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PARE DE

ERRAR!
26 SUPER DICAS DE
LÍNGUA PORTUGUESA
PARA MAXIMIZAR SEUS
CONHECIMENTOS

Carlos Santos
Olá! :)
Se você baixou este E-Book, certamente você tem amor por nosso
idioma pátrio.

A linguagem falada muitas vezes se distancia da correção grama-


tical necessária à vida social e gera verdadeiros absurdos linguís-
ticos.

Diante disso, decidimos lhe presentear com essas breves informa-


ções para que você possa refinar ainda mais sua comunicação.

Infelizmente, muitas pessoas acreditam que o falar bem é coisa de


gente chata e metida. Mal sabem elas que por meio da comunica-
ção verbal manifestamos valores, cultura e conhecimento...

O Chave-Mestra Concursos chegou para abrir as portas do co-


nhecimento e trazer luz a sua vida; quer seja pelo amor ao conhe-
cimento, quer seja por curiosidade, quer seja para os estudos.

Seja bem-vindo!
1 A NÍVEL OU EM NÍVEL?
Tornou-se chique, mesmo nas mais altas rodas sociais, utilizar a expressão antecedida pela preposição
a. Exemplo:
• Estamos falando a nível de filosofia.

Entretanto, essa expressão provoca a preposição “em” e, não, a preposição “a”. Uma sacada de mestre
é a colocação do adjetivo “alto” ao lado do substantivo “nível”, que pronta e logicamente resolve tal
contenda. Ninguém falaria, por exemplo, “Estamos falando a alto nível de filosofia”, mas “Estamos
falando em alto nível de filosofia”.

2 MUSSE E OMELETE
Musse e omelete são palavras femininas. Logo, peça-as de forma correta. Ainda que falar bem possa
parecer feio aos ouvidos insipientes.

3 INSIPIENTE E INCIPIENTE
Insipiente, com “s”, significa não sabedor, ignorante.
Incipiente, com “c”, significa iniciante, novato.
• Naquele município, só os insipientes não sabiam que as indústrias incipientes recebiam incentivos
fiscais. (=Naquele município, só os ignorantes não sabiam que as indústrias iniciantes recebiam
incentivos fiscais).

4 VEJO TUDO POR (OU ATRAVÉS DE) OUTRO PRISMA


A luz se decompõe passando pelo prisma ou através do prisma, mas nunca “sob o prisma”:
• Visto por esse prisma, o caso me parece bem sério.

5 ESPECTADOR OU EXPECTADOR?
As duas formas estarão certas desde que respeitadas suas significações.

Espectador significa aquele que assiste a um espetáculo.


Expectador é aquele que está na expectativa de alguma coisa, ou, é aquele que alimenta a esperança
de conseguir algo.

• Só para lembrar, também se grafam com “s” (e não com “x”) as seguintes palavras: esplêndido, estranho,
esgotar, espontâneo.

6 OS ALUNOS ASSISTIRAM À PALESTRA OU A PALESTRA?


As duas construções podem estar certas. Depende de sabermos qual a participação dos alunos. Como
assim?

Se os alunos viram, presenciaram na condição de espectadores, o verbo assistir assume o significado


de “ver”, “presenciar”, exigindo, portanto, um objeto indireto.

No caso de os alunos terem dado assistência à palestra, atuando na produção de tal evento, a
preposição deixa de ser necessária.

Eis o porquê de a manchete “O povo brasileiro, atônito, assiste a corrupção” ser, no mínimo, ofensiva.
Esta informação declara ser o povo brasileiro partícipe da corrupção.

7 PREVALECIDO
É comum ouvirmos a pronúncia “provalecido” relacionada à pessoa que abusa de sua força. O correto,
porém é prevalecido, com “e”, porque se deriva de prevalecer.

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8 TÃO POUCO E TAMPOUCO
A expressão “tão pouco” acompanha um substantivo; e a palavra “pouco”, no caso, é variável.

Exemplos:
• Eu tenho tão pouco tempo, que não posso assumir novos compromissos.
• Estava com tão pouca disposição para o trabalho, que não chegou a fazer nada.
• Eu tinha tão poucas oportunidades, que não arrisquei.

A expressão “tampouco” se refere a um verbo; é invariável e significa “também não”.

Exemplo:
• Se o professor não resolveu o problema, tampouco o resolveriam os alunos. (=Se o professor
não resolveu o problema, os alunos também não o resolveriam).

9 NÃO HAVIA NINGUÉM NO CINEMA


A língua cotidiana aceita o verbo ter pelo verbo haver, mas numa linguagem elegante devemos evitar
tal emprego. Quando, porém, ter for equivalente de possuir, a construção será normal:

• Há muita gente desempregada em São Paulo.


• São Paulo tem muita gente desempregada.

