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Letramento na EJA

Ana Regina Melo Salviano


Maria das Dores Brigagão
Norma D’ Albuquerque Augusto
Regina Cláudia Coelho Netto

Uma visão transformadora


de mundo, articulando
teoria e prática.
Letramento na EJA
Uma visão transformadora de mundo,
articulando teoria e prática.

Ana Regina Melo Salviano


Maria das Dores Brigagão
Norma D’ Albuquerque Augusto
Regina Cláudia Coelho Netto

Brasília, 2014.
REITORIA

Reitor
Getúlio Américo Moreira Lopes

Vice-Reitor
Edevaldo Alves da Silva

Pró-Reitora Acadêmica
Elizabeth Regina Lopes Manzur Documento Orientador
Pró-Reitor Administrativo e Financeiro Alfabetização e Letramento na EJA:
Edson Elias Alves da Silva uma visão transformadora de mundo,
articulando teoria e prática.
Secretário-Geral
Maurício de Souza Neves Filho Equipe da Educação de Jovens e Adultos:

DIRETORIA Profª. Drª. Renata Innecco Bittencourt de Carvalho


Profª. MS. Ana Regina Melo Salviano
Diretor Acadêmico Profª. ESP. Maria das Dores Brigagão
Carlos Alberto da Cruz Profª. MS. Norma D’ Albuquerque Augusto
Profª. MS. Regina Cláudia Coelho Netto
Diretor Administrativo e Financeiro
Geraldo Jorge Batista Rabelo Autores:
Ana Regina Melo Salviano
ASSESSORIA DE EXTENSÃO E Maria das Dores Brigagão
INTEGRAÇÃO COMUNITÁRIA Norma D’ Albuquerque Augusto
Regina Cláudia Coelho Netto
Assessora de Extensão e Integração Comunitária
Renata Innecco Bittencourt de Carvalho Capa: Bruna Saraiva Pagy

Dados  Internacionais  de  Catalogação  na  Publicação  (CIP)  

Salviano, Ana Regina Melo [et al.]


Alfabetização e letramento na EJA: uma visão transformadora
de mundo, articulando teoria e prática. / Salviano, Ana Regina
Melo; prefácio; Renata Innecco Bittencourt de Carvalho. – Brasília:
UniCEUB, 2014.

141 p.

1. Alfabetização. 2. Letramento. 3. Capacitação de


Alfabetizadores I. Brigagão, Maria das Dores. II. Augusto, Norma
D’ Albuquerque. III. Coelho Neto, Regina Cláudia. IV Carvalho,
Renata Innecco Bittencourt de.

CDU 374.7
Ficha  Catalográfica  elaborada  pela  Biblioteca  Reitor  João  Herculino  
Sumário

PREFÁCIO................................................................................................................................................................................. 9

APRESENTAÇÃO.................................................................................................................................................................... 11

INTRODUÇÃO........................................................................................................................................................................ 13

CAPÍTULO I - CONHECENDO O ALUNO DE EJA................................................................................................................... 19


1.1 DINÂMICA DA CABRA-CEGA.................................................................................................................................... 19
1.2 CARACTERÍSTICAS DO ADULTO................................................................................................................................ 19
1.3 PRESSUPOSTOS PARA ATUAÇÃO NA EJA................................................................................................................. 20
1.3.1 SLIDES ORIENTADORES > ARQUIVO ANEXO................................................................................................... 20
1.4 DIAGNÓSTICO SOCIOECONÔMICO........................................................................................................................ 20
1.4.1 SLIDES ORIENTADORES > ARQUIVO ANEXO................................................................................................... 21
1.5 CARTEIRA DE IDENTIDADE....................................................................................................................................... 21
1.5.1 SLIDES ORIENTADORES > VER ANEXO............................................................................................................ 21
1.6 PEDAGOGIA E ANDRAGOGIA.................................................................................................................................. 22
1.6.1 SLIDES ORIENTADORES > VER ANEXO............................................................................................................ 22
1.7 REFLETINDO SOBRE A AUTOESTIMA....................................................................................................................... 22
1.7.1 DINÂMICA: “A ESCOLHA”................................................................................................................................ 22
1.7.2 SLIDES ORIENTADORES > VER ANEXO............................................................................................................ 24
1.7.3 TESTE SUA AUTOESTIMA ................................................................................................................................ 25

CAPÍTULO II - EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: EVOLUÇÃO E COMPROMISSOS....................................................... 29


2.1 BASE LEGAL EM EJA................................................................................................................................................. 30
2.1.1 A CONSTITUIÇÃO.............................................................................................................................................. 30
2.1.2 LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL – LDB 9.394/96 E
A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS...................................................................................................................... 30
2.2 EJA E AS AÇÕES NACIONAIS E INTERNACIONAIS: - AVANÇOS E PERSPECTIVAS.................................................. 31
2.2.1 MARCOS NACIONAIS....................................................................................................................................... 31
2.2.1.1 DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS........................................................................................... 31
2.2.1.2 PLANO NACIONAL DA EDUCAÇÃO – PNE (1993 – 2003)................................................................... 32
2.2.1.3 PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS....................................................................................... 32
2.3 MARCOS INTERNACIONAIS...................................................................................................................................... 33

CAPÍTULO III - EJA: CONTEXTOS E REALIDADE................................................................................................................... 37


3.1 DINÂMICA DE INTEGRAÇÃO (BIS)............................................................................................................................ 37
3.2 DADOS HISTÓRICOS.................................................................................................................................................. 38
3.3. DADOS DA ALFABETIZAÇÃO SOLIDÁRIA................................................................................................................ 39
3.3.1 – GRÁFICOS E TABELAS.................................................................................................................................... 39
3.4 DADOS ATUAIS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO BRASIL..................................................................... 41
3.5 PANORAMA GERAL DA ALFABETIZAÇÃO NA EJA NO DISTRITO FEDERAL............................................................ 43
3.6 PROGRAMAS FEDERAIS DE ALFABETIZAÇÃO ......................................................................................................... 44
3.7 PROPOSTAS GERAIS DE METODOLOGIAS DE ALFABETIZAÇÃO ............................................................................ 48
3.7.6 SLIDES ORIENTADORES > VER ANEXO............................................................................................................ 48
CAPÍTULO IV - LETRAMENTO E ALFABETIZAÇÃO: PRINCÍPIOS GERAIS........................................................................... 51
4.1 DINÂMICA DA CARTA ENIGMÁTICA......................................................................................................................... 51
4.2 BASE CONCEITUAL ................................................................................................................................................... 52
4.2.1 LETRAMENTO É DIFERENTE DE ALFABETIZAÇÃO.......................................................................................... 52
4.2.2 ALFABETIZAÇÃO............................................................................................................................................... 53
4.2.3 LETRAMENTO.................................................................................................................................................... 53
4.2.4 COMO ALFABETIZAR LETRANDO?................................................................................................................... 53
4.3 ALFABETIZANDO, LETRANDO, MATEMATIZANDO E INTERDISCIPLINANDO EM EJA: - ALGUNS SEGREDOS..... 55
4.5 PRÁTICAS DE LEITURA E ESCRITA: - USOS SOCIAIS................................................................................................ 55
4.5.1 SLIDES ORIENTADORES > VER ANEXO............................................................................................................ 56

CAPÍTULO V - VISÃO GERAL DOS MÉTODOS...................................................................................................................... 59


5.1 MÉTODOS DE ALFABETIZAÇÃO................................................................................................................................ 60
5.1.1 MÉTODO SINTÉTICO........................................................................................................................................ 60
5.1.2 MÉTODO ANALÍTICO........................................................................................................................................ 60
5.1.3 ECLÉTICO OU MISTO........................................................................................................................................ 60
5.2 SLIDES ORIENTADORES > VER ANEXO..................................................................................................................... 61
5.3 METODOLOGIA PAULOFREIREANA.......................................................................................................................... 62
5.3.1 DINÂMICA DO BALÃO...................................................................................................................................... 62
5.3.2 FUNDAMENTOS METODOLÓGICOS ............................................................................................................... 63
5.4 CÍRCULOS DE CULTURA............................................................................................................................................ 63
5.5 PAULO FREIRE............................................................................................................................................................ 66
5.5.1 BIOGRAFIA E IDEOLOGIA................................................................................................................................. 66
5.5.2 PRINCÍPIOS BÁSICOS........................................................................................................................................ 66
5.5.3 METODOLOGIA ................................................................................................................................................ 66
5.5.3.1 FASES DE ELABORAÇÃO E DE EXECUÇÃO DO MÉTODO.................................................................... 67
5.5.3.2 EXCECUÇÃO PRÁTICA........................................................................................................................... 67
5.6 SLIDES ORIENTADORES > VER ANEXO..................................................................................................................... 68
5.7 PRÁTICA PEDAGÓGICA............................................................................................................................................. 68
5.7.1 PALAVRA GERADORA EM PAULO FREIRE....................................................................................................... 68
5.8 ALFABETIZAÇÃO NA PERSPECTIVA CONSTRUTIVISTA............................................................................................ 71
5.8.1 DINÂMICA: VOCÊ É DISCIPLINADO?............................................................................................................... 71
5.8.2 NÍVEIS DE ALFABETIZAÇÃO............................................................................................................................. 71
5.8.2.1 ASPECTOS DO NÍVEL PRÉ-SILÁBICO................................................................................................... 71
5.8.2.2 ASPECTOS DO NÍVEL SILÁBICO........................................................................................................... 73
5.8.2.3 NÍVEL SILÁBICO PARA O ALFABÉTICO................................................................................................ 74
5.8.2.4 NÍVEL ALFABÉTICO.............................................................................................................................. 74
5.8.2.5 SÍNTESE DE ATIVIDADES NOS TRÊS NÍVEIS........................................................................................ 76
5.9 SLIDES ORIENTADORES > VER ANEXO.................................................................................................................... 76
5.10 EXEMPLOS DE ESCRITAS DOS NÍVEIS PRÉ SILÁBICO E SILÁBICO....................................................................... 78
5.11 PROVA AMPLA......................................................................................................................................................... 82
5.11.1 DINÂMICA: - PROCURANDO PALAVRAS....................................................................................................... 82
CAPÍTULO VI - ALFABETIZAÇÃO E LÍNGUA PORTUGUESA................................................................................................. 85
6.1 PRODUÇÃO DE TEXTOS ESPONTÂNEOS................................................................................................................. 85
6.2 PRODUÇÃO DE TEXTOS ESCRITOS.......................................................................................................................... 85
6.3 ASPECTOS DA ANÁLISE LINGUÍSTICA .................................................................................................................... 86

CAPÍTULO VII - MATEMÁTICA NO COTIDIANO DO ALUNO DE EJA................................................................................... 89


7.1 BASE CONCEITUAL DA NUMERIZAÇÃO................................................................................................................... 89
7.2 CONTEÚDOS A SEREM DESENVOLVIDOS COM ALUNOS QUE ATUARÃO NO PROJETO...................................... 90
7.2.1 SISTEMA DE NUMERAÇÃO DECIMAL.............................................................................................................. 90
7.2.1.1 MATERIAIS:........................................................................................................................................... 90
7.2.1.2 CONTEÚDOS:........................................................................................................................................ 90
7.3 MATERIAL DOURADO E OUTROS............................................................................................................................. 91
7.4 DECOMPOSIÇÃO E COMPOSIÇÃO ......................................................................................................................... 92
7.5 ADIÇÃO...................................................................................................................................................................... 93
7.6 SUBTRAÇÃO............................................................................................................................................................... 95
7.7 MULTIPLICAÇÃO........................................................................................................................................................ 96
7.8 DIVISÃO...................................................................................................................................................................... 97
7.9 NÚMEROS FRACIONÁRIOS ...................................................................................................................................... 98
7.9.1 ADIÇÃO........................................................................................................................................................... 99
7.9.2 SUBTRAÇÃO.................................................................................................................................................. 100
7.9.3 MULTIPLICAÇÃO........................................................................................................................................... 101
7.9.4 DIVISÃO......................................................................................................................................................... 102
7.10 NÚMEROS DECIMAIS............................................................................................................................................ 103
7.11 OPERAÇÕES........................................................................................................................................................... 104
7.11.1 ADIÇÃO....................................................................................................................................................... 104
7.11.2 SUBTRAÇÃO – MÉTODO DA DECOMPOSIÇÃO (IDEIA SUBTRATIVA)...................................................... 105
7.11.3 MULTIPLICAÇÃO......................................................................................................................................... 107
7.11.4 DIVISÃO....................................................................................................................................................... 107
7.12 MEDIDAS................................................................................................................................................................ 109

CAPÍTULO VIII - PLANEJAMENTO...................................................................................................................................... 115


8.1 DINÂMICA DO AVIÃO............................................................................................................................................. 115
8.2 PLANEJAMENTO...................................................................................................................................................... 116
8.3 ROTEIRO PARA ELABORAÇÃO DE UM PLANO DE AULA....................................................................................... 116
8.4 O ALFABETIZADOR EM EJA: - PRÁTICAS PARA CONSTRUIR CONHECIMENTOS EM SALA DE AULA................. 117
8.5 SLIDES ORIENTADORES > VER ANEXO................................................................................................................... 119
8.6 AMBIENTE ALFABETIZADOR / LEITURIZADOR / MATEMATIZADOR.................................................................... 119
8.6.1 DINÂMICA: - ESCRAVOS DE JÓ...................................................................................................................... 119
8.6.2 CONHECENDO MELHOR O AMBIENTE / LEITURIZADOR / MATEMATIZADOR........................................... 119

CAPÍTULO IX - FUNÇÕES DA AVALIAÇÃO.......................................................................................................................... 123


9.1 SLIDES ORIENTADORES > VER ANEXO................................................................................................................... 123

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................................................................................................ 125


8
Prefácio

É com imensa alegria e orgulho que escrevo este prefácio por acreditar que esta publicação repre-
senta uma atividade extensionista de excelência e contribuirá para a disseminação da capacitação de
alfabetizadores e, consequentemente, para a alfabetização de jovens e adultos em nosso país.
O Centro Universitário de Brasília-UniCEUB considera que a ampliação do acesso a esta publicação
significa um avanço significativo do esforço institucional para propiciar a inclusão social.
O projeto de institucional de extensão do Centro Universitário de Brasília “Alfabetização e letramen-
to na EJA” sob responsabilidade das professoras autoras desta publicação é desenvolvido desde 2003
até os dias atuais. Nesse período, os instrumentos utilizados para capacitação de alfabetizadores, bem
como para alfabetização de jovens e adultos foram aperfeiçoados pela equipe e resultaram na compi-
lação aprimorada do material utilizado.
Esta publicação foi cuidadosamente produzida como resultado dos esforços das professoras autoras
em diversas capacitações realizadas ao longo dos anos e tem como finalidade constituir um documento
orientador de cursos de extensão para capacitação de alfabetizadores.
As autoras desenvolveram os capítulos contemplando a base conceitual dos termos necessários
para a compreensão do significado de “alfabetização” e “letramento” suas interfaces e diferenças.
A conceituação da “Educação de jovens e adultos-EJA” foi abordada incluindo a base legal, os mar-
cos nacionais e internacionais. Além da compreensão conceitual e histórica, as autoras apresentam as
características e os diversos métodos de alfabetização dos alunos da EJA.
Para o planejamento e ações na sala de aula foi enfatizado o uso da língua portuguesa para produ-
ção de textos e da matemática para estimular a autonomia dos alfabetizandos na fase de construção
da leitura e da escrita.
Para apoio à capacitação, são apresentadas propostas de slides a serem projetados para ilustração
e orientação da capacitação de alfabetizadores e, ainda, quando necessário, dinâmicas de grupo e ati-
vidades a serem realizadas.
É uma publicação voltada para todas as pessoas alfabetizadas que, sensibilizadas pelas dificuldades
resultantes do analfabetismo, pretendem juntar esforços para a diminuição das desigualdades sociais e
para aquelas já envolvidas em ações semelhantes que buscam a formação continuada.
Aos interessados, desejo uma excelente experiência.

Profa. Dra. Renata Innecco Bittencourt de Carvalho


Brasília - DF, 2014.

9
10
Apresentação

Esta publicação, fruto de estudos e pesquisas, elaborado pela equipe pedagógica do Projeto Institu-
cional de Extensão: Alfabetização e Letramento na EJA: uma visão transformadora de mundo, articulan-
do teoria e prática, propõe capacitar alfabetizadores, selecionados entre os acadêmicos do UniCEUB e
integrantes da comunidade externa, a atuarem em locais onde existir essa necessidade.
Com base nos teóricos da área e na metodologia organizada para essa capacitação de alfabetiza-
dores, a equipe pedagógica estruturou este material orientador com o objetivo de atender aos temas
necessários para uma formação adequada. Assim, as aulas foram estruturadas levando em conta o
conhecimento acumulado no campo da alfabetização, os construtos pedagógicos adquiridos durante o
processo e a integração dos participantes numa perspectiva dialética com ênfase na troca de saberes
e experiência, na construção das práticas pedagógicas das diferentes metodologias, na relação afetiva
que deve permear o processo de aquisição de habilidades para o domínio da leitura e da escrita de
jovem e adulto.
Para conseguir os fins a que se destina, o projeto de capacitação de alfabetizadores organiza-se em
70 horas, distribuídas em 35 aulas, com 2 horas de duração. Os momentos presenciais incluem aulas
teóricas, atividades práticas em grupo e individuais, oficinas para confecção de materiais, simulações
de situações de sala de aula e dinâmicas de grupo interpessoais, intragrupais e intergrupais. Por-
tanto, o alfabetizador (a) pense, leia, estude, pesquise, utilize, adapte e crie conforme sua necessidade,
seu interesse e de seus futuros alunos em sala de aula. Ouse ser desafiador (a) com jovens e adultos!
Transforme a realidade alfabetizando pessoas por meio da alfabetização e do letramento.
Conquiste seu (a) aluno (a) para a produção de textos orais e escritos, para o exercício e aplica-
bilidade do cálculo, do uso matemático no seu dia a dia e incentive o trabalho com outras áreas do
conhecimento.

11
12
Introdução

O Projeto Institucional de Extensão: Alfabetização e Letramento na EJA: uma visão transformadora


de mundo, articulando teoria e prática, enfatiza a preocupação da Instituição de Ensino Superior Uni-
CEUB, na formação integral do ser e no resgate de valores essenciais à vida humana para a construção
de uma sociedade mais democrática. Portanto, o presente projeto insere-se como atividade da Asses-
soria de Extensão e Integração Comunitária do UniCEUB, com o objetivo de participar, de maneira efe-
tiva, do enfrentamento da questão da inclusão social, colaborando para alfabetizar aquela parcela da
população que ainda não se beneficiou dessa conquista. Dessa forma, a participação voluntária do
corpo docente, do corpo discente, dos funcionários e da comunidade representa esforço conjunto para
a consecução dos quatro pilares da educação definidos na Conferência da UNESCO – Relatório da Co-
missão Internacional sobre Educação para o Século XXI, (2001): aprender a conhecer, aprender a fazer,
aprender a viver juntos e aprender a ser.
O aprender a conhecer refere-se à aquisição de competências destinadas à compreensão que in-
cluem o domínio do conhecimento, das relações interpessoais e, assim, constroem conhecimentos,
exercitam o pensamento, a atenção e a memória, selecionando as informações efetivas para o processo
de ensino e aprendizagem ocorrer de forma contextualizada.
Quanto ao aprender a fazer, pode ser compreendido como um aspecto que desperta e estimula a
criatividade à descoberta construtiva do trabalho, da participação e da importância da comunicação
entre o homem e a sociedade.
No aprender a viver juntos, destaca-se a importância de conviver com os outros em espaço estimu-
lador de projetos cooperativos que objetivam o desenvolvimento solidário.
Na concepção do aprender a ser, todo ser humano deve estar preparado a elaborar pensamentos
críticos e autônomos, capazes de reformular juízos de valor próprios, de modo a poder decidir por si
mesmo como agir em diferentes circunstâncias da vida.
Nesse sentido, a preparação pedagógica de alfabetizadores assume o caráter de ação essencial para
que a transformação social, política, a questão da inclusão e do resgate da cidadania se efetivem. Por
outro lado, contribui para a melhoria da qualidade de vida, para a realização pessoal dos participantes
e para o desenvolvimento de maior solidariedade entre as pessoas, conforme apontado na Declaração
Universal sobre o Voluntariado.
Para apresentar os diferentes aspectos da alfabetização de jovens e adultos, a capacitação discute as
ideias de Maria Montessori (1950), Piaget (1960), Paulo Freire (1965), Vygotsky (1980), Emília Ferreiro
(1983), Ana Teberosk (1985), Esther Grossi (1990), autores cujas ideias norteiam a base metodológica
das atividades desenvolvidas durante as aulas.

13
Uma visão transformadora de
Letramento na EJA mundo, articulando teoria e prática.

Objetivos
Geral
Oferecer a capacitação de estudantes do UniCEUB e comunidade externa propiciando conhecimen-
tos gerais, metodologias apropriadas à educação de jovens e adultos, atividades manuais geradoras de
renda , dentre outras.

Específicos
 Conhecer as características básicas dos jovens e adultos;
 Habilitar e qualificar o professor de jovens e adultos;
 Caracterizar a realidade da educação de jovens e adultos;
 Contextualizar letramento e alfabetização;
 Apresentar e caracterizar métodos e processos de alfabetização: sintéticos, analíticos e ecléticos
ou mistos;
 Evidenciar os pressupostos e os processos metodológicos da pedagogia de Paulo Freire, quanto à
aplicabilidade;
 Identificar conhecimentos básicos sobre a psicogênese da alfabetização e seus procedimentos
metodológicos;
 Situar e caracterizar a numerização como elemento constituinte do processo de alfabetização e
seus respectivos procedimentos metodológicos;
 Identificar as etapas do planejamento;
 Organizar e sistematizar oficina pedagógica visando à elaboração e à organização de material
didático pedagógico para construir ambiente alfabetizador.
 Identificar as habilidades e competências manuais, culinárias, criativas, aplicando e incentivando
o desenvolvimento de técnicas que contribuam com a geração da renda familiar.
 Orientar e preparar o trabalho pedagógico do alfabetizador.

Conteúdo programático
O adulto: características do aluno jovem e do adulto;

Autoestima e sua relevância no processo de ensino e aprendizagem;

A educação de jovens e adultos no contexto histórico da educação brasileira;

O letramento e a alfabetização: princípios gerais;

Os métodos e os processos de alfabetização: visão geral sobre os processos sintéticos, analíticos

e ecléticos;
A pedagogia de Paulo Freire: seus pressupostos metodológicos;

A psicogênese da alfabetização e sua construção pedagógica;

Produção de texto: expontâneos, escritos e análise linguística;

As etapas do planejamento;

A numerização: características, princípios básicos e metodológicos;

As oficinas pedagógicas e o ambiente alfabetizador: construção de materiais pedagógicos

O desenvolvimento das habilidades e competências para geração de renda.

14
Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

Metodologias e recursos didáticos


A capacitação dos alfabetizadores tem como princípio metodológico a construção coletiva de co-
nhecimentos, a vivência e o planejamento das intervenções didáticas que possibilitem ao alfabetizador
a instrumentalização teórico-prática para assegurar os modos de articular nos processos de ensino e
aprendizagem e recriar prática de ensino própria de forma reflexiva e crítica.
As atividades são desenvolvidas por meio de trabalhos participativos que procurem estimular o de-
senvolvimento do conteúdo programático em situações de troca de experiências. Para isso, os encon-
tros de capacitação foram organizados em forma de aulas expositivas dialogadas, leitura e discussão
de textos, oficinas pedagógicas e diversificadas técnicas de grupo. Para que haja maior integração e
vivência na construção das ideias dos textos estudados, utilizam-se retroprojetor, sistema multimídia,
flip chart, cartazes, vídeos, quadro de giz, entre outros recursos.
Outro procedimento metodológico é o caderno-volante, que é fornecido pelo professor para que
sejam realizados os registros coletivos da turma. Cada dia, um (a) aluno (a) é escolhido, logo no início
dos trabalhos, para anotar o que foi interessante o que chamou atenção, as dúvidas das atividades
desenvolvidas, o destaque da aprendizagem de algum colega, um elogio e outros comentários que se
fizerem necessários. O caderno-volante ajudará o (a) futuro professor (a) a ter referencial do que foi
desenvolvido no decorrer da aula, a problematizar, junto aos colegas, o que foi estudado e discutido
em sala e, ao mesmo tempo, terão visão da rotina do contexto da sala de aula e poderão pesquisar o
que foi ministrado.

Ampliando a alfabetização
A necessidade de ampliar o conhecimento a respeito da área de alfabetização motivou a inclusão
de organização de projetos de pesquisa e de intervenção resultando no que se denominou ampliando
a alfabetização.
Nessa perspectiva, compreende-se a sala de aula como um espaço onde se realizam trocas de expe-
riências variadas. O alfabetizando traz consigo uma bagagem de conhecimentos que precisa ser organi-
zada e partilhada com os demais colegas. O alfabetizador como estimulador do processo de aquisição/
construção da leitura e da escrita deve propiciar o processo de ensino em função do sucesso da apren-
dizagem de seus alfabetizandos. Tal construção envolve a compreensão da dinâmica da organização
social.
Pensando assim, há necessidade de organizar e selecionar um conjunto de ações, passos, condições
externas e procedimentos que nortearão a metodologia mais adequada ao trabalho em sala de aula.
Assim, torna-se necessário inserir a pesquisa na formação do alfabetizador que deverá estar atento
aos acontecimentos da sala de aula para buscar novos temas para enriquecer o cotidiano dos alfabeti-
zandos.
Nesse sentido, a elaboração de projetos de pesquisa na área representa não só um instrumento
adequado à percepção das diversas interfaces da alfabetização mais também oportuniza o aprofun-
damento teórico necessário capaz de ultrapassar a mera capacitação para promover a alfabetização,
proporcionando olhares variados sobre a área.
Como metodologia, privilegiou-se a escolha do método independente de trabalho que consiste em
realizar tarefas dirigidas e orientadas pelo professor-capacitador para que os alunos aprofundem co-

15
Uma visão transformadora de
Letramento na EJA mundo, articulando teoria e prática.

nhecimentos de modo relativamente independente e criador, visando à execução de projetos de pes-


quisa ou de intervenção na área da alfabetização de jovens e adultos.
Para Libâneo (1994, p. 163) ”... trabalho independente pressupõe determinados conhecimentos,
compreensão da tarefa e do seu objetivo, o domínio do método de solução, de modo que os alunos
possam aplicar conhecimentos e habilidades sem a orientação direta do professor...”(capacitador).
Este tipo de trabalho envolve etapas que são assim delineadas:
n Preparação (escolha do tema/ assunto/ pesquisa de campo);
n Organização/ assimilação no grupo para partilhar ideias, a construção da pesquisa realizada;
n Apresentação de formas variadas dos temas pesquisados e articulados com educação /alfabetiza-
ção cidadania/ inclusão social e outras áreas do conhecimento que o grupo achar pertinente.

