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A ATUAÇÃO DOS TRIBUNAIS DE CONTAS NA PROMOÇÃO DAS LICITAÇÕES

E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEIS

Ricardo da Silva Araújo


Rogério da Silva e Souza
Daniel Oliveira Gomes

RESUMO

O presente artigo procura esclarecer o modo que os Tribunais de Contas desempenham as suas
atribuições frente aos novos desafios sustentáveis, bem como objetiva avaliar se a fiscalização
e promoção das licitações sustentáveis pelos entes públicos têm afetado a interação desses
órgãos com os demais setores da sociedade, analisando também se essa interação está
promovendo alguma mudança na cultura gerencial pública, uma vez que o fundamento do
desenvolvimento nacional, incorporado na Lei das Licitações, assumiu como nova redação a
inclusão para “desenvolvimento nacional sustentável”, no sentido de tornar sustentáveis todos
os processos licitatórios. Adicionalmente à essa nova interpretação, o art. 225 da CF/88 tornou
o conceito de sustentabilidade indispensável às políticas públicas em todas as esferas de
governo. Assim, atento a essa realidade, o Tribunal de Contas da União, e os demais Tribunais
de Contas no país, passaram a deter a competência, além de outras, para fiscalizar se as ações
públicas estão promovendo um meio ambiente ecologicamente equilibrado em seus processos.
A metodologia utilizada é do tipo bibliográfica com abordagem livre exploratória acerca do
tema. E, ao final, conclui-se que as ações de interações e abordagens dos Tribunais de Contas
têm conseguido obter o crescimento econômico paralelo ao desenvolvimento ambiental, bem
como depreende-se ainda que o resultado dessa maior inclusão sustentável tem refletido em
pluridimensionalidades do desenvolvimento social, comprovando a sua eficácia. E por fim,
observa-se que a criação de novas culturas e o desenvolvimento de novos hábitos é uma tarefa
difícil que precisa ser contínua.
Palavras-Chave: Sustentabilidade. Licitações Sustentáveis. Tribunal de Contas.

INTRODUÇÃO

A República Federativa do Brasil tem como um de seus objetivos fundamentais


a garantia do desenvolvimento nacional, conforme preceitua o artigo 3º, II, da Constituição
Federal de 1988. Assim, vislumbrou-se por muito tempo que o desenvolvimento a que se refere
a carta constitucional esteve atrelado ao desenvolvimento econômico, que por sua vez é o
principal fomentador da redução das desigualdades regionais e sociais.
Nesse contexto, o papel do Estado consiste na responsabilidade da promoção,
em todos os sentidos, do desenvolvimento nacional. Para tal, ele exerce sua função precípua
consumerista de produtos e serviços, fazendo uso obrigatório do instrumento licitatório com o
objetivo finalístico da busca do bem-estar social, dispondo, em todas as suas modalidades
licitatórias, da União como detentora da competência privativa para legislar acerca de suas
normas gerais.
Nesse amplo e rico universo de consumo estatal, a ideia de desenvolvimento
sustentável como possibilidade de progresso e crescimento, tem sido cada vez mais explorada
como um dos pilares das disposições legais, tanto nacionais quanto internacionais, cujo objetivo
é a realização de forma harmônica frente às normas pré-estabelecidas do exercício das
atividades ordinárias dos mais diversos órgãos da Administração Pública e, com isso, o
resultado esperado seria o crescimento econômico paralelo ao crescimento ambiental, uma vez
que tal fato inevitavelmente formaria a base para o desenvolvimento social.
Destarte, após uma intensa fase de crescimento urbano e estudos ambientais
iniciados a partir da década de 1960, as questões sustentáveis, no Brasil, promoveram amplas
reflexões acerca do futuro que, ao se apresentar incerto e ameaçado, começou a expor o
pensamento político, social e também filosófico sobre a interação do homem no planeta, uma
vez que a irracionalidade ecológica nos padrões de produção e consumo apontavam para os
limites do crescimento econômico.
E, com a interpretação do art. 225 da CF/88, e a alteração do art. 3º da Lei
8.666/93, percebeu-se que a o desenvolvimento nacional sustentável está diretamente inserido
no contexto desenvolvimentista como arcabouço indispensável às políticas públicas que
legislam acerca de normatizações envolvendo processos licitatórios, uma vez que esses trâmites
passam a ser obrigados a aderir, não somente aos princípios basilares inerentes à Administração
Pública, mas também aos princípios que regem as licitações sustentáveis.
Nesse contexto, os Tribunais de Contas, graças às suas competências
constitucionalmente definidas e ampliadas por jurisprudências dos Tribunais Superiores, têm
como dever a fiscalização e promoção das ações públicas voltadas à garantia de um meio
ambiente ecologicamente equilibrado.
Assim, para a promoção desse ambiente ecologicamente equilibrado, os
Tribunais de Contas exercem também diretamente processos licitatórios de cunho sustentável,
bem como fiscalizam e direcionam seus jurisdicionados para ações similares. Além de proibir
licitações que descumpram as determinações legais.
Logo, torna-se evidente que o conceito de sustentabilidade está cada vez mais
incluído nas questões desenvolvimentistas, desenhando um “caminho sem volta” que vem
sendo cada vez mais adotado em políticas públicas. E o resultado dessa maior inclusão da
sustentabilidade nas ações governamentais tem resultado em multi ou pluridimensionalidades
do desenvolvimento social, comprovando a eficácia que tal adoção pode surtir.
No pouco tempo de adoção dessa realidade sustentável pelo Poder Público no
Brasil, já se percebe seus efeitos na mudança de uma cultura governamental, registrada a partir
da década de 90 quando o país iniciou uma transformação em seu sistema de gestão, passando
da administração burocrática, amplamente enraizada por décadas, à uma cultura gerencial, que
possui como principal característica o foco nos cidadãos. Assim, a busca por serviços com
excelência de qualidade tornou-se primordial à nova realidade. E, tal mudança de paradigma
criou um norteamento de ações visando a utilização de recursos de forma que a preservação do
ambiente fosse plenamente respeitada, fincando a sustentabilidade de maneira efetiva.
Desta forma, para garantir que a busca da qualidade, economicidade e eficiência
dos gastos públicos tenha como base a sustentabilidade nas ações do governo, o Poder Público
tem buscado implantar, cada vez mais, em seus processos licitatórios e exigência de bens e
serviços sustentáveis. Instituindo um Estado que, mesmo sendo um grande consumidor desses
mesmos bens e serviços, é capaz de preconizar ao segmento fornecedor a necessidade de
adequação sustentável em seus processos produtivos, visando assim a proteção ambiental.
Neste diapasão, o objetivo deste trabalho consiste na contribuição para o
conhecimento de como os Tribunais de Contas desempenham as suas atribuições frente aos
novos desafios sustentáveis, bem como procura avaliar se a fiscalização e promoção das
licitações sustentáveis pelos entes públicos têm afetado a interação desses órgãos com os
demais setores da sociedade e, por fim, analisa se essa interação proposta está promovendo
alguma mudança na cultura gerencial pública.
Para tal desenvolvimento, a metodologia utilizada é do tipo bibliográfica com
abordagem livre exploratória acerca do tema. E, adicionalmente, a pesquisa fará uma alusão
sobre as principais normatizações do direito ambiental vigente e sua interação no conceito de
sustentabilidade, bem como apresentará seus resultados e conclusões.

