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CEI-ADVOCACIA

PÚBLICA 3ª EDIÇÃO
2ª RODADA - 30/01/2017

CEI-ADVOCACIA
PÚBLICA 3ª EDIÇÃO

2ª RODADA - 30/01/2017
DURAÇÃO

20/01/2017 A 16/05/2017

MATERIAL ÚNICO
Questões totalmente inéditas

ACESSÍVEL
Computador, Tablet, Smartphone

30 QUESTÕES OBJETIVAS
Por rodada

2 QUESTÕES DISSERTATIVAS
Por rodada

1 PEÇA JUDICIAL
Por rodada

IMPORTANTE: é proibida a reprodução deste material, ainda que sem fins lucrativos. O CEI CEI-
possui um sistema de registro de dados que marca o material com o seu CPF ou nome de usuário. ADVOCACIA
O descumprimento dessa orientação acarretará na sua exclusão do Curso. Agradecemos pela PÚBLICA
sua gentileza de adquirir honestamente o curso e permitir que o CEI continue existindo. 3ª ED.
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PROFESSORES

Jorge Maffra Ottoni - Coordenador do CEI PGE/PGM e Professor de Direito Administrativo e Financeiro.
Procurador do Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro. Aprovado nos seguintes concursos públicos: Procurador da
Assembleia Legislativa de Goiás (1º colocado). Procurador Especial junto ao Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro
(2º colocado). Procurador do Município de Niterói. Procurador do Município de São Paulo. Procurador do Banco Central.
Procurador Federal (AGU). Procurador da Câmara do Município de São Paulo. Procurador do Município de
Atibaia (2º colocado). Procurador do Município de Limeira (1º colocado). Procurador do Município de
Jundiaí. Procurador do Município de Taboão da Serra (1º colocado antes dos títulos). Procurador do
Município de Araras (2º colocado). Advogado da Companhia Paulista de Obras e Serviços. Advogado
SP Urbanismo (3º colocado). Procurador Instituto de Previdência de Ilhabela (1º colocado). Advogado
Dataprev. Procurador Geral da Câmara de Caieiras. Bacharel em Direito pela USP.

Natalia Maia – Direito Civil, Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho.


Procuradora do Estado de Goiás. Aprovada nos concursos da PGE-BA e da PGE-RN. Pós-graduanda
pela PUC-MG. Bacharel em Direito pela UFC.

Rodolfo Cursino – Direito Tributário e Direito Ambiental.


Procurador da Fazenda Nacional. Especialista em Direito Público pela UBC/SP. Pós-graduado em Direito
Processual pela PUC/MG. Bacharel em Direito pela UFPE. Ex-Técnico do Seguro Social. Coautor do
livro “Questões Discursivas Comentadas – Advocacia Pública Federal (AGU e PFN)”, Juspodivm/2015.
Colaborador do Blog Foca no Resumo. Aprovado, ainda, nos concursos de Julgador do Tribunal
Administrativo Tributário de Pernambuco; Procurador dos Municípios de Maceió/AL e João Pessoa/
PB; Advogado da Caixa Econômica Federal; Analista do MPU, TRT6 e TJPE; Técnico da Fazenda
Municipal de Olinda/PE e do TRT6.

José Américo – Direito Constitucional, Direito Penal e Direito Processual Penal.


Procurador do Estado do Piauí. Aprovado nos seguintes concursos públicos: Procurador de Contas do
TCE-CE (3o Colocado). Procurador Especial junto ao TCM-RJ (5o Colocado – aguardando apuração de
títulos). Procurador do Estado do Piauí (6º colocado). Procurador de Contas do TCE-PB (7o Colocado).
Procurador do Estado do Paraná (14o Colocado). Procurador do Estado do RN. Procurador da
Câmara Municipal de Porto Alegre-RS (2o Colocado). Procurador do Município de Cuiabá (3o
Colocado). Assessor Jurídico do TCE-PI (6o Colocado). Procurador do Estado do Acre. Advogado
da CEF e Advogado do BNB.

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Bruno Lopes Megna – Direito Processual Civil e Empresarial.


Procurador do Estado de São Paulo. Mestrando em Direito Processual na USP. Graduado em Direito na
USP (2011). Membro da Comissão de Advocacia Pública da OAB-SP. Membro do Centro de Estudos
Avançados de Processo (CEAPRO). Professor Convidado na Escola Superior da Procuradoria Geral
do Estado de São Paulo (ESPGE-SP). Aprovado nos concursos de Advogado da União (2012),
Procurador do Estado de São Paulo (2012) e Procurador do Município de São Paulo (2014, 1º
colocado na fase dissertativa, 4º colocado após contagem dos títulos).

Frederico Jorge Magalhães Pereira de Lira – Temas Federais: Previdenciário Federal, Internacional, Agrário
e Legislação de Ensino.
Procurador Federal. Procurador-Chefe da Procuradoria Federal no Estado do Acre (PF/AC). Pós-
graduado em Direito Público pela Universidade Anhanguera. Bacharel em Direito pela Universidade
Católica de Pernambuco (UNICAP). Ex-Procurador-Chefe da Procuradoria Federal Especializada
junto ao IBAMA no Estado do Acre (PFE-IBAMA/AC). Ex-Procurador do Estado do Acre (PGE/AC).
Aprovado, ainda, nos concursos para Procurador do Município de Maceió e Procurador da Agência
Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Estado do Ceará (ARCE).

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INSTRUÇÕES GERAIS

Caros alunos,

Para que este curso ocorra perfeitamente, gostaria que observassem as seguintes instruções:

1. Leiam com atenção o calendário do curso, disponibilizado no site do CEI e no final dessa
página, para se programarem e se organizarem.

2. Os exercícios decorrentes das questões dissertativas e das peças judiciais devem ser
enviados tempestivamente, até a data indicada em cada rodada, para o email do respectivo
professor. Não é obrigatório o envio dos exercícios para ter acesso ao Espelho de Correção.

3. Se deseja submeter seu exercício escrito à mão, baixe o arquivo no formato .pdf e depois
envie para o email do professor em arquivo único (e não dividido, portanto) em formato PDF
(não mandar fotos, pois muitas vezes a leitura fica prejudicada!). Se deseja submeter seu
exercício digitado, baixe o arquivo no formato .doc na área do aluno e igualmente o envie depois
para o respectivo professor.

4. Para atingirmos o nível esperado de simulação da prova real, recomendamos que respondam
às questões dissertativas e elaborem as peças judiciais consultando apenas a legislação seca.
Após enviar seu exercício para o professor, pesquise os temas à vontade.

5. Para qualquer dúvida operacional sobre o CEI (problemas para acessar o site, p. ex.), entre
em contato com o suporte: suporte@cursocei.com

6. Para qualquer crítica, elogio ou consideração sobre os materiais do curso ou sobre


determinado professor, entre em contato comigo pelo email profcei.jorgeottoni@gmail.com

VAMOS EM FRENTE, RUMO À APROVAÇÃO NA ADVOCACIA PÚBLICA!

JORGE OTTONI
Professor e Coordenador do CEI-ADVOCACIA PÚBLICA

Limite para Limite para


Publicação rodada Publicação espelho
resposta correção
1ª. Rodada 20/01/17 30/01/17 09/02/17 10/02/17
2ª. Rodada 30/01/17 09/02/17 20/02/17 21/02/17
3ª. Rodada 09/02/17 20/02/17 02/03/17 03/03/17
4ª. Rodada 20/02/17 02/03/17 13/03/17 14/03/17
5ª. Rodada 02/03/17 13/03/17 23/03/17 24/03/17
6ª. Rodada 13/03/17 23/03/17 03/04/17 04/04/17
7ª. Rodada 23/03/17 03/04/17 13/04/17 14/04/17
8ª. Rodada 03/04/17 13/04/17 24/04/17 25/04/17
9ª. Rodada 13/04/17 24/04/17 04/05/17 05/05/17
10ª. Rodada 24/04/17 04/05/17 15/05/17 16/05/17
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SUMÁRIO

QUESTÕES OBJETIVAS SEM O GABARITO COMENTADO....................................................................6


DIREITO DO TRABALHO E PROCESSO DO TRABALHO.............................................................6
DIREITO CIVIL..........................................................................................................................................8
DIREITO CONSTITUCIONAL...............................................................................................................9
DIREITO PENAL E DIREITO PROCESSUAL PENAL...................................................................... 12
DIREITO PROCESSUAL CIVIL............................................................................................................ 13
DIREITO EMPRESARIAL...................................................................................................................... 15
DIREITO AMBIENTAL.......................................................................................................................... 16
DIREITO TRIBUTÁRIO.......................................................................................................................... 17
DIREITO ADMINISTRATIVO.............................................................................................................. 19
DIREITO FINANCEIRO.........................................................................................................................22
DIREITO PREVIDENCIÁRIO...............................................................................................................22
DIREITO AGRÁRIO...............................................................................................................................23
LEGISLAÇÃO DE ENSINO.................................................................................................................. 24
DIREITO INTERNACIONAL............................................................................................................... 24
GABARITO DAS QUESTÕES OBJETIVAS...................................................................................................26
QUESTÕES OBJETIVAS COM O GABARITO COMENTADO................................................................27
DIREITO DO TRABALHO E PROCESSO DO TRABALHO...........................................................27
DIREITO CIVIL........................................................................................................................................38
DIREITO CONSTITUCIONAL............................................................................................................ 45
DIREITO PENAL E DIREITO PROCESSUAL PENAL......................................................................58
DIREITO PROCESSUAL CIVIL............................................................................................................66
DIREITO EMPRESARIAL......................................................................................................................72
DIREITO AMBIENTAL..........................................................................................................................76
DIREITO TRIBUTÁRIO..........................................................................................................................79
DIREITO ADMINISTRATIVO..............................................................................................................87
DIREITO FINANCEIRO.......................................................................................................................102
DIREITO PREVIDENCIÁRIO.............................................................................................................105
DIREITO AGRÁRIO..............................................................................................................................112
LEGISLAÇÃO DE ENSINO................................................................................................................. 114
DIREITO INTERNACIONAL...............................................................................................................118
QUESTÕES DISSERTATIVAS........................................................................................................................121
DIREITO AMBIENTAL.........................................................................................................................121
DIREITO FINANCEIRO.......................................................................................................................122
PEÇA PROFISSIONAL................................................................................................................................... 123
DIREITO CIVIL......................................................................................................................................123
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QUESTÕES OBJETIVAS SEM O GABARITO COMENTADO

ORIENTAÇÃO: procure responder todas as questões com agilidade, sem consulta a nenhum
material, a fim de simular a situação encontrada em prova.

DIREITO DO TRABALHO E PROCESSO DO TRABALHO

QUESTÃO 1. Com relação ao instituto da sucessão trabalhista, é correto afirmar:

a) Para o TST, o contrato de trabalho considerado nulo em virtude da ausência


de concurso público é passível de convalidação quando, celebrado com ente da
Administração Indireta, continua a existir após a sua privatização.

b) Na justiça do trabalho, a responsabilidade do sucessor alcança os débitos


trabalhistas relativos a período anterior à sucessão, com exclusão apenas daqueles
decorrentes de contratos extintos antes da sucessão.

c) Havendo desmembramento de municípios, o município mais novo responderá


pelos direitos decorrentes do contrato de trabalho, sem prejuízo da responsabilidade
subsidiária do município desmembrado pelos débitos anteriores ao desmembramento.

d) Em regra, o sucessor responderá solidariamente pelos débitos trabalhistas de todas


as empresas integrantes do mesmo grupo econômico da empresa sucedida.

e) Na sucessão de concessionárias de serviço público envolvendo a transferência


de patrimônio, a empresa sucedida responde solidariamente com a sucessora pelos
débitos trabalhistas contraídos até a concessão.

QUESTÃO 2. De acordo com o entendimento do TST acerca dos recursos no processo


do trabalho, é correto afirmar:

a) Como os poderes do relator e dos demais órgãos dos tribunais possuem disciplina
própria na legislação trabalhista, não é possível ao relator negar provimento a recurso
contrário a súmula do TST, com fulcro no art. 932 do CPC/2015.

b) A regularização da representação processual, na forma do art. 76 do CPC/2015, tem


sua aplicação restrita ao juízo de primeiro grau. Assim, verificando a irregularidade
de representação da parte em fase recursal, o relator deverá não conhecer do recurso
ou determinar o desentranhamento das contrarrazões, se a providência couber ao
recorrido.

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c) Em decorrência do princípio da fungibilidade, é possível admitir-se o agravo


regimental interposto em face do acórdão da Subseção de Dissídios Individuais do
TST que não conheceu do recurso de embargos, por incabível.

d) O Ministério Público do Trabalho detém legitimidade para recorrer na defesa de


interesse patrimonial de empresas públicas e sociedades de economia mista.

e) Interposto recurso ordinário em face de sentença que não resolve o mérito, o juiz
terá 5 (cinco) dias para retratar-se.

QUESTÃO 3. Com relação ao direito de família e à obrigação de prestar alimentos,


assinale a alternativa correta:

a) A paternidade socioafetiva declarada em registro público impede o reconhecimento


de vínculo de filiação com o pai biológico, dada a vedação estabelecida no Código
Civil à pluriparentalidade.

b) A pessoa com deficiência mental ou intelectual em idade núbia poderá contrair


matrimônio, expressando sua vontade tanto diretamente quanto por meio de seu
responsável ou curador.

c) A ignorância, anterior ao casamento, de doença mental grave capaz, por sua


natureza, de tornar insuportável a vida em comum configura erro essencial quanto à
pessoa do cônjuge, tornando o casamento passível de anulação.

d) A presunção legal de paternidade decorrente do nascimento durante a constância do


casamento impede que qualquer pessoa, exceto o próprio pai, conteste a paternidade,
restando vedado o ingresso de ação de investigação de paternidade pelos filhos.

e) O falecimento do pai do alimentante implica a transmissão automática do dever de


alimentar aos avós.

DIREITO CIVIL

QUESTÃO 4. Assinale a alternativa incorreta acerca das pessoas jurídicas de direito


privado e o regime a elas aplicável:

a) As fundações podem ser constituídas, dentre outros, para fins de educação, saúde,
segurança alimentar e nutricional e modernização de sistemas de gestão. Em todas
essas hipóteses, sua criação pressupõe que o instituidor realize, mediante testamento
ou escritura pública, a dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se
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destina.

b) A constituição de empresa pública ou de sociedade de economia mista pressupõe


a edição de lei autorizativa que indique, de forma clara, o relevante interesse coletivo
ou imperativo de segurança nacional de que trata o art. 173, da CF/88.

c) Por não estarem abrangidas no conceito de abuso da personalidade jurídica, as


pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos ou de fins não econômicos
não podem ter sua personalidade jurídica desconsiderada.

d) A aplicação da teoria maior da desconsideração da personalidade social pressupõe


a configuração do dolo da pessoa natural que atua por trás da sociedade, de modo
que o encerramento das atividades da sociedade ou sua dissolução irregular não é
suficiente para justificar a desconsideração da personalidade jurídica de que trata o
art. 50 do Código Civil.

e) As associações podem desenvolver atividades econômicas.

QUESTÃO 5. No que tange à disciplina legal envolvendo os bens, assinale a assertiva


correta:

a) Não excepciona a regra da impenhorabilidade o bem de família pertencente a fiador


de contrato de locação.

b) É passível de penhora o imóvel pertencente à sociedade empresária, ainda que nele


resida o sócio devedor.

c) A impenhorabilidade do bem de família é afastada quando se pretende satisfazer


créditos de trabalhadores da própria residência e das respectivas contribuições
previdenciárias.

d) Além dos bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito


público interno, parcela da doutrina sustenta que também são bens públicos aqueles
pertencentes às pessoas jurídicas privadas, quando afetados à prestação de serviços
públicos.

e) O bem de família pode ser penhorado para assegurar o pagamento do credor de


pensão alimentícia, ainda que dele seja coproprietário o cônjuge ou companheiro do
devedor. Nessa hipótese, o cônjuge ou companheiro será ressarcido de sua parte pelo
produto da alienação do bem.

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DIREITO CONSTITUCIONAL

QUESTÃO 6. Sobre o estado de sítio, estado de defesa, Segurança Pública e Forças


Armadas, assinale a alternativa correta:

a) O estado de sítio será objeto apenas de controle concomitante e posterior pelo


Congresso Nacional, com base em mensagem enviada pelo Presidente da República,
na qual serão especificadas as medidas adotadas e os sujeitos atingidos;

b) Com a finalidade de impedir uma violação do regime constitucional em hipóteses


de rompimento da normalidade, a Constituição de 1988 prevê um estado de
legalidade extraordinária, consistente em um conjunto de normas a serem aplicadas
em situações excepcionais, constitucionalmente conformadas, até que a situação
normal seja restabelecida, que devem ser informadas por três critérios: necessidade,
temporariedade e universalidade.

c) O estado de sítio somente poderá ser decretado mediante a autorização do Conselho


da República e do Conselho de Segurança Nacional e não poderá ser decretado por
tempo indeterminado, mas sim por no máximo trinta dias, prorrogáveis, uma única
vez, por até trinta dias.

d) O Plenário do STF, com repercussão geral, decidiu que as guardas municipais


têm competência para fiscalizar o trânsito, lavrar auto de infração de trânsito e impor
multas, desde que haja delegação específica em lei estadual.

e) A Constituição veda o cabimento de habeas corpus em relação a punições


disciplinares militares (CF, art. 142, § 2°), no entanto, admite-o em relação a questões
formais do procedimento disciplinar.

QUESTÃO 7. No tocante à fiscalização contábil, financeira e orçamentária, segundo


as normas preconizadas pela Constituição Federal brasileira e a jurisprudência aplicável à
matéria, assinale a alternativa incorreta:

a) O art. 71 da Constituição não insere na competência dos Tribunais de Contas


a aptidão para examinar, previamente, a validade de contratos administrativos
celebrados pelo Poder Público, por se tratar de atividade reservada à competência
da função executiva, sendo inconstitucional a criação de procedimento no âmbito
do respectivo ente federado que obrigue a tal submissão prévia, não sendo vedada,
contudo, a atuação prévia das Cortes de Contas, por iniciativa própria e restrita às
suas competências constitucionais.
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b) Os Tribunais de Contas podem ter acesso às operações de empréstimos firmadas


por instituições bancárias constituídas sob a forma de empresa estatal, quando estas
visem ao fomento econômico e social, mediante requisição para o fornecimento dos
dados bancários relacionados a operação financeira diretamente às empresas, quando
houver emprego de recursos de origem pública.

c) Uma vez registrado o ato de aposentadoria, é possível a sua anulação unilateral


pela administração, quando descoberta eventual ilegalidade, sem a necessidade de
nova submissão do procedimento ao Tribunal de Contas.

d) A sustação de atos administrativos impugnados pelos Tribunais de Contas somente


ocorrerá depois de decorrido e não atendido o prazo assinalado para que o órgão
ou entidade controlada adote as providências necessárias para sanar a ilegalidade,
devendo a sustação ser, necessariamente, comunicada à Casa Legislativa respectiva, a
qual, por sua vez, é quem detém, como regra, a competência para suspender contratos.

e) A sanção de inidoneidade, aplicável no âmbito das Cortes de Contas, foi considerada


constitucional pelo STF e não se confunde com a prevista na Lei n. 8.666/1993, a
inexistir, portanto, bis in idem na aplicação das duas a um mesmo fato.

QUESTÃO 8. Considerando a doutrina, jurisprudência dos Tribunais Superiores e de


acordo com a Constituição Federal e legislação esparsa, assinale a alternativa correta:

a) A expedição de “cartão cidadão” como documento hábil e de porte obrigatório


para acesso aos serviços públicos municipais de educação, saúde, esporte, lazer e
assistência social não viola a Constituição Federal de 1988, pois se trata, segundo o
STF, de medida administrativa racionalizante e que conduz à eficiência na prestação
do serviço.

b) A sucessão do Prefeito e do Vice-Prefeito inclui-se no domínio normativo da Lei


Orgânica e não se sujeita ao princípio da simetria constitucional, muito embora deva
obediência aos parâmetros que venham a ser definidos na Constituição do Estado a
que pertencer.

c) O presidente de tribunal de justiça estadual, ao executar decisão proferida pelo


CNJ, é autoridade coatora para fins de impetração de ação de mandado de segurança.

d) O STF já reputou inconstitucional dispositivo de Constituição Estadual que


determina a realização de eleições para os cargos de direção dos estabelecimentos de
ensino público.
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e) O Supremo, ao analisar hipótese em que houvera conclusão de curso superior antes


do trânsito em julgado da decisão em que se discutia a idoneidade do ato de matrícula
do aluno, manifestou-se pela inaplicabilidade da teoria do fato consumado à espécie.

DIREITO PENAL E DIREITO PROCESSUAL PENAL

QUESTÃO 9. Considerando a doutrina, jurisprudência dos Tribunais Superiores e de


acordo com a legislação penal, assinale a alternativa correta sobre teoria geral do Direito
Penal:

a) Em se tratando de crimes temporários e excepcionais, a nova lei penal mais benéfica


deverá ser aplicada retroativamente em benefício do réu, desde que encerrado o período
de vigência da norma especial, ao passo que, em se tratando de crimes permanentes,
a nova lei penal mais gravosa não poderá retroagir em relação aos fatos já realizados
pelo agente; todavia, esta deverá ser utilizada pelo juiz no momento da prolação da
sentença, caso se verifique a permanência delitiva após a sua entrada em vigor.

b) O princípio da Territorialidade, adotado no Brasil, não se coaduna com o “Princípio


da passagem inocente”, previsto em convenções internacionais, razão pela qual se
uma infração penal for cometida a bordo de navio ou avião estrangeiro de propriedade
privada, que esteja apenas de passagem pelo território brasileiro, não será aplicada a
lei nacional, se o crime não afetar em nada nossos interesses;

c) Segundo a convenção de Viena sobre Relações Consulares de 1963, a inviolabilidade


física e a imunidade de jurisdição dos cônsules apenas se aplicam aos seus atos de
oficio, privilégio esse que não se estende a membros da família do cônsul nem às suas
instalações residenciais, sendo permitida a sua prisão preventiva;

d) De acordo com o princípio da representação, a lei penal brasileira poderá ser


aplicada a delitos cometidos em aeronaves ou embarcações brasileiras privadas,
quando estes delitos ocorrerem no estrangeiro e aí não forem julgados, ao passo que,
segundo o princípio da justiça penal universal, a aplicação da lei penal brasileira é
possível independentemente da nacionalidade do delinquente e do local da prática do
crime, se este estiver previsto em convenção ou tratado celebrado pelo Brasil.

e) Será aplicável o princípio da representação quando ocorrido crime a bordo de


aeronave ou embarcação brasileira de natureza pública ou se estiverem estas a serviço
do governo brasileiro, devendo ser aplicada a lei brasileira.

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QUESTÃO 10. Em relação ao nexo de causalidade no Direito Penal, assinale a alternativa


correta:

a) Para os crimes omissivos impróprios, é imprescindível o estudo do nexo causal,


em razão do Código Penal ter adotado, para sua configuração, a teoria naturalística da
omissão, ao equiparar a inação do agente garantidor a uma ação.

b) O CP adota, como regra, a teoria da causalidade adequada, haja vista indicar que “O
resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu
causa; causa é a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido”, sendo
exceção, por sua vez, a aplicação da teoria da conditio sine qua non.

c) O sujeito A é esfaqueado por B, em ação da qual decorrem lesões corporais leves.


Socorrido e medicado, A é orientado quanto aos cuidados a tomar, mas não obedece
à prescrição médica e em virtude dessa falta de cuidado, o ferimento infecciona,
gangrena, e ela morre. Nesse contexto, B responde apenas pelas lesões corporais
leves, uma vez que se trata de causa superveniente relativamente independente, que
por si só produziu o resultado.

d) Durante um assalto, a vítima, apavorada com a arma de fogo que lhe é apontada,
morre de ataque cardíaco. Por sua vez, o autor apodera-se do bem e foge. Estando-se
diante de uma causa relativamente independente concomitante, que mantém íntegra a
relação de causalidade, deve o agente responder pelo latrocínio;

e) Na hipótese do sujeito, na condução de um ônibus pela via pública, colidir com um


poste que sustenta fios elétricos, um dos quais, caindo ao chão, atinge um passageiro
ileso e já fora do veículo, provocando a sua morte em decorrência da forte descarga
elétrica recebida, corresponde a causa superveniente absolutamente independente.

DIREITO PROCESSUAL CIVIL

QUESTÃO 11. Sobre os prazos processuais da Fazenda Pública, é correto afirmar:

a) O recesso forense entre 20 de dezembro e 20 de janeiro não suspende os prazos


fazendários, pois, ressalvadas as férias individuais e os feriados instituídos por lei,
os juízes, os membros do Ministério Público, da Defensoria Pública e da Advocacia
Pública e os auxiliares da Justiça exercerão suas atribuições durante o período.

b) O recesso forense entre 20 de dezembro e 6 de janeiro suspende os prazos das


Fazendas Públicas da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pois
se trata de feriado instituído por lei federal.
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c) As Fazendas Públicas não gozam da prerrogativa do prazo em dobro nos


procedimentos dos juizados especiais, nem nos casos em que a lei lhes fixar prazo
próprio, como, por exemplo, na impugnação ao cumprimento de sentença condenatória
de obrigação de pagar.

d) As Fazendas Públicas não podem convencionar com a parte contrária prazos


diferentes do disposto em lei, pois devem respeitar o princípio da legalidade.

e) É pacífica a jurisprudência do STF no sentido de que não se aplica a prerrogativa


de prazo em dobro nas ações de controle direto de constitucionalidade, inclusive
no que se refere aos recursos extraordinários interpostos em ações diretas de
inconstitucionalidade no âmbito dos Tribunais de Justiça.

QUESTÃO 12. Sobre os juizados especiais fazendários, é correto afirmar:

a) O pedido de uniformização de jurisprudência será julgado pelas Turmas em conflito,


no caso de controvérsia de Turmas do mesmo Estado ou da mesma Região federal, ou,
no caso de controvérsia entre Turmas de diferentes Estados ou Regiões federais, pelo
Superior Tribunal de Justiça.

b) No âmbito dos juizados fazendários, são cabíveis os recursos inominado, de agravo


de instrumento, especial, extraordinário e de uniformização de jurisprudência.

c) Cabe ao Superior Tribunal de Justiça julgar conflito de competência entre juizado


especial federal e juízo federal da mesma sessão judiciária.

d) Ao ajuizar demanda em juizado fazendário, o autor está tacitamente manifestando


ciência de que não poderá obter condenação em valor superior a 60 salários mínimos.

e) À Lei 12.153/2009 (Lei dos Juizados das Fazendas Estaduais e Municipais) aplica-se
subsidiariamente, a Lei 10.259/2001 (Lei dos Juizados Federais), a Lei 9.099/1995 (Lei
dos Juizados Especiais) e o Código de Processo Civil.

QUESTÃO 13. De acordo com a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de


Justiça e do Supremo Tribunal federal, é correto afirmar, EXCETO:

a) É incabível mandado de segurança contra lei em tese, mas é cabível contra lei de
efeitos concretos.

b) A impetração de mandado de segurança coletivo ou ação civil coletiva por entidade


de classe em favor dos associados independe da autorização destes, ainda quando a
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pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria.

c) O mandado de segurança não é substitutivo de ação de cobrança, razão por que


a concessão de mandado de segurança não produz efeitos patrimoniais em relação
a período pretérito, os quais devem ser reclamados administrativamente ou pela via
judicial própria.

d) O Superior Tribunal de Justiça é incompetente para processar e julgar,


originariamente, mandado de segurança contra ato de órgão colegiado presidido por
Ministro de Estado.

e) O mandado de segurança constitui ação adequada para a declaração do direito à


compensação tributária, porém, é incabível o mandado de segurança para convalidar
a compensação tributária já realizada pelo contribuinte.

DIREITO EMPRESARIAL

QUESTÃO 14. Sobre as sociedades por ações, é correto afirmar:

a) Sem prejuízo de leis federais especiais, às sociedades de economia mista aplicam-


se a Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/1976) e, quando abertas, as normas da
Comissão de Valores Mobiliários (Lei 6.385/1976), as quais se aplicam também às
sociedades de economia mista fechada e às empresas públicas no que se refere à
elaboração das demonstrações financeiras.

b) Sem prejuízo de leis federais especiais, a Lei das Sociedades por Ações (Lei
6.404/1976) e as normas da Comissão de Valores Mobiliários (Lei 6.385/1976) aplicam-
se, integralmente, às sociedades de economista mista de capital aberto e, apenas no
que se refere às regras de escrituração e elaboração de demonstrações financeiras,
às sociedades de economia mista de capital fechado, às empresas públicas e suas
respectivas subsidiárias.

c) Antes da distribuição de dividendos, a companhia é obrigada a reservar 5% do lucro


líquido do exercício, até o limite de 20% do capital social, para eventual compensação
de prejuízos, aumento do capital social ou distribuição aos acionistas.

d) As subvenções governamentais não são consideradas receitas e não integram o


capital das companhias para fins de tributação e de distribuição de dividendos.

e) A companhia é livre para decidir sobre a destinação do seu resultado, podendo


destiná-lo integralmente para a distribuição dos acionistas ou apropriá-los em reservas
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sociais ou em capitalização.

QUESTÃO 15. De acordo com a jurisprudência consolidada do STJ, é correto afirmar,


exceto:

a) É lícita a conversão do processo falimentar em rito cobrança para apurar questões


alusivas à existência e à exigibilidade da dívida cobrada, sem que isso configure
utilização abusiva da via falimentar como sucedâneo de execução ou de ação de
cobrança.

b) A natureza trabalhista do crédito não impede que o credor requeira a falência do


devedor.

c) A recuperação judicial do devedor principal não impede o prosseguimento das


ações e execuções ajuizadas contra terceiros devedores solidários ou coobrigados
em geral, por garantia cambial, real ou fidejussória.

d) Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange


apenas os tributos devidos pela sucedida, mas não as multas moratórias ou punitivas
referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão.

e) A sucessão, por incorporação, de empresas, determina a extinção da personalidade


jurídica da incorporada, com a transmissão de seus direitos e obrigações à
incorporadora.

DIREITO TRIBUTÁRIO

QUESTÃO 16. Acerca do tema Processo Judicial Tributário, assinale a alternativa


correta:

a) Apesar da regulamentação trazida pela Lei de Execução Fiscal (Lei nº 6830/80), a


aplicação do Novo Código de Processo Civil ao Processo Judicial Tributário acarretou
a desnecessidade de prévia penhora ou garantia do juízo para oposição dos embargos
à execução fiscal.

b) Partindo-se da premissa de que a execução fiscal tem por base a Certidão de Dívida
Ativa, ou seja, um título executivo constituído unilateralmente pela Administração, o
Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que os embargos à execução
fiscal gozam, como regra, de efeito suspensivo.

c) Inexistindo previsão legal específica, a doutrina e a jurisprudência pátria se firmaram


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no sentido de que, a depender da situação, é possível a interposição de agravo de


instrumento ou de recurso de apelação em face de decisório que julgar a exceção de
pré-executividade.

d) A utilização do Mandado de Segurança no âmbito tributário constitui verdadeira


exceção à regra geral, uma vez que possibilita, além do reconhecimento do direito
líquido e certo, a efetiva cobrança, nos autos, de importâncias patrimoniais dele
decorrentes.

e) Conforme orientação doutrinária majoritária, em regra, o ajuizamento da ação


declaratória tributária deve ocorrer quando já houver crédito tributário devidamente
constituído.

QUESTÃO 17. No ordenamento jurídico brasileiro, a transmissão de imóveis pode


resultar na cobrança de tributos municipais e estaduais. Sobre o ITBI e o ITCMD, julgue os
seguintes itens:

I. Tratando-se de bem imóvel transmitido em razão de sucessão causa mortis e


situado em território brasileiro, em regra, o recolhimento do imposto caberá ao Estado
onde se processar o inventário ou o arrolamento de bens.

II. Para o Supremo Tribunal Federal, o ITCMD, na transmissão causa mortis, é


calculado sobre o valor dos bens da na data da avaliação, com base na alíquota vigente
ao tempo da abertura da sucessão.

III. Conforme diferenciação feita pela Constituição Federal de 1988, ao passo em


que incide ITCMD nos casos de transmissão causa mortis de bens imóveis e direitos,
incidirá ITBI sempre que a transmissão for por atos inter vivos.

IV. É possível afirmar que não incidirá nenhum dos dois impostos em caso de
transmissão de imóvel decorrente de reforma agrária.

Assinale a única alternativa em todos os itens se encontram corretos:

a) I, II e IV.

b) II e IV.

c) I e IV.

d) III e IV.
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e) I , II e III.

DIREITO AMBIENTAL

QUESTÃO 18. Sobre a proteção da Fauna e da Flora, assinale a alternativa incorreta:

a) Prevalece no ordenamento jurídico brasileiro a visão antropocêntrica do direito


ambiental, a partir da qual a natureza seria um bem coletivo essencial e que deve ser
preservado como garantia da sobrevivência e do bem-estar do homem.

b) É dever constitucional imposto ao Poder Público proteger a fauna e a flora, vedadas,


na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem
a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade.

c) O Supremo Tribunal Federal, ao sopesar o dever de preservação das espécies ou


da vedação às práticas de crueldade e o direito à manifestação cultural, entendeu, pela
inconstitucionalidade de lei estadual que regulamentava a prática da vaquejada.

d) Ao analisar a prática cultural denominada “rinha de galos”, o Supremo Tribunal


Federal se posicionou pela sua constitucionalidade, sob o argumento de que não só
consistem em manifestação cultural, como implicam movimentação da economia e
criação de empregos para a sociedade.

e) A vedação aos atos de crueldade contra animais, no ordenamento jurídico brasileiro,


vai além do seu viés constitucional, já havendo diversas normas legais que reforçam
tal proibição, a exemplo da Lei de Crimes Ambientais.

QUESTÃO 19. Sobre a responsabilidade civil em matéria ambiental, julgue os seguintes


itens:

I. Vigora no Direito Ambiental a regra da esfera maior, a partir da qual, a eventual


responsabilização penal, por ser mais grave, absorve as demais esferas, isentando o
poluidor de nova responsabilização no âmbito cível e administrativo.

II. Diversas são as penalidades a serem aplicadas na responsabilização civil,


podendo-se, caso autorizado pelo juízo, e a critério do poluidor, optar pela indenização
de quantia equivalente ao dano causado ou pela realização de alguma forma material
de recuperação do meio ambiente.

III. A teoria da actio nata é plenamente aplicável no Direito Ambiental, de forma que
os poluidores estão sujeitos à responsabilização civil no prazo de cinco anos a contar
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da ciência do ato lesivo, sob pena de ocorrência da prescrição da pretensão.

IV. Embora todos os sujeitos envolvidos na prática de uma conduta lesiva ao meio
ambiente sejam considerados poluidores e, assim, possam ser responsabilizados, é
facultado ao Poder Público optar pela responsabilização de apenas alguns deles.

Assinale a única alternativa que contém todos os itens verdadeiros:

a) II e IV.

b) I, II, III e IV.

c) III e IV.

d) I e II.

e) IV.

