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COBRAMSEG 2010: ENGENHARIA GEOTÉCNICA PARA O DESENVOLVIMENTO, INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE. © 2010 ABMS.

Monitoração de estrutura de contenção em solo grampeado com


faceamento em blocos segmentais
Rafael Cerqueira Silva
COPPE/UFRJ, Rio de Janeiro, Brasil, rafael@enggeotech.com.br

Maurício Ehrlich
COPPE/UFRJ, Rio de Janeiro, Brasil, me@coc.ufrj.br

RESUMO: Apresentam-se resultados preliminares e descreve-se monitoração instalada em


estrutura de contenção em solo grampeado com faceamento de blocos segmentais situada na
rodovia RJ123, Secretário/RJ. Sondagens, retiradas de amostras e ensaios de laboratório foram
conduzidos objetivando definir o perfil geotécnico. Os ensaios em laboratório compreenderam
caracterização, perfil de umidade, sucção, permeabilidade e de resistência do solo. Três grampos
foram monitorados utilizando sensores de deformação (“strain gauges”). Leituras foram efetuadas
em períodos seco e chuvoso. Observou-se a influência da sucção do solo e da face nas tensões
induzidas nos grampos.

PALAVRAS-CHAVE: Solo Grampeado, Instrumentação, Monitoração, Sucção.

1 INTRODUÇÃO tipo de fixação do grampo à face interfere na


distribuição dos esforços. No caso de grampo
Grampeamento vem sendo cada vez mais fixo, os maiores esforços ocorrem junto à face.
empregado na estabilização de maciços de solo Em contraste, em grampos livres o ponto de
e rocha. Os reforços comumente são barras de máxima tensão de tração se desloca para o
aço protegidas por argamassa em furos pré- interior.
abertos. A técnica de contenção envolve: O presente trabalho avalia os resultados de
escavação, instalação dos grampos e da face. monitoração de obra na rodovia estadual RJ
A face normalmente tem função secundária 123. Este talude em solo residual não saturado
na estabilização, objetivando basicamente evitar foi grampeado e empregou-se com faceamento
roturas localizadas entre grampos e controle dos de blocos segmentais (blocos TERRAE tipo
processos erosivos. Comumente o faceamento é W).
efetuado com aplicação de concreto projetado
reforçado com tela de aço soldada ou fibras.
Recentemente, blocos segmentais vêm também 2 DESCRIÇÃO DO LOCAL
sendo adotados em taludes verticais e ou
subverticais. Em taludes menos íngremes, pode- A obra executada pela Geomecânica S/A
se adotar proteção vegetal ou biomanta vegetal. Engenharia em 2008, está situada no km 0,5,
Resultados apresentados em Ehrlich et al perímetro urbano, da RJ123, rodovia estadual
(1996) indicam que em geral a rigidez do de ligação entre BR040 (km 51) e município de
faceamento pouco influencia nas Secretário, a oeste do distrito de Pedro do Rio,
movimentações globais e forças axiais na bacia do rio Piabanha, nas coordenadas
mobilizadas nos grampos. Entretanto a rigidez geográficas de longitude 43°08'7.31"W e
da face pode restringir movimentos laterais e latitude 22°19'54.91"S, com altitude média de
limitar movimentos verticais proporcionando 800 metros, abrangendo uma área total de
diminuição dos momentos fletores dos 850m².
grampos. Segundo CPRM (2000), a área de estudo
Gerscovich et al. (2001) demonstra que o apresenta terreno montanhoso e amorreado, de

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amplitude de relevo elevada, muito acidentado,