10 A FRANÇA É TRÊS VEZES MENOR QUE O AMAZONAS, OU O


AMAZONAS É TRÊS VEZES MAIOR QUE A FRANÇA?
Se uma coisa pode ser tantas vezes maior que a outra, isso não significa que esta pode ser tantas vezes
menor que aquela, porque, evidentemente, apenas uma vez menor já é igual a zero.

11 O FILME AGRADOU AO PÚBLICO


Nenhum filme agrada “o” público, porque agradar significa mimar, acariciar. Uma garotinha pode
agradar o gato, o cãozinho. “Agradar a” é que significa satisfazer. Por isso, um espetáculo pode agradar
ou não ao público, assim como uma obra artística pode agradar ou não à crítica.

• É bom ter mães que agradam os filhos? Sim.


• É bom ter filhos que agradam os pais? É.
• É bom ter filhos que agradam aos pais? É ótimo.

O antônimo de agradar, ou seja, desagradar, só se usa como transitivo indireto: desagradar ao público,
desagradar à população, desagradar à vista, desagradar aos olhos etc.

12 ELE, E NÃO EU, É O CULPADO DA DERROTA


Construções desse tipo fazem o verbo concordar com o primeiro pronome:

• Ela, e não eles, foi a nossa anfitriã.


• Nós, e não vocês, somos os culpados.
• Eu, e não ela, estive aqui ontem.
• Vocês, e não nós, vaiaram.
• Eles, e não ela, estão desempregados.

13 ALGUÉM PODE ASSINAR O NOME MAL E “PORCAMENTE”?


Não; pode, sim, assinar o nome mal e parcamente, ou seja, muito mal, pessimamente.

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14 DESCULPEM-NOS DA FALHA!
É mais simples do que se imagina: quem desculpa, desculpa alguém de alguma coisa, e não “desculpa
alguma coisa”, mesmo porque “desculpar coisa” é extravagância desnecessária. Quem é que está
interessado em desculpar coisa?

• Desculpem-nos da falta de conhecimento da língua!


• Desculpe-me da minha ignorância!
• Desculpe-nos do transtorno: estamos trabalhando para o seu maior conforto!
• Desculpe-nos da nossa falta de educação!

Aproveitando-nos de tanta educação, agradecemos:


Obrigado! Ou obrigada?

Fácil! Basta nos lembrarmos de que a palavra “obrigado” é um adjetivo e que, por tal condição, concorda
com o substantivo que o modifica.

Obrigado expressa gratidão. É como se a pessoa dissesse que se sente obrigada a agradecer por algo.
Logo, homens dizem “obrigado” e mulheres dizem “obrigada”.

15 A ROUBALHEIRA ALI É QUALQUER COISA DE ESCANDALOSO


A presença da preposição de entre uma palavra de valor substantivo (nesse caso, coisa) e um adjetivo
faz que este fique absolutamente invariável:

• Diga-me alguma coisa de bom!


(E não: Diga-me alguma coisa “de boa”!)
• Ele fez a polícia de bobo.
• Essas crianças de hoje não têm nada de ingênuo.

16 O DINHEIRO SUMIU-SE
Tudo o que desaparece, na verdade e em rigor, some-se, mas a língua popular insiste em não
usar o pronome, a exemplo do que faz com secar-se. Convém saber, contudo, que a absoluta
correção está em:

• O menino se sumiu em meio à multidão.


• As sardas se sumiram do seu rosto como que por encanto.
• A flor, em dois dias, secou-se.
• A fonte secou-se; quero dizer que entre nós tudo acabou.

17 CHEGUEI AOS QUINZE PARA A MEIA-NOITE


Se quinze, neste caso, se refere a minutos, não tem cabimento chegar “às” quinze para a meia-noite.
Note, ainda: os nomes de horas – todos – exigem o uso do artigo.

• Eles chegaram aos vinte para a uma.


• A reunião começará aos dez para as oito.
• O ônibus sai aos quinze para as seis.
• O telejornal começava aos cinco para as oito.
• Voltei às nove horas.
• Cheguei às 15h.

Dúvida recorrente diz respeito à 12h30. O correto é falar meio-dia e meio ou meio-dia e meia?
O correto é meio-dia e meia porque se está falando em meio-dia, horário, mais meia hora.

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18 O CRIME ESTÁ RELACIONADO COM DROGAS
Nada há, em verdade, que esteja relacionado “a” algo. A verdade é apenas uma: o crime está relacionado
com drogas.

19 NÃO SINTO NENHUMAS CÓCEGAS


Cócegas é palavra só usada no plural: as cócegas. Nenhum varia normalmente, ao contrário do que
muita gente pensa. Não há nenhuns motivos para que não varie:

• Vocês não são nenhuns coitadinhos, nenhuns joões-ninguém.