QUESTÃO 20. Acerca do Patrimônio Cultural, assinale a alternativa incorreta:

a) O meio ambiente cultural é uma das quatro espécies doutrinariamente consideradas


de meio ambiente.

b) A Constituição Federal de 1988 foi expressa ao definir o que constitui o patrimônio


cultural brasileiro.

c) O tombamento é previsto na Constituição Federal de 1988 como instrumento a ser


utilizado para promoção e proteção do patrimônio cultural.

d) Dentre as formas de se tombar um bem, a legislação de regência dispõe que o


tombamento pode ser de ofício, voluntário ou compulsório.

e) Uma vez tombados, pela sua importância, os bens passam, em regra, a ser
considerados inalienáveis.

DIREITO ADMINISTRATIVO

QUESTÃO 21. O Município X, tendo de prestar determinado serviço público à sua


população, criou uma empresa pública, transferindo a ela a execução dessa atividade por
meio de lei. Já o Município Y, no âmbito do seu território, preferiu transferir a execução
desse mesmo serviço público à pessoa jurídica de direito privado já existente, por meio
de contrato administrativo. Sobre as formas de organização administrativa utilizadas pelos
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citados municípios, é correto dizer que:

a) O Município X realizou uma desconcentração, ao passo que o Município Y realizou


uma descentralização por serviços.

b) Ambos os municípios realizaram descentralização por outorga.

c) O Município X realizou uma descentralização territorial, e o Município Y optou por


uma descentralização técnica.

d) O Município X realizou uma descentralização funcional, ao passo que o Município Y


optou por uma descentralização por colaboração.

e) O Município X realizou uma descentralização por delegação, enquanto o Município


Y realizou descentralização por colaboração.

QUESTÃO 22. Sobre o Terceiro setor e considerando a Lei 13.019/2014, assinale a


alternativa correta:

a) A competência para processar a julgar as causas envolvendo as entidades do


Terceiro Setor, inclusive aquelas que formalizam parcerias com a União, é da Justiça
estadual.

b) As exigências da Lei 13.019/2014 aplicam-se aos contratos de gestão celebrados


com organizações sociais.

c) No caso de inadimplemento dos encargos trabalhistas ou previdenciários pela


organização da sociedade civil que tenha firmado instrumento de parceria com o Poder
Público, este responderá subsidiariamente.

d) As entidades do Terceiro Setor não gozam de imunidade tributária.

e) Os Serviços Sociais Autônomos, por receberem recursos públicos, devem observar


à exigência e concurso público para selecionar o seu pessoal.

QUESTÃO 23. A respeito dos atos administrativos, assinale a alternativa INCORRETA:

a) Parecer jurídico emitido pela procuradoria geral do município sob não é, quanto ao
seu conteúdo, ato administrativo em sentido estrito, já que não externa manifestação
de vontade da Administração capaz de produzir efeitos concretos, sendo um mero ato
enunciativo.

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b) O ato de concessão de aposentadoria é ato complexo, pelo que a negativa do


Tribunal de Contas impede que tenha início o prazo para a anulação da concessão.

c) A lei pode atribuir efeitos ao silêncio administrativo, inclusive para deferir pretensão
ao administrado.

d) Pela conversão, a Administração Pública converte um ato inválido em ato de outra


categoria, tornando-o válido, com efeitos retroativos à data do ato original.

e) Não se permite o controle judicial do ato administrativo discricionário, sob pena de


afronta ao princípio constitucional da separação de poderes.

DIREITO FINANCEIRO

QUESTÃO 24. Sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal, assinale o item correto:

a) A referida norma não se aplica às estatais independentes.

b) A referida norma se aplica apenas ao Poder Executivo, mas abrange tanto a


administração direta quanto a indireta desse Poder.

c) A referida norma não se aplica ao Ministério Público.

d) Constituem requisitos essenciais da responsabilidade na gestão fiscal a instituição,


previsão e efetiva arrecadação de todos os impostos da competência do ente federativo,
mas não das taxas.

e) É vedada a realização de transferências voluntárias para o ente que não faça a


instituição, previsão e efetiva arrecadação de todos os tributos da competência do
ente federativo.

QUESTÃO 25. Sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal, assinale o item correto:

a) Os Municípios não podem gastar mais de 50% da sua receita corrente líquida com
despesas com pessoal.

b) Receita corrente líquida é apura subtraindo-se do montante total de receitas


correntes e tributárias as despesas de capital superiores a um exercício, estornando
eventuais duplicidades.

c) Caso um ente exceda o limite de despesa com pessoal será possível até mesmo a
demissão de servidores para a recondução da despesa a seus limites, vedado, contudo,
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a exoneração daqueles que já sejam declarados estáveis no serviço público.

d) Segundo o STF é inconstitucional o estabelecimento de novas formas de redução


da despesa com pessoal na legislação complementar além daquelas já previstas na
Constituição, inclusive na Lei de Responsabilidade Fiscal.

e) O STF julgou inconstitucional a fixação de limites de despesa rígidos para os


Estados e Municípios por meio de lei federal, tendo em vista a autonomia dos entes
federativos.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO

QUESTÃO 26. Sobre as contribuições para o custeio da seguridade social, assinale a


alternativa correta:

a) Nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderá ser criado, majorado ou


estendido sem a correspondente fonte de custeio total.

b) São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de


assistência social que atendam às exigências estabelecidas em Decreto Presidencial.

c) A pessoa jurídica em débito com a seguridade social, como estabelecido em lei,


poderá contratar com o Poder Público, mas dele não poderá receber benefícios ou
incentivos fiscais ou creditícios.

d) Compete ao INSS planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à


tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições para
a seguridade social.

e) Para o STF, é inexigível a contribuição previdenciária do aposentado que permanece


em atividade ou a ela retorna após a inativação.

QUESTÃO 27. Julgue os itens a seguir a respeito do salário-de-contribuição previsto na


Lei nº 8.212/91:

I. O salário maternidade, como os demais benefícios previdenciários, não é


considerado salário-de-contribuição.

II. Para o STJ, incide a contribuição previdenciária sobre os adicionais noturno, de


insalubridade e de periculosidade.

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III. O décimo terceiro salário (gratificação natalina) integra o salário-de-contribuição,


inclusive para o cálculo de benefício, na forma estabelecida em lei.

IV. Integram o salário de contribuição as importâncias recebidas a título de férias


indenizadas e respectivo adicional constitucional.

V. Para o STJ, não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título
de aviso prévio indenizado.

Assinale a única alternativa em que todos os itens estão corretos:

a) I, II e V.

b) I, IV e V.

c) II, III e IV.

d) II e V.

e) IV e V.

DIREITO AGRÁRIO

QUESTÃO 28. Sobre a desapropriação por interesse social para fins de reforma agrária,
e de acordo com a jurisprudência do STF e do STJ, assinale a alternativa incorreta:

a) Os Estados-membros e os Municípios não dispõem do poder de desapropriar


imóveis rurais, por interesse social, para efeito de reforma agrária, inclusive para
fins de implementação de projetos de assentamento rural ou de estabelecimento de
colônias agrícolas.

b) O valor da indenização referente à desapropriação de terra para fins de reforma


agrária deve corresponder à dimensão da área da propriedade efetivamente registrada
no cartório de registro de imóveis competente, em razão da fé pública de que goza o
documento.

c) A área de reserva legal, para ser excluída do cálculo da produtividade do imóvel,


deve ter sido averbada no registro imobiliário antes da vistoria.

d) São insuscetíveis de desapropriação para fins de reforma agrária a pequena e média


propriedade rural, assim definida em lei, desde que seu proprietário não possua outra,
e a propriedade produtiva.
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e) A prática ilícita de esbulho possessório que compromete a racional e adequada


exploração do imóvel rural constitui causa inibitória da válida edição do decreto
presidencial consubstanciador da declaração expropriatória, por interesse social, para
fins de reforma agrária.

LEGISLAÇÃO DE ENSINO

QUESTÃO 29. “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será


promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento
da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”
(art. 205, CRFB/88).

Sobre a disciplina constitucional da educação, assinale a alternativa correta:

a) Dentre os princípios com base nos quais o ensino será ministrado estão o da
igualdade de condições para o acesso e permanência na escola, o do pluralismo de
ideias e de concepções pedagógicas e o da universalização do atendimento escolar.

b) As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão


financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino,
pesquisa e extensão, sendo-lhes facultado admitir professores, técnicos e cientistas
estrangeiros, na forma da lei complementar.

c) Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, que será ministrado
somente em língua portuguesa, de maneira a assegurar formação básica comum e
respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais.

d) A lei estabelecerá o plano nacional de educação, de duração quinquenal, com o


objetivo de articular o sistema nacional de educação em regime de colaboração e
definir diretrizes, objetivos, metas e estratégias de implementação para assegurar
a manutenção e desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis, etapas e
modalidades por meio de ações integradas dos poderes públicos das diferentes
esferas federativas.

e) A União organizará o sistema federal de ensino e o dos Territórios, financiará


as instituições de ensino públicas federais e exercerá, em matéria educacional,
função redistributiva e supletiva, de forma a garantir equalização de oportunidades
educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência técnica e
financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios.

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DIREITO INTERNACIONAL

QUESTÃO 30. Sobre os tratados internacionais, assinale a alternativa incorreta:

a) A negociação é a fase inicial do processo de elaboração dos tratados, em que as


partes discutem os termos do ato internacional. No Brasil, compete privativamente
ao Presidente da República celebrar tratados, convenções e atos internacionais, que,
todavia, pode delegá-la a outras autoridades.

b) A assinatura representa o fim da fase de negociação, sendo o ato pelo qual os


negociadores expressam sua aquiescência com os termos do tratado. Embora, via de
regra, o tratado não entre em vigor com a assinatura, os signatários já ficam obrigados
a não atuarem de modo a comprometer o seu objeto.

c) A ratificação, ato pelo qual um Estado manifesta seu consentimento em obrigar-se


com as normas do tratado, é ato discricionário e, no Brasil, depende de autorização
parlamentar, manifestada por decreto legislativo do Congresso Nacional.

d) De acordo com a Convenção de Viena, a vigência do tratado depende de registro


na ONU, pois somente então o ato terá publicidade perante a sociedade internacional.

e) A adesão é o ato pelo qual um Estado ou organização internacional manifesta


vontade de se tornar parte de um tratado já assinado ou em vigor, somente podendo
ocorrer quanto aos tratados abertos.

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GABARITO DAS QUESTÕES OBJETIVAS

QUESTÃO 1 ALTERNATIVA A
QUESTÃO 2 ALTERNATIVA E
QUESTÃO 3 ALTERNATIVA B
QUESTÃO 4 ALTERNATIVA C
QUESTÃO 5 ALTERNATIVA D
QUESTÃO 6 ALTERNATIVA E
QUESTÃO 7 ALTERNATIVA C
QUESTÃO 8 ALTERNATIVA D
QUESTÃO 9 ALTERNATIVA C
QUESTÃO 10 ALTERNATIVA C
QUESTÃO 11 ALTERNATIVA C
QUESTÃO 12 ALTERNATIVA E
QUESTÃO 13 ALTERNATIVA B
QUESTÃO 14 ALTERNATIVA A
QUESTÃO 15 ALTERNATIVA D
QUESTÃO 16 ALTERNATIVA C
QUESTÃO 17 ALTERNATIVA B
QUESTÃO 18 ALTERNATIVA D
QUESTÃO 19 ALTERNATIVA E
QUESTÃO 20 ALTERNATIVA E
QUESTÃO 21 ALTERNATIVA D
QUESTÃO 22 ALTERNATIVA A
QUESTÃO 23 ALTERNATIVA E
QUESTÃO 24 ALTERNATIVA A
QUESTÃO 25 ALTERNATIVA D
QUESTÃO 26 ALTERNATIVA A
QUESTÃO 27 ALTERNATIVA D
QUESTÃO 28 ALTERNATIVA B
QUESTÃO 29 ALTERNATIVA E
QUESTÃO 30 ALTERNATIVA D

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QUESTÕES OBJETIVAS COM O GABARITO COMENTADO

PROFESSOR: NATALIA MAIA


E-mail: profcei.nataliamaia@gmail.com

DIREITO DO TRABALHO E PROCESSO DO TRABALHO

QUESTÃO 1. Com relação ao instituto da sucessão trabalhista, é correto afirmar:

a) Para o TST, o contrato de trabalho considerado nulo em virtude da ausência


de concurso público é passível de convalidação quando, celebrado com ente da
Administração Indireta, continua a existir após a sua privatização.

b) Na justiça do trabalho, a responsabilidade do sucessor alcança os débitos


trabalhistas relativos a período anterior à sucessão, com exclusão apenas daqueles
decorrentes de contratos extintos antes da sucessão.

c) Havendo desmembramento de municípios, o município mais novo responderá


pelos direitos decorrentes do contrato de trabalho, sem prejuízo da responsabilidade
subsidiária do município desmembrado pelos débitos anteriores ao desmembramento.

d) Em regra, o sucessor responderá solidariamente pelos débitos trabalhistas de todas


as empresas integrantes do mesmo grupo econômico da empresa sucedida.

e) Na sucessão de concessionárias de serviço público envolvendo a transferência


de patrimônio, a empresa sucedida responde solidariamente com a sucessora pelos
débitos trabalhistas contraídos até a concessão.

COMENTÁRIO
Alternativa (A): correta. O art. 37, §2º da CF/88 estabelece que a inobservância da regra de
ingresso nos quadros da Administração mediante concurso público implicará a nulidade do ato
e a punição da autoridade responsável, nos termos da lei. O TST consolidou o entendimento
de que a contratação nesses moldes somente confere ao empregado direito ao pagamento da
contraprestação pactuada em relação ao número de horas trabalhadas e aos depósitos de FGTS
(Súmula n. 363/TST). Na mesma linha, em julgado submetido à sistemática da repercussão geral,
o STF reafirmou a sua jurisprudência, no sentido de que:

“a contratação por tempo determinado para atendimento de necessidade temporária de


excepcional interesse público realizada em desconformidade com os preceitos do art.
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37, IX, da Constituição Federal não gera quaisquer efeitos jurídicos válidos em relação
aos servidores contratados, com exceção do direito à percepção dos salários referentes
ao período trabalhado e, nos termos do art. 19-A da Lei 8.036/1990, ao levantamento
dos depósitos efetuados no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS” (STF,
Plenário. RE 765320 RG / MG. Relator: Min. Teori Zavascki, julgamento em 15/9/2016).

As empresas privadas, por outro lado, não estão sujeitas à regra da vedação de contratação por
ausência de concurso público. Assim, em caso de privatização ou desestatização (fenômeno por
meio do qual uma empresa pública vem a ser adquirida pelo setor privado), a aceitação, pela
sucessora, da continuidade de prestação dos serviços pelo empregado até então vinculado à
Administração Indireta sucedida é suficiente para convalidar o ato. A conclusão pode ser extraída
da Súmula n. 430 do TST, que estabelece o seguinte:

“convalidam-se os efeitos do contrato de trabalho que, considerado nulo por ausência de


concurso público, quando celebrado originalmente com ente da Administração Pública
Indireta, continua a existir após a sua privatização”.

O mesmo não ocorre em caso de estatização, em que o Estado adquire determinada empresa
privada. Na hipótese, ainda que não haja solução de continuidade na prestação de serviços, se
não houver concurso público após a estatização, o empregado antes vinculado à empresa privada
somente terá direito às parcelas referidas na súmula n. 363 do TST.

Alternativa (B): incorreta. A sucessão trabalhista tem por fundamento o disposto nos artigos 10 e
448 da CLT, que aduzem que a mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não
afetará os contratos de trabalho dos respectivos empregados, nem os direitos por eles adquiridos.
Diferentemente da sucessão civil, na sucessão trabalhista, todo o passivo trabalhista proveniente
dos contratos de trabalho em curso, ou seja, dos empregados que permaneceram trabalhando após
a sucessão, é transferido automaticamente para o novo empregador, denominado de sucessor.

Mas não apenas. É que a sucessão, no Direito do Trabalho, é modalidade de assunção de débito e
crédito obrigatória por força de lei, pela qual o sucessor responde com seu patrimônio pelos direitos
trabalhistas pendentes. Consequência disso é que a responsabilidade do sucessor alcançará
tanto os débitos oriundos dos contratos de trabalho vigentes à época do repasse da empresa
quanto os débitos relativos a contratos extintos em momento anterior. Nesse sentido, a OJ
n. 261, da SDI-1 do TST dispõe que: “as obrigações trabalhistas, inclusive as contraídas à época
em que os empregados trabalhavam para o banco sucedido, são de responsabilidade do sucessor,
uma vez que a este foram transferidos os ativos, as agências, os direitos e deveres contratuais,
caracterizando típica sucessão trabalhista”. Apesar de voltada para bancos, o entendimento aplica-
se indistintamente para outras áreas.

Alternativa (C): incorreta. Atenção: OJ MUITO COBRADA! Para o TST, a hipótese de


desmembramento de municípios não opera sucessão trabalhista, de modo que o novo município,
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formado a partir do desmembramento do Município-mãe, não assumirá os débitos trabalhistas


do município desmembrado. Isso ocorre porque, no desmembramento, o Município-mãe, do
qual se desmembrou o novo município, continua existindo como pessoa jurídica, não restando
caracterizada a alteração de que tratam os arts. 10 e 448 da CLT. Consequência disso é que cada
uma das entidades envolvidas se responsabilizará exclusivamente pelos períodos em que detiveram
ou detém a postura de empregador, ou seja, o Município-mãe, antes do desmembramento, e o
Município novo, após a sua emancipação. Resumindo, nos termos da OJ n. 92 da SBDI-1, do TST,
“em caso de criação de novo município, por desmembramento, cada uma das novas entidades
responsabiliza-se pelos direitos trabalhistas do empregado no período em que figurarem como real
empregador”.

Alternativa (D): incorreta. A responsabilidade atribuída à empresa sucessora tem por escopo
resguardar os direitos dos empregados da empresa sucedida, porquanto a CLT estabelece que
qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa não afetará os direitos adquiridos por seus
empregados (art. 10) e a mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não afetará
os contratos de trabalho dos respectivos empregados (art. 448). Por outro lado, a solidariedade
estabelecida pelo art. 2º, §2º, da CLT somente é atribuída aos empregadores integrantes de
um mesmo grupo econômico, de modo que não é possível estendê-la ao sucessor de empresa
pertencente a grupo econômico, a fim de obrigá-lo por débitos contraídos por empresa que não
adquiriu.

A situação será diversa quando restar caracterizada má-fé ou fraude na sucessão, haja vista a
previsão do art. 9º da CLT, no sentido de que “serão nulos de pleno direito os atos praticados
com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente
Consolidação”. Do mesmo modo, a fim de evitar a responsabilização, a sucessora deverá
averiguar se a empresa que pretende suceder é solvente e economicamente idônea, sob pena de
se presumir o intuito fraudatório. A conclusão pode ser extraída da OJ n. 411, da SDI-1 do TST,
abaixo reproduzida:

SUCESSÃO TRABALHISTA. AQUISIÇÃO DE EMPRESA PERTENCENTE A GRUPO


ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SUCESSOR POR DÉBITOS
TRABALHISTAS DE EMPRESA NÃO ADQUIRIDA. INEXISTÊNCIA. O sucessor não
responde solidariamente por débitos trabalhistas de empresa não adquirida, integrante
do mesmo grupo econômico da empresa sucedida, quando, à época, a empresa
devedora direta era solvente ou idônea economicamente, ressalvada a hipótese de má-
fé ou fraude na sucessão.

Questão semelhante já foi cobrada no concurso para a PGE-PI, em 2014, pela CESPE (“Conforme
entendimento do TST, o sucessor responde diretamente por débitos trabalhistas de empresa não
adquirida, integrante do mesmo grupo econômico da empresa sucedida, ainda que, à época, a
empresa devedora direta fosse solvente ou idônea economicamente”).
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Alternativa (E): incorreta. A sucessão de concessionárias de serviço público, via de regra, não
opera sucessão trabalhista, que somente ocorrerá na hipótese de haver transferência patrimonial
entre a primeira concessionária e a segunda concessionária. Entretanto, esse tipo de sucessão
trabalhista não será regido pelas mesmas regras aplicáveis às sucessões em geral, porquanto
envolvem interesse público e leis próprias. O TST fixou as diretrizes sobre o assunto na OJ 225 do
SDI-1, ao tratar das hipóteses em que “celebrado contrato de concessão de serviço público em que
uma empresa (primeira concessionária) outorga a outra (segunda concessionária), no todo ou
em parte, mediante arrendamento, ou qualquer outra forma contratual, a título transitório,
bens de sua propriedade”. O enunciado diferenciou duas situações:

• Nos casos dos contratos que estavam em vigor na época da sucessão, vindo a ser extintos
após entrada em vigor da segunda sucessão, a segunda concessionária, na condição de
sucessora, responderá por todos os direitos decorrentes do contrato de trabalho. A diferenciação
com relação à regra geral fica por conta da possibilidade de a primeira concessionária vir a ser
chamada a responder subsidiariamente pelos débitos trabalhistas contraídos até a data da
concessão;

• Com relação aos contratos de trabalho extintos antes da vigência da concessão, a


responsabilidade pelos direitos dos trabalhadores caberá exclusivamente à empresa sucedida,
ou seja, a sucessora não responderá pelos débitos trabalhistas de contratos encerrados em
que não tenha figurado como empregadora.

GABARITO: ALTERNATIVA (A)

QUESTÃO 2. De acordo com o entendimento do TST acerca dos recursos no processo


do trabalho, é correto afirmar:

a) Como os poderes do relator e dos demais órgãos dos tribunais possuem disciplina
própria na legislação trabalhista, não é possível ao relator negar provimento a recurso
contrário a súmula do TST, com fulcro no art. 932 do CPC/2015.

b) A regularização da representação processual, na forma do art. 76 do CPC/2015, tem


sua aplicação restrita ao juízo de primeiro grau. Assim, verificando a irregularidade
de representação da parte em fase recursal, o relator deverá não conhecer do recurso
ou determinar o desentranhamento das contrarrazões, se a providência couber ao
recorrido.

c) Em decorrência do princípio da fungibilidade, é possível admitir-se o agravo


regimental interposto em face do acórdão da Subseção de Dissídios Individuais do
TST que não conheceu do recurso de embargos, por incabível.

d) O Ministério Público do Trabalho detém legitimidade para recorrer na defesa de


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interesse patrimonial de empresas públicas e sociedades de economia mista.

e) Interposto recurso ordinário em face de sentença que não resolve o mérito, o juiz
terá 5 (cinco) dias para retratar-se.

COMENTÁRIO
Alternativa (A): incorreta. Pelo princípio do colegiado, as decisões dos tribunais deverão ser,
em regra, proferidas por órgão colegiado. No entanto, a fim de concretizar os princípios da
economia processual e da celeridade, o legislador optou por atribuir ao relator poderes para julgar
monocraticamente os recursos. É o que ocorre, por exemplo, com o art. 894, §3º da CLT, que
permite ao relator denegar seguimento aos Embargos quando a decisão estiver em consonância
com súmula da jurisprudência do TST ou do STF, ou com iterativa, notória e atual jurisprudência do
TST, bem como nas hipóteses de intempestividade, deserção, irregularidade de representação ou
de ausência de qualquer outro pressuposto extrínseco de admissibilidade.

Um outro exemplo pode ser visualizado no art. 932 do CPC/2015, que dispõe o seguinte:

Art. 932. Incumbe ao relator:

III - não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado
especificamente os fundamentos da decisão recorrida;

IV - negar provimento a recurso que for contrário a:

a) súmula do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça ou do próprio


tribunal;

b) acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça
em julgamento de recursos repetitivos;

c) entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de


assunção de competência;

V - depois de facultada a apresentação de contrarrazões, dar provimento ao recurso se


a decisão recorrida for contrária a:

a) súmula do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça ou do próprio


tribunal;

b) acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça
em julgamento de recursos repetitivos;

c) entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de


assunção de competência;

O art. 769 da CLT estabelece que, nos casos omissos, o direito processual comum será fonte
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subsidiária do direito processual do trabalho, exceto naquilo em que for incompatível com seus
preceitos. Daí é possível extrair que, quando não houver omissão, o CPC não será aplicável ao
processo do trabalho.

Como os poderes conferidos ao relator pela CLT são mais restritos do que aqueles previstos no
CPC, questionou-se, durante muito tempo, sobre a aplicabilidade do art. 932 na seara trabalhista.
Atualmente, contudo, a jurisprudência do TST firmou-se no sentido de que a decisão monocrática
constitui medida para a prestação jurisdicional célebre, atendendo ao art. 5º, LXXVIII da CF/88,
razão pela qual o dispositivo deve ser aplicado ao processo do trabalho em sua inteireza. Nesse
sentido, a Súmula n. 435, atualizada em 26/4/2016, aduz que:

“aplica-se subsidiariamente ao processo do trabalho o art. 932 do CPC de 2015 (art. 557
do CPC de 1973)”.

Alternativa (B): incorreta. O art. 13 do CPC/1973 previa que “verificando a incapacidade processual
ou a irregularidade da representação das partes, o JUIZ, suspendendo o processo, marcará prazo
razoável para ser sanado o defeito”. O TST entendia que esse dispositivo tinha sua aplicação restrita
ao primeiro grau, ou seja, para a Corte, a regularização processual do art. 13 era inadmissível na
fase recursal. Acontece que, com o advento do CPC/2015, a sistemática foi modificada, porquanto
o art. 76, §2º, passou a estabelecer que “descumprida a determinação em fase recursal, o relator:
não conhecerá do recurso, se a providência couber ao recorrente; determinará o desentranhamento
das contrarrazões, se a providência couber ao recorrido”. Perceba que o artigo prevê que o não
conhecimento do recurso depende de ausência de providência da parte, o que exige que a ela seja
dada uma oportunidade de sanar a irregularidade de representação.

Diante disso, em 4/7/2016, o TST alterou a redação da Súmula n. 383, item II, estabelecendo que:

II – verificada a irregularidade de representação da parte em fase recursal, em procuração


ou substabelecimento já constante dos autos, o relator ou o órgão competente para
julgamento do recurso designará prazo de 5 (cinco) dias para que seja sanado o vício.
Descumprida a determinação, o relator não conhecerá do recurso, se a providência
couber ao recorrente, ou determinará o desentranhamento das contrarrazões, se a
providência couber ao recorrido (art. 76, § 2º, do CPC de 2015).

Alternativa (C): incorreta. O princípio da fungibilidade permite que um recurso seja admitido por
outro, fazendo prevalecer o conteúdo dos recursos em relação à forma, de modo a concretizar
o princípio da instrumentalidade das formas. Por constituir exceção ao pressuposto recursal do
cabimento, o princípio deve ser aplicado apenas em situações excepcionais. Diante disso, doutrina
e jurisprudência exigem, na aplicação do princípio, a configuração dos seguintes requisitos: a)
dúvida objetiva quanto ao cabimento do recurso; b) observância do prazo do recurso correto (teoria
do menor prazo) e, por fim, c) inexistência de erro grosseiro.

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As decisões proferidas monocraticamente pelo relator no âmbito dos Tribunais, quando impugnadas,
deverão ser analisadas pelo órgão colegiado do tribunal competente, a fim de manter a sua
substância. Nesse sentido, o recurso cabível para insurgir-se contra uma decisão monocrática,
sujeitando-a à apreciação do colegiado, é o agravo interno ou agravo regimental (art. 1.021,
CPC/2015). O regimento interno do TST, vale dizer, também é claro ao prever como recurso cabível
da decisão do relator o agravo ao órgão colegiado (art. 239, RI). Assim, a interposição de agravo
interno em face de decisão colegiada (no caso, da Subseção de Dissídios Individuais) configura
erro grosseiro, afastando a possibilidade de que seja recebido por outro recurso, pelo princípio da
fungibilidade. A conclusão está expressa na OJ n. 412 do TST, editada em 3/6/2016.

Outro exemplo de erro grosseiro para o TST é a interposição de recurso de revista de decisão
definitiva de Tribunal Regional do Trabalho em ação de competência originária, porque, na hipótese,
o recurso cabível é o recurso ordinário do art. 895, b da CLT (OJ n. 152, da SDI-2).

Alternativa (D): incorreta. O art. 173, §1º da CF/88, prevê que as empresas públicas, as sociedades
de economia mista e outras entidades que explorem atividade econômica sujeitam-se ao regime
jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto às obrigações trabalhistas e tributárias.
Diante disso, o TST entende que, nas lides envolvendo interesses de empresas públicas e sociedades
de economia mista, não há interesse público, o que inviabiliza a intervenção do Ministério Público
na condição de recorrente. A situação é diversa quando o objeto da lide envolve a declaração de
vínculo empregatício com EP e SEM após a CF/88, sem prévia aprovação em concurso público,
porque, nessa hipótese, a correta aplicação do art. 37, II e §2º da CF/88 envolve a defesa da ordem
jurídico-constitucional. Ambos os entendimentos foram consolidados na nova redação da OJ n. 237
da SBDI-1, de 4/7/2016. Confira o enunciado:

MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO. LEGITIMIDADE PARA RECORRER.


SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. EMPRESA PÚBLICA. I - O Ministério Público do
Trabalho não tem legitimidade para recorrer na defesa de interesse patrimonial privado,
ainda que de empresas públicas e sociedades de economia mista. II – Há legitimidade
do Ministério Público do Trabalho para recorrer de decisão que declara a existência
de vínculo empregatício com sociedade de economia mista ou empresa pública, após
a Constituição Federal de 1988, sem a prévia aprovação em concurso público, pois é
matéria de ordem pública.

Alternativa (E): correta. É chamado de regressivo o efeito que permite que a causa volte ao
conhecimento do juízo que prolatou a decisão, pela via do recurso. Embora o CPC/1973 previsse
a aplicação do efeito regressivo na apelação, a retratação só era possível quando o recurso fosse
interposto em face de sentença liminar de improcedência, ou seja, sentença proferida antes da
citação do réu (art. 285-A, CPC/1973). O Novo CPC inovou ao estender a possibilidade de exercício
do juízo de retratação a todas as hipóteses em que a sentença apelada for terminativa. Nesse
sentido, o art. 487, §7º do CPC/2015 estabelece que interposta a apelação em qualquer dos
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casos de que tratam os incisos deste artigo [referindo-se às hipóteses de extinção do processo
sem resolução de mérito], o juiz terá 5 (cinco) dias para retratar-se. O TST já se posicionou pela
aplicabilidade desse dispositivo ao processo do trabalho, em face de omissão e compatibilidade,
nos termos do art. 3º, VIII da IN 39/2016. A referência ao recurso de apelação, contudo, deve
ser entendida como recurso ordinário interposto em face de sentenças proferidas pelos juízes do
trabalho.

GABARITO: ALTERNATIVA (E)

QUESTÃO 3. Com relação ao direito de família e à obrigação de prestar alimentos,


assinale a alternativa correta:

a) A paternidade socioafetiva declarada em registro público impede o reconhecimento


de vínculo de filiação com o pai biológico, dada a vedação estabelecida no Código
Civil à pluriparentalidade.

b) A pessoa com deficiência mental ou intelectual em idade núbia poderá contrair


matrimônio, expressando sua vontade tanto diretamente quanto por meio de seu
responsável ou curador.

c) A ignorância, anterior ao casamento, de doença mental grave capaz, por sua


natureza, de tornar insuportável a vida em comum configura erro essencial quanto à
pessoa do cônjuge, tornando o casamento passível de anulação.

d) A presunção legal de paternidade decorrente do nascimento durante a constância do


casamento impede que qualquer pessoa, exceto o próprio pai, conteste a paternidade,
restando vedado o ingresso de ação de investigação de paternidade pelos filhos.

e) O falecimento do pai do alimentante implica a transmissão automática do dever de


alimentar aos avós.

COMENTÁRIO
Alternativa (A): incorreta. O art. 1.593 do CC/2002 aduz que o parentesco é natural ou civil,
conforme resulte de consanguinidade ou outra origem. O dispositivo permite concluir que o
Código Civil reconheceu outras hipóteses de parentesco civil além daquele decorrente da adoção,
incluindo o vínculo decorrente das técnicas de reprodução assistida e o parentesco civil resultante
da paternidade socioafetiva, que se funda na posse do estado de filho (enunciado n. 103, da I
Jornada de Direito Civil).

No ordenamento jurídico brasileiro, não há previsão expressa da possibilidade de uma pessoa


possuir dois pais. No entanto, essa ausência de previsão não pode ensejar a negativa de proteção
a situações de pluriparentalidade. Por isso, uma vez identificada a situação de pluriparentalidade, é
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necessário reconhecer a existência de múltiplos vínculos de filiação, possibilitando ao filho desfrutar


de direitos com relação a todos, tanto no âmbito do direito de família quando em sede sucessória.
O fato de o filho já possuir um pai socioafetivo, vale dizer, não isenta o pai biológico dos encargos
decorrentes do poder familiar, nem o desobriga de ser reconhecido como tal, sob pena de afronta
ao princípio da paternidade responsável, tratado no art. 226, §7º da CF/88.

Para o STF, não é possível pretender decidir entre a filiação afetiva e a biológica, porquanto o
melhor interesse do descendente é o reconhecimento jurídico de ambos os vínculos, que, aliás,
não possuem uma relação de hierarquia entre si. Nesse sentido, apontando o direito à busca da
felicidade, a Corte já decidiu que “a paternidade socioafetiva, declarada ou não em registro público,
não impede o reconhecimento do vínculo de filiação concomitante baseado na origem biológica,
com os efeitos jurídicos próprios” (STF. Plenário. RE 898060/SC, Relator: Min. Luiz Fux, julgado em
21 e 22/09/2016 - divulgado no informativo 840).

Alternativa (B): correta. Maria Helena Diniz (Código Civil anotado. 15. ed. São Paulo: Saraiva,
2010) define o casamento como “o vínculo jurídico entre o homem e a mulher, livres, que se unem,
segundo as formalidades legais, para obter o auxílio mútuo e espiritual, de modo que haja uma
integração fisiopsíquica, e a constituição de uma família”. Apesar de o conceito clássico mencionar
sexos distintos, doutrina e jurisprudência reconhecem a existência e validade do casamento entre
pessoas do mesmo sexo.

O art. 1.548 do CC/2002 estabelecia duas hipóteses de nulidade do casamento, envolvendo o


casamento contraído pelo enfermo mental sem o necessário discernimento para os atos da vida
civil, e o casamento com infringência de impedimento. Com a edição da Lei 13.146/2015, as pessoas
com deficiência tiveram uma inclusão familiar plena, estabelecendo o art. 6º do estatuto protetivo
que a deficiência não afeta a capacidade civil da pessoa, inclusive para casar-se e constituir
união estável, exercer o direito à família e exercer direitos sexuais e reprodutivos. Nesta senda, o
Estatuto da Pessoa com Deficiência revogou a enfermidade mental como causa de nulidade do
casamento, ao passo em que acresceu o §2º ao art. 1.548 do CC/2002, dispondo que “a pessoa
com deficiência mental ou intelectual em idade núbia poderá contrair matrimônio, expressando sua
vontade diretamente ou por meio de seu responsável ou curador”.

Alternativa (C): incorreta. O art. 1.550 do CC/2002 trata das hipóteses capazes de tornar o
casamento anulável, dentre as quais está inserida a celebração de casamento havendo erro
essencial quanto à pessoa do outro cônjuge, denominado de error in persona. A redação originária
do art. 1.557 do CC/2002 considerava erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge as seguintes
situações: I - o que diz respeito à sua identidade, sua honra e boa fama, sendo esse erro tal
que o seu conhecimento ulterior torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado; II
- a ignorância de crime, anterior ao casamento, que, por sua natureza, torne insuportável a vida
conjugal; III - a ignorância, anterior ao casamento, de defeito físico irremediável, ou de moléstia
grave e transmissível, pelo contágio ou herança, capaz de pôr em risco a saúde do outro cônjuge
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ou de sua descendência; IV - a ignorância, anterior ao casamento, de doença mental grave que,


por sua natureza, torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado.

