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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ


SETOR DE CIÊNCIAS JURÍDICAS

Programa de Pós-graduação em Direito

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PROVA DAS DISCIPLINAS CORRELATAS

TEORIA DO ESTADO

1. Na teoria contratualista, o surgimento do Estado e a noção de


contrato social supõem que os indivíduos abrem mão de direitos
(naturais) em favor de um governo ou outra autoridade a fim de obter as
vantagens da ordem política. O ponto inicial da maior parte dessas teorias
é o exame da condição humana na ausência de qualquer ordem social
estruturada, normalmente chamada de "estado de natureza". Com base
nos teóricos contratualistas clássicos, considere as afirmativas como
verdadeiras (V) ou falsas (F):

( ) Para Thomas Hobbes, “o direito da natureza (jus naturale) é a liberdade


que cada homem possui de usar seu próprio poder, da maneira que quiser,
para a preservação de sua própria natureza, ou seja, de sua vida”.

( ) Segundo John Locke, os homens se unem para estabelecerem


livremente entre si o contrato social, “um pacto de consentimento em que os
homens concordam livremente em formar a sociedade civil para preservar e
consolidar ainda mais os direitos que possuíam originalmente no estado da
natureza”.

( ) Jean-Jaques Rousseau, contratualista franco-suíço, pretende


estabelecer no Contrato Social “as condições de possibilidade de um pacto
legítimo, através do qual os homens, depois de terem perdido sua liberdade
natural, ganhem, em troca, a liberdade civil”, sendo fundamental à legitimidade
do pacto social a condição de igualdade das partes contratantes.

( ) Para Charles de Secondat, o Barão de La Brède e de Montesquieu, o


“princípio do governo é a paixão que o move, é o modo de funcionamento dos
governos, ou seja, como o poder é exercido”.
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Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para


baixo.

A) V – V – V – V.

B) V – F – V – V.

C) F – V – V – F.

D) V – V – F – V.

E) F – V – F – V.

2. A definição precisa de conceitos notabiliza a obra de Max Weber, em


especial seu tratado Economia e Sociedade. Entre os conceitos
fundamentais para o entendimento das Instituições Políticas, das
Associações e do Estado está o conceito de poder. Escolha a alternativa
correta que descreve o conceito de poder segundo Max Weber:

A) “A probabilidade de ocorrer a subordinação em uma relação social com


a necessária presença de um quadro administrativo”.

B) “A probabilidade de encontrar obediência a uma ordem de determinado


conteúdo, entre determinadas pessoas indicáveis”.

C) “A probabilidade de encontrar obediência pronta, automática e


esquemática a uma ordem, entre uma pluralidade indicável de pessoas, em
virtude de atividades treinadas”.

D) “Toda probabilidade de impor a própria vontade numa relação social,


mesmo contra resistências”.

E) “Toda probabilidade de exercer a vontade ou influência sobre outras


pessoas, independentemente da existência de um quadro administrativo
para o exercício de dominação”.
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3. A definição do conceito de “instituição”, na obra de Max Weber


(Economia e Sociedade), é fundamental para a construção do conceito de
Estado pelo autor. Escolha a alternativa correta que descreve o conceito
de instituição segundo Max Weber:

A) “uma ação contínua que persegue determinados fins”.

B) “um “sentimento subjetivo dos participantes de pertencer (afetiva ou


tradicionalmente) ao mesmo grupo”.

C) “uma associação cuja ordem estatuída se impõe, com (relativa) eficácia,


a toda ação com determinadas características que tenha lugar dentro de
determinado âmbito de vigência”.

D) “uma associação baseada num acordo e cuja ordem estatuída só


pretende vigência para os membros que pessoalmente se associaram”.

E) “uma relação social fechada (...) quando a observação de sua ordem


está garantida pelos comportamentos de determinadas pessoas, destinados
particularmente para esse propósito”.

4. Para definir o Estado, Max Weber (Economia e Sociedade) define antes


o conceito de Associação Política, que é descrito da seguinte forma pelo
autor: “A uma associação de dominação denominamos associação
política, quando e na medida em que sua subsistência e vigência de suas
ordens, dentro de determinado território geográfico, estejam garantidas
de modo contínuo mediante ameaça e aplicação de coação física por
parte do quadro administrativo”. Escolha a alternativa correta que
expressa conceitualmente as características essenciais do Estado
segundo Max Weber:

A) “Uma empresa com caráter de instituição política denominamos Estado,


quando e na medida em que seu quadro administrativo pretende para si o
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monopólio legítimo da coação hierocrática para a realização de suas


ordens”.

B) “Uma empresa com caráter de instituição política denominamos Estado,


quando e na medida em que seu quadro administrativo promove o bem-estar
social e estende sua autoridade única e exclusivamente aos membros que
se associam voluntariamente”.

C) “Uma empresa com caráter de instituição política denominamos Estado,


quando e na medida em que seu quadro administrativo reivindica com êxito
o monopólio legítimo da coação física para realizar as ordens vigentes”.

D) “Uma empresa com caráter de instituição política denominamos Estado,


quando uma associação cuja ordem estatuída se impõe, com (relativa)
eficácia, a toda ação com determinadas características que tenha lugar
dentro de determinado âmbito de vigência”.

E) “Uma empresa com caráter de instituição política denominamos Estado,


quando uma associação baseada num acordo e cuja ordem estatuída só
pretende vigência para os membros que pessoalmente se associaram”.

