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ADVOCACIA PÚBLICA

Direito Administrativo
Matheus Carvalho

DIREITO ADMINISTRATIVO

1. REGIME JURÍDICO
- Confere Prerrogativas (Princípio da Supremacia do Interesse Público sobre o Particular) e Restrições (Pe-
rece. da Indisponibilidade do Interesse Público) - São os SUPERPRINCÍPIOS, dos quais decorrem os outros
princípios.

- Garrido Falla: Denomina tal circunstância de “o Binômio do direito administrativo” (prerrogativas e sujeições). Maria
Sylvia chama de “Bipolaridade do direito administrativo”.

Veja em provas de concursos para carreiras jurídicas:

1. (VUNESP - 2014 - DPE-MS - Defensor Público) A expressão regime jurídico-administrativo é utilizada para
designar:

A) os regimes de direito público e de direito privado a que pode submeter-se a Administração Pública.
B) o conjunto das prerrogativas e restrições a que está sujeita a Administração Pública e que não se encontram nas
relações entre particulares.
C) as restrições a que está sujeita a Administração Pública, sob pena de nulidade do ato administrativo, excluindo-
se de seu âmbito as prerrogativas da Administração.
D) as prerrogativas que colocam a Administração Pública em posição de supremacia perante o particular, excluindo-
se de seu âmbito as restrições impostas à Administração.

1.1. Princípios Decorrentes desses 02 Princípios (SUB-PRINCÍPIOS) Art. 37, caput, da CF/88: Princípios
Constitucionais da Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência.

 LEGALIDADE: A adm. Pública só pode atuar conforme a lei, todas as suas atividades estão subordinadas
aos comandos legais. Diferentemente da Legalidade no âmbito dos particulares, onde o que não está
proibido está permitido (art.5°, inc.II, CF), pela Legalidade Administrativa, o administrado só atuará com
prévia autorização legal, sem a qual a Administração não pode agir.

 IMPESSOALIDADE (§ 1°, art.37, CF): A Administração Pública tem que agir objetivamente em prol da
coletividade. Os atos de pessoalidade são vedados, a atividade da administrativa é da Administração e a
ela são imputadas todas as condutas dos agentes públicos. Teoria do Servidor (ou agente público de
fato).

- As publicidades da adm. não poderão conter nomes de administradores ou gestores, serão meramente
informativas, educativas ou de orientação social.

A impessoalidade é um dos princípios mais cobrados das provas de tribunais. Vejamos um exemplo:

2. (FCC - 2014 - TRT - 16ª REGIÃO/MA - Analista Judiciário - Oficial de Justiça Avaliador) 28. O Diretor Jurí-
dico de uma autarquia estadual nomeou sua companheira, Cláudia, para o exercício de cargo em comissão
na mesma entidade. O Presidente da autarquia, ao descobrir o episódio, determinou a imediata demissão
de Cláudia, sob pena de caracterizar grave violação a um dos princípios básicos da Administração pública.
Trata-se do princípio da:

A) presunção de legitimidade.
B) publicidade.
C) motivação.
D) supremacia do interesse privado sobre o público.
E) impessoalidade.

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 MORALIDADE: Maurice Hauriou, 1927: noção de adm. proba, a moralidade administrativa seria um con-
junto de regras extraídas da boa e útil disciplina interna da adm., conjunto de valores que fixam um padrão
de condutas que deve ser observado pela Administração no sentido de que ela atue com retidão de cará-
ter, ética, honestidade, decência, lealdade, boa-fé.

- Não basta que as atividades da Administração estejam de acordo com a Lei, essas atuações têm que
ser conduzidas com Lealdade, Ética e Probidade.

 Art.5°, inc.LXXIII da CF/88  Ação popular para controlar a moralidade administrativa dos agentes
públicos.

 PUBLICIDADE: Transparência no exercício da atividade administrativa.


- Exceções: Assuntos que tratem da segurança nacional; certos interesses sociais, ou de foro íntimo
(privacidade, intimidade).

 EFICIÊNCIA: Introduzido pela EC 19/98, antes já era princípio infraconstitucional. A atuação da Adminis-
tração deve ser:
 Rápida: Dinamismo, Celeridade, descongestionar e desburocratizar.
 Perfeita: Completa, Satisfatória.
 Rentável: ótima, máxima com menor custo.

Vejamos isso em provas de advocacia Pública:

3. Prova: FCC - 2010 - TCE-AP - Procurador ) O princípio constitucional da eficiência, que rege a Adminis-
tração Pública, apresenta-se em:

A) nível materialmente superior ao princípio da legalidade, uma vez que autoriza a Administração Pública a adotar
medidas formalmente em desacordo com a lei em prol do aumento de produtividade e agilidade.
B) hierarquia superior aos demais princípios constitucionais, uma vez que deve nortear toda a atuação da Adminis-
tração Pública.
C) relação ao modo de estruturação da Administração Pública, uma vez que autoriza a derrogação do regime jurídico
de direito público e a aplicação do direito privado quando este se mostrar financeiramente mais atrativo.
D) mesmo nível de hierarquia do princípio da supremacia do interesse público, eis que também possui prevalência
superior apriorística.
E) relação ao modo de organizar, estruturar e disciplinar a Administração Pública, não apenas em relação a atuação
do agente público.

1.2. Outros Princípios da Administração Pública:

 Princípio da Finalidade Pública:

 Finalidade Pública Geral: impõe atuação que atuação administrativa seja sempre voltada à coletivi-
dade, ao interesse público, nunca para atender interesses particulares.

 Finalidade Pública Específica: determinados atos devem atingir fins específicos. Se este ato é pra-
ticado para atingir outro fim que não seja o seu fim específico, estará ferindo o princípio da finalidade
pública (Desvio específico de finalidade).

 Princípio da Presunção de Legitimidade ou Veracidade dos Atos Administrativos:

 Até que se prove o contrário os atos da Administração são legais e legítimos (presunção relativa, juris
tantum). Sua ilegalidade terá que ser provada, e até que se prove os atos serão válidos.

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 Princípio da Auto-tutela (constitucional):

 A Administração tem prerrogativa de controlar sua própria atuação para corrigir seus próprios atos.
PODERÁ anular o ato que ela mesma praticou, quando o ato estiver eivado de ilegalidade  Súm.
346, STF :“A Administração Pública pode declarar a nulidade de seus próprios atos.”

 A Administração PODERÁ invalidar seus próprios atos eivados de ilegalidade (dos quais não se
originam direitos) e revogar atos por motivos de conveniência e oportunidade.  Súm.473, STF :
”A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornem ilegais,
porque deles não se originam direitos, ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade,
respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial”.

 Em todos esses casos de Invalidação e Revogação, o Poder Judiciário poderá ser provocado e
deverá apreciar os atos de invalidação e os de revogação. No entanto, a apreciação judicial res-
tringe-se a aspectos formais, não havendo controle de mérito, pois não se pode apreciar a conve-
niência e oportunidade da revogação. Daí o caráter de não definitividade do autocontrole da Admi-
nistração, que não faz coisa julgada.

 Lei 9784/99, art.53  Processo Administrativo Federal: “A Administração DEVE ANULAR seus
próprios atos, quando eivados de vícios de legalidade e PODE REVOGÁ-LOS por motivos de con-
veniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos”.

Bastante cobrado em concursos de advocacia:

4. (Prova: FCC - 2006 - PGE-RR – Procurador) Em relação aos princípios constitucionais aplicáveis à Admi-
nistração Pública é correto afirmar que o princípio da:

A) supremacia do interesse público é hierarquicamente superior aos demais, devendo ser aplicado sempre que
houver embate entre direito público e direito privado.
B) publicidade dispensa publicação no Diário Oficial do Estado, desde que o particular interessado tenha sido noti-
ficado sobre o ato administrativo que lhe seja pertinente.
C) autotutela abrange a faculdade que possui a Administração Pública de rever seus próprios atos.
D) moralidade administrativa, embora previsto de forma individualizada na Constituição Federal, somente é aplicável
à Administração Pública quando o ato praticado revestir-se de ilegalidade.
E) eficiência autoriza a mitigação do princípio da legalidade sempre que houver necessidade de privilegiar o alcance
de melhores resultados na prestação de serviços públicos.

 Princípio da Motivação:

 Em regra, a Administração deve enunciar as razões que a levaram a expedir determinado ato. Inc.
IX e X, do Estatuto da Magistratura: As decisões administrativas no exercício de função atípica do
judiciário devem ser fundamentadas.

 Entende-se por Motivo a razão de fato ou de direito que autorizou ou determinou a prático de um
ato. Já a Motivação se trata da Exigência de explicitação, de enunciação dos motivos.

 Exceções ao Princípio da Motivação: A Exoneração ad nutum, que se refere àquela aplicável aos
ocupantes de cargo em comissão, prescinde de motivação. Entretanto, se a Administração motivar
ato que poderia não ser motivado, estará vinculada aos motivos que explicitou. Os motivos vinculam
todo o ato, e se não forem respeitados, o ato poderá ser apreciado pelo Judiciário (Teoria dos
Motivos Determinantes). Ex. agente destituído por improbidade, esta deverá ser provada.

 Princípio da Proporcionalidade Ampla ou da Razoabilidade (STF)

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 Os meios adotados pela Administração, voltados a atingir determinados fins, devem se apresentar
como:

a) Adequados: deve lograr com sucesso a realização do fim.


b) Necessários: entre os diversos meios igualmente adequados, a Administração tem que op-
tar pelo meio que menos restrinja o direito do administrado.
c) Proporcionais, em Sentido Estrito (elemento da proporcionalidade ampla): a Administração
deve promover ponderação entre vantagens e desvantagens entre meio e o fim, de modo
que haja mais vantagens que desvantagens, sob pena de desproporcionalidade do ato.

Princípio da Continuidade

Estampado no art. 6º, §1º da lei 8987-95, define que a atuação administrativa deve ser ininterrupta.

Ressalva 1 – o servidor público tem direito de greve que será exercido nos termos de lei específica. Enquanto não
houver lei específica para regulamentação, fará greve nos moldes da Lei geral de greve, no entendimento do STF.

SERVIDORES PÚBLICOS. GREVE. LEGITIMIDADE. PAGAMENTO. DIAS PARADOS.


É cediço que a lei de greve do serviço público ainda não foi regulamentada, mas, após o julgamento no
STF do mandado de injunção 708-DF, DJe 30/10/2008, determinou-se a aplicação das Leis ns. 7.701/1988
e 7.783/1989 enquanto persistir essa omissão quanto à existência de lei específica, nos termos previstos
no art. 37, VII, da CF/1988. Este Superior Tribunal, consequentemente, passou a ter competência para
apreciar os processos relativos à declaração sobre a paralisação do trabalho decorrente de greve de ser-
vidores públicos civis, bem como às respectivas medidas acautelatórias, quando as greves forem nacionais
ou abrangerem mais de uma unidade da Federação. Também no citado mandado de injunção, o STF, ao
interpretar o art. 7º da Lei n. 7.783/1989, entendeu que com a deflagração da greve ocorre a suspensão
do contrato de trabalho. Assim, não devem ser pagos os salários dos dias de paralisação, a não ser que a
greve tenha sido provocada por atraso no pagamento ou por outras situações excepcionais as quais pos-
sam justificar essa suspensão do contrato de trabalho. Anotou-se que, reiteradas vezes, em casos análo-
gos, o STF tem decidido no mesmo sentido. Na hipótese dos autos, os servidores em greve pertencentes
à carreira da Previdência, da Saúde e do Trabalho buscam a criação de carreira exclusiva para o Ministério
do Trabalho, disciplinada pela Lei n. 11.357/2006. Consta que os servidores somente deflagraram a greve
após ter sido frustrado o cumprimento do termo de acordo firmado, em 25/3/2008, entre as entidades sin-
dicais representativas da classe e o Governo Federal, este representado por secretários. Para não ser
considerada ilegal a greve, antes de deflagrarem o movimento, expediram a comunicação e a devida noti-
ficação extrajudicial ao Ministro de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão. Neste Superior Tribunal,
em relação a essa greve, foi interposta medida cautelar preparatória a dissídio coletivo sobre a paralisação
do trabalho decorrente de greve e petição que cuida de dissídio coletivo, ambas ajuizadas pela Confede-
ração dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (CONDSEF) e pela Confederação Nacional dos Tra-
balhadores em Seguridade Social da Central Única dos Trabalhadores (CNTSS/CUT) e outra petição (ação
declaratória) ajuizada pela União. O Min. Relator considerou legal a greve, fazendo uma análise do orde-
namento jurídico, da interdependência dos Poderes, do direito de greve e do princípio da dignidade hu-
mana. Assim, afirmou que, embora o termo de acordo firmado não configure acordo ou convenção coletiva
de trabalho, não tenha força vinculante, nem seja ato jurídico perfeito em razão dos princípios da separação
dos Poderes e da reserva legal (arts. 2º, 61, § 1º, II, a e c, e 165 da CF/1988), constitui causa legal de
exclusão da alegada natureza abusiva da greve, nos termos do inciso I do parágrafo único do art. 14 da
Lei n. 7.783/1989. Quanto ao pagamento dos vencimentos durante o período de paralisação, o Min. Relator
ressalvou ponto de vista quanto à natureza da disciplina legal e constitucional do servidor público, a exigir
um mínimo de regramento para a criação de um fundo destinado a fazer frente à não percepção de venci-
mentos durante a suspensão do vínculo funcional, o que, pela sua excepcionalidade, poderia justificar a
não suspensão do pagamento. Entretanto, assevera que não há como ignorar a jurisprudência do STF e a
natureza particular de necessidade da formação desse fundo devido à suspensão do vínculo funcional no
período de greve. Diante desses argumentos, entre outros, a Seção declarou a legalidade da paralisação
do trabalho, determinando que a União se abstenha de promover qualquer ato que possa acarretar prejuízo
administrativo funcional e financeiro aos grevistas, mas que haja regular compensação dos dias paralisa-
dos sob pena de reposição ao erário dos vencimentos pagos, nos termos do art. 46 da Lei n. 8.112/1990.

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Precedentes citados do STF: AI 799.041-MG, DJe 31/5/2010; RE 456.530-SC, DJe 31/5/2010; RE 480.989-
RS, DJe 11/5/2010; RE 538.923-PA, DJe 16/3/2010, e MI 3.085-DF, DJe 1º/9/2010. MC 16.774-DF, Pet
7.920-DF, e Pet 7.884-DF, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, julgados em 22/9/2010 (ver Informativo n.
440).

Ressalva 2 – o art. 6º, §3º da lei 8987/95 permite a interrupção do serviço por razões de ordem técnica e por motivo
de inadimplemento do usuário em situações de urgência, ou se houver prévio aviso.

Princípio da razoabilidade e proporcionalidade

A razoabilidade orienta a atuação administrativa dentro dos padrões de conduta aceitos pela sociedade. Normal-
mente aplicado na prática de atos discricionários, quando o agente público tem margem de escolha, com base em
critérios de oportunidade e conveniência.

Se entende que a proporcionalidade é inerente à razoabilidade e diz respeito à adequação entre fins e meios para
a prática de atos administrativos. Veja como isso pode ser cobrado em prova de carreiras jurídicas.

5. (VUNESP - 2014 - TJ-SP – Juiz) No que diz respeito ao princípio da razoabilidade, é correto afirmar que:

A) demanda que o administrador escolha sempre a maneira mais correta de atender ao interesse público, desca-
bendo a utilização de critérios subjetivos e pessoais.
B) o administrador pode atuar de acordo com os seus valores pessoais, adotando providências administrativas de
acordo com o seu entendimento, desde que fundamentado de forma razoável.
C) é ele sinônimo do chamado princípio da proporcionalidade.
D) é ele ligado intrinsecamente à racionalidade, subsumindo-se ao princípio da supremacia do interesse público
sobre o do particular.

*PODERES ADMINISTRATIVOS*

2. CONCEITO:
- Conjunto de medidas, meios ou instrumentos dos quais se valem os sujeitos da Administração Pública como
necessários ao desempenho de suas próprias atividades administrativas.

- São Poderes Instrumentais utilizados como meios para satisfação do interesse público, enquanto dever da
administração, sem os quais a mesma não atuaria, eles são inerentes à Administração Pública, nascem com
ela (Poder-Dever). São Poderes Jurídicos, criados pelo Direito.

Se extrapola o caráter instrumental, ocorre abuso de poder.

Abuso de poder se divide em excesso de poder e desvio de poder.

Excesso de poder – vício de competência


Desvio de Poder – vício de finalidade.

3. PODER VINCULADO: competência vinculada expedir atos vinculados.


- Hely Lopes: Poder que a ordem jurídica confere à Administração para expedir atos de sua competência, cujos
elementos e requisitos já vêm previamente estabelecidos por Lei. Confere à Administração uma competência
para expedir Atos Vinculados ou Regrados, no âmbito dos quais a Administração não goza de nenhuma liber-
dade administrativa, devendo expedi-los sem ponderações.

- Obs.: Alguns autores (Maria Sylvia) negam a autonomia desse Poder, sob o argumento de que ele só impõe
sujeições e limitações à Administração, que não terá liberdade na prática do ato.

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4. PODER DISCRICIONÁRIO:
- A Ordem jurídica confere à Administração Pública, na expedição de determinados atos, a possibilidade de se
valer do juízo de conveniência e oportunidade na escolha do Objeto e na avaliação dos Motivos do ato praticado.

- Concede à Administração certo espaço, com possibilidade de ponderações e escolhas na prática do ato. Pode
deliberar a respeito do Motivo e do Objeto do ato, quando a Lei deixar alguns dos elementos para prática de um
ato para que a Administração atue de forma mais livre, com possibilidade de tomada de mais de uma decisão.

Competência Sempre decorrente de lei, ato vinculado.


Finalidade Sempre vinculada.
Forma Quando prescrita em Lei, será vinculada.
Motivo e Objeto Elementos deixados à discricionariedade administrativa.

- Entretanto, a Administração deve adotar, dentre os vários motivos e objetos possíveis, o mais benéfico. Nunca
poderá escolher qualquer objeto ou motivo. É uma liberdade relativa, condicionada.

- Obs.: O Judiciário pode fazer o controle de mérito, não de forma ampla, mas dentro do contexto dos princípios
constitucionais.

5. PODER HIERÁRQUICO
- Confere à Administração uma capacidade para ordenar, coordenar, controlar, corrigir, delegar (quando conve-
niente) e avocar suas funções. Este Poder estabelece a relação Hierárquica entre órgãos do mesmo âmbito e
escalão da Administração e a divisão de competências.

 Capacidade de Ordenar: organizar as funções administrativas, distribuindo-as e escalonando-as entre


os órgãos e agentes públicos, estabelecendo uma relação de subordinação entre eles. As ordens ema-
nadas pelos órgãos e agentes superiores devem ser cumpridas fielmente pelos seus inferiores, salvo se
manifestamente ilegais (quebra do dever de obediência  infração disciplinar, punida pela Administração
através de seu poder disciplinar).

 Capacidade de Coordenar: coordenação, harmonização das funções, internamente, quando a cargo do


mesmo órgão administrativo.

 Capacidade de Controlar: controlar o próprio desempenho dos agentes público, fazendo também com
que sejam observadas as Leis e Instruções necessárias ao cumprimento das funções.

 Capacidade para Corrigir (AUTOTUTELA): Invalidar atos ilegais e revogar atos que não sejam mais
convenientes e oportunos ao interesse público.

 Capacidade para Delegar Atividade ou Função Administrativa (art.12, Lei do Processo Administrativo
Disciplinar, lei 9.784/99): Poderá haver quando for conveniente e não houver impedimento legal (delegar
competência para julgamento de recurso administrativo; para edição de atos normativos; ou quando o ato
deva ser praticado com competência exclusiva), mesmo entre órgãos de igual ou inferior escalão, mesmo
que o órgão ou o agente delegado não sejam subordinados ao órgão ou agente delegante. A delegação
é regra, sendo sua proibição uma excepcionalidade. Obs.O responsável pelo ato será o agente que
recebeu a delegação (delegado).

 Capacidade para Avocar (art.15, Lei 9.784/99): É o chamamento da competência pela autoridade que
não era, originariamente, competente para prática ato, tirando a competência da autoridade que assim o
era. É excepcional, só será possível quando permitida por Lei. A autoridade avocante deverá ser superior
à autoridade avocada. Deve ser justificada e Temporária. O Poder Hierárquico está presente somente em

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âmbito interno (poder de organização interna). Entre os órgãos da Administração direta e dentro dos pró-
prios órgãos da Administração Indireta. Não há poder hierárquico de órgão da Administração Direta sobre
órgão da Administração Indireta, tampouco de uma entidade da Administração Indireta sobre outra enti-
dade da Administração indireta, já que não há Poder Hierárquico no âmbito externo. OBSNão é controle
de subordinação o que ocorre da Administração Direta sobre a Indireta. É um controle finalístico (incide
sobre os fins e objetivos, nunca sobre os meios) para o qual foi criada a entidade da Administração indi-
reta: Tutela Administrativa. No âmbito da União: supervisão Ministerial (as entidades da Administração
indireta se vinculam a um ministério).

Importa sempre ressaltar que o poder hierárquico é poder interno, não se manifestando entre pessoas jurí-
dicas diferentes. Veja como já se manifestou o STJ:

CONFLITO DE COMPETÊNCIA. REINTEGRAÇÃO DE POSSE. DECISÃO PROFERIDA PELA JUSTIÇA ESTA-


DUAL. DEMANDA AUTÔNOMA AJUIZADA NA JUSTIÇA FEDERAL VISANDO A REVOGAR DECISÃO DE JUIZ
DE DIREITO. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE HIERARQUIA ENTRE OS RAMOS DO PODER JUDICIÁ-
RIO. 1. Ação possessória na Justiça estadual com liminar deferida e confirmada pelo Tribunal, determinando a
desocupação de área. Demanda em que a União não é parte. 2. Ajuizamento, pela Associação Democrática por
Moradia e Direitos Sociais, às vésperas da reintegração de posse, de medida cautelar visando a impedir o cumpri-
mento da liminar emanada da Justiça estadual, alegando interesse da União na causa. 3. Decisões conflitantes.
Inexistência de hierarquia entre os ramos do Poder Judiciário. Impossibilidade de revogação de decisão da
Justiça estadual pelo Judiciário Federal. 4. A parte inconformada com a decisão liminar deve interpor os recursos
adequados no momento oportuno. A União, se possuir interesse jurídico, deve manifestá-lo nos próprios autos da
ação que tramita na Justiça estadual, requerendo sua remessa à Justiça Federal para que esta examine o pedido
(Súmula n. 150/STJ). Não cabe ajuizamento de nova demanda na Justiça Federal para obstar o cumprimento da
liminar oriunda da Justiça estadual. 5. Conflito admitido com a declaração de competência do Juízo estadual para
análise dos pedidos relacionados à reintegração de posse.
(120788 SP 2012/0011161-1, Relator: Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, Data de Julgamento:
22/05/2013, S2 - SEGUNDA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 04/06/2013)

11. PODER NORMATIVO (Gênero) Vale para todos os órgãos da Administração Pública.

 Poder Regulamentar: Se atribui exclusivamente às chefias do Executivo para executarem fielmente a


Lei (regulamento de execução), regular matéria não reservada à Lei (regulamento autônomo) ou discipli-
nar internamente, em caráter geral e abstrato, as atividades cometidas ao Executivo (regulamento admi-
nistrativo).

12. PODER DISCIPLINAR

Aplicação de penalidades a todos aqueles que possuam vínculo especial com o poder público, como os servidores
públicos e contratados pela Administração.
A aplicação das penalidades depende de respeito ao devido processo legal, no qual sejam respeitados o contradi-
tório e a ampla defesa.

6. (Prova: FCC - 2011 - TCE-SP – Procurador) Em relação aos poderes da Administração Pública, é correto
afirmar que o poder:

A) normativo é decorrência do poder vinculado da Administração, na medida em que só admite a prática de atos
expressamente previstos em lei.
B) normativo é reflexo do poder discricionário nos casos em que é dado à Administração Pública o poder de substituir
a lei em determinada matéria.
C) disciplinar é decorrente do poder de polícia administrativo, na medida em que admite a aplicação de sanções a
todos os particulares.

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D) disciplinar, no que diz respeito aos servidores públicos, é decorrente do poder hierárquico, na medida em que
se traduz no poder da Administração de apurar infrações e aplicar penalidades aos servidores públicos sujeitos à
sua disciplina.
E) regulamentar, quando decorrente do poder hierárquico, é discricionário, porque não encontra estabelecidos em
lei as hipóteses taxativas de sua incidência.

13. PODER DE POLÍCIA

- Conceito Amplo: toda e qualquer atividade desempenhada pelo Estado e dirigida a se restringir as liberdades
individuais. Alcança os Poderes Executivo e Legislativo. Mesmo uma Lei que venha a restringir uma liberdade
seria decorrente do Poder de Polícia.

- Conceito Estrito: O Poder de Polícia é toda atividade administrativa exercida pelas entidades, órgãos e agen-
tes da Administração Pública para limitar e condicionar o exercício das liberdades individuais e o uso, gozo e
disposição da propriedade, visando adequá-los e conformá-los aos interesses públicos e bem-estar geral da
coletividade. É um Poder de Polícia Administrativo.

- É poder jurídico, mera atividade administrativa (Ex. interdição de fábrica poluente).

 Objeto do P. de Polícia: Um bem, direito ou atividade exercida pelo particular, serão limitados pelo Poder
de polícia da Administração que, entretanto, não poderá abolir os direitos do administrados, apenas limita-
los de modo que não ponham a coletividade em risco.

 Motivo: Razão de fato ou de direito que ensejam a atuação do Estado.

 Manifestação: É uma atividade administrativa manifestada através de atos com destinatários indetermi-
nados, gerais ou abstratos, individuais ou concretos; de prevenção ou fiscalização.

 Via de regra, o P. de Polícia é discricionário. No entanto, a Administração não pode ficar inerte, tem
que exercê-lo, tem o dever de responder, decidir a respeito dos pedidos do administrado, se se mantiver
inerte, essa inércia poderá ser apreciada pelo Judiciário. Exceções: As licenças são atos vinculados
quando o particular cumpre todos os requisitos.

 Atributos do P.de Polícia:

 É imperativo, coercitivo, impõe restrições mesmo sem a vontade do particular.


 Auto-Executável, atributo sem o qual o Poder de Polícia ficaria esvaziado; Exigível.
 Presunção juris tantum de Legitimidade (não pode haver abusos no Poder de Polícia).

 Delegação: O Poder de Polícia pressupõe prerrogativas a particulares. Portanto, se um particular deti-


vesse o Poder de Polícia haveria um desrespeito ao Princípio da Igualdade. Daí porque, a doutrina en-
tende que esse Poder é indelegável aos particulares. Exceção: Capitães de navios e aeronaves; entidades
da Administração indireta; agências reguladoras; concessionários, permissionários, delegatários, também
o possuem, mas de forma mais restrita. Obs. Apenas quanto aos atos e atividades materiais que prece-
dem (colocação de fotossensores) e que sucedem (a efetiva demolição de uma casa) o Poder de Polícia
podem ser delegados.

 Sanções: Devem vim previstas expressamente em Lei. As sanções prevêem o resultado útil do Poder de
Polícia. Ex. Interdições, apreensões, demolições, multas.

 Setores do Poder de Polícia: Ex. Polícia Ambiental, Polícia Edilícia (SUCOM), INMETRO.

O poder de polícia é alvo de muitas provas de carreiras jurídicas, incluindo advocacia pública. Vejamos:

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7. (Prova: FCC - 2012 - PGM-Joao Pessoa-PB - Procurador Municipal ) É ato administrativo produzido pela
Administração, no exercício do poder de polícia, porém destituído do atributo de autoexecutoriedade, a:

A) remoção de um veículo estacionado irregularmente em via pública.


B) apreensão de alimentos deteriorados em restaurante.
C) demolição de casas construídas irregularmente em área de risco.
D) interdição de estabelecimento instalado sem licença de funcionamento.
E) aplicação de multa ao infrator de norma relativa à poluição sonora.

8. (TRF - 4ª REGIÃO - 2014 - TRF - 4ª REGIÃO - Juiz Substituto) Dadas as assertivas abaixo, assinale a
alternativa correta.

I. Os atos de polícia são executados pela própria autoridade administrativa, independentemente de autorização
judicial. Não obstante, se o ato de polícia tiver como objeto a demolição de uma casa habitada, a respectiva execu-
ção deve ser autorizada judicialmente e acompanhada por oficiais de justiça.
II. É condição constitucional para a cobrança de taxa pelo exercício de poder de polícia a competência do ente
tributante para exercer a fiscalização da atividade específica do contribuinte.
III. Um órgão administrativo federal e seu titular poderão, se não houver impedimento legal, delegar parte da sua
competência a outros órgãos ou titulares, ainda que estes não lhe sejam hierarquicamente subordinados, quando
for conveniente, em razão de circunstâncias de índole técnica, social, econômica, jurídica ou territorial.
IV. Compete privativamente ao Presidente da República sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como
expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução, mas é possível a delegação a Ministro de Estado para
dispor, mediante decreto, sobre organização e funcionamento da administração federal.

A) Estão corretas apenas as assertivas I e III.


B) Estão corretas apenas as assertivas II e IV.
C) Estão corretas apenas as assertivas I, III e IV.
D) Estão corretas apenas as assertivas II, III e IV.
E) Estão corretas todas as assertivas.

*ORGANIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO*

14. Formas de Prestação da Atividade Administrativa:

15.1- DESCONCENTRAÇÃO: Atividade distribuída dentro do próprio núcleo, da própria Pessoa Jurídica. Há
Hierarquia, Subordinação.

 Descentralização:

 Por Outorga: O Poder Público transfere a titularidade mais a execução do serviço. Só pode ser feita
através de lei e para as Pessoas Jurídicas de Direito Público da Administração Indireta.

 Delegação: Transfere somente a execução do serviço, o Poder Público mantém a titularidade. Pode
ser feita a qualquer um (Administração Direta, Indireta, particulares). Pode ser feita por:

a) Lei (Legal): quando for para Pessoas Jurídicas de Direito Privado da Administração Indireta
(Empresas Públicas, Sociedade de Economia Mista).

b) Contrato (contratual): quando a delegação for para particulares (concessionárias, permissioná-


rias, organizações sociais e todos que prestem atividade administrativa).
Não confunda descentralização com desconcentração.

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15.2- ADMINISTRAÇÃO DIRETA (Dec. Lei/67)  Núcleo da Administração.

 Teoria do Mandato: O Estado transfere poderes a seus agentes através de um contrato de mandato.
Não serve porque o Estado não pode manifestar vontade, portanto, não pode celebrar contrato de man-
dato.

 Teoria da Representação: O Estado é tratado como incapaz, por isso precisaria de um representante.
Não serve porque, no Brasil, o Estado é responsável por seus atos e de seus agentes, não é incapaz.

 Teoria do Órgão ou Teoria da Imputação (Hely Lopes): Utilizada no Brasil, o agente exerce o poder,
manifesta a vontade do Estado em razão de um Poder Legal, decorre de uma previsão legal.
Vejam isso:

9. (FCC - 2014 - TJ-CE – Juiz) O diretor de órgão integrante da estrutura de autarquia estadual assina termo
de ajustamento de conduta com o Ministério Público Estadual, visando à regularização de práticas adminis-
trativas da referida autarquia, as quais, no entender do parquet, ofendem direitos dos usuários do serviço
público prestados pela entidade autárquica. Nessa situação, o descumprimento do termo de conduta propi-
ciará a execução judicial do acordo em relação:

A) à autarquia, em litisconsórcio necessário com Estado-membro, pois em razão da relação de tutela, este sempre
deverá ser chamado a intervir em demandas que digam respeito ao exercício de atividades descentralizadas.
B) à autarquia a que pertence o referido órgão, visto que em razão da teoria da imputação, o órgão é uma unidade
sem personalidade jurídica própria, que congrega atribuições exercidas por agentes que o integram e expressam a
vontade do ente estatal.
C) ao agente público, que é responsável direto pela manifestação de vontade que produziu e que deverá cumprir
pessoalmente as obrigações ali assumidas.
D) ao órgão da autarquia, visto que este tem personalidade jurídica própria, distinta da entidade administrativa na
qual está inserido, a qual responderá apenas em caráter subsidiário.
E) ao Estado-membro, pois, conforme a teoria da representação, é atribuível ao ente político a manifestação de todo
e qualquer órgão ou entidade que estejam em sua esfera e que o representam nas relações com os demais sujeitos
de direito.

15.2.1 - ÓRGÃO PÚBLICO:

- Núcleo especializado de competências que servem para prestação de atividade administrativa. Não
pode celebrar contrato. Não têm Personalidade Jurídica, por isso não tem aptidão para ser sujeito de direitos
e obrigações. Mas pode ir a juízo, desde que preenchida 02 condições (ir em busca de prerrogativas funcio-
nais, sempre como sujeito ativo). Tem CNPJ. É possível a existência de órgão público na Administração direta
e na indireta (Lei 9784/99).

 CLASSIFICAÇÃO:

a) Quanto à Posição Estatal:

A Independentes: goza de independência, está no ápice de cada um dos poderes. Ex.


São as chefias de cada Poder: Presidência, Câmara Municipal.

BAutônomos: Estão subordinados, diretamente ligados aos órgãos independentes. Ex.


secretarias de Estado, Ministérios.

C Superior: ainda tem poder de decisão, mas está subordinado aos órgãos autônomos e
aos independentes. Ex. Procuradorias.

DSubalterno: Não tem poder de decisão, só executa o que foi mandado pelo independente
ou autônomo. Ex. zeladoria, almoxorifado.

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b) Quanto à Posição Estrutural:

ASimples: Não tem outros órgãos agregados à sua estrutura. Ex. Gabinetes.

B Compostos: tem outros órgãos agregados à estrutura. Ex. Delegacia de Ensino- Escolas
ligadas.

c) Quanto à Atuação Funcional:

A Singular: Composto por um único agente. Ex. presidência, governadoria.

B Colegiado: Composto por vários agentes.

15.3- ADMINISTRAÇÃO INDIRETA:

- Possuem Personalidade Jurídica Própria: tem aptidão para ser sujeito de direitos e obrigações, é res-
ponsável pelos próprios atos e os de seus agentes. Não existe relação de hierarquia entre Administração
Direta e Indireta.

- Patrimônio e Recursos Próprios, autonomia técnica, financeira (decide como vai aplicar o dinheiro),
administrativa. Só não tem autonomia, nem capacidade legislativa. Obs. No máximo poderá regular, comple-
mentar, disciplinar o que está previsto em lei.

 Formas de Controle:

 Interno: feito pela própria entidade da Administração Indireta.

 Exterior: Poder Legislativo (CPI´s e TCU); Poder Judiciário; pelos cidadãos, através da Ação Po-
pular; Pelo Poder Executivo (supervisão Ministerial, dirigentes escolhidos pelo Ministério, receitas e
despesas fiscalizadas, finalidades predeterminadas).

 AUTARQUIAS

 Conceito: Pessoa Jurídica de Direito Público que serve para prestação de atividades típicas do
Estado, com autonomia administrativa, técnica e financeira, mas sem capacidade legislativa. São cria-
das e extintas por lei ordinária específica.

 Finalidade vinculada à finalidade para a qual a Lei a criou. Não são criadas para visar o Lucro.

 Atos e Contratos:

a) Auto-Executáveis: presunção de legitimidade, imperatividade, como qualquer outro ato admi-


nistrativo.
b) Contrato Administrativo regido pelo dir. público, com cláusulas exorbitantes.
c) Necessidade de Licitação, mesmo para contratos regidos pelo direito privado.

 Responsabilidade Civil :

a) Conduta + Dano + Nexo (sem necessidade de comprovação de culpa ou dolo). Será Objetiva:
quando houver ação por parte do Estado; Subjetiva: quando em razão de omissão do Estado,
e a responsabilidade do servidor também será subjetiva.
b) Obs. Se a Autarquia não tiver patrimônio, o Estado responderá de forma objetiva, subsidiaria-
mente pelo Dano.
c) Exceção: No Casos das PPP´s, a Responsabilidade do Estado é Solidária.

 Bens Autárquicos: São bens públicos, segue regime de bens públicos.

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a) Inalienabilidade Relativa: Todos os bens públicos são alienáveis de forma condicionada. Para
haver alienação, há um procedimento a ser seguido: (Desafetação- Autorização Legislativa-
Licitação).

b) Impenhorabilidade: É vedada a penhora, o arresto (bens indeterminados), o seqüestro (bens


determinados).

c) Impossibilidade de Oneração: O Bem Público não pode ser objeto de Dir. Real de garantia
(O Penhor e a Hipoteca são vedados).

d) Imprescritíveis (prescrição aquisitiva): Bens públicos são insuscetíveis de usucapião, nem do


pró-labore, nem os bens dominicais.

 Regime de Precatório (art.100, CF)

a) Documento através do qual, o Tribunal reconhece débito com procedência transitada em jul-
gado. Os Precatórios constituídos até 01º de julho devem ser pagos no exercício financeiro
seguinte, se existir disponibilidade orçamentária. Podem ser pagos em parcelamentos anuais
(10 por ano).

b) Cada Pessoa Jurídica tem a sua própria fila, cada autarquia tem uma fila própria. Obs. Alimen-
tos: Obedecem ao Precatório, mas têm fila própria dentro da fila geral. Exceção: Há um valor
de 60 salários mínimos, no qual a pessoa estará fora do precatório.

 Privilégios Processuais:

a) Prazo para Recurso: prazo quádruplo, 60 dias. Contestação: prazo duplo, 30 dias.
b) Duplo grau obrigatório de Jurisdição, reexame necessário: Se o processo não for submetido ao
duplo grau obrigatório, não haverá Coisa Julgada.

 Regime Tributário:

a) Imunidade Tributária recíproca Somente quanto aos Impostos. A Imunidade não é absoluta:
Restringe-se às finalidades específicas de cada autarquia, previstas na sua lei de criação. As
atividades complementares estão sujeitas aos impostos.
b) Obs. Há cobrança dos outros tributos.
c) Procedimento Financeiro: Lei 4320/64 (Lei de Finanças Públicas) e LC 101/2000 (Lei de Res-
ponsabilidade Fiscal).
d) Regime de Pessoal (EC 19 aboliu o Regime jurídico único):
A Estatutário: Para titulares de cargo público (só nas Pessoas Jurídicas de Dir. Público).
Preferencialmente, deve ser adotado o Regime Estatutário, de cargo público.

B Celetista: Para titulares de emprego público.

 CONSELHOS DE CLASSE (OAB, CRA, CRM, CRO).

 Antigamente: Natureza de Autarquia. Porém, a Lei 9649/98, art.58: Conselho de Classe terá natu-
reza de Pessoa Jurídica de Direito Privado.

 STF, ADIN 1717: Como os Conselhos de Classe têm como função principal o Poder de Polícia,
fiscalizando as atuações profissionais, não podem ser considerados PJ de Dir.Privado. Declarou in-
constitucional o art.58 da Lei 9649/98, determinando que os Cons.de Classe terão natureza de Autar-
quia.

 Concurso Público: Doutrina Majoritária entende que o concurso público é obrigatório.

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 Foro Competente, Súm.66, STJ: Justiça Federal ou Vara da Fazenda Pública.

 Anuidade: Natureza Tributária, contribuição.

 Controle pelo Tribunais de Contas; Devem Obedecer a Lei 4320/64 (Lei de Finanças)

 Exceção OAB: A contribuição da OAB não tem natureza tributária; Não sofre controle do Tribunal
de Contas e não deve obediência à Lei de Finanças Nacional.

 AUTARQUIAS DE REGIME ESPECIAL

 Surgiram para conceituar as Universidades Públicas, que têm mais autonomia e liberdade. Reitor:
Tem prazo certo de mandato, só sairá depois da expiração desse. São escolhidos por eleição. Não é
cargo de livre nomeação, nem de livre exoneração.
 OBS. Banco Central: É autarquia comum, mas seu Presidente é nomeado pelo Presidente após
prévia aprovação do Senado.

 AGÊNCIAS REGULADORAS (Espécie)

a) Finalidade: Regular, Fiscalizar, Disciplinar, Normatizar determinadas atividades. Não é ativi-


dade nova, antes era exercida diretamente pelo Estado.

b) Capacidade Legislativa: Não a tem, não podendo, de tal sorte, legislar. Têm o papel de com-
plementar as leis, com normas técnicas específicas de sua atuação.

c) Regime Especial: Têm mais autonomia, Liberdade normativa, liberdade econômica e finan-
ceira.

d) Nomeação de Dirigentes: Presidente nomeia com prévia aprovação do Senado. É investidura


ou nomeação especial, porque depende de prévia aprovação do Senado.

e) Mandato com Prazo certo e determinado: A Lei de criação de cada Autarquia de regime
especial irá determinar o prazo do mandato (máximo. de 04 anos). Obs. Já há Projeto de Lei
querendo uniformizar o prazo: 04 anos para todas.

f) Vedação (Quarentena): Quando o dirigente sai do cargo, deve ficar 04 meses ou 01 ano (a
depender da lei da autarquia especial) sem poder atuar na área de atuação da Agência Regu-
ladora.

g) Distinções:

AProcedimento Licitatório:

- Lei 9472/97: em contrariedade ao disposto na Lei 8666/93, cada agência teria seu próprio
procedimento licitatório, previsto na sua lei de criação. Com modos específicos de Licitação
(Pregão e Consulta).

- STF, ADIN 1668: Se a Agência Reguladora é autarquia, terá que seguir a Lei 8666/93,
deixando, entretanto, que elas tenham as modalidades específicas determinadas pela Lei
9472/97, Pregão e Consulta.

- O Pregão já tem a Lei 10520/02, que o estendeu a todos os Entes, não sendo mais modali-
dade específica das Agências Reguladoras. Atualmente, a Consulta, que ainda não tem Lei
lhe regulando, é a modalidade específica das Agências Reguladoras.

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B Regime de Pessoal:

- Lei 9886/00: Regime Celetista, com contratação temporária. A Doutrina já dizia que o Re-
gime da CLT só deveria ser adotado em situações excepcionais, para funções subalternas
ou para contratações temporárias.

-ADIN 2310, STF: Declarou que não era hipótese para contratação temporária, que é excep-
cional, e que, portanto, não deveria adotar o Regime Celetista. Declarou a Inconstitucionali-
dade das 02 regras: Regime Celetista e Contratação Temporária.

- MP 155/03 Lei 10871/04: Determinou o Regime Estatutário, com concurso público, para
todas as Agências Reguladoras. Os que entraram por contratação temporária sairão depois
de findo o tempo do contrato.

h) Exemplos de Agências:

AANS; ANTT; ANTAQ; ANAC; ANP; ANA (bens públicos); ANCINE (fomento).