Com o objetivo de incluir as pessoas com deficiência para os atos civis existenciais, a Lei n.
13.146, de 2016, modificou a redação do inciso III do dispositivo e revogou o inciso IV, afastando
a ignorância relativa à existência de doença mental grave como causa de anulação do casamento.
Com as alterações, a ignorância, anterior ao casamento, de defeito físico irremediável somente
configurará erro se o defeito físico NÃO caracterizar deficiência. Confira a nova redação:

Art. 1.557. Considera-se erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge: III - a ignorância,
anterior ao casamento, de defeito físico irremediável que não caracterize deficiência
ou de moléstia grave e transmissível, por contágio ou por herança, capaz de pôr em
risco a saúde do outro cônjuge ou de sua descendência;

Alternativa (D): incorreta. O art. 1.597 do CC/2002 trata das presunções de paternidade decorrentes
do casamento. Nesta senda, o inciso I do dispositivo aduz que se presumem concebidos na
constância do casamento os filhos nascidos cento e oitenta dias, pelo menos, depois de estabelecida
a convivência conjugal. Tal presunção, contudo, é apenas relativa, na medida em que o art. 1.601 do
CC/2002 autoriza que o marido conteste a paternidade dos filhos nascidos de sua mulher, mediante
ação imprescritível. Frise-se que, nos termos do enunciado n. 520 da V Jornada de Direito Civil, “o
conhecimento da ausência de vínculo biológico e a posse de estado de filho obstam a contestação
da paternidade presumida”. No mesmo sentido, o STJ entende que a ausência de vínculo biológico
é fato que, por si só, não revela a falsidade da declaração de vontade consubstanciada no ato de
reconhecimento.

Por outro lado, essa presunção legal de que os filhos nascidos durante o casamento são filhos
do marido não pode servir como obstáculo para impedir o indivíduo de buscar a sua verdadeira
paternidade. Assim, mesmo que a situação do filho se enquadre dentro das presunções de
paternidade decorrentes do casamento, isso não impede que ele ingresse com ação de investigação
de paternidade contra o suposto pai biológico. A respeito do tema, o STF entendeu que o processo
não pode ser potencializado em detrimento do direito, inviabilizando o direito do filho de ter
reconhecida sua verdadeira paternidade, sob pena de afronta aos princípios da dignidade da
pessoa humana e da razoabilidade. Com base nisso, desconstituiu, em sede de ação rescisória,
acórdão no qual havia sido desprovido o pleito de investigação de paternidade, sob o fundamento
de que, se o autor havia nascido na constância do casamento, caberia privativamente ao marido
o direito de contestar a legitimidade dos filhos nascidos de sua mulher (STF, Plenário. AR 1244 EI/
MG, Relatora: Min. Cármen Lúcia, julgamento em 22/9/2016).

Alternativa (E): incorreta. A obrigação de prestar alimentos se configura a partir da reunião dos
requisitos de que tratam os artigos 1.694 e 1.695 do CC/2002, envolvendo: a existência de vínculo
de parentesco, casamento ou união estável; a necessidade do alimentando/credor; e a possibilidade
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do alimentante/devedor, verificada a partir da análise de sinais exteriores de riqueza.

O art. 1.696 do CC/2002 estabelece que direito à prestação de alimentos é recíproco entre pais
e filhos, e extensivo a todos os ascendentes, recaindo a obrigação nos mais próximos em grau,
uns em falta de outros. Sobre o tema, o STJ entende que a responsabilidade de prestar alimentos,
com relação aos avós, é subsidiária, e não sucessiva. Para a Corte, a obrigação tem natureza
complementar e somente exsurge se ficar demonstrada a impossibilidade de os genitores proverem
os alimentos de seus filhos. Assim, para intentar ação contra ascendente de segundo grau, deve
o alimentando demonstrar não somente a impossibilidade ou insuficiência de cumprimento da
obrigação pela mãe, como também pelo espólio do pai falecido (STJ, 4a Turma. REsp 1.249.133-
SC, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Rel. para acórdão Min. Raul Araújo, julgado em 16/6/2016,
DJe 2/8/2016, divulgado no info - 587). Em suma, o falecimento do pai do alimentante não implica
a automática transmissão do dever alimentar aos avós.

GABARITO: ALTERNATIVA (B)

DIREITO CIVIL

QUESTÃO 4. Assinale a alternativa incorreta acerca das pessoas jurídicas de direito


privado e o regime a elas aplicável:

a) As fundações podem ser constituídas, dentre outros, para fins de educação, saúde,
segurança alimentar e nutricional e modernização de sistemas de gestão. Em todas
essas hipóteses, sua criação pressupõe que o instituidor realize, mediante testamento
ou escritura pública, a dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se
destina.

b) A constituição de empresa pública ou de sociedade de economia mista pressupõe


a edição de lei autorizativa que indique, de forma clara, o relevante interesse coletivo
ou imperativo de segurança nacional de que trata o art. 173, da CF/88.

c) Por não estarem abrangidas no conceito de abuso da personalidade jurídica, as


pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos ou de fins não econômicos
não podem ter sua personalidade jurídica desconsiderada.

d) A aplicação da teoria maior da desconsideração da personalidade social pressupõe


a configuração do dolo da pessoa natural que atua por trás da sociedade, de modo
que o encerramento das atividades da sociedade ou sua dissolução irregular não é
suficiente para justificar a desconsideração da personalidade jurídica de que trata o
art. 50 do Código Civil.

e) As associações podem desenvolver atividades econômicas.


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COMENTÁRIO
Alternativa (A): correta. O art. 44 do CC/2002 traz um rol de pessoas jurídicas de direito privado,
no qual estão incluídas as associações, as sociedades (simples ou empresárias), as fundações,
as organizações religiosas, os partidos políticos e as empresas individuais de responsabilidade
limitada (EIRELI). Para a doutrina, a relação das pessoas jurídicas de direito privado constante do
artigo é meramente exemplificativa (enunciado 144 da I Jornada de Direito Civil). As fundações
referidas no rol, vale dizer, são as privadas. As públicas, por outro lado, se incluem no rol de
pessoas jurídicas de direito público do art. 41 do CC/2002, mais precisamente no inciso V, que trata
das demais entidades de caráter público criadas por lei. As fundações privadas são criadas a partir
da afetação de determinado patrimônio, feita por escritura pública ou testamento, à realização de
determinada finalidade de interesse coletivo. A pessoa a quem o instituidor da fundação atribuir a
incumbência de aplicar o patrimônio deverá elaborar o estatuto da fundação, de acordo com as
suas finalidades, e submetê-lo à aprovação do Ministério Público do Estado ou do Ministério Público
do Distrito Federal e Territórios, a depender do local em que esteja situada (art. 65, CC/2002).

Em 28 de julho de 2015, foi publicada a Lei n. 13.151, que alterou algumas normas envolvendo as
fundações privadas, para dispor sobre as suas finalidades, o prazo para manifestação do Ministério
Público sobre suas alterações estatutárias e a remuneração dos seus dirigentes. Uma dessas
modificações decorreu da alteração do parágrafo único do art. 62, do CC/2002. Antes da lei, o
CC/2002 estabelecia que “a fundação somente poderá constituir-se para fins religiosos, morais,
culturais ou de assistência”. Apesar da redação, a doutrina aduzia que as atividades listadas eram
meramente exemplificativas, devendo o art. 62, p. único, ser lido de modo a excluir apenas as
fundações com fins lucrativos (enunciado n. 9 da I Jornada de Direito Civil).

Confirmando o tratamento doutrinário, a Lei das Fundações alterou o dispositivo, passando a prever
como finalidades possíveis das fundações privadas:

I – assistência social; II – cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico;


III – educação; IV – saúde; V – segurança alimentar e nutricional; VI – defesa, preservação
e conservação do meio ambiente e promoção do desenvolvimento sustentável; VII –
pesquisa científica, desenvolvimento de tecnologias alternativas, modernização de
sistemas de gestão, produção e divulgação de informações e conhecimentos técnicos
e científicos; VIII – promoção da ética, da cidadania, da democracia e dos direitos
humanos; IX – atividades religiosas.

Alternativa (B): correta. O art. 173 da CF/88 aduz que, ressalvados os casos previstos na
Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando
necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme
definidos em lei. A CF/88 atribuiu ao legislador a incumbência de estabelecer estatuto jurídico da
empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade
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econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre


aspectos essenciais, dentre os quais a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas,
inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários. Em 2016, por
meio da Lei n. 13.303, o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista
e de suas subsidiárias, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios
finalmente foi sancionado.

O art. 45 do CC/2002 estatui que a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado tem
início com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de
autorização ou aprovação do Poder Executivo. No caso das empresas públicas e sociedades de
economia mista, por meio das quais o Estado exercerá a exploração de atividade econômica, a sua
constituição mediante registro deverá ser precedida de prévia autorização legal, que deverá indicar,
de forma clara, o relevante interesse coletivo ou imperativo de segurança nacional, atendendo à
determinação da CF/88 (art. 2º, §1º, Lei n. 13.303/2016).

Alternativa (C): incorreta, devendo ser assinalada. A teoria da desconsideração da personalidade


jurídica foi criada com o intuito de coibir abusos decorrentes da possibilidade de exclusão da
responsabilidade dos sócios ou administradores em relação às dívidas sociais, permitindo que as
pessoas e bens que se escondessem dentro de uma determinada pessoa jurídica sejam igualmente
alcançados.

O art. 50 do CC/2002 trata do tema, dispondo que: “em caso de abuso da personalidade jurídica,
caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a
requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os
efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares
dos administradores ou sócios da pessoa jurídica”. Como, além do prejuízo ao credor, o dispositivo
exige a configuração do abuso da personalidade jurídica, tem-se que o código civil adotou a
chamada teoria maior, em detrimento da teoria menor, que somente exige o prejuízo ao credor,
a exemplo do que ocorre na Lei n. 9.605/1998 (danos ambientais) e no Código de Defesa do
Consumidor.

Para a aplicação da teoria maior, devem ser utilizados os parâmetros do art. 187 do CC/2002, que
trata o abuso de direito como ato ilícito. Nesta senda, consoante dispõe o enunciado n. 7 da I Jornada
de Direito Civil, a desconsideração da personalidade jurídica somente é aplicável na hipótese de
haver a prática de ato irregular, e de forma limitada aos sócios que nela hajam incorrido. Como os
parâmetros do art. 50 do CC/2002 são a confusão patrimonial e o desvio de finalidade, a aplicação
da desconsideração do código civil prescinde da demonstração de insolvência da pessoa jurídica.

A desconsideração da pessoa jurídica tem por escopo, justamente, proteger a sociedade da


possibilidade de utilização da ficção jurídica para fins ilícitos, mostrando-se irrelevante a natureza
declarada da pessoa jurídica. Nesse sentido, o Enunciado 284 da IV JDC consolida o entendimento
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de que “as pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos ou de fins não econômicos estão
abrangidas no conceito de abuso da personalidade jurídica”, ou seja, não impedem a aplicação do
instituto da desconsideração da personalidade jurídica.

Alternativa (D): correta. No âmbito da execução fiscal, consoante súmula n. 435 do STJ, presume-
se dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio sem comunicação
aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sócio-gerente.
Por outro lado, nas relações jurídicas regidas pelo código civil, o encerramento das atividades ou a
dissolução da sociedade, ainda que irregular, não é causa suficiente para ensejar a desconsideração
da personalidade jurídica prevista no CC/2002 (STJ. 2ª Seção. EREsp 1306553/SC, Rel. Min. Maria
Isabel Gallotti, julgado em 10/12/2014, divulgado no informativo n. 554). Para o STJ, a aplicação
da teoria maior da desconsideração da personalidade social exige o dolo das pessoas naturais
que estão por trás da sociedade, desvirtuando-lhe os fins institucionais e servindo-se os sócios
ou administradores desta para lesar credores ou terceiros. Em síntese, o que autoriza a aplicação
do instituto é a intenção ilícita e fraudulenta. Isso porque, como o art. 50 do CC/2002 traz uma
exceção ao princípio da autonomia patrimonial, sua aplicação deve ser restrita a casos extremos,
em que a pessoa jurídica tenha sido utilizada como instrumento para fins fraudulentos, configurados
pelo desvio da finalidade institucional ou confusão patrimonial.

Alternativa (E): correta. O art. 53 do CC/2002 estabelece que “constituem-se as associações


pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos”. Por serem constituídas por
pessoas, as associações são como uma espécie de corporação, em que não há entre os associados
direitos e obrigações recíprocos. A palavra econômica é polissêmica, abrangendo tanto atividades
produtivas quanto as lucrativas. O que é proibido, contudo, é apenas o propósito lucrativo, ou
seja, o fim de gerar lucros a serem apropriados, e não o exercício de atividades produtivas que
permitam às associações aferir renda a fim de garantir a sua manutenção e ampliar o atendimento
dos fins a que se propõem. Daí se conclui que o legislador foi atécnico ao utilizar a expressão “fins
não econômicos”. Nesse sentido, o Enunciado n. 534 da VI Jornada de Direito Civil estatui que
“as associações podem desenvolver atividade econômica, desde que não haja finalidade
lucrativa”.

GABARITO: ALTERNATIVA (C)

QUESTÃO 5. No que tange à disciplina legal envolvendo os bens, assinale a assertiva


correta:

a) Não excepciona a regra da impenhorabilidade o bem de família pertencente a fiador


de contrato de locação.
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b) É passível de penhora o imóvel pertencente à sociedade empresária, ainda que nele


resida o sócio devedor.

c) A impenhorabilidade do bem de família é afastada quando se pretende satisfazer


créditos de trabalhadores da própria residência e das respectivas contribuições
previdenciárias.

d) Além dos bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito


público interno, parcela da doutrina sustenta que também são bens públicos aqueles
pertencentes às pessoas jurídicas privadas, quando afetados à prestação de serviços
públicos.

e) O bem de família pode ser penhorado para assegurar o pagamento do credor de


pensão alimentícia, ainda que dele seja coproprietário o cônjuge ou companheiro do
devedor. Nessa hipótese, o cônjuge ou companheiro será ressarcido de sua parte pelo
produto da alienação do bem.

COMENTÁRIO
Alternativa (A): incorreta. O bem de família é instituto que tem por objetivo assegurar o direito
fundamental à moradia de que trata o art. 6º da CF/88, como consectário da dignidade humana. No
ordenamento jurídico brasileiro, há duas formas de bem de família: o convencional ou voluntário,
regido pelos artigos 1.711 a 1.722 do CC/22, e o bem de família legal, regulamentado pela Lei n.
8.009/1990.

A Lei n. 8.009, de 1990, aduz, em seu artigo 1º, que “o imóvel residencial próprio do casal, ou da
entidade familiar, é impenhorável e não responderá por qualquer tipo de dívida civil, comercial,
fiscal, previdenciária ou de outra natureza, contraída pelos cônjuges ou pelos pais ou filhos que
sejam seus proprietários e nele residam, salvo nas hipóteses previstas nesta lei”. Embora mencione
casal ou entidade familiar, a jurisprudência interpreta extensivamente o dispositivo, assegurando a
proteção à moradia também ao imóvel onde resida pessoa solteira, separada ou viúva (Súmula n.
364/STJ).

O art. 3º do diploma legal estabelece as hipóteses em que se admite a penhora do bem de família.
Dentre elas, o inciso VII, inserido pela Lei n. 8.245, de 1991, menciona a penhora de bem de família
para fins de satisfazer obrigação decorrente de fiança concedida em contrato de locação. Ao julgar
o RE 407.688-8, o STF decidiu pela constitucionalidade do art. 3º, VII da Lei n. 8.009/90, concluindo
que não viola o direito à moradia assegurado pelo art. 6º da CF/88. Diante disso, o STJ editou a
súmula n. 549, em 14/10/2015, aduzindo que “é válida a penhora do bem de família pertencente a
fiador de contrato de locação”.

Alternativa (B): incorreta. A impenhorabilidade do bem de família estabelecida pela Lei n.


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8.009/1990 está prevista em norma cogente, que contém princípio de ordem pública. A incidência
do referido diploma somente é afastada se caracterizada alguma das hipóteses descritas em seu
art. 3º. Por dizer respeito à questão de ordem pública, nem mesmo a renúncia pelo titular do
benefício conferido pela lei é admitida, sendo inclusive passível de desconstituição a penhora feita
anteriormente. Nesta senda, o STJ entende que “a impenhorabilidade do bem de família no qual
reside o sócio devedor não é afastada pelo fato de o imóvel pertencer à sociedade empresária”
(STJ, 4ª Turma. EDcl no AREsp 511.486-SC, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 3/3/2016, DJe
10/3/2016).

Alternativa (C): incorreta. Em sua redação originária, o art. 3º, inciso I, da Lei n. 8.009, de 1990,
elencava, entre as exceções à impenhorabilidade do bem de família, a execução de créditos de
trabalhadores da própria residência e das respectivas contribuições previdenciárias. A LC
n. 150/2015, contudo, revogou o dispositivo. Desse modo, o empregador doméstico que estiver
sendo executado por dívidas trabalhistas ou por dívidas relativas a contribuições previdenciárias
também decorrentes deste vínculo estará resguardado pela impenhorabilidade de seu bem de
família. Em consonância com a Súmula n. 205 do STJ, que aduz que “A Lei 8.009/90 aplica-se à
penhora realizada antes de sua vigência”, entende-se que, a partir da data em que entrou em vigor
a LC 150/2015, mesmo as penhoras efetivadas com base no inciso antes de sua vigência deverão
ser canceladas.

Alternativa (D): correta. Ao classificar os bens em privados e públicos, o art. 98 do CC/2002 utiliza
o critério de exclusão, aduzindo que: “são públicos os bens do domínio nacional pertencentes às
pessoas jurídicas de direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa
a que pertencerem”. O dispositivo ainda divide os bens públicos em: a) bens de uso comum do povo,
assim considerados aqueles que se destinam à utilização do público em geral sem necessidade de
permissão especial - com a ressalva de que a regulamentação, pelo Estado, de sua utilização de
maneira onerosa não retira essa característica; b) os bens de uso especial, compreendidos como
aqueles utilizados pelo próprio Estado para a execução de serviços públicos, ou seja, aqueles
afetados; e c) dominicais, que consistem nos bens móveis e imóveis que configuram o patrimônio
público disponível e alienável das pessoas jurídicas de direito público.

Apesar da redação do art. 98 do CC/2002, a doutrina majoritária se posiciona no sentido de que


o rol dos bens públicos especificados no dispositivo (bens do domínio nacional pertencentes às
pessoas jurídicas de direito público interno) é apenas exemplificativo, devendo ser considerados
como bens públicos também os bens pertencentes às pessoas jurídicas de direito privado que
estejam afetados à prestação de serviço público. Nesse sentido confira o Enunciado n. 287, da IV
Jornada de Direito Civil:

287 – Art. 98. O critério da classificação de bens indicado no art. 98 do Código Civil não
exaure a enumeração dos bens públicos, podendo ainda ser classificado como tal o
bem pertencente a pessoa jurídica de direito privado que esteja afetado à prestação de
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serviços públicos.

Alternativa (E): incorreta. Uma das exceções à regra da impenhorabilidade do bem de família
são as dívidas de pensão alimentícia. Assim, o credor da pensão alimentícia, em caso de
inadimplemento, poderá penhorar o bem de família do devedor, sem que ele possa suscitar a
impenhorabilidade em seu favor. Essa possibilidade já estava prevista na lista de bens de família
que podem ser penhorados, trazida na redação originária do art. 3º da Lei 8.009/1990. Contudo,
a Lei n.° 13.144/2015, ao alterar a redação do inciso III do art. 3º, passou a prever uma ressalva,
resguardando “os direitos, sobre o bem, do seu coproprietário que, com o devedor, integre união
estável ou conjugal, observadas as hipóteses em que ambos responderão pela dívida”.

Dito de outro modo, embora o devedor de pensão alimentícia casado ou em união estável não
possa invocar a impenhorabilidade de seu bem de família, a parte do imóvel que pertencer ao
seu cônjuge ou companheiro deverá ser respeitada. Isso implica dizer que a parte do imóvel que
pertencer ao cônjuge ou companheiro do devedor não poderá ser penhorada. Acontece que, na
prática, a impenhorabilidade da fração do imóvel contamina a totalidade do bem, impedindo que
seja alienado em hasta pública. Com isso, resta afastada a regra do art. 843 do CPC/2015, segundo
a qual “tratando-se de penhora de bem indivisível, o equivalente à quota-parte do coproprietário ou
do cônjuge alheio à execução recairá sobre o produto da alienação do bem”. Se mesmo assim o
bem de família do devedor da pensão alimentícia vier a ser penhorado, o cônjuge ou companheiro
coproprietário poderá opor embargos de terceiro para a defesa de sua fração do imóvel, nos moldes
da Súmula 134/STJ.

GABARITO: ALTERNATIVA (D)

PROFESSOR: JOSÉ AMÉRICO


E-mail: profcei.joseamerico@gmail.com

DIREITO CONSTITUCIONAL

QUESTÃO 6. Sobre o estado de sítio, estado de defesa, Segurança Pública e Forças


Armadas, assinale a alternativa correta:

a) O estado de sítio será objeto apenas de controle concomitante e posterior pelo


Congresso Nacional, com base em mensagem enviada pelo Presidente da República,
na qual serão especificadas as medidas adotadas e os sujeitos atingidos;

b) Com a finalidade de impedir uma violação do regime constitucional em hipóteses


de rompimento da normalidade, a Constituição de 1988 prevê um estado de
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legalidade extraordinária, consistente em um conjunto de normas a serem aplicadas


em situações excepcionais, constitucionalmente conformadas, até que a situação
normal seja restabelecida, que devem ser informadas por três critérios: necessidade,
temporariedade e universalidade.

c) O estado de sítio somente poderá ser decretado mediante a autorização do Conselho


da República e do Conselho de Segurança Nacional e não poderá ser decretado por
tempo indeterminado, mas sim por no máximo trinta dias, prorrogáveis, uma única
vez, por até trinta dias.

d) O Plenário do STF, com repercussão geral, decidiu que as guardas municipais


têm competência para fiscalizar o trânsito, lavrar auto de infração de trânsito e impor
multas, desde que haja delegação específica em lei estadual.

e) A Constituição veda o cabimento de habeas corpus em relação a punições


disciplinares militares (CF, art. 142, § 2°), no entanto, admite-o em relação a questões
formais do procedimento disciplinar.

COMENTÁRIO

Alternativa (A): incorreta. De fato, haverá, no estado de sítio, assim como no estado de defesa,
controle posterior, conforme determina o Art. 141, parágrafo único da CF: “Logo que cesse o
estado de defesa ou o estado de sítio, as medidas aplicadas em sua vigência serão relatadas pelo
Presidente da República, em mensagem ao Congresso Nacional, com especificação e justificação
das providências adotadas, com relação nominal dos atingidos e indicação das restrições aplicadas.”

Da mesma forma, haverá também o controle concomitante, tanto no estado de sítio como no
estado de defesa, nos termos do art. 140 da CF: “A Mesa do Congresso Nacional, ouvidos os
líderes partidários, designará Comissão composta de cinco de seus membros para acompanhar e
fiscalizar a execução das medidas referentes ao estado de defesa e ao estado de sítio”.

O erro da alternativa está, porém, está em afirmar que o estado de sítio será objeto apenas desses
dois tipos de controle quando, na verdade, há também o controle prévio, pelo fato de se tratar de
medida mais grave que o estado de defesa. É o que determina o art. 137 da CF:

Art. 137. O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o Conselho


de Defesa Nacional, solicitar ao Congresso Nacional autorização para decretar o
estado de sítio nos casos de:

I - comoção grave de repercussão nacional ou ocorrência de fatos que comprovem a


ineficácia de medida tomada durante o estado de defesa;

II - declaração de estado de guerra ou resposta a agressão armada estrangeira.


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Parágrafo único. O Presidente da República, ao solicitar autorização para decretar


o estado de sítio ou sua prorrogação, relatará os motivos determinantes do pedido,
devendo o Congresso Nacional decidir por maioria absoluta.

Alternativa (B): incorreta. O professor Marcelo Novelino (in Manual de Direito Constitucional, V.
único, 9ª Ed., 2014, Método) aponta que:

“O sistema constitucional de crises deve ser informado por dois critérios:


necessidade e temporariedade. A necessidade se caracteriza pela ocorrência de
situações de extrema gravidade que demandem a adoção de medidas excepcionais para
a manutenção da estabilidade da ordem constitucional e das instituições democráticas.
A temporariedade impõe um prazo determinado para a duração do estado de legalidade
extraordinária, o qual só pode perdurar legitimamente enquanto houver a situação
emergencial.

Com a finalidade de impedir uma violação do regime constitucional em hipóteses de


rompimento da normalidade, a Constituição de 1988 prevê um estado de legalidade
extraordinária, consistente em um conjunto de normas a serem aplicadas em situações
excepcionais, constitucionalmente conformadas, até que a situação normal seja
restabelecida”.

A universalidade não pode ser considerada um critério, notadamente porque a crise pode exigir a
adoção de medidas restritas a determinado local geográfico ou a situações específicas.

Alternativa (C): incorreta. Sobre a parte inicial da assertiva, a autorização é do Congresso


Nacional e não dos Conselhos, que devem apenas ser consultados, conforme dispõe o Art.
137, da CF/1988:

“O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de


Defesa Nacional, solicitar ao Congresso Nacional autorização para decretar o estado de
sítio nos casos de: (...)”.

A segunda parte da alternativa também está errada, uma vez que o estado de sítio pode ser
prorrogado mais de uma vez, conforme estipula o art. 138, § 1º, da CF/1988: “O estado de sítio,
no caso do art. 137, I, não poderá ser decretado por mais de trinta dias, nem prorrogado, de cada
vez, por prazo superior”; e, no caso de guerra ou agressão armada estrangeira, poderá ser
decretado por todo o tempo que perdurarem tais eventos.

Alternativa (D): incorreta. No julgamento do RE 658570/MG (STF, Plenário, rel. orig. Min. Marco
Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 6/8/2015 sob a sistemática da
repercussão geral, divulgado no Informativo n. 793), o STF decidiu que as guardas municipais,
desde que autorizadas por lei municipal, têm competência para fiscalizar o trânsito, lavrar auto
de infração de trânsito e impor multas.
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Na ocasião, definiu-se a tese de que é constitucional a atribuição às guardas municipais do


exercício do poder de polícia de trânsito, inclusive para a imposição de sanções administrativas
legalmente previstas (ex: multas de trânsito), principalmente em função do Código de Trânsito
Brasileiro estabelecer que a fiscalização de trânsito é uma competência comum.

Alternativa (E): correta. A Constituição veda o cabimento de habeas corpus em relação a punições
disciplinares militares, segundo dispõe o art. 142, § 2°, da CF/1988, contudo, explica o Prof.
Marcelo Novelino (op. já citada) que “Esta vedação, no entanto, deve ser interpretada com
temperamentos, por ser cabível a impetração quando o questionamento estiver relacionado
à análise da legalidade da punição disciplinar, ou seja, quando se tratar de questões como
incompetência da autoridade, falta de previsão legal para a punição, inobservância das
formalidades legais ou excesso de prazo de duração da medida restritiva da liberdade.
Portanto, a restrição constitucional se aplica exclusivamente ao mérito do ato, sendo
cabível o writ constitucional para aferição dos aspectos formais”. O referido professor aponta
o seguinte julgado do STF nesse sentido:

“Não há que se falar em violação ao art. 142, § 2.°, da CF, se a concessão de habeas
corpus, impetrado contra punição disciplinar militar, volta-se tão somente para os
pressupostos de sua legalidade, excluindo a apreciação de questões referentes ao
mérito. Concessão de ordem que se pautou pela apreciação dos aspectos fáticos da
medida punitiva militar, invadindo seu mérito. A punição disciplinar militar atendeu aos
pressupostos de legalidade, quais sejam a hierarquia, o poder disciplinar, o ato ligado
à função e a pena susceptível de ser aplicada disciplinarmente, tornando, portanto,
incabível a apreciação do habeas corpus” (STF – RE 338.840, rel. Min. Ellen Gracie (DJ
12.09.2003).

GABARITO: ALTERNATIVA (E)

QUESTÃO 7. No tocante à fiscalização contábil, financeira e orçamentária, segundo


as normas preconizadas pela Constituição Federal brasileira e a jurisprudência aplicável à
matéria, assinale a alternativa incorreta:

a) O art. 71 da Constituição não insere na competência dos Tribunais de Contas


a aptidão para examinar, previamente, a validade de contratos administrativos
celebrados pelo Poder Público, por se tratar de atividade reservada à competência
da função executiva, sendo inconstitucional a criação de procedimento no âmbito
do respectivo ente federado que obrigue a tal submissão prévia, não sendo vedada,
contudo, a atuação prévia das Cortes de Contas, por iniciativa própria e restrita às
suas competências constitucionais.

b) Os Tribunais de Contas podem ter acesso às operações de empréstimos firmadas


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por instituições bancárias constituídas sob a forma de empresa estatal, quando estas
visem ao fomento econômico e social, mediante requisição para o fornecimento dos
dados bancários relacionados a operação financeira diretamente às empresas, quando
houver emprego de recursos de origem pública.

c) Uma vez registrado o ato de aposentadoria, é possível a sua anulação unilateral


pela administração, quando descoberta eventual ilegalidade, sem a necessidade de
nova submissão do procedimento ao Tribunal de Contas.

d) A sustação de atos administrativos impugnados pelos Tribunais de Contas somente


ocorrerá depois de decorrido e não atendido o prazo assinalado para que o órgão
ou entidade controlada adote as providências necessárias para sanar a ilegalidade,
devendo a sustação ser, necessariamente, comunicada à Casa Legislativa respectiva, a
qual, por sua vez, é quem detém, como regra, a competência para suspender contratos.

e) A sanção de inidoneidade, aplicável no âmbito das Cortes de Contas, foi considerada


constitucional pelo STF e não se confunde com a prevista na Lei n. 8.666/1993, a
inexistir, portanto, bis in idem na aplicação das duas a um mesmo fato.

COMENTÁRIO

Alternativa (A): correta. A inconstitucionalidade do procedimento de submissão prévia de contratos


ao crivo dos Tribunais de Contas é matéria consolidada no âmbito do STF, conforme ilustra seguinte
julgado:

“Nos termos do art. 75 da Constituição, as normas relativas à organização e fiscalização


do TCU se aplicam aos demais tribunais de contas. O art. 71 da Constituição não insere
na competência do TCU a aptidão para examinar, previamente, a validade de contratos
administrativos celebrados pelo Poder Público. Atividade que se insere no acervo de
competência da função executiva. É inconstitucional norma local que estabeleça a
competência do tribunal de contas para realizar exame prévio de validade de contratos
firmados com o Poder Público” (STF, ADI 916, rel. min. Joaquim Barbosa, j. 2-2-2009, P,
DJE de 6-3-2009).

Em que pese esse entendimento, nada impede que as Cortes de Contas atuem de forma prévia
à concretização de contratos administrativos ou mesmo da deflagração de procedimentos
licitatórios, quando, no exercício de suas competências fiscalizatórias ou por meio de denúncias/
representações, toma conhecimento de irregularidades que podem ser alvo de sua atuação. Nesse
sentido, tem-se, por exemplo, o art. 113, § 2º, da Lei n. 8.666/1993:

“Art. 113. O controle das despesas decorrentes dos contratos e demais instrumentos
regidos por esta Lei será feito pelo Tribunal de Contas competente, na forma da
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legislação pertinente, ficando os órgãos interessados da Administração responsáveis


pela demonstração da legalidade e regularidade da despesa e execução, nos termos da
Constituição e sem prejuízo do sistema de controle interno nela previsto.

(...) § 2º Os Tribunais de Contas e os órgãos integrantes do sistema de controle


interno poderão solicitar para exame, até o dia útil imediatamente anterior à data
de recebimento das propostas, cópia de edital de licitação já publicado, obrigando-
se os órgãos ou entidades da Administração interessada à adoção de medidas
corretivas pertinentes que, em função desse exame, lhes forem determinadas.
(Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994)”.

Alternativa (B): correta. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) negou o Mandado de
Segurança (MS) 33340 (julgamento em 26-5-2015, Primeira Turma, DJE de 3-8-2015), impetrado
pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) contra acórdão do Tribunal
de Contas da União (TCU) que determinou o envio, pela instituição financeira, de informações
sobre operações de crédito realizadas com o grupo JBS/Friboi.

Por maioria, o colegiado seguiu o voto do ministro Luiz Fux, que verteu o entendimento de que
o envio de informações ao TCU relativas a operações de crédito, originárias de recursos
públicos, não é coberto pelo sigilo bancário e que o acesso a tais dados é imprescindível à
atuação do TCU na fiscalização das atividades do BNDES.

Além disso, o Relator salientou que, embora os sigilos bancário e empresarial sejam fundamentais
para o livre exercício da atividade econômica e que a divulgação irresponsável de dados sigilosos
possa expor um grupo econômico e até inviabilizar sua atuação, a preservação dos dados não
pode ser vista como uma garantia absoluta. Segundo ele, o repasse de informações para
que o TCU atue como órgão de controle externo não representa quebra de sigilo e sua
negativa inviabilizaria o pleno desempenho de sua missão constitucional.

Ressaltou-se, ademais, que:

“O sigilo de informações necessárias para a preservação da intimidade é relativizado


quando se está diante do interesse da sociedade de se conhecer o destino dos recursos
públicos. Operações financeiras que envolvam recursos públicos não estão abrangidas
pelo sigilo bancário a que alude a Lei Complementar 105/2001, visto que as operações
dessa espécie estão submetidas aos princípios da administração pública
insculpidos no art. 37 da Constituição Federal. Em tais situações, é prerrogativa
constitucional do Tribunal [TCU] o acesso a informações relacionadas a operações
financiadas com recursos públicos.”

(fonte: http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=292332)

Alternativa (C): incorreta. O STF já decidiu, com base na súmula n. 6, que a anulação unilateral
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do ato de aposentadoria não é possível, sendo necessária nova submissão do ato ao Tribunal de
Contas respectivo:

“A anulação unilateral pela administração sem o conhecimento do Tribunal de Contas está


em desacordo com a Súmula 06 do STF, verbis: A revogação ou anulação, pelo Poder
Executivo, de aposentadoria ou qualquer outro ato aprovado pelo Tribunal de Contas,
não produz efeitos antes de aprovada por aquele Tribunal, ressalvada a competência
revisora do judiciário” (AI 805.165 AgR, rel. min. Luiz Fux, j. 6-12-2011, 1ª T, DJE de 19-
12-2011).

Alternativa (D): correta. Segundo dispõe a Constituição Federal de 1988, a sustação de atos
administrativos pelo TCU ocorre somente quando não atendida a determinação para a correção
da ilegalidade, sendo que, em caso de contrato, tal competência será do Congresso Nacional, cujo
não exercício permitirá à Corte de Contas que o faça. Confiram os dispositivos pertinentes:

“Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio
do Tribunal de Contas da União, ao qual compete:

IX - assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao


exato cumprimento da lei, se verificada ilegalidade;

X - sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado, comunicando a decisão à


Câmara dos Deputados e ao Senado Federal;

§ 1º No caso de contrato, o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso


Nacional, que solicitará, de imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis.