Sugerimos a seguir algumas temáticas que poderão ser escolhidas pelos alfabetizadores:
 Cidadania/Direitos humanos;
 Direito à Educação e a Alfabetização;
 Educação/Saúde/Alfabetização
 Higiene pessoal e ambiental
 Alfabetização e Geração de renda: trabalho, ações coletivas, cooperativismo;
 Educação/Alfabetização/Moradia;
 Alfabetização/Inclusão Social e Cidadania;
 Alfabetização/Exclusão Social;
 Alfabetização/Analfabetismo/Letramento;
 Universidade/Responsabilização Social/ Alfabetização
 Nutrição

Avaliação
Da capacitação dos alfabetizadores
Na avaliação da capacitação, entendida como processo contínuo, em função do conhecimento a
ser construído com os alfabetizadores, incluem-se não só habilidades e atitudes perante os trabalhos
organizados na sala de aula mas também a freqüência, a pontualidade, a participação em discussões
e debates, a integração nos grupos e os momentos de auto-avaliação. A avaliação é realizada durante
todo o processo da capacitação.

Dos alfabetizandos
Em particular, avaliação dos alfabetizadores será realizada em etapas para que seja verificado o pro-
cesso evolutivo na aquisição das habilidades da leitura e escrita. As etapas 1 e 2 serão realizadas pelos
alunos alfabetizadores durante o processo de alfabetização. A etapa 3 ou final será elaborada e aplicada
pela equipe pedagógica do projeto.

Das atividades desenvolvidas no processo de alfabetização


O aluno alfabetizador será acompanhado por meio de encontros e visitações aos locais de trabalho
ou de acordo com a necessidade dos alfabetizadores em horários a serem definidos.

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Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

Orientações gerais
Apresentação da equipe pedagógica;
Apresentação do projeto;
Dinâmica de apresentação: círculo dos cartões;
Orientações sobre os encontros;
Orientações sobre o caderno-volante;
Levantamento das expectativas;
Termo de compromisso;
Perfil do alfabetizador.

Levantamento das expectativas


Nome do aluno: ________________________________________________________

Quais são as suas expectativas em relação:

n À capacitação?
n Ao trabalho que poderá realizar junto à comunidade de jovens e adultos?

17
CAPÍTULO I
18
Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

CONHECENDO O ALUNO DE EJA


1.1 Dinâmica da cabra-cega
1.2 Características do adulto
1.3 Pressupostos para a atuação na EJA
1.3.1 Slides Orientadores
1.4 Diagnóstico socioeconômico
1.4.1 Slides Orientadores
1.5 Carteira de identidade
1.5.1 Slides Orientadores
1.6 Andragogia e Pedagogia
1.6.1 Slides Orientadores

1.1 DINÂMICA DA CABRA-CEGA

1) O animador pede que a turma se divida em duplas


2) A formação das duplas fica à escolha da turma
3) O animador explica que um dos participantes da dupla terá os olhos vendados e que será guiado
pelo companheiro
4) O guia do colega terá todos os cuidados necessários para que nada, nem ninguém venham a ma-
chucar, esbarrar ou prejudicar seu parceiro
5) Após alguns momentos, com música ao fundo, o animador dará o comando de troca de situação:
quem estava de olhos vendados, agora, guiará o outro
6) Ao final da atividade, cada participante dará seu depoimento com relação ao que sentiu nas duas
posições sugeridas pela dinâmica.

É importante ressaltar ao grupo que a mesma sensação de insegurança e desconforto, por estar de
olhos vendados e ser guiado por outra pessoa, é a que o aluno de Educação de Jovens e Adultos – EJA
– sente, pois está cego diante do mundo alfabetizado.

1.2 CARACTERÍSTICAS DO ADULTO

Antes de iniciar o processo de alfabetização com jovens e adultos, é necessário conhecer algumas
características comuns dos seus futuros alunos para que você possa melhor atuar em sala de aula.
O jovem e o adulto, em fase de alfabetização, apresentam desejos e vontades de concretizar o apren-
dizado da leitura e da escrita para melhor viver em sociedade. Vejamos alguns desses aspectos:
n COMPROMETIMENTO COM A REALIDADE
n EXPERIÊNCIAS ANTERIORES
n MUDANÇAS FISIOLÓGICAS
n perda de memória;

19
Uma visão transformadora de
Letramento na EJA mundo, articulando teoria e prática.

n perda de energia geral ou vigor físico;


n diminuição da acuidade visual;
n diminuição da acuidade auditiva;
n capacidade de aprender.

1.3 PRESSUPOSTOS PARA ATUAÇÃO NA EJA

n Os adultos devem ter vontade de aprender;


n Os adultos esperam resultados úteis da aprendizagem e aprendem, principalmente, o que
sentem necessidade;
n Os adultos esperam receber orientações e não notas;
n Os adultos aprendem fazendo;
n Os adultos aprendem melhor por meio de problemas reais;
n Os adultos possuem vasta experiência que influencia a aprendizagem;
n Os adultos necessitam de métodos variados para aprender;
n Os adultos possuem ritmos diferentes de aprendizagem;
n Os adultos aprendem melhor em ambiente informal;

1.3.1 SLIDES ORIENTADORES > ARQUIVO ANEXO

1.4 DIAGNÓSTICO SOCIOECONÔMICO

Conhecer os educandos

É fundamental conhecer quem vai aprender. Jovens e adultos não escolarizados ou pouco escolari-
zados são portadores de cultura e dominam uma série de conhecimentos e habilidades, inclusive sobre
escrita e números. Por exemplo, muitos deles:
n Conhecem letras do alfabeto, sabem ler o próprio nome, identificam rótulos;
n Lêem, às vezes, anotam números de telefone e números que manejam cotidianamente;
n Fazem cálculos mentalmente.
Esses conhecimentos são construídos nas experiências de vida e de trabalho e são gerados como
respostas a necessidades e problemas. Funcionam para o contexto em que foram desenvolvidos, mas
não são generalizáveis e, muitas vezes, não são representados segundo normas e convenções dissemi-
nadas pela escola.
Freqüentemente, jovens e adultos não escolarizados dão pouco valor àquilo que sabem, assimilam o
estigma que a condição de analfabeto representa em nossa sociedade. Isso pode fazer com que muitos
nem se apresentem a um programa de alfabetização.
A montagem de grupos de alfabetização exige, então, sensibilidade e conhecimento do público-alvo.
É preciso saber quem são os educandos, suas expectativas, suas histórias de vida, seu percurso escolar,
profissional e familiar, descobrir o que sabem e o que querem aprender. A coleta dessas informações,
além de aproximar o educador dos educandos, pode ser fator de mobilização de jovens e adultos para
participar do programa educativo.
É necessário afinar a sua caracterização. Isso pode ser feito por meio de conversas individuais ou em
pequenos grupos, com base nas quais podem ser montadas fichas de informações sobre os educandos
com as seguintes informações:
n Data de nascimento;
n Cidade e estado onde nasceu;
n Há quanto tempo está na cidade em que mora;

20
Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

n Estado civil;
n Número de filhos e suas idades;
n Se os filhos vão à escola e, nesse caso, que séries cursam;
n Se já estudou quando era criança, até que série completou e em que tipo de escola (urbana ou
rural);
n Se já participou de alguma classe de alfabetização ou outro tipo de escola para adulto e qual
(Mobral, supletivo, etc.);
n Se já participou de outro tipo de curso ou treinamento, qual (quais) e quando;
n Qual é a sua profissão e o que faz no trabalho;
n Quais as situações em que precisa da escrita, da leitura e do cálculo no trabalho e na vida co-
tidiana;
n Como enfrenta essas situações.
Com esses dados, o educador pode descobrir valiosas indicações sobre os educandos.

1.4.1 SLIDES ORIENTADORES > ARQUIVO ANEXO

1.5 CARTEIRA DE IDENTIDADE

Eu me chamo _______________________________________________________________, mas gosto


de ser chamado por _________________________________________________________________.
Eu sinto alegria em __________________________________________________________________.
O que mais gosto em mim é ___________________________________________________________.
A palavra _______________________ e o número __________ representam melhor a pessoa que sou.
Eu me sinto realmente bem quando vou a lugares, como ___________________________________
__________________________________________________________________________________.
Detesto quando alguém __________________________________________________, mas adoro
quando alguém _____________________________________________________________________.
Nas horas vagas, eu gosto de __________________________________________________________.

OUTROS DADOS

Eu tenho ___________ anos.


Moro ______________________________________________________________ e minha casa é de:
(___) alvenaria (___)madeira.
Para ir ou vir, utilizo _____________________________________________ como meio de transporte
Sou do sexo ________________________________________________________________________.
Meu estado civil é ___________________________________________________________________.
Eu nasci na cidade de _________________________________________________________________.
Minha profissão é ___________________________________________________________________.
Eu estudei até _____________________________________________________________________.
Eu ganho: (___) mais que 1 salário (___) 1 salário (___) menos que 1 salário.
Tenho _____ filhos. ( ___ não tenho filhos).
(___) Estou empregado (___) Estou desempregado.
Participa de algum grupo religioso? __________. Qual?_____________________________________.

1.5.1 SLIDES ORIENTADORES > VER ANEXO

21
Uma visão transformadora de
Letramento na EJA mundo, articulando teoria e prática.

Que outros dados você pesquisaria?

1.6 PEDAGOGIA E ANDRAGOGIA

A Pedagogia é a Ciência dedicada ao estudo da condução dos processos de ensino-aprendizagem


das crianças.
Entretanto, para jovens e adultos, tornou-se necessário construir-se um campo científico dedicado a
este grupo. Assim, surge a Andragogia com enfoque e características próprias.

1.6.1 SLIDES ORIENTADORES > VER ANEXO

Após estudo e discussão, em sala de aula, sobre as características dos adultos / pedagogia e an-
dragogia, elabore uma ficha diagnóstica sócio econômica para seus futuros alfabetizandos.
________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________

1.7 REFLETINDO SOBRE A AUTOESTIMA



1.7.1 DINÂMICA: “A ESCOLHA”
− Reflexões sobre autoestima e suas relações com o processo de ensino e aprendizagem;
− Teste sobre autoestima.

A ESCOLHA (autoestima)

OBJETIVOS: Desenvolver a autoconfiança, autoestima e possibilitar aos participantes a sensação de


rejeição ou aceitação.
DURAÇÃO: aproximadamente, 50 minutos.
MATERIAL: aparelho de som com CD
PROCEDIMENTOS:
1. Solicitar que os participantes formem um círculo, em pé.
2. “Eu vou precisar realizar um projeto de grande importância e estou à procura de pessoas al-
tamente qualificadas, competentes, pro-ativas, inteligentes, dispostas, comprometidas, habi-
lidosas, ágeis, de modo que, para isso, eu gostaria de 10 voluntários que, espontaneamente,
enquadrem-se nessas características e apresentem-se para fazer parte do grupo-piloto.”

22
Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

3. “Cada voluntário formará sua equipe de trabalho escolhendo pessoas de sua confiança, credibi-
lidade, habilidade...”
4. O primeiro voluntário deverá caminhar, silenciosamente, dentro do círculo e escolher uma pes-
soa para compor sua equipe. Os demais voluntários deverão proceder da mesma forma. Cada
participante da equipe será conduzido pelo voluntário, pela mão, em sinal de afetividade.
5. O processo continua até que todas as equipes tenham o mesmo número de elementos.
6. Os que não foram escolhidos, ao final, serão convidados a integrar alguma equipe.
7. “Cada grupo é, agora, uma equipe completa. Vocês representam 10 grandes áreas da nossa em-
presa. Observem como são coesos e fortes”.
8. Toca-se música forte e de emoção.
9. Pára-se a música para dar uma notícia “bombástica”: ”Estamos numa situação muito difícil e va-
mos precisar efetuar algumas mudanças; será um processo brusco, ou seja, precisaremos cortar
algumas pessoas das equipes”.
10. Cada grupo, consensualmente, deverá eliminar uma pessoa da equipe, por vez. Não pode ser
por votação ou auto-indicação. Cada pessoa eliminada ficará em outra sala. Quando só restarem
duas pessoas na equipe, o facilitador dará a excelente notícia de que “podemos resgatar as pes-
soas que foram eliminadas”.
11. O participante da equipe que for à outra sala resgatará uma pessoa sem dizer nada. Nesse mo-
mento, é importante que não sejam resgatados os mesmos participantes e, sim, outros para
formar-se nova equipe.
12. Quando faltarem poucas pessoas a serem escolhidas, o facilitador escreverá o nome delas, no
quadro de giz, e cada grupo escolherá quem quer em sua equipe. Nesse momento, os escolhidos
“invadirão” a sala e serão recebidos com alegria pelo grupo que os escolheu.
13. Tocar uma música tranqüila e abrir para comentários:
− Como se sentiram durante a vivência?
− Como foi ficar por último e não ser escolhido?
− Qual a sensação de ser escolhido de imediato?
− Como foi realizar o processo de exclusão?
− Como foi ser resgatado?

O alfabetizador deve estar atento à autoestima de seus alunos jovens e adultos, porque possuem carac-
terísticas próprias, por isso sua aprendizagem é diferenciada, o que exige do professor mais criatividade,
atividades variadas e significativas e elogios sinceros. O rendimento do jovem e adulto é mais lento, pois a
diminuição de sua capacidade física, de memorização, a falta de motivação, as tentativas mal sucedidas e o
medo de enfrentar o novo geram inseguranças no aprendizado, desestimulando-os a freqüentar a escola.
Estes alunos necessitam de condições para enfrentar os desafios surgidos nas situações de ensino e
aprendizagem e nos contextos do trabalho, da família e da comunidade da qual fazem parte. Assim, o
alfabetizador deve conhecer-lhes as características para agir e pensar de acordo com a sua realidade a
fim de que haja enriquecimento do trabalho em sala de aula.
O que é autoestima? “Autoestima é a disposição para experimentar a si mesmo como alguém com-
petente para lidar com os desafios básicos da vida e ser merecedor da felicidade” (BRANDEN, N.)
A escola que não valoriza os alunos e suas contribuições individuais, que se ocupa em torná-los ce-
gamente obedientes, destaca mais os seus erros do que suas conquistas e privilegia a disciplina sobre
a liberdade e a criatividade, forma pessoas tímidas, inseguras, que não se consideram capazes nem
merecedoras da felicidade.

A AUTOESTIMA APRESENTA DOIS ASPECTOS INTER-RELACIONADOS:


1. A noção da eficiência pessoal (auto eficiência).
2. A noção do valor pessoal (auto respeito).
Fatores que se relacionam com a autoestima saudável
n racionalismo;

23
Uma visão transformadora de
Letramento na EJA mundo, articulando teoria e prática.

n criatividade;
n flexibilidade;
n intuição;
n independência;
n capacidade para enfrentar mudanças;
n disponibilidade para admitir (e corrigir) erros;
n benevolência e cooperação.

Situação 1 : O professor solicita a um aluno que leia algo em voz alta ou exponha sua opinião so-
bre um assunto. O aluno enrubesce, gagueja, treme, esfrega as mãos, e a voz não sai.
Situação 2 : O aluno desacata o professor com palavras, ignora-o ostensivamente, recusa-se a
atendê-lo.

Essas atitudes de aparente insubordinação, muitas vezes, têm sua raiz no medo.
O medo como consequência de baixa autoestima
n medo da realidade;
n medo da verdade sobre nós mesmos;
n medo da verdade sobre os outros;
n medo de ser descoberto;
n medo de se expor;
n medo da humilhação do fracasso;
n medo da responsabilidade do sucesso.

Procedimentos do professor para desenvolver a autoestima


n Rever sua concepção de educação;
n Desenvolver a própria autoestima;
n Acreditar que o aluno é plenamente capaz;
n Propiciar ambiente estimulador em sala de aula;
n Procurar identificar e compreender as emoções vivenciadas pelos alunos e por si mesmo;
n Propiciar o desenvolvimento da competência interpessoal;
n Dar e receber feedback;
n Incentivar a autonomia de pensamento e ação;
n Desenvolver a preocupação com a verdade, com o certo;
n Reforçar as conquistas dos alunos de forma realista;
n Adotar e estimular atitudes flexíveis;
n Procurar a coerência entre o próprio discurso e a prática;
n Desafiar os alunos a buscar metas mais ousadas;
n Disseminar o respeito à autoestima como condição essencial à aprendizagem;

1.7.2 SLIDES ORIENTADORES > VER ANEXO

Reflita:
O que é autoestima para você?
O que deixa você com baixa autoestima?

24
Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

1.7.3 TESTE SUA AUTOESTIMA


As afirmações abaixo têm relação com o nível da sua autoestima. Avalie até que ponto essas afirmações
correspondem às suas atitudes e escreva no quadro ao lado de cada afirmação, utilizando o seguinte crité-
rio: seja honesto(a) com você mesmo(a) respondendo aquilo que você realmente sente e não aquilo que
gostaria de sentir.

1. Eu me sinto bem com as expressões do meu rosto, com meus modos, minha maneira de falar e de
mover-me.
(0) NEM UM POUCO (1) UM POUCO (2) RAZOAVELMENTE (3) MUITO (4) TOTALMENTE

2. Eu me sinto tranqüilo (a) em falar das minhas conquistas interiores ou dos meus defeitos de ma-
neira direta e sincera.
(0) NEM UM POUCO (1) UM POUCO (2) RAZOAVELMENTE (3) MUITO (4) TOTALMENTE

3. Eu me sinto confortável ao receber e fazer elogios, incentivar, expressar afeto, apreciação ou algo
semelhante.
(0) NEM UM POUCO (1) UM POUCO (2) RAZOAVELMENTE (3) MUITO (4) TOTALMENTE

4. Eu sou aberto(a) a críticas e reconheço quando erro.


(0) NEM UM POUCO (1) UM POUCO (2) RAZOAVELMENTE (3) MUITO (4) TOTALMENTE

5. Eu possuo capacidade de falar e agir de forma tranqüila e espontânea.


(0) NEM UM POUCO (1) UM POUCO (2) RAZOAVELMENTE (3) MUITO (4) TOTALMENTE

6. Eu costumo estar em harmonia entre o que eu digo e o que faço.


(0) NEM UM POUCO (1) UM POUCO (2) RAZOAVELMENTE (3) MUITO (4) TOTALMENTE

7. Eu possuo atitude de abertura e curiosidade diante de ideias novas, novas experiências e novas
possibilidades de vida.
(0) NEM UM POUCO (1) UM POUCO (2) RAZOAVELMENTE (3) MUITO (4)TOTALMENTE

8. Eu lido de forma satisfatória com as sensações de ansiedade e de insegurança e sei superá-las


quando aparecem.
(0) NEM UM POUCO (1) UM POUCO (2) RAZOAVELMENTE (3) MUITO (4) TOTALMENTE

9. Eu aprecio os aspectos humorísticos da vida em mim e nos outros.


(0) NEM UM POUCO (1) UM POUCO (2) RAZOAVELMENTE (3) MUITO (4) TOTALMENTE

10. Eu possuo flexibilidade para reagir às situações e aos desafios, pois confio em minhas ideias e não
encaro a vida como condenação ou derrota.
(0) NEM UM POUCO (1) UM POUCO (2) RAZOAVELMENTE (3) MUITO (4) TOTALMENTE

11. Eu me sinto confortável quando tenho comportamento assertivo e aceito isso nos outros.
(0) NEM UM POUCO (1) UM POUCO (2) RAZOAVELMENTE (3) MUITO (4)TOTALMENTE

12. Eu consigo preservar uma qualidade harmoniosa e digna mesmo sob condições estressantes.
(0) NEM UM POUCO (1) UM POUCO (2) RAZOAVELMENTE (3) MUITO (4) TOTALMENTE

SOME O NÚMERO DE PONTOS E VEJA O RESULTADO.

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Uma visão transformadora de
Letramento na EJA mundo, articulando teoria e prática.

Ao verificar o resultado da soma dos pontos que você marcou respondendo às perguntas do teste,
compare com a tabela de valores abaixo e saiba como anda a sua autoestima.

A sua autoestima encontra-se muito baixa. É fundamental a uma vida de maior equilíbrio
0 a 12 pontos
desenvolvê-la por meio de trabalhos de autoconhecimento, como cursos e psicoterapia.

A sua autoestima encontra-se ainda um pouco baixa, mas você começa a ter alguns
13 a 24 pontos pontos de melhoria. É fundamental fortalecê-la por meio dos recursos mencionados
anteriormente.
A sua autoestima é mediana. Você já conseguiu desenvolvê-la a um ponto que faz
25 a 36 pontos com que tenha uma vida confortável e relativamente feliz, mas ainda existem pontos a
melhorar.

A sua autoestima é elevada. Você só precisa mantê-la neste nível, cuidando para
37 a 48 pontos
melhorar pontos que você julgue serem mais deficientes.

ANOTAÇÕES:

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mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

27
CAPÍTULO II
28
Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS:


EVOLUÇÃO E COMPROMISSOS
2.1 – Base Legal em EJA.
2.1.1 – A Constituição.
2.1.2 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB 9.394/96 e a
Educação de Jovens e Adultos.
2.2 – EJA e as Ações Nacionais e Internacionais: Avanços e Perspectivas.
2.2.1– Marcos Nacionais.
2.2.1.1 – Diretrizes Curriculares Nacionais.
2.2.1.2 – Plano Nacional da Educação – PNE (1993-2013).
2.2.1.3 – Parâmetros Curriculares Nacionais.
2.3 – Marcos Internacionais.

A educação vem passando por transformações gerais tanto no contexto pedagógico como nos va-
riados aspectos das áreas econômicas, sociais, culturais e políticas. Estas mudanças ampliam e deter-
minam novas exigências, para que o ser humano possa partilhar e contribuir com os mais diversos
conhecimentos produzidos.
Nesta relação percebe-se que a desigualdade sociaL de forma acentuada reflete nas condições de
acesso à escola e nos demais processos de escolarização, tanto no que se refere à criança como aos
jovens e adultos. Por meio da educação podemos orientá-los a exercer e construir a cidadania bem
como, prepará-los para atuar plenamente em suas conquistas e minimizar as desigualdades existentes .
A educação de jovens e adultos (EJA) no decorrer do contexto da história da educação brasileira
e suas diversidades/realidades apontam e determinam que todas as oportunidades de escolarização
permitidas e incentivadas a esta clientela têm sido (re) significadas no sentido de aprimorá-las. São prá-
ticas desenvolvidas nos movimentos sociais, nas várias organizações não governamentais, nos diversos
municípios, nas universidades e que vêm transformando esta modalidade de educação.
Durante um período considerado de falta de liberdade de expressão, censura acirrada, perseguição,
repressão existente entre as décadas de 1960, 1970 e até a metade de 1980 a educação de jovens e
adultos viveu e passou por “altos e baixos” no país.
Atualmente, são numerosas as iniciativas em EJA. Vivemos um momento considerado efervescente
para o contexto desta modalidade. Cada vez percebe-se que, o valor do conhecimento integrado ao
processo produtivo tanto individual como coletivo, contribui para busca constante da oferta de bens e
serviços de alto valor no cenário brasileiro.
De acordo com esta realidade observa-se o crescente interesse pelas questões da educação e espe-
cificadamente em EJA, pois se torna necessário preparar e alfabetizar os alunos visando garantir com-
petências essências para atuarem no mundo de mudanças.
Assim, a EJA passa a ser estruturada e organizada visando preparar o novo perfil do cidadão em suas
necessidades/competências/qualificação profissional para as reais mudanças da contemporaneidade.

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Uma visão transformadora de
Letramento na EJA mundo, articulando teoria e prática.

2.1 BASE LEGAL em EJA

2.1.1 A CONSTITUIÇÃO
A Constituição Federal do Brasil ou “Carta Magna” é o documento principal da Nação que orienta
toda a vida do país em seus vários campos, tais como: - o social, o político, o educacional, o jurídico, o
econômico e outros. Fundamenta seus princípios e finalidades para que possamos alcançar o enten-
dimento adquirindo conhecimentos sobre o documento supremo do Brasil e, dessa forma, exercitar a
cidadania. A Constituição atual foi elaborada e organizada e está em vigor desde 1988.
Na contemporaneidade é a Carta Maior – é a base do direito em todos os países, no mundo atual.
Todas as outras leis dependem dela.
Nos países em que há uma Constituição democrática, seus cidadãos sabem, perfeitamente, quais
são seus direitos e que eles nascem da Constituição, e que tudo dela depende.
De acordo com a Constituição Federal, todos, adultos e crianças têm o direito ao ensino público e
gratuito.
A lei prevê, ainda, um ensino de qualidade e a liberdade para aprender e ensinar, para pesquisar e
divulgar o pensamento, o saber e a arte.
No que se refere ao Titulo VIII – Da ordem Social da Constituição, o Capítulo III trata e descreve Da
Educação da Cultura e do Desporto – princípios, finalidades, direitos relativos às seções I, II e III.
O artigo 205 da Constituição atual (1988) em vigor apresenta “a educação, direito de todos e dever
do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando o pleno
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o traba-
lho.”
Art. 206 – O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: (EC n° 19/98 e EC n° 53/2006)
I – igualdade de condições para o acesso e a permanência na escola;
II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;
III – pluralidade de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e
privadas de ensino;
IV – gratuidade do ensino em estabelecimentos oficiais;
V – valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma de lei, planos de carreira,
com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas;
VI – gestão democrática do ensino público, na forma da lei;
VII – garantia de padrão de qualidade;
VIII – piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública nos termos
da lei federal.
Outro artigo importante para a educação de modo geral e educação de jovens e adultos é o
Artigo 214 – A lei estabelecerá o plano nacional de educação, de duração plurianual, visando à ar-
ticulação e ao desenvolvimento do ensino em seus diversos neveis e à integração das ações do poder
público que conduzam à:
I – erradicação do analfabetismo;
II – universalização do atendimento escolar;
III – melhoria da qualidade do ensino;
IV – formação para o trabalho;
V – promoção humanística, científica e tecnológica do país.