localizado no reverso da escarpa da Serra das
Araras. Trata-se de superfícies residuais,
soerguidas por tectônica, que resistiram aos
processos erosivos e de aplainamento atuantes
durante o Cenozóico Superior. Vertentes são
predominantemente retilíneas a côncavas,
escarpadas e topos de cristais alinhadas,
aguçados ou levemente arredondados.
Ocorrência de compartimentos colinosos e/ou
de morros, em seções alveolares nos vales
principais. Densidade de drenagem alta de
padrão de drenagem variável. Predomínio de
amplitude topográfica superiores a 500m e Figura 1. Influência da sucção na estabilidade dos cortes
gradientes elevados, com ocorrência de em solos tropicais.
colúvios e depósitos de talus, solos rasos e Os taludes que se situam acima do lençol
afloramentos de rocha. freático possuem resistência devida à sucção,
Ações antrópicas que vem se processando na que os fazem permanecer estáveis mesmo em
região, aliadas às condições geológicas, situações de inclinação acentuada.
geomorfológicas, climatológicas e pedológicas, Observa-se que a superfície do terreno à
têm sido as responsáveis pelos deslizamentos e montante do deslizamento é côncava formando
movimentação de massas que ocorrem nos uma micro-bacia com o lançamento do deflúvio
períodos chuvosos. A chuva é um dos fatores na direção da área em estudo. A carta
mais significativos, pois quase todos os geográfica apresentada na Figura 2 ilustra o
registros estão associados a episódios de chuvas relevo do local e a área de contribuição.
de forte intensidade, ou de períodos
prolongados, geralmente concentrados em
alguns meses, o que é muito comum nas regiões
tropicais.
Os taludes escavados ao longo da encosta
para implantação da rodovia RJ123 apresentam
geometria caracterizada por elevadas alturas e
inclinações acentuadas, superiores a 10 m e a
1:1 (H:V), respectivamente. Há segmentos com
os pés dos cortes cortados verticalmente até
uma altura média de 2,60 m e revestidos com
pedra arrumada (espessura média de 50 cm) e
outros com presença de taludes subverticais
com cristas de inclinações negativas (Figura 1).

Figura 2. Carta geográfica de Itaipava/RJ (IBGE, 1979)


com delimitação da área de contribuição a montante da
área do deslizamento.

As chuvas se concentram de outubro a


março, ocorrendo com maior intensidade no
mês de dezembro. No período menos chuvoso,
que vai de maio a agosto, o mês de julho
apresenta o menor índice pluviométrico.

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O deslizamento do talude de corte ocorreu Figura 3. Superfície de ruptura do talude de corte.


no mês de dezembro de 2007, após período
prolongado de chuvas de forte intensidade.
Como a rodovia foi implantada há mais de 30 3 SOLUÇÃO GEOTÉCNICA
anos e manteve-se estável no decorrer dos anos
em períodos de chuvas mais prolongados e O aumento da saturação do solo proporcionou a
intensos, o período chuvoso não pode ser perda de estabilidade do maciço e o
atribuído como a única causa do deslizamento. conseqüente deslizamento ocorrido em
Ações antrópicas (edificações e estradas de dezembro de 2007.
acesso) na micro-bacia modificaram o uso e O talude, antes da ruptura, configurava
ocupação da área, repercutindo assim na geometria definida por corte com inclinação
capacidade de infiltração das águas no solo, superior a 45º, com acabamento em pedra
favorecendo o escoamento superficial e a arrumada no pé do talude até a altura de 2,6 m
concentração do deflúvio na direção do com inclinação de 90º, que foram executados
deslizamento. durante a fase construtiva da rodovia. O maciço
As chuvas e intervenções antrópicas a remanescente, a ser estabilizado, se compõe
montante da área sem a execução de um sistema basicamente, por silte arenoso.
de drenagem adequado podem ter sido os As soluções adotadas para estabilização do
fatores desencadeadores do deslizamento que talude foram: (i) solo grampeado no pé do
atingiu a pista da rodovia RJ123 (Figura 3). corte, (ii) retaludamento, (iii) plantio de
vegetação (biomanta vegetal), (iv) cortina
atirantada na crista do corte e (v) drenagens
superficial, sub-superficial, profunda e de
contato (Geomecânica S/A, 2007). A Figura 4
ilustra a seção típica do sistema contenção.

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32,8
TIRANTES
RUA (ACESSO)
PARAMENTO DE C.T. 200kN
CONCRETO ARMADO ANCORAGEM

15°
5.00
7,0 m
30
SUAVIZAÇÃO TALUDE
REVEST. BIOMANTA

ESTACAS RAIZ Ø20cm


BLOCOS
SEGMENTAIS 1
1
21,6
0.5

1
DHPs
10
1.6 1.4
4.00

20 7m
17,6
6m
RJ123 15° PERFURAÇÃO Ø10cm
5m AÇO CA50 Ø25,4mm
0.5

BRITA

10 20 30 40

Figura 4. Esquema da seção típica da solução geotécnica projetada para estabilização do talude de corte.