B Autarquias: ADA (agência de desenvolvimento da Amazônia, substituiu a SUDAM), ADENE


(agência de desenvolvimento do Nordeste, substituiu a SUDENE) e AEB (agencia espacial);

C Serviços Sociais Autônomos: APEX, ABDI. Obs: CVM: deveria ser agência reguladora,
mas é autarquia comum.

 AGÊNCIA EXECUTIVA:

a) São Autarquias ou Fundações Públicas que precisam ser modernizadas, e para isso fazem um
planejamento para reestruturação.

b) Contrato de Gestão: Celebrado entra uma Autarquia ou Fundação Pública e o Poder Público.
Serve para dar mais autonomia ou recurso público. Ex: Autarquia A  Contrato de gestão 
Agencia Executiva A.

c) O título de Agência Executiva é temporário, findo o contrato de gestão, o ente que se tornou
agência executiva temporariamente voltará a ser autarquia ou fundação pública. Ex. de ag.exe-
cutiva: INMETRO.

d) Liberdade Específica (só para agências executivas): Art.24, par.único, Lei 8666/93: Dis-
pensa de Licitação. Regra Geral:

AValor de até 10% do Convite (até R$150.000, se obras ou serviços de engenharia; até
R$80.000 para os outros serviços);

Blicitação dispensada (R$15.000 ou R$8.000).

e) Dispensa para as Agências Executivas: 20% do Valor do Convite, ou seja, quando o valor
da licitação for até R$30.000 ou R$16.000, a agência executiva estará dispensada de licitação.
Essa dispensa vale também para: Sociedades de Economia Mista, Empresas Públicas e Con-
sórcios Públicos. Só vale para as Autarquias e fundações públicas, quando qualificadas como
agência executiva.

 FUNDAÇÃO PÚBLICA

 São instituídas e constituídas pelo Poder Público, fazendo parte da Administração. Obs.: Quando
forem constituídas pela iniciativa privada, não serão Fundação Pública.

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 FUNDAÇÃO PÚBLICA de DIREITO PÚBLICO:

a) Natureza Jurídica: Regime de Dir. Público. É uma espécie de autarquia e faz parte da Fazenda
Pública. Tem todos os privilégios e obrigações de uma autarquia. Obs. Quando o concurso falar
de Fundação Pública, será a de Direito Público.

 FUNDAÇÃO PÚBLICA de DIREITO PRIVADO (fundações governamentais)

a) Natureza Jurídica: Regime de Direito Privado, derrogado parcialmente por algumas normas
de dir.público.

b) Foro Competente (foro privativo): Justiça Federal ou Vara da Fazenda Pública.

c) Privilégio Processual: Não tem prazo especial, porque não faz parte da Fazenda Pública.

d) Tem sua Criação autorizada por Lei Ordinária; Lei Complementar deve determinar a finalidade
das fundações públicas de dir.privado.

e) OBS: Celso Antonio entende que não há essa divisão. Segundo ele, quando se fala em Funda-
ção Pública, todas elas são de Direito Público.

 EMPRESAS ESTATAIS  Empresas Públicas


 Sociedade de Economia Mista

 EMPRESAS PÚBLICAS:

a) Pessoa Jurídica de Direito Privado; Podem prestar serviço público ou explorar atividade econô-
mica; sua criação autorizada por lei.

b) Têm capital exclusivamente público: Pode ser capital de vários entes da federação. Entre-
tanto, não poderá haver capital de uma Sociedade de Economia Mista investido na Empresa
Pública, do contrário ela perderá esse status.

c) Tem livre Constituição: Pode ser constituída por qualquer atividade empresarial.

d) Têm Foro Privativo: Justiça Federal ou Vara da Fazenda Pública.

 SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA:

a) Pessoa Jurídica de Direito Privado; Podem prestar serviço público ou explorar atividade econô-
mica; Criação autorizada por lei.

b) Têm Capital Misto: O Capital do Ente Público deve ser a maioria do capital votante. Devem
ser constituídas, obrigatoriamente, como Sociedades Anônimas.

c) Não têm foro privativo: São julgadas na Justiça Estadual.

d) FINALIDADES:

A Prestar Serviço Público: Quando forem prestadoras de serviço público, haverá preva-
lência do Dir.Público sobre o Dir.Privado.

B Explorar Atividade Econômica: Quando forem exploradoras de atividade econômica,


haverá prevalência do regime de Dir.Privado, com alguma influencia do Dir.Público. obs:
Art.173, CF (Hipóteses em que o Estado pode Explorar Atividade Econômica):

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1. Quando for necessário aos imperativos da Segurança Nacional.

2. Quando houver interesse coletivo, conforme o definido em lei.

C Terão estatutos próprios definidos na lei que autorizou sua criação.

e) REGIME JURÍDICO das EMPRESAS ESTATAIS:

A 1ª Regra: LICITAÇÃO:

01. Quando for Prestadora de Serviço Público: Obedecerá à Lei 8666/93.

02. Quando Exploradora de Atividade Econômica: Podem ter estatuto próprio, que re-
gerá o procedimento licitatório de cada Pessoa Jurídica. Entretanto, até hoje, não há esta-
tuto. Assim, deverão obedecer à Lei 8666/93. Dispensa e Inexigibilidade (Arts.24 e 25 da
Lei 8666/93).

BFALÊNCIA:

01. Antes: Se prestadoras de serviço público  não estavam sujeitas à falência; Se explo-
radoras de atividade econômica  Estavam sujeitas à falência.

02. Agora (Lei de Falências, 11101/05, art.2º): Empresas Públicas e Sociedades de Eco-
nomia mista, sejam exploradoras de atividade econômica, sejam prestadoras de serviço
público, não estão sujeitas à falência.

03.Obs: A doutrina critica tal orientação, dizendo que as exploradoras de atividade econô-
mica devem estar sujeitas à lei de falências, já que estão muito próximas do Dir.Privado.

C  RESPONSABILIDADE CIVIL:

01. Prestadoras de Serviço Público (Art.37, par.6º, CF): A responsabilidade será obje-
tiva, de regra. E a responsabilidade do Estado será subsidiária e objetiva.

02. Exploradoras de Atividade Econômica: A Responsabilidade civil delas será regida


pelo Direito Civil, que determinará os casos em que a responsabilidade será objetiva ou
subjetiva. E o Estado não responde subsidiariamente.

D REGIME TRIBUTÁRIO:

01. Regra Geral: As Empresas Públicas e as Sociedades de Economia Mista não têm imu-
nidade tributária recíproca e privilégios não extensíveis à iniciativa privada.

02. Exceção: Quando o bem e as atividades estiverem vinculadas à prestação do serviço


público, terão imunidade tributária.

03. Empresa dos Correios e Telégrafos: Exerce atividade exclusiva e indelegável do Es-
tado (serviço postal), por isso é tratado com Fazenda Pública. Goza de imunidade tributária
recíproca; Tem privilégios processuais (prazos diferenciados); Os seus bens públicos são
impenhoráveis, não oneráveis, impenhoráveis e imprescritíveis; Estão sujeitas ao regime
de precatório.Obs. Isso não vale para as franquias privadas da Empresa.

E REGIME DE BENS:

01. Regra Geral: São penhoráveis. Mas são imprescritíveis, sempre.

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02. Obs. José dos Santos C. Filho entende que só os bens das Pessoas Jurídicas de Dir.Pú-
blico são bens públicos, ou seja, os bens das entidades governamentais não são bens pú-
blicos.

03. Maioria da Doutrina: Os bens públicos são todos aqueles pertencentes às Pessoas
Jurídicas de Direito Público e os diretamente ligados à prestação do serviço público nas
entidades governamentais, concessionárias, permissionárias e autorizatárias. Neste ultimo
caso, os bens seguirão as regras dos bens públicos.

F REGIME DE PESSOAL:

01. Celetista: Titular de Emprego (Não é emprego público. Este e o cargo público são
exclusivos das PJ´s de Dir.Público). Equiparam-se aos servidores em alguns aspectos:

- Exigência de concurso público;


- Sujeitos às regras de vedação de acumulação;
- Respondem por Improbidade (lei 8429/92) de cargo, emprego e função pública;
- São funcionários Públicos para fins penais;
- Estão sujeitos aos remédios constitucionais;
- Teto Remuneratório: Estarão sujeitos ao teto do STF se a Empresa Pública ou a
Sociedade Economia Mista receberem ajuda do Estado para o custeio; Se não receberem
ajuda para custeio, não estão sujeitos ao teto.
- Dispensa do empregado: Para maioria da doutrina, a dispensa do empregado só
poderá ser realizada motivadamente, após processo administrativo disciplinar com contra-
ditório. Porém, TST Súmula 390, orientação jurisprudencial  Não há necessidade de
motivação para dispensa dos empregados, já que os mesmos não gozam de estabilidade.
Também não há necessidade de processo administrativo.
Vejamos o tema em provas de carreiras jurídicas:

10. Sobre as empresas públicas e sociedades de economia mista, assinale a alternativa INCORRETA:

A) Empresa pública é pessoa jurídica criada por autorização legal como instrumento de ação do Estado, detendo
personalidade jurídica de Direito Privado, cujo capital é formado exclusivamente por recursos de pessoas de Direito
Público interno ou de pessoas de suas Administrações indiretas, com predominância acionária na Administração
direta;
B) Sociedade de economia mista é pessoa jurídica criada por autorização legal, com personalidade de Direito Pri-
vado, cujas ações com direito a voto pertencem em sua maioria à administração direta ou indireta, com remanes-
cente acionário de propriedade particular;
C) As Sociedades de economia mista podem adotar qualquer forma societária admitida cm Direito ao passo que as
empresas públicas terão obrigatoriamente a forma de sociedade anônima;
D) Há dois tipos fundamentais de empresas públicas e sociedades de economia mista: as exploradoras de atividade
econômica e aquelas prestadoras de serviços públicos ou coordenadoras de obras públicas;
E) Quanto ao regime jurídico das empresas estatais (empresas públicas e sociedades de economia mista), o con-
trole sobre elas é feito pelo Ministro a cuja Pasta estejam vinculadas, cabendo a ele, diretamente ou por meio de
órgãos superiores do Ministério, orientá-las, coordená-las e controlá-las.

 ENTES DE COOPERAÇÃO (Entes Paraestatais)

 São entes paraestatais, Pessoas Jurídicas de Direito Privado que não fazem parte da Administra-
ção pública, mas que cooperam com o Estado na consecução de alguns fins públicos.

 01º Setor (Estado);


 02º Setor (Mercado);
 03º Setor (ONG´s), alguns dos entes de cooperação são ONG´s;
 04º Setor (Economia Informal). Não têm fins lucrativos e servem para ajudar o Estado na prestação
de um serviço público ou no fomento de uma atividade.

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 SERVIÇO SOCIAL AUTÔNOMO (Sistema “S”, SEBRAE, SENAT, SESC, SESI).

a) Privilégios: Recebem recursos orçamentários. Têm capacidade tributária. São beneficiárias da


Parafiscalidade.
b) Sujeitas às regras de licitação da Lei 8666/93 e à fiscalização do Tribunal de Contas.
c) Obs: APEX e ABDI são agências com natureza de Serviço Social Autônomo.

 ORGANIZAÇÃO SOCIAL

a) Lei 9637/98: As Organizações Sociais servem para prestação de serviços públicos, serviços
estes que estão listados nesta Lei. Ex.: meio-ambiente; pesquisa; saúde; desenvolvimento tec-
nológico.

b) As Organizações Sociais surgiram como órgãos públicos extintos, que foram transformadas em
Pessoas Jurídicas de Direito Privado denominadas Organização Social.

c) Criação das Organizações Sociais: Celebração do Contrato de Gestão: É o vínculo jurídico


das Organizações Sociais o Estado (“entidade fantasma” segundo Maria Sylvia, já que 01º ce-
lebra-se o contrato de gestão, para que depois as Organizações Sociais existam no mundo
jurídico).

d) A empresa não precisa existir no mundo jurídico, nem ter experiência prévia no ramo em que
for atuar para que celebre o contrato de gestão. Ato Administrativo Discricionário do Ministério
do Planejamento e Gestão, após a celebração do contrato de gestão, dá o status de Organiza-
ção Social.

e) Controle/ Licitação: Art.24, inc.24 da Lei 8666/93: Dispensa a Administração de licitar com as
Organizações Sociais quando o contrato a ser firmado for decorrente de contrato de gestão.

Entretanto, as Organizações Sociais estão sujeitas às regras de licitação. Estão sujeitas ao


controle do Tribunais de Contas, já que podem receber dotações orçamentárias, cessão de
servidores públicos e receber bens públicos. Ex. Instituto de matemática pura e aplicada.

 OSCIP - ORGANIZAÇÕES da SOCIEDADE CIVIL de INTERESSE PÚBLICO

a) Lei 9790/99: Diferenças para as Organizações Sociais:

A A Pessoa Jurídica precisa existir no mundo jurídico no mesmo ramo de atividade, há pelo
menos 01 ano, para tornar-se uma OSCIP.

B O Vínculo jurídico com o Estado é o Termo de Parceria, que tem natureza de contrato
administrativa, segundo parte da doutrina.

C Regra Geral: Não há cessão de servidores, não há transferência de bens públicos, nem
dotação orçamentária (não participa diretamente do orçamento, mas recebe recursos públi-
cos via depósito bancário).

D Estão sujeitas às regras de licitação e ao controle dos Tribunais de Contas.


E O Conselho de Administração da OSCIP deve ser formado por particulares, diferente-
mente das Organizações Sociais, onde os Conselhos de Administração e Fiscal podem ser
compostos por servidores públicos.

F Obs: O que tem ocorrido é que a Administração contrata as OSCIP´s para, via de regra,
burlar o concurso público, já que os empregados das OSCIP´s não necessitam de concurso.

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 ENTIDADES DE APOIO

a)Constituição As entidades de apoio podem ser constituídas como Fundação, Associação ou


Cooperativas, criadas por servidores públicos com a finalidade de melhor desenvolver suas
atividades.

b) Funcionam ao lado das Universidades Públicas e hospitais públicos. São fundações privadas
que atuam com a estrutura e o dinheiro do Estado. Vínculo Jurídico: Convênio celebrado
com a universidade. Ex. As entidades de apoio fazem convenio com a universidade pública
para organizarem uma pós-graduação, da qual se poderá cobrar mensalidade.

c)Lei 8958/94: Entidades de apoio que atuam junto às Universidades Públicas. Quanto às outras
entidades ainda não há legislação.

 ORGANIZAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL (lei 13.019/04)

TERMO DE COLABORAÇÃO – planos de trabalho propostos pela administração pública em regime de mútua
cooperação

TERMO DE FOMENTO - planos de trabalho propostos pela entidade privada em regime de mútua cooperação
ACORDO DE COOPERAÇÃO – Quando não houver transferência de recursos públicos.

PROCEDIMENTO DE MANIFESTAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL


organizações da sociedade civil, movimentos sociais e cidadãos poderão apresentar propostas ao poder pú-
blico para que este avalie a possibilidade de realização de um chamamento público objetivando a celebração de
parceria.
CHAMAMENTO PÚBLICO

 Públicação do edital no site do órgão interessado

 Classificação das propostas pela comissão de seleção

Comissão – 2/3 – servidores


Julgamento objetivo – vinculação ao edital

 Habilitação da entidade
Sem fins lucrativos
3 anos de existência
Experiência no objeto
Capacidade técnica e operacional

 Encerramento
Homologação e adjudicação

DISPENSA E INEXIGIBILIDADE DO CERTAME


Inexigibilidade - inviabilidade de competição
Dispensa - rol exaustivo
CONTRATOS FIRMADOS ENTRE AS ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL E TERCEIROS
procedimento seletivo simplificado via internet

PRESTAÇÃO DE CONTAS
1 - Relatório de Execução do Objeto: elaborado pela organização da sociedade civil, assinado pelo seu
representante legal, contendo as atividades desenvolvidas para o cumprimento do objeto e o comparativo de metas
propostas com os resultados alcançados

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2 - Relatório de Execução Financeira: assinado pelo seu representante legal e o contador responsável, com
a descrição das despesas e receitas efetivamente realizadas.
Prazo de até 150 dias

RESPONSABILIZAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL E APLICAÇÃO DE PENALIDADES


a) advertência:
b) suspensão temporária da participação em chamamento público e impedimento de celebrar termos de
fomento, termos de colaboração e contratos com órgãos e entidades da esfera de governo da administração pública
sancionadora, por prazo não superior a 2 (dois) anos. - Ministro de Estado ou do Secretário Estadual ou Municipal

c) declaração de inidoneidade para participar em chamamento público ou celebrar termos de fomento,


termos de colaboração - Ministro de Estado ou do Secretário Estadual ou Municipal

* ATOS ADMINISTRATIVOS *

15. CONCEITO DE ATOS DA ADMINISTRAÇÃO:

- Atos jurídicos, ou não, por meio dos quais a Administração emite uma declaração de vontade para executar a
lei aos casos concretos e fazer prevalecer o interesse público sobre os interesses particulares, no desempenho
das suas atividades.

16. CLASSIFICAÇÃO DOS ATOS DA ADMINISTRAÇÃO (CELSO ANTÔNIO):

14.1 -Atos Jurídicos Regidos pelo Direito Privado: a Relação Jurídica é horizontal, há igualdade entre os
contratantes (administração x particular), a administração não se vale da sua supremacia.

14.2 -Atos Materiais = FATO ADMINISTRATIVO. Não são atos jurídicos, apenas realizam, executam uma
atividade do Estado. (Ex. construção de uma estrada, pavimentação).

14.3 - Atos Políticos ou de Governo: São de natureza jurídica, editados pelo Estado no exercício de função
política de soberania. Ex. sanção do presidente a um projeto de lei.

14.4 - ATOS ADMINISTRATIVOS (espécie do gênero ‘Ato da Administração’).

 Conceito: É um ato jurídico¹ por meio do qual o Estado, ou quem lhe faça as vezes², exprime uma
declaração unilateral de vontade, no exercício de suas Prerrogativas Públicas, consistentes em provi-
dências jurídicas complementares da Lei³, a título de lhe dar execução, sujeitas ao controle de legitimi-
dade pelo Judiciário, no desempenho de atividades essencialmente administrativas da gestão dos inte-
resses coletivos.

01. É Ato jurídico: tem por fim criar, alterar, extinguir algo no mundo do Direito, no que se diferenciam
do fato administrativo (realizações da administração sem declaração de vontade).

02. Estado (Três Poderes) e Quem lhe faça as vezes (delegatários, concessionários, que atuam em
nome do Estado e podem exprimir declaração de vontade em nome do mesmo, emitindo atos ad-
ministrativos).

03. Providências jurídicas complementares da Lei: atividade precípua da administração na sua fun-
ção de executar a lei, de ofício, ao caso concreto.

Vejamos isso em provas de concursos:

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11. (TRT 8R - 2014 - TRT - 8ª Região (PA e AP) - Juiz do Trabalho) Dentre as alternativas a seguir, assinale a
única INCORRETA:

A) O ato administrativo pode ser conceituado como toda medida, de natureza unilateral ou bilateral, editada pelo
Estado, por meio de seus representantes, no exercício regular de suas funções, ou por qualquer pessoa que dete-
nha, nas mãos, fração de poder delegada pelo Estado, que tem por finalidade imediata criar, reconhecer, modificar,
resguardar ou extinguir situações jurídicas subjetivas, em matéria administrativa.
B) Dentre os requisitos de validade do ato administrativo está a finalidade, a qual impõe seja o ato administrativo
praticado unicamente para um fim de interesse público e, este, por sua vez, há de ser próprio do ato praticado; não
pode o agente público praticar um ato visando o fim inerente a outro, mesmo que ambos sejam de sua competência
e abriguem um interesse público.
C) Quanto à natureza do conteúdo, os atos administrativos podem ser classificados em concretos e abstratos; con-
cretos são os que dispõem para um único e específico caso, e se esgotam nessa aplicação, tais como nas hipóteses
de exoneração de funcionário e declaração de utilidade pública para fins de desapropriação. São abstratos os atos
que dispõem para casos que possam se repetir, não se esgotando mesmo depois de reiteradas aplicações, sendo
o regulamento um exemplo típico dessa espécie de ato administrativo.
D) Em razão da maior ou menor liberdade que tem a Administração Pública para agir ou decidir, os atos adminis-
trativos podem ser classificados em vinculados e discricionários. Vinculados são os atos administrativos praticados
conforme o único comportamento que a lei prescreve à Administração Pública, não cabendo a essa outro compor-
tamento que não aquele ditado na lei. Discricionários são os atos administrativos praticados conforme um dos com-
portamentos que a lei prescreve, cabendo à Administração Pública a escolha dentre as condutas previstas, obser-
vados os critérios de conveniência e oportunidade.
E) Segundo a teoria dos motivos determinantes, o ato administrativo só é valido se os motivos anunciados efetiva-
mente aconteceram; desse modo, a menção a motivos falsos ou inexistentes vicia irremediavelmente o ato prati-
cado, mesmo que não exigidos por lei.

12. (CESPE - 2014 - TJ-SE - Titular de Serviços de Notas e de Registros – Provimento) Acerca dos atos
administrativos, assinale a opção correta.

A) Pelo critério formal, são atos administrativos os editados pelos órgãos administrativos, excluindo-se dessa clas-
sificação todos os atos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário.
B) A autoexecutoriedade é um atributo inerente aos atos administrativos, ainda que não haja previsão expressa em
lei quanto à forma de execução de determinadas medidas.
C) A finalidade corresponde ao requisito do ato administrativo que serve de fundamento para a sua prática.
D) Considera-se pendente o ato administrativo que não esteja apto a produzir efeitos jurídicos por não ter comple-
tado o seu ciclo de formação.
E) A anulação, que consiste no desfazimento do ato administrativo por ilegalidade, pode ser efetuada de ofício pela
administração ou pelo Poder Judiciário.

FASES DE CONSTITUIÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO.


Para que, regularmente, produza efeitos, no mundo jurídico, o ato administrativo deve ultrapassar algumas
fases indispensáveis à sua criação.
A) Perfeição;
B) Validade;
C) Eficácia.

A PERFEIÇÃO
é o cumprimento das etapas necessárias à formação do ato. O ato administrativo é perfeito quando cumpre
todos os trâmites previstos em lei para a constituição, completou o ciclo de formação.

A VALIDADE
é aferida quando todas as etapas realizadas estiverem de acordo com a lei. Logo, ato válido é aquele que foi
criado de acordo com o estabelecido na legislação.

A EFICÁCIA
é a aptidão para produção de efeitos concedida ao ato administrativo. Alguns têm eficácia imediata, logo após

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a publicação, mas outros podem ter sido editados com previsão de termos iniciais ou condições suspensivas. Por
exemplo, a autorização para realizar uma cerimônia de casamento na praia, no sábado à noite, só produz efeitos
nesta data, ainda que esteja perfeito e válido dias antes.
O ato jurídico válido, bem como o inválido podem ou não produzir efeitos automaticamente. Um ato jurídico
inexistente, como no caso de um ato putativo, produz efeitos no mundo jurídico, embora de forma limitada. Esse é
o entendimento defendido por Marçal Justen Filho ao dizer que:
“...até mesmo um ato jurídico inexistente [...[ pode produzir efeitos jurídicos, tal como se passa no caso do
chamado casamento putativo. [...[ Essa representação não significa que todos os atos são igualmente efi-
cazes. Não indica que os atos jurídicos inexistentes produzem efeitos jurídicos idênticos aos decorrentes
de atos jurídicos validos. O que se afirma que os atos jurídicos inexistentes e os jurídicos inválidos podem
ser dotados de alguma eficácia. Portanto, a existência e a validade não são requisitos para alguma eficácia”
(fl. 185;186).
Nestes casos, serão denominados de atos administrativos pendentes, todos aqueles que são perfeitos e váli-
dos, mas ainda não estão aptos a produzirem efeitos.

 Atributos e Qualidades dos Atos Administrativos:

 Presunção de Legitimidade, juris tantum: o ato administrativo presume-se editado de acordo com
as normas e princípios gerais de Direito. Decorre da Legalidade Ampla. O ato vigora enquanto não
afastado.

 Presunção de Veracidade, relativa: ao conteúdo do ato e aos fatos que o compõe, corresponde à
verdade de fato  Fé Pública.

 Imperatividade: não é atributo de todo ato, e sim dos atos que encerram obrigações para os admi-
nistrados. O administrado fica constituído em uma obrigação, ainda que contra sua vontade.

 Coercitividade dos atos administrativos, decorrentes da imperatividade: só poderá haver resistên-


cia judicial ao ato, enquanto isso não ocorrer, o particular estará a ele obrigado. Os atos negociais,
que apenas permitem certas atividades ao administrado, não possuem esse atributo.

 Exigibilidade: capacidade de exigir que a obrigação imposta ao administrado seja cumprida, sob
pena de a administração se valer de meios indiretos de coação. Ex. Multa.

 Auto-Executoriedade: Esse atributo tem que vir expresso em lei, salvo se não for possível outra
solução no caso concreto. A administração se vale de meios direitos de coação para execução do
ato. Ex. demolição de obra.

 Tipicidade: todo ato administrativo está previamente tipificado em lei.

 Elementos e Requisitos dos Atos Administrativos: A Doutrina Majoritária aponta cinco elementos,
com base na Lei de Ação Popular 4717/65, art.2°, a falta de um dos requisitos torna o ato inválido
(anulável, podendo ser sanado). Diogo Gasparini e Celso Antônio incluem mais dois elementos (conte-
údo e causa).

 Competência/Sujeito: Conjunto de atribuições definidas por Lei, conferida aos órgãos e agentes
públicos para, em nome do Estado, exprimir a declaração de vontade do mesmo através dos atos
administrativos. Decorre sempre da Lei, é sempre Vinculada, portanto, mesmo quando o ato é dis-
cricionário, sem o qual o ato é inválido.

 Finalidade: Ato que foge da sua Finalidade específica prevista em Lei, mesmo que atenda a uma
outra finalidade benéfica ao interesse público, estará incorrendo em desvio de finalidade ou desvio
de poder, e será Inválido. A Finalidade Específica de cada ato está sempre prevista em Lei, é sem-

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pre elemento vinculado, mesmo que ato seja discricionário. Ex. Ato de remoção, a finalidade espe-
cífica é uma melhor prestação do serviço público. Obs Não pode existir ato administrativo Inomi-
nado.

 Forma: É o revestimento do Ato Administrativo. É, em regra, escrito e no idioma nacional, a forma


está prescrita em Lei, (requisito vinculado). Exceções à forma prescrita em Lei: quando a lei se
omitir a respeito da forma, está será livre, poderá ser oral, através de gestos, placas (ex: sinais de
trânsito).

*Obs: diferencia-se de Formalidade  não é elemento de todo ato administrativo, é uma solenidade
especial para prática de determinados dos atos que a exigem. O não cumprimento da formalidade
torna o ato irregular, já o vício de forma gera nulidade. Ex. Regulamento (o Decreto é ato adminis-
trativo que serve como formalidade para eficácia do regulamento).

 Motivo: Razão de fato ou de direito que autoriza ou determina a prática do ato por parte da Admi-
nistração (Ex. Demissão  o motivo é a razão que levou a Administração a praticar o ato). O motivo
será elemento Vinculado quando o Ato for Vinculado; Será Discricionário quando o Ato assim o for
(ocorre quando a lei não elenca o motivo, deixando que a administração o pondere).

*Obs: Diferencia-se de Motivação (Princípio Constitucional, é a exigência da Administração em re-


velar, manifestar os motivos do ato) Teoria dos Motivos Determinantes: O motivo revelado pela
Administração para a prática do ato deve ser seguido estritamente, sob pena de invalidade do ato.
Os motivos determinam e condicionam a validade do ato.

 Objeto/Conteúdo: É o próprio conteúdo, disposição jurídica do ato (o que o ato dispõe juridica-
mente). É a própria essência do ato, a própria administração vai escolher qual o seu objeto. É ele-
mento discricionário, quando o ato for discricionário, ou vinculado, quando o ato assim o for. Ex.
Remoção (o objeto é a própria remoção).

****OBS. Corrente Minoritária (Diógenes Gasparini, Celso Antônio) existem mais 02 Elementos:

 Causa: Exigência de correlação, ou relação de pertinência lógica entre o motivo e o conteúdo do


ato à luz de sua finalidade, sobretudo nos atos discricionários. Para Celso Antônio, a causa é pres-
suposto de Validade lógico.

 Conteúdo (separado do objeto): Seria a própria disposição do ato, enquanto o objeto seria aquilo
sobre o qual o conteúdo incide, coisa ou relação jurídica sobre o qual recai o ato. O objeto seria o
elemento extrínseco ao ato e o conteúdo seria o elemento intrínseco.

 Classificação dos Atos Administrativos:

 Quanto à Vontade para a Formação do Ato:

a) Simples (01 vontade): É todo ato administrativo que decorre de uma única vontade, expressada
por um único órgão ou agente público, a maioria dos atos é simples (ex: nomeação, exonera-
ção). Pouco importa se o órgão é singular ou colegiado.

b) Complexo (01 + 01 vontade): Ato cuja formação depende de mais 01 ou mais vontade emanada
por mais de um órgão. Ex. Promoção por merecimento dos desembargadores dos TRF´s (o
TRF forma uma lista tríplice  a encaminha para o Presidente  que escolherá 01 dentre os
03 nomes).

c) Composto (01 + 01 vontade): Decorre de uma única vontade, emanada de 01 único agente ou
órgão público, mas que depende de uma vontade acessória de outro agente ou órgão para lhe
dar eficácia e validade.

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O Ato composto depende de aprovação discricionária, prévia ou posterior. Ex. Nomeação de


Min. do STF, após a aprovação do Senado (vontade acessória)  posterior nomeação pelo
Presidente; Estado de Defesa, Intervenção Federal (aprovação posterior do Congresso); Es-
tado de Sítio (aprovação prévia pelo Senado).

 Quanto aos Destinatários do Ato:

a) Geral: São Atos Normativos (sempre atos gerais). Têm como destinatários os indivíduos em
geral, incertos e indeterminados.

b) Individuais: Atinge pessoa determinada, ou pessoas determinadas. Ex. nomeação, exoneração.

 Quanto aos Efeitos do Ato:

a) Constitutivo: Decorre sempre do exercício do juízo discricionário por parte da administração.


Quando seus efeitos se prestarem a criar, inovar, construir uma situação jurídica antes inexistente.
Ex. Autorização, permissão.

b) Declaratórios: Os efeitos se destinam a reconhecer uma situação jurídica preexistente. Ex. To-
dos os atos vinculados.

c) Enunciativos: Emitem um juízo de conhecimento ou opinião sobre uma situação de fato ou de


direito conhecida pela Administração Pública. Não constituem, nem declaram, apenas emitem juízo
de opinião. Ex. certidões, declarações.

 Quanto ao Conteúdo do Ato:

Atos negociais – atos nos quais a manifestação de vontade do estado coincide com o requeri-
mento do particular.

a) Autorização: Ato administrativo discricionário, unilateral, precário, gratuito ou oneroso através


do qual a Administração faculta a um terceiro interessado o exercício de uma atividade material
ou uso em caráter privativo de um bem público, ou a prestação em caráter precaríssimo de um
determinado serviço público. Ex: autorização para exercer atividade material  táxi, porte de
armas; autorização de uso de bem público, quando predominar o interesse particular; Autoriza-
ção de serviço público  Ex. Rádios comunitárias.

b) Permissão: Discricionário, Precário (menos que a autorização), através do qual a Administra-


ção faculta ao particular interessado o uso privativo de um bem público, ou prestação de um
serviço público também em razão de interesse público, que neste caso é predominante. Obs.:
Lei 8987/95, art.40  Tornou a Permissão para prestação de serviço público um Contrato Ad-
ministrativo Bilateral, distinguindo-se da autorização para prestação de serviço público porque
esta é ato administrativo unilateral e aquela leva em conta, sobretudo, o interesse particular.
Autorização de uso público # da permissão de uso público: o interesse envolvido na autorização
de uso público, que é bem mais precário, leva em conta o interesse particular; já a permissão
de uso público leva em conta o interesse público predominantemente.

c) Licença: Ato vinculado e definitivo, através do qual a administração reconhece um direito sub-
jetivo do administrado, ora para exercer atividade material, ora para exercer atividade jurídica,
condicionadas no seu exercício ao prévio reconhecimento por parte da administração (a Lei, ao
tempo que reconhece um direito ao administrado, condiciona o seu exercício a esse prévio re-
conhecimento).

Se houver recusa por parte da Administração em reconhecer o exercício da atividade, desde


que o administrado tenha cumprido todas as exigências, este poderá interpor Mandado de Se-
gurança. Dá-se através do Alvará de Licença (ato formal vinculado).

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d) Admissão: Não é ato de provimento. É Ato Vinculado, através do qual a Administração reco-
nhece ao administrado o direito de usufruir um serviço público. Ex. matrícula em escola ou uni-
versidade pública.

 Normativos: atos que exprimem normas gerais

a) DECRETO (Chefes de Executivo): Só são emanados pelos Chefes de Executivo (prefeito,


presidente e governador) podem expedir decreto p/ formalizar determinado ato administrativo,
tendo por destinatários pessoas incertas e indeterminadas. Ex. Decreto Expropriatório (forma-
liza, dá solenidade à desapropriação, sem o decreto a desapropriação é nula).

Obs: Decreto Regulamentar: São 02 atos administrativos, de Competência Privativa dos Che-
fes do Executivo, que podem expedir atos gerais, abstratos ou individuais (nomeação de Min.
do STF). Servirá sempre como formalidade para outro ato. Obs2: O Decreto Lei foi abolido do
Brasil com a Constituição Federal de 1988 permanecendo apenas os Decretos Anteriores à
Carta Magna que estejam em vigor. Obs3: Diferenciam-se do Decreto Legislativo, que é Lei
“lato senso”. Obs4: Diferenciam-se da Resolução Legislativa, que é Lei “lato senso” de efeitos
internos às Casas Legislativas. Exceção: Possibilidade do Decreto Autônomo (art.84, VI da
CF): para Extinguir Cargos Vagos e para Organização da Administração, desde que não crie
novas despesas.

b) RESOLUÇÕES: Atos Administrativos formais que os órgãos colegiados para exprimirem as


suas deliberações a respeito de determinada matéria. Ex. Agencias Reguladoras possuem ór-
gãos colegiados que podem expedir resoluções. A Resolução formaliza o ato do órgão colegi-
ado. Não pode ser expedida por órgão singular. Resoluções Administrativo-Normativas: São as
Resoluções com efeitos gerais e abstratos. Obs: Diferenciam-se das Resoluções Legislativas,
que são lei em sentido amplo, embora de efeito interno à câmara legislativa.

c) INSTRUÇÕES (Ministros e Secretários): Tem caráter abstrato, são atos formais através dos
quais a Administração expede normas gerais de orientação interna. Põem em execução os De-
cretos Executivos, para regulamentar os regulamentos do Poder Executivo.

Atos ordinatórios: atos de organização interna da atividade pública:

d) ORDEM DE SERVIÇO: Ato Administrativo que certas autoridades públicas editam para deter-
minarem a implementação ou realização de algum fato material (fato administrativo). Ex. Ordem
de construção.
e) PORTARIA (qualquer autoridade administrativa que não seja o Chefe do Executivo). Utili-
zada para qualquer ato que disponha sobre o próprio servidor e sua vida funcional. Ex. Instau-
ração de Inquérito policial (quando não for instaurado por auto de prisão em flagrante); Instau-
ração de Processo Administrativo Disciplinar, Sindicância.

f) CIRCULARES (Natureza Concreta, Autoridades Superiores) As autoridades superiores emi-


tem ordens uniformes. Dirigentes de órgãos públicos emitem-na aos funcionários do órgão para
regulamentar internamente a execução dos serviços.

Atos Punitivos: atos de aplicação de penalidades

Atos enunciativos: atos que atestam fatos ou emitem opiniões.

Vejam a classificação nas provas de concursos de carreiras jurídicas:

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13. (FCC - 2014 - TJ-CE – Juiz) No tocante às várias espécies de ato administrativo, é correto afirmar:

A) Certidões são atos constitutivos de situações jurídicas formadas a partir da aplicação de preceitos legais vincu-
lantes.
B) Homologação é ato unilateral e discricionário, pelo qual o superior confirma a validade de ato praticado por
subordinado.
C) Decretos são atos de caráter geral, emanados pelo Chefe do Poder Executivo.
D) Alvará é o ato administrativo unilateral e vinculado, pelo qual a Administração faculta àquele que preenche os
requisitos legais o exercício de uma atividade.
E) A permissão de uso qualificada é ato unilateral e discricionário que faculta a utilização privativa de bem público,
no qual a Administração autolimita o seu poder de revogar unilateralmente o ato.

 Extinção dos Atos Administrativos

a) Cumprimento dos efeitos do ato

b) Desaparecimento da pessoa ou do objeto da relação que o ato constituiu.

c) Renúncia: Pedido de Exoneração.

d) Retirada do Ato anterior por outro ato posterior:

A CASSAÇÃO: a ilegalidade é superveniente à edição do ato.

BCADUCIDADE: incompatibilidade do ato anteriormente editado que antes não existia.

CCONTRAPOSIÇÃO/DERRUBADA : Edição de novo ato contrário, (ex. demissão).

DREVOGAÇÃO; Causa de extinção ou supressão do ato administrativo válido e de seus


efeitos, por razões de conveniência e oportunidade.

1. Sujeito Ativo da Revogação: Só a própria Administração, no âmbito de cada Poder da


República. Não é possível a revogação judicial de um ato administrativo. Os outros Poderes
poderão revogar seus próprios atos administrativos. Obs.: O Judiciário não poderá revogar
ato administrativo no exercício de sua função típica, que é a função jurisdicional, já que não
pode adentrar no mérito administrativo.

2. Objeto da Revogação: Só o Ato Válido poderá ser revogado. Apesar de válido, o ato
torna-se inconveniente à Administração.

3. Fundamento: Existência de uma competência discricionária para rever a conveniência e


oportunidade dos atos anteriormente editados.

4. Limites (atos irrevogáveis são a exceção):


- Atos Vinculados são irrevogáveis: Ex. Revoga-se uma autorização, nunca uma licença.
- Atos que já Exauriram seus Efeitos (atos Consumados).
- Atos fontes de Direitos Adquiridos: Nem Emenda Constitucional pode revogá-los. Obs:
STF: Não há Direito Adquiridos a Regime Jurídico. Súm. 473: Poder de Autotutela da
Administração. A Administração pode revogar seus próprios atos, respeitado o dir. ad-
quirido.
-Atos Meramente Enunciativos: Ex. Certidão Negativa de Débito.

5. Motivos da Revogação: Juízo de Conveniência e Oportunidade. O ato deixa de ser con-


veniente e oportuno.

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6. Efeitos da Revogação: Ex-Nunc. Impede a produção dos efeitos futuros do ato, perma-
necendo os efeitos pretéritos.

E INVALIDAÇÃO : vício na origem.

1. Conceito: Causa de Extinção ou supressão de Ato Administrativo Inválido ou Viciado, por


razões exclusivamente de Legalidade ou Legitimidade.

2. Sujeito Ativo: Administração Pública (Poder de Auto-tutela, Controle Interno) e o Judiciá-


rio (controle externo judicial, quando provocado por terceiros). Só o Judiciário pode Invalidar
atos de todos os Poderes.

3. Objeto: Ato Viciado, Ilegal, contrário ao Direito.

4. Motivos: Ilegalidade, Ilegitimidade do Ato.

5. Efeitos: Ex-Tunc para os atos que atinjam pessoas indeterminadas, para atos restritivos
dos Direitos dos administrados. Para os terceiros de Boa-fé e para os Atos ampliativos dos
Direitos do administrado: A Invalidação terá efeito Ex-Nunc.

6. Prazo Decadencial: A Administração Pública tem 05 anos para declarar a Invalidação do


Ato. Passados os 05 anos, a Administração não poderá mais invalida-la  Convalidação
Temporal. Obs. Ação Judicial p/ Anulação de Ato Administrativo: Prazo Prescricional de 05
anos.

7. Espécies de Invalidação (Lei 9784/99, art.55):

- Nulidade (atos nulos):

• Não podem ser reeditados, não são convalidáveis;


• Quando o Vício atingir a finalidade, o motivo ou o objeto, o ato será nulo, não con-
validável, não reeditável.
• Podem ser Convertidos: Mudança de categoria de um ato, quando sai de uma ca-
tegoria na qual o ato era nulo, para uma outra onde o ato seja válido, também tem
efeito retroativo. Diferencia-se de convalidar (reeditar o mesmo ato sem o vício que o
contamina, com efeitos retroativos).
• Pode haver conversão de atos nulos com vício de conteúdo e objeto. (Nomeação
de servidor para cargo sem concurso público, pode ser convertido em nomeação para
cargo de confiança).

- Anulabilidade (Atos Anuláveis):

• Podem ser convalidados, racionalmente reeditados. Obs. Doutrinadores defendem


que, quando houver possibilidade de convalidação, a Administração está obrigada a
Convalidar o ato, apesar de a Lei 9784/99 tratar a convalidação como faculdade da
administração.
• Quando houver vício na competência: desde que o ato seja ratificado pela autori-
dade competente, Confirmado, haverá a convalidação.
• Quando houver vício na forma: reedita-se o ato com a forma prescrita em lei.
• OBS. GERAL: Os ATOS INVÁLIDOS NÃO GERAM DIREITO ADQUIRIDO.

*AGENTES PÚBLICOS*

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01. AGENTES PÚBLICOS

• Todo aquele que exerce função pública, quer seja temporária, quer sem remuneração (ex. integran-
tes do júri, mesário). É a expressão mais abrangente, compreendendo os Agentes Políticos, Servidores
Estatais e Agentes Honoríficos.

a) AGENTE POLÍTICO  Chefes do Executivo e seus auxiliares imediatos (Secretários e Ministros),


Membros do Legislativo, Membros do Ministério Público (Procurador e Promotor de Justiça) e Poder
Judiciário. Seguem Regime Estatutário ou o chamado Regime Legal.

Obs. Há divergência se Ministério Público e Judiciário se enquadrariam nesse conceito. A corrente


Majoritária admite

b) SERVIDOR ESTATAL  Todo aquele que atua no Estado, não sendo necessariamente ‘Funcio-
nário Público’.

▪ Servidor Estatal

Temporários – contratados com base no art 37, IX da CF

Celetistas
Estatutários

I) Estão sujeitos a CONCURSO PÚBLICO – art. 37, II CF

II) Vale o Regime da NÃO CUMULAÇÃO de CARGO ou EMPREGO;

c)AGENTES HONORÍFICOS É o Particular em Colaboração, que podem ser:

 Voluntários (ex. Amigos da Escola);


 Requisitados (ex. Mesários, Jurados do Júri e Serviço Militar Obrigatório);
 Aqueles que exercem Atos Oficiais.
 Serviço Notorial (Cartório de Registro Público, delegados de função, art. 236 da C.F/88).
Obs. quem legisla sobre cartórios é o Estado federado.