2.1.2 LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL – LDB 9.394/96 E A EDUCAÇÃO DE


JOVENS E ADULTOS
A LDB orienta e determina como deve ser os princípios e finalidades educacionais para o funciona-
mento em EJA no país. Considerado como modalidade da educação básica, nas suas etapas de ensino
fundamental e médio.

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Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

Art. 37 - A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continui-
dade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria.
§ 1º Os sistemas de ensino assegurarão gratuidade aos jovens e aos adultos, que não puderam efe-
tuar os estudos na idade regular, oportunidades educacionais apropriadas, consideradas as caracterís-
ticas do alunado, seus interesses, condições de vida e de trabalho, mediante cursos e exames.
§ 2º o poder público viabilizará e estimulará o acesso e a permanência do trabalhador na escola,
mediante ações integradas e complementares entre si.
Art. 38 – Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos, que compreenderão a base
nacional comum do currículo, habilitando ao prosseguimento de estudos em caráter regular.
§ 1º Os exames a que se refere esse artigo realizar-se-ão:
I- no nível de conclusão do ensino fundamental para os maiores de quinze anos;
II- no nível de conclusão do ensino médio, para os maiores de quinze anos.
§ 2º Os conhecimentos e habilidades adquiridos pelos educandos por meios informais serão aferi-
dos e reconhecidos mediante exames.

2.2 EJA E AS AÇÕES NACIONAIS E INTERNACIONAIS: - AVANÇOS E PERSPECTIVAS

2.2.1 MARCOS NACIONAIS


A educação ao longo da vida é a chave de entrada no século XXI porque todos os documentos na-
cionais e internacionais visualizam e inserem-se no contexto de suas realidades. A alfabetização é vista
com uma habilidade primordial para todas as pessoas – o que torna imprescindível além de toda a do-
cumentação existente para EJA é que haja entendimento e compreensão sobre os seguintes documen-
tos: - Constituição de 1988, LDB 9394/96 e do Plano Nacional de Educação de Adultos e da Conferência
de Dacar porque é necessário haver articulação dessas ações para que a Constituição seja efetiva.
Percebe-se no contexto cultural e educacional que desde a década de 1990, durante a elaboração e
organização do documento firmado por vários princípios, a Declaração Mundial de Educação arrolou os
compromissos que devem ser assumidos pelas nações. São eles:
- Satisfazer as necessidades básicas da aprendizagem; ampliar a visão da educação e universalizar o
acesso à educação e promover a equidade. Estes três compromissos estão relacionados aos processos
de alfabetização, as mudanças e as conquistas relacionadas ao tema e ainda a superação do analfabe-
tismo.

Os outros sete compromissos são: - concentrar a atenção na aprendizagem, ampliar os meios da


educação básica; propiciar um ambiente adequado à aprendizagem; fortalecer alianças; desen-
volver uma política de apoio; mobilizar recursos e fortalecer a solidariedade internacional. Pense,
pesquise e escolha dois compromissos, posteriormente, faça comentários a respeito do que eles
estão tratando efetivamente.

2.2.1.1 DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS


No Brasil temos o documento Diretrizes Curriculares Nacionais para EJA onde são apresentados três
funções que devem ser respeitadas, aprimoradas e executadas em benefício dos alunos:
A - FUNÇÂO REPARADORA → visa orientar que as atividades pedagógicas devem ser preparadas de
forma criativa para atender às necessidades de aprendizagem dos alunos jovens e adultos. Esta função
resgata não só o acesso a uma escola de qualidade mas, também os direitos civis negados a quem ficou
fora da escolarização.
B - FUNÇÃO EQUALIZADORA → possibilita a igualdade de oportunidades a todos, os conhecimentos
e habilidades que devem ser aprimorados, a troca constante de experiência e a garantia do acesso a
novas formas e possibilidades de cultura, educação e trabalho.

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Uma visão transformadora de
Letramento na EJA mundo, articulando teoria e prática.

C - FUNÇÃO QUALIFICADORA → prepara para todos os aspectos do campo do conhecimento e am-


plia a visão do ser humano e de suas potencialidades tanto no individual quanto no coletivo. Tem a
função de preparar e propiciar a todos uma vida que vise uma sociedade mais educada, solidária e que
saiba lidar e preparar jovens e adultos para a diversidade como função permanente.
Estas funções têm o objetivo de propor mudanças para transformar a EJA no Brasil.

2.2.1.2 PLANO NACIONAL DA EDUCAÇÃO – PNE (1993 – 2003)


Este documento foi concebido e estruturado por um período de 10 anos. Possui seus fundamentos
e sua execução baseada em nível federal e está previsto na Lei 9394/96 LDB e na Constituição de 1988.
Tem como objetivo o resultado de um esforço de reflexão sobre as diretrizes de um estudo e organi-
zação de uma política nacional para os alunos. Para a EJA alguns aspectos devem ser destacados neste
documento. São eles:
- visão ampliada de alfabetização para todo o ensino fundamental;
- necessidade de melhor compreensão sobre aprendizagem durante toda a vida para que se tornem
leitores e escritores competentes, materiais didáticos adequados para esta clientela e articulação dos
programas de EJA e a educação profissional para haja a visão ampliada para o mercado de trabalho.
O PNE ainda apresenta em sua estrutura alguns objetivos e metas que devem ser cumpridos no
período estabelecido de dez anos (10) e que estão ligados à superação do analfabetismo; tais como
erradicar o analfabetismo e para isto organizar vários programas de alfabetização; assegurar para a
população de EJA com mais de 15 anos o acesso a escolarização; propiciar cursos até o final de 2003
para as quatro séries finais do ensino fundamental garantindo a continuidade dos estudos.
Este documento destaca as metas traçadas em consonância com a Conferência Mundial de Educa-
ção para todos. Percebe-se que em termos de resultados as atividades previstas não foram obtidas com
sucesso e integralmente.
No compromisso referente a “erradicação” do analfabetismo, foi organizado e firmado um novo
acordo no Fórum Mundial sobre Educação de Dacar – Senegal 2000 estendendo-se para 2015 alcançar
todas as metas.

2.2.1.3 PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS.


No período de alfabetização em EJA o objetivo principal é o desenvolvimento de habilidades de
leitura e escrita, o da formação do cidadão e da visão de mudanças na sociedade com transformação
alcançada durante o processo de alfabetização.
O aluno deve ser orientado para o preparo e a construção dos vários contextos de diferentes lingua-
gens e ainda estabelecer relações entre eles e com outras áreas do conhecimento.
Os Referenciais Curriculares Nacionais e os Parâmetros Curriculares para EJA apresentam três com-
ponentes (Linguagem Oral e Escrita, Matemática, Natureza e Sociedade).
Os documentos oficiais apresentados orientam e enfatizam que estes componentes curriculares
devem ser apresentados por habilidades e competências. Orientam também para mudanças nos con-
teúdos curriculares que devem atentar para uma reflexão quanto: - à seleção e significação dos conte-
údos a serem ministrados e incluir procedimentos , valores, normas e atitudes. Percebe-se na leitura
do documento que eles estão organizados e divididos em três categorias para o trabalho a ser desen-
volvido e deve-se procurar levar em conta que os conteúdos deverão estar estruturados em conteúdos
conceituais, procedimentais e atitudinais,
As secretarias estaduais e municipais da educação promovem cursos organizados em módulos arti-
culados com implementação dos Parâmetros Curriculares Nacionais, dos Referenciais Curriculares Na-
cionais para EJA e outras modalidades.
A proposta do projeto PARÂMETROS EM AÇÃO tem a intenção de propiciar momentos agradáveis de
aprendizagem coletiva e a expectativa de que sejam úteis para aprofundar o estudo dos Referenciais
Curriculares elaborados pelo MEC, intensificando o gosto pela construção coletiva do conhecimento
pedagógico, favorecendo o desenvolvimento pessoal e profissional dos participantes e, principalmen-

32
Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

te, criando novas possibilidades de trabalho com os alunos para melhorar a qualidade de suas apren-
dizagens.
O Parâmetro em Ação tem como um dos objetivos “favorecer a leitura compartilhada, o trabalho em
conjunto, a reflexão solidária, a aprendizagem em parceria” (1999, p.05).
Os Referenciais Curriculares e o Parâmetros Curriculares Nacionais visam estabelecer que os temas
trabalhados em sala de aula devem ter uma abordagem interdisciplinar. Evidencia e propõe uma série
de temas transversais.
A transversalidade constitui uma forma de abordagem que perpassa todas as áreas do conhe-
cimento. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) estabelecem uma série de temas que devem
atender as demandas da educação e que envolvem a urgência e o trato com as questões sociais para
o exercício pleno da cidadania e da democracia; abrangência nacional com as questões relacionadas a
todo o país em seus diversos contextos e o favorecimento da compreensão da realidade e da participa-
ção atuante nas questões sociais.
Os temas transversais necessitam de um trabalho sério integrado, crítico, planejado e contínuo. Pelo
PCN são propostos os seguintes temas:
1- ÉTICA → este tema refere-se às reflexões sobre as condutas humanas e o trabalho pedagógico
deve atender e propiciar o desenvolvimento da autonomia moral, condição para a reflexão ética e seus
eixos devem abranger: - respeito mútuo, justiça, diálogo e solidariedade, valores fundamentados da
Constituição brasileira.
2- PLURARIDADE CULTURAL → aborda o respeito aos diversos grupos e culturas como condição para
a vida em sociedade. Observar a variedade cultural brasileira para que a escola possa trabalhar para
superar a discriminação e o conhecimento da riqueza do país para que aprendam a conviver, possam
usar o espaço do diálogo e respeitar as diferentes formas de expressão cultural.
3 – MEIO AMBIENTE → o ser humano faz parte do meio ambiente, das relações sociais, econômicas
e culturais que se interligam e que estabelecem o crescimento cultural, a qualidade de vida e o equi-
líbrio ambiental. Na sala de aula deve ser discutido e proposta a reflexão a respeito da forma com ao
longo da história o homem transformou-se pela modificação do meio ambiente.
4 – SAÚDE → este tema reflete a maneira como vivem, e as reais condições de vida. Neste tema a
escola possui um papel importante a desempenhar como formadora de protagonista e não pacientes.
Observar, organizar e preparar o trabalho sobre a valorização da saúde, participar, compreender sobre
as decisões relativas à saúde individual e coletiva, a responsabilidade pessoal, coletiva e social de todas
as pessoas participantes do contexto e com a comunidade local.
5 – ORIENTAÇÃO SEXUAL → tem como objetivo principal a discussão, a conscientização e o preparo
para o trabalho com a responsabilidade sexual prazerosa e responsável. A escola responsável pode
desenvolver três eixos fundamentais: - corpo humano, relações de gênero e prevenção às doenças
sexualmente transmissíveis/AIDS. O trabalho deve ser realizado levando a educação familiar, o diálogo
entre todos para que as dimensões sociológica, psicológica e fisiológica da sexualidade.
6 – TEMAS LOCAIS → objetivam trabalhar o interesse específico de cada localidade e atender as de-
mandas da comunidade como: - trânsito, trabalho infantil, violência, trabalho e outros.
Os temas propostos consideram que os eixos deverão levar em conta que : - o que é de todos não é
de ninguém; que os temas não constituem uma disciplina à parte e que não irão aparecer espontanea-
mente os temas e o alfabetizador deve propiciar variedade de assuntos.

2.3 MARCOS INTERNACIONAIS

Os marcos internacionais que apresentam importantes discussões a respeito da educação de jovens


e adultos são:
- A Conferência Regional Preparatória da América Latina e Caribe (realizada no Brasil), em Janeiro
de 1997.
- A 5ª Conferência Internacional sobre Educação de Jovens e Adultos (CONFITEA) que foi realizada

33
Uma visão transformadora de
Letramento na EJA mundo, articulando teoria e prática.

em Hamburgo – Alemanha em Junho/1997.


Seus objetivos são: - preocupação com a aprendizagem de jovens e adultos; organizar compromissos
localizados regionais visando a perspectiva de educação ao longo da vida e a constante participação
no desenvolvimento sustentável e equitativo, propiciar uma cultura de paz e de liberdade, de justiça e
respeito mútuo estabelecendo uma relação positiva entre educação formal e não – formal.
Outros documentos internacionais relevantes para a educação de jovens e adultos são:
- A Conferência Mundial de Educação para Todos (1990) em Joentim – Tailândia;
- A Cúpula de Desenvolvimento Social de Copenhague (1995);
- A Conferência Mundial da Mulher de Pequim em 1995;
- A Comissão Mundial de Cultura e Desenvolvimento
- A Conferência da UNESCO – Relatório da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI
(2001), onde apresenta os quatro pilares da educação: - aprender a conhecer, aprender a fazer, apren-
der a viver junto e aprender a ser.

ANOTAÇÕES:

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Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

35
CAPÍTULO III
36
Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

EJA: CONTEXTOS E REALIDADE


3.1 – Dinâmica de Integração.
3.2 – Dados Históricos.
3.3 – Dados da Alfabetização Solidária.
3.3.1 – Gráficos e tabelas.
3.4 – Dados Atuais da Educação de Jovens e Adultos no Brasil.
3.5 – Panorama Geral da Alfabetização na EJA no Distrito Federal.
3.6 – Programas Federais de Alfabetização.
3.7 – Propostas Gerais de Metodologias de Alfabetização.
3.7.1 – Alfabetização Convencional.
3.7.2 – Alfabetização por Modelos Mistos.
3.7.3 – Alfabetização Psicogenética.
3.7.4 – Alfabetização Paulofreireana.
3.7.5 – Alfabetização Geempiana.
3.8 – Slides Orientadores.

3.1 DINÂMICA DE INTEGRAÇÃO (BIS)

OBJETIVO: Conhecer o grupo e realizar a integração entre os participantes.

MATERIAL: aparelho de som com CD e BIS (chocolate).

TEMPO: de 15 a 20 minutos

METODOLOGIA: desenvolvimento da socialização do grupo e da solidariedade entre os participantes.

DESENVOLVIMENTO: O professor (a) deverá organizar duas filas de participantes, uma em frente à
outra. Cada participante deverá colocar o braço esquerdo para trás, nas costas. O braço direito deverá
estar esticado e não poderá ser dobrado. Distribui-se o BIS na mão dos participantes. Com o braço di-
reito esticado, cada um deverá desembrulhar o chocolate e comê-lo.

MOMENTO DE REFLEXÃO: O que você achou da brincadeira? Como conseguiu comer o chocolate?
O que você percebeu? Qual a sua maior dificuldade?

A educação de jovens e adultos no Brasil passou por transformações históricas e políticas. No qua-
dro a seguir, observe atentamente esta trajetória e perceba os fatos marcantes desta modalidade de
ensino.

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Uma visão transformadora de
Letramento na EJA mundo, articulando teoria e prática.

3.2 DADOS HISTÓRICOS

Datas Fatos marcantes na evolução da educação de jovens e adultos no Brasil


1930 Criação do Ministério da Educação e Saúde Pública
1931 Reforma Francisco Campos
Promulgação da Constituição: reconhecimento da educação por parte do Estado, com oferta de
ensino a todos (binômio da obrigatoriedade e gratuidade)
1934
Fixação do Plano Nacional de Educação proposto pela Constituição
1938 Criação do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos do Ministério da Educação e Saúde Pública
1940 Recenseamento da população
1942 Instituição do Fundo Nacional de Ensino Primário
Abertura política no Estado Novo (movimentos culturais influenciados pelo Partido Comunista do
1943
Brasil)
1945 Criação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura/Unesco
Cassação do Partido Comunista do Brasil
Realização do I Congresso Nacional de Educação de Adultos
1947
Criação do Serviço de Educação de Adultos no Ministério da Educação e Saúde Pública
Aprovação do Plano Nacional de Educação Supletiva para Adolescentes e Adultos Analfabetos
1947/63 Campanha de Educação de Adolescentes e Adultos Analfabetos
1948 Declaração Universal dos Direitos Humanos
1949 Realização do Seminário Interamericano de Educação de Adultos
Surgimento da Campanha Nacional de Educação Rural – CNER, em decorrência do Seminário
1952
Interamericano de Educação de Adultos.
1957 Criação do Sistema de Rádio Educativa Nacional – SIRENA
1958 Campanha de Erradicação do Analfabetismo
1950/64 Proliferação dos movimentos populares de alfabetização a partir do final dos anos 50.
1964 Plano Nacional de Alfabetização (janeiro – abril de 1964).
1967 Criação da Fundação Movimento Brasileiro de Alfabetização – MOBRAL
Institucionalização do Ensino Supletivo – Mobral (Lei n° 5.692/71)
1971
Formação específica do professor para ensino supletivo – art. 32, Cap. IV, Lei n° 5.692/71)
1986 Extinção do Mobral e criação da Fundação Nacional para Educação de Jovens e Adultos – EDUCAR
Promulgação da Constituição em 05/10/1088 – artigo 208: “O dever do Estado com a Educação
1988 será efetivado mediante a garantia de: inciso I – ensino fundamental. Obrigatório e gratuito,
inclusive para os que não tiveram acesso na idade própria”.
Conferência Internacional em Jomtien (Tailândia), que elaborou a Declaração Mundial de Educação
1990
para Todos.
Promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB n° 9.394/96 de 26/12/96 (Título V,
1996
capítulo II, seção V, artigos 37 e 38)
1997 V. Conferência Internacional de Educação de Adultos, realizada em Hamburgo, na Alemanha
Fórum Mundial de Educação, realizado em abril de 2000, em Dakar (Senegal)
2000 Aprovação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos, em
10/05/2000
2001 Aprovação do Plano Nacional de Educação, em 10/01/2001
FONTE – UniCEUB – FACE – Guia de Formação de Professores para séries iniciais. Aprendendo a aprender. Componente
curricular Alfabetização de crianças e jovens. Vol 6 – 2004.

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Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

Diante deste contexto histórico, o que mais chamou sua atenção? Por quê?

Após a leitura atenta da evolução histórica e política da educação de jovens e adultos, há que se
destacar a realidade do analfabetismo por estado brasileiro.

3.3. DADOS DA ALFABETIZAÇÃO SOLIDÁRIA

Os gráficos e as tabelas retirados de “Alfabetização Solidária” (2000) apresentam dados gerais sobre
oralidade, escrita e leitura de jovens e adultos em fase inicial e final de alfabetização.

3.3.1 – GRÁFICOS E TABELAS

GRÁFICOS E TABELAS
ORALIDADE – ESCRITA-LEITURA
 

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Uma visão transformadora de
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TABELA 1

NORTE NORDESTE SUDESTE SUL CENTRO-OESTE BRASIL (2)

Fonte: Pesquisa nacional Por amostra de domicílios 1999 [CD-ROMI. Microdados. Rio de Janeiro: IOGE, 2000.
(1) Inclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. (2) Inclusive a população rural

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Uma visão transformadora de
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Letramento na EJA

Apesar dos dados apresentados pelos gráficos, percebe-se que ainda, torna-se pertinente discutir a
questão do analfabetismo que meados de 2002 chegou a mais de 19 milhões de analfabetos absolutos,
de jovens e adultos.
Outro dado alarmante no Brasil de 1986 foi a existência de 35 milhões de analfabetos funcionais de
acordo com Soares (pesquisadora em alfabetização) e a Organização das Nações Unidas para a Educa-
ção, Ciência e Cultura (UNESCO).
Entende-se por analfabetismo funcional aquele que não pode participar de todas as atividades nas
quais a alfabetização é requerida para a atuação eficaz em seu grupo e na comunidade e que lhe per-
mitem assim mesmo, continuar usando a leitura, a escrita e a matemática a serviço de seu próprio
desenvolvimento.
Para aprofundamento da questão, consulte www.guiarh.com.br/z3.htm e outros.
Há que evidenciar, ainda, que há tantos jovens e adultos que sabendo escrever, ou, desenhar o pró-
prio nome, não sabem ler. Outros tantos ainda que sabendo ler e escrever, não são capazes de enten-
der e de interpretar o que lêem.

Responda:
E na sua comunidade, você conhece alguém que não sabe ler ou lê e não compreende o que leu?
Relate a sua experiência.

3.4 DADOS ATUAIS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO BRASIL

De acordo com dados divulgados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), em
2012, a taxa de analfabetismo no Brasil parou de cair. A taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos
ou mais de idade foi estimada em 8,7%, o que correspondeu ao contingente de 13,2 milhões de analfa-
betos. Em 2011, essa taxa foi de 8,6% e o contingente foi de 12,9 milhões de pessoas.

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Uma visão transformadora de
Letramento na EJA mundo, articulando teoria e prática.

Esta é a primeira vez que a taxa de analfabetismo aumenta em 15 anos. A última vez que o índice
subiu em relação ao ano anterior foi em 1997. A partir de então, o índice vinha apresentando queda
constante. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a variação de 0,1 ponto per-
centual de 2011 para 2012 está dentro do “intervalo de confiança”, e não significa necessariamente que
o analfabetismo aumentou, e sim que se manteve estatisticamente estável.
Em relação aos dados regionais, em 2012, as regiões Sul e Sudeste apresentaram taxas de analfa-
betismo de 4,4% e 4,8%, respectivamente, tendo a região Sudeste mantido à mesma taxa que no ano
anterior. Na região Centro-Oeste, a taxa foi de 6,7%. Na região Norte, o índice é de 10,0%.
A região Nordeste registrou taxa de analfabetismo de 17,4% entre as pessoas de 15 anos ou mais
de idade em 2012, 0,5 ponto percentual acima da taxa de 2011 (16,9%). O Nordeste concentra mais
da metade (54%) do total de analfabetos de 15 anos ou mais de idade do Brasil, um contingente que
somava 7,1 milhões de pessoas. Mas analisando a evolução em 8 anos, a maior queda da taxa de anal-
fabetismo foi verificada na região Nordeste, de 5,1 pontos percentuais (22,5%, em 2004, para 17,4%,
em 2012).
No Centro-Oeste a taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade passou de 6,3%
em 2011 para 6,7% em 2012, o que também não foi estatisticamente significativo. No Brasil, a taxa foi
estimada em 8,7%, frente a 8,6% em 2011 e 11,5% em 2004. Em 2012, havia no país 13,2 milhões de
analfabetos com 15 anos ou mais de idade.
A taxa de analfabetismo no país tem se mostrado maior nos grupos de idades mais elevadas em
todas as regiões. Entre aqueles que tinham de 15 a 19 anos de idade, a taxa foi de 1,2%, contra 1,6%
entre os de 20 a 24 anos, 2,8% no grupo de 25 a 29 anos, 5,1% de 30 a 39 anos, alcançou 9,8% para as
pessoas de 40 a 59 anos e foi de 24,4% entre os com 60 anos ou mais de idade.

Para IBGE, só a próxima Pnad poderá confirmar aumento do analfabetismo. “Ao longo do tempo
a tendência foi de redução como um todo, com taxas em níveis estáveis entre a população idosa. O
resultado de 2012 não é significativo em relação a 2011, pode ter acontecido por conta da amostragem
probabilística. No ano que vem é que se vai ver se a taxa permanece estável ou continua na tendência
de queda”, disse a presidente do IBGE, Wasmália Bivar.
Em nota, o Ministério da Educação afirmou que “o analfabetismo de jovens e adultos vem sendo
reduzido no Brasil — passou de 11,5% em 2004 para 8,7% em 2012”, e destacou que “na faixa de 15
a 19 anos, a Pnad de 2012 registra taxa de analfabetismo de 1,2%, muito inferior à média geral, o que
demonstra a efetividade das políticas em curso para a educação básica”.
Para IBGE, só a próxima Pnad poderá confirmar aumento do analfabetismo. “Ao longo do tempo
a tendência foi de redução como um todo, com taxas em níveis estáveis entre a população idosa. O
resultado de 2012 não é significativo em relação a 2011, pode ter acontecido por conta da amostragem
probabilística. No ano que vem é que se vai ver se a taxa permanece estável ou continua na tendência
de queda”, disse a presidente do IBGE, Wasmália Bivar.
Em nota, o Ministério da Educação afirmou que “o analfabetismo de jovens e adultos vem sendo
reduzido no Brasil — passou de 11,5% em 2004 para 8,7% em 2012”, e destacou que “na faixa de 15
a 19 anos, a Pnad de 2012 registra taxa de analfabetismo de 1,2%, muito inferior à média geral, o que
demonstra a efetividade das políticas em curso para a educação básica”.
O MEC afirma ainda que “na análise dos dados da Pnad deve-se considerar a dificuldade de identi-

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Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

ficar variações significativas no intervalo de um ano para outro, consideradas a metodologia usada e
a natureza do fenômeno medido. Nesse caso, a análise da série temporal apresenta uma visão mais
adequada do fenômeno em questão. O Ministério da Educação monitora com atenção os dados de evo-
lução do analfabetismo no país e dará continuidade aos esforços no sentido de romper com o ciclo de
produção do analfabetismo”. (http://noticias.terra.com.br/educacao/ibge-analfabetismo-cresce-pela-
-primeira-vez-desde-1998,e5e1e55448c51410VgnVCM3000009acceb0aRCRD.html)

De acordo com a leitura dos dados da Alfabetização Solidária e dos dados atuais da Educação de
Jovens e Adultos no Brasil, qual sua percepção sobre avanços ou retrocessos na alfabetização.