1. AS LICITAÇÕES COMO IMPERATIVO ESTATAL

No Brasil, a União possui a competência privativa para legislar acerca das


normas gerais das licitações, em todas as suas modalidades licitatórias. E isso engloba a
administração pública direta e indireta da própria União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, conforme previsão do art. 22, XXVII1 da Constituição Federal de 1988 – CF/88.

1
BRASIL. Constituição Federal de 1988. Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: XXVII – normas
gerais de licitação e contratação, em todas as modalidades, para as administrações públicas diretas, autárquicas
e fundacionais da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, obedecido o disposto no art. 37, XXI, e para as
Logo, no exercício de sua competência privativa, a União editou a Lei de nº
8.666 em 21 de junho de 1993 – Lei 8.666/93, que ficou conhecida como Estatuto das Licitações
e Contratos ou, simplesmente, Lei das Licitações, como será chamada no decurso desta obra.
Tal dispositivo legal teve como objetivo principal o estabelecimento das normas
gerais acerca das licitações. Tarefa esta que logrou êxito como se pode observar através da
regulamentação exaustiva acerca do tema. Todavia, cabe aqui ressaltar a liberdade que os
demais entes federados ainda dispõem para legislar sobre a mesma matéria com o objetivo de
atender às suas necessidades específicas.
Nesse contexto, o art. 175 da Carta Magna de 1988 dispõe que “incumbe ao
Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre
através de licitação2, a prestação de serviços públicos”.
Assim, a Lei das Licitações regulamenta o inciso XXI3, art. 37 da CF/88, no que
tange às aquisições dos bens e serviços que o ente público precisa adquirir frente ao particular
para disponibilizar aos seus cidadãos. 4
Logo, sobre os dispositivos constitucionais acima citados, é possível concluir
que o Poder Público, ao objetivar a celebração de contratos para a realização de obras, serviços,
compras e alienações de bens, terá como regra a realização de licitações. Porém a própria CF/88
prevê algumas possibilidades de exceções, desde que previstas em lei. Nestes casos poderá
haver a contratação sem o devido processo licitatório.5
A Lei das licitações ainda prevê cinco modalidades licitatórias, que são
concorrência, tomada de preços, convite, concurso e leilão. Tais modalidades são determinadas
em função de seus limites (monetários) de contratação, além de outros, conforme quadro 1,
abaixo:

empresas públicas e sociedades de economia mista, nos termos do art. 173, § 1°, III; Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ constituicao/constituicaocompilado.htm> Acessado em: 09/01/2018.
2
De acordo com Meirelles (2004, p. 269), “licitação é o procedimento administrativo mediante o qual a
Administração Pública seleciona a proposta mais vantajosa para o contrato de seu interesse. Como procedimento,
desenvolve-se através de uma sucessão ordenada de atos vinculantes para a Administração e para os licitantes, o
que proporciona igual oportunidade a todos os interessados e atua como fator de eficiência e moralidade nos
negócios administrativos”.
3
BRASIL. Constituição Federal de 1988. Art. 37, XXI – ressalvados os casos especificados na legislação, as
obras, serviços, compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública que assegure
igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento,
mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual somente permitirá as exigências de
qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações. Disponível em:
<http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm> Acessado em: 09/01/2018.
4
VIEIRA, Cristiano Martins; AGUIAR, Mariane Rodriguez Volz. A inserção dos critérios de sustentabilidade e
os reflexos na Administração Pública Federal. 2º Fórum Internacional Ecoinovar. Santa Maria: 2013, p. 5.
5
VIEIRA; AGUIAR, loc. cit.
QUADRO 1. Quadro de espécies de licitações – Resumo de Modalidades
ESPÉCIES MODALIDADES DISPOSITIVO LEGAL VALORES – R$
Dispensa de Licitação Art. 24, inciso I da Lei 8.666/93 Até 15.000,00
Art. 23, inciso I, alínea “a” da Acima de 15.000,00 até
Convite
Lei 8.666/93 150.000,00
Obras e Serviços
de Engenharia Art. 23, inciso I, alínea “b” da Acima de 150.000,00 até
Tomada de Preços
Lei 8.666/93 1.500.000,00
Art. 23, inciso I, alínea “c” da
Concorrência Acima de 1.500.000,00
Lei 8.666/93
Dispensa de Licitação Art. 24, inciso II da Lei Até 8.000,00
8.666/93
Art. 23, inciso II, alínea “a” da Acima de 8.000,00 até
Convite
Lei 8.666/93 80.000,00
Compras e Outros Art. 23, inciso I, alínea “b” da Acima de 80.000,00 até
Serviços Tomada de Preços
Lei 8.666/93 650.000,00
Art. 23, inciso II, alínea “c” da
Concorrência Acima de 650.000,00
Lei 8.666/93
Pregão Lei 10.520/02 Sem limites
Art. 24, inciso II, alínea “a” da
Dispensa de Licitação Até 8.000,00
Lei 8.666/93
Venda de Bens
Móveis Inservíveis Art. 23, inciso II, alínea “c” da
Concorrência Acima de 650.000,00
Lei 8.666/93
Leilão Art. 17, § 6º da Lei 8.666/93 Até 650.000,00
Fonte: Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul. Guia de Orientação aos Administradores
Municipais. Porto Alegre, janeiro de 2005. Ano do 70º Aniversário do TCE/RS – 1935/2005.

As normatizações reguladoras buscam promover, decerto, que os atores do


desenvolvimento social possam acessar o rico e importante mercado de compras públicas,
gerando assim espaços e mecanismos de inclusão social e revalorização das atividades
produtivas. 6
Em tempos de crise econômica, financeira e política, como a que o Brasil vive
atualmente, a temática desenvolvimentista volta a ser foco de amplos debates cujos objetivos
são a busca de soluções. Adicionalmente a este cenário, as alterações na Lei 8.666/93 e na Lei
Complementar 123/06 vêm impulsionando cada vez mais o debate e o pensamento social crítico
acerca da importância do processo licitatório como instrumento de desenvolvimento nacional,
porém sem nunca fugir do entendimento que as licitações são procedimentos imprescindíveis
às celebrações dos mais variados contratos administrativos.7
Ressalta-se aqui ainda que a competência da União para legislar sobre normas
gerais de licitações não se exauriu com a edição da Lei das Licitações. A posteriori, foram
editadas outras leis dispondo da mesma temática. Abaixo, no quadro 2, é possível observar

6
AZEVEDO, Pedro Henrique Magalhães. Os Tribunais de Contas Brasileiros e as Licitações Sustentáveis.
Revista TCEMG. out./nov./dez., 2014, p. 58-63.
7
AZEVEDO, loc. cit.
resumidamente as leis mais importantes que abordam a matéria, bem como as suas
especificidades.8

QUADRO 2. Dispositivos legais acerca das Licitações e suas especificidades.