02. CARGO PÚBLICO

 cargo em Comissão
● Subdivide-se em  cargo Efetivo
 cargo Vitalício

a) CARGO EM COMISSÃO  É o chamado cargo de parente ou comissionado.

É de livre nomeação e exoneração  Exoneração AD NUTUM. Qualquer pessoa pode exercer cargo
de confiança, desde que se reserve um limite mínimo que detenha cargo efetivo, pelo principio da con-
tinuidade.

Obs.  CARGO DE CONFIANÇA ≠ FUNÇÃO de CONFIANÇA  A Função é um plus que só pode


ser exercido por cargo efetivo, que ganhara gratificação pela responsabilidade a maior (lei 8.112/90).

b) CARGO EFETIVO  Nomeado por Concurso Público, em caráter definitivo, podendo vir a adquirir
a estabilidade. O cargo é efetivo e não estável, já que essa última qualidade pertence ao servidor.

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Quando o servidor se torna estável, só poderá ser demitido via Processo Administrativo, processo Ju-
dicial transitado em julgado ou avaliação periódica.

c) CARGO VITALÍCIO  só pode haver dispensa via processo judicial transitado em julgado (ex. Mi-
nistério Público, Juiz, Tribunal de Contas, esse ultimo sequer precisa de concurso publico para contra-
tação)

Vejamos a cobrança em provas:

14. (TRT 23R (MT) - 2014 - TRT - 23ª REGIÃO (MT) - Juiz Substituto) Sobre o regime jurídico dos servidores
estatais (titulares de cargos ou empregos públicos), assinale a alternativa CORRETA:

A) A acessibilidade aos cargos e empregos públicos se dá por meio de concurso público, salvo nos casos de con-
tratação para o atendimento de necessidade temporária de excepcional interesse público, quando a atividade é
temporária ou na ocorrência de alguma contingência incomum que reclame satisfação imediata e provisória;
B) Os servidores púbicos possuem livre direito à greve, entretanto, o direito de sindicalização poderá ser exercido
apenas nos termos e limites estabelecidos em lei específica;
C) Aos servidores estatais é vedada a acumulação remunerada de cargos e funções públicas na Administração
Direta, sendo, contudo, permitida a acumulação de empregos públicos na Administração Indireta;
D) Nos casos de servidores titulares de cargos públicos, os atos de improbidade administrativa, sem prejuízo da
ação penal cabível, poderão acarretar a suspensão dos direitos políticos, perda da função pública, indisponibilidade
dos bens e ressarcimento do erário, o que já não se aplica aos empregados públicos já que regidos pela CLT;
E) Os subsídios e os vencimentos dos ocupantes de cargos e empregos públicos são irredutíveis, não se admitindo
ressalvas, por se tratar de garantia constitucional.

15. (CESPE - 2014 - PGE-PI - Procurador do Estado Substituto) A respeito de concurso público, função pú-
blica, improbidade administrativa e responsabilidade civil do Estado, assinale a opção correta.

A) Se um servidor público for preso em flagrante, em uma operação da Polícia Federal, por desvio de verba pública,
então, nesse caso, nos termos da Lei de Improbidade Administrativa, o afastamento desse servidor do cargo que
ocupa dependerá de sentença condenatória em primeira instância.
B) A invasão, por particular, de área de preservação ambiental na qual monte ele um empreendimento que cause
danos ao meio ambiente não acarretará responsabilidade do Estado, tendo em vista que se trata de culpa exclusiva
de terceiros.
C) Segundo o entendimento STJ, os agentes públicos respondem objetivamente pelos atos de improbidade admi-
nistrativa.
D) O prazo de validade de dois anos para um concurso público poderá ser prorrogado, a critério da administração,
sucessivas vezes, inclusive com prorrogação por período inferior a dois anos.
E) A convocação de um cidadão, pela justiça estadual, para compor o corpo de jurados de determinado julgamento,
mesmo que em caráter transitório, faz que esse cidadão seja considerado agente público enquanto exercer a função
que lhe foi designada pelo Estado.

03. PROVIMENTO

• Necessário para o preenchimento de um cargo (art.10, lei 8.112/90).

 Originário  Nomeação
• Provimento  Vertical  Promoção
 Derivado  Horizontal  Readaptação
 Reingresso  Reintegração
 Recondução
 Reversão

a) Provimento ORIGINÁRIO  Só ocorre por Nomeação, a qual depende de aprovação em concurso


público.

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▪ NOMEAR  Designar, atribuir ao servidor. Resulta no provimento.

▪ EMPOSSAR  Aceitar o cargo (assina os papéis). Quando se anui à posse, têm-se a investidura,
que é a formação de relação jurídica com a Administração.

Se nomeado, tem 30 dias para tomar posse. Empossado, terá 15 dias para entrar em exercício.

Se o nomeado não tomar posse nos 30 dias, a nomeação torna-se sem efeito. Perde-se a vaga no
concurso. Se tomar posse, mas não entrar em exercício nos 15 dias, ocorrerá desinvestidura mediante
EXONERAÇÃO de OFÍCIO.

ObsA desinvestidura também poderá ser pela modalidade de demissão, porém sem aplicabilidade
no caso anterior, pois a demissão sempre será uma penalidade disciplinar.

Obs.2No provimento Originário, admite-se as seguintes hipóteses de DESNECESSIDADE de CON-


CURSO PÚBLICO:

 Cargo em COMISSÃO;

 Hipóteses Constitucionais (Regra do Quinto Constitucional, Ministro do STF, Tribunal de Con-


tas etc);

 Contratação TEMPORÁRIA (via processo seletivo simplificado);

 Agentes Comunitários de Saúde e de Combate a Endemias (via processo seletivo, art. 198,
§4º, C.F/88);

b) Provimento DERIVADO

 Vertical  Promoção
▪ Derivado  Horizontal  Readaptação
 Reingresso  Reintegração
 Recondução
 Reversão

 Provimento VERTICAL  Ascensão na carreira; ascensão funcional. A única hipótese possí-


vel é a Promoção.

 Provimento HORIZONTAL  Recolocação do Servidor com limitação física (surdez, proble-


mas cardíacos etc). A única hipótese é a READAPTAÇÃO, na qual muda de cargo sem ascen-
der na carreira (ex. professora, que por problemas de saúde, torna-se atendente de biblioteca).

Obs.  Remoção não é provimento, pois é forma de deslocamento de um lugar para outro.
A Lei 8.112/90, art.10º elenca rol taxativo quanto aos casos de provimento.

 Provimento por REINGRESSO  Servidor retorna à Administração, isso só quando o mesmo


gozar de estabilidade (art.41 da C.F/88).

I) REINTEGRAÇÃO  Quando o afastamento se deu por conta de uma ilegalidade contra


o servidor (ex. desligamento de estável sem processo administrativo).

II) RECONDUÇÃO  São duas hipóteses:


A  Quando o antigo ocupante do cargo for Reintegrado.

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B  Quando houver retorno do servidor estável ao cargo anteriormente ocupado, tendo


em vista a sua inabilitação em estágio probatório de outro cargo (art.29, I da lei 8.112/90).

Obs. Quando ocorrer Excesso de Despesa com Pessoal (art.169 da C.F/88). Para
tanto, observa-se os limites de gasto com pessoal impostos no art. 19 da LC 101/00 que
estabelece os seguintes índices:

 União  50%
art. 19 da LC 101/00  Estado 60%
 Município  60%

Excedido o limite, começa-se a despedir na seguinte ordem:

1º  Pelo menos 20% dos CARGOS em COMISSÃO;

2º  Servidores NÃO ESTÁVEIS (em estágio probatório);

3°  Servidores ESTÁVEIS (só poderão exonerá-los após todos os não estáveis e os


20% dos cargos de confiança). Será por via EXONERAÇÃO (não é demissão, por não
ser uma pena), sendo que a Administração só poderá se valer desse novo cargo (pois o
anterior terá que ser extinto), ou cargo a ele análogo, depois de 04 anos de sua extinção.

Obs. Se houver dispensa sem observância dessa ordem legal, o servidor é REINTE-
GRADO, ante a ilegalidade da conduta administrativa. Daí, se o servidor retorna ao cargo
de origem, terá direito a todas as vantagens do período em que esteve afastado (subsí-
dio/vencimento, tempo para fins de antiguidade etc). Dessa forma, o atual ocupante do
cargo pertencente ao servidor, então, reintegrado deverá ser RECONDUZIDO a outro
cargo vago.

O reconduzido tem direito a voltar ao cargo de origem desde que VAGO. Se não estiver
vago, reconduz para cargo equivalente vago. Novamente, se não houver vaga, ficará em
DISPONIBILIDADE, recebendo proporcionalmente ao tempo de serviço 1. Pelo instituto
do REAPROVEITAMENTO, ele volta ao cargo porventura vago.

III) REVERSÃO  Duas Hipóteses:


A  Aposentadoria por Invalidez. Porém, cessada a incapacidade laborativa, re-
torna aos serviços.

B  Retorno espontâneo de aposentado à Atividade (art.25 da lei 8.112/90).


Nesse caso, o servidor se aposenta, mas depois decide voltar ao trabalho, antes de
completar a idade da compulsória. Peticionará um requerimento de reversão à Admi-
nistração Pública, que poderá, ou não, aceitá-lo.

04. DESINVESTIDURA  Sempre que precisar de processo administrativo.

 Demissão
▪ Desinvestidura  Exoneração
 Cassação
 Destituição

a) PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR  PAD

1
Com o advento da EC 20/98, todas as outras hipóteses constitucionais mudaram para ‘tempo de contri-
buição’, excetuando a citada que ainda considera o ‘tempo de serviço’.

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▪ Penalidades:

 Advertência (infração leve)


 Suspensão (infração média)
 Demissão (falta grave)
 Cassação (falta grave)
 Destituição (falta grave ou infração média)

Obs. A CASSAÇÃO se opera quando o servidor estiver aposentado ou em disponibilidade e


praticar falta grave à época em que ainda ocupava seu cargo.

Obs.2A DESTITUIÇÃO ocorrerá sempre que o servidor ocupante de Cargo ou Função em Co-
missão for apenado com suspensão ou demissão (em qualquer um desses casos).
 SINDICÂNCIA
 SUMÁRIO  ACUMULAÇÃO Ilegal de Cargos
▪ Processo Administrativo Disciplinar
 ORDINÁRIO  PAD propriamente dito

 Provimento SUMÁRIO

I) SINDICÂNCIA  Serve para investigação prévia. Porém, a lei 8.112/90 a reconheceu


como mecanismo ou processo próprio para apuração de fatos, na hipótese de punição
por infração LEVE, ou seja, por: Advertência ou Suspensão de até 30 dias. Tem prazo
para conclusão de 30 dias prorrogáveis por mais 30.

Precisa de contraditório e ampla defesa. Se a infração mais grave for detectada, incum-
birá a instauração de Processo Administrativo propriamente dito.

 ARQUIVA  ADVERTÊNCIA
▪ SINDICÂNCIA  INFRAÇÃO LEVE  SUSPENSÃO por até 30 dias
 PAD propriamente dito

II) ACUMULAÇÃO ILEGAL DE CARGOS  Art. 133 do Regime Jurídico da União – RJU.
Seu prazo é de 30 dias prorrogáveis por mais 15. Se verificada a acumulação, a Admi-
nistração deve dar a opção ao servidor de qual cargo quer permanecer, sendo do outro
EXONERADO.

Se não houver manifestação do servidor, instaura-se processo administrativo, mas até o


prazo da defesa, deve-se facultar novamente a opção entre os cargos (até esse mo-
mento, reconhece-se a boa-fé do servidor). Mantendo-se silente, por ser pena tida por
grave, ele será demitido de AMBOS os CARGOS.

 Provimento ORDINÁRIO  Corresponde ao processo administrativo disciplinar propriamente


dito. Tem prazo para conclusão de 60 dias, prorrogáveis por mais 60.

 Suspensão por mais de 30 dias


▪ Penalidades
 Demissão

 Instauração  Instrução
▪ Fases  Inquérito Administrativo Defesa
 Julgamento  Relatório

Descoberta a infração, a Instauração do PAD, pela autoridade administrativa, é Ato Vinculado.

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Na segunda fase (Inq. Adm), têm-se o miolo do processo, com instrução, defesa e relatório. O
relatório é conclusivo (deve propor um resultado) e o julgamento só poderá contrariá-lo se
esse se mostrar incompatível com as provas dos autos.

Havendo recurso administrativo, poderá haver REFORMATIO IN PEJUS, a lei é expressa


nesse sentido. Somente não se admite a Reformatio in pejus em casos de REVISÃO (sempre
que surgir fato novo, oponível a qualquer tempo).

Há vedação legal de o servidor requerer aposentadoria ou exoneração voluntária, quando, con-


tra ele, for instaurado um PAD. Porém poderá ser aposentado compulsoriamente¸ uma vez
que a lei assim obriga. Se detectada a infração após a sua aposentadoria, sofrerá pena de
Cassação.

Penalidades em geral:

A tabela abaixo estipula normas atinentes às penalidades. Vejamos.


Competência para aplicação da penalidade: Presi-
dente da República, Presidentes das Casas do Poder
Legislativo e dos Tribunais Federais e Procurador-Ge-
Demissão ral da República, de acordo com o órgão ou Poder ao
qual o servidor esteja vinculado.
Prazo de prescrição: 5 anos, contados do momento
em que a administração toma conhecimento do fato.
Competência para aplicação da penalidade: Compe-
tência para aplicação da penalidade: Presidente da
Cassação de Apo- República, Presidentes das Casas do Poder Legisla-
sentadoria e Cas- tivo e dos Tribunais Federais e Procurador-Geral da
sação de Disponi- República, de acordo com o órgão ou Poder ao qual o
bilidade servidor esteja vinculado.
Prazo de prescrição: 5 anos, contados do momento
em que a administração toma conhecimento do fato.
Competência para aplicação da penalidade: autori-
dade imediatamente inferior àquela que é competente
para aplicação da penalidade de demissão, se a sus-
pensão for por mais de 30 dias. Em casos de suspen-
são por até 30 dias, o chefe da repartição é compe-
tente para aplicação da pena.
Prazo de prescrição: 2 anos, contados do momento
em que a administração toma conhecimento do fato.
Cancelamento do Registro da Penalidade do as-
sentamento individual do servidor: 5 anos após o
Suspensão cumprimento da pena.
OBS. A suspensão não pode ultrapassar 90 dias e, no
interesse da administração, pode ser substituída por
uma multa de 50% da remuneração do servidor, fi-
cando, nestes casos, o sancionado prestando serviços
regularmente.
No caso em que o servidor se recusa a se submeter à
inspeção médica, a lei também determina a penalidade
de suspensão. Ocorre que a suspensão, neste caso
não tem finalidade punitiva, mas sim coercitiva. Desta
forma, a lei afirma que, se o servidor se submete à ins-

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peção médica, a qualquer momento durante a suspen-


são, cessa a penalidade de suspensão naquele exato
momento. Ademais, nestes casos, a suspensão pode
ser aplicada por, no máximo, 15 dias.
Por fim, também se aplica suspensão por até 90 dias
ao servidor que é reincidente em infração punível com
advertência.
Destituição de
Competência para aplicação da penalidade: autori-
Cargo em
dade que nomeou o agente para exercício do cargo ou
Comissão e
função.
Destituição de
Prazo de prescrição: 5 anos, contados do momento
Função de
em que a administração toma conhecimento do fato.
Confiança
Competência para aplicação da penalidade: chefe
da repartição é competente para aplicação da sanção
de advertência.
Prazo de prescrição: 180 dias, contados do momento
Advertência
em que a administração toma conhecimento do fato.
Cancelamento do Registro da Penalidade do as-
sentamento individual do servidor: 3 anos após a
aplicação da pena.

Vejamos as provas de concursos:

16. (CESPE - 2014 - PGE-PI - Procurador do Estado Substituto) Um servidor, vinculado à administração
pública unicamente por cargo em comissão, cometeu infração administrativa e, após regular processo ad-
ministrativo disciplinar, a autoridade julgadora, concordando com o relatório final da comissão processante,
entendeu que a falta se enquadrava nas hipóteses de suspensão.

Nesse caso, nos termos da Lei n.º 8.112/1990, a penalidade a ser aplicada ao servidor será:

A) a exoneração de ofício.
B) a destituição do cargo em comissão.
C) a demissão.
D) a suspensão.
E) o desligamento.

 ESPÉCIES de EXONERAÇÃO:

I) A PEDIDO do Servidor;

II) ‘AD NUTUM’, em caso de cargo em comissão;

III) ‘EX OFFICIO’, quando o empossado não entrar em exercício;

IV)EXCESSO de QUADRO FUNCIONAL (art. 169, C.F/88);

V) INABILITAÇÃO no ESTÁGIO PROBATÓRIO;

VI) REPROVAÇÃO em AVALIAÇÃO PERIÓDICA, apenas possível quando houver Qua-


dro de Carreira. Falta LC para regulamentar certas carreiras, outras já possuem;

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5.0 SISTEMA REMUNERATÓRIO


 Parcela FIXA
 REMUNERAÇÃO Parcela VARIÁVEL
▪ SISTEMA REMUNERATÓRIO
 SUBSÍDIO  Parcela ÚNICA

a) REMUNERAÇÃO  Paga em duas parcelas:

 Parcela Fixa  Vencimento (≠ Vencimentos Parcela Fixa + Parcela Variável).


 Parcelas Variáveis  Acréscimos pecuniários em razão de qualidades pessoais do servidor.

b) SUBSÍDIOS  É parcela única que, no latim, significa ‘ajuda de sobrevivência’, mas quem a recebe
é o alto escalão.

 Chefes do Executivo;
 Auxiliares Imediatos do Executivo (Ministros e Secretários);
 Membros do Legislativo;
 Magistratura;
 Membros do Ministério Público (Promotor e Procurador);
 AGU;
 Procuradores e Defensores;
 Conselheiros dos Tribunais de Contas;
 Policiais (Toda a carreira);
 Todos os demais estruturados em cargos de carreira;

Paga-se, apenas, acima do Subsídio:

 Garantias do art. 39, § 3º da C.F/88;


 Transporte;
 Verbas Indenizatórias (diárias, ajuda de custo equivalente a 03 vezes o provento do servidor
removido pelo serviço público).

5.1 – FIXAÇÃO DA REMUNERAÇÃO

▪ Necessita de lei de iniciativa de quem for pagar a conta. Alguns casos não dependem de lei e sim
de Decreto Legislativo (o qual dispensa a sanção ou veto do Executivo).

 Presidente
▪ CONGRESSO NACIONAL  DL Ministro de Estado
 Senador e Deputado Federal

▪ CÂMARA MUNICIPAL  DL Vereador

 Governador
▪ LEI Deputado Estadual
 Prefeito
▪ LEI  Câmara Deputados  Senado  Sanção/Veto do Presidente

▪ DL  Câmara Deputados  Senado

5.2 – TETO REMUNERATÓRIO

▪ Ninguém ganha mais que Ministro do STF. Com a EC 41, criou-se Subtetos:

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 Poder Executivo
 UNIÃO  Ministro do STF  Poder Legislativo
(teto vale para todos)  Poder Judiciário

 Poder Executivo  Governador


 ESTADO  Poder Legislativo  Deputado Estadual
 Poder Judiciário  Desembargador (limitado a 90,25% do Ministro do
STF). Também vale para:
 Membros do Ministério Público, Defensores Públi-
cos e Procuradores do Estado.
 O teto para todo o Judiciário é o devido aos Desembar-
gadores. Porém, os auxiliares administrativos dos
equiparados (MP, PGE, DP), têm por base o teto do
Governador.

Por se tratar de matéria muito importante, fica disponibilizado aos alunos o Quadro Sinóptico acerca do tema retirado
do Manual de Direito Administrativo – Matheus Carvalho – ed. Juspodivm

QUADRO SINÓPTICO
AGENTES PÚBLICOS

CONCEITO

qualquer pessoa que age em nome do Estado é agente público, independentemente


de vínculo jurídico, ainda que atue sem remuneração e transitoriamente. Assim,uma
vez que o Estado que está atuando por via do sujeito, responderá pelos atos praticados,
sendo a responsabilidade objetiva do Estado nos moldes do art. 37, §6º da CRFB.

Todos os particulares contratados sob regime de cargo temporário, nos moldes defini-
dos pelo art. 37, IX da Constituição Federal, ainda são considerados agentes públicos
e exercem função pública.

Os atos destes agentes ficam sujeitos ao controle judicial que pode se dar por meio dos
remédios constitucionais, tais como Mandado de Segurança e Ação Popular.

Os agentes públicos, considerados amplamente, podem figurar como autoridade coa-


tora, para prestação de informações em Mandado de Segurança, somente não sendo
admitida, nos moldes da lei 12.016/09, em seu art. 1, §1º, a impetração do mandamus
contra os atos de gestão comercial praticados pelos administradores de empresas pú-
blicas, de sociedade de economia mista e de concessionárias de serviço público.

É cabível a propositura de ação regressiva em face do agente público, por parte da


Administração, desde que reste demonstrada que sua participação no evento danoso
se deu a título de dolo ou , ao menos, que ele agiu culposamente para a ocorrência do
prejuízo.

CLASSIFICAÇÃO DE AGENTES

É indiscutível na doutrina que são agentes políticos os detentores de


mandato eletivo e os secretários e ministros de Estado.

AGENTES Celso os chefes do executivo (Presidente da República, gover-


POLÍTICOS Antônio nadores e prefeitos) e seus auxiliares diretos (secretários
estaduais e municipais) e também aqueles eleitos para o
Bandeira
exercício de mandato no Poder Legislativo (senadores, de-
de Melo
putados e vereadores.

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AGENTES PÚBLICOS

acrescenta os membros da Magistratura e os membros


do Ministério Público como agentes políticos, haja vista
Supremo atuarem no exercício de funções essenciais ao estado e
Tribunal praticarem atos inerentes à soberania do Estado.
Federal
ATENÇÃO! Membros do Tribunal de Contas se enqua-
dram na categoria de agentes administrativos.

aqueles que, sem perderem a qualidade de particulares, atuam, em situ-


ações excepcionais, em nome do Estado, mesmo em caráter temporário
ou ocasional, independentemente do vínculo jurídico estabelecido, exer-
cendo função pública.

são todos aqueles que atuam em virtude de convocação


efetivada pelo Poder Público. Exercem múnus público, tem
Designado
a obrigação de participar quando requisitados sob pena de
s
sanção. São chamados por Hely Lopes Meireles de “agen-
PARTICUL tes honoríficos”.
ARES EM
COLABOR aqueles que atuam voluntariamente em repartições, esco-
AÇÃO Voluntário
las, hospitais públicos ou situações de calamidade, sem-
COM O s pre que o ente estatal realiza programa de voluntariado.
PODER
PÚBLICO são aqueles que atuam na prestação de serviços públicos
mediante delegação do Estado.

Delegados ATENÇÃO! Não é pacífica esta classificação. Entretanto,


são considerados, para a doutrina majoritária, agentes pú-
blicos, quando atuam na prestação do serviço público de-
legado.

Credencia atuam em nome do Estado em virtude de convênios cele-


dos brados com o Poder Público.

também chamados de Agentes Administrativos, têm vinculo com o Es-


SERVIDOR tado, no exercício da função administrativa.
ES possuem vínculo de dependência e sua natureza de trabalho é não even-
ESTATAIS tual, haja vista possuírem relação de trabalho de natureza profissional
com os entes.

todos aqueles contratados, com base no art. 37, inciso IX,


da Constituição Federal, para atendimento, em caráter ex-
cepcional, de necessidades não permanentes dos órgãos
públicos.

SERVIDOR definido por meio de lei específica que deve


ES definir seus contornos e características, os
Serviço
TEMPORÁ limites máximos de duração destes contra-
temporário
RIOS tos, além de regulamentar o regime apli-
cado a estes servidores.

devidamente justificado pela autoridade


Interesse
responsável pela contratação, dentro das
público
hipóteses permitidas em lei.

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AGENTES PÚBLICOS

Caráter de é inconstitucional a contratação de tempo-


excepcional rários em situação que deveria haver no-
idade meação de servidores efetivos.

ATENÇÃO! O prazo de duração do vínculo especial é de-


terminado pela lei específica que regulamenta as contra-
tações na esfera de cada ente federativo e deve ser defi-
nido no contrato celebrado com o ente estatal.

Esses servidores não são celetistas, embora sejam con-


tratados pelo poder público, não se submetendo à regra
da Consolidação das Leis do Trabalho.

os servidores celetistas, têm seu vínculo decorrente da as-


sinatura de um contrato de emprego, os servidores estatu-
tários têm vínculo de natureza legal e todos os seus direi-
tos e obrigações decorrem diretamente da lei.

em virtude da decisão proferida pelo Supremo Tribunal


Federal em controle concentrado de constitucionalidade,
produzindo efeito vinculante até o julgamento final da
Ação Direta de Inconstitucionalidade, aplica-se, atual-
mente, o texto original do art. 39 da Carta Magna que
define a aplicação de Regime Jurídico Único para os ser-
vidores da Administração Direta, autárquica e fundacio-
nal.

a obrigatoriedade de regime jurídico único proíbe somente


que, no âmbito da mesma esfera de governo, haja multi-
plicidade de regimes (art. 51, IV, da CF/88).

REGIME todos os servidores que ingressaram no serviço público


JURÍDICO antes da decisão liminar proferida na ADI 2135, sob o re-
DOS gime de empregos públicos, mantêm o seu vínculo inalte-
SERVIDOR rado, haja vista a irretroatividade da decisão proferida.
ES
EFETIVOS A professora Fernanda Marinela dispõe
acerca das garantias inerentes ao regime
estatutário que “esses direitos garantem
Preferência
aos servidores maior segurança e conforto
do regime
para o exercício de suas funções, o que re-
estatutário
presenta, ao menos, na teoria, uma maior
eficiência, moralidade e impessoalidade
nos serviços públicos”.

no âmbito federal, não há discussão acerca


da adoção de regime, em virtude da aplica-
Regime ção da lei 8.112/90 que define que todos os
jurídico servidores da Administração Direta, autár-
único quica e fundacional se submetem ao re-
aplicado gime estatutário definido por aquela lei.
à União
Federal todos os servidores que haviam ingressado
no serviço público antes da Constituição

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AGENTES PÚBLICOS

Federal, sob o regime de emprego, tiveram


a conversão do regime em estatutário.

o tempo de serviço destes servidores será


contado como título quando se submete-
rem a concurso para fins de efetivação, na
forma da lei (art. 19, §1º, do ADCT).

estabilidade, nos moldes estipulados pelo


art. 19 da ADCT, somente foi adquirida pe-
los servidores que ingressaram, ao menos
cinco anos, antes da promulgação da carta
Constitucional.

Há possibilidade de exoneração dos servi-


dores que, mesmo efetivos, não adquiriram
estabilidade em virtude do ingresso, no ser-
viço público, há menos de cinco anos, con-
tados da promulgação do texto constitucio-
nal vigente. Isso ocorre desde que medi-
ante o pagamento de indenização prévia.
existe a possibilidade de contratação de
empregados, sob o regime da Consolida-
ção das Leis do Trabalho, para os agentes
comunitários de saúde e de combate às en-
demias (art. 198, §4º da CF/88).
Além da aprovação em processo seletivo, o
agente comunitário de saúde deve cumprir,
Agentes ainda, alguns requisitos para assunção da
comunitário função, quais sejam, residir na área da co-
s munidade em que atuar, desde a data da
de saúde publicação do edital do processo seletivo
e agentes público; haver concluído, com aproveita-
de combate mento, curso introdutório de formação ini-
às cial e continuada e haver concluído o en-
endemias sino fundamental, com exceção daqueles
que já estiverem executando esta atividade
quando foi editada a lei. Em relação aos
agentes de combate a endemias, não se
exige a residência na área da comunidade,
sendo mantidos os demais requisitos le-
gais, inclusive, formação no ensino funda-
mental.
estes agentes têm vínculo permanente com o Estado, com
SERVIDOR prazo indeterminado, sob relação de emprego, sendo-lhes
ES aplicável o regime da CLT, subsidiariamente às normas
CELETIST estipuladas por lei específica. No âmbito federal, a regula-
AS mentação destes empregos se deu por meio da edição da
lei 9.962/00.

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AGENTES PÚBLICOS
ATENÇÃO! Estes servidores estão proibidos de acumu-
larem seus empregos com outros cargos ou empregos
públicos, salvo as exceções constitucionalmente admiti-
das (art. 37, XVII, CF/88).
São agentes públicos para fins de responsabilização por
atos de improbidade administrativa (art. 2º, da lei
8.429/92).
Enquadram-se na definição de “funcionário público”
para fins penais (artigo 327, CP).
seus atos se submetem a correção e controle judicial, por
meio dos remédios constitucionais
devem-se submeter a concurso público de provas ou de
provas e títulos.
devem respeitar a aplicação do teto remuneratório, pre-
visto no art. 37, XI da Carta Magna, salvo se a entidade
não receber dinheiro público para custeio ou pagamento
de pessoal.
não podem ficar em disponibilidade remunerada quando
da extinção do emprego ou função e submetem-se a re-
gime geral de previdência social, entre outras normas de
direito privado a eles aplicáveis.
não se admite a extensão da estabilidade aos detentores
de empregos (doutrina e súmula 390, II, do TST).
os atos de dispensa dos empregados das empresas
estatais prestadoras de serviços públicos devem ser
motivados (STF).
têm vínculo permanente com a Administração, de natureza
profissional, com prazo indeterminado, para execução de
atividades permanentes de interesse do Estado.
o candidato é aprovado em um concurso público para pro-
SERVIDOR
vimento de cargos e, após nomeação, ao assinar o termo
ES
de posse, se submete a todas as normas dispostas na le-
ESTATUTÁ
gislação para sua carreira.
RIOS
em virtude da ausência de contrato dispondo acerca de
todos os direitos e obrigações, o servidor estatutário não
tem direito adquirido a manter as prerrogativas definidas
em lei.

CARGO PÚBLICO, EMPREGO PÚBLICO E FUNÇÃO PÚBLICA

vínculo profissional entre a Administração Pública e os seus agentes re-


gidos pela Consolidação das Leis do Trabalho, mediante celebração de
EMPREGO
contrato que definirá todos os direitos e obrigações do particular sujeito
PÚBLICO
à disciplina administrativa e também dos entes estatais, na relação ajus-
tada.

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AGENTES PÚBLICOS

no âmbito federal, a CLT é aplicada subsidiariamente às normas estipu-


ladas pela lei 9.962/00.

o contrato de trabalho será celebrado por prazo indeterminado e somente


será rescindido por ato unilateral da Administração Pública

a criação de empregos públicos deve ser feita mediante lei e, pelo prin-
cípio da simetria das formas, se exige esta mesma regra para sua extin-
ção.

configura-se uma unidade de competência à qual será atribuída um plexo


de atribuições e que deve ser criado mediante lei e assumido por um
determinado agente, com vínculo estatutário, de natureza profissional e
permanente, para execução das atividades a ele inerentes.

a criação de cargos públicos deve ser feita mediante lei de iniciativa do


Poder cuja estrutura o cargo integrará.

a definição das atribuições deste cargo, bem como a denominação e a


remuneração correspondente a ele, dependem de lei.

há dispensa de lei para nomeação de cargos para exercerem os servi-


ços auxiliares nos órgãos do Poder Legislativo, sendo nestes casos,
admitida a criação e extinção de cargos mediante resolução de cada
uma das casas do Congresso Nacional, casos em que a casa legislativa
terá competência somente para a iniciativa da lei que definirá a remune-
ração a ser paga aos ocupantes destes cargos.

compete ao Presidente da República, mediante decreto, dispor acerca


da extinção de cargos e funções públicas, quando vagos (VI, art. 84,
CF/88).
CARGO
PÚBLICO Quanto à
dividem-se em federais, estaduais, distri-
esfera de
tais e municipais
governo

a divisão é feita dentro da


mesma estrutura profissi-
onal, permitindo a pro-
cargos de
gressão funcional e a pro-
carreira
moção, mediante crité-
CLASSIFIC rios de antiguidade e me-
AÇÃO DE recimento
CARGOS Quanto à
posição não obstante façam parte
estatal da estrutura organizacio-
nal do ente federativo,
não integram carreira es-
cargos
pecífica, haja vista não
isolados
haver escalonamento de
funções, o que impede a
possibilidade de progres-
são funcional.

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funções que exigem a


confiança direta e pes-
soal da autoridade pú-
blica e por causa disso
cargo em tais cargos podem ser
comissão preenchidos por quais-
quer pessoas.

não precisa de concurso


Quanto à público ou qualquer pro-
garantia cedimento seletivo
conferida
ao preenchidos por agente
ocupante aprovados em concurso
público de provas ou de
provas e títulos
cargos a estabilidade vem de-
efetivos pois prazo de três anos
de efetivo exercido so-
mado à aprovação em
avaliação especial de de-
sempenho.

atividades de alta respon-


sabilidade que justificam
uma necessidade de
cargos maior garantia, sob pena
vitalícios de se admitir a incidência
de pressões políticas na
execução de suas ativi-
dades.

é o conjunto de atividades atribuída a um cargo ou emprego público, seja


este cargo, isolado ou de carreira, para provimento efetivo, vitalício ou
em comissão

todo cargo ou emprego público deve ter.

deve ser criada e extinta mediante a edição de lei.

a função de confiança não é atribuída a nenhum cargo público, sendo


FUNÇÃO disposta diretamente na organização administrativa e atribuída a um ser-
PÚBLICA vidor que já detenha cargo público efetivo.

exige a confiança direta da autoridade pública nomeante.

não se deve confundir com os cargos em comissão, já analisados ante-


riormente, que correspondem a cargo público

funções de confiança são atribuídas a servidor efetivo que goze da cre-


dibilidade da autoridade pública responsável pela nomeação, a qual não
depende de qualquer espécie de processo seletivo ou concurso.

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REQUISITOS DE INGRESSO NO SERVIÇO PÚBLICO

em garantia ao princípio da impessoalidade, o texto constitucional prevê


ampla acessibilidade aos cargos e empregos públicos, dispondo, no art.
37, I que devem ser acessíveis aos brasileiros que preencham os requi-
sitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da
legislação aplicável.

Excepcionalmente, o art. 13, §3º, da Constituição da República, define


AMPLA alguns cargos que somente podem ser preenchidos por brasileiros natos.
ACESSIBIL
IDADE participam e compõem o Conselho da República “seis cidadãos brasilei-
ros natos, com mais de trinta e cinco anos de idade, sendo dois nomea-
dos pelo Presidente da República, dois eleitos pelo Senado Federal e
dois eleitos pela Câmara dos Deputados, todos com mandato de três
anos, vedada a recondução” (VII, art. 89, CF/88).

o texto constitucional limita o acesso de estrangeiros aos cargos públicos


àquelas hipóteses que serão definidas em lei específica.

o requisito básico para garantia de impessoalidade, moralidade e isono-


mia no acesso a cargos públicos é a realização de concurso público, de
provas ou de provas e títulos, uma vez que os critérios de seleção são
objetivos, não se admitindo quaisquer espécies de favoritismos ou discri-
minações indevidas (II, do art. 37, da CF/88).

a complexidade da prova e o nível de exigência deve ser compatível com


a carreira a ser preenchida mediante o processo seletivo.

não se admite no Brasil a escolha de candidatos baseada somente em


concurso de títulos.
CONCURS
O não se admite qualquer espécie de provimento derivado que permita ao
PÚBLICO servidor assumir cargo em outra carreira que não aquela em que foi re-
gularmente investido por meio de concurso (súmula 685, do STF).

não se admitem os chamados concursos internos, por meio dos quais


antigos servidores poderiam assumir cargos em nova carreira, criada por
lei, que não guarda uniformidade com aquela carreira na qual o servidor
ingressou mediante concurso.

o servidor em disponibilidade somente poderá ser aproveitado em cargo


com atribuições e atividades compatíveis com aquelas que exercia antes
da extinção do cargo ou da declaração de desnecessidade do mesmo,
nos termos do art. 41, §3º da CF.

EXCEÇÕE Cargos em comissão


S
AO Servidores Temporários
CONCURS Cargos eletivos
O
PÚBLICO Ex-combatentes

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AGENTES PÚBLICOS
Agentes comunitários de saúde e agentes de combate
às endemias
a nomeação direta, sem a necessidade de realização de
concursos públicos para os Ministros dos Tribunais de
Contas, do Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribu-
nal de Justiça, além dos ministros dos demais tribunais su-
periores.
a formação do quinto constitucional.
em relação a estas empresas estatais, a doutrina ainda
admite a contratação direta, para situações de contrata-
ção de profissionais qualificados, em determinados ra-
mos de atividade de interesse da entidade, que não esta-
riam dispostos a se submeterem a concurso.
conselhos profissionais ostentam natureza jurídica au-
tárquica, em relação a todas as prerrogativas e limitações,
inclusive em relação ao regime de pessoal, que, indiscuti-
velmente, devem seguir o Regime Jurídico único, previsto
na lei 8.112/90.
A OAB não ostenta a qualidade de autarquia e, portanto,
não se submete à exigência de concurso público para
nomeação de seus empregados.
é de até dois anos, admitindo-se uma única
prorrogação por mesmo período (art. 37, III
da CF/88)
Prazo de o edital poderá dispor acerca de concurso
vigência com prazo inferior a dois anos.
a prorrogação é por igual período e uma
única vez e deve ocorrer antes do término
de vigência originário.
configura afronta direta ao princípio da iso-
REGRAS nomia e da segurança jurídica, não sendo
Alteração
DEFINIDAS de admitida, salvo em situações excepcionais,
PELO devidamente justificadas em alterações le-
disposiçõe
EDITAL gislativas que modificam o regime de car-
s editalícias
gos e empregos na carreira a ser preen-
chida pelo procedimento.
o Poder Judiciário não pode substituir-se
à banca examinadora, definindo critérios
de seleção e reavaliando provas e notas
Controle atribuídas a candidatos, sob pena de
judicial adentrar no mérito da atuação discricioná-
ria da Administração Pública.
admite-se que o Poder Judiciário verifique
a cobrança de itens da matéria não previs-

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tos no conteúdo programático disponibili-


zado pela banca, entre outras regras obje-
tivas.
a anulação da nomeação em decorrência
da irregularidade do concurso público deve
respeitar o devido processo legal
a despeito de não se poder convalidar o ato
de nomeação decorrente de concurso ile-
gal, os atos praticados por este agente irre-
gularmente investido, por se revestirem de
legalidade aparente, devem ser mantidos
Nulidade do para se evitar prejuízos a terceiros que
concurso acreditaram na atuação estatal.
a anulação de concurso público para con-
tratação de empregados: a jurisprudência
do Supremo Tribunal Federal definiu que,
além da percepção da remuneração pelos
dias trabalhados, o agente faz jus ao saldo
do Fundo de Garantia por Tempo de Ser-
viço – FGTS, cujos depósitos devem ser
efetivados pelo Estado.

REALIZAÇ
ÃO DE
NOVO “durante o prazo improrrogável previsto no edital de con-
CONCURS vocação, aquele aprovado em concurso público de provas
O NA ou de provas e títulos será convocado com prioridade so-
VIGÊNCIA bre novos concursados para assumir cargo ou emprego,
DO na carreira”(EC n.19/98).
CERTAME
ANTERIOR

Em 2007 o Supremo Tribunal Federal proferiu uma de-


cisão que se tornou leading case da nova posição ado-
tada pela jurisprudência dominante no Brasil de que o
candidato que for aprovado, em concurso público,
DIREITO dentro do número de vagas previamente definido no
SUBJETIV instrumento convocatório, terá direito subjetivo à no-
O À meação.
NOMEAÇÃ o instrumento convocatório é um ato administrativo e,
O como tal pode ser modificado ou revogado por motivo
de interesse público superveniente, devidamente jus-
tificado. Trata-se da aplicação do princípio da autotu-
tela, regulamentado, inclusive pela edição das súmu-
las 346 e 473 do Supremo Tribunal Federal.

NACIONAL Ressalte-se que a lei não pode distinguir entre brasileiros natos e natu-
IDADE ralizados, distinção apenas feita pela Constituição Federal (§3°, art. 12 e
BRASILEIR VII, do art. 89, da CF/88),logo, para ingressar em cargo público federal,
A deve ser brasileiro (nato ou naturalizado).

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as universidades públicas e instituições de pesquisa científica e tecnoló-


gica federais poderão prover seus cargos com professores, técnicos e
cientistas estrangeiros (I, art. 37, CF/88).

O GOZO
aqueles que, de alguma forma, não estiverem em pleno gozo dos direitos
DOS
políticos não poderão ingressar na carreira pública federal, (art. 5º, II, da
DIREITOS
lei 8.112/90).
POLÍTICOS

A
QUITAÇÃO
COM AS
requisito estampado no art. 5º, III, da lei 8.112/90, para assunção de
OBRIGAÇ
cargo público estatutário civil, no âmbito federal, devendo ser demons-
ÕES
trado por meio de certidões extraídas nos respectivos órgãos, que de-
MILITARES
monstrem a ausência de pendência do cidadão.
E
ELEITORAI
S

a exigência de escolaridade deve ser determinada por meio de lei e deve


ser compatível com as funções a serem atribuídas aos servidores dos
cargos a serem providos.

as pessoas portadoras de necessidades


especiais não devem, por esta razão, estar
impedidos de exercerem funções públicas,
haja vista a plena possibilidade de compa-
tibilização desta limitação com as funções
inerentes às atividades de interesse da co-
letividade.

é cediço que determinadas deficiências,


O NÍVEL em situações específicas, poderão ense-
DE jar a impossibilidade de o agente exercer
PORTADO algumas atribuições, o que justifica a ne-
ESCOLARI APTIDÃO
RES DE cessidade de se obstar o ingresso de de-
DADE FÍSICA E NECESSID terminadas pessoas a determinados car-
EXIGIDO MENTAL ADES gos (em virtude das atribuições dispostas
PARA O PARA O ESPECIAIS na lei).
EXERCÍCI EXERCÍCI
O DO O DAS a lei 8.112/90 reserva até 20% das vagas
CARGO FUNÇÕES aos portadores de deficiência, desde que
DO CARGO se trate de deficiência que não impeça o
exercício da função do cargo a ser assu-
mido.

o STJ, em julgados esparsos, estabeleceu


que o edital deve respeitar um percentual
mínimo de 5% das vagas destinadas a es-
tes candidatos.