3.5 PANORAMA GERAL DA ALFABETIZAÇÃO NA EJA NO DISTRITO FEDERAL

O Distrito Federal é considerado no país como a capital-unidade da Federação, com a menor taxa
e percentual de pessoas consideradas iletradas. Este total é em torno de 3,3%. Esta é uma realidade
diferente no país, pois a média nacional é apresentada em torno de 9%.
São 85 mil brasilienses sem o domínio da leitura, da escrita, da compreensão e interpretação do que
se lê e escreve nos mais diversos contextos e realidades apresentadas aos jovens adultos, sendo que a
maior parte dos iletrados são idosos e possuem mais de 60 anos, faixa etária está que abarca 13,3% dos
que não têm o domínio da leitura e da escrita.
Percebe-se que a porcentagem apresentada e declarada acima pelo Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE) evidencia que o DF avança em dados progressivos, porém de forma lenta para que
aconteça a erradicação do analfabetismo.
Para atender a demanda dos moradores das regiões administrativas várias são as iniciativas tanto
vinculada a rede pública de ensino, bem como as instituições privadas e iniciativas particulares, porém
não é suficiente para erradicar o analfabetismo em nossa cidade.
No ano de 2012 foram oferecidas 3040 vagas para o Programa DF Alfabetizado, o que é insuficiente
se pensarmos no quantitativo geral de pessoas iletradas na capital federal.
Esta realidade estimula várias iniciativas para erradicar o quadro de pessoas iletradas. São eles: -
trabalhos de alfabetização sendo realizado em igrejas, centros comunitários, hospitais, sindicatos e
outros, de preferência feito nas residências das pessoas que desejam serem alfabetizadas.
Confira o quadro abaixo apresentado sobre o índice de alfabetização em cada cidade do DF publica-
do no Correio Braziliense de 25/06/2012.

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Obst á c ulos
Confira o índice de alfabetização em cada cidade do DF:
TAXA DE
TOTAL DE HOMENS MULHERES ALFABETIZAÇÃO HOMENS MULHERES
ALFABETIZADOS ALFABETIZADOS ALFABETIZADAS (%) (%) (%)
BRASILIA 189.604 85.858 103.746 99,4 99,5 99,4
BRAZLANDIA 44.467 21.744 22.723 94,2 94,2 94,1
CANDANGOLANDIA 13.390 6.335 7.055 97,2 97,7 96,8
CEILANDIA 319.496 151.389 168.107 95,6 95,8 95,5
CRUZEIRO 71.919 33.014 38.905 99,5 99,6 99,4
GAMA 111.915 52.681 59.234 96,4 96,7 96,1
GUARA 119.703 55.369 64.334 97,7 97,5 97,8
LAGO NORTE 35.921 17.261 18.660 97,6 97,4 97,8
LAGO SUL 26.811 12.801 14.010 99,4 99,3 99,4
N. BANDEIRANTE 37.783 17.692 20.091 98,2 98,2 98,3
PARANOA 42.143 20.174 21.969 94,4 94,3 94,5
PLANALTINA 132.592 63.743 68.849 94,2 94,2 94,3
R. DAS EMAS 95.485 45.814 49.671 95,6 95,6 95,6
RIACHO FUNDO 59.336 28.225 31.101 97,7 97,6 97,7
SAMAMBAIA 159.055 75.776 83.279 95,7 95,8 95,7
SANTA MARIA 94.637 45.106 49.531 95,9 96,1 95,8
SÃO SEBASTIAO 80.564 41.666 38.898 95,8 95,3 96,3
SOBRADINHO 167.201 79.566 87.635 96,1 95,9 96,2
TAGUATINGA 307.368 143.310 164.058 98,4 98,5 98,3

Leia com atenção as tabelas e gráficos sobre a taxa de analfabetismo.


Observe e analise os dados apresentados para realizar as seguintes atividades:

a) Elabore uma linha de tempo levando em conta o censo e a taxa de analfabetismo;

b) Realize uma leitura atenta das informações apresentadas e indique qual a - região com maior
índice de analfabetismo? Você sabe explicar por quê?

c) Use sua imaginação e proponha mudanças realistas e significativas para a situação apresentada.

Você é Presidente da República ou Ministro da Educação. Como faria para amenizar a questão do
analfabetismo no Brasil? Lembre-se que você deve levar em conta os vários contextos em que
esta clientela está envolvida, ou seja, o aspecto cultural, social, politico econômico, ético e prin-
cipalmente o educacional.

3.6 PROGRAMAS FEDERAIS DE ALFABETIZAÇÃO

A questão do analfabetismo no Brasil sempre suscitou discussões, campanhas, propostas e projetos


para a minimização desta situação. Várias são as instituições que desenvolveram e desenvolvem ações
diversificadas, voltadas a jovens e adultos.
A Educação de Jovens e Adultos e as Políticas Públicas no Brasil apresentam a descrevem os Progra-
mas Federais voltados à EJA no período compreendido entre 1947 a 2008.

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Letramento na EJA mundo, articulando teoria e prática.

3.7 PROPOSTAS GERAIS DE METODOLOGIAS DE ALFABETIZAÇÃO

n 3.7.1 ALFABETIZAÇÃO CONVENCIONAL:


n Apoiada em cartilhas pela lógica do sistema da escrita: letras – sílabas – palavras – frases – tex-
tos;
n Sintética: letra ou som;
n Analítica: palavra, frase ou texto;
n Mistos: métodos sintético e analítico;
n Concepção de aprender; impressões perceptivas.

n 3.7.2 ALFABETIZAÇÃO POR MODELOS MISTOS:


n Escolha não definida de metodologia;
n Saída alternativa;
n Emprego de cartilhas convencionais;
n Atividades retiradas de metodologias variadas;
n Possíveis conseqüências negativas na aprendizagem.

n 3.7.3 ALFABETIZAÇÃO PSICOGENÉTICA:


n Estudos de Emília Ferreiro com base em Piaget;
n Aprendizagem resultante da ação e não só da percepção;
n Trajetória cognitiva percorrida pelo alfabetizando;
n Inicialmente, ler é interpretar figuras, e escrever é desenhar;
n Formulação de hipóteses;
n Oportunidade de experiências de leitura e de escrita: aprendizagem natural.

n 3.7.4 ALFABETIZAÇÃO PAULOFREIREANA:


n Método misto vinculado a aspectos da vida do alfabetizando com fins de
conscientização política;
n Seleção cuidadosa de palavras geradoras;
n Divisão das palavras geradoras em sílabas, construção de novas palavras com as sílabas das
famílias derivadas das palavras geradoras;
n Vinculação da vida ao ato de aprender: antropologia da aprendizagem em nível de consciên-
cia.
*Ambas têm por base que aprender a ler e a escrever repousa no mistério da junção das letras
em sílabas e das sílabas em palavras.

n 3.7.5 ALFABETIZAÇÃO GEEMPIANA;


n Trajetória cognitiva percorrida pelo alfabetizando;
n Integração de Paulo Freire, Emília Ferreiro, Wallon e Vygotsky: processo de aprendizagem com
interações sociais e culturais e realização de intervenções didáticas organizadas;
n Processos de cada alfabetizando na lógica do sistema da escrita;
n Valorização do erro;
n Estratégias didáticas: provocação intelectual, problemas, memorização;
n Ambiente alfabetizador: apresentação simultânea de todas as letras, trabalho com palavras,
frases e textos, formulação de hipóteses;
n Trabalho em grupo;
n Sondagem constante;
n Classificação em níveis pré-silábico, silábico e silábico-alfabético.

3.7.6 SLIDES ORIENTADORES > VER ANEXO

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Letramento na EJA

Você identifica em qual metodologia foi alfabetizado (a)?


( ) SIM ( ) NÃO
Justifique:

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CAPÍTULO IV
50
Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

LETRAMENTO E ALFABETIZAÇÃO:
PRINCÍPIOS GERAIS
4.1 – Dinâmica da Carta Enigmática.
4.2 – Base Conceitual.
4.2.1 – Letramento é Diferente de Alfabetização.
4.2.2 – Alfabetização.
4.2.3 – Letramento.
4.2.4 – Como Alfabetizar Letrando?
4.3 – Alfabetizando, Letrando, Matematizando e Interdisciplinando em EJA:
Alguns Segredos.
4.4 – Práticas de Leitura e Escrita: Usos Sociais.
4.5 – Slides Orientadores.

4.1 DINÂMICA DA CARTA ENIGMÁTICA

OBJETIVO: Demonstrar ao aluno a dificuldade que uma pessoa não alfabetizada tem para compre-
ender o mundo da leitura e da escrita.
MATERIAL: Folhas com os códigos, folha com a carta a ser decifrada, pirulitos para todos os partici-
pantes.
PROCEDIMENTO: Distribuem-se as cartas enigmáticas e pede-se que cada aluno tente decifrá-la.
Após alguns instantes, distribui-se a folha com os códigos e segue-se o exercício cuja finalização é a
conquista de um pirulito que será entregue a um colega de turma.
TRADUÇÃO DO ENIGMA:
A. Alfabetizado é o indivíduo que aprendeu a ler e escrever.
B. O indivíduo letrado é o alfabetizado que faz uso da leitura e da escrita.

Código
 

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O que está escrito neste texto?

4.2 BASE CONCEITUAL

4.2.1 LETRAMENTO É DIFERENTE DE ALFABETIZAÇÃO


Letramento é um estado, uma condição, um processo de quem se envolve nas numerosas e variadas
práticas sociais da leitura e da escrita; é o estado ou condição de quem interage com diversos gêneros e
tipos de leitura e de escrita, com as diferentes funções que a leitura e a escrita desempenham em nossa
vida e em processo de aquisição de conhecimentos por meio da leitura e da escrita.
Vários são os níveis de letramento dependendo do indivíduo, das necessidades do seu meio e do
contexto social e cultural; é um processo contínuo, sem começo e sem fim, que consiste em:
- Expressar a possibilidade de ser mais, de ir além das letras, das palavras, das frases;
- Oferecer a inclusão no universo cultural;
- Possibilitar a comunicação e a integração com outras pessoas;
- Fornecer acesso à gama infinita de informações, aquelas que mais nos interessam;
- Permitir a participação mais ativa no mundo do trabalho, na política;
- Promover a possibilidade de reinterpretar o mundo, analisar, comparar e (re) elaborar;
- Proporcionar a apropriação do conhecimento por intermédio das letras, da leitura e da escrita.
Os conceitos de alfabetização e de letramento constituem conhecimentos importantes para o pro-
fessor que alfabetiza, pois permitem a leitura da prática social trazida do contexto dos alfabetizandos,

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mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

viabilizando a inserção do mundo social do aluno em universos mais amplos. Alfabetizar letrando supõe
ações pedagógicas de atos de leitura e escrita, construídas pela junção dos contextos de alfabetizador
e alfabetizando, capazes de permitir a inclusão social.
Alfabetizado é aquele indivíduo que aprendeu a ler e escrever. Não é, necessariamente, letrado,
versado nas letras, leitor frequente e estudioso.
O indivíduo letrado é o alfabetizado que faz uso da leitura e da escrita, o que está, constantemente,
em “estado de letramento”. É aquele que, continuamente, pratica a leitura e a escrita no cotidiano e
responde às demandas sociais, envolvendo-se em processo de LETRAMENTO.
Uma pessoa que sabe ler e escrever, mas não faz uso da escrita é alfabetizada, mas não é letrada.
Não vive no estado ou na condição de quem sabe ler e escrever e pratica a leitura e a escrita.

4.2.2 ALFABETIZAÇÃO
− Sentido restrito:
− ensino do código da língua escrita para desenvolver habilidades de ler e escrever;
− técnica de associar grafemas (letras) e fonemas (sons)

DECODIFICAÇÃO

Associação mecânica entre a letra e o seu valor sonoro, sem que ocorra a compreensão.

O QUE É SER ALFABETIZADO PARA ÓRGÃOS GOVERNAMENTAIS?


COMO É COLETADA ESSA INFORMAÇÃO?

− Sentido amplo:
− ultrapassa a mera transposição do escrito para o oral;
− ler e escrever são formas de estabelecer conexões com a realidade em processo de educação con-
tinuada.

4.2.3 LETRAMENTO
− Resultado da ação de ensinar e aprender as práticas sociais de leitura e escrita;
− Estado ou condição que um grupo social ou indivíduo adquire como conseqüência de ter-se apro-
priado da escrita e de suas práticas sociais;
− Uso competente e integrado da leitura e da escrita às práticas do cotidiano.

Uma pessoa pode ser alfabetizada e não ser letrada; sabe ler e escrever, mas não cultiva nem
exerce práticas de leitura e de escrita. (Soares, 1995).

4.2.4 COMO ALFABETIZAR LETRANDO?


Atualmente, a alfabetização e o letramento constituem desafio apresentado aos professores que
devem, constantemente, modificar sua prática pedagógica ao alfabetizar e, ao mesmo tempo, esta-
belecer relações com o uso da leitura e da escrita. Várias são as situações que devem ser propiciadas
aos alfabetizandos, levando-se em conta a sua realidade e sua vivência. O quadro a seguir apresenta
características e relações entre as duas terminologias que orientam novos conhecimentos das práticas
sociais de leitura e escrita.

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ALFABETIZAÇÃO LETRAMENTO

Ação de ensinar-e-aprender a ler e escrever; Processo contínuo, com começo, meio e sem fim;

Aquisição do conhecimento por intermédio das letras, da


Fase inicial do processo de letramento;
leitura e da escrita;
Expressão da possibilidade de ir além das letras, das palavras,
Processo que tem começo, meio e fim;
das frases, etc.;
Aquisição de nova tecnologia: a de codificar e
Existência de vários tipos e níveis de letramento;
decodificar em língua escrita
Cultivo do letramento: dedicação a atividades que envolvem
Utilização da leitura e da escrita no cotidiano;
leitura e escrita;
Transmissão ao alfabetizando do conjunto de signos
que compõem o código lingüístico da língua moderna Intencionalidade em função das necessidades, dos desejos do
a fim de que possa comunicar-se por intermédio de indivíduo e do seu meio, da sua realidade social e cultural;
mensagem escrita e pela leitura;
Ação de tornar alguém alfabetizado; Possibilidade de inclusão no universo cultural;
Consideração da história de letramento das crianças e
dos adultos, quanto aos aspectos culturais e políticos Possibilidade de (re) interpretar o mundo, analisar, comparar
envolvidos; estabelecimento de vínculo entre escola e e (re) elaborar;
família;
Forma de letramento no contexto escolar. Comunicação e integração por meio da cultura letrada;
Processo de desenvolvimento lingüístico-intelectual
ininterrupto;
Observação e questionamento do contexto escolar como
parte do processo de letramento;
Inserção do indivíduo em diferentes situações de leitura e
escrita na sociedade letrada;
Cultura escrita na sociedade letrada.

Alfabetizar letrando supõe novas maneiras de ensinar a leitura e a escrita visando à participação ati-
va na vida social de nossos alunos. Não devemos esquecer que este tipo de aprendizagem – da leitura
e da escrita – realiza-se por meio do confronto entre o que já sabem, o conhecimento prévio e a nova
experiência que vivem, o elemento novo.
Para que, efetivamente, você possa alfabetizar letrando, várias são as maneiras de desenvolver prá-
ticas de leitura e escrita que estimulem o processo do aprendizado dos alunos em fase inicial de esco-
larização. A seguir, apresentamos algumas práticas de leitura e escrita que podem ser realizadas.

Caracterize Alfabetização e Letramento. Elabore e apresente, para a turma, uma atividade prá-
tica que envolva as duas terminologias.

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Letramento na EJA

4.3 ALFABETIZANDO, LETRANDO, MATEMATIZANDO E INTERDISCIPLINANDO EM EJA: - ALGUNS SEGREDOS...

A alfabetização tem sido objeto constante de inúmeras discussões a respeito dos métodos utiliza-
dos, das abordagens selecionadas, das escolhas e das formas de trabalhar em EJA.
Este processo de tomada de decisão do alfabetizador pressupõe um entendimento e preparo ade-
quado para a realização do trabalho a ser desenvolvido.
A alfabetização é uma área desafiadora. Alfabetizar letrando possibilita inúmeras escolhas para a
realização do trabalho pedagógico, tais como: - temas geradores, projetos interdisciplinares, temas
transversais, unidade temática (trabalho, ética e relações sociais).
Visando alcançar os objetivos que serão elaborados e desenvolvidos pelos alfabetizadores em sua
turma é que sugerimos a organização do trabalho interdisciplinar, pois estaremos mudando a visão do
mundo e a realidade do aluno.
A proposta interdisciplinar é uma forma criativa e extremamente interessante de trabalho, pois pos-
sibilita a pluralidade dos vários saberes arrolados para orientar o aprendizado dos alunos.
Este caminho é uma forma inteligente de ensinar e de construir novos conhecimentos possibilitando
ao aluno ter mais autonomia e criatividade. Isto implica em saídas novas para várias combinações e ain-
da, auxilia a integração entre as pessoas bem como ensina os alunos a usufruírem melhor os conteúdos
recebidos pelo alfabetizador.
Os alfabetizadores de EJA que atuam em diferentes localidades, mas na mesma comunidade podem
reunir-se para discutirem e articularem propostas variadas e que atendam a necessidade de seus alu-
nos.
A interdisciplinaridade é um processo de construção do conhecimento que se baseia no que há de
comum entre as disciplinas. O resultado deste trabalho não é o de juntar as partes das disciplinas e
conteúdos integrados, mas a relação entre elas na busca de uma nova construção do conhecimento.
Planejar atividades alfabetizadoras de forma interdisciplinar exige que a integração ocorra favore-
cendo as disciplinas de português, matemática, geografia, história, artes e demais outras disciplinas;
porém suas especificidades devem ser mantidas.

4.5 PRÁTICAS DE LEITURA E ESCRITA: - usos sociais

Este trabalho pode ser organizado em forma de práticas de leitura e escrita: - usos sociais. Vejamos
como:

PRÁTICA DE LEITURA E MOVIMENTO: suscita conhecimento pessoal do EU com o seu físico, seu
corpo, as relações que se podem estabelecer com o outro. Movimentar-se significa viver, aprender,
conquistar a imaginação, o pensamento, a história, o jogo, os objetivos, as leis, as experimentações,
a política, a ecologia, as organizações sociais, a criação, a vida e a morte, a ocupação do planeta, a fo-
tografia, o cinema, etc.

PRÁTICA DE LEITURA DE IMAGENS: estimula nossos alunos a serem observadores, ativos, sensí-
veis, criativos, mais críticos com sua realidade. Podemos alfabetizar por meio de diferentes linguagens,
como pintura, escultura, música, charge, caricatura, desenhos, teatro, fotografia, televisão, cinema,
outdoors, cartazes, gestos, natureza, sombra, luz, sentimentos e tantas outras imagens. Basta você
perceber melhor seus alunos e tornar essa prática criativa e agradável.

PRÁTICA DE LEITURA DE TEXTOS: passa pelo movimento do texto, ou seja, cada palavra presente
torna o todo do texto significativo, e o que posteriormente vier da leitura será assimilado, como ima-
gens, movimentos, conhecimentos e novas leituras textuais. Diversos recursos poderão ser utilizados
para isso: textos ilustrados, escritos – histórias, poesias, notícias, diálogos, etc. Quanto aos textos fa-
lados, podemos utilizar os teatrais, plásticos, cênicos e musicados, os matemáticos e científicos, os
geográficos e históricos. Esses textos podem estar presentes em várias áreas, daí a necessidade de re-

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forçar a informação de outra maneira, voltada à norma culta. Podemos utilizar, também, brincadeiras,
como cantigas de roda, parlendas, adivinhação, trava-língua, repentes e tantas outras que sua ousadia
permitir usar.

4.5.1 SLIDES ORIENTADORES > VER ANEXO

Escolha uma das práticas e sugira uma atividade para alfabetizar jovens e adultos.

ANOTAÇÕES:

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CAPÍTULO V
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VISÃO GERAL DOS MÉTODOS


5.1 – Métodos de Alfabetização.
5.1.1 – Método Sintético
5.1.2 – Método Analítico.
5.1.3 – Eclético ou Misto.
5.2 – Slides Orientadores.
5.3 – Metodologia Paulofreireana.
5.3.1 – Dinâmica do Balão.
5.3.2 – Fundamentos Metodológicos.
5.4 – Círculos de Cultura.
5.5 – Paulo Freire.
5.5.1 – Biografia e Ideologia.
5.5.2 – Princípios Básicos.
5.5.3 – Metodologia.
5.5.3.1 – Fases de Elaboração e de Execução do Método.
5.5.3.2 – Execução Prática.
5.6 – Slides Orientadores.
5.7 – Prática Pedagógica.
5.7.1 – Palavra Geradora em Paulo Freire.
5.8 – Alfabetização na Perspectiva Construtivista.
5.8.1 – Dinâmica: Você é Disciplinado?
5.8.2 – Níveis de Alfabetização.
5.8.2.1 – Aspectos do Nível Pre-Silábico.
5.8.2.2 – Aspectos do Nível Silábico.
5.8.2.3 – Nível Silábico Para o Alfabético.
5.8.2.4 – Nível Alfabético.
5.8.2.5 – Síntese de Atividade nos Três Níveis.
5.9 – Slides Orientadores.
5.10 – Exemplos de Escritas dos Níveis.
5.11 – Prova Ampla.
5.11.1 – Dinâmica: Procurando Palavras

VISÃO GERAL DOS MÉTODOS

Quando alguém inicia a alfabetização, percorre uma trajetória que marca o início e a evolução de
seu contato com a língua escrita. Este processo é gradativo e contínuo. A alfabetização é considerada
um período no qual o (a) professor (a) transmite ao alfabetizando o conjunto de signos que compõe
o código lingüístico da língua materna, a fim de que o indivíduo possa comunicar-se pela mensagem
escrita e pela leitura.
Os métodos tradicionais de alfabetização partem dos pressupostos de que cada som corresponde a

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uma letra, portanto aprender a ler e a escrever significa aprender a codificar e decodificar, em língua
escrita, a recitação das sílabas, palavras e frases que aparecem dissociadas de seus significados e do
contexto. Isso retira do ato de ler e escrever seu prazer e sua função social.
Essa ideia evidencia a necessidade de explicitar o que é um método de alfabetização. Assim, MÉTO-
DO pode ser apresentado como um caminho a ser percorrido. Deve ser utilizado de forma sistemática
e organizada visando atender a especificidade do que será trabalhado e desenvolvido na sala de aula.
Quando o (a) professor (a) organiza seu jeito de aplicar o método de forma sistematizada, passa a outra
etapa denominada PROCESSO, que significa modo sistemático de aplicar o método.

5.1 MÉTODOS DE ALFABETIZAÇÃO

Os métodos de alfabetização podem ser classificados em dois (2) grandes grupos que possuem ca-
racterísticas bem distintas, são largamente utilizados, e um não exclui o outro.

5.1.1 MÉTODO SINTÉTICO


Neste método existem os processos alfabético, fônico e silábico.

5.1.2 MÉTODO ANALÍTICO


Nele encontram-se os processos de palavração, sentenciação e contos.

5.1.3 ECLÉTICO ou MISTO é a mistura resultante do processo sintético e do analítico.


Ao analisar as abordagens de alfabetização com base nos métodos sintéticos, analíticos e ecléticos,
percebem-se características específicas na maneira de ensinar a ler e escrever. Destaca-se que todos
alfabetizam a curto e longo prazo. Todos possuem vantagens e desvantagens em sua execução.
O que o professor alfabetizador deve levar em conta são as diferenças particulares ao aplicar os
métodos e a observação de que há várias críticas a cada um especificamente. Em sua escolha, perceba
que as desvantagens, na prática, são inúmeras. Eles são apresentados para que você não cometa exa-
geros no emprego de cada um deles e possa aproveitar as críticas para transformá-los de acordo com
sua criatividade.
Popovic (1980) apresenta algumas observações sérias e fundamentadas aos métodos que ilustram
o cuidado necessário do alfabetizador ao desenvolver seu trabalho.

NA PRÁTICA...
 

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A TEORIA É OUTRA!
 

E ainda... pode-se trabalhar a O mesmo processo é também


alfabetização para jovens e adultos. verificado no jovem e adulto.

5.2 SLIDES ORIENTADORES > VER ANEXO

Relembre sua alfabetização, realizando a seguinte atividade:


Nome:______________________________________ Data: ________________

Escreva sobre seu processo de alfabetização, o método utilizado pelo professor, a relação entre
professor e aluno, as facilidades e dificuldades na aprendizagem, as expectativas da família e outros.

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Essa atividade é uma sugestão para o trabalho com os métodos sintéticos, analíticos e ecléticos e
seus respectivos processos de alfabetização

FONTE: Revista ATIVA-BOM SENSO – Promoções editoriais, Ano |I – nº 1

5.3 METODOLOGIA PAULOFREIREANA

5.3.1 DINÂMICA DO BALÃO

OBJETIVO: Expressão de afetividade, expectativas, apresentações, fixação de conteúdos, etc.


MATERIAL: Aparelho de som, CD com música bem animada, tiras de papel ofício, caneta.
TEMPO: Depende do tamanho do grupo, ocorre, em média, em 20 minutos.
METODOLOGIA: Explicação da técnica a ser utilizada e das finalidades do trabalho, encaminhamen-
to da dinâmica.
DESENVOLVIMENTO: O condutor da dinâmica explica que, primeiro, todos os participantes deverão
escrever, nos pedaços de papel, o que entenderam sobre o conteúdo trabalhado no dia. Feito isso, cada
um deverá enrolar seu papel, colocá-lo dentro do balão, enchê-lo e amarrá-lo. Ao som da música, todos
deverão movimentar-se, dançando e jogando os balões para o alto. Os balões não podem tocar o chão.
Ao comando do condutor da dinâmica, todos deverão segurar um balão diferenciado da cor escolhi-
da inicialmente. Ao comando, os participantes estouram o balão, retiram o papel sentam-se em seus
lugares. Será dado o início à leitura de todos os conteúdos dos papéis e, assim, fixam-se os conceitos
aprendidos e debate-se sobre eles.