A cortina atirantada situada na crista do executada no pé do corte e possui dois tipos de


corte tem altura de 5,0 m e da estrutura de solo faceamento: (i) blocos segmentais com
grampeado 4,0 m. Suavizou-se para a inclinação de 1:10 (H:V) no trecho
inclinação de 45º o talude situado entre o topo intermediário e (ii) pedras arrumadas
do solo grampeado na base da encosta e crista remanescentes com complemento da altura em
da banqueta de pé da cortina atirantada acima. blocos segmentais.
A superfície do corte foi protegida com A contenção apresenta três níveis de
revestimento de biomanta vegetal. grampeamento, 0,5 m, 2,1 m e 3,5 m. Grampos
Dispositivos de drenagem superficial e com 5,0 m, 6,0 m e 7,0 m de comprimento
subterrânea foram executados para proteger o foram instalados em cada um desses níveis,
sistema de contenção, prevenir a instalação de respectivamente. O espaçamento horizontal
processos erosivos e rebaixar o lençol freático entre grampos foi de 2,0 m. Os grampos foram
nos períodos de chuvas. O conjunto formado instalados em furos de 100 mm com inclinação
por sarjetas, descida d’água e caixa coletora - de 15º, utilizando-se calda de cimento, sem
passagem estabelecem a condução adequada e pressão, e barras de aço CA50 com diâmetro de
deságüe seguro das águas captadas em 25,4 mm. Os grampos fixam-se aos blocos
superfície. Instalaram-se drenos subhorizontais, segmentais preenchidos com concreto.
DHPs, com 15,0 m de comprimento, espaçados
a cada 2,0 m, na profundidade de 1,1 m em
relação ao topo do faceamento do solo 5 INVESTIGAÇÕES GEOTÉCNICAS
grampeado.
O programa de investigações para a elaboração
do projeto consistiu no conhecimento do perfil
4 ESTRUTURA DE CONTENÇÃO EM geotécnico através de 4 furos de sondagem com
ESTUDO ensaio SPT (Geomecânica S/A, 2007). Visando
a avaliação do comportamento do solo
O trecho em solo grampeado tem 50,0 m de grampeado conduziram-se campanhas de
extensão e 4,0 m de altura. A contenção foi retiradas de amostras deformadas e

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indeformadas para a realização dos ensaios em solo residual maduro, de cor vermelha.
laboratório. O levantamento plani-altimétrico cobrindo a
Os furos de sondagens realizados área que sofreu o deslizamento e
caracterizaram perfil de intemperismo de rocha circunvizinhanças com a locação dos furos de
gnáissica, constituído por horizontes de sondagem a percussão e o perfil geológico
alteração de rocha, com valores médios de geotécnico com os índices de resistência à
N(SPT) crescente com a profundidade, solo penetração (N) são apresentados nas Figuras 5 e
residual jovem, de cor marrom clara, 6, respectivamente.
homogêneo (SPT=12), e capa pouco espessa de

Figura 5. Plani-altimetria com locação das contenções, furos de sondagem e seção geológica geotécnica.

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Figura 6. Seção topográfica geológica geotécnica do talude de corte antes do deslizamento.

A superfície de ruptura ocorreu na interface Características Capa argilosa Silte arenoso