DISPOSITIVO ESPECIFICIDADES
Regulamentada pelo decreto 7.174/2010, dispõe sobre a aquisição de bens e
Lei 8.248/1991
serviços de informática.
A primeira sendo a lei de concessão comum e permissão de serviços públicos e a
Leis 8.987/1995 e
segunda, a lei das parcerias público-privadas. Ambas consignam algumas normas
11.079/2004
sobre as licitações e os contratos que disciplinam.
Esta lei prevê em seu art. 210 que as concessões, permissões e autorizações de
serviços de telecomunicações e de uso de radiofrequência e suas respectivas
Lei 9.472/1997 licitações regem-se exclusivamente pela redação do diploma legal 9.472/10, e a
estes serviços não se aplicam as Leis 8.666/93, 8.987/95 e 9.074/95, nem suas
alterações.
O art. 67 desta norma, regulamentado pelo decreto 2.745/1998, prevê que os
contratos celebrados pela Petrobras, para aquisição de bens e serviços, serão
Lei 9.478
precedidos de procedimento licitatório simplificado, a ser definido em decreto
pelo Presidente da república.
Lei 10.520/2002 Lei de caráter nacional que criou a modalidade licitatória do Pregão.
Institui o Estatuto Nacional das Microempresas e da Empresas de Pequeno Porte,
Lei Complementar
o qual contem normas destinadas a proporcionar tratamento diferenciado e
123/2006
favorecido à essas categorias de empresas.
Em seu art. 34, esta lei determina a aplicação adicional da Lei Complementar
Lei 11.488/2007
123/2006 às Sociedades Cooperativas.
Aqui os arts. 13 a 18 estatuem as regras especiais para as licitações de exploração
e produção de petróleo, de gás natural e de outros hidrocarbonetos 9 e seus
Lei 12.351/2010
derivados, sob o regime de partilha de produção, em áreas do pré-sal e áreas
estratégicas.
Institui normas gerais para licitação e contratação de serviços de publicidade
Lei 12.232/2010
prestados por agências de propagandas.
Lei 12.462/2011 Institui o Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC).
Fonte: Mello, Celso Antônio Bandeira (2014).

Porém, independente do diploma legal que regerá as compras ou contratações


públicas, o Estado sempre terá, por regramento constitucionalmente e ele atribuído, a obrigação
de realizar o devido processo licitatório como principal forma de garantir a eficácia dos
princípios basilares que regem os atos e ações da Administração Pública, além de promover o
desenvolvimento sustentável em todas as suas fases e equilibrar os vultosos números que
envolvem estas transações.10

8
MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. 31ª ed. São Paulo, Malheiros Editora.
2014, p. 535-539.
9
Hidrocarbonetos. De acordo com Araújo, Ricardo da Silva (2007) são compostos formados exclusivamente por
átomos de carbono e hidrogênio. Sendo base do petróleo e dos seus subprodutos.
10
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 29ª ed. Rio de Janeiro: Ed. Forense, 2016, p. 411-
412.
Ressalta-se que, o contexto dos altos percentuais envolvidos nas compras e
contratações públicas são prerrogativas mais do que justificáveis de atenção e regramento
especial de todo aparato legal, não só no Brasil, mas em nível global. Assim, no último
levantamento divulgado pelo Sistema Econômico Latinoamericano y del Caribe – SELA,
(2015) referindo-se ao período de 2000-2012, pode-se verificar que as compras governamentais
dos países europeus, em conjunto, movimentaram cerca de 21,6% de seu PIB, percentual que
infere a estes países a maior participação em todo o mundo.
E, para efeito comparativo, o conjunto dos BRICS11 compromete 17,59% do seu
PIB com a movimentação de compras públicas, média esta relativamente semelhante à mundial,
que é de 17,87%.
Na sequência, ao se considerar a América Latina e o Caribe, as compras públicas
chegam a compreender cifras entre 10 e 15% do gasto público regional. Perfil similar às
compras governamentais feitas no Brasil, que movimentaram cerca de 15% de seu Produto
Interno Bruto, no mesmo período, influenciando diretamente setores importantes da economia
e fazendo com que eles se adaptem às demandas previstas nos editais de licitações.12
Logo, a conscientização do Estado como grande consumidor de bens e serviços
para suas amplas finalidades institucionais tem fomentado preocupações básicas características
de um país em desenvolvimento, como o Brasil, no que se refere à atenção aos princípios para
uma adequada gestão de seus recursos. Neste sentido, faz-se necessário ir além, uma vez que o
país precisa conceber formas de promover o desenvolvimento econômico e o bem-estar humano
sem degradar o seu capital natural de forma indiscriminada como ocorreu em seu passado
histórico, onde os recursos naturais foram tradicionalmente explorados à exaustão.

1.1 Os Princípios inerentes às Licitações Públicas e Sustentáveis

Todos os processos de compras e contratações públicas precisam obedecer aos


princípios basilares que respaldam o Poder Público. Nesta seara, o próprio processo licitatório
constitui, por essência, é um princípio a ser observado pela Administração. Adicionalmente, o

11
O termo BRICS faz referência a Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. São países em desenvolvimento
com características semelhantes. Juntos conseguem maior participação no cenário político e econômico
internacional por meio da defesa de interesses comuns. Disponível em: <http://www.itamaraty.gov.br/pt-
BR/politica-externa/ mecanismos-inter-regionais/3672-brics> Acessado em: 09/01/2018.
12
SELA – Sistema Económico Latinoamericano y del Caribe. Las compras públicas como herramienta de
desarrollo en América Latina y el Caribe. Relaciones Intrarregionales. Caracas, Venezuela, 2015, p. 9.
caput13 do art. 3º da Lei das Licitações estabelece os princípios expressos neste regramento
legal que possuem a prerrogativa de fundamentar o processo licitatório.
Destaca-se que, obrigatoriamente, todos os princípios devem respaldar qualquer
licitação, sendo requisitos necessários à sua existência. Assim a legalidade, impessoalidade,
moralidade, igualdade, publicidade, probidade administrativa, vinculação ao instrumento
convocatório, julgamento objetivo e demais princípios correlatos servem de base para o
processo e julgamento dos atos licitatórios.14
Os princípios correlatos citados no final do caput deste artigo são referenciados
pela doutrina como princípios pertinentes aos procedimentos licitatórios. E, dentre eles, citam-
se também a obrigatoriedade, o formalismo, o sigilo das propostas, a adjudicação compulsória
ao vencedor, a competitividade e a vedação das ofertas de vantagens imprevistas. Este último
com previsão no artigo 4º, § 2º da Lei das Licitações referindo-se que no julgamento das
propostas, a Comissão de Licitações levará em consideração os critérios objetivos definidos no
edital ou convite, os quais não devem contrariar as normas e princípios estabelecidos na Lei.15
A ampla lista principiológica acima citada não exaure por completo todos os
princípios inerentes ao processo licitatório, pois a alteração normativa promovida pela Lei
12.349/10 no art. 3º da Lei 8.666/93, define que as licitações passam a ter, como um de seus
objetivos, a promoção do desenvolvimento nacional sustentável. Surgindo aí um novo
princípio, chamado de princípio da sustentabilidade da licitação ou da licitação sustentável.
Tal princípio tem como base a ideia de que é possível, através do procedimento licitatório,
incentivar a preservação do meio ambiente. 16
Discorre ainda a nobre professora que “o princípio da licitação sustentável
autoriza a previsão, nos instrumentos convocatórios, de exigências que podem ser vistas como
discriminatórias, mas que se harmonizam com o princípio da isonomia”. 17