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Letramento na EJA

5.3.2 FUNDAMENTOS METODOLÓGICOS

O método para alfabetizar adulto é conhecido por educadores, por profissionais de outras áreas ou
por pessoas da comunidade como o MÉTODO do PAULO FREIRE. Consiste em diálogo constante entre
educador e educando, pois, de ambos os lados, ocorre processo de aprendizagem, troca de experiên-
cias, de saber e de vivências pessoais com o conhecimento.
Na visão de Paulo Freire, o caminhar com os adultos em processo de alfabetização exige aproxima-
ção da cultura e do vocabulário dos educandos. A palavra cultura possui vários significados em dife-
rentes realidades e contextos. Nesse sentido, dependendo da realidade dos alfabetizandos pode ser
considerada como: - acervo cultural e espiritual de uma determinada comunidade, hábitos, costumes
e ritos de uma localidade e incluindo costumes, festas, danças folclóricas de um povo. A etimologia da
palavra cultura de acordo com o dicionário da Larousse Cultural (1992, p. 298) apresenta seu signifi-
cado como: - “conjunto de conhecimentos adquiridos, instrução, saber”; como ainda refere-se cultura
como “conjunto de estruturas sociais, religiosas, etc. e de manifestações intelectuais, artísticas e etc.,
que caracterizam uma sociedade”. Com base nos princípios ideológicos de Paulo Freire e do conheci-
mento da realidade dos alfabetizandos identifica-se as palavras geradoras retiradas da realidade dos
alunos e que desejam estudar e conhecer para aprender a ler e a escrever.
Na metodologia ora apresentada e discutida, aparece o Círculo de Cultura entendido como o exercí-
cio de entrar no mundo do outro e lhe apresentar o seu mundo, recuperando muito da cultura perdida,
fazendo-o entender que ele também é cultura.
Os “Círculos de Cultura” são encontros entre culturas de pessoas que serão alfabetizadas, coorde-
nadores e observadores. Cada um tem experiências para trocar e partilhar com o outro, portanto a
interação deve ser constante. Esta dinâmica de trabalho favorece a convivência em grupos, respeitando
as diferenças de escolaridade, idade, sexo, raça, religião, limites pessoais e assume o crescimento indi-
vidual e coletivo. É “círculo” porque as cadeiras deverão estar dispostas desta maneira para favorecer o
diálogo e o olhar entre as pessoas que fazem parte do grupo.
Na década de 60, o trabalho desenvolvido por Paulo Freire levou os nordestinos a conhecer uma
nova proposta de alfabetização que, depois de vivenciada nas áreas rural e urbana do nordeste brasi-
leiro, foi levada para São Paulo e para o Distrito Federal.
Ocorre uma mudança geral onde se observa as culturas diferenciadas pelas regiões e consequente-
mente a transformação a adaptação da conduta do alfabetizador.
Em todas as situações vivenciadas em cada região busca-se o crescimento do grupo em que se atua, propon-
do-se mudanças dos paradigmas com relação às atitudes, decisões, pensamentos críticos e busca de soluções.
Ao decidir trabalhar com a metodologia e os princípios do Círculo de Cultura o alfabetizador
estará propiciando um processo educativo global visando realizar a construção histórica do sujeito par-
ticipante de acordo com a sua vivência e organizando a partir da realidade individual e coletiva vários
princípios e legados construídos com o objetivo de:
- informar, orientar, preparar e discutir o que acontece de significativo dentro de sua realidade,
no país e no mundo;
- estimular, despertar e conscientizar na busca constante de novos conhecimentos para abrir
horizontes e ampliar a visão de cidadania, do mundo, da sociedade, do homem por meio de
matérias/recursos que possam ser veiculados e trabalhados no círculo de cultura, tais como: -
vídeos, slides, livros, jornais, folders, livros e que tudo que for possível levar para os debates;
- orientá-los a organizar o pensamento sabendo articular o conhecimento construído por meio da
oralidade ou da escrita, tais como: - conversas, debates, posicionamentos, bilhetes, cartas e outros.

5.4 CÍRCULOS DE CULTURA

Para que você compreenda melhor como acontece, na prática, o “Círculo de Cultura”, apresentar-
-se-á uma síntese das situações para discussão em sala de aula e as gravuras sugeridas por Paulo Freire

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em seu livro “Educação como prática de liberdade”. Outras gravuras poderão ser utilizadas por você,
alfabetizador, ou sugeridas por seus alunos.

1 - “UM HOMEM NO MUNDO E COM O MUNDO NATUREZA E CULTURA”.


. Explorar por meio de perguntas simples:
Quem fez o poço? Por que o faz? Como o fez? Quando?
.Explorar dois conceitos: a necessidade e o trabalho.
.Observar as reações dos SUJEITOS sem dominação.

2 – “DIÁLOGO MEDIADO PELA NATUREZA”


. Motivar para a análise do diálogo da comunicação entre os HOMENS,
do encontro entre consciências.
. Observar o mundo humanizado entre os HOMENS: como falar com o
outro, ouvir, trocar ideias.

3 –“ CAÇADOR ILETRADO”.
Iniciar o debate desta situação com a distinção entre o que é NATUREZA
e o que é CULTURA.

4 – “CAÇADOR LETRADO”.
. Identificar o caçador como um homem que possui
cultura ainda que seja analfabeto.
. Discutir a transformação para o avanço tecnológico:
o homem e a espingarda.
. Analisar a contribuição do homem para transformar
e humanizá-lo por meio do diálogo na educação.

5 – “O CAÇADOR GATO”.
.Trabalhar com o grupo a questão da cultura: quem
caça, o gato ou o homem? Quem faz a cultura, o
HOMEM ou o GATO? Por quê?
. Diferenciar caçador de perseguidor.

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Letramento na EJA

6 – “O HOMEM TRANSFORMA A MATÉRIA DA NATUREZA COM O SEU


TRABALHO”.
. Que vemos? Que fazem os homens? Estão alterando a matéria da na-
tureza com o trabalho.
.O que ele ganha com esse trabalho?

7 – “JARRO PRODUTO DO TRABALHO DO HOMEM SOBRE A MATÉRIA DA


NATUREZA”.
. Para que serve o jarro produzido? O que fazer com ele?
. E as flores? Para que servem? Como utilizá-las?
. Faço cultura: as flores são natureza, mas, como adorno, são cultura.
. Enfatizar a dimensão estética do que foi criado.

8 – “POESIA”.
. Ler o texto pausadamente. Este texto é igual aos outros?
. Apresentar a poesia. Caracterizar a poesia popular.
. Discutir se a poesia é cultura tanto quanto o jarro.
. Reler o texto e perceber a manifestação poética.

9 – “PADRÕES DE CONHECIMENTO”.
. Observar as gravuras: gaúcho do sul e vaqueiro do nordeste, vestidos,
cada um, a sua maneira.
. Observar as roupas, as tradições, a cultura.
. Analisar padrões de comportamento como manifestação cultural.

10 – “SÍNTESE DAS DISCUSSÕES”.


. Debater sobre a cultura como aquisição sistemática de conhecimentos.
. Conceber a democratização da cultura.
. Vivenciar o círculo de cultura como dinâmico, vivo, criador do diálogo e
da clareza de consciências .
. Dispender duas noites nesta discussão para, posteriormente,
iniciar a alfabetização e fazê-la ter sentido.

Ao trabalhar com a metodologia de Paulo Freire, deve-se levar em conta o universo social, cultural,
político, econômico de nossos educandos, pois, em sua grande maioria, são trabalhadores que enfren-
tam uma realidade de dominação.
Ao conhecer a vida, a ideologia e a metodologia de Paulo Freire, deparamos com princípios que fun-
damentam os procedimentos metodológicos voltados à alfabetização de adultos. São eles: a liberdade,
o respeito, a cidadania, o diálogo, a afetividade com seus respectivos desdobramentos. Considerando
tais aspectos, o poema de Vinícius de Moraes, “Operário em Construção”, retrata a realidade do adulto

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em processo de alfabetização e busca sua identidade no aprendizado da leitura e da escrita, além de


conquistar a cidadania por meio do contexto letrado que proporciona a “leitura de mundo” mais justa,
igualitária e com esperança de novos horizontes para o cidadão que deseja construir um mundo melhor
por meio de seu aprendizado.

5.5 PAULO FREIRE

5.5.1 BIOGRAFIA E IDEOLOGIA


• Nasceu em Pernambuco, em 19 de setembro de 1921;
• Faleceu aos 76 anos, de infarto, em 02 de maio de 1997;
• Advogado e professor, desde cedo, preocupou-se com a formação do jovem e adulto trabalhador;
• Idealizou um método de trabalho que, em 1962, foi experimentado pela primeira vez;
• Em 1964, foi considerado “subversivo internacional e traidor de Cristo e do povo brasileiro” e foi
exilado para o Chile;
• Durante 5 anos, no Chile, trabalhou em seu projeto e escreveu sua principal obra : A pedagogia do
oprimido;
• Ficou exilado durante 16 anos;
• Retornou ao Brasil em 1980, para reaprender o país.

5.5.2 PRINCÍPIOS BÁSICOS

LIBERDADE:
• de pensar, refletir e discutir problemas e dificuldades;
• de falar: a liberdade de expressão foi tônica da pedagogia de Paulo Freire mediante o universo
vocabular;
• de agir como cidadão, em defesa de seu ideal, organizando-se em grupos.

RESPEITO:
• à individualidade;
• às experiências e vivências;
• às ideias e propostas.

CIDADANIA:
• direitos e deveres para consigo e com os outros;
• defesa de seus direitos;
• busca de melhoria de vida.

DIÁLOGO:
• troca de experiências;
• valorização dos relatos;
• saber ouvir mais.

AFETIVIDADE:
• proximidade ao aluno e disponibilidade a ele;
• elevação de sua auto-estima, fortalecendo-a em seus esforços e avanços;
• toque, olhar carinhoso, expressão facial como sinal de aprovação e incentivo.

5.5.3 METODOLOGIA

Paulo Freire propõe-nos uma pedagogia da liberdade. Suas ideias nascem como uma das expressões

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Letramento na EJA

da emergência política das classes populares e, ao mesmo tempo, conduzem à reflexão e à prática di-
rigidas ao movimento popular.
O respeito à liberdade dos educandos – que nunca são chamados de analfabetos, mas de alfabeti-
zandos – é anterior à organização dos círculos de cultura. Já no levantamento do vocabulário popular,
busca-se o máximo de interferência do povo na estrutura do programa. Ao educador cabe registrar fiel-
mente este vocabulário e selecionar palavras freqüentes e relevantes quanto à significação vivida e ao
tipo de complexidade fonêmica que apresentam. Estas palavras, de uso comum na linguagem do povo
e carregadas de experiência vivida, são decisivas, pois, com base nelas, o alfabetizando irá descobrir as
sílabas, as letras e as dificuldades silábicas específicas de seu idioma, além de servirem de matéria ini-
cial para descoberta de novas palavras. Assim, por meio das palavras geradoras, o alfabetizando toma
posse de seu idioma.
Para Freire (1971), a educação é conscientização. É reflexão rigorosa e pesquisada com os alunos.
Por exemplo: as palavras geradoras em um grupo de alfabetizando jovens e adultos camponeses pode-
riam ser enxada, terra, colheita e adubos. Por sua vez, um grupo de pedreiros trabalharia com palavras
como cimento, tijolo, areia, etc., enquanto os operários mecânicos lidariam com outros termos com-
pletamente diferentes dos apresentados.

5.5.3.1 FASES DE ELABORAÇÃO E DE EXECUÇÃO DO MÉTODO

1. Levantamento do universo vocabular dos grupos com os quais se trabalhará: esta fase apresen-
ta resultados muito ricos para a equipe de educadores, não só pelas relações que travam mais
também pela exuberância da linguagem do povo. As entrevistas revelam anseios, frustrações,
descrenças, esperanças, ímpeto de participação bem como momentos altamente estéticos da
linguagem do povo. As palavras geradoras surgem desses levantamentos e não de seleção que os
educadores fazem.

PALAVRAS GERADORAS SÃO AQUELAS QUE, DECOMPOSTAS EM SEUS ELEMENTOS SILÁBICOS,


PROPICIAM, PELA COMBINAÇÃO DESSES ELEMENTOS, A CRIAÇÃO DE NOVAS PALAVRAS.

2. Escolha das palavras, selecionadas do universo vocabular pesquisado: a seleção é feita mediante
critério de:
a. riqueza fonêmica;
b. dificuldade fonética: as palavras escolhidas devem responder às dificuldades fonéticas da lín-
gua, postas em seqüência crescente de dificuldades;
c. teor pragmático da palavra que implica maior pluralidade de engajamento da palavra numa
dada realidade social, cultural, política, etc.

3. Criação de situações existenciais típicas do grupo: abre perspectivas para a análise de problemas
nacionais e regionais. Nelas, apresentam-se palavras geradoras que tanto podem englobar a situ-
ação toda quanto podem referir-se a um dos elementos da situação.

4. Elaboração de fichas-roteiro: auxilia como subsídios e jamais como uma prescrição rígida a que
devam obedecer.

5. Produção de fichas com a decomposição das famílias fonêmicas correspondentes aos vocábulos
geradores.

5.5.3.2 EXCECUÇÃO PRÁTICA

67
Uma visão transformadora de
Letramento na EJA mundo, articulando teoria e prática.

1. Debate para escolha da palavra geradora e suas implicações: somente quando o grupo finalizou a
análise da situação dada, volta-se o educador à visualização da palavra; por exemplo, TIJOLO;
2. Visualização da palavra geradora: o coordenador apresenta a palavra sem o objeto que a repre-
senta;
3. “Pedaços”: visualiza-se a palavra geradora separada em sílabas;
TI – JO – LO;
4. Famílias fonêmicas: trabalham-se as famílias de cada sílaba da palavra geradora;
5. Ficha da descoberta: apresentam-se as famílias juntas, que é o momento mais importante;

TA –TE – TI – TO – TU
JA – JE – JI – JO – JU “FICHA DA DESCOBERTA”
LA – LE – LI – LO – LU

6. Formação de palavras: o grupo começa a criar palavras com as combinações à sua disposição. Em
geral, quando se projeta a família fonêmica, o grupo reconhece apenas a sílaba da palavra visua-
lizada. Por exemplo: TIJOLO – aspectos para discussão:
• reforma urbana;
• planejamento;
• relacionamento entre várias reformas;
• profissão.

5.6 SLIDES ORIENTADORES > VER ANEXO

5.7 PRÁTICA PEDAGÓGICA

- Dinâmica: elaboração de receita de alfabetização de acordo com a metodologia de Paulo Freire;


- Prática pedagógica de Paulo Freire: simulação de atividades práticas na perspectiva paulofreireana;
- Trabalho em grupo: seleção de palavras geradoras.
- Jogral: O operário em construção (retrata a vida de homens que trabalham, nunca estudaram ou
possuem poucos conhecimentos , que sabem todas as medidas, fazem cálculos mentais, erguem pa-
redes no prumo, calculam a quantidade de tijolos, cimento e areia e seu trabalho final é elogiado pelo
patrão. Ele, o operário usa suas habilidades, competências e experiências de vida para realizar a obra
apesar de ser um mero analfabeto desconhecido).

5.7.1 PALAVRA GERADORA EM PAULO FREIRE


Imagine que você já trabalha em um grupo de jovens e adultos e que, na sua comunidade, existe
uma grande problemática com relação a ______________________.
Faça, como se fosse seu aluno, um levantamento de questões e situações que o tema sugere. Esco-
lha uma das gravuras apresentadas e faça um levantamento dos temas que poderiam ser discutidos no
Círculo da Cultura.

Era Ele que erguia casas Um templo sem religião


Onde antes só havia chão. Como tampouco sabia
Como um pássaro sem asas Que a casa que ele fazia
Ele subia com as casas Sendo a sua liberdade
Que lhe brotavam da mão. Era a sua escravidão.
Mas tudo desconhecia De fato, como podia
De sua grande missão: Um operário em construção
Não sabia, por exemplo Compreender por que um tijolo
Que a casa de um homem é um templo Valia mais do que um pão?

68
Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

Tijolos ele empilhava De operário em construção


Com pá, cimento e esquadria E olhando bem para ela
Quanto ao pão, ele o comia... Teve um segundo a impressão
Mas fosse comer o tijolo! De que não havia no mundo
E assim o operário ia Coisa que fosse mais bela.
Com suor e com cimento Foi dentro da compreensão
Erguendo uma casa aqui Desse instante solitário
Adiante um apartamento Que, tal sua construção
Além uma igreja, à frente Cresceu também o operário.
Um quartel e uma Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
prisão: E como tudo que cresce
Prisão de que sofreria Ele não cresceu em vão
Não fosse, eventualmente Pois além do que sabia
Um operário em construção. - Exercer a profissão -
Mas ele desconhecia O operário adquiriu
Esse fato extraordinário: Uma nova dimensão:
Que o operário faz a coisa A dimensão da poesia.
E a coisa faz o operário. E um fato novo se viu
De forma que, certo dia Que a todos admirava:
À mesa, ao cortar o pão O que o operário dizia
O operário foi tomado Outro operário escutava.
De uma súbita emoção E foi assim que o operário
Ao constatar assombrado Do edifício em construção
Que tudo naquela mesa Que sempre dizia sim
- Garrafa, prato, facão Começou a dizer não.
Era ele quem os fazia E aprendeu a notar coisas
Ele, um humilde operário, A que não dava atenção:
Um operário em construção. Notou que a sua marmita
Olhou em torno: gamela Era o prato do patrão
Banco, enxerga, caldeirão Que a sua cerveja preta
Vidro, parede, janela Era o uísque do patrão
Casa, Cidade, nação! Que o seu macacão de zuarte
Tudo, tudo o que existia Era o terno do patrão
Era ele quem os fazia Que o casebre onde morava
Ele, um humilde operário Era a mansão do patrão
Um operário que sabia Que seus dois pés andarilhos
Exercer a profissão. Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Ah, homens de pensamento Era a noite do patrão
Não sabereis nunca o quanto Que a sua imensa fadiga
Aquele humilde operário Era amiga do patrão.
Soube naquele momento! E o operário disse: Não!
Naquela casa vazia E o operário fez-se forte
Que ele mesmo levantara Na sua resolução.
Um mundo novo nascia Como era de se esperar
De que sequer suspeitava. As bocas da delação
O operário emocionado Começaram a dizer coisas
Olhou sua própria mão Aos ouvidos do patrão.
Sua rude mão de operário Mas o patrão não queria

69
Uma visão transformadora de
Letramento na EJA mundo, articulando teoria e prática.

Nenhuma preocupação Via coisas, objetos


- “Convençam-no” do contrário - Produtos, manufaturas.
Disse ele sobre o operário Via tudo o que fazia
E ao dizer isso sorria. O lucro do seu patrão
Dia seguinte, o operário E em cada coisa que via
Ao sair da construção Misteriosamente havia
Viu-se súbito cercado A marca da sua mão.
Dos homens da delação E o operário disse: Não!
E sofreu, por destinado - Loucura! - gritou o patrão
Sua primeira agressão. Não vês o que te dou eu?
Teve seu rosto cuspido - Mentira! -disse o operário
Teve seu braço quebrado Não podes dar-me o que é meu.
Mas quando foi perguntado E um grande silêncio fez-se
O operário disse: Não! Dentro do seu coração
Em vão sofrera o operário Um silêncio de martírios
Sua primeira agressão Um silêncio de prisão.
Muitas outras se seguiram Um silêncio povoado
muitas outras seguirão. De pedidos de perdão
Porém, por imprescindível Um silêncio apavorado
Ao edifício em construção Com o medo em solidão.
Seu trabalho prosseguia Um silêncio de torturas
E todo o seu sofrimento E gritos de maldição
Misturava-se ao cimento Um silêncio de fraturas
Da construção que crescia. A se arrastarem pelo chão.
Sentindo que a violência E o operário ouviu a voz
Não dobraria o operário De todos os seus irmãos
Um dia tentou o patrão Os seus irmãos que morreram
Dobrá-lo de modo vário. Por outros que viverão.
De sorte que o foi levando Uma esperança sincera
Ao alto da construção Cresceu no seu coração
E num momento de tempo E dentro da tarde mansa
Mostrou-lhe toda a região Agigantou-se a razão
E apontando-a ao operário De um homem pobre e esquecido
Fez-lhe esta declaração: Razão porém que fizera
- Dar-te-ei todo esse poder Em operário construído
E a sua satisfação O operário em construção.
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher. Você sabe o que é um Jogral?
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não. A partir da leitura, forme um grupo e
Disse e fitou o operário organize um jogral bem criativo.
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
E o operário via as casas
E dentro das estruturas

70
Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

5.8 ALFABETIZAÇÃO NA PERSPECTIVA CONSTRUTIVISTA

5.8.1 DINÂMICA: VOCÊ É DISCIPLINADO?

O TEMPO ESTÁ PASSANDO… SEJA RÁPIDO;


PORÉM LEIA TUDO ANTES DE EXECUTAR QUALQUER TAREFA.

Lista de Instruções – Você é disciplinado?

1. Disciplina e perseverança são a chave para o sucesso.


2. Escreva seu nome, sublinhe-o no alto desta folha, à direita.
3. Levante-se da sua cadeira e dê DEZ PASSOS bem espaçados dentro da sala.
4. Volte para a sua cadeira e desenhe, no verso desta folha, uma casa e uma árvore.
5. Fique em pé, em cima de sua cadeira, e pronuncie, bem alto, o seu nome.
6. Troque de lugar com outra pessoa, de preferência que não esteja perto de você.
7. Dê um abraço em você próprio e diga: “Eu me amo!”.
8. Agora, fique, durante, aproximadamente, vinte segundos, de olhos fechados, em atitude de re-
flexão.
9. Abra os olhos, fique em pé, jogue suas mãos para o céu, e grite: “Sou uma pessoa feliz!”.
10. Faça dupla com outra pessoa e cante: “Atirei o pau no gato…”.
11. Dê uma volta, em círculo, na sala, andando de costas.
12. Faça a oração do Pai Nosso, com as mãos postas (palma com palma), até o trecho “assim na terra
como no céu…”.
13. Suba na cadeira e, finalmente, grite: “Eu sou demais!”. Agora que você acabou de ler todas as
questões, execute apenas a número 2. Parabéns!

5.8.2 NÍVEIS DE ALFABETIZAÇÃO

Atualmente, as práticas tradicionais de alfabetização são questionadas pelas investigações psico-


lógicas e psicolingüísticas. Nessa realidade, as ideias de Emília Ferreiro apresentam-se como valiosas
contribuições na abordagem construtivista-interacionista da aprendizagem em que não há receitas
prontas, pois a construção é a chave para encontrar o segredo da aprendizagem.
O trabalho de Emília Ferreiro é fundamentado na teoria de Piaget. A educadora e pesquisadora de-
senvolveu trabalhos revolucionários no campo da aquisição da escrita e definiu quatro (4) níveis pelos
quais o alfabetizando passa no processo da psicogênese da escrita.
A passagem de um nível a outro se faz ao trabalhar o conhecimento de cada etapa. Assim, o aluno
constrói sua aprendizagem durante o processo de alfabetização, marcado pela formulação e superação
das hipóteses de leitura e escrita em cada nível. Essa metodologia pressupõe continuidade e acompa-
nhamento do professor que deverá estar atento à evolução de seus alunos no processo de criação de
hipóteses sobre o que lê e escreve. Os níveis de alfabetização estão organizados em: pré-silábico, silá-
bico, silábico-alfabético e alfabético. O nível silábico-alfabético não será apresentado e discutido, pois
ele é um nível intermediário guardando as características dessas fases.

5.8.2.1 ASPECTOS DO NÍVEL PRÉ-SILÁBICO

Quando alguém se alfabetiza percorre um caminho cujo nome dado, atualmente na perspectiva
construtivista é a Psicogênese da Alfabetização. Neste caso, se caracteriza por uma seqüência de níveis
de concepção dos sujeitos que aprendem. No entender de GROSSI, 1990 os níveis são ligados e organi-
zados da seguinte forma:

71
Uma visão transformadora de
Letramento na EJA mundo, articulando teoria e prática.

“(...) a hierarquia de procedimentos, de noções e de representações, determinada pelas proprieda-


des das relações e das operações em jogo, de acordo como o sujeito vivencia os problemas num deter-
minado momento do processo de aprendizagem.” (p.55).
Em grandes linhas, no mural pré-silábico a leitura se caracteriza pela leitura global, sem recorte
silábico, e pelo fato de a escrita representar nomes e atributos dos objetos. Nesta fase, os jovens e os
adultos constroem hipóteses sobre o que é preciso para que “escritos” possam ser “lidos”.

• Inexistência de associação entre as letras escritas e sílabas orais;


• Concepção de que se escreve com desenhos PS1 (esclarecer o que é PS1?);
• Grafia com traços figurativos do que se escreve PS1;
• Escrita com letras e números condicionando a quantidade ao tamanho, à posição, às característi-
cas figurais entre o escrito e o objeto real PS2(esclarecer o que é PS2?).

PROCEDIMENTOS DIDÁTICOS

• Criação de ambiente rico em materiais e de atos de leitura;


• Contacto simultâneo com todas as letras;
• Oferta de variados conjuntos de alfabetos e dois tipos de letras: caixa alta e cursiva;
• Memorização global de palavras, com a construção do TESOURO, isto é, palavras significativas
para cada aluno, principalmente o nome próprio;
• Vinculação de objeto ou figura à palavra escrita;
• Análises não silábicas: contar letras, reconhecê-las, identificar aspectos do traçado das letras.

SINTETIZANDO...

A superação do nível pré-silábico caracteriza-se por:


• Reconhecimento de que letras desempenham função na escrita;
• Compreensão ampla da vinculação entre o discurso oral com o texto escrito;
• Distinção entre imagem, texto, letras, números;
• Vinculação entre o que se pensa e o que se escreve;
• Distinção entre letras, palavras, frase e textos.