SÚMULA N. 683 DO STF: O limite de idade


LIMITE para a inscrição em concurso público só se
DE IDADE legitima em face do art. 7º, XXX, da Consti-
tuição, quando possa ser justificado pela

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natureza das atribuições do cargo a ser


preenchido.
o entendimento sumulado deve ser ampli-
ado, não somente para restrição referente a
idade, mas também em relação a sexo
(masculino ou feminino), altura mínima, en-
tre outras restrições (XXX, art. 7° c/c o §3°,
do art. 39, da CF/88).
somente a lei pode estabelecer os limites e
requisitos para acesso aos cargos públicos,
não devendo ser substituída por mera regu-
lamentação editalícia (STF).
na admissão do idoso em qualquer trabalho
ou emprego, é vedada a discriminação e a
fixação de limite máximo de idade, inclusive
para concursos, ressalvados os casos em
que a natureza do cargo o exigir (art. 27, da
lei nº 10.741/03).
além da exigência de previsão legal, a dou-
trina e jurisprudência vêm-se orientando no
sentido de que a realização do psicoteste
deve ser definida no edital do concurso com
regras objetivas que justifiquem a aptidão
EXAME ou não para o exercício do cargo (§1°, art.
PSICOTÉC 14, do Decreto n° 6944/09 c/c súmula 686
NICO do STF)
após o resultado acerca da aptidão ou não
para o exercício das funções, deve ser con-
cedido ao candidato prazo para interposição
de recuso administrativo da decisão (o
art. 14-A, §2º do Decreto 6.944/09).
Para o preenchimento de cargos, em determinadas carreiras públicas, a
Constituição Federal exige a demonstração de prazo de atividade na área
jurídica, como forma de se verificar a experiência necessária para execu-
ção das funções inerentes à atividade estatal a ser preenchida pelo can-
didato.
A Emenda Constitucional n. 45/04, alterou o texto da Carta Magna, defi-
nindo a obrigatoriedade de atividade jurídica de três anos para que seja
ATIVIDADE possível o ingresso nas carreiras da Magistratura e do Ministério Público
JURÍDICA (art. 93, I, c/c art. 129, §3º, da CF/88).
Nas demais carreiras da área jurídica, a exigência não é estampada na
Constituição da República, no entanto, poderá ser feita mediante lei es-
pecífica, desde que justificada em razão das atribuições inerentes ao
cargo objeto da norma.
Qualquer tempo de atividade, ainda que na área jurídica, não poderá
ser assumido como tal, caso tenha sido exercido antes da colação
de grau como bacharel em direito da Resolução n. 75 do CNJ).

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A conclusão em cursos de pós-graduação na área jurídica que, à luz
do entendimento anterior, poderia ser considerado como tempo de
atividade jurídica não mais é admitida para esse fim pela regra atual.
Em relação ao ingresso nas carreiras do Ministério Público, a matéria se
encontra regulamentada pela Resolução n. 40/09 do Conselho Nacional
do Ministério Público – CNMP que admite como tempo de atividade jurí-
dica os cursos de pós-graduação, desde que respeitadas algumas regras
expostas.
Em respeito ao princípio da moralidade e da impessoalidade das nome-
ações, é exigido que o agente não possua vínculo familiar com o nome-
ante. Trata-se de requisito negativo de acesso e que deve ser tratado
com muito cuidado.
A lei 8112/90, em seu art. 117, VIII define que é punível com advertência
a prática do nepotismo, expondo que configura infração administrativa
“manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, côn-
juge, companheiro ou parente até o segundo grau civil”.
“A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colate-
VEDAÇÃO
ral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nome-
AO
ante ou de servidor da mesma pessoa jurídica, investido em cargo de
NEPOTISM
direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comis-
O
são ou de confiança, ou, ainda, de função gratificada na Administração
Pública direta e indireta, em qualquer dos Poderes da União, dos Esta-
dos, do Distrito Federal e dos municípios, compreendido o ajuste medi-
ante designações recíprocas, viola a Constituição Federal”(súmula vin-
culante n.13).
É inaplicável da vedação ao nepotismo quando se tratar de nomeação
de agentes para o exercício de cargos políticos.
No âmbito federal, a matéria é regulamentada por meio do Decreto
7.203/10.
ESTABILIDADE

Aprovados mediante concurso público e passíveis da aquisição de esta-


Cargos bilidade. Estes contam com maior garantia, a nomeação é feita em cará-
efetivos ter definitivo e quando preenchido os requisitos definidos no texto da
Constituição da República, poderão adquirir estabilidade.

Cargos em Não adquirem estabilidade, pois são cargos de livre nomeação e exone-
comissão ração, assim definidos pela Constituição.

Com efeito, após a aquisição da estabilidade, o servidor público somente perderá o


cargo nas hipóteses previamente definidas em disposição constitucional.

A estabilidade é adquirida pelos detentores de CARGO público EFETIVO, não sendo


também prevista para os detentores de EMPREGO público ou para aqueles detentores
de CARGOS EM COMISSÂO (art. 41 da CF/88).

Pode-se definir a estabilidade como garantia constitucional atribuída a


Conceito
determinados servidores detentores de cargos efetivos de permanência,
e evolução
a princípio, no serviço público.

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AGENTES PÚBLICOS

constitucio O prazo de exercício para aquisição da estabilidade é de três anos


nal somados a aprovação em avaliação especial de desempenho realizada
por uma comissão especialmente constituída com esta finalidade (EC n.
19/98).

Como garantia ao direito adquirido, a nova redação constitucional não


retroage para atingir aqueles que já haviam completado o período de dois
anos e, consequentemente, adquirido estabilidade antes do advento da
Emenda Constitucional.

Passados os três anos de exercício, se a avaliação não foi realizada pelo


poder público, presume-se que o servidor foi avaliado e aprovado (dou-
trina e jurisprudência) (art. 19, da ADCT).

Os empregados públicos, a princípio, serão contratados para prestação


de serviços nas entidades privadas da Administração Indireta e, portanto,
não gozam das prerrogativas de direito público (a súmula 390, II do TST).

A dispensa de empregado público se configura ato administrativo e,


como tal, depende de motivação, inclusive, pelo fato de restringir direitos
EMPREGO
de particulares, sendo imprescindível, portanto, garantia de contraditório
S
e ampla defesa (entendimento não pacificado).
PÚBLICOS
os empregados que ingressaram no serviço público, para execução de
atividades nos entes da Administração Direta, autárquica e fundacional,
antes de 1998 gozam de estabilidade nos moldes da súmula 390 do TST.
Por sua vez, a partir da vigência da norma alterada pela EC n. 19/98, não
se admite a aquisição de estabilidade por empregados regidos pela CLT.

avaliação periódica de desempenho

processo administrativo em que se assegure ampla


defesa

sentença judicial transitada em julgado

exoneração para corte de gastos


Depois de
adquirir a Dispõe o art. 19 da Lei Complementar 101/00 que a União
estabilidad Federal deve utilizar, no máximo, 50% de sua receita cor-
DISPENSA rente líquida com gastos de pessoal. Em relação aos es-
e, pode
DO tados e municípios, este percentual é de 60%.
perder o
SERVIDOR
cargo em
ESTÁVEL Não se considera despesa com pessoal, para fins de aten-
virtude
dimento dos limites, a indenização por demissão de servi-
de Limite
dores ou empregados, as despesas relativas a incentivos
de gastos
à demissão, bem como os gastos com inativos, ainda que
por intermédio de fundo específico.

A regra a ser observada é que, primeiramente, haverá re-


dução de pelo menos 20% das despesas com cargos
comissionados e funções de confiança, para fins de
adequação às limitações legais de pagamento de servido-
res.

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AGENTES PÚBLICOS

Caso não esteja solucionado o problema, serão exonera-


dos servidores públicos não estáveis e se não se che-
gar ao limite legal de gastos, serão exonerados os servi-
dores estáveis.

O cargo do servidor estável será extinto sendo vedada, ao


ente estatal, a criação de cargo, emprego ou função com
atribuições iguais ou assemelhadas pelo prazo de quatro
anos.
O servidor estável exonerado perceberá uma indenização
que corresponde a um mês de remuneração para cada
ano de serviço público prestado.
Deverá ser precedida de ato normativo motivado dos Che-
fes de cada um dos Poderes da União, dos Estados, dos
Municípios e do Distrito Federal.
A exoneração de servidor estável que desenvolva atividade
exclusiva de Estado, assim definida em lei, somente será
admitida quando a exoneração de servidores dos demais
cargos do órgão ou da unidade administrativa objeto da re-
dução de pessoal tenha alcançado, pelo menos, trinta por
cento do total desses cargos.
Se a despesa total com pessoal, do Poder ou órgão se
aproximar dos limites legais deve-se realizar a extinção
de cargos e funções públicas ou a redução temporária da
jornada de trabalho com adequação dos vencimentos à
nova carga horária (art. 23, da LC n. 101/00).
A demissão é a perda do cargo com caráter PUNITIVO. Já
a exoneração é a perda do cargo, sem caráter de penali-
dade, ocorrendo por situações definidas na legislação.
O estágio probatório é fase na qual o servidor público está sendo avali-
ado, dentro da execução da atividade pública, com a intenção de se ve-
ESTABILID rificar se possui aptidão para o exercício daquelas funções para as quais
ADE X foi designado
ESTÁGIO Tribunais Superiores, apesar da disparidade entre a lei n. 8112/90 e a
PROBATÓ Constituição Federal, entendem que o prazo necessário à aquisição da
RIO estabilidade foi definido como sendo o prazo do estágio probatório. Logo,
se o prazo para que o servidor se torne estável é de três anos, o tempo
de duração do estágio probatório será o mesmo.
Aos agentes que ocupam cargos vitalícios é garantida a permanência no
serviço público, somente sendo possível a perda do cargo mediante sen-
tença judicial transitada em julgado.
As demais hipóteses de perda do cargo público aplicada aos servidores
VITALICIE
estáveis não se estendem aos vitalícios.
DADE
Para aqueles que ingressam na carreira da magistratura mediante no-
meação direta, nos moldes da Constituição, como ocorre com os desem-
bargadores nomeados pelo “quinto constitucional” ou os ministros do Su-
perior Tribunal de Justiça, por exemplo, a vitaliciedade é adquirida no

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AGENTES PÚBLICOS
momento da posse, não sendo necessária a observação do prazo de
dois anos. O mesmo ocorre com os ministros e conselheiros dos Tribu-
nais de Contas.
Em relação àqueles que ingressam nas carreiras da magistratura ou do
Ministério Público mediante aprovação em concurso, por sua vez, a vita-
liciedade é adquirida, somente, após dois anos de efetivo exercício no
cargo.
DIREITO DE GREVE DO SERVIDOR PÚBLICO
Os servidores militares não têm direito de greve nem de sindicalização, por expressa
vedação constitucional (art. 142, IV).
Aos servidores públicos civis, o direito de greve está garantido pelo art. 37, VII da Cons-
tituição Federal e será exercido nos limites definidos em lei específica.
A doutrina majoritária e a jurisprudência do STF entendem que o direito de greve dos
servidores públicos decorre de uma norma de eficácia limitada, pois mesmo tendo di-
reito constitucional, o exercício desta garantia fica limitado à edição de lei específica
que a regulamente.
O STF determinou que, enquanto não houver lei específica a regulamentar a greve dos
servidores, será utilizada a lei geral de greve (Lei 7.783/89) para o exercício deste di-
reito.
A greve pode, desde que seja realizada licitamente, ser exercida, inclusive por servido-
res que estejam em estágio probatório.
Embora não tenha direito à remuneração pelos dias parados, haja vista se tratar a con-
traprestação pelo exercício da atividade pública, não deve sofrer o corte da remunera-
ção durante o exercício regular deste direito (STJ).
Ao terminar a movimentação grevista, ficará sujeito à compensação pelos dias parados,
sob pena de ressarcimento ao erário dos valores percebidos.
A Justiça do Trabalho terá legitimidade para julgar as greves realizadas pelos empre-
gados públicos. Em relação aos servidores estatutários, detentores de cargos efetivos,
a competência será da justiça comum. Já quando o movimento for nacional ou abarcar
mais de um ente federativo a competência é do STJ.
Aos servidores públicos, em geral, é garantido o direito, não somente à
greve, mas também à sindicalização (VI, art. 37, da CF/88).
“A fixação de vencimentos dos servidores públicos não pode ser objeto
Sindicaliza de convenção coletiva”(Súmula 679 do STF).
ção
“é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da
candidatura a cargo de direção ou representação sindical e, se eleito,
ainda que suplente, até um ano após o final do mandato, salvo se come-
ter falta grave nos termos da lei”(VIII, art. 8°, da CF/88).
PROVIMENTO
É um ato administrativo por meio do qual há esse preenchimento de cargo, atribuindo
as funções a ele inerentes a uma determinada pessoa.

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AGENTES PÚBLICOS
Proviment
o Nomeação
Originário:
Promoção
Readaptação
Reversão
Proviment
o Derivado: Reintegração

Recondução

Aproveitamento
é ato administrativo que atribui um cargo a servidor que não integrava
o quadro de servidores daquele órgão.
a nomeação é única forma de provimento originário, no ordenamento
jurídico brasileiro, dependendo de prévia habilitação em concurso público
de provas ou de provas e títulos, obedecidos a ordem de classificação e
o prazo de sua validade.
o momento da nomeação configura discricionariedade do administrador
PROVIMEN (art. 9º e seguintes da Lei 8112/90).
TO
o provimento do cargo se dá com a nomeação, mas a investidura, no
ORIGINÁRI
cargo, se dá com a posse (art. 7º, Lei 8.112/90).
O
nos termos da lei federal, é de 30 (trinta) dias, contados da publicação
do ato de provimento, o prazo máximo para a posse, podendo ser feita
mediante procuração (art. 13, da Lei n. 8.112/90).
E o prazo para o servidor público federal começar exercer as funções do
cargo é de 15 dias no máximo (art. 15, da Lei n. 8.112/90).
Se for nomeado e não tomar posse, o ato de nomeação se torna sem
efeito.
O cargo público será atribuído a um servidor que já exerce funções na
carreira em que pretende assumir novo cargo.
Não pode haver provimento derivado em outra carreira.
“É inconstitucional toda modalidade de provimento que propicie ao servi-
dor investir-se, sem prévia aprovação em concurso público destinado ao
PROVIMEN seu provimento, em cargo que não integra a carreira na qual anterior-
TO mente investido”(Súmula 685, do STF).
DERIVADO
Promoção na carreira pública é o chamado provimento
PROVIMEN derivado vertical, ensejando a garantia de o servidor pú-
TO blico ocupar cargos mais altos, na carreira de ingresso, al-
DERIVADO ternadamente por antiguidade e merecimento.
VERTICAL É necessário a assunção de cargo escalonado em car-
reira.

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AGENTES PÚBLICOS
É diferente da progressão funcional que configura au-
mento do padrão remuneratório sem mudança de cargo e
ocorre em determinadas carreiras em que cada cargo é
escalonado com o pagamento de vencimentos progressi-
vos, sempre por antiguidade.
Por meio de promoção, não se pode assumir um cargo em
outra carreira mais elevada.
A ascensão ou acesso foi abolido do ordenamento jurídico
pela Constituição Federal de 1988.
A readaptação (art. 24, Lei 8112/90) é o aproveitamento
do servidor em novo cargo razão de uma limitação sofrida
na capacidade física ou mental.
É garantida a equivalência de vencimentos
Independe da existência de cargo vago na carreira, po-
Proviment dendo ser readaptado, no novo cargo, como excedente.
o derivado
horizontal Não havendo nenhum cargo, na carreira, com funções
compatíveis, o servidor será aposentado por invalidez.
A princípio, independentemente de culpa, o servidor tem
direito a ser readaptado.
Não cabe a transferência, ou seja, não pode assumir novo
cargo em carreira diversa.
retorno do servidor público aposentado ao
exercício do cargo público.
Reversão da
quando cessam os moti-
aposentadoria
vos da invalidez
por invalidez
Deve haver solicitação do
aposentado, que já tinha
estabilidade quando na
Reversão atividade; a aposentado-
PROVIMEN
Reversão do ria deve ter ocorrido nos
TO cinco anos anteriores;
servidor
DERIVADO deve haver cargo vago e
aposentado
POR
voluntariamen interesse da Administra-
REINGRES ção Pública.
te
SO
Após os 70 anos de
idade, não será possível
a reversão (aposentado-
ria compulsória).
Retorno do servidor público estável, ao
cargo que ocupava anteriormente, em vir-
Reintegraçã tude da anulação do ato de demissão.
o
Invalidade da demissão do servidor estável
por decisão judicial ou administrativa.

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AGENTES PÚBLICOS
O reintegrado será indenizado por tudo que
deixou de ganhar.
Basta que este agente seja detentor de
cargo público efetivo (STF).
Inabilitação É o retorno à carreira an-
em estágio terior em que já havia ad-
probatório quirido estabilidade, ao
relativo a invés de ser exonerado
outro cargo do serviço público.
O servidor pode requerer
Reconduçã reintegração a recondução dentro do
o do anterior período de estágio proba-
ocupante tório (doutrina majoritá-
ria).
Pode o servidor ser reconduzido a pedido
seu ou por decisão administrativa (STJ).
Não gera direito a percepção de indeniza-
ção.
Retorno de determinado servidor público
que se encontra em disponibilidade, para
assunção de cargo com funções compatí-
veis com as que exercia, antes de ter ex-
tinto o cargo que ocupava.

Aproveitam Havendo extinção ou declaração de desne-


ento cessidade de cargo público, o servidor
transferido para a disponibilidade.
A disponibilidade é remunerada e não tem
prazo.
O aproveitamento é obrigatório para o po-
der público e para o agente.

VACÂNCIA

É o termo técnico para descrever cargo público vago.

Quando o servidor público passa apara a inatividade mediante ato prati-


cado pela Administração Pública.

Deverá ser aprovada pelo Tribunal de Contas para que tenha vali-
Aposentad dade(ato complexo).
oria Voluntária

Compulsória

Por invalidez

Faleciment fato administrativo alheio ao interesse do servidor ou da Administração


o Pública e que torna inviável a ocupação do cargo.

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AGENTES PÚBLICOS

dissolução do vínculo com o poder público, por situação prevista em lei,


Exoneraçã sem caráter de penalidade.
o
a pedido do servidor ou por vontade da Administração Pública.

cabível sempre que o servidor comete infração funcional, prevista em lei


e punível com a perda do cargo público.
Demissão
deve ser precedida de processo administrativo disciplinar.

O servidor readaptado, ao assumir o novo cargo, com funções compatí-


Readaptaç
veis com sua nova situação, deverá tornar vago o cargo anteriormente
ão
ocupado.

A assunção do novo cargo causa a vacância do cargo anteriormente ocu-


Promoção
pado.

Em virtude da vedação constitucional de acumulação de cargos e em-


Posse em pregos públicos, será necessária a vacância do cargo anteriormente ocu-
cargo pado.
inacumulá Caso o servidor não faça a opção, após a concessão de prazo de dez
vel dias, o poder público poderá instaurar processo administrativo sumário,
culminando na aplicação da penalidade de demissão.

ACUMULAÇÃO DE CARGOS

Quando a Constituição Federal proíbe a acumulação de cargo ou emprego, abrange


os servidores estatutários, os celetistas, assim como os servidores temporários contra-
tados nos moldes do art. 37, IX da Carta da República.

dois cargos de professor, para os servidores que atuam na atividade de


magistério (XVI, art. 37, da CF/88).

um cargo de professor com outro técnico ou científico (nível superior ou


formação técnica especializada).

dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com pro-


fissões regulamentadas (EC n. 34/2001).

um cargo de Magistrado ou membro do Ministério Público com um cargo


EXCEÇÃO de professor (artigo 95, parágrafo Único, I c/c artigo 128, §5º, II, “d” da
CF/88).

um cargo efetivo mais um cargo de vereador (art. 38, da CF/88).

ATENÇÃO! Não hà a possibilidade admitida de acumulação de mais de


dois cargos públicos.

Deve haver a demonstração de compatibilidade de horários

A referida acumulação deve respeitar o teto remuneratório de pagamento


do Ministro do Supremo Tribunal Federal (XI, art. 37, CF/88).

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AGENTES PÚBLICOS

Caso a acumulação seja ilegal, o servidor deve ser notificado por inter-
médio de sua chefia imediata, para apresentar opção no prazo improrro-
gável de dez dias, contados da data da ciência.

Ao optar dentro do prazo, considerar-se-á que estava de boa fé e haverá


exoneração daquele cargo ou emprego público não escolhido.

Se não optar, abre-se um processo administrativo sumário e se detec-


tada a acumulação ilegal, o servidor será demitido de todos os cargos
ocupados.

Acumula- Proventos de aposentadoria + remuneração de cargo em


ção da apo- comissão
sentadoria
do regime Proventos de aposentadoria + remuneração de cargo ele-
próprio de tivo (não só vereador).
previdên-
cia do ser- Proventos de aposentadoria + remuneração de cargo efe-
tivo acumulável na atividade (art. 37, XVI, da CF/88)
vidor com
remunera-
ção ATENÇÃO! Deve-se respeitar o limite de remuneração,
de cargo previsto no art. 37, XI da Constituição da República.
efetivo

DESLOCAMENTO

São duas as hipóteses de deslocamento que não configuram provimento ou vacância


de cargos públicos.

é um deslocamento funcional, ou seja, deslocamento do servidor público


dentro do mesmo quadro de pessoal, ou seja, dentro da mesma carreira,
com ou sem mudança de sede e de domicílio.

a remoção de ofício é sempre concedida, no interesse da Administração


Pública; enquanto a remoção a pedido é concedida a critério da Admi-
nistração Pública.

ato discricionário

a jurisprudência do Supe-
REMOÇÃO rior Tribunal de Justiça
dispõe que, para a con-
deslocamento do cônjuge
cessão desta remoção, é
do servidor
Hipóteses necessário demonstrar
desta que os dois servidores
sendo ato coabitavam
vinculado por motivo de saúde do ser-
vidor, cônjuge ou de depen- o poder público não pode
dente econômico do servi- sobrepor esta situação
dor, comprovado o requisito ao interesse do serviço.
por laudo médico oficial.

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AGENTES PÚBLICOS

em virtude de processo sele-


tivo promovido, na hipótese
em que o número de interes- Trata-se de concurso de
sados for superior ao nú- remoção, feito, normal-
mero de vagas, de acordo mente, por antiguidade,
com normas preestabeleci- entre os servidores da
das pelo órgão ou entidade carreira.
em que aqueles estejam lo-
tados

é o deslocamento do cargo público, ou seja, na redistribuição é o cargo -


e não o servidor público - que será deslocado de um de uma localidade
para outra, dentro da estrutura administrativa.

REDISTRI- A lei permite que o deslocamento seja feito entre órgãos diferentes e até
BUIÇÃO mesmo entre entidades diferentes, desde que seja dentro do mesmo Po-
der, sendo possível que este deslocamento incida sobre cargos ocupa-
dos ou vagos.

é sempre feita de oficio, ou seja, no interesse da Administração.

REMUNERAÇÃO DO SERVIDOR PÚBLICO

a soma do vencimento (parcela fixa a todos os servidores) e das vanta-


Lei 8112/90 gens permanentes (parcela variável) compõe a remuneração total paga
pela prestação do serviço.

a expressão vencimentos (no plural) é sinônima de remuneração

o vencimento e a remuneração do servidor público configuram verbas de caráter ali-


mentar, não se admite, arresto, sequestro ou penhora desatas.

a remuneração do servidor público deve ser definida mediante a edição de lei especí-
fica, assim como a revisão ou alteração.

o chefe do Poder Executivo tem legitimidade privativa para a iniciativa


Iniciativa da lei que defina as remunerações para os cargos e empregos perten-
para a centes à sua estrutura (art. 61, §1º, II, “a” da CF/88).
edição da ao Supremo Tribunal Federal, aos tribunais superiores e aos Tribunais
lei: de Justiça compete a iniciativa da lei que regulamenta a remuneração
dos cargos do Poder Judiciário (art. 96, II, “b”, da CF/88).

a Câmara dos Deputados ou o Senado Federal terão a iniciativa privativa


para a legislação que defina a remuneração dos servidores do Poder Le-
gislativo (art. 51, IV e 52, XIII da CF/88).

é possível a fixação, por meio de decreto legislativo, da


remuneração do Presidente da República e do Vice-Presi-
Exceções dente, dos Ministros de Estado e dos senadores e deputa-
dos federais, desde que não ultrapasse o subsídio do mi-
nistro do Supremo Tribunal Federal (art. 37, XI, CF/88).

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AGENTES PÚBLICOS

a Câmara de Vereadores tem competência para fixação


dos subsídios dos Vereadores, sem a necessidade de de-
liberação do Poder Executivo, mediante decreto legislativo
(art. 29, VI, da CF/88).

a concessão de vantagens ou aumento de remuneração depende de prévia dotação


orçamentária capaz de fazer frente às despesas a serem realizadas e autorização
específica na lei de diretrizes orçamentárias, com exceção das empresas públicas e
sociedades de economia mista.

A irredutibilidade garantida pelo texto constitucional e pela lei é nominal,


ou seja, não há garantia de irredutibilidade real.

Não impede a alteração da forma de cálculo, desde que o valor total


dos vencimentos não seja alterado.
IRREDUTI-
O art. 37, X da Carta Magna define o direito à revisão geral anual dos
BILIDADE
vencimentos pagos aos servidores estatais, como forma de evitar que a
DE
inflação e o decurso de tempo corroam o valor real do pagamento.
REMUNER
AÇÃO A lei deve definir a revisão com periodicidade de um ano e garantindo a
isonomia entre os servidores do órgão.

O STF pacificou o entendimento que, não sendo concedida a revisão,


por meio de lei, não compete ao poder judiciário condenar o poder pú-
blico ao pagamento de indenização.

A remuneração do servidor público não pode ser inferior ao salário mí-


nimo (§3°, art. 39 c/c o art. 7°, IV, da CF/88).

O vencimento básico pode ser inferior ao mínimo legal, desde que a re-
SALÁRIO
muneração total não o seja (art. 41, §5º da lei 8.112/90).
MÍNIMO
Os artigos 7º, IV, e 39, § 3º (redação da EC 19/98), da Constituição, re-
ferem-se ao total da remuneração percebida pelo servidor público (sú-
mula vinculante 16).

O pagamento da remuneração deve ser feito em data previamente esta-


belecida, mediante a entrega de dinheiro ou a efetivação de depósito em
conta bancária predefinida pelo servidor, sendo ainda devida a entrega
do contracheque, com o detalhamento de valores do vencimento e das
vantagens permanentes ou não.

PAGAMEN Qualquer dano devidamente comprovado, por causa do atraso, poderá


TO EM ser indenizado mediante a propositura de ação própria.
ATRASO Indepen-
“Não ofende a Constituição a correção monetária no paga-
dente-
mento com atraso dos vencimentos de servidores públi-
mente
cos” (súmula n. 682).
de prejuízo

Devem incidir juros de mora, nos pagamentos em atraso feitos pela Ad-
ministração Pública (o art. 1º-F, da lei 9.494/97).

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AGENTES PÚBLICOS

As verbas podem ser pleiteadas pelo servidor público, dentro do prazo


prescricional de cinco anos.

Prazo que se aplica às parcelas vencidas e não pagas.

A fixação de remunerações e vencimentos não será feita aleatoriamente,


VINCULA- conforme a Constituição.
ÇÃO E
“os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário
EQUIPA-
não poderão ser superiores aos pagos pelo Poder Executivo”(art. 37, XII,
RAÇÃO DE
da CF/88).
REMUNE-
RAÇÕES Não se admite a equiparação ou vinculação de espécies remuneratórias,
entre carreiras no serviço público (art. 37, XIII, da CF/88).

É forma de pagamento feito em parcela única, não aceitando nenhum


acréscimo patrimonial.

Tornar mais clara e transparente a retribuição de determi-


nados cargos, evitando que um determinado servidor pú-
blico com vencimento previsto em lei de determinado valor
Objetivo receba remuneração muito acima deste padrão.

O controle da sociedade de forma mais simples em rela-


ção aos valores que são pagos às carreiras de agentes
públicos, como contraprestação pelos serviços prestados.

ATENÇÃO! Salvo as carreiras cuja instituição do subsídio é obrigatória,


é facultado ao Poder Público optar pela remuneração ou pelo subsídio.

Chefes do poder executivo e os seus respectivos vices

Auxiliares diretos do Poder Executivo, abarcando os


SUBSÍDIO Ministros de Estado e os Secretários estaduais e mu-
S nicipais;

Membros do Poder Legislativo, em todas as esferas de


poder, que ingressaram no cargo, mediante eleição
popular;
Carreiras
cuja Membros da magistratura, no âmbito federal e esta-
implantaçã dual, incluindo os juízes, ministros e desembargado-
o do res de tribunais;
subsídio é
obrigatória Membros do Ministério Público, abarcando os promo-
tores e procuradores de justiça;

Ministros e Conselheiros dos Tribunais de Contas;

Membros da Advocacia Pública;

Defensores públicos;

Agentes de segurança pública.

A Emenda Constitucional n. 19/98 alterou o regime de remuneração dos


servidores públicos, definindo-lhes um teto único a ser aplicado.

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AGENTES PÚBLICOS

TETO RE- A Emenda Constitucional n. 41/03 passou a admitir a implantação de


MUNERA- subtetos para os servidores dos estados e municípios, desde que com
TÓRIO previsão nas respectivas constituições estaduais e leis orgânicas muni-
cipais

Teto
remunerat Subsídio do Ministro do Supremo Tribunal Federal.
ório

EXECUTIVO – Subsídio do governador.


LEGISLATIVO – Subsídio dos deputados estaduais e dis-
tritais.
Subteto JUDICIÁRIO – Subsídio dos desembargadores do Tribu-
estadual nal de Justiça que devem corresponder a 90,25% do sub-
e do DF sídio do ministro do STF.
Obs. Os membros do Ministério Público, defensoria pú-
blica e procuradorias estaduais se submetem ao subteto
do Poder Judiciário.

Subteto
Subsídio do Prefeito do Município.
municipal

As empresas públicas e sociedades de economia mista também se sub-


metem ao teto de remuneração previsto na Carta Magna, desde que re-
cebam dinheiro público para custeio de seus gastos ou para pagamento
de pessoal (§9°, do art. 37, da CF/88).

Não se Verbas de natureza indenizatória;


submetem
à analise Direitos sociais;
de adequa-
ção ao teto Abono de permanência;
remunera-
tório: Remuneração da atividade de magistério

Todos aqueles servidores que, de alguma forma estiverem recebendo


remuneração acima do teto definido, deverão ter o desconto dos valores
que ultrapassam o limite constitucional, em folha de pagamento.

DESCONT Imposição legal ou por decisão judicial


O NA Excepcio-
Consignação em folha de pagamentos
REMUNER nalmente, é
AÇÃO DO admitido o Ressarcime
SERVIDOR desconto os valores recebidos a maior pelo servi-
nto ao
PÚBLICO dor de boa-fé não são repetíveis (STJ).
erário

VANTAGENS

São parcelas pecuniárias acrescidas ao vencimento dos servidores públicos em vir-


tude de condição fática prevista em lei.

Preenchidas essas condições o agente terá garantido seu direito de recebê-la (Art. 49,
da lei 8.112/90).

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AGENTES PÚBLICOS

forma de reparar gastos feitos na prestação da atividade pública.

não é acréscimo patrimonial.

Indenização paga ao servidor público que se desloca tem-


porariamente para prestação do serviço público.

Se o deslocamento da sede for atribuição permanente do


cargo, o servidor não faz jus à percepção de diárias. Assim
como quando se deslocar dentro da mesma região metro-
politana, aglomeração urbana ou microrregião, constituí-
das por municípios limítrofes e regularmente instituídas, ou
em áreas de controle integrado mantidas com países limí-
trofes, cuja jurisdição e competência dos órgãos, entida-
des e servidores brasileiros considera-se estendida, salvo
se houver pernoite fora da sede, hipóteses em que as diá-
Diária rias pagas serão sempre as fixadas para os afastamentos
dentro do território nacional.

O servidor perceberá somente ½ (meia) diária quando o


deslocamento não exigir pernoite fora da sede, ou quando
a União custear, por meio diverso, as despesas extraordi-
nárias cobertas por diárias.

INDENIZA o servidor que receber diárias e não se afastar da sede,


ÇÃO por qualquer motivo, deve restituí-las à Administração Pú-
blica, integralmente, no prazo máximo de 5 (cinco) dias.

Deve devolver os valores percebidos a mais se o prazo de


deslocamento for menor.

paga ao servidor público que se desloca da sede, de forma


permanente, no interesse da administração pública.

vedado o duplo

valor definido pela administração pública e não pode ultra-


passar o valor correspondente a 3 (três) meses de remu-
neração do servidor.
Ajuda de
é devida para aquele que, não sendo servidor público, for
custo
nomeado para exercer cargo em comissão em sede dife-
rente da localidade em que tem residência

não cabe para aquele que se afastar do cargo, ou reas-


sumi-lo, em virtude de mandato eletivo(art. 55, da Lei
8.112/90).

deve restitui-la se não se apresentar na nova sede no


prazo de 30 (trinta) dias.

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AGENTES PÚBLICOS

em caso de morte do servidor na nova sede, à sua família


são assegurados ajuda de custo e transporte para a loca-
lidade de origem, deste que requerido dentro do prazo de
1 (um) ano, contado do óbito.

indenização paga ao servidor público que realizar despe-


sas com a utilização de meio próprio de locomoção para a
execução de serviços públicos externos, por força das atri-
Transporte
buições próprias do cargo.

Art. 3°, do Decreto n. 4.004/01

indenização paga ao servidor público que tenha sido des-


locado de sua sede, para exercer cargos em comissão de
DAS 4, 5 e 6, ou cargos de natureza especial ou ainda
cargos de ministro de estado.
não pode ultrapassar 25% do valor do cargo em comissão.
não exista imóvel funcional disponível
para uso pelo servidor
o cônjuge ou companheiro do servidor não
ocupe imóvel funcional
o servidor ou seu cônjuge ou companheiro
não seja ou tenha sido proprietário, promi-
tente comprador, cessionário ou promitente
cessionário de imóvel no Município aonde
for exercer o cargo
nenhuma outra pessoa que resida com o
servidor receba auxílio-moradia
Auxílio
o servidor tenha se mudado do local de re-
moradia
sidência para ocupar cargo em comissão
ou função de confiança do Grupo-Dire-
Requisitos ção e Assessoramento Superio-
res - DAS, níveis 4, 5 e 6, de Natureza Es-
pecial, de Ministro de Estado ou equiva-
lentes
o Município no qual assuma o cargo em co-
missão ou função de confiança não se en-
quadre dentro da mesma região metro-
politana, aglomeração urbana ou mi-
crorregião
o servidor não tenha sido domiciliado ou
tenha residido no Município, nos últimos
doze meses, aonde for exercer o cargo
em comissão ou função de confiança
o deslocamento não tenha sido por
força de alteração de lotação ou nomea-
ção para cargo efetivo.

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AGENTES PÚBLICOS
o deslocamento tenha ocorrido após 30 de
junho de 2006
somente será paga a indenização continuamente por um
período máximo de oito anos, a cada doze anos
Gratificaçã
Trata-se de gratificação paga ao agente público pelo exer-
o de
cício de uma função de direção chefia ou assessoramento.
função
paga ao servidor, até o dia 20 de dezembro de cada ano,
na proporção de um doze avos da remuneração de de-
zembro para cada mês de serviço público prestado
Gratificaçã a fração igual ou superior a quinze dias será considerada
o natalina como um mês integral.
o servidor exonerado perceberá sua gratificação natalina,
proporcionalmente aos meses de exercício, calculada so-
bre a remuneração do mês da exoneração
É paga ao servidor público pelo exercício de atividades
não inerentes ao exercício do seu cargo;
Gratificaçõ ao servidor que atuar como instrutor em curso de forma-
es ção, de desenvolvimento ou de treinamento regularmente
instituído no âmbito da administração pública federal;
àquele que participar de banca examinadora ou de comis-
são para exames orais, para análise curricular, para corre-
Gratificaçã
ção de provas discursivas, para elaboração de questões
o por
de provas ou para julgamento de recursos intentados por
encargo de
candidatos;
curso ou
concurso ao que participar da logística de preparação e de realiza-
ção de concurso público envolvendo atividades de plane-
jamento, coordenação, supervisão, execução e avaliação
de resultado, quando tais atividades não estiverem incluí-
das entre as suas atribuições permanentes;
aos agentes que participarem da aplicação, fiscalização ou
avaliação de provas de exame vestibular ou de concurso
público ou supervisionar essas atividades.
Será paga por hora de atividade
A retribuição não poderá ser superior ao equivalente a 120 (cento e vinte)
horas de trabalho anuais.
Se justificados devidamente e previamente aprovada pela autoridade
máxima do órgão ou entidade, o valor máximo da hora trabalhada cor-
responderá: 2,2%, em se tratando de atividades de instrutor em curso de
formação ou examinador de bancas de concurso público realizado pelo
órgão estatal; 1,2%, em se tratando de atividade de aplicação, fiscaliza-
ção de provas de concurso ou a coordenação e planejamento destas ati-
vidades, incluindo a organização da estrutura logística.

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AGENTES PÚBLICOS
Na legislação federal encontramos os seguintes adicionais: adicional
ADICIONAI pelo exercício de atividades insalubres, perigosas ou penosas, adicional
S de férias, pelo exercício de horas extras e de horas noturnas. Analisemos
cada um deles separadamente.
FÉRIAS
Nos moldes da lei 8.112/90, o servidor público tem direito a 30 dias de férias por ano
(civil).
para que possa gozar do primeiro período de férias, o servidor deve ter 12 meses de
exercício (art. 77 e seguintes da Lei 8112/90).
No interesse da Administração é possível haver acumulação de períodos de férias, por
no máximo 2 (dois) períodos.
As férias do servidor público podem ser parceladas em até 3 (três) períodos (a pedido
do servidor e a critério da Administração). No entanto, o adicional de férias (1/3 da
remuneração do mês das férias) não é parcelado.
Caso o servidor seja exonerado antes de usufruir de seu período de férias, fará jus a
este pagamento de forma proporcional, com acréscimo do adicional de 1/3 (STF).
As férias somente poderão ser interrompidas por motivo de calamidade pública, como-
ção interna, convocação para júri, serviço militar ou eleitoral, ou por necessidade do
serviço declarada pela autoridade máxima do órgão ou entidade.
O restante do período interrompido será gozado de uma só vez, observado o disposto
no art. 77 (art. 80, da Lei n° 8.112/90).
LICENÇAS
As licenças podem ser remuneradas ou não e algumas têm prazo determinado, fixado
em lei.
I - pessoa da família doente, podendo ser assim considerado cônjuge ou
companheiro, dos pais, dos filhos, do padrasto ou madrasta e enteado,
ou dependente que viva a suas expensas e conste do seu assentamento
funcional;
II - o doente depende da assistência direta do servidor, não sendo pos-
sível o auxílio por outra pessoa da família; e
III - impossibilidade de o servidor, ao mesmo tempo, prestar a assistência
Licença devida ao familiar enfermo e exercer sua função pública, nem mesmo
por motivo mediante compensação de horários, permitida na lei.
de doença
Comprovados os requisitos, o servidor tem direito à licença por até 60
familiar
dias com remuneração, limite este que inclui as prorrogações necessá-
rias. Terminado este período, pode prorrogar por até 90 dias, sem remu-
neração. Evidentemente, cada nova prorrogação exige a comprovação
de todos os requisitos anteriormente analisados.
Concedida a licença por motivo de doença de membro da família, outra
só poderá ser concedida após 12 meses, ainda que não usufruído todo
o período permitido.
Por motivo Ocorre quando o cônjuge do servidor é deslocado para qualquer lugar
de do território nacional ou do exterior, ou para o exercício de mandato ele-
afastament tivo, no Poder executivo ou no Legislativo.

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AGENTES PÚBLICOS
o do A licença não tem prazo definido em lei, podendo ser concedida por
cônjuge tempo indeterminado e, durante o período de licença, o servidor não fará
jus ao recebimento de sua remuneração.
Caso o cônjuge também seja servidor público e esteja se deslocando no
interesse da Administração, a lei regulamenta a possibilidade de exercí-
cio provisório.
ato vinculado (entendimento do STF).
Essa licença se divide em dois momentos:
o primeiro vai da escolha do sujeito, na convenção partidária, até a vés-
pera do registro da candidatura na justiça eleitoral (neste período, a li-
Para cença e concedida sem remuneração).
exercício o segundo vem com o registro da candidatura e segue até 10 dias após
de as eleições (neste período, a licença será concedida com remuneração,
atividade não podendo ultrapassar 3 (três) meses).
política Servidores que exercem funções ou cargos comissionados não podem
se candidatar sem se desincompatibilizar. Considera-se desincompatibi-
lização o afastamento do cargo ou função por um período de 180 (cento
e oitenta) dias sem direito à remuneração.
A licença será concedida para prestação da atividade militar e dura o
Para tempo do serviço militar.
prestação
do serviço Terminado o serviço, o servidor ainda terá, nos moldes da legislação fe-
militar deral, o prazo máximo de 30 (trinta) dias, sem remuneração, para retor-
nar ao cargo público.
Trata-se de licença imotivada (art. 91, da Lei n. 8.112/90).
Por motivo
de É discricionária e precária.
interesse
particular Concedida pelo prazo máximo de 3 (três) anos, improrrogáveis, e sem
que o servidor faça jus à percepção de sua remuneração.
Conforme a lei 8112/90, a cada 5 (cinco) anos de efetivo exercício no
serviço publico o servidor tem direito a até 3 (três) meses de licença para
participar de curso de capacitação profissional, no interesse da Adminis-
tração Pública. Estes 3 (três) meses não configuram uma garantia, mas
sim o limite definido ao servidor público. Dessa forma, se o curso do qual
o agente decidiu participar, tiver duração de 2 (dois) meses, este será o
prazo da sua licença.
Para
capacitaçã Os períodos são inacumuláveis, não senso admitido que, após 10 (dez)
o anos de exercício, a licença chegue a seis meses. (art. 87).

Sem prejuízo da remuneração do servidor.

Para cálculo do período de 5 (cinco) anos, será computado todo o tempo


de exercício de cargo, no serviço público federal, inclusive o compreen-
dido no estágio probatório, não obstante a licença não possa ser conce-
dida ao servidor durante o período do estágio.