13
BRASIL. Lei das Licitações. Art. 3º. A licitação destina-se a garantir a observância do princípio constitucional
da isonomia, a seleção da proposta mais vantajosa para a administração e a promoção do desenvolvimento
nacional sustentável e será processada e julgada em estrita conformidade com os princípios básicos da legalidade,
da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade administrativa, da vinculação ao
instrumento convocatório, do julgamento objetivo e dos que lhes são correlatos. Disponível em <http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/l8666cons.htm> Acessado em 09/01/2018.
14
MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. 31ª ed. São Paulo, Malheiros Editora.
2014, p. 542-549
15
ALEXANDRE, Ricardo; DEUS, João. Direito Administrativo Esquematizado. 2ª ed. São Paulo: Editora
Método, 2016, p. 487-488.
16
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 29ª ed. Rio de Janeiro: Ed. Forense, 2016, p. 416-
427.
17
DI PIETRO, p. 431.
Assim, as mudanças na atitude governamental, enquanto ente consumidor e
garantidor do desenvolvimento sustentável, fornecem mecanismos de atuação como suporte à
produção pautada na sustentabilidade.18

2. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

A ideia de desenvolvimento sustentável tem como fundamento ambiental o


conceito de capacidade de suporte, desta forma, o uso sustentável de um recurso natural,
qualquer que seja, pressupõe que haja limites baseados na capacidade regenerativa e
assimilativa dos agentes poluidores19, assim, a melhor definição de sustentabilidade considera
que o desenvolvimento sustentável deve satisfazer às necessidades da geração presente sem
comprometer as necessidades das gerações futuras.20
Já no Brasil, a Constituição da República Federativa (CF) de 1988 estabeleceu como
competência comum da União, dos Estados, dos Municípios e do DF a responsabilidade de
proteger o ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas, e ainda ratificou que a
União e os Estados irão legislar concorrentemente acerca da proteção ao meio ambiente e sobre
o controle da poluição. 21
Nesse diapasão, a sustentabilidade é mandamento constitucional, conforme texto:

A sustentabilidade é mandamento constitucional. Incide em todas as


províncias do sistema jurídico, de maneira a tornar inadiável a sua
exteriorização imediata, também na seara administrativa. Assim, as licitações
e contratações públicas, com a observância cogente dos critérios de
sustentabilidade, precisam encarnar, em larga medida, as políticas públicas
que ensejam o bem-estar das gerações presentes, sem impedir que as gerações
futuras produzam o próprio bem-estar.22

Assim, o nobre professor discorre sobre a proposta prática de que a


sustentabilidade, nos processos licitatórios, representa uma nova postura estatal respondendo a

18
DI PIETRO, p. 416-427.
19
CARLEY, Michael.; CHRISTIE, Ian. Managing Sustainable Development. Mineapolis: University of Minesota
Press, 1993, p. 303.
20
KAPLINSKY, Raphael. Our Common Future. By World Commission on Environment and Development –
WCED. London: Oxford University Press. 1987, p. 284.
21
BRASIL. Constituição Federal de 1988. Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: XXVII, loc.
cit.
22
FREITAS, Juarez. Princípio da Sustentabilidade: Licitações e a Redefinição da proposta mais vantajosa.
Revista do Direito UNISC. Santa Cruz do Sul. 2012, p. 74-94.
um anseio social de que o desenvolvimento econômico não deve impactar de forma nociva o
ambiente.
Ademais, deve-se entender também que as diversas alterações atuais ocorridas
no ambiente não podem ser atribuídas ao homem apenas pela sua presença e interação no
planeta. Como qualquer espécie, é próprio (e até esperado) que o ser humano utilize os recursos
naturais à sua disposição, modificando-os e adaptando-os às suas necessidades, como forma de
garantir a sua sobrevivência. No entanto, o uso desses recursos deve ocorrer de forma racional,
moderada e harmônica junto ao ambiente sempre visando o equilíbrio necessário à saúde do
planeta, fato que historicamente não vem se observando. Assim, a responsabilidade pelos danos
ambientais deve, obviamente, recair sobre o homem, não pela sua presença no mundo, mas sim
pelo uso excessivo e desmedido dos recursos naturais.23
Portanto, o termo “desenvolvimento sustentável” foi inicialmente utilizado para
marcar oposição ao modelo de crescimento econômico difundido logo após a Revolução
Industrial, uma vez que esse modelo preconizava apenas o aumento da produtividade e da renda,
sem considerar os demais fatores de ordem social e ambiental, por exemplo.24
Mas, em termos práticos, como anteriormente posto, a melhor definição para
desenvolvimento sustentável se depara no conceito do desenvolvimento que satisfaz as
necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações satisfazerem
as suas próprias necessidades.
Todavia, a ideia de desenvolvimento aliada à sustentabilidade é proveniente dos
estudos da Organização das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas, como resposta à
humanidade acerca da grande crise social e ambiental pela qual o mundo passava desde a
segunda metade do século XX. Nesse contexto, a Comissão Mundial para o Meio Ambiente e
Desenvolvimento – CMMAD, também conhecida como Comissão de Brundtland, no processo
preparatório para a Conferência das Nações Unidas, conhecida como “Rio 92”, desenvolveu e
divulgou o relatório que ficou conhecido como “Nosso Futuro Comum”.25
Tal relatório também é chamado de relatório de Brundtland e enfatiza que a
pobreza generalizada é evitável e que o desenvolvimento das cidades deve privilegiar o
atendimento às necessidades básicas de todos, além de oferecer oportunidades de melhorias na

