
D E7 A
MUITOS NÃO SE IMPORTAM COM ESSE LUAR / NEM LEMBRAM DE OLHAR O
LUAR NA SERRA
E7 A
MAS ESTES NÃO VIVEM SÃO SERES HUMANOS / QUE ESTÃO VEGETANDO EM
CIMA DA TERRA

(INTROD.)

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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

E7 A
QUANDO A LUA ESCONDE LOGO ROMPE A AURORA / VOU DIZER AGORA DO
AMANHECER
E7 A
RAIOS VERMELHOS RISCAM O HORIZONTE / O SOL LÁ NO MONTE COMEÇA A
NASCER
D E7 A
LÁ NA MATA CANTA TODA A PASSARADA / E LÁ NA PAIADA PIA O CHORORÓ
//
E7 A E7 A
O REI DO TERREIRO ABRE A GARGANTA / BATE A ASA E CANTA EM CIMA DO
PAIOL

E7 A
QUANDO O SOL ESQUENTA CANTAM CIGARRAS / EM GRANDE ALGAZARRA
NA BEIRA DA ESTRADA
E7 A
LINDAS BORBOLETAS DE VARIADAS CORES / VEM BEIJAR AS FLORES A
DESABROCHAR
D E7 A
ESTE PEDACINHO DO CHÃO ENCANTADO / FOI ABENÇOADO POR NOSSO
SENHOR //
E7 A E7 A
QUE NUNCA NOS DEIXA FALTAR NO SERTÃO / SAÚDE, UNIÃO A PAZ E O
AMOR

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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

Capítulo 7: Intervalos

Vamos estudar este mês os intervalos. Os intervalos musicais são como distâncias entre um
ponto e outro e muito importante para a compreensão de certos acordes como E9, A11 entre
outros. Vamos conhece-los. Para este exemplo vou pegar uma escala cromática que comece
pela nota MI ( E ):
E - T - Tônica .... - é a primeira nota da escala. A palavra tom vem dela
F - 2m ou b9 ...... - segunda menor ou bemol nove
F# - 2M ou 9 ...... - segunda maior ou nona
G - 3m................ - terça menor
G# - 3M ............. - terça maior
A - 4J ou 11 ....... - quarta justa ou décima primeira
A# - b5 ............... - bemol cinco ou quinta diminuta
B - 5J.................. - quinta justa
C - 6m ou b13 .... - sexta menor ou bemol treze
C# - 6M ou 13.... - sexta maior ou décima terceira
D - 7m................ - sétima menor
D# - 7M ............. - sétima maior
E - 8J.................. - oitava justa

Convém estudar em todos os tons. O que mudará são as notas, mas a seqüência de Tônica á
Oitava Justa é sempre a mesma. Mão á obra!!! Dando continuidade à parte rítmica, vamos
conhecer hoje o Cipó-preto. Este ritmo é bastante diferente dos outros pois é feito no contra
tempo. Em vez de descer o dedo no tempo um, você abafa. É o ritmo usado pelo violão no
pagode de viola. Preste bem atenção a ele. Vamos ver o seu desenho?

A - abafado / R - rasqueado / I – indicador

Este ritmo é bem fácil desde que você observe que ele não é igual aos outros. Segue
algumas músicas para o treino. Na aula que vem continuaremos com o assunto falando
sobre pagode de viola

- 51 -
CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

BANDEIRA BRANCA
( De. Tião Carreiro/ Lourival dos Santos)

