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A CONSTRUÇÃO DO MINERODUTO MINAS-BAHIA E SUAS

POSSÍVEIS DIFICULDADES

BRUNO COUTINHO VALADÃO*


MARCELO ALVES RODRIGUES*
Graduandos do 10º período de Engenharia Civil das Faculdades Integradas Pitágoras de Montes
Claros. brunocvaladao@hotmail.com; marcelo.a..rodrigues@icloud.com

RESUMO

O modal de transporte dutoviario consiste em uma tubulação que é utilizada para


transporte de cargas expecíficas, em geral gás, petroleo e misturas semi-fluidas.
Dentre essas misturas está o minério de ferro, sendo então a dutovia chamada de
mineroduto. O objeto deste estudo foi descobrir as principais dificuldades e
peculiaridades para implantação deste sistema de transporte no norte de Minas
Gerais. Para isso utilizou-se de pesquisas documentais, bibliográficas e de campo.
Como resultado foi identificado que as duas principais dificuldades serão, vencer a
altitude da Serra do Marçal e a utilização da água no processo de transporte, devido
a escassez de água na região que será contemplada pelo mineroduto.

PALAVRAS CHAVE: Transporte. Minério de Ferro. Implantação. Impacto Ambiental.


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INTRODUÇÃO

O transporte de carga é um fator que influencia diretamente na economia de um


país, pois está ligado a exportação e escoamento de qualquer produto. Segundo as
professoras Márcia de Andrade Pereira e Eloá Lendzion, da Universidade Federal
do Paraná, no Brasil cerca de 61,1% de toda produção é transportada pela malha
rodoviária, as ferrovias são responsáveis por 20,7%, o modo aquaviário por 13,6%,
aéreo por 0,4% e o dutoviário por 4,2%, dados publicados em agosto de 2013
(UFPR, 2014). Dentre os materiais transportados pelo modal dutoviário estão o
petróleo, gás natural e minério de ferro. Transportando minério de ferro, esse modal
pode ser chamado também de mineroduto.
O Relatório Técnico 18 Perfil da Mineração de Ferro publicado pelo Ministério de
Minas e Energia, em agosto de 2009, informa que o minério de ferro extraído no
território brasileiro é quase todo utilizado em siderúrgicas (98%) (MME, 2014). De
acordo com o Relatório 18 o valor dessa produção chegou a R$19,2 bilhões em
2007, representando 50% da produção total de minério do país (excluído o petróleo
e o gás), chegando a atingir 22% da produção mundial o que lhe fez atingir o
primeiro lugar no ranking, seguido pela China.
A indicação das reservas lavráveis contempla Minas Gerais com 9,5 bilhões e
Pará com 1,2 bilhões de toneladas, junto com Mato Grosso do Sul com 710 milhões
são os estados que devem suportar a produção prevista para os próximos 20 anos
(MME, 2014). Mas, a Bahia é citada como o estado com mais áreas em pesquisa
para o minério de ferro, com potencial indicado para se transformar em nova região
produtora.
Dentre as diversas regiões potenciais para extração de minério de ferro
localizadas em Minas Gerais, o norte do estado pode ser citado. Sendo que já existe
um processo de licenciamento em andamento para a implementação de um sistema
para a extração desse minério na região. Tornando-se importante analisar esse
modal de transporte para escoamento do minério de ferro das jazidas do norte de
Minas, especialmente focando quais serão os problemas que a implantação desse
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tipo de transporte deverá enfrentar na região. A produção destas informações


poderá ajudar não só profissionais da área como também leigos da sociedade em
geral, mostrando os pontos principais, negativos, positivos e particularidades do
modal.

O objetivo deste estudo foi demonstrar os desafios para construção de um


mineroduto do norte de Minas e um comparativo entre o modal ferroviário e
dutoviário, trazendo parâmetros e conhecimento do mesmo, voltado para as
peculiaridades da região.

METODOLOGIA

O presente estudo pode ser classificado de abordagem qualitativa e objetivos


exploratórios, mediante pesquisas documentais, bibliográficas e visitas em campo.
Teve como procedimentos a realização de levantamento documental sobre o
traçado do mineroduto e respectivas regiões envolvidas em sua implantação, por
meio da consulta ao projeto, a órgãos governamentais e publicações recentes
relacionadas ao tema.
A área de estudo que está ilustrada na Figura 1 abrange toda a extensão do
mineroduto, que será de 482 km e contemplará as cidades de Grão Mogol, Padre
Carvalho, Fruta de Leite, Salinas, Novorizonte, Taiobeiras, Curral de Dentro, Berizal
e Águas Vermelhas, em Minas Gerais. Depois seguirá pelo Estado da Bahia,
atravessando os municípios de Encruzilhada, Cândido Sales, Vitória da Conquista,
Ribeirão do Largo, Itambé, Itapetinga, Itaju do Colônia, Itapé, Ibicaraí, Barro Preto,
Itabuna e, finalmente, Ilhéus.
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Figura 1. A área de estudo abrange toda a extensão do mineroduto do Projeto Vale do Rio
Pardo.