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AGENTES PÚBLICOS

Somente serão licenciados os servidores eleitos para os cargos de dire-


ção ou representação em entidades de classe dos servidores, assim con-
siderado o desempenho de mandato em confederação, federação, asso-
ciação de classe de âmbito nacional, sindicato representativo da catego-
Para ria ou entidade fiscalizadora da profissão ou, ainda, para participar de
desempen gerência ou administração em sociedade cooperativa constituída por ser-
ho de vidores públicos para prestar serviços a seus membros (art. 92).
Mandato
classista Não é remunerada e dura o tempo do mandato classista, sendo que a lei
permite a prorrogação se houver reeleição (uma única vez).
é computada como tempo de serviço, menos para fins de promoção por
merecimento.
ATENÇÃO! As três primeiras podem ser concedidas no Estágio probatório, mas sus-
pende a contagem do estágio.
A quarta pode ser concedida no Estágio probatório, mas não suspende a contagem do
estágio.
As três últimas não podem ser concedidas no Estágio probatório.
AFASTAMENTOS
Afastamento do exercício de atividades em cargos efetivos aos servido-
res eleitos para funções com representatividade popular.
Se o cargo público para o qual foi eleito o servidor for de âmbito federal,
estadual ou distrital, o servidor será afastado do cargo efetivo e receberá
a remuneração (subsídio) do cargo eletivo.
AFASTAM
ENTO Nos cargos eletivos de mandato municipal para Prefeito, será afastado o
PARA servidor público, mas poderá optar pela remuneração do cargo efetivo
O que ocupava.
EXERCÍCI
O Se o cargo for de Vereador o afastamento depende da compatibilidade
DE de horários entre os cargos (efetivo e eletivo).
MANDATO
ELETIVO Pode ser concedido a qualquer servidor efetivo, mesmo durante o perí-
odo de estágio probatório.
O servidor afastado deve continuar contribuindo para o regime próprio de
previdência do servidor e o tempo de afastamento será computado como
tempo de serviço público para todos os efeitos, menos para fins de pro-
moção por merecimento.
O servidor público poderá ser cedido para ter exercício em outro órgão
AFASTAM ou entidade dos Poderes da União, dos Estados, ou do Distrito Federal
ENTO e dos Municípios, para exercício de cargo em comissão ou função de
PARA confiança, além de situações previstas em lei específica. A cessão será
SERVIR A realizada por meio de portaria, a qual deverá ser publicada no Diário Ofi-
OUTRO cial da União.
ÓRGÃO Sendo a cessão para órgãos ou entidades dos Estados, do Distrito Fe-
OU deral ou dos Municípios, o ônus da remuneração será do órgão ou enti-
ENTIDADE dade cessionária, sendo mantido o ônus para o cedente nos demais ca-
sos.

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AGENTES PÚBLICOS

A cessão para outro órgão ocorre somente para o exercício de cargos


em comissão de DAS 4, 5 ou 6 ou, ainda, cargos de natureza especial.
A cessão nas empresas públicas ou de sociedade de economia mistas,
que recebam recursos de Tesouro Nacional, depende de autorização es-
pecífica do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, exceto nos
casos de ocupação de cargo em comissão ou função gratificada
Ocorre mediante autorização do Presidente da República, Presidente
dos Órgãos do Poder Legislativo e Presidente do Supremo Tribunal Fe-
deral.
AFASTAM
ENTO A ausência não excederá a 4 (quatro) anos, e finda a missão ou estudo,
PARA somente decorrido igual período, será permitida nova ausência.
ESTUDO Ao retornar não pode ser exonerado a pedido ou gozar de licença por
OU interesse particular, pelo mesmo tempo que ficou afastado, salvo se op-
MISSÃO tar por ressarcir ao erário por todas as despesas tidas com seu afasta-
NO mento (art. 95, da Lei n, 8.112/90).
EXTERIOR
O servidor que for afastado para prestar serviços em Organismos Inter-
nacionais que tenha cooperação do país, não receberá remuneração
(art. 96, da Lei n. 8.112/90).
Com a respectiva remuneração.
A pós-graduação strictu sensu, nos termos da lei, abrange mestrado,
doutorado e pós-doutorado.
aos servidores titulares de cargos efetivos no respectivo
para órgão ou entidade.
realização
de Não tenham se afastado por licença para tratar de assun-
AFASTAM programas tos particulares para gozo de licença capacitação ou com
ENTO de fundamento neste artigo nos 2 (dois) anos anteriores à
PARA mestrado data da solicitação de afastamento.
PARTICIPA e
3 (três) anos para mestrado e 4 (quatro) anos para douto-
ÇÃO EM doutorado
rado, incluído o período de estágio probatório
PROGRAM
A DE PÓS- aos servidores titulares de cargos efetivo no respectivo ór-
GRADUAÇ gão ou entidade há pelo menos quatro anos, incluído o pe-
ÃO programas ríodo de estágio probatório,
STRICTO de pós-
SENSU NO doutorado não tenham se afastado por licença para tratar de assun-
BRASIL tos particulares ou com fundamento neste artigo, nos qua-
tro anos anteriores à data da solicitação de afastamento.
terão que permanecer no exercício de suas funções após
pós o seu retorno por um período igual ao do afastamento con-
graduação cedido, ou ressarcir o órgão ou entidade dos gastos efeti-
strictu vados com seu aperfeiçoamento.
sensu o ressarcimento ao erário também deve ser feito se o ser-
vidor não obtiver o título (art. 96-A, §6º da lei 8.112/90).
CONCESSÕES

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AGENTES PÚBLICOS

Situações nas quais o servidor pode se ausentar do serviço, sendo considerada a au-
sência como efetivo exercício.

1 dia de
Doação de sangue
ausência

2 dias Alistamento eleitoral


Casamento
8 dias Luto pelo falecimento de cônjuge, companheiro, pais, madrasta ou pa-
drasto, filhos, enteados, menor sob guarda ou tutela e irmãos

caso haja necessi- caso haja necessi-


este benefício “congê-
dade de mudança dade de mudança
se estende ao nere” de-
de sede, no inte- de sede, no inte-
cônjuge ou corre do
resse da Adminis- resse da Adminis-
companheiro, fato de que
tração Pública, lhe tração Pública, lhe
aos filhos, ou a garantia é
será assegurada, será assegurada,
enteados do de se man-
na localidade da na localidade da
horário servidor que ter em insti-
nova residência ou nova residência ou
especial: vivam na sua tuição pri-
na mais próxima, na mais próxima,
companhia, vada, caso
matrícula em insti- matrícula em insti-
bem como aos seja estu-
tuição de ensino tuição de ensino
menores sob dante de
congênere, em congênere, em
sua guarda, instituição
qualquer época, in- qualquer época, in-
com autoriza- privada
dependentemente dependentemente
ção judicial. (STF).
de vaga. de vaga.

será garantido o horário especial ao servidor público federal que tenha


cônjuge, filho ou dependente portador de deficiência física, exi-
gindo-se, porém, neste caso, compensação de horário, não se admitindo
a diminuição da carga horária atribuída aos agentes da carreira.

ao servidor portador de deficiência, quando comprovada a necessi-


dade por junta médica oficial, sendo, nestes casos, o benefício garantido
independentemente de compensação de horário.

REGIME DISCIPLINAR

regulamenta as penalidades que podem ser aplicadas aos servidores públicos que des-
respeitam regras legalmente previstas para o exercício das funções.

exigido a realização de processo administrativo.

o servidor público, por uma única infração cometida, pode ser punido mais de uma
vez, haja vista a possibilidade de aplicação de sanções nas esferas penal, civil e
administrativa.

poderá ser absolvido em um julgamento e punido nos outros

Sanções aplicadas com base na legislação penal, pelo cometimento de crimes ou


penais contravenções no exercício da atividade pública.

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AGENTES PÚBLICOS

são aplicadas mediante a propositura de ação judicial ao servidor que


Sanções
pratica infrações que ensejem dano à Administração Pública ou a tercei-
civis
ros, ainda que exclusivamente moral (Lei 8.429/92).

Sanções
descumprimento de normas funcionais, mediante processo administra-
administrat
tivo disciplinar.
ivas

ATENÇÃO! Sendo o servidor absolvido na esfera penal por inexistência do fato ou


negativa de autoria, necessariamente deverá ser absolvido na esfera civil e
administrativa

Mesmo que o servidor público que faleça após cometer uma infração, as sanções pa-
trimoniais a ele aplicadas se transmitem aos herdeiros e sucessores deste servidor
falecido, nos limites da herança transmitida.

INFRAÇÕES E SANÇÕES ADMINISTRATIVAS

Toda a atuação do agente público é orientada para uma boa execução da atividade
estatal e, neste ínterim a lei define algumas condutas proibidas que, caso sejam prati-
cadas, configuram infrações disciplinares.

Cada uma das infrações definidas na lei será punida com uma penalidade disciplinar
específica, não havendo margem de escolha à autoridade pública no que tange à es-
pécie punitiva a ser utilizada.

deve ser aplicada pelo Presidente da República, Presidentes das Casas


do Poder Legislativo e dos Tribunais Federais e Procurador-Geral da Re-
pública, de acordo com o órgão ou Poder ao qual o servidor esteja vin-
culado (art. 141 da lei 8.112/90).

valer-se do cargo para lo- em conformidade com o texto da lei, é


grar proveito pessoal ou vedado seu retorno ao serviço público
de outrem, em detri- federal, ainda que após aprovação em
mento da dignidade da concurso público, pelo prazo de 5 (cinco)
função pública. anos.
DEMISSÃO
Esta vedação não se aplica à participação
nos conselhos de administração e fiscal de
empresas ou entidades em que a União
detenha, direta ou indiretamente,
participar de gerência ou participação no capital social ou em
administração de socie- sociedade cooperativa constituída para
dade privada prestar serviços a seus membros. Não se
considera infração, se o servidor estiver
em gozo de licença para o trato de
interesses particulares, observada a
legislação sobre conflito de interesses.

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AGENTES PÚBLICOS

atuar, como procurador


ou intermediário, junto a
repartições públicas, em conformidade com o texto da lei, é
salvo quando se tratar de vedado seu retorno ao serviço público
benefícios previdenciá- federal, ainda que após aprovação em
rios ou assistenciais de concurso público, pelo prazo de 5 (cinco)
parentes até o segundo anos.
grau, e de cônjuge ou
companheiro.

receber propina, comissão, presente ou vantagem de qualquer espécie


aceitar comissão, emprego ou pensão de estado estrangeiro.
praticar usura sob qualquer de suas formas, seja na repartição pública
ou fora dela
proceder de forma desidiosa

utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços ou


atividades particulares.

crime
contra a
não poderá mais retornar ao serviço público federal.
administra
ção pública

abandono ausência do servidor ao serviço público por mais de trinta


de cargo dias consecutivos, intencionalmente.

inassiduid deixa de comparecer ao serviço público por sessenta dias


ade interpolados, no prazo de doze meses, sem que haja
habitual justificativa plausível de sua ausência.

improbidad não poderá mais retornar ao serviço público federal


e implica a indisponibilidade dos bens do servidor até o
administrat completo ressarcimento ao erário público pelos danos
iva causados

incontinên
cia pública
e conduta na repartição.
escandalo
sa
insubordin
ação grave grau determinado pela discricionariedade do chefe.
em serviço
ofensa
física, em salvo em legítima defesa própria ou de outrem.
serviço

não poderá mais retornar ao serviço público federa.

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AGENTES PÚBLICOS

aplicação
implica a indisponibilidade dos bens do servidor até que
irregular de
seja feito o completo ressarcimento ao erário público
dinheiros
pelos danos causados.
públicos
revelação de segredo do qual se apropriou em razão do cargo
lesão aos não poderá mais retornar ao serviço público federal
cofres
públicos e
dilapidaçã implica a indisponibilidade dos bens do servidor até que
o do seja feito o completo ressarcimento ao erário público
patrimônio pelos danos causados.
nacional.
não poderá mais retornar ao serviço público federal

Corrupção implica a indisponibilidade dos bens do servidor até que


seja feito o completo ressarcimento ao erário público
pelos danos causados.
acumulaçã
o ilegal de a demissão pode decorrer de procedimento sumário
cargos

ATENÇÃO! A penalidade de demissão deve respeitar o prazo de


prescrição de 5 (cinco) anos, contados do momento em que a
administração(qualquer autoridade pública) toma conhecimento do fato.

Sanção aplicada aos servidores públicos que estejam aposentados ou


em disponibilidade e que tenham cometido, na atividade alguma das
CASSA- sanções previstas em lei, puníveis com demissão.
ÇÃO DE
APOSEN- Pode aplicar a pena o Presidente da República, Presidentes das Casas
TADORIA E do Poder Legislativo e dos Tribunais Federais e Procurador-Geral da
CASSA- República. Vai depender do órgão ou Poder ao qual o servidor esteja
ÇÃO DE vinculado.
DISPONIBI-
LIDADE O prazo de prescrição para aplicação da sanção será de 5 (cinco)
anos, contados do momento em que a administração toma
conhecimento do fato.

Cometer a outro servidor atribuições estranhas ao cargo que ocupa,


exceto em situações de emergência e transitórias.

Exercer quaisquer atividades que sejam incompatíveis com o exercício


do cargo ou função e com o horário de trabalho.
SUSPENS reincidência em infração punível com advertência.
ÃO
Atenção!“As penalidades de advertência e de suspensão terão seus
registros cancelados, após o decurso de 3 (três) e 5 (cinco) anos de
efetivo exercício, respectivamente, se o servidor não houver, nesse
período, praticado nova infração disciplinar”(art. 131, da Lei n.
8.112/90).

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AGENTES PÚBLICOS

a competência para aplicação da penalidade será autoridade imedia-


tamente inferior àquela que é competente para aplicação da penalidade
de demissão, se a suspensão for por mais de 30 dias. Em casos de sus-
pensão por até 30 dias, o chefe da repartição é competente para aplica-
ção da pena.

o prazo de prescrição para aplicação da sanção será de 2 (dois) anos,


contados do momento em que a administração toma conhecimento do
fato.

não pode ultrapassar 90 (noventa) dias e, no interesse da


administração, pode ser substituída por uma multa de 50% da
remuneração do servidor.

a lei também determina a penalidade de suspensão, com


finalidade coercitiva.

Recusa se o servidor se submete à inspeção médica, a qualquer


à inspeção momento durante a suspensão, cessa a penalidade de
médica suspensão naquele exato momento.

a suspensão pode ser aplicada por, no máximo, 15


(quinze) dias.

DESTITUIÇ Será aplicada nos casos de infração sujeita às penalidades de


ÃO DE suspensão e de demissão.
CARGO
EM que não se confunda com a exoneração de servidores comissionados,
COMISSÃ porque a destituição é sanção e deve ser aplicada mediante procedi-
O E mento administrativo disciplinar em que se assegure a garantia do con-
DESTITUIÇ traditório e da ampla defesa ao servidor.
ÃO DE
FUNÇÃO a competência para aplicação da penalidade será da autoridade que
DE nomeou o agente para exercício do cargo ou função e o prazo de pres-
CONFIANÇ crição para aplicação da penalidade será de 5 (cinco) anos, contados do
A momento em que a administração toma conhecimento do fato.

é a sanção administrativa mais leve.

a competência para aplicação da penalidade é do chefe da repartição.

ausentar-se do serviço durante o horário normal de expediente, sem


prévia autorização do chefe imediato.

ADVERTÊ retirar, sem prévia anuência da autoridade competente, qualquer docu-


NCIA mento ou objeto da repartição pública.

recusar fé a documentos públicos.

opor resistência injustificada ao andamento de documento e processo ou


execução de serviço.

promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição.

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AGENTES PÚBLICOS

cometer a pessoa estranha à repartição, fora dos casos previstos em


lei, o desempenho de atribuição que seja de sua responsabilidade ou de
seu subordinado.

coagir ou aliciar subordinados no sentido de filiarem-se a associação pro-


fissional ou sindical, ou a partido político.

manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, côn-


juge, companheiro ou parente até o segundo grau civil.

recusar-se a atualizar seus dados cadastrais quando solicitado.

ATENÇÃO! O prazo de prescrição para aplicação da penalidade de


advertência será de 180 dias, contados do momento em que a Adminis-
tração Pública toma conhecimento do fato infracional.

“Os prazos de prescrição previstos na lei penal aplicam-se às infrações


disciplinares capituladas também como crime”(art. 142, §2°, da Lei n.
8.112/90). Conforme o STF é necessário que a conduta esteja sendo
alvo de julgamento na esfera criminal.
PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR

Não é possível a aplicação de quaisquer penalidades administrativas, sem que haja o


prévio processo administrativo, não existindo a figura da “verdade sabida”.
A sua instauração interrompe o prazo prescricional para aplicação da penalidade
administrativa, por 140 dias (STJ). Depois desse prazo reinicia normalmente a sua
contagem (possibilidade de prescrição intercorrente).
O servidor que estiver respondendo a processo administrativo disciplinar não pode ser
exonerado a pedido e nem ser aposentado voluntariamente.
processo administrativo simplificado, suficiente e adequado para
aplicação das penalidades de advertência ou suspensão por até 30
dias.
ATENÇÃO! Diferente da “sindicância meramente investigativa” criada
pela doutrina e pela prática administrativa, com base legal na lei
9784/99, e que não pode resultar na aplicação de penalidades.
O prazo máximo de duração é de 30 dias, prorrogáveis por mais 30 dias
SINDICÂN (prazo impróprio).
CIA
Arquivamento do processo
Pode
resultar em Aplicação de penalidade
(art. 145):
Instauração do PAD
não é indispensável para instauração do PAD, e o PAD não é
necessário, se na sindicância for apurada infração penalizada com
advertência ou suspensão de até 30 dias.

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AGENTES PÚBLICOS
PRO-
CESSO
ADMINIS-
Se a permanência do servidor no cargo puder atrapalhar o andamento
TRATIVO
do processo, seu afastamento preventivo pode ser determinado, pelo
DISCIPLI-
prazo máximo de 60 dias, prorrogáveis por mais 60 (prazo peremptório),
NAR PRO-
mantida obrigatoriamente sua remuneração integral (art. 147).
PRIA-
MENTE
DITO (PAD)
Designa-se a comissão (composta por três servidores
estáveis que não sejam cônjuges ou parentes até o
Instauraçã terceiro grau civil do acusado).
o O membro presidente (detentor de cargo ou nível de
escolaridade igual ou superior ao do acusado) é indicado
pela autoridade competente.
Ampla, cabendo a prova emprestada,
instrução
desde que tenha sido produzida
probatória,
regularmente no processo judicial.
o réu terá o prazo de 10 dias para
apresentação de defesa.
Se citado por edital o prazo para defesa é
de 15 dias.
havendo dois ou mais acusados no mesmo
FASES DO defesa processo, o prazo de defesa será de 20
PRO- Inquérito
administrat dias.
CESSO
ADMINIS- ivo Com a revelia há a designação defensor
TRATIVO dativo (poder qualquer pessoa com cargo
DISCIPLI- ou nível de escolaridade igual ou superior
NAR ao acusado).

elaboração tem natureza jurídica de um parecer


do relatório. não é vinculante (STF).

Na defesa não precisa de defesa técnica (súmula


vinculante n. 5). Mas se optar por ela, a Administração não
pode impedir.
a autoridade julgadora deverá proferir o julgamento, no
Julgament processo administrativo, em um prazo máximo de 20
o (vinte) dias, concluindo pelo arquivamento do processo ou
aplicação da penalidade.

Pedido de reconsideração
Impugnaçõ
es Recurso
administrat
Revisão

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AGENTES PÚBLICOS
ivas do É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento
julgamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de
recurso administrativo (súmula vinculante n. 21).
ATENÇÃO! PAD tem duração de 60 dias, prorrogáveis por mais 60 dias,
até elaboração do relatório, depois a autoridade terá mais 20 dias para
que seja proferido o julgamento (+ 20 dias).

Devem ser interpostos, no prazo legal de 30 (trinta) dias.

O recurso é dirigido à autoridade superior àquela que pro-


feriu a decisão.

RECURSO O pedido de reconsideração é julgado pela própria autori-


E PEDIDO dade que efetivou o julgamento do processo.
DE RE- Da decisão do pedido de reconsideração, o agente terá o
CONSIDE- prazo de 30 (trinta) dias para interposição de recurso e as-
RAÇÃO sim sucessivamente.

Podem ser apresentados recursos até o máximo de 3


(três) instâncias.

A lei não proíbe, nestas situações, a reformatio in pejus.

Não tem prazo para a interposição (não há prazo preclu-


sivo).

Devem ser alegados fatos novos (fatos que não foram


analisados no processo).

A autoridade que julgou o Processo Administrativo Disci-


plinar será competente para julgamento da Revisão.
REVISÃO
É um novo processo, com nova comissão.

O prazo de prescrição contra o Estado é de cinco anos


para a demissão, cassação de aposentadoria e disponibi-
lidade e cento e vinte dias nos demais casos (art. 110, da
Lei n. 8.112/90).

A lei veda a reformatio in pejus.

PROCESSO SUMÁRIO

Abandono de cargo, inassiduidade habitual (art. 140) e também de acumulação ilegal


de cargos (art. 133) são hipóteses que ensejam a aplicação da penalidade de demis-
são.

(suposta) facilidade de comprovação da materialidade das irregularidades, o qual terá


o prazo máximo de duração de 30 (trinta) dias prorrogáveis por mais 15 (quinze) dias.

A comissão é composta por 2 (dois) servidores estáveis.

Não há fase instrutória.

Prazo para a defesa é de cinco dias.

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ATENÇÃO! No caso de acumulação ilegal de cargos, a opção poderá ser feita após
uma notificação e antes da instauração do PAD, ou até o último dia do prazo para a
defesa no PAD. Ao fazer a escolha, em ambos os casos, presumir-se-á a sua boa-fé e
será determinada a exoneração a pedido.

APOSENTADORIA DO SERVIDOR PÚBLICO

é garantia constitucional usufruída após um determinado tempo de exercício da ativi-


dade e, mediante o cumprimento de alguns requisitos, previamente estipulados, faze-
rem jus ao recebimento de uma remuneração – designada como provento – mesmo
sem a necessidade de se manter na execução de sua atividade original.

Todos aqueles que exercem atividade remunerada, necessariamente,


deverão contribuir ou para regime geral da previdência social ou para o
regime próprio de previdência social.

Não exercendo qualquer atividade remunerada a contribuição ao regime


geral é facultativa.

Todos aqueles que não têm regime próprio e exercem ati-


vidade remunerada, necessariamente, contribuem para o
Regime Geral de Previdência Social.

REGIMES O responsável pela gestão deste é o INSS e o Ministério


DE da Previdência Social.
PREVIDÊN
CIA Regime ge- É aplicado aos empregados em geral, àqueles contratados
ral de Pre- sob o regime da CLT para prestação de serviços em enti-
vidência dades da Administração Indireta de Direito Privado, como
Social as empresas públicas e sociedades de economia mista e
(RGPS) aos servidores temporários.

O servidor comissionado está sujeito ao regime geral de


previdência.

Aplicado aos servidores detentores de cargos efetivos vin-


culados a entes federativos que não instituíram regime
próprio para os seus servidores estatutários.

Trata-se de regime destinado ao servidor estatutário, de-


tentor de cargo efetivo de ente federativo que tenha insti-
tuído e regulamentado a previdência.
Regime
próprio Também se aplica aos detentores de cargos vitalícios.
(RPPS)
ATENÇÃO! Os servidores militares possuem uma regula-
mentação específica, não se tratando de aposentadoria
propriamente dita.

REGIME Originariamente, o texto constitucional de 1988 definia o


BREVE
PRÓPRIO tempo de serviço como único requisito para concessão de
HISTÓ-
DE aposentadoria a servidores efetivos, vinculados ao Re-
RICO
PREVIDÊN gime Próprio de Previdência.

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AGENTES PÚBLICOS

CIA CONSTI- EC n. 20/98 trouxe o tempo de contribuição e a idade


SOCIAL TUCIONAL como pressupostos. Esta ainda criou o abono de perma-
(RPPS). nência aos servidores que se mantivessem no serviço pú-
blico mesmo já tendo cumprido todos os requisitos para o
gozo de aposentadoria voluntária integral.

EC n. 41/03 incluiu no texto constitucional o princípio da


solidariedade do regime público de previdência; terminou
com as garantias da integralidade e paridade; também
acrescentou a contribuição dos servidores inativos, sejam
eles aposentados ou pensionistas e determinou a introdu-
ção do teto de proventos do regime geral de previdência
aos servidores do regime próprio.

EC n. 47/05 definiu novas regras de transição para aque-


les ingressos no serviço público antes de 2003, além da
criação de aposentadoria especial para servidores porta-
dores de deficiência, que exerçam atividades de risco ou
atividades prejudiciais à saúde, desde que as normas se-
jam estipuladas por meio de lei complementar.

Não interessa, para fins de cálculo e de


concessão da aposentadoria, o tempo de
serviço público, passando a ser relevante
Caráter apenas o tempo de contribuição do agente.
contributiv
Aqueles servidores cuja contagem de
o do regime
tempo de serviço havia sido feita antes do
advento da EC 20/98, tiveram, automatica-
CARACTE- mente, todo tempo de serviço convertido
RÍSTICAS em tempo de contribuição.
DO RPPS Contagem
todo tempo que o agente público contribuiu
recíproca
em qualquer dos regimes de previdência, a
de tempo
qualquer tempo, poderá ser contado como
de
tempo de contribuição para fins de aposen-
contribuiçã
tadoria no regime próprio de previdência.
o

Caráter Os servidores contribuem para a manuten-


solidário ção do sistema.

Será concedida aposentadoria, com pro-


ventos proporcionais ao tempo de contri-
HIPÓTE- buição do agente.
SES Aposentad
DE APO- oria por se decorrer de acidente
SENTADO- invalidez Dar-se-á com de serviço.
RIA proventos inte-
grais: decorrer de doença pro-
fissional.

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AGENTES PÚBLICOS

doença grave, incurável


ou contagiosa, na forma
da lei (o art. 18,
da Lei n, 8.112/90 traz rol
exemplificativo, conforme
STJ).

Acontece aos 70 (setenta) anos de idade,


tanto para o homem quanto para a mulher
Aposentad servidora pública,
oria
paga com proventos proporcionais ao
compulsóri
tempo de contribuição ou integral, caso o
a
servidor tenha contribuído todo o tempo ne-
cessário para a concessão de aposentado-
ria com proventos integrais.

o servidor deverá comprovar ter comple-


tado 10 (dez) anos no serviço público, so-
mado ao fato de estar, há 5 (cinco) anos, no
cargo em que será concedida a aposenta-
doria.
homem: deve ter 60 anos
de idade + 35 anos de
contribuição.
mulher: deve ter 55 anos
Aposentad de idade + 30 anos de
oria voluntária
contribuição.
voluntária integral
ATENÇÃO! Se aqui deci-
dir por não se aposentar,
receberá o abono perma-
nência, não deixando de
contribuir.
homem: 65 anos de
voluntária idade.
proporcional mulher: 60 anos de
idade.
Devem comprovar que todo tempo de con-
tribuição se deu em atividade educacional
(STF admite tempo de atividades vincula-
Servidores das ao magistério como direção de escola
que ou orientação pedagógica, entre outros).
exercem
atividades Devem comprovar se todo o tempo pres-
de tado foi no ensino de educação infantil, en-
magistério sino fundamental ou médio.

Têm direito à redução de cinco anos na


contagem de tempo de contribuição bem

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AGENTES PÚBLICOS
como na idade, somente para fins de apo-
sentadoria voluntária integral.

Critérios
Apenas em relação aos casos previstos ao
diferenciad
art. 40, §4°, da Lei n. 8.112/90.
os
No regime próprio de previdência social do servidor pú-
blico, a alíquota de contribuição será sempre de 11% (art.
4°, da Lei n. 10.887/94).
o servidor inativo que ganhar acima do teto do regime ge-
ral de previdência social contribuirá (também 11%) sobre
VALOR DA
tudo aquilo que seu provento de aposentadoria ou pensão
CONTRI-
ultrapassar o referido teto (EC n. 41/03 c/c ADI 3105).
BUIÇÃO
caso o servidor inativo sofra de doença incapacitante, só
contribuirá sobre aquilo que os proventos de sua aposen-
tadoria ultrapassar o dobro do valor definido como teto
para os sujeitos ao regime geral de previdência (EC n.
47/05).
com a edição da lei 12.618/12, a aposentadoria dos servi-
dores públicos passou a se submeter ao teto, pois ao ins-
tituir o regime de previdência complementar para os servi-
dores públicos federais titulares de cargo efetivo, também
fixou o limite máximo para a concessão de aposentadorias
e pensões pelo regime de previdência de que trata o art.
40 da Constituição Federal.
o Decreto n. 7.808/12 regulamentou a lei, de forma aque-
les que ingressaram no serviço público após a criação da
TETO DO FUNPRESP terão proventos de aposentadoria e pensão
REGIME limitados ao valor máximo pago aos segurados do regime
PRÓPRIO geral.
no novo regime complementar, o valor do benefício pro-
gramado será calculado de acordo com o montante do
saldo da conta acumulado pelo participante, devendo o va-
lor do benefício estar permanentemente ajustado ao refe-
rido saldo.
os benefícios decorrentes dos eventos invalidez e morte e,
se for o caso, a cobertura de outros riscos atuariais são
assegurados.
o cálculo é feito nos mesmos moldes defi-
nidos para o regime geral de previdência,
Paridade e qual seja, mediante cálculo da média arit-
Integralidad
Integrali- mética dos salários de contribuição do ser-
e
dade vidor público, ao longo de sua vida, atuali-
zados monetariamente, consoante art. 40,
§3º da Constituição Federal.

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Com o fim desta, criou-se uma revisão
anual, no texto constitucional, não vincu-
Paridade
lada ao reajuste dos servidores em ativi-
dade (art. 40, §8°, da CF/88)
ato complexo, pois é conjunção da manifestação do ór-
NATU- gão que o servidor exerce suas atividades e da aprova-
REZA JU- ção do ato de aposentadoria pelo Tribunal de Contas.
RÍDICA DO Se o Tribunal de Contas não aprovar a concessão inicial,
ATO DE não precisa respeitar o contraditório e a ampla defesa, por-
APOSEN- que não se trata de anulação de ato ampliativo, mas tão-
TADORIA somente a não perfeição deste ato que ainda se encon-
trava em formação (súmula vinculante n. 3).
Mesmo sem ter cumprido os requisitos, po-
derá se aposentar sem a idade mínima.
Homem: 53 anos de idade e 35 anos de
contribuição.
Mulher: 48 anos de idade e 30 anos de con-
tribuição.
contudo, o período de tempo de contribui-
ção é de 20% a mais do que faltaria para
quem
completar a idade mínima.
ingressou
no serviço sem as prerrogativas da paridade ou da in-
público tegralidade (art. 40, §8°, da CF/88).
antes
da EC n. Caso seja feita a opção de se aposentar
REGRAS com idade menor, o servidor sofrerá uma
20/98
DE TRAN- redução de remuneração de 3,5%, para
SIÇÃO cada ano que faltava para completar a
DAS RE- idade mínima de aposentadoria do novo re-
FORMAS gime (a partir de 2006, o redutor passa a
PREVI- ser de 5%).
DENCIÁ-
RIAS a EC n. 47/05 definiu novas regras de tran-
sição para aqueles que ingressaram no ser-
viço público antes de 1998, sem excluir as
regras anteriores (art. 3°).
Mesmo sem ter completado o tempo neces-
sário para a aposentadoria, podem manter
quem seus proventos com as prerrogativas de pa-
ingressou ridade e integralidade.
no serviço
Homem: 60 anos de
público
idade e 35 anos de contri-
antes
buição.
da EC nº Requisitos
41/03 Mulher: 55 anos de idade
e 30 anos de contribui-
ção.

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E 20 anos de efetivo
exercício no serviço pú-
blico; 10 anos de carreira
e 5 anos no cargo (soma-
dos aos anteriores).

DEMAIS BENEFÍCIOS DA SEGURIDADE SOCIAL DO SERVIDOR

Prerrogativas dos servidores ativos ou inativos que figurem na qualidade


de segurado direto.

devido ao servidor ativo ou ao inativo, de baixa renda, por


dependente econômico.

o cônjuge ou companheiro

filhos e enteados até 21 anos (se inválido,


de qualquer idade)

BENEFÍCI Dependente filho e enteados, se estudantes, até 24


OS DOS s anos
SEGURAD SALÁRIO menor de 21 anos que, mediante autoriza-
OS FAMÍLIA ção judicial, viver na companhia e às ex-
pensas do servidor, ou do inativo, assim
como a mãe e o pai desde que não tenham
economia própria.
não está sujeito a qualquer tributo, nem servirá de base
para qualquer contribuição, inclusive para a contribuição
da Previdência Social.
o afastamento do cargo efetivo, ainda que sem remunera-
ção, não acarreta a suspensão do pagamento do salário-
família.
devido à servidora por motivo de nascimento de filho,
sendo devido, inclusive, no caso de natimorto.

AUXÍLIO equivalente a um salário mínimo.


NATALIDA
se for parto múltiplo, o valor será acrescido de 50%, por
DE
nascituro, além do primeiro.

pago ao cônjuge ou companheiro servidor público, quando


a parturiente não for servidora.

por até 15 dias, dentro de 1 (um) ano, poderá ser dispen-


sada de perícia oficial, sendo que o atestado médico par-
LICENÇA ticular será recepcionado pelo setor de recursos humanos
PARA do órgão.
TRATAME
NTO DE por mais de 15 (quinze) dias, mas inferior a 120 (cento e
SAÚDE vinte dias), o laudo médico será proferido pelo médico do
órgão ao qual o servidor público se encontra vinculado di-
retamente.

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por mais de 120 (cento e vinte) dias, no período de 12


(doze) meses a contar do primeiro dia de afastamento,
será concedida somente mediante avaliação por junta mé-
dica oficial.
Após a concessão da licença, o servidor será submetido a
exames médicos periódicos.
120 (cento e vinte) dias consecutivos, sem prejuízo da re-
muneração, iniciado no nono mês de gestação, sendo que
esse prazo poderá ser prorrogado por mais 60 dias (De-
creto n. 6690/08)

prorrogação deve ser requerida até, no máximo, 30 dias


após o parto.

a servidora lactante terá direito, durante a jornada de tra-


LICENÇA balho, a uma hora de descanso (ou dois períodos de meia
GESTANT hora), para amamentar o filho (até o sexto mês).
E,
a servidora que sofreu um aborto (atestado por médico ofi-
ADOTANT
cial) terá direito a 30 dias de repouso remunerado.
E E
PATERNID natimorto - decorridos 30 dias do evento, a servidora será
ADE submetida a exame médico, e se julgada apta, reassumirá
o exercício.

Até um ano de idade – licença de 90 dias,


prorrogáveis por mais 45 dias.
adoção
Mais de um ano de idade – licença de 30
dias, prorrogáveis por mais 15 dias.

a licença paternidade será de 5 (cinco) dias consecutivos.

Com remuneração integral.

dano físico ou mental relacionado, mediata ou imediata-


mente, com as atribuições do cargo exercido.

LICENÇA se necessitar de tratamento especializado, é garantido o


POR tratamento em instituição privada, à conta de recursos pú-
ACIDENTE blicos, desde que provando o acidente no prazo de 10 dias
EM (prorrogáveis se as circunstâncias exigir)
SERVIÇO Dano decorrente de agressão sofrida e não
provocada pelo servidor no exercício do
Equiparaçã cargo
o legal
Dano sofrido no percurso da residência
para o trabalho e vice-versa.

ASSISTÊN Aos segurados e aos dependentes.


CIA
Compreende a assistência médica, hospitalar, odontoló-
À SAÚDE
gica, psicológica e farmacêutica.

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A diretriz básica é a ação preventiva.

Prestada pelo SUS, diretamente pelo órgão ou entidade


ao qual estiver vinculado o servidor, ou mediante convênio
ou contrato, ou ainda na forma de auxílio, mediante res-
sarcimento parcial do valor despendido pelo servidor, ativo
ou inativo, e seus dependentes ou pensionistas com pla-
nos ou seguros privados de assistência à saúde, na forma
estabelecida em regulamento.

pago ao dependente do servidor, em razão de sua morte.

corresponde a uma pensão mensal a partir da data do


óbito.

É o valor da totalidade da remuneração ou proventos do


servidor falecido, até o limite máximo estabelecido para os
benefícios do regime geral de previdência social de que
trata o art. 201, acrescido de 70% da parcela excedente a
este limite, caso aposentado à data do óbito do agente.

Fazem jus o cônjuge, a pessoa desquitada,


separada judicialmente ou divorciada, com
percepção de pensão alimentícia, o compa-
nheiro ou companheira designado, a mãe e
o pai dependentes economicamente do
servidor e a pessoa designada, maior de 60
Vitalícia
PENSÃO anos e a pessoa portadora de deficiência,
POR que vivam sob a dependência econômica
BENEFÍCI MORTE do servidor.
OS DOS
DEPENDE cônjuge ou companheiro, afasta os pais e a
NTES pessoa designada.

Ao filho, enteado, menor sob guarda ou tu-


tela, irmão órfão e pessoa designada que
viva na dependência econômica do servi-
dor, todos até 21 anos ou se inválidos, en-
Temporária
quanto durar a invalidez.

filhos, enteados ou menores sob guarda


afastam os irmãos e pessoas designadas

se existirem beneficiários da pensão temporária e vitalícia,


será dividida igualmente entre as duas espécies.

beneficiário condenado por homicídio doloso do servidor


perde o benefício.

Caso em que o servidor ativo esteja sofrendo penalidade


AUXÍLIO
de reclusão.
RECLUSÃ
O
Cessa assim que for posto em liberdade.

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prisão, em flagrante ou preventiva.


dois terços
da
remuneraçã terá direito à integralização da remunera-
o ção, desde que absolvido ao final da ação
penal.

metade
condenação, por sentença definitiva, desde
da
que a pena não determine a perda de
remuneraçã
cargo.
o

devido à família do servidor falecido na atividade ou apo-


sentado ou àquele que comprovar ter custeado o funeral.

valor referente aos gastos efetivos, chegando ao máximo


AUXÍLIO a um mês da remuneração ou provento.
FUNERAL
em caso de acumulação legal de cargos, o auxílio será
pago somente em razão do cargo de maior remuneração.

pago no prazo de 48 horas (procedimento sumaríssimo).

ASSISTÊN
nos mesmos moldes definidos no tópico referente à saúde
CIA
do servidor público ativo ou inativo.
À SAÚDE

*IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA*

- A Probidade Administrativa não é novidade no ordenamento jurídico brasileiro, já o Princípio da Moralidade foi
introduzido pela Constituição Federal de 1988. Esse princípio tem conceito vago e indeterminado, por isso muito
doutrinadores misturam moralidade com probidade, porque ambas decorrem da idéia de honestidade.

- Entretanto, a improbidade é muito mais ampla que a moralidade, envolvendo muito mais hipóteses.

1.0- CONCEITO:

- É Designativo técnico para definir a corrupção administrativa, como desvirtuamento da administração pública,
com a desobediência às regras de administração pública.

2.0- FONTES:

- Está prevista na CF de 1988 em 04 hipóteses:

a) Art.15: Suspensão dos Direitos Políticos em razão de Improbidade Administração.

b) Art.85: Prática de atos de improbidade faz parte do rol de crimes de Responsabilidade do Presidente
da República.

c) Art.14, §9º: Improbidade Administrativa no Período Eleitoral.

d) Art.37, §4º: Regulado pela Lei 8429/92: Lei da Improbidade Administrativa.

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3.0- COMPETÊNCIA para LEGISLAR sobre IMPROBIDADE:

União: Com fundamento no art.22, I, a doutrina atribui competência legislativa exclusiva à União para legislar
a respeito, em razão da natureza das sanções aplicadas pela lei de improbidade (natureza eleitoral, civil, que
são de legislação exclusiva pela União).

- No que tange ao procedimento administrativo a competência é concorrente, ou seja, a União legisla sobre
normais gerais, e os outros entes legislam sobre matérias específicas.

4.0- NATUREZA JURÍDICA:

- Não é ilícito penal. Para que um ato de improbidade seja também considerado ilícito penal, é necessário que
esteja tipificado como tal em Lei Penal.

- Obs. Todo crime contra administração é ato de improbidade, mas nem todo ato de improbidade é crime.
- Também não é ilícito administrativo. Mas a Lei 8.112/90, estatuto dos servidores, pode estabelecer que um
ato de improbidade seja também infração funcional, sendo, neste caso, também ilícito administrativo.

- Tem natureza de Ilícito Civil, embora alguns doutrinadores considerem que ela pode ter natureza de ilícito
político em alguns casos. É apurado pela Ação de Improbidade Administrativa, que tem natureza de Ação Civil
Pública.

- OBS. Um Ato de Improbidade que seja ilícito civil, poderá também ser um Ilícito Penal e Ilícito Adminis-
trativo, hipótese na qual haverá procedimento para punição nas instâncias civil, administrativa e penal.

- Regra Geral: Incomunicabilidade das Instâncias. Exceções:

a. Sentença Absolutória no Processo Penal por inexistência do fato ou negativa de autoria: Neste caso,
há comunicação das instâncias, e o absolvido no processo penal será absolvido também nos proces-
sos civil e administrativo.

b. Absolvição por Excludente no Processo Penal: Faz Coisa Julgada no Processo Civil no que diz res-
peito à existência da excludente. Contudo, ainda assim, o absolvido por excludente poderá ser con-
denado no civil.

c. Art.935, CC/02; Arts.65 e 66 do CPP; Art.126, Lei 8.112/90: Outras situações onde há comunicabili-
dade de instâncias.

- Não há necessidade de sobrestação dos processos civil e administrativo enquanto correr o processo penal,
mas o ideal é o que o juiz o faça, embora não seja obrigado a fazê-lo.

5.0- SUJEITO PASSIVO (Art.1º, Lei 8429/92):

a. Administração Direta, Sociedade de Economia Mista, Empresa Pública, Autarquias e Funda-


ções.

b. Pessoa Jurídica na qual o Poder Público participe com mais de 50%. Neste caso, a PJ está
sujeita integralmente à Lei de Improbidade.

c. Pessoa Jurídica na qual o Poder Público participe com menos de 50%: Neste caso, as sanções
ficarão limitadas ao patrimônio, e a sanção pela improbidade ficará limitada ao prejuízo causado ao
Poder Público. Ex. Fundos de Pensão das Empresas Públicas e Sociedade de Economia Mista.

6.0- SUJEITO ATIVO:

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a) Agentes Públicos, inclusive os agentes políticos, embora haja uma reclamação no STF com objetivo
de excluí-los da lei de improbidade.

b) Terceiros: Desde que induzam, concorram ou se beneficiem da prática do ato. Entretanto, não res-
ponderá por todas as penas da ação de improbidade.

c) Pessoa Jurídica poderá ser sujeito ativo de improbidade: Também não sofrerá todas as sanções,
limitar-se-á às penas possíveis de serem aplicadas a uma Pessoa Jurídica.