TOM: E ( Mi Maior )
INTRO: E B7 E B7 E B7 E ( B7 E ) 2X.
RITMO: PAGODE DE VIOLA / CIPÓ PRETO

E
VOU CONTAR O QUE NUNCA VI PRO SERTÃO E PRÁ CIDADE

NUNCA VI GUERRA SEM TIRO, E NEM CADEIA SEM GRADE


B7
NUNCA VI UM PRISIONEIRO QUE NÃO QUEIRA A LIBERDADE
E B7 E ( B7 E ) 2X
NUNCA VI MÃE AMOROSA DO FILHO NÃO TER SAUDADE

E
NUNCA VI HOMEM PEQUENO QUE ELE NÃO FOSSE PAPUDO

EU NUNCA VI UM DOUTOR FAZER FALAR QUEM É MUDO


B7
NUNCA VI UM BOIADEIRO CARREGAR DINHEIRO MIÚDO
E B7 E ( B7 E Introd. )
NUNCA VI HOMEM DIREITO VESTIR CALÇA DE VELUDO.

E
EU NUNCA VI UM CARIOCA QUE NÃO FOSSE BOM SAMBISTA

NUNCA VI UM PERNAMBUCANO QUE NÃO FOSSE BOM PASSISTA


B7
NUNCA VI UM PARAIBANO QUE NÃO FOSSE REPENTISTA
E B7 E ( B7 E ) 2X
NUNCA VI UM DEPUTADO APANHAR DE JORNALISTA

- 52 -
CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

E
EU NUNCA VI UM PAULISTA DA VIDA SE MAR DIZENDO

NUNCA VI UM PARANAENSE QUE NÃO ESTEJA ENRIQUECENDO


B7
EU NUNCA VI UM BAIANO NO FACÃO SAIR PERDENDO
E B7 E ( B7 E Introd. )
EU NUNCA VI UM MINEIRO DA LUTA SAÍ CORRENDO

E
NUNCA VI UM CATARINENSE DEPOIS DE VELHO APRENDENDO

NUNCA VI UM MATOGROSSENSE DE MEDO ANDAR TREMENDO


B7
EU NUNCA VI UM GAÚCHO PRÁ LAÇÁ PRECISAR DE TREINO
E B7 E ( B7 E ) 2X
EU NUNCA VI UM GOIANO POR PAIXÃO BEBER VENENO.

E
NUNCA VI UM FAZENDEIRO ANDAR EM CAVALO QUE MANCA

PRÁ FECHAR A BOCA DE SOGRA NÃO VI CHAVE, NÃO VI TRANCA


B7
PRÁ TERMINAR MEU PAGODE VOU FALAR BOTANDO PANCA
E B7 E B7 E
QUERO VER MEUS INIMIGOS LEVANTAR BANDEIRA BRANCA.

- 53 -
CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

PAGODE EM BRASÍLIA
( De Teddy Vieira, Lourival dos Santos e Tião Carreiro )

TOM : E ( Mi Maior )
INTRO: B7 E B7 E B7 E B7 E
RITMO: PAGODE DE VIOLA

E B7 A B7
QUEM TEM MULHER QUE NAMORA / QUEM TEM BURRO EMPACADOR
E B7 E
QUEM TEM A ROÇA NO MATO / ME CHAME QUE JEITO EU DOU
E7 A E7 A
EU TIRO A ROÇA DO MATO / SUA LAVOURA MELHORA
B7 E
E O BURRO EMPACADOR EU CORTO ELE DE ESPORA
B7 E B7 E ( INTROD. )
E A MULHER NAMORADEIRA EU PASSO O COURO E MANDO EMBORA

B7 A B7
TEM PRISIONEIRO INOCENTE NO FUNDO DE UMA PRISÃO
E B7 E
TEM MUITA SOGRA ENCRENQUEIRA / E TEM VIOLEIRO EMBRULHÃO
E7 A E7 A
PRO PRISIONEIRO INOCENTE / EU ARRANJO ADEVOGADO
B7 E
E A SOGRA ENCRENQUEIRA EU DOU DE LAÇO DOBRADO
B7 E B7 E ( INTROD.)
E OS VIOLERO EMBRULHÃO/ COM MEUS VERSOS TÃO QUEBRADO

B7 A B7
BAHIA DEU RUI BARBOSA / RIO GRANDE DEU GETÚLIO
E B7 E
E MINAS DEU JUSCELINO / E DE SÃO PAULO EU ME ORGULHO

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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