Fonte: Estudo de impacto ambiental Módulo 3 - Descrição Do Empreendimento - Mineroduto -


Projeto Vale Do Rio Pardo.

Coleta de dados
Os dados apresentados neste artigo foram coletados de documentos oficiais
diversos, entre eles o que teve maior contribuição didática foi o estudo de impacto
ambiental do Projeto Vale Do Rio Pardo, que foi fornecido pela empresa Sul
Americana de Metais (SAM) através de solicitação ao departamento de
relacionamento da empresa. Outra contribuição expressiva para esta pesquisa veio
do Relatório Técnico 18 Perfil de Mineração de Ferro, publicado pelo Ministério de
Minas e Energia em agosto de 2009, encontrado no portal da própria instituição.
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Tratamento dos Dados


Os dados levantados serão avaliados e comparados entre si, principalmente as
partes mais relevantes em relação a outras construções do mesmo seguimento,
levando também em consideração os depoimentos coletados de profissionais com
conhecimento vasto na área.

RESULTADO E DISCUSSÃO

A empresa responsável pela extração do minério e consequentemente a


execução do mineroduto é a Sul Americana de Metais S.A. (SAM), empresa de
mineração constituída no Brasil, sediada na cidade de Salinas/MG, na Rodovia
Salinas/Taiobeiras, 60, Bairro Novo Panorama, CEP 39560-000. Possui filial na
cidade de São Paulo/SP, na Avenida das Nações Unidas, 12.551, 18º Andar,
Conjunto 1.801, Bairro Brooklin, CEP 04578- 903.
A reserva lavrável situada entre Padre Carvalho e Grão Mogol foi definida com a
nomenclatura de Bloco 8, a qual soma atualmente cerca de 2.439,9 milhões de
toneladas de minério de ferro, com teor médio de 20,23% de ferro. Os estudos de
engenharia demonstraram a exequibilidade da lavra e o tratamento econômico
desse minério, gerando produto comerciável do tipo pellet feed ( Termo utilizado para
classificação granulométrica do minério, quando sua granulometria está entre 0 a
0,15 mm ) , destinado a usinas de pelotização com as seguintes características:
Fe (Ferro) ≥ 65%, P (Fósforo) ≤ 0,065%, SiO2 (Silicato) ≤ 3%, Al2O3 (Óxido de
Alumínio) ≤ 1%, LOI (Limitador do indicie de Oxigênio) ≤ 1% e umidade máxima de
10,5%. O pellet feed, sob a forma de polpa, será transportado para a área de
embarque no Porto Sul, localizado no município de Ilhéus, no sul da Bahia, através
de um mineroduto que partirá do município de Grão Mogol (MG) e chegará até o
destino final, em Ilhéus (BA), cortando terras de Minas Gerais e Bahia por uma
extensão total de, aproximadamente, 482 km.
O mineroduto se caracteriza como modal de transporte de pellet feed, em forma
de polpa aquosa, entre a área da mina e as instalações de desaguamento da SAM
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que estarão inseridas na retroárea do Porto Sul (porto público, do Governo do


Estado da Bahia), por onde o minério de ferro será embarcado até seu destino final.
Trata-se de um empreendimento de grande extensão (482 km) e porte, que
possibilitará, em média, o transporte anual de 25 Mt ( Milhões de toneladas ) do
produto final, constituído de pellet feed com teor mínimo de 65% de ferro, essa
produção poderá variar conforme a tabela 1.

Tabela 1. Produção esperada em regime normal de operação.


Condição de Vazão Concentração de Toneladas Toneladas
operação (m³/h) ferro na polpa anuais(base seca) por hora

Mínima 1.867 65% 20.550.000 2.449,58


Nominal 2.002 69% 25.000.000 3.004,09
Máxima 2.089 72% 28.710.000 3.449,58
Fonte: Estudo de impacto ambiental Módulo 3 - Descrição Do Empreendimento - Mineroduto -

Projeto Vale Do Rio Pardo.