- Obs Alguns autores entendem que mesmo os advogados privados poderão praticar ato de improbi-
dade quando atuarem em processo judicial, por exemplo. Mas os particulares somente praticam atos de
improbidade, juntamente com agentes públicos. Vejamos:

17. (TRF - 2ª Região - 2014 - TRF - 2ª REGIÃO - Juiz Federal) No tocante à improbidade administrativa, disci-
plinada pela Lei nº 8.429/92, assinale a opção em conformidade com o entendimento dominante em doutrina
e no Superior Tribunal de Justiça:

A) Todos os atos de improbidade administrativa previstos nos artigos 9º (enriquecimento ilícito), 10 (que causam
dano ao erário) e 11 (violação de princípios da Administração Pública) podem ser praticados com dolo ou culpa.
B) Quem não é agente público (o terceiro, previsto no artigo 3º da Lei nº 8.429/92) não pode responder isoladamente
(sem a presença de qualquer agente público), em ação de improbidade, e ser submetido às medidas gerais previstas
no artigo 12 da mencionada legislação.
C) Em caso de dano ao erário, causado por agente que comete ato de improbidade administrativa, é firme a orien-
tação de que a prescrição está sujeita aos prazos disciplinados no art. 23 da Lei nº 8.429/92.
D) Na aplicação das medidas estipuladas no art. 12 da Lei nº 8.429/92 (incisos I, II e III), reconhecida a improbidade
do servidor, o magistrado está vinculado à aplicação de todas as modalidades ali previstas, tendo liberdade apenas
no que se refere à gradação, haja vista que o § 4º do art. 37 da Constituição Federal encontra-se no imperativo.
E) No âmbito da improbidade administrativa, após o julgamento do tribunal de segundo grau, mantendo condenação
do agente público, a legislação admite a perda imediata do cargo público, sem prejuízo de futuro retorno na hipótese
de reforma do julgado por tribunal superior.

7.0- ATOS DE IMPROBIDADE:

a) Atos que geram ENRIQUECIMENTO ILÍCITO (art.9º):

- O art.9º é rol exemplificativo, basta que a conduta se enquadre no caput do artigo para que haja
enquadramento no ato de enriquecimento ilícito.

- Sanções:

I) Devolução do acrescido ilicitamente.


II) Ressarcimento dos prejuízos causados, quando houver prejuízo ao erário.
III) Suspensão de direitos políticos, de 8 a 10 anos.
IV) Perda da Função.
V) Aplicação da Multa Civil: Até 3 x o que foi acrescido ilicitamente.
VI) Proibição de Contratar, receber benefícios e incentivos fiscais pelo prazo de 10 anos.

b) Atos de Improbidade gerada por DANOS AO ERÁRIO (art.10º):

- Sanções:

I) Ressarcimento dos prejuízos causados.


II) Perda da Função.
III) Suspensão dos Direitos Políticos, de 05 a 08 anos.

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IV) Multa Civil: até duas vezes o Dano Causado ao Erário.


V) Proibição de contratar, receber incentivos fiscais e creditícios do Estado, durante 05 anos.
- OBS. Poderá haver devolução do acrescido, apenas pelo 3º que cometeu o ato de improbidade
juntamente com o agente, mas não haverá possibilidade de devolução do por parte do agente.

c) Atos de Improb. por VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA ADM. PÚBLICA (art.11):

- Não é necessário que a violação seja a Princípio que esteja no rol do art.11.

- Obs. Doação: É Limitada às hipóteses do art.17 da Lei 8666/93, que foi alterado pela Lei 11196/05,
qualquer doação fora dessas hipóteses ensejará improbidade.
- Obs. Placa Informativa de obras e serviços públicos: Não ensejam improbidade. Entretanto, placas
e publicidades de promoção de agentes públicos, mesmo quando feita por terceiros, enseja improbi-
dade administrativa.

-Obs. Infração ao Princípio da Igualdade no Concurso Pública: Também enseja improbidade.

- Sanções:

I) Perda da Função.
II) Suspensão dos Direitos Políticos de 03 a 08 anos.
III) Multa Civil: Até 100 x, mais o correspondente ao salário mensal do agente.
IV) Proibição de contratar e receber incentivos fiscais e creditícios do poder público pelo prazo
máximo de 3 anos.

-Obs. É possível o ressarcimento dos prejuízos causados, por dano moral ou intelectual, mesmo que
não tenha havido dano econômico.

- Obs. Não há possibilidade de devolução do acrescido, nem mesmo pelo 3º particular.

d) Disposições em Comum às três Modalidades de Improbidade:

- Não é possível misturar penas imputadas a mais de um ato de improbidade, quando o agente praticou
mais de uma modalidade. As penas poderão ser aplicadas isoladamente ou em bloco. O juiz deverá levar
em conta a gravidade do ato para decidir se aplica uma, algumas ou todas as penas atribuídas à modali-
dade de improbidade praticada.

- A Lei de Improbidade leva em conta o que fez o agente público, sem importar o que fez o 3º particular.
Se o agente praticou a conduta A, o particular responderá na ação de improbidade pela conduta A, mesmo
que tenha incorrido em outro tipo de ilícito administrativo que enseje improbidade.

- Não há cumulação de punições, se o agente praticou mais de 1 ato de improbidade, responderá apenas
pelo mais grave.

Segue esquema:

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ATOS QUE
ATOS DE GERAM
ATOS DE CAUSAM ATENTAM CONTRA
ENRIQUECIMENTO
DANO AO ERÁRIO PRINCÍPIOS
ILÍCITO
ADMINISTRATIVOS

perda da função pú- perda da função pú- perda da função pú-


blica blica blica

indisponibilidade e indisponibilidade e
perda dos bens adqui- perda dos bens adqui-
ridos ilicitamente ridos ilicitamente

ressarcimento do dano ressarcimento do dano


ressarcimento do dano
(se houver) (se houver)

multa de até três vezes multa de até duas ve- multa até 100 vezes a
o que acresceu ilicita- zes o valor do dano remuneração do servi-
mente causado dor

suspensão dos direitos


suspensão dos direitos suspensão dos direitos
políticos de 8 a 10
políticos de 5 a 8 anos políticos de 3 a 5 anos
anos

impossibilidade de
impossibilidade de impossibilidade de
contratar com o Poder
contratar com o Poder contratar com o Poder
Público nem de rece-
Público e de receber Público e de receber
ber benefícios fiscais
benefícios por 5 anos benefícios por 3 anos
por 10 anos

8.0- ELEMENTO SUBJETIVO:

- Art.10: O Ato de improbidade praticado com Dano ao Erário, tipificado no art.10, é a única modalidade que
aceita expressamente que o agente seja punido se agiu com dolo ou culpa.

- Enriquecimento Ilícito e Violação a Princípio da Administração Pública só podem ser praticados na modali-
dade dolosa, segundo entendimento da maioria da doutrina.

- Obs. O Ministério Público entende que mesmo o enriquecimento ilícito e a violação a princípio da adminis-
tração pública devem ocorrer na modalidade culposa e dolosa.

9.0- AÇÃO JUDICIAL:

9.1- Natureza Jurídica

- A Ação de Improbidade tem natureza de Ação Civil Pública. Por ter natureza de ACP, poderá ou não
ser precedida de Inquérito Civil. Esse inquérito servirá como investigação preliminar.

- Obs Alguns doutrinadores criticam esse entendimento, sob fundamento de que a Lei de Improbidade
é própria e o seu procedimento também é próprio. Por isso, o melhor a fazer numa prova é fazer uma
Ação de Improbidade.

9.2- Legitimidade

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- Ministério Público e a Pessoa Jurídica lesada do rol do art.1º, que será sujeito passivo do ato de
improbidade e sujeito ativo de ação de improbidade.

- Obs. Se o Ministério Público for o autor da ação, deverá notificar a Pessoa Jurídica lesada para, se ela
quiser, integrar o processo como Litisconsorte do MP. Se a autora da ação for a Pessoa Jurídica lesada,
o Ministério Público deverá participar da ACP como custos legis.

9.3- Competência

- Sempre na 1ª Instância, no foro do local onde ocorreu o dano causado pelo ato de improbidade.

- A Lei 10.628/02 introduziu o §.2º no art.84 do CPP, instituindo foro privilegiado para a autoridade que
praticasse ato de improbidade. A competência seria da Corte competente para julgar a autoridade no
Âmbito penal.

- Contudo, duas ADIN´s interpostas pelo CONAMP (No 27977) e a AMB (2860) declararam a Inconstitu-
cionalidade deste parágrafo, sob o fundamento de que lei ordinária não pode ampliar competência dis-
posta na Constituição Federal de 1988. Outro fundamento de que os Tribunais ficariam sobrecarregados
e de que o Tribunal ficaria distante dos fatos.

Art.21, Lei 8.429  A Punição por ato de improbidade independe de dano patrimonial. Independe também
de controle do TCU. Mesmo que o TCU aprove as contas da autoridade, esta poderá ser processada em
ação de improbidade.

9.5- Cautelares na Ação de Improbidade:

a. Indisponibilidade de Bens.

b. Cautelar de Seqüestro: Apesar de a norma prever o seqüestro expressamente, a maioria da dou-


trina entende que seria preferível o arresto.

c. Informação de Contas no exterior.

d. Afastamento preventivo da autoridade, enquanto for necessário à instrução do processo, sem pre-
juízo da remuneração.

9.6- Prescrição

- Aquele que exerce mandato eletivo ou cargo em comissão: Prazo de 05 anos a partir do momento em
que o agente deixar o cargo.

- Para os demais agentes: O Prazo será o mesmo prazo de prescrição para as infrações funcionais sujei-
tas a pena de demissão, previstas nos estatutos, 5 anos, geralmente.

9.7- Ressarcimento Civil

- Regra Especial: Art.37, par.5º da CF. O Ressarcimento é Imprescritível.

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*BENS PÚBLICOS*

1.0- CONCEITO:

- São todos aqueles bens, móveis ou imóveis, corpóreos ou incorpóreos, que compõem a dominialidade Pú-
blica do Estado, cuja titularidade é das Pessoas Jurídicas de Direito Público.

- OBS Bens das Sociedades de Economia Mista e Empresas Públicas exploradoras de atividade econômica
não considerados bens públicos, portanto, são prescritíveis, penhoráveis, alienáveis e oneráveis.

2.0- CLASSIFICAÇÃO (Quanto à Destinação dos Bens, CC/02):

 Bens Públicos Afetados: São todos aqueles que se vinculam a uma destinação específica. São os bens
de uso comum e de uso especial.

Bens Públicos Não Afetados: São todos aqueles que não se encontram vinculados a nenhuma finalidade
pública específica. São os Bens Dominicais ou Dominais.

*Afetação: Fenômeno jurídico, através do qual um bem não afetado passar a ser predisposto a um fim público
especial. Ou seja, é transformação de um bem dominical em bem de uso especial ou de uso comum.

*Desafetação: Fenômeno jurídico em face do qual o Estado, explícita ou implicitamente, retira, subtrai do bem
afeto, vinculado a uma finalidade, a sua destinação pública específica, de modo a transforma-lo em Bem
Dominical, não afetado.

a. Bens de USO COMUM:

- São todos aqueles bens públicos que se destinam ao uso coletivo de toda a comunidade em condições de
igualdade. Ex. Praias, avenidas, praças.

b) Bens de USO ESPECIAL:

- Destinam-se ao uso do próprio Estado para o exercício de duas atividades. Estão vinculados a uma finalidade
específica. Ex. prédios, cemitérios e museus públicos, estádios de futebol públicos.

- Os bens públicos das Pessoas Jurídicas de Direito Privado Prestadoras de Serviço Público, quando vincu-
lados à prestação do serviço, serão sempre de Uso Especial.

c) Bens DOMINICAIS ou DOMINIAIS:

- São todos aqueles bens que, não dispondo de nenhuma destinação pública específica, integram o chamado
patrimônio disponível do Estado, como objeto de Direito Real ou Pessoal. Não têm nenhuma destinação pú-
blica específica. Esses bens podem ser negociados pela Administração, por meio de comodato, locação,
venda, etc. Ex. Terras devolutas, terrenos da marinha.

3.0- CARACTERÍSTICAS:

a) Inalienabilidade:

- Há uma Inalienabilidade Relativa. Os bens públicos poderão alienados desde que se vinculam às formalida-
des legais.

- Os bens públicos afetados, enquanto preservarem essa condição, porque predispostos a uma finalidade
pública, são absolutamente inalienáveis.

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 Formalidades Legais para Alienação de Bens IMÓVEIS:

I) Desafetação (essa formalidade só é exigida para os bens afetados). Pode ser feita através de Decreto
do Chefe do Executivo.

II) Autorização Legislativa: Exigível apenas para os Bens Públicos, afetados ou não, pertencentes às
Pessoas Jurídicas de Direito Público. Para alienação de bens pertencentes às Empresas Públicas e
Sociedades de Economia Mista prestadoras de serviço público não há necessidade de autorização le-
gislativa.

III) Autorização do Presidente da República: Essa formalidade só é exigida no âmbito da União (Lei
Federal 9.636/93). Tal exigência é dispensada quando foi o próprio presidente quem pediu a autorização
legislativa para alienação do bem.

IV) Licitação na Modalidade Concorrência. Exceção (lei 8.666/93) Quando o bem imóvel for ad-
quiro pelo Estado em procedimento judicial ou em dação em pagamento, a licitação poderá ser por
Leilão.

V) Avaliação Prévia.

 Obs Lei 8.666/93, art.17: Traz hipóteses de dispensa obrigatória dessas formalidades para alienação
de bens públicos, nos seus inciso I (bens imóveis) e II (bens móveis) :

 Formalidades p/ Alienação de Bem Público MÓVEL:

I) Licitação: Via de regra, na modalidade Leilão.

II) Avaliação Prévia.

- Obs. Não há necessidade de autorização legislativa.

- Obs.2 Tanto para alienação de bem móvel quanto para a alienação de bem imóvel exige-se uma
fundamentação amparada na existência do interesse público, que motive a alienação, do contrário a
alienação estará viciada.

b) Impenhorabilidade:

- Para cumprimentos de decisões judiciais contra a Administração há o regime de Precatórios, que será
dispensado, no âmbito federal, quando o valor cobrado for até 60 sal.mínimos.

Veja:

18. (FCC - 2014 - TJ-CE – Juiz) Acerca dos bens públicos, é correto afirmar:

A) A imprescritibilidade é característica dos bens públicos de uso comum e de uso especial, sendo usucapíveis os
bens pertencentes ao patrimônio disponível das entidades de direito público.
B) As terras devolutas indispensáveis à preservação ambiental constituem, nos termos do art. 225, caput, da Cons-
tituição Federal, bem de uso comum do povo.
C) Os bens pertencentes aos Conselhos Federais e Regionais de Fiscalização são bens públicos, insuscetíveis de
constrição judicial para pagamentos de dívidas dessas entidades.
D) Os bens das representações diplomáticas dos Estados estrangeiros e de Organismos Internacionais são consi-
derados bens públicos, para fins de proteção legal.
E) Os imóveis pertencentes à Petrobrás, sociedade de economia mista federal, são considerados bens públicos,
desde que situados no Território Nacional.

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19. (FCC - 2014 - TRT - 18ª Região (GO) - Juiz do Trabalho) No tocante ao regime legal dos bens das entidades
pertencentes à Administração pública, é correto afirmar:

A) Os bens pertencentes a autarquia são impenhoráveis, mesmo para satisfação de obrigações decorrentes de
contrato de trabalho regido pela Consolidação da Legislação Trabalhista.
B) Os bens pertencentes às entidades da Administração indireta são bens privados e, portanto, passíveis de pe-
nhora.
C) A imprescritibilidade é característica que se aplica tão somente aos bens públicos de uso comum e especial, não
atingindo os bens dominicais.
D) Em face da não aplicação do art. 730 do Código de Processo Civil às lides trabalhistas, os bens públicos podem
ser penhorados para satisfação de débitos reconhecidos pela Justiça Laboral.
E) A regra da imprescritibilidade dos bens públicos, por ter origem legal, não se aplica ao instituto da usucapião
especial urbana, de status constitucional.

c) Imprescritibilidade:

- Impossibilidade da prescrição aquisitiva (Usucapião) dos bens públicos.

d) Impossibilidade de Oneração:

- Os bens públicos não podem ser gravados por ônus de direito real.

-Obs. Os bens públicos podem sofrer Enfiteuse, que ainda permanece no Direito Administrativo, mas essa
enfiteuse do Dir. Adm. não é direito real e sim contrato, direito pessoal.

4.0- USO DOS BENS PÚBLICOS:

- O Direito Brasileiro autoriza a utilização de bens públicos, em qualquer das suas modalidades, por terceiros
particulares, desde que se cumpram determinadas formalidades.

I) Uso Anormal de um Bem Público: Ocorre quando o bem público é utilizado de forma não compatível com
sua destinação pública, sem, contudo, eliminar essa destinação. Ex. barraca nas praias.

II) Uso Normal de um Bem Público: É o uso compatível com a destinação principal de bem público em tela.

- OBS. Todavia, o uso do bem público ainda de distingue no que diz respeito à sua exclusiva ou não exclusiva
utilização:

a. Bem de Uso Comum:

- O Uso é franqueado, em igualdade de condições, a todas as pessoas. É o uso para o qual concorrem
todas as pessoas.

I) Uso Comum Ordinário: É aquele, a vista do qual, todos indistintamente, podem utilizar o bem
público sem se sujeitarem a qualquer condição prévia, contemporânea ou a posteriori, ou a qualquer
restrição ou limitação.

II) Uso Comum Extraordinário: É aquele que, a despeito de a utilização do bem estar aberta a todos
indistintamente, o uso do bem público está sujeito a alguma condição prévia, contemporânea ou a
posteriori, ou alguma restrição ou limitação. Ex. utilização da estrada do coco (pagamento de pedá-
gio).

b. Bem de Uso Privativo ou Especial:

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- É o uso atribuído em caráter exclusivo a um particular. Todo bem público, independente de ser afetado
ou não, pode ter seu uso atribuído de forma exclusiva a um particular, desde que esse particular tenha
um título jurídico hábil, que lhe possibilite esse uso em caráter exclusivo. Ex. ilhas particulares, terrenos
da marinha.

I) Uso Privativo de Bens AFETADOS:


- Só é possível quando o particular estiver portando título jurídico de Direito Público. São três os
títulos possíveis:

 Autorização de Uso: A autorização pode se destinar a possibilitar que o particular exerça uma
atividade material ou que ele proceda ao Uso exclusivo de um bem público de um bem afetado.
- É uma forma de delegação do Estado. É ato administrativo discricionário, unilateral, e precário,
pelo qual o Estado faculta ao particular a possibilidade de uso exclusivo do bem público. É a
forma mais precária de delegação para o particular, porque pode ser revogada a qualquer
tempo, sem necessidade de indenização. Na autorização predomina o interesse do particular.

- Doutrina: Faz distinção entre 02 tipos de autorização:

• Autorização Simples: Não é submetida a qualquer condição, pode ser revogada a


qualquer tempo, sem indenização.

• Autorização Qualificada: Submete-se a alguma condição, inclusive a prazo certo.


Nesta modalidade, o Poder Público pode revogá-la a qualquer tempo, mas o particular
terá direito à indenização pelos prejuízos que tiver.

 Permissão de Uso: é unilateral, Discricionária e Precária, embora menos precária que a au-
torização, já que, na Permissão há uma predominância do interesse público e, também, por
ser ela precedida por Licitação. A Permissão também pode ser revogada a qualquer tempo,
mas sempre ensejará indenização, se provado prejuízo. Ex. banca de revistas e jornais.

Obs. Só não se exige licitação se for caso de dispensa ou inexigibilidade.

 Concessão de Uso: É Contrato Administrativo, celebrado por tempo certo ou determinado, no


qual a Administração faculta ao concessionário o uso de determinado bem público em caráter
especial, mediante a paga de determinado valor, que, via de regra, é alto, tendo em vista a
natureza de contrato da concessão de uso. Ex. Lojas em Aeroportos; Cemitérios Privados;
Lanchonetes nas rodoviárias.

II) Uso Privativo do Bem Não-AFETADO:

- Qualquer pessoa pode fazer uso exclusivo de um bem não afetado, desde que possua título jurí-
dico de Direito Público (autorização, concessão ou permissão) ou de Direito Privado, que, com base
na Legislação Federal, podem ser:

 Locação (Decreto Lei 9.760/46): Esse decreto lei dispõe sobre as regras do contrato de loca-
ção entre a União e seus servidores ou outros particulares. A União tem o poder, inclusive, de
rescisão unilateral do contrato se o locatário descumpre alguma cláusula.

 Arrendamento (Dec.Lei 9.760/46): É Espécie de contrato de locação, mas não com fins resi-
denciais, e sim com fim de exercer alguma atividade econômica ou social.

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 Enfiteuse (Dec. Lei 9.760/46, alterado, em parte, pela Lei 9636/98): A Enfiteuse do Direito
Administrativo, que é diferente daquela que existia no CC/16, está adstrita aos terrenos da
marinha, que são bens públicos dominicais.

• Domínio Direto: A União, enquanto proprietária do bem, detém o seu domínio Di-
reto.

• Domínio Útil: Passa a pertencer ao particular (enfiteuta ou foreiro), que terá as


faculdades de gozar, dispor e reivindicar o bem.

- O Enfiteuta tem que pagar, anualmente, uma taxa de 0.6% sobre o valor do imóvel. Terá,
também, que pagar o Laudêmio, se quiser alienar o domínio útil do terreno por ele utilizado,
cuja taxa será de 05% da fração ideal do terreno sob domínio do particular.

 Cessão de Uso (Lei 9.636/98): É Contrato Administrativo, por meio da qual a União faculta,
via de regra, em caráter gratuito, o uso de um bem imóvel seu a um Município, Estado ou a um
particular, Pessoa Física ou Jurídica, que exerça atividade não lucrativa, de natureza social ou
assistencial, como forma de auxiliar ou contribuir com esse propósito.

 Cessão do Direito Real de Uso (Decreto Lei 271/67): É contrato administro que transfere a
um particular um Direito Real, submetido a uma condição resolutiva, a explorar terrenos de
propriedade da União, com finalidade de urbanização, industrialização, edificação, cultivo da
terra ou outra finalidade social.

- Pode ter por objeto tanto terreno da União como o espaço aéreo que o recobre. É Cessão de
tempo indeterminado, transmissível causa mortis, sujeito a autorização legislativa e a Licitação
por concorrência, já que se trata de cessão de um direito real.

Diferencia-se do Contrato de Concessão de Uso: Este é contrato de natureza pessoal, com


prazo determinado, não transmissível causa mortis, não sujeito à autorização legislativa.

5.0- BENS PÚBLICOS EM ESPÉCIE:

a. Terrenos da Marinha e seus acrescidos:

- São todos aqueles terrenos banhados pelo mar, ou pelos rios ou lagoas navegáveis que sofram influên-
cia das marés, que entrem até 33 metros da linha do preamar médio, medido em 1831.

- Obs. Os terrenos acrescidos são as áreas de terra que se formam natural ou artificialmente, em com-
plementação, para dentro do mar, ou lagoas ou rios navegáveis que sofram influência das marés, em
seguimento ao terreno da marinha, sem limite de extensão.

EC 46/05 Subtraiu da União as Ilhas Costeiras que forem sede de municípios, que agora não perten-
cerão à União, e sim ao município cuja sede se localize nela. Não envolve as Ilhas Oceânicas.

b. Terrenos Reservados e seus Acrescidos:

- São os terrenos banhados pelos rios ou lagoas navegáveis que não sofram influência das marés, até 15
metros para dentro da terra, contados a partir da linha média das enchentes ordinárias, medidas em 1831,
mais os seus acrescidos. Via de regra, pertencem ao Estado-membro.

c. Terras Tradicionalmente ocupadas pelos Índios:

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- São de propriedade da União. Os índios têm título de usufruto permanente da terra e suas riquezas. São
as terras nas quais as comunidades indígenas ocupam, em caráter permanente e definitivo, nelas se
reproduzindo, tirando seu sustento e fomentando sua cultura. Os índio detêm a posse ‘ad memoriam’.

d. Faixas de Fronteira:

- Áreas de terra limítrofes com outros países, numa extensão de 150 km.

e. Terras Devolutas:

- Todas as áreas de terras públicas que não têm determinação quanto à sua extensão, não são discrimi-
nados na sua extensão.

6.0- Ação de Discriminação:

- Procedimento Judicial específico para demarcar a extensão da terra devoluta, que deixará de ser terra devoluta
após a demarcação, assumindo o caráter de terra pública stricto senso.

*LICITAÇÃO*

1. CONCEITO:

- Procedimento Administrativo para escolha da proposta mais vantajosa ao interesse público.

2. FINALIDADES:

 Escolha da Proposta mais vantajosa;


 Exercício do Principio da Impessoalidade Oportunidade para que qualquer um possa contratar
com o Poder Público, desde que preencha os requisitos legais.

3. SUJEITOS:

- Entes da Administração Direta; Entes da Administração Indireta e Entes Controlados direta ou indiretamente
pelo Poder Público (OSCIP´s, Serviços Sociais Autônomos).

- Obs. Empresas Públicas e Sociedades da Economia Mista obedecem à Lei 8.666/93. Se explorarem ativi-
dade econômica, poderão ter licitação com regime especial. Enquanto não for criado esse regime especial,
continuam obedecendo a Lei 8.666/93, gozando, entretanto, do direito de dispensa para valores de até 20% do
valor do convite.

- Fundo Especial (serve para gestão de interesses ou recursos públicos, que sirvam a um interesse coletivo):
Pode ser órgão público (Administração direta) ou fundação pública (Administração indireta), nestes 02 casos há
necessidade de licitação. Entretanto, o Fundo Especial também pode ser usado como código orçamentário, sem
estrutura ou personalidade jurídica. Neste caso, não haverá necessidade de licitação.

4. PRINCÍPIOS (Além de seguir a todos os princípios da Administração):

I) Princípio da Vinculação ao Instrumento Convocatório:

- Tudo o que é relevante para licitação deve estar previsto no edital. Exige que todas as regras a serem a
respeitadas estejam previstas no edital (não se pode exigir nem menos nem mais do que está previsto no
edital). O Edital ou a Carta-Convite contém as regras da licitação.

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II) Princípio do Julgamento Objetivo:

- O Edital tem que definir o Tipo de Licitação, não é possível a utilização de qualquer critério subjetivo
numa licitação, sob pena de violação a este princípio: (diferencia-se de modalidade).

* Melhor Preço * Melhor Preço e Técnica


* Melhor Técnica * Melhor Lance (leilão).

- OBS Se o edital estabelecer que o tipo de licitação será o de Menor Preço, independentemente de
qualquer motivo, vencerá aquela empresa que, preenchendo os requisitos previstos no edital, ofereça o
menor preço, ainda que o concorrente ofereça um produto com qualidade superior. Havendo empate no
preço, haverá desempate nos critérios do art. 3º, §2º da lei 8.666/93.

- OBS.2 Quando a licitação for de Melhor Técnica e Preço: O Edital deve prever qual o critério para
resolver a situação na qual um concorrente oferece um melhor preço e o outro ofereça melhor técnica
(pode ser a média, por exemplo).

III) Princípio do Procedimento Formal:

- O Processo de Licitação tem que respeitar todas as formalidades previstas na lei. É um procedimento
vinculado.

IV) Princípio do Sigilo das Propostas (válido inclusive para o pregão):

- As propostas são sigilosas até o momento de sua abertura em sessão pública. Se houver fraude (preços
combinados entre concorrentes): crime previsto na Lei de Licitação e improbidade administrativa. Exceção
a este princípio: Leilão (propostas verbais).

5. COMPETÊNCIA para LEGISLAR sobre Licitação:

- Competência Privativa da União para legislar sobre normas gerais de licitação (art.22, inc.27, C.F/88).
Obs. Norma Geral pode criar nova modalidade de licitação.

- Competência para legislar sobre normas específicas de licitação: Estados, DF e Municípios.

- Obs. Lei complementar poderá delegar ou transferir aos Estados para legislar sobre normas gerais.

- Quando a União legislar sobre normais gerais a Lei será Nacional; Quando a União legislar sobre normas
específicas a Lei será Federal, válida somente p/ União. STF/ lei 8666/93  tem normais gerais, mas também
possui normas específicas para a União (art.17).

 Lei 10.520/02 (define o pregão): Também utilizada como Norma geral, com mesmo poder da lei 8.666/93.

Lei 9.472/97 (institui ANP e ANATEL): Criou o pregão e a consulta, enquanto modalidades específicas das
agencias reguladoras. Não é norma geral de licitação. STF  Mesmo não se tratando de norma geral de
licitação, a Lei 9.472/97 poderia, como fez, criar a consulta e o pregão.

Obs. A Lei de Licitação do Estado da Bahia traz os procedimentos das modalidades de licitação totalmente
invertidos em relação aos da Lei 8666/93.

6. INEXIGIBILIDADE de LICITAÇÃO (art.25 da Lei 8.666/93, Rol Exemplificativo):

- Competição inviável, impossível.

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PRESSUPOSTOS para ocorrência de uma Licitação:

I) Pressuposto Lógico: Concorrência, pluralidade de ofertantes e objetos (+ de um sujeito e + de um


objeto). Obs. O Objeto pode ser único em razão:

 Caráter Absoluto: Só existe 01 objeto, porque só foi produzido 1 objeto.


 Evento externo.
 Caráter pessoal do objeto.

- Obs a Singularidade do Objeto tem que ser relevante para que haja inexigibilidade, e tem que estar
na lista do art.13 da Lei 8.666/93; Tem que ter Notória Especialização (reconhecida pela mídia, pela crí-
tica). Quando se falar de singularidade do objeto com todos os seus requisitos, sempre haverá um juízo
de valor do administrador.

II) Pressuposto Jurídico (interesse público): A licitação serve para proteger e atender ao interesse
público. Se a licitação acaba por prejudicar o interesse público, será inexigível.

Obs. Nos casos das Empresas Públicas e das Sociedades de Economia Mista, a Licitação será inexigível
quando prejudicar a atividade fim da empresa.

III) Pressuposto Fático: Se não há interesse do mercado, há inexigibilidade.

7. DISPENSA DE LICITAÇÃO

São situações em que há viabilidade de competição, no entanto, a lei determina a desnecessidade de realização do
certame. O rol de dispensa é definido em lei de forma taxativa nos art. 17 e 24 da lei 8666/93
É importante decorar as hipóteses de dispensa de caem bastante em prova. Basta o decoreba da lei que trata de
dispensa por urgência, dispensa em razão do valor, entre outros.

Veja como pode ser cobrado em prova:

20. (VUNESP - 2014 - TJ-RJ - Juiz Substituto) No caso de contratação a ser feita por sociedade de economia
mista com suas subsidiárias e controladas, para a aquisição ou alienação de bens, prestação ou obtenção
de serviços, nos termos da Lei n.º 8.666/93, é correto afirmar que:

A) a licitação deverá, obrigatoriamente, ser realizada na modalidade de tomada de preços.


B) a contratação deve ser feita por meio de licitação, necessariamente, quando o valor do bem ou do serviço for
superior a oito mil reais.
C) é dispensável a licitação, desde que o preço contratado seja compatível com o praticado no mercado.
D) é inexigível a licitação, independentemente do preço da contratação do bem ou do serviço.

MODALIDADES:

CONCORRÊNCIA
Modalidade muito garantidora da competição, sem limite de ingresso, com o procedimento amplo, abarcando
todas as fases, desde a análise de documentação, até a escolha das propostas. Qualquer pessoa pode participar
da concorrência.
Contratos de OBRAS E SERVIÇOS DE ENGENHARIA acima de R$ 1.500.000,00
Contratos de COMPRAS DE BENS E AQUISIÇÃO DE SERVIÇOS acima de R$ 650.000,00

Exceções:

A) Alienação ou aquisição de imóveis: Quando a administração pública adquire ou aliena imóveis, estas con-
tratações dependem de prévia licitação, sempre na modalidade concorrência, não sendo relevante, nestes ca-
sos, o valor do contrato.

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ATENÇÃO! se o imóvel a ser alienado tiver sido adquirido por dação em pagamento ou decisão judicial, pode-
se celebrar este contrato de alienação mediante licitação na modalidade concorrência OU leilão. Logo, nestes casos
específicos, a modalidade concorrência não será obrigatória.
B) Contrato de concessão de serviço público: Só pode ser realizada mediante concorrência.
C) Concessão de direito real de uso: Também depende de licitação na modalidade concorrência, independen-
temente do valor do bem.
D) Contratos de obra celebrados por meio de empreitada integral: não interessa o valor da obra; haverá con-
corrência mesmo que a obra não atinja um milhão e quinhentos mil reais. E) Licitações internacio-
nais: só podem ser realizada mediante concorrência.
Exceção da exceção:
1ª: se o órgão que vai realizar licitação internacional tiver cadastro internacional de licitantes, poderá optar por
fazer licitação na modalidade Tomada de Preço, desde que dentro dos limites desta modalidade.
2ª: se o bem ou serviço a ser contratado não tiver fornecedor no país, o órgão poderá fazer licitação internaci-
onal na modalidade convite (ou tomada de preço), desde que respeitados os limites de valor.

TOMADA DE PREÇO
Participam da competição apenas os licitantes que forem cadastrados no órgão ou aqueles que se cadastrarem
até 3 (três) dias antes da data marcada para a abertura dos envelopes contendo as propostas dos licitantes.
até R$ 1.500.000,00
DE BENS OU AQUISIÇÃO DE SERVIÇOS até R$ 650.000,00

CONVITE
O convite é a modalidade mais restrita de todas as previstas na lei de licitações. Participarão do certame apenas
os convidados, cadastrados ou não, sendo no mínimo 3 (três) convidados, salvo comprovada restrição de mercado,
quando então pode se realizar o convite com apenas 2 (dois) convidados. Este é o entendimento expresso do artigo
22, § 7º da lei 866693, abaixo transcrito, in litteris:
Art 22. § 7o Quando, por limitações do mercado ou manifesto desinteresse dos convidados, for impossível
a obtenção do número mínimo de licitantes exigidos no § 3o deste artigo, essas circunstâncias deverão ser
devidamente justificadas no processo, sob pena de repetição do convite.
Se não foi convidado, ainda assim o interessado poderá participar da licitação desde que comprove que, cu-
mulativamente, está regularmente cadastrado no órgão e que apresentou manifestação de interesse em participar
da competição, até 24 horas antes da data marcada para a abertura dos envelopes.
Na modalidade convite, não há edital. O instrumento convocatório é simplificado e denomina-se carta-convite.
A carta-convite não é publicada em Diário Oficial, porém, ainda assim, há publicidade (toda atuação do Estado
deve respeitar a publicidade). Nestes casos, a publicidade é feita de forma diferente da publicação. Estipula a lei
que a administração deverá enviar a carta-convite aos convidados e afixar no átrio da repartição, em local visível ao
público. Respeitadas estas regras, está devidamente publicizada a licitação.
até R$ 150.000,00
até R$ 80.000,00

CONCURSO
Não se pode confundir o concurso – procedimento licitatório – com o concurso público para provimento de
cargos públicos. Concurso é modalidade licitatória que serve para escolha de trabalho de técnico, artístico e cientí-
fico por parte da administração público.
O licitante vencedor da licitação recebe um prêmio ou remuneração pelo trabalho adquirido pelo ente estatal.

Vejamos:

21. (UFPR - 2014 - DPE-PR - Defensor Público) Assinale a alternativa correta sobre licitação.

A) São tipos de licitação o menor preço, a melhor técnica, técnica e preço e o leilão.
B) A modalidade para seleção de projeto arquitetônico, o qual servirá para construção de obra pública, deve ser
selecionado por procedimento licitatório na modalidade concurso.
C) A seleção de empresa para executar obra pública, cujo valor é superior a R$ 1.500.000,00, deve ser a tomada
de preços, obrigatoriamente.

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D) A aquisição de produtos cujo valor global do lote é de R$ 50.000,00 deve ser realizado, obrigatoriamente, por
convite.
E) O pregão é a modalidade licitatória a ser adotada em casos de objetos estritamente técnicos, não importando o
preço.

LEILÃO
Esta modalidade licitatória serve para alienação de bens pelo poder público.
A) O leilão pode ser feito para alienar bens imóveis que tenham sido adquiridos por decisão judicial ou dação em
pagamento (todos os outros deverão ser alienados mediante concorrência, obrigatoriamente).
B) Também, é modalidade licitatória para alienação de bens móveis inservíveis, apreendidos e penhorados.
A) Bens inservíveis: são os bens que não têm mais serventia pública, são bens desafetados, que não estão sendo
destinados à utilização pública.
B) Bens apreendidos: adquiridos, pelo poder público, em decorrência de atos ilícitos.
C) Bens penhorados: o legislador se equivocou ao falar em “penhora” quando queria se referir ao penhor. É im-
portante atentar para o fato de que o leilão administrativo não se confunde com o leilão judicial. Em verdade,
quando se trata de licitação na modalidade leilão, utiliza-se para alienar bens empenhados pelo particular ao
ente público.

PREGÃO
O pregão é modalidade licitatória definida para aquisição de bens – por esta razão a doutrina chama de “leilão
reverso” – e serviços comuns. Ressalte-se que serviços e bens comuns são aqueles que podem ser designados
no edital com expressão usual de mercado, conforme disposição legal expressa.
Hoje, quaisquer bens e serviços vêm sendo considerados comuns pela doutrina, não sendo possível a realiza-
ção de pregão para obras públicas.
Não há limite de valor estipulado para a realização de pregão.
A licitação na modalidade pregão será sempre do tipo MENOR PREÇO.

PROCEDIMENTOS:

CONCORRÊNCIA:
1) Fase interna – fase pré-procedimental:
Nesta fase a administração pública está, internamente, se organizando para licitar.
Primeiramente, deverá fazer a exposição de motivos da contratação e definir a dotação orçamentária para a
futura contratação. Depois disso, deve designar a comissão licitante. O fato de ter comissão permanente não des-
vincula a administração de informar qual será a comissão. Ainda nesta fase, o Poder Público elabora a minuta do
edital de licitação.
2) Fase externa:

A) PUBLICAÇÃO do edital de licitação.


A publicação é feita em diário oficial e em jornal de grande circulação.
Conforme a lei, qualquer cidadão pode impugnar o edital até o 5º dia útil anterior à data marcada para abertura
dos envelopes. Oferecida a impugnação, cabe à administração decidi-la no prazo de 3 dias úteis. (art. 41, §1º)
O potencial licitante também poderá apresentar Impugnação, porém seu prazo é até o 2º dia útil anterior à data
da abertura dos envelopes. (art. 41, § 2º)
É cediço que, em virtude do poder de autotutela, a administração pode alterar de ofício o edital ou mesmo
anulá-lo:
Súmula 473/STF: A ADMINISTRAÇÃO PODE ANULAR SEUS PRÓPRIOS ATOS, QUANDO EIVADOS
DE VÍCIOS QUE OS TORNAM ILEGAIS, PORQUE DELES NÃO SE ORIGINAM DIREITOS; OU REVOGÁ-
LOS, POR MOTIVO DE CONVENIÊNCIA OU OPORTUNIDADE, RESPEITADOS OS DIREITOS ADQUI-
RIDOS, E RESSALVADA, EM TODOS OS CASOS, A APRECIAÇÃO JUDICIAL.
B) HABILITAÇÃO:
Fase de análise da documentação dos licitantes, a fim de verificar se têm idoneidade para contratar com o
poder público. É importante frisar que o edital não pode estabelecer critérios não previstos em lei, evitando, assim,
restringir a licitação de forma desarrazoada.

Vejamos:

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22. (CESPE - 2014 - TJ-SE - Titular de Serviços de Notas e de Registros – Remoção) Com relação às licitações
(Lei n.º 8.666/1993 e atualizações), assinale a opção correta.

A) A prestação de serviços públicos sob o regime de permissão, concessão ou autorização independe da realização
de licitação.
B) O licitante que apresentar tempestivamente impugnação contra determinada restrição para a habilitação imposta
no edital de licitação somente poderá participar do processo licitatório após o trânsito em julgado da decisão perti-
nente à referida impugnação.
C) É dispensável a licitação para a compra de imóvel destinado ao atendimento de finalidades precípuas da admi-
nistração pública, se as necessidades de instalação condicionarem sua escolha e ainda que seu preço seja superior
ao de mercado, desde que o imóvel seja adequado à destinação pretendida pela administração.
D) É possível a adoção da modalidade de licitação denominada tomada de preços caso os interessados apresentem
comprovação das condições exigidas para o cadastramento até o terceiro dia posterior à data do recebimento das
propostas, observada a necessária qualificação.
E) É vedada a inclusão, no edital de licitação, de exigências de habilitação para cujo atendimento os licitantes
tenham de incorrer, antes da celebração do contrato, em custos não necessários.