• Não se perceberam nela nenhuns laivos de remorso.

As formas pluralizadas, contudo, só têm uso antes do substantivo, nunca depois dele; as formas do
singular se empregam de qualquer modo:

• Estou sem nenhuns trocados.


(E não: Estou sem trocados “nenhuns”.)
• Ninguém toma nenhumas providências.
(E não: Ninguém toma providências “nenhumas”.)

20 ESSE É UM CASO SERIÍSSIMO!


Os adjetivos terminados em io antecedido de consoante possuem o superlativo com dois ii:

• O dia está friíssimo!


• Seu travesseiro é maciíssimo!
• Essas blitze são necessariíssimas!
• A situação está precariíssima!
• O momento é propriíssimo!
• Meu cargo é provisoriíssimo!
• Ele é reacionariíssimo!
• O julgamento foi sumariíssimo!
• Seu filho é vadiíssimo!

Os adjetivos terminados em “io” antecedido de vogal possuem, todavia, o superlativo com i apenas:

• Seu irmão é feíssimo!


• Estou cheíssimo de problemas!

21 A OBRIGAÇÃO AO PAGAMENTO DESSE IMPOSTO É UM ACINTE!


Obrigação pede de com verbos e a com nomes:
• Não deveríamos ter obrigação de pagar esse imposto.
• Ninguém cumpre a obrigação à entrada por ali; todos entram por aqui.

Obrigado e obrigatório pedem apenas a:


• Somos obrigados a pagar duas vezes o mesmo imposto.
• O pagamento desse imposto é obrigatório a todos.

Obrigações (=encargos, compromissos) pede para com:


• Todo pai tem obrigações para com a família.

22 PODE UM MOTORISTA PERDER “A DIREÇÃO” DO VEÍCULO?

Não. Quem perde “a direção” perde o rumo, não sabe ao certo onde se encontra; quando um motorista
já não consegue dominar o veículo que dirige, perde o controle dele, às vezes indo morro abaixo.

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23 ESQUECERAM DE MIM?
Ninguém “lembra de” alguém. Todos nos lembramos de alguém, ou seja: o verbo lembrar é sempre
pronominal, a exemplo do antônimo esquecer, quando usado com a preposição de:
• Ninguém se esqueceu dos documentos?
• Você nunca se esquece de nada?

No sentido de fazer recordar e no de não esquecer, o verbo lembrar é transitivo direto:


• Lembre o que eu lhe disse ontem!
• Lembrem que em Salvador chove muito em julho!

No sentido de advertir, recordar, é transitivo direito e indireto, mas sempre com objeto direito de
coisa e indireto de pessoa:
• Lembrei ao presidente os acontecimentos do ano passado. (=Lembrei-lhe os acontecimentos do ano
passado.)

No sentido de vir à lembrança, ocorrer, é transitivo indireto:


• Nunca mais me lembraram aquelas malditas férias.

Essa é a construção clássica do verbo lembrar, qual seja a que dá o ser lembrado por sujeito.

O verbo esquecer também a admite:


• Nunca mais me esqueceram os dias que se seguiram àquela data.
• Não me esquece aquele dia.

Antes de infinitivo, tanto lembrar, quanto esquecer podem dispensar o pronome, usados com a
preposição de:
• Você lembrou de trazer o dinheiro?
(Ou: Você se lembrou de trazer dinheiro?)
• Não esqueça de escovar os dentes!
(Ou: Não se esqueça de escovar os dentes!)

AFINAL, CORRO RISCO DE “VIDA” OU DE MORTE SE DIRIJO MEU


24
CARRO A MAIS DE 200KM/H?
A expressão rigorosamente lógica, racional, é risco de morte (o elemento final deve denotar sempre
algo ruim), assim como se corre risco de infecção num ambiente infecto; assim como se corre risco de
contágio, se se tem contato com alguém que sofre de mal contagioso etc.

25 REPARE NAS LINDAS PERNAS DELA!


Quem repara “as” pernas é profissional com formação técnica, já que reparar (sem preposição em)
significa consertar: reparar relógios, reparar fechaduras e até reparar pernas, quando mecânicas.

E por falar nisso, consertar, com “s”, significa reparar alguma coisa que se quebrou, remendar, corrigir.
Concertar, com “c”, significa combinar, ajustar, conciliar, harmonizar e decidir por acordo comum. Vale
lembrar que concerto significa orquestra, arranjo musical.

26 OS MÉDICOS ESTÃO EM GREVE


Se podemos usar indiferentemente de férias ou em férias, de pé ou em pé, de segunda mão ou em
segunda mão, só podemos empregar em greve:

• Já entrei de (ou em) férias.


• Viajei o tempo todo de (ou em) pé.
• Estamos em greve há dois meses.
• Comprei um carro de (ou em) segunda mão.

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