5. Segundo Norberto Bobbio (Dicionário de Política), a Ciência Política


pode ser definida, num sentido estrito e técnico, como:

A) “o estudo dos fenômenos e das estruturas políticas, conduzido


sistematicamente e com rigor, apoiado num amplo e cuidadoso exame dos
fatos expostos com argumentos racionais”.

B) “o estudo dos sistemas políticos, conduzido sistematicamente e com


rigor, apoiado em formulações deontológicas e argumentos principiológicos”.

C) “a ‘ciência da política’, metodologicamente definida pela lógica dedutiva


e teoricamente organizada pela tradição da filosofia política”.
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D) “a ‘ciência empírica da política’ ou a ‘ciência da política’, tratada com


base na metodologia das ciências empíricas”.

E) “o estudo rigoroso da política, baseado na argumentação racional sobre


os sistemas políticos e na formulação de juízos sobre o funcionamento das
instituições políticas e pelo surgimento do Estado”.

6. Para Norberto Bobbio (Estado, governo e sociedade), o problema da


relação entre Direito e poder define os limites do exercício de poder pelo
Estado. Isto é, que “leis” coagem o soberano na imposição de suas
decisões sobre o povo. Historicamente, alguns “limites internos” ao
exercício do poder estatal foram constituídos, tais como (considere as
afirmações abaixo):
1. A relação dos Estados soberanos entre si (guerra, imperialismo,
organizações internacionais, etc.).
2. A divisão de poderes.
3. A imposição de leis divinas e naturais.
4. A constitucionalização de leis fundamentais.

Assinale a alternativa correta.

A) Somente as afirmativas I e II são verdadeiras.


B) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras.
C) Somente as afirmativas III e IV são verdadeiras.
D) Somente as afirmativas I e IV são verdadeiras.
E) Somente as afirmativas II e IV são verdadeiras.

7. Sobre a noção de poder em Hobbes, é correto afirmar:


a) Hobbes elabora uma forma paradigmaticamente moderna de se analisar
o poder, visto como resultado de um acordo de vontades no qual os
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particulares cedem suas parcelas de poder a uma entidade acima dos


indivíduos (embora resultado de seu pactos), que é o Estado;

b) Hobbes pode ser considerado um autor moderno, entre outras razões,


porque para ele a formação do Estado, embora calcada numa premissa
divina (referência à metáfora bíblica de Behemot e Leviatan) e herdeira das
bases estabelecidas na “política” de Aristóteles, acaba resultando numa
formação política voltada somente para motivações humanas e racionais;

c) Hobbes é o primeiro de uma geração de autores chamados de


‘contratualistas’, dentre os quais podemos incluir Maquiavel, Bodin e Locke;

d) O homem se afasta estado de natureza, para Hobbes, quando o Estado


deixa de espelhar a sociedade civil, acabando com um exercício de poder
espontâneo e legítimo e caminhando para a insegurança jurídica.

2 – Sobre a noção de poder em Foucault, é correto afirmar:

a) Foucault, embora vislumbre o poder também em práticas microfísicas que


permeiam o indivíduo nas mais diversas instituições (como a fábrica, a
escola, a prisão), não chega a romper com o paradigma hobbesiano, visto
que as estratégias do poder soberano continuam sendo uma preocupação
central em suas reflexões;

b) Foucault não nega a existência do poder estatal, mas chama a atenção


outras formas de sua manifestação (como a disciplina e a biopolítica) que,
ocasionalmente, podem inclusive atuar em conjunto com o poder estatal
(também chamado poder soberano)

c) O poder disciplinar é aquele que atua sobre o corpo individual e sobre as


populações, expressando-se por meio da vigilância, da sanção
normalizadora e do exame;

d) Direito e biopolítica praticamente nunca se implicam ou se misturam,


fazendo parte de duas estratégias distintas do poder (o poder soberano e o
poder normalizador, respectivamente)
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8. Sobre Jean Bodin é incorreto afirmar que:

a) Não se trata de um pensador plenamente moderno, já que ainda não se


divorciou completamente das noções corporativas próprias do pensamento
grego e medieval, podendo ser classificado, muito mais, como um autor de
transição;

b) Insere a noção (central para a modernidade política) de soberania,


definida como o poder absoluto e perpétuo de uma república;

c) Separa, em suas análises, a esfera do governo (em que o poder deve


ser controlado e repartido) e a esfera do Estado (onde o poder soberano se
sobressai com relação a todos os outros);

d) Bodin é o primeiro autor que insere a noção de poder completamente


moderno, rompendo completamente com as noções anteriores de política.

9. Sobre John Locke é incorreto afirmar que:

a) É considerado o primeiro autor do liberalismo político, eis que o eixo


central de sua reflexão é a liberdade do indivíduo;

b) Para Locke, a noção de liberdade nasce junto com a noção de


propriedade, visto que o sujeito livre é visto como aquele que tem
domínio sobre suas faculdades (e também sobre as coisas);

c) Locke é autor contratualista que entende que o estado de natureza é um


estado de luta, de medo e de conflito – real ou latente – onde “o homem
é o lobo do homem” e que se instaura a “guerra de todos contra todos”.

d) John Locke é autor contratualista, moderno e que vai inspirar, já no


século XIX, a instauração do sistema político liberal burguês.
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