da capa argilosa com solo residual pouco Gs (g/cm³) 2,671 2,667
intemperizado. O grampeamento reforça a LL (%) 53
camada de solo residual jovem, classificado LP (%) 17,1 NP
IP (%) 35,9
como silte arenoso.
Granulometria
As curvas granulométricas destes materiais % de argila 41 4
são apresentadas na Figura 7. As camadas % silte 27 17
superficiais, capa argilosa e silte arenoso, e a % areia fina 10 17
superfície de ruptura, podem ser observadas na % areia média 11 28
Figura 8. % areia grossa 10 26
% pedregulho 1 8
Os resultados apresentados a seguir referem-
se a amostras indeformadas retiradas da camada
silte arenosa objeto do grampeamento. Os
minerais predominantes nesse solo são
quartzos, feldspatos e micas.
Ensaios de permeabilidade efetuados
forneceram valores de condutividade hidráulica
na faixa de 2 a 3 x10-4 cm/s. Dados da literatura
indicam que estes resultados apresentam
magnitude típica de solos residuais derivados
de gnaisse no estado do Rio de Janeiro.
Ensaios de cisalhamento direto foram
efetuados na umidade natural e no estado
inundado, objetivando avaliar a importância da
Figura 7. Curvas granulométricas dos materiais. sucção no comportamento, responsável pelo
desenvolvimento de coesão aparente no solo.
As tensões normais adotadas nos ensaios
variaram no intervalo de 12,5 e 190 kPa, num
total de quatro ensaios por envoltória. As
envoltórias apresentaram-se razoavelmente
lineares e definiram-se os parâmetros pelo
ajuste de uma reta. A Figura 9 mostra as
envoltórias de cisalhamento direto e parâmetros
de resistência. O peso específico natural do solo
é 17,5 kN/m³.
Figura 8. Detalhe das camadas superficiais e superfície
de ruptura (contato capa argilosa – solo residual jovem).

Na Tabela 1 apresentam-se as principais


características físicas desses solos.

Tabela 1. Características físicas das camadas superiores.

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de profundidade. As medições parecem indicar


que a drenagem interna influencia
umidade natural significativamente na umidade no solo.
φ′ = 42° e c = 9kPa

10

20
estado inundado
φ′ = 40° e c = 0 -1

-2

-3

Figura 9. Envoltórias do ensaio de cisalhamento direto e


parâmetros de resistência.

As sucções foram medidas utilizando-se a

20
10
técnica de papel filtro (Marinho, 1994). Foram
realizadas oito medições em dez corpos de
prova. A sucção variou de 6 kPa a 19.000 kPa.
A Figura 10 mostra a relação sucção versus teor Figura 11. Variação do teor de umidade com a
profundidade.
de umidade.

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6 INSTRUMENTAÇÃO DOS GRAMPOS
CP01 CP06 CP07 CP08 CP09
CP12 CP13 CP14 CP15 CP16
30 Três grampos tiveram os esforços axiais
monitorados. Strain gauges arranjados em
25 pontes de Wheatstone e protegidos contra danos
Teor de Umidade (%)

e umidade foram posicionados em quatro


20 pontos ao longo do comprimento das barras de
aço. Posicionaram-se dois pontos no início de
15 cada barra para avaliar os esforços junto à face.
A Figura 12 ilustra o esquema de montagem de
10
um ponto instrumentado, composto por dois
pares de “strain gauges”, posicionados em lados
5
opostos em relação ao diâmetro da seção
0
transversal da barra.
1 10 100 1000 10000 100000
Sucção (kPa)

Figura 10. Curva característica do solo obtida pelo


processo de secagem dos corpos de prova.

Na Figura 11 apresentam-se perfis de


umidade no solo medidos em diferentes épocas
do ano: (i) período seco, após conclusão da obra
e (ii) final do período chuvoso. Observa-se que
umidade se manteve invariável a partir de 3,5 m

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Na calibração das barras utilizou-se célula de


carga especialmente desenvolvida para tal.
Curvas de calibração foram obtidas para cada
ponto instrumentado com base em ciclos de
carga e descarga com variação de 10 kN, até a
carga de 80 kN. A Figura 14 ilustra o arranjo do
sistema empregado na calibração das barras.

Figura 12. Instalação e proteção da instrumentação.

Garantiram-se as proteções do circuito


elétrico, bem como do cabeamento, através de
tubos flexíveis resistentes à umidade, a
infiltração e efeitos parasitas, que por ventura
possam ocorrer, nas leituras. As conexões e
terminais foram fabricados em aço inoxidável e
alumínio, e devidamente vedados para evitar
qualquer migração de umidade pelo
cabeamento.
O transporte das barras para o local da obra
foi realizado com auxílio de estrutura de
madeira para evitar que as mesmas sofressem
flexão. Os grampos instrumentados foram
instalados em duas seções centrais. Na estaca
44 instalaram-se dois níveis de grampo,
intermediário e superior, e na estaca 46, no
nível superior. A Figura 13 revela a localização Figura 14. Esquema típico do ensaio de calibração das
dos grampos instrumentados. barras instrumentadas.