E7 A E7 A
BAIANO NÃO NASCE BURRO / GAÚCHO É REI DAS COXILHA
B7 E
PAULISTA NINGUÉM CONTESTA É UM BRASILEIRO QUE BRILHA
B7 E B7 E ( INTROD. )
QUERO VER CABRA DE PEITO PRÁ FAZER OUTRA BRASÍLIA

B7 A B7
NO ESTADO DE GOIÁS MEU PAGODE TÁ MANDANDO
E B7 E
E O BAZAR DO VALDOMIRO EM BRASÍLIA É SOBERANO
E7 A E7 A
NO REPIQUE DA VIOLA BALANCEIO O CHÃO GOIANO
B7 E
VOU FAZER A RETIRADA DESPEDIR DOS PAULISTANO
B7 E B7 E
ADEUS QUE EU JÁ VOU EMBORA QUE GOIÁS TÁ ME CHAMANDO

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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

TUDO SERVE
( De. Tião Carreiro/ Moacir dos Santos)

TOM: E ( Mi Maior )
INTRO: ( B7 E B7 E ) 2X ( B7 E ) 2X
RITMO: PAGODE DE VIOLA / CIPÓ PRETO

E B7
O PAU DO PINHEIRO SERVE PRÁ FAZER VIOLA DE PINHO
E
O BRAÇO DA VIOLA SERVE PRÁ MIM PONTIÁ DIREITINHO
A ( A E7 A )
MUIÉ FALADEIRA SERVE PRÁ FALÁ MAL DOS VIZINHO
B7 E B7 E
AS ÁGUA QUE CORRE, CORRE SERVE PRÁ MOVER MOINHO
B7 E B7 E ( Introd.)
CARRO VÉIO NA ESTRADA SERVE PRÁ ENTUPI O CAMINHO.

E B7
SAPATO APERTADO SERVE DÓI O CALO QUANDO EU PISO
E
NEGÓCIO QUANDO É MAR FEITO SÓ SERVE PRÁ DAR PREJUÍZO
A ( A E7 A )
O DINHEIRO TAMBÉM SERVE POIS É DELE QUE EU PRECISO
B7 E B7 E
AS MUIÉ BONITA SERVE PRÁ GENTE PERDE O JUÍZO
B7 E B7 E ( Introd)
OS SEUS LÁBIOS TAMBÉM SERVE PRÁ ME DÁ BEIJO E SORRISO.
E B7
OS TEUS BEIJO TAMBÉM SERVE PRÁ ME DAR INSPIRAÇÃO
E
A SUA BELEZA SERVE PRÁ AUMENTA MINHA PAIXÃO

- 56 -
CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

A ( A E7 A )
SEUS CARINHO TAMBÉM SERVE PRÁ DOBRÁ MINHA ILUSÃO
B7 E B7 E
SEU ORUGULHO TAMBÉM SERVE PRÁ FAZÊ INGRATIDÃO
B7 E B7 E ( Introd.)
SEU DESPREZO TAMBÉM SERVE PRÁ FERI MEU CORAÇÃO

E B7
MOCINHAS DE POUCA IDADE SÓ SERVE PRÁ NAMORÁ
E
A SOGRA ENCRENQUEIRA SERVE FAIZ CASAL SEPARÁ
A ( A E7 A )
AS MUIÉ BAIXINHA SERVE JÁ NASCERAM PRÁ TEIMÁ
B7 E B7 E
OS HOME BAIXINHO SERVE PRÁ FAZÊ OS GRANDE BRIGÁ
B7 E B7 E
NA CASA QUE MUIÉ MANDA O HOME SERVE PRÁ APANHÁ.