O grande desafio que a SAM enfrentou desde o início do projeto foi desenvolver
tecnologia capaz de viabilizar a produção de pellet feed a partir de minério de ferro
de baixo teor, que será extraído de mina a céu aberto, em região sem nenhuma
tradição mineral, carente de oportunidades econômicas e infraestrutura e com baixo
IDH ( Índice de desenvolvimento humano ) . A importância do empreendimento no
contexto econômico-social do norte do Estado de Minas Gerais e, em especial, dos
municípios de Grão Mogol e Padre Carvalho, é evidente, tendo em vista que
promoverá desenvolvimento econômico e social e uma maior integração e
diversificação dos setores secundário e terciário da economia regional. Como
implicação direta, espera-se uma significativa melhoria do nível de vida da região,
via arrecadação de impostos, geração de empregos diretos e indiretos, melhoria da
renda familiar e, consequentemente, maior circulação de riquezas.
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Caracterização do mineroduto
A tubulação será de aço API 5L Grau X70, com diâmetro nominal de 24”
( 60,96cm ) e 26” ( 66,04 cm ) e espessuras de parede variável ao longo do traçado.
O sistema contará com duas estações de bombeamento (EB1 e EB2), uma instalada
na planta de beneficiamento do Bloco 8 e outra instalada aproximadamente a 45 km
da cidade de Vitória da Conquista (BA), no km 256 do traçado do duto. Essa EB2
será alimentada por uma linha de transmissão de energia elétrica com cerca de 100
km de extensão a ser construída e licenciada posteriormente, com ponto inicial na
subestação da cidade de Vitória da Conquista. Adicionalmente, serão instaladas uma
estação de válvulas EV1 (próximo ao km 289), oito estações de monitoramento de
pressão (EM1 a EM8) ao longo do mineroduto e a estação de desaguamento (ED),
onde ocorrerá a filtragem e o desaguamento da polpa, no município de Ilhéus.
A tubulação será enterrada em praticamente toda a sua extensão, com o topo
dos tubos sendo posicionados, em geral, a 0,80 metros de profundidade. Contudo,
essa profundidade poderá variar para menos, no caso da presença de rochas duras
que inviabilizem a escavação, ou para mais, nos cruzamentos de córregos e de vias
de acesso, em função da atividade pré-existente na superfície ou ainda por razões
geotécnicas. Nos cruzamentos de rios, a travessia utilizará a técnica convencional
conhecida como cavalote (valas). A figura 2 traz esquema do mineroduto após
implantado em condições ideais, podendo mudar seu diâmetro e profundidade
dependendo do relevo, do solo, entre outras adversidades.
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Figura 2: Corte do mineroduto em condições normais de implantação.

Fonte: Próprio autor

Possíveis dificuldades apresentadas


Durante todo o traçado do mineroduto haverá duas casas de bombeamento da
massa semi-fluida nomeadas de EB1 e EB2. A estação EB1 estará situada no início
do traçado do mineroduto, no quilômetro 0, município de Grão Mogol (MG), a uma
elevação de 918 m acima do nível do mar. Será equipada com duas bombas
centrífugas, sendo uma em operação e outra de reserva, e sete bombas de
deslocamento positivo (pistão-diafragma), das quais seis operando normalmente e
uma sendo mantida em stand-by ( modo de espera ). A estação EB1 também será
dotada de sistema de tancagem para polpa de minério de ferro.
No quilômetro 256 município de Encruzilhada (BA), iniciará uma das situações
mais críticas de aclive a ser vencido, sendo esta a Serra do Marçal. Esta possui uma
altitude de 919 metros que não é um empecilho ou um desafio somente para o
mineroduto, mas também para o modal de transporte rodoviário que já esta
implantado, no qual ocorre dezenas de acidentes, devido a alta inclinação neste
local. Por esse motivo o mineroduto terá que contar com um conjunto moto-bomba
denominado estação EB2, para que seja vencida o grande aclive neste ponto. Por
se tratar de um trecho topograficamente critico, terão que implementar medidas de
proteção caso ocorra uma emergência como uma sobrepressão do sistema,
medidas essas como, uma piscina de emergência cujo material será bombeado para
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tanques, onde será diluído na proporção adequada para a formação da polpa e