23
ALMEIDA, Jalcione. A Problemática do Desenvolvimento Sustentável. Revista Redes. Santa Cruz do Sul. 1996,
p. 9-16.
24
CASCINO, Fábio. Educação ambiental: princípios, história, formação de professores. São Paulo: Editora
Senac, 1999, p. 25.
25
ALENCASTRO, Maria Alice Cruz, et al. Contratações Sustentáveis na Administração Pública Brasileira: a
experiência do Poder Executivo Federal. Rev. de Adm. Pública. Rio de Janeiro 48(1), 2014, p. 207-235.
qualidade de vida a toda população. Adicionalmente, este relatório enfatiza várias outras
questões de modo a favorecer as cidades em sua escala local.26
Porém, um dos pontos de maior destaque do relatório de Brundtland tem como
ênfase os recursos naturais, pois ao avaliar a capacidade da biosfera de absorver os efeitos
causados pela atividade humana, ele afirma que a pobreza já é considerada como um problema
ambiental e como tal estabelece um tópico fundamental para a busca da sustentabilidade.27
Tal relatório também define, ou pelo menos descreve, o nível do consumo
mínimo partindo das necessidades básicas, mas é omisso na discussão detalhada do nível
máximo de consumo (e de uso de energia, etc.) nos países industrializados. Assim, o relatório
Brundtland preconiza tanto um crescimento nos países não industrializados quanto nos países
industrializados. 28
Nesse contexto, a percepção da relação existente entre o consumo de produtos e
serviços e o impacto do uso dos recursos naturais nos processos produtivos é apontada como
reflexo de um processo mais amplo de “ambientalização”, em que diversos segmentos da
sociedade incorporaram e deram novo significado ao ideário ambientalista.29
Assim, com o objetivo de fomentar a prática da aquisição e produção de bens e
serviços ecologicamente corretos, a administração pública participa do processo como
influenciadora, por conta de sua demanda consumerista e regulamentadora do processo de
implantação de políticas públicas sustentáveis. Fazendo com isso o uso de diversas abordagens
referentes às atuais políticas de promoção de compras governamentais sustentáveis. Todavia, a
consolidação de todas essas abordagens é proveniente da Força tarefa de Marrakesh30, realizada
no período de 2006 a maio de 2011, uma vez que através dessa força tarefa foi elaborada uma
metodologia de implementação de compras públicas sustentáveis, visando orientar os diversos
países. 31, 32

26
FARIA, Roberto Censi, et al. Sustentabilidade em Grandes Usinas Hidrelétricas. Revista de Gestão de Projetos
– GeP. São Paulo, 2012, p. 225-251.
27
MACIEL, Marcela Albuquerque. Licitações públicas sustentáveis na União Europeia: caminho para o
desenvolvimento sustentável. Fórum de Dir. Urbano e Ambiental – FDUA. Belo Horizonte. 2015, p. 35-45.
28
AGUIAR, Mariana Rodriguez Volz; VIEIRA, Cristiano Martins. Licitações Públicas: os Desafios da
Sustentabilidade Ambiental. Enciclopédia Biosfera. Centro Científico Conhecer, Goiânia. 2013, p. 2674-2685.
29
AGUIAR, VIEIRA, loc. cit.
30
Segundo MACIEL, Marcela Albuquerque (2015), a Força Tarefa de Marrakesh foram ações formadas por
governos nacionais europeus em cooperação com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente –
PNUMA e a Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas – UNDESA, criadas para tratar
de temas específicos relacionados ao Processo de Marrakesh, sendo uma delas direcionada a promover as licitações
públicas sustentáveis.
31
Ibid., p. 35-45.
32
LAYRARGUES, Philippe Pomier. Do Ecodesenvolvimento ao Desenvolvimento Sustentável: Evolução De Um
Conceito? Revista Proposta. 25(71), 1997, p. 5-10.
Nesse contexto, o Simpósio de Oslo sobre Produção e Consumo Sustentável,
ocorrido em 1994, propôs a expressão “consumo sustentável” para definir o uso de bens e
serviços que respondem às necessidades básicas que proporcionam uma melhor qualidade de
vida, minimizando ao mesmo tempo o uso de recursos naturais, materiais tóxicos e emissão de
rejeitos e poluentes em seu ciclo de vida, de forma a não comprometer as necessidades das
gerações futuras.33
Assim, para que os níveis de consumo sejam sustentáveis é preciso que eles
sejam capazes de promover a satisfação das necessidades básicas, bem como o
desenvolvimento das potencialidades humanas e que possam ser replicados por todo o planeta
sem que comprometam a capacidade de suporte dos ecossistemas.34

3 OS TRIBUNAIS DE CONTAS E AS LICITAÇÕES SUSTENTÁVEIS

3.1 Histórico dos Tribunais de Contas no Brasil e suas principais competências

O início dos primeiros órgãos de fiscalização e controle das finanças públicas no


Brasil data de 1680 com a criação das Juntas das Fazendas das Capitanias e a Junta da Fazenda
do Rio de Janeiro, ambas subordinadas diretamente à Portugal.35
Passados aproximadamente um século e meio, em 1808, dom João VI instalou o
Erário Régio e o Conselho da Fazenda, cuja principal função era cuidar das despesas públicas.
Este último acabou sendo transformado em Tesouro da Fazenda pela outorga da primeira
Constituição Brasileira, em 1824. Porém, somente em 1826, houve a primeira tentativa de
criação efetiva de um Tribunal de Contas no Brasil. Tentativa essa que não obteve sucesso.36
Todavia, sessenta e quatro anos após essa tentativa, em 1890, foi efetivamente
criado o primeiro Tribunal de Contas do país, o Tribunal de Contas da União, que logrou status
constitucional com a Constituição de 1891.37
A Constituição de 1934 ampliou as competências antes definidas a este Tribunal
e as demais constituições posteriores realizaram poucas alterações, excluindo um ou outro
ponto. Mas, somente com a promulgação da Constituição cidadã de 1988, foi realmente

33
ALENCASTRO, Maria Alice Cruz, et al. Contratações Sustentáveis na Administração Pública Brasileira: a
experiência do Poder Executivo Federal. Rev. de Adm. Pública. Rio de Janeiro 48(1), 2014, p. 207-235.
34
ALENCASTRO, et al., loc cit.
35
TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DO CEARÁ. O papel fiscalizador do Poder Legislativo e o TCE
Ceará. Transparência na Gestão Pública – Controle Cidadão. Fundação Demócrito Rocha. Ceará, 2016, p. 14-22.
36
Ibid.
37
Ibid.
observado um grande fortalecimento dos Tribunais de Contas, que passaram a ter suas
competências ampliadas nas questões fiscalizadoras contábeis, financeiras, orçamentárias,
operacionais e patrimoniais.38
Assim, no âmbito de sua competência constitucionalmente estabelecida, os
Tribunais de Contas atualmente fiscalizam procedimentos licitatórios, cabendo-lhes a
prerrogativa de expedição de medidas cautelares como forma de evitar futuras lesões ao erário
e garantir o cumprimento de suas decisões, além de realizar anualmente o julgamento das contas
dos administradores e demais responsáveis pela Administração Pública.39
Estas competências estão expressas nos incisos I ao XI e §1º ao 4º do art. 71 da
nossa Carta Magna, e, servem de base para que o Congresso Nacional realize o controle externo
da Administração Direta e Indireta, previsto no artigo anterior (art. 7040) do mesmo texto
constitucional.
O Tribunal de Contas, órgão cujo poder administrativo próprio é análogo ao dos
Tribunais (do Poder Judiciário), é integrado por nove membros, denominados Ministros e
quadro de pessoal próprio. Cujos requisitos para investidura em tal cargo estão taxativamente
definidos no § 1º 41 do art. 73 da CF/88. 42

Nesse contexto cabe ressaltar que todas as disposições constitucionais


pertinentes ao Tribunal de Contas da União aplicam-se, no que couber, à organização,
composição e fiscalização aos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, cujos
membros denominam-se Conselheiros e serão em número de sete. Bem como aplicam-se
também aos Tribunais e Conselhos de Contas dos Municípios, atendidas as disposições
estabelecidas nas respectivas Constituições Estaduais, conforme art. 75 da CF/88 43.