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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

Capítulo 8: Pagode de Viola

E aí pessoal, hoje dando continuidade ao nosso curso vamos ver o ritmo mais amado pelos
violeiros do nosso país. Sim, é o pagode de viola. O pagode nasceu nas mãos do saudoso
Tião Carreiro no final da década de 50. Tião na época fazendo dupla com Carreirinho
estava numa rádio em Maringá e em um momento de descanso pegou o violão e começou a
brincar com os ritmos. Ao achar o ritmo que seria conhecido por cipó-preto, ele o gravou
em um gravador que havia ali. Com o violão gravado ele pegou a viola e começou a
procurar outro ritmo que se encaixasse ali. Nascia o pagode de viola. Tião eufórico, na sua
chegada em São Paulo mostrou o ritmo para o compositor e parceiro Lourival dos Santos
que disse: “Parece um pagode”. Pagode naquela época queria dizer festa de fundo de
quintal, bagunça, Somente nos anos 80 o samba carioca tocado em rítmo mais lento seria
conhecido por este nome. Vamos conhecê-lo:
O pagode é o ritmo mais difícil de todos pela sua necessidade de coordenação da mão
direita e da mão esquerda. Para começar nosso treino, pegue sua viola e toque na corda mi
grave a segunda casa com o dedo indicador de sua mão esquerda e sem tirar o dedo dela e
sem toca-la novamente, bata com o dedo anelar na quarta corda como um martelo. Bata e
fique com o dedo ali, pois se você levantar o dedo, o som morrerá. Isso se chama “ligado”
ou em ternos americanizados “hammer-on”. Segue abaixo uma explicação gráfica.

Toque com o dedo indicador na segunda casa da corda mi grave e segure o som, não o
deixe morrer

Em seguida bata com o dedo anelar na quarta casa e segure o som, não solte nem o
indicador e nem o anelar.

- 58 -
CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

Treine bastante até conseguir fazê-lo o mais limpo possível. Vamos agora ver a parte
rítmica. Vamos conhecer a batida seca.
A batida seca é um rasqueado seco, ou seja, toque um rasqueado forte e com o peso da
mão na descida, abafe a corda com a palma da mão. O som tem que sair percussivo. Para
testar, faça acordes e toque sua batida seca. Se o som do acorde sair é porque ela ainda não
está perfeita. Treine bastante isso.
Bom, com o “ligado” e a “batida seca” treinada, vamos ao ritmo:

BS – batida seca

I – indicador
Repare que há um espaço separando a última batida seca e indicador. Este espaço tem
sentido. Dê este espaço para tocar. Juntando dois compassos, ele fica assim:

Treine bastante sempre ouvindo as músicas para ter noção do tempo e do ritmo. Agora
vamos ver os acordes usados nele.
1 - na saída dos solos: repare no que a viola faz na saída de um solo no pagode. Os
acordes usados ali são:
Acorde 1

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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

Acorde 2

Colocando os acordes junto ao ritmo fica:

2 – Para o ritmo no acorde de mi maior: quando precisar manter o acorde mais de um


compasso, use o acorde 2:

E o gráfico da levada fica

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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

2 – Para levada do ritmo no acorde de si com sétima ( B7 ) use o acorde 1:

E o gráfico da batida fica:

4- Para outros acordes, como Lá Maior ( A ), Mi maior com Sétima Menor, faça o acorde
normal, mas substituindo o ligado pela descida do polegar:

Bom, espero que você tenha gostado da aula de hoje. Treine bastante e lembre-se de que
seu som tem que ficar o mais nítido possível. Boa sorte e até a próxima. Para treinar seu
pagode use as músicas passadas na útima aula.

