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Alexei N. Leontiev nasceu em 1903 em Moscou.

Depois de graduar-se em Ciências Sociais, aos


vinte anos, em 1924, Leontiev passou a trabalhar com Kornilov na tentativa de desenvolver uma
psicologia baseada na filosofia do marxismo-leninismo, sendo que seu talento apareceu nos
primeiros experimentos realizados com Luria sobre reações afetivas. Mas a direção principal de sua
pesquisa tomou forma quando passou a trabalhar de forma próxima com Vigotski, na segunda
metade da década de 1920, que, em conjunto com Luria, desenvolveram uma teoria da origem
sócio-histórica das funções psíquicas superiores, as funções especificamente humanas[1], em
resposta ao behaviorismo e o foco no mecanismo estímulo-resposta como explicação do
comportamento humano. Os três pesquisadores trabalharam no mesmo grupo até 1930, quando
Leontiev foi convidado a criar um grupo de pesquisa na cidade de Kharkov, retornando a Moscou
em 1934.

O grupo de Kharkov elaborou diversos estudos experimentais e teóricos na Academia de


Psiconeurologia Ucraniana focados na estrutura e origem da atividade humana, principalmente a
atividade prática, e seu papel na formação dos vários processos psíquicos em diferentes estágios do
desenvolvimento ontogenético.[1]
Em 1941 passou a lecionar na Universidade de Moscou e foi organizador da faculdade de
Psicologia em 1966. Foi membro da Academia de Ciências Pedagógicas da URSS e doutor honoris
da Universidade de Paris. Foi presidente do congresso Internacional de Psicologia de Moscou
(1971).
Experimentador ao longo de toda sua vida, trabalhou sobre o desenvolvimento do psiquismo na
criança, do psiquismo animal, a percepção, os sistemas funcionais do psiquismo, as relações entre o
ser humano e as técnicas modernas etc. No decurso de meio século de atividade científica efetuou e
dirigiu um número considerável de trabalhos experimentais. Foi a partir deles e para melhor os
interpretar que chegou a uma concepção de conjunto.
Suas investigações o levaram a defender a natureza sócio-histórica do psiquismo humano e a partir
daí a teoria marxista do desenvolvimento social se tornaram, para ele, indispensável. Leontiev,
porém, não limita seu horizonte ao laboratório, preocupa-se com os problemas da vida humana em
que o psiquismo intervém, o seu campo de estudos compreende a pedagogia, a cultura no seu
conjunto, o problema da personalidade etc.
Envolveu-se com numerosos órgãos e organismos da vida científica, filosófica e política. Foi
discípulo de Vigotski e empreendeu com este, vários trabalhos sobre o desenvolvimento
ontogenético do psiquismo, especialmente sobre a memorização.
Na obra O Desenvolvimento do Psiquismo, o autor tem como objetivo revogar opiniões
biologizantes sobre a natureza e o desenvolvimento do psiquismo humano, na qual os processos
psíquicos superiores e as aptidões humanas dependeriam diretamente e fatalmente dos caracteres
biológicos hereditários. Estas concepções manifestam-se também nos preconceitos pedagógicos ou
outros resultantes da desigualdade secular das condições sociais do desenvolvimento das pessoas.

Finalmente, um pequeno livro muito importante que apareceu em Moscou em meados de 1974, que
reúne os trabalhos e reflexões dos últimos anos de vida sob o título Atividade. Consciência.
Personalidade. Neste, Leontiev fala, entre outras coisas, da psicologia soviética, que foi o caminho
de uma luta incessante orientada para a assimilação criadora do marxismo-leninismo e contra as
concepções idealistas e mecanistas biologizantes que tomava ora um rosto, ora outro.
Compreendíamos todos que a psicologia marxista não é uma tendência particular, não é uma escola,
mas, uma etapa histórica que representa o princípio de uma psicologia altamente científica e
consequentemente materialista.

Foi amigo e companheiro intelectual de Evald Ilienkov.

Morreu em Moscou, em 1979, devido a um ataque cardíaco.