ESQUEMA DO NÍVEL PRÉ-SILÁBICO

PALAVRAS
• Associação entre palavra e objeto (imagem);
• Memorização global de palavras significativas;
• Análise da constituição das palavras quanto às letras inicial e final, ao número de letras, à ordem
e à natureza das letras.
LETRAS
• Análise dos aspectos gráfico-topológicos, de forma, de posição em dois tipos de letras (invariân-
cia de forma);
• Introdução dos aspectos sonoros pelas iniciais de palavras significativas;
• Distinção entre letras e fonemas.
TEXTOS
• Aspectos semânticos:
o vinculação do discurso oral com o texto escrito;
o distinção entre imagem e escrita.
• Aspectos gráficos
o reconhecimento dos suportes diferentes de textos distintos;

72
Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

o reconhecimento das letras como constituintes do texto;


o análise da distribuição espacial do texto e da orientação da frase.

ATIVIDADES INDICADAS
o Com o nome: crachás, bingo de letras, de palavras, quebra-cabeça, variadas apresentações do
mesmo nome;
o Produção e apresentação de textos significativos;
o Baralhos, jogos da memória, sons de letras;
o Leitura de histórias, análise de palavras.

Dinâmica do RÓTULO

O agente alfabetizador pede aos alunos que tragam rótulos de vários tipos de produtos: - lata de
alimento, produtos de limpeza, higiene pessoal, remédios, etc.; e discute sobre as cores, desenhos ou
figuras que aparecem nos rótulos, perguntando também onde há letras e números.
Depois os alunos fazem cartazes classificando os rótulos em produtos de limpeza, produtos de hi-
giene, alimentos, etc...; escolhem alguns produtos e o professor escreve os nomes no quadro de giz.
A partir dessa lista, a classe escolhe um produto e discute que tipo é e para que serve. Em seguida, a
classe cria um novo nome e um novo rótulo para esse produto.

5.8.2.2 ASPECTOS DO NÍVEL SILÁBICO

Nesta fase da alfabetização, a hipótese/nível silábica, ao mesmo tempo em que é um avanço con-
ceitual, é uma enorme fonte de conflitos para os alunos, isto acontece quando gera contradições como
o controle silábico e a quantidade mínima de letras que permite antecipar. Nesse momento costuma
aparecer uma hipótese que atribui a cada letra uma sílaba oral. Saber escrever mas não poder ler o que
foi escrito é fator gerador do conflito de passagem para outro nível.
O alfabetizador precisa estar atento as várias abordagens globais numa busca constante da lógica do
sistema dos níveis e a conquista da estabilidade, se faz por meio de um amplo trabalho com a escrita
de várias palavras significativas da realidade dos alunos.
• Vinculação entre pronúncia e escrita: correspondência quantitativa de sílabas orais a letras isoladas;
• Segmentação quantitativa das palavras em tantos sinais gráficos quantas são as vezes em que se
abre a boca para pronunciá-las.

ESQUEMA DO NÍVEL SILÁBICO

PALAVRAS
• Ênfase sobre a análise da primeira letra no contexto da 1ª sílaba;
• Contraste entre as palavras memorizadas globalmente e a hipótese silábica: contagem do núme-
ro de letras, desmembramento oral de sílabas e hipóteses de repartição de palavras escritas.

LETRAS
• Reconhecimento do som das letras pela análise da primeira sílaba de palavras;
• Prosseguimento do estudo de formas e da posição das letras em seus dois tipos: cursivo e caixa
alta (maiúsculas de imprensa).

TEXTOS
• Uso preferencial de textos cujo conteúdo esteja memorizado de antemão, para leitura;
• Pesquisa de qualquer palavra no texto, incluindo verbos e partículas pequenas, como artigos,
preposições.

73
Uma visão transformadora de
Letramento na EJA mundo, articulando teoria e prática.

ATIVIDADES INDICADAS
• Completar palavras quando lhes falta a primeira letra;
• Escrever palavras dadas as primeiras letras;
• Escrever palavras no conjunto de sua primeira letra;
• Ligar cada desenho à primeira letra do seu nome;
• Entregar o alfabeto escrito e suas atividades;
• Fazer bingo de iniciais de palavras e de letras isoladas;
• Contar o número de letras;
• Continuar com o TESOURO de palavras para atividades diversas;
• Analisar o número de letras das palavras;
• Completar palavras.

5.8.2.3 NÍVEL SILÁBICO PARA O ALFABÉTICO

O nível silábico – alfabético marca a transição entre os esquemas prévios que estão sendo constru-
ídos. Este nível caracteriza-se pelo processo de substituição, é longo e depende da elaboração e reela-
boração de palavras conhecidas e desconhecidas.
• Impossibilidade de ler o que se escreve silabicamente;
• Impossibilidade de ler o que os outros (alfabetizados) escrevem.

Dinâmica da FORCA
Preste atenção no que vamos jogar. Vejamos se você descobre as palavras com as letras que estão
faltando! Não se esqueça de observar que: C é CONSOANTE e V é VOGAL.
Agora, observe os nomes de alimentos que começam com B.

B __ T__ __ A
v v c

B __ __ A __ H __
v c c v Obs: Alfabetizador, você poderá criar outras situ-
ações sobre vestuário, estações do ano, merca-
B I __ __ O __ __ O do, com leitura dos números. Vise a criatividade!
c c v c

B __ N __ __ A
v c v

5.8.2.4 NÍVEL ALFABÉTICO

O nível alfabético, os alunos descobrem que a representação gráfica é realizada pelos símbolos alfa-
béticos. Nessa fase, procura-se assegurar em sua escrita a representação de cada fonema pelo grafema
correspondente. Este nível não implica necessariamente o domínio das normas, pois nos aspectos
quantitativos enfrentará os problemas ortográficos, isto é, a identidade dos sons não garante a identi-
dade da letra, nem a letra garante a identidade do som.
Nesta fase, o “estado” da alfabetização – a construção alfabética de sílabas acontece e o aluno dis-
para a ler e a escrever.
• Estalo da alfabetização;
• Noção de sílaba composta por mais de uma letra;
• Separação das palavras na produção de textos;

74
Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

• Ênfase na adequação fonética e exclusão da preocupação ortográfica;


• Conflito na escrita de sílabas complexas.

ATIVIDADES INDICADAS

• A partir de um texto:
o leituras globais ou parciais;
o reconhecimento de palavras, frases e letras;
o ditados de partes ou palavras;
o cópias de palavras;
o remontagem;
o produção de desenhos;
o contagem de frases, espaços, e de palavras;
o cópias marcando os espaços;
o preenchimento de lacunas com palavras;

• Diversificação de atividades;
• Produção individual e coletiva de textos;
• Escrita de cartas, bilhetes ou cartões;
• Montagem de frases com palavras soltas;
• Contagem de palavras nos textos;
• Reorganização de textos com suas palavras (do texto ou próprias do aluno?);
• Abordagem de sílabas /famílias silábicas;
• Distribuição de palavras pelo número de sílabas;
• Atividades de separação de sílabas.

LETRA <<<<SÍLABA >>>PALAVRA >>> TEXTO

TEXTO >>> PALAVRA >>> SÍLABA >>> LETRA

Dinâmica: trabalho com redes de significado.


Para essa atividade, o alfabetizador poderá trabalhar com palavras, sílabas e letras em outras ati-
vidades, como listagens de palavras com o mesmo sentido. – A partir de uma letra desencadeadora,
trabalhar sua rede de significados. Ex.:

75
Uma visão transformadora de
Letramento na EJA mundo, articulando teoria e prática.

• Posteriormente, trabalhe com listagens de nome de animais, frutas, brinquedos, compras de su-
permercado.

5.8.2.5 SÍNTESE DE ATIVIDADES NOS TRÊS NÍVEIS

professor alfabetizador poderá organizar suas atividades pedagógicas levando em conta as sínte-
O
ses apresentadas e ainda poderá acrescentar outras de acordo com as necessidades da turma.

PRÉ-SILÁBICO:
• Memorização dos nomes
• Apresentação dos nomes de diferentes maneiras
• Enumeração oral
• Reconhecimento das letras inicial e final
• Mesmo número de letras
• Mesma terminação
• Bingo de letras
• Bingo de nomes
• Descoberta da letra
• Contagem do número de letras
• Bingo com todo o alfabeto
• Construção do alfabeto
• Ditado de iniciais
• Identificação de palavras com a mesma letra

SILÁBICO
• Correspondência do nome
• Troca de sílabas
• Bingo de sílabas
• Sílaba inicial e final
• Formação de famílias silábicas
• Contagem do número de sílabas
• Separação de sílabas
• Formação de palavras

ALFABÉTICO
• Contagem do número de palavras
• Cópia do texto
• Identificação de palavras e sílabas
• Cópia da primeira sílaba
• Distribuição de palavras segundo o número de sílabas
• Seleção de sílabas
• Contagem de espaços e de palavras
• Remontagem de textos
• Leituras globais e parciais

5.9 SLIDES ORIENTADORES > VER ANEXO

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Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

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Uma visão transformadora de
Letramento na EJA mundo, articulando teoria e prática.

5.10 EXEMPLOS DE ESCRITAS DOS NÍVEIS PRÉ SILÁBICO E SILÁBICO

EXEMPLO DE ATIVIDADES PARA O NÍVEL SILÁBICO

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mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

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Letramento na EJA mundo, articulando teoria e prática.

EXEMPLO DE ATIVIDADE PARA NÍVEL ALFABÉTICO

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mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

Identifique as escritas abaixo retiradas do folder relativo ao


“Programa de Formação de Professores Alfabetizadores”,MEC, 2001.

- Testando o conhecimento do nível a que pertencem as escritas;

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5.11 PROVA AMPLA

5.11.1 Dinâmica: - Procurando palavras.


A classe escolhe um assunto (idades, frutas, animais, artistas) e uma palavra-chave, que é uma pa-
lavra qualquer. Combina-se, então, o maior número possível de palavras ligadas ao assunto e iniciadas
com as letras da palavra-chave.
Exemplo com assunto nomes e palavra-chave piano:

P Paulo, Pedro, Patrícia


I Isolda, Irineu
A Ana, Antônio, Adriana
N Norberto, Noemi
O Osvaldo

CARACTERÍSTICAS GERAIS
Com o objetivo de identificar o nível de escrita dos alfabetizandos, sugere-se a aplicação da Prova
Ampla, em cujo resultado os alfabetizadores podem basear-se e planejar as diferentes atividades a
serem aplicadas.
É importante que a primeira aplicação da Prova Ampla ocorra antes do início do período letivo,
como apoio para o planejamento inicial de cada turma.
A prova ampla é um instrumento auxiliar para rede de hipóteses durante o processo de alfabetiza-
ção. É considerada uma entrevista individual do alfabetizador com cada um de seus alunos e pode ser
realizada em qualquer ambiente didático da escola.
Este tipo de avaliação deve ser aplicada mais três vezes durante o processo de alfabetização, com
intervalos regulares do período letivo, ou seja, ao final de cada mês transcorrido.
A seleção das palavras deve respeitar os seguintes aspectos: - elas devem pertencer a um mesmo
campo sistemático e mão devem ser do repertório escolar, usual na cartilha usada pelos sujeitos. Ao se-
guir os procedimentos do item 3 ( Aplicação da prova ampla), o que se quer é avaliar se as variações da
quantidade de letras são em função da quantidade de sílabas, na concepção dos jovens e adultos.
Para que as palavras usadas nesta prova tenham vinculação real com as vivências dos alunos, suge-
re-se que elas sejam escolhidas a partir de uma conversa que preceda imediatamente a prova.
Esta é uma prova sobre a escrita dos jovens e adultos. Como escrita e leitura são dois aspectos pa-
ralelos e não simultâneos na alfabetização, não se pede aos alunos que leia após ter escrito.
As provas de leitura devem ter também outro suporte que não as escritas produzidas necessaria-
mente pelo sujeito.
É importante que a primeira aplicação da Prova Ampla ocorra antes do início do período letivo, como
apoio para o planejamento inicial de cada turma.

1.Objetivo : sondagem para classificar o aluno de acordo com os níveis :


• Pré-silábico 1
• Pré-silábico 2
• Silábico
• Silábico-alfabético
• Alfabético

2.Procedimentos :
• Conversa para contextualizar as quatro palavras e a frase previamente escolhidas pelo professor
que devem contemplar os seguintes critérios:
o Simplicidade fonêmica.
o Número de sílaba em cada palavra: uma, duas, três e quatro sílabas cada uma. Exemplo : sol,

82
Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

gato, cavalo, borboleta


o Ordem da frase: sujeito, verbo e complemento. Exemplo :Tiago lia revista.

3.Aplicar a prova individualmente.


4.Solicitar que o aluno escreva.
5.Registrar (o quê?) (os resultados?).
6.Analisar os resultados.

EXERCÍCIOS DE APLICAÇÃO:
- Reconhecer os diferentes níveis nas escritas apresentadas e justificar a resposta.
- Simular uma prova ampla contextualizando e escolhendo as quatro palavras e a frase.
- Elaborar tarefas para cada nível.

Remonte o texto a seguir.

Leia com atenção o texto e reescreva-o na sequência lógica dos fatos.

O Trabalho

as, hoje em dia, não existe trabalho pra todos.


M
Não existe porque a ganância dos poderosos é muito grande e porque as máquinas trabalham
muito ligeiro e tiram muitos empregos.
Sem trabalho não é possível sobreviver.
O trabalho é muito importante para todos os seres humanos.

(turma do BB Educar – Estrutural (DF) 2003.

ANOTAÇÕES:

83
CAPÍTULO VI
84
Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

ALFABETIZAÇÃO E LÍNGUA PORTUGUESA


6.1 – Produção de Textos Espontâneos.
6.2 – Produção de Textos Escritos.
6.3 – Aspectos da Análise Linguística.

6.1 PRODUÇÃO DE TEXTOS ESPONTÂNEOS

Após o período de construção da leitura, da escrita e dos ensinamentos da matemática, o alfabe-


tizando começa a produzir textos espontâneos. Inicialmente, a produção acontece oralmente. Assim,
o alfabetizador deve estimular o relato oral dos alunos, aproveitando suas experiências cotidianas,
histórias de vidas, casos regionais e locais, ou ainda, outros assuntos que o grupo desejar partilhar em
sala de aula.
O alfabetizando quando permite a produção espontânea de textos, cria uma relação natural com a
escrita, pois a necessidade de aprender a forma correta e fixar palavras é decorrente da própria exigên-
cia de comunicar ideias e histórias para outros leitores.
Nesse momento, escrevem tal como acreditam que um texto poderia ou deveria ser escrito. Ao en-
trar no universo da escrita, o aluno começa a pensar sobre a língua, forma, segmentação e unidades.
É importante incentivá-lo a escrever, copiar o que quiser e discutir sobre o que escreveu e viu escrito.
Desse modo, a produção de textos espontâneos é fundamental para que o aluno passe da habilida-
de de uso da linguagem oral, que já possui, para a aquisição da linguagem escrita.
De acordo com a validade dos alunos nas produções orais cabe ao alfabetizador criar situações de
aprendizagem variadas e acompanhar a atuação do aluno. Para que este processo aconteça deve o
alfabetizador utilizar a observação do trabalho individual e da classe em conjunto.
Quando o alfabetizando se torna alfabético, o trabalho já poderá envolver correções que gradativa-
mente irão aproximando a escrita da ortografia, ao longo de todo o processo de construção da produ-
ção oral e a transcrição para a escrita.
Algumas atividades podem ser desenvolvidas por você em sala de aula para ampliar e estimular a
produção oral de textos. Além de jornais, revistas, gibis, rótulos, panfletos você poderá utilizar: - re-
conto oral de histórias em quadrinhos, história de vida, capítulos de novela, lendas da região feitas
individualmente e em grupo pelos jovens e adultos, bem como utilizar anúncios, rotinas de trabalho e
outras que se façam necessárias.

6.2 PRODUÇÃO DE TEXTOS ESCRITOS

Para que o aprendiz produza textos criativos, expressivos e que sejam capazes de despertar o in-
teresse de quem lê – o alfabetizador, precisa criar situações, para que o aluno possa pensar antes de
escrever. Deve selecionar o que vai dizer e como vai fazer isso, deve ainda, ter tempo de pesquisar,
questionar e elaborar ideias com a ajuda do professor e dos colegas, como também, lê diferentes tex-
tuais para seus alunos.
O alfabetizador deve perceber que o levantamento de temas para a produção do texto escrito envol-
ve o contexto real dos alunos. Deve discutir com os alunos sobre diferentes assuntos, tais como: - festa
junina, páscoa, natal, animais que mais gosta, alimentos, moradia e outros que o grupo desejar.
Observa-se que os aprendizes de produção de texto são sujeitos que interagem verbalmente, isto é,
produzem seus textos e neles os discursos vão sendo elaborados em uma determinada situação comu-
nicativa, percebe-se ainda que isto o faz a partir de sua validade social e histórica.

85
Uma visão transformadora de
Letramento na EJA mundo, articulando teoria e prática.

Os textos são produzidos em sala de aula para serem trabalhados e analisados nos dias subseqüen-
tes a sua produção. Muitas vezes o texto fica exposto na parede (nos dois tipos de letra de imprensa e
cursiva). A partir delas, muitas atividades são propostas, iniciando pela sua leitura, repelida em varias
ocasiões, como numa exploração didática como: - textos coletivos ( orais ou escritos), receitas (salada
de fruta), músicas conhecidas e etc.
Posteriormente, após domínio da produção escrita, o alfabetizador deve começar a olhar o texto
dos alunos levando em conta os seguintes aspectos: - a ortografia, a acentuação gráfica e a pontuação.
Ao proceder a correção, a mesma deve ser coletiva, isto é, o alfabetizador deve transcrever o texto
selecionado e pedir que o autor não se apresente ao grupo e assim proceder a correção do texto trans-
crito em papel pardo ou no quadro-de-giz.
Nesta fase deve escolher o que será corrigido, para que percebam os pontos que devem ser avalia-
dos. O alfabetizador submeterá os textos dos alunos (escolhendo ora de um ou de outro aluno) à rees-
crita, discutindo com todos a ideia que o autor quis expulsar e a melhor maneira de fazê-lo.
O alfabetizador deverá sempre que possível pedir que os alunos apresentem uma solução para cor-
rigir a frase, porem, se ninguém conseguir resolver a questão, o alfabetizador deverá formular a cor-
reção, explicando de forma detalhada os aspectos alterados na nova construção frasal, como grafia,
concordância, regência, ordem das palavras, coesão.
Para a correção, é fundamental que o professor entenda a lógica que norteou a alternativa utilizada
pelo aluno e essa alternativa deve conter o raciocínio lógico produzido no texto, ainda que não seja o
mais adequado.
Percebe-se, que quando o aluno escreve tomate, em vez de tomate, fica claro a confusão do nome
da letra com seu valor fonético. Neste contexto, o alfabetizador aponta o erro: é necessário entender
a lógica do aluno para poder desenvolver uma explicação clara e compreensível, capaz de levá-lo a en-
tender por que seu raciocínio foi equivocado.

6.3 ASPECTOS DA ANÁLISE LINGUÍSTICA

A análise lingüística é uma atividade paralela às atividades de leitura produção de textos. Esta é uma
prática que demanda objetividade par aprender os mecanismos de constituição de sentido do texto,
tais como a concordância, regência, organização ambigüidade, clareza, argumentação, entre outros.
A atividade de reescrita do texto (anteriormente comentada) é forma de desenvolver e ampliar a
análise lingüística, uma vez que aprende contextualmente os aspectos desses mecanismos.
Essa prática deve ser adotada pelos alfabetizadores para que os jovens e os adultos possam avançar
na aquisição da leitura e da escrita. A própria situação da comunicação e a maneira de falar das pessoas
exercem influência na escrita e em seqüência na produção de textos tanto (individual e coletivo).
Cada pessoa possui um jeito próprio de falar/comunicar suas ideias. Essas variações no uso da lín-
gua são perfeitamente naturais e resultam da flexibilidade do falar e dos diferentes tipos de variantes
lingüísticas, tais como: - as variantes regionais ou geográficas referentes à própria região de cada aluno;
as variantes sociais resultam de diferenças de grau de escolaridade do falante, classe social, contexto
cultural, idade e podem ser apresentadas da seguinte forma:
- Variante culta – utilizada por pessoas de maior instrução. É a mais correta;
- Variante coloquial – utilizada nas relações familiares, de amizade. Não se preocupa com correção,
é menos cuidada e mais espontânea.
- Variante vulgar – utilizada por pessoas de baixo nível de instrução, normalmente de classe baixa e
considerada uma linguagem com incorreções.
- Variantes grupais – utilizada em grupos fechados, pois usam linguagem especial. Neste grupo pró-
prio apresentam-se as linguagens técnicas e as gírias.
Portanto, o alfabetizador deve estar alerta para não interiorizar comportamentos preconceituosos
que rotulem seus alunos pelas diferentes maneiras de falar e ter consciência dos valores atribuídos pela
sociedade as variações lingüísticas, além de possibilitar a seus alunos o acesso à variante culta.

86
Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

Para o autor Carlos Bagno, reconhecer é tratar adequadamente a variação linguística na ação peda-
gógica na sala de aula e nos mais variados contextos da realidade dos alunos são desafios colocados
para uma educação democrática e inclusiva.
A variação linguística refere-se à heterogeneidade inerente à línguas humanas, isto é seus falantes
expressam de modo diferente um mesmo conteúdo, um mesmo pensamento e ações, bem como uti-
lizam as regras gramaticais em diferentes situações e de forma distinta, porém deve-se destacar que
nem sempre consideradas corretas devido a diversos fatores contextuais: - históricos, sociais, políticos,
culturais e outros.

Pense e reflita com atenção sobre o que se pede.


Elabore uma atividade interdisciplinar que o contexto cultural e histórico
dos(as) alunos (as) de EJA possa ser trabalhado em sala de aula.

ANOTAÇÕES:

87
CAPÍTULO VII
88
Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

MATEMÁTICA NO COTIDIANO DO ALUNO DE EJA


7.1 – Base Conceitual da Numerização.
7.2 – Conteúdos a serem Desenvolvidos no Projeto.
7.3 – Material Dourado e outros.
7.4 – Decomposição e Composição.
7.5 – Adição.
7.6 – Subtração.
7.7 – Multiplicação.
7.8 – Divisão.
7.9 – Números Fracionários.
7.9.1 – Adição.
7.9.2 – Subtração.
7.9.3 – Multiplicação.
7.9.4 – Divisão.
7.10 – Números Decimais.
7.11 – Operações.
7.11.1 – Adição.
7.11.2 – Subtração.
7.11.3 – Multiplicação.
7.11.4 – Divisão.
7.12 – Medidas.

7.1 BASE CONCEITUAL DA NUMERIZAÇÃO

A matemática desde os mais remotos tempos até os dias atuais é de fundamental importância para
o homem, pois está inserida em situações variadas do seu cotidiano. Assim, o agente alfabetizador
deverá estimular a autonomia, oportunizar a compreensão de processos e técnicas a serem utilizadas
pelos aprendizes incorporados à fase de construção da leitura, da escritas, da contagem e das opera-
ções fundamentais.
Os aprendizes deverão estimar resultados empregando raciocínio lógico, desempenhar habilidades
de classificação, ordenação e seriação, identificar formas geométricas e maneiras de contar e de medir.
O alfabetizador deverá relacionar assuntos da matemática que sejam de real interesse para os alu-
nos e de preferência, correlacioná-los com outras áreas do conhecimento. Assim procedendo os alunos
serão inseridos num processo reflexivo e crítico sobre o seu papel individual ou coletivo na sociedade.
Cabe ao agente alfabetizador, como mediador, desenvolver atividades procedimentais geradoras de
aprendizagem significativa partindo de situações vivenciadas na prática pelos alunos e que ao serem
solucionadas à luz da teoria, proporcionem a agradável sensação de descoberta e de entendimento de
fórmulas ou técnicas indicadas para determinados cálculos.
Para que os objetivos referentes ao ensino da matemática sejam alcançados, serão usados entre
outros o material dourado e o semi-simbólico.
Os materiais Montessorianos são estruturados na base 10 e possibilitam relacionar números (quan-

89
Uma visão transformadora de
Letramento na EJA mundo, articulando teoria e prática.

tidades), formas geométricas (linear, plana e espacial), diferentes maneiras de contar e de medir (com-
primento/perímetro, superfície/área e capacidade/ volume).
Prepare-se para ser um alfabetizador. É gratificante perceber no outro a alegria do aprender.
A utilização do material concreto tem por finalidade proporcionar um reforço pedagógico ao
agente alfabetizador quando de sua atuação como mediador.

7.2 CONTEÚDOS A SEREM DESENVOLVIDOS COM ALUNOS QUE ATUARÃO NO PROJETO.

7.2.1 Sistema de Numeração Decimal


- Números, formas geométricas e maneiras de medir.

7.2.1.1 Materiais:
- Dourado, semi-simbólico e outros.

7.2.1.2 Conteúdos:
- Sistema de Numeração Decimal
- Contagem na base 10
- Composição e decomposição
** Valor absoluto/relativo
** Representação
** Leitura e escrita
- Formas geométricas
a linear
a superfície
a capacidade
- Maneiras de medir
a comprimento -> perímetro -> metro
a superfície -> área -> metro quadrado
a capacidade -> volume -> metro cúbico
- Operações
a adição e subtração
a multiplicação e divisão
a potenciação com expoente 2 e 3
a radiciação -> raiz quadrada e cúbica
- Números fracionários e fracionários decimais
a contagem / conceito
a fração de quantidade e de inteiro
- representação, leitura e escrita
- função dos termos, comparação, equivalência
- operações , porcentagem
Conhecer o Sistema de Numeração Decimal é da maior importância para a aprendizagem signi-
ficativa de vários assuntos da matemática principalmente para a compreensão dos processos utilizados
em técnicas operatórias.
* Atividades envolvendo o uso do Material Dourado no estudo do Sistema de Numeração Decimal
serão abordadas em situações, tais como:
- Contagem
- Representação:
- leitura e escrita;
- composição e decomposição
- Operações:

90
Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

- adição/ subtração;
- multiplicação/divisão;
- potenciação/radiciação

7.3 MATERIAL DOURADO E OUTROS

O Material Dourado é composto de quatro peças fundamentais formadas a partir de um referencial


cubinho de dimensões 1 cm x 1 cm x 1 cm. Neste livro as peças serão apresentadas, por desenhos, em
tamanhos reduzidos.
Observe as figuras, as contagens com grupos de 10 e as leituras relativas às diferentes formas geo-
métricas: linear, plana e não plana.