posteriormente retomado ao sistema automaticamente.
A estação EB2 estará a uma elevação de 835 m acima do nível do mar. Estará
dotada de duas bombas centrífugas, uma em operação e outra em stand-by. Além
das bombas de carga, a EB2 estará equipada também com cinco bombas de
deslocamento positivo (pistão-diafragma), sendo que quatro estarão operando
normalmente e uma será mantida em stand-by.
Observou-se que este segmento do traçado necessitará também de uma
atenção especial, devido ao grande declive da Serra do Marçal. Por esse motivo
haverá uma estação de válvulas denominada EV1, para reduzir a carga estática
sobre a tubulação diante de possíveis paralisações do mineroduto, estarão
localizadas no quilômetro 286 com altitude de 435 m acima do nível do mar. Essa
estação contará com uma linha de emergência que conterá um disco de ruptura, o
qual realiza a descarga em uma piscina de emergência no caso de sobrepressões
no mineroduto. A retomada do material da piscina será feita através de
carregamento de caminhões e transportado diretamente para a Estação de
Desaguamento.
Vencido as duas etapas de estações de bombeamento, o transporte da massa
semi-fluida passa a ser basicamente pelo método de gravidade, pois após a Serra
do Marçal o mineroduto segue até a estação de desaguamento que esta situado a
22 m acima do nível do mar. O sistema também contará com oito pontos de
monitoramento ( PM1 a PM8 ). A Figura 3 mostra o posicionamento das estações de
bombeamento ( EB1 e EB2 ), da estação de válvulas ( EV1 ) e dos pontos de
monitoramento.
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Figura 3. Perfil do mineroduto.

Fonte: Estudo de impacto ambiental Módulo 3 - Descrição Do Empreendimento - Mineroduto -


Projeto Vale Do Rio Pardo.

Para finalizar o transporte, o mineroduto contará com a estação terminal


dissipadora chamada de ET, localizada próxima a retroárea do Porto Sul em Ilhéus-
BA a uma elevação média de 22 m em relação ao nível do mar.

Impacto Ambiental
Outro grande entrave é o impacto ambiental causado por esse tipo de
empreendimento, pois necessita de uma grande movimentação de solo e subsolo.
Para que esse impacto seja minimizado ao máximo, o Projeto Vale do Rio Pardo,
desenvolvido pela empresa Sul Americana de Metais, respeitará todas as exigências
ambientais do nosso país. Por ser um empreendimento integrado, desenvolvido em
dois estados, o seu licenciamento ambiental está sob a responsabilidade e
competência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (IBAMA) e estará sujeito ao atendimento das normas e leis federais e,
naquilo que couber, também às normas e leis tanto dos estados de Minas Gerais e
da Bahia e dos municípios que irá interceptar. O Licenciamento Ambiental
contempla: o Licenciamento Prévio (etapa atual), a Licença de Instalação (que irá
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permitir à SAM implantar o projeto) e a Licença de Operação (que irá permitir ao


empreendimento da SAM começar a funcionar).
A leste do mineroduto existem duas Unidades de Conservação, sendo elas o
Parque Estadual de Grão Mogol e a Reserva Particular do Patrimônio Natural
Juliano Banko, ambas não sofrerão interferências do empreendimento. A Figura 4
ilustra o mapa com todas as unidades de conservação em relação ao traçado do
mineroduto.

Figura 4. Mapa de unidades de conservação do mineroduto e estação de desaguamento.

Fonte: Relatório de Impacto Ambiental | Projeto Vale do Rio Pardo.

Uso da água
O mineroduto situa-se em parte das bacias hidrográficas dos rios Jequitinhonha
e Pardo, a primeira no âmbito do Estado de Minas Gerais e a segunda
compreendendo os estados de Minas Gerais e Bahia, sendo que ambos os rios são
federais e deságuam no Oceano Atlântico. A adução da água bruta será feita a partir
do reservatório da barragem de Irapé, situado no rio Jequitinhonha, no município de
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Grão Mogol, Minas Gerais, e em conformidade do que disporá a Outorga Definitiva


para captação de 6.200 m3/h naquele reservatório, essa fonte de água que consta
do licenciamento ambiental do Projeto em andamento no IBAMA. Na margem
esquerda do rio Jequitinhonha está o rio Vacaria, uma das sub-bacias do
Jequitinhonha. A SAM está em fase de estudos para obtenção de mais uma outorga
de mesmo valor (6.200m3/h) a partir do Rio Vacarias, onde a SAM construirá uma
barragem, como fruto de um acordo assinado com o governo do Estado de Minas. A
barragem irá disponibilizar água para o projeto (6.200m3/h) e mais cerca de 4.000
m3/h para o governo para disponibilizar para as comunidades locais. No caso da
construção da barragem, que ainda precisa passar pelo processo de licenciamento
ambiental, ela passará a ser a principal fonte de água para o projeto, ficando Irapé
como uma alternativa.
Considerando a opção da barragem do Rio Vacarias, serão retirados 41.6
Milhões de M³/ano(água) desse valor, 21% da água total será utilizada no
mineroduto, 79% da água é consumida no processo de tratamento do minério. O
processo de tratamento mineral apresenta elevada taxa de recuperação e
recirculação de água próxima de 95%, a perda dos 5% é relacionada à evaporação
e infiltração no subsolo. Esse ciclo de utilização e retorno da água, demonstra a
preocupação da empresa com a sustentabilidade do empreendimento, atentando a
uma das dificuldades da região que é a escassez de água. Segue abaixo a Figura 5
exemplificando todo este processo.
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Figura 5. Balanço do uso da água durante operação do mineroduto.