§ 2º Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no prazo de noventa dias, não


efetivar as medidas previstas no parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a respeito.”

OBS1: pelo princípio da simetria, essas mesmas disposições são aplicáveis no âmbito dos
Estados e Municípios (onde existente Corte de Contas do Município);

OBS2: As Cortes de Contas podem assinar prazo e mesmo determinação para que se
suspenda ou até mesmo anule o contrato, a qual, porém, não se confunde com a sustação,
que é ordem direta e objetiva nesse sentido, uma vez que aquela somente ganha poder coercitivo
quando descumprida. Nesse sentido, confiram:

“O TCU, embora não tenha poder para anular ou sustar contratos administrativos, tem
competência, conforme o art. 71, IX, para determinar à autoridade administrativa
que promova a anulação do contrato e, se for o caso, da licitação de que se
originou” (STF, MS 23.550, rel. p/ o ac. min. Sepúlveda Pertence, j. 4-4-2002, P, DJ de
31-10-2001; e STF, MS 26.000, rel. min. Dias Toffoli, j. 16-10-2012, 1ª T, DJE de 14-11-
2012).
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Alternativa (E): correta. Segundo o STF, “É constitucional o art. 46 da Lei 8.443/1992, que institui
sanção de inidoneidade a particulares por fraude a licitação, aplicável pelo TCU” (STF, MS 30.788,
rel. p/ o ac. min. Roberto Barroso, j. 21-5-2015, P, DJE de 4-8-2015), bem como, no julgamento
da Petição (PET) 3606 (STF, Relator Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Publicação DJ 31/03/2006,
PP-00044) o Supremo entendeu, na ocasião, que a previsão do artigo 46 da Lei 8.443/1992 não
se confunde com o disposto no artigo 87 da Lei de Licitações (8.666/93), devido ao fato de
serem diversas e inconfundíveis as áreas de atuação dos requeridos, pois, enquanto um age
como órgão de fiscalização do sistema de controle do Ministério dos Transportes, o outro atua
como órgão de controle externo de legalidade.

GABARITO: ALTERNATIVA (C)

QUESTÃO 8. Considerando a doutrina, jurisprudência dos Tribunais Superiores e de


acordo com a Constituição Federal e legislação esparsa, assinale a alternativa correta:

a) A expedição de “cartão cidadão” como documento hábil e de porte obrigatório


para acesso aos serviços públicos municipais de educação, saúde, esporte, lazer e
assistência social não viola a Constituição Federal de 1988, pois se trata, segundo o
STF, de medida administrativa racionalizante e que conduz à eficiência na prestação
do serviço.

b) A sucessão do Prefeito e do Vice-Prefeito inclui-se no domínio normativo da Lei


Orgânica e não se sujeita ao princípio da simetria constitucional, muito embora deva
obediência aos parâmetros que venham a ser definidos na Constituição do Estado a
que pertencer.

c) O presidente de tribunal de justiça estadual, ao executar decisão proferida pelo


CNJ, é autoridade coatora para fins de impetração de ação de mandado de segurança.

d) O STF já reputou inconstitucional dispositivo de Constituição Estadual que


determina a realização de eleições para os cargos de direção dos estabelecimentos de
ensino público.

e) O Supremo, ao analisar hipótese em que houvera conclusão de curso superior antes


do trânsito em julgado da decisão em que se discutia a idoneidade do ato de matrícula
do aluno, manifestou-se pela inaplicabilidade da teoria do fato consumado à espécie.

COMENTÁRIO

Alternativa (A): incorreta. O STF entendeu que tal espécie de política pública possui, entre outros
vícios de natureza material, nítido caráter excludente e discriminatório, segundo expõe o
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seguinte julgado:

“A Lei 2.600, de 8-7-2009, e o Decreto 2.716, de 28-12-2009, ambos do Município de


Guararema, instituíram e regulamentaram o “cartão cidadão” como documento hábil e
de porte obrigatório para acesso aos serviços públicos municipais de educação, saúde,
esporte, lazer e assistência social. O programa foi instituído com intuito excludente
e discriminatório, visando somente aos habitantes do Município, impondo, ainda,
obstáculos aos próprios munícipes, caso não obtivessem o cartão ou não o
detivessem quando do comparecimento perante os órgãos públicos.
A política pública em questão trata de maneira uniforme serviços públicos de
naturezas distintas, os quais, por isso, deveriam receber tratamento de acordo
com as suas especificidades. Ao condicionar o acesso aos serviços públicos de
saúde ao porte de um cartão, excluindo do gozo de tais serviços as pessoas que não
residiam na localidade ou que, residindo, não detinham o cartão, o Município violou a
natureza universal e igualitária que a Constituição conferiu a esses serviços (art.
196, CF/1988). O “cartão cidadão” também viola o art. 205, que fixa a educação como
direito de todos e dever do Estado, e o art. 206, ambos da CF, o qual estabelece, dentre
os princípios norteadores do ensino no Brasil, a igualdade de condições para o acesso
e a permanência na escola” [ARE 661.288, rel. min. Dias Toffoli, j. 6-5-2014, 1ª T, DJE
de 24-9-2014].

Alternativa (B): incorreta. A primeira parte do enunciado está correta, no entanto, o erro está
em afirmar a necessidade de obediência à Constituição Estadual, já que inexiste necessidade de
simetria com o texto da Constituição Federal, devendo-se replicar a mesma lógica no plano do
Constituinte Estadual. Trata-se de Jurisprudência do STF:

“[...] artigo de constituição estadual que disciplina vacância do cargo de prefeito é


inconstitucional. Ofensa ao princípio da autonomia municipal.

Por entender usurpada a competência do Município para legislar sobre assuntos de


interesse local (CF, art. 30, I), o Tribunal julgou procedente pedido formulado em ação
direta proposta pelo Procurador-Geral da República para declarar a inconstitucionalidade
do § 2º do art. 75 da Constituição do Estado de Goiás que estabelece que, no caso de
vacância no último ano de período de governo, serão, sucessivamente, chamados, para
exercer o cargo de Prefeito, o Presidente e o Vice-Presidente da Câmara. Considerou-
se, na linha da jurisprudência da Corte, que não cabe, ao Estado-membro, sob pena
de frontal transgressão à autonomia constitucional do Município, disciplinar,
ainda que no âmbito da própria Carta Política estadual, a ordem de vocação das
autoridades municipais, quando configuradas situações de vacância ou de impedimento
cuja ocorrência justifique a sucessão ou a substituição nos cargos de Prefeito e/ou de
Vice-Prefeito do Município.
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ASSEVEROU-SE QUE A MATÉRIA PERTINENTE À SUCESSÃO E À SUBSTITUIÇÃO


DO PREFEITO E DO VICE-PREFEITO INCLUI-SE, POR EFEITO DE SUA NATUREZA
MESMA, NO DOMÍNIO NORMATIVO DA LEI ORGÂNICA PROMULGADA PELO
PRÓPRIO MUNICÍPIO. O Min. Carlos Britto fez ressalvas quanto aos fundamentos do
voto da relatora. Precedentes citados: ADI 687/PA (DJU de 10.2.2006) e ADI 1057 MC/
BA (DJU de 6.4.2001” (STF, ADI 3549/GO, rel. Min. Cármen Lúcia, 17.9.2007).

Alternativa (C): incorreta. Ato normativo de Tribunal de Justiça cumprindo as determinações de


decisão do CNJ configura mera execução administrativa, o que torna parte ilegítima o Presidente
do Tribunal para fins de mandado de segurança que, em última análise, insurge-se contra a decisão
do CNJ. Nesse sentido:

“1. A controvérsia reside em saber se o Presidente do Tribunal de Justiça do Estado


de Goiás ostenta legitimidade para figurar no polo passivo do presente mandado de
segurança, o qual foi manejado por serventuário titular de cartório extrajudicial contra o
Decreto Judiciário nº 525/08 da Corte Goiana, que, em observância à decisão proferida
pelo Conselho Nacional de Justiça no Pedido de Providências nº 861/08, desconstituiu
a nomeação do impetrante em função da ausência de realização de concurso público.

2. Ao analisar casos idênticos envolvendo o Decreto Judiciário nº 525/08 da Corte


Goiana e o Pedido de Providências nº 861/08 do CNJ, o Superior Tribunal de Justiça
acabou por concluir que ato normativo de Tribunal de Justiça que se destina a
cumprir determinação advinda de decisão do CNJ representa simples execução
administrativa, o que acarreta a ilegitimidade do Presidente do Tribunal para
figurar no polo passivo de mandado de segurança. Precedentes: RMS 29.171/GO,
Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 10.09.09; RMS 29.310/GO, Rel. Min. Eliana
Calmon, DJe 19.06.09; RMS 29.700/GO, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe 16.09.09..”
(STJ, RMS 29.719, Rel. Min. Castro Meira, 2ª. Turma, j. em 18.2.2010, DJ 26.2.2010)

Alternativa (D): correta. Embora a gestão democrática do ensino seja uma imposição da CF/1988
(art. 206, VI), a inconstitucionalidade, segundo o Supremo, decorre da impossibilidade de tolher
a livre escolha dos cargos de provimento em comissão do Executivo pelo Chefe desse Poder.
Confiram o seguinte julgado:

“Inconstitucionalidade, perante a CF, do art. 199 da Constituição do Amazonas, na parte em


que determina a realização de eleições para os cargos de direção dos estabelecimentos
de ensino público. Não se confunde a qualificação de democrática da gestão do
ensino público com modalidade de investidura, que há de coadunar-se com o
princípio da livre escolha dos cargos em comissão do Executivo pelo chefe desse
Poder (arts. 37, II, in fine, e 84, II e XXV, ambos da Constituição da República)” [ADI
490, rel. min. Octavio Gallotti, j. 15-9-1996, P, DJ de 20-6-1997; e ADI 2.997, rel. min.
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Cezar Peluso, j. 12-8-2009, P, DJE de 12-3-2010].

Alternativa (E): incorreta. A jurisprudência do STF admite a aplicação da teoria do fato consumado
nesses casos, especialmente quando a transferência anterior tenha ocorrido de boa-fé:

O Supremo, ao analisar hipótese em que houvera conclusão de curso superior antes do


trânsito em julgado da decisão em que se discutia a idoneidade do ato de matrícula do
aluno, manifestou-se pela aplicação da teoria do fato consumado à espécie.” [RE
429.906 AgR, rel. min. Eros Grau, j. 19-8-2008, 2ª T, DJE de 12-9-2008].

GABARITO: ALTERNATIVA (D)

DIREITO PENAL E DIREITO PROCESSUAL PENAL

QUESTÃO 9. Considerando a doutrina, jurisprudência dos Tribunais Superiores e de


acordo com a legislação penal, assinale a alternativa correta sobre teoria geral do Direito
Penal:

a) Em se tratando de crimes temporários e excepcionais, a nova lei penal mais benéfica


deverá ser aplicada retroativamente em benefício do réu, desde que encerrado o período
de vigência da norma especial, ao passo que, em se tratando de crimes permanentes,
a nova lei penal mais gravosa não poderá retroagir em relação aos fatos já realizados
pelo agente; todavia, esta deverá ser utilizada pelo juiz no momento da prolação da
sentença, caso se verifique a permanência delitiva após a sua entrada em vigor.

b) O princípio da Territorialidade, adotado no Brasil, não se coaduna com o “Princípio


da passagem inocente”, previsto em convenções internacionais, razão pela qual se
uma infração penal for cometida a bordo de navio ou avião estrangeiro de propriedade
privada, que esteja apenas de passagem pelo território brasileiro, não será aplicada a
lei nacional, se o crime não afetar em nada nossos interesses;

c) Segundo a convenção de Viena sobre Relações Consulares de 1963, a inviolabilidade


física e a imunidade de jurisdição dos cônsules apenas se aplicam aos seus atos de
oficio, privilégio esse que não se estende a membros da família do cônsul nem às suas
instalações residenciais, sendo permitida a sua prisão preventiva;

d) De acordo com o princípio da representação, a lei penal brasileira poderá ser


aplicada a delitos cometidos em aeronaves ou embarcações brasileiras privadas,
quando estes delitos ocorrerem no estrangeiro e aí não forem julgados, ao passo que,
segundo o princípio da justiça penal universal, a aplicação da lei penal brasileira é
possível independentemente da nacionalidade do delinquente e do local da prática do
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crime, se este estiver previsto em convenção ou tratado celebrado pelo Brasil.

e) Será aplicável o princípio da representação quando ocorrido crime a bordo de


aeronave ou embarcação brasileira de natureza pública ou se estiverem estas a serviço
do governo brasileiro, devendo ser aplicada a lei brasileira.

COMENTÁRIO
Alternativa (A): incorreta. A primeira parte da afirmativa está incorreta, porque leis temporárias
e excepcionais (art. 3º, CP), além de serem autorrevogáveis, são ultrativas. Vale dizer, aplicam-
se aos fatos ocorridos durante sua vigência, mesmo que já escoado o período ou cessadas as
circunstâncias de sua vigência. Por isso, em face da ultratividade que as caracteriza, não se
pode opor a elas a retroatividade de lei mais benéfica.

Por outro lado, está correta a parte final da assertiva, uma vez que em consonância com a Súmula
711 do Supremo Tribunal Federal: “A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao
crime permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência”.

Alternativa (B): incorreta. Segundo o princípio da territorialidade, a lei penal só tem aplicação no
território do Estado que a editou, não importando a nacionalidade do sujeito ativo ou passivo.

Por sua vez, o princípio da passagem inocente é instituto jurídico próprio do Direito Internacional
Marítimo e Aéreo e permite a uma aeronave ou embarcação de propriedade privada, de qualquer
nacionalidade, o direito de atravessar o território de uma nação, com a condição de não ameaçar
ou perturbar a paz, a boa ordem e a segurança do Estado costeiro (artigo 19, da Convenção das
Nações Unidas sobre o Direito do Mar e art. 2º da Lei Federal n. 8.617/1993).

Esse instituto, aplicado ao Direito Penal, permite que crimes cometidos dentro de navio estrangeiro,
por exemplo, de passagem pelo país, não sejam julgados pela lei do país em trânsito, desde que
não afetem um bem jurídico nacional.

De acordo com a lei n.º 8.617/93, que regula o direito de passagem, o navio privado deve utilizar o
mar territorial brasileiro somente como caminho (passagem) para seu destino, sem pretensão de
atracar no nosso território. Seria esse o princípio da passagem inocente.

Nesse caso, ocorrendo o crime a bordo da embarcação, não se aplicará a lei brasileira, desde que
não seja prejudicial à paz, à boa ordem ou à segurança do Brasil.

À vista disso, não há conflito entre os princípios da territorialidade e da passagem inocente,


uma vez que ambos são aplicáveis em um mesmo cenário, cada um em seu campo de
atuação.

Alternativa (C): correta. Cônsul é o funcionário de um Estado encarregado, em um país estrangeiro,


pela proteção dos interesses de indivíduos e empresas que sejam nacionais desse seu mesmo
Estado. Dessa forma, não tem função de representação política junto às autoridades centrais do
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país onde reside, mas sim atua na órbita dos interesses privados dos seus compatriotas.

Nesse contexto, os privilégios e imunidades consulares são distintos e menos amplos do


que os concedidos aos funcionários no exercício de funções diplomáticas. Os funcionários
consulares gozam de inviolabilidade física e imunidade processual penal ou cível apenas no que
se refere aos atos de ofício, isto é, os praticados no exercício das funções consulares, não sendo
extensível tal proteção a familiares. Somente podem ser detidos em caso de crime grave e com
ordem judicial da autoridade competente.

As relações consulares são consideradas independentes das relações diplomáticas, de modo que
a ruptura destas últimas não acarreta, necessariamente, o fim do relacionamento consular, além de
que são reguladas, no plano internacional, pela Convenção de Viena sobre Relações Consulares
de 1963 (CVRC), que codifica as práticas consulares que se desenvolveram por meio do direito
internacional consuetudinário, de diversos tratados bilaterais e de alguns tratados regionais. A
CVRC entrou em vigor no plano internacional em 19 de março de 1967, e, no Brasil, em 26 de julho
de 1967, através do decreto 61.078/1967.

Por fim, sobre a prisão preventiva, esta é permitida, desde que autorizada por juiz e em caso
de crime grave (art. 41 do referido Decreto). No julgamento do HC n. 81.158-RJ, o STF, em
2002, confirmou a legalidade da prisão preventiva do cônsul de Israel.

Alternativa (D): incorreta. Segundo Cléber Masson (in MASSON, Cleber. Direito Processual Penal
Esquematizado, 2015, Ed. Método. São Paulo), o princípio da representação é:

“Também denominado princípio do pavilhão, da bandeira, subsidiário ou da


substituição. Segundo esse princípio, deve ser aplicada a lei penal brasileira aos
crimes cometidos em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de
propriedade privada, quando estiverem em território estrangeiro e aí não sejam
julgados. É adotado pelo art. 7.º, II, “c”, do Código Penal”. Assim, está correta a
primeira parte da assertiva.

Na mesma obra, o Professor Masson aponta que o princípio da justiça universal:

“Também conhecido como princípio da justiça cosmopolita, da competência universal,


da jurisdição universal, da jurisdição mundial, da repressão mundial ou da universalidade
do direito de punir, é característico da cooperação penal internacional, porque todos
os Estados da comunidade internacional podem punir os autores de determinados
crimes que se encontrem em seu território, de acordo com as convenções ou
tratados internacionais, pouco importando a nacionalidade do agente, o local do
crime ou o bem jurídico atingido.

Fundamenta-se no dever de solidariedade na repressão de certos delitos cuja


punição interessa a todos os povos. Exemplos: tráfico de drogas, comércio de seres
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humanos, genocídio etc. É adotado no art. 7.º, II, “a”, do Código Penal: “os crimes que,
por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir”.

Por seu turno, em relação ao princípio da Justiça Universal o Prof. Luiz Flávio Gomes explica que,
de todas as hipóteses de extraterritorialidade incondicionada (CP, art. 7º, I) apenas uma delas se
relaciona a esse princípio, que é a descrita na alínea d, do art. 7.º, I, do CP: “genocídio, quando o
agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil”.

Outra hipótese de incidência do princípio citado, na nossa legislação, está contida no art. 7º, II, do
mesmo Código: crimes que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir. A diferença
entre as duas situações está em que, na primeira, a extraterritorialidade é incondicionada (não
depende de nenhuma condição), e na segunda ela é condicionada (depende do concurso de uma
série de condições, previstas no art. 7º, 2º, do CP).

Observem, assim, que, a despeito de existirem condições à aplicação da Lei Penal, nenhuma
delas está relacionada à nacionalidade do agente ou ao local em que foi praticado o crime. Tais
circunstâncias são irrelevantes, desde que se trate de crime “que, por tratado ou convenção, o
Brasil se obrigou a reprimir”, importando, na verdade, a situação típica definida nesses ajustes.

Alternativa (E): incorreta. Questão capciosa e pegadinha comum em concursos. Explica o professor
Cléber Masson (op. já citada) que:

“Não incide no caso o princípio da representação, mas sim o da territorialidade.


Lembre-se: aeronaves e embarcações brasileiras, públicas ou a serviço do
governo brasileiro, constituem extensão do território nacional (art. 5.º, § 1.º, do
Código Penal)”.

GABARITO: ALTERNATIVA (C)

QUESTÃO 10. Em relação ao nexo de causalidade no Direito Penal, assinale a alternativa


correta:

a) Para os crimes omissivos impróprios, é imprescindível o estudo do nexo causal,


em razão do Código Penal ter adotado, para sua configuração, a teoria naturalística da
omissão, ao equiparar a inação do agente garantidor a uma ação.

b) O CP adota, como regra, a teoria da causalidade adequada, haja vista indicar que “O
resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu
causa; causa é a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido”, sendo
exceção, por sua vez, a aplicação da teoria da conditio sine qua non.

c) O sujeito A é esfaqueado por B, em ação da qual decorrem lesões corporais leves.


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Socorrido e medicado, A é orientado quanto aos cuidados a tomar, mas não obedece
à prescrição médica e em virtude dessa falta de cuidado, o ferimento infecciona,
gangrena, e ela morre. Nesse contexto, B responde apenas pelas lesões corporais
leves, uma vez que se trata de causa superveniente relativamente independente, que
por si só produziu o resultado.

d) Durante um assalto, a vítima, apavorada com a arma de fogo que lhe é apontada,
morre de ataque cardíaco. Por sua vez, o autor apodera-se do bem e foge. Estando-se
diante de uma causa relativamente independente concomitante, que mantém íntegra a
relação de causalidade, deve o agente responder pelo latrocínio;

e) Na hipótese do sujeito, na condução de um ônibus pela via pública, colidir com um


poste que sustenta fios elétricos, um dos quais, caindo ao chão, atinge um passageiro
ileso e já fora do veículo, provocando a sua morte em decorrência da forte descarga
elétrica recebida, corresponde a causa superveniente absolutamente independente.

COMENTÁRIO

Alternativa (A): incorreta. Para os crimes omissivos impróprios, o estudo do nexo causal é
relevante, porquanto o CP adotou a teoria normativa da omissão, ao equiparar a inação do
agente garantidor a uma ação.

Explica o Professor Cléber Masson (op. já citada):

“A teoria naturalística sustenta ser a omissão um fenômeno causal que pode ser constatado
no mundo fático, pois, em vez de ser considerada uma inatividade, caracteriza-se como
verdadeira espécie de ação. Portanto, quem se omite efetivamente faz alguma coisa.

Já para a teoria normativa, a omissão é um indiferente penal, pois o nada não produz
efeitos jurídicos. Destarte, o omitente não responde pelo resultado, pois não o provocou.

Essa teoria, contudo, aceita a responsabilização do omitente pela produção do resultado,


desde que seja a ele atribuído, por uma norma, o dever jurídico de agir. Essa é a razão
de sua denominação (normativa = norma). A omissão é, assim, não fazer o que a lei
determinava que se fizesse. Foi a teoria acolhida pelo Código Penal.

Em verdade, nos crimes omissivos próprios ou puros a norma impõe o dever de agir no
próprio tipo penal (preceito preceptivo).

Já nos crimes omissivos impróprios, espúrios ou comissivos por omissão, o tipo penal
descreve uma ação (preceito proibitivo), mas a omissão do agente, que descumpre
o dever jurídico de agir, definido pelo art. 13, § 2.º, do Código Penal, acarreta a sua
responsabilidade penal pela produção do resultado naturalístico.
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O art. 13, § 2.º, do Código Penal, no tocante à natureza jurídica da omissão, acolheu
a teoria normativa, pela qual a omissão é um nada, e “do nada, nada surge”. Não
é punível de forma independente, ou seja, não se pune alguém pelo simples fato de ter
se omitido. Só tem importância jurídico-penal quando presente o dever de agir. Daí a
preferência pela teoria normativa. A omissão somente interessa ao Direito Penal quando,
diante da inércia do agente, o ordenamento jurídico lhe impunha uma ação, um fazer. ”

Alternativa (B): incorreta. Segundo a doutrina, destacam-se três teorias na busca de definir a
relação de causalidade:

1.ª teoria: Equivalência dos antecedentes: também chamada de teoria da equivalência


das condições, teoria da condição simples, teoria da condição generalizadora, ou,
finalmente, teoria da conditio sine qua non; Para essa teoria, causa é todo fato humano
sem o qual o resultado não teria ocorrido, quando ocorreu e como ocorreu;

2.ª teoria: Teoria da causalidade adequada: também chamada de teoria da condição


qualificada, ou teoria individualizadora, originou-se dos estudos de Von Kries, um
fisiólogo, e não jurista;

3ª Teoria: Imputação objetiva: enuncia o conjunto de pressupostos genéricos que


fazem da causação uma causação objetivamente típica; e estes pressupostos são a
criação de um risco juridicamente desaprovado e a realização deste risco no resultado.

Segundo Masson:

“Acolheu-se, como regra, a teoria da equivalência dos antecedentes. É o que se extrai


do art. 13, caput, in fine: “Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado
não teria ocorrido”, [...] observado o “processo hipotético de eliminação”, desenvolvido
em 1894 pelo sueco Thyrén. Suprime-se mentalmente determinado fato que compõe o
histórico do crime: se desaparecer o resultado naturalístico, é porque era também sua
causa; todavia, se com a sua eliminação permanecer íntegro o resultado material, não
se pode falar que aquele acontecimento atuou como sua causa.

Excepcionalmente, o Código Penal adota, no § 1.º do art. 13, a teoria da causalidade adequada, na
qual se insere, principalmente, o estudo das concausas.

Alternativa (C): correta. Segundo Cléber Masson (op já citada):

“Em face da regra prevista no art. 13, § 1.º, do Código Penal, as causas supervenientes
relativamente independentes podem ser divididas em dois grupos: (1) as que produzem
por si sós o resultado; e (2) as que não produzem por si sós o resultado”.

Sobre as que produzem por si sós o resultado, tem-se julgado exemplificativo do Superior
Tribunal de Justiça:
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“O fato de a vítima ter falecido no hospital em decorrência das lesões sofridas, ainda
que se alegue eventual omissão no atendimento médico, encontra-se inserido no
desdobramento físico do ato de atentar contra a vida da vítima, não caracterizando
constrangimento ilegal a responsabilização criminal por homicídio consumado, em
respeito à teoria da equivalência dos antecedentes causais adotada no Código Penal
e diante da comprovação do animus necandi do agente” (STJ, HC 42.559/PE, rel. Min.
Arnaldo Esteves Lima, 5.ª Turma, j. 04.04.2006. E também: AgRg no AREsp 173.804/
MG, rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, 5.ª Turma, j. 19.09.2013)

Sobre as que não produzem por si sós o resultado, tem-se a situação tratada pelo § 1.º do art.
13 do Código Penal:

“A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação


quando, por si só, produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se
a quem os praticou”.

Nesse dispositivo foi acolhida a teoria da causalidade adequada. Logo, causa não é mais o
acontecimento que de qualquer modo concorre para o resultado. Muito pelo contrário, passa a ser
causa apenas a conduta idônea – com base em um juízo estatístico e nas regras de experiência –,
a provocar a produção do resultado naturalístico. Não basta qualquer contribuição. Exige-se uma
contribuição adequada.

Todavia, repita-se, não foi em vão a redação do § 1.º do art. 13 do Código Penal pelo legislador.
Essa regra foi ali expressamente colocada por força da preferência, nesse caso, pela teoria da
causalidade adequada.

A expressão “por si só” revela a autonomia da causa superveniente que, embora relativa, não
se encontra no mesmo curso do desenvolvimento causal da conduta praticada pelo autor.
Em outras palavras, depois do rompimento da relação de causalidade, a concausa manifesta a sua
verdadeira eficácia, produzindo o resultado por sua própria força, ou seja, invoca para si a tarefa
de concretizar o resultado naturalístico.

Portanto, no caso exposto no enunciado, a simples concorrência das lesões (de qualquer modo)
não é suficiente para a imputação do resultado material, produzido, anote-se, por uma causa idônea
e adequada, por si só, para fazê-lo.

OBS: segundo Masson,

“O art. 13, § 1.º, cuidou exclusivamente das causas supervenientes relativamente


independentes que produzem por si sós o resultado. Não falou das preexistentes nem
das concomitantes, o que é alvo de crítica por parte da doutrina especializada”.

Alternativa (D): incorreta. Segundo Victor Eduardo Rios Gonçalves (Direito penal esquematizado.
parte especial. Coordenador Pedro Lenza. 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2014, p. 393), o agente não
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responderá por latrocínio:

“Ao contrário, existem casos noticiados pela imprensa, em que o agente cometeu roubo
exclusivamente por meio de grave ameaça, apontando uma arma para a vítima, que,
diante do quadro, acabou se assustando de uma tal maneira que morreu de ataque
cardíaco. Em tal situação, na qual a morte decorreu de grave ameaça, simplesmente
não há enquadramento no tipo penal do latrocínio, devendo o ladrão responder
por roubo agravado pelo emprego de arma em concurso formal com o homicídio
culposo; o concurso é formal porque a mesma grave ameaça utilizada para roubar
foi a provocadora da morte.

Os casos mencionados pela imprensa demonstram que as vítimas fatais não eram
necessariamente pessoas com problemas cardíacos, e que a causa do infarto foi a
excessiva tensão a que foram submetidas. Daí o motivo de se dizer que existe a punição
pelo homicídio culposo por ser sempre previsível a provocação de ataque cardíaco em
tais casos, independentemente de análise de prévios problemas cardíacos por parte da
vítima.”

Alternativa (E): incorreta. Trata-se de contexto que diz respeito ao estudo das concausas e, mais
especificamente, envolve a ocorrência de causa superveniente relativamente independente.

Neste caso, se a pessoa morre pela ação posterior à colisão do ônibus com o poste tem-se um fato
superveniente à batida causada pelo motorista; ademais, o fio só se soltou por causa da batida
(relativamente à colisão, portanto); e, como consequente, a pessoa morre por choque elétrico e
não por causa da batida (o evento morte é independente da batida).

GABARITO: ALTERNATIVA (C)

PROFESSOR: BRUNO MEGNA


E-mail: profcei.brunomegna@gmail.com

DIREITO PROCESSUAL CIVIL

QUESTÃO 11. Sobre os prazos processuais da Fazenda Pública, é correto afirmar:

a) O recesso forense entre 20 de dezembro e 20 de janeiro não suspende os prazos


fazendários, pois, ressalvadas as férias individuais e os feriados instituídos por lei,
os juízes, os membros do Ministério Público, da Defensoria Pública e da Advocacia
Pública e os auxiliares da Justiça exercerão suas atribuições durante o período.

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b) O recesso forense entre 20 de dezembro e 6 de janeiro suspende os prazos das


Fazendas Públicas da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pois
se trata de feriado instituído por lei federal.

c) As Fazendas Públicas não gozam da prerrogativa do prazo em dobro nos


procedimentos dos juizados especiais, nem nos casos em que a lei lhes fixar prazo
próprio, como, por exemplo, na impugnação ao cumprimento de sentença condenatória
de obrigação de pagar.

d) As Fazendas Públicas não podem convencionar com a parte contrária prazos


diferentes do disposto em lei, pois devem respeitar o princípio da legalidade.

e) É pacífica a jurisprudência do STF no sentido de que não se aplica a prerrogativa


de prazo em dobro nas ações de controle direto de constitucionalidade, inclusive
no que se refere aos recursos extraordinários interpostos em ações diretas de
inconstitucionalidade no âmbito dos Tribunais de Justiça.

COMENTÁRIO
O Novo CPC fez importantes alterações em matéria de prazos. Extinguiu o prazo em quádruplo
para a Fazenda contestar (art. 188 do CPC/1973, revogado) e previu a contagem de prazos em
dias úteis (art. 219 do CPC/2015), por exemplo. Além disso, vale a pena memorizar alguns casos
(extraídos de CUNHA, A Fazenda Pública em juízo, 2016, p. 41-51):

Prazo Hipótese Justificativa

 Procedimento comum
CPC, art. 183, caput
Prazo em  Procedimentos previstos em legislação
dobro e jurisprudência do STF e do
extravagante que não tiver norma
STJ
contrária, e.g. mandado de segurança

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 Prazos próprios, por exemplo, o CPC, art. 183, §2º;


cumprimento de sentença de obrigação
de pagar CPC, art. 535

Lei 10.259/01, art. 9º;


 Juizados especiais
Lei 12.153/09, art. 7º

 Ação Popular: 20 dias para contestar, Lei 4.717/65, art. 7º, IV (é prazo
prorrogáveis por + 20 próprio)
Prazo simples
CPC, art. 455, §5º (é prazo fixado
 Depósito do rol de testemunhas pelo juiz de forma específica,
como se fosse próprio).

STJ (Ag 297.723/SP, DJ


14.8.2000) entende que se
 Estados estrangeiros trata de prerrogativa exclusiva
das pessoas de direito público
interno.

STF entende que as situações


 “Processos objetivos”, como os
“subjetivas” não se estendem
de controle de constitucionalidade
aos processos “objetivos”; mas
seguem prazos simples, exceto o RE em
já há julgados contrariando este
ADI ajuizado em Tribunal local
entendimento.

CPC, Art. 970 fixa prazo mínimo


Casos de 15 dias e máximo de 30 dias a
especiais ser fixado pelo relator. Trata-se
de prazo fixado especificamente
 O ajuizamento da ação rescisória
pelo juiz, razão porque há quem
segue prazo simples, mas a contestação
entenda ser prazo próprio. O
segue prazo dobrado
STJ e o STF, porém, entendem
que é possível a “dobra” do
prazo para contestar (REsp
363,780; RE 94.960).

Alternativa (A): incorreta. A Resolução CNJ 244/2016 diferencia recesso forense e suspensão de
prazos: (a) no recesso forense, não há expediente forense e também a suspensão de prazos; (b) na
suspensão de prazo, há expediente forense (exceto nos períodos de recesso). O CPC, ao afirmar
que “suspende-se o curso do prazo processual nos dias compreendidos entre 20 de dezembro e 20
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de janeiro, inclusive” (art. 220, caput), está tratando de suspensão de prazos, aplicável para todos
os sujeitos processuais, públicos ou privados. Ao afirmar que “ressalvadas as férias individuais e os
feriados instituídos por lei, os juízes, os membros do Ministério Público, da Defensoria Pública e da
Advocacia Pública e os auxiliares da Justiça exercerão suas atribuições durante o período previsto
no caput” (art. 220, §1º), está tratando do recesso forense, caso em que, além da suspensão de
prazo, há também suspensão do expediente forense. Os casos não se confundem e, portanto,
também se suspendem os prazos fazendários de 20/dez a 20/jan, conforme decidido pelo CNJ no
Procedimento de Controle Administrativo 0000218-62.2017.2.00.0000 (j. 18.1.2017).

Resolução CNJ 244/2016

Art. 1º Os Tribunais de Justiça dos Estados poderão suspender o expediente forense,


configurando o recesso judiciário no período de 20 de dezembro a 6 de janeiro, garantindo
atendimento aos casos urgentes, novos ou em curso, por meio de sistema de plantões. (...)

Art. 2º O recesso judiciário importa em suspensão não apenas do expediente forense, mas,
igualmente, dos prazos processuais e da publicação de acórdãos, sentenças e decisões,
bem como da intimação de partes ou de advogados, na primeira e segunda instâncias, exceto
com relação às medidas consideradas urgentes.

§ 1º O período equivalente ao recesso para os órgãos do Poder Judiciário da União corresponde


ao feriado previsto no inciso I do art. 62 da Lei 5.010/66, devendo também ser observado o
sistema de plantão. (...)

Art. 3º Será suspensa a contagem dos prazos processuais em todos os órgãos do Poder
Judiciário, inclusive da União, entre 20 de dezembro a 20 de janeiro, período no qual não
serão realizadas audiências e sessões de julgamento, como previsto no art. 220 do Código de
Processo Civil, independentemente da fixação ou não do recesso judiciário previsto no artigo
1º desta Resolução.

Parágrafo único. O expediente forense será executado normalmente no período de 7 a 20


de janeiro, inclusive, mesmo com a suspensão de prazos, audiências e sessões, com
o exercício, por magistrados e servidores, de suas atribuições regulares, ressalvadas férias
individuais e feriados, a teor do § 2º do art. 220 do Código de Processo Civil.