Verificar, no Material Dourado, que:


• O cubo maior é um prisma cúbico que contém 1000 cubinhos e representa o milhar nos naturais
e/ou o inteiro nos decimais.
• A placa é um prisma não cúbico cuja face maior é idêntica a cada uma das faces do cubo maior e
representa uma centena nos naturais e/ou um décimo nos decimais.
• A barra é um prisma não cúbico cuja aresta maior tem o comprimento idêntico ao da aresta do
cubo maior e representa a dezena nos naturais e/ou o centésimo nos decimais.
• O cubinho é um prisma cúbico que representa a unidade referencial usada para contagem em
grupos de 10. Representa a unidade nos naturais e/ou milésimo nos decimais. Gera as formas
geométricas, as diferentes maneiras de contar e de medir.
- Representação de um número
- diferentes interpretações:
- leitura e escrita;
- valores absoluto e relativo
Exemplos:

1°) Lê-se: cento e quarenta e dois.


2°) Escreve-se: 142
3°) 1 x 100 + 4 x 10 + 2 x 1 (expressão)
- valor absoluto: 1, 4, 2 - quantidade de cada tipo de peça
- valor relativo: 100, 40, 2 - quantidade total da unidade referencial em cada grupo de peças do
mesmo tipo.

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Existem outras maneiras de representar esse número que devem ser trabalhadas para facilitar, pos-
teriormente, a compreensão da subtração.

Observar algumas dessas maneiras:


1ª)

1 Centena + 3 Dezenas + 12 Unidades

Verificar que: 1 x 100 + 3 x 10 + 12 x 1


100 + 30 + 12 = 142

2ª)

9 dezenas + 4 dezenas + 12 unidades

Verificar que: 9 x 10 + 4 x 10 + 12 x 1
90 + 40 + 12 = 142
Outras maneiras devem ser trabalhadas.

7.4 DECOMPOSIÇÃO E COMPOSIÇÃO

Exemplos: Verificar, com o Material Dourado, qual é o número que contém:


a) 13 dezenas e 5 unidades

Resposta: O número é 135.

92
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Letramento na EJA

b) 23 dezenas e 13 unidades

7.5 ADIÇÃO

Na adição a técnica operatória (algorítimo) aparece como conseqüência imediata do que foi com-
preendido e assimilado no Sistema de Numeração Decimal.
- Sem reagrupamento (composição)

Exemplos:

A) 12 Representar cada parcela


+13

Fazer grupos com as unidades e com as dezenas

Registrar o resultado 2 dezenas + 5 unidades

93
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Fazer grupos com : - Unidades - Dezenas – Centenas

4 Centenas + 7 Dezenas + 9 Unidade

Fazer grupo de 10 unidades e transformar em 1 dezena, verificando novo resultado.


+ 348
135
483

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Letramento na EJA

7.6 SUBTRAÇÃO

a subtração as ideias aditivas, subtrativas e comparativas devem ser trabalhadas, pois as diferentes téc-
N
nicas operatórias exigem conhecimentos sobre os princípios do nosso sistema de numeração.
- Subtração pelo método da decomposição
- Sem necessidade de decomposição
Representar a quantidade do minuendo e, dela, retirar a do subtraendo.
- 34
13
21

O uso do material dourado é muito importante para a compreensão do “pedir emprestado”, comu-
mente usado. Observe os exemplos envolvendo: necessidade de decomposição das dezenas para as
unidades
Representar a quantidade do minuendo e, dela, retirar a do subtraendo.

Observar que, após as retiradas, ainda restam:

1 dezena + 8 unidades
Registrar o que foi feito.

95
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7.7 MULTIPLICAÇÃO

A multiplicação pode ser introduzida por meio da contagem de grupos com a mesma quantidade e as-
sim gerar figuras planas que contenham os fatores como medidas de suas dimensões.
Deve-se considerar a função de cada termo desta operação, ou seja, lembrar que:
• multiplicando é o fator que se repete;
• multiplicador é o fator que indica o número de vezes que se quer repetir o multiplicando;
• produto é o resultado obtido.
É importante seguir gradativamente as asdificuldade a serem trabalhandas:
• Multiplicando e multiplicador menores que 10 (sem reagrupamento)

a) 4
x2

Representar duas vezes a quantidade 4.


Produto 8
Registrar o produto obtido.
Verificar que o produto representa a área da figura.

(Algoritmo) u
4
x 2
8

• Multiplicação (com reagrupamento)



a) 6 Representar três vezes a quantidade 6.
x3

Reagrupar 10 unidades
formando 1 dezena.

Produto: 18

1 dezena + 8 unidades

Formar com os 3 grupos de 6 uma figura retangular de dimensões 3 e 6.


Registrar o produto obtido.
Verificar que o produto representa a área da figura.
(Algoritmo)
d u
6 3
X3

1 8 6

96
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mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

7.8 DIVISÃO

divisão deverá ser trabalhada como inversa da multiplicação verificando a quantidade de grupos
A
formados e de elementos de cada grupo para compor o todo trabalhado.
A seguir, são apresentados exemplos com a mesma quantidade envolvendo, simultaneamente, as
ideias de repartir e de medir.

a A ideia de repartir

Nesta ideia o divisor indica o número de grupos a serem formados igualmente com a quantidade do
dividendo
Assim sendo:
Dividendo é o que se quer repartir;
Divisor é o indicador de grupos iguais a serem formados e
Quociente é a quantidade em cada grupo.

Exemplo 1
a) 8:2 – ideia de repartir.

Representar a quantidade do dividendo.


Observar que 8 deve ser repartido, igualmente, em dois grupo:
8 – é o que se quer repartir (dividendo);
2 – é a quantidade de grupos a serem formados igualmente
(divisor);
4 – é a quantidade repartida para cada grupo (quociente).
OBS: pode se trabalhar também, os conceitos de dobro e de
metade.

Registrar o que foi feito.


8 unidades: 2 = 4 unidades

a A ideia de medir

Nesta ideia a quantidade do dividendo representa a superfície de uma figura plana retangular, em que
uma das dimensões é a mesma indicada pelo divisor. Pode-se também desfaze o dividendo em grupos
iguais ao divisor para posterior contagem.
As duas maneiras facilitam a visualização de quantas vezes o divisor ou parte dele está contida no dividendo.
Assim sendo:
Dividendo é o que se quer medir;
Divisor é a medida a ser comparada ao dividendo ou a uma das dimensões da figura plana e
Quociente é a contagem de vezes que o divisor está contido no dividendo ou a outra dimensão da
figura.
Representar a quantidade do dividendo fazendo grupos com 2
unidades.
b) 8:2 – ideia de medir Observar que:
8 – é o que se quer medir;
2 – é a medida a ser comparada ou uma das dimensões do re-
2 tângulo;
4 – é a contagem de vezes que o divisor está contido no dividen-
do ou na outra dimensão do retângulo
4 OBS: pode se trabalhar também, os conceitos de quádruplo e de
quarta parte

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Verificar que:
- a quantidade 2 está contida 4 vezes em 8;
- 2 é uma das dimensões do retângulo de área 8;
- 4 é a outra dimensão do retângulo.

Registrar o que foi feito. Para que o ensino da matemática propicie uma aprendizagem sig-
8 unidades : 2 unidades = 4 nificativa, elabore atividades que possam ser vivenciadas e com-
preendidas pelos aprendizes. Observe atentamente o que se pede
em cada situação proposta e como interpretá-la e resolvê-la.

7.9 NÚMEROS FRACIONÁRIOS

Esses são assuntos da matemática nos quais os alunos, de uma maneira geral, apresentam grandes
dificuldades. A ausência de vivências concretas que possibilitam a compreensão e a aplicação desses
conteúdos é comprovadamente o que acarreta tantas dificuldades. Se considerarmos as atividades do
nosso cotidiano, perceberemos que frações/decimais estão presentes em diversos diferenciais tais
como quantidades, medidas, valores, etc.
O objetivo é propor uma maneira diferente da convencional para ensinar frações/ decimais. Conta-
gens, partilhas, desenhos e relações deverão ser constantes nas atividades. Atividades procedimentais,
criativas e bem elaboradas envolvendo diferentes referenciais propiciam aprendizagem de conceitos
matemáticos que permitem estabelecer relações entre suas partes ou agrupamentos maiores.

REFERENCIAL REAL

1 real é o dobro de 50 centavos

50 centavos é a metade de 1 real

1 real é o quádruplo de 25 centavos

25 centavos é a quarta parte de 1 real

Outros referenciais como litro, quilograma, metro, etc podem ser trabalhados destacando suas me-
tades, quartas, quintas e décimas partes, verificando suas equivalências e operações.

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mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

7.9.1 ADIÇÃO

Você já sabe ler, registrar, comparar, determinar equivalências quando é dada uma fração.

1- Agora, você deve observar a adição indicada e fazer o que se pede nas instruções dadas.

a) 1 + 1 =
3 3

1 + 1 = 2
- Represente as parcelas indicadas. 3 3 3
- Junte-as.
- Qual o resultado obtido? 2
- Esse resultado é menor, igual ou maior que o inteiro? 3 < 1 (própria)
- Que nome recebe essa fração quando comparada ao inteiro?

b) 3 + 2 =
5 5

- Represente as parcelas indicadas. 3 + 2 = 5


- Junte-as. 5 5 5
- Qual o resultado obtido?
- Esse resultado é menor, igual ou maior que o inteiro? 5
- Que nome recebe essa fração quando comparada ao inteiro? 5 = 1 (aparente)

c) 1 + 4 =
3 9

- Represente as parcelas indicadas. 3 + 4 = 7


- Junte-as. 9 9 9
- Qual o resultado obtido?
- Esse resultado é menor, igual ou maior que o inteiro? 7
- Que nome recebe essa fração quando comparada ao inteiro? 9 < 1 (própria)

99
Uma visão transformadora de
Letramento na EJA mundo, articulando teoria e prática.

Verifique se existem outras frações equivalentes que podem ser usadas nos itens a e b e registre
sua conclusão sobre como adicionar frações de denominadores diferentes com um múltiplo ou divisor
do outro.

2- Nova situação você vai enfrentar desta vez; veja:

c) 1 + 1 =
2 3

- Represente as parcelas indicadas.


- Junte-as.
- Verifique a necessidade de transformar ½ e 1/3 em frações
equivalentes de mesmos denominadores.
- Transforme ½ em 3/6 e 1/3 em 2/6.
- Qual o resultado obtido?
- Classifique esse resultado em relação ao inteiro.

7.9.2 SUBTRAÇÃO

Você já aprendeu a adicionar números fracionários. Agora, vamos retomar os resultados obtidos nas
adições e, deles, retirar o que se pede no subtraendo.

a) 2 - 1 =
3 3

- Represente o minuendo 2/3.


- Desse minuendo, retire o subtraendo indicado.
- Registre o resultado obtido.

b) 5 - 2 =
5 5

- Represente o minuendo 5/5.


- Desse minuendo, retire o subtraendo 2/5.
- Registre o resultado obtido.

100
Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

c) 1 – 2/3 =

- Represente o minuendo 1 inteiro.


- Verifique a necessidade de transformar 1 inteiro em 3/3.
- Desse novo minuendo, retire o subtraendo 2/3.
- Registre o resultado obtido.

d) 7/8 – 1/2 =

- Represente o minuendo 7/8.


- Verifique necessidade de transformar ½ em 4/8.
- Do minuendo 7/8, retire 4/8.
- Registre o resultado obtido.

7.9.3 MULTIPLICAÇÃO

a multiplicação de números naturais você aprendeu a função do multiplicando e do multiplicador,


N
ou seja:
Multiplicando é o que deve ser repetido.
Multiplicador é o indicador de vezes que se quer repetir o multiplicando.
Com números fracionários o procedimento é o mesmo. Observe:

1°) Inteiro x Fração

a) 2 x 1 =
3
• Lê-se: duas vezes 1/3
• Represente uma fração 1/3 duas vezes.
• Conte o número de terços representados
• Registre o resultad o obtido

b) 2 x 2 =
5
• Lê-se duas vezes 2/5.
• Represente a fração 2/5 duas vezes.
• Conte o número de quintos representados.
• Registre o resultado obtido.

c) 2 x 4 =
9
• Lê-se: duas vezes 4/9.
• Represente a fração 4/9 duas vezes.
• Conte o número de nonos representados.
• Registre o resultado obtido.

101
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Letramento na EJA mundo, articulando teoria e prática.

7.9.4 DIVISÃO

Se você conseguiu desenvolver e compreender as operações de adição, subtração e multiplicação,


certamente conseguirá desenvolver e compreender a divisão.
Essa operação pode ser interpretada de diferentes maneiras, ou seja, ela pode sugerir uma partilha
ou uma medida, dependendo da situação a ser resolvida.
Observe a operação indicada e:
• Represente-a com material concreto.
• Verifique a situação proposta.
• Registre o resultado obtido.
• Verifique o que fazer para encontrar esse resultado

1°) Fração ÷ Inteiro

a) 1 ÷ 2 =
2
• Lê-se: “repartir ½ em duas partes iguais”.
• Represente o dividendo ½.
• Reparta-o em duas partes do mesmo tamanho.
• Verifique a fração que representa a metade de ½
em relação ao inteiro referencial.
• Registre o resultado obtido
• Verifique como encontrar esse resultado sem o
material concreto.

2°) Fração ÷ Fração

a) 1 ÷ 1 =
2 4

• Lê-se: “quantas vezes ¼ está contido em ½?”


• Represente o dividendo ½.
• Represente o divisor ¼ e o compare ao dividen-
do.
• Verifique quantas vezes ¼ está contido em ½ ou
2/4.
• Registre o resultado obtido.
• Verifique como encontrar o resultado sem o ma-
terial concreto.

Lendo, escrevendo, cozinhando e matematizando receitas:


Convide seus alunos a partilharem receitas variadas.
Posteriormente, peça-os que analisem os dados matemáticos (fracionários). Procure des-
tacar as medidas fracionárias e duplicá-las.

102
Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

7.10 NÚMEROS DECIMAIS

Observe as peças do Material Dourado.


Compare-as fazendo contagem em grupos de 10.
• da peça menor para a maior, retomando a base 10.
• da peça maior para a menor, retomando frações e introduzindo números decimais.

Considere o cubo maior como referencial e estabeleça a relação fracionária entre este referencial e
as demais peças. Faça o registro da fração e do número decimal correspondente.

1 décimo
1 do inteiro
10 ou 0,1

Verifique que:
1 inteiro unidade referencial, equivale a:
10 décimos
100 centésimos
1000 milésimos

1 décimo corresponde à décima parte do inteiro e equivale a:


10 centésimos
100 milésimos
1 centésimo corresponde à centésima parte do inteiro e equivale a:
10 milésimos

1°) Representação → Leitura e Escrita



Apresentam-se as peças e pede-se que se faça a leitura e a escrita da quantidade representada.

a)

b) - um inteiro, um décimo e um centésimo.


- cento e onze centésimos.
- um inteiro e onze centésimos.
- onze décimos e um centésimo
→i, d c
1, 1 1

103
Uma visão transformadora de
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2°) Escrita → Representação e leitura



Apresenta-se a escrita para que se faça a representação e a leitura envolvendo decomposição.

- quatro décimos.
- quarenta centésimos.
- quatrocentos milésimos.

- um inteiro, dois décimos e três centésimos.


- doze décimos e três centésimos.
- cento e vinte e três centésimos.

De acordo com os estudos realizados na matemática, procure relacionar números decimais com
sistema monetário. Realize uma atividade com seus alunos.

OUTRAS SUGESTÕES:
Organize sua turma em grupos e peça a eles que escrevam o nome da nossa moeda. Solicite
panfletos, jornais e outros materiais que contenham preços de mercadorias. Elabore situações
problemas que envolvam leitura, escrita e operações com valores monetários e outros.

7.11 OPERAÇÕES

Ao efetuar operações com números decimais deve-se ter em mente que todo número decimal é
uma fração decimal e que operar com estes números pressupõe operar com frações decimais.

7.11.1 ADIÇÃO

• Sem reagrupamento

104
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mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

a) 0,2 + 0,3
Verifique que: (algoritmo)
2+3= 5
10 10 10 i,d
0,2
ou + 0,3
0,2 + 0,3 = 0,5 0,5
0,5

Deve-se observar a colocação de vírgula debaixo de vírgula, no algoritmo, em decorrência de se


juntarem peças iguais.

• Com reagrupamento:

7.11.2 SUBTRAÇÃO – MÉTODO DA DECOMPOSIÇÃO (IDEIA SUBTRATIVA)

Ao iniciar a subtração é necessário total domínio sobre decomposição de um número em suas or-
dens e classes.
Deve-se considerar a função de cada termo desta operação, ou seja, lembrar que:
• Minuendo é o que se tem.
• Subtraendo é o que se quer retirar do minuendo.
• Resto é o resultado obtido.

105
Uma visão transformadora de
Letramento na EJA mundo, articulando teoria e prática.

• Sem decomposição

Retire a quantidade 0,3

Verifique que restam 0,2.

5 + 3 = 2 (algoritmo)
10 10 10 i,d
0,5
ou + 0,3
0,5 + 0,3 = 0,2 0,2

• Com decomposição

b) 1 – 0,4 → minuendo inteiro e subtraendo decimal.

Verifique a necessidade de decompor


um inteiro em 10 décimos

Verifique que restam 0,6.

10 - 4 = 6 (algoritmo)
10 10 10 i,d
1,0
ou + 0,4
1,0 - 0,4 = 0,6 0,6

106
Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

7.11.3 MULTIPLICAÇÃO

Deve-se observar a função de cada termo.


M – multiplicando: fator que se repete.
m – multiplicador: indicador de vezes que o multiplicador deve ser repetido.
p – produto: resultado obtido.

Multiplicando decimal e multiplicador natural

Verifique que o produto é 0,6.

3x2=6 (algoritmo)
10 10 i,d
0,2
ou x 3
3 x 0,2 = 0,6 0,6

Multiplicando e multiplicador decimais.

a) 0,2 x 0,3
Observe que:
• Represente 0,3.
- apenas 0,2 de cada um dos 0,3 devem ser repetidos.
- a décima parte do décimo é o centésimo.
Represente 0,2 de cada um dos 0,3.
Verifique que o produto é 0,06.

2 x 3 = 6 (algoritmo)
10 10 100 i, d c

ou 0, 3
0,2 x 0,3 = 0,06 x 0, 2
0, 0 6

7.11.4 DIVISÃO

S eguem-se exemplos de divisão envolvendo as ideias de repartir e de medir, considerando o dividen-


do, um produto de dois fatores.
Assim sendo:
Dividendo é o que se quer repartir ou medir;
Divisor é o indicador de grupos iguais ou medida a ser comparada e Quociente é a contagem de
grupos iguais ou de medidas relacionando divisor e dividendo.

Dividendo decimal e divisor inteiro

107
Uma visão transformadora de
Letramento na EJA mundo, articulando teoria e prática.

a) 0,6 : 2 → ideia de repartir.


* sem decomposição.

Represente a quantidade 0,6.

Reparta 0,6 em dois grupos, igualmente.


Verifique que o quociente é 0,3.

6 :2= 6 x 1 = 6 = 3 .
10 10 2 20 10

ou

0,6 : 2 = 0,3 (algoritimo)

i, d
0,6 2
-6 0 ,3
0 i,d

b) 0,14 : 2→ ideia de repartir.


* com decomposição.

Represente a quantidade 0,14.

Decomponha 0,1 em 10 centésimos.

Distribua 14 centésimos em dois grupos,


igualmente.

Verifique que o quociente é 0,07.

14 : 2 = 14 x 1 = 14 = 7 . (algoritmo)

100 100 2 200 10 i, d c
0, 1 4 2
ou - 1 4 0, 07
0 i d c
0,14 : 2 = 0,07

108
Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

7.12 MEDIDAS

Medidas de:
• Comprimento – perímetro
• Superfície – área
• Capacidade – volume

Atividades:

- alinhe 10 dezenas
• Compare o comprimento de 10 dezenas alinhadas com a medida de um metro.
• Verifique que as 10 dezenas alinhadas correspondem a um metro.

- o comprimento da aresta maior do prisma que representa a dezena e a dé-


cima parte do metro → 1 dm.

- o comprimento da aresta do cubo que representa a unidade é a centésima


parte do metro → 1 cm.

- Repartindo um centímetro em 10 partes iguais obtém-se o comprimento da


milésima parte do metro → 1 mm.

Obs: faça contagens ou medições para formar os múltiplos do metro.


Observe ainda que:

a) - a superfície de cada face do cubo que forma a unidade é de 1 cm2.

- a superfície de cada face maior do prisma que forma a dezena é composta


b) por 10 cm2 de área.

- a capacidade do prisma que forma a dezena é composta de 10 cm3 de volu-


c) me.

Seguem-se outros exemplos, mostrando as diferentes maneiras de contar e de medir quantidades.


a) 6 dezenas → 60 unidades

1º)

2º) ou

3 x (2 cm x 10 cm) 2 x (3 cm x 10 cm)
3 x 20cm2 = 60 cm2 (área) 2 x 30 cm2 = 60 cm2 (área)

109
Uma visão transformadora de
Letramento na EJA mundo, articulando teoria e prática.

3º)

10 cm x 3 cm x 2 cm = 60 cm3 (volume) 2 cm x 3 cm x 10 cm = 60 cm3 (volume)

Observe, também, que:

1°) 10 dm, justapostos, formam 1 dm2.

Verifique que uma figura geométrica de di-


mensões 1 dm por 1 dm gera um quadrado
de superfície 1 dm2 de área.

2º) 10 dm2, superpostos, formam um dm3

10 dm2

Verifique que uma figura geométrica de


dimensões 1dm por 1dm por 1dm gera um
cubo, cuja capacidade é de 1 dm3

Verifique pela experimentação, que 1dm3 equivale a um litro. Construa uma caixinha cuja capacida-
de seja de 1dm3. Despeje em seu interior 1 litro de alguma substância e verifique o que acontece.
1 dm3 1 litro

110
Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

Pode-se construir também o m2 e o m3 partindo dos conceitos já adquiridos com o Material Dourado.
Outras medidas poderão ser introduzidas seguindo a mesma linha de trabalho.
Propor elaboração de problemas que envolvam o uso de números fracionários não decimais e deci-
mais, utilizando panfletos de estabelecimentos comercias e outros.
Sugestões de atividades integradas envolvendo leitura, escrita, contagem e operações numéricas.

Sr José é carpinteiro.
Em seu trabalho ele faz uso de: (desenhe um serrote, um pedaço de madeira, um martelo, pregos,
trena, cola e uma lata de tinta.

1. Agora, você vai escrever a palavra que indica cada um dos desenhos. Separe-as em sílabas, regis-
trando suas quantidades.

a) ____________________ a______________________________ a________________________


b) ____________________ a______________________________ a________________________
c) ____________________ a______________________________ a________________________
d) ____________________ a______________________________ a________________________
e) ____________________ a______________________________ a________________________
f) ____________________ a______________________________ a________________________
g) ____________________ a______________________________ a________________________
2. a) Juntando as quantidades de sílabas que você registrou, que número representa a totalidade?
__________________________________________________________________________________.

b) Registre os cálculos que você fez para descobrir o total do item 1.

3. Ainda, sobre as palavras que você escreveu, responda.


a) quantas delas são formadas por:
• três sílabas? _______________________________
• duas sílabas?_______________________________

b) registre a soma indicada das quantidades de sílabas que você escreveu no item 1, na ordem em
que são apresentadas.
_______________________________________________________________________________.

c) na expressão numérica indicada, escreva o número de vezes que aparece as palavras de três e de
duas sílabas.
______ x 3 + ______ x 2

d) agora, efetue as multiplicações e junte os produtos, resolvendo a expressão que você completou.
_______ x 3 + _____ x 2 =

_______ + ______ = _______

111
Uma visão transformadora de
Letramento na EJA mundo, articulando teoria e prática.

e) verifique se o resultado que você encontrou é o mesmo da letra “a” do item 2. Por que esses re-
sultados são os mesmos?

4. Sr José tem uma encomenda de três mesas de 1 metro quadrado (m2) de “tampão”. Ele dispõe de
um compensado de forma retangular com dimensões 2m por 3m.
a) mostre, no desenho, como Sr José poderia retirar os 3m2 sem deixar recortes na parte restante.

2m

3m
b) se para fazer uma mesa, Sr José cobra R$ 35,00, quanto ele receberá ao entregar a encomenda
das três mesas?

c) se ao pagar a encomenda o freguês der uma nota de cem e outra de cinqüenta reais, quanto Sr
José dará de troco?

d) exemplifique de duas maneiras diferentes como o Sr José poderia devolver o troco.

1º) ____________________________________________________
2º) ____________________________________________________

Observe o desenho da folha de compensado do Sr José com suas medidas.

2m

3m
Registrando seus cálculos, responda quantos metros:
a) lineares (m) contornam a folha de compensado.

112
Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

b) quadrados (m2) formam sua área?

c) os três metros quadrados (3m2) que foram usados por Sr José, representam que fração da folha
de compensado?

Agora, elabore uma frase envolvendo um carpinteiro.