Fonte: Estudo de impacto ambiental Módulo 3 - Descrição Do Empreendimento - Mineroduto -


Projeto Vale Do Rio Pardo.

Comparação entre Modais de Transporte

Visando avaliar a possibilidade de modal ferroviário, a Sandwell Engineering Inc.


avaliou algumas alternativas de trajeto no corredor do vale do Rio Pardo e outras no
corredor do Rio Jequitinhonha. Em seguida, melhor traçado foi detalhado, ainda em
nível conceitual, pela empresa Vega - Engenharia e Consultoria Ltda. Como
resultado verificou-se que o investimento na ferrovia é bastante superior chegando a
custar acima de duas vezes mais em sua implantação e, mais grave que isto, o
custo operacional da ferrovia supera cinco vezes o custo do mineroduto, a um nível
que potencialmente inviabilizaria o Projeto Vale do Rio Pardo. A ferrovia é também
ambientalmente menos favorável do ponto de vista de movimentação de terra,
impacto de trajeto, consumo energético e geração de gases de efeito estufa. A
Tabela 2 demonstra um comparativo de custo entre os modais de transporte.
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Tabela 2- Comparativo de Custo de Modais de Transporte

Custo: Ferrovia Mineroduto

Implantação R$ 3.392.003.196,00 R$ 1.619.678.463,00

Operacional por ton. R$ 8,03 R$ 1,53

Fonte: Estudo de impacto ambiental Módulo 3 - Descrição Do Empreendimento - Mineroduto -


Projeto Vale Do Rio Pardo.

Considerando que a estimativa de extração anual seja de 25 Mt, com o


transporte feito pela ferrovia, o gasto operacional será de 424,83% a mais em
comparação com o mineroduto. Isso desconsiderando o valor de implantação dos
dois modais.

CONCLUSÃO

O mineroduto vem para uma região que tem por antecedentes muita pobreza,
este empreendimento vai expandir o mercado da região tentando assim mudar o
cenário econômico regional como um todo, para que assim haja um
desenvolvimento cultural e social mais abrangente.

O estudo abordou as principais dificuldades da construção de um mineroduto


que será implantado no norte de Minas Gerais ao sul da Bahia , as características
peculiares do traçado como, o bombeamento da massa semi-fluida para vencer o
relevo da Serra do Marçal e as atitudes tomadas pela empresa no intuito de
minimizar os impactos causados ao meio ambiente, enfatizando a utilização da água
no processo.

Um novo estudo poderá ser feito com soluções para utilização da área de
exploração após término da mesma, abrindo assim uma vasta gama para
pesquisadores vindouros.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABNT – Associação Brasileiras de Normas Técnicas. Nbr 6022 Informação e


documentação - Artigo em publicação periódica científica impressa -
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Apresentação. Rio de Janeiro. RJ. Maio, 2003.

BRANDT, Meio Ambiente. Projeto Vale do Rio Pardo. Relatório de Impacto


Ambiental. Junho de 2012.

BRANDT, Meio Ambiente. Mineroduto Minas-Rio. Relatório de Impacto Ambiental.


Julho de 2006.

MME- Ministério de Minas e Energia . Relatório Técnico 18 Perfil da Mineração


de Ferro . Disponível em:
<http://www.mme.gov.br/portalmme/opencms/sgm/galerias/arquivos/plano_duo_dec
enal/a_mineracao_brasileira/P09_RT18_Perfil_da_Mineraxo_de_Ferro.pdf>. Acesso
em 25 de março de 2014.

UFPR- Universidade Federal do Paraná. APOSTILA DE SISTEMAS DE


TRANSPORTES . Disponível em: <http://www.dtt.ufpr.br/Sistemas/Arquivos/apostila-
sistemas-2013.pdf>. Acesso em 10 de janeiro de 2014.