Alternativa (B): incorreta. Os feriados judiciários da União estão previstos no art. 62 da Lei
5.010/66, pelo qual “além dos fixados em lei, serão feriados na Justiça Federal, inclusive nos
Tribunais Superiores: I - os dias compreendidos entre 20 de dezembro e 6 de janeiro, inclusive;
II - os dias da Semana Santa, compreendidos entre a quarta-feira e o Domingo de Páscoa; III - os
dias de segunda e terça-feira de Carnaval; IV - os dias 11 de agosto, 1º e 2 de novembro e 8 de
dezembro”. Equivalem a recesso forense, conforme a Resolução do CNJ (supra). Não se aplica
automaticamente às Justiças Estaduais, que poderão, por norma própria, instituir o recesso forense,
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bem como as demais hipóteses de suspensão do expediente forense, caso em que haverá, por
consequência, a suspensão de prazos.

Alternativa (C): correta. De fato, nos juizados especiais, “não haverá prazo diferenciado para a
prática de qualquer ato processual pelas pessoas jurídicas de direito público, inclusive a interposição
de recursos, devendo a citação para audiência de conciliação ser efetuada com antecedência
mínima de trinta dias” (art. 9º da Lei 10.259/2001 – Juizados Federais = art. 7º da Lei 12.153/2009
– Juizados das Fazendas dos Estados e Municípios). Além disso, também é correto que “não se
aplica o benefício da contagem em dobro quando a lei estabelecer, de forma expressa, prazo
próprio para o ente público” (art. 183, §2º). Finalmente, é correto afirmar que é exemplo deste caso
a hipótese de cumprimento de sentença condenatória de obrigação de pagar, pois se trata de regra
aplicável especificamente à Fazenda, não fazendo sentido dobrar um prazo que só a ela se aplica
(é, portanto, um “prazo próprio”).

Alternativa (D): incorreta. É possível, sim, a celebração de prazos convencionais pelas Fazendas
Públicas. O entendimento atual é o de que princípio da legalidade significa a obrigação de observar
o ordenamento jurídico em seu conjunto, sistematicamente, sendo incorreto analisar textos legais
isoladamente. Ademais, é entendimento doutrinário pacífico que “a Fazenda Pública pode celebrar
negócio jurídico processual” (Enunciado 256 do Fórum Nacional dos Processualistas Civis), como,
por exemplo, o calendário processual (art. 191 do CPC, que dispõe: “de comum acordo, o juiz e as
partes podem fixar calendário para a prática dos atos processuais, quando for o caso”).

Alternativa (E): incorreta. Segundo a jurisprudência do STF: “Não se aplica, ao processo objetivo
de controle abstrato de constitucionalidade, a norma inscrita no art. 188 do CPC, cuja incidência
restringe-se, unicamente, ao domínio dos processos subjetivos, que se caracterizam pelo fato
de admitirem, em seu âmbito, a discussão de situações concretas e individuais. Precedentes.
Inexiste, desse modo, em sede de controle normativo abstrato, a possibilidade de o prazo recursal
ser computado em dobro, ainda que a parte recorrente disponha dessa prerrogativa especial nos
processos de índole subjetiva” (RE 658375 AgR, Rel. Min. Celso de Mello, 2ª Turma, DJE 24.4.2014);
mas “Aplica-se o prazo em dobro previsto no art. 188 do CPC aos recursos extraordinários interpostos
em ações diretas de inconstitucionalidade no âmbito dos Tribunais de Justiça” (ARE 661.288, Rel.
Min. Dias Toffoli, 1ª Turma, DJE 24.9.2014). O STF mantinha aquele primeiro entendimento (de
afastar o prazo dobrado) para o todo o processo objetivo de controle de constitucionalidade. Porém,
o Min. Dias Toffoli, reconhecendo que não cabe ao julgador excepcionar hipóteses que o legislador
não excepcionou expressamente, afirmou ter mudado de entendimento, especialmente em relação
ao recurso extraordinário, que é disciplinado no CPC e não em legislação própria. Assim, em
questões objetivas, é seguro afirmar que, ao menos em relação ao Recurso Extraordinário, não se
aplica (ou não é mais pacífico) o entendimento que afasta a dobra de prazo.

GABARITO: ALTERNATIVA (C)

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QUESTÃO 12. Sobre os juizados especiais fazendários, é correto afirmar:

a) O pedido de uniformização de jurisprudência será julgado pelas Turmas em conflito,


no caso de controvérsia de Turmas do mesmo Estado ou da mesma Região federal, ou,
no caso de controvérsia entre Turmas de diferentes Estados ou Regiões federais, pelo
Superior Tribunal de Justiça.

b) No âmbito dos juizados fazendários, são cabíveis os recursos inominado, de agravo


de instrumento, especial, extraordinário e de uniformização de jurisprudência.

c) Cabe ao Superior Tribunal de Justiça julgar conflito de competência entre juizado


especial federal e juízo federal da mesma sessão judiciária.

d) Ao ajuizar demanda em juizado fazendário, o autor está tacitamente manifestando


ciência de que não poderá obter condenação em valor superior a 60 salários mínimos.

e) À Lei 12.153/2009 (Lei dos Juizados das Fazendas Estaduais e Municipais) aplica-se
subsidiariamente, a Lei 10.259/2001 (Lei dos Juizados Federais), a Lei 9.099/1995 (Lei
dos Juizados Especiais) e o Código de Processo Civil.

COMENTÁRIO
Os juizados especiais têm sido responsáveis por parte importante do contencioso fazendário,
razão pela qual é assunto com altas chances de ser cobrado nos concursos. Recomenda-se leitura
atenta da legislação, bem como dos enunciados do FONAJE e do FONAJEF. A questão acima
tratou de alguns pontos relevantes, comentados a seguir.

Alternativa (A): incorreta. A frase é correta para os Juizados das Fazendas Estaduais e Municipais,
mas errada para os Juizados Federais. De acordo com a lei:

Conflito entre Turmas de


Conflito entre Turmas do mesmo/a Estados/Regiões diversas
Estado/Região ou decisão contrária a súmula
do STJ

Juizados Fazendários Turmas em conflito, sob


Estaduais (art. 18 da presidência de desembargador STJ (§3º)
Lei 12.159/2009) indicado pelo TJ local (§1º)

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“Turma [Nacional] de
Turmas em conflito, sob Uniformização [TNU],
Juizados Fazendários
presidência do Juiz Coordenador integrada por juízes de
Federais (art. 14 da
(*lembre-se que não existe Turmas Recursais, sob a
Lei 10.259/2001)
“desembargador” federal) (§1º) presidência do Coordenador
da Justiça Federal” (§2º)

Alternativa (B): incorreta. Pela Súmula 203/STJ, “não cabe recurso especial contra decisão
proferida por órgão de segundo grau dos Juizados Especiais”. A razão é o fato de que, pela
CF/1988, o recurso especial só pode ser interposto contra decisões de “tribunais”, categoria em
que não se enquadram as “Turmas” ou “Colégios Recursais” dos Juizados Especiais. Por outro
lado, a legislação criou outro instrumento, que é o pedido de uniformização de jurisprudência, cuja
natureza de recurso, contudo, é controversa. Além disso, também é controversa a possibilidade de
agravo de instrumento no procedimento dos juizados especiais, embora o entendimento majoritário
tenda para a sua admissibilidade em casos excepcionais (RODRIGUES, Marco Antonio, A Fazenda
Pública no processo civil, 2016, p. 363-369).

Alternativa (C): incorreta. O STJ mudou a posição de que era sua a competência para julgar
quaisquer conflitos de competência que envolvesse juizados federais (o fundamento era o fato de
que os juizados não se submetem hierarquicamente aos TRFs), e, hoje, adota nova posição, de
acordo com a Súmula 428/STJ: “compete ao TRF decidir os conflitos de competência entre juizado
especial federal e juízo federal da mesma sessão judiciária”.

Alternativa (D): incorreta. O valor de 60 salários-mínimos se refere ao valor da causa máximo


que a demanda deve ter no momento do ajuizamento. “É possível, entretanto, que o valor da
condenação ultrapasse tal quantia, em razão de juros e correção monetária, ou em casos de
prestações sucessivas, cujo total acumulado extrapole aquele limite” (CUNHA, 2016, p. 823).

Alternativa (E): correta. Segundo a doutrina majoritária, as leis mencionadas formam um


microssistema dos juizados fazendários, de modo que o mais coerente é aplicar às omissões
da Lei dos Juizados Fazendários estaduais, primeiro, a Lei dos Juizados Federais, já que tratam
também de Fazenda Pública, depois a Lei dos Juizados Especiais Cíveis, já que tratam do mesmo
procedimento especial, embora não tendo em vista as Fazendas Públicas e, por último, o Código
de Processo Civil, que é o menos afim entre as leis anteriores. Assim, embora o art. 27 da Lei
12.153/2009 disponha que a ela “aplica-se subsidiariamente o disposto nas Leis nos 5.869/1973
– Código de Processo Civil, 9.099/1995 e 10.259/2001”, a ordem de subsidiariedade é (CUNHA,
2016; RODRIGUES, 2016):

Lei Juizado Faz. Estadual >> Lei Juizado Federal >> Lei Juizado Especial Cível >> CPC

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GABARITO: ALTERNATIVA (E)

QUESTÃO 13. De acordo com a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de


Justiça e do Supremo Tribunal federal, é correto afirmar, EXCETO:

a) É incabível mandado de segurança contra lei em tese, mas é cabível contra lei de
efeitos concretos.

b) A impetração de mandado de segurança coletivo ou ação civil coletiva por entidade


de classe em favor dos associados independe da autorização destes, ainda quando a
pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria.

c) O mandado de segurança não é substitutivo de ação de cobrança, razão por que


a concessão de mandado de segurança não produz efeitos patrimoniais em relação
a período pretérito, os quais devem ser reclamados administrativamente ou pela via
judicial própria.

d) O Superior Tribunal de Justiça é incompetente para processar e julgar,


originariamente, mandado de segurança contra ato de órgão colegiado presidido por
Ministro de Estado.

e) O mandado de segurança constitui ação adequada para a declaração do direito à


compensação tributária, porém, é incabível o mandado de segurança para convalidar
a compensação tributária já realizada pelo contribuinte.

COMENTÁRIO
Diversas súmulas e entendimentos consolidados em repercussão geral ou em sistema de recursos
repetitivos já foram editadas/os sobre mandado de segurança, razão pela qual a jurisprudência é
particularmente importante neste tema. Listemos os principais:

Mandado de Segurança — Principais súmulas do STJ

41 – O Superior Tribunal de Justiça não tem competência para processar e julgar,


originariamente, mandado de segurança contra ato de outros tribunais ou dos Respectivos
órgãos.

105 – Na ação de mandado de segurança não se admite condenação em honorários


advocatícios.

177 – O Superior Tribunal de Justiça é incompetente para processar e julgar,


originariamente, mandado de segurança contra ato de órgão colegiado presidido por
Ministro de Estado.
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202 – A impetração de segurança por terceiro, contra ato judicial, não se condiciona à
interposição de recurso.

213 – O mandado de segurança constitui ação adequada para a declaração do direito à


compensação tributária.

376 – Compete à turma recursal processar e julgar o mandado de segurança contra ato
de juizado especial.

460 – É incabível o mandado de segurança para convalidar a compensação tributária


realizada pelo contribuinte.

Mandado de Segurança — Principais súmulas do STF

101. O mandado de segurança não substitui a ação popular.

266. Não cabe mandado de segurança contra lei em tese.

267. Não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso ou
correição.

268. Não cabe mandado de segurança contra decisão judicial com trânsito em julgado.

269. O mandado de segurança não é substitutivo de ação de cobrança.

271. Concessão de mandado de segurança não produz efeitos patrimoniais em relação


a período pretérito, os quais devem ser reclamados administrativamente ou pela via
judicial própria.

304. Decisão denegatória de mandado de segurança, não fazendo coisa julgada contra
o impetrante, não impede o uso da ação própria.

405. Denegado o mandado de segurança pela sentença, ou no julgamento do agravo,


dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida, retroagindo os efeitos da decisão
contrária.

429. A existência de recurso administrativo com efeito suspensivo não impede o uso do
mandado de segurança contra omissão da autoridade.

430. Pedido de reconsideração na via adm. não interrompe o prazo para o mandado de
segurança.

433. É competente o TRT para julgar mandado de segurança contra ato de seu presidente
em execução de sentença trabalhista.

510. Praticado o ato por autoridade, no exercício de competência delegada, contra ela
cabe o mandado de segurança ou a medida judicial.
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512. Não cabe condenação em honorários de advogado na ação de mandado de


segurança.

624. Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer originariamente de mandado


de segurança contra atos de outros tribunais.

625. Controvérsia sobre matéria de direito não impede concessão de mandado de


segurança.

626. A suspensão da liminar em mandado de segurança, salvo determinação em contrário


da decisão que a deferir, vigorará até o trânsito em julgado da decisão definitiva de
concessão da segurança ou, havendo recurso, até a sua manutenção pelo STF, desde
que o objeto da liminar deferida coincida, total ou parcialmente, com o da impetração.

629. A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor


dos associados independe da autorização destes.

630. A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda quando
a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria.

631. Extingue-se o processo de mandado de segurança se o impetrante não promove,


no prazo assinado, a citação do litisconsorte passivo necessário.

632. É constitucional lei que fixa o prazo de decadência para a impetração de MS.

701. No mandado de segurança impetrado pelo Ministério Público contra decisão


proferida em processo penal, é obrigatória a citação do réu como litisconsorte passivo.

Alternativa (A): correto. Súmula 266/STF (supra). Segundo jurisprudência pacífica, embora não
seja cabível mandado de segurança contra lei em tese, pois não geram direitos líquidos e certos.
Aliás, de acordo com a tese ficada no Tema 430 do STJ, “é incabível mandado de segurança que
tem como pedido autônomo a declaração de inconstitucionalidade de norma, por se caracterizar
mandado de segurança contra lei em tese”. Porém, “é cabível o mandado de segurança impetrado
contra os efeitos concretos de ato normativos”, já que deste caso é possível, sim, extrair direitos
líquidos e certos (AgRg no REsp 1309578, Min. Campbell Marques, DJE 24.11.2014).

Alternativa (B): incorreta. Súmula 629 e 630/STF (supra). A afirmação está correta em relação ao
mandado de segurança e errada em relação à ação civil coletiva. Ao julgar o Tema de Repercussão
Geral 82, o STF entendeu que “as entidades associativas, quando expressamente autorizadas,
têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente” (art. 5º, XXI), o
constituinte condicionou este ato à autorização expressa, em Assembleia Geral ou ato individual
dos associados. No caso do mandado de segurança coletivo, por sua vez, o constituinte não fez
tal ressalva, ao prever que “o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por: organização
sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo
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menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados” (art. 5º, LXX).

Alternativa (C): correta. Súmula 269 e 271/STF (supra). O entendimento é corroborado pelo
art. 14 da Lei 12.016/2009 (LMS) ao dispor que “o pagamento de vencimentos e vantagens
pecuniárias assegurados em sentença concessiva de mandado de segurança a servidor público da
administração (...) somente será efetuado relativamente às prestações que se vencerem a contar
da data do ajuizamento da inicial”. Anote-se, porém, que ao julgar a Repercussão Geral 394 em
23.11.2016, o STF fixou o entendimento de que a indenização prevista no Estatuto do Anistiado
Político (Lei 10.559/2002) é um caso de direito líquido e certo (ex lege), de modo que “reconhecido
o direito à anistia política, a falta de cumprimento de requisição ou determinação de providências
por parte da União, por intermédio do órgão competente, no prazo previsto nos arts. 12, § 4º, e 18,
caput e parágrafo único, da Lei nº 10.599/02, caracteriza ilegalidade e violação de direito líquido e
certo” (RE 553.710, Min. Dias Toffoli, DJE 24.11.2016).

Alternativa (D): correta. Súmula 177/STJ; Súmula 624/STF (supra). O entendimento adotado é
a interpretação restritiva das hipóteses constitucionalmente previstas de competência originária
dos Tribunais Superiores em sede de mandado de segurança. Para o STJ, isso significa que sua
competência originária para julgar mandado de segurança contra Ministro se restringe aos seus
atos pessoais, praticados individualmente nesta condição, não se estendendo às hipóteses em
que, por exemplo, preside órgãos colegiados, como ocorre no Fundo do FGTS, nas reuniões do
CONFAZ, no CMN ou até no Conselho Superior da Advocacia Geral da União (AgRg no MS 12412,
Rel. Min. Neffi Cordeiro, DJE 17.09.2015).

CF, Art. 102. Compete ao STF (...):

I – processar e julgar, originalmente: d) o habeas corpus, sendo paciente qualquer das


pessoas referidas nas alíneas anteriores; o mandado de segurança e o habeas data
contra atos do Presidente da República, das Mesas da Câmara dos Deputados e do
Senado Federal, do TCU, do PGR e do próprio STF; (...)

II – julgar, em recurso ordinário: a) o habeas corpus, o mandado de segurança, o


habeas data e o mandado de injunção decididos em única instância pelos Tribunais
Superiores, se denegatória a decisão;

Art. 105. Compete ao STJ (...):

I – processar e julgar, originalmente: b) os mandados de segurança e os habeas data


contra ato de Ministro de Estado, dos Comandantes da Marinha, do Exército e da
Aeronáutica ou do próprio Tribunal;

II – julgar, em recurso ordinário: b) os mandados de segurança decididos em única


instância pelos TRFs ou pelos TJs, quando denegatória a decisão;

Alternativa (E): correta. Súmulas 213 e 460/STJ (supra). A compensação tributária é feita em
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situações em que o contribuinte tem crédito contra a Fazenda e está autorizado por lei a abater
este débito da Fazenda na ocasião de pagar outro tributo. Em geral, o contribuinte se autocredita,
em lançamento por homologação. Antes de se autocreditar, é possível a declaração judicial sobre
a controvérsia de direito a respeito dos critérios que dão ao contribuinte o direito à compensação
(e.g. declaração de que o produto X se enquadra na lista Y que reconhece sobre ele incide a
regra de não-cumulatividade do ICMS, gerando crédito para o futuro). No entanto, depois que
o contribuinte faz o autolançamento, deve-se aguardar a apreciação da Administração, primeiro
porque o Judiciário não pode substituí-la na função de homologar lançamentos; segundo porque
o caso demandaria dilação probatória inadmissível em mandado de segurança (Tema 258 dos
Recursos Repetitivos; REsp 1124537 SP, Rel. Min. Luiz Fux, DJE 18.12.2009).

GABARITO: ALTERNATIVA (B)

DIREITO EMPRESARIAL

QUESTÃO 14. Sobre as sociedades por ações, é correto afirmar:

a) Sem prejuízo de leis federais especiais, às sociedades de economia mista aplicam-


se a Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/1976) e, quando abertas, as normas da
Comissão de Valores Mobiliários (Lei 6.385/1976), as quais se aplicam também às
sociedades de economia mista fechada e às empresas públicas no que se refere à
elaboração das demonstrações financeiras.

b) Sem prejuízo de leis federais especiais, a Lei das Sociedades por Ações (Lei
6.404/1976) e as normas da Comissão de Valores Mobiliários (Lei 6.385/1976) aplicam-
se, integralmente, às sociedades de economista mista de capital aberto e, apenas no
que se refere às regras de escrituração e elaboração de demonstrações financeiras,
às sociedades de economia mista de capital fechado, às empresas públicas e suas
respectivas subsidiárias.

c) Antes da distribuição de dividendos, a companhia é obrigada a reservar 5% do lucro


líquido do exercício, até o limite de 20% do capital social, para eventual compensação
de prejuízos, aumento do capital social ou distribuição aos acionistas.

d) As subvenções governamentais não são consideradas receitas e não integram o


capital das companhias para fins de tributação e de distribuição de dividendos.

e) A companhia é livre para decidir sobre a destinação do seu resultado, podendo


destiná-lo integralmente para a distribuição dos acionistas ou apropriá-los em reservas
sociais ou em capitalização.
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COMENTÁRIO
Alternativa (A): correta. A afirmação é extraída da conjugação de duas leis:

Lei 6.404/1976, Art. 235. As sociedades anônimas de economia mista estão sujeitas a
esta Lei, sem prejuízo das disposições especiais de lei federal.

§ 1º As companhias abertas de economia mista estão também sujeitas às normas


expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários.
§ 2º As companhias de que participarem, majoritária ou minoritariamente, as
sociedades de economia mista, estão sujeitas ao disposto nesta Lei, sem as
exceções previstas neste Capítulo.

Lei 13.303/2016, Art. 5º A sociedade de economia mista será constituída sob a


forma de sociedade anônima e, ressalvado o disposto nesta Lei, estará sujeita ao
regime previsto na Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976.

Art. 7º Aplicam-se a todas as empresas públicas, as sociedades de economia


mista de capital fechado e as suas subsidiárias as disposições da Lei no 6.404, de
15 de dezembro de 1976, e as normas da Comissão de Valores Mobiliários sobre
escrituração e elaboração de demonstrações financeiras, inclusive a obrigatoriedade
de auditoria independente por auditor registrado nesse órgão.

Portanto:

Lei das SA Normas da CVM

Soc. Econ. Mista


integral, salvo lei federal integral, salvo lei federal
aberta

Soc. Econ. Mista normas de escrituração e


integral, salvo lei federal
fechada demonstração financeira

normas de escrituração e normas de escrituração e


Empresa Pública
demonstração financeira demonstração financeira

Alternativa (B): incorreta. A Lei das SA é aplicada integralmente (ressalvadas disposições


especiais da lei federal) às sociedades de economia mista fechada; não apenas em relação às
demonstrações contábeis. Ver quadro acima.

Alternativa (C): incorreta. O erro está na possibilidade de reserva legal “para distribuição aos
acionistas”, pois é contraditório afirmar que se deve reservar um valor para distribuí-lo: ou um,
ou outro (exceto no caso da reserva de lucros futuros, caso em que os lucros ainda não foram
realizados e, por isso, faz-se a reserva para que o pagamento se dê quando do implemento desta
condição). A hipótese trata da reserva legal, prevista no art. 193 da LSA, pelo segundo o qual “:
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Art. 193. Do lucro líquido do exercício, 5% serão aplicados, antes de qualquer outra
destinação, na constituição da reserva legal, que não excederá de 20% do capital
social.
§ 1º A companhia poderá deixar de constituir a reserva legal no exercício em que
o saldo dessa reserva, acrescido do montante das reservas de capital de que
trata o § 1º do artigo 182 [contribuições dos subscritores de ações e produtos
da alienação de bônus de subscrição e partes beneficiárias], exceder de 30% do
capital social.

§ 2º A reserva legal tem por fim assegurar a integridade do capital social e somente
poderá ser utilizada para compensar prejuízos ou aumentar o capital.

Existem 5 tipos de reservas da companhia:

Para assegurar a integridade do KS, só pode ser usada para compensar


Reserva Legal
prejuízos ou aumentar o KS (= 5% do Lucro Liq. anual até o limite de 20% do
(art. 193)
KS, exceto no ano em que a reserva legal + reserva de capital > 30% do KS).

Reserva Para conferir liquidez adicional, é criada pelo estatuto, que preverá (i) a
Estatutária finalidade; (ii) a parcela anual de lucro líquido que será sua fonte; (iii) o limite
(art. 194) máximo.

Reserva de
Para cobrir obrigação futura e incerta; aprovada em Assembleia Geral por
Contingência
proposta dos administradores que indicarão suas razões.
(art. 195)

Reserva de
Substituiu a revogada reserva de subvenções, que excluía subvenções das
Incentivos
receitas tributáveis e da base de dividendos. Hoje, a reserva de incentivos
Fiscais (art.
fiscais apenas a exclui da base de dividendos.
195-A)

Reserva de
Retenção de Para financiar, com os próprios lucros, os investimentos da companhia,
Lucros (art. normalmente a serem executados ao longo de mais de um exercício.
196)

Reserva de
Para absorção de perdas em exercícios subsequentes ou para pagamento de
Lucros a
dividendo obrigatório sobre lucro decorrente de créditos ainda não satisfeitos
Realizar (art.
da companhia.
197)

*KS = Capital Social

Alternativa (D): incorreta. Foi revogada a reserva de subvenções, pela qual as subvenções
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governamentais (dinheiro transferidos para empresas para fomentar a projetos relevantes) não
eram contabilizadas como receita, de modo que, de um lado, não poderiam ser distribuídas como
dividendos, mas, por outro lado, não incidia tributo sobre a subvenção dada pelo próprio Estado.
Esta possibilidade foi revogada em 2007 e, a partir de 2008, não há mais esse benefício: hoje, as
subvenções podem ser distribuídas como dividendos, exceto se reservadas, voluntariamente, pela
assembleia geral, na reserva de incentivos fiscais.

Art. 195-A. A assembleia geral poderá, por proposta dos órgãos de administração,
destinar para a reserva de incentivos fiscais a parcela do lucro líquido decorrente de
doações ou subvenções governamentais para investimentos, que poderá ser excluída
da base de cálculo do dividendo obrigatório (inciso I do caput do art. 202 desta Lei).

Alternativa (E): incorreta. “A companhia não é inteiramente livre para decidir sobre a destinação
do seu resultado. Os lucros líquidos da sociedade anônima podem ter três destinos possíveis:
distribuição aos acionistas, apropriação em reserva ou capitalização”. Existe, contudo, uma parcela
de dividendo obrigatório, cujo montante é o previsto no estatuto ou, se omisso, equivalerá à
metade do lucro líquido ajustado, isto é, “o lucro líquido do exercício menos as partes destinadas
à reserva legal e mais a reversão da reserva para contingências” (COELHO, Fabio Olho, Curso de
Direito Comercial, vol. 2, 2014, p. 361).

GABARITO: ALTERNATIVA (A)

QUESTÃO 15. De acordo com a jurisprudência consolidada do STJ, é correto afirmar,


exceto:

a) É lícita a conversão do processo falimentar em rito cobrança para apurar questões


alusivas à existência e à exigibilidade da dívida cobrada, sem que isso configure
utilização abusiva da via falimentar como sucedâneo de execução ou de ação de
cobrança.

b) A natureza trabalhista do crédito não impede que o credor requeira a falência do


devedor.

c) A recuperação judicial do devedor principal não impede o prosseguimento das


ações e execuções ajuizadas contra terceiros devedores solidários ou coobrigados
em geral, por garantia cambial, real ou fidejussória.

d) Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange


apenas os tributos devidos pela sucedida, mas não as multas moratórias ou punitivas
referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão.

e) A sucessão, por incorporação, de empresas, determina a extinção da personalidade


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jurídica da incorporada, com a transmissão de seus direitos e obrigações à


incorporadora.

COMENTÁRIO
Alternativa (A): correto. Se houver pedido de falência e o devedor quitar o valor cobrado pelo
requerente (depósito elisivo), dá-se a conversão do pedido de falência em ação de cobrança
ou execução. Em geral, entendia-se que “o processo de falência não deve ser desvirtuado para
servir de instrumento de coação para a cobrança de dívidas”, em razão dos “graves resultados que
decorrem da quebra da empresa”, de modo que seria abusiva esta prática. No entanto, isso ocorria
porque a legislação anterior não estabelecia limites mínimos para o requerimento de falência,
banalizando este pedido. Na atual Lei 11.101/2005, há limite (40 salários-mínimos), razão pela
qual o STJ adotou nova posição, no sentido que o legislador já fez a ponderação de que, acima
deste valor, a cobrança não é abusiva. (REsp 1.433.652, Min. Luiz Felipe Salomão, j. 18.9.2014,
Info. 550).

Lei 11.101/2005, Art. 94. Será decretada a falência do devedor que:

I – sem relevante razão de direito, não paga, no vencimento, obrigação líquida


materializada em título ou títulos executivos protestados cuja soma ultrapasse o
equivalente a 40 (quarenta) salários-mínimos na data do pedido de falência;

II – executado por qualquer quantia líquida, não paga, não deposita e não nomeia à
penhora bens suficientes dentro do prazo legal;

III – pratica qualquer dos seguintes atos, exceto se fizer parte de plano de recuperação
judicial: [“atos de falência”]

a) procede à liquidação precipitada de seus ativos ou lança mão de meio ruinoso ou


fraudulento para realizar pagamentos;

b) realiza ou, por atos inequívocos, tenta realizar, com o objetivo de retardar pagamentos
ou fraudar credores, negócio simulado ou alienação de parte ou da totalidade de seu
ativo a terceiro, credor ou não;

c) transfere estabelecimento a terceiro, credor ou não, sem o consentimento de


todos os credores e sem ficar com bens suficientes para solver seu passivo;

d) simula a transferência de seu principal estabelecimento com o objetivo de burlar


a legislação ou a fiscalização ou para prejudicar credor;

e) dá ou reforça garantia a credor por dívida contraída anteriormente sem ficar com
bens livres e desembaraçados suficientes para saldar seu passivo;

f) ausenta-se sem deixar representante habilitado e com recursos suficientes para pagar
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os credores, abandona estabelecimento ou tenta ocultar-se de seu domicílio, do


local de sua sede ou de seu principal estabelecimento;

g) deixa de cumprir, no prazo estabelecido, obrigação assumida no plano de


recuperação judicial.

Art. 98. Citado, o devedor poderá apresentar contestação no prazo de 10 (dez) dias.

Parágrafo único. Nos pedidos baseados nos incisos I e II do caput do art. 94 desta
Lei, o devedor poderá, no prazo da contestação, depositar o valor correspondente
ao total do crédito, acrescido de correção monetária, juros e honorários advocatícios,
hipótese em que a falência não será decretada e, caso julgado procedente o pedido de
falência, o juiz ordenará o levantamento do valor pelo autor. [“depósito elisivo”]

Alternativa (B): correto. “A natureza trabalhista do crédito não impede que o credor requeira a
falência do devedor. Da análise do art. 97, IV, da Lei n. 11.101/2005, verifica-se que o legislador
conferiu ampla legitimidade ativa para o requerimento de decretação de falência do devedor, de
modo que, em princípio, estarão todos os credores aptos a fazê-lo. Nessa linha, há doutrina no
sentido de que o credor “é, por excelência, o titular da relação jurídica falimentar. [...] A lei não
distingue entre dívida civil, comercial, trabalhista ou fiscal, importando, isso sim, que seja líquida,
dando ensejo, repita-se, à ação executiva” (REsp 1.544.267, Min. Villas Boas Cueva, Inf. 589, DJE
6.9.2016).

Art. 97. Podem requerer a falência do devedor:

I – o próprio devedor, na forma do disposto nos arts. 105 a 107 desta Lei;

II – o cônjuge sobrevivente, qualquer herdeiro do devedor ou o inventariante;

III – o cotista ou o acionista do devedor na forma da lei ou do ato constitutivo da soci.


dde;

IV – qualquer credor.

Alternativa (C): correto. É o teor da Súmula 581/STJ, DJE 19.9.2016. A explicação é que “o plano
de recuperação judicial implica novação dos créditos anteriores ao pedido, e obriga [apenas] o
devedor e todos os credores a ele sujeitos, sem prejuízo das garantias” (art. 59 da Lei 11.101/2005)
(AgRg no AgRg no AREsp 641967 RS, Min. Otávio de Noronha, DJE 28.3.2016).

Alternativa (D): incorreto. Pela Súmula 554/STJ, DJE 15.12.2015, “Na hipótese de sucessão
empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela
sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos
até a data da sucessão”. Argumentava-se que as multas de natureza punitiva eram de caráter
individual, personalíssimo, e que as penas não poderiam passar da pessoa punida. Contudo,
em âmbito cível, “tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da
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obrigação principal fazem parte do patrimônio (direitos e obrigações) da empresa incorporada que
se transfere ao incorporador, de modo que não pode ser cingida a sua cobrança, até porque a
sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. [...]” (EDcl no REsp 923012MG,
Rel. Napoleão Nunes Maio Filho, DJE 24.4.2013).

Alternativa (E): correto. Tese fixada no Tema Repetitivo 551 do STJ (RESP 1.322.624, Min. Tarso
Sanseverino, DJE 25.6.2013), em que se reconheceu a legitimidade passiva da Brasil Telecom
para responder pelos atos da Telesc, independentemente de se referir a obrigações anteriores à
incorporação, ante a sucessão empresarial. De acordo com a Lei 6.404/1976:

Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais


Incorporação A+BA sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos
os direitos e obrigações.

Art. 228. A fusão é a operação pela qual se unem duas ou mais


Fusão A+BC sociedades para formar sociedade nova, que lhes sucederá em
todos os direitos e obrigações.

Art. 233. Na cisão com extinção da companhia cindida, as


sociedades que absorverem parcelas do seu patrimônio
responderão solidariamente pelas obrigações da companhia
Cisão Total ABeC
extinta. A companhia cindida que subsistir e as que absorverem
parcelas do seu patrimônio responderão solidariamente pelas
obrigações da primeira anteriores à cisão.

Parágrafo único. O ato de cisão parcial poderá estipular que


as ... cindida serão responsáveis apenas pelas obrigações que
lhes forem transferidas, sem solidariedade ..., mas, nesse
Cisão Parcial AAeB
caso, qualquer credor anterior poderá se opor, em relação
ao seu crédito, desde que notifique a sociedade em 90 dias da
publicação dos atos.

GABARITO: ALTERNATIVA (D)

PROFESSOR: RODOLFO CURSINO


E-mail: profcei.rodolfocursino@gmail.com

DIREITO TRIBUTÁRIO

QUESTÃO 16. Acerca do tema Processo Judicial Tributário, assinale a alternativa


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correta:

a) Apesar da regulamentação trazida pela Lei de Execução Fiscal (Lei nº 6830/80), a


aplicação do Novo Código de Processo Civil ao Processo Judicial Tributário acarretou
a desnecessidade de prévia penhora ou garantia do juízo para oposição dos embargos
à execução fiscal.

b) Partindo-se da premissa de que a execução fiscal tem por base a Certidão de Dívida
Ativa, ou seja, um título executivo constituído unilateralmente pela Administração, o
Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que os embargos à execução
fiscal gozam, como regra, de efeito suspensivo.

c) Inexistindo previsão legal específica, a doutrina e a jurisprudência pátria se firmaram


no sentido de que, a depender da situação, é possível a interposição de agravo de
instrumento ou de recurso de apelação em face de decisório que julgar a exceção de
pré-executividade.

d) A utilização do Mandado de Segurança no âmbito tributário constitui verdadeira


exceção à regra geral, uma vez que possibilita, além do reconhecimento do direito
líquido e certo, a efetiva cobrança, nos autos, de importâncias patrimoniais dele
decorrentes.

e) Conforme orientação doutrinária majoritária, em regra, o ajuizamento da ação


declaratória tributária deve ocorrer quando já houver crédito tributário devidamente
constituído.

COMENTÁRIO

O tema Processo Judicial Tributário é recorrente em todos os concursos para Procuradorias. Além
de sua cobrança em questões objetivas, seu conhecimento é exigido, com profundidade, em
diversas peças práticas e questões subjetivas. Na questão, objetivamos fazer uma revisão geral
de pontos importantes das principais ações e incidentes que podem ser utilizados pelo contribuinte.
Vejamos as assertivas para aprofundarmos os comentários:

Alternativa (A): incorreta. No âmbito doutrinário e jurisprudencial, sempre se discutiu a legislação


aplicável aos embargos à execução fiscal, sobretudo diante das diferenças existentes no regime
de execução trazido pela Lei de Execução Fiscal (Lei nº 6830/80) e pelo Código de Processo Civil.