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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

BANDEIRA BRANCA
( De. Tião Carreiro/ Lourival dos Santos)

TOM: E ( Mi Maior )
INTRO: E B7 E B7 E B7 E ( B7 E ) 2X.
RITMO: PAGODE DE VIOLA / CIPÓ PRETO

E
VOU CONTAR O QUE NUNCA VI PRO SERTÃO E PRÁ CIDADE

NUNCA VI GUERRA SEM TIRO, E NEM CADEIA SEM GRADE


B7
NUNCA VI UM PRISIONEIRO QUE NÃO QUEIRA A LIBERDADE
E B7 E ( B7 E ) 2X
NUNCA VI MÃE AMOROSA DO FILHO NÃO TER SAUDADE

E
NUNCA VI HOMEM PEQUENO QUE ELE NÃO FOSSE PAPUDO

EU NUNCA VI UM DOUTOR FAZER FALAR QUEM É MUDO


B7
NUNCA VI UM BOIADEIRO CARREGAR DINHEIRO MIÚDO
E B7 E ( B7 E Introd. )
NUNCA VI HOMEM DIREITO VESTIR CALÇA DE VELUDO.

E
EU NUNCA VI UM CARIOCA QUE NÃO FOSSE BOM SAMBISTA

NUNCA VI UM PERNAMBUCANO QUE NÃO FOSSE BOM PASSISTA


B7
NUNCA VI UM PARAIBANO QUE NÃO FOSSE REPENTISTA
E B7 E ( B7 E ) 2X
NUNCA VI UM DEPUTADO APANHAR DE JORNALISTA

E
EU NUNCA VI UM PAULISTA DA VIDA SE MAR DIZENDO

NUNCA VI UM PARANAENSE QUE NÃO ESTEJA ENRIQUECENDO


B7
EU NUNCA VI UM BAIANO NO FACÃO SAIR PERDENDO
E B7 E ( B7 E Introd. )
EU NUNCA VI UM MINEIRO DA LUTA SAÍ CORRENDO

E
NUNCA VI UM CATARINENSE DEPOIS DE VELHO APRENDENDO

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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

NUNCA VI UM MATOGROSSENSE DE MEDO ANDAR TREMENDO


B7
EU NUNCA VI UM GAÚCHO PRÁ LAÇÁ PRECISAR DE TREINO
E B7 E ( B7 E ) 2X
EU NUNCA VI UM GOIANO POR PAIXÃO BEBER VENENO.

E
NUNCA VI UM FAZENDEIRO ANDAR EM CAVALO QUE MANCA

PRÁ FECHAR A BOCA DE SOGRA NÃO VI CHAVE, NÃO VI TRANCA


B7
PRÁ TERMINAR MEU PAGODE VOU FALAR BOTANDO PANCA
E B7 E B7 E
QUERO VER MEUS INIMIGOS LEVANTAR BANDEIRA BRANCA.

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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

PAGODE EM BRASÍLIA
( De Teddy Vieira, Lourival dos Santos e Tião Carreiro )

TOM : E ( Mi Maior )
INTRO: B7 E B7 E B7 E B7 E
RITMO: PAGODE DE VIOLA

E B7 A B7
QUEM TEM MULHER QUE NAMORA / QUEM TEM BURRO EMPACADOR
E B7 E
QUEM TEM A ROÇA NO MATO / ME CHAME QUE JEITO EU DOU
E7 A E7 A
EU TIRO A ROÇA DO MATO / SUA LAVOURA MELHORA
B7 E
E O BURRO EMPACADOR EU CORTO ELE DE ESPORA
B7 E B7 E ( INTROD. )
E A MULHER NAMORADEIRA EU PASSO O COURO E MANDO EMBORA

B7 A B7
TEM PRISIONEIRO INOCENTE NO FUNDO DE UMA PRISÃO
E B7 E
TEM MUITA SOGRA ENCRENQUEIRA / E TEM VIOLEIRO EMBRULHÃO
E7 A E7 A
PRO PRISIONEIRO INOCENTE / EU ARRANJO ADEVOGADO
B7 E
E A SOGRA ENCRENQUEIRA EU DOU DE LAÇO DOBRADO
B7 E B7 E ( INTROD.)
E OS VIOLERO EMBRULHÃO/ COM MEUS VERSOS TÃO QUEBRADO