38
Ibid.
39
Ibid.
40
BRASIL. Constituição Federal de 1988. Art. 70. – A fiscalização contábil, financeira, orçamentária,
operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade,
legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso
Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada Poder. Disponível em: <http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm> Acessado em: 09/01/2018.
41
BRASIL. Constituição Federal de 1988. Art. 73 § 1º – ter mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco
anos de idade, idoneidade moral e reputação ilibada, notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos e
financeiros ou de administração pública, e, mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva atividade
profissional que exija os conhecimentos mencionados no inciso anterior. Disponível em: <http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm> Acessado em: 09/01/2018.
42
LIMA, Luiz Henrique Moraes. O Tribunal de Contas da União e o controle externo da gestão ambiental. Tese
de Doutorado. Rio de Janeiro. UFRJ. 2009, 365 p.
43
BRASIL. Constituição Federal de 1988. Art. 75. – As normas estabelecidas nesta seção aplicam-se, no que
couber, à organização, composição e fiscalização dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal,
bem como dos Tribunais e Conselhos de Contas dos Municípios. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm> Acessado em: 09/01/2018.
3.2 Atuação dos Tribunais de Contas nos modelos sustentáveis da Administração Pública

Conforme já explicado anteriormente, o Tribunal de Contas é o órgão que auxilia


o Poder Legislativo no controle externo. Esse auxílio ocorre mediante a fiscalização contábil,
financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da Administração Direta e Indireta de todos
os poderes, especialmente no tocante à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das
subvenções e renúncia de receitas.44
E, apesar das extensas competências que lhe foram conferidas, constantes no art.
71 da CF/88, não houve a expressa inclusão de extensão à matéria ambiental neste rol. Porém
isto não confere negativa à sua atuação nos exercícios que lhe são atributos ordinários, pois,
uma vez que a sociedade e o meio ambiente são dinâmicos, o direito e seus atores também
precisam ser. Deste modo, não só os tribunais, mas todos os demais órgãos de controle requerem
adaptação às mudanças das novas exigências e desafios que o século XXI propõe. 45
Assim, não obstante à ausência expressa de competência de matéria ambiental
no art. 71 da CF/88, o art. 22546 prevê como dever institucional do Poder Público, a tutela do
meio ambiente, enquadrando aí o Tribunal de Contas com sua função fiscalizatória, que no
amplo e livre exercício de suas demais atividades constitucionais, protagonizam uma
sinalização, bem como uma indução das políticas públicas.
Logo, cabe-lhes primordialmente a utilização desse poder para construir uma
cultura administrativa voltada à questão da sustentabilidade, uma vez que uma mudança
profunda neste sentido criaria um paradigma a ser propulsionado pelos Tribunais de Contas, e,
necessariamente, essa nova visão resultaria em uma fiscalização mais aprofundada dos
procedimentos licitatórios, com resultados de excelência na verificação do atendimento ao
objetivo de garantir e desenvolvimento sustentável.47
Criar culturas, desenvolver novos hábitos, livrar-se de vícios e ações deletérias
que em nada engrandecem as ações de controles inerentes aos Tribunais de Contas é uma tarefa
difícil, porém extremamente necessária. Nesta seara, os Tribunais de Contas devem verificar se
o bem a ser adquirido, a obra a ser realizada ou o serviço a ser prestado contemplam, em seus

44
LIMA. op. cit., p. 101.
45
AGUIAR, Mariana Rodriguez Volz; VIEIRA, Cristiano Martins. Licitações Públicas: os Desafios da
Sustentabilidade Ambiental. Enciclopédia Biosfera. Centro Científico Conhecer, Goiânia. 2013, p. 2682.
46
BRASIL. Constituição Federal de 1988. Art. 225 – Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente
equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à
coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm> Acessado em: 09/01/2018.
47
AZEVEDO, Pedro Henrique Magalhães. Os Tribunais de Contas Brasileiros e as Licitações Sustentáveis.
Revista TCEMG. out./nov./dez., 2014, p. 58-63.
custos diretos e indiretos, de produção e/ou aquisição, as boas normas e os critérios de
sustentabilidade e de desenvolvimento sustentável. Tal verificação deve ocorrer tanto para a
aquisição de bens, produtos e serviços que serão recepcionados pelo próprio tribunal ou pelos
seus jurisdicionados.48
E, para verificação se as licitações estão seguindo os modelos sustentáveis
predeterminados nos regramentos legais, o Tribunal de Contas julga, avalia e produz
jurisprudência para as cláusulas sustentáveis dos editais pertinentes. No entanto, cabe ressaltar
que quem cria os critérios de habilitação são os órgãos repassadores de recursos.
No tocante às licitações sustentáveis, o Decreto nº 7.746/201249 regulamentou o
art. 3º da Lei das Licitações determinando o estabelecimento de critérios, diretrizes gerais e
práticas para a promoção do desenvolvimento nacional sustentável inicialmente por toda a
Administração Pública Federal. Na sequência, os demais entes federados vêm absorvendo esse
texto em seus processos licitatórios, e, com isso, assimilando de forma idêntica a promoção do
desenvolvimento nacional e/ou local sustentável.50
Decidindo assim, os Tribunais de Contas acerca da legalidade da inclusão de
requisitos de habilitação envolvendo a legislação ambiental, bem antes da existência da
normatização disciplinadora das compras públicas sustentáveis 51, conforme se verifica no
acórdão de nº 031.861/2008-052.
No mesmo sentido, a decisão proferida nos autos da Representação TC nº
019.377/2011-853 interposta em face de licitação promovida pelo Instituto Chico Mendes de