7 MONITORAÇÃO DA OBRA

Na Figura 15 apresenta-se distribuições de


forças axiais medidas no grampo intermediário.
As medições foram efetuadas durante a
instalação e em períodos seco e chuvoso (vide
Figura 11).

Figura 13. Locação dos grampos instrumentados.

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Força (kN) Prospecções e ensaios de laboratório
permitiram definir o perfil do terreno.
12
Elevadas sucções foram estimadas como
atuantes no maciço com base em curvas
8
características determinadas utilizando a técnica
do papel filtro e os teores de umidade medidos
4 em períodos secos e úmidos. Solos residuais
não saturados podem apresentar resistências
0 bastante significativas, principalmente quando
0

6
Afastamento em relação à face (m) associados a eficientes sistemas de drenagem.
Consistentemente com os valores de sucção
30/5/2008 3/6/2008 20/6/2008
13/8/2008 11/12/2008 24/4/2009
estimados, as cargas axiais medidas nos
grampos se apresentaram baixas, indicando que
Figura 15. Distribuição de esforços normais na barra do o maciço se encontra bastante afastado da
grampo intermediário da estaca 44. ruptura.
As mobilizações observadas nos grampos
Os teores de umidade determinados devem em linhas gerais estar relacionadas às
correspondem a valores de sucção superiores a alterações nos teores de umidade do solo.
700 kPa, indicando elevada resistência do Também se observou que a compactação do
maciço reforçado. Consistentemente com os reaterro foi responsável por acréscimos na força
elevados valores de sucção, as cargas axiais axial nos grampos próximo a face de blocos.
medidas nos grampos se apresentaram
pequenas, indicando que o maciço deve se
encontrar muito afastado da ruptura. REFERÊNCIAS
Note que a geometria do maciço já estava
previamente conformada quando os grampos Dantas, M. E. (2000). Mapa Geomorfológico do Estado
do Rio de Janeiro, Escala 1:500.000. CPRM, Serviço
foram executados. Visto os grampos serem
Geológico do Brasil, Rio de Janeiro.
elementos passivos, em linhas gerais, as Ehrlich, M. (2003). Solos Grampeados - Comportamento
mobilizações de cargas no caso devem se e procedimentos de análise. Workshop sobre Solo
originar principalmente das alterações nos Grampeado, ABMS. Outubro, São Paulo, 127-137.
teores de umidade do solo. Feijó, R.L. e Ehrlich, M. (2005). Resultados do
monitoramento de uma obra experimental em solo
A redução nas tensões no grampo observada
grampeado. IV COBRAE, Setembro, Salvador, 633-
entre os meses de dezembro e abril, 642.
provavelmente está relacionada às variações Gerscovich, D. M. S. e Sayão, A. S. F. J. (2001).
observadas no teor de umidade. Nesse período Deformabilidade de taludes estabilizados com solo
ocorreram chuvas com maior intensidade e grampeado. III COBRAE, Novembro, Rio de Janeiro,
maior infiltração d’água no terreno. 483-490.
IBGE (1979). Carta Geográfica da Região Sudeste do
Por outro lado, a concentração de esforços Brasil, Folha de Itaipava/RJ. Instituto Brasileiro de
próxima ao faceamento tem origem nas tensões Geografia e Estatística, Brasil.
induzidas pela compactação do reaterro Marinho, F. A. M. (1994). Medição de sucção com o
executado entre a superfície escavada e a face, a método do papel filtro. X COBRAMSEF, Novembro,
partir do primeiro nível de grampeamento. Foz do Iguaçu, Vol.2, 515-522.
8 CONCLUSÕES

Uma obra real em solo grampeado com


faceamento em blocos segmentais executada
em solo residual de gnaisse não saturado foi
monitorada. Acompanharam-se os teores de
umidades no solo e cargas nos grampos.