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Avaliação Psicológica no Âmbito

Hospitalar
Por Felipe Fernandes -

Resumo: Na área clínica utilizamos modelos de Anamnese para levantar


informações importantes do nosso paciente como: histórico pessoal, histórico
familiar, demanda do paciente. No contexto hospitalar utiliza-se da Avaliação
Psicológica, no qual há vários modelos também.

O objetivo deste artigo é explicar como se dá a Avaliação Psicológica, o que é


e explicarei os tópicos de um exemplo de Avaliação Psicológica que eu utilizo
no hospital em que faço estágio.

Palavras-Chave: Avaliação Psicológica; Psicologia Hospitalar; Hospital

O que é Avaliação Psicológica?

Avaliação Psicológica tem como objetivo de levantar e avaliar os aspectos


psicológicos atuais do paciente e/ou familiar frente ao adoecer e/ou processo
de hospitalização, os antecedentes mórbidos, nela também deve estar contido
as informações pessoais do paciente.
Para complementar, Belar (2000) diz que, a avaliação psicológica utiliza
estratégias para a investigação dos fenômenos psíquicos, e no ambiente
hospitalar tem o objetivo de identificar as repercussões psicológicas
provocadas pelo processo de adoecimento

A Avaliação Psicológica antecede o Acompanhamento Psicológico Hospitalar,


ou seja, com as informações levantadas do paciente e/ou familiar, o psicólogo
hospitalar poderá levantar o plano terapêutico e avaliar suas condutas
terapêuticas, para enfim utilizar-se da melhor estratégia para prosseguir com a
demanda do paciente.

Utiliza-se da Avaliação Psicológica para a elaboração da evolução de um


prontuário no sistema do hospital, onde ficam todas as evoluções da equipe de
saúde do hospital. As evoluções psicológicas dividem-se em Confidencial e
Atendimento.

A quem se destina a Avaliação Psicológica?

O psicólogo hospitalar pode utilizar da Avaliação Psicológica em pacientes,


familiares ou acompanhantes.

Em qual contexto do hospital pode ser utilizada a


Avaliação Psicológica?

Pode ser utilizada em qualquer setor do hospital,como por exemplo, Pronto-


socorro, leitos de internação, UTI, entre outros.

Roteiro de Avaliação Psicológica Geral no Contexto


Hospitalar

Neste tópico, irei explicar detalhadamente um tipo de Roteiro de Avaliação


Psicológica Geral no qual utilizo no hospital. Devo deixar bem claro que cada
hospital segue seu modelo de roteiro, infelizmente não poderei passar por
completo, pois não tenho autorização.
Fonte: Internet

1. História da Pessoa (H.P)


“Quem é este paciente?”, Nome, Idade, Local de moradia atual, Com quem
mora atualmente, Profissão, Escolaridade, Lazer, Religião, Estado civil, etc…

2. História Pregressa da Moléstia Atual (H.P.M.A)


“O que houve com este paciente?”, avaliar detalhadamente o diagnóstico e a
evolução clínica atual, prognóstico e tratamento. Pergunta-se também sobre
histórico de antecedentes mórbidos, internações (tanto do paciente, quanto dos
familiares) e descrevê-los.

3. Estado Psicológico Geral


“Como está (em nível psicológico) este paciente?”, este tópico é o mais
complexo em uma avaliação psicológica, nele avalia-se o paciente e/ou
familiar/acompanhante se:

 Está consciente,
 Contatuante,
 Orientado,
 Foi receptivo ao atendimento,
 Tem conhecimento do diagnostico,
 Tem conhecimento e entendimento do tratamento,
Avalia-se como “bom”, “regular” e “frágil”

 Adesão ao tratamento
 Relação com o adoecer, tratamento, hospitalização
 Relação com a equipe de saúde
Avalia-se sequelas emocionais como “presentes” ou “ausentes”

 Com internação, tratamento, cirurgias


 Condutas terapêuticas
 Perdas e óbitos
Estado atual frente ao adoecer e hospitalização

 Avalia-se mecanismos de defesa, ganho secundário, negação,


barganha, aceitação, depressão, revolta
Avalia-se o Estado Psicológico Geral como “Bom”, “Regular” e “Frágil”

 Autoestima
 Autoconceito
 Ansiedade, Depressão
 Resiliencia
 Recursos para enfrentamento (adoecer, hospitalização, prognóstico)
Avaliam-se as Manifestações psíquicas e comportamentais:

 Culpa
 Raiva
 Fantasias
 Impotência
 Isolamento
 Insegurança
 Medo real
 Perda da autonomia
 Estresse psicorgânico
 Entre outros
Em alguns casos, como por exemplo, pacientes psiquiátricos ou com
alguma alteração orgânica, avalia-se alteração:

 Consciência (Alterações)*
 Senso Percepção (Normal, alucinação, ilusão)
 Pensamento (Normal, forma, curso, conteúdo, delírio, confusão)
 Linguagem (Normal, dislalia, disartria, afasia, ecolalia)
 Memória (normal,alteração fixação e na evocação)
 Afetividade
 Motivação e volição (normal e alterada)
 Juízo crítico
 Entre outros.
*Escrevi um artigo sobre alterações na consciência, intitulado: Psicólogo
Hospitalar Frente à Pacientes com Alteração no Estado da
Consciência, link está nas referências.