No que tange à necessidade de garantia do juízo ou penhora, por exemplo, nota-se que o Código
de Processo Civil de 2015 prevê, em seu artigo 914, a possibilidade de oposição de embargos
independentemente de prévia garantia ou penhora, ao passo em que a Lei de Execução Fiscal traz,
em seu artigo 16, §1º, a garantia da execução como condição de procedibilidade dos embargos à
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execução fiscal. Vejamos os dispositivos:

CPC - Art. 914. O executado, independentemente de penhora, depósito ou caução,


poderá se opor à execução por meio de embargos.

LEF Art. 16 - O executado oferecerá embargos, no prazo de 30 (trinta) dias, contados:


(...)

§ 1º - Não são admissíveis embargos do executado antes de garantida a execução.

Ocorre que a doutrina majoritária e a jurisprudência pátria já se posicionaram no sentido de que a


Lei de Execução Fiscal constitui um microssistema normativo próprio, apenas lhe sendo aplicável
o CPC de forma subsidiária, ou seja, quando não possuir previsão legal própria sobre determinado
tema. Destarte, uma vez que a Lei de Execuções Fiscais prevê expressamente a necessidade de
prévia garantia ou penhora para oposição dos embargos à execução fiscal, não se aplica a regra
trazida pelo Código de Processo Civil.

Sobre o tema, inclusive, ao analisar o Código de Processo Civil de 1973, que possui disposição
semelhante ao artigo 914 acima transcrito, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar Recurso
Especial Repetitivo, manifestou-se pela especialidade da LEF, conforme se denota do trecho da
ementa abaixo destacado:

“6. Em atenção ao princípio da especialidade da LEF, mantido com a reforma do CPC/73,


a nova redação do art. 736, do CPC dada pela Lei n. 11.382/2006 - artigo que dispensa a
garantia como condicionante dos embargos - não se aplica às execuções fiscais diante
da presença de dispositivo específico, qual seja o art. 16, §1º da Lei n. 6.830/80, que
exige expressamente a garantia para a apresentação dos embargos à execução fiscal”.
(REsp 1272827/PE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO,
julgado em 22/05/2013, DJe 31/05/2013)

\Alternativa (B): incorreta. A atribuição ou não de efeito suspensivo aos embargos à execução
fiscal decorre de discussão semelhante à traçada no item A, em que se deve verificar a aplicação
do microssistema normativo da Lei de Execução Fiscal ou o disposto no Código de Processo Civil.

Ocorre que, diferentemente da explicação acima realizada, no que tange aos efeitos dos embargos
à execução fiscal, a Lei de Execuções Fiscais é omissa, de forma que a matéria é regida pelo
Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária. Neste contexto, em seu artigo 919, o CPC
prevê como regra a ausência de efeito suspensivo, que só poderá ser concedido quando houver
a) requerimento expresso do embargante; b) a garantia da execução por depósito, caução ou
penhora suficientes; e c) o preenchimento dos requisitos para concessão da tutela provisória, que,
segundo o artigo 300, do Código de Processo Civil, sendo esta de urgência, é caracterizada por
elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo do dano ou o risco ao resultado útil
do processo. Vejamos o artigo:
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CPC - Art. 919. Os embargos à execução não terão efeito suspensivo.

§ 1º O juiz poderá, a requerimento do embargante, atribuir efeito suspensivo aos


embargos quando verificados os requisitos para a concessão da tutela provisória e
desde que a execução já esteja garantida por penhora, depósito ou caução suficientes.

Neste sentido, inclusive, firmou-se o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, ao julgar


Recurso Especial sob a sistemática dos recursos repetitivos, analisando semelhante previsão
do Código de Processo Civil de 1973. Pela importância do tema, indicamos a leitura integral do
julgado. Destacamos os seguintes trechos da ementa:

“4. Desta feita, à luz de uma interpretação histórica e dos princípios que nortearam
as várias reformas nos feitos executivos da Fazenda Pública e no próprio Código de
Processo Civil de 1973, mormente a eficácia material do feito executivo a primazia
do crédito público sobre o privado e a especialidade das execuções fiscais, é ilógico
concluir que a Lei n. 6.830 de 22 de setembro de 1980 - Lei de Execuções Fiscais -
LEF e o art. 53, §4º da Lei n. 8.212, de 24 de julho de 1991, foram em algum momento
ou são incompatíveis com a ausência de efeito suspensivo aos embargos do devedor.
Isto porque quanto ao regime dos embargos do devedor invocavam - com derrogações
específicas sempre no sentido de dar maiores garantias ao crédito público - a aplicação
subsidiária do disposto no CPC/73 que tinha redação dúbia a respeito, admitindo diversas
interpretações doutrinárias.

5. Desse modo, tanto a Lei n. 6.830/80 - LEF quanto o art. 53, §4º da Lei n. 8.212/91 não
fizeram a opção por um ou outro regime, isto é, são compatíveis com a atribuição de efeito
suspensivo ou não aos embargos do devedor. Por essa razão, não se incompatibilizam
com o art. 739-A do CPC/73 (introduzido pela Lei 11.382/2006) que condiciona a atribuição
de efeitos suspensivos aos embargos do devedor ao cumprimento de três requisitos:
apresentação de garantia; verificação pelo juiz da relevância da fundamentação (fumus
boni juris) e perigo de dano irreparável ou de difícil reparação (periculum in mora).

(REsp 1272827/PE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO,


julgado em 22/05/2013, DJe 31/05/2013)

Frise-se, por fim, que o fato de que a execução fiscal se baseia em um título executivo constituído
unilateralmente pela Administração fora utilizado pelo Conselho Federal da OAB, na ADI 5165,
como um dos argumentos para justificar a necessidade de efeito suspensivo, como regra, aos
embargos à execução fiscal, buscando-se, pela ação, a declaração de inconstitucionalidade parcial
sem redução de texto do art. 739-A e parágrafos, do CPC de 1973, com o intuito de somente serem
aplicados às execuções no âmbito cível, e não mais às execuções fiscais, sendo que ainda não
houve julgamento pelo Supremo Tribunal Federal.

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Alternativa (C): correta. A exceção de pré-executividade, também conhecida como objeção de


pré-executividade, consiste, em linhas gerais, em uma simples manifestação nos próprios autos
da execução fiscal, em que o executado (excipiente) alega determinadas matérias de defesa. Tal
instituto, que deriva de criação doutrinária e jurisprudencial, possui grande uso no âmbito tributário,
sobretudo diante da necessidade de garantia do juízo para oposição dos embargos à execução
fiscal.

Isto porque, tratando-se de simples manifestação judicial nos autos da execução, não se faz
necessária qualquer formalidade ou apresentação de garantia. Por outro lado, a utilização do
instituto é limitada às situações em que o feito executivo goze de algum vício processual que possa
ser conhecido de ofício pelo Juízo (daí o nome objeção de pré-executividade) e não demande
dilação probatória. Atualmente, o instituto se encontra reconhecido pela Súmula nº 393/STJ:

Súmula nº 393/STJ: A exceção de pré-executividade é admissível na execução fiscal


relativamente às matérias conhecíveis de ofício que não demandem dilação probatória.

Um traço interessante da exceção de pré-executividade é o recurso que pode ser manejado em


face do decisório que a julgar. Neste contexto, a doutrina e a jurisprudência majoritária se firmaram
no sentido de que, se acolhidos os argumentos da exceção de pré-executividade, ocasionando uma
sentença terminativa (pelo reconhecimento da prescrição da pretensão, por exemplo), o recurso
cabível será o de apelação. Por outro lado, rejeitada a exceção ou, acaso acolhida, seja proferida
decisão que não seja terminativa do feito (como ocorre no reconhecimento de pagamento parcial
ou da ilegitimidade passiva do sócio excipiente, por exemplo), a decisão tem natureza de decisão
interlocutória, sendo recorrida por meio de agravo de instrumento.

Alternativa (D): incorreta. O Mandado de Segurança é de grande utilização na seara tributária,


sobretudo quando se questiona atos praticados em fiscalização, na concessão de certidões ou no
próprio procedimento de constituição do crédito tributário.

Seja no âmbito tributário ou não, o Mandado de Segurança não pode ser utilizado como ação
de cobrança, não sendo possível, assim, em seu bojo, proceder à cobrança de importâncias
patrimoniais. Neste sentido, dispõe a Súmula 269/STF que “o mandado de segurança não é
substitutivo de ação de cobrança”. No mesmo contexto, pela Súmula 271/STF, “a concessão de
mandado de segurança não produz efeitos patrimoniais em relação a período pretérito, os quais
devem ser reclamados administrativamente ou pela via judicial própria”.

Assim, os eventuais efeitos patrimoniais decorrentes do reconhecimento do direito líquido e


certo em mandado de segurança, ainda que no âmbito tributário, devem ser cobrados no âmbito
administrativo ou em via judicial própria, mas nunca no bojo da ação de mandado de segurança.

Alternativa (E): incorreta. Dentre as ações mais utilizadas pelo contribuinte no âmbito tributário
se enquadram a ação anulatória ou declaratória, conhecidas como modalidades de defesas
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heterotópicas (em que se busca uma defesa da execução fora do bojo do procedimento executivo).
Enquanto a ação anulatória visa anular uma relação jurídica existente, a ação declaratória tem por
objeto declarar a inexistência de uma relação jurídica.

Neste contexto, na seara tributária, a doutrina majoritária firmou como um dos critérios diferenciadores
da ação anulatória e da ação declaratória, além de seus objetos, como acima mencionado, a
constituição ou não do crédito tributário. Uma vez constituído, visa-se anular o ato do lançamento
(ação anulatória). Ainda não havendo sua constituição, é mais comum o ajuizamento da ação
declaratória.

GABARITO: ALTERNATIVA (C)

QUESTÃO 17. No ordenamento jurídico brasileiro, a transmissão de imóveis pode


resultar na cobrança de tributos municipais e estaduais. Sobre o ITBI e o ITCMD, julgue os
seguintes itens:

I. Tratando-se de bem imóvel transmitido em razão de sucessão causa mortis e


situado em território brasileiro, em regra, o recolhimento do imposto caberá ao Estado
onde se processar o inventário ou o arrolamento de bens.

II. Para o Supremo Tribunal Federal, o ITCMD, na transmissão causa mortis, é


calculado sobre o valor dos bens da na data da avaliação, com base na alíquota vigente
ao tempo da abertura da sucessão.

III. Conforme diferenciação feita pela Constituição Federal de 1988, ao passo em


que incide ITCMD nos casos de transmissão causa mortis de bens imóveis e direitos,
incidirá ITBI sempre que a transmissão for por atos inter vivos.

IV. É possível afirmar que não incidirá nenhum dos dois impostos em caso de
transmissão de imóvel decorrente de reforma agrária.

Assinale a única alternativa em todos os itens se encontram corretos:

a) I, II e IV.

b) II e IV.

c) I e IV.

d) III e IV.

e) I , II e III.
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COMENTÁRIO

Ingressamos, aqui, no estudo das características gerais do ITBI e ITCMD, tributos, respectivamente,
municipal e estadual, com grande probabilidade de cobrança em provas de procuradorias, com
maior ênfase nos concursos de Procuradorias Municipais e Estaduais.

Ao passo em que o ITCMD incide sobre a transmissão causa mortis (ou seja, em decorrência de
herança ou testamento) e doação (transmissão gratuita) de quaisquer bens ou direitos, o ITBI
incide na transmissão “inter vivos” e por ato oneroso de bens imóveis, por natureza ou acessão
física, e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de direitos a sua
aquisição.

Vejamos as assertivas para aprofundarmos os comentários:

Item (I): incorreta. Como mencionado, em caso de transmissão causa mortis, incide a cobrança do
ITCMD, tributo estadual, para o qual a própria Constituição Federal de 1988, em seu artigo 155,
§1º, estabelece regras para sua cobrança:

Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993)

I - transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos;

§ 1º O imposto previsto no inciso I: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de


1993)

I - relativamente a bens imóveis e respectivos direitos, compete ao Estado da situação


do bem, ou ao Distrito Federal

II - relativamente a bens móveis, títulos e créditos, compete ao Estado onde se processar


o inventário ou arrolamento, ou tiver domicílio o doador, ou ao Distrito Federal;

III - terá competência para sua instituição regulada por lei complementar:

a) se o doador tiver domicilio ou residência no exterior;

b) se o de cujus possuía bens, era residente ou domiciliado ou teve o seu inventário


processado no exterior;

Neste contexto, na cobrança do ITCMD, sempre que se tratar de bem imóvel, será devido ao
Estado de situação dos bens, seja decorrente de transmissão causa mortis ou doação, exceto
quando a situação envolver o exterior, ou seja, quando se encontrarem os bens no exterior, lá tiver
sido processado o inventário ou lá residir ou possuir domicílio o de cujus ou o doador, casos em
que a regulamentação ocorrerá por Lei Complementar, conforme inciso III do mesmo parágrafo
supracitado.
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Item (II): correta. A assertiva trouxe uma mescla dos principais entendimentos jurisprudenciais do
Supremo Tribunal Federal sobre o tema do ITCMD. Para facilitar a memorização, destacamos as
seguintes súmulas:

SÚMULA 112 “O imposto de transmissão causa mortis é devido pela alíquota vigente ao
tempo da abertura da sucessão”.

SÚMULA 113 “o imposto de transmissão causa mortis é calculado sobre o valor dos
bens na data da avaliação”.

SÚMULA 114 “o imposto de transmissão causa mortis não é exigível antes da


homologação do cálculo”.

Ou seja, conforme definido pelo Supremo Tribunal Federal, a cobrança do ITCMD deve levar em
consideração, em sua base de cálculo, o valor dos bens a serem transmitidos na data da avaliação,
sobre ele incidindo a alíquota vigente na data da abertura da sucessão, e só pode ser exigida após
a homologação do respectivo cálculo.

Item (III): incorreta. Conforme acima explicado, além da transmissão causa mortis, também incidirá
ITCMD nos casos de transmissão a título gratuito (doação) de bens e direitos. Assim, deve-se
fazer a seguinte distinção para os casos de transmissão de bens imóveis e direitos a ele relativos.
1) Transmissão causa mortis: incide ITCMD; 2) Transmissão inter vivos: deve-se diferenciar se foi
onerosa (ITBI) ou gratuita (ITCMD). Para facilitar a aprendizagem, válida a leitura da tabela abaixo.

Item (IV): correta. Para responder a assertiva, é necessário o conhecimento da regra de imunidade
trazida pela Constituição Federal de 1988, que, com o intuito de estimular a política fundiária,
prevê, em seu artigo 184, §5º, a imunidade de impostos federais, estaduais e municipais sobre as
operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária.

Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma
agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e
justa indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor
real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e
cuja utilização será definida em lei.

§ 5º São isentas de impostos federais, estaduais e municipais as operações de


transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária.

Assim, embora, em regra, incida ITCMD ou ITBI na transmissão de bens imóveis, sua incidência
não ocorre em caso de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária, por expressa previsão
constitucional.

Para facilitar a memorização de alguns aspectos abordados na questão, vejamos os seguintes


quadros:
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Diferenças entre ITCMD e ITBI

ITCMD ITBI

Estadual (art. 155, §1º, CF) Municipal (art. 156, II, CF)

Transmissão “causa mortis” Transmissão “inter vivos”

Doação Transmissão por ato oneroso

Bens imóveis, por natureza ou acessão


física, e direitos reais sobre imóveis, exceto
Quaisquer bens ou direitos
os de garantia, bem como cessão de direitos
a sua aquisição.

Arrecadação do ITCMD

BENS ITCMD causa mortis ITCMD doação

Estado de Localização do Estado de Localização do


IMÓVEIS
bem bem

Estado do inventário ou Estado do domicílio do


MÓVEIS
arrolamento doador

De cujus possuía bens, era


residente ou domiciliado
ITCMD terá competência ou teve seu inventário Doador com domicílio ou
regulamentada por LC: processado no exterior. residência no exterior

GABARITO: ALTERNATIVA (B)

DIREITO AMBIENTAL

QUESTÃO 18. Sobre a proteção da Fauna e da Flora, assinale a alternativa incorreta:

a) Prevalece no ordenamento jurídico brasileiro a visão antropocêntrica do direito


ambiental, a partir da qual a natureza seria um bem coletivo essencial e que deve ser
preservado como garantia da sobrevivência e do bem-estar do homem.

b) É dever constitucional imposto ao Poder Público proteger a fauna e a flora, vedadas,


na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem

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a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade.

c) O Supremo Tribunal Federal, ao sopesar o dever de preservação das espécies ou


da vedação às práticas de crueldade e o direito à manifestação cultural, entendeu, pela
inconstitucionalidade de lei estadual que regulamentava a prática da vaquejada.

d) Ao analisar a prática cultural denominada “rinha de galos”, o Supremo Tribunal


Federal se posicionou pela sua constitucionalidade, sob o argumento de que não só
consistem em manifestação cultural, como implicam movimentação da economia e
criação de empregos para a sociedade.

e) A vedação aos atos de crueldade contra animais, no ordenamento jurídico brasileiro,


vai além do seu viés constitucional, já havendo diversas normas legais que reforçam
tal proibição, a exemplo da Lei de Crimes Ambientais.

COMENTÁRIO
Realizamos, aqui, uma abordagem acerca da proteção à fauna e à flora, com especial enfoque
à vedação de práticas de crueldade, tema que se encontra bastante atual, em razão das últimas
decisões proferidas pelo STF. Passemos a comentar as assertivas:

Alternativa (A): correta. O Direito Ambiental pode ser visto através das óticas do antropocentrismo
e do ecocentrismo. Com base na primeira, a natureza seria um bem coletivo essencial e que deve
ser preservado como garantia da sobrevivência e do bem-estar do homem. Ou seja, é necessário
preservar o meio ambiente, pois ele é essencial para servir ao homem. Já pela segunda visão,
a natureza pertence a todos os seres vivos, os quais são merecedores de proteção e devem
ter direitos semelhantes aos seres humanos. O meio ambiente seria considerado em si mesmo,
não importando o interesse humano, de forma que poderia, inclusive, ser defendido contra ele.
No contexto do ecocentrismo, por exemplo, destaca-se que a UNESCO proclamou a Declaração
Universal dos Direitos dos Animais, aduzindo assim que eles possuiriam direitos. No Direito
Brasileiro, no entanto, frise-se que os animais são objeto do direito, e não sujeitos. Neste contexto,
a assertiva conceituou corretamente o antropocentrismo ambiental, que, de fato, prevalece na
doutrina e no ordenamento jurídico brasileiro.

Alternativa (B): correta. O artigo 225, da Constituição Federal de 1988, é o normativo-base para
se verificar os deveres de proteção ao meio ambiente. A assertiva reflete, expressamente, o contido
em seu §1º, inciso VII, da Constituição Federal de 1988:

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso
comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e
à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

§ 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:


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VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em
risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais
a crueldade.

Além de dispor sobre o dever constitucional de proteção atribuído ao Poder Público, o próprio
constituinte já fixou a vedação de práticas invasivas e prejudiciais ao meio ambiente, tais como
as que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem extinção de espécies ou submetam
animais a crueldade. Tal vedação, no entanto, deve ocorrer conforme dispuser a legislação, abrindo-
se, assim, margem para eventuais exceções.

Alternativa (C): correta. Ao julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4983/CE, o Supremo


Tribunal Federal se deparou com a regulamentação da prática da vaquejada pela Lei do Estado
do Ceará, analisando-se, assim, se referida prática, considerada como manifestação cultural e
patrimônio cultural do povo nordestino, poderia ou não se sobrepor ao dever de preservação das
espécies e vedação às práticas de crueldade.

Ao realizar referido sopesamento, em apertada votação, entendeu o Supremo Tribunal Federal


pela inconstitucionalidade da lei estadual, sob o argumento de que a vaquejada traz uma crueldade
intrínseca aos animais, sendo intolerável a conduta humana autorizada pela norma estadual, a
qual não pode ser considerada como lícita apenas pelo seu teor cultural.

Pela atualidade e importância do tema, sugere-se a leitura do texto publicado no Informativo nº


842/STF.

Alternativa (D): incorreta. Anteriormente ao recente julgado sobre a prática da vaquejada,


acima mencionado, o Supremo Tribunal Federal já havia se deparado com a questão referente à
prevalência da proteção do meio ambiente face às manifestações culturais no julgamento da Ação
Direta de Inconstitucionalidade nº 2895/98.

No caso concreto, fora analisada a prática denominada “rinhas de galo”. Tal como o julgado acima
mencionado, também se entendeu pela crueldade da referida prática e pela prevalência da proteção
à fauna e vedação a práticas de crueldade face à preservação do direito de manifestação cultural.

Pela importância do tema, indica-se a leitura do Informativo 628 do STF.

Alternativa (E): correta. Diversas são as leis brasileiras que tratam do tema sob a ótica da vedação
às práticas de crueldade, tais como o Código Florestal (Lei n° 12.651/12), a Lei da SNUC (Lei nº
9.985/00) e a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9605/98).

Frise-se, inclusive, que a prática é considerada como crime ambiental, conforme previsão do artigo
32, da Lei de Crimes Ambientais, que prevê detenção de três meses a um ano, e multa.

Art. 32. Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos
ou domesticados, nativos ou exóticos:
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Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.

§ 1º Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal
vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.

§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal.

GABARITO: ALTERNATIVA (D)

QUESTÃO 19. Sobre a responsabilidade civil em matéria ambiental, julgue os seguintes


itens:

I. Vigora no Direito Ambiental a regra da esfera maior, a partir da qual, a eventual


responsabilização penal, por ser mais grave, absorve as demais esferas, isentando o
poluidor de nova responsabilização no âmbito cível e administrativo.

II. Diversas são as penalidades a serem aplicadas na responsabilização civil,


podendo-se, caso autorizado pelo juízo, e a critério do poluidor, optar pela indenização
de quantia equivalente ao dano causado ou pela realização de alguma forma material
de recuperação do meio ambiente.

III. A teoria da actio nata é plenamente aplicável no Direito Ambiental, de forma que
os poluidores estão sujeitos à responsabilização civil no prazo de cinco anos a contar
da ciência do ato lesivo, sob pena de ocorrência da prescrição da pretensão.

IV. Embora todos os sujeitos envolvidos na prática de uma conduta lesiva ao meio
ambiente sejam considerados poluidores e, assim, possam ser responsabilizados, é
facultado ao Poder Público optar pela responsabilização de apenas alguns deles.

Assinale a única alternativa que contém todos os itens verdadeiros:

a) II e IV.

b) I, II, III e IV.

c) III e IV.

d) I e II.

e) IV.

COMENTÁRIO

Abordamos, na questão, o tema da Responsabilidade Civil por danos ambientais, de grande


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importância não só no estudo para os concursos públicos, como na atuação das Procuradorias e
do Ministério Público. Vejamos as assertivas para maiores comentários.

Item (I): incorreta. Primeiramente, cumpre esclarecer que inexiste a mencionada “regra da esfera
maior”. Isto porque, de acordo com a Constituição Federal de 1998, em seu artigo 225, §3º, é
possível ocorrer a tríplice responsabilização, de forma que, ao praticar uma conduta lesiva, o
infrator estará sujeito à eventual responsabilização nas esferas cível (que acarretará a obrigação
de reparar os danos causados ou, não sendo possível, pagar indenização), penal (com a aplicação
das sanções penais previstas na lei) e administrativa (com a aplicação das sanções administrativas
legais).

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso
comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e
à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

§ 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão


os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas,
independentemente da obrigação de reparar os danos causados.

Item (II): incorreta. Na seara da responsabilidade civil ambiental, não há qualquer opção de escolha
para o poluidor. A ideia principal do Direito Ambiental é sempre buscar a preservação do meio
ambiente. Assim, havendo algum dano, poluição ou lesão, a medida principal a ser tomada é a
tentativa de restauração do status quo, ou seja, a recuperação do ambiente de forma a retomá-lo
como era antes do dano ou, se impossível, adotar medidas efetivas para minorá-los.

Assim, primeiro, deve-se condenar o poluidor a restaurar o meio ambiente (tutela específica in
natura). Apenas em caso de sua impossibilidade, é que se passará a buscar a sua condenação ao
pagamento de indenização em valor condizente com o dano ocasionado.

Item (III): incorreta. A teoria da actio nata deriva do artigo 189, do Código Civil, que dispõe que
“violado o direito, nasce para o titular a pretensão, a qual se extingue, pela prescrição...”. Ou seja,
o termo inicial do prazo prescricional teria por marco o surgimento da pretensão, que só nasceria
com a violação do direito.

No âmbito da responsabilidade civil por danos ambientais não se pode afirmar que se aplica a
teoria da actio nata, tampouco que o prazo prescricional para eventual responsabilização seria de
cinco anos da ciência do cometimento da infração. Isto porque o entendimento que prevalece na
doutrina e na jurisprudência é o de que, por sua gravidade e importância, a responsabilização por
dano ambiental é imprescritível. Assim, não há que se falar em prazo para responsabilização e, por
consequência, cogitar o início de seu cômputo.

Item (IV): correta. A responsabilização pelo dano ambiental é solidária, de forma que respondem
pelo dano causado todos os que interferiram, de algum modo, na prática da conduta.
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Conforme definição do artigo 264, do Código Civil, há solidariedade, quando na mesma obrigação
concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à dívida
toda.

Ocorre que, pelo próprio conceito de solidariedade, tem-se que a obrigação pode ser integralmente
exigida, pelo credor, de um ou de mais devedores. Assim, ao buscar a responsabilização, é possível
que o Poder Público exija a obrigação de qualquer dos poluidores, de todos, de alguns, etc., em sua
integralidade. Destarte, seja qual for o motivo, é juridicamente possível que se busque a pretensão
apenas em face de um dos sujeitos envolvidos.

GABARITO: ALTERNATIVA (E)

QUESTÃO 20. Acerca do Patrimônio Cultural, assinale a alternativa incorreta:

a) O meio ambiente cultural é uma das quatro espécies doutrinariamente consideradas


de meio ambiente.

b) A Constituição Federal de 1988 foi expressa ao definir o que constitui o patrimônio


cultural brasileiro.

c) O tombamento é previsto na Constituição Federal de 1988 como instrumento a ser


utilizado para promoção e proteção do patrimônio cultural.

d) Dentre as formas de se tombar um bem, a legislação de regência dispõe que o


tombamento pode ser de ofício, voluntário ou compulsório.

e) Uma vez tombados, pela sua importância, os bens passam, em regra, a ser
considerados inalienáveis.

COMENTÁRIO

Tratamos, aqui, do Patrimônio Cultural e do tombamento, objeto de alguns programas de direito


ambiental de concursos de Procuradorias. Sua exigência não é de grande frequência nos concursos
públicos, quando comparado a outros temas. No entanto, pela possibilidade de cobrança, optamos
pelo questionamento dos principais aspectos do referido tema. Vejamos as assertivas:

Alternativa (A): correta. Para a doutrina, a partir da Constituição Federal de 1988, o conceito de
meio ambiente tornou-se mais amplo, de forma que se deve ir além do mero ambiente natural, nele
inserindo, os aspectos sociais, culturais e econômicos.

Assim, para doutrina majoritária, tem-se a seguinte classificação: a) Meio Ambiente Natural ou
Físico (aspectos naturais trazidos pela Lei, no qual se incluem o solo, a água, o ar, a fauna e a
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flora); b) Meio Ambiente Cultural (conforme previsão dos artigos 215 e 216, da CF88, seria integrado
pelo patrimônio turístico, paisagístico, histórico, arqueológico e artístico); c) Meio Ambiente Artificial
(composto pelo conjunto de edificações – espaço urbano – e equipamentos públicos – ruas, praças,
áreas verdades, de acordo com os artigos 182 e 183 da CF/88); e d) Meio Ambiente do Trabalho
(que abrange a proteção do homem no local de trabalho, de acordo com todas as normas de
segurança. Reflete a previsão dos artigos 7º, XXII e 200, VIII, da CF88).

Destarte, a assertiva está correta ao inserir o meio ambiente cultural como uma das quatro espécies
de meio ambiente.

Alternativa (B): correta. Além de dispor sobre a proteção ao meio ambiente cultural, a Constituição
Federal de 1988 trouxe o conceito de patrimônio cultural brasileiro em seu artigo 216, segundo o
qual constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados
individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos
diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem: I - as formas de
expressão; II - os modos de criar, fazer e viver; III - as criações científicas, artísticas e tecnológicas;
IV - as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações
artístico-culturais; V - os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico,
arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.

Pela possibilidade de cobrança literal, indica-se a leitura do dispositivo:

Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial,
tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação,
à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se
incluem:

I - as formas de expressão;

II - os modos de criar, fazer e viver;

III - as criações científicas, artísticas e tecnológicas;

IV - as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às


manifestações artístico-culturais;

V - os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,


paleontológico, ecológico e científico.

Alternativa (C): correta. O tombamento é regido pelo Decreto Lei nº 25/37 e consiste, em linhas
gerais, em um instrumento que, através de registros em seus livros, irá impor restrições de uso e
dever de manutenção aos bens considerados dotados de valor cultural ali especificados.

A Constituição Federal de 1988, no §1º do artigo supracitado, previu que o Poder Público,
com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá o patrimônio cultural brasileiro, por
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meio de inventários, registros, vigilância, tombamento e desapropriação, e de outras formas de


acautelamento e preservação. Inclui-se, assim, o tombamento como ferramenta para realização da
promoção e proteção do patrimônio cultural brasileiro.

Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial,
tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação,
à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se
incluem:

§ 1º O Poder Público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá o


patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância, tombamento
e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.

Alternativa (D): correta. Essas são as três formas de tombamento previstas no Decreto Lei nº25/37,
que rege o instituto do Tombamento. Conforme artigo 5º, “o tombamento dos bens pertencentes
à União, aos Estados e aos Municípios se fará de ofício, por ordem do diretor do Serviço do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, mas deverá ser notificado à entidade a quem pertencer,
ou sob cuja guarda estiver a coisa tombada, afim de produzir os necessários efeitos”; já o seu
artigo 7º dispõe que “proceder-se-à ao tombamento voluntário sempre que o proprietário o pedir e a
coisa se revestir dos requisitos necessários para constituir parte integrante do patrimônio histórico
e artístico nacional, a juízo do Conselho Consultivo do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional, ou sempre que o mesmo proprietário anuir, por escrito, à notificação, que se lhe fizer, para
a inscrição da coisa em qualquer dos Livros do Tombo”; por fim, o artigo 8º afirma que “Proceder-
se-á ao tombamento compulsório quando o proprietário se recusar a anuir à inscrição da coisa”.

Alternativa (E): incorreta. Dentre as restrições ao uso, o ato de tombamento não implica, como
regra, a inalienabilidade do bem. Vê-se, por exemplo, que o artigo 13, da legislação de regência
prevê a possibilidade de transferência do bem tombado, desde que haja a devida comunicação aos
órgãos de controle e o respectivo registro.

No entanto, dentre as exceções legais, estão as coisas tombadas que pertençam à União, aos
Estados ou aos Municípios, inalienáveis por natureza, que só poderão ser transferidas de uma à
outra das referidas entidades.

Art. 13. O tombamento definitivo dos bens de propriedade partcular será, por iniciativa
do órgão competente do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, transcrito
para os devidos efeitos em livro a cargo dos oficiais do registro de imóveis e averbado
ao lado da transcrição do domínio.

§ 1º No caso de transferência de propriedade dos bens de que trata êste artigo, deverá
o adquirente, dentro do prazo de trinta dias, sob pena de multa de dez por cento sôbre
o respectivo valor, fazê-la constar do registro, ainda que se trate de transmissão judicial
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ou causa mortis.

§ 2º Na hipótese de deslocação de tais bens, deverá o proprietário, dentro do mesmo


prazo e sob pena da mesma multa, inscrevê-los no registro do lugar para que tiverem
sido deslocados.

§ 3º A transferência deve ser comunicada pelo adquirente, e a deslocação pelo


proprietário, ao Serviço do Patrimônio Histórico e Artistico Nacional, dentro do mesmo
prazo e sob a mesma pena.

GABARITO: ALTERNATIVA (E)

PROFESSOR: JORGE OTTONI


E-mail: profcei.jorgeottoni@gmail.com

DIREITO ADMINISTRATIVO

QUESTÃO 21. O Município X, tendo de prestar determinado serviço público à sua


população, criou uma empresa pública, transferindo a ela a execução dessa atividade por
meio de lei. Já o Município Y, no âmbito do seu território, preferiu transferir a execução
desse mesmo serviço público à pessoa jurídica de direito privado já existente, por meio
de contrato administrativo. Sobre as formas de organização administrativa utilizadas pelos
citados municípios, é correto dizer que:

a) O Município X realizou uma desconcentração, ao passo que o Município Y realizou


uma descentralização por serviços.

b) Ambos os municípios realizaram descentralização por outorga.

c) O Município X realizou uma descentralização territorial, e o Município Y optou por


uma descentralização técnica.

d) O Município X realizou uma descentralização funcional, ao passo que o Município Y


optou por uma descentralização por colaboração.

e) O Município X realizou uma descentralização por delegação, enquanto o Município


Y realizou descentralização por colaboração.

COMENTÁRIO
Caros alunos, esta questão aborda a organização administrativa, focando, especificamente,
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nas técnicas de efetivação dessa organização. A diferenciação entre as duas principais técnicas
- descentralização e desconcentração - é bem conhecida pelos candidatos de concursos em
geral que cobram Direito Administrativo. Por isso, aqui, resolvemos tratar das modalidades de
descentralização, que são objeto de maior confusão pelos estudantes, e mesmo de divergências
por parte da doutrina.

Alternativa (A): incorreta. Esta alternativa errou as técnicas utilizadas por ambos os Municípios. Em
primeiro lugar, o Município X não realizou desconcentração, mas sim descentralização, na medida
em que não houve especialização de funções em órgãos dentro da estrutura de uma mesma
pessoa jurídica (no caso, o ente municipal), mas sim a criação de uma nova pessoa jurídica. Sobre
o tema, são claros os ensinamentos de Rafael Oliveira:

Na desconcentração, existe uma especialização de funções dentro da sua própria


estrutura estatal, sem que isso implique a criação de uma nova pessoa jurídica. Trata-se
de distribuição interna de atividades dentro de uma mesma pessoa jurídica. O resultado
desse fenômeno é a criação de centros de competências, denominados órgãos públicos,
dentro da mesma estrutura hierárquica (ex.: criação de Ministérios, Secretarias etc.).

Por outro lado, a descentralização representa a transferência da atividade


administrativa para outra pessoa, física ou jurídica, integrante ou não do aparelho
estatal (ex.: descentralização de atividades para entidades da Administração Indireta –
autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações públicas – e
para particulares – concessionários e permissionários de serviços públicos). Grifou-se.
(OLIVEIRA, Rafael Carvalho Resende. Curso de direito administrativo. Rio de Janeiro:
Forense, 2015, p. 91).

Verifica-se, assim, que o município X realizou descentralização. A modalidade específica


utilizada no caso será tratada adiante. Também não é correto dizer que o Município Y realizou
uma descentralização por serviços, e aqui passamos a tratar brevemente sobre as modalidades
de descentralização. Como dito acima, a doutrina traz diferentes nomenclaturas e divisões para
as modalidades de descentralização. Colocaremos aqui a classificação adotada pela doutrina
majoritária, conforme trazido por Rafael Oliveira (op. cit., p. 91-92), com algumas observações:

• descentralização territorial ou geográfica: nela, o ente cria uma pessoa jurídica de direito
público, atribuindo-lhe capacidade administrativa genérica (ou seja, a nova pessoa jurídica pode
fazer tudo o que estado faria no exercício da função administrativa), porém a atuação dessa
pessoa jurídica fica restrita a um território. Essa descentralização é típica de Estados Unitários
como França, Portugal, Espanha etc. – em que existem as Comunas, Regiões etc. No Brasil, os
territórios federais, hoje inexistentes na prática, poderiam ser citados como exemplo);

• descentralização por serviços, funcional ou técnica (também chamada por outorga ou


legal): o Poder Público cria uma pessoa jurídica de direito público ou de direito privado, que
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recebe a titularidade e a execução de serviços públicos (ex.: autarquias, estatais e fundações).