Os critérios estão postos na lei e são cinco:


Art. 27. Para a habilitação nas licitações, exigir-se-á dos interessados, exclusivamente, documentação re-
lativa a:
I – habilitação jurídica;
II – qualificação técnica;
III – qualificação econômico-financeira;
IV – regularidade fiscal e trabalhista
V – cumprimento do disposto no inciso XXXIII do art. 7º da Constituição Federal. (Incluído pela Lei nº 9.854,
de 1999)
Obs: Microempresas e empresas de pequeno porte: a LC 123/06 estabelece que essas empresas poderão
participar da licitação ainda que não tenham regularidade fiscal. Ao final da licitação, se forem declaradas vencedo-
ras, terão o prazo de 2 (dias) dias úteis, prorrogáveis por mais 2 dias, para fazer o saneamento do débito (quitar o
débito ou de alguma forma tornar o débito inexigível).
O prazo para Recurso da decisão na fase de habilitação é 5 (cinco) dias úteis e este recurso terá efeito sus-
pensivo.
Todavia, na hipótese de todos os licitantes serem inabilitados, a administração poderá conceder o prazo de 8
dias úteis para que se adéquem ao edital (art. 48, §3º). A doutrina entende que é um poder-dever da administração.
C) JULGAMENTO e CLASSIFICAÇÃO:
Na fase de classificação, serão aplicados os critérios do edital.
Após a classificação, haverá prazo para interposição de Recurso de 5 (cinco) dias úteis, com efeito suspensivo.
D) HOMOLOGAÇÃO:
Classificadas as propostas, termina o trabalho da comissão, que encaminhará o processo à autoridade do órgão
para homologação.
Embora se chame fase de homologação, se houver alguma irregularidade, não será homologada a licitação. A
própria lei estabelece possibilidade de anulação, por motivo de vício de ilegalidade durante o procedimento ou tam-
bém de revogação, desde que amparada por motivos de interesse público superveniente, devidamente justificados.
A homologação é a regra. Tanto é assim que, se a administração não homologar o procedimento licitatório por
qualquer dos motivos legais, deverá oferecer o prazo de 5 (cinco) dias úteis para interposição de recurso, pelo
licitante interessado. Neste caso, a lei não confere efeito suspensivo à demanda recursal.
E) ADJUDICAÇÃO:
Após a adjudicação, a administração NÃO é obrigada a celebrar o contrato administrativo. Embora não seja
obrigada a contratar, caso necessite realizar a contratação, só poder fazê-lo com o vencedor da licitação. É por isso
que se diz que a adjudicação tem força vinculante – princípio da adjudicação compulsória.
Já o licitante vencedor é obrigado contratar desde que tenha sido convocado a celebrar o contrato, no prazo de
60 dias da abertura dos envelopes de propostas. O licitante fica vinculado à proposta apresentada pelo prazo de 60
dias, contados da apresentação da proposta e, após esse prazo, a lei presume que ele pode não ter condições de
contratar, nos moldes da proposta apresentada, anteriormente.
9.2 PROCEDIMENTOS DIFERENCIADOS:

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Tomada de Preço: o procedimento é o mesmo estudado para a concorrência, porém NÃO HÁ FASE DE HA-
BILITAÇÃO, uma vez que os licitantes já estão previamente cadastrados. O cadastro serve como uma habilitação
prévia.
Convite: também segue um procedimento similar ao da concorrência, contudo, não há publicação de edital (a
publicidade da carta-convite é diferenciada) e nem fase de habilitação. A outra diferença diz respeito a prazos. Os
prazos para recursos são de 2 dias úteis (e não de 5 dias como nas outras modalidades). Se forem todos desclas-
sificados, pode-se abrir o prazo de 3 dias úteis (ao invés de 8 dias úteis) para que se adéquem ao edital.
Pregão: esta modalidade licitatória se diferencia do procedimento da concorrência, principalmente, em virtude
da inversão de fases. Isso porque, no pregão, primeiramente são classificadas as propostas, deixando a fase de
habilitação por último. Também, é feita a adjudicação antes da homologação do certame. Vejamos:

Lances verbais: a princípio, passam para os lances verbais a melhor proposta (menor preço) e todas as outras
propostas que não ultrapassarem 10% do valor da primeira. Independentemente disso, deve passar para os lances
verbais a melhor proposta mais 2(duas), para completar 3(três) licitantes, no mínimo.
Art. 4º da Lei 10.520/02:
VIII – no curso da sessão, o autor da oferta de valor mais baixo e os das ofertas com preços até 10% (dez
por cento) superiores àquela poderão fazer novos lances verbais e sucessivos, até a proclamação do ven-
cedor;
IX – não havendo pelo menos 3 (três) ofertas nas condições definidas no inciso anterior, poderão os autores
das melhores propostas, até o máximo de 3 (três), oferecer novos lances verbais e sucessivos, quaisquer
que sejam os preços oferecidos;
O próprio pregoeiro irá adjudicar e o procedimento segue para homologação da autoridade superior, ao final.
O prazo para recurso na modalidade é imediato e ocorre após a declaração do vencedor, ou seja, somente ao
final da licitação. Se o licitante recorrer, a lei concede o prazo de 3 (três) dias para elaboração e apresentação das
razões do recurso.
Pregão eletrônico: cada estado deverá ter o seu decreto específico se quiser utilizar desta forma de licitação.
No âmbito federal, foi expedido o Decreto 5450 que regulamenta o pregão eletrônico realizado pela União. O pro-
cedimento é o mesmo do pregão presencial, porque o decreto tão somente regulamentará a lei. O decreto não traz
novidades; o decreto minudencia o texto da lei para facilitar o pregão que será feito na rede.

*CONTRATOS ADMINISTRATIVOS*

1. CONCEITO:

- É uma espécie de contrato, um vínculo jurídico em que os sujeitos ativo e passivo comprometem-se a uma
prestação visando Criar, Extinguir ou Modificar Direitos na consecução do interesse público, seguindo o Re-
gime Público.

2. CARACTERÍSTICAS:

a) A presença do Poder Público, seja no pólo passivo, no pólo ativo ou nos 02 pólos. O que se
exige é a presença do poder público em pelo menos um dos pólos.

b) É Negócio Jurídico Bilateral.

c) Contrato Consensual, que estará perfeito e acabado no momento em que se manifesta a von-
tade. Ex. O Contrato de compra e venda é consensual, estará perfeito e acabado com a mani-
festação da vontade. Não importa se o pagamento não foi descontado.

- Obs Diferencia-se do Contrato Real, que depende da entrega do bem para se tornar per-
feito.

d) Contrato Comutativo: As Obrigações são equivalentes e Pré-Determinadas.


Obs. # do Contrato Aleatório, em que as obrigações não são pré-determinadas.

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e) Contrato Formal: Deve seguir certas formalidades.

f) Contrato Personalíssimo: Leva em consideração a qualidade pessoal dos contratantes. Via


de regra, não poderá haver transferência.

g) É Contrato de Adesão: Uma das partes monopoliza a relação, a outra adere se quiser. O
Contrato está previamente pronto, não há possibilidade de se discutir cláusulas contratuais.
Aqui é a Administração quem detém o monopólio.

- - Obs Uma vez publicado o edital do contrato, este deverá ser cumprido nos seus exatos
termos, não havendo possibilidade de altera-lo.

3. FORMALIDADES:

a)Contrato Escrito. Exceção Poderá ser verbal quando a lei autorizar. Art.60, Lei 8666/93 (Con-
tratos Verbais):

 Contratos com valor até 4 mil reais.


 Contrato de pronta entrega.
 Contrato de pronto pagam.

b) Licitação Prévia/ Procedimento (art.26):

- Se a licitação for inexigível ou dispensada será necessário utilizar-se do procedimento do


art.26.

- O Instrumento do contrato será Obrigatório quando o valor for o da Tomada ou da Concorrên-


cia, mesmo que seja caso de dispensa ou inexigibilidade.
- Poderá o Instrumento de Contrato ser Facultativo quando o valor for correspondente a Convite
e quando for possível realiza-lo de outra maneira.

c) Forma do Ato Administrativo.

- Segundo a doutrina moderna, a forma do ato administrativo é vinculada; Podendo ser discri-
cionária, se a Lei Autorizar.

d) Publicação (art.61, § único):

- É Feita com o resumo, com o extrato do contrato. A Publicação não pode ultrapassar o prazo
de 20 dias ou até o 5º dia do mês subseqüente à assinatura do contrato (o que acontecer pri-
meiro).

- É Condição de Eficácia do Contrato, ou seja, antes da publicação o contrato já é válido, mas


é ineficaz, não produz efeitos.

4. CLÁUSULAS DOS CONTRATOS ADMINISTRATIVOS:

a) Cláusulas Necessárias: Quando ausentes  Contrato Nulo, Ilegal.

 Garantia (art.55 e 56 da Lei 8.666/93)

- A Administração deve exigir a garantia, em virtude da indisponibilidade do interesse pú-


blico.

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- É o contratado que deve decidir qual será a forma da garantia, dentro das alternativas
elencadas pela lei: Títulos da dívida pública; Caução em dinheiro; Seguro-Garantia (con-
trato de garantia de outro contrato); Fiança Bancária (garantia fidejussória).

- Valor da Garantia: Até 05% do valor do contrato. Até 10% quando o contrato for de
grande vulto, alta complexidade e causar riscos financeiros à Administração.

 Duração do Contrato Administrativo (art.57 da Lei 8.666/93):

- Prazo sempre determinado (art.57, §3º). A duração máxima será compatível com a dis-
ponibilidade do crédito orçamentário: 12 meses (lei orçamentária anual).

- Exceções (prazo maior que 12 meses):

I) Quando o objeto do contrato estiver previsto no Plano Plurianual (PPP, art.166, CF):
Prazo máximo do contrato administrativo será de 04 anos.
I) Prestação Contínua: Se em razão do prazo o preço for melhor, nos casos de pres-
tação contínua, o prazo máximo do contrato será de 60 meses.

- Obs. Art.57 Admite-se uma prorrogação (60 meses + 60 meses) em caráter ex-
cepcional, mediante fundamentação e autorização da autoridade superior.

II) Aluguel de equipamentos e programas de informática: Prazo máximo de 48 me-


ses.

III) Contratos de Concessão ou Permissão de Serviço Público: Podem ter prazos


diferenciados, de acordo com a lei que cuidar do serviço delegado, a lei que cuida do
serviço dará o prazo máximo do contrato de concessão ou permissão.

b) CLÁUSULAS EXORBITANTES (Art.58):

- Desigualdade entre as partes no contrato, que é válida no contrato administrativo.

 Alteração Unilateral do Contrato (art.65):

- Se a alteração é feita bilateralmente, não há cláusula exorbitante. Só a administração pode


alterar unilateralmente o contrato.

- Obs. Permissão: é Ato Unilateral: Só há permissão de serviço. Não se faz por contrato,
não é contrato, é feita por ato unilateral.

01ª Hipótese: Alteração Unilateral pela Administração:

- Alteração Unilateral nas Especificações do projeto.


- Alteração do Objeto do contrato, que gera a alteração do valor do contrato.

- Obs. Se a Administração quiser menos mercadorias e a contratada já tiver adquirido ou


produzido as mercadorias, a administração terá que pagar pelo que havia estipulado.

- Obs. Para cima ou para baixo, o acréscimo ou decréscimo máximo será de 25%. Ex-
ceção: Reforma de Edifício ou Equipamento: Acréscimo máximo de 50% em relação ao
original.

02ª Hipótese: Alteração Bilateral (não é cláusula exorbitante):

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- Alteração no regime de execução


- Substituir a Garantia
- Alteração na forma de pagamento
- Buscar o equilíbrio econômico-financeiro.

- Obs. Em contrato administrativo a Administração só paga ao contratado depois de receber


o serviço, obra ou mercadoria. O Pagamento nunca poderá ser antecipado.
- O Contratado pode pedir a revisão do contrato para manter o equilibro econômico-finan-
ceiro. Só haverá revisão para manter equilíbrio econômico-financeiro se houver fato novo.

Teoria da Imprevisão (gênero):

- Fato superveniente, imprevisto, imprevisível e que onera excessivamente o contrato para


uma das partes.

I) Fato do Príncipe: É a atuação geral e abstrata do Poder Público, que atinge o


contrato de forma indireta e reflexa. Ex. alteração de alíquota de imposto.

II) Fato da Administração: Atuação específica, que atinge diretamente o contrato


administrativo, atinge o seu objeto principal.

III) Interferências Imprevistas: Circunstancias que já existiam ao tempo da cele-


bração do contrato, mas só foi descoberta ao tempo da execução do contrato.

IV) Caso Fortuito e Força Maior.


03ª Hipótese: Alteração Referente à:

I) Correção Monetária: Já está programada no contrato. É apenas a atualização da


moeda.

II) Reajustamento de Preços: Há uma alteração no custo do objeto do contrato. É um


índice já previsto no contrato p/ absorver o aumento de custos.

III) Recomposição de Preços: Também é em razão do aumento de custos, mas não


é prevista no contrato, é utilizada na hipótese de Teoria da Imprevisão. É a revisão p/
busca do equilíbrio econômico-financeiro do contrato.

Obs. A Falta de Revisão a pedido da contratada p/ manter o equilíbrio econômico-


financeiro do contrato: A Possibilidade de extinção do contrato só pela via judicial.

 Extinção Unilateral do Contrato:

- Se quem quer extinguir o contrato é o contratado, só poderá fazê-lo na via judicial, se a


Administração não aceitar extinguir administrativamente.

 01ª Hipótese: Conclusão do Objeto

 02ª Hipótese: Advento do Termo Final do contrato (prazo final)

 03ª Hipótese: Rescisão

I) Consenso entre as Partes: Rescisão Amigável.

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II) Revisão Administrativa: A administração rescinde unilateralmente o contrato, extin-


guindo-o. Hipóteses:

• Razões de Interesse Público: Necessidade de Indenização para o particular.


• Descumprimento de Cláusula Contratual: O Contratado deverá indenizar a admi-
nistração.

• Rescisão Judicial.
 04ª Hipótese: Extinção de Pleno de Direito: Por circunstancias alheias à vontade. Ex.
falência.

05ª Hipótese: Anulação: O contrato já nasce ilegal.

c) Fiscalização do Contrato Administrativo:

- A administração pode até intervir na empresa em situações excepcionais.

d) Aplicação de Penalidades pela Inadimplência de Contratado (art.87, Lei 8.666):

I) Advertência;
II) Multa;
III) Suspensão do Direito de Contratar com Poder Público, por, no máximo, 02
anos;

- Obs. No caso de suspensão o contratado estará impedido de contratar apenas com o


Ente que aplicou a penalidade.

- Obs. Para aplicação de uma dessas 03 penalidades será feita de forma discricionária
pelo administrador, não há um rol de hipóteses para aplicação de cada uma dessas pe-
nalidades.

IV)Declaração de Inidoneidade da Empresa pelo prazo máximo de 02 anos: A Em-


presa deixa de ser idônea e fica impedida de contratar com todos os entes da admi-
nistração. Diferencia-se da Suspensão, que é restrita ao ente com o qual a contratada
fez o contrato.

- Obs. Para empresa voltar a ser idônea tem que ser reabilitada, para que isso ocorra
devem ser preenchidos alguns requisitos: Passar o prazo da declaração de inidoneidade;
A contratada deve indenizar os prejuízos causados à administração (requisitos cumulati-
vos).

-Obs. Para aplicação da penalidade de declaração de inidoneidade da empresa, o con-


tratado deve ter praticado conduta que seja tipificada também como crime.

- Para Celso Antonio: Só a declaração de inidoneidade depende de conduta criminosa, a


suspensão do direito de contratar com o poder público não exige conduta criminosa.

e) Ocupação Provisória dos Bens da Contratada:

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- Se a Administração rescinde o contrato por inadimplência da empresa, o fará por processo


administrativo e, a partir da instauração do Processo Administrativo até o seu fim a Admi-
nistração deverá assumir a continuidade da prestação do serviço, e se for necessário a
Administração poderá ocupar provisoriamente os bens da contratada.

- Se ao final do processo há a Rescisão: A Administração poderá adquirir os bens da con-


tratada através da reversão (ocupação – reversão).

-Obs. Só os bens indispensáveis à prestação do serviço poderão ser ocupados.

f) Indenização da Ocupação e da Reversão:

I) Se os bens já foram amortizados: Não há necessidade de indenização.


II) Haverá indenização a depender do tipo de contrato.
Anulação dos contratos

Pode se dar em decorrência de vício, declarada pela Administração Pública, com efeitos ex tunc.

23.. (FCC - 2014 - TCE-PI - Auditor Fiscal de Controle Externo) Em razão de conveniência da Administração,
convencionou-se com o contratado, de forma amigável, rescindir o ajuste, firmado após regular processo
de licitação, nos termos da Lei nº 8.666/1993. Nessa hipótese, o contratado tem direito:

A) aos pagamentos devidos pela execução do contrato até a data de sua rescisão e a devolução da garantia, não
tendo direito ao pagamento do custo da desmobilização, isso em razão do princípio da supremacia do interesse
público.
B) aos pagamentos devidos pela execução do contrato até a data de sua rescisão, em razão do princípio que veda
o enriquecimento sem causa; os demais custos por ele incorridos poderão ser ressarcidos, a critério da máxima
autoridade da esfera administrativa.
C) à devolução da garantia, aos pagamentos devidos pela execução do ajuste até a data de sua rescisão, ao paga-
mento do custo da desmobilização, não tendo direito ao pagamento de nenhuma outra importância.
D) ao ressarcimento de todos os prejuízos, além do pagamento de todos os custos incorridos até o momento da
rescisão do ajuste, bem assim ao ressarcimento de lucros cessantes, que independem de regular comprovação,
dado que a rescisão não decorreu de ato culposo seu.
E) ao ressarcimento dos prejuízos regularmente comprovados, à devolução da garantia, aos pagamentos devidos
pela execução do ajuste até a data de sua rescisão, e ao pagamento do custo da desmobilização.

*PROCESSO ADMINISTRATIVO*

- O Processo Administrativo prévio é requisito para a forma do Ato Administrativo, é elemento deste. O Ato
administrativo é a “sentença” do Processo Administrativo.

- Processo x Procedimento: A Diferenciação dessas duas denominações tem importância nos Processos Civil
e Penal, que consideram o processo como um conjunto de atos que levam a uma provimento final, enquanto
que o procedimento seria a forma pela qual o processo se realiza. Contudo, essa diferenciação não tem impor-
tância alguma no Direito Administrativo.

1.0- OBJETIVOS:

a. Documentação: O Processo Administrativo serve como documentação dos atos e fatos praticados
pela Administração.

b. Fundamentação: O Processo Administrativo serve como fundamentação dos atos administrativos.

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c. Proteção aos Administrados e Servidores: Na medida em que evita arbitrariedades por parte dos
administradores públicos.

d. Transparência: Na medida em que possibilita a fiscalização da conduta da administração pelos ad-


ministrados.

2.0 PRINCÍPIOS (Além de todos os princípios constitucionais):

a. Contraditório e Ampla Defesa:

- Para o Direito Administrativo a matéria ainda é recente, ao contrário do Processo Penal e do Pro-
cesso Administrativo, onde este princípio já está sedimentado há muito mais tempo.

 Contraditório: Constituição da Bilateralidade do Processo. É a ciência do processo dada à parte.

 Ampla Defesa: Oportunidade para que a parte se defenda. Odete Medauar: O Princípio da Ampla
Defesa tem alguns desdobramentos obrigatórios:

I) Defesa Prévia: O Processo Administrativo pressupõe a possibilidade de defesa prévia.


A parte tem direito de saber a infração da qual está sendo acusada e a respectiva pena
aplicável, e sobre qual o procedimento realizado.

II) Garantia de Informação

III) Defesa Técnica: Embora sua falta não enseje nulidade, a Administração deve fazer de
tudo para possibilitá-la à parte.

IV) Produção de Provas: As Provas apresentadas devem ser, pelo menos, avaliadas.

V) Direito a Recurso: Mesmo que para o caso não haja recurso próprio, a parte terá direito
a recorrer.

b. Princípio da Verdade Real:

- Embora nos Processos Civil e Penal a diferença entre verdade real e verdade formal venha perdendo
força, no Direito Administrativo o Princípio da Verdade Real ainda vige.

c. Princípio da Oficialidade:

- Impulso Oficial: O Processo Administrativo não depende de provocação da parte. A própria admi-
nistração deve impulsioná-lo.

- Princípio do Informalismo: Para o administrado o Processo Administrativo é informal. Já o admi-


nistrador deve cumprir todas as formalidades.

- STJ  Só haverá nulidade do processo administrativo quando ausente alguma formalidade impres-
cindível. Apenas para o administrador deve ser levada em consideração a prática dos atos com todas
as formalidades.

d. Princípio da Celeridade (Razoabilidade):

- EC 45/05  (art.5º, LXXVIII, CF): Os processos administrativos e judiciais devem ser finalizados em
prazo razoável.

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3.0- NORMAS GERAIS de Processo Administrativo:

Lei 9784/99  regulando o art.5º, inc.LV da CF: Trata das normais gerais para o processo administrativo.
Os demais entes da federação também poderão legislar sobre processo administrativo, sobre normais es-
pecíficas.

Art.69  A aplicação da lei 9.784/99 é subsidiária, só é aplicada na ausência de normas específicas.

a. Despesas Processuais: No Processo Administrativo é vedada a cobrança de taxas para cobrir despe-
sas processuais, salvo se houver norma específica em contrário.

- Tal disposição não impede a cobrança de taxas para outros fins, desde que não sejam para cobrir
despesas processuais.

b. Prazos: Para cada processo há um prazo próprio para prática de cada ato. No Silencio da Regra Es-
pecífica, o prazo para recurso será de 5 dias.

- Nos prazos do processo administrativo exclui-se o 1º dia, começando a correr a partir do 1º dia útil
seguinte à intimação para realização do ato, inclui-se o último dia, que será prorrogável para o dia útil
seguinte.

-ObsDia útil será aquele dia em que a repartição funcionar. Quanto ao ponto facultativo, se a reparti-
ção estiver funcionando, será dia útil.

c. Atos de Processo: Os atos do processo só podem ser praticados na repartição e durante o horário de
expediente.

Exceção: Quando o interesse público assim o justificar, o ato poderá ser realizado após o horário do
expediente.

d. Intimação: Poderá ser realizada por qualquer forma admitida no Direito, não há uma regra própria para
a intimação no processo administrativo.

e. Comparecimento: O Comparecimento da pessoa intimada a participar do processo, qualquer que seja


a sua participação, só poderá ser considerado obrigatório se a intimação foi realizada com três dias de
antecedência.

4.0- SEQÜÊNCIA DO PROC. ADMINISTRATIVO:

a. Instauração (pela administração pública ou pelo administrado):

- São exemplos de atos que instauram um processo administrativo: Auto de Infração, para o processo
administrativo tributário; Portaria para instauração de Inquérito Policial, quando a prisão foi feita em
flagrante, ou para instauração de processo administrativo disciplinar.

- A Instauração será feita pela Autoridade Superior que, além de instaurar a comissão que realizará o
inquérito administrativo irá julgar o relatório feito.

b. Inquérito Administrativo (realizado pela Comissão):

 Instrução do Processo (Produção de Provas):

- As provas válidas serão todas aquelas admitidas em direito, vedada a produção de provas ilícitas.

 Oportunidade de Defesa:

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- A Depender do processo, a defesa poderá se dar em 05 ou 10 dias.

 Relatório do Processo:

- É o resumo do processo. Tem que ser conclusivo, devendo propor um resultado final.

- Via de regra, ele NÃO vinculará o julgamento feito pela autoridade superior. ExceçãoNo Pro-
cesso Administrativo Disciplinar da Lei 8.112/90, o relatório vincula o julgamento, salvo de o relatório
for contrário às provas dos autos.
 Obs. Ao contrário do Inquérito Policial, que é procedimento administrativo prévio ao Processo
Penal, o Inquérito Administrativo é o miolo do Processo Administrativo.

c. Julgamento: Normalmente, o prazo para o julgamento é de 20 dias.

- A autoridade que instaurou o processo e a comissão será a competente para julgar o relatório. O Chefe
do Executivo está vinculado ao julgamento do Proc.Administrativo.

d. Recurso: Prazo de 10 dias, em regra.

- A parte, na peça de interposição do Recurso, deve formular o Pedido de Reconsideração, que consiste
em pedir à que a autoridade julgadora reconsidere o seu julgamento antes de encaminhar o recurso ao seu
superior hierárquico.

- Se a autoridade julgadora não Reconsiderar, deverá encaminhar o Recurso ao seu superior  Recurso
Hierárquico. Obs. O Recurso Hierárquico deverá ser endereçado à Autoridade Julgadora que, após negar
o Pedido de Reconsideração, deverá encaminhá-lo à autoridade superior.

- Obs. Se não houver autoridade superior à autoridade julgadora, não haverá possibilidade de recurso hie-
rárquico, apenas do Pedido de Reconsideração.

 Recurso Hierárquico Próprio: A autoridade que vai analisar o recurso hierárquico é do mesmo órgão
que a autoridade julgadora.

Recurso Hierárquico Impróprio: A autoridade que vai analisar o recurso hierárquico é de órgão diferente
da autoridade julgadora.

-Obs. O Recurso poderá atingir até três instâncias de julgamento, a depender da estrutura da administração.

Caução Prévia: Não há necessidade de caução prévia como pressuposto para interposição de recurso,
em regra.

Efeitos do Recurso Administrativo: De regra, só terá efeito devolutivo. Só terá também efeito suspen-
sivo se houver norma específica nesse sentido. Obs. O Recurso poderá piorar a situação da parte, ou seja,
é admitida a Reformatio in Pejus no Recurso Administrativo.

Espécies de Recurso (além do Pedido de Reconsideração e do Recurso Hierárquico):

I) Representação: Utilizado quando a parte quer fazer uma denúncia. Serve como mecanismo
de denúncia de uma ilegalidade. É um equivalente da Ação Popular.

II) Reclamação: O Particular reclama sobre a lesão a um direito específico seu. É uma espécie
de Mandado de Segurança Administrativo.

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III) Revisão (é como uma ação rescisória administrativa). Tem, como pressuposto, ter havido
a Coisa Julgada Administrativa, ou seja, a Revisão pressupõe uma decisão administrativa irre-
corrível. E só poderá ocorrer quando surgir FATO NOVO. Prazo: Pode ser interposta a qualquer
tempo. Obs Não admite a Reformatio in Pejus.

*PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR*

01. PROCESSOS SUMÁRIOS:

1.1 - SINDICÂNCIA:

- Prazo: 30 dias, prorrogáveis por mais 30.

- Pode servir como:

a) Como Procedimento Autônomo:


- A Sindicância servirá como procedimento autônomo quando instaurada para apurar infração cuja
sanção seja de Advertência ou Suspensão de até 30 dias.

b) Investigação Prévia:

- A Sindicância servirá como procedimento de investigação prévia ao processo administrativo disci-


plinar quando apurar que a infração cometida pelo servidor tiver como sanção Suspensão de mais de
30 dias ou Demissão.

- Neste caso, a sindicância poderá ter sido realizada sem contraditório e ampla defesa, que ficarão
para ser respeitados no Processo Administrativo Disciplinar que virá a ser instaurado.

1.2 - Proc. Adm. Sumário por ACUMULAÇÃO ILEGAL (art.133, lei 8.112/90):

1º) Notificação do agente público para quem em 10 dias ele opte por um dos cargos que ocupe. Se optar,
será exonerado do cargo que escolher sair.

2º) Se o agente não fez a opção nos 10 dias: Instaura-se o Processo Administrativo Sumário.

3º) Instaurado o Processo Administrativo Sumário, o Servidor terá o prazo para defesa, e até esse prazo
poderá optar por um dos cargos, sendo exonerado do outro.

4º) Se o servidor não optar por um dos cargos até o prazo de apresentação da defesa: O Processo segue
e, sendo provada a ilegalidade da acumulação, o agente será Demitido de todos os cargos que ocupar.

Prazo: O Procedimento Sumário deve ser finalizado em 30 dias, prorrogáveis por mais 30.

-Obs. A Verdade Sabida não é mais admitida no Ordenamento Brasileiro, pois é procedimento que não
comportava contraditório e ampla defesa.

02. PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR PROPRIAMENTE DITO:

 Prazo Máximo: 60 dias, prorrogáveis por mais 60 dias.

- Obs. É Possível o afastamento pelo prazo máximo de 60 dias. Findo esse prazo, o agente voltará à atividade,
mesmo que o processo não tenha sido finalizado.

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- STJ  Estágio Probatório = 24 meses, ainda que a CF tenha previsto o prazo de 03 anos para a estabilidade.
Parte da Doutrina: Entende que o estágio probatório é de 03 anos.

*RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO*

1.0- CONCEITO:

- Obrigação que tem o Estado de reparar os danos causados a terceiros em razão de comportamentos lícitos e
ilícitos ou atividades materiais.

2.0 - EVOLUÇÃO HISTÓRICA:

2.1 Teoria da Irresponsabilidade do Estado (“The King can do not wrong”)

2.2 Teoria da Responsabilidade de Direito Privado:

- O Estado respondia desde que se demonstrasse a culpa individualizada do seu agente, ou seja, a Res-
ponsabilidade do Estado era idêntica à Responsabilidade do Direito Privado.

2.3  Teoria da Responsabilidade de Direito Público:

- Surge com o caso “Blanc”, na França, no fim de século 19.

A) Teoria da Culpa Administrativa, ou Culpa do Serviço ou Culpa Anônima:

- Pregava uma Responsabilidade Subjetiva distinta da Responsabilidade subjetiva do Direito Privado,


na medida em que exigia que se provasse uma Culpa Especial do Estado, e não mais uma culpa indi-
vidualizada do seu agente, a culpa não era mais atribuída ao agente pública, e sim uma culpa relacio-
nada ao serviço, que seria a Culpa Administrativa, Anônima.

Paul Duez: Haverá Culpa Administrativa quando (“Faute du Service”):

 O serviço não funcionou.


 O Serviço funcionou mal.
 O Serviço funcionou de forma retardada, não célere.

B) Teoria do Risco Administrativo:

- A Atividade do Estado, potencialmente, pode produzir riscos aos administrados. Obs. A Teoria da
Culpa Administrativa defende que só haveria responsabilidade por atos ilícitos praticados pelo Estado.

- Haveria, então, uma Responsabilidade Objetiva, lastreada apenas em um nexo de causalidade entre
a atuação do Estado e o dano ocorrido, sem a necessidade do elemento culpa, mesmo que o dano seja
produzido por Atividade Lícita do Estado.

2.4Responsabilidade do Estado no Brasil:

- Constituição de 1824 No Brasil a Teoria da Irresponsabilidade do Estado nunca foi adotada. A Consti-
tuição de 1824 adotou a Teoria da Culpa Administrativa, na qual a Responsabilidade do Estado só existiria
quando prova a culpa deste.

- Constituição de 1946  consagra-se a Teoria do Risco Administrativo, com a Responsabilidade Objetiva


do Estado.

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- Constituição Federal de 1988  Adotou as duas teorias, a do Risco Administrativo e a da Culpa Admi-
nistrativa.

3.0-Responsabilidade do Estado por Atos Comissivos:

3.1 Teoria do Risco Administrativo:

- O Estado sempre responderá objetivamente por seus atos comissivos, lícitos ou ilícitos, jurídicos ou materi-
ais.

- Comportamento Lícito:

 Jurídico: Produzido em razão de atividade jurídica do Estado. Ex. Decreto expedido por chefe do exe-
cutivo;

 Material: Produzido em razão de atividade material do Estado.


A responsabilidade se mantém objetiva, seja a vítima usuária ou não do serviço público. Vejamos:

24. (CESPE - 2013 - TJ-BA - Titular de Serviços de Notas e de Registros – Provimento) Acerca da responsa-
bilidade extracontratual do Estado, assinale a opção correta.

A) Os delegatários de serventias de notas e de registros somente respondem pelos danos causados a terceiros se
decorrentes de dolo ou culpa.
B) De acordo com a teoria da falta do serviço, o Estado responde pela mera ausência do serviço, independente-
mente da comprovação do dano.
C) De acordo com a teoria do risco administrativo, há inversão do ônus da prova, cabendo ao Estado comprovar
que não causou o dano.
D) As empresas públicas e as sociedades de economia mista exploradoras de atividade econômica respondem
objetivamente pelos danos causados a terceiros.
E) De acordo com a jurisprudência recente do STF, as concessionárias de serviços públicos respondem objetiva-
mente pelos danos causados a terceiros, usuários ou não do serviço.

- Comportamento Ilícito:

 Jurídico: Ex. Auto de apreensão de mercadoria sem as formalidades legais.

 Material: Ex. Tortura de um preso por um agente carcerário.

4.0- Responsabilidade do Estado por suas Omissões:

- STF A Responsabilidade do Estado é Subjetiva, fundada na Teoria da Culpa Administrativa. Porém, tam-
bém reconhece a Responsabilidade do Estado por Omissão Legislativa, que é inconstitucional.

4.1- Responsabilidade do Estado por suas Omissões por Fato da Natureza:

- Se havia o dever do Estado de atuar de forma a evitar danos por fatos da natureza, e aquele não atuou, o
Estado será responsabilizado, desde que provado que a sua omissão causou o dano.

4.2- Responsabilidade do Estado por Comportamento Material de 3º:

- STF Responsabilidade Subjetiva do Estado. Ex. Assassinato de Preso por outro preso.

5.0- Responsabilidade por Ato Propiciatório de Risco (Celso Antônio Bandeira de Melo):

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- O Estado, apesar de não ser o causador direto do dano, assume atividade que propicie alto risco. O Estado
é causador indireto do dano, respondendo Objetivamente. Ex. Dano decorrente de fábrica de pólvora instalada
em bairro povoado; Dano causado por defeito em semáforo.

- Obs. Terceiro que assuma esse tipo de atividade, sem autorização do Estado: Responsabilidade Subje-
tiva.

Vejam esse julgado do STJ sobre tema, prevendo responsabilidade do Estado em caso de suicídio de preso
no presídio.

AGRAVO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO.


MORTE DE PRESO SOB CUSTÓDIA DO ESTADO. CONDUTA OMISSIVA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
PRECEDENTES. AGRAVO AO QUAL SE NEGA SEGUIMENTO. Relatório 1. Agravo nos autos principais contra
decisão que inadmitiu recurso extraordinário interposto com base no art. 102, inc. III, alínea a, da Constituição da
República. O recurso extraordinário foi interposto contra o seguinte julgado do Tribunal de Justiça do Distrito Federal
e dos Territórios: “CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. ADOLES-
CENTE INFRATOR ASSASSINADO NAS DEPENDÊNCIAS DO CAJE. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. PRE-
CEDENTES. PENSIONAMENTO. GENITOR. PARÂMETROS. SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA. 1 - NA
LINHA JURISPRUDENCIAL DO COLENDO STF, BEM COMO DO EGRÉGIO STJ E DESTA CORTE DE JUSTIÇA,
A RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO EM RAZÃO DA MORTE DE INDIVÍDUO PRESO OU SUJEITO À
MEDIDA SOCIOEDUCATIVA DE INTERNAÇÃO É OBJETIVA, POIS O ESTADO TEM O DEVER CONSTITUCIO-
NAL E LEGAL DE ZELAR PELA INTEGRIDADE FÍSICA E MORAL DO CUSTODIADO (ART. 5º, XLIX, DA CONS-
TITUIÇÃO FEDERAL E ART. 125 DO ECA). 2 - A ANTERIOR CONCESSÃO DE PENSIONAMENTO À GENITORA
DA VÍTIMA, EM RAZÃO DE ASSASSINATO OCORRIDO NAS DEPENDÊNCIAS DO CAJE, NÃO OBSTA O DI-
REITO DO SEU GENITOR. 3 - O STJ JÁ ASSENTOU A ORIENTAÇÃO NO SENTIDO DE QUE O SIMPLES FATO
DE O MENOR NÃO EXERCER ATIVIDADE REMUNERADA NÃO OBSTA A FIXAÇÃO DO PENSIONAMENTO E,
ADEMAIS, A PENSÃO DEVIDA AOS GENITORES DA VÍTIMA MENOR DE IDADE, QUE NÃO AUFERIA RENDI-
MENTOS, SERÁ PAGA À PROPORÇÃO DE 2/3 (DOIS TERÇOS) DO SALÁRIO-MÍNIMO ATÉ A DATA EM QUE A
VÍTIMA COMPLETARIA 25 (VINTE E CINCO) ANOS DE IDADE, APÓS O QUE A PROPORÇÃO SERÁ DE 1/3 (UM
TERÇO) DO SALÁRIO-MÍNIMO, ATÉ A DATA EM QUE A VÍTIMA COMPLETARIA 65 (SESSENTA E CINCO)
ANOS. APELAÇÃO CÍVEL E REMESSA OFICIAL PARCIALMENTE PROVIDAS”. Os embargos de declaração
opostos foram rejeitados. 2. O Agravante afirma que o Tribunal de origem teria contrariado o art. 37, § 6º, da Cons-
tituição da República. Sustenta que não é razoável exigir-se do Estado que mantenha um controle absoluto e ime-
diato sobre cada interno em custódia. Assevera que o dano causado ao menor decorreu de conduta dolosa de
terceiro, sem que possa ser imputada à administração qualquer culpa pelo evento ocorrido". 3. O recurso extraordi-
nário foi inadmitido sob o fundamento de harmonia do acórdão recorrido com a jurisprudência do Supremo Tribunal
Federal. Examinados os elementos havidos no processo, DECIDO. 4. O art. 544 do Código de Processo Civil, com
as alterações da Lei n. 12.322/2010, estabeleceu que o agravo contra decisão que inadmite recurso extraordinário
processa-se nos autos do processo, ou seja, sem a necessidade de formação de instrumento, sendo este o caso.
Analisam-se, portanto, os argumentos postos no agravo, de cuja decisão se terá, na sequência, se for o caso, exame
do recurso extraordinário. 5. Razão jurídica não assiste ao Agravante. 6. O Supremo Tribunal Federal assentou que
a morte de preso sob custódia do Estado atrai a responsabilidade civil objetiva, com fundamento no art. 37, § 6º, da
Constituição da República, mesmo de conduta omissiva, independentemente de culpa do agente público. Nesse
sentido: “Recurso extraordinário. 2. Morte de detento por colegas de carceragem. Indenização por danos morais e
materiais. 3. Detento sob a custódia do Estado. Responsabilidade objetiva. 4. Teoria do Risco Administrativo. Con-
figuração do nexo de causalidade em função do dever constitucional de guarda (art. 5º, XLX). Responsabilidade de
reparar o dano que prevalece ainda que demonstrada a ausência de culpa dos agentes públicos. 5. Recurso extra-
ordinário a que se nega provimento” (RE 272.839, Rel. Min. Gilmar Mendes, Segunda Turma, DJ 8.4.2005 – grifos
nossos). RESPONSABILIDADE CIVIL DO PODER PÚBLICO - PRESSUPOSTOS PRIMÁRIOS QUE DETERMI-
NAM A RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA DO ESTADO - O NEXO DE CAUSALIDADE MATERIAL COMO
REQUISITO INDISPENSÁVEL À CONFIGURAÇÃO DO DEVER ESTATAL DE REPARAR O DANO – NÃO COM-
PROVAÇÃO, PELA PARTE RECORRENTE, DO VÍNCULO CAUSAL - RECONHECIMENTO DE SUA INEXISTÊN-
CIA, NA ESPÉCIE, PELAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS - SOBERANIA DESSE PRONUNCIAMENTO JURISDICI-
ONAL EM MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA - INVIABILIDADE DA DISCUSSÃO, EM SEDE RECURSAL EXTRA-
ORDINÁRIA, DA EXISTÊNCIA DO NEXO CAUSAL - IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME DE MATÉRIA FÁTICO-

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PROBATÓRIA (SÚMULA 279/STF)- RECURSO DE AGRAVO IMPROVIDO. - Os elementos que compõem a estru-
tura e delineiam o perfil da responsabilidade civil objetiva do Poder Público compreendem (a) a alteridade do dano,
(b) a causalidade material entre o eventus damni e o comportamento positivo (ação) ou negativo (omissão) do
agente público, (c) a oficialidade da atividade causal e lesiva imputável a agente do Poder Público que tenha, nessa
específica condição, incidido em conduta comissiva ou omissiva, independentemente da licitude, ou não, do com-
portamento funcional e (d) a ausência de causa excludente da responsabilidade estatal. Precedentes (RE 481.110-
AgR, Rel. Min. Celso de Mello, Segunda Turma, DJ 9.3.2007 – grifos nossos). Agravo regimental em agravo de
instrumento. 2. Morte de preso no interior de estabelecimento prisional. 3. Indenização por danos morais e materiais.
Cabimento. 4. Responsabilidade objetiva do Estado. Art. 37, § 6º, da Constituição Federal. Teoria do risco adminis-
trativo. Missão do Estado de zelar pela integridade física do preso. 5. Pensão fixada. Hipótese excepcional em que
se permite a vinculação ao salário mínimo. Precedentes. 6. Agravo regimental a que se nega provimento (AI
577.908-AgR,Rel. Min. Gilmar Mendes, Segunda Turma, DJe 21.11.2008 – grifos nossos). Recurso extraordinário.
Responsabilidade civil do Estado. Morte de preso no interior do estabelecimento prisional. 2. Acórdão que proveu
parcialmente a apelação e condenou o Estado do Rio de Janeiro ao pagamento de indenização correspondente às
despesas de funeral comprovadas. 3. Pretensão de procedência da demanda indenizatória. 4. O consagrado prin-
cípio da responsabilidade objetiva do Estado resulta da causalidade do ato comissivo ou omissivo e não só da culpa
do agente. Omissão por parte dos agentes públicos na tomada de medidas que seriam exigíveis a fim de ser evitado
o homicídio. 5. Recurso conhecido e provido para condenar o Estado do Rio de Janeiro a pagar pensão mensal à
mãe da vítima, a ser fixada em execução de sentença” (RE 215.981, Rel. Min. Néri da Silveira, Segunda Turma, DJ
31.5.2002 grifos nossos). 7. Nada há, pois, a prover quanto às alegações do Agravante. 8. Pelo exposto, nego
seguimento ao agravo (art. 544, § 4º, inc. II, alínea a, do Código de Processo Civil e art. 21, § 1º, do Regimento
Interno do Supremo Tribunal Federal). Publique-se. Brasília, 6 de dezembro de 2012.Ministra CÁRMEN LÚCIA Re-
latora.
(STF - ARE: 723007 DF , Relator: Min. CÁRMEN LÚCIA, Data de Julgamento: 06/12/2012, Data de Publicação:
DJe-245 DIVULG 13/12/2012 PUBLIC 14/12/2012)

6.0 - CONSTITUIÇÃO DE 1988 (Art.37, §6º)

 Responsabilidade das Pessoas Jurídicas de Direito Público.

Responsabilidade Objetiva das Pessoas Jurídicas de Direito Privado Prestadoras de Serviço Público
(Empresas Públicas, Sociedades de Economia Mista, Fundações Governamentais de Direito Privado, Permis-
sionárias, Concessionárias e Autorizatárias).

-STFA Responsabilidade das Entidades de Direito Privado Prestadoras de Serviço Público só será Objetiva
em relação aos danos causados ao Usuário do serviço, quando for caso de serviço ‘uti singulis’. Quando o
serviço público prestado for ‘uti universis’ a Responsabilidade dessas Entidades será sempre Objetiva. Ex. Co-
leta de lixo.

 Relação de Responsabilidade entre o Estado ou Pessoa Jurídica de Dir.Privado e o Lesado: Respon-


sabilidade Objetiva pelas ações e Subjetiva pelas Omissões.

Responsabilidade do Agente Público causador do Dano em Relação ao Estado: Será sempre subjetiva:
O Agente só responderá perante o Estado se provado que agiu com culpa ou dolo.

Direito de Regresso: Direito que assiste ao Estado de cobrar de seu agente público o dinheiro pago à
vítima, quando provado que o agente agiu com dolo ou culpa.

- STF A Vítima poderá ajuizar a vítima contra o Estado, contra o agente ou contra os dois, hipótese na qual
deverá provar que o agente agiu com culpa ou dolo.

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25. (CESPE - 2013 - TRF - 1ª REGIÃO - Juiz Federal) Assinale a opção correta acerca da responsabilidade
civil do Estado.

A) O direito da vítima de pleitear indenização pela ação danosa do Estado, assim como o direito deste de ajuizar
ação regressiva contra o agente público causador direto do dano, prescreve em cinco anos, contados da data do
ato ou fato que tenha dado origem ao dano.
B) A regra da responsabilidade civil objetiva constante na CF alcança tanto as pessoas jurídicas de direito público
quanto as de direito privado que prestam serviços públicos ou se dedicam à exploração de atividade econômica,
bem como os concessionários e permissionários de serviços públicos.
C) Apenas os danos praticados por servidores públicos, sejam eles estatutários ou celetistas, dão ensejo à respon-
sabilidade civil do Estado.
D) A ação de regresso deve ser ajuizada pelo Estado contra o agente causador do dano e, na sua falta, contra seus
herdeiros ou sucessores, podendo ser intentada, também, mesmo após a exoneração, demissão, disponibilidade
ou aposentadoria do agente responsável de seu cargo, emprego ou função.
E) A responsabilidade civil do Estado pode ser conceituada como a obrigação de recompor os danos causados a
terceiros em razão de comportamento unilateral comissivo, material ou jurídico, de natureza ilegítima, que lhe seja
imputável.