Fonte: Internet

4. Complexidade Emocional
A avaliação da complexidade emocional do paciente e/ou
familiar/acompanhante pode ser avaliada como “Média” ou “Alta”, alguns
fatores que são avaliados são:

Alta:
· Frágil estado psicológico geral com alteração significativa no estado
psicológico geral e/ou exame psíquico e em resiliência;
· Presença de antecedentes mórbidos pessoais e familiares;
· Expectativas irreais relacionadas ao adoecer/internação;
· Sequelas emocionais advindas do adoecer e hospitalizações pessoais e
familiares;
· Negação ao atendimento psicológico;
· Pacientes graves;
· Pacientes com dor crônica;
· Entre outros.
Frágil:
· Estado psicológico geral regular com alteração regular no estado
psicológico geral e/ou exame psíquico e em resiliência;
· Expectativas regulares frente ao adoecer e/ou hospitalização
· Boas ou regulares informações sobre o adoecer e necessidade de
internação
· Boa ou regular relação com a equipe de saúde
· Apoio familiar ou social
· Entre outros.

5. Conduta:
“O que foi realizado?” A conduta, o nome já diz, é a conduta que o psicólogo
hospitalar durante o atendimento. Pode-se fazer avaliação psicológica junto a
outras condutas*, segue abaixo:

 Avaliação psicológica do(a) paciente;


 Avaliação psicológica do(a) familiar ou familiares
 Avaliação psicológica em pré-operatório
 Avaliação psicológica em pós-operatório
Outras condutas podem ser, por exemplo:

 Orientação psicológica ao paciente e/ou familiar


 Preparo psicológico para condutas médicas
 Apoio pré-óbito
 Apoio pós-óbito
 Entre outros.

6. Plano Terapêutico:
“O que vou propor em nível de tratamento?”, após fazer a avaliação
psicológica, o psicólogo hospitalar deve ter conhecimento do que fazer após a
avaliação. Veja alguns exemplos abaixo:

 Acompanhamento psicológico de paciente na rotina hospitalar


 Acompanhamento psicológico de familiar na rotina hospitalar
 Acompanhamento psicológico intensivo à familiar
 Discussão de caso com a equipe de saúde
 Entrevista com familiares
 Preparo para alta
 Encaminhamento para acompanhamento psicológico e/ ou
psiquiátrico externo (não pode se ‘auto-indicar!!)
 Passagem de caso em plantão para acompanhamento
Roteiro de Avaliação Psicológica na Evolução de Prontuário do hospital

Utiliza-se da Avaliação Psicológica para a elaboração da evolução de


um prontuário no sistema do hospital, onde ficam todas as evoluções da equipe
de saúde do hospital. As evoluções psicológicas dividem-se
em Confidencial e Atendimento (Aberta). Explicarei e darei um exemplo de
um caso clínico.

 Confidencial:
Evolução confidencial utiliza-se das informações do paciente e/ou familiar que
são restritas ao Serviço de Psicologia do hospital, apenas os psicólogos do
hospital podem ter acesso.

Exemplo: H.P: E. sexo feminino, 76 anos, possui três irmãs, sendo ela a
mais nova, reside com seu marido (Sr. Fulano) e seu filho (Sr. Ciclano), possui
dois filhos.

H.P.M.A: Paciente internada há dois dias por conta de um câncer localizado


na bexiga, foi diagnosticada a doença há dois meses. Verbalizou não saber do
prognóstico da doença. Não possui antecedentes mórbidos (etc….)

Avaliação psicológica da paciente apresentou no momento alta


complexidade emocional, com frágil estado psicológico geral, com alteração em
resiliência, frágeis recursos para o enfrentamento da doença. Observa-se
poucas informações sobre o adoecer, apresentou manifestações psíquicas e
comportamentais de angústia, medo real, chorosa no momento do atendimento
(etc…)

Conduta: Avaliação Psicológica de paciente

Pano Terapêutico: Manter acompanhamento psicológico de paciente


Segue à disposição,
(Seu nome e CRP,) * Se for estagiário ou aprimorando/residente, utiliza-se
(Nome do supervisor responsável, CRP, e seu nome)


Atendimento (Aberta)
Evolução aberta utiliza-se das informações do paciente e/ou familiar que no
qual toda equipe de saúde tem acesso:

Exemplo: H.P: E. sexo feminino, 76 anos, possui três irmãs, sendo ela a mais
nova, reside com seu marido (Sr. Fulano) e seu filho (Sr. Ciclano), possui dois
filhos.

Avaliação psicológica da paciente apresentou no momento alta


complexidade emocional, com frágil estado psicológico geral, com alteração em
resiliência, frágeis recursos para o enfrentamento da doença. Observa-se
poucas informações sobre o adoecer, apresentou manifestações psíquicas e
comportamentais de angústia, medo real, chorosa no momento do atendimento
(etc…)

Conduta: Avaliação Psicológica de paciente

Segue à disposição,
(Seu nome e CRP,) * Se for estagiário ou aprimorando/residente, utiliza-se
(Nome do supervisor responsável, CRP, e seu nome)

Conclusão: É extremamente importante o uso da Avaliação psicológica no


contexto hospitalar, no qual revela aspectos relevantes do paciente e dos
familiares frente ao adoecer e à hospitalização. Faz com que o psicólogo e a
equipe de saúde promovam melhor tratamento aos pacientes.

Espero que tenham gostado deste artigo!

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Para referir este artigo: Santos, F. F. (2015). Avaliação Psicológica no Âmbito
Hospitalar. In. Mundo da Psicologia, Internet. Disponível em <link do artigo>
2015.

Referências:

Belar, C.D. (2000). Psychological interventions and health critical connections. Psicologia, Saúde &

Doenças, 1ed, (p. 11-17)

* Santos, F. F. (2015). Psicólogo Hospitalar Frente à Pacientes com Alteração no Estado da Consciência.

In. Mundo da Psicologia, Internet. Disponível em <http://mundodapsi.com/hospitalar-pacientes-alteracao-

estado-consciencia/> 2015. Recuperado em Dia 18 de Maio de 2015