Essa pessoa jurídica terá capacidade administrativa específica, ou seja, poderá desempenhar
tão somente a atividade que ensejou a sua criação; e

• descentralização por colaboração (também chamada por delegação ou negocial): aqui,


não se cria nova pessoa jurídica; apenas se transfere a execução da atividade por meio de
contrato ou ato administrativo unilateral para pessoa jurídica de direito privado, previamente
existente, permanecendo o Poder Público com a titularidade do serviço (ex.: concessão e
permissão de serviço público) (DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 20. ed.
São Paulo: Atlas, 2007. p. 381-385);

No que concerne ao instrumento utilizado para efetivá-las, conforme salienta Rafael Oliveira (op.
cit., p. 92), as modalidades de descentralização são classificadas por alguns autores em:

• descentralização por outorga: a descentralização seria instrumentalizada por meio de lei e a


entidade destinatária receberia a titularidade e a execução da atividade descentralizada (ex.:
entidades da Administração Indireta); e

• descentralização por delegação: a formalização da descentralização ocorreria por contrato


ou ato administrativo e a pessoa descentralizada receberia apenas a execução da atividade
administrativa (ex.: concessionárias de serviços públicos) (MEIRELLES, Hely Lopes. Direito
administrativo brasileiro. 22. ed. São Paulo: Malheiros, 1997. p. 308).

Note-se que a utilização de lei será sempre necessária na descentralização por serviços, funcional
ou técnica, em que se cria pessoa jurídica de direito público ou de direito privado, em atenção ao
art. 37, XIX da CF. Daí se poder dizer que a nomenclatura descentralização por outorga ou legal se
enquadra na classificação da descentralização por serviços, funcional ou técnica. Da mesma forma,
a descentralização por delegação ou negocial se enquadra na classificação da descentralização
por colaboração, em que se transfere a execução da atividade por meio de contrato ou ato
administrativo unilateral para pessoa jurídica de direito privado previamente existente.

Por fim, há que se ressaltar a divergência doutrinária em relação à transferência ou não da


titularidade da atividade no caso da descentralização por serviços / funcional / técnica / por outorga/
legal. A doutrina mais atual defende que não há a transferência da titularidade da atividade, mas
apenas se transfere a sua execução. Isso porque a nova entidade criada para executar a atividade
permanece vinculada ao ente federativo criador, que poderá retomar a sua execução pela mesma
forma com que a outorgou àquela pessoa jurídica descentralizada. Nesse sentido entende José
dos Santos Carvalho Filho, que afirma:

Os serviços públicos estão e sempre estarão sob a titularidade das pessoas federativas,
na forma pela qual a Constituição procedeu à partilha das competências constitucionais.
Essa titularidade, retratando, como retrata, inequívoca expressão de poder político
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e administrativo, é irrenunciável e insuscetível de transferência para qualquer outra


pessoa. Resulta, por conseguinte, que o alvo da descentralização é tão somente a
transferência da execução do serviço (delegação), e nunca a de sua titularidade. O que
muda é apenas o instrumento em que se dá a delegação: numa hipótese, o instrumento
é a lei (que, além de delegar o serviço, cria a entidade que vai executá-lo), enquanto na
outra é um contrato (concessões ou permissões de serviços públicos para pessoas já
existentes). Mas em ambos os casos o fato administrativo é, sem dúvida, a delegação.
(CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. São Paulo:
Atlas, 2014, p. 353).

Também Rafael Oliveira defende esse entendimento colocando que “não se pode admitir que o
Estado transfira a titularidade que lhe foi atribuída pela Constituição, considerada irrenunciável.
Em verdade, a descentralização só pode abranger a execução da atividade. Por essa razão,
em qualquer descentralização, operacionalizada por lei ou negócio jurídico, é possível ao Ente
Federativo, titular da atividade descentralizada, retomar a sua execução, desde que seja respeitado
o princípio da simetria das formas (ex.: a lei pode extinguir uma pessoa administrativa e, com isso,
a atividade seria devolvida ao Ente; a extinção do contrato de concessão acarreta a devolução da
execução do serviço ao Poder Concedente). Da mesma forma, a responsabilidade subsidiária dos
Entes Federados, por danos causados pelas respectivas entidades administrativas, demonstra que
a titularidade do serviço permanece com o Ente, pois, caso contrário, não haveria qualquer nexo
causal capaz de gerar tal responsabilidade” (OLIVEIRA, op. cit., p. 92).

De todo modo, para fins de provas objetivas, vale sempre adotar o entendimento clássico pelo qual
na descentralização por outorga ocorre a transferência de titularidade do serviço público, enquanto
na descentralização por colaboração isso não ocorre. Contudo, em provas subjetivas e orais, vale
a pena expor a divergência doutrinária ora exposta.

No caso trazido pela questão, o Município X criou uma pessoa jurídica de direito privado, transferindo
a ela a execução dessa atividade. Utilizou-se, portanto, da descentralização por serviços / funcional
/ técnica / por outorga / legal. Já o Município Y transferiu a execução do serviço público em questão
a pessoa jurídica de direito privado já existente, através de contrato administrativo, ou seja, realizou
descentralização por colaboração / por delegação / negocial.

Alternativa (B): incorreta. Apenas o Município X realizou descentralização por outorga; o


Município Y realizou descentralização por delegação, utilizando-se de contrato administrativo. Vide
comentários à alternativa “A”.

Alternativa (C): incorreta. Nenhum dos dois municípios na questão adotou a descentralização
territorial, a qual, inclusive, não é atualmente utilizada no Brasil. Já a descentralização técnica não
foi utilizada pelo Município Y, mas pelo Município X, conforme demonstrado. Vide comentários à
alternativa “A”.
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Alternativa (D): correta. De fato, como explicado no comentário à alternativa “A”, o Município X
realizou uma descentralização funcional, ao passo que o Município Y optou por uma descentralização
por colaboração.

Alternativa (E): incorreta. De fato, é correto dizer que o Município Y fez descentralização por
colaboração, mas a alternativa erra ao dizer que o Município X realizou uma descentralização por
delegação, já que ele realizou delegação por outorga. Vide comentários à alternativa “A”.

GABARITO: ALTERNATIVA (D)

QUESTÃO 22. Sobre o Terceiro setor e considerando a Lei 13.019/2014, assinale a


alternativa correta:

a) A competência para processar a julgar as causas envolvendo as entidades do


Terceiro Setor, inclusive aquelas que formalizam parcerias com a União, é da Justiça
estadual.

b) As exigências da Lei 13.019/2014 aplicam-se aos contratos de gestão celebrados


com organizações sociais.

c) No caso de inadimplemento dos encargos trabalhistas ou previdenciários pela


organização da sociedade civil que tenha firmado instrumento de parceria com o Poder
Público, este responderá subsidiariamente.

d) As entidades do Terceiro Setor não gozam de imunidade tributária.

e) Os Serviços Sociais Autônomos, por receberem recursos públicos, devem observar


à exigência e concurso público para selecionar o seu pessoal.

COMENTÁRIO
Alternativa (A): correta. De fato, o foro competente para processar a julgar as causas que envolvem
as entidades do Terceiro Setor, inclusive aquelas que formalizam parcerias com a União, é da
Justiça estadual. Em relação aos Serviços Sociais Autônomos, que recebem recursos federais
(contribuições sociais), a questão foi consolidada pela Súmula 516 do STF: “O Serviço Social da
Indústria (SESI) está sujeito à jurisdição da Justiça Estadual”. (OLIVEIRA, op. cit., p. 218).

A lógica utilizada pelo STF é a de que o art. 109 da CRFB, ao elencar o rol taxativo de causas
submetidas à Justiça Federal, não menciona os Serviços Sociais Autônomos, que devem ser
julgados, por consequência, pela Justiça estadual, ressalvados os casos em que a União for parte
da relação processual (OLIVEIRA, op. cit., p. 218). Esse foi também o raciocínio utilizado pelo STF
na definição da competência da Justiça estadual para julgar as sociedades de economia mista
federais (Súmulas 517 e 556 do STF).
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Correta, portanto, a alternativa “A”, devendo ser marcada.

Alternativa (B): incorreta. O afirmado na alternativa vai de encontro ao disposto no art. 3º da Lei
13.019/2014, que exclui da sua incidência os contratos de gestão celebrados com organizações
sociais. Vejamos:

Art. 3º Não se aplicam as exigências desta Lei:

III - aos contratos de gestão celebrados com organizações sociais, desde que cumpridos
os requisitos previstos na Lei nº 9.637, de 15 de maio de 1998;

Tratando do tema, Rafael Oliveira ressalta o teor do art. 4º da Lei 13.019/2014, que afirma que o novo
regime jurídico é aplicável às OSCIPs, considerando-se revogadas as normas da Lei 9.790/1999
incompatíveis com a nova Lei. O autor aponta não encontrar justificativa razoável para excluir da
incidência do novo regime das parcerias os contratos de gestão celebrados com OS, sem excluir
também os termos de parceria com as OSCIPs (OLIVEIRA, p. 216). Apesar de incoerente, essa é
a determinação trazida pela lei, devendo ser adotado em provas objetivas.

Alternativa (C): incorreta. Na verdade, é da OSCIP a responsabilidade exclusiva pelos encargos


trabalhistas, previdenciários, fiscais e relacionados à execução do objeto previsto no termo de
colaboração ou de fomento, inexistindo responsabilidade solidária ou subsidiária da Administração
na hipótese de inadimplemento. É o que se extrai do art. 42, incisos XIX e XX da e art. 46, § 2º Lei
13.019/2014:

Art. 42. As parcerias serão formalizadas mediante a celebração de termo de colaboração,


de termo de fomento ou de acordo de cooperação, conforme o caso, que terá como
cláusulas essenciais:

XIX - a responsabilidade exclusiva da organização da sociedade civil pelo gerenciamento


administrativo e financeiro dos recursos recebidos, inclusive no que diz respeito às
despesas de custeio, de investimento e de pessoal;

XX - a responsabilidade exclusiva da organização da sociedade civil pelo pagamento dos


encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais relacionados à execução do
objeto previsto no termo de colaboração ou de fomento, não implicando responsabilidade
solidária ou subsidiária da administração pública a inadimplência da organização da
sociedade civil em relação ao referido pagamento, os ônus incidentes sobre o objeto da
parceria ou os danos decorrentes de restrição à sua execução.

Art. 46. [...]

§ 2º A inadimplência da organização da sociedade civil em decorrência de atrasos


na liberação de repasses relacionados à parceria não poderá acarretar restrições à
liberação de parcelas subsequentes.
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Incorreta, portanto, a alternativa “c”, ao afirmar que o Poder Público responderia subsidiariamente
em caso de inadimplemento por parte da OSCIP.

Alternativa (D): incorreta. As entidades do Terceiro Setor não têm finalidade lucrativa e possuem
imunidade em relação aos impostos sobre patrimônio, renda e serviços relacionados com as suas
finalidades essenciais (art. 150, VI, “c”, e § 4º, da CRFB e art. 14, § 2º, do CTN), e também, quando
atendam às exigências estabelecidas em lei, possuem imunidade em relação à contribuição para
seguridade social, por se tratarem de entidades beneficentes de assistência social (art. 195, § 7º,
da CRFB).

Nesse sentido, Rafael Oliveira coloca que “as entidades do Terceiro Setor, que não têm finalidade
lucrativa, possuem natureza jurídica de fundações ou associações civis, o que justifica a previsão
normativa de tratamento tributário privilegiado” (OLIVEIRA, op. cit., p. 222).

Alternativa (E): incorreta. Entende o STF ser inaplicável a exigência de concurso público aos
Serviços Sociais Autônomos. Nesse sentido, manifestou-se a Corte, no Informativo de Jurisprudência
nº 759:

Os serviços sociais autônomos, por possuírem natureza jurídica de direito privado


e não integrarem a Administração Pública, mesmo que desempenhem atividade
de interesse público em cooperação com o ente estatal, não estão sujeitos à
observância da regra de concurso público (CF, art. 37, II) para contratação de seu
pessoal. (RE 789874/DF, rel. Min. Teori Zavascki, 17.9.2014).

No entanto, conforme observa Rafael Oliveira “a contratação de pessoal, em razão da gestão


de recursos públicos, deve ser formalizada mediante processo seletivo objetivo, observados os
princípios da impessoalidade e da moralidade. Devem ser refutadas as contratações pautadas
exclusivamente por critérios subjetivos, tais como análise curricular, avaliação psicológica, dinâmica
de grupo e entrevistas”. Essa tese foi consagrada no art. 47, §§ 3º e 4º, da Lei 13.019/2014.
Incorreta, portanto, a alternativa “e”.

GABARITO: ALTERNATIVA (A)

QUESTÃO 23. A respeito dos atos administrativos, assinale a alternativa INCORRETA:

a) Parecer jurídico emitido pela procuradoria geral do município sob não é, quanto ao
seu conteúdo, ato administrativo em sentido estrito, já que não externa manifestação
de vontade da Administração capaz de produzir efeitos concretos, sendo um mero ato
enunciativo.

b) O ato de concessão de aposentadoria é ato complexo, pelo que a negativa do


Tribunal de Contas impede que tenha início o prazo para a anulação da concessão.
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c) A lei pode atribuir efeitos ao silêncio administrativo, inclusive para deferir pretensão
ao administrado.

d) Pela conversão, a Administração Pública converte um ato inválido em ato de outra


categoria, tornando-o válido, com efeitos retroativos à data do ato original.

e) Não se permite o controle judicial do ato administrativo discricionário, sob pena de


afronta ao princípio constitucional da separação de poderes.

COMENTÁRIO

Alternativa (A): correta. A alternativa trata da classificação dos atos administrativos, mais
especificamente, quanto aos seus efeitos. Quanto aos seus efeitos, o ato administrativo pode ser
constitutivo, declaratório, ou enunciativo.

Atos enunciativos são aqueles que “atestam determinados fatos ou direitos, bem como envolvem,
eventualmente, juízos de valor (ex.: certidão que atesta o tempo de serviço do servidor; pareceres
que retratam juízos de valor dos agentes públicos)” (OLIVEIRA, op. cit., p. 294). Exemplos de atos
enunciativos são: certidões, atestados, informações, pareceres, vistos.

Assim, os atos enunciativos encerram juízo, conhecimento ou opinião e não manifestação de


vontade produtora de efeitos jurídicos, o que faz com que parte da doutrina considere que eles
não são, materialmente, atos administrativos em sentido estrito. Nesse sentido é o magistério de
Maria Sylvia Zanella Di Pietro, que, ao tratar dos atos enunciativos, aponta que “é aquele pelo qual
a Administração apenas atesta ou reconhece determinada situação de fato ou de direito.
Alguns autores acham, com razão, que esses atos não são atos administrativos propriamente
ditos, porque não produzem efeitos jurídicos. Correspondem à categoria, já mencionada, dos
meros atos administrativos. Eles exigem a prática de um outro ato administrativo, constitutivo ou
declaratório, este sim produtor de efeitos jurídicos. São atos enunciativos as certidões, atestados,
informações, pareceres, vistos. Encerram juízo, conhecimento ou opinião e não manifestação
de vontade produtora de efeitos jurídicos”. Grifamos. (Maria Sylvia Zanella Di Pietro. Direito
administrativo, 2014, p. 236).

José dos Santos Carvalho Filho, também tratando dos atos enunciativos, comenta que a sua
característica “é a de indicarem juízos de valor, dependendo, portanto, de outros atos de caráter
decisório. O exemplo típico é o dos pareceres”, ressaltando que tais atos não são considerados
como típicos atos administrativos por alguns autores (CARVALHO FILHO, op. cit., p. 133).

Incorreta, portanto, a letra “a”, não devendo ser marcada, já que o enunciado pede a alternativa
incorreta.

Abaixo, segue, de forma esquematizada, a classificação dos atos administrativos, segundo Di


Pietro, de acordo com o sentido – estrito, amplo, subjetivo e objetivo:
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Atos Administrativos:

*Em Sentido Estrito: “Por esse conceito, sendo o ato manifestação de vontade, ficam excluídos
os atos que encerram opinião, juízo ou conhecimento. Produzindo efeitos imediatos, ficam
excluídos os atos normativos do Poder Executivo, como os regulamentos”. (Maria Sylvia Zanella Di
Pietro. Direito administrativo, 2014. pp. 203-204)

*Em Sentido Amplo: “Esse conceito é amplo e abrange atos individuais e normativos, unilaterais
e bilaterais (contratos), declarações de juízo, de conhecimento, de opinião e de vontade.” (Maria
Sylvia Zanella Di Pietro. Direito administrativo, 2014. p. 202)

*Em Sentido Objetivo: “Pelo critério objetivo, funcional ou material, ato administrativo é somente
aquele praticado no exercício concreto da função administrativa, seja ele editado pelos órgãos
administrativos ou pelos órgãos judiciais e legislativos”. (Maria Sylvia Zanella Di Pietro. Direito
administrativo, 2014. p. 202)

*Em Sentido Subjetivo: “Pelo critério subjetivo, orgânico ou formal, ato administrativo é o que
ditam os órgãos administrativos; ficam excluídos os atos provenientes dos órgãos legislativo
e judicial, ainda que tenham a mesma natureza daqueles; e ficam incluídos todos os atos
da Administração, pelo só fato de serem emanados de órgãos administrativos, como os atos
normativos do Executivo, os atos materiais, os atos enunciativos, os contratos”. (Maria Sylvia
Zanella Di Pietro. Direito administrativo, 2014. p. 202)

Alternativa (B): correta. De fato, a concessão de aposentadoria é ato complexo, e, portanto, só se


aperfeiçoa com o seu registro pelo Tribunal de Contas. Por isso, a negativa do Tribunal de Contas
em conceder a aposentadoria impede que o ato se aperfeiçoe, impossibilitado, consequentemente,
a fluência do prazo para a sua invalidação pela Administração Pública. Nesse sentido é o
entendimento do STF, conforme se verifica do acórdão cuja ementa segue:

AGRAVO REGIMENTAL EM MANDADO DE SEGURANÇA. ATO DE APOSENTADORIA.


RECUSA DE REGISTRO PELO TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. TEMPO DE
SERVIÇO RURAL. CONTAGEM RECÍPROCA. NECESSIDADE DE RECOLHIMENTO
DAS RESPECTIVAS CONTRIBUIÇÕES. 1. A decisão agravada teve amparo no art. 21,
§ 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, preceito que autoriza o Relator
a negar seguimento a pedido contrário à jurisprudência dominante desta Corte. 2. O ato
de concessão de aposentadoria ostenta natureza complexa, de modo que só se
aperfeiçoa com o exame de sua legalidade e subsequente registro pelo Tribunal
de Contas da União. Assim, enquanto não aperfeiçoado o ato concessivo de
aposentadoria, não há falar em fluência do prazo do art. 54 da 9.784/99, referente
ao lapso de tempo de que dispõe a Administração Pública para promover a
anulação de atos de que resultem efeitos favoráveis aos destinatários, tampouco
em estabilização da expectativa do interessado na aposentadoria e na composição dos
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respectivos proventos, aspecto a conjurar, na espécie, afronta às garantias do direito


adquirido e do ato jurídico perfeito, bem como aos princípios da segurança jurídica, da
boa-fé e da proteção da confiança. 3. Por desígnio do Constituinte Originário, ratificado
pelo Constituinte Derivado, com mera alteração topográfica na Carta Magna, trasladada
a norma do art. 202, § 2º, do texto primitivo para o art. 201, § 9º, do atual, o cômputo
do tempo de serviço, urbano ou rural, prestado na atividade privada, para fins de
aposentadoria no regime próprio (contagem recíproca), pressupõe o recolhimento das
respectivas contribuições previdenciárias. Agravo regimental conhecido e não provido.

(MS 28917 AgR, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Primeira Turma, julgado em 13/10/2015,
PROCESSO ELETRÔNICO DJe-216 DIVULG 27-10-2015 PUBLIC 28-10-2015).

Correta, portanto, a alternativa “b”, não devendo ser marcada.

Alternativa (C): correta. Conforme ensina Maria Sylvia Zanella Di Pietro, “até mesmo o silêncio
pode significar forma de manifestação da vontade, quando a lei assim o prevê; normalmente
ocorre quando a lei fixa um prazo, findo o qual o silêncio da Administração significa concordância
ou discordância”.

Assim, quando o silêncio é uma forma de manifestação de vontade – ou seja, quando a lei atribui
ao silêncio determinado efeito jurídico, após o decurso de certo prazo -, ele produz efeitos de ato
administrativo. Ausente, porém, lei que atribua determinado efeito jurídico ao silêncio, se terá não
um ato, mas fato jurídico administrativo.

Alternativa (D): correta. De fato, são três as formas de convalidação, quais sejam: ratificação,
reforma e conversão. José dos Santos Carvalho Filho (op. cit., p. 166) trata, de forma clara, de
cada uma delas:

• Ratificação: segundo Marcelo Caetano, “é o acto administrativo pelo qual o órgão competente
decide sanar um acto inválido anteriormente praticado, suprindo a ilegalidade que o vicia”
(Manual de direito administrativo, v. I, p. 557). A autoridade que deve ratificar pode ser a
mesma que praticou o ato anterior ou um superior hierárquico, mas o importante é que a lei
lhe haja conferido essa competência específica.205 Exemplo: um ato com vício de forma
pode ser posteriormente ratificado com a adoção da forma legal. O mesmo se dá em alguns
casos de vício de competência.206 Segundo a maioria dos autores, a ratificação é apropriada
para convalidar atos inquinados de vícios extrínsecos, como a competência e a forma, não se
aplicando, contudo, ao motivo, ao objeto e à finalidade.

• Reforma: admite que novo ato suprima a parte inválida do ato anterior, mantendo sua parte
válida. Exemplo: ato anterior concedia licença e férias a um servidor; se se verifica depois que
não tinha direito à licença, pratica-se novo ato retirando essa parte do ato anterior e se ratifica
a parte relativa às férias.
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• Conversão: assemelha-se à reforma. Por meio dela a Administração, depois de retirar


a parte inválida do ato anterior, processa a sua substituição por uma nova parte, de modo
que o novo ato passa a conter a parte válida anterior e uma nova parte, nascida esta com
o ato de aproveitamento. Exemplo: um ato promoveu A e B por merecimento e antigüidade,
respectivamente; verificando após que não deveria ser B mas C o promovido por antigüidade,
pratica novo ato mantendo a promoção de A (que não teve vício) e insere a de C, retirando a de
B, por ser esta inválida.

Correta, portanto, a definição de conversão trazida pela alternativa “d”, que não deve ser marcada,
tendo em vista que o enunciado pede a opção incorreta.

Alternativa (E): incorreta, devendo ser marcada. Em que pese ser vedado o controle, pelo
Poder Judiciário, da definição da conveniência e oportunidade das decisões administrativas, a
discricionariedade não é imune ao controle judicial. Assim, o Judiciário não pode revogar os atos
da Administração por razões de conveniência e oportunidade, mas é possível o controle judicial da
atuação estatal discricionária, o qual é fundamentado por três principais teorias, quais sejam: a)
teoria do desvio de poder (détournement de pouvoir) ou desvio de finalidade; b) teoria dos motivos
determinantes; e c) teoria dos princípios jurídicos (juridicidade). (OLIVEIRA, op. cit., p. 290).

A teoria do desvio de poder (détournement de pouvoir) ou desvio de finalidade admite que o


Judiciário invalide ato administrativo em desacordo com a finalidade da norma. Rafael Oliveira
traz como exemplos a remoção ex officio de um servidor em razão de perseguição pessoal do seu
chefe (a remoção não pode ter caráter punitivo), e a cessão de imóvel desapropriado para empresa
privada executora de atividade econômica lucrativa (a desapropriação só pode ter por finalidade a
utilidade pública, a necessidade pública ou o interesse social). (OLIVEIRA, op. cit., p. 291).

Já a teoria dos motivos determinantes vincula a validade do ato administrativo à correspondência


entre os motivos nele apresentados e os fatos que realmente ensejaram a sua edição. Mesmo nos
casos excepcionais em que a lei não exige a motivação, se o agente expuser os motivos do ato,
a validade do ato dependerá da correspondência entre o motivo trazido e a realidade. Caso haja
“pluralidade de motivos justificadores da edição do ato, a eventual apresentação de motivo ilícito,
que não contamine a substância do ato, não tem o condão de gerar a sua nulidade, tendo em vista
a inexistência de prejuízo (pas de nullité sans grief)” (OLIVEIRA, op. cit., p. 291).

Finalmente, “a teoria dos princípios jurídicos exige a compatibilidade dos atos administrativos
com os princípios consagrados no ordenamento jurídico. A referida teoria ganhou relevância com
o reconhecimento da normatividade dos princípios, no contexto da constitucionalização do Direito
Administrativo e do Pós-Positivismo, abrindo a possibilidade do controle ampliado e dotado de
maior efetividade do ato administrativo” (OLIVEIRA, op. cit., p. 291).

Essa teoria está relacionada com o processo de constitucionalização do direito, que traz o
reconhecimento do papel central da Constituição e da normatividade dos princípios constitucionais,
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fazendo com que a legalidade estrita deixe de ser o único parâmetro para a verificação da validade
dos atos administrativos. O princípio da juridicidade vincula a atuação da Administração tanto às
regras quanto aos princípios constitucionais.

GABARITO: ALTERNATIVA (E)

DIREITO FINANCEIRO

QUESTÃO 24. Sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal, assinale o item correto:

a) A referida norma não se aplica às estatais independentes.

b) A referida norma se aplica apenas ao Poder Executivo, mas abrange tanto a


administração direta quanto a indireta desse Poder.

c) A referida norma não se aplica ao Ministério Público.

d) Constituem requisitos essenciais da responsabilidade na gestão fiscal a instituição,


previsão e efetiva arrecadação de todos os impostos da competência do ente federativo,
mas não das taxas.

e) É vedada a realização de transferências voluntárias para o ente que não faça a


instituição, previsão e efetiva arrecadação de todos os tributos da competência do
ente federativo.

COMENTÁRIO
Alternativa (A): correta. O art. 1º § 2º c/c § 3º da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) afirma
estarem sujeitos à norma a União, Estados e Municípios, neles inclusos “a) o Poder Executivo,
o Poder Legislativo, neste abrangidos os Tribunais de Contas, o Poder Judiciário e o Ministério
Público; b) as respectivas administrações diretas, fundos, autarquias, fundações e empresas
estatais dependentes;”.

Sobre o tema, cumpre ressaltar que a LRF é uma lei que estabelece normas de finanças públicas
voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal, em especial para tornar mais rigorosa a geração
de despesa pública, renúncia de receita e contratação de operação de crédito. Assim, a lei busca
tornar mais responsável o manejo de verbas públicas e do orçamento público. Nesse sentido,
a norma cria regras para todos os entes que dependem de rendas públicas, abrangendo,
portanto, todos os entes da administração, público ou privados, de qualquer poder, EXCETO
as ESTATAIS INDEPENDENTES.

A LRF define a empresa estatal dependente como a “empresa controlada que receba do ente
controlador recursos financeiros para pagamento de despesas com pessoal ou de custeio em
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geral ou de capital, excluídos, no último caso, aqueles provenientes de aumento de participação


acionária” (art. 2º, III). A contrario sensu, deduz-se que a estatal independente é aquela que não
recebe do ente controlador recursos para seu custeio.

Dessa forma, conclui-se que toda a administração pública está sujeita às cautelas da LRF,
exceto as estatais que NÃO recebem recursos públicos do seu controlador para pagar despesas
em geral - exceto aumento de participação acionária -, tal como o Banco do Brasil. Como tais
estatais independentes são custeadas por recursos próprios, angariados em sua própria atividade
empresarial, elas não demandam o deslocamento de verbas orçamentárias do ente federativo
controlador, logo o legislador admitiu que tais entidades fossem dispensadas do rigor da LRF.
Contudo, caso a estatal passe a ser deficitária, exigindo-se recursos do controlador para arcar com
suas despesas em geral, tal entidade passa a ser considerada uma estatal dependente, a qual está
sujeita aos termos da LRF.

Alternativa (B): incorreta. Conforme explicação do item (A), a lei se aplica a todos os Poderes.

Alternativa (C): incorreta. Idem.

Alternativa (D): incorreta. Temos aqui uma clássica “pegadinha” de provas objetivas, a saber,
a distinção entre requisito essencial para responsabilidade fiscal e impedimento de recebimento
de transferências voluntárias por inércia do uso efetivo da competência tributária em relação aos
impostos. Confira o art. 11 da LRF necessário para elucidação da questão:

Art. 11. Constituem requisitos essenciais da responsabilidade na gestão fiscal a


instituição, previsão e efetiva arrecadação de todos os TRIBUTOS da competência
constitucional do ente da Federação.

Parágrafo único. É vedada a realização de transferências voluntárias para o ente


que não observe o disposto no caput, no que se refere aos IMPOSTOS.

Como se nota, muito embora a LRF exija a arrecadação de todos os TRIBUTOS, apenas a não
arrecadação de IMPOSTOS acarreta a sanção de vedação de transferências voluntárias. Muito
embora questionável do ponto de vista teórico, o legislador optou por sancionar apenas a inércia
de arrecadação de impostos uma vez que tal requisito é de mais fácil verificação. Imagine, por
exemplo, a dificuldade em verificar se um Município instituiu todas as taxas que deveria fazer. Isso
exigiria verificar toda a prestação de serviços públicos remunerados por taxa, bem como todas as
atividades de poder de polícia que exigem o recolhimento de taxas pelos fiscalizados, sendo comum
a existência de dezenas de taxas em cada Municipalidade. Assim, mais factível analisar e punir
apenas a inobservância da arrecadação de impostos (que são apenas três na esfera municipal e
três na esfera estadual). Com base nesse raciocínio, recomendo decorar que é essencial arrecadar
todos os TRIBUTOS, mas apenas os IMPOSTOS serão punidos com a vedação de transferências
voluntárias. Muita atenção nesse quesito, pois as bancas usam esse “pega” recorrentemente.
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Alternativa (E): incorreta. Conforme acima explicado, apenas o ente que não institui e arrecada
os IMPOSTOS é punido com a impossibilidade de receber transferências voluntárias. Incorreta,
assim, a alternativa que vincula essa punição com a ausência de qualquer tributo.

GABARITO: ALTERNATIVA (A)

QUESTÃO 25. Sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal, assinale o item correto:

a) Os Municípios não podem gastar mais de 50% da sua receita corrente líquida com
despesas com pessoal.

b) Receita corrente líquida é apura subtraindo-se do montante total de receitas


correntes e tributárias as despesas de capital superiores a um exercício, estornando
eventuais duplicidades.

c) Caso um ente exceda o limite de despesa com pessoal será possível até mesmo a
demissão de servidores para a recondução da despesa a seus limites, vedado, contudo,
a exoneração daqueles que já sejam declarados estáveis no serviço público.

d) Segundo o STF é inconstitucional o estabelecimento de novas formas de redução


da despesa com pessoal na legislação complementar além daquelas já previstas na
Constituição, inclusive na Lei de Responsabilidade Fiscal.

e) O STF julgou inconstitucional a fixação de limites de despesa rígidos para os


Estados e Municípios por meio de lei federal, tendo em vista a autonomia dos entes
federativos.

COMENTÁRIO

Alternativa (A): incorreta. A Constituição outorga à lei complementar a fixação dos limites com
pessoal para todos os entes federativos (“Art. 169. A despesa com pessoal ativo e inativo da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios não poderá exceder os limites estabelecidos em
lei complementar”).

Tais limites foram finalmente estabelecidos no ano 2000 com a edição da LC 101/00, a famosa
Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Contudo, diversamente do que afirma o item, o limite de
despesa com pessoal para os Municípios é de 60% e não 50% da receita corrente líquida. Apenas
a União possui um limite mais rigoroso de 50%, tendo em vista que seu orçamento é mais generoso
que a dos outros entes federativos. Confira:

LC 101/00, Art. 19. Para os fins do disposto no caput do art. 169 da Constituição, a
despesa total com pessoal, em cada período de apuração e em cada ente da Federação,
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não poderá exceder os percentuais da receita corrente líquida, a seguir discriminados:

I - União: 50% (cinqüenta por cento);

II - Estados: 60% (sessenta por cento);

III - Municípios: 60% (sessenta por cento).

Alternativa (B): incorreta. De um modo simples e direto, pode-se dizer que a receita corrente
líquida é basicamente a totalidade das receitas correntes deduzidas as transferências
constitucionais obrigatórias e as receitas vinculadas com custeio da previdência. Decorar
esse conceito simplificado é o suficiente para acertas as questões de concurso, de todo modo o
conceito legal está disposto no art. 2º, inc. IV, que possui uma intrincada redação, a saber:

Art. 2º Para os efeitos desta Lei Complementar, entende-se como: IV - receita corrente
líquida: somatório das receitas tributárias, de contribuições, patrimoniais, industriais,
agropecuárias, de serviços, transferências correntes e outras receitas também correntes,
deduzidos:

a) na União, os valores transferidos aos Estados e Municípios por determinação


constitucional ou legal, e as contribuições mencionadas na alínea a do inciso I e no
inciso II do art. 195, e no art. 239 da Constituição;

b) nos Estados, as parcelas entregues aos Municípios por determinação constitucional;

c) na União, nos Estados e nos Municípios, a contribuição dos servidores para o custeio
do seu sistema de previdência e assistência social e as receitas provenientes da
compensação financeira citada no§ 9º do art. 201 da Constituição.

Alternativa (C): incorreta. Conforme já apontado, os entes federativos estão sujeitos a um limite
constitucional de despesa com pessoal (ativos e inativos), a saber, 50% da receita corrente líquida
da União e 60% da receita corrente líquida no caso de Estados e Municípios. Caso esse limite seja
extrapolado, o art. 169 da Constituição prevê o ajuste da despesa com pessoal de três formas: (i)
redução cargos e comissão e funções de confiança, (ii) exoneração de servidores não estáveis e,
excepcionalmente, (iii) exoneração de servidores estáveis mediante indenização, caso as medidas
anteriores não tenham bastado para reconduzir a despesa ao limite. Assim, incorreto o item na sua
parte final que exclui a possibilidade de exoneração de servidores estáveis. Confira a norma:

Art. 169 § 3º Para o cumprimento dos limites estabelecidos com base neste artigo,
durante o prazo fixado na lei complementar referida no caput, a União, os Estados, o
Distrito Federal e os Municípios adotarão as seguintes providências:

I - redução em pelo menos vinte por cento das despesas com cargos em comissão e
funções de confiança;

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II - exoneração dos servidores não estáveis.

§ 4º Se as medidas adotadas com base no parágrafo anterior não forem suficientes


para assegurar o cumprimento da determinação da lei complementar referida neste artigo,
o servidor estável poderá perder o cargo, desde que ato normativo motivado de cada
um dos Poderes especifique a atividade funcional, o órgão ou unidade administrativa
objeto da redução de pessoal.

§ 5º O servidor que perder o cargo na forma do parágrafo anterior fará jus a indenização
correspondente a um mês de remuneração por ano de serviço.