48
PES, João Hélio Ferreira. Sustentabilidade e os Problemas Jurídicos e Políticos na Tutela do Aquífero Guarani.
Anais do 2º Congresso Internacional de Direito e Contemporaneidade: mídias e direitos da sociedade em rede.
Universidade Federal de Santa Maria – RS, 2013, p. 735-749.
49
BRASIL. Decreto nº 7.746/2012 – Regulamenta o art. 3º da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, para
estabelecer critérios e práticas para a promoção do desenvolvimento nacional sustentável nas contratações
realizadas pela administração pública federal direta, autárquica e fundacional e pelas empresas estatais
dependentes, e institui a Comissão Interministerial de Sustentabilidade na Administração Pública - CISAP.
Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/decreto/d7746.htm> Acessado em:
09/01/2018.
50
AZEVEDO, op. cit., p. 58-63.
51
SOUZA, Lilian Castro. As compras públicas sustentáveis na visão dos Tribunais de Contas da União. In:
VILLAC, Tereza, et al. Panorama de licitações sustentáveis: direito e gestão pública. Belo Horizonte: Forum,
2014. p. 99-118.
52
ACÓRDÃO Nº 031.861/2008-0. PREGÃO PRESENCIAL. FALHA NO EDITAL DE LICITAÇÃO.
REQUISITOS DE HABILITAÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL
ESPECÍFICA. OITIVA PRÉVIA. FIXAÇÃO DE PRAZO PARA ANULAÇÃO DA LICITAÇÃO. A existência
de órgãos fiscalizadores do meio ambiente não exime a Administração de atentar para aspectos que envolvam o
atendimento de requisitos previstos em lei especial, nos termos dos arts. 28, V, e 30, IV, da Lei 8.666/1993. Rel.
Min. Sherman Cavalcanti.
53
TC 019.377/2011-8. REPRESENTAÇÃO. IRREGULARIDADES NO EDITAL DE PREGÃO ELETRÔNICO
PARA REGISTRO DE PREÇOS. CONHECIMENTO. ADOÇÃO DE MEDIDA CAUTELAR. OITIVA.
JUSTIFICATIVAS INSUFICIENTES PARA ELIDIR AS IRREGULARIDADES SUSCITADAS.
PROCEDÊNCIA. ANULAÇÃO DO CERTAME. ARQUIVAMENTO. 140. Sobre a adoção de critérios de
Conservação da Biodiversidade em que o tribunal de Contas define o alcance dos requisitos
trazidos como Instrução Normativa nº 01/2010.
Atualmente os Tribunais de Contas têm, cada vez mais, voltado os olhos para as
questões de desenvolvimento sustentáveis e vêm realizando constantes auditorias com o
objetivo de verificar se esses critérios promotores das licitações sustentáveis estão, de forma
efetiva, sendo incluídos na gestão pública.54 Nesse contexto, eles têm considerando a Agenda
2155 e a adesão do país aos acordos internacionais firmados, como por exemplo, a Convenção-
Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima56 e Processo de Marrakesh57, bem como
o disposto na Lei nº 12.187/200958, na Lei nº 9.433/9759, na Lei nº 10.295/0160, no Decreto nº
5.940/0661, e também pela Instrução Normativa nº 1, de 19 de janeiro de 2010 que dispõe sobre

sustentabilidade nas licitações, vale mencionar manifestação dessa Corte de Contas sobre o tema, ao destacar: Para
definir o objeto da licitação, o administrador deve estar atento às peculiaridades do mercado, às diferentes
exigências da Lei de Licitações e aos critérios de sustentabilidade ambiental previstos na IN/MPOG n° 01/2010
(Licitações e Contratos, Orientações e Jurisprudência do TCU, 4a. Ed, pg.148); 141. Ainda sobre o mesmo tema,
este Tribunal ressalta (Licitações e Contratos, 4a. Ed, pg.210): Para definir o objeto da licitação, o administrador
deve estar atento às peculiaridades do mercado, às diferentes exigências da Lei de Licitações e aos critérios de
sustentabilidade ambiental previstos na IN/MPOG;142.Constata-se que esta Corte, ao mencionar tais critérios,
sempre fez referência à IN/MPOG 1/2010, exatamente por ser esse, até então, o normativo que regulamenta a
inserção da variável sustentabilidade nos procedimentos licitatórios. Conforme disposto na publicação do TCU,
os critérios de sustentabilidade deverão constar da definição do objeto e não como requisito para a habilitação;
143. Ao abandonar as regras dispostas naquela Instrução Normativa, resultou equivocado o intento do ICMBio em
implementar critérios de sustentabilidade no certame em comento, devido à ausência de critérios objetivos para tal
avaliação. Diante disso, propõe-se rejeitar as justificativas apresentadas para este item. [...]
54
SOUZA, L. C. op. cit., p. 99-118.
55
BRASIL. MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. AGENDA 21. Pode ser definida como um instrumento de
planejamento para a construção de sociedades sustentáveis, em diferentes bases geográficas, que concilia
métodos de proteção ambiental, justiça social e eficiência econômica. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/
responsabilidade-socioambiental/agenda-21> Acessado em 07/01/2018.
56
BRASIL. MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. CONVENÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE
MUDANÇA NO CLIMA. A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na
sigla em inglês) tem o objetivo de estabilizaras concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera em um nível
que impeça uma interferência antrópica perigosa no sistema climático. Esse nível deverá ser alcançado em um
prazo suficiente que permita aos ecossistemas adaptarem-se naturalmente à mudança do clima, assegurando que
a produção de alimentos não seja ameaçada e permitindo ao desenvolvimento econômico prosseguir de maneira
sustentável. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/clima/convencao-das-nacoes-unidas> Acessado em
07/01/2018.
57
Maciel, M. A. op. cit., p. 35-45.
58
BRASIL. Lei nº 12.187/2009. Institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima - PNMC e dá outras
providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l12187.htm>
Acessado em 07/01/2018.
59
BRASIL. Lei nº 9.433/97. Institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, cria o Sistema Nacional de
Gerenciamento de Recursos Hídricos, regulamenta o inciso XIX do art. 21 da Constituição Federal, e altera o
art. 1º da Lei nº 8.001, de 13 de março de 1990, que modificou a Lei nº 7.990, de 28 de dezembro de 1989.
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9433.htm> Acessado em 07/01/2018.
60
BRASIL. Lei nº 10.295/01. Dispõe sobre a Política Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia e dá
outras providências. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10295.htm>
Acessado em 07/01/2018.
61
BRASIL. Decreto nº 5.940/06. Institui a separação dos resíduos recicláveis descartados pelos órgãos e
entidades da administração pública federal direta e indireta, na fonte geradora, e a sua destinação às associações
e cooperativas dos catadores de materiais recicláveis, e dá outras providências. Disponível em: <http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/decreto/d5940.htm> Acessado em 07/01/2018.
critérios de sustentabilidade ambiental, SLTI/MP nº 1º/1062.
Assim, com o respaldo da relevante inclusão do desenvolvimento nacional
sustentável, a avaliação do aspecto ambiental mesmo em atividades de fiscalização tem
ganhado um escopo mais abrangente, isto é, que não digam respeito somente aos órgãos,
programas, projetos e atividades diretamente relacionadas ao meio ambiente. Assim, até a
apreciação das contas do Presidente da República deve, sob tal enfoque, ser avaliada
considerando-se o desempenho governamental na consecução de suas metas ambientais.63
Ademais, são empregadas habitualmente, pelos auditores e analistas dos
Tribunais de Contas, as mesmas técnicas para as atividades de controle externo e auditorias da
área de sustentabilidade ambiental, porém esta última sofre uma adequação de suas
características para ajustar-se às diversas modalidades de auditorias, bem como inspeções,
levantamentos, monitoramentos e acompanhamentos. Logo, a diferença entre as auditorias
“convencionais” e as auditorias ambientais, resume-se, nesta visão, apenas ao objeto da análise.
Ademais, os protocolos e manuais são similares. 64
Assim, a auditoria, junto com o levantamento, inspeção, acompanhamento e
monitoramento compõem os cinco instrumentos de fiscalização correlatos à aprimoração e
evolução dos processos constitucionalmente conferidos aos Tribunais de Contas. 65
Destaca-se também que a base da competência fiscalizatória dos Tribunais de
Contas juntos aos seus jurisdicionados, também é preceito a ser seguido internamente em suas
atividades típicas cotidianas, pois torna-se evidente que o conceito de sustentabilidade está cada
vez mais incluído nas questões desenvolvimentistas, desenhando um “caminho sem volta” que
vem sendo cada vez mais adotado pelos agentes públicos.66
Assim, empenhado no cumprimento dessas mudanças, os próprios Tribunais de
Contas já decidiram acerca da legalidade da inclusão de requisitos de habilitação envolvendo a
legislação ambiental em vários acórdãos proferidos, antes mesmo da existência de
normatização disciplinadora para compras públicas sustentáveis. Tais fatos foram pioneiros na
promoção de jurisprudências que serviram de base e precedentes para diversas ações positivas