ANOTAÇÕES:

113
CAPÍTULO VIII
114
Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

PLANEJAMENTO
8.1 – Dinâmica do Avião.
8.2 – Planejamento: O que é? Como Fazer? Para que Serve?
8.3 – Roteiro para Elaboração de um Plano de Aula.
8.4 – O Alfabetizador em EJA: Práticas para Construir Conhecimento em Sala de Aula.
8.5 – Slides Orientadores.
8.6 – Ambiente Alfabetizador/ Leiturizador/ Matematizador.
8.6.1 – Dinâmica: Escravos de Jó.
8.6.2 – Conhecendo Melhor o Ambiente.
8.6.3 – Oficinas.
8.6.3.1 – Oficina Pedagógica.
8.6.3.2 – Oficina para Geração de Renda.

- Dinâmica do avião;
- Visão de Planejamento;
- Processo de organização da aula: exercício

8.1 DINÂMICA DO AVIÃO

OBJETIVO: Construir um avião de papel para comparação com as etapas de um planejamento.


MATERIAL: Folhas de papel ofício suficientes para o número de participantes.
TEMPO: de 15 a 20 minutos.
METODOLOGIA: Trabalhar a visão geral e as etapas do planejamento.
DESENVOLVIMENTO: Após a construção do avião de papel, escolher um espaço que comporte todos
os participantes e que os aviões possam alçar vôo. Cada aluno deverá observar a trajetória do vôo de
seu avião. Em seguida, retorna-se à sala de aula para uma parte mais formal da dinâmica.

n O professor pergunta como foi o vôo de cada avião, por que o vôo foi alto, baixo, por que o avião
caiu de bico, etc;
n O professor solicita que o aluno escreva ou desenhe, em seu avião, o que levaria nessa viagem;
n É pedido ao aluno fazer um detalhe para representar que o avião é seu;
n Pede-se que o aluno escreva, no avião, todas as ações que praticou e pretende praticar em seu
dia. Nesse momento, o professor pode trabalhar a questão do planejamento geral e o planeja-
mento detalhado, suas dificuldades e facilidades;
n O professor sugere uma avaliação sobre o trabalho do dia e pede que o aviãozinho seja guardado,
pois servirá de estímulo para a continuidade das atividades docentes.

TRABALHO COMPARATIVO
VÔO – objetivo da aula, meta a alcançar;
O QUE LEVAR NO AVIÃO – conteúdo a ser trabalhado;
DETALHES DE FORMA - metodologia escolhida;
AÇÕES – detalhes do planejamento quanto às ações que serão desenvolvidas.

115
Uma visão transformadora de
Letramento na EJA mundo, articulando teoria e prática.

8.2 PLANEJAMENTO

O QUE É? COMO FAZER? PARA QUE SERVE?


Em nosso dia a dia, organizamos as atividades que vamos executar para realizá-las da melhor forma
possível. Por isso, planejamos o conteúdo a ser ensinado. Qualquer atividade sistemática, para ter su-
cesso, necessita ser planejada, organizada previamente.
Planejar é, hoje, uma necessidade em todos os campos da atividade humana. Imagine como é ne-
cessário na escola e na sala de aula. É importante planejar as atividades que serão ensinadas aos jovens
e adultos, pois evita-se a rotina, a improvisação, garante-se maior segurança na direção do ensino, na
economia de tempo e na distribuição das atividades e, assim, contribui-se para a realização dos objeti-
vos que visam sempre à qualidade do que é ensinado.
Um bom planejamento deve ter características básicas para melhor atender à clientela. São elas:
ser organizado de acordo com as necessidades e a realidade apresentada pelos alunos; ser flexível, isto
é, reajustado, sem quebrar a unidade e continuidade; ser claro, objetivo e apresentar indicações bem
exatas e com sugestões concretas para o trabalho a ser realizado e tantas outras características.
Mas o que é planejar? O que significa esta palavra?
Planejar é um processo que consiste em preparar um conjunto de decisões visando atingir determi-
nados objetivos, desenvolver competências e habilidades e selecionar procedimentos para o trabalho
do alfabetizador. Funciona como uma espécie de garantia de resultados e, assim, organiza o trabalho
pedagógico na sala de aula.
O planejamento do alfabetizador de jovens e adultos deve ser criativo, estimular a discussão, o diá-
logo, a troca de experiências entre os participantes, mas, acima de tudo, deve atender os reais anseios
do grupo. Especificamente, o planejamento deve conter os seguintes elementos: objetivos; conteúdo
a ser ensinado; metodologia escolhida de forma detalhada; recursos didáticos; avaliação das tarefas
realizadas.
Para organizar o cotidiano com seus alunos e obter sucesso na escolha dos procedimentos, organi-
zamos um esquema de planejamento diário.

8.3 ROTEIRO PARA ELABORAÇÃO DE UM PLANO DE AULA

Nome do aluno/alfabetizador: ____________________________________________

I) OBJETIVOS DA AULA :

A- INTRODUÇÃO
n SONDAGEM:
n CONTEÚDO DA AULA:

B- DESENVOLVIMENTO / PROCEDIMENTOS
n É o fazer pedagógico. Nesta etapa do plano de aula, o alfabetizador deve selecionar técnicas e
métodos variados. O incentivo ao aprendizado deve ser constante. É o desenvolvimento do con-
teúdo

C – AVALIAÇÃO
n Deve ocorrer durante todo o processo de ensino, com atividades diversificadas para diagnóstico
mais real e completo dos alfabetizandos.

D - PLANEJAMENTO DO ENCONTRO SEGUINTE
n Dialogar com os alunos para descobrir o que desejam estudar

116
Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

8.4 O ALFABETIZADOR EM EJA: - PRÁTICAS PARA CONSTRUIR CONHECIMENTOS EM SALA DE AULA

O alfabetizador que atua em EJA têm um papel primordial: - o de ensinar a ler e a escrever a uma
clientela que ficou muito tempo fora do processo de escolarização.
Este papel no processo de construção de conhecimento para muitos educadores consiste em prepa-
rar e propor situações concretas que visem o aprendizado da leitura e da escrita.
A alfabetização vai além destes procedimentos explicitados anteriormente e que envolve a leitura
e a escrita, isto é mais do que, manejar/organizar/preparar/executar a correspondência entre sons e
letras escritas. É preciso que o alfabetizador compreenda a necessidade e a importância de mediar o
processo de construção durante a alfabetização.
Precisamos incentivar o desenvolvimento dos uso e funções da oralidade, da leitura e da escrita no
contexto da sala de aula e ainda perceber o cotidiano de cada alfabetizando e suas construções/produ-
ções orais e escritas.
O alfabetizador deve estimular constantemente todos os alunos em sala de aula para que possa pro-
mover o contato com várias culturas, os saberes elaborados por meio da experiência de cada aluno, da
troca com todos os participantes e da necessidade de propiciar a interação entre todos.
Portanto é necessário que, o alfabetizador auxilie os alunos a compreender e apreciar o trabalho da
diversidade, da conquista e da autonomia tanto individual como coletiva no que se refere aos conheci-
mentos ligados aos processos de alfabetização.
Para Emília Ferreiro e outros educadores, alfabetiza-se melhor quando:
• Permite-se que os alfabetizandos interpretem e produzam textos orais e escritos;
• Incentiva-se o aprimoramento da interação oral e a escrita;
• Prepara-se o amadurecimento para reconhecer e utilizar adequadamente a variedade de proble-
mas a enfrentar, tais como: - pontuação, ortografia adequada, seleção e organização das ideias,
noções espaciais da escrita no papel e etc;
• Estimula-se o entendimento, a organização e a orientação para diversas posições apresentadas
no texto: - título do texto, autor (es), comentários gerais, ideia(s) principal(is), personagens etc;
• Organiza-se a sala de aula para apresentar várias ideias a respeito das experiências dos alunos e
enriqueço a interpretação do texto;
• Amplia-se a visão da leitura oral e silenciosa em sala de aula, a produção textual oral e escrita e
valoriza-se o que é produzido, quando orientado a tomada de consciência sobre o que é (re)escri-
to para a qualidade do texto apresentado. Isto significa que pode-se orientar sobre o pensamento
apresentado, comunicá-los, defendê-los e compartilhá-los.
• Concretiza-se a função da escrita em sala de aula quando o alfabetizando é orientado que o autor
do texto se volta para o próprio pensamento, organizando-o mentalmente, sistematizando-o e
compartilhando sua produção com todos os leitores participantes da sala de aula, da família e até
da comunidade onde reside.
• Seleciona-se textos a serem trabalhados quando escolho temas conectados e atualizados com a
realidade do mundo adulto e com a qualidade do material escolhido.
• Percebe-se que os processos de ensino e de aprendizagem para esta clientela estão baseados
e fundamentados em práticas essenciais para a leitura e para a escrita. As pesquisas realizadas
por meio de conhecimento científico enfatiza que os adultos constroem hipóteses semelhantes
às das crianças quando se relaciona com a psicogênese da língua escrita, pois os materiais e re-
cursos utilizados vão de encontro com a curiosidade, o interesse, as necessidades dos sujeitos e
propicia sua inclusão.

O alfabetizador de jovens e adultos, ao realizar atividades diversificadas em sala de aula, deve
organizar seu planejamento de forma que o conhecimento seja construído juntamente com seus alfa-
betizandos. Para que essa construção efetivamente aconteça, é necessário que se desenvolvam práti-
cas de construção durante a aquisição do conhecimento a ser trabalhado.

117
Uma visão transformadora de
Letramento na EJA mundo, articulando teoria e prática.

Esse olhar sobre as práticas de conhecimento revela uma realidade que devemos modificar para
que nossos alunos possam fazer parte do processo de ensino aprendizagem e construir seu processo
de alfabetização, juntamente com seu alfabetizador.
Nesse sentido, o termo cidadania inclui a compreensão de que toda pessoa faz parte de uma comu-
nidade sem qualquer discriminação, é sujeito de direitos e deveres individuais, sociais e coletivos. Tais
elementos devem ser considerados na busca da inclusão social.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos afirma que “cidadão é o sujeito da história, de sua
própria história e, com outros cidadãos, da história de sua comunidade, de sua cidade, de sua nação,
de seu mundo...” (Balestreri, s/d, p.41). Portanto, para que seus alunos sejam inclusos neste processo e
sintam-se pessoas comuns e com “leitura de mundo”, é preciso vivenciar práticas capazes de construir
conhecimentos.

Observe as indicações a seguir:

1° Provoque a realização de descobertas.


2° Leve os aprendizes a descobrir, entre si, a situação proposta e a chegar às próprias conclusões.
3° Trabalhe com a ação do aprendiz.
4° Não prestigie a memorização: o melhor resultado é a capacidade de inventar e descobrir.
5° Comporte-se como técnico de futebol: estimule, critique, sugira, mas não jogue; o jogo é dos
aprendizes.
6° Use o material significativo pertencente ao mundo do aprendiz.
7° Sempre que alcançar um patamar, torne a solução complexa.
8° Na alfabetização, utilize as marcas e os logotipos que são utilizados por todos no cotidiano da
família.
9° Organize os aprendizes em grupo e deixe que criem as regras de convivência.
10° Leve-os à tomada de consciência, à compreensão do que fizeram.

Neste sentido o que se espera de um (a) educador(a) alfabetizador(a)?


Que seja atuante, participante, que saiba interagir com todos, comunicativo e conhecedor do traba-
lho a realizar.
Cabe a cada alfabetizador (a) perceber quem são seus alunos, procurar diagnosticar, isto é, organizar
os dados de seus alunos – o que sabem, o sentem dificuldades, o que desejam aprender para poder
planejar, avaliar e criar várias situações de interesses dos alunos e promover o processo ensino apren-
dizagem.
Ao planejar deve ter sempre a visão de quer o planejar exige, posteriormente dinamismo durante a
execução do ato de ensinar e que a prática do (a) alfabetizador (a) é construída ao longo do processo
de ensinar e mediar os conhecimentos com a realidade dos alunos e interagir para responder às neces-
sidades impostas pelo mundo moderno.
O(a) alfabetizador(a) deve perceber que é fundamental continuar constantemente sua formação,
buscando sempre sistematizar e participar de reuniões de estudo, de troca de experiências com outros
alfabetizadores e pesquisar constantemente novos processos e atividades pedagógicas, ou seja, atuali-
zar-se constantemente e avaliar sua prática pedagógica continuamente articulando teoria e prática no
seu fazer em sala de aula.
O sucesso de alfabetizador exige preparo, orientações adequadas para que se organize rotineira-
mente seu cotidiano.
Em um primeiro momento procure deixar algumas rotinas do dia-a-dia bem clara como por exemplo:
• local da sala de aula, horário definido para iniciar a aula e a previsão do término.
• oriente-os que avise quando irão faltar a aula;
• deixar a sala de aula limpa e organizada;
• combinar quem pode trazer o café em dias diferentes;

118
Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

• observações gerais e do interesse de todos: - conversar com todos os colegas, todos sempre têm
algo a ensinar e podem colaborar com o grupo;
• estimular a autoestima constantemente enfatizando que: - todos são capazes de realizar as ati-
vidades previstas (individuais, em grupos ou em duplas e participando com todos os colegas ao
mesmo tempo); é bom aprender e trocar com o colega.

8.5 SLIDES ORIENTADORES > VER ANEXO

8.6 AMBIENTE ALFABETIZADOR / LEITURIZADOR / MATEMATIZADOR

8.6.1 Dinâmica: - Escravos de Jó.


Antes de iniciar o trabalho com os alunos, o alfabetizador deve orientar o seu grupo para a atividade
que será executada. Deve estimular para que seja organizada e realizada por todos os alunos.
• Objetivo: - permitir ao grupo a vivência de um trabalho aonde é necessário: - tomar decisões em
grupo, negociar, comunicar-se, exercer liderança e planejar.
• Material: - toquinhos de madeira de tamanhos diversos, caixa de fósforos encapadas e com os
palitos, casca de coco e ...
• Disposição do grupo: - em círculo, sentados no chão
• Desenvolvimento: - o facilitador/alfabetizada introduz o tema relembrando alguns jogos que
brincavam durante sua infância e depois propõe o desafio: ”todos devem, em 10 minutos, jogar o
escravo de Jó em grupo buscando ritmo e sinergia”. Enquanto o grupo joga, o facilitador observa
seu movimento.

Letra da música (tradicional) – escravos de Jó.


“Escravos de Jó jogavam caxangá
Tira, bota, deixa o zabelê ficar;
Guerreiros com guerreiros fazem zig-zig-zá...
Guerreiros com guerreiros fazem zig-zig-zá.”

Ao final, proceder todos os possíveis comentários: - o que observamos, o que ocorreu em cada gru-
po, o que não deveria ter ocorrido, quais as dificuldades, quais os aprendizados, quais as conexões que
fizemos com o dia-a-dia, etc.

8.6.2 CONHECENDO MELHOR O AMBIENTE / LEITURIZADOR / MATEMATIZADOR

O adulto utiliza ônibus para ir ao trabalho, compra, vende, faz negócios simples, calcula suas despe-
sas diárias, vai ao mercado e à feira e escolhe o produto que deseja levando-o para sua casa. Distingue
propaganda, os nomes das lojas, percebe o sentido de letreiros, cartazes e etc... Essas situações também
devem ser trazidas para o ambiente alfabetizador / leiturizador e matematizador, pois o importante é
considerar, antes de tudo, a questão do sentido, o significado que as palavras têm para o aluno e depois
passar à decifração dos códigos da escrita. Assim, percebe-se que se incentiva a “fala” do aluno para
ajuda-lo, aos poucos, a transcrever essa fala para o código da escrita, pois o ambiente alfabetizador /
leiturizador / matematizador pode partir das possibilidades do contato da fala com outras pessoas em
sala de aula para a criação de um ambiente rico para a leitura, a escrita e a matemática. Basta o alfabe-
tizador ser criativo e perceptivo em relação aos alunos e experiências de vida, em relação ao que mais
fazem em seus trabalhos e transformar esse variado contexto em um ambiente rico em leitura oral.
Assim, converte-se a sala de aula em um espaço de troca de experiência onde várias construções
podem acontecer entre os participantes, constituindo-se em lugar privilegiado para ler, compreender,
investigar e (re) construir a cultura escolar, integrada ao cotidiano do aluno.Nesse processo, a leitura
tem sido um desafio a todos que educam e estimulam a prática, não só na escola, na sala de aula, mas

119
Uma visão transformadora de
Letramento na EJA mundo, articulando teoria e prática.

também no parque, no ônibus e em tantos outros lugares.


No cotidiano, a leitura e a escrita marcam contato com o universo cultural no qual as pessoas
criam formas naturais de participar e transformar sua realidade. Garcia (2001, p.142) destaca várias
situações de leitura e de escrita, no cotidiano e explica que “seu universo cultural marca, desde o pri-
meiro momento, as explorações das crianças com relação à escrita e à leitura, e neste processo elas vão
criando sentidos e se tornando ‘naturalmente’ usuárias da língua escrita”.
Em ambiente alfabetizador/leiturizador/matematizador, devem-se propiciar várias possibilidades de
utilização de diferentes materiais didáticos, tais como: jogos (vareta, dama, dominó, quebra-cabeça de
palavras e figuras); textos escritos com todos os tipos de letras; alfabetário para serem trabalhados e
manuseados pelos alunos; ditado mudo ou relâmpago; estrutura frasal em fichas de cartolina; jornais,
revistas e dicionários em vários trabalhos em sala de aula; rótulos (comerciais, folhetos); brincadeiras;
embalagens (medicamentos, contas de luz e água); etc.
Para essa criação, é preciso que o docente estimule interações dos alfabetizandos com os ma-
teriais a serem manuseados, provocando, assim, o desenvolvimento das diversas capacidades lingüísti-
cas: falar, ouvir, ler e escrever.

Como você organizaria o ambiente


alfabetizador em sua sala de aula?

___________________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________________

OFICINAS

Trabalho realizado de diversas formas tanto para divertimento, como para realizar atividades varia-
das de caráter pedagógico, pois visa educar por meio do trabalho manual e auxilia notavelmente no
desenvolvimento mental e na ampliação da criatividade, da curiosidade e do espírito de investigação.

A) PEDAGÓGICA

A oficina pedagógica é um momento privilegiado para elaboração de diversos materiais didáticos,


já que ocorre em ambiente de descontração, em grupo, sob a supervisão do professor. A experiência
demonstra que os materiais confeccionados pelos alunos, além do baixo custo, serão realmente utili-
zados em situações de ensino.
Assim, sugerimos a confecção de alfabetários com diferentes formatos de letras, de algarismos, de
jogos, baralho matemático, entre outros.

B) GERAÇÃO DE RENDA

Outro trabalho a ser realizado em forma de oficina é a geração de renda com o título “O que sei
fazer e posso ensinar”.
Cada alfabetizador deverá descobrir junto aos seus alunos as habilidades existentes e socializá-las
em grupo.
O alfabetizando deverá apresentar o que sabe sobre atividades manuais, tais como: artesanato em

120
Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

geral , marcenaria e trabalhos artísticos para que o grupo onde realiza seu processo de ensino aprendi-
zagem durante a alfabetização.
O trabalho desta oficina propicia a visão dos alfabetizandos para produzirem trabalhos manuais para
que possam gerar renda do que foi confeccionado/elaborado/construído individualmente ou coletiva-
mente.

( Cole a foto da sua atividade durante a oficina.)

De acordo com a estrutura do trabalho organizamos o processo de avaliação em blocos estruturados


da seguinte forma:
A) Avaliação do processo de capacitação e auto avaliação;
B) Avaliação de aprendizagem da capacitação.
A avaliação faz parte do nosso cotidiano e impulsiona-nos a refletir sobre nossas ações educativas na
sala de aula. No processo de conhecer, trabalhar, crescer junto com o outro, transformar e questionar
o que foi realizado é que concebemos a avaliação da capacitação de alfabetizadores.
A avaliação revela a grandeza do desenvolvimento e do crescimento humano, das práticas educativas
alfabetizadoras realizadas, das relações afetivas construídas e da troca de experiências aprimoradas.
As duas maneiras de avaliar revelam o desenvolvimento do trabalho realizado e o acompanhamento
das tarefas didáticas aplicadas em sala de aula. É o momento de o aluno posicionar-se, auto - avaliar-se
e refletir sobre sua aprendizagem.
A avaliação de aprendizagem da capacitação dos alfabetizadores permite que a equipe pedagógica
possa acompanhar o progresso dos futuros alfabetizadores e orientá-los no trabalho a ser realizado
com os alfabetizandos e por outro lado, sinaliza mudanças a serem implementadas na próxima capaci-
tação.

ANOTAÇÕES:

121
CAPÍTULO IX
122
Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

FUNÇÕES DA AVALIAÇÃO
9.1 – Slides Orientadores.

A avaliação está em todos os momentos de nossa vida, quer seja no trabalho, nas compras, no con-
vívio com os outros, como também na escola, fazendo parte do desenvolvimento dos seres humanos.
Esta é uma característica importante - a dialógica que precisa fazer parte do cotidiano da sala de aula
como um processo contínuo e sistemático.
No âmbito da escolarização, a avaliação cumpre a função de diagnóstico, de controle e de classifica-
ção, assumindo diferentes modalidades denominadas, respectivamente, avaliação diagnóstica, contro-
ladora (formativa) e classificatória (somativa).
Para entender melhor, observe o diagrama a seguir: (Piletti, p.p. 191 e 192).

9.1 SLIDES ORIENTADORES > VER ANEXO

Para entendermos melhor os diagramas vale ressalvar que a avaliação é um processo de descoberta
do que o aluno aprendeu, isto é, de coleta e análise dos conteúdos assimilados. Observe que ao avaliar
o que o aluno conseguiu aprender, o alfabetizador está avaliando o que ele conseguiu ensinar. Deste
modo, observando e acompanhando os avanços e as dificuldades dos alunos durante a aprendizagem,
o alfabetizador terá indicações para rever constantemente sua prática pedagógica, visando transformá-
-la e atualizá-la.
Para o alfabetizador de jovens e adultos, a avaliação dos alfabetizandos deve ser processual, contí-
nua, diversificada e dinâmica. Ao planejar seu trabalho, ao selecionar recursos e atividades, o alfabeti-
zador já está avaliando a capacidade do aluno de fazer o que irá propor, da mesma forma como estará
avaliando a adequação de sua proposta aos interesses e necessidades dos jovens e adultos, procurando
assim, transformar sua prática pedagógica.
Nesse sentido, o caráter investigatório da avaliação deve ser entendido pela evolução do adulto
considerado como sujeito de sua própria aprendizagem, capaz de tomar decisões e de fazer escolhas,
observar, questionar, refletir, argumentar, criticar, enfim, resolver os problemas propostos. Assim, o
processo de avaliação do seu desenvolvimento terá que ser baseado na investigação e no acompanha-
mento do que vai construir durante o processo de aprendizagem.
O instrumento básico desse processo de avaliação é a observação atenta, pois possibilita identificar,
caracterizar e fundamentar o conhecimento assimilado em suas diferentes etapas no sentido da cons-
trução do sujeito histórico e social que busca a autonomia e a cidadania. Esta observação exige regis-
tros objetivos e freqüentes dos resultados obtidos nas mais diversas situações, atividades, momentos
e desempenhos individuais e coletivos.
Neste registro, o alfabetizador precisa estar atento a aspectos considerados relevantes das ações
dos alfabetizandos, que contemple, por exemplo, como reage às instruções, expressa seu conhecimen-
to, seus sentimentos e desejos, como utiliza os objetos, o raciocínio lógico, a expressividade na leitura
e na escrita, como interage com o grupo e etc. O registro da observação não é um fim em si mesmo,
mas um dos instrumentos a ser complementado por outros.
Um instrumento utilizado é o registro em fichas individuais de alunos que devem ser elaborados pelo
próprio alfabetizador, levando em conta o que irá utilizar nos vários aspectos do que foi desenvolvido
no decorrer do conteúdo; - registrar que acertou, o que sabe, os avanços e as conquistas adquiridas.
As dificuldades podem ser organizadas levando-se em conta os aspectos curriculares desenvolvidos.

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Uma visão transformadora de
Letramento na EJA mundo, articulando teoria e prática.

Por exemplo:

Aluno: _____________ classe: _________________

Leitura e escrita Consegue ler com autonomia e de forma correta

Matemática e pensamento lógico

Autonomia

As anotações em fichas devem ser diárias, com indicação de datas, para obter uma visão mais clara
sobre os avanços ou retrocessos, as conquistas os desafios não vencidos. Outro instrumento utilizado
pelo alfabetizador é o arquivo ou recolhimento dos trabalhos dos alunos. Deve o alfabetizador adquirir
uma pasta ou ainda um envelope onde deverá organizar os trabalhos de cada um realizados durante o
período letivo. Precisa ter o cuidado de anotar o nome, data, tipo de atividade a que se refere e algum
outro dado considerado importante.
Vale ressaltar que o alfabetizador poderá utilizar como instrumento avaliação escrita para detectar
acertos, erros que precisam ser refeitos para novas aprendizagens. Elaborar questões cujos resulta-
dos possam proporcionar visão adequada do que foi diagnosticado durante o conteúdo ministrado. As
questões devem envolver atividades variadas e de acordo com o nível dos alfabetizandos.
O alfabetizador deve observar as seguintes etapas no planejamento da avaliação:
a) determinar o que vai ser avaliado
b) estabelecer os critérios e as condições para a avaliação
c) selecionar as técnicas e instrumentos de avaliação
d) realizar a aferição dos resultados
A escolha de uma técnica ou instrumentos de avaliação deve considerar o tipo de habilidade que se
deseja verificar: conhecimento, compreensão, aplicação, análise, síntese e avaliação.
Quando os alunos de EJA já dominarem a alfabetização (processo de construção da leitura, da escri-
ta e da matemática), o alfabetizador pode avaliar por meio do instrumento escrito considerado (prova)
e programá-la para sua aplicação com a devida orientação do professor em sala de aula. Lembre-se!
“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina” (Cora Coralina).

Elabore duas questões interdisciplinares


envolvendo conteúdos previamente selecionados.

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Uma visão transformadora de
mundo, articulando teoria e prática.
Letramento na EJA

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em ação) Conteúdo:Educação Infantil.1.Ensino Fundamental.2.Educação Infantil.3.DSesenvolvimento
Profissional.I.Título.

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