§ 6º O cargo objeto da redução prevista nos parágrafos anteriores será considerado


extinto, vedada a criação de cargo, emprego ou função com atribuições iguais ou
assemelhadas pelo prazo de quatro anos.

Alternativa (D): correta. Conforme vimos, o art. 169 prevê três formas de recondução da despesa
com pessoal. A LRF, contudo, vai além e prevê a possibilidade de reduzir despesa com pessoal por
meio da diminuição da remuneração dos servidores, com ou sem redução da jornada. Confirma a
norma:

Art. 23. Se a despesa total com pessoal, do Poder ou órgão referido no art. 20, ultrapassar
os limites definidos no mesmo artigo, sem prejuízo das medidas previstas no art. 22, o
percentual excedente terá de ser eliminado nos dois quadrimestres seguintes, sendo
pelo menos um terço no primeiro, adotando-se, entre outras, as providências previstas
nos §§ 3º e 4º do art. 169 da Constituição.

§ 1º No caso do inciso I do § 3º do art. 169 da Constituição, o objetivo poderá ser


alcançado tanto pela extinção de cargos e funções quanto pela redução dos valores a
eles atribuídos.

§ 2º É facultada a redução temporária da jornada de trabalho com adequação dos


vencimentos à nova carga horária

O STF, porém, julgou que a LRF inovou indevidamente em face da Constituição, prevendo hipótese
totalmente diversa das elencadas pelo constituinte. Com efeito, trata-se de hipótese de “silêncio
eloquente”: tendo o constituinte se manifestado apenas sobre aquelas três formas de redução do
gasto com pessoal, implicitamente vedou – com o silêncio – qualquer outra forma. Ademais, é de
se notar que a possibilidade de reduzir os salários dos servidores viola frontalmente a garantia
constitucional da irredutibilidade de vencimentos. Assim, por esses dois ângulos, a norma é
inconstitucional. Vide ementa da ADIN 2238-5 no tocante a esse tema:

“(...) XXV - Art. 23, §§ 1º e 2º: a competência cometida à lei complementar pelo § 3º
do art. 169 da Constituição Federal está limitada às providências nele indicadas, o
que não foi observado, ocorrendo, inclusive, ofensa ao princípio da irredutibilidade de
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vencimentos. Medida cautelar deferida para suspender, no § 1º do art. 23, a expressão


“quanto pela redução dos valores a eles atribuídos”, e, integralmente, a eficácia do § 2º
do referido artigo” (ADI 2238 MC, Relator: Min. ILMAR GALVÃO, Tribunal Pleno, julgado
em 09/08/2007).

e) O STF julgou inconstitucional a fixação de limites de despesa rígidos para os Estados e


Municípios por meio de lei federal, tendo em vista a autonomia dos entes federativos.

Alternativa (E): incorreta. Conforme explicitado no item (A), existe previsão constitucional expressa
para a aposição de limites com despesa com pessoal por meio de lei complementar. De todo
modo, mesmo outros limites e restrições com geração de despesa sem previsão constitucional
expressa foram considerados constitucionais por serem razoáveis e consentâneos com o equilíbrio
financeiro orçamentário, inexistindo afronta a autonomia dos entes federados. Confira trecho sobre
a constitucionalidade do art. 17 da LRF que fixa requisitos para a geração de despesas de caráter
continuado:

“Proposição que, por achar-se em sintonia com a lógica, não pode ser obviamente
considerada responsável pelo engessamento de qualquer dos Poderes de Estado ou
órgãos da Administração e, portanto, ofensiva ao princípio da separação dos Poderes.
Pela mesma razão, não se pode ver como atentatória ao princípio da autonomia dos
entes federados”. (ADI 2238 MC, Relator: Min. ILMAR GALVÃO, Tribunal Pleno, julgado
em 09/08/2007).

GABARITO: ALTERNATIVA (D)

PROFESSOR: FREDERICO LIRA


E-mail: profcei.fredericolira@gmail.com

DIREITO PREVIDENCIÁRIO

QUESTÃO 26. Sobre as contribuições para o custeio da seguridade social, assinale a


alternativa correta:

a) Nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderá ser criado, majorado ou


estendido sem a correspondente fonte de custeio total.

b) São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de


assistência social que atendam às exigências estabelecidas em Decreto Presidencial.

c) A pessoa jurídica em débito com a seguridade social, como estabelecido em lei,


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poderá contratar com o Poder Público, mas dele não poderá receber benefícios ou
incentivos fiscais ou creditícios.

d) Compete ao INSS planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à


tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições para
a seguridade social.

e) Para o STF, é inexigível a contribuição previdenciária do aposentado que permanece


em atividade ou a ela retorna após a inativação.

COMENTÁRIO
No que se refere às contribuições para o custeio da seguridade social, o candidato deve conhecer
a literalidade do art. 195 da Constituição, bastante cobrado nas provas de concursos públicos, sem
se descuidar da jurisprudência correlata ao tema.

Alternativa (A): correta. Trata-se do princípio da precedência da fonte de custeio ou


contrapartida, estabelecido no art. 195, § 5º, da Constituição da República.

Importante destacar que, para o STF, o art. 195, § 5º, da CF/88 somente diz respeito à seguridade
social financiada por toda a sociedade, sendo alheio às entidades de previdência privada (vide: RE
583687 AgR, rel. min. Ellen Gracie, Segunda Turma, j. em 29-3-2011).

Alternativa (B): incorreta. Nos termos do art. 195, § 7º, da CRFB/88, “são isentas de contribuição
para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências
estabelecidas em lei”. Registre-se que, embora o texto refira-se atecnicamente a “isenção”, o STF
reconhece no dispositivo verdadeira imunidade, haja vista a previsão constitucional.

Outrossim, para o STJ, inexiste direito adquirido à referida imunidade, devendo as entidades
assistenciais cumprir novos requisitos instituídos em lei para o seu gozo. É o que se depreende da
Súmula nº 352 do Tribunal da Cidadania, segundo a qual “a obtenção ou a renovação do Certificado
de Entidade Beneficente da Assistência Social (CEBAS) não exime a entidade do cumprimento dos
requisitos legais supervenientes”,

Alternativa (C): incorreta. Nos termos do art. 195, § 3º, da CRFB/88, “a pessoa jurídica em débito
com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder
Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios”.

Alternativa (D): incorreta. Nos termos do art. 2º, caput, da Lei nº 11.457/2007, compete à Secretaria
da Receita Federal do Brasil, planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à
tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições para a seguridade
social.

Com efeito, a Lei nº 11.457/2007 promoveu importante reforma na administração tributária


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federal, revogando a capacidade tributária ativa delegada ao INSS para a fiscalização e cobrança
das contribuições previdenciárias, de modo que, atualmente, cabe à autarquia federal apenas
administrar o plano de benefícios do RGPS.

Alternativa (E): incorreta. Com base no princípio da universalidade do custeio da previdência


social, o STF admite a incidência de contribuição previdenciária ao aposentado que retorna à
atividade. Vejamos:

Contribuição previdenciária: aposentado que retorna à atividade: CF, art. 201, § 4º;
Lei 8.212/1991, art. 12: aplicação à espécie, mutatis mutandis, da decisão plenária da
ADI 3.105, rel. p/ o ac. Peluso, DJ de 18-2-2005. A contribuição previdenciária do
aposentado que retorna à atividade está amparada no princípio da universalidade
do custeio da Previdência Social (CF, art. 195); o art. 201, § 4º, da CF, “remete à lei os
casos em que a contribuição repercute nos benefícios”.

(RE 437.640, rel. min. Sepúlveda Pertence, j. 5-9-2006, 1ª T, DJ de 2-3-2007.)

= (RE 372.506 AgR, rel. min. Gilmar Mendes, j. 7-2-2012, 2ª T, DJE de 23-2-2012)

GABARITO: ALTERNATIVA (A)

QUESTÃO 27. Julgue os itens a seguir a respeito do salário-de-contribuição previsto na


Lei nº 8.212/91:

I. O salário maternidade, como os demais benefícios previdenciários, não é


considerado salário-de-contribuição.

II. Para o STJ, incide a contribuição previdenciária sobre os adicionais noturno, de


insalubridade e de periculosidade.

III. O décimo terceiro salário (gratificação natalina) integra o salário-de-contribuição,


inclusive para o cálculo de benefício, na forma estabelecida em lei.

IV. Integram o salário de contribuição as importâncias recebidas a título de férias


indenizadas e respectivo adicional constitucional.

V. Para o STJ, não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título
de aviso prévio indenizado.

Assinale a única alternativa em que todos os itens estão corretos:

a) I, II e V.

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b) I, IV e V.

c) II, III e IV.

d) II e V.

e) IV e V.

COMENTÁRIO

O salário-de-contribuição é utilizado para a fixação do salário de benefício e, por conseguinte, para o


cálculo de todos os benefícios do RGPS, com exceção do salário-família e do salário-maternidade.
Em síntese, pode ser definido como a base de cálculo sobre a qual incidirá a contribuição
previdenciária do segurado, na forma do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Vamos às respostas:

Item (I): incorreto. Por expressa disposição legal, o salário-maternidade é o único benefício
previdenciário considerado como salário-de-contribuição, de modo que sobre ele incidirá a
contribuição previdenciária. É o que preveem os parágrafos 2º e 9º, “a”, do art. 28 da Lei nº 8.212/91,
in verbis:

Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição:

[...]

§ 2º O salário-maternidade é considerado salário-de-contribuição.

[...]

§ 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:

a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o salário-


maternidade;

Item (II): correto. Referidos adicionais são verbas, pagas pelo empregador, que possuem natureza
remuneratória (e não indenizatória), devendo, portanto, sofrer a incidência da contribuição
previdenciária.

No julgado adiante transcrito, o STJ discrimina algumas verbas sobre as quais incide a contribuição
previdenciária. Destacamos aquelas cobradas na alternativa:

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL.


TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME
GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. INCIDÊNCIA SOBRE AS SEGUINTES VERBAS:
SALÁRIO MATERNIDADE, FÉRIAS GOZADAS, FALTAS ABONADAS, HORAS
EXTRAS E RESPECTIVO ADICIONAL E ADICIONAIS NOTURNO, PERICULOSIDADE
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E INSALUBRIDADE.

1. A Primeira Seção/STJ, ao apreciar o REsp 1.230.957/RS (Rel. Min. Mauro Campbell


Marques, DJe de 18.3.2014), aplicando a sistemática prevista no art. 543-C do CPC,
pacificou orientação no sentido de que incide contribuição previdenciária (RGPS) sobre
a verba paga a título de salário maternidade.

2. A não incidência de contribuição previdenciária em relação à importância paga nos


quinze dias que antecedem o auxílio-doença não pode ser ampliada para os casos em
há afastamento, esporádico, em razão de falta abonada. Isso porque o parâmetro para
incidência da contribuição previdenciária é a existência de verba de caráter salarial, de
modo que não é qualquer afastamento do empregado que implica sua não incidência
(EDcl no REsp 1.444.203/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe de 26.8.2014).

3. O pagamento de férias gozadas possui natureza remuneratória e salarial, nos termos


do art. 148 da CLT, e integra o salário de contribuição (AgRg nos EAREsp 138.628/AC,
1ª Seção, Rel. Min. Sérgio Kukina, DJe de 18.8.2014; AgRg nos EREsp 1.355.594/PB,
1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 17.9.2014).

4. A Primeira Seção/STJ, ao apreciar o REsp 1.358.281/SP (Rel. Min. Herman Benjamin,


Sessão Ordinária de 23.4.2014), aplicando a sistemática prevista no art. 543-C do CPC,
pacificou orientação no sentido de que incide contribuição previdenciária (RGPS)
sobre as horas extras e respectivo adicional, e sobre os adicionais noturno e de
periculosidade (Informativo 540/STJ).

5. A orientação desta Corte é firme no sentido de que o adicional de insalubridade


integra o conceito de remuneração e se sujeita à incidência de contribuição
previdenciária (AgRg no AREsp 69.958/DF, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de
20.6.2012; AgRg no REsp 957.719/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 2.12.2009).

6. Agravo regimental não provido.

(STJ - AgRg no REsp: 1476604 RS 2014/0212235-0, Relator: Ministro MAURO


CAMPBELL MARQUES, Data de Julgamento: 23/10/2014, T2 - SEGUNDA TURMA,
Data de Publicação: DJe 05/11/2014)

Item (III): incorreto. Nos termos do art. 28, § 7º, da Lei nº 8.212/91, “o décimo-terceiro salário
(gratificação natalina) integra o salário-de-contribuição, exceto para o cálculo de benefício, na
forma estabelecida em regulamento”.

Neste sentido, “é legítima a incidência da contribuição previdenciária sobre o 13º salário” (Súmula
nº 688 do STF).

Item (IV): incorreto. As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e o respectivo adicional
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constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o


art. 137 da CLT, não integram o salário-de-contribuição, por força da previsão contida no art. 28, §
9º, “d”, da Lei nº 8.212/91. Isto porque tais verbas ostentam nítida natureza indenizatória.

Item (V): correto. A Lei nº 8.212/91 é silente quanto ao aviso prévio indenizado integrar (ou não) o
salário-de-contribuição. No entanto, o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento de que
não incide Contribuição Previdenciária sobre aviso prévio, dada sua natureza indenizatória (cf.
REsp. 1.230.957/RS, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJE 17.03.2014, julgado sob
o rito do art. 543-C do CPC/1973 e Res. 8/STJ).

Como se pode observar, portanto, o candidato deve sempre vislumbrar a natureza jurídica da
verba (isto é, se remuneratória ou indenizatória) para definir se incidirá (ou não) a contribuição
previdenciária.

GABARITO: ALTERNATIVA (D)

DIREITO AGRÁRIO

QUESTÃO 28. Sobre a desapropriação por interesse social para fins de reforma agrária,
e de acordo com a jurisprudência do STF e do STJ, assinale a alternativa incorreta:

a) Os Estados-membros e os Municípios não dispõem do poder de desapropriar


imóveis rurais, por interesse social, para efeito de reforma agrária, inclusive para
fins de implementação de projetos de assentamento rural ou de estabelecimento de
colônias agrícolas.

b) O valor da indenização referente à desapropriação de terra para fins de reforma


agrária deve corresponder à dimensão da área da propriedade efetivamente registrada
no cartório de registro de imóveis competente, em razão da fé pública de que goza o
documento.

c) A área de reserva legal, para ser excluída do cálculo da produtividade do imóvel,


deve ter sido averbada no registro imobiliário antes da vistoria.

d) São insuscetíveis de desapropriação para fins de reforma agrária a pequena e média


propriedade rural, assim definida em lei, desde que seu proprietário não possua outra,
e a propriedade produtiva.

e) A prática ilícita de esbulho possessório que compromete a racional e adequada


exploração do imóvel rural constitui causa inibitória da válida edição do decreto
presidencial consubstanciador da declaração expropriatória, por interesse social, para
fins de reforma agrária.
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COMENTÁRIO
O enfoque da questão é a jurisprudência dos tribunais superiores a respeito da desapropriação
por interesse social para fins de reforma agrária, sem prejuízo da abordagem dos dispositivos
constitucionais pertinentes.

Alternativa (A): correta. É o que decidiu o STF no julgamento do RE 496.861 AgR (rel. min. Celso
de Mello, j. 30-6-2015, 2ª T, DJE de 13-8-2015).

Com efeito, nos termos do art. 184, caput, da CRFB/88, “compete à União desapropriar por interesse
social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social,
mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do
valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja
utilização será definida em lei”.

Alternativa (B): incorreta. Deve ser considerada, para este fim, a exata dimensão da propriedade,
sob pena de acarretar enriquecimento ilícito a uma das partes caso a área constante do registro
seja diversa. Confira-se a jurisprudência do STJ a respeito do tema:

DESAPROPRIAÇÃO. REFORMA AGRÁRIA. ÁREA EFETIVAMENTE


DESAPROPRIADA. LEVANTAMENTO. ÁREA REGISTRADA. DEPÓSITO.
RETIFICAÇÃO DE REGISTRO OU DEFINIÇÃO DO DOMÍNIO POR AÇÃO PRÓPRIA.
VALOR DA INDENIZAÇÃO. ART. 26 DO DECRETO-LEI 3.365/1941 E ART. 12, § 2º,
DA LC 76/1993. DATA DA AVALIAÇÃO DO IMÓVEL.

[...] 2. É consentâneo ao princípio da justa indenização que os valores correspondam


à exata dimensão da propriedade. Assim, não faz sentido vincular-se, de maneira
indissociável, o valor da indenização à área registrada, pois, como já consignado, tal
procedimento poderia acarretar, em certos casos, o enriquecimento sem causa de uma
ou de outra parte, caso a área constante do registro seja superior. Assim, para fins
indenizatórios, o alcance do justo preço recomenda que se adote a área efetivamente
expropriada, evitando-se prejuízo a qualquer das partes.

REsp 1.115.875/MT, Min. MAURO CAMPBELL, STJ, 2ª Turma, DJe 03/02/2011.

Alternativa (C): correta. É o que decidiu o STJ no julgamento do REsp 1297128 BA (rel. min
Eliana Calmon, j. 6-6-2013, T2 – 2ª T, DJe de 13-6-2013). No mesmo sentido, colaciona-se o
entendimento do STF:

DECRETO EXPROPRIATÓRIO E TRANSMISSÃO “MORTIS CAUSA”. FAZENDA


INVADIDA POR INTEGRANTES DO MST. PERÍODO POSTERIOR À REALIZAÇÃO
DA VISTORIA.

[...] 2. A invasão do imóvel por integrantes do Movimento dos Sem-Terra ocorreu em


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período posterior à conclusão das vistorias realizadas pelo INCRA, de modo que não
teve o condão de influenciar nos resultados encontrados sobre a produtividade da
fazenda. Precedentes. 3. O imóvel rural objeto da futura partilha entre herdeiros continua
sendo único até o fim do inventário, embora com mais de um proprietário, formando um
condomínio. Precedentes. 4. Para a exclusão das áreas de preservação permanente ou
de reserva legal, estas devem estar devidamente averbadas no respectivo registro do
imóvel.

(MS 24.924/DF - STF, Min. JOAQUIM BARBOSA, Pleno, DJe 04/11/2011.)

Alternativa (D): correta. É a expressa disposição do art. 185 da Constituição da República, in


verbis:

Art. 185. São insuscetíveis de desapropriação para fins de reforma agrária:

I - a pequena e média propriedade rural, assim definida em lei, desde que seu proprietário
não possua outra;

II - a propriedade produtiva.

Neste sentido, “é possível decretar-se a desapropriação-sanção, mesmo que se trate de pequena ou


de média propriedade rural, se resultar comprovado que o proprietário afetado pelo ato presidencial
também possui outra propriedade imobiliária rural” (STF - MS 24.595, rel. min. Celso de Mello, j.
20-9-2006, P, DJ de 9-2-2007.)

Alternativa (E): correta. Conforme reiterada jurisprudência do STF, os atos configuradores de


violação possessória, além de instaurarem situações impregnadas de inegável ilicitude civil e penal,
traduzem hipóteses caracterizadoras de força maior, aptas, quando concretamente ocorrentes, a
infirmar a própria eficácia da declaração expropriatória. Vejamos:

A prática ilícita do esbulho possessório que compromete a racional e adequada


exploração do imóvel rural qualifica-se, em face do caráter extraordinário que decorre
dessa anômala situação, como hipótese configuradora de força maior, constituindo, por
efeito da incidência dessa circunstância excepcional, causa inibitória da válida edição
do decreto presidencial consubstanciador da declaração expropriatória, por interesse
social, para fins de reforma agrária, notadamente naqueles casos em que a direta e
imediata ação predatória desenvolvida pelos invasores culmina por frustrar a própria
realização da função social inerente à propriedade.

(MS 32.752 AgR, rel. min. Celso de Mello, j. 17-6-2015, P, DJE de 10-8-2015.)

GABARITO: ALTERNATIVA (B)

LEGISLAÇÃO DE ENSINO

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QUESTÃO 29. “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será


promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento
da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”
(art. 205, CRFB/88).

Sobre a disciplina constitucional da educação, assinale a alternativa correta:

a) Dentre os princípios com base nos quais o ensino será ministrado estão o da
igualdade de condições para o acesso e permanência na escola, o do pluralismo de
ideias e de concepções pedagógicas e o da universalização do atendimento escolar.

b) As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão


financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino,
pesquisa e extensão, sendo-lhes facultado admitir professores, técnicos e cientistas
estrangeiros, na forma da lei complementar.

c) Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, que será ministrado
somente em língua portuguesa, de maneira a assegurar formação básica comum e
respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais.

d) A lei estabelecerá o plano nacional de educação, de duração quinquenal, com o


objetivo de articular o sistema nacional de educação em regime de colaboração e
definir diretrizes, objetivos, metas e estratégias de implementação para assegurar
a manutenção e desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis, etapas e
modalidades por meio de ações integradas dos poderes públicos das diferentes
esferas federativas.

e) A União organizará o sistema federal de ensino e o dos Territórios, financiará


as instituições de ensino públicas federais e exercerá, em matéria educacional,
função redistributiva e supletiva, de forma a garantir equalização de oportunidades
educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência técnica e
financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios.

COMENTÁRIO
A questão se propõe a abordar, da forma mais abrangente possível, a literalidade dos artigos 205 a
214 da Constituição da República, recomendando-se ao candidato leitura atenta dos mencionados
dispositivos, muito exigidos em provas de concursos públicos.

Alternativa (A): incorreta. A CRFB/88 estabelece no seu art. 206, caput, os “princípios” com base
nos quais o ensino será ministrado, quais sejam: (I) igualdade de condições para o acesso e
permanência na escola; (II) liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a
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arte e o saber; (III) pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições


públicas e privadas de ensino; (IV) gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; (V)
valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira,
com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas;
(VI) gestão democrática do ensino público, na forma da lei; (VII) garantia de padrão de qualidade;
e (VIII) piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos
termos de lei federal.

Como se vê, não figura no elenco dos princípios a “universalização do atendimento escolar”, que,
na verdade, está prevista no art. 214 da CRFB/88 como um dos objetivos a serem perseguidos no
Plano Nacional de Educação (atualmente: Lei nº 13.005/2014).

Alternativa (B): incorreta. A Constituição da República não reserva tal matéria à lei complementar,
sendo suficiente simples lei ordinária. Vejamos:

Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de


gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre
ensino, pesquisa e extensão.

§ 1º É facultado às universidades admitir professores, técnicos e cientistas estrangeiros,


na forma da lei.

§ 2º O disposto neste artigo aplica-se às instituições de pesquisa científica e tecnológica.

Alternativa (C): incorreta. Visando a concretizar o princípio da igualdade de condições para o


acesso e permanência na escola e em prestígio aos valores culturais nacionais, a Constituição
assegura às comunidades indígenas também a utilização de suas línguas maternas e processos
próprios de aprendizagem. É o que dispõe o seu art. 210, § 2º, in verbis:

Art. 210. Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a
assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais
e regionais.

§ 1º O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários


normais das escolas públicas de ensino fundamental.

§ 2º O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa, assegurada


às comunidades indígenas também a utilização de suas línguas maternas e processos
próprios de aprendizagem.

Alternativa (D): incorreta. Nos termos do art. 214 da CRFB/88, o Plano Nacional de Educação
terá duração decenal, sendo conveniente relembrar que o PNE em vigor é o aprovado pela Lei nº
13.005/2014. Por oportuno, transcreve-se a literalidade do referido dispositivo constitucional:

Art. 214. A lei estabelecerá o plano nacional de educação, de duração decenal, com
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o objetivo de articular o sistema nacional de educação em regime de colaboração e


definir diretrizes, objetivos, metas e estratégias de implementação para assegurar a
manutenção e desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis, etapas e modalidades
por meio de ações integradas dos poderes públicos das diferentes esferas federativas
que conduzam a:

I - erradicação do analfabetismo;

II - universalização do atendimento escolar;

III - melhoria da qualidade do ensino;

IV - formação para o trabalho;

V - promoção humanística, científica e tecnológica do País.

VI - estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como


proporção do produto interno bruto.

Alternativa (E): correta. É o que prevê o art. 211, § 1º, da Constituição da República, devendo ser
enfatizada a função redistributiva e supletiva da União em matéria educacional.

GABARITO: ALTERNATIVA (E)

DIREITO INTERNACIONAL

QUESTÃO 30. Sobre os tratados internacionais, assinale a alternativa incorreta:

a) A negociação é a fase inicial do processo de elaboração dos tratados, em que as


partes discutem os termos do ato internacional. No Brasil, compete privativamente
ao Presidente da República celebrar tratados, convenções e atos internacionais, que,
todavia, pode delegá-la a outras autoridades.

b) A assinatura representa o fim da fase de negociação, sendo o ato pelo qual os


negociadores expressam sua aquiescência com os termos do tratado. Embora, via de
regra, o tratado não entre em vigor com a assinatura, os signatários já ficam obrigados
a não atuarem de modo a comprometer o seu objeto.

c) A ratificação, ato pelo qual um Estado manifesta seu consentimento em obrigar-se


com as normas do tratado, é ato discricionário e, no Brasil, depende de autorização
parlamentar, manifestada por decreto legislativo do Congresso Nacional.

d) De acordo com a Convenção de Viena, a vigência do tratado depende de registro


na ONU, pois somente então o ato terá publicidade perante a sociedade internacional.
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e) A adesão é o ato pelo qual um Estado ou organização internacional manifesta


vontade de se tornar parte de um tratado já assinado ou em vigor, somente podendo
ocorrer quanto aos tratados abertos.

COMENTÁRIO

Na definição de Paulo Henrique Gonçalves Portela, os tratados são acordos escritos, firmados
por Estados e organizações internacionais dentro dos parâmetros estabelecidos pelo Direito
Internacional Público, com o objetivo de produzir efeitos jurídicos no tocante a temas de interesses
comuns. Dentre as fontes do Direito Internacional, é a que possui maior destaque, o que se reflete
nas questões de prova.

Alternativa (A): correta. De fato, a negociação é a primeira fase do processo de elaboração dos
tratados, na qual as partes discutem e estabelecem os seus termos, reunidas nas “rodadas de
negociação”. A condução das negociações é feita pelas autoridades competentes para concluir os
tratados, mas isso não significa que os Chefes de Estado ou de Governo precisem estar presentes
pessoalmente nas rodadas, pois elas podem ser conduzidas pelos chamados “plenipotenciários”,
que são funcionários com plenos poderes para representar o Estado (p. ex. Ministro das Relações
Exteriores).

No Brasil, a competência para negociar tratados, do ponto de vista orgânico, é da União, a quem
compete, nos termos do art. 21, I, da CRFB/88, “manter relações com Estados estrangeiros e
participar das organizações internacionais”.

Já o art. 84, VII e VII, da CRFB/88, consagra a competência PRIVATIVA (e, portanto, passível de
delegação) do Presidente da República para “celebrar tratados, convenções e atos internacionais,
sujeitos a referendo do Congresso Nacional”.

Alternativa (B): correta. A assinatura expressa a concordância dos negociadores quanto aos termos
do tratado. Segundo ensina Paulo Henrique Portela, a assinatura encerra a fase das negociações,
expressa a concordância dos negociadores com o teor do acordo e representara adoção e
autenticação do texto, que será então encaminhado para ratificação (in Direito Internacional
Público e Privado, 8ª ed., Salvador: ed. JusPodivm, 2016. Págs. 101-102.).

Ainda que a ratificação ponha fim à fase de negociações, a exigibilidade dos tratados, em regra,
depende de atos posteriores. Deve-se observar, porém, que a assinatura traz determinadas
consequências imediatas para os signatários, obrigando-os a não atuar de forma a comprometer
seu objeto e impedindo-os de alterar unilateralmente o teor do acordo assinado.

Excepcionalmente, os tratados podem obrigar as partes desde a assinatura, como ocorre no caso
dos acordos executivos, dos atos internacionais que não impliquem em novos compromissos
externos para os signatários, bem como daqueles em que haja expressa disposição nesse sentido.

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Alternativa (C): correta. A ratificação é o ato pelo qual o Estado confirma seu interesse em concluir
o tratado e manifesta, em âmbito internacional, seu consentimento em obrigar-se por suas normas,
representando, assim, a aceitação definitiva do acordo.

No Brasil, a ratificação é ato privativo no Presidente da República, sujeito, todavia, a autorização


parlamentar. Neste contexto, a Constituição da República, em seu art. 49, I, prevê que compete
ao Congresso Nacional, em caráter exclusivo, “resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou
atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional”.

Como se observa, a deliberação do Congresso é definitiva, no sentido de que, se não for dada
a autorização, o Presidente não pode ratificar o tratado. Por outro lado, como a ratificação é ato
discricionário, o Presidente não fica obrigado a ratificar um tratado que foi aprovado pelo Congresso
Nacional.

Finalmente, é muito importante que o candidato memorize que a autorização do Congresso


Nacional para ratificar tratado é materializada por decreto legislativo, promulgado pelo Presidente
do Senado Federal.

Alternativa (D): incorreta. Embora um dos objetivos do registro seja conferir publicidade ao
tratado perante a sociedade internacional, contribuindo para a consolidação das normas de Direito
Internacional, é possível concluir, a partir da leitura do art. 80 da Convenção de Viena sobre o
Direito dos Tratados, que a vigência do tratado independe de registro na ONU. Observe-se:

Artigo 80

1. Após sua entrada em vigor, os tratados serão remetidos ao Secretariado das Nações
Unidas para fins de registro ou de classificação e catalogação, conforme o caso, bem
como de publicação.

Assim, o registro é ato posterior à entrada em vigor do tratado, representando apenas uma condição
para que o tratado possa ser invocado nos órgãos das Nações Unidas, como estabelece o art. 102
da Carta da ONU, in verbis:

Artigo 102

1. Todo tratado e todo acordo internacional, concluídos por qualquer Membro das Nações
Unidas depois da entrada em vigor da presente Carta, deverão, dentro do mais breve
prazo possível, ser registrados e publicados pelo Secretariado.

2. Nenhuma parte em qualquer tratado ou acordo internacional que não tenha sido
registrado de conformidade com as disposições do parágrafo 1º deste Artigo poderá
invocar tal tratado ou acordo perante qualquer órgão das Nações Unidas.

Alternativa (E): correta. A adesão é o ato pelo qual um Estado ou organização internacional que
não participou da fase de negociação, ou que não ratificou o tratado no prazo, manifesta vontade
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de se tornar parte do tratado já assinado ou em vigor, vinculando-se aos compromissos nele


estabelecidos. A possibilidade de adesão pode ser prevista no próprio tratado ou em outros atos
internacionais, a exemplo dos chamados protocolos de adesão.

A questão também cobrou o conhecimento da classificação subjetiva dos tratados quanto ao critério
de abertura a terceiros (ou simplesmente quanto à possibilidade de adesão), segundo a qual os
tratados podem ser:

1) Abertos: a adesão posterior é possível, permitindo-se que outros sujeitos de Direito


Internacional se comprometam com as normas de um tratado já concluído (ex: Carta da
ONU);

2) Fechados: a adesão posterior é vedada (ex: Tratado de Cooperação Amazônica –


TCA).

Há quem fale, ainda, em tratados semifechados, que seriam aqueles em que a adesão posterior é
possível, mas é condicionada ao atendimento de requisitos.

GABARITO: ALTERNATIVA (D)

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QUESTÕES DISSERTATIVAS

ORIENTAÇÃO: responder em no máximo 25 linhas (utilize a folha de resposta disponibilizada


na área do aluno). Procure responder com consulta tão somente à legislação seca e com
agilidade, a fim de simular a situação encontrada em prova.

PROFESSOR: FREDERICO LIRA


E-mail: profcei.fredericolira@gmail.com

DIREITO PREVIDENCIÁRIO

QUESTÃO 1. O que se entende por desaposentação? É admissível a desaposentação


no âmbito do Regime Geral da Previdência Social (RGPS)? Responda fundamentadamente,
abordando a legislação de regência e a jurisprudência do STJ e do STF a respeito do tema.

A resposta para correção individualizada pode ser enviada para o seguinte e-mail, até o dia
09/02/2017: profcei.fredericolira@gmail.com

PROFESSOR: BRUNO MEGNA


E-mail: profcei.brunomegna@gmail.com

DIREITO PROCESSUAL CIVIL

QUESTÃO 2. Comente o tratamento dado pelo Código de Processo Civil atual à “teoria
das condições da ação”, exemplificando sua aplicação no âmbito fazendário.

A resposta para correção individualizada pode ser enviada para o seguinte e-mail, até o dia
09/02/2017: profcei.brunomegna@gmail.com

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PEÇA PROFISSIONAL

ORIENTAÇÃO: responder em no máximo 150 linhas (utilize a folha de resposta disponibilizada


na área do aluno). Não se identifique no corpo da resposta, procure responder com consulta
tão somente à legislação seca e com agilidade, a fim de simular a situação encontrada em
prova.

PROFESSOR: RODOLFO CURSINO


E-mail: profcei.rodolfocursino@gmail.com

DIREITO TRIBUTÁRIO

Considere o seguinte caso hipotético:

A Empresa ABC LTDA, em 10/01/2004, entregou declaração referente ao ICMS do mês


de janeiro de 2004, devido ao Estado de Pernambuco, mas não procedeu ao respectivo
pagamento. Após a notificação para pagamento, e diante da inércia, procedeu-se à inscrição
em dívida ativa, no valor total de R$200.000,00, e notificação da empresa, sendo ajuizada
execução fiscal em 09/01/2009, junto à 1ª Vara da Fazenda Pública da Capital, com despacho
citatório proferido em 09/01/2009 e efetiva citação da empresa em 10/06/2009.

Após a realização de diversas diligências, em cumprimento de mandado de penhora, o


Oficial de Justiça certificou, em 10/01/2011, que a empresa não mais funcionava em seu
domicílio fiscal, motivo pelo qual o Estado de Pernambuco, em 10/01/2015, requereu o
redirecionamento em face de João, fundador e único sócio administrador da empresa,
procedendo-se, em seguida, após a sua citação e diante de sua inércia, à penhora online,
via BACENJUD, de R$100.000,00 em sua conta corrente, em 10/03/2015.

João fora intimado da penhora em 10/06/2016, tendo o mandado de intimação sido juntado
aos autos em 10/10/2016. Em 20/10/2016, João opôs embargos à execução, alegando, em
síntese: 1) sua ilegitimidade passiva, uma vez que não foram demonstrados motivos legais
para sua responsabilização pelo pagamento do débito; 2) a ocorrência de prescrição do
redirecionamento, eis que ocorreu após cinco anos da citação da pessoa jurídica; 3) a
ocorrência de decadência, uma vez que não houve o lançamento pela autoridade fiscal;
4) a ocorrência de prescrição, já que se passaram mais de cinco anos entre a constituição
do crédito tributário e a efetiva citação da empresa; e 5) a nulidade da penhora online e o
levantamento dos valores, uma vez que não fora obedecida a ordem legal de penhora e a
norma do artigo 185-A, do CTN, em que se exige o esgotamento de outras diligências para
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utilização da indisponibilidade de ativos financeiros.

Estando os embargos devidamente instruídos e a Fazenda Estadual intimada, apresente,


na qualidade de Procurador Estadual responsável pelo feito, a peça processual pertinente
à defesa dos interesses estaduais. Não é necessário datar a peça ou comprovar sua
tempestividade. Ao final, a título de assinatura, consigne apenas “Procurador Estadual”.

A resposta para correção individualizada pode ser enviada para o seguinte e-mail, até o dia
09/02/2017: profcei.rodolfocursino@gmail.com

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