62
BRASIL. Instrução normativa SLTI/MP nº 1º/10. Dispõe sobre os critérios de sustentabilidade ambiental na
aquisição de bens, contratação de serviços ou obras pela Administração Pública Federal direta, autárquica e
fundacional e dá outras providências. Disponível em: <http://www.comprasnet.gov.br/legislacao/legislacao
Detalhe.asp?ctdCod=295> Acessado em 07/01/2018.
63
LIMA, op. cit., p. 106.
64
Ibid., p. 108.
65
Ibid., p. 111-112.
66
TORRES, Rafael Lopes. Licitações Sustentáveis: sua importância e seu amparo constitucional e legal. Interesse
Público – IP. Belo Horizonte. 2012, p. 219-241.
de implementação de dispositivos que vieram a resguardar juridicamente a inserção das
questões sustentáveis nas ações públicas. 67
Por fim, uma vez que ambientalmente fabulado, o papel estatal exercido pelos
Tribunais de Contas traduz o preceito constitucional fiscalizador presente no art. 71 da CF/88,
anteriormente citado, não se exaurindo nem se limitando a este único dispositivo.

4. CONCLUSÃO

De todo o exposto, pode-se verificar que os Tribunais de Contas vêm atuando de


forma progressiva no controle dos processos licitatórios ambientais, promovendo o
desenvolvimento sustentável em seus processos, bem como no de seus jurisdicionados,
procurando conferir especial atenção a este tema em consonância com a legislação ambiental
brasileira.
Legislação esta que tem demonstrado uma constante evolução conceitual e legal,
aperfeiçoando assim o seu processo de compras e direcionando a Administração Pública a um
caminho sem volta e irreversível acerca das mudanças de interpretações e obrigatoriedade por
parte dos mesmos.
E, partindo do princípio que a interação do homem com a natureza
historicamente não tem ocorrido de forma equilibrada, chega-se à conclusão de que o Estado
tem papel fundamental na implementação da sustentabilidade nas políticas públicas. Logo,
entende-se que as ações de interações e abordagens dos Tribunais de Contas Estaduais e
Municipais, bem como da Corte Superior, o Tribunal de Contas da União, têm logrado êxito
com suas ações fiscalizatórias e persuasivas junto aos demais órgãos públicos, uma vez que se
têm notado um resultado positivo na observação do crescimento econômico paralelo ao
crescimento e desenvolvimento ambiental.
Porém faz-se notório que mesmo com todos os instrumentos e fases necessárias
ao sucesso das atividades ordinárias dos Tribunais de Contas, a obtenção do êxito nos processos
que empreendem licitações sustentáveis como arcabouço para o desenvolvimento, em todas as
suas esferas de inclusão, depende diretamente de uma ampla conscientização por parte de todos
os atores envolvidos, bem como da participação ativa da sociedade, uma vez que o papel estatal
exercido pelos Tribunais de Contas traduz o preceito constitucional fiscalizador presente no art.
225 da CF/88, sem exaurir-se nele.

67
AZEVEDO, op. cit., p. 58-63.
Logo, a sociedade precisa absorver este novo paradigma apresentado pelos
desafios contemporâneos impostos pelas evoluções econômica, ambiental e social,
amadurecendo conjuntamente. E, a partir daí tornar-se um ator decisivo junto aos demais órgãos
públicos, não só os Tribunais de Contas, para uma atuação profícua objetivando sempre o
desenvolvimento positivado capitalista no qual estamos inseridos, sem abdicar do
desenvolvimento ambiental. Pois, somente dessa forma poderemos promover o exercício de
uma prática cada vez mais sustentável que tende a ser benéfica em seu macro sentido.

ACCOUNTABILITY OF THE AUDIT TRIBUNAL AND CONTROL IN THE


PROMOTION OF SUSTAINABLE DEVELOPMENT AND BIDDINGS

ABSTRACT

This article seeks to clarify the way in which the Audit Courts perform their assignment in face
of the new sustainable challenges, as well as to assess whether the monitoring and promotion
of sustainable biddings by public entities has affected the interaction of these agencies with
other sectors of society, analyzing also if this interaction is promoting some change in the public
management culture, since the principle of the national development, was incorporated in the
Law of the Biddings, took as a new text the inclusion for "sustainable national development",
in the sense of making sustainable all biddings. Additionally to this new interpretation, art. 225
of CF/88 made the concept of sustainability indispensable to public policies in all sectors of
government. Thus, in view of this reality, the Federal Audit Court and the other Courts of
Accounts in the country now have the competence, besides other skills, to monitor whether
public actions are promoting an ecologically balanced environment in their processes. The
methodology used is of the bibliographic type with free exploratory approach about the subject.
Finally, it can be concluded that the actions of interactions and approaches of the Audit Courts
have managed to achieve economic growth parallel to environmental development, as well as
the fact that the result of this greater sustainable inclusion has reflected in multidimensionalities
of social development, proving its effectiveness. And finally, it is observed that the creation of
new cultures and the development of new habits is a difficult task that needs to be continuous.
Keyword: Sustainability. Sustainable Biddings. Account Tribunal.

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