B7 A B7
BAHIA DEU RUI BARBOSA / RIO GRANDE DEU GETÚLIO
E B7 E
E MINAS DEU JUSCELINO / E DE SÃO PAULO EU ME ORGULHO
E7 A E7 A
BAIANO NÃO NASCE BURRO / GAÚCHO É REI DAS COXILHA
B7 E
PAULISTA NINGUÉM CONTESTA É UM BRASILEIRO QUE BRILHA
B7 E B7 E ( INTROD. )
QUERO VER CABRA DE PEITO PRÁ FAZER OUTRA BRASÍLIA

B7 A B7
NO ESTADO DE GOIÁS MEU PAGODE TÁ MANDANDO
E B7 E
E O BAZAR DO VALDOMIRO EM BRASÍLIA É SOBERANO
E7 A E7 A
NO REPIQUE DA VIOLA BALANCEIO O CHÃO GOIANO

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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

B7 E
VOU FAZER A RETIRADA DESPEDIR DOS PAULISTANO
B7 E B7 E
ADEUS QUE EU JÁ VOU EMBORA QUE GOIÁS TÁ ME CHAMANDO

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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

TUDO SERVE
( De. Tião Carreiro/ Moacir dos Santos)

TOM: E ( Mi Maior )
INTRO: ( B7 E B7 E ) 2X ( B7 E ) 2X
RITMO: PAGODE DE VIOLA / CIPÓ PRETO

E B7
O PAU DO PINHEIRO SERVE PRÁ FAZER VIOLA DE PINHO
E
O BRAÇO DA VIOLA SERVE PRÁ MIM PONTIÁ DIREITINHO
A ( A E7 A )
MUIÉ FALADEIRA SERVE PRÁ FALÁ MAL DOS VIZINHO
B7 E B7 E
AS ÁGUA QUE CORRE, CORRE SERVE PRÁ MOVER MOINHO
B7 E B7 E ( Introd.)
CARRO VÉIO NA ESTRADA SERVE PRÁ ENTUPI O CAMINHO.

E B7
SAPATO APERTADO SERVE DÓI O CALO QUANDO EU PISO
E
NEGÓCIO QUANDO É MAR FEITO SÓ SERVE PRÁ DAR PREJUÍZO
A ( A E7 A )
O DINHEIRO TAMBÉM SERVE POIS É DELE QUE EU PRECISO
B7 E B7 E
AS MUIÉ BONITA SERVE PRÁ GENTE PERDE O JUÍZO
B7 E B7 E ( Introd)
OS SEUS LÁBIOS TAMBÉM SERVE PRÁ ME DÁ BEIJO E SORRISO.

E B7
OS TEUS BEIJO TAMBÉM SERVE PRÁ ME DAR INSPIRAÇÃO
E
A SUA BELEZA SERVE PRÁ AUMENTA MINHA PAIXÃO
A ( A E7 A )
SEUS CARINHO TAMBÉM SERVE PRÁ DOBRÁ MINHA ILUSÃO
B7 E B7 E
SEU ORUGULHO TAMBÉM SERVE PRÁ FAZÊ INGRATIDÃO
B7 E B7 E ( Introd.)
SEU DESPREZO TAMBÉM SERVE PRÁ FERI MEU CORAÇÃO

E B7
MOCINHAS DE POUCA IDADE SÓ SERVE PRÁ NAMORÁ

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CURSO BÁSICO DE VIOLA CAIPIRA

E
A SOGRA ENCRENQUEIRA SERVE FAIZ CASAL SEPARÁ
A ( A E7 A )
AS MUIÉ BAIXINHA SERVE JÁ NASCERAM PRÁ TEIMÁ
B7 E B7 E
OS HOME BAIXINHO SERVE PRÁ FAZÊ OS GRANDE BRIGÁ
B7 E B7 E
NA CASA QUE MUIÉ MANDA O HOME SERVE PRÁ APANHÁ.

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