Denunciação da Lide:

- Não é obrigatória, nem cabível a denunciação à Lide do agente público pelo Estado, na ação ajuizada contra
pela vítima. A Denunciação só será obrigatória e cabível quando não trouxer fundamento novo à lide originária.

-OBS Mesmo no caso da Responsabilização por Omissão do Estado, a denunciação da lide poderá não
ser cabível, já que a vítima deve demonstrar dois tipos de culpa diferente, a culpa individual do agente e a
culpa administrativa do Estado. Entretanto, se o próprio autor da ação trata da culpa individual do agente, o
Estado poderá denunciá-lo à lide, porque, nesse caso, não há fundamento novo, já que o autor tratou da
questão na inicial.

7.0 - CAUSAS EXCLUDENTES de RESPONSABILIDADE do ESTADO:

7.1- Quando a Responsabilidade do Estado for Objetiva:

a. Caso Fortuito e Força Maior. Obs Dirley entende, juntamente com algumas decisões jurispru-
denciais, que a demonstração de que houve Caso Fortuito ou Força Maior, por si só, não excluem
a Responsabilidade do Estado. A Pessoa Jurídica deverá provar que agiu de forma a tentar evitar
o dano causado.

Ex. Responsabilidade do Transportador por assalto realizado dentro do ônibus: Se provado que os
assaltos na região são freqüentes, o Transportador deverá demonstrar que agiu de forma a tentar
evitar assaltos, do contrário haverá Responsabilização.

b. Culpa Exclusiva da Vítima.

7.2- Teoria do Risco:

a) Risco Administrativo: O Estado pode demonstrar as causas excludentes de responsabilidade.

b) Risco Integral: O Estado não pode invocar nenhuma das excludentes para se eximir de sua
Responsabilidade. Esta Teoria é válida em 02 situações: Danos decorrentes de atividade nuclear
desenvolvida pelo Estado; Responsabilização de qualquer Pessoa Jurídica por Danos Ambien-
tais.

7.3- Quando a Responsabilidade do Estado for Subjetiva:


- Se o Estado demonstra que o serviço funcionou, ou que funcionou bem ou que funcionou de forma célere;
Além das outras excludentes, que também valem para a Responsabilidade Objetiva.

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8.0- RESPONSABILIDADE do ESTADO por ATOS LEGISLATIVOS e JUDICIAIS.

8.1- Atividade Legislativa:

- A Atividade Legislativa ensejará responsabilidade do Estado sempre que Inconstitucional e Lesiva a tercei-
ros, ou quando houver Omissão Inconstitucional do Estado em legislar.

- A responsabilização do Estado por lei inconstitucional poderá ser decorrente de decisão judicial decorrente
de controle concentrado ou difuso de constitucionalidade, desde que seus efeitos sejam ex tunc, se forem ex
nunc não haverá responsabilização do Estado.

- STF  Consagrou o direito dos servidores ao reajuste anual dos seus vencimentos, direito este que foi
introduzido pela Emenda Constitucional 19/98.

- O STF Exige prévia declaração de Inconstitucionalidade da Lei, ou a prévia declaração de Omissão do


Estado no seu dever de legislar, seja por meio de ADIN por omissão, seja por meio de Mandado de Injunção,
para que possa haver responsabilização do Estado.

8.2- Atividade Jurisdicional: O Estado poderá ser responsabilizado por Atos judiciais lesivos ou por Erros
Judiciários. Haverá direito de regresso contra o magistrado sempre que este tenha agido com dolo ou culpa.

9.0- DANO INDENIZÁVEL (requisitos):

- Tem que ser dano essencialmente jurídico, ainda que seja um dano não econômico (o dano exclusiva-
mente econômico, que não for jurídico, não enseja indenização). O Dano será jurídico quando houver direito
lesado.

- O Dano tem que ser Real, Concreto, não fictício, não abstrato.

- OBS. Responsabilidade do Estado por comportamentos Lícitos: O Dano, além de ser jurídico, certo e
real, terá que ser também:

a. Especial: Não poderá ser um dano geral, deve ser um dano concreto, que incide sobre pes-
soa(s) determinada(s).

b. Tem que ser Dano Anormal: Faz com que recai sobre indivíduo um ônus impossível de ser
suportado.

*SERVIÇOS PÚBLICOS*

CONCEITO:

- Uma das atividades Administrativas prestadas pelo Estado, ou por seus delegados, para satisfazer as
necessidades, comodidades e meras conveniências dos administrados.

- São aquelas atividades Administrativas de natureza pública, criadas por Lei, prestadas direta ou indireta-
mente pelo Estado, para atender concretamente as necessidades ou meras comodidades da coletividade e
dos administrados, ou simples conveniências da própria Administração, sujeitas a um Regime Jurídico ora
integralmente público, ora parcialmente público e parcialmente privado.

- OBS. Excluem-se as Atividades Legislativas e Jurisdicionais.

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ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DO CONCEITO:

- Elementos Subjetivos.

- Sujeito responsável pela criação ou prestação do serviço público. Sujeito que cria o serviço é sempre o
Estado, por deter a titularidade do serviço Público, criando e extinguindo-o através de Lei. (paralelismo das
formas).

- Obs. Se a Constituição Federal cria o serviço público, só EC poderá extingui-lo, nunca uma Lei. Se o
serviço for essencial para atender Direito Fundamental, nem Emenda poderá extingui-lo.

 Prestação do Serviço Público:

Direta: O próprio Estado, através dos seus órgãos públicos, prestará o serviço público de forma centra-
lizada. (Forma Desconcentrada: quando mais de 01 órgão presta o serviço. Forma Concentrada: se apenas
01 órgão o presta).

Indireta (Descentralização):

Outorga: por meio de Lei, é uma descentralização funcional (Autarquias, Fundações Públicas, Empre-
sas Públicas e Sociedades de Economia Mista).

Delegação: É feita contratualmente (Concessionárias, PPP´s e Permissão) ou por ato unilateral, precá-
rio e discricionário da Administração (Autorização e permissão, em alguns casos).

Obs. Todas estas Prestadoras de Serviço Público (Pessoas Jurídicas de Dir. público e privado) respon-
derão objetivamente perante atos lesivos que seus agentes causem a terceiros.

Formas de Prestação do Serviço x Meios de Execução do Serviço:

Meios de Execução Direta: O prestador do Serviço se vale de seus próprios recursos, humanos e
materiais.

Meios de Execução Indireta: O Prestador do Serviço, não se valendo dos seus próprios recursos,
humanos e materiais, contrata-os a terceiros.

Forma Direta de Prestação: O Próprio Estado o presta, através de seus órgãos.

Forma Indireta: O Estado outorga ou delega a prestação do serviço.

Prestação Direta por Execução Direta: O Próprio Estado atua, por meio de servidores seus.

Prestação Direta por Execução Indireta: O Próprio Estado atua, mas contrata o serviço de terceiros.

Prestação Indireta por Execução Direta: Autarquia que atua por seus próprios servidores.

Prestação Indireta por Execução Indireta: Concessionária de Transporte coletiva, aluga ônibus, ou
contrata os empregados a outras empresas. Ex. Limpurb.

Obs. Para Fins de Responsabilidade Civil, o Administrado lesado levará em conta o Prestador do
Serviço, e não quem o executa. A Empresa prestadora poderá entrar com Ação de Regresso contra o agente
ou empresa que executava o serviço e causou o dano.

A Responsabilidade do Ente que delegou ou outorgou a Prestação do serviço será subsidiária, ou


seja, se o Prestador delegado ou outorgado não tiver bens para responder, o Estado responderá objetiva-
mente.

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Responsabilidade do Executor e do Prestador  Solidária.


Responsabilidade do Estado e do Prestador Subsidiária.

26.2 - Elementos Formais (Regime Jurídico)

- Poderá ser integralmente de Dir. Público, qdo prestador for PJ de Dir. Público; Ou poderá ter um regime
de Dir. Privado, parcialmente derrogado pelo Dir. Público (regime híbrido).

26.3 - Elementos Materiais (natureza da atividade):

- Os Serviços Públicos são atividades Administrativas, essencialmente públicas.

- Atividade Administrativa é gênero, da qual o serviço público é uma das 04 espécies:

o Serviço Público propriamente dito;


o Fomento;
o Poder de Polícia Administrativo;
o Intervenção no Domínio Econômico;

27. PRINCÍPIOS QUE O REGEM

a) Princípio da Continuidade do Serviço Público:

- Em face do qual, a prestação do serviço não pode sofrer qualquer solução de continuidade, n pode
ser interrompido, é atividade permanente, contínua da Administração.

- Dá ao Estado o direito de Retomar a Prestação do Serviço, qdo a sua prestação delegada a terceiros
estiver comprometida no que se refere a seu desempenho e adequação.

- Mitigação a esse Princípio  O Direito de greve do servidor público garantido pela CF de 88 mitiga,
em parte, este Princípio, que deverá ser aplicado em conformidade com o direito de greve. Entretanto,
o direito de greve também deve ser interpretado em conformidade com esse Princípio. Os servidores
não poderão paralisar o Serviço totalmente.

-Obs.  Falta de Pagamento do serviço por parte do usuário: Poderá haver suspensão do serviço após
um período, com a notificação prévia do usuário.

b) Princípio da Mutabilidade do Regime Jurídico:

- O Regime Jurídico do Servidor Público pode ser alterado pelo Estado mesmo unilateralmente, sem
que os administrados, servidores ou concessionários possam contestar a mudança.

- O Regime Jurídico não gera Direito Adquirido. Entretanto, gerará Indenização se essa mutabilidade
atingir o equilíbrio econômico-financeiro. Entretanto, o Equilíbrio Contratual, econômico e financeiro,
dever ser mantido nas relações da Administração com os Prestadores do Serviço (Mitigação).

- Obs O Estado também terá direito ao equilíbrio econômico financeiro, se no decorrer do contrato
ocorrer mudança que favoreça o concessionário e lese a Administração.

c) Princípio da Igualdade:

- Os usuários do serviço público em igualdade de condições devem ser tratados igualmente.

28. CLASSIFICAÇÃO DOS SERVIÇOS PÚBLICOS

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a) Quanto à Natureza da Atividade:

 Serviço Público Próprio: Criados pelo Estado e assumidos por Ele, que os presta direta ou
indiretamente.

 Serviço Público Impróprio: Refere-se a atividades privadas, prestadas por particulares, mas
que atendem ao interesse coletivo, sem que sejam consideradas essenciais. Não são Serviço
Público propriamente dito, porque não são criados pelo Estado, são apenas autorizados por Ele.
Ex. bancos, táxi, previdência privada, planos de saúde, ONG´s, Serviços Sociais Autônomos, Or-
ganizações da Sociedade Civil.

b) Quanto ao Objeto do Serviço Público:

 Serv. Público Administrativo: Serve para atender conveniências internas da Administração ou


para preparar outros Serviços públicos.

 Serv. Públicos Sociais: Visa a concretizar os postulados do Bem-Estar e da justiça social, miti-
gando ou eliminando as desigualdades sociais.

 Serviços Industriais ou Comerciais: Prestados no âmbito das atividades econômicas, são one-
rosos, prestados através de delegação contratual (concessionárias ou permissionárias). Ex. Te-
lecomunicações, Serviço Postal.

c) Quanto ao Modo de Fruição do Serviço:

 Serv. Públicos Individuais (singulares, “uti singuli”): Fruídos diretamente pelo usuário. São a
maioria dos serviços públicos. Ex. telecomunicações.

 Serviços Gerais (universais, “uti universi”): Usufruídos pela coletividade, o indivíduo os utiliza
indiretamente. Não podem ser onerados por Taxa. Ex. Coleta de Lixo, Iluminação.

d) Quanto à Forma como Concorrem seus Prestadores:

 Serv. Público Exclusivo do Estado: Serviços que o Estado detém a titularidade, exercendo-o
direta ou indiretamente, só o Estado pode prestá-lo.

 Serv. Públicos Não Exclusivos: O próprio particular pode prestar o serviço em seu próprio
nome, como se dele fosse, sujeito, entretanto, ao Poder de Polícia do Estado. O Estado poderá
prestá-lo concorrentemente com o particular. Ex. Educação, saúde.

2.0- CONTRATO DE CONCESSÃO 


.

a) CONCESSÃO de SERVIÇOS PÚBLICOS:

A - Concessão COMUM (Lei 8.987/95 e art.175, C.F/88):

- Só há transferência da execução do serviço, a titularidade continua com o poder público.

- O Poder Público pode outorgar a concessão de serviços públicos a um particular, mas


concessão não é uma outorga e sim uma delegação. A Delegação deve ser feita pelo
Poder concedente, só o ente que possui a titularidade do serviço pode delegá-lo
(União, Estados, DF e Municípios).

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- Só uma Pessoa Jurídica ou um Consórcio de Empresas podem receber a delega-


ção. Obs Não se admite concessão a Pessoa Física.

 Formalização: Através de Contrato Administrativo, com necessidade de Licitação


por Concorrência, a mesma da Lei 8.666/93, com algumas Peculiaridades (art.15, Lei
8987/95).

- Nessa licitação, além dos tipos de menor preço, melhor técnica e melhor técnica e
preço, há o tipo do melhor tarifa p/ o usuário.

- Exceção: Programa Nacional de Desestatização (lei 9074/95): Serviço que esti-


ver no programa de desestatização será concedido por licitação via Leilão.

 Prazo: Determinado. O Prazo será fixado pela Lei que cuide do serviço concedido.
É possível a prorrogação do prazo dentro do limite máximo da lei, desde que esteja
prevista essa possibilidade no contrato.

- Obs. Além do Contrato, há necessidade de autorização Legislativa específica p/


haver a concessão.

Veja como isso é cobrado em provas:

26. (MPE-PR - 2014 - MPE-PR – Promotor) De acordo com a Lei nº 8.987/95, analise as assertivas abaixo e
escolha a alternativa:

I. Poder concedente: a União, o Estado, o Distrito Federal ou o Município, em cuja competência se encontre o
serviço público, precedido ou não da execução de obra pública, objeto de concessão ou permissão;
II. Concessão de serviço público: a delegação de sua prestação, feita pelo poder concedente, mediante licitação,
na modalidade de concorrência, à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu
desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado;
III. Concessão de serviço público precedida da execução de obra pública: a construção, total ou parcial, conserva-
ção, reforma, ampliação ou melhoramento de quaisquer obras de interesse público, delegada pelo poder conce-
dente, mediante licitação, na modalidade de concorrência, à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que de-
monstre capacidade para a sua realização, por sua conta e risco, de forma que o investimento da concessionária
seja remunerado e amortizado mediante a exploração do serviço ou da obra por prazo determinado;
IV. Permissão de serviço público: a delegação, a título precário, mediante licitação, da prestação de serviços públi-
cos, feita pelo poder concedente exclusivamente à pessoa física que deposite caução equivalente ao tempo de
duração da atividade delegada.

A) Todas as assertivas são corretas;


B) Apenas a assertiva IV é incorreta;
C) Somente as assertivas I e IV são corretas;
D) Apenas as assertivas II e III são corretas;
E) Todas as assertivas são incorretas.

(VUNESP - 2014 - DPE-MS - Defensor Público) Considerando as várias formas de gestão de serviços públi-
cos previstas no direito brasileiro, é correto afirmar que:

A) é possível a gestão associada de serviços públicos entre entes federativos, por meio de convênios de cooperação
ou consórcios públicos.
B) a execução direta de serviços públicos, prevista na Constituição Federal, é aquela realizada, tão somente, pela
Administração Direta.
C) a Administração Pública é plenamente livre para escolher a forma de gestão do serviço público, se por execução
direta ou delegada, por instrumento contratual.

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D) atividades exclusivas do Estado, delegáveis por sua própria natureza, poderão ser objeto de concessão, permis-
são ou autorização de serviço público.

 Responsabilidade da Concessionária (art.37, §6º):

- Regra: Responsabilidade Objetiva em face do usuário do serviço. Se o sujeito que


sofrer o dano não for usuário do serviço, a responsabilidade da concessionária será
subjetiva, baseada no dano civil.
Obs. A Responsabilidade do Estado é subsidiária e Objetiva pelos danos causados
pela Concessionária.

 Remuneração da Concessionária:

I) Tarifa dos Usuários: Política Tarifária (define o valor da tarifa, índice e data para
reajuste) está prevista no Procedimento Licitatório.

II) Recursos Públicos: É uma faculdade do Administrador. Princípio da Modicidade: A


Faculdade que a Administração tem em alocar recursos públicos para a concessio-
nária decorre desse princípio.

III) Receitas Alternativas: A Empresa busca outras atividades paralelas ao serviço


público com o objetivo de baratear as tarifas. O Contrato deve prever essas receitas
alternativas.

 Obs. As tarifas podem ser diferenciadas de acordo c/a capacidade econômica do usu-
ário (Princípio da Isonomia Material).

 Sub-Contratação ou Sub-Concessão dos Contratos Administrativos:

- A Lei possibilita a sub-concessão do contrato administrativo, apesar de pesadas


críticas da doutrina que entende que a sub-concessão fere a isonomia, viola o dever
constitucional de licitar, e fere o caráter personalíssimo do contrato administrativo.

 Condições p/ a Sub-Concessão:

I) Previsão no Edital ou no Contrato (um é parte integrante do outro).

II) A sub-concessão só poderá ser de partes do contrato.

III) A Administração deverá anuir com a sub-concessão, hipótese na qual irá ana-
lisar se a sub-contratada preenche os requisitos para o contrato administrativo.

IV)A Lei exige licitação para a sub-concessão do contrato administrativo. Neste


caso, a concessionária não terá mais responsabilidade, só a sub-concessionária
(para a doutrina isto não é sub-concessão, e sim novo contrato administrativo).

Obs. Em uma sub-concessão há a Responsabilidade Solidária entre a Concessio-


nária e a Sub-Concessionária.

 Extinção da Concessão:

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 Judicial: Quando o contratado não quer mais o contrato.

Consensual: por acordo ou Amigável.

 Ato Unilateral do Poder Público, que se subdivide em:

I) Encampação: O Poder Público extingue o contrato por razões de interesse pú-


blico. Neste caso, há necessidade de indenização.

II) Caducidade: Extinção Unilateral do Contrato pela Administração por descumpri-


mento de cláusula contratual por parte do particular. Neste caso, o particular deve
indenizar o Estado.

III) Extinção de Pleno Direito: Extinção do contrato por causas alheias à vontade
das partes.

IV) Extinção por Anulação: Extinção em razão de ilegalidade na concessão.


B - CONCESSÃO ESPECIAL:

- Surgiu para definir a natureza jurídica das Parcerias Públicos Privadas (PPP’s).

 Fundamento:

- Lei 11079/04.  A Concessão Especial é uma concessão comum com algumas peculiaridades,
mas é, também, delegação de um serviço público.

 Objetivos:

 Buscar Dinheiro na iniciativa privada para custear necessidades públicas.


 Buscar eficiência da iniciativa privada.

 Modalidades de PPP’s:

I) Concessão Patrocinada:
- Concessão comum em que haverá, necessariamente, tarifa do usuário + recursos pú-
blicos (aqui o recurso público é indispensável, ao contrário da concessão comum). O Per-
centual de alocação de recursos públicos será previsto no contrato.

II) Concessão Administrativa:


- A Administração será usuária direta ou indireta do serviço. Serve para a formação de
infra-estrutura. Ex. construção de presídios.
Obs. Para ser concessão especial é necessária a presença de, pelo menos, 02 elementos
entre: Obra, serviço e fornecimento. Necessária também a presença de financiamento
privado.

 Características Próprias da Concessão Especial:

I) Financiamento Privado: Se não há financiamento privado, a concessão é comum.

II) Compartilhamento de riscos: A Responsabilidade entre Estado e Particular é Soli-


dária, diferente da concessão comum, onde a responsabilidade do Estado é subsidi-
ária.

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III) Pluralidade Compensatória: O Estado terá várias maneiras para pagar o financi-
amento privado: Via ordem bancária; via transferência de créditos não tributários; via
outorga de direitos ou outorga onerosa.

Obs. Se o Estado não pagar, o Particular tem que ir para a via judicial e a dívida
vai p/ precatório.

 Vedações:

- Vedado Contrato com Prazo Inferior a 05 anos ou Superior a 35 anos.


- Vedado Contrato com Valor inferior a 20 milhões de reais.
- O Objeto da PPP tem que ser Caráter Misto (obra, serviço, fornecimento, pelo menos 02 desses
elementos devem estar presentes).

 Formalidades:

- A PPP tem como vínculo jurídico o contrato, com necessidade de Licitação por Concorrência.
Obs. A Concorrência poderá ser a concorrência comum da Lei 8.666/93, ou pode ser também
uma concorrência com procedimentos invertidos e lances verbais (não é pregão).

- É necessária a Autorização Legislativa.

- Para fazer a PPP o projeto deve estar previsto no Plano Plurianual.

- É necessária uma consulta pública.

- Necessário estudo de impacto ambiental.

3.0- CONTRATO DE PERMISSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO

- Só a Permissão de Serviço Público é contrato administrativo, a permissão de uso de bem público se faz por
ato unilateral.

a) Fundamento (Lei 8987/95, art.2º): É Delegação de Serviço Público.

- Quem Delega O Poder Concedente titular do serviço público a ser concedido.

- Quem pode ser Permissionário Pessoa Física ou Jurídica.

b) Formalidades:

- É Contrato Administrativo de Adesão, sempre com Prazo Determinado (Art.40: Formalidade será dada
por contrato com prazo e indenização).

- Lei 8.987/95 Mudou a natureza do instituto, transformando-o em contrato administrativo.

- Art.2º: Diz que a Permissão é precária (precariedade mitigada pelo fato de ser contrato).

Obs. Originalmente era ato unilateral precário, sem prazo determinado, sem indenização, no qual a
administração tinha liberdade para delegar.

- Para Celso Antônio a Permissão continua sendo ato unilateral e precário (minoritária).

- Doutrina Majoritária: É Contrato Precário, que pode ser retomado a qualquer tempo, mas com pos-
sibilidade de indenização.

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- Obs. É decisão discricionária do Administrador optar por fazer Permissão de Serviço Público ou Con-
cessão de Serviço Público. Para investimentos mais altos, considera-se mais indicado fazer concessão,
porque esta não é precária.

- Além do contrato administrativo, é necessária a Licitação por qualquer modalidade, a depender do


valor do contrato.

- Obs. Não há necessidade de Autorização legislativa para a Permissão. De resto, aplica-se, no que
couber, o que for aplicável à Concessão.

4.0- CONSÓRCIO PÚBLICO

- Diferencia-se do Consórcio Público da Lei 8.666/93, que é uma gestão associada de Entes da mesma es-
pécie (município com município; Estado com Estado).

a) Fundamento  Lei 11.107/05.

b) Modalidades:

I) Contrato de Consórcio Tradicional:


Os Entes não precisam ser da mesma espécie, mas só será possível entre entes políticos,
que constituirão nova Pessoa Jurídica.

II) Contrato de Programa:


Quando um Ente do Consórcio celebra contrato com o próprio Consórcio.
 Obs. Essa nova PJ pode contratar, desapropriar, fazer concessão.

c) Vínculo Jurídico:

- Contrato, antecedido por um protocolo de intenções.

- O contrato de consorcio pode formar uma Pessoa Jurídica com personalidade de Direito Público ou
Privado:

I) Formará uma Pessoa Jurídica de Direito Público: Associações Públicas, art.41 do


CC/02. Tem tratamento de autarquia.

II) Formará Pessoa Jurídica de Dir.Privado: Terão tratamento semelhante às Empresas


Públicas e Sociedades de Economia Mista, com regime jurídico híbrido.

c) Órgãos e Funcionamento:

- O Estatuto próprio definirá os órgãos e o funcionamento do consórcio público.

d) Procedimento Licitatório:

- Qualquer ente público que celebre contrato com o Consórcio terá dispensa na Licitação.

- Quando o Consórcio celebrar contrato com outras Pessoas Jurídicas:

I) Dispensa de 20% (art.24, § único);

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II) Os valores do art.23 da Lei 8666/93 ficam dobrados se houver até três entes envol-
vidos e triplicados se houver mais de três entes envolvidos.

III) Quando o consórcio celebra contrato de programa, há dispensa de licitação.


e) Críticas da Doutrina:

- A Doutrina acha um absurdo este contrato também pode formar nova Pessoa Jurídica de Direito Privado
(regime de Sociedade de Economia Mista ou Empresa Pública). Os entes políticos passariam a ter natu-
reza de direito privado, o que prejudica a autonomia dos entes políticos consorciados.

f) Podem Fazer:

 Convênios/Contratos;
 Concessão/Permissão;
 Desapropriação;
 Emitir Documentos para Cobrança de Tarifas.

- Críticas Enquanto Pessoa Jurídica de Direito Privado, não deveria ter tanto poder.

g) Extinção do Consórcio Público (Lei 8987):

- Via Assembléia Geral.

*INTERVENÇÃO ESTATAL NA PROPRIEDADE*

16. Direito de Propriedade:

 Só é atingido pelo Estado em caráter excepcional, quando previsto na Constituição Federal de 1988 ou
em Lei, só aí será possível a intervenção do Estado na propriedade. Mas, de Regra, não há intervenção.

 É o direito de gozar, dispor, usar, usufruir, reaver. Tem caráter: Absoluto, Perpétuo e Exclusivo.

 Obs.:Na intervenção ora será atingido seu caráter perpétuo, ora o absoluto, ora o caráter exclusivo. Na
intervenção do Estado o proprietário não perderá a propriedade, salvo na desapropriação, onde há a
transferência da propriedade.

17. Fundamentos para a Intervenção (motivos):


 Supremacia do Interesse Público. Prática de ilegalidade, art.243 da CF: Desapropriação Expropriatória,
Confiscatória, em virtude de plantação de psicotrópicos proibidos na propriedade. É uma pena.

18. Poder de Polícia:


 Maioria da Doutrina: Poder de Polícia está sempre presente na limitação administrativa. Alguns doutri-
nadores entendem que só na Desapropriação não está presente o Poder de Polícia.

19. LIMITAÇÃO ADMINISTRATIVA:


 Atuação geral e abstrata do Poder Público. O proprietário é indeterminado. Regra Geral: Não há inde-
nização.

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 Finalidade: Busca do bem-estar social, que será buscado através do Poder de Polícia, quando a pro-
priedade do particular será restringida p/ satisfazer o interesse coletivo. Atinge o caráter absoluto da
propriedade, já que restringe a liberdade do proprietário.

 Efeitos: ‘Ex nunc’, para o futuro, não atingindo situações já formadas.

20. SERVIDÃO ADMINISTRATIVA:


 Utilização do patrimônio do particular pelo Estado para prestar serviço público. Regra: É individual,
concreta e com proprietário determinado.

 Relação de Dominação: O Serviço Público é o Dominante, e a propriedade do particular á o Serviente.


Há a dominação do serviço público sobre um bem.
 Obs. # Da Servidão no Direito Civil, onde há a dominação de um bem sobre outro bem.
 Indenização: Só se houver dano efetivo.
 Obs. Jurisprudência: Fios de alta tensão impedem o exercício da propriedade, portanto não há servi-
dão neste caso, e sim Desapropriação indireta.

21. REQUISIÇÃO (Art.5º, Inc. XXV, Constituição Federal de 1988):


 Ocorrerá quando há iminente perigo, o Poder Público poderá requisitar o patrimônio do particular
pelo Tempo que for necessário, até que cesse o iminente perigo. Obs. É possível a requisição tanto
em tempo de paz, como em tempo de guerra.

 Indenização: Só se houver dano ao patrimônio do particular. Obs: Há a possibilidade de reintegração


do patrimônio na via judicial, se o Poder Público não devolvê-lo.

 Objeto: Pode recair sobre bens Móveis ou Imóveis. Atinge o caráter exclusivo da propriedade. Obs:
Quando tratar-se de bens fungíveis, ainda que o dono deixe de ser dono, haverá requisição. Ex. Estado
requisita roupas e frangos de uma fábrica.

 Sempre que houver bens fungíveis, e tratar-se de iminente perigo, haverá requisição, e não desapro-
priação, já que o poder público pode devolver objetos iguais.

22. OCUPAÇÃO TEMPORÁRIA:


 Hipóteses mais comuns:

 Uso do Patrimônio não edificado ao lado da obra pública para guardar os materiais da obra.
 Para Evitar desapropriação desnecessária: quando o Poder Público ocupa o imóvel para pesquisa
de minérios e arqueologia, em havendo minérios ou objetos arqueológicos o poder público desapropria
a área.

 Indenização: Se houver Dano  Indenização Ulterior.

 Natureza Jurídica: Há divergência na doutrina.

 Maria Sylvia: Ocupação prevista na Lei 8666/93, decorrente de Contrato Administrativo: Se o parti-
cular descumpre o contrato administrativo  Processo Administrativo  Administração extingue o con-
trato, rescinde-o (ato administrativo).

Durante o processo administrativo a Administração assume a prestação do serviço que era prestado
pela empresa por contrato administrativo, utilizando-se dos bens da empresa que são necessários à

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prestação do serviço. Maria Sylvia entende que há ocupação temporária nestes casos. Ao final do Pro-
cesso a Administração poderá devolver os bens à empresa, ou adquiri-los através da Reversão, com
direito ou não à indenização. Não é desapropriação.

 Para alguns doutrinadores não há ocupação temporária na situação trazida por Maria Sylvia, e sim,
ocupação decorrente do contrato (cláusula exorbitante). Mesmo que não esteja no contrato, ainda as-
sim, não será ocupação temporária.

23. TOMBAMENTO (Decreto Lei 25/37):


 Conservação do Patrimônio Histórico, Cultural, Artístico e Paisagístico.

 Objeto  Tanto bens móveis, como os imóveis, inclusive os Bens Públicos.

 O Tombamento atinge o Caráter Absoluto da Propriedade.

 Há corrente minoritária, liderada por José dos S.C. Filho sustentando que só é possível haver tomba-
mento de bem público quando guardada uma hierarquia, do mesmo modo que na desapropriação. Ex
A união pode tombar bens dos Estados e Municípios, os Estados podem tombar bens dos Municípios.

 Competência para Tombar:

 Patrimônio de Interesse Nacional  União


 Patrimônio de Interesse Regional  Estado
 Patrimônio de Interesse Local  Município.

 Obs. Pode haver tombamento de Bem da União por um Município, porque o que importa é o inte-
resse, não a hierarquia, diferentemente da desapropriação.

 Obs. Bem Público Tombado  Inalienabilidade Absoluta. Normalmente, os bens públicos são
relativamente inalienáveis.

 Obrigações Positivas do Patrimônio tombado:

 Dever de Conservação do bem pelo Dono.

 Obs. Se o dono não tiver condições econômicas de conservar o bem, deverá comunicar à entidade
que o tombou para que ela tome as devidas providências. Toda e qualquer conservação tem que ter
Autorização do Instituto próprio.

 Obs. O proprietário que faz conservação sem autorização: destruição do patrimônio, crime do
art.165 do CP. A União tem preferência na compra do imóvel tombado, se o particular quiser vendê-lo.

 Obs. Poderá haver tombamento total ou parcial: O Tombamento pode ser feito só da fachada do
imóvel; quando o tombamento for sobre todo o imóvel, poderá ser hipótese de desapropriação indireta.

 Obrigações Negativas:

 Não danificar, Não destruir o patrimônio tombado; impossibilidade de retirá-lo do país, exceto por
curto espaço de tempo.

 O vizinho ao patrimônio tombado não pode colocar cartazes, ou qualquer outro instrumento que
prejudica a visibilidade do patrimônio tombado.

 Obrigação de tolerar, suportar a fiscalização.

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 Procedimento do Tombamento:

 Tombamento Provisório: Enquanto estiver em andamento o procedimento administrativo de tomba-


mento. Depois de julgado o processo, o tombamento tornar-se-á Definitivo.

 Tombamento Voluntário: Acontece a pedido do proprietário.

 Tombamento Compulsório: A Administração determina.

 Obs. o Tombamento não depende do registro na escritura do imóvel, basta o registro no Livro do
Tombo, depois disso ele será válido. Entretanto, se o Estado não registra o Tombamento na escritura
do imóvel, não terá a preferência numa eventual venda do imóvel.

 Indenização: O Tombamento, por si só, não gera direito à indenização. Poderá haver indenização den-
tro do Tombamento, se constituída uma obrigação de fazer, se houver dano.

24. DESAPROPRIAÇÃO
 Única forma de intervenção em que o Estado toma o direito de propriedade do antigo proprietário.

 É forma de aquisição originária da propriedade, não há vínculo, nem relação jurídica com o antigo pro-
prietário, a vontade dele não interessa.

 Objeto  Bens Móveis e Imóveis, inclusive os Bens Públicos. Defeito no Objeto: Vício no Objeto. Ex.
Município desapropria bem da União.

 Regra Geral: Todos os bens podem ser desapropriados. Exceção: Vedada a Desapropriação aos Di-
reitos da Personalidade. Direitos autorais, direito á imagem, alimentos, direito à vida, não podem ser
desapropriados.

 Competência Regra Geral - Todos os entes, a depender da órbita de interesse. Para Bens Públicos,
respeita-se a hierarquia  União desapropria de Estados e Municípios; Estado desapropria dos Muni-
cípios. Obs. Defeito na competência: Vício na competência.

9.1. DESAPROPRIAÇÃO COMUM ou ORDINÁRIA

 Por Necessidade e Utilidade Pública (D.Lei 3365/41)  Rol taxativo. O Dec. Lei não distingue
necessidade de utilidade pública, entretanto, a doutrina faz essa distinção: Necessidade há quando a
situação exija urgência; Utilidade há quando não há urgência.

 Por Interesse Social (Dec.Lei 4132/62) Rol Taxativo.

 Obs  Art.5º, inc.XXIV da Constituição Federal de 1988 justifica essas duas modalidades.

 Competência: Todos os entes podem, a depender da órbita de interesses. Obs. Não há vício de
competência.

 Indenização: Prévia, Justa e em Dinheiro.

 Objeto: Qualquer bem pode ser objeto de Desapropriação Ordinária, exceto nos casos previstos no
Dec.Lei. Obs. Só cai na via judicial em algumas circunstâncias.

9.2. DESAPROPRIAÇÃO SANCIONATÓRIA

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 Tem natureza de penalidade, de sanção.

 1ª Hipótese: Decorre do Descumprimento da Função Social da Propriedade:

a) Reforma Agrária (LC 76/93 e Art.191 da CF):

- Proprietário não cumpre função social da propriedade. Obs. O Poder Público pode fazer
reforma agrária mesmo sem natureza de penalidade, c/ fundamento no interesse social.

- Competência  Só a União. Neste caso pode haver vício de competência.

- Objeto  Só sobre bens imóveis rurais.

- Indenização TDA´s (Títulos da Dívida Agrária, resgatáveis em até 20 anos), indenizam a


terra nua. As benfeitorias têm que ser pagas em dinheiro.

-Vedação à Desapropriação Sancionatória  Propriedades pequenas ou médias, que seja


a única do particular e que seja produtiva.

b) Plano Diretor: Lei que organiza o Município, Lei 10257/01 (Estatuto da Cidade).

- Quando há desobediência ao plano diretor, fere-se a função social da propriedade.

- Competência Municípios e DF.

- ObjetoBens Imóveis Urbanos.

- Indenização TDP (títulos da dívida pública, resgatáveis em até 10 anos).

- Procedimento Notificação do proprietário, pela prefeitura, para que este proceda à edifi-
cação (01 ano para o projeto e mais 02 para a construção) ou ao parcelamento da proprie-
dade. Se não edificada ou parcelada: IPTU com alíquota progressiva (até 15% por ano). Se
não cumprir as obrigações  Desapropriação Sancionatória, aplicada em último caso.

- Obs. Desapropriação instituída pelo CC/02, não diz respeito à Desapropriação do Direito
Público.

 2ª Hipótese: Desapropriação Expropriatória (confiscatória, expropriação).

- Pode haver expropriação apenas da área onde houve plantação ilegal de psicotrópicas e a explo-
ração de trabalho escravo na forma da lei.

- Hipóteses:

a) Plantação de Psicotrópicos Proibidos ou exploração de trabalho escravo na forma da lei.

b) Outros bens de valor econômico que sejam utilizados para o tráfico.

- Indenização: Não há. Daí ser chamada de expropriação, espécie de desapropriação sancionató-
ria.
- Competência: União.

9.3. DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA:

 Acontece quando o Poder Público não observa formalidades necessárias, simplesmente entra no Bem.
Ex. servidão e tombamento disfarçados. É chamado de “esbulho administrativo”.

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 Ex. quando o particular nada mais pode fazer em sua propriedade.

9.4. NOÇÕES COMUNS A TODAS AS MODALIDADES

 Desapropriação é possível totalmente na via administrativa, o que não ocorrerá, apenas, se o particular
não aceitar o valor da desapropriação ou se o proprietário for desconhecido.

 PROCESSO ADMINISTRATIVO DA DESAPROPRIAÇÃO:

a) Fase Declaratória:

- Poder Público declara a desapropriação via Decreto Expropriatório emitido sempre pelo
Chefe do Executivo.

- Exceção Poder Legislativo: Através de Lei de Efeitos concretos, que é lei com cara de
ato administrativo, já que produz efeitos concretos e individuais. O Legislativo pode declará-
la, mas não a executa.

- Obs. Concessionárias e Permissionárias também podem desapropriar, mas somente a


partir da Fase Executiva, nunca na Fase Declaratória.

b) Fase Executiva:

- O Poder Público vai efetivamente entrar no Bem.

- Condição para fase executiva para entrar no bem, o poder público deve pagar o valor. Se
o particular não aceita o valor, necessária a via judicial.

- O que Deve Constar no Decreto Expropriatório:

1. Demonstração do Interesse público na Desapropriação, determinada a sua Desti-


nação (Ex. Escola, Hospital, Estrada). Obs. Se o Poder Público mudar a destinação da
desapropriação, esse fenômeno é chamado de Tredestinação. Tal fato é possível, desde
que se mantenha o interesse público.

2. Descrição do Bem c/ todas as benfeitorias. Obs. Após o Dec. Expropriatório só se-


rão indenizadas as benfeitorias necessárias e as úteis autorizadas.

c) Prazo de Caducidade do Processo Administrativo:

- Prazo de tolerância entre a declaração, em decreto expropriatório, e a execução da expro-


priação.

- Necessidade ou Utilidade Pública: 05 anos. Se neste período, o poder público não pagar
a indenização e ainda não entrou no bem, só poderá repetir o Decreto expropriatório 01 ano
depois. (período de carência).

- Desapropriação por Interesse Social: 02 anos. Neste caso, não há a possibilidade de


repetição do decreto expropriatório.

d) Ação Judicial de Desapropriação: Só será obrigatória em 02 circunstancias:

- Quando o proprietário é desconhecido, ou há dúvida quanto ao proprietário.

- Quando o proprietário não está de acordo c/ o valor da indenização.

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- A Ação de desapropriação é de procedimento especial. Não pode discutir outra coisa senão
o valor e eventuais nulidades do procedimento expropriatório. Qualquer outra discussão só
será possível em ação própria.
- Antecipação da Prova Pericial: Diferentemente do que ocorre nos outros procedimentos,
onde a prova pericial não é feita no inicio do processo, na Ação de Desapropriação o juiz já
determina a realização da perícia no início do processo.

- Incidente de Imissão Provisória na Posse (diferente de imissão na posse)  É incidente


na ação de desapropriação, que serve para antecipar a entrada do poder público no bem,
antes do julgamento final da ação.

- Requisitos para concessão da Imissão:

1. Urgência da situação;
2. Depósito do Valor da Indenização Valor estipulado pelo Poder Público. Obs. A Juris-
prudência vem entendendo que se o valor depositado for irrisório, o juiz poderá determinar a
complementação do valor.

- O Proprietário poderá levantar até 80% do valor depositado pelo Poder Público. Ex. Imissão
Provisória (01/01/04)----------------Sent.Final (01/01/05)
100.000 depositados Decisão Judicial: 200.000
80.000 levantados pelo particular (+ 100.000)

Obs. Em relação aos 100.000 que a decisão judicial estabeleceu a mais, esses serão cobra-
dos da Administração por meio de precatório.

- Juros CompensatóriosIncidirão sobre a diferença entre o valor levantado pelo particular


e o valor determinado pela justiça (120.000), e durante o período entre 01/01/04 e 01/01/05.

- Dec.Lei 3365/41, Art.15-A (objeto de ADIN): Determinou a suspensão da parte que determi-
nava os juros compensatórios de até 06%. Atualmente o valor dos juros compensatórios é de
12% ao ano. Essa ADIN fez valer novamente a Súmula 618 do STF, que determinava os juros
compensatórios de 12% a partir do depósito até a sentença.

- Juros Moratórios Art.15-B, Dec.Lei 3365/41: Para recompor perdas relativas ao atraso
no pagamento. Começarão a correr a partir de 1º de janeiro do exercício financeiro em que
deveria ter sido pago, seguinte ao ano em que foi proferida a sentença de mérito. OBS. Não
há necessidade de a sentença haver transitado em julgado.

- Ex Sentença proferida em 01/01/04Juros a partir de 01º/01/06 (em 2005 entra no pre-
catório). Ex. Sentença proferida em 31/07/04 juros a partir 01/01/07 (precatórios em 2006).

Vejamos:

28. (CESPE - 2013 - TJ-RN – Juiz) Acerca do processo de desapropriação, assinale a opção correta.

A) Não cabe, além dos juros, indenização complementar pela demora no pagamento do preço da desapropriação.
B) Os juros compensatórios, incidentes após a Medida Provisória n.° 1.577/1997, devem ser fixados em 12% ao
ano até 13 de setembro de 2001, e, a partir de então, em 6% ao ano.
C) A base de cálculo dos honorários de advogado consiste no valor da indenização fixada, corrigida monetariamente.
D) É devida a correção monetária até a data do efetivo pagamento da indenização, sendo a atualização do cálculo
devida apenas uma vez, para recompor o valor da indenização.
E) O poder expropriante, imitido na posse de ações de uma sociedade desapropriada, não pode exercer todos os
direitos inerentes aos respectivos títulos

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1
ADVOCACIA PÚBLICA
Direito Administrativo
Matheus Carvalho

GABARITO

1. B
2. E
3. E
4. C
5. A
6. D
7. E
8. E
9. B
10. C
11. A
12. A
13. E
14. A
15. E
16. B
17. B
18. C
19. A
20. C
21. B
22. E
23. E
24. E
25. D
26. B
